Terminamos o artigo precedente considerando a ambiguidade (As vezes oportunista) do termo conservador. Termo tão vago e impreciso quanto esquerdista, socialista ou mesmo anarquista. O qual por isso mesmo suscita diversas abordagens e imprecisão.
Conservar o que do que... Quais nossos parâmetros de tempo ou espaço para manter... Qual o modelo sócio\cultural a ser escolhido...
Continuo insistindo que os termos progressista e reacionário são mais felizes e melhor cunhados.
Alias sou reacionário em certos nichos como a política (Pois sou favorável a democracia direta ou a policracia dos antigos gregos, face ao arranjo anglo saxão - Parlamentar ou representativo - feito para agradar os patrões ou pioneiros do capitalismo, em detrimento da qualidade política.) a Epistemologia, a Ética ou a Estética (Aqui caminho com os antigos gregos ou melhor com Sócrates e Aristóteles) e decididamente progressista no campo da moralidade ou do comportamento humano e consequentemente do direito, e conservador quanto a cultura pré capitalista constituída em torno da micro sociedade, alias com conotações primitivistas, etc
Afinal se alguns conservadores, pequena parte infelizmente, são na verdade reacionários voltados para as instituições pré reforma ou ante capitalistas da Idade Média ou de uma Idade Média um tanto idealizada\romantizada, a maior parte parece querer conservar outra coisa, assim o que temos, e portanto a sociedade capitalista ou mesmo americanista, sicut modelo 'Americann way of life' - E aqui não temos mínimo acordo uma vez que considero este modelo de sociedade\cultura, produzido pelos pais peregrinos, com base no individualismo e no antigo testamento, como um dos mais venenosos já produzidos, juntamente com os modelos islâmico e sionista, devido a seu conteúdo anti humanista, em oposição aos direitos essenciais, inerentes a pessoa humana, posto que sou, decididamente (Contra Kelsen e turma) jusnaturalista.
Tudo isto é já problema quando aparece diante de nós o brasileiro deslocado ou brazundunga, assumindo justamente um modelo norte americano de sociedade e cultura que não é seu.
Devemos cogitar em conservar o que é nosso por herança ou o que nos foi transmitido por nossos nobres e excelentes ancestrais sejam eles lusitanos, espanhóis, italianos ou mesmo franceses. Falo portanto em termos de latinidade. Embora nossos ancestrais indígenas, num segundo momento, algo nos possam ensinar, em termos de uma economia natural, voltada mais para o ser do que para o ter. Penso alias que o discurso do cacique norte americano Seattle seja tão rica em sabedoria quanto a declaração de independência dos EUA. Que muito nos tenha a ensinar. E que seja vergonhoso a um cristão leal (Refiro-me em especial aos Cristãos apostólicos - Ortodoxos ou romanos) ignora-lo.
Seja como for, quanto a nós brasileiros, é apropriado dizer que não temos quaisquer relação com esses calvinistas chamados país peregrinos. Os quais abandonaram a Inglaterra apenas porque não sabiam, queriam ou podiam conviver com os símbolos alheios> Assim com os sinos, cruzes e torres dos Bispos anglicanos, diante dos quais seus ancestrais se haviam curvado por dezenas de séculos, mas que eles, no entanto, aspiravam destruir...
Nossa cultura, ao menos em parte, está relacionada com Cabral, Manoel; o Venturoso, Nóbrega, Anchieta, Camões, Bernardes, Vieira, Mathias Aires, José Bonifácio, Teixeira de Freitas, Góis de Vasconcellos, Cansanção Sinimbu, S Vicente, Inhomirim, Pedro II, Luiz Gama, José do Patrocínio, Rio Branco, Nabuco de Araújo, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Eduardo Prado, Quintino Bocaiuva, Evaristo de Morais, Clovis Bevillacqua, Pontes de Miranda, Sobral Pinto, Victor Mirelles, Casimiro, Castro Alves, Pedro Américo, Vicente de Carvalho, Martins Penna, Maricá, Tobias Barreto, Farias Brito, Arthur Ramos, Teodoro Sampaio, Câmara Cascudo, Darcy Ribeiro, Fernando de Azevedo, Gilberto Freire, etc Tais as nossas referências e os homens base da nossa cultura, da nossa consciência ou do nosso espírito.
E caso desejássemos referências mais remotas teríamos - Pe Juan de Mariana, Cervantes, Dante, Tasso, La Fontaine, Racine, P Corneille, La Rouchefoucauld, La Bruyére, Hugo, Daudet, Mauriac, Bernanos, Cesbron e mesmo um Dostoievsky ou um Tolstoi estão muito mais próximos de nós e de nossa cultura do que qualquer ideólogo iankee alinhado.
Isto é nosso, nossa herança comum, nossa cultura, nosso espírito, legado pelo Cristianismo antigo ou Catolicismo, pela Filosofia clássica (Socrática ou aristotélica) e enfim pelo direito romano, fontes supinamente ignoradas ou depreciadas pela república protestante do Norte.
Por via do Cristianismo apostólico ou histórico, do aristotelismo e da estrutura política do império romano herdamos as instituições preciosas da paróquia e do município e com o municipalismo e o conselho, uma democracia de base ou uma base democrática. Como explicou Moulin havia democracia nas estruturas de nossas ordens religiosas ou conventos. Assim em nossas cortes que limitavam o régio poder. E tínhamos Ordenações (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas) impregnadas de espírito comunal ou coletivo. E os rocios e terras públicas do município. Enfim toda uma riqueza de instituições sociais, infensas ao individualismo nórdico e norteadas por um espírito gregário que tendia ao equilíbrio social.
Aqui, a chaga, ao menos no Nordeste, segundo se diz, imposta pelo meio, mas tragicamente imposta e injustificável, foi a escravidão. A qual, ao contrário dos EUA, sem efusão de sangue ou guerra fratricida, abolimos vinte anos depois deles. Pagamos, por essa instituição criminosa um preço social bastante caro até os dias de hoje e trazemos suas marcas no espírito da cultura, quiçá as cotas nos ajudem a obter alguma redenção. Quanto aos povos originários ao menos tivemos aqui conosco os padres jesuítas, graças aos quais houve certo grau ou nível de mistura, ao invés de extinção total - Executada no Oeste dos EUA em pleno século XIX, após a afirmação dos direitos essenciais da pessoa humana!
Em que pesem seus vícios e defeitos eu me orgulho de ter herdado esta cultura: Latina, ibérica, lusitana, brasileira e em parte indígena. Face a cultura de morte vigente nos EUA, cultura engendrada pelo anti humanismo protestante ou melhor calvinista, fonte também do 'Destino manifesto', da 'Identidade cristã' e do Apartheid (Este na África do sul). Assumo portanto uma cultura que desde sempre valorizou os laços sociais, o espírito comunal, a fraternidade, a solidariedade, a cooperação, o mutualismo; não o individualismo, o egoísmo ou a concorrência.
Foi esta cultura que cunhou as expressões 'Metron ariston' e 'Aurea mediocritas' ainda antes da manifestação do Evangelho de Cristo. Isto em oposição ao acúmulo irrestrito de bens, o qual nada tem de racional mas de passional - Segundo concluíram os dois maiores escritores ingleses: Swift e Defoe, cujas obras acidamente críticas a respeito da civilização econômica então emergente, podemos com proveito ler.
Nós brasileiros herdamos tudo isto e tal herança, lealmente assumida (Em particular pelos que se dizem conservadores ou patriotas) nos deveria conduzir a uma prática social ou a um tipo modelar de convívio totalmente distinto daquilo que nos é dado pela Republica anglo saxã do Norte.
Naturalmente que não ignoramos a principal causa de toda esta confusão dos infernos.
Deve-se ela, permita-me dizer sem peias ou rodeios é a introdução intencional e calamitosa da fé protestante entre nós (O que corresponde a um projeto político internacional que satisfaz a diversas demandas: A do sionismo, a da maçonaria, a do imperialismo iankee é claro...). Fé por meio da qual pretendem os pastores destruir nossa cultura ancestral e substitui-la pela cultura iankee. Fé por meio da qual esperam introduzir em nosso meio toda constelação cultural daquela sociedade: Individualismo, capitalismo, minimalismo, democracia formal, Estado policial, odinismo, etc E o que temos aqui é uma invasão ou guerra cultural - Tal e qual sucede na Europa atual face ao islã.
E a audácia dos pastores e ideólogos protestantes é tão descarada que ao tomar a expressão Cristianismo querem dar a entender que foi nossa cultura produzida pelo protestantismo ou por algo similar a ele. O que é absolutamente falso e tendencioso. A visão ou cosmovisão e projeto social das igrejas apostólicas, do Catolicismo Ortodoxo (Vide a Rússia atual que novamente se volta para os padrões de Dostoivesky, despertando o ódio do iankee.) ou do papismo é totalmente distinta da visão ou do projeto protestante calcado no antigo testamento ou no israelitismo antigo (Do que é expressão o 'Reconstrucionismo' vigente no 'Bible belt', entre as seitas fundamentalistas e na 'Identidade cristã'). São projetos opostos e inconciliáveis ainda que o projeto papista, por via do Ecumenismo moderno, tenha cada vez mais perdido sua identidade própria e até se perdido. O modelo autenticamente Cristão é o da afirmação da fraternidade e da consolidação da solidariedade tendo por referencial a Encarnação de Deus no mundo.
Perceba-se que as exóticas exigências do Mercado - Surgidas na Inglaterra do século XVIII, em torno de um status diferenciado ou superior, se estão de pleno acordo com aquele éthos individualista presente já no protestantismo, com sua insistência de uma redenção individual ou separada da comunidade dos fiéis, estão em franca contradição com a concepção cristã em torno de uma redenção social ou coletiva, relacionada com uma sociedade orgânica chamada Igreja, com a comunhão dos Santos ou ainda com o padrão social vigente em todas as culturas antigas, especialmente com o ideal grego romano da Polis.
Ociosa a ideia de buscar pela existência de um Mercado a parte da sociedade, da política ou da lei em qualquer sociedade antiga, pelo que somos autorizados a declarar que antes do século XIX jamais existiu qualquer coisa semelhante a capitalismo. Equivocado afirmar o mesmo sobre a estrutura democrática, a qual remonta, no mínimo a Clístenes (509 a C), senão, como quer Aristóteles, na Constituição, ao próprio Sólon. Pelo menos, em certo sentido (Puramente econômico) o tal comunismo de fato existiu nas culturas primitivas, por meio da posse comum da terra e dos meios de produção, de que temos exemplo, inclusive, no Genos grego. Neste sentido pode-se dizer que é o liberalismo econômico uma súbita novidade portadora de um ideal utópico.
Repito, um mercado relativamente livre e mais ou menos limitado, existe desde os tempos mais remotos ou desde os primórdios da civilização. De modo algum o conceito ou a proposta de um Mercado situado acima das instituições sociais, o que, como percebeu Pilanyi, lhe conferiria um status privilegiado ou de dominação e conferiria a sociedade um caráter economicista. Insistir sobre tal status ou superioridade implica dar início formal a construção de uma infra estrutura puramente material ou econômica nos termos postos por Marx. Com todas as implicações culturais embutidas na criação de um novo modelo totalmente distinto do modelo religioso ou do modelo metafísico. E como o ser humano possui certa tendência a arroubos místicos, o liberalismo econômico ou capitalismo presta-se a também ele a portar uma tal mística, em torno do acúmulo ou da riqueza, destinada a eletrizar almas vazias e rasteiras. E aqui fraterniza-se com os nacionalismos exaltados e sobretudo com o comunismo, com o anarquismo, com o fascismo, o nazismo, etc
Na medida em que todas as atividades da vida humana passam a ser avaliadas em termos de (Confúcio diria 'Comprar e vender') de preço ou lucro, vai esse éthos (Materialista) penetrando e transtornando todos os setores da sociedade, estabelecendo umas relações orgânicas e afirmando-se como centro totalizante. Quero dizer que todas as atividades da vida humana, antes centralizadas em torno de outros padrões, geralmente imateriais, abstratos ou metafísicos, passam a ser centralizadas em torno da produção e distribuição de bens, assumindo as características peculiares a esse padrão. A constelação cultural não gira mais em torno de deuses, do além túmulo, da estética, do conhecimento ou na lealdade, porém em torno do lucro ou do acúmulo de coisas materiais num plano, como o nosso, que é circular e portanto estável, limitado e finito.
Ainda não abordei a questão lançada por Arendt sobre a redução do espaço político ou do exercício da cidadania - Sobretudo por meio da solução representativa ou parlamentar. - e sua decorrente perda de qualidade. Mas é um dos múltiplos aspectos do economicismo. Reconhecemos o valor ou a validade das instituições democráticas, porém não damos a mínima quanto a formação do ser humano democrata, em posse de uma consciência democrática, conduzido por princípios e valores democráticos, destinado a sacrificar-se pela ordem democrática. Desdenhamos quanto a formação deste cidadão na medida em que permitimos > Em nome de interesses econômicos privados, o aumento da desigualdade social, a proliferação da miséria e, consequentemente a condensação da ignorância, enfim a criação de seres humanos mutilados, despersonalizados, desumanizados, alienados, etc com direito ao voto ou a cidadania. Por onde jamais chegamos a Democracia e sim a Oclocracia ou a uma profunda desilusão face a política. A quem este ceticismo, essa frustração, esse desleixe ou este abandono interessam...
Após tanta enrolação, passemos agora a Scruton.
Começa a pag 8 enaltecendo a 'Democracia parlamentar' e 'caridade privada'.
Bom advertir que não é esta a Democracia grega ou mesmo o landsgemeinde suíço, modelos bem mais funcionais. Via de regra (Vide Sartori) os teóricos alegam que a existência do macro estado impede a adoção do modelo direto ou da policracia (Uma vez que Atenas não passavam de uma Polis ou cidade). Penso que seja apenas uma meia verdade. Afinal existem países ou condados, aos quais cabe decidir alguma coisa... Logo, mesmo na esfera do macro estado, as demandas cantonais ou municipais sempre poderiam ser discutidas e aprovadas pela comunidade. Por outro lado o surgimento do mundo digital, da internet, da virtualidade, etc abrem novas possibilidades no que diz respeito a comunicação, e, consequentemente a vida democrática. Exemplo disto é a Democracia estendida ou Demoex criado em 2002 na Suécia.
O problema aqui, desde o surgimento do representativismo parlamentar, foi a questão do trabalho ou da economia, noutras palavras, a participação dos produtores, trabalhadores ou operários nas discussões e deliberações da vida política implicaria em algum tipo de ajuste quanto a jornada de trabalho, em termos de ausência ou rotatividade, o que implicaria por sua vez na redução do progresso, leia-se da produção e dos lucros. O que é inaceitável ainda hoje, no século XXI, imagine só no século XVII... Se em 2025 ainda há quem queira aumentar a jornada de trabalho e diminuir o tempo disponível ou ocioso dos cidadãos, imagine então os tempos pretéritos...
A acomodação, como sempre, feita foi para satisfazer os interesses dos patrões ou empreendedores, com perda da funcionalidade e o que é pior, a possibilidade de um controle maior ou digamos de sabotagem por parte dos mesmos patrões, os quais sempre poderia, de alguma maneira, influenciar a escolha dos tais representantes. Tal e qual o pastor banqueiro Vorcaro financiou a eleição de Bolsonaro ou sua propaganda com o objetivo de influenciar a vida política nacional e obter vantagens. É assim que a perniciosa indústria de armas ou bélica, por meio de gorjetas e propaganda, influencia a política norte americana, expondo os cidadãos inocentes (Que deveriam ser sempre protegidos) a constantes massacres por parte de psicopatas ou delinquentes.
Além disso, possuí o representativismo um vínculo estrutural, posto que uma transferência definitiva de poder possibilita a simples traição sob pretexto de mudança. Nada mais comum do que um candidato tal apresentar-se ao povo como seu protetor ou como defensor de seus direitos, seja a liberdade dos cidadãos ou as leis de proteção ao trabalho, até que vendo-se eleito e recebendo estipêndios criminosos muda quase que de imediato os seus princípios e valores, passando a defender o minimalismo ou a privataria. E fica tudo por isso mesmo - Posto que ninguém jamais se pergunta sobre o porquê de tão súbita mudança, investiga sua agenda ou sonda sua o saldo de sua conta bancária.
Naturalmente que um homem prudente como Locke estipulou que em tal caso, em que o interesse do eleitorado seja ameaçado e o povo sordidamente traído, deveria ser aquele parlamento dissolvido pela autoridade competente, realizando-se novas eleições. No entanto esse dispositivo importante contido nas obras do citado autor, por questão de mera conveniência, jamais foi suficientemente lavado a sério, sofrendo outra acomodação ou arranjo. De modo que após a 'transferência do poder' o povo cessa de meter o bedelho na tomada das decisões, ficando os tais senadores ou deputados firmados no cargo por três, quatro ou cinco anos i é até o fim do prazo legal determinado, façam eles o que bem quiserem, o que sucedeu entre nós nos anos noventa, durante o espetáculo das reformas e privatizações, em que o governo comprava os votos dos tais representantes a olho nu.
Quanto a caridade privada temos aqui outro erro funesto, caso a anteponhamos ao Bem comum enunciado por Aristóteles, identificado com a paz ou a concórdia, fruto enfim de uma relativa igualdade ou da justiça social. A caridade decerto, entra pelo domínio da Ética, correspondendo, até certo ponto, a uma deliberação livre. Outro o caso da justiça, cuja satisfação, pertencente a esfera das coisas impositivas, precede a caridade privada, sendo digna do cuidado e da ação política.
Scruton não fala aqui sobre o Bem comum ou a justiça social, porque talvez seja assunto alheio a sua tradição. Quanto a nós, já dissemos que a noção de Bem comum não somente remonta a Aristóteles como praticamente esgota a finalidade da ação política. A existência do Estado só se justifica enquanto meio mais eficaz para a consecução do Bem comum e da harmonia ou unidade social. Reduzido a mera estrutura policial destinada a perpetuar o status de entidades particulares, torna-se anti ético, alheio ao bem comum e não apenas inútil porém pernicioso. Assim o estado minimalista ou neo liberal, a serviço de interesses privados que perpetuam ou acentuam desigualdades.
Alias, nem se pode separar a noção de um Estado policial que se limita a conter as possíveis tentativas de subversão por parte dos escravizados, pauperizados, miseráveis, explorados, oprimidos, etc da proposta de Kelsen em torno de um direito sem ideais abstratos ou metafísicos de comportamento i é sem aquela Ética representada pelo Direito natural. Ao qual devem se ajustar, por força da Lei, todas as instituições humanas. Pois a negação do jusnaturalismo, também ela, implica aceitar passivamente e acriticamente os decretos ou ações políticas ditadas por um determinado Estado, ou como dizem, a realidade dada, seja ela qual for. Tudo isso implica não apenas conformar-se com as situações de injustiças, como se fossem desejáveis, como consolida-las e amplia-las.
Como diz Aquino a caridade privada só pode cumprir com sua finalidade adicional ou completiva após a afirmação radical da justiça, a qual por ela não pode ser substituída sem alterar negativamente a ordem natural das coisas.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
O convidado que chegou atrasado ou dialogando com Roger Scruton (Como ser um conservador) II
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terça-feira, 18 de setembro de 2018
Curso de Política I - Voto: Entre a abstenção e o pensamento mágico.
Nada mais icônico do que a propaganda dos T. E.s sobre a importância do voto no rádio e na TV. Tem certo ar de misticismo ou melhor de fetichismo que chega a repugnância. É sem dúvida algo que baralha a realidade e mistifica.
Querem passar a impressão, leviana; de que ser cidadão resume-se em votar i é em ir, obrigatoriamente, de quatro em quatro anos participar do ritual de transferência de poder que sanciona o 'status quo'. Querem passar a impressão de que votar tudo é e tudo resolve e esta impressão é perigosíssima.
Não nos enganemos, votar é um detalhe, quiçá ínfimo. É algo que faz parte da política ou melhor da cidadania, mas que não pode esgota-la.
Votar nem nos converterá em cidadãos nem solucionará todos os nossos problemas. Faz parte, não é tudo.
Alias devemos aproveitar a oportunidade para salientar a monstruosidade do voto obrigatório num contesto democrático.
O que por sinal corresponde a uma intencionalidade, e a uma intencionalidade política - Impedir ou travar a consolidação de uma política consciente e cidadã.
Afinal aquele que vota por força da lei, obrigado, revoltado...Votará de qualquer jeito ou em qualquer um, quando não venderá seu voto aquele que pague mais. Consolidado nosso coronelismo enrustido e alimentando ainda mais a venalidade e a corrupção.
Da obrigatoriedade do voto é que resulta este mercado ou melhor a oferta de eleitores que se vendem e podem ser facilmente comprados. A massa se vende porque não vê motivo algum para votar... porque não vê sentido nesta ação... E não vendo sentido esculacha, votando no tiririca ou mesmo num bode.
No outro extremo temos os abstenceístas, muitos dos quais anarquistas.
Nós, eles e os autoritários conscientes ou fascistas temos algo em comum: Reconhecemos as deficiências, mazelas, vícios e defeitos do sistema representativo elaborado por John Locke no século XVII. Democrata que não reconheça a fragilidade intrínseca da democracia representativa ou burguesa fantasia e não pode ser bom democrata. Nós, com os contrários, reconhecemos o problema.
Os anarquistas no caso acreditam que o sistema entrará em colapso por meio do abstenceísmo i é do voto nulo ou da não participação nas eleições. No entanto, o que vemos e percebemos é que, apesar das abstenções o sistema continua firme e forte, sem dar sinais de que esteja demasiadamente abalado ou prestes a cair. Os nulos hoje ainda não passam de 20%. Será que um dia chegarão a 80%??? Tenho motivos para duvidar...
No caso deles a abstenção ou seu sucesso levaria ao colapso do que chamamos macro estado. Mas quando Brasil ou Argentina dissolverem-se política e administrativamente que haverá de substitui-las? Pequenas agremiações regionais ou mesmo municipais a semelhança das antigas cidade estados gregas? O que inclusive facilitaria, sem dúvida, o exercício da policracia ou da democracia direta. É um ideal nobre - o da policracia - e do qual partilhamos, sem no entanto nos deixar enganar pela solução das cidades estado.
As cidades estado gregas, num determinado momento assumiram, em sua maior parte, a forma democrática. Foi algo belo e esplendoroso, mas nem tudo foram rosas. Pois havia, lá fora, um colossal Império persa a espreita. O trágico aqui foi que as cidades gregas não se conseguiram entender e formar uma Unidade contra o inimigo comum, o que gerou um impasse. Durante mais de século viveu a Grécia sob pressão daquele inimigo externo unificado. Até que Alexandre conquistou-o. Não sem antes unificar a força as cidades estado e, consequentemente erradicar a democracia, exterminando-as em seu próprio berço. Não poucos teóricos alegam que teve de imolar a democracia as necessidades da cultura. Pois fragilizada pela divisão e conquistada pelos persas a Grécia viria a compor o Império e a perder dua identidade cultural.
Foi uma opção dramática, e que até hoje não podemos avaliar serenamente.
Não se diga porém que inexiste um Império semelhante ao persa disposto a ocupar qualquer nicho ou espaço criado no planeta. Seria pura ingenuidade acreditar que as cidades estado do 'aquífero' não seriam assediadas por um inimigo externo poderoso e muito bem organizado nos tempos em que a água vai adquirindo tanto valor. Seria igualmente ingênuo asseverar que nossas cidades estado brasileiras ou bolivianas manteriam a concórdia ou conservariam algum tipo de unidade militar. Francamente falando, olhando para o Norte deste continente, não creio que a adoção do modelo grego convenha a América latina. Aqui temos de ser realista.
Por isso sou favorável, quiçá seguindo o exemplo de Bolivar e de José Bonifácio, a construção de uma democracia cada vez mais direta no contexto do macro estado. Quiçá através dos meios de comunicação digitais e a exemplo do Demoex da Suécia.
Abrir mão do macro estado no atual contexto bem poderia beneficiar a construção de um imperialismo colossal.
Outros tantos anarquistas, cientes de todos estes problemas, tornam a Bakhunin com seu evasivo - Não sabemos nem queremos saber que venha ser o futuro mas apenas destruir... No entanto é próprio do homem pensar o futuro ou melhor planeja-lo. Seja como for esta evasiva me parece fútil. Pois quem sabe se destruindo o que existe sem pensar o futuro não estamos preparando um futuro pior???Refletir e buscar soluções sóbrias sempre foi o caminho mais seguro para chegar ao melhor e o ser humano merece esta seguridade. Temos assim de oferecer algo ou alguma perspectiva com relação ao futuro e não me parece que o anarquismo esteja sendo bem sucedido neste sentido.
Já dissemos quando oferece alguma resposta sobre o futuro na melhor das hipóteses recorre a experiência grega em torno das cidades estado. Experiência que como vimos não deixou de ser problemática, como não deixa de se-lo no tempo presente. Dizemos melhor das hipóteses ou mais realista pelo simples fato de que parte dos anarquistas jamais furtou-se a quimera Stirneriana em torno de uma Não sociedade ou de agremiações de indivíduos, chegando aos confins do ANCAP... Claro que isto não corresponde aos ideais de um Kropotkin ou mesmo de um Bakhunin, e no entanto ao menos parte deles tem cogitado na eliminação do que concebemos por Sociedade. Como se vê, a confusão entre as noções de Estado e Sociedade torna o problema ainda mais sério e abre as portas para o espectro do individualismo...
Já os autoritários, militaristas, absolutistas, fascistas, etc são pela eliminação da democracia e pela adoção de uma ordem hierárquica, autoritária e despótica. A solução não podia ser pior... embora seus teóricos conheçam, talvez até melhor que os anarquistas, os vícios e defeitos da democracia burguesa.
Não poucos dentre eles - digo parte dos fascistas - tem exposto de deplorado a existência do que chamam plutocracia ou seja, de uma regime político ou de uma democracia a serviço de interesses puramente econômicos, do mercado ou do capital. A crítica não parte apenas dos Comunistas, mas de alguns fascistas, alias classificados como socialistas. Seja como forma eles acreditam que uma autoridade 'neutra' seja capaz de julgar a questão, de fazer justiça aos injustiçados, de conter as aspirações do Mercado e de cimentar a conciliação entre as partes instaurando uma 'paz perpétua'.
O problema aqui não diz respeito a suposta neutralidade classista ou econômica da autoridade em questão. Nem poderíamos negar a priori a existência de uma autoridade ética e voltada para o bem comum. O problema aqui é de ordem histórica, matemática e psicológica. Será prudente apostar que o titular de tão grande autoridade não se deixará corromper pelo exercício da mesma? Parece-me que para cada monarca virtuoso a História nos oferece o exemplo de mil psicopatas e degenerados como Heliogabalo, Tamerlão, Hitler, Stalin ou Bush. Não eu não acho prudente apostar no poder e na autoridade de um só e julgo que o poder absoluto corrompe absolutamente produzindo apenas monstros. Aqui os nobres e virtuosos correspondem a ínfima exceção, sendo coisa rara.
Para mim a solução pelo autoritarismo seria emenda pior que o soneto. E vemos já quem em nome da autoridade, da lei e da ordem queira sancionar a praga da tortura, que é um crime contra a humanidade.
Melhor que os homens partilhem a administração das coisa pública e se contenham uns aos outros.
Tornamos assim a solução democrática, em torno da participação, do gerenciamento comum do poder e da cidadania. Sem deixar de reconhecer que nossa forma ou estrutura é viciada e que deva ser alterada de modo a tornar-se mais eficiente e assim mais democrática.
Não é nem pelo individualismo e pela destruição, necessária, do macro estado e menos ainda pelo retorno ao despotismo que devemos sair da democracia burguesa, formal, parlamentar ou representativa mas por meio da democracia direta ou da policracia.
Nosso objetivo deve ser construir, na dimensão do macro estado, novos mecanismos capazes de ampliar a participação popular ou a cidadania, além é claro de empregar os mecanismos consagrados do plebiscito e do referendo com uma assiduidade cada vez maior. Devemos além disto priorizar a política de base resgatando o velho ideal do municipalismo, pois é na esfera do município que se torna possível um nível maior e mais profundo de participação.
Dentro desta perspectiva é claro que o voto acabará perdendo seu brilho artificial. Terá cada vez mais um peso relativo.
De certo modo o próprio abstenceísmo não deixa de presumir demasiadamente do voto e de emprestar-lhe muito importância. Pois aposta que o aumento dos votos nulos levará o sistema ao colapso.
O quanto podemos dizer sobre a realidade do tempo presente chega a ser simples - A propaganda posta em circulação nos meios de comunicação e que identifica a cidadania ou a política com o ato de votar é tendenciosa. Votar não solucionará todos os nossos problemas e isto pelo simples fato de que outros também votam, de que ignorantes e canalhas votam, de que as massas sem consciência votam... Assim, a cidadania pressupõem certo 'proselitismo' ou cerra dose de conscientização. Temos de discutir, de dialogar, de debater sobre política, temos de argumentar e de ganhar o outro, temos de persuadir o outro sobre a importância do voto cidadão, temos de nos engajar na política antes de dizer que a política não presta.
Platão já dizia que não se fará uma boa política sem a participação dos bons cidadãos. E é aqui que a abstenção, fuga ou omissão dos virtuosos enojados dará espaço e poder aos maus... Caso nos retiremos o preço a ser pago será sermos dominados pelos maus ou pelos inferiores, pelos ignorantes, pelas massas...
O Brasil é exemplo vivo disto.
Bolsonaro e seus apoiantes, assim como a sinistra bancada 'evanjéguica' correspondem a minorias ou a elementos minoritários muito bem articulados que auferem imenso benefício da abstenção por parte dos que não concordam com seus respectivos ideários. Pois bem, estas pessoas virtuosas e conscientes poderiam ajudar-nos a conter estas duas ameaças, mas preferem lavar as mãos como Pilatos e não participar, não interferir.
Digo mais. Com o apoio de tanta gente boa mas desiludida seria muito mais fácil transferir o poder para pessoas que não fossem apenas honestas mas que fossem aptas, digo bem informadas, inteligentes, capacitadas, hábeis, engajadas, etc Querendo ou não as nossas vidas são reguladas e atingidas penas decisões tomadas pelo poder político; e abstenção alguma muda isto. Querendo ou não as pessoas humildes, os trabalhadores, os assalariados, os jovens, as crianças, as mulheres e até os animais e o meio ambiente tem suas existências alteradas ou influenciadas, para melhor ou para pior, pela esfera da política institucional. Querendo ou não o que eles, os políticos profissionais, fazem repercute em nossas vidas sob a forma de qualidade ou de indignidade.
Diante desta realidade inegável fico perguntando-me se não seria melhor partir de princípios e valores saudáveis para escolher representantes leais, dedicados a justiça social, a promoção humana e ao bem comum??? Talvez eleger alguém com tais características seja fazer o mínimo ou alguma coisa. Digo eleger alguém que além de honesto, probo e impoluto seja também conhecedor da realidade social e aspire transforma-la, a partir de uma demanda ética. Agora na falta de semelhante pessoa porque ao invés de criticar e maldizer também não entramos nós na arena da política levando esta ética, estes princípios, estes valores???
Votar com consciência pode ser parte mínima e cada vez mais mínima, no entanto, mesmo assim, faz parte. Não alterará radicalmente as coisas, mas talvez ajude a impedir que elas piorem radical e aceleradamente. Talvez não possamos fazer todo bem que desejamos, mas sempre será possível conter algum mal.
Assim entre a abstenção e o idealismo romântico tomemos por critério um sóbrio realismo. Quem sabe fazendo pouco ou o mínimo seja melhor do que nada fazer ou que sonhar com futuros incertos e imaginários. Talvez abandonar esta forma precária e fragilizada de democracia e permitir que se degenere ao máximo venha a ser o caminho da mais abjeta servidão. Talvez sirva não a propósitos libertários mas a propósitos ainda mais totalitários, opressores, despóticos e tirânicos dos quantos se achem em operação no tempo presente. Afinal, ao fim da linha, que poderá saber quem ou o que substituíra o sistema que temos??? Quem poderá garantir-nos de que não sobrevirá algo ainda pior, mais sórdido e mais destrutivo???
Querem passar a impressão, leviana; de que ser cidadão resume-se em votar i é em ir, obrigatoriamente, de quatro em quatro anos participar do ritual de transferência de poder que sanciona o 'status quo'. Querem passar a impressão de que votar tudo é e tudo resolve e esta impressão é perigosíssima.
Não nos enganemos, votar é um detalhe, quiçá ínfimo. É algo que faz parte da política ou melhor da cidadania, mas que não pode esgota-la.
Votar nem nos converterá em cidadãos nem solucionará todos os nossos problemas. Faz parte, não é tudo.
Alias devemos aproveitar a oportunidade para salientar a monstruosidade do voto obrigatório num contesto democrático.
O que por sinal corresponde a uma intencionalidade, e a uma intencionalidade política - Impedir ou travar a consolidação de uma política consciente e cidadã.
Afinal aquele que vota por força da lei, obrigado, revoltado...Votará de qualquer jeito ou em qualquer um, quando não venderá seu voto aquele que pague mais. Consolidado nosso coronelismo enrustido e alimentando ainda mais a venalidade e a corrupção.
Da obrigatoriedade do voto é que resulta este mercado ou melhor a oferta de eleitores que se vendem e podem ser facilmente comprados. A massa se vende porque não vê motivo algum para votar... porque não vê sentido nesta ação... E não vendo sentido esculacha, votando no tiririca ou mesmo num bode.
No outro extremo temos os abstenceístas, muitos dos quais anarquistas.
Nós, eles e os autoritários conscientes ou fascistas temos algo em comum: Reconhecemos as deficiências, mazelas, vícios e defeitos do sistema representativo elaborado por John Locke no século XVII. Democrata que não reconheça a fragilidade intrínseca da democracia representativa ou burguesa fantasia e não pode ser bom democrata. Nós, com os contrários, reconhecemos o problema.
Os anarquistas no caso acreditam que o sistema entrará em colapso por meio do abstenceísmo i é do voto nulo ou da não participação nas eleições. No entanto, o que vemos e percebemos é que, apesar das abstenções o sistema continua firme e forte, sem dar sinais de que esteja demasiadamente abalado ou prestes a cair. Os nulos hoje ainda não passam de 20%. Será que um dia chegarão a 80%??? Tenho motivos para duvidar...
No caso deles a abstenção ou seu sucesso levaria ao colapso do que chamamos macro estado. Mas quando Brasil ou Argentina dissolverem-se política e administrativamente que haverá de substitui-las? Pequenas agremiações regionais ou mesmo municipais a semelhança das antigas cidade estados gregas? O que inclusive facilitaria, sem dúvida, o exercício da policracia ou da democracia direta. É um ideal nobre - o da policracia - e do qual partilhamos, sem no entanto nos deixar enganar pela solução das cidades estado.
As cidades estado gregas, num determinado momento assumiram, em sua maior parte, a forma democrática. Foi algo belo e esplendoroso, mas nem tudo foram rosas. Pois havia, lá fora, um colossal Império persa a espreita. O trágico aqui foi que as cidades gregas não se conseguiram entender e formar uma Unidade contra o inimigo comum, o que gerou um impasse. Durante mais de século viveu a Grécia sob pressão daquele inimigo externo unificado. Até que Alexandre conquistou-o. Não sem antes unificar a força as cidades estado e, consequentemente erradicar a democracia, exterminando-as em seu próprio berço. Não poucos teóricos alegam que teve de imolar a democracia as necessidades da cultura. Pois fragilizada pela divisão e conquistada pelos persas a Grécia viria a compor o Império e a perder dua identidade cultural.
Foi uma opção dramática, e que até hoje não podemos avaliar serenamente.
Não se diga porém que inexiste um Império semelhante ao persa disposto a ocupar qualquer nicho ou espaço criado no planeta. Seria pura ingenuidade acreditar que as cidades estado do 'aquífero' não seriam assediadas por um inimigo externo poderoso e muito bem organizado nos tempos em que a água vai adquirindo tanto valor. Seria igualmente ingênuo asseverar que nossas cidades estado brasileiras ou bolivianas manteriam a concórdia ou conservariam algum tipo de unidade militar. Francamente falando, olhando para o Norte deste continente, não creio que a adoção do modelo grego convenha a América latina. Aqui temos de ser realista.
Por isso sou favorável, quiçá seguindo o exemplo de Bolivar e de José Bonifácio, a construção de uma democracia cada vez mais direta no contexto do macro estado. Quiçá através dos meios de comunicação digitais e a exemplo do Demoex da Suécia.
Abrir mão do macro estado no atual contexto bem poderia beneficiar a construção de um imperialismo colossal.
Outros tantos anarquistas, cientes de todos estes problemas, tornam a Bakhunin com seu evasivo - Não sabemos nem queremos saber que venha ser o futuro mas apenas destruir... No entanto é próprio do homem pensar o futuro ou melhor planeja-lo. Seja como for esta evasiva me parece fútil. Pois quem sabe se destruindo o que existe sem pensar o futuro não estamos preparando um futuro pior???Refletir e buscar soluções sóbrias sempre foi o caminho mais seguro para chegar ao melhor e o ser humano merece esta seguridade. Temos assim de oferecer algo ou alguma perspectiva com relação ao futuro e não me parece que o anarquismo esteja sendo bem sucedido neste sentido.
Já dissemos quando oferece alguma resposta sobre o futuro na melhor das hipóteses recorre a experiência grega em torno das cidades estado. Experiência que como vimos não deixou de ser problemática, como não deixa de se-lo no tempo presente. Dizemos melhor das hipóteses ou mais realista pelo simples fato de que parte dos anarquistas jamais furtou-se a quimera Stirneriana em torno de uma Não sociedade ou de agremiações de indivíduos, chegando aos confins do ANCAP... Claro que isto não corresponde aos ideais de um Kropotkin ou mesmo de um Bakhunin, e no entanto ao menos parte deles tem cogitado na eliminação do que concebemos por Sociedade. Como se vê, a confusão entre as noções de Estado e Sociedade torna o problema ainda mais sério e abre as portas para o espectro do individualismo...
Já os autoritários, militaristas, absolutistas, fascistas, etc são pela eliminação da democracia e pela adoção de uma ordem hierárquica, autoritária e despótica. A solução não podia ser pior... embora seus teóricos conheçam, talvez até melhor que os anarquistas, os vícios e defeitos da democracia burguesa.
Não poucos dentre eles - digo parte dos fascistas - tem exposto de deplorado a existência do que chamam plutocracia ou seja, de uma regime político ou de uma democracia a serviço de interesses puramente econômicos, do mercado ou do capital. A crítica não parte apenas dos Comunistas, mas de alguns fascistas, alias classificados como socialistas. Seja como forma eles acreditam que uma autoridade 'neutra' seja capaz de julgar a questão, de fazer justiça aos injustiçados, de conter as aspirações do Mercado e de cimentar a conciliação entre as partes instaurando uma 'paz perpétua'.
O problema aqui não diz respeito a suposta neutralidade classista ou econômica da autoridade em questão. Nem poderíamos negar a priori a existência de uma autoridade ética e voltada para o bem comum. O problema aqui é de ordem histórica, matemática e psicológica. Será prudente apostar que o titular de tão grande autoridade não se deixará corromper pelo exercício da mesma? Parece-me que para cada monarca virtuoso a História nos oferece o exemplo de mil psicopatas e degenerados como Heliogabalo, Tamerlão, Hitler, Stalin ou Bush. Não eu não acho prudente apostar no poder e na autoridade de um só e julgo que o poder absoluto corrompe absolutamente produzindo apenas monstros. Aqui os nobres e virtuosos correspondem a ínfima exceção, sendo coisa rara.
Para mim a solução pelo autoritarismo seria emenda pior que o soneto. E vemos já quem em nome da autoridade, da lei e da ordem queira sancionar a praga da tortura, que é um crime contra a humanidade.
Melhor que os homens partilhem a administração das coisa pública e se contenham uns aos outros.
Tornamos assim a solução democrática, em torno da participação, do gerenciamento comum do poder e da cidadania. Sem deixar de reconhecer que nossa forma ou estrutura é viciada e que deva ser alterada de modo a tornar-se mais eficiente e assim mais democrática.
Não é nem pelo individualismo e pela destruição, necessária, do macro estado e menos ainda pelo retorno ao despotismo que devemos sair da democracia burguesa, formal, parlamentar ou representativa mas por meio da democracia direta ou da policracia.
Nosso objetivo deve ser construir, na dimensão do macro estado, novos mecanismos capazes de ampliar a participação popular ou a cidadania, além é claro de empregar os mecanismos consagrados do plebiscito e do referendo com uma assiduidade cada vez maior. Devemos além disto priorizar a política de base resgatando o velho ideal do municipalismo, pois é na esfera do município que se torna possível um nível maior e mais profundo de participação.
Dentro desta perspectiva é claro que o voto acabará perdendo seu brilho artificial. Terá cada vez mais um peso relativo.
De certo modo o próprio abstenceísmo não deixa de presumir demasiadamente do voto e de emprestar-lhe muito importância. Pois aposta que o aumento dos votos nulos levará o sistema ao colapso.
O quanto podemos dizer sobre a realidade do tempo presente chega a ser simples - A propaganda posta em circulação nos meios de comunicação e que identifica a cidadania ou a política com o ato de votar é tendenciosa. Votar não solucionará todos os nossos problemas e isto pelo simples fato de que outros também votam, de que ignorantes e canalhas votam, de que as massas sem consciência votam... Assim, a cidadania pressupõem certo 'proselitismo' ou cerra dose de conscientização. Temos de discutir, de dialogar, de debater sobre política, temos de argumentar e de ganhar o outro, temos de persuadir o outro sobre a importância do voto cidadão, temos de nos engajar na política antes de dizer que a política não presta.
Platão já dizia que não se fará uma boa política sem a participação dos bons cidadãos. E é aqui que a abstenção, fuga ou omissão dos virtuosos enojados dará espaço e poder aos maus... Caso nos retiremos o preço a ser pago será sermos dominados pelos maus ou pelos inferiores, pelos ignorantes, pelas massas...
O Brasil é exemplo vivo disto.
Bolsonaro e seus apoiantes, assim como a sinistra bancada 'evanjéguica' correspondem a minorias ou a elementos minoritários muito bem articulados que auferem imenso benefício da abstenção por parte dos que não concordam com seus respectivos ideários. Pois bem, estas pessoas virtuosas e conscientes poderiam ajudar-nos a conter estas duas ameaças, mas preferem lavar as mãos como Pilatos e não participar, não interferir.
Digo mais. Com o apoio de tanta gente boa mas desiludida seria muito mais fácil transferir o poder para pessoas que não fossem apenas honestas mas que fossem aptas, digo bem informadas, inteligentes, capacitadas, hábeis, engajadas, etc Querendo ou não as nossas vidas são reguladas e atingidas penas decisões tomadas pelo poder político; e abstenção alguma muda isto. Querendo ou não as pessoas humildes, os trabalhadores, os assalariados, os jovens, as crianças, as mulheres e até os animais e o meio ambiente tem suas existências alteradas ou influenciadas, para melhor ou para pior, pela esfera da política institucional. Querendo ou não o que eles, os políticos profissionais, fazem repercute em nossas vidas sob a forma de qualidade ou de indignidade.
Diante desta realidade inegável fico perguntando-me se não seria melhor partir de princípios e valores saudáveis para escolher representantes leais, dedicados a justiça social, a promoção humana e ao bem comum??? Talvez eleger alguém com tais características seja fazer o mínimo ou alguma coisa. Digo eleger alguém que além de honesto, probo e impoluto seja também conhecedor da realidade social e aspire transforma-la, a partir de uma demanda ética. Agora na falta de semelhante pessoa porque ao invés de criticar e maldizer também não entramos nós na arena da política levando esta ética, estes princípios, estes valores???
Votar com consciência pode ser parte mínima e cada vez mais mínima, no entanto, mesmo assim, faz parte. Não alterará radicalmente as coisas, mas talvez ajude a impedir que elas piorem radical e aceleradamente. Talvez não possamos fazer todo bem que desejamos, mas sempre será possível conter algum mal.
Assim entre a abstenção e o idealismo romântico tomemos por critério um sóbrio realismo. Quem sabe fazendo pouco ou o mínimo seja melhor do que nada fazer ou que sonhar com futuros incertos e imaginários. Talvez abandonar esta forma precária e fragilizada de democracia e permitir que se degenere ao máximo venha a ser o caminho da mais abjeta servidão. Talvez sirva não a propósitos libertários mas a propósitos ainda mais totalitários, opressores, despóticos e tirânicos dos quantos se achem em operação no tempo presente. Afinal, ao fim da linha, que poderá saber quem ou o que substituíra o sistema que temos??? Quem poderá garantir-nos de que não sobrevirá algo ainda pior, mais sórdido e mais destrutivo???
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domingo, 15 de julho de 2018
Semiologia ou Semiótica do anarquismo...

Entre o anarquismo e o comunismo há uma diferença significativa - alias há várias rsrsrsrs - no sentido de que este sempre se mostrou mais sistemático, orgânico e compreensível, desenvolvendo-se numa linha mais ou menos coerente. Marx e Engels, e especialmente este último, foram pensadores do mais alto quilate, ao menos no plano da economia (E sintetizadores no mínimo interessantes quanto no plano da Sociologia). Julgo que a nível de anarquismo apenas Kropotkin aproxime-se deles, apresentando um padrão de coerência e clareza que não encontramos num Proudhon ou num Bakunin.
Ademais, é notória e perceptível a influência venenosa da metafísica anti estatista francófona e do individualismo alemão mesmo sobre um teórico eslavo como Bakunin. Mesmo porque, segundo lemos em diversas publicações, as constatações de Bakunin não parecem ter partido de qualquer fonte russa ou eslava, mas de Proudhon e mesmo de Max Stirner, e os atuais anarquistas ou anarcóides, mesmo quando afetam socialismo, parecem não fugir a esta regra. Max Stirner parece estar nas bocas de muitos deles, o que nos conduziria a Bastiat, Rand, Rothbart e ao que chama de libertarianismo Norte Americano, e aqui já demos a volta ao parafuso, pois nos encontramos face ao adversário número um do socialismo ou da sociedade política.
Seja como for temos que Bakunin foi capaz de corrigir-se numa perspectiva cada vez mais social e de chegar ao velho conceito de democracia direta quiçá por influência da tradição Nairodinik ou populista da Rússia - forte pelos idos de 1860 - quiçá por ter tido contado com qualquer tradição Suíça relativa a democracia direta ou ao 'landsgemeine', conservada em alguns cantões Católicos. O fato é que Bakunin caso não tenha endossado, criou o que mais tarde veio a ser chamado anarquismo eslavo, de que Kropotkin foi o maior teórico. E devemos compreender que este anarquismo esta em oposição ao anarquismo de matriz francesa - derivado de mais de Voltaire do que de Rousseau - que desenvolvendo-se nos EUA e incorporando elementos de origem protestante ou alemã - via Max Stirner - deu origem ao já citado libertarianismo dos Ancap.
De um modo ou de outro os anarquistas jamais souberam manter um saudável equilíbrio em suas afirmações no sentido de apresentar - o mínimo que se esperaria deles - o capital tão opressor quanto o estado, e fazer guerra a ambos. Já em Bakunin, detectamos este discurso segundo o qual a opressão exercida pelo que chamam Estado é mais forte ou tirânica do que a exercida pelo capital ou pelo reino do dinheiro. Aqui a tese contrário, sustentada pelos marxistas, parece ser muito mais consistente e apoiada pelos fatos tomados a História.
Fato é que nossos anarquistas jamais romperam com este padrão de discurso, mais anti estatal do que anti capitalista e que ele só podia desembocar na tragédia Ancap - na qual o Estado continua sendo o vilão e o capital assume o papel de herói...
Queremos salientar antes de tudo qual o fim de tais discursos numa linha de coerência...
O anarquismo ocidental ou franco estado unidense, digamos assim, jamais negou Max Stirner, embora este - não Bakunin e menos Kropotkin - tenha negado, por primeira vez no curso da História, a Sociedade, a qual opõem a estranha noção de indivíduo isolado, quiçá tomada a J J Rousseau - que mais tarde afirmará a noção de contrato, em sua dimensão social - e que o Bakunin mais velho ou refletido, dirá ser tão falsa e inconsistente quanto a ideia de Deus (Bakunin era ateu virulento - a ponto de assustar Marx e Engels).
O anarquismo oriental, russo ou eslavo, quiçá devido, as mesmas fontes culturais que inspiraram a Nairodnaya, teve como ponto de inflexão, sua marcada consciência social, e a elaboração, como já mencionamos, pelo próprio Bakunin, de uma teoria de democracia direta bastante próxima da velha democracia grega - que girando em torno da cidade estado é municipalista - se bem que mais ampla por incluir mulheres e operários, e isto num tempo em que o sufrágio direto não passava de novidade. Isto é o que constatamos apesar das deficiências presentes no vocabulário anarquista, o qual pelas razões acima expostas, não é uniforme ou sistemático, mas sujeito a variações e o que é pior, a interpretações discordantes.
O que nos leva ao problema do significado.
Relativo ao que Bakunin e os militantes de seu tempo teriam querido dizer.
Teriam querido dizer o mesmo que Proudhon ou Stirner? Há quem sustente esta tese...
A pergunta é vital para nossos dias. Dias em que o anarquismo volta a carga ou melhor a propaganda e nos quais assume diversos discursos. Claro que nos Socialistas, que somos igualmente amigos da liberdade, queremos saber até que ponto um Stirner, um Bastiat ou uma Rand estão presentes nesse discurso, uma vez que estamos e queremos continuar distantes de um Mises, de um Fridman ou de um Hayek, com os quais parte considerável deles acaba conciliando-se nos termos finais, devido a ideia segundo a qual o capital é menos insidioso do que o estado e a dominação econômica mais leve do que a estatal.
No terreno de uma social democracia ou de uma inserção parlamentar, temos sempre de ter diante de nós as advertências de Engels, que na verdade remontam a F Lassalle e a 1860 no sentido de que nenhuma aliança ou pacto seja feito com os elementos da burguesia, ou de que levemos a cabo uma política honesta, noutras palavras éticas, sem que nossos princípios sejam sacrificados ou ideais negociados sob quaisquer alegações. Temos de adotar um padrão estrito de coerência ou, caso contrário, como Bakunin, chegaremos aos pés de Maquiavel, o ídolo da política burguesa, e isto será tido em conta de sinceridade, e até mesmo aplaudido...
A política deverá ser suja, e nós nos deveremos sujar ou poluir...
Importa que nós, socialistas honestos, não nos podemos aproximar dos que sustentam um estado mínimo. E de modo algum trabalhar junto com os que pretendem derrubar este estado 'burguês' para estabelecer uma ordem ainda mais burguesa sem a presença do estado. Os socialistas não obteriam vantagem alguma em destruir o estado político e manter a estrutura de produção capitalista, do que resultaria, creem eles uma tipo de opressão ainda mais duro.
Alias não há sequer acordo a respeito do que os anarquistas definem como Estado pelo simples fato de seu modo de se expressar ser confusionista ou inexato, favorecendo um discurso capcioso.
Tomemos o exemplo dos anarquistas brasileiros, daqueles que atuam entre nós no momento presente, i é, em 2018.
Antes de tudo constatamos, apavorados, quão poucos dentre eles estão familiarizados com os escritos de Bakunin e Kropotkin, os quais amiúde, são citados de segunda mão. Muito do que vemos nos círculos anarquistas brasileiros provém da tradição ocidental, franco estado unidense, o que confere um acento demasiado individualista as seus discursos, favorecendo não poucas vezes uma aproximação com minimalistas e Ancaps, aos quais eles, anarquistas, acreditam estar ligados pela mesma causa comum - O fim do estado ou da autoridade. Para qualquer socialista, que demanda antes de tudo por uma relativa igualdade econômica em torno de oportunidades, esta aproximação é inaceitável.
Basta dizer que em tais círculos a presença de Max Stirner não é incomum e a opinião subjacente entre eles - aqui o nó do problema - é que Bakunin e Kropotkin concordam com ele. Ora quem teve a oportunidade de ler um e outro, seja ou não anarquista, sabe que não há acordo e que os russos demandavam por algo muito mais amplo e profundo do que a mera destruição do que chamavam Estado. Afinal tanto Bakunin quanto Kropotkin, ao contrário do individualista alemão, não identificavam o ESTADO com a SOCIEDADE.
"La Sociedade es anterior al individuo y le sobrevive, como la naturaleza. La Sociedade es eterna, como la naturaleza, mas bien, nacida sobre la tierra durará tanto quanto dure nuestra tierra." M Bakunin
Diz ainda mais:
"Al margen de la sociedad, el hombre hubiera sido eternamente un animal salvaje."
O problema dos nossos anarquistas tupiniquins é justamente este: Tendo tomado M Stirner por guia identificam o Estado com a Sociedade, de modo que aniquilando o Estado nada resta além do indivíduo ou de indivíduos isolados, e portanto do caos, daquele caos previsto por Hobbes, em que homens convertem-se em lobos sanguissedentos, pelo simples fato de nada haver além deles...
Concluindo: Eles não leram uma linha de Bakunin ou de Kropotkin e não estão familiarizados com a terminologia conceitual empregada por eles, do contrário saberiam que não há acordo entre ambos e o alemão Max Stirner. Caso esta consciência sempre estivesse viva e presente entre eles jamais teriam se aproximado de alguém como Ayn Rand ou Mises.
Portanto forcejemos para compreender o que Bakunin e Kropotkin, estavam querendo dizer.
Segundo Georges Lefranc 1960 p 164 'Bakunin se pronuncia en favor de la sociedad en contra del estado.' Tornemos a Bakunin:
"Espero que la organizacion de la Sociedad y de la propriedad colectiva o social, se produzca DE ABAJO ARRIBA, por la via de LA LIVRE ASSOCIACION, Y NO DE ARRIBA ABAJO, POR MEDIO DE LA AUTORIDAD, SEA CUAL SEA."Perceba o leitor que Bakunin estabelece algumas relações que não são muito difíceis de entender. Relaciona o movimento de Baixo para Cima e portanto do povo para o 'comando' com a livre associação, a comuna, o município, uma pequena organização social. E da mesma forma relaciona o movimento de Cima para Baixo, i é um comando exercido por UM ou ALGUNS apenas, com a odiada autoridade.
Temos assim que para Bakunin o Estado corresponde ao sistema da autoridade ou do autoritarismo (ele não gaz diferença entre os dois tipos de conceito) ou de um comando exercido por um ou alguns sobre os demais. Claro que tem em mira antes de tudo a monarquia e também das diversas formas de aristocracia e certamente as democracias artificiais... tudo quanto duponha dominação.
Para ele, o inverso de Estado - com seu esquema de autoridade vertical - é a Sociedade. Na comunidade social não há comandantes e comandados ou governantes e governados porque todos os cidadãos são chamados a participar das decisões políticas que digam respeito a vida comum. Aqui o comando é de todos, e portanto horizontal. Importa saber se no esquema de Bakunin o indivíduo pode colocar-se acimada comunidade social ou das decisões comuns? O próprio Bakunin responde, sem qualquer artifício, que não. Que após a discussão e a deliberação comum, aquilo que foi decidido pela maioria converte-se em lei, demandando submissão por parte de todos os membros do grupo ou dos dissidentes, pelo simples fato de que tiveram a oportunidade de argumentar sobre seus pontos de vista e de convencer os demais. A ideia que anima este ponto de vista é bastante clara; e pode ser assim definida: Duas cabeças pensam melhor do que uma... Claro que isto pressupõem todo um trabalho educativo/formativo, Bakunin não o ignora, supõem-no. Ele crê que ao menos quanto as coisas comuns, a deliberação da maioria é sempre mais segura do que a opinião individual. Exceto, é claro quando temos massas incultas, situação que levaria o grupo a oclocracia.
Que temos de novo aqui no esquema de Bakunin - apresentando sob as vestes de Proudhon como anarquia??? Nada além da velha democracia direta ou da policracia - apenas ampliada - posta em prática nas cidades estados da Grécia antiga...
E embora Bakunin repudie o nome, continuamos tendo autoridade, a autoridade comum do grupo, em oposição ao autoritarismo, arbitrário e caprichoso, exercido por monarcas, déspotas, tiranos, senadores, falsos representantes, etc Aqui temos uma autoridade justa porque compartilhada. O que excluí como já dissemos a oposição individual dos dissidentes, o que admitido levaria o grupo a destruição. Os dissidentes, caso se mantenham, inflexíveis - é Bakunin quem o diz - são colocados fora do pacto ou da proteção oferecida pela comunidade, sendo-lhes franqueado o direito de abandona-la, exilando-se a si mesmos e formando uma comunidade a parte, conforme seus pontos de vista. Uma coisa é certa, permanecer na cidade, causado distúrbios não podem. Bakunin sabe qual seria o fim da oposição individual 'assentida' após cada deliberação e por isso desaprova-a. Sua comunidade não pode ser e não é a comunidade de indivíduos isolados porque uma tal comunidade é inexequível. A comunidade se mantém por laços comuns, o que demanda submissão a decisões comuns, as quais são legítimas quando tomadas pelo conjunto dos cidadãos.
Toda argumentação de Bakunin gira em torno disto e então - posta de lado a questão dos meios ou da social democracia - sou tão anarquista quanto ele, por subscrever 'in totum' seu ideal policrático de sociedade.
Kropotkin, como é sabido de todos, levou ainda mais adiante o princípio da legítima autoridade exercida comunitariamente por uma determinada sociedade e nada sabia a respeito da 'autonomia' de indivíduos isolados vivendo no seio da comunidade. Neste sentido político e social Bakunin e Kropotkin são verdadeiros socialistas, mormente quando no ideário de ambos a produção econômica é planejada e controlada pelo grupo social tendo em vista suas necessidades concretas e não a ambição e o lucro. Eles não situam o econômico fora do político ou do social i é como algo independente e não conferem ao mercado uma existência separada da comunidade.
Claro que aqui, os alemães de modo geral, em especial os que haviam estudado Hegel não partilhavam nem podiam partilhar das prevenções franco estado unidenses, a respeito do estado existente. E se os comunistas mostraram alguma hesitação, o Manifesto de 1848, com surpreendente lucidez, refere a busca pelo sufrágio universal como parte da luta comunista. E Engels, retomando este viés em 1895, admite que Lassalle, tomou aquele ideal e levou-o adiante, até chegar-mos a eleição de Bebel e ao programa de Gotha em 1875. E embora Marx tenha demonstrado alguma resistência na 'Crítica...' especialmente quanto ao caráter nacional do partido socialista alemão, do qual desconfiava. Seja como for, segundo sua filha Eleanor, pouco antes de morrer aderiu aquela solução, e mais ainda Engels, até morrer...
Em determinado momento os alemães, ao contrário dos anarquistas, concluíram pela estrutura neutra do estado recém cooptado pela burguesia e pela possibilidade de, através do sufrágio universal, inserir-se no parlamento e tomar posse dela, desmontando-a por dentro e transformando-a, a longo prazo, na própria 'ditadura do proletariado'. Claro que o mesmo tipo de raciocínio impõem-se no sentido de transforma-la numa policracia ampliando-a ou aprofundando-a por dentro, ao invés de buscar destrui-la por meio de golpes ou sedições. Claro que aqui já tocamos ao problema da instrumentalidade ou dos meios.
Os anarquistas mantiveram sua metafísica maniqueísta até mesmo quanto as palavras.
Esta percepção tanto mais realista já não diz respeito ao Estado enquanto forma de organização essencialmente opressora, mas a diferentes formas de organização social. Uma autoritária ou dualista na qual Estado e Sociedade/Comunidade são compreendidos como entidades distintas e sobrepostas - o que supõem um indivíduo, um grupo ou um setor comandando os demais. Nós, com Bakunin e Kropotkin avaliamos este tipo de governo como indesejável e ilegítimo. Mas há uma outra concepção segundo a qual o Estado corresponde a própria Sociedade por meio da participação direta de todos os cidadãos nas decisões comuns ou da policracia. Claro que é uma questão de termos ou nomes e que para Bakunin isto é impossível, pelo simples fato dele identificar arbitrariamente o Estado com o autoritarismo ou o comando arbitrário.
A questão aqui não é o estado mas sua relação com a sociedade.
E um repúdio a metafísica francesa anti estatal bem como a terminologia bakuninista, francamente confusão, colocaria a questão em termos de democracia direta ou policracia ou da identificação do estado com a sociedade. Neste sentido a solução elaborada pelos marxistas alemães no curso de sua História, até o fim do século XIX, parece imensamente mais rico do que a insistência furiosa de parte dos anarquistas a respeito das conjurações sucessivamente fracassadas. Claro que tudo isto conduz fatalmente a solução social democrática e que a social democracia, já advertia Engels, pode poluir a si mesma por meio de falsos acordos, pactos, negociatas, etc tornando-se vulnerável e perigosa. É coisa que se deve analisar com prudência noutro artigo.
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segunda-feira, 22 de maio de 2017
A produção de uma democracia não palatável e suas razões...

Tal a realidade do nosso Brasil contemporâneo, em que um número cada vez maior de cidadãos excelentes, sejam humanistas, socialistas, laicistas, amigos da liberdade, etc tem se deixado dominar pelo desamino, abater-se e optado pela abstenção, convertendo-se alguns inclusive, em apóstolos do abstencionismo.
E não é minha intenção neste artigo acusar tais pessoas de traição, conspiração ou qualquer outra coisa... De modo algum.
Tudo quanto pretendo, amigo abstencionista, é problematizar sua opção.
Começando por perguntar-lhe se acha que os paladinos do neo liberalismo e do liberalismo, noutras palavras - PSDbestas e aliados, também se sentirão desconfortáveis em meio a tanta profanidade, e optarão por abster-se? Crê de fato que os demagogos, charlatães, degenerados, vendidos, etc haverão de omitir-se também?
Admitindo que o maior número de desiludidos, desesperados, frustrados, abatidos, desanimados, desgostosos e consequentemente de abstencionistas, pertençam a plataforma de centro ou de esquerda, qual plataforma ficara mais fragilizada?
Admitindo ainda que a atual estrutura política conserve-se inalterada e nos mesmos moldes parlamentares a quem favorecerá o recuo da plataforma trabalhista? Por quem haverá de ser ocupado? Quem obterá a hegemonia no Parlamento? Que resultará de tão calamitosa situação?
Será que você acredita mesmo que o ato de abster-se e de desamparar a esquerda trabalhista atingirá os agentes mais ativos da corrupção, cuja plataforma é bem outra?
Retorno a primeira pergunta: Que o leva a crer que os eleitores da plataforma neo liberal ou liberal são tão sensíveis a chaga da corrupção quanto você partidário da esquerda?
E retorno ao citado Platão apenas com o objetivo de transmitir suas considerações ao amigo leitor:
'Caso o cidadão mais excelente opte por não participar da vida política qual haverá de ser o preço pago por ele? Sua punição será ser governado pelos medíocres e por toda gente inferior a si. Pois se o bom não participa com o objetivo de tornar a politica boa, os maus assumirão seu lugar tornando a política ainda pior do que é. E ele não poderá reclamar.' eis mais ou menos o que li há muito tempo já na clássica República.
E faz todo sentido.
Se você sendo nobre, honesto, bom, virtuoso e excelente; afasta-se da política com medo de contaminar-se, como admirar-se de que o nicho ou espaço aberto por si seja ocupado por alguém menos bem menos digno do que você, enfim por um bandido, ladrão, corrupto, venal, degenerado, canalha, etc??? Se você que é animado por princípios e valores saudáveis se abstém para não poluir-se, como deixar de concluir que o cenário só poderá piorar ainda mais devido a inserção dos maus???? Se você que é humanista recua enojado como evitar que um liberal desonesto ou um pastor charlatão preencha a vaga deixada por si e elabore leis com o objetivo de oprimir ainda mais nosso bom povo???
Como podemos ter esperança numa política melhor se quem tem princípios, valores, ética, virtude e nobreza é justamente quem se escandaliza e afasta???
Tudo quanto podemos esperar num cenário destes, de abandono e abstenção é que a condição da política agrave-se ainda mais...
Por fim, abandonado o cenário pelos virtuosos e bons poderão os corruptos e viciados prevaricar mais facilmente...
Perceba portanto caro leitor, que o abandono da política pelos virtuosos, acaba indiretamente, facilitando ainda mais o ofício do prevaricador. O qual se sentirá mais a vontade e menos ameaçado...
Afinal quem fiscalizará, quem vigiará, que denunciará tal categoria de pessoas caso o parlamento seja ocupado exclusivamente por elas?
Perceba amigo leitor que por trás da própria corrupção e sobretudo da divulgação da corrupção, coexistem diversas intencionalidade, e uma delas, com toda certeza, consiste em apresentar a política ou a democracia como algo essencialmente imundo e imprestável, desiludindo a tantos quantos aspirem sanea-la moralmente.
Há ali, deliberado propósito de apresentar a política como algo essencialmente mau, de que só tomam parte viciados, canalhas e degenerados e que não é feito para o homem honesto e decente. Uma das tônicas é sim alimentar o abstencionismo por parte dos bons, até que os maus obtenham total controle da situação. Não sei se há um programa de ação voluntária e conjunta por parte dos parlamentares corruptos neste sentido... Mas que alguns tem uma clara percepção a respeito nos parece evidente.
Podemos então falar na produção intencional e política de uma democracia não palatável por parte de alguns políticos corruptos. Os quais aspiram porque a corrupção seja divulgava aos quatro ventos, exposta, apresentada, etc com o objetivo de produzir repulsa por parte dos bons e mante-los afastados. Querem apresentar-nos a política ou a democracia como um pedaço de excremento ou carniça face ao qual sentimos vontade de vomitar e de permanecer afastados.
Por isso digo que a exposição da corrupção ou melhor dizendo a 'ostentação' que dela ser faz bem como a avidez com que é cometida, correspondem sim a tentativa de apresentar a política como algo pernicioso, nocivo, indigno e incorrigível. A ponto das pessoas acreditarem que as coisas sempre foram assim, e que não há remédio com que sanea-las, restando-nos apenas a opção de 'desertar' do cenário político, deixando-o entregue aos criminosos e sendo governados por eles.
Se ao menos as pessoas favoráveis a abstinência acreditassem na solução Revolucionária, unindo-se em torno de um ideal comum, a saber a destruição do Parlamento... A situação seria menos degradante.
Sucede no entanto que boa parte das pessoas desencantadas, que se afastaram da política vigente e das eleições, parece optar por viver num mundo paralelo, em que continuamos a ser comandados pelo Parlamento e fingimos que isto não afeta nossas vidas. O que não passa de ficção ou de delírio.
Mesmo que não participemos da política institucional a simples existência dessa política ou a realidade de um parlamento, continua a afetar dramaticamente a condição de milhões e milhões de seres humanos seja reduzindo-lhes as liberdades ou suprimindo-lhes os direitos, e consequentemente agravando diversas situações de miséria, ignorância, violência e indignidade.
Portanto de pouco vale abster-se e manter-se a parte da vida política, se não aderimos a qualquer outra pauta tanto mais 'realista' e objetiva, como a dos revolucionários e sedicionistas. Posso até discordar deles como discordo sem no entanto ter de classifica-los como inconsequentes e levianos...
Agora como haverei de classificar pessoas que tendo se afastado da vida política institucional, continuam a tolera-la, agindo como se não existisse?
Em que o fingir que determinada estrutura, forma ou organização existente inexiste haverá de beneficiar alguém???
Em que ir para a savana negando a existência de leões haverá de beneficiar o viajante?
Benefício aufere aquele que admitindo a existência real dos leões e o perigo representado por eles interna-se na savana levando consigo rifle e munições.
Por mais que o outro proceda como se os leões inexistissem nem por isso estará mais seguro.
Portanto fingir que a política não existe ou não dar a mínima por ela, ou ignora-la não te preserva das decisões políticas tomadas pelos corruptos.
De uma maneira ou de outra, enquanto o Parlamento não for destruído e instaurada uma nova ordem, você e seus entes queridos continuarão sendo afetados por suas decisões.
Se você acredita que pode destruir o Parlamento agora e instaurar uma nova ordem política da noite para o dia, não temos o que discutir. Boa sorte...
Por outro lado, caso tenhamos de conviver com o parlamento e a política institucional por certa medida de tempo, melhor encarar o problema de frente. Melhor analisar, ponderar, atuar e participar; entrando na liça com boas ideias, com bons princípios, excelentes valores e intenções virtuosas; porque isto sim assusta bastante os políticos corruptos - O simples fato de terem os cargos disputados com gente de boa índole e reputação destinada a observa-los! Temem acima de tudo ser vigiados! Cerque-mo-los! Mas para isso é preciso que a gente de bem, aceite o desafio de por as mãos na massa sem medo de contaminar-se ou de poluir-se.
Temos de acreditar que é possível sim fazer uma política diferente, pautada em sentimentos nobres e virtuosos e fundamentada na ética.
O simples conhecimento, básico e elementar, da condição humana, basta-nos para constatar que sempre haverão elementos corruptos inseridos nas estruturas políticas de modo geral e nos partidos políticos, mesmo naqueles cujos estatutos e programas objetivem a afirmação da justiça social e do bem comum. Nem mesmo os melhores partidos, inspirados nas fontes do humanismo, são ou haverão de ser incorruptíveis... Eis porque não podemos sonhar com um parlamento perfeito.
Daí a conveniência de encaminhar-se para a democracia direta ou semi direta e de se recorrer tanto quanto seja possível a plebiscitos e referendos. Eliminando-se, gradativamente, a mediação do parlamento.
No entanto quanto ele existe e na medida em que existe, é dever do homem nobre, excelente e virtuoso impedir que seja completamente dominado e usado pelos maus elementos.
Eis porque temos de insistir sobre a necessidade da inserção.
Os elementos bons e virtuosos é que devem ocupar as cadeiras do Parlamento, constituir maioria e controla-lo em detrimento dos elementos indignos e corruptos. Tal a realidade distante que com fé devemos perseguir.
Sem jamais sonhar com super homens, falsos salvadores, 'mitos', deuses... com partidos incorruptíveis ou com um parlamento perfeito. No melhor dos partidos sempre haverá maus elementos e no melhor dos parlamentos sempre haverá homens dispostos a corromper-se. Basta que estejamos sempre dispostos a enfrenta-los, vigia-los, denuncia-los, conte-los e frustra-los; impedindo-os de comandar.
E no entanto tal só será possível caso os bons tomem consciência de seu dever e tornem a apoiar a plataforma socialista, que é sem dúvida uma plataforma ou proposta excelente.
Que contemplem apenas a própria integridade e o ideal de justiça a ser perseguido, sabendo que os crimes e maldades perpetrados por outros não são capazes de atingi-los.
Ah, mas se tomar parte na política ficarei mal falado... Mas se alguém do meu partido causar escândalo perderei minha reputação... Mas caso seja denunciado maliciosamente ou caluniado terei minha honra atingida, etc, etc, etc E assim acabarei expondo-me sem necessidade.
Quanto a tais objeções diria que ao justo basta a consciência limpa e, no máximo, a confiança dos seus, digo dos familiares e amigos. E que muitos homens nobres e excelentes foram processados, acusados e caluniados a exemplo de Aristides, o justo, em Atenas... E que mesmo dentre os nossos homens base não poucos foram expostos a calúnia e mentirosamente atacados, em que pese a inocência comprovada, assim: Zacarias, Sinimbu, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Bernardino de Campos, Vargas, Juscelino, Goulart, Montoro, Brizola, etc os quais nem se deixaram abalar, não perderam a cabeça e tampouco deixaram de contribuir, cada qual em sua medida, para o bem estar geral da República.
De fato a sorte de um politico virtuoso e comprometido com o bem comum e com a justiça nem sempre é fácil e invejável. Demandando alias certa abnegação e sacrifício, o que não se pode exigir de quem quer que seja.
Então vá lá! Não aspirar candidatar-se ao menos apoie os homens virtuosos que ousam faze-lo e vote neles. Vote dos que conhece e confia, apoie-os ativamente se de fato são excelentes e comprometidos. Lute por eles e introduza-os em seu nome no Parlamento para que de fato te representem fielmente.
Mas e se estiver enganado e o homem vier a degenerar - Uma vez que somos mutáveis - e a corromper-se???
Para justificar-te, basta que tua intenção seja pura! Caso não tenhas tido a intenção de eleger um criminoso, estas inocentado. Errastes, fostes ludibriado, enganado, iludido ; tal a sorte dos mortais - Nada mais humano do que o erro! Certamente aquele que busca eleger um candidato honesto, após ter investigado e buscado conhecimento de causa, converte-se em vítima, ao ser traído por ele.
E no entanto o medo de errar não nos deve impedir de tomar as decisões que julgamos certas ou de agir.
Do contrário sequer atuaríamos de qualquer modo com medo de 'pecar' ou de cometer ações indignas, face as quais somos sugestionados frequentemente. E no entanto a inação ou a omissão são sempre mais perniciosas do que o risco. Viver é aventurar-se, é arriscar-se, é expor-se...
Importante, já o disse, é a pureza das intenções ou a vontade de acertar.
O que no âmbito da ação politica implica busca pelo conhecimento.
Vote portanto em quem já conhece e confia ou, busque conhecer de perto e com suficiência de tempo os candidatos de sua plataforma. O que é facilitado no caso dos que já atuam e pleiteiam a reeleição pelo conhecimento de seu histórico político. Certamente que há políticos comprometidos com os interesses populares que jamais foram denunciados ou citados por improbidade, assim diversos membros da bancada do PSOL dentre os quais Ivan Valente e Luiza Erundina; o deputado trabalhista Bohn Gass; o ínclito deputado pedetista Ciro Gomes; assim aqueles que foram levianamente citados sem produção material de provas como a nobre Senadora Gleisi Hoffman e a deputada Jandyra Fegalli do PS do B, dentre outros. Sempre existiram e ainda existem pessoas que valham a pena dentro do cenário político e devemos cerrar fileiras em redor delas.
No entanto de que nos valerá eleger meia dúzia de gatos pingados honestos contra uma aluvião de demagogos vendidos???
Claro que a militância cidadã implica trabalho de conscientização a ser realizado, buscando esclarecer o outro e ganha-los para esta boa causa.
Importa fortalecer esta minoria de combatentes valorosos como os parlamentares que se opuseram:
Tudo quanto podemos esperar num cenário destes, de abandono e abstenção é que a condição da política agrave-se ainda mais...
Por fim, abandonado o cenário pelos virtuosos e bons poderão os corruptos e viciados prevaricar mais facilmente...
Perceba portanto caro leitor, que o abandono da política pelos virtuosos, acaba indiretamente, facilitando ainda mais o ofício do prevaricador. O qual se sentirá mais a vontade e menos ameaçado...
Afinal quem fiscalizará, quem vigiará, que denunciará tal categoria de pessoas caso o parlamento seja ocupado exclusivamente por elas?
Perceba amigo leitor que por trás da própria corrupção e sobretudo da divulgação da corrupção, coexistem diversas intencionalidade, e uma delas, com toda certeza, consiste em apresentar a política ou a democracia como algo essencialmente imundo e imprestável, desiludindo a tantos quantos aspirem sanea-la moralmente.
Há ali, deliberado propósito de apresentar a política como algo essencialmente mau, de que só tomam parte viciados, canalhas e degenerados e que não é feito para o homem honesto e decente. Uma das tônicas é sim alimentar o abstencionismo por parte dos bons, até que os maus obtenham total controle da situação. Não sei se há um programa de ação voluntária e conjunta por parte dos parlamentares corruptos neste sentido... Mas que alguns tem uma clara percepção a respeito nos parece evidente.
Podemos então falar na produção intencional e política de uma democracia não palatável por parte de alguns políticos corruptos. Os quais aspiram porque a corrupção seja divulgava aos quatro ventos, exposta, apresentada, etc com o objetivo de produzir repulsa por parte dos bons e mante-los afastados. Querem apresentar-nos a política ou a democracia como um pedaço de excremento ou carniça face ao qual sentimos vontade de vomitar e de permanecer afastados.
Por isso digo que a exposição da corrupção ou melhor dizendo a 'ostentação' que dela ser faz bem como a avidez com que é cometida, correspondem sim a tentativa de apresentar a política como algo pernicioso, nocivo, indigno e incorrigível. A ponto das pessoas acreditarem que as coisas sempre foram assim, e que não há remédio com que sanea-las, restando-nos apenas a opção de 'desertar' do cenário político, deixando-o entregue aos criminosos e sendo governados por eles.
Se ao menos as pessoas favoráveis a abstinência acreditassem na solução Revolucionária, unindo-se em torno de um ideal comum, a saber a destruição do Parlamento... A situação seria menos degradante.
Sucede no entanto que boa parte das pessoas desencantadas, que se afastaram da política vigente e das eleições, parece optar por viver num mundo paralelo, em que continuamos a ser comandados pelo Parlamento e fingimos que isto não afeta nossas vidas. O que não passa de ficção ou de delírio.
Mesmo que não participemos da política institucional a simples existência dessa política ou a realidade de um parlamento, continua a afetar dramaticamente a condição de milhões e milhões de seres humanos seja reduzindo-lhes as liberdades ou suprimindo-lhes os direitos, e consequentemente agravando diversas situações de miséria, ignorância, violência e indignidade.
Portanto de pouco vale abster-se e manter-se a parte da vida política, se não aderimos a qualquer outra pauta tanto mais 'realista' e objetiva, como a dos revolucionários e sedicionistas. Posso até discordar deles como discordo sem no entanto ter de classifica-los como inconsequentes e levianos...
Agora como haverei de classificar pessoas que tendo se afastado da vida política institucional, continuam a tolera-la, agindo como se não existisse?
Em que o fingir que determinada estrutura, forma ou organização existente inexiste haverá de beneficiar alguém???
Em que ir para a savana negando a existência de leões haverá de beneficiar o viajante?
Benefício aufere aquele que admitindo a existência real dos leões e o perigo representado por eles interna-se na savana levando consigo rifle e munições.
Por mais que o outro proceda como se os leões inexistissem nem por isso estará mais seguro.
Portanto fingir que a política não existe ou não dar a mínima por ela, ou ignora-la não te preserva das decisões políticas tomadas pelos corruptos.
De uma maneira ou de outra, enquanto o Parlamento não for destruído e instaurada uma nova ordem, você e seus entes queridos continuarão sendo afetados por suas decisões.
Se você acredita que pode destruir o Parlamento agora e instaurar uma nova ordem política da noite para o dia, não temos o que discutir. Boa sorte...
Por outro lado, caso tenhamos de conviver com o parlamento e a política institucional por certa medida de tempo, melhor encarar o problema de frente. Melhor analisar, ponderar, atuar e participar; entrando na liça com boas ideias, com bons princípios, excelentes valores e intenções virtuosas; porque isto sim assusta bastante os políticos corruptos - O simples fato de terem os cargos disputados com gente de boa índole e reputação destinada a observa-los! Temem acima de tudo ser vigiados! Cerque-mo-los! Mas para isso é preciso que a gente de bem, aceite o desafio de por as mãos na massa sem medo de contaminar-se ou de poluir-se.
Temos de acreditar que é possível sim fazer uma política diferente, pautada em sentimentos nobres e virtuosos e fundamentada na ética.
O simples conhecimento, básico e elementar, da condição humana, basta-nos para constatar que sempre haverão elementos corruptos inseridos nas estruturas políticas de modo geral e nos partidos políticos, mesmo naqueles cujos estatutos e programas objetivem a afirmação da justiça social e do bem comum. Nem mesmo os melhores partidos, inspirados nas fontes do humanismo, são ou haverão de ser incorruptíveis... Eis porque não podemos sonhar com um parlamento perfeito.
Daí a conveniência de encaminhar-se para a democracia direta ou semi direta e de se recorrer tanto quanto seja possível a plebiscitos e referendos. Eliminando-se, gradativamente, a mediação do parlamento.
No entanto quanto ele existe e na medida em que existe, é dever do homem nobre, excelente e virtuoso impedir que seja completamente dominado e usado pelos maus elementos.
Eis porque temos de insistir sobre a necessidade da inserção.
Os elementos bons e virtuosos é que devem ocupar as cadeiras do Parlamento, constituir maioria e controla-lo em detrimento dos elementos indignos e corruptos. Tal a realidade distante que com fé devemos perseguir.
Sem jamais sonhar com super homens, falsos salvadores, 'mitos', deuses... com partidos incorruptíveis ou com um parlamento perfeito. No melhor dos partidos sempre haverá maus elementos e no melhor dos parlamentos sempre haverá homens dispostos a corromper-se. Basta que estejamos sempre dispostos a enfrenta-los, vigia-los, denuncia-los, conte-los e frustra-los; impedindo-os de comandar.
E no entanto tal só será possível caso os bons tomem consciência de seu dever e tornem a apoiar a plataforma socialista, que é sem dúvida uma plataforma ou proposta excelente.
Que contemplem apenas a própria integridade e o ideal de justiça a ser perseguido, sabendo que os crimes e maldades perpetrados por outros não são capazes de atingi-los.
Ah, mas se tomar parte na política ficarei mal falado... Mas se alguém do meu partido causar escândalo perderei minha reputação... Mas caso seja denunciado maliciosamente ou caluniado terei minha honra atingida, etc, etc, etc E assim acabarei expondo-me sem necessidade.
Quanto a tais objeções diria que ao justo basta a consciência limpa e, no máximo, a confiança dos seus, digo dos familiares e amigos. E que muitos homens nobres e excelentes foram processados, acusados e caluniados a exemplo de Aristides, o justo, em Atenas... E que mesmo dentre os nossos homens base não poucos foram expostos a calúnia e mentirosamente atacados, em que pese a inocência comprovada, assim: Zacarias, Sinimbu, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Bernardino de Campos, Vargas, Juscelino, Goulart, Montoro, Brizola, etc os quais nem se deixaram abalar, não perderam a cabeça e tampouco deixaram de contribuir, cada qual em sua medida, para o bem estar geral da República.
De fato a sorte de um politico virtuoso e comprometido com o bem comum e com a justiça nem sempre é fácil e invejável. Demandando alias certa abnegação e sacrifício, o que não se pode exigir de quem quer que seja.
Então vá lá! Não aspirar candidatar-se ao menos apoie os homens virtuosos que ousam faze-lo e vote neles. Vote dos que conhece e confia, apoie-os ativamente se de fato são excelentes e comprometidos. Lute por eles e introduza-os em seu nome no Parlamento para que de fato te representem fielmente.
Mas e se estiver enganado e o homem vier a degenerar - Uma vez que somos mutáveis - e a corromper-se???
Para justificar-te, basta que tua intenção seja pura! Caso não tenhas tido a intenção de eleger um criminoso, estas inocentado. Errastes, fostes ludibriado, enganado, iludido ; tal a sorte dos mortais - Nada mais humano do que o erro! Certamente aquele que busca eleger um candidato honesto, após ter investigado e buscado conhecimento de causa, converte-se em vítima, ao ser traído por ele.
E no entanto o medo de errar não nos deve impedir de tomar as decisões que julgamos certas ou de agir.
Do contrário sequer atuaríamos de qualquer modo com medo de 'pecar' ou de cometer ações indignas, face as quais somos sugestionados frequentemente. E no entanto a inação ou a omissão são sempre mais perniciosas do que o risco. Viver é aventurar-se, é arriscar-se, é expor-se...
Importante, já o disse, é a pureza das intenções ou a vontade de acertar.
O que no âmbito da ação politica implica busca pelo conhecimento.
Vote portanto em quem já conhece e confia ou, busque conhecer de perto e com suficiência de tempo os candidatos de sua plataforma. O que é facilitado no caso dos que já atuam e pleiteiam a reeleição pelo conhecimento de seu histórico político. Certamente que há políticos comprometidos com os interesses populares que jamais foram denunciados ou citados por improbidade, assim diversos membros da bancada do PSOL dentre os quais Ivan Valente e Luiza Erundina; o deputado trabalhista Bohn Gass; o ínclito deputado pedetista Ciro Gomes; assim aqueles que foram levianamente citados sem produção material de provas como a nobre Senadora Gleisi Hoffman e a deputada Jandyra Fegalli do PS do B, dentre outros. Sempre existiram e ainda existem pessoas que valham a pena dentro do cenário político e devemos cerrar fileiras em redor delas.
No entanto de que nos valerá eleger meia dúzia de gatos pingados honestos contra uma aluvião de demagogos vendidos???
Claro que a militância cidadã implica trabalho de conscientização a ser realizado, buscando esclarecer o outro e ganha-los para esta boa causa.
Importa fortalecer esta minoria de combatentes valorosos como os parlamentares que se opuseram:
- A PEC 241 que visava estabelecer um teto de gastos públicos
- A proposta sobre o financiamento das candidaturas políticas por empresários
- A terceirização do trabalho
E que se opõem a sinistra Reforma da Previdência.
Que tal começar levantando seus nomes e buscando conhecer melhor o trabalho deles?
São corruptos tais Parlamentares, foram denunciados ou incriminados?
Não são corruptos, jamais foram denunciados ou incriminados?
Então você não pode dizer que são todos iguais ou farinha do mesmo saco...
E suas apreciações não estão sendo justas.
Alias as generalizações quase nunca são justas.
Suponhamos agora que houvesse apenas um político honesto em todo Parlamento... Nem por isso deixaríamos de estar obrigados a apoia-lo e a reelege-lo!
Justiça é virtude que independe do número.
Não faça portanto o jogo dos políticos corruptos, omitindo-se. São eles os únicos beneficiados por sua abstenção... E te agradecerão roubando ainda mais, prevaricando mais...
Não de omita ou melindre, mas ponha a mão na massa e com responsabilidade atue e participe sem medo de errar.
É por meio de acerto e erro que se constrói e aprimora o organismo democrático.
Por mais perfeito que seja não imagine ou pense que será capaz de viver fora da realidade, e pense sobretudo nas pessoas que serão afetadas por um política pior com relação a que já existe... Pense como as vidas dos trabalhadores e das pessoas mais humildes podem ser tornar ainda difíceis na medida em que as leis são formuladas por homens vis e sem consciência, escravizados pelo dinheiro! E pense no quanto pode contribuir para evitar ou amenizar esta situação votando em pessoas dignas e comprometidas com o bem comum!
Sendo bom a afastando-se do cenário político certamente colabora para torna-lo pior.
Resta esclarecer por fim que a estratégia destes demagogos poderá, ainda a curto prazo, significar um tiro no pé...
Isto na medida em que as pessoas honestas alheias a ordem democrática, sempre poderão vir a comprometer-se com sistemas sedicionistas ou totalitários: Assim o Anarquismo, quanto ao primeiro caso; assim Monarquismo, Integralismo, Fascismo, Nazismo, Comunismo... Os quais vão se fortalecendo e avultando na medida em que mingua a consciência democrática.
Tanto mais desacreditada a democracia Parlamentar ou representativa fica entre nós e tanto mais observamos a construção de ideários rivais, especialmente entre as faixas mais jovens da população, as quais tem optado preferencialmente por aderir a credos não democráticos, ao invés de alimentar a farsa segundo a qual o Parlamento não passa de um enfeite que não afeta nossas vidas... e que consequentemente deve ser suprimido.
Certamente que a exposição e manipulação cavilosa da própria corrupção pelos políticos alimenta semelhante estado de coisas, tornando-o cada vez mais instável e perigoso. Identificada pelo vulgo com o Parlamento a ordem democrática jamais foi tão questionada e exposta a tão duras críticas como no momento presente. Afinal para a maior parte das pessoas um Parlamento corrupto implica uma democracia corrupta, que não funciona e que deve ser removida.
Vejamos que resultará de toda esta farra ou brincadeira iniciada pelos parlamentares irresponsáveis!
Quanto aos que concordam com o divino Platão, como nós, cumpre buscar votar conscientemente, dignificar candidatos honestos, fazer uma boa política, injetar esperanças no povo e construir o caminho para uma democracia cada vez mais direta e para uma sociedade cada vez mais justa, solidária e fraterna. A todas as pessoas de boa vontade convidamos amorosamente para que analisem sem preconceitos o nosso ideário -
VAMOS FORTALECER A CORRENTE DO BEM!
Que tal começar levantando seus nomes e buscando conhecer melhor o trabalho deles?
São corruptos tais Parlamentares, foram denunciados ou incriminados?
Não são corruptos, jamais foram denunciados ou incriminados?
Então você não pode dizer que são todos iguais ou farinha do mesmo saco...
E suas apreciações não estão sendo justas.
Alias as generalizações quase nunca são justas.
Suponhamos agora que houvesse apenas um político honesto em todo Parlamento... Nem por isso deixaríamos de estar obrigados a apoia-lo e a reelege-lo!
Justiça é virtude que independe do número.
Não faça portanto o jogo dos políticos corruptos, omitindo-se. São eles os únicos beneficiados por sua abstenção... E te agradecerão roubando ainda mais, prevaricando mais...
Não de omita ou melindre, mas ponha a mão na massa e com responsabilidade atue e participe sem medo de errar.
É por meio de acerto e erro que se constrói e aprimora o organismo democrático.
Por mais perfeito que seja não imagine ou pense que será capaz de viver fora da realidade, e pense sobretudo nas pessoas que serão afetadas por um política pior com relação a que já existe... Pense como as vidas dos trabalhadores e das pessoas mais humildes podem ser tornar ainda difíceis na medida em que as leis são formuladas por homens vis e sem consciência, escravizados pelo dinheiro! E pense no quanto pode contribuir para evitar ou amenizar esta situação votando em pessoas dignas e comprometidas com o bem comum!
Sendo bom a afastando-se do cenário político certamente colabora para torna-lo pior.
Resta esclarecer por fim que a estratégia destes demagogos poderá, ainda a curto prazo, significar um tiro no pé...
Isto na medida em que as pessoas honestas alheias a ordem democrática, sempre poderão vir a comprometer-se com sistemas sedicionistas ou totalitários: Assim o Anarquismo, quanto ao primeiro caso; assim Monarquismo, Integralismo, Fascismo, Nazismo, Comunismo... Os quais vão se fortalecendo e avultando na medida em que mingua a consciência democrática.
Tanto mais desacreditada a democracia Parlamentar ou representativa fica entre nós e tanto mais observamos a construção de ideários rivais, especialmente entre as faixas mais jovens da população, as quais tem optado preferencialmente por aderir a credos não democráticos, ao invés de alimentar a farsa segundo a qual o Parlamento não passa de um enfeite que não afeta nossas vidas... e que consequentemente deve ser suprimido.
Certamente que a exposição e manipulação cavilosa da própria corrupção pelos políticos alimenta semelhante estado de coisas, tornando-o cada vez mais instável e perigoso. Identificada pelo vulgo com o Parlamento a ordem democrática jamais foi tão questionada e exposta a tão duras críticas como no momento presente. Afinal para a maior parte das pessoas um Parlamento corrupto implica uma democracia corrupta, que não funciona e que deve ser removida.
Vejamos que resultará de toda esta farra ou brincadeira iniciada pelos parlamentares irresponsáveis!
Quanto aos que concordam com o divino Platão, como nós, cumpre buscar votar conscientemente, dignificar candidatos honestos, fazer uma boa política, injetar esperanças no povo e construir o caminho para uma democracia cada vez mais direta e para uma sociedade cada vez mais justa, solidária e fraterna. A todas as pessoas de boa vontade convidamos amorosamente para que analisem sem preconceitos o nosso ideário -
VAMOS FORTALECER A CORRENTE DO BEM!
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sábado, 20 de maio de 2017
A realidade política do tempo presente: PSDB, PT, Temer, Aécio, Lula, Corrupção, Eleições, Globo... II

01 . Apesar da Globo não prestar ou ser canalha isto não torna Temer nem inocente nem
desejável. Meu ódio a Globo não me torna estúpido ou cego.
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/gloria-aos-pastores-que-usaram-seu-pulpito-para-demonizar-dilma-e-divinizar-temer-e-seus-ladroes/
02. A Globo pode muito bem estar temendo a construção de mais um poder paralelo a
sinistra bancada evanjéguica - fundamento pétreo do governo golpista. Se receia desta
bancada - Em que Temer tem se escorado repetidamente - ao menos aqui mostra ter
juízo - A merda tem de ser limpada antes que feda mais
Recordemos que a bucha estourou horas antes do Temer ter ligado para o papa
Malafão pedindo arrego ou melhor bençãos para seu pacote de maldades.
03. Temos duas soluções possíveis: A solução justa e a mais excelente > O retorno de Dilma
Russef ao poder, é esta minha opção preferencial.
Afinal um processo iniciado pelo mafioso Ed Cunha e arquitetado pelos bandidos Aécio e
Temer a testa de um Congresso pestilencioso é nulo de todo valor. Contaminado,
viciado, ilegal, ilegítimo, arbitrário. A melhor saída para o golpe é sua anulação e a
retomada do estado democrático de direito
Todavia caso esta opção se torne impossível, o mal menor corresponderia a convocação
de ELEIÇÕES DIRETAS numa perspectiva pragmática seria a melhor das saídas
possíveis. Alias a luz da doutrina de John Locke, o parlamento brasileiro como um todo -
O qual mais parece a caverna do Ali Babá com dez vezes mais ladrões - deveria ser
dissolvido, sucedendo eleições gerais.
Nenhuma submissão a este parlamento corrupto e venal, em termos de eleição indireta,
sob qualquer alegação, deve ser aceita pelos cidadãos livres. Caso seja necessário o
Congresso deve ser ocupado pelo povo e colocado nos trilhos, exatamente como se faz
em certos rincões do pais. Não podemos deixar, em hipótese alguma esta decisão ao
encargo dessa latrina chamada Congresso.
O retorno de Dilma ou eleições livres NÃO HÁ TERCEIRA OPÇÃO!
04. Claro que devo mencionar sim eleições livres por simples petição a realidade.
Digo isto porque vi os jovens valentões berrando por vinte centavos ou gritando contra a
Dilma, MAS DE MODO ALGUM DE FORMA TÃO MARCADA CONTRA O TEMER E SEU
PACOTE DE MALDADES. Não posso deixa de achar curioso essas pessoas politizadas
fomentarem uma autêntica sedição por causa de vinte centavos e pouco ou nada
fazerem pela previdência do povo contra um governo ilegítimo e golpista. De fato não
constato um clamor generalizado por parte dessas pessoas. Enfrentar a Dilma e até mesmo centrais sindicais é fácil, quero ver ir lá enfrentar o
MEXEU TREME EM BRASÍLIA. Não não vejo os Black Blocks atuando em Brasília
contra o Congresso... Cade eles? onde estão agora que precisamos deles?
05. Aos monarquistas, fascistas, integristas, comunistas e anarquistas respondo que
democracia se faz por acerto e erro, exercitando-se. Claro que PRECISAMOS
URGENTEMENTE DE UMA REFORMA POLÍTICA QUE PROBLEMATIZE QUESTÕES
COMO O VOTO OBRIGATÓRIO, O VOTO DE ANALFABETOS E A CANDIDATURA DE
LIDERES RELIGIOSOS, dentre outras coisas, e no entanto apenas uma bancada de
esquerda democraticamente eleita levará este ideal a cabo.
JAMAIS ESSE LIXO NEO LIBERAL QUE TEMOS.
E menos ainda a mítica sedição ou 'revolução' armada, apregoada por todos vocês,
pelo simples fato de que jamais produz consciência e que por isso mesmo reverteu: Na
comuna de Paris, na Rússia, no México, etc após ter feito verter rios de sangue a troco
de nada, pois após cada uma delas impos-se novamente o estado capitalista ou liberal
e por que? Porque não trabalhou as mentes por meio da educação e da cultura e não
produziu consciência. Não se faz revolução alguma com massas, antes de tudo é
necessário converter as massas em povo e isto só se faz por meio da tomada de
consciência ou do processo educativo. Se vocês querem soluções imediatistas e de
desespero continuarão dando com a moleira na parede.
06. Conheço muito bem os defeitos da democracia meramente representativa, formal,
estrutural ou burguesa. Mas é a realidade que temos, a que temos de trabalhar e da
qual temos que partir, transformando-a, desconstruindo-a e reelaborando-a por
dentro.
Como Marx, Engels, Kautsky, Bernstein, Gramsci, Poulatzas, etc tenho esta
democracia burguesa e precária não como fim da história ou como algo definitivo,
mas como ponto de partida para algo melhor a ser construído coletivamente pelas
gerações, por meio da educação e da militância, institucional e não institucional.
Conheço as críticas de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a democracia pura, a qual
centra-se na necessidade de preparar as condições para ela, de formar espíritos
democráticos, de produzir consciência, de formar, de educar, de franquear acesso a
todos os que queiram ser dignos de participar e de exercer a cidadania e sei que é
desafio colossal e que só será solucionado pela educação.
Para além dos aspectos econômico e político, este em termos de estrutura ou formal,
temos um terceiro aspecto a ser considerado que é o formativo, de produção de
consciência. A ideia blanquista da sedição tomou seu lugar mas como
disse na prática não mostrou quaisquer resultados satisfatórios, exceto em,
sociedades que passavam por situações tão dramáticas - Equivalentes as de guerra
justa - como Cuba e Coréia do Norte
07. Bakunim mesmo havia dito que a liberdade e por ext a democracia, não pode ser
dada ao povo por uma elite de quadros revolucionários. Esta ideia legada pelos
positivistas e que remonta a Platão e ao ideal de ditador 'educador' quase nunca
funciona.
O povo nada dever esperar de indivíduos, salvadores, messias, etc Bem como de
elites redentoras. Redimirá a si mesmo pela tomada de consciência ou permanecerá
escravo. Liberdade é algo que não pode ser dado e democracia algo que não se
mantem nem ampliar sem espírito.
Portanto o povo deve contar apenas com o trabalho dos educadores humanistas,
enfim com o processo educativo, esclarecimento e tomada de consciência, mais do
que de armas e bombas, rifles e fuzis, formas e estruturas.
Estou sinceramente persuadido de que nosso ideal de democracia pura ou direta
será construído lentamente, por meio de um processo e não cedo a tentação da
revolta ou do adiantamento; INSTITUCIONAL e não institucionalmente, por diversas
vias. Cada qual acrescentará seu tijolinho.
08. Menos utópico falar em eleições e reforma política do que em auto gestão, apoio
mútuo, boicote geral ou mesmo no excelente recurso da desobediência civil (O qual
certamente precisa ser mais valorizado, problematizado, praticado) etc Uma vez
que nossa gente não se mostra a altura de tais recursos devido a sua falta quase
que absoluta de educação e preparo... No Brasil o que temos ainda são massas a
serem trabalhadas. No momento presente, caso consigamos impedir que sejam manipuladas por
pastores ou ludibriadas pela mídia, já conseguimos bastante, mas ainda não
conseguimos...
09. Assim quando falamos em eleições diretas temos de por o dedo bem no fundo da
ferida e avaliar o papel negativo do 'Voto obrigatório' (i é sem consciência
democrática) neste processo.
Nem podemos dizer que tudo esta bem, permanecer conformados e fugir a este
questionamento fundamental,
Afinal como aquele que não consegue enxergar qualquer sentido no voto deixará de
vende-lo ao primeiro demagogo?
Se para ele voto não tem valor certamente terá preço.
Conclusão: Acreditando ser esperto a ponto de ludibriar um político como Paulo Maluf,
venderá seu voto por cem reais enquanto o eleito obterá lucro na medida de cem por
um, carreando milhões dos cofres públicos, recobrando seu investimento e
prejudicando o corpo social como um todo. Pois a relação entre o voto obrigatório ou
mecânico e a corrupção é essencial.
Como debelar a corrupção e manter o voto mecânico?
E no entanto sem este voto fácil, os demagogos perdem seus currais... 90% dos
nossos políticos não conseguiria eleger-se por meio do voto cidadão.
A política liberal e neo liberal com suas mazelas não se mantém sem a chaga do voto
compulsório.
É por meio dessa chaga que conseguem 'diluir' ou filtrar os votos conscientes e a
custa de propina obter cargos e funções públicas.
Compreendem por que os conservadores se apegam tanto e com tanta avidez e
guarra a lei do voto obrigatório. Porque é a Matriz da corrupção e da venalidade e
porque sem ela, a bancada liberal ou anti popular não se sustenta. PSC e DEM por
exemplo são máfias que se alimentam quase que exclusivamente disto, de voto
comprado!
10. A esquerda equivocou-se redondamente quando em 1988, defendendo o voto analfabeto irrestrito, considerando - romanticamente - que a experiencialidade prática
do trabalhador humilde, comunicada pela vida vivida, seria suficiente para converte-lo
em cidadão consciente ou eleitor militante.
Foi equivoco trágico porque pagamos e ainda vamos pagar.
A consciência social e a plataforma trabalhista continuam recebendo apoio das pequenas ou baixas classes médias ou do que chamam - Nordau - pequena burguesia rancorosa e 'revoltada'.
O que nossas massas analfabéticas e manipuladas por lideres religiosos oportunistas fizeram foi abrir uma brecha ao que temos hoje de mais sinistro na política parlamentar brasileira, a 'bancada evanjéguica', principal responsável pela intifada conservadora a que hora testemunhamos.
Os fanáticos religiosos e charlatães souberam introjetar com maestria, na mente de grande parte dessas pessoas um ideário ou uma ideologia acentuadamente liberal, produzindo o fenômeno do pobre capitalista. Ora esses pobre capitalistas ou como se diz 'de direita', bem mais do que a satanizada classe média, constituem - sob a égide dos pastores - a alma do conservadorismo até o ANACAP e o Nazismo!
Passam fome, vivem em palafitas, são assalariados e oprimidos e mesmo assim contemplam o patrão ou o empresário como uma espécie de deus desde mundo, votando como carneiros naqueles que são indicados pelo pastor em troca de benção, alias de prosperidade prometida. Voto de analfabeto ou semi analfabeto converteu-se em moeda, matéria de troca ou sinônimo de poder nas mãos sujas dos pastores pentecostais, os quais a partir dai criaram seus currais e bancadas.
De modo geral este voto serviu para empoderar esses canalhas da fé e alimentar uma teocracia fortemente capitalista.
Foi projeto romântico, utópico e muito mal calculado - O qual torna vivas as críticas do velho Sócrates! - que saiu pela culatra e tem servido de pasto já ao capitalismo já ao conservadorismo moralista e social. FOI UMA TRAGÉDIA.
A PIOR FORMA DE OCLOCRACIA -A RELIGIOSA!
E a esquerda cega nem cogita repensar tudo isto e fazer 'mea culpa'. ESTAMOS NO REINO DA OCLOCRACIA MAIS TORPE! OCLOCRACIA É O QUE VIVEMOS!
O QUE SÓ SERVE PARA DAR SUPORTE AS VELHAS E JUSTAS CRÍTICAS ELABORADAS PELOS MONARQUISTAS, INTEGRISTAS E FASCISTAS DESDE O SÉCULO XIX.
Esta oclocracia teocrática ou democracia sem qualidade, esta desmerecendo os
ideais democráticos e promovendo toda uma série de críticas totalitárias. NADA MAIS PERIGOSO DO QUE DESACREDITAR A DEMOCRACIA.

12. Certamente que o voto deveria ser condicional e livre, nem mais nem menos.
As pessoas deveriam ter um mínimo de instrução para poder exercer este direito e
acima de tudo aspirar por ele ou deseja-lo enquanto ação significativa. Só assim
seria cidadão de fato cessando de alimentar a oclocracia.

13. Quaisquer líderes religiosos deveriam ser impedidos de participar das eleições,
exceto se, tal e qual os políticos, se afastassem alguns anos antes de virem a
registrar suas candidaturas. A propaganda religiosa por meio de organizações
religiosas devería ser policiada rigorosamente e a imposição de qualquer candidato
associada a sansões se ordem espiritual proibida e punida por lei. PARTIDOS DE NATUREZA RELIGIOSA DEVERIAM SER RIGOROSAMENTE
PROIBIDOS E A PROIBIÇÃO DE BANCADAS RELIGIOSAS AO MENOS
SERIAMENTE CONSIDERADA E DEMOCRATICAMENTE DISCUTIDA.
14. Nem preciso dizer que todas as agremiações religiosas que não contribuem por
meio de projetos sociais (Desvinculados de quaisquer ações proselitistas!),
limitando-se a auferir lucros em nome do sagrado deveriam ser taxadas na forma
da lei. Nada mais humilhante para o cidadão empreendedor, a respeito do qual
tanto se fala, do que essa calamidade que consiste em observar tantas pessoas
que se apresentam como religiosas auferindo lucro fácil sem terem de trabalhar
honestamente. Certamente se trata de um grande desestímulo para qualquer
cidadão virtuoso.
15. Por fim já me referi a necessidade e conveniência de que todas as questões
relevantes para a sociedade sejam cada vez mais discutidas e decididas pela
comunidade, através de plebiscitos e referendos pelo simples fato de nada ser tão
democrático e desejável quanto a participação direta do povo, exceto se houver
alguma impossibilidade absoluta. Mas sairá caro? Se comporta aumento de qualidade democrática jamais será demasiado caro,
exceto pata os capitalistas perversos. Qualidade democrática é algo porque
devamos pagar com gosto. Preferiremos acaso uma oclocracia, uma demagogia,
uma teocracia, uma plutocracia ou uma ditadura barata??? É coisa com que não se pode nem deve regatear.
Ademais, se necessário for, para custea-la, taxem-se a parcela mais afortunada
da população (Os mais ricos, nababos ou milionários) e como já dissemos todas
as agremiações religiosas que não trazem qualquer retorno social ou que não
sustentam ao menos uma ONG de caráter não proselitista. Nem se diga que somos contra a religião, somos absolutamente a favor dela.
Contra a religião são aqueles que dela abusam convertendo-a em mercado, nada
mais abominavelmente sacrílego do que fazer da fé um meio de vida.
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quarta-feira, 15 de março de 2017
Sócrates, a qualidade democrática e a produção de consciência
Antes de tudo devemos dizer que nossa democracia não é a democracia grega. Sempre oportuno dizer e repetir isto. Os gregos não conheciam o 'dogma' anglo saxão da representatividade e por isso representavam a si mesmos. Seu sistema era direto e não indireto...
Portanto entre nossa democracia, a democracia moderna, forjada na Inglaterra, já contaminada e envenenada pelo liberalismo econômico, vai uma larga diferença.
Lá a traição só era capaz em caso de 'loucura' rsrsrsrsrsrs Aqui a traição é ameaça ou perigo onipresente. Basta que algum milionário 'molhe as mãos' dos supostos representantes para que eles sem mais, atraiçoem o bom povo. Locke teve o bom senso de declarar que em tais casos era defeso ao povo rebelar-se, pegar armas e dissolver o Parlamento infiel, no entanto, este aspecto de sua doutrina parece ter caído no mais profundo esquecimento...
Segundo a concepção mais moderna de democracia o povo deve deixar-se atraiçoar pacifica e ordeiramente como uma ovelha se deixa tosquiar ou uma rês é conduzida ao matadouro; sempre em nome da autoridade... Aqui dos supostos representantes, ali de um só e mais além das massas; mas, se vai contra o interesse do bem comum, é sempre DITADURA - de um, de alguns ou de muitos.
Temos assim ditaduras de indivíduos, de classes e de massas, mas á tudo farinha do mesmo saco podre e infecto.
Curioso Sócrates ser apresentando como adversário da democracia em algumas publicações.
Nada mais equivocado.
Era Sócrates aristocrata?
Em que sentido?
Afinal há várias formas de aristocracia. Assim se há aristocracia de terras, que é oligarquia, há aristocracia de sangue, que é timocracia, e há aristocracia de grana, que é plutocracia. Mas também há uma aristocracia, e no passado era situação ou realidade consumada, da informação, do saber ou da consciência em oposição as massas iletradas, incultas, acríticas e fanatizadas.
As massas acríticas e sem consciência eram uma realidade impactante nas Sociedades antigas em que o letramento e o esclarecimento apenas havia começado ou dado os primeiros passos.
Imaginem o volume de pessoas completamente analfabetas e iletradas nas antigas cidades gregas...
Imaginem o volume de pessoas sem instrução espalhadas pelos campos ou pela realidade agrária da Helade...
Imaginem o volume e densidade das 'massas'...
E como democracia vive de consciência, era uma realidade ingrata.
Supunha o 'plano grego' todo um esforço educativo tendo em vista eliminar ou reduzir ao máximo as 'massas' transformando-as em povo consciente e agente de sua própria História. Era um plano grandioso encarado pelo ponto de vista educativo, e que demandava um esforço gigantesco. No entanto tal qual hoje, chocava-se tal plano formativo com as exigências da produção de bens ou da economia. Por isso mesmo que os gregos, como nós, deram os pés pelas mãos e estabeleceram a igualdade política entes que houvesse igualdade de consciência ou qualidade democrática... O que suscitou as críticas de Sócrates.
Sócrates não negava ou criticava a teoria democrática em si mesma e sim a realidade de uma democracia sem qualidade, i é, franqueada a todos sem exigir determinadas condições.
Nossa realidade não é menos ingrata.
Pois franqueamos o voto as massas analfabetas, cujo acesso a informação e aos saberes de caráter mais elaborado é tanto mais restrito, alegando que possuíam certo índice de consciência social, vivência, experiencialidade, etc, etc, etc, o que em alguns casos não deixa de ser verdade. Mas é manifesto e evidente que o demos um tiro no pé (da democracia), resultando desta 'democracia' de massas incultas e acríticas a sinistra bancada evangélica e após o golpe de 2016 - de que essa sinistra bancada foi a 'alma' - a reversão da própria democracia.
Isto sem falarmos das sucessivas tentativas por parte desta bancada, dominada pelo pensamento teocrático, de sabotar nossas instituições, restringindo os direitos, liberdades e garantias ao máximo; e de obter privilégios. Temos, e isto é inegável, o nosso califado ou estado pentecostal, em formação, com decorrências políticas e sociais que já se fazem sentir, e sua consolidação se deve, ao menos em parte ao voto dos analfabetos e da gente simples e sem consciência.
Karl Sagan já nos havia advertido a todos, democracia não vai bem com massas incultas ou ignorância, revertendo facilmente em teocracia seja aqui no Brasil ou em Istambul. Por isso que não se pode falar em democracia num país muçulmano, em que as pessoas, em que as massas são apenas ensinadas a ler ou a soletrar RECITANDO O CORÃO... E em que as mulheres são relegadas a ignorância mais abjeta. Onde prolifera e predomina a falta de informação, o analfabetismo, a superstição, o fundamentalismo religioso, etc a ordem democrática se torna impossível e inviável, pois falta-lhe espírito, alma ou consciência. E degenera... Saindo a emenda pior do que o soneto.
Nada mais trágico do que o poder entregue as massas incultas, acríticas e manipuláveis. Se há massas, precisam ser contidas ou controladas para que não causem maiores danos ou demassificadas... O que nos remete a um projeto educativo, essencial em termos de cultura democrática. Democracia demanda povo e qualidade e a formação de um povo consciente demanda sempre maior ou menos medida de instrução.
O que Sócrates queria era exatamente isto: Que os cidadãos se fizessem dignos da democracia por meio do letramento, do conhecimento, do saber, da reflexão, etc Não aspirava acabar com a democracia mas injetar-lhe qualidade. Por isso que criticava essa democracia inconsequente e danosa, que vai bem com massas e ignorância.
Embora Sócrates reconhecesse que todos os homens eram iguais pela capacidade da razão e pela livre vontade, não pensava que esta igualdade genérica, por si só, fosse capaz de tornar todos os homens politicamente iguais. Para que se tornassem politicamente iguais era necessário partir dessa igualdade genérica, desenvolver suas potencialidades e adquirir determinadas aptidões ou qualidades, as quais tornavam o homem digno da cidadania.
Todos podiam certamente decidir sobre as mesmas coisas, desde que TIVESSEM CONHECIMENTO DE CAUSA. Assim aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre as leis deviam estudar e conhecer as leis... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre estratégia militar deveriam estudar estratégia militar... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre economia deveriam estudar economia... E sucessivamente.
Para legislar com propriedade sobre um determinado tema é sempre necessário conhece-lo, sob pena de tomar as piores decisões, ainda que sejam comuns ou democráticas. Uma democracia mal provida de conhecimentos pode ser sim bastante catastrófica.
Tais as linhas gerais da crítica socrática.
Agora que pensar sobre ela?
O mínimo que se pode dizer é que se os cidadãos não se podem - nem mesmo hoje em 2017 - especializar nos diversos campos do conhecimento a respeito dos quais são chamados a pronunciar-se e a deliberar, é absolutamente necessário que o processo deliberativo ou decisório numa democracia direta ou semi direta seja precedido de amplo debate ou discussão (amplo = demorado) entre os especialistas em cada área. O que não exclui, antes exige, por parte do cidadão comum, ao menos um letramento geral ou uma Educação de qualidade, que inclua por exemplo os conteúdos de Psicologia - ainda ausente no currículo de nossas Escolas - Sociologia e Filosofia (incluidos a bem pouco tempo).
Trata-se de um esforço continuo e colossal em termos educativos e mesmo assim insuficiente.
Platonicamente ou socraticamente falando: Se não cabe a aristocracia do saber o exercício do exclusivo do poder e se não podemos falar numa aristocracia 'aberta' para a democracia ou melhor para os elementos que queiram fazer-se dignos dela, é imperativamente necessário que esta aristocracia do saber seja ouvida pela sociedade democrática dirigindo o debate ou a discussão que precede a deliberação.
Por outro lado esta mesma aristocracia intelectual, já crítica, já reflexiva e já digna de em certo sentido dirigir o processo democrático; não pode deixar de ser aberta pelo esforço educativo, cujo objetivo primacial é inserir mais e mais homens e mulheres, de modo consciente, no processo decisório. É ela, a elite intelectual, que deve levar adiante o processo de desmassificação por meio da formação das consciências. E o ponto de partida de todo este processo é simples: o letramento, o acesso aos conteúdos essenciais já apontados, o estímulo a criticidade, etc
Supondo que o Estado ou um determinado estado obstinadamente comprometido com as exigências estabelecidas pelo Mercado ou pelo capitalismo, fiel ao dogma da representatividade, embasado na ignorância das massas ou na alienação, etc que fazer?
Neste sentido a praxis anarquista da libre associação, do apoio mútuo, da auto gestão, etc assume um caráter de necessidade. Ou substituíra ou completará a iniciativa do Poder público. Exemplo prático é a organização das Escolas de rua, mantidas por educadores comprometidos, em quaisquer espaços públicos.
Só assim responderemos dignamente as críticas do grande filósofo no sentido de produzirmos não uma Sociedade democrática, abstrata ou metafisicamente falando, mas uma Sociedade capaz de democracia ou digna dela, em que a maior parte ou totalidade dos cidadãos, após amplo debate possa deliberar sobre este ou aquele assunto, e legislar com propriedade excluindo a representação, sempre precária de um parlamento.
Tais as possibilidades que se nos apresentam:
Portanto entre nossa democracia, a democracia moderna, forjada na Inglaterra, já contaminada e envenenada pelo liberalismo econômico, vai uma larga diferença.
Lá a traição só era capaz em caso de 'loucura' rsrsrsrsrsrs Aqui a traição é ameaça ou perigo onipresente. Basta que algum milionário 'molhe as mãos' dos supostos representantes para que eles sem mais, atraiçoem o bom povo. Locke teve o bom senso de declarar que em tais casos era defeso ao povo rebelar-se, pegar armas e dissolver o Parlamento infiel, no entanto, este aspecto de sua doutrina parece ter caído no mais profundo esquecimento...
Segundo a concepção mais moderna de democracia o povo deve deixar-se atraiçoar pacifica e ordeiramente como uma ovelha se deixa tosquiar ou uma rês é conduzida ao matadouro; sempre em nome da autoridade... Aqui dos supostos representantes, ali de um só e mais além das massas; mas, se vai contra o interesse do bem comum, é sempre DITADURA - de um, de alguns ou de muitos.
Temos assim ditaduras de indivíduos, de classes e de massas, mas á tudo farinha do mesmo saco podre e infecto.
Curioso Sócrates ser apresentando como adversário da democracia em algumas publicações.
Nada mais equivocado.
Era Sócrates aristocrata?
Em que sentido?
Afinal há várias formas de aristocracia. Assim se há aristocracia de terras, que é oligarquia, há aristocracia de sangue, que é timocracia, e há aristocracia de grana, que é plutocracia. Mas também há uma aristocracia, e no passado era situação ou realidade consumada, da informação, do saber ou da consciência em oposição as massas iletradas, incultas, acríticas e fanatizadas.
As massas acríticas e sem consciência eram uma realidade impactante nas Sociedades antigas em que o letramento e o esclarecimento apenas havia começado ou dado os primeiros passos.
Imaginem o volume de pessoas completamente analfabetas e iletradas nas antigas cidades gregas...
Imaginem o volume de pessoas sem instrução espalhadas pelos campos ou pela realidade agrária da Helade...
Imaginem o volume e densidade das 'massas'...
E como democracia vive de consciência, era uma realidade ingrata.
Supunha o 'plano grego' todo um esforço educativo tendo em vista eliminar ou reduzir ao máximo as 'massas' transformando-as em povo consciente e agente de sua própria História. Era um plano grandioso encarado pelo ponto de vista educativo, e que demandava um esforço gigantesco. No entanto tal qual hoje, chocava-se tal plano formativo com as exigências da produção de bens ou da economia. Por isso mesmo que os gregos, como nós, deram os pés pelas mãos e estabeleceram a igualdade política entes que houvesse igualdade de consciência ou qualidade democrática... O que suscitou as críticas de Sócrates.
Sócrates não negava ou criticava a teoria democrática em si mesma e sim a realidade de uma democracia sem qualidade, i é, franqueada a todos sem exigir determinadas condições.
Nossa realidade não é menos ingrata.
Pois franqueamos o voto as massas analfabetas, cujo acesso a informação e aos saberes de caráter mais elaborado é tanto mais restrito, alegando que possuíam certo índice de consciência social, vivência, experiencialidade, etc, etc, etc, o que em alguns casos não deixa de ser verdade. Mas é manifesto e evidente que o demos um tiro no pé (da democracia), resultando desta 'democracia' de massas incultas e acríticas a sinistra bancada evangélica e após o golpe de 2016 - de que essa sinistra bancada foi a 'alma' - a reversão da própria democracia.
Isto sem falarmos das sucessivas tentativas por parte desta bancada, dominada pelo pensamento teocrático, de sabotar nossas instituições, restringindo os direitos, liberdades e garantias ao máximo; e de obter privilégios. Temos, e isto é inegável, o nosso califado ou estado pentecostal, em formação, com decorrências políticas e sociais que já se fazem sentir, e sua consolidação se deve, ao menos em parte ao voto dos analfabetos e da gente simples e sem consciência.
Karl Sagan já nos havia advertido a todos, democracia não vai bem com massas incultas ou ignorância, revertendo facilmente em teocracia seja aqui no Brasil ou em Istambul. Por isso que não se pode falar em democracia num país muçulmano, em que as pessoas, em que as massas são apenas ensinadas a ler ou a soletrar RECITANDO O CORÃO... E em que as mulheres são relegadas a ignorância mais abjeta. Onde prolifera e predomina a falta de informação, o analfabetismo, a superstição, o fundamentalismo religioso, etc a ordem democrática se torna impossível e inviável, pois falta-lhe espírito, alma ou consciência. E degenera... Saindo a emenda pior do que o soneto.
Nada mais trágico do que o poder entregue as massas incultas, acríticas e manipuláveis. Se há massas, precisam ser contidas ou controladas para que não causem maiores danos ou demassificadas... O que nos remete a um projeto educativo, essencial em termos de cultura democrática. Democracia demanda povo e qualidade e a formação de um povo consciente demanda sempre maior ou menos medida de instrução.
O que Sócrates queria era exatamente isto: Que os cidadãos se fizessem dignos da democracia por meio do letramento, do conhecimento, do saber, da reflexão, etc Não aspirava acabar com a democracia mas injetar-lhe qualidade. Por isso que criticava essa democracia inconsequente e danosa, que vai bem com massas e ignorância.
Embora Sócrates reconhecesse que todos os homens eram iguais pela capacidade da razão e pela livre vontade, não pensava que esta igualdade genérica, por si só, fosse capaz de tornar todos os homens politicamente iguais. Para que se tornassem politicamente iguais era necessário partir dessa igualdade genérica, desenvolver suas potencialidades e adquirir determinadas aptidões ou qualidades, as quais tornavam o homem digno da cidadania.
Todos podiam certamente decidir sobre as mesmas coisas, desde que TIVESSEM CONHECIMENTO DE CAUSA. Assim aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre as leis deviam estudar e conhecer as leis... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre estratégia militar deveriam estudar estratégia militar... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre economia deveriam estudar economia... E sucessivamente.
Para legislar com propriedade sobre um determinado tema é sempre necessário conhece-lo, sob pena de tomar as piores decisões, ainda que sejam comuns ou democráticas. Uma democracia mal provida de conhecimentos pode ser sim bastante catastrófica.
Tais as linhas gerais da crítica socrática.
Agora que pensar sobre ela?
O mínimo que se pode dizer é que se os cidadãos não se podem - nem mesmo hoje em 2017 - especializar nos diversos campos do conhecimento a respeito dos quais são chamados a pronunciar-se e a deliberar, é absolutamente necessário que o processo deliberativo ou decisório numa democracia direta ou semi direta seja precedido de amplo debate ou discussão (amplo = demorado) entre os especialistas em cada área. O que não exclui, antes exige, por parte do cidadão comum, ao menos um letramento geral ou uma Educação de qualidade, que inclua por exemplo os conteúdos de Psicologia - ainda ausente no currículo de nossas Escolas - Sociologia e Filosofia (incluidos a bem pouco tempo).
Trata-se de um esforço continuo e colossal em termos educativos e mesmo assim insuficiente.
Platonicamente ou socraticamente falando: Se não cabe a aristocracia do saber o exercício do exclusivo do poder e se não podemos falar numa aristocracia 'aberta' para a democracia ou melhor para os elementos que queiram fazer-se dignos dela, é imperativamente necessário que esta aristocracia do saber seja ouvida pela sociedade democrática dirigindo o debate ou a discussão que precede a deliberação.
Por outro lado esta mesma aristocracia intelectual, já crítica, já reflexiva e já digna de em certo sentido dirigir o processo democrático; não pode deixar de ser aberta pelo esforço educativo, cujo objetivo primacial é inserir mais e mais homens e mulheres, de modo consciente, no processo decisório. É ela, a elite intelectual, que deve levar adiante o processo de desmassificação por meio da formação das consciências. E o ponto de partida de todo este processo é simples: o letramento, o acesso aos conteúdos essenciais já apontados, o estímulo a criticidade, etc
Supondo que o Estado ou um determinado estado obstinadamente comprometido com as exigências estabelecidas pelo Mercado ou pelo capitalismo, fiel ao dogma da representatividade, embasado na ignorância das massas ou na alienação, etc que fazer?
Neste sentido a praxis anarquista da libre associação, do apoio mútuo, da auto gestão, etc assume um caráter de necessidade. Ou substituíra ou completará a iniciativa do Poder público. Exemplo prático é a organização das Escolas de rua, mantidas por educadores comprometidos, em quaisquer espaços públicos.
Só assim responderemos dignamente as críticas do grande filósofo no sentido de produzirmos não uma Sociedade democrática, abstrata ou metafisicamente falando, mas uma Sociedade capaz de democracia ou digna dela, em que a maior parte ou totalidade dos cidadãos, após amplo debate possa deliberar sobre este ou aquele assunto, e legislar com propriedade excluindo a representação, sempre precária de um parlamento.
Tais as possibilidades que se nos apresentam:
- Permaneceremos atrelados ao dogma da democracia formal, burguesa ou liberal ad infinitum, e este será o 'fim da história' como quer o sr Fukuiama.
Não. Este será o fim inglório da democracia e de suas esperanças, substituída pela 'ordem' teocrática imposta pelas massas incultas e manipuladas. - Apostaremos no totalitarismo - ditador, tirano, déspota, líder ou messias Salvador. Mas a loteria da História demonstra com absoluta propriedade que para cada D Pedro II a centos ou milhares de Hitlers, Stalines ou Bushes, psicopatas degenerados dispostos a sangrar o gênero humano. Com o saldo de milhões e milhões de almas sacrificadas... Ao menos no plano da política ou da sociologia, a crença hindu/budista segundo a qual 'Ninguém deve esperar qualquer salvador além de si mesmo ou fora de si mesmo.' converte-se na mais prístina verdade. O povo não deve esperar absolutamente nada de quem quer que seja, mas tornar-se agente de sua emancipação.
- Ultrapassaremos o modelo democrático formal ou burguês restabelecendo o modelo democrático grego, i é, direto; passando antes - provavelmente - pelo modelo romano, semi direito, dos plebiscitos ou referendos, fase já atingida por diversos países europeus. O que no, entanto, como acabamos de dizer, não nos deve iludir e conduzir a um comodismo análogo ao dos antigos atenienses, mas predispor-nos a um heroico esforço formativo, a que chamamos desmassificação.
E nós somos por esta última. Embora conscientes do 'defeito' apontado por Sócrates e da necessidade de formar os cidadãos para a ordem democrática e de forma-los por meio de uma educação de máxima qualidade. A qual o permita compreender a si mesmo, a evolução biológica dos seres vivos, a organização social, o desenrolar do processo histórico, a produção de bens, a formação da mente e da personalidade... levando a posicionar-se diante do universo, assumindo valores que estimulem e possibilitem a convivência, além da afirmação do bem comum.
Implica este ideal, já por ser político e mais ainda por ser educativo e formativo, questionar o espaço dado pela sociedade capitalista a dimensão econômica da existência, e restringi-la se necessário for. Implica este ideal de democracia chocar-se com o espírito do economicismo, em nome do que cognominamos humanismo.
Precisamos dar mais espaço ao político e educacional tendo em vista a expansão da consciência e a afirmação de um padrão de qualidade?
Os espaços atualmente ocupados pela produção econômica, pela educação e pela cidadania precisam ser discutidos?
Temos uma péssima política?
A quem ou que isto se deve?
Somos preparados efetivamente para o exercício da cidadania?
Todas as crianças e jovens estão na escola?
A que ou a quem favorecem a ignorância, a alienação e o desprezível espírito de submissão cultivado por tantos?
A que acomodamos nosso espírito democrático?
Fomos bem sucedidos em produzir uma consciência democrática em nosso pais?
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A todos estes questionamentos o liberal economicista responderá imutavelmente com sua shahada: Não é o melhor dos sistemas mas é o que temos?
Com pastores da prosperidade e bancadas fundamentalistas assaltando o estado 'laico' e buscando interferir ativamente nas vidas das pessoas?
Com a afirmação irracional, caprichosa e arbitrária de preconceitos estúpidos como a homofobia, o adultismo, o especismo, etc???
Com um mar de corrupção e venalidade que nos submerge até o pescoço, que nos sufoca e que compromete inclusive a reputação das instituições?
Com uma execrável justiça ideológica e partidarista capaz de profanar a legalidade???
Com os direitos e garantias do trabalho sendo imolados no altar de Mamon pelo próprio Parlamento???
Se nos devemos contentar com isso, com esse lixo, melhor vestir uma camisa de força e pedir refúgio num hospício.
Nada mais indigno e abjeto do que pedir ao cidadão que se conforme com tudo isto e bata palmas. É apenas aqui, que os totalitário, até eles, mostram um pouco mais de sanidade e dignidade do que os 'tarados' liberais...
Não, não se pode pedir ao ser racional e libre, ao ser consciente e ético, ao ser instruído e civilizado que se conforme com tão baixo padrão de moralidade política.
Neste caso qual caminho a ser seguido?
A democracia representativa foi criada com o objetivo de suprir a uma formação educacional, ética e cidadã que o liberal, julga ser impossível e tão utópica quanto os delírios do comunismo.
Para o liberal não se deve dispender assim tanto tempo em educação e formação política em detrimento das necessidades econômicas que ele julga serem básicas.
É questão de vontade.
A democracia não deve obter mais qualidade e tornar-se direta ou semi direta e nem a sociedade deve ser desmassificada e posta a salvo da ameaça teocrática APENAS PARA QUE O CAPITALISMO POSSA PERMANECER FUNCIONANDO E COM O MESMO RITMO DE SEMPRE.
É devido a imposição das falsas necessidades ditadas pelo Mercado que a democracia perde sua qualidade e que nosso projeto de democratização i é a retomada de nossa herança greco romana, é declarado impossível, inviável ou utópico. Pois para que as pessoas estejam mais presentes nas escolas, nas bibliotecas, nos museus, nos debates, nas decisões ou na politica enfim deverão estar menos presentes nas fábricas... E também deverão fruir de uma condição de vida melhor. O que nos conduz ainda mais uma vez a eliminação ou drástica redução, da alienação, da ignorância e portanto da miséria.
Compreendem por que a causa do fundamentalismo religioso ou da teocracia e do capitalismo é a mesma e que o patrão e o pastor são sempre aliados? Posto que ambos vivem de ignorância e miséria, e aspiram perpetuar a direção: FÁBRICA - IGREJA e vice versa??? Compreendem que o patrão e os políticos traidores e venais precisam do pastor para injetar o veneno da submissão nos cérebros dos trabalhadores? Compreender porque tanto o pastor quanto o patrão temem a escola, o esforço educativo, o esclarecimento e o exercício da cidadania? Como o pastor poderia vender falsas, esperanças, falsa libertação e falsos milagres caso não houvesse uma situação de angústia generalizada produzida pelo patrão? A causa da Bíblia e do auto forno é a mesma...
No entanto a mesma educação que leva o cidadão a questionar os mitos do antigo testamento e a autoridade do pastor, mina pela base a suposta autoridade do patrão.
Por isso ambos se sentem ameaçados pelo esclarecimento, e lá existe uma solidariedade oculta entre as necessidades do mercado e o projeto teocrático da bancada bíblica, o anseio de humilhar, oprimir, domesticar e colonizar o homem por meio de normas e regras arbitrárias tornando-o dócil; o eterno anseio de controlar e o desejo de escraviza-lo por meio da ignorância convertendo-o numa boa ovelhinha, num bom empregado ou num 'homem de bem' sempre submisso a ordem iníqua em que esta inserido.
Por isso é uma e mesma a causa da democracia direta, do mundo do trabalho ou seja do socialismo e da liberdade religiosa; e não se separam, formam uma unidade. Tanto a exploração econômica ou a miséria quanto o fundamentalismo religioso tornam a democracia, mesmo indireta e parlamentar impossível, desestabiliza-na e tornam-na mais indesejável que a tirania; justamente porque não passa ela mesma de uma ditadura de massas e aristocratas do dinheiro ou plutocratas. Ditadura de massas porque as massas não tendo consciência são manipuladas por eles, governando os milionários em nome das massas que oprimem, exploram e enganam... E ficando o cidadão consciente sempre a ver navios... Quando não a seduzido pela falsa esperança da ditadura individual ou pela fé num redentor secular. Sedução que é igualmente fruto da angústia e do desespero, face a precariedade de uma democracia apenas aparente, que o capitalismo impede de tornar-se real...
Temos uma democracia de conta gotas, de medida, controlada por um elemento externo e não político. Mas se não é soberana não é democracia, se é submissa não é democracia...
Urgem retornar a Sócrates. Compreender os defeitos estruturais da democracia antiga e da nova para buscar sanea-los. Ocultar ou disfarçar o estado precário e a condição abjeta de nossa democracia não a salvará. Manter a eterna ilusão de uma democracia de massas iletradas e incultas sempre no acesso do fanatismo religioso e do fundamentalismo não a salvará. Compactuar com a ignorância e alienação não a salvará. Fazer o jogo sujo e sórdido do mercado não a salvará.
Democracia se faz com esforços educativos e formativos que levem a formação de consciência bem como a produção de espírito e cultura. Democracia deve ser sinônimo de desmassificação. Democracia deve considerar sim preparo, capacidade, habilidades, competências, etc Democracia deve discutir, dialogar, debater e antes de tudo ouvir atentamente os intelectuais ou peritos, que tem conhecimento sobre determinada causa. Nossa democracia não pode conformar-se com os limites que lhe foram impostos no século XVII mas ampliar-se, aprofundar-se, alargar-se, ultrapassar-se, superar-se... O que implica chocar-se com a desordem institucionalizada do capitalismo, a grande responsável por seu fracasso.
Democracia precisa de tempo e de espaço para acontecer e isto não lhe foi dado, ainda não lhe foi dado, lhe tem sido sonegado... Em detrimento de sua qualidade.
Democracia precisa de pessoas capazes, mas elas não tem sido capacitadas desde os tempos de Sócrates. Pelo que tombamos num comodismo prejudicial e nefasto. Não estamos a formar cidadãos mas escravos, servos, elementos submissos, gente de bem, pessoas sem iniciativa e criatividade; isto é excelente para patrões e pastores, pois vivem de gado; mas não para a excelência democrática.
Sócrates tinha razão em criticar o comodismo e as ilusões de seus pares a respeito de uma democracia mágica, abstrata e metafísica, que dispensasse efetivo preparo. Ele apontou as asperezas do caminho e incomodou muita gente. Incomodou os falsos democratas com seus dogmas estúpidos, estruturas obsoletas e formas anquilosadas; eles precisavam e precisam ser incomodados. Sagan também os incomodou e fez bem. Democracia é feita mesmo para isso: para incomodar e não para acomodar as consciências e agradar.
Nosso projeto começa agora, quando terminará não o sabemos e sequer precisamos sabe-lo. Somos semeadores que um futuro que não viveremos e que não veremos. O amor ao próximo e os sentimentos de fraternidade e alteridade exigem que preparemos um futuro melhor ou menos dramático para os que virão. Não assistiremos o reflorescer da democracia direta no Ocidente ou em nosso pais, mas folgamos em ter dado os primeiros impulsos! Somos os semeadores do amanhã!
Implica este ideal, já por ser político e mais ainda por ser educativo e formativo, questionar o espaço dado pela sociedade capitalista a dimensão econômica da existência, e restringi-la se necessário for. Implica este ideal de democracia chocar-se com o espírito do economicismo, em nome do que cognominamos humanismo.
Precisamos dar mais espaço ao político e educacional tendo em vista a expansão da consciência e a afirmação de um padrão de qualidade?
Os espaços atualmente ocupados pela produção econômica, pela educação e pela cidadania precisam ser discutidos?
Temos uma péssima política?
A quem ou que isto se deve?
Somos preparados efetivamente para o exercício da cidadania?
Todas as crianças e jovens estão na escola?
A que ou a quem favorecem a ignorância, a alienação e o desprezível espírito de submissão cultivado por tantos?
A que acomodamos nosso espírito democrático?
Fomos bem sucedidos em produzir uma consciência democrática em nosso pais?
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A todos estes questionamentos o liberal economicista responderá imutavelmente com sua shahada: Não é o melhor dos sistemas mas é o que temos?
Com pastores da prosperidade e bancadas fundamentalistas assaltando o estado 'laico' e buscando interferir ativamente nas vidas das pessoas?
Com a afirmação irracional, caprichosa e arbitrária de preconceitos estúpidos como a homofobia, o adultismo, o especismo, etc???
Com um mar de corrupção e venalidade que nos submerge até o pescoço, que nos sufoca e que compromete inclusive a reputação das instituições?
Com uma execrável justiça ideológica e partidarista capaz de profanar a legalidade???
Com os direitos e garantias do trabalho sendo imolados no altar de Mamon pelo próprio Parlamento???
Se nos devemos contentar com isso, com esse lixo, melhor vestir uma camisa de força e pedir refúgio num hospício.
Nada mais indigno e abjeto do que pedir ao cidadão que se conforme com tudo isto e bata palmas. É apenas aqui, que os totalitário, até eles, mostram um pouco mais de sanidade e dignidade do que os 'tarados' liberais...
Não, não se pode pedir ao ser racional e libre, ao ser consciente e ético, ao ser instruído e civilizado que se conforme com tão baixo padrão de moralidade política.
Neste caso qual caminho a ser seguido?
A democracia representativa foi criada com o objetivo de suprir a uma formação educacional, ética e cidadã que o liberal, julga ser impossível e tão utópica quanto os delírios do comunismo.
Para o liberal não se deve dispender assim tanto tempo em educação e formação política em detrimento das necessidades econômicas que ele julga serem básicas.
É questão de vontade.
A democracia não deve obter mais qualidade e tornar-se direta ou semi direta e nem a sociedade deve ser desmassificada e posta a salvo da ameaça teocrática APENAS PARA QUE O CAPITALISMO POSSA PERMANECER FUNCIONANDO E COM O MESMO RITMO DE SEMPRE.
É devido a imposição das falsas necessidades ditadas pelo Mercado que a democracia perde sua qualidade e que nosso projeto de democratização i é a retomada de nossa herança greco romana, é declarado impossível, inviável ou utópico. Pois para que as pessoas estejam mais presentes nas escolas, nas bibliotecas, nos museus, nos debates, nas decisões ou na politica enfim deverão estar menos presentes nas fábricas... E também deverão fruir de uma condição de vida melhor. O que nos conduz ainda mais uma vez a eliminação ou drástica redução, da alienação, da ignorância e portanto da miséria.
Compreendem por que a causa do fundamentalismo religioso ou da teocracia e do capitalismo é a mesma e que o patrão e o pastor são sempre aliados? Posto que ambos vivem de ignorância e miséria, e aspiram perpetuar a direção: FÁBRICA - IGREJA e vice versa??? Compreendem que o patrão e os políticos traidores e venais precisam do pastor para injetar o veneno da submissão nos cérebros dos trabalhadores? Compreender porque tanto o pastor quanto o patrão temem a escola, o esforço educativo, o esclarecimento e o exercício da cidadania? Como o pastor poderia vender falsas, esperanças, falsa libertação e falsos milagres caso não houvesse uma situação de angústia generalizada produzida pelo patrão? A causa da Bíblia e do auto forno é a mesma...
No entanto a mesma educação que leva o cidadão a questionar os mitos do antigo testamento e a autoridade do pastor, mina pela base a suposta autoridade do patrão.
Por isso ambos se sentem ameaçados pelo esclarecimento, e lá existe uma solidariedade oculta entre as necessidades do mercado e o projeto teocrático da bancada bíblica, o anseio de humilhar, oprimir, domesticar e colonizar o homem por meio de normas e regras arbitrárias tornando-o dócil; o eterno anseio de controlar e o desejo de escraviza-lo por meio da ignorância convertendo-o numa boa ovelhinha, num bom empregado ou num 'homem de bem' sempre submisso a ordem iníqua em que esta inserido.
Por isso é uma e mesma a causa da democracia direta, do mundo do trabalho ou seja do socialismo e da liberdade religiosa; e não se separam, formam uma unidade. Tanto a exploração econômica ou a miséria quanto o fundamentalismo religioso tornam a democracia, mesmo indireta e parlamentar impossível, desestabiliza-na e tornam-na mais indesejável que a tirania; justamente porque não passa ela mesma de uma ditadura de massas e aristocratas do dinheiro ou plutocratas. Ditadura de massas porque as massas não tendo consciência são manipuladas por eles, governando os milionários em nome das massas que oprimem, exploram e enganam... E ficando o cidadão consciente sempre a ver navios... Quando não a seduzido pela falsa esperança da ditadura individual ou pela fé num redentor secular. Sedução que é igualmente fruto da angústia e do desespero, face a precariedade de uma democracia apenas aparente, que o capitalismo impede de tornar-se real...
Temos uma democracia de conta gotas, de medida, controlada por um elemento externo e não político. Mas se não é soberana não é democracia, se é submissa não é democracia...
Urgem retornar a Sócrates. Compreender os defeitos estruturais da democracia antiga e da nova para buscar sanea-los. Ocultar ou disfarçar o estado precário e a condição abjeta de nossa democracia não a salvará. Manter a eterna ilusão de uma democracia de massas iletradas e incultas sempre no acesso do fanatismo religioso e do fundamentalismo não a salvará. Compactuar com a ignorância e alienação não a salvará. Fazer o jogo sujo e sórdido do mercado não a salvará.
Democracia se faz com esforços educativos e formativos que levem a formação de consciência bem como a produção de espírito e cultura. Democracia deve ser sinônimo de desmassificação. Democracia deve considerar sim preparo, capacidade, habilidades, competências, etc Democracia deve discutir, dialogar, debater e antes de tudo ouvir atentamente os intelectuais ou peritos, que tem conhecimento sobre determinada causa. Nossa democracia não pode conformar-se com os limites que lhe foram impostos no século XVII mas ampliar-se, aprofundar-se, alargar-se, ultrapassar-se, superar-se... O que implica chocar-se com a desordem institucionalizada do capitalismo, a grande responsável por seu fracasso.
Democracia precisa de tempo e de espaço para acontecer e isto não lhe foi dado, ainda não lhe foi dado, lhe tem sido sonegado... Em detrimento de sua qualidade.
Democracia precisa de pessoas capazes, mas elas não tem sido capacitadas desde os tempos de Sócrates. Pelo que tombamos num comodismo prejudicial e nefasto. Não estamos a formar cidadãos mas escravos, servos, elementos submissos, gente de bem, pessoas sem iniciativa e criatividade; isto é excelente para patrões e pastores, pois vivem de gado; mas não para a excelência democrática.
Sócrates tinha razão em criticar o comodismo e as ilusões de seus pares a respeito de uma democracia mágica, abstrata e metafísica, que dispensasse efetivo preparo. Ele apontou as asperezas do caminho e incomodou muita gente. Incomodou os falsos democratas com seus dogmas estúpidos, estruturas obsoletas e formas anquilosadas; eles precisavam e precisam ser incomodados. Sagan também os incomodou e fez bem. Democracia é feita mesmo para isso: para incomodar e não para acomodar as consciências e agradar.
Nosso projeto começa agora, quando terminará não o sabemos e sequer precisamos sabe-lo. Somos semeadores que um futuro que não viveremos e que não veremos. O amor ao próximo e os sentimentos de fraternidade e alteridade exigem que preparemos um futuro melhor ou menos dramático para os que virão. Não assistiremos o reflorescer da democracia direta no Ocidente ou em nosso pais, mas folgamos em ter dado os primeiros impulsos! Somos os semeadores do amanhã!
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