Nada mais desagradável do que um ambiente hostil. Nada mais desagradável do que ter de dizer verdades duras a uma platéia que não deseja ouvi-las. Nada mais desagradável do que ter de dialogar com fanáticos e sectários.
São coisas que ninguém gosta de fazer.
Mas que no entanto precisam ser feitas, devem ser feitas.
Poucos de nós gostam de passar suas próprias roupas ou de lava-las ou ainda de preparar a própria refeição. No entanto caso não possuamos os recursos necessários teremos de faze-lo e pronto. É algo necessário, que se deve fazer...
No curso da vida sempre nos depararemos com coisas que não gostamos de fazer.
Mas que precisarão ser feitas.
No curso da vida não desejaremos fazer muitas coisas.
Mas deveremos faze-las.
Afinal não são nossos gostos que definem a realidade ou fixam as leis.
Quantas vezes somos incapazes de satisfazer nossos gostos e desejos...
Menos mal...
Coisas há no entanto as quais não nos podemos furtar.
É imperativo categórico, dever, necessidade.
Assim construir um mundo melhor, assim lançar os fundamentos duma sociedade mais tolerante, assim redirecionar o que esteja mal direcionado, assim auxiliar as pessoas a redefinir seus valores, e por ai vai.
Nem sempre poderemos passar a mão da cabeça das pessoas e declarar que estão agindo corretamente.
Nem sempre poderás concordar, aprovar e aplaudir.
Nem sempre poderás ignorar e desculpar.
As vezes terás de ter coragem suficiente para afrontar, denunciar, corrigir, resistir, discordar...
Terás de ter ousadia. A ousadia de contrariar ou ser do contra.
Especialmente no ambiente escolar.
Onde temos mentes e carácteres sendo formados.
Onde temos de educar em termos de reorientar, redirecionar e corrigir.
Onde temos de afirmar certos princípios.
Mas o que tem tudo isto a ver com o ensino do evolucionismo.
No momento presente, em que mais e mais um certo ideário religioso importado dos EUA, consolida-se entre nós, tudo. No momento em que as religiões de caráter mágico fetichista tornam a expandir-se em níveis nacionais e globais, tudo. No momento em que o criacionismo passa da defensiva ao ataque em nossas escolas públicas, tudo!
Raro o professor - de ciências, biologia ou mesmo de história, geografia ou filosofia - que já não foi rudemente questionado ou mesmo atacado por algum aluno em nome da tal inerrância bíblica e do criacionismo??? Quem de nós já não ouviu frases como esta:
"Nossa professor, o senhor acha mesmo que o homem veio do macaco?"
ou
"Quer dizer que o senhor prefere acreditar nesse tal de Darwin a acreditar na Bíblia?"
ou ainda:
"Esse negócio de evolução é uma teoria de origem humana."
Etc, etc, etc
Não poucas vezes a abordagem dos pequeninos chega a ser insidiosa.
Diante disto não poucos professores optam por silenciar.
Tendo em vista uma falsa compreensão da liberdade religiosa.
Outros até chegam a concordar, o que é pior ainda.
Já ouvi professor acuado declamar: Cada um tem sua verdade, para mim é a ciência ou a evolução, para você a fé ou a Bíblia; e cada um fica com a sua!!!
Nada mais especioso, nada mais venenoso...
Diante de tantos desfalques decidimos fornecer ao educador crítico, reflexivo; que não pretende nem se omitir nem concordar, uma série de estratégias pedagógicas destinadas a ensinar a teoria da evolução em sala de aula dirimindo todas as possíveis objeções levantadas pelo fundamentalismo.
1 - Se seu aluno perguntar: E se desejar crer na Bíblia e rejeitar a doutrina da evolução?
De fato você pode escolher acreditar no que quiser: numa vaca voadora, no coelhinho da páscoa, no drácula, etc e nem por isso muda a realidade.
Pode negar a existência do Sol e ele não deixará de brilhar. Sua opinião ou sua crença não incomoda o universo nem o comove.
Milhões de pessoas creem na existência de Ganesha, mesmo assim você nega a existência desta entidade e percebe que não existe. Pois as crenças não alteram a realidade do mundo.
Claro que você pode crer que existe um conteúdo científico na sua Bíblia, isto no entanto não torna sua crença verdadeira. E posso sempre insistir que sua fé esta equivocada!
Clado que pode crer no mito judaico da criação, o que lhe dará um visão de mundo cientificamente inexata.
O que você precisa fazer é investigar as coisas detidamente e sem preconceitos.
Investigar primeiro e julgar depois.
Assim se estudar detidamente a teoria da evolução e depois chegar a conclusão de que esta errada, merecerá ao menos o título de homem honesto!
2 - Meu pastor disse que a evolução não é verdadeira.
Resposta: Será que seu pastor já leu algum livro sobre evolucionismo?
Se leu será que compreendeu?
Ou será que limita-se a ensinar o que ouviu de outros pastores?
Será que ele investigou o assunto?
Do contrário a opinião dele valeria tanto quanto a de um boato.
Fulano disse, que disse, que disse e ninguém investiga nada... vai ver e o boato é falso. Oh coisa feia.
Para dizer que uma coisa é verdadeira ou falsa deve-se antes de tudo conhece-la.
Se quiser poderá acrescentar: eu li diversas partes do antigo testamento e cheguei a conclusão de que aquilo não poderia ter sido real. Pode citar o exemplo dos anjos tendo relacionamento com as filhas dos homens, o dilúvio, a morte de Golias por três personagens diferentes, a fábula da burra de Balaão, a narrativa de Jonas no ventre de um peixe, etc
CONTÍNUA
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Como afirmar o evolucionismo perante seus alunos! I
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
JESUS CRISTO É UMA PERSONALIDADE VERDADEIRAMENTE FASCINANTE
Diante da figura de Jesus de Nazaré (ou o galileu como preferia o imperador Juliano cognominado o apóstata) é impossível ficar indiferente. É um ser que é amado ou odiado mas nunca esquecido.
Muitos livros já foram escritos sobre ele, a favor de sua existência e contra a sua existência; Uns defendem que é deus encarnado, outros que é um mestre cheio de sabedoria, outros acham que era um revolucionário e outros que era um doente mental, e ainda há aqueles que creem piamente ser ele um extra-terrestre.
Nenhuma personagem na história foi digna de tanta atenção, de tanto amor e de tanto ódio como Jesus Cristo.
Escritores sem religião, ateus também escreveram sobre Jesus (e aqui não falo se escreveram verdades ou mentiras), não puderam se furtar ao magnetismo dessa personalidade fascinante, pois se a figura de Jesus não fosse fascinante por que escreveriam romances e biografias de Jesus o nazareno? Norman Mailer escreveu O Evangelho segundo o filho, e José Saramago (que morreu ateu e comunista) que escreveu O Evangelho segundo Jesus Cristo, isso para não falar de Nikos Kazantizakis que escreveu A última tentação de Cristo.
Vira e mexe surge um escritor ou arqueólogo para granjear fama e "provam" (com documentos falsos, evidentemente ou com elucubrações de mentes megalomaníacas) que Jesus Cristo nunca existiu.
A figura de Jesus também mexe com os ateus principalmente no facebook e já vi muitos ateus caírem em contradição, pois numa semana postam que Jesus nunca existiu porque um escritor não sei de onde tem os "documentos" e numa outra semana no mesmo facebook postam notícias de que Jesus Cristo provavelmente era um analfabeto, um zelote, isto é, um revolucionário, mas pera aí, como era analfabeto e/ou revolucionário se ele nunca existiu? Vê? A figura de Jesus Cristo pelo amor ou pelo ódio cega uns e outros, realmente é uma figura fascinante quer se creia nele quer não.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Reação
O texto a seguir é do anarquista James Herod, uma resposta a Noam Chomky e sobre sua alternativa de aumentar a jaula, isto é, defender as instituições que podem proteger os trabalhadores contra os desmandos das grandes corporações.
"Os predadores não estão fora da jaula; a jaula é eles e suas práticas. A própria jaula é mortal. E quando percebemos que as jaulas tem as dimensões do mundo, e que não há mais 'exterior' para onde fugir, então podemos constatar que a única maneira de não sermos assassinados, brutalizados ou oprimidos é destruir a própria jaula".
James Herod
Imaginemos uma comunidade humana: em seu meio encontramos homens de negócios que declaram tudo possuir e que oferecerão dinheiro a quem quer que trabalhe para eles; guardas armados que espancam ou disparam suas armas sobre quem quer que rejeite ativamente a filosofia dos homens de negócios. Ali encontramos professores que inculcam ideias debilitantes, agiotas incitando os trabalhadores a tomarem dinheiro emprestado, padres pregando como fatalidade a aceitação das coisas tais como são, animadores que tudo fazem para incitar os trabalhadores a comprarem sonhos, conselheiros que fazem com que os trabalhadores acostumem-se aos seus sofrimentos, e políticos que conseguem convencer os trabalhadores a permitirem que aqueles fixem que as regras no lugar destes. A jaula: é isso. Não deveríamos protegê-la, mas atacá-la, sempre que for possível e tivermos oportunidade para fazê-lo.
Por consequência, não é suficiente interrogar-se, como o faz Chomsky: "Deveríamos recusar os meios disponíveis para salvar vidas humanas?"
Também não é suficiente dar-se conta de que esses mesmos meios só são disponíveis justamente porque trabalhadores obrigara o governo a colocá-los em prática. Devemos tomar consciência de que os revolucionários, para quem a estratégia era a de tentar utilizar o Estado para alcançar seus objetivos, também permitiram que esses meios existissem.
Os "meios" que existem atualmente resultam dessa estratégia. Eles não se autocriaram.
Mas essa estratégia funcionou, verdadeiramente? No que me concerne, respondo por um sonoro NÃO a essa interrogação. As duas versões da estratégia "estatista" fracassaram miseravelmente em seu combate para derrubar o capitalismo; o leninismo é o exemplo mais flagrante.
Conquanto essa estratégia tenha permitido o acesso a um mínimo de conquistas sociais no seio dos países capitalistas, não devemos esquecer que isso se deu graças à transferência das riquezas do resto do mundo para os países ricos.
Sem essa transferência das riquezas é evidente que os trabalhadores europeus e americanos nunca teriam podido impor aos governos, nem mesmo leis menores sobre o trabalho.
Assim, se nos situarmos a partir de um ponto de vista mundial, os sucessos desses Estados-providência (democracias sociais) são ilusórios. Além disso, os movimentos de oposição internos desses países não tiveram praticamente nenhum efeito sobre suas políticas estrangeiras. A maioria deles não fez qualquer tentativa, e, ao invés disso, concentrou-se sobre a obtenção de leis sociais para sua própria nação, ignorando as iniciativas do capitalismo entre as nações.
Hoje, essas leis foram progressivamente abandonadas, a fim de obter uma maior concentração de capital; a fim de que haja uma competição mundial mais forte entre as empresas mais importantes; a fim de que as organizações mundiais das classes dirigentes reforcem-se, enfraquecendo os movimentos de trabalhadores, bem como os governos nacionais, isso sob a ofensiva do capital mundial conhecido sob o nome de "neoliberalismo".
James Herod
anarcho-Syndicalist Review, nº 26, 1999.
Traduzido por Plínio Augusto Coêlho
Textos extraídos da revista da Fédération des Travailleurs en Éducation,
N'ature école, nº 2, inverno de 2003, Paris.
O texto foi extraído da Revista Libertários - Revista de expressão anarquista - São Paulo nº 2 .2º semestre de 2003, página 27
domingo, 24 de abril de 2011
Da arte de ser polêmico
Eu sou um sujeito polêmico e ser polêmico não é para qualquer um. A polêmica é antes de tudo uma arte. A polêmica deve ser um meio, cujo fim é fazer com que as pessoas discutam tal ou qual assunto. Eu mesmo nunca pedi para quem quer que seja concordar comigo. O que desejo do fundo do coração é que as pessoas parem para pensar ao invés de reproduzir ideias alheias como se fossem suas próprias ideias.
Ao se tornar polêmico você acaba se tornando persona non grata em muitos meios porque as pessoas não querem ver a realidade tal como ela é, mas como elas querem ver através de seus óculos.
Como pessoa polêmica que sou e não posso deixar de ser não quero agradar a quem quer que seja ou escrever aquilo que as pessoas gostam de ler. Antes de tudo escrevo para mim, travando um diálogo comigo mesmo e depois escrevo para o leitor que pode ou não concordar comigo mas não pode ficar indiferente. Todavia reconheço que não sou o dono da verdade (que pena! brincadeirinha). As pessoas tem medo de discutir porque tem medo de que seus ídolos sejam derrubados. Muitas pessoas estão persuadidas de que estão na verdade pelo simples fato de que isso lhes agrada.
Sem mais, deixo o leitor entregue aos seus devaneios.
Fernando
Ao se tornar polêmico você acaba se tornando persona non grata em muitos meios porque as pessoas não querem ver a realidade tal como ela é, mas como elas querem ver através de seus óculos.
Como pessoa polêmica que sou e não posso deixar de ser não quero agradar a quem quer que seja ou escrever aquilo que as pessoas gostam de ler. Antes de tudo escrevo para mim, travando um diálogo comigo mesmo e depois escrevo para o leitor que pode ou não concordar comigo mas não pode ficar indiferente. Todavia reconheço que não sou o dono da verdade (que pena! brincadeirinha). As pessoas tem medo de discutir porque tem medo de que seus ídolos sejam derrubados. Muitas pessoas estão persuadidas de que estão na verdade pelo simples fato de que isso lhes agrada.
Sem mais, deixo o leitor entregue aos seus devaneios.
Fernando
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