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terça-feira, 28 de julho de 2026

A questão da missa Tridentina e do ecumenismo

Como demonstraram Coulanges, Eliade, Weber, Toynbee, Dawson, Graves, etc gostemos ou não - Pois os processos produtores da cultura não estão nem aí para nossos preconceitos ou gostos pessoais. - a fé religiosa não apenas produz cultura, como, ao sofrer alterações ou ser alterada, altera a cultura.

A religião é a um tempo produtora de cultura e a outro portadora de princípios e valores exógenos, capazes de mudar a cultura e, consequentemente a ordem social.

Os norte americanos, bastante afoitos no terreno da pesquisa sócio antropológica, sabem disto a muito tempo e por isso, quando da guerra fria, não hesitaram mobilizar ou instrumentar diversas crenças contra o 'perigo' ou diabo do comunismo. Como também atuaram no mesmo campo com o próprio de criar uma rede de solidariedade em torno do sionismo e consequentemente para proteger o recém criado Estado de Israel. Tais as necessidades postas por eles norte americanos.

E adianto já que além da diplomacia oculta e do dinheiro, ou como se diz, dos recursos, contaram com o decisivo apoio da maçonaria, a qual tem funcionado como repartição de Estado, antes da primeira grande guerra a serviço da Inglaterra ou da França...

Quando falamos Cristianismo, não podemos omitir aquela que foi e ainda é a maior expressão religiosa do planeta, o Cristianismo. O que nós leva a sua principal facção, a igreja apostólica Romana. A qual por aquele tempo animava a fé e pautava o comportamento de quase 1/3 da população Yankee e avançava sobre o cipoal de seitas bibliolatras...

Era uma força nada desprezível, ainda que bastante alheia a modernidade e ao comando protestante.

Apesar disto as duas grandes guerras, por terem ocorrido no centro mesmo da Europa, não puderam deixar de atingir o prestígio e a força do papado e de fragiliza-lo. Particularmente a segunda grande guerra. Desde a primeira grande guerra os EUA obtiveram o protagonismo...

Pois não podia aquela velha Europa destroçada fazer frente ao Comunismo ou ao poder colossal da URSS. Com receio de serem engolfados até o atlântico por está nova versão da odiada Rússia (Eterno fantasma dos ocidentais) os países ocidentais foram aproximando-se mais e mais dos EUA... Buscando porém manter certo equilíbrio e criar soluções próprias, mais conforme sua identidade e tradições.

Até a segunda grande guerra apenas Albion e parte da França estavam economica e socialmente bem alinhadas com o outro lado do atlântico, assentindo ser como que colônias ou províncias dos EUA. Infelizmente as soluções criadas pelo restante da Europa foram nazismo e fascismo...

Por isso após a falência dessas soluções de última hora ante o poder soviético e o fim da segunda grande guerra só restou a Europa ocidental como um todo, converter-se em quintal de governo estrangeiro encarado por muitos como salvador. Desde então os povos latinos, gregos e eslavos perderam sua identidade e autonomia cultural... 

Os belos anos cinquenta foram uma década trágica e tempos de transformações, aproximações, jogos políticos... até então inimagináveis.

A imprensa passou de mala e cuia para o outro lado do oceano, e as mãos dos judeus. O controle da informação passou a ser exercido em território norte americano e movido por necessidades ideológicas ou pela propaganda anti comunista. E a prioridade era recuperar o leste europeu... 

Quando dizemos imprensa queremos dizer tudo: Cinema, televisão, jornais, editoras... 

Que a informação seja poder ninguém dúvida seriamente. Pois na contemporaneidade também ela é conduta de crenças, princípios e valores, que plasmam comportamentos sociais e políticos.

Fora da Itália, da França, da Inglaterra e da Alemanha já não estava, parte desse conjunto que é a imprensa, a serviço da igreja papa ou de suas crenças, mas, nos EUA, a serviço de outros ideais: Secularizados ou alheios a fé, econômicos ou capitalistas, protestantes, sionistas, etc sendo mínima a fatia que cabia a grande igreja Romana.

A igreja foi em parte tomada pela surpresa. Organizações milenares como as igrejas Romana e Ortodoxa (Alinhadas com o que é antigo e completamente alheios a sociologia, a antropologia, etc) não podiam compreender, como ainda hoje não compreenderam, este novo mundo, hostil e pós moderno que as ameaça.

Desgraçadamente a dinâmica da cultura ainda é um mistério para nossas cristandades Apostólicas, as quais não sabem lidar com ele. Daí o ecumenismo, daí o avanço do pentecostalismo sob a forma carismática e tantos outros flagelos que ameaçam a fé.

Pio Xii não só pode avaliar a conjuntura como era um homem bastante preparado. Por isso aceitou aproximar-de do novo centro de poder e até colaborar, porém sem negociar a fé ou negociar. Por isso a IAR não se abriu ao ethos e a cultura protestante naquele momento.

Para os EUA no entanto era uma necessidade política não apenas estreitar os laços com a igreja Romana mas de fato influencia-la poderosamente ou mesmo comanda-la naquele momento. Haja visto que Kennedy se tornou presidente e era ele apostólico romano. Sua política e seu assassinato dizem muito...

Era necessário criar algo como João Paulo II e esse homem foi um projeto...

A pauta era mover a poderosa igreja papa contra a URSS a partir do Leste europeu e desarticula-la. Criar um movimento contra comunista ou anti comunista que não fosse percebido como meramente capitalista ou norte americano.

Veio o vaticano II a calhar..

Você leitor inteligente acredita em coincidência??? Então pense.

Para muitos imbecis americanizados foi o vaticano II obra de comunistas, soviéticos ou ateus infiltrados. Pura tolice ou espantalho criado igualmente nos EUA, conforte a tradição calvinista...

Foi justamente o oposto.

Se de fato não foi esse evento histórico singular, planejado ou idealizado pelos EUA, foi, sem sombra de dúvida manipulado por ele tendo em vista seus interesses políticos. O que demandou a participação ativa da maçonaria.

E o objetivo principal foi injetar a heresia ecumênica naquela grande comunhão apostólica. Pois aproximar do protestantismo é aproximar de sua cultura ou da sifilização Yankee, do capitalismo e enfim do sionismo, estabelecendo solidarismo e intima colaboração, algo de difícil realização quando a igreja papa ainda tinha consciência quando a peculiaridade de sua identidade e cultura.

A bem da verdade os fundamentalistas e fanáticos protestantes dos EUA tampouco queriam qualquer proximidade com aquela igreja que os classificava como apóstatas e que eles avaliaram como politeísta e idólatra. 

Conclusão: Algum dos dois lados teria de mudar para que o ecumenismo vingasse e suscitamos alguma aproximação e colaboração.

As seitas protestantes não podiam ser atingidas ou mudadas porque são muitas, logo, em seu conjunto, inatingíveis.

Mas, a igreja Romana, para o bem ou para o mal, tem um líder todo poderoso... Sendo assim: Solicitando ou corrompendo o lider e seus colaboradores mais próximos...

Roma teria que tornar-se ecumênica e, para dar provas de boa vontade, alterar seu culto, suas práticas e seus modos de ser. O que foi feito... Surgindo o culto moderno ou a adoração moderna, voltada para o povo, com o altar mudado para o meio. Ocioso dizer que esse culto novo, oposto a tradição e antripocentrico, foi inventado por Martinho Lutero.

A partir daí a tônica, neo platônica ou protestante, foi a eliminação do símbolo e a construção de um novo ritual muito menos leal ao mistério da Encarnação.

Por onde chegamos também ao sionismo, num momento em que, com o apoio da recém criada e maçônica ONU, está Israel a enfrentar os povos locais, aliás em parte cristãos. 

É nesse contexto que por via protestante judaizante a leitura do antigo Testamento é posta na nova missa Romana, e temos aqui uma pauta essencial na direção da bibliolatria, da inspiração linear e da judaização... Já por via maçônica se avança ainda mais (Na direção do abismo), até o noeismo, ou a ideia blasfema de que o cristianismo não passaria de um monoteísmo abraamico, afim, inclusive, com o islamismo ariano.

A negação implícita quanto a fé no Deus encarnado, no homem Deus ou Emanuel é por si só abominável. A sugestão porém é apresentar aos maometanos e cristãos que os judeus são nossos mestres aos quais devemos o monoteísmo. O fim último é suscitar gratidão e por fim um alinhamento com o sionismo.

Implica isto alterar a adoração Apostólica tradicional, já alterando a kibla ou a direção do culto voltado para o altar alinhado com oriente, já inserindo um maior conteúdo de material judaico, já reduzindo o aparato simbólico sensível alusivo a Encarnação ou a cruz. Tudo no Vaticano II vai na direção do protestantismo e do sionismo com o objetivo de estabelecer uma unidade e garantir apoio por parte dos neo romanistas. Aqui, o propósito foi subordinar a religião a necessidades políticas, assim de manipular e dominar, tudo muito grosseiro, profano e vulgar.

Segundo o princípio sociológico inclusive do Lex orandi, Lex credendi, o culto ou os modos protestantes introduzidos no Vaticano II são portadores de cultura e diluidores da identidade peculiar da igreja papa. E o que já era defeituoso se torna muito pior... Roma ao converter-se em hospedeira do ethos protestante passa decididamente a esfera de controle Yankee, como o mercado financeiro e a maçonaria.

E a coisa não para por aí. Como se o Vaticano II não fosse suficiente, os EUA introduzem a RCC i é o que há de mais alienante e grosseiro nos domínios do protestantismo (Devido a seu conteúdo judaizante, bíbliolatra e fetichista.), o pentecostalismo, por sinal um tipo peculiar e virulento de protestantismo (Voltado para as massas) produzido naquele país.

E os papistas ingênuos, passam a crer que devem adotar modos protestantes opostos a tradição para atrair, aproximar e converter os protestantes; quando eles é que estão a se tornar protestantes, judaizantes e consequentemente mais receptivos face a uma modernidade americanista produzida grande parte pelo protestantismo. É uma autêntica armadilha ou arapuca cultural que um papista ou um ortodoxo médio é incapaz de distinguir.

O próprio universo da modernidade fabricado parte pelos EUA e seus aliados e divulgado por sua imprensa paga e portanto servil, lançando a todo instante tais princípios e valores, debilita o sentido cristão apostólico e atraí com maior apelo e força os neo romanos e ortodoxos a esse universo cultural oposto a nossa traição e identidade. Até gerar deslumbramento pelo americanismo. 

Tanto os mistérios de Cristo, em particular o mistério central da encarnação, ficam obscurecidos, passando a ênfase da fé Apostólica romana, da metafísica (Que é a vida e a pujança de qualquer religião.) para formas de mortalidade ou costumes procedentes do judaísmo antigo. O que evidência o processo de perda de consciência.

Questões até certo ponto ociosas e inúteis como divórcio, masturbação, homossexualidade, pena capital, o estatus da mulher na sociedade, etc substituem a essência mais íntimas da fé Apostólica, como a Encarnação, a Trindade, a Eucaristia, a Imortalidade, a Cristologia, etc Do que resulta um alinhamento total do papismo com o protestantismo de matriz Calvinista, com o islamismo e com certos setores do judaísmo... A ponto de reforçar a confusão ecumênica.

Mesmo se, em certo sentido, a inclinação cada vez mais pronunciada da igreja Romana para o moralismo ou puritanismo protestante é fenômeno que já se verificava desde a contra reforma e no período vitorioso, o pós Vaticano II, por parte das lideranças e do clero, rompe a linha de equilíbrio, assinalando uma vitória total dessa tendência e um esvaziamento ou empobrecimento metafísico (A tal perda de consciência Cristologica ou encarnacionista). 

O que gera um imenso descompasso entre o discurso da igreja papa e a prática dos fiéis mais conscientes e esclarecidos, alheios ou incensos a essa atmosfera mesquinha alimentada pela cultura judaica ou pelas fontes não cristãs do antigo testamento. O que por sua vez promove incredulidade, apostasia e perda de qualidade.

Assiste-se ainda um dilúvio de mitos judaicos ancestrais de caráter fetichista (Criacionismo, geocentrismo, terraplanismo, dilúvio, etc) que em parte ajudam a deslocar as verdades de fé autenticamente Cristã ou os mistérios de Cristo, os quais associados aquele monoteísmo simples e vulgar, tendem a reforçar a idéia de que o cristianismo não passa de uma seita ou ramo no Cristianismo.

Os próprios personagens do judaísmo antigo, com sua ética vulgar, grosseira e pouco cristã, de carona na bíbliolatria, não se limitam a deslocar os Santos enquanto modelos da piedade cristã... Moisés e Abraão quase que passam a igualar-se ao Deus Encarnado Jesus Cristo...

Já assistimos todo esse processo corrosivo e sinistro desde os albores da reforma protestante via bíbliolatria, inspiração linear, calvinismo... E seu fim são sabatismo, iconoclasmo, mortalismo/saduceismo, zwinglianismo, anabatismo e enfim Unitarismo i é um simples monoteísmo abraamico ou noeismo ou judaização total. Até que nada resta ou sobra da identidade cristã tradicional aliás avaliada como uma paganização ou apostasia.

Posto que a fé Apostólica do novo testamento de vai demolindo dia após dia...

Novidade alguma até aqui... E por isso rompemos com o protestantismo assim que compreendemos seu significado. Aliás por isso é o protestantismo até bem visto por parte do universo ateu e incrédulo, apensar de seu conteúdo fundamentalista e fanático...

Era no entanto, até o Vaticano II, o ecumenismo, o Vaticano II e a RCC, um processo ou fenômeno contido nos limites do protestantismo e suas seitas. Com o Vaticano II porém, a modo de metástase, é algo que se infiltra na igreja Romana ou numa igreja apostólica que fora Ortodoxa e Católica e que ainda aspira colocar-se tal.

Portanto, sejamos romanistas ou não, do nos resta avaliar esse desborde, em termos de fé, como um avanço da apostasia, em termos de cultura como um retrocesso, em termos de ética humanista como uma calamidade, em termos de política como algo trágico... Que ora se manifesta com absoluta plenitude, em 2026.

Como disse não terminou e com a queda da URSS a ideia era avançar sobre uma igreja Ortodoxa debilitada pelo comunismo e transforma-la também numa colônia, com que sabotar a cultura e submeter a Rússia e demais países do Leste. 

E a sofisticação aqui está em ter consciência de que as sociedades Ortodoxas não estão no acesso do protestantismo, e por extensão, da cultura Yankee. Sendo necessário usar Roma, por via do ecumenismo, com meio ou instrumento para atingir a Ortodoxia. 

Estando as coisas hoje neste pé. Já não se trata de Roma como portadora de novidades romanas no plano da fé, como no passado. Hoje é bem outra a realidade, posto que é Roma portadora da modernidade, do americanismo, de uma dada cultura, de certos princípios e valores, de um espírito protestante enfim. Temos portanto, após o Vaticano II, uma realidade deveras mais grave quanto a Igreja Romana.

Como dissemos a igreja Ortodoxa não somente permaneceu incólume como logrou reconquistar seu espaço na Rússia e, como guardiã, manter a cultura daquela sociedade a salvo da maré americanista que sem parar submergiu uma Europa desorientada e atemorizada pelo islã.

Ao contrário dessa Europa alheia aos fundamentos de sua cultura, a Rússia logrou encontrar a si mesma e conservar sua autonomia política.

E a tal missa Tridentina?

Eu a encaro como um fator de resistência cultural e como algo potencialmente fecundo, pelo simples fato de reportar a identidade i é a tradição, e em última análise a metafísica encarnacionista, nicena ou atanasiana, com todo seu patrimônio simbólico e as temidas recorrências para o Americanismo e o SIONISMO.

Parte da comunhão apostólica Romana pode afastar-se do ideal 'comum' que lhe foi imposto e mesmo sem exercer oposição cerrada, alijar-se das ideologias acima nomeadas e, como espécie de terceira via cultural e social, voltar-se para si mesma, sobre seu passado e fechar-se. Isso a ponto de recuperar a Europa ao islã e frear o avanço das seitas protestantes... Impondo uma perspectiva diversa ou criando novas possibilidades.

Isso num momento em que americanismo e sionismo, precisam de aliados ou melhor de agentes úteis para opor ao islã na Palestina. 

É todo um temor fundado, por parte dos americanistas e sionistas que, rompido o bloqueio ecumênico ou repudiado o novo dogma maçônico, produza-se alguma alteração cultural mais séria, tipo uma tomada de consciência pela Europa, a exemplo da Rússia... A existência e ação da igreja Romana mantida pelos tradicionalistas bem poderia ser o agente dessa transformação.

A semente de algo grandioso em termos de cultura e política. Isto poderia ser o tradicionalismo... Apesar de suas limitações, como o moralismo ou a falta de tato no âmbito da economia, ou ainda a concepção ingênua e tosca de bíblia unitária...

Talvez por isso as potências supremas da pós modernidade tenham 'sugerido' ao Papa romano que contivesse os lefrevianos e os excomunga-se. Muito provavelmente o ato absurdo não partiu do papa romano porém de seus patrões, com os quais colabora desde os anos 60 e segundo o modelo daquele que foi parceiro de Reagan e Tatcher.

O 'pedido' de condenação partiu certamente desses poderes obscuros, temerosos de que aquela grande igreja recupere sua identidade e força. Pois americanismo e Sionismo ficariam desfalcados perante o islã e a existência de Israel ameaçada.



terça-feira, 9 de setembro de 2025

Sionismo, protestantismo, americanismo, maçonaria, ecumenismo... A Ingenuidade apostólica romana - O ódio a ortodoxia, a satanização da Rússia...

Cá estamos novamente... Não trilhando a senda do conspiracionismo, das lendas ou dos mitos, porém partilhando conexões e buscando esboçar uma visão geral ou de totalidade quanto a História do século XX e os percalços porque passamos neste momento, tão invulgar, vulnerável, delicado e perigoso, alias, calamitoso por sinal.

Elenquemos e juntemos as peças deste grande quebra cabeça...

- A Rússia esta sendo satanizada (E ameaçada!!!) pelos EUA, devido a defesa de seu território e sua cultura, ameaçadas pela atitude da Ucrânia, posta por um presidente sionista, na direção da UE e logo na direção da OTAN, uma vez que a Europa continua a ser aquilo em que se transformou logo após a segunda grande guerra: Um capacho, quintal, apêndice ou terreno dos EUA (E nos estamos referindo a nações tradicionalmente apostólicas romanas.).

"Devemos aceitar a liderança dos EUA e colaborar com essa nação." é o que foi dito por um alguém da estatura de Salazar, líder daquela nação que iniciou as grandes navegações e descobrimentos... E por ai se avalia o nível ou grau de infecção americanista na Europa desorientada. Aliás agora mesmo, há em Portugal, lusos, insuflados pelos nosso bolsonáricos (Maior parte deles apóstolos de seitas protestantes brasileiras na ''Terra de Santa Maria"), pedem as expulsão dos brasileiros lulistas ou petistas, enquanto os sionistas e norte americanos (Através da repartição chamada ONU) atulha o pobre Portugal (E todo resto da Europa papista e Ortodoxa.) com radicais islâmicos.

E lá já os maometanos radicais invadem capelas, cemitérios, etc erguem minaretes, recitam a shahada, etc - Mas alguns lusos acreditam que o problema são os brasileiros petistas ou lulistas, alguns dos quais, de fato e muito ridicularmente flertam com a abominação islâmica. Se bem que a maior parte limita-se a postar-se em favor da população civil Palestina (Em parte Cristã romana ou Ortodoxa, alias.) contra o genocídio perpetrado pelos sionistas com apoio dos americanistas, o que algo totalmente distinto.

Mas tornemos a Europa> A Europa atraindo Ucrânia a UE, lamentavelmente atraiu-a ao Império dos EUA e a seu braço OTAN, uma organização bélica tão ociosa, inútil e sem sentido quanto por exemplo o ofício de 'feitor de escravizados'... Posto que não existe mais URSS e a atual Rússia está longe de ser comunista ou qualquer coisa do tipo.

Vemos assim que o 'problema' parece se a própria Rússia Ortodoxa de Dostoievsky, com sua cultura, identidade, etc - Coisa que os países apostólicos romanos ecumenizados e modernizados vão já perdendo a tempos, na medida em que se enchem de seitas protestantes e penetras muçulmanos... 

Assim do fechamento da Russo (Ao contrário da pobre Ucrânia, cujo histórico tem sido bem outro.) as promessas do ecumenismo, isto é, ao uniatismo romano, a pastorada norte americana e as hordas muçulmanas tem resultado forte oposição aos anseios sionistas e Yankees: Despejar os jihadistas noutros cantos kkkkk ou converter o terreno em subúrbio\colônia 'made in EUA' - De fato a Rússia, como a Ìndia e a China não sorriram a tais futuros ou projetos ocidentais e se voltaram para suas respectivas culturas amparando-se mutuamente, o que atraiu a fúria do Tio Sam e de sua cadelinha, a Europa...

Data vênia, pois a Espanha (Porque esse pais se mantém grande parte apostólico romano e é um Centro de estudos filosóficos não modernistas e humanistas.) ousou erguer sua cabeça e tecer críticas ao poder despótico de Washington, sendo por sinal ameaçada. Deve ter ela se lembrado da Guerra Hispano americana ou das crueldades feitas pelos Yankees quanto da tomada das Filipinas, inclusive com a profanação em massa de Igrejas e mosteiros romanos pelos oficiais protestantes do exército Norte americano...

Que se compreenda o esquema atual - Uniatismo > Protestantismo > Americanismo > Sionismo... O mesmo inimigo, aquele império implacável, que com a sabedoria da Dr Ruth Benedic, soube cooptar o Japão após a segunda grande guerra, conhece perfeitamente o caminho. Quanto a pobre américa latina foi curto e grosso, e após comprar, aliciar ou seduzir a igreja papa enviou sua horda de pastores, como esse Silas Malafaia que aí esta convulsionando a
República. Para a Rússia no entanto só poderia usar e ampliar a  brecha que lá existe: O uniatismo (E se o papa Francisco não foi comprado ou intimidado não entendeu a estratégia.) e a partir dele empurrar ecumenismo, modernismo e enfim, debilitada a consciência Ortodoxa e fragilizada a cultura, 'Toque final' enviar seus janízaros... 


E aqui, a suprema infâmia e vergonha é que muitos dos zumbis protestantes ou americanizados ainda ousam relacionar a Rússia atual, a Rússia Ortodoxa, a Rússia precipuamente Cristã e firmemente Cristã, com (Pasme!) comunismo, reeditando o discurso embolorado dos anos 50 e 60 com o objetivo de instilar ódio nas massas ocidentais... O que por sinal supõe um alto grau de massificação, idiotismo ou estupidez implementada por demagogos, patrões e pastores em tais sociedades, a exemplo da nossa...

Quiçá resíduo de tradição calvinista ou puritana os EUA levam adiante, fielmente, a prática da satanização - Sendo assim sempre precisam de um inimigo ou opositor de modo a produzir um pavor que penetre até os ossos... De fato a farsa puritana tem por tônica o medo ou o terror. Começou de fato com o Satanás - De que resultou o tragicômico espetáculo das garotas de Salém... Passou nos dois séculos seguintes (Pasme de novo) ao papa romano, ora aliado... Até tocar ao comunismo (Que tantos benefícios tem trazido ao império Yankee - Creio que os bolchevistas deveriam até receber dividendos ou pensões.) e agora ao islã, neste caso ao menos com certa verossimilhança. 

Todavia, apesar de Maomé, é ainda a Rússia satanizada por tabela, mesmo que por lá não haja sombra de comunismo ou mesmo marxismo... O caso aqui é que a Rússia de Putin recusou a deixar-se colonizar ou a embeber-se de americanismo: Rock and roll, coca, mac Donalds, Holywood... e é claro, seitas protestantes.

Nesse contexto Trumpalhão acabou de dizer que Rússia e Índia foram perdidas para a China - Pura bravata... Cada qual tem sua identidade própria: Uma é Politeísta, com seus milhares de deuses e outra Católica Ortodoxa, fiel aos ensinamentos de Cristo... De comunistas uma e outra nada tem. Todavia amparam-se política e economicamente, exercendo fraternidade... Além disso, a China atual, ainda que oficialmente comunista, conserva muito mais de sua identidade ancestral do que o japão americanista. Por sinal ambas as três sociedades (É o que tem em comum e o que deveria ser resgatado pelos países romanos da Europa e pelo Brasil.) lançaram-se nos braços de suas respectivas tradições culturais com o marcado objetivo de não se tornarem províncias culturais - Em seguida econômicas e quiçá políticas. - dos EUA.

- Israel determinou que nossos Cristãos Ortodoxos e mesmo os rumi abandonem Gaza e determinou o extermínio dos que se recusarem a obedecer.

Enquanto elaboramos este artigo os nazi sionistas, com apoio dos protestantes e proteção dos EUA, estão a bombardear o bairro Cristão de Al Zeitoun, tendo já bombardeado antes a Igreja de S Porfírios. 

O que patenteia muito claramente qual o propósito do Estado sionista quanto aos Cristãos das redondezas: Exterminar os que convivem a margem do islã ou mover os radicais islâmicos contra eles, exatamente como tem sido tradicionalmente feito no Líbano e na Síria, sempre com a mão oculta dos EUA...

Durante muito tempo a Cristandade Síria - Até antes da defecção Ucraniana. - foi preservada de tais calamidades somente graças aos esforços da Rússia e de Putin, o qual manteve os Assad. Agora a sinistra política dos sionistas e norte americanos converteu a existência dos Cristãos sírios num inferno, e tal parece o destino reservado a nossa infeliz Europa, onde se acham o Museu britânico, o Louvre e a biblioteca do Vaticano...

Apenas a Espanha, ainda meio Cristã e parte romana, parece ter percebido o sentido de tudo isto e ousado, em certa medida, tecer críticas a Israel e se opor aos EUA, enquanto todo resto da Europa permanece cego.

Pois neste exato momento uma parlamentar 'britânica' acaba de tomar posse com o Ijab após beijar o Corão. Isto na terra de Ricardo Coração de Leão! Onde o Cristianismo remontaria a José de Arimatéia! E que já esteve coberta por soberbas catedrais...

Como chegou a Inglaterra a tão poucos passos da tenebrosa Sharia...

Simples> O protestantismo por um lado, já no século XVIII, produziu alentado surto de incredulidade entre as pessoas instruídas e a outro penetrou o anglicanismo, que penetrou e contaminou parte do papismo, e assim, via modernização e ecumenismo, toda a Inglaterra foi levada a apostasia, a descristianização e a irreligiosidade, de que tira benefício o proselitismo islâmico, a ponto de assustar nada mais, nada menos do que Richard Dawkins - O qual reclama dos Cristãos e até mesmo dos Católicos mas bem sabe o que a Sunah ou a sharia reserva aos ateus...

Outra não é a condição da França, debilitada pelas pseudo filosofias em geral importadas da Alemanha (E geradas pelo protestantismo a partir de I kant), pela maçonaria, pelo modernismo, pelo anarquismo, pelo comunismo - Todos adversários ferozes do papismo... E enfim, derrubada e prostrada pelo pelo próprio papismo i é pelo ecumenismo e pelo modernismo, os quais desampararam sua cultura ancestral > Como foi percebido muito claramente pelo atilado Gustav Thibon...

Dos dois lados da mancha julgaram os intelectuais ateus, materialistas e incrédulos das diversas correntes que tal seria o fim da História... até que em meio a toda essa balbúrdia ou zona imiscuiu-se o Corão. Sem que a extrema esquerda, o papado ou os cientificistas\positivistas abrissem os olhos, e esse Corão se fixou e avança - A ponto dos EUA, via maçonaria:. ONU, despejar uma multidão de emigrados jihadistas, buscando amenizar as coisas para Israhell... Nada mais útil do que desviar as ambições agarenas para a pobre Europa sem fé, identidade ou esperança e converte-la em moeda de troca. Isso jamais sucederia sem ecumenismo ou Vaticano II, saibam os apostólicos romanos daquelas paragens.

Na Europa os Le Pen tem razão e plena razão, é vital lutar pela cultura e por limites ou, se possível, extirpar o islã (Não assassinando os muçulmanos mas enviando-os de volta a seus países de origem ou aos países Árabes, Arábia, etc). Todavia apenas a reconciliação de um romanismo reconciliado consigo próprio i é não ecumênico, não modernista, liturgicamente restaurado, etc poderia tornar efetivos tais esforços e salvar aquele continente e aquelas sociedades. Para isso o Vaticano II precisa ser decididamente abandonado e o americanismo condenado - Tolice buscar alijar o islã e assimilar o congênere protestantismo... Pois o protestantismo e o capitalismo estão na gênese desta calamidade. Tornará a Europa a ser genuína ou integralmente romana (Ou Ortodoxa por conversão) ou se transformará num califado! Não há outra opção ou terceira via. Foi aquele continente traído e vendido pelos sionistas e Norte americanos, os quais enquanto apontam para a Rússia Cristã, enfiam sorrateiramente mais e mais agarenos naquelas paragens.

Digo mais, é um ciclo inelutável: Do protestantismo ao materialismo, ateísmo e incredulidade e daí ao islã... Será assim no Brasil e em todo resto da América latina caso o protestantismo e o americanismo continuem seus estragos: Após os bolsonaristas e malafentos virão os cadis e ulemás com sua maldita sharia, se envolverão na política, empregarão a violência e mergulharão a república em sangue com o objetivo de instituir um califado - Os pentecostais e calvinistas são apenas prelúdio de maiores sofrimentos e por isso nós, como os europeus e a exemplo dos russos, indianos e chineses precisamos nos voltar para nossas tradições e cultura, seja quanto ao aspecto religioso (Aderindo a fé Ortodoxa ou a um romanismo tradicionalista.), filosófico (Cultivando a Filosofia greco romana), literário (Valorizando nossa lingua e nossos autores clássicos.), artístico (Repudiando a arte moderna), etc

Entrementes um rabino acaba de declarar, numa palestra, que deseja que este nosso mundo mergulhe numa terceira grande guerra mundial, a qual acabe de uma vez com o que resta da Europa católica e com os países pagãos (Ìndia, China, etc). Novidade alguma debaixo do sol... Pois entenda-se que uma guerra total e grande devastação da Europa colocaria em risco instituições como o Museu Britânico, o Louvre, as Bibliotecas e Paris e do Vaticano, a Pinacoteca e Gliptoteca de Munique, Universidades com Oxford e Louvain, Associações como Juan March, Claudio Venanzi, Raízes de Europa... - Enfim seria algo equivalente a destruição da Biblioteca de Alexandria pelos muçulmanos. E o cérebro da humanidade estaria perdido... E nossa identidade histórica destruída.

- Trump ameaça China, Rússia, Brasil e Venezuela...

Umas com taxas, multas, etc ou terrorismo econômico e outras com armas, e pasme: Desta vez sem usar a ONU ou pedir-lhe fingida autorização - Posto está que se a ONU não fosse, também ela infelizmente, mero braço do imperialismo yankee, a farra feita por Israhell na Palestina já teria cessado...

A ONU no entanto permanece muda, surda, cega e calada, em mudo silêncio e total indiferença face a tão horrenda carnificina... Até mesmo, repito, quando um bairro Cristão, com centenas de civis inocentes e crianças indefesas é pura e simplesmente apagado da face da terra.

Portanto a farsa da ONU, enquanto autoridade neutra ou não engajada, caiu por terra - E nem é por acaso que a sede dessa organização, ao invés de ser rotativa, se encontra justamente em território estado unidense... Bingo

Assim, o projeto de Hitler inacabado, que atacar Rússia, China e Índia porque criaram uma moeda forte e uma economia paralela que não depende do Dólar ou da Bolsa de NY. Quer atacar Brasil porque está dando ao mundo um exemplo de resistência democrática contra um imitador seu e entusiasta de sua cultura. Quer atacar sobretudo Venezuela porque detém a maior reserva de petróleo do planeta, a qual bem poderia, ao menos por alguns anos, salvar o império do colapso, posto que em crise já está e que só se mantém devido ao servilismo e decadência da Europa...

Quanto a infeliz Venezuela é a mesma parlenga sacrílega de sempre, em torno de supostos ideais democráticos. Dizem assim querer levar a liberdade aos venezuelanos, quando querem na verdade (Como vampiros que são.) roubar petróleo. É puro e simples roubo, mas... para tanto se dá razões, e terão os venezuelanos que pagar caro ou em ouro negro por sua liberdade. Caso fossem uns pobres f. e sem petróleo o império prestaria atenção neles... Como a sanguessuga bebe sangue o império bebe petróleo.

Apesar das lágrimas do primeiro Roosevelt - Que as derramou na Patagônia, cogitando que o restante da América jamais pertenceria a Washington, justamente por estar sob o domínio da Igreja romana - a vinda dos pastores e a invenção do ecumenismo facilitou muito as coisas. Criando um Estado dentro do Estado em diversos países da América latina... Como a BRÉIA, a IURD, o PL, etc entre nós... Em detrimento de nossa soberania.

Disto resulta um embate, em cujo bojo estamos nós, mas que ainda não foi decidido. É necessário que o buraco infernal seja tapado. E para tanto é preciso que os liberais ou democratas do STF coloquem o embaixador de Trump, golpista e agente de potência estrangeira - Juntamente com seus indignos colaboradores - atrás das grades! Só assim lograremos conter o afã teocrático dos nossos yankees honorários, chefiados pelo Ali babá Malafaia...

É algo que hoje cobre, em diferentes níveis ou graus, a América como um todo, uma espécie de lepra da qual devemos ser nós purificados, quando nos voltarmos novamente, para nossas tradições e cultura.

Exemplos trágicos temos já diante de nós, como o Texas, Porto Rico, Hawai ou Alaska... Para onde toneladas de pastores forem enviados com o sinistro objetivo de confrontar a Ortodoxia e o Romanismo e destrui-los para melhor consolidar a abjeta servidão. Pois sem assimilação não pode haver perfeita servidão e conformidade...

Tudo quanto sucede hoje no Brasil nada tem a ver com a quimera do comunismo, cujos adeptos e líderes por sinal, se opõem ferozmente ao governo Lula e ao Petismo. Tudo quanto observamos hoje neste país é reflexo de uma grande batalha travada por toda redondeza do mundo entre EUA, Israel, parte da Europa e o restante do mundo, a exceção do islã (O qual tem seus próprios interesses.). São os estertores de um império esgotado que cai por terra, e os esforços de seu líder para mante-lo...

Continua

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Conservadorismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


terça-feira, 27 de julho de 2021

O papa romano e a missa protestante...





Meu S Sócrates, desde quando pode o homem proibir aquilo que é bom?

Nem o Bendito Cristo que Deus é Verdadeiro pode proibir o que bom é.

Pois é Deus nosso 'Sumo bem' o qual não pode repudiar o bem, e querer ou ordenar o mal.

Acaso o que não pode Deus fazer por não poder quere-lo, poderá fazer um apóstolo, um mártir, um doutor ou um patriarca?

Não. A homem algum é lícito ordenar o mal e condenar o bem.

Pois é o bem Lei geral que governa todas as coisas por disposição divina.

Assim ordena o Bom Deus que amemos o bem e odiemos o mal, não o oposto: Amar o mal e odiar o bem é sinal de perversidade.

O papa Francisco no entanto bem parece ter cortado parte do cérebro, a menos que pense com os intestinos, cujas partes no caso fariam grande falta. 

Dirá no entanto o leitor: A que propósito vem esse grego Ortodoxo, ou 'cismático' meter o bedelho nas coisas de Roma?

Boa pergunta e tratarei já de responde-la.

Não é de hoje que existe no seio do Cristianismo um movimento de alienação ou de dessacralização que tem suas fontes no protestantismo radical, o qual fluindo pelo anglicanismo, chegou - Com esse sínodo chamado Vaticano II - a igreja romana, e influencia a Igreja Ortodoxa. Portanto não ser romano ou anglicano não é desculpa para ignorar o quanto de mau o de bom acontece em tais comunhões. Pelo contrário, por sermos ortodoxos devemos prestar máxima atenção ao que ocorre em tais setores, sem dúvida alguma os que se acham mais próximos de nós. É justamente por sermos Ortodoxos que nos ocupamos com tudo quanto se sucede na igreja apostólica de Roma e no alto anglicanismo.

Querendo ou não, gostando ou não, aceitando ou não mais cedo ou mais tarde a Ortodoxia ou os Ortodoxos sentirão o repuxo. Portanto é melhor ficar de atalaia e cerrar fileiras desde já.

Tanto pior quanto sabemos que há cerca de setecentos anos nossos Bispos canalhas, cedendo a pressões advindas do poder político, assentiu em precipitar-se nos braços recém gerados do papado, esse mesmo papado que há meio século, tritura e extermina, sem minimo respeito, suas próprias tradições.

E há uniatas rondando-nos ainda hoje e anunciando as ímpias doutrinas da monarquia e da infalibilidade papal.

E romanistas há, aos milhões, que acompanham e seguem a esse papa protestante... agente do protestantismo, apóstolo da heresia e núncio da apostasia. 

Não chameis a Francisco de novo Lutero. Seria calunioso, pois Lutero jamais adotou esse novo modelo de culto voltado para a assembléia. Nem mesmo de Calvino - O monstro de Genebra! - podeis chamar o Papa romano atual... pois até onde sei, sequer foi Calvino quem adotou esse novo padrão de culto!

Chameis a vosso infalível para de Karlstadt ou de Muntzer, assim de papa anabatista, posto que o nosso padrão de culto, i é, a missa nova, parece ser de origem anabatista.

Graças a divina monarquia papal cessaram os romanos de oficiar o culto fixado pelo Apóstolo S Pedro e codificado, cinco séculos depois, por S Gregório Diálogos, para oficiar um culto anabatista. Graças a Paulo VI, João Paulo II e Francisco rezam os romanos como anabatistas, i é como os mais fanáticos dentre os heréticos. Graças ao Vaticano II imitam os papistas aos sectários mais radicais e assimilam sua maneira de orar, completamente esquecidos quando o dístico: "Lex orandi, lex credendi." 

Assombra-me o fato duma instituição religiosa pugnar contra sua própria forma de culto tradicional.

Nada mais indigno do que condenar a adoração oficiada pelos ancestrais.

No entanto é exatamente isto que o déspota romano acaba de fazer, alias hipocritamente i é atribuindo tal juízos ao episcopado, ao mesmo episcopado ao qual envia instruções recomendando a supressão do velho culto. De modo a preservar sua própria imagem.

Não nos enganemos a propósito de tão indigna, desonesta e covarde manobra 'franciscana' digo francisquiana.

Por que cargas d'água gasta o papa portenho suas energias dando combate a um padrão proclamado imutável por um de seus predecessores (Pio V), ao invés de condenar duma vez por todas os inúmeros crimes  ou como dizem, abusos, litúrgicos de que é objeto a nova missa por parte dos carismáticos ou da RCC, a qual aqui no Brasil, converteu já a nova missa num culto sacrílego de talhe pentecostal???

Tal a pergunta que não quer calar, suscitada pela minha indignação.

Sim, pois apesar de ser Católico Ortodoxo tenho a infelicidade de viver cercado por apostólicos romanos, numa sociedade apostólica romana... Não podendo ser indiferente ao que ocorre ao meu redor. Vez por outra somos convidados a um batizado, a uma crisma, a uma cerimônia fúnebre... e, quase sempre, a contragosto, obrigados a declinar... Pelo simples fato de serem quase sempre cerimônias debochadas de talhe pentecostal. Nada mais avesso, não apenas a Tradição Ortodoxa, mas também a tradição romana!

Nada de mais escandaloso, contraditório, venenoso, ímpio, sacrílego e revoltante do que entrar num templo romano para rezar e ouvir os sons ou melhor os ruídos daquelas baterias e contemplar toda aquela multidão de povo rebolando, pulando e girando junto aos altares, num recinto até pouco tempo encarado como sagrado! Pois crê o homem conforme reza, ora, cultua ou adora. Portanto como admirar-se de que nosso pobre povo esteja a passar numa proporção cada vez maior as seitas pentecostais??? Se permitis oh papa Francisco que imitem aos pentecostais??? Que rezem, cultuem e adorem como sectários protestantes? Que afetem modos de anabatistas??? Em oposição ao padrão apostólico, fixado pela tradição...

Que apostolicismo é esse papa Francisco? 

Que apostolicismo é esse que substitui os paramentos, as alfaias, o incenso, os círios, a água, as cruzes, os estandartes, os sinos, enfim tudo quanto é legitimamente apostólico e Católico, e Ortodoxo, e Cristão por acrobacias protestantes???

Nem romanismo isso é sr Francisco, quando menos Catolicismo!

Pois Cristãos Católicos, Cristãos Apostólicos, Cristãos Ortodoxos, costumam levar adiante a adoração assumida por seus avoengos e não tripudiar dela, proibi-la, dificulta-la, suprimi-la, sob quaisquer alegações! O que se torna ainda mais sinistro quando observemos uma tolerância desbragada face a todos os abusos litúrgicos cometidos por esses padres ambiciosos e avarentos que folgam proceder como pastores pentecostais! Como acreditar em sua boa fé papa Francisco se enquanto o Marcelo Rossi e o Fernando de S Amaro abusam da nova missa vossa alteza lança raios contra a Missa perpetuamente fixada por seu predecessor Pio V???

A descrer na natureza divina de seu cargo e sobretudo em sua infalibilidade, a qual me parece pífia... poderia ou quiçá deveria, enquanto Cristão, supor tua boa fé, honestidade, sinceridade, etc papa Francisco, todavia "Non possumus"... Não posso crer na honestidade, sinceridade e boa fé de alguém que não tem pingo de respeito pela memórias de seus predecessores e ancestrais.

Embora não seja latino ou romano sinto-me imensamente triste diante de tais fatos. Pois acredito na beleza e na função didática do belo... E a liturgia romana, seja a tridentina ou a Gregoriano/petrina é imensamente bela quando dignamente oficiada. 

Por ser Ortodoxo não sou Oriental mas de tradição Ocidental ou latina. Minha cultura é está e nada tenho contra tal padrão de culto, por ser tradicionalmente apostólico e assim Ortodoxo - Claro que me refiro ao Rito Petrino/Gregoriano. Outro o caso do rito Tridentino ou de Pio V, o qual por ser mais recente não deixa de ser belo. 

Lamentavelmente a impressa sempre superficial e as massas desinformadas preferem dizer Missa em Latim. Lamentavelmente algum tradicionalistas se apegam mais a lingua ou ao idioma do que a estrutura do ritual. Concedo que as pessoas devam compreender o que é lido ou cantado. Concordo que a beleza não baste. Devendo esta associado ao conhecimento. Bem o que se tem hoje no novo padrão de culto seja carismático ou libertino - Pois são no mínimo dois. - é o conhecimento de algo feio, banal e vulgar, que em nada edifica ou alimenta o espírito Cristão.

A questão não é de lingua ou sobre latim e jamais deveria ser posta em tais termos. Como a nossa liturgia não pode ser posta em termos de grego ou árabe e sim de ritual, de estrutura ou de beleza; em torno dos elementos já citados: Altar, paramentos, ícones, cruzes, incenso, velas, alfaias, ritmo, etc É isto que se deve preservar como essencial a adoração. Erram os que porventura fixam-se no latim e não no canto gregoriano... Na lingua e não na Kibla i é no Sagrado Altar. 

É questão de estrutura, padrão, modelo, espírito, ritmo, etc Pois é adoração histórica e legitimamente Cristã feita com tais elementos, e não se eles.

É a adoração modernista, inspirada na heresia protestante e na manobra pentecostal, emocionalista. Já a adoração Cristã Católica Ortodoxa ou ainda apostólica é sobretudo simbólica, e enquanto tal destinada a promover sentimentos nobres. 

Quero dizer que bem se poderia diminuir a presença do Latim e decretar o uso de traduções literais no serviço religioso, desde que fossem preservadas as mesmas orações solenes e sobretudo o canto gregoriano. Pois o que se deve preservar antes de tudo, além da direção do Ministro e da congregação para o altar é o canto gregoriano, o qual do ponto de vista meramente humano é uma obra de arte e mais, uma terapia. Supondo que fosse oriental (Sou ortodoxo mas não Oriental!) nem por isso negaria - Por ódio ou birra - a beleza do canto gregoriano e sua capacidade para elevar as mentes ao Sagrado.

Outro o caso do barulho, do som ou do ruído que dispersa o ser humano ao invés de interioriza-lo. Outro o caso do movimento acelerado de membros e corpos, que torna as pessoas ainda mais agitadas. Outro o caso de mensagens puramente emocionais que nada contém ou ensinam em termos de doutrina.

Por isso é chocante que esses cultos pentecostais, que muitos chamam atrevidamente de missas, passem batidos ao defensor da fé enquanto que o rito de seus ancestrais exaspera-os. Eis algo que não posso entender. Esse amor ao novo associado pelo ódio ao antigo - Que há nisso de Católico ou mesmo de apostólico romano? Posto que fomos ensinados a amar o que é antigo ou tradicional enquanto oriundo dos apóstolos e a odiar as novidades profanas concebidas pelo homem.

Independentemente a fé ou da crença percebo que o papa Francisco combate por um mundo mais feio, banal e vulgar, segundo a receita moderna ou modernista. E não posso portanto louva-lo ou mesmo deixar de censura-lo e sobretudo de acautelar nossos ortodoxos encantados com as 'luzes' de Roma...

Que pode haver de divino num hierarca que pugna ferozmente contra a tradição autenticamente Cristã e que insinua estarem equivocados os nossos ancestrais? Acaso não eram os apóstolos, mártires e padres bem orientados? Então porque adotar um padrão de culto recente de origem anabatista ou protestante? Qual o sentido disto? Mormente quando sabemos que as pessoas creem como rezam ou o que rezam...

Que pode haver de infalível num ser leviano que atraiçoa as tradições legadas por seus predecessores e assume valores procedentes de uma outra fé, da fé inimiga?

Para que precisam os nossos Ortodoxos de papa ou mestre supostamente infalível? Para guia-los ao protestantismo e faze-los apostatar? Para faze-los berrar como loucos, saltar sobre os altares, rebolar, tremer, babar, virar os olhinhos... numa só palavra: Para ensandece-los??? Para dispersa-los, para desorienta-los e desliga-los da cultura de seus ancestrais? 

De fato há na ortodoxia, e lamentamos por isso, muita gente ritualista e superficial... Não o negamos, antes esperamos, meio do ritual, conecta-los ao sentido da fé. Fazer com que passem da casca a polpa, e venham a degustar o Evangelho de Cristo ou enfim a saborear as coisas divinas. Nossos defeitos devemos honestamente assumir e buscar corrigi-los.

Agora nem por isso, devido a possíveis excessos, sacrificaremos nosso ritual simbólico ou a conotação histórica do culto. Nem por isso haveremos de fomentar delírios insanos em pessoas instáveis. Nem por isso haveremos de chegar ao transe ou a pajelança... A exemplo do papa Francisco, o qual ao invés de tentar tornar a adoração modernista tanto menos grotesca cuida fulminar aqueles que fiéis ao espírito da religião limitam-se a fazer o que deve ser feito, assim a manter viva a adoração posta em prática por seus ancestrais. Apesar de seus defeitos e vícios (Como o moralismo/puritanismo) sob tal aspecto ao menos eu as admiro.

Que saibam os papistas reconhecer quem são seus verdadeiros inimigos... e portanto a dizer Sim a tradição e ao padrão de culto adotado por seus ancestrais, e a dizer Não, e um sonoro Não ao papa Francisco... 

Afinal nem mesmo Deus pode proibir o que é bom e belo ou abençoar o quanto seja mau ou feio. A missa antiga é sem dúvida boa e bela, enquanto de esse novo culto carismático é ímpio, feio e portanto sacrílego. 




domingo, 1 de março de 2020

Nótulas sobre o pensamento contemporâneo

- Como já dissemos nem Descartes nem Spinoza foram iconoclastas no sentido de negar por completo o passado ou o pensamento antigo. Criaram algo novo, novos espaços e setores, os quais todavia conectaram aquele passado. Tampouco Hume ou mesmo La Mothe Vayer, assim Montaigne criaram algo que fosse radicalmente novo, remontando sempre aos céticos do passado ou a tradição agostiniana. Kant é quem criou algo de novo ou um novo sistema, merecendo ser classificado como Copérnico ou Lutero da Filosofia. Foi ele que, buscando elaborar uma solução de compromisso entre o ceticismo e o dogmatismo, produziu o idealismo transcendental ou crítico condenando o exercício da Metafísica ou melhor da Teodiceia e buscando justificar o conhecimento derivado do empirismo, do que resultou a ideologia positivista. Buscou assim Kant evadir-se ao materialismo, ao espiritualismo, ao teísmo e ao ateísmo, lançando as bases do agnosticismo.

No entanto este mesmo Kant, enquanto pensador do conhecimento ou gnoseológico, fugiu a simples empiria e praticou a especulação metafísica. Resulta disto que não repudiou a Metafísica como um todo, e que fez um recorte, focalizando sua crítica na Teodiceia i é em Deus e por ext na imortalidade da alma, com o objetivo de apresentar tais problemas como intangíveis ao intelecto e assim como insolúveis. Agora por que fez Kant este recorte, fixando arbitrariamente (Onde achou ou quis.) as "Colunas de Hércules" da reflexão? Para dar competente resposta a indagação acima devemos ter em mente que esse tão aclamado Kant era Luterano - Jamais rompeu formalmente com essa fé - e que Lutero, irracionalista e fideísta (Agostiniano), tinha Aristóteles, a Filosofia greco romana, o pensamento clássico, a Teodiceia naturalista e a própria razão em conta de seus principais inimigos (Mais do que o Papa romano). Lutero queria tudo atribuir a fé e Kant seguiu-o, atribuindo o tema de Deus a religião, a fé ou aos livros religiosos, e dando todos os antigos gregos por perfeitos estúpidos. Kant foi um imitador de Pirro no sentido de buscar justificar metafisicamente ou filosoficamente um preconceito de origem religiosa, no primeiro caso o Luteranismo e no segundo o Busdismo... a dinâmica é a mesma - A Epoché continua sendo budista (Assim a ataraxia) e o fideísmo gnoseológico continua sendo luterano, sem que haja verdadeiro conteúdo filosófico em tais afirmações. No primeiro caso temos apenas uma mutilação arbitrária e no segundo uma fuga face a reflexão filosófica. (cf Kant e a Teologia)

- Quanto a linguagem ou expressão, bastante complexa, com que nos deparamos na obra de Kant há muita crítica injusta e destemperada. Que hajam graves contradições - Apontadas com habilidade pelo Pe Thiago Sinibaldi - em seu pensamento é assente e demonstrável, que tenha cunhado expressões ocas nos parece exagerado e injusto. Kant visava dar golpe de misericórdia na escolástica (A qual recusava-se a estudar - O que nos parece bem pouco filosófico). Para tanto foi a suas fontes mais remotas i é a Aristóteles (Campeão da Teologia natural) cujo vocabulário técnico, bastante complexo, adota e assume. Kant não tem culpa de que os modernos ou pós modernistas ignorem supinamente o aparato conceitual aristotélico.

- Resta dizer que quem é por Kant, esta em conflito aberto com tudo quanto o antecede, assim com Parmenides, Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Speusipos, Straton, Dikaiarkos, Xenócrates, Crantor, Zenon, Antioco, Cícero, Sêneca, Filiponos, Eurígena, Aquino, Scottus, Phleton, Ficcino, Pomponnazi, Telésio, Erasmo, Bacon, Descartes, Spinoza...

- Outro é o caso de Hegel, metafísico confesso, o qual prosseguiu decididamente na senda traçada por Leibnitz, construindo expressões ainda mais grotescas, pomposas e vazias (cf Schopenhauer)  Criou uma Filosofia de bolha de sabão ou bexiga, a custa de tais expressões sem sentido e disto resultou outro sistema bastante aclamado em torno do Estado, o qual a partir de um lento processo imanente identifica com o pensamento divino. Deste homem confuso e desorientado partiram todos os idealistas alemães como Fichte, Schelling e aqueles tão criticados por Marx na 'Ideologia alemã', cada qual apresentando uma versão própria da 'filosofia' e pagando tributo a um subjetivismo desbragado. A reação, como não poderia deixar de ser, foi a 'inversão' de Marx, i é, em termos já de materialismo/ateísmo ou de positivismo. Em certo sentido Hegel, pela via da compulsão, conduziu a metafísica alemã ao colapso e a morte, fortalecendo a posição dos kantianos e marxistas.

- Marx, não se satisfazendo com a metafísica materialista mecanicista dos iluministas franceses (Helvetius e De Holbach), adicionou alguns temperos hegelianos e a partir de uma análise histórico social, formulou sua doutrina do materialismo dialético. O preconceito materialista seja sob um ou outro rótulo, cegou-o e desviou-o para sempre de um são realismo. Ele jamais pode reconhecer, em pé de igualdade com as forças materialistas de produção, o potencial concreto das ideias fossem ou não religiosas. Concedemos que deparou com uma Sociedade materialista e economicista e com uma religiosidade - Representada pelo protestantismo - derrotada e servil... No entanto este encontro não justifica a generalização abstrata com que pretendeu, a partir desta realidade particular ou específica, explicar todo processo histórico, desde a História primitiva, incluindo a Antiguidade e a I Média. Fugiu aos limites do simples recorte e metafisicou.

A simples existência dos mártires Cristãos dos primeiros séculos ou da substituição do paganismo antigo pelo Cristianismo, a dinâmica do islamismo ou do Japão e China budistas e o significado do socratismo deveriam te-lo alertado a respeito de suas precipitações. Especialmente após Fustel de Coulanges - Antecipando Weber, Graves, Dawson, Butterfield e Voeglin - ter publicado sua monumental 'Cidade antiga'.

- Atenuando as críticas nem sempre justas e sensatas de Popper convém admitir que a obra de Marx possui dois aspectos: Um objetivo ou como dizem científico que é sua análise crítica do capitalismo mormente representada pelo Capital. Esta não apenas permanece válida como foi utilizada por J M Keynes. O outro aspecto parece fugir a sua orientação - Não a nossa! - materialista, pré positivista, anti metafísica, etc é seu apelo a uma normatividade ética ou ideal ou seu futurismo. Marx, ao contrário dos demais empiristas/materialistas ressente, ao fim de tudo, uma influência Socrático/Cristã. Pelo simples fato de não contentar-se com uma realidade dada (O que é) tida em conta de injusta, ousando crítica-la e substitui-la por uma outra ordem, a qual só pode ser derivada de princípios ou valores ideais. Disto resultou a Ideologia Comunista, a qual apesar de seus equívocos monstruosamente bizarros, foge ao conformismo anti ético e até cruel de seus críticos ateus, materialistas, positivistas e cientificistas. Ora os humanistas e Cristãos, mesmo discordando quanto aos métodos propostos por Marx e seus colaboradores, não podem acompanhar os ateus, materialistas, positivistas e cientificistas quanto a aceitação passiva de uma realidade ingrata ou injusta. E por isso, em que pesem os erros gravíssimos do comunismo, ousam declarar que a posição de parte de seus críticos é ainda pior e mais grave.

- Já aludimos diversas vezes ao erro de Freud. Como Marx ele fugiu aos limites do recorte e dando com uma realidade cultural ou particular, abstraiu do tempo do tempo e do espaço, elaborando uma metafísica pan sexualista posteriormente emendada ou reformada com base nas sensatas críticas elaboradas por seus ex discípulos. De modo que num determinado momento o próprio Freud - Sem jamais retratar-se formalmente - rompe com o paradigma sexualista e admite outros princípios de regulação. Sua abstração metafísica, como a de Marx, é grotesca. Não seu método ou o caráter relativo de suas constatações, menos ainda o resultado de sua crítica ao puritanismo/moralismo vigente. Claro que a partir de suas críticas parte da Sociedade passou ao extremo contrário, i é a um sexismo desbragado, com sérias consequências sociais, políticas e culturais. Em que pese este desvio continuamos buscando utopicamente por um padrão de equilíbrio em que a sexualidade humana seja aceita com naturalidade, mas, sem ser deificada ou exaltada acima de tudo.

- Darwin alias é anterior a Freud. Porém queríamos estabelecer uma conexão entre o erro de um e de outro. Darwin não pertence aos domínios da Filosofia ou do pensamento abstrato posto que pesquisador ou naturalista. Era ele um homem do empirismo. No entanto sua formulação teorética - já antecipada por Lamarck, St Hillaire e outros - não poderia deixar de incidir sobre todos os domínios do pensamento humano - Psicologia e teologia, passando pela economia e pela sociologia. Foi a partir dele que o naturalismo converteu-se num paradigma, mais do que a própria evolução. Assim ele coroa a obra de Copérnico, Agricola, Newton, Hutton e Buffon/Lamarck/St Hilaire, demonstrando que o corpo humano esta inserido na ordem natural e que também este homem vaidoso não passa de um animal, ainda que racional. Não é o centro do universo, tampouco o centro da terra e sequer o centro da vida. Destarte terá este homem de procurar sua particularidade gloriosa na capacidade perceptiva e racional para a reflexão e para a apreensão das verdades metafísicas. A Filosofia é que lhe trará o sentido especial que sempre buscou por caminhos errados. É este homem um dentre tantos animais, vagando sobre um grão de pó na periferia do espaço... E no entanto, como dizia Pascal nos 'Pensamentos', tem consciência de si ou pensa, enquanto que nem Júpiter, nem o Sol, nem Arcturo tem consciência de si ou capacidade para pensar. É um caniço, um verme, um grão de poeira ou uma átomo perdido na imensidão do universo, e ainda assim caniço, verme, poeira ou átomo pensante...

- Einstein, o qual jamais supos que sua teoria física da relatividade geral fosse gnoseologicamente relativa ou duvidosa, demoliu o mito do espaço absoluto. Tudo quando temos em nosso universo é uma relação entre corpos em movimento. Neste universo que se expande ou amplia tudo esta em movimento, pois o estado de repouso é relativo a certas situações vividas por nós humanos. Este computador bem pode estar em repouso com relação a mim... Move-se no entanto caso esteja eu num trem. Move-se com as placas tectônicas, com o planeta, com a galáxia, com o universo... Tudo é movimento. E o tempo uma propriedade deste universo em expansão. Por isso nosso referenciais de tempo são relativos a terra ou ao sol, não absolutos. Quiçá o aspecto mais interessante da teoria da relatividade geral não seja a teoria em si - Simples dedução com base nas experiências feitas por Morley em 1881 - mas sua expressão (Tomada a Descartes e Newton) em termos matemáticos cujo sentido e exatidão pouquíssimos intelectuais foram capazes de compreender.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

A doutrina social e os equívocos da Igreja Romana - A grandeza e a miséria do Social Catolicismo.

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Há coisa de dois ou três anos, tendo visitado um grande amigo meu, Comunista, não apenas de boca, mas conhecedor profundo daquela Ideologia e homem de imenso saber  - Poliglota, polímata, etc a conversa tocou na D S I, i é, na doutrina social da Igreja romana ou no Social Catolicismo. Principiou meu amigo e oponente dizendo que se tratava duma bela construção teórica ou uma bela proposta, porém, letra morta desprovida de um maior significado, uma vez que a própria organização que a concebera ou idealizara, na prática, parecia não leva-la a serio, pelo simples fato de pouco ou nada fazer no sentido de ve-la realizada ou concretizada. A impressão, segundo ele, era que a própria igreja romana não dava o devido valor a essa doutrina, ostentando-a como uma espécie de enfeite.

Ao calor da discussão tomei semelhante acusação por injusta...

Agora, passados tantos anos, ouso fazer 'Mea culpa' e reconhecer sua legitimidade.

Afinal, dispostos os meios, a mesma Sociedade que enfrentou heroicamente a máquina do Império Romano e que por tanto tempo enfrentou e conteve a jihad islâmica, ao menos por uma vez salvando o mundo Ocidental (Com seu tesouro de cultura Greco Romana) - pelo que merece nossa gratidão - bem poderia ter conjurado o espectro nefando do Capitalismo ou do liberalismo econômico enquanto expressão economicista subsidiária do materialismo e classificada pela Ética Cristã tradicional como sórdida avareza... Se bem que estivesse já essa Sociedade enfraquecida pelo advento do Protestantismo (Aqui o atenuante ignorado por meu bom amigo comunista).

No entanto é patente que a igreja romana cometeu dois colossais equívocos, um no Concílio de Trento, por aproximar-se doutrinalmente do protestantismo através  do agostinianismo (Jamais existiu qualquer contra Reforma exceto enquanto tentativa feita na França pelo Duque de Guise, mas assimilação de elementos protestantes como a teologia agostiniano da graça). 0 que por nós foi exposto em inúmeras dissertações teológicas.

O outro equívoco diz respeito ao Liberalismo Econômico ou Capitalismo e demais liberalismos emergentes... Vamos, arqueologicamente, tentar traçar esta História tão confusa.

O primeiro erro da igreja papa foi misturar ou confundir os Liberalismos criando um rótulo - vazio e absurdo: Liberalismo (No singular). Jamais existiu algo como um liberalismo exceto do ponto de vista da cultura protestante a qual batizou o liberalismo econômico tentando Cristianizar suas pretensões essencialmente anti Cristãs... Existiram sim diversos liberalismos (Uma pluralidade), de vária cepa e muito mal relacionados entre si, isto a ponto de podermos falar não apenas em tensão, mas em verdadeiro conflito, a que foge somente a cultura protestante americanista, na qual o elemento humano é esmagado e a dimensão Ética da vida negada ou minimizada. O anti humanismo de mercado é filho primogênito do anti humanismo protestante ou bíblico (Vetero testamentário).

Um é o L moral, outro o religioso, outro o Político, outro o econômico... Basta dizer que a mancebia entre o capitalismo e as ditaduras é bastante conhecida. Quando o L econômico é ameaçado por qualquer reforma democrática ou popular (ainda que rara) o L Político sai pela porta dos fundos ou é sacrificado.

Em que pese a tristeza, a justiça obriga-nos conceder que a igreja romana, exaurida pela luta contra as seitas protestantes não soube compreende (Como ainda hoje os Catolicismos não querem compreender - E por isto perecem!) a dinâmica da Cultura e o significado do Capitalismo emergente. E o resultado disto, o último resultado será já o Concílio do Vaticano II, já este tradicionalismo espúrio permeado pela cultura alienígena... E quando deu por si o inimigo oculto já havia ultrapassado as fronteiras, atravessado as muralhas e transformado em escombros esta cidade de Cristo, que ora tentamos reconstruir, ao menos teoricamente - De modo a iluminar e a inspirar as gerações futuras. Nós somos semeadores de novos mundos, em parte espelhados no passado... A Igreja de modo geral negociou. Imolou sua cultura, seu éthos, seu espírito imortal e assimilou uma cultura que jamais foi sua. O desastre da assimilação da adoração protestante e do sistema econômico capitalista pela Igreja romana, começou bem lá atrás, em Trento, com a falsa contra reforma, a qual não passou de assimilação. Primeiro a igreja Latina assimilou a fé protestante ou agostiniana a respeito da graça e em seguida a cultura e o padrão econômico produzidos pela HERESIA SOLIFIDEISTA. Tudo quanto ora vemos é um abandono do mundo e a derrocada (Aparente) da ENCARNAÇÃO. Não temos sido ENCARNACIONISTAS coerentes...

Concentrou-se a Igreja romana ainda nisto, imitando (Como uma macaca.) o protestantismo, e assimilando modos moralistas e puritanos (Sinais de decadência em termos de instituições religiosas.) - Pasme leitor, a Idade Média foi muito mais liberal (Nos termos da moralidade) do que os neo catolicismos, subservientes a crítica protestante/puritana que incorporaram - e atendo-se a uma forma política histórica i é espacial temporal, relativa e ultrapassada... Divisou um Estado forte quanto a moralidade dos súditos ou a vida privada mas, fraco quanto a Educação e assim quanto a vida política por estar diretamente subordinado a ela. E por instigação de reis e políticos incrédulos e ambiciosos perdeu seu fervor educativo, embora jamais abdicasse dele. Crendo fixo semelhante estado de coisas - o qual não era senão provisório - permitiu que parte dos seus profitentes permanecesse sob o jugo da ignorância, fabricando massas ao invés de povo (Do que tirou e tira proveito o protestantismo com suas seitas!). Assentiu que houvessem analfabetos nesta cidade cujos fundamentos mais sólidos deveriam ser a fé pura e esclarecida bem como um conhecimento elementar ao menos da Teologia e uma certa educação filosófica. E foi um erro fatal... (Nina Rodrigues já dissera, e com razão, que os Catolicismos não são assimiláveis pelas massas incultas.) Quanto a economia, setor em que as transformações aconteciam a galope nada discerniu ou fez além de impostos e alguns tratadinhos sobre comércio e moeda... Ignorou por completo este setor e receando um Estado Forte (quanto mais democrático!) apostou no Estado omisso, fraco ou mínimo...

Desde que o protestantismo serviu-se do Estado e da estatolatria com o objetivo de afirmar-se e que o Estado moderno, já absolutista, já democrático ou politicamente liberal, mas consolidado no poder, ameaçou, romper com o velho pacto, assumir a educação e desamparar o moralismo insosso, aspirou ela, a Igreja Romana, por um Estado frágil, inerme ou mínimo, sem cogitar que o economicismo disto pudesse tirar máximo proveito, introduzindo um novo padrão de cultura. Como jamais imaginou que as seitas protestantes tirariam mais e mais vantagem da ignorância em que jazem até hoje as massas sumariamente alfabetizadas ou apenas letradas, vitimadas por uma condição miserável. Miséria e ignorância alienaram as massas da Igreja assim que ela perdeu o controle da Educação ou das escolas...

Da associação entre o Estado frágil e a massificação dos grupos sociais resultou a inserção muito bem sucedida do liberalismo econômico e do protestantismo que são elementos solidários e formativos do agregado cultural americanista. Esta afinidade eletiva foi devidamente exposta pela corrente weberiana, a luz da qual compreendemos a dramática transformação porque passa o Brasil é a agonia do Ocidente. O Capital precisava e precisa de uma exército de reserva angustiado e as seitas de iletrados, semi letrados e imbecis para escravizar mentalmente por meio da superstição. As massas mal alimentadas e fatigadas constituem o pasto predileto das seitas todas... fornecendo-lhes inclusive válvulas emocionais de espace, por meio de um culto emocionalista copiado pelos carismáticos. Nada no sentido de TRANSFORMAR a realidade, apenas de deixar como estar, fornecer explicações falaciosas e tirar proveito. O fetichismo 'Cristão' é isto, e as estruturas perversas do mundo atual agradecem - É colaboração...

Enquanto tal se sucedia o gracismo e o solifideismo iam mais e mais contaminando a igreja romana. Até que chegamos a este aparente renascer chamado romantismo. O romantismo é fenômeno alemão, que antes de convergir para aparências de Catolicismo, surge numa Alemanha luterana. Por isso trás em seu bojo o ideal de uma comunicação direta com Deus ou de uma comunhão espiritual que parte do coração, sem precipitar-se necessariamente em obras... Por isso o romantismo produz uma praxis Católica venenosa e desligada por completa da tradição medieval que é a própria vida social. Disto resultou a crença horrenda (Quando parte dos protestantes, por falta de beleza, já não ia ao culto!) de que ser Católico é ir a Missa dominical e assimilar certos tipos de moralidade puritana, individualistas e oriundos quase todos do antigo testamento ou do judaísmo. A Idade Média, com suas associações que permeavam a vida, tinha sentido de Ética Cristã ou Evangélica, bem mais acurado. O neo romano do século XIX isolou-se de seus irmãos batizados, encastelou-se no recinto privado do lar, perdeu todo e qualquer vínculo social e criou para si uma falsa torre de marfim, o avesso da Cidade do Deus encarnado Jesus Cristo... Isto não é vida, é culto somente, fé somente, espiritualidade somente; protestantismo. Catolicismo é consciência, sentido, espírito, vida e prática. Algo que se vive e prática vinte e quatro horas por dia e trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O Católico do século XIX não tem mais este perfil total, é obra em parte, corrompida, pela apostasia luterana com seu abandono do mundo, com sua desistência, com sua inanidade...

O Cristianismo foi perigoso. Face ao Império Romano, face ao Império Bizantino e face a Jihad islâmica e arabizante. O neo cristianismo luteranizado e avesso as obras não é perigoso. Pois desesperou de transformar o mundo e suas estruturas. Já não é sal - É água de flor de laranjeira ou rosas, calmante. Cristianismo não pode jamais ser calmante, tem exigências Éticas inegociáveis. Críticos de imensa cultura temem que retorne a suas autênticas tradições, tornando-se mais perigoso do que o anarquismo, o comunismo e o fascismo; embora seus métodos e fontes sejam bem outros. O capitalista estudado esforça-se por satanizar a Idade Média - Ainda aqui adotando os métodos da falsa reforma - e até os antigos padres e a tradição Cristã, social e humanista. Ele teme o episcopalismo ou os Catolicismos, mas não se importa com as seitas protestantes, mesmo quando assumem um viez teocrático. Sabe que elas jamais desampararão o economicismo, contentando-se com dominar o comportamento privado, inda que por meio do poder político.

Isolando-se uns dos outros os Católicos não perceberam nada disto. Nada, nada... Seus líderes - como Pio IX, continuaram a meter os pés pelas mãos... a disputar com o Estado em sua esfera, a combater pelo 'vitorianismo', a proclamar moralidades, a vindicar uma propriedade que mudará de significado por completo (A noção de propriedade MEDIEVAL não é a contemporânea), a condenar o Liberalismo qual fosse uma coisa só, etc Foi uma Cruzada inglória. Marx combatia a forma apenas do Capitalismo... E a Igreja não lhe atingia o espírito, o éthos, o coração ou a alma, que era necessário aniquilar e substituir por outra. De modo que não atingiu ela seu escopo...

E no entanto o primeiro meio capaz de - A partir de um controle indireto ou de simples orientação - implantar a doutrina social da igreja e de reformar as estruturas sociais no sentido da Tradição e do Evangelho, seria justamente um Estado forte. Democrático, popular e limitado a sua esfera, mas forte nessa esfera - Das coisas comuns, da convivência ou da Ética. Forte quanto a Ética humanista ou a promoção do ser humano e a afirmação da justiça (Aqui a República de Platão) em todas as áreas da atividade humana. Lamentavelmente a Igreja sempre suspeitou deste Estado (Mesmo quando Democrático ou Policrático!) até anatematiza-lo. Desamparados pela própria igreja os elementos populares, os demagogos liberais economicistas após terem assumido o protagonismo do movimento democrático, tomaram a direção das Escolas e fechou os mosteiros, beneficiando ainda mais a cultura protestante e capitalista... Ao invés de identificar os inimigos e a cultura de morte que os inspirava a igreja, cega, anatematizou ainda as formas democráticas, e postulou um retorno utópico ao velho Estado dirigido. CONCLUSÃO - Os maus liberais (Capitalistas) apresentaram-se como heróis e paladinos da liberdade, fazendo avançar a cultura americanista... A igreja - aqui muito falível, terrivelmente falível - fez o jogo deles, mesmo quando se lhes opôs...

Sim, os espertos americanizantes e economicistas jamais deixaram de tirar proveito dos equívocos cometidos pela igreja e assim de apresentar e promover o Liberalismo com um todo homogêneo, em que entrasse o capitalismo. De fato eles associaram o Liberalismo político - que é a alma da democracia - ao liberalismo econômico, isto com o premeditado objetivo de justificar este por aquele.

A loucura integrista ou integralista (Aberração no terreno da política, da ciência e dos costumes), reforçou este erro, pois quando honesta condenava ambos os liberalismos e sancionava a tirania, senão o velho ideal teocrático. Destarte os inimigos do despotismo - inclusive dos setores dominados! - passaram a encarar o capitalismo com franca simpatia e como elemento necessário de um pacote cultural superior ou mais civilizado. O próprio americanismo, que é antípoda da nossa cultura, foi assumido por não poucos... Enquanto isto dos simplórios Donoso Cortês, Salvany, Murilo, etc e mesmo um De Maistre ou um De Bonald continuavam a apresentar a modernidade empacotada... O que desaguou na Ação Francesa, com Ch Maurras, embora este tivesse já certa noção da cultura e das conexões ideológicas com o protestantismo. No entanto jamais situou o problema onde devia, na economia de mercado ou no economicismo, insistindo na tecla do político. Se Marx, foi prisioneiro daquele materialismo comum ao sistema que criticava Maurras foi prisioneiro de formas políticas que nada explicavam ou cuja dimensão era limitada face a cultura. Apenas Weber começou a decifrar esta esfinge...

Fácil é compreender que entre nós os frustrados do integrismo passaram ao americanismo - Como comunistas e fascistas tem migrado para o capitalismo e como ora passam ao islamismo, juntamente com alguns fundamentalistas protestantes e romanistas moralizantes (perceba o leitor a ilação!). E que do conflito entre o Estado democrático e a Igreja tirou partido o Mercado, assim como o Imperialismo Norte americano e toda essa cultura de morte, da qual, como elemento basilar faz parte o protestantismo, com seu abandono do mundo, seja pela fé somente ou pelo apocalipticismo. Aliás o economicismo apenas reivindicou um setor da vida abandonado pelo protestantismo... Bom insistir nisto, pois trata-se da fonte da crise porque passa nossa civilização.

Havia no entanto, para a Igreja ( Como ainda há, embora pareça por demais utópica) uma outra possibilidade - A do afrontamento ou da auto reconstrução a partir da Tradição ou do passado, no qual não haviam faltado meios com que enfrentar e vencer a Cultura de morte. Os próprios liberais economicistas, como os falsos cristãos mamonolatras ou avarentos, sabem melhor do que ninguém que o Cristianismo vivo é a suprema ameaça a este sistema. Por isso tentam a todo custo conter a expansão da consciência Cristã, sabendo que sua ética é mil vezes mais devastadora e temível que o Comunismo e o Anarquismo, posto que suas fontes são divinas! O materialismo, a avareza, a ambição excessiva, o economicismo capitalista tem a Deus por adversário e tal é o segredo do rei...

Cumpre apenas dar consciência a este corpo decadente, que como o Verbo Jesus pode ressuscitar e dar vida ao mundo. Ao Comunismo materialista e totalitário, não podia a mãe igreja estender fraternal e ingenuamente a mão. As atuais e legítimas aspirações ECOLÓGICAS não só pode como deve. Que aproveite o kairós para fecundar e encher de luz esta corrente do bem. Que saiba à luz da memória (TRADIÇÃO) recriar-se e recuperar os mecanismos espirituais com que no passado movia seus filhos, ora movendo-os a uma vida Ética coerente, intensa e avassaladora.

sábado, 21 de julho de 2018

A Igreja e o espantalho do anti abortismo II ou repisando velhos erros...


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QUANTAS VEZES VOCÊ FEZ ISTO???




Agora que fazem esses Católicos acomodados, superficiais e insensíveis matriculados na escola do farisaísmo???

Voltando as costas para seu dever social e buscando encontrar soluções concretas para o aborto - Capazes de impedir sua descriminalização - assume a fatuidade da ideologia protestante e (pasmem!) transplantam o anti abortismo e outros temas morais (o que é muito pior) para o terreno da política EM DETRIMENTO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, a qual, como levianos, menosprezam quando não ignoram. Tristia tempora! Tristia mores!

E põem-se a gritar como pegas ao cio: Não vote neste candidato porque é a favor do aborto!!!

Que temos a dizer diante disto.

Certamente que todo humanista, quanto mais um Cristão, se oporá ao aborto e pronunciar-se-a em favor da vida e sua dignidade. Não em favor da vida intra uterina apenas - seria uma distorção da concepção Católica de existência - mas em favor da vida infantil, juvenil, adulta, madura, idosa e sob diversas outras circunstâncias que exigem uma proteção por parte da Sociedade. A Comunidade deve proteger integralmente a vida, do começo ao fim. A solidariedade impõem-se como algo continuo e não é possível ou coerente que o homem, oponha-se a imolação de fetos e apoie e imolação diária de crianças, jovens e adultos face a miséria e a ignorância.

No entanto quando dizemos que o Cristão se oporá ao aborto devo dizer que também se oporá a todas as condições sociais que favorecem-no, e assim a exploração econômica, a injustiça social, a pobreza extrema, ao analfabetismo, etc Somente dentro de um contesto mais amplo o anti abortismo faz algum sentido.

Além disto como já dissemos, buscará ele, a medida de suas posses, solidarizar-se com as pessoas vulneráveis a esta situação. Já adotando, apadrinhando, socorrendo ou mantendo orfanatos e abrigos. Então terá idoneidade para críticas ou poderá começar a falar. Após ter cumprido seu dever... ao invés de emitir discursos vãos!

Por fim este homem, acima de tudo, assumirá tantos quantos filhos tiver, os valorizará, assumirá e cuidará deles. Mesmo que desligado da mãe de seus filhos estará sempre disposto a ajuda-la financeiramente ou pessoalmente, pois de seu filho não se pode desligar. E saberá apoiar filhas, sobrinhas, afilhadas, etc ameaçadas por semelhante risco. Ele não favorecerá esta prática infame em sua família ou círculo de amizades. Não abortará sentido de jamais consentir que sua companheira aborte. Buscará dissuadir qualquer mulher disposta a faze-lo não apenas por meio de argumentos, mas concedendo-lhe proteção e apoio. Ele viverá o anti abortismo e o colocará em prática na própria vida.

Pois não é incomum entre políticos e palradores destes tempos, condenar publicamente este ou aquele vício e depois, po-lo em prática as ocultas. Assim demagogos que após terem denunciado o abortismo a cabo de anos seguidos, pressionaram a jovem amante a abortar!

Portanto ser Cristão não significa condenar mulheres pobres ou exigir que sema punidas e penalizadas sem que a condição delas seja levada em conta e menos ainda berrar contra a legalização do aborto, mas opor-se ao aborto com a vida. Abster-se de po-lo em prática ou de favorece-lo através de suas atitudes. Isto sim é ser anti abortista!

Porque o lugar da moralidade é a vida privada.

Enquanto que a política diz respeito a coisa pública.

Portanto se alguém aborta ou não ou se apoia o aborto ou não, isto não tem relação concreta com a coisa pública e comum.

Claro que a legalização ou o financiamento público do aborto são temos políticos, que no entanto derivam de situações sociais.

Opor-se a legalização ou descriminalização do aborto irrestrito não nos deve impedir de votar ou de apoiar um político simplesmente porque é a favor desta pauta. Uma análise deste tipo pode induzir-nos a erros fatais devido a sua tacanhice. O apoio a um político deve ter por base uma análise sobre o conjunto de seus propostas e não uma opção isolada, ainda que equivocada.

Teoricamente o Fuherer de S Paulo, Geraldo Alckmin, afetando um Catolicismo aparente, que folga opor-se a Doutrina social da Igreja, declara opor-se a legalização do aborto. Devemos portanto apoiar um tal sujeito ou votar nele? Observemos a situação tanto mais de perto. Este cidadão confuso e desorientado, não apenas pertence a um partido cujo programa é de inspiração neo liberal ou capitalista como assume esta pauta neo liberal, de modo algum conforme a Doutrina Social da Igreja. Em conformidade com seu ponto de vista, o citado candidato pretende aprovar a Reforma da Previdência assim que assumir a presidência do país.

O que quero que o leitor perceba é que este homem adota soluções incompatíveis face a tradição social do Catolicismo. Afeta ser anti abortista para granjear votos. Mas esta disposto a executar uma reforma,- dentre tantas e tantas outras - destinada a potencializar situações de miséria e indignidade, que na base acabarão favorecendo situações de aborto!!! Com um discurso hipócrita e um falso moralismo, declara opor-se ao aborto. Por meio de uma política neo liberal todavia, acabará estimulando este crime.

É antiga a constatação de que o Capitalismo ou liberalismo econômico - e não seu sucessor o Comunismo - destrói a família e a moral tradicional pena base. Todo conservador sabia-o por intuição desde os albores do décimo nono século. Verificou-o, o Católico Le Play, após exaustivas investigações, cerca de 1850. O Comunismo tem o mérito de ser sincero e de combater abertamente a organização familiar costumeira - que os anti abortistas alegam amar. O Capitalismo destrói-as sútil ou sorrateiramente, solapando toda a moralidade convencional ou como dizia Bernard de Mandaville vendendo, negociando e promovendo diversas formas de vícios. Foi a criação do modelo fabril pela Revolução industrial - apoiada pelos protestantes - que separou pai, mãe e filhos; assestando duro golpe nas famílias, além de afasta-las do convívio com o mundo natural.

Tudo isto é obra do liberalismo, ideologia que inspirou os programas de diversos partidos políticos nos quais prolifera um discurso anti abortista ou puritano - incoerente e inconsequente como tudo que é protestante. É um discurso falacioso e aparente, na medida em que o mesmo liberalismo implementa e tem implementado, cada vez mais situações de miséria, injustiça e alienação. Mas não são os Comunistas que dizem tais coisas??? Não, quem constatou semelhante situação foi o escritor Charles Dickens, e além dele St Simon, Fourier, Owen, Ruskin, Morris, Carlyle... além dos insuspeitos Chesterton e Belloc... E Hérzen, Lavrov, Sorel... O Bispo Von Keteller na Alemanha... Os Católicos sociais da França a partir de Villeneuve de Bargemont, Lammenais e Buchez... Henry George nos EUA... A miséria trazida e promovida pelo capitalismo foi uma constatação empírica geral, como a imoralidade potencializada por este novo mundo: Alcoolismo, consumo de drogas, prostituição... Tudo quando os neo Católicos moralistas afetam detestar foi estimulado pelo Capitalismo.

Portanto como combater o aborto e as demais formas de imoralidade apoiando um sistema materialista e economicista que solapa as bases e fundamentos da moral - É DAR UM TIRO NO PÉ!!! Admitem-no os conservadores ou meio reacionários ingleses como Russel Kirk e Scruton, além de John Gray. O capitalismo destrói as redes tradicionais de solidariedade ou apoio, nas quais nossos ancestrais encontravam acolhida, e lança-o isolado e só num torvelinho de forças econômicas. E assim se vão todos os sonhos, dirá T S Elliot. E também toda moralidade antiga... A qual desaba e vem abaixo, porque lhe falta o necessário substrato real ou material. Não se fala de Deus ou de religião a quem tem a barriga vazia, já dizia o Escolástico!

A moralidade Católica depende de bases concretas ou materiais da qual a pessoa fica privada desde que posta a merce do Capitalismo e o resultado disto é uma sociedade abortista... E ao apoiar um candidato liberal ou neo liberal você, Cristão, ajudou a edifica-la, inda que ludibriado por um falso discurso!!!

Diante disto que solução buscar???

Soluções políticas para problemas comuns. Soluções sociais para problemas sociais.

E temos um excelente guia, temos um padrão, temos um critério, na doutrina social da igreja, que é um desenvolvimento da nossa tradição social e da nossa consciência Ética.

É a doutrina social da igreja e não a qualquer elemento isolado de moralidade que devemos reportar nossa análise política, examinando a proposta de cada candidato em seu conjunto, no que tem de propriamente política ou social. É a doutrina social da Igreja que o Católico deve tomar por base ao analisar qualquer programa partidário ou proposta pessoal.

Claro e evidente que no Brasil não daremos com uma absorção integral desta doutrina por parte de qualquer candidato e menos ainda de qualquer partido. Agora quem são os responsáveis por semelhante estado de coisas senão estes neo Católicos filiados a partidos liberais ou neo liberais??? Esses elementos superficiais e levianos que ignoram os ensinamentos sociais da igreja??? E que ousam posar como Católicos nos palanques...

Diante de tal fato deve o Católico guiar-se por aproximação. Votará em candidatos cujas propostas melhor contemplem as exigências da doutrina social da igreja. Grosso modo elegerá candidatos que defendam os direitos do trabalhador, que deem respaldo a promoção humana e que estejam comprometidos com a justiça em sua dimensão social.

Diante disto apoiará partidos socialistas ou compactuará com o socialismo?

De fato, temos de dizer que nem tudo no socialismo é mau e que ele não é mau em seu conjunto ou totalidade - Ao contrário da avareza, principal 'virtude' encarnada pelo capitalismo, a qual é um pecado. - mas apenas quanto a certos aspectos filosóficos, como o naturalismo, ou (Em certos casos) o materialismo, o ateísmo, a negação da propriedade pessoal, etc Aos quais o Católico obviamente não aderirá. No mais não se trata de filiar-se a tais partidos ou mesmo de filiar-se a ele, mas de reconhecer que a plataforma deles esta infinitamente mais próxima da doutrina social da igreja do que a doutrina liberal ou neo liberal. Esta é condenada em sua base mesma e fulminada em seus princípios. Aquela apenas quanto a certos aspectos.

Portanto não pode nem deve o bom Católico furtar-se de apoiar uma política trabalhista ou justicionista, sob a alegação - especiosa e vã - de que os socialistas ou mesmo os comunistas apoiam-na. A estupidez aqui seria tanta como opor-se a um projeto destinado a coibir a pedofilia ou a disciplinar a entrada de muçulmanos na República pelo simples fato de ser ele apoiado pelos socialistas. A partir deste tipo acrítico e imbecil de oposição chegamos aos mais monstruosos absurdos.

Toda e qualquer proposta fundamentada na Doutrina social da Igreja merece total apoio dos Cristãos Católicos inda que parta de seus adversários. Não pode o Católico, desamparar o direitos dos trabalhadores ou os serviços de assistência social, sob a alegação de que os socialistas ou comunistas são favoráveis a eles porque a doutrina da igreja também o é, e terminantemente! Os fanáticos cooptados pelo protestantismo e poluídos pelo liberalismo economicista podem não gostar, mesmo assim há pontos comuns, e diversos, entre a doutrina social da Igreja e o socialismo naturalista ou mesmo o comunismo. Assim a necessidade da intervenção por parte do estado ou da sociedade nos domínios da produção econômica, visando proteger os operários, campesinos, etc De fato a igreja jamais engoliu os paradigmas do liberalismo clássico.

Pode e deve portanto o Católico, com a consciência pura diante de Jesus Cristo e firmado na tradição dos Santos Padres e dos escolásticos votar em candidatos que pertençam a partidos socialistas moderados, mesmo quando sejam abortistas ou estejam em oposição a moralidade comum. Isto não os torna apoiantes do aborto ou da dita imoralidade. Não os torna naturalistas e não faz deles comunistas. Apenas estão buscando a melhor saída política para problemas políticos e conforme o espírito da igreja. Que até 1937, na Alemanha, apoiou o nazismo sem tornar-se por assim dizer nazista.


O melhor e mais seguro critério, em termos Católicos, para analisar o conjunto de qualquer discurso político, é e sempre será a doutrina social da Igreja e jamais qualquer elemento isolado em termos de moralidade. Não podem os Católicos por em prática o aborto ou se abortistas. Votar em políticos abortistas, desde que haja razão suficiente para tanto, podem faze-lo tranquilamente.


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OLHA AI QUEM PODE LEVANTAR O DEDO E CRITICAR!!!





segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Quinhentos anos de reforma protestante - Uma perspectica crítica

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Embora para nós os quinhentos anos da Reforma protestante completem-se apenas em 2021, pelo simples fato de estarmos sendo cobrados, não nos podemos deixar de manifestar, ainda que com três anos de antecedência.

Afinal ao contrário do Catolicismo, do islamismo ou mesmo do espiritismo não é ou foi o protestantismo uma Revelação transcendente cujo conteúdo tenha sido imediatamente comunicado pelos céus. Daí a composição problemática da Reforma com o Cristianismo Histórico, afinal o Livro é Resultado da Revelação e não a Revelação em si mesma. A Revelação divina na perspectiva puramente Cristã é fruto ou produto da Encarnação e não de um livro. Cristianismo é Deus que se faz homem e não livro. É A RELIGIÃO DA ENCARNAÇÃO e não uma religião do livro como o judaismo ou o islamismo. A oposição entre o Catolicismo, estribado no anúncio oral do Mestre, e o Biblismo principia aqui.

Do mistério da Encarnação procedem antes de tudo a pregação, a igreja e a tradição; as quais antecedem ou precedem o Evangelho Escrito. E já digo e adianto que as escrituras dos judeus ou antigo testamento não vem ao caso, pelo simples fato de não constituir a Lei dos Cristãos. Daremos ouvidos aos protestantes ou bíblicos quando toparem com o Sermão do Monte ou com as Bem aventuranças na Mikra. Até lá nos firmaremos no Evangelho como algo Novo, específico e diferente ou como vinho novo que não cabe em odres velhos.

Ulteriormente, após inúmeras hesitações, adotou ou assumiu o protestantismo uma via mística ou sobrenatural, mas de teor puramente subjetivo, segundo a teoria individualista da inspiração interna, invisível, intransferível e inverificável; tanto que poderia ser alegada por qualquer credo religioso, como algo caprichoso e arbitrário, que foge a evidência objetiva ou a demonstração.

E no entanto este Lutero de 1517 ainda é perfeitamente papista ou Católico bem como o Lutero de 1521. Durante todo este tempo não cogitou o homem romper com a igreja e protestou submissão filial ao papa romano até o derradeiro instante da excomunhão. Foi ao calor das disputas com Eckius - o qual buscava reduzir seu oponente ao absurdo - e ao sabor do improviso que o protestantismo foi sendo muito naturalmente fabricado sem que Lutero sequer cogitasse ser dirigido, guiado ou iluminado pela divindade. Era agostiniano e como tal não temia o absurdo, consequentemente canonizou o irracionalismo e o absurdo chegando a apresentar a razão como um puta. Para ele o Cristianismo não precisava fazer sentido e nossa esperança era certamente louca...

Começa a criar o protestantismo em 1521... principiando pelo Biblismo e pelo livre exame. Sem cogitar que estava enveredando pelos domínios naturais da técnica exegética ou da especulação interpretativa, e desviando-se por completo das já citadas fontes do Cristianismo histórico, o qual certamente não surge como uma técnica exegética naturalista ou como interpretação de qualquer coisa, mas com a manifestação visível de Deus na carne ou na natureza humana.

Sucede no entanto que o papismo para firmar-se havia contaminado a tradição ancestral. A tradição latina, desde o ano 1080, era uma tradição papista ou papal. S Fócio e S Miguel Cerulário, já haviam denunciado esta manobra. Os ocidentais no entanto separaram-se das antigas igrejas apostólicas de lingua grega, e resolveram seguir seu próprio caminho. Destarte quando Lutero veio ao mundo já não havia na igreja ocidental quem fizesse caso das críticas levantadas pelos gregos 'cismáticos' meio milênio antes, ou quem conhecesse as legítimas tradições.

Em semelhante conjuntura, a admissão dos concílios latinos e portanto da tradição, implicava admissão da monarquia papal e ninguém estava disposto a concordar com os 'odiados' gregos. Lutero foi posto contra a parede e numa posição desconfortável, a qual impedia-o de apelar a tradição ou de usa-la em seu favor. Ao contrário dos bizantinos refinados ele jamais chegou a cogitar numa crítica histórica das tradições e como típico alemão, achou por bem cortar o mal pela raiz e eliminar o critério externo e objetivo da tradição. Creio que foi uma solução ditada pelas circunstâncias e não algo refletido.

Seja como for devia ele substituir a monarquia papal, os concílios e a tradição dos padres por alguma outra coisa.

Tal o problema.

A imprensa acabava de ser inventada meio século antes, e considerável número de Bíblias, já em latim, já em vernáculo circulavam por toda a Europa, sem que no entanto a mágica do Livro tivesse sido quebrada numa Sociedade majoritariamente analfabeta.

Como qualquer um de nós, que imaginamos nossos ancestrais com celulares, aviões ou automóveis, cogitou Lutero, que o livro impresso sempre estivesse em posse dos cristãos ou em suas mãos, e por isso tomou a 'Bíblia', no mínimo com sessenta e seis livros, i é, uma verdadeira Biblioteca, como padrão de verdade. Em momento algum ele, Lutero, cogitou na universalidade da mensagem Cristã e em culturas iletradas. Em momento algum imaginou as condições das sociedades letradas antes da invenção da imprensa. E o anacronismo converteu-se em pecado original da nova fé.

Desde então a mitologia protestante tem imaginado qualquer versão ou tradução da 'Bíblia' palestinense, baixando prontinha, de capa a capa dos céus. Eis como encaram a JFA aqui no Brasil... Outros imaginam como tendo toda ela sido escrita por Jesus ou por algum apóstolo de Gênesis a Apocalipse. Havendo inclusive quem, levado pela fantasia, imagine Jesus ou os apóstolos com um livro debaixo dos braços ou folheando Bíblias!!! Ademais, eles sequer fazem caso da distinção existente entre Antigo e Novo Testamento, imaginando o dito livro como uma espécie de Corão.

O problema no entanto não se restringe a origem, conteúdo ou a acessibilidade da Bíblia, mas sobretudo a sua capacidade enquanto veículo suficiente da divina Revelação. Ao que parece Lutero desconsiderou supinamente a incapacidade de um livro para dar sentido ou interpretar-se a si mesmo. Por isso que o sola do Biblismo ou da suficiência da Bíblia é falacioso... Na medida em que precisa de um intérprete humano ou do livre exame. A Bíblia não lê a si mesma, não se examina, não se interpreta, não dá sentido a si mesma; mas recebe seu sentido dos homens ou do leitor.

Tal o problema fundamental do protestantismo, o qual é uma interpretação e uma I. subjetiva. Já o Cristianismo surge como Revelação sobrenatural, objetivamente estabelecida nos domínios da História pelo mistério da Encarnação. Jesus não vem com livro ou em livro mas com a carne a palavra; e ao invés de ter escrito um livro ou manual de religião comissiona doze homens e lhes confere autoridade para ensinar em seu nome, tais os apóstolos que enviou como vigários ou embaixadores a todas as nações da terra. E a este grupo de apóstolos autorizados deu o nome de Igreja e prometendo-lhe certos auxílios espirituais de modo a que cumprisse fielmente sua missão de conservar imaculadamente o depósito da Verdade que lhe fora comunicado.

Mesmo quando hoje lemos o Evangelho Escrito, percebemos a constatamos que a instituição divina do apostolado e a existência da Igreja, precedem a existência do Evangelho escrito. Pelo simples fato de que foram os nossos Evangelhos escritos por apóstolos e discípulos, logo escritos na Igreja e para a Igreja. De modo que antes do primeiro a ser escrito, no ano 47, não faltará autoridade a Igreja por doze anos! Sendo regida pela tradição oral ou pela pregação mantida pela autoridade apostólica.

Consciente ou inconscientemente ao antepor a palavra escrita a Igreja, a autoridade apostólica, ao anúncio oral ou a tradição Lutero cometeu um terrível equívoco do qual os protestante só podem sair por meio da judaização ou seja alegando - na perspectiva mitológica de um Corão Cristão - que o antigo testamento é um compêndio ou manual de fé Cristã. Inda que não haja ali sinal do Pai Nosso ou da Eucaristia... Historicamente, por ódio a tradição legitimamente Cristã, o protestantismo fez volta ao parafuso, e canonizou as tradições mortas dos rabinos e fariseus, as quais haviam sido condenadas pelo Verbo Jesus, e judaizou, sabatizou e foi do iconoclasmo ao unitarismo.

Tragicamente a crônica do Biblismo ou do protestantismo é crônica de sectarismo judaizante - de predestinacionismo, de iconoclasmo, de zwinglianismo, de sabatismo, de unitarismo, etc até a negação total do Cristianismo ou de sua especifidade, até os confins de um teísmo natural ou do islamismo, nos quais desembocou, ao menos culturalmente.

Tornando agora a questão da Bíblia e do livre exame ou do elemento humano, em termos de interpretação, duas possibilidades extremas ou antagônicas e radicais apresentaram-se ao protestantismo nascente. Primeiramente a adoção de uma técnica puramente naturalista e a princípio objetiva, via que conduziu a nova fé diretamente ao liberalismo ou seja a negação do sagrado, inclusive no que tange ao Novo Testamento e ao Evangelho. Desde Reymarus, Semler, De Wette e outros foi a versão que prevaleceu na Alemanha luterana e posteriormente em toda a Europa protestante. Começaram assim por deificar a Bíblia até que a especulação veio a demolir o próprio Evangelho e abater a Encarnação do Verbo. E se é certo que os liberais protestantes, dando continuidade ao movimento iniciado pelos judeus e papistas, merecem o aplauso de todos por terem ousado repudiar os mitos e fábulas do antigo testamento não é menos certo que ultrapassaram os limites da fé nicena ou atanasiana mostrando-se permeáveis a diversos preconceitos materialistas ou deístas.

Por obra e graça desta liberdade estranha ou do livre exame com toda sua carga subjetiva este mesmo protestantismo que principiou erguendo-se contra a igreja antiga, tornou-se, em seus próprio berço, valhacouto do naturalismo, do agnosticismo, do materialismo, do deísmo, e pasmem, até mesmo do ateísmo, haja visto os pastores que formularam a teologia da morte de deus, segundo a qual, esta deus morto, tal e qual fora proposto por F Nietzsche , o qual por sinal, tendo sido filho e neto de pastores luteranos, concluiu que existiam apenas interpretações subjetivas e de modo algum o que convencionamos chamar verdade.

A partir daí o protestantismo europeu ou envelhecido a cabo dos séculos ou ao cabo de sua trajetória evolutiva, foi perdendo todo seu vigor e credibilidade em termos sociais e sido paulatinamente abandonado pelas classes mais instruídas, as quais foram tornando-se abertamente incrédulas ou irreligiosas, até o ateísmo, e sem necessidade de máscaras ou disfarces. Ao cabo de todo século XX as principais nações protestantes da Europa foram tombando, uma a uma, no abismo da negação religiosa e absorvidas até meados dos anos cinquenta pelo papismo, e, após o Vaticano II, pelo comunismo e mais e mais pelo islamismo.

A outra via ou segunda via posta ao protestantismo já no referimos. É a do misticismo subjetivo ou da inspiração profética. Segundo a qual o leitor, comentarista ou intérprete da Bíblia, inda que semi analfabeto, despreparado e iletrado revindica 'humildemente' para si mesmo as luzes do espírito santo, apresentando-se como guiado ou dirigido por deus, as vezes no sentido mais vulgar alegando ter sido visitado por ele, te-lo visto e ouvido. Todavia, de modo geral, os partidários desta solução, limitam-se a apelar a uma certeza interna ou intuição, insistindo que estão convencidos de que foram escolhidos por deus para restabelecer a verdade eterna, dando continuidade a obra iniciada por Lutero, o qual tem dezenas de pretendidos continuadores, escolhidos por deus... É evidente que esta solução vai pelos caminhos demência ou da imbecilidade, sem que no entanto deixe de contar com vultoso número de adeptos entre nossas massas incultas, mormente quando fazem-se passar por taumaturgos ou milagreiros.

O próprio Lutero num determinado momento de sua carreira, e tendo em vista combater os profetas de Zickwau, que eram anabatistas delirantes, parece ter sutilmente enveredado por este caminho, e isto até o ponto de ser apresentado como profeta dos alemães e declarar que seus dogmas haviam sido comunicados pelo céu, quando na verdade haviam sido elaborados naturalmente no auge da polêmica com os representantes do papa ou fabricados por Andraeas Bodstein, o Dr Karlstadt, a princípio seu colaborador mais entusiasta braço direito, e em seguida seu supremo desafeto. Já antes de Lutero, Karlstadt havia revindicado para si mesmo a qualidade de profeta. Lutero no entanto encarava-o como profeta do diabo suscitado pelo inferno na medida em que Bodstein, sacando consequência após consequência, a partir duma lógica cerrada e inflexível, ia demolindo cada artigo ou dogma da antiga fé.

Curiosa a semelhança existente entre Lutero e S Freud, na medida em que, num primeiro momento, 'excomungavam' seus críticos para posteriormente adotar seus pontos de vista e negar que o tivessem feito. O quanto Freud fez com Adler e Jung havia Lutero feito quatro séculos antes com Karlstadt, sob diversos aspectos legítimo pai da doutrina protestante. Basta dizer que foi este ex Dominicano que concluiu pelo anabatismo, pelo simbolismo eucarístico, pelo cânon palestinense do A T, pelo casamento dos clérigos, dentre outras coisas... Tendo sido as duas últimas assimiladas por Lutero, não sem certa resistência.

O fato é que os dois comentaristas, interpretes, examinadores ou leitores da Bíblia, apesar das alegadas audiências com o espírito santo, jamais puderam entender-se ou mesmo deixar de encarar um ao outro como apóstolo do Diabo. O que prenuncia uma divergência ainda maior a ser travada entre Lutero, Zwinglio e Calvino os quais tampouco puderam entender-se apesar da alegada clareza da Escritura (imagina se não fosse clara!) e dos adjutórios sobrenaturais...

O fato é que com ou sem espírito santo, os reformadores e protestantes, ao cabo de meio milênio, jamais foram capazes de entender-se a respeito de crenças tão importantes quanto o batismo infantil, a presença do Senhor no Sacramento, a Liberdade humana ou mesmo a divindade de Cristo, cindindo-se em centenas ou milhares de seitas, e vindo essa calamitosa situação a agravar-se cada vez mais, até o escândalo. Afinal os mesmos protestantes vivem jurando que as escrituras podem ser compreendidas até mesmo por uma criança ou por um analfabeto... E no entanto acham-se em oposição uns aos outros a propósito de cada passagem ou versículo. E não há nem sombra de Unidade ou uniformidade entre eles. Sinal de que, com ou sem inspiração, o método não funciona. Digo o método do livre exame.

Ademais quanto a inspiração é fácil compreender como os protestantes fazem uso dela, palmilhando a mesma trilha que Lutero. Cada individuo limita-se a declarar que sua seita é a verdadeira, que deus mesmo disse isto para ele ou que sente em seu coração e que todas as demais seitas de inspirados são inspiradas pelo capeta. Incrível aqui é que sendo fanático ele sequer cogite estar equivocado ou que sua seita seja inspirada pelo capeta... Cada sectário pensa invariavelmente assim. A postura arrogante é sempre a mesma - ninguém aqui considera a simples possibilidade de estar equivocado - mudando apenas o nome da seita. Tampouco os tristemunhos mugidos variam: Aqui um tremedor, dançarino ou malabarista uivando e saltitando declara que o dia do Senhor é o Domingo e mais além, na Adventista da promessa, o mesmo 'espírito' com os mesmos trejeitos, alega que o dia do Senhor é o sábado... Na presbiteriana reformada o 'espírito' entre gritos e cambalhotas referenda o 'dogma horrendo' da predestinação, o qual é negado em profecia na metodista... Na Brasil para Cristo o celibato é apresentado no 'espírito' como instituição divina e na Batista como selo da Besta inventado pelo papa... Tantas profecias quanto cabeças, as quais não bastam para salvar o protestantismo da pulverização doutrinária...

Destarte com ou sem fetichismo ou misticismo, permanece a obra iniciada por Lutero, fragmentada e em situação de conflito. Uma seita denunciando e combatendo a outra como herético em que pese a 'liberdade' outorgada... Cada seita perdida nos rincões do universo alegando ter encontrado mais um fragmento perdido da revelação... Cada pastor ou profeta arvorando levar adiante a sempre inacabada reforma de 1521, 1530 ou 1546... Cada inspirado jurando ter dado com mais uma invenção do Papa ou de Constantino... Cada pregador dizendo ter recebido 'uma nova luz'... Cada fundador de seita crendo ser o único a ter encontrado a 'pérola de grande valor' oculta na Bíblia... E a multidão de interpretações, opiniões, hipóteses, teorias, comentários, ponto de vista, crenças, dogmas aumentando cada vez mais, e a confusão avolumando-se ao cabo destes quinhentos anos.

Em que pese este Lutero e cada um de seus sucessores e rivais, como Zwinglio e Calvino terem considerado suas respectivas reformas como definitivas e acabadas. Os neo protestantes todavia chegaram a concepção de uma reforma em gotas homeopáticas segundo a qual deus revela-se parcimoniosamente aos mortais, introduzindo sua verdade no erro e associando a luz as trevas. Havendo inclusive que, partindo da doutrina da corrupção total da natureza, tenha concluído que a própria verdade ou revelação divina corrompe-se novamente na mesma proporção em que é reformada ou restaurada, daí não ser a igreja reformada, mas reformanda ou em perpétua estado de reforma, a qual jamais acaba!!! Destarte após quatro ou cinco século ao invés de introduzir-nos no reino da verdade eterna, a reforma protestante introduz-nos é no Reino de Heráclito, com seu 'Panta rei' agora sob a forma de um devenir doutrinário... Por uma mágica subjetivista converteu-se nosso Cristianismo no rio do pensador efesino, e quando julgamos estar em posse de um artigo de fé comunicado por Nosso Senhor nos achamos diante do erro... e quando julgamos ter identificado o erro ei-lo convertido em verdade...

Diante disto como crer???