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terça-feira, 28 de julho de 2026

A questão da missa Tridentina e do ecumenismo

Como demonstraram Coulanges, Eliade, Weber, Toynbee, Dawson, Graves, etc gostemos ou não - Pois os processos produtores da cultura não estão nem aí para nossos preconceitos ou gostos pessoais. - a fé religiosa não apenas produz cultura, como, ao sofrer alterações ou ser alterada, altera a cultura.

A religião é a um tempo produtora de cultura e a outro portadora de princípios e valores exógenos, capazes de mudar a cultura e, consequentemente a ordem social.

Os norte americanos, bastante afoitos no terreno da pesquisa sócio antropológica, sabem disto a muito tempo e por isso, quando da guerra fria, não hesitaram mobilizar ou instrumentar diversas crenças contra o 'perigo' ou diabo do comunismo. Como também atuaram no mesmo campo com o próprio de criar uma rede de solidariedade em torno do sionismo e consequentemente para proteger o recém criado Estado de Israel. Tais as necessidades postas por eles norte americanos.

E adianto já que além da diplomacia oculta e do dinheiro, ou como se diz, dos recursos, contaram com o decisivo apoio da maçonaria, a qual tem funcionado como repartição de Estado, antes da primeira grande guerra a serviço da Inglaterra ou da França...

Quando falamos Cristianismo, não podemos omitir aquela que foi e ainda é a maior expressão religiosa do planeta, o Cristianismo. O que nós leva a sua principal facção, a igreja apostólica Romana. A qual por aquele tempo animava a fé e pautava o comportamento de quase 1/3 da população Yankee e avançava sobre o cipoal de seitas bibliolatras...

Era uma força nada desprezível, ainda que bastante alheia a modernidade e ao comando protestante.

Apesar disto as duas grandes guerras, por terem ocorrido no centro mesmo da Europa, não puderam deixar de atingir o prestígio e a força do papado e de fragiliza-lo. Particularmente a segunda grande guerra. Desde a primeira grande guerra os EUA obtiveram o protagonismo...

Pois não podia aquela velha Europa destroçada fazer frente ao Comunismo ou ao poder colossal da URSS. Com receio de serem engolfados até o atlântico por está nova versão da odiada Rússia (Eterno fantasma dos ocidentais) os países ocidentais foram aproximando-se mais e mais dos EUA... Buscando porém manter certo equilíbrio e criar soluções próprias, mais conforme sua identidade e tradições.

Até a segunda grande guerra apenas Albion e parte da França estavam economica e socialmente bem alinhadas com o outro lado do atlântico, assentindo ser como que colônias ou províncias dos EUA. Infelizmente as soluções criadas pelo restante da Europa foram nazismo e fascismo...

Por isso após a falência dessas soluções de última hora ante o poder soviético e o fim da segunda grande guerra só restou a Europa ocidental como um todo, converter-se em quintal de governo estrangeiro encarado por muitos como salvador. Desde então os povos latinos, gregos e eslavos perderam sua identidade e autonomia cultural... 

Os belos anos cinquenta foram uma década trágica e tempos de transformações, aproximações, jogos políticos... até então inimagináveis.

A imprensa passou de mala e cuia para o outro lado do oceano, e as mãos dos judeus. O controle da informação passou a ser exercido em território norte americano e movido por necessidades ideológicas ou pela propaganda anti comunista. E a prioridade era recuperar o leste europeu... 

Quando dizemos imprensa queremos dizer tudo: Cinema, televisão, jornais, editoras... 

Que a informação seja poder ninguém dúvida seriamente. Pois na contemporaneidade também ela é conduta de crenças, princípios e valores, que plasmam comportamentos sociais e políticos.

Fora da Itália, da França, da Inglaterra e da Alemanha já não estava, parte desse conjunto que é a imprensa, a serviço da igreja papa ou de suas crenças, mas, nos EUA, a serviço de outros ideais: Secularizados ou alheios a fé, econômicos ou capitalistas, protestantes, sionistas, etc sendo mínima a fatia que cabia a grande igreja Romana.

A igreja foi em parte tomada pela surpresa. Organizações milenares como as igrejas Romana e Ortodoxa (Alinhadas com o que é antigo e completamente alheios a sociologia, a antropologia, etc) não podiam compreender, como ainda hoje não compreenderam, este novo mundo, hostil e pós moderno que as ameaça.

Desgraçadamente a dinâmica da cultura ainda é um mistério para nossas cristandades Apostólicas, as quais não sabem lidar com ele. Daí o ecumenismo, daí o avanço do pentecostalismo sob a forma carismática e tantos outros flagelos que ameaçam a fé.

Pio Xii não só pode avaliar a conjuntura como era um homem bastante preparado. Por isso aceitou aproximar-de do novo centro de poder e até colaborar, porém sem negociar a fé ou negociar. Por isso a IAR não se abriu ao ethos e a cultura protestante naquele momento.

Para os EUA no entanto era uma necessidade política não apenas estreitar os laços com a igreja Romana mas de fato influencia-la poderosamente ou mesmo comanda-la naquele momento. Haja visto que Kennedy se tornou presidente e era ele apostólico romano. Sua política e seu assassinato dizem muito...

Era necessário criar algo como João Paulo II e esse homem foi um projeto...

A pauta era mover a poderosa igreja papa contra a URSS a partir do Leste europeu e desarticula-la. Criar um movimento contra comunista ou anti comunista que não fosse percebido como meramente capitalista ou norte americano.

Veio o vaticano II a calhar..

Você leitor inteligente acredita em coincidência??? Então pense.

Para muitos imbecis americanizados foi o vaticano II obra de comunistas, soviéticos ou ateus infiltrados. Pura tolice ou espantalho criado igualmente nos EUA, conforte a tradição calvinista...

Foi justamente o oposto.

Se de fato não foi esse evento histórico singular, planejado ou idealizado pelos EUA, foi, sem sombra de dúvida manipulado por ele tendo em vista seus interesses políticos. O que demandou a participação ativa da maçonaria.

E o objetivo principal foi injetar a heresia ecumênica naquela grande comunhão apostólica. Pois aproximar do protestantismo é aproximar de sua cultura ou da sifilização Yankee, do capitalismo e enfim do sionismo, estabelecendo solidarismo e intima colaboração, algo de difícil realização quando a igreja papa ainda tinha consciência quando a peculiaridade de sua identidade e cultura.

A bem da verdade os fundamentalistas e fanáticos protestantes dos EUA tampouco queriam qualquer proximidade com aquela igreja que os classificava como apóstatas e que eles avaliaram como politeísta e idólatra. 

Conclusão: Algum dos dois lados teria de mudar para que o ecumenismo vingasse e suscitamos alguma aproximação e colaboração.

As seitas protestantes não podiam ser atingidas ou mudadas porque são muitas, logo, em seu conjunto, inatingíveis.

Mas, a igreja Romana, para o bem ou para o mal, tem um líder todo poderoso... Sendo assim: Solicitando ou corrompendo o lider e seus colaboradores mais próximos...

Roma teria que tornar-se ecumênica e, para dar provas de boa vontade, alterar seu culto, suas práticas e seus modos de ser. O que foi feito... Surgindo o culto moderno ou a adoração moderna, voltada para o povo, com o altar mudado para o meio. Ocioso dizer que esse culto novo, oposto a tradição e antripocentrico, foi inventado por Martinho Lutero.

A partir daí a tônica, neo platônica ou protestante, foi a eliminação do símbolo e a construção de um novo ritual muito menos leal ao mistério da Encarnação.

Por onde chegamos também ao sionismo, num momento em que, com o apoio da recém criada e maçônica ONU, está Israel a enfrentar os povos locais, aliás em parte cristãos. 

É nesse contexto que por via protestante judaizante a leitura do antigo Testamento é posta na nova missa Romana, e temos aqui uma pauta essencial na direção da bibliolatria, da inspiração linear e da judaização... Já por via maçônica se avança ainda mais (Na direção do abismo), até o noeismo, ou a ideia blasfema de que o cristianismo não passaria de um monoteísmo abraamico, afim, inclusive, com o islamismo ariano.

A negação implícita quanto a fé no Deus encarnado, no homem Deus ou Emanuel é por si só abominável. A sugestão porém é apresentar aos maometanos e cristãos que os judeus são nossos mestres aos quais devemos o monoteísmo. O fim último é suscitar gratidão e por fim um alinhamento com o sionismo.

Implica isto alterar a adoração Apostólica tradicional, já alterando a kibla ou a direção do culto voltado para o altar alinhado com oriente, já inserindo um maior conteúdo de material judaico, já reduzindo o aparato simbólico sensível alusivo a Encarnação ou a cruz. Tudo no Vaticano II vai na direção do protestantismo e do sionismo com o objetivo de estabelecer uma unidade e garantir apoio por parte dos neo romanistas. Aqui, o propósito foi subordinar a religião a necessidades políticas, assim de manipular e dominar, tudo muito grosseiro, profano e vulgar.

Segundo o princípio sociológico inclusive do Lex orandi, Lex credendi, o culto ou os modos protestantes introduzidos no Vaticano II são portadores de cultura e diluidores da identidade peculiar da igreja papa. E o que já era defeituoso se torna muito pior... Roma ao converter-se em hospedeira do ethos protestante passa decididamente a esfera de controle Yankee, como o mercado financeiro e a maçonaria.

E a coisa não para por aí. Como se o Vaticano II não fosse suficiente, os EUA introduzem a RCC i é o que há de mais alienante e grosseiro nos domínios do protestantismo (Devido a seu conteúdo judaizante, bíbliolatra e fetichista.), o pentecostalismo, por sinal um tipo peculiar e virulento de protestantismo (Voltado para as massas) produzido naquele país.

E os papistas ingênuos, passam a crer que devem adotar modos protestantes opostos a tradição para atrair, aproximar e converter os protestantes; quando eles é que estão a se tornar protestantes, judaizantes e consequentemente mais receptivos face a uma modernidade americanista produzida grande parte pelo protestantismo. É uma autêntica armadilha ou arapuca cultural que um papista ou um ortodoxo médio é incapaz de distinguir.

O próprio universo da modernidade fabricado parte pelos EUA e seus aliados e divulgado por sua imprensa paga e portanto servil, lançando a todo instante tais princípios e valores, debilita o sentido cristão apostólico e atraí com maior apelo e força os neo romanos e ortodoxos a esse universo cultural oposto a nossa traição e identidade. Até gerar deslumbramento pelo americanismo. 

Tanto os mistérios de Cristo, em particular o mistério central da encarnação, ficam obscurecidos, passando a ênfase da fé Apostólica romana, da metafísica (Que é a vida e a pujança de qualquer religião.) para formas de mortalidade ou costumes procedentes do judaísmo antigo. O que evidência o processo de perda de consciência.

Questões até certo ponto ociosas e inúteis como divórcio, masturbação, homossexualidade, pena capital, o estatus da mulher na sociedade, etc substituem a essência mais íntimas da fé Apostólica, como a Encarnação, a Trindade, a Eucaristia, a Imortalidade, a Cristologia, etc Do que resulta um alinhamento total do papismo com o protestantismo de matriz Calvinista, com o islamismo e com certos setores do judaísmo... A ponto de reforçar a confusão ecumênica.

Mesmo se, em certo sentido, a inclinação cada vez mais pronunciada da igreja Romana para o moralismo ou puritanismo protestante é fenômeno que já se verificava desde a contra reforma e no período vitorioso, o pós Vaticano II, por parte das lideranças e do clero, rompe a linha de equilíbrio, assinalando uma vitória total dessa tendência e um esvaziamento ou empobrecimento metafísico (A tal perda de consciência Cristologica ou encarnacionista). 

O que gera um imenso descompasso entre o discurso da igreja papa e a prática dos fiéis mais conscientes e esclarecidos, alheios ou incensos a essa atmosfera mesquinha alimentada pela cultura judaica ou pelas fontes não cristãs do antigo testamento. O que por sua vez promove incredulidade, apostasia e perda de qualidade.

Assiste-se ainda um dilúvio de mitos judaicos ancestrais de caráter fetichista (Criacionismo, geocentrismo, terraplanismo, dilúvio, etc) que em parte ajudam a deslocar as verdades de fé autenticamente Cristã ou os mistérios de Cristo, os quais associados aquele monoteísmo simples e vulgar, tendem a reforçar a idéia de que o cristianismo não passa de uma seita ou ramo no Cristianismo.

Os próprios personagens do judaísmo antigo, com sua ética vulgar, grosseira e pouco cristã, de carona na bíbliolatria, não se limitam a deslocar os Santos enquanto modelos da piedade cristã... Moisés e Abraão quase que passam a igualar-se ao Deus Encarnado Jesus Cristo...

Já assistimos todo esse processo corrosivo e sinistro desde os albores da reforma protestante via bíbliolatria, inspiração linear, calvinismo... E seu fim são sabatismo, iconoclasmo, mortalismo/saduceismo, zwinglianismo, anabatismo e enfim Unitarismo i é um simples monoteísmo abraamico ou noeismo ou judaização total. Até que nada resta ou sobra da identidade cristã tradicional aliás avaliada como uma paganização ou apostasia.

Posto que a fé Apostólica do novo testamento de vai demolindo dia após dia...

Novidade alguma até aqui... E por isso rompemos com o protestantismo assim que compreendemos seu significado. Aliás por isso é o protestantismo até bem visto por parte do universo ateu e incrédulo, apensar de seu conteúdo fundamentalista e fanático...

Era no entanto, até o Vaticano II, o ecumenismo, o Vaticano II e a RCC, um processo ou fenômeno contido nos limites do protestantismo e suas seitas. Com o Vaticano II porém, a modo de metástase, é algo que se infiltra na igreja Romana ou numa igreja apostólica que fora Ortodoxa e Católica e que ainda aspira colocar-se tal.

Portanto, sejamos romanistas ou não, do nos resta avaliar esse desborde, em termos de fé, como um avanço da apostasia, em termos de cultura como um retrocesso, em termos de ética humanista como uma calamidade, em termos de política como algo trágico... Que ora se manifesta com absoluta plenitude, em 2026.

Como disse não terminou e com a queda da URSS a ideia era avançar sobre uma igreja Ortodoxa debilitada pelo comunismo e transforma-la também numa colônia, com que sabotar a cultura e submeter a Rússia e demais países do Leste. 

E a sofisticação aqui está em ter consciência de que as sociedades Ortodoxas não estão no acesso do protestantismo, e por extensão, da cultura Yankee. Sendo necessário usar Roma, por via do ecumenismo, com meio ou instrumento para atingir a Ortodoxia. 

Estando as coisas hoje neste pé. Já não se trata de Roma como portadora de novidades romanas no plano da fé, como no passado. Hoje é bem outra a realidade, posto que é Roma portadora da modernidade, do americanismo, de uma dada cultura, de certos princípios e valores, de um espírito protestante enfim. Temos portanto, após o Vaticano II, uma realidade deveras mais grave quanto a Igreja Romana.

Como dissemos a igreja Ortodoxa não somente permaneceu incólume como logrou reconquistar seu espaço na Rússia e, como guardiã, manter a cultura daquela sociedade a salvo da maré americanista que sem parar submergiu uma Europa desorientada e atemorizada pelo islã.

Ao contrário dessa Europa alheia aos fundamentos de sua cultura, a Rússia logrou encontrar a si mesma e conservar sua autonomia política.

E a tal missa Tridentina?

Eu a encaro como um fator de resistência cultural e como algo potencialmente fecundo, pelo simples fato de reportar a identidade i é a tradição, e em última análise a metafísica encarnacionista, nicena ou atanasiana, com todo seu patrimônio simbólico e as temidas recorrências para o Americanismo e o SIONISMO.

Parte da comunhão apostólica Romana pode afastar-se do ideal 'comum' que lhe foi imposto e mesmo sem exercer oposição cerrada, alijar-se das ideologias acima nomeadas e, como espécie de terceira via cultural e social, voltar-se para si mesma, sobre seu passado e fechar-se. Isso a ponto de recuperar a Europa ao islã e frear o avanço das seitas protestantes... Impondo uma perspectiva diversa ou criando novas possibilidades.

Isso num momento em que americanismo e sionismo, precisam de aliados ou melhor de agentes úteis para opor ao islã na Palestina. 

É todo um temor fundado, por parte dos americanistas e sionistas que, rompido o bloqueio ecumênico ou repudiado o novo dogma maçônico, produza-se alguma alteração cultural mais séria, tipo uma tomada de consciência pela Europa, a exemplo da Rússia... A existência e ação da igreja Romana mantida pelos tradicionalistas bem poderia ser o agente dessa transformação.

A semente de algo grandioso em termos de cultura e política. Isto poderia ser o tradicionalismo... Apesar de suas limitações, como o moralismo ou a falta de tato no âmbito da economia, ou ainda a concepção ingênua e tosca de bíblia unitária...

Talvez por isso as potências supremas da pós modernidade tenham 'sugerido' ao Papa romano que contivesse os lefrevianos e os excomunga-se. Muito provavelmente o ato absurdo não partiu do papa romano porém de seus patrões, com os quais colabora desde os anos 60 e segundo o modelo daquele que foi parceiro de Reagan e Tatcher.

O 'pedido' de condenação partiu certamente desses poderes obscuros, temerosos de que aquela grande igreja recupere sua identidade e força. Pois americanismo e Sionismo ficariam desfalcados perante o islã e a existência de Israel ameaçada.



sexta-feira, 22 de junho de 2018

Judaísmo, Paganismo e Cristianismo ou - O que a Igreja tomou do Paganismo?

Embora ousemos considerar o Cristianismo Católico (Ortodoxo) enquanto Ética e fé, como um fenômeno sobrenatural ou Revelado não podemos negar que esta auto comunicação do Sagrado tenha ocorrido no tempo e no espaço, alias num contesto cultural judaico, do que resultaram uma série de conflitos, um processo religioso e uma condenação, um homicídio.

Pois bem, nós não negamos que esta Revelação sobrenatural tenha ocorrido num cenário natural, e num cenário dominado pela cultura hebraica. O que nós não enxergamos é a suposta harmônia natural entre esta nova fé e a fé antiga. Jesus não nos parece muito bem enquadrado ou situado na Sinagoga. Foi o quanto procuramos demonstrar no artigo precedente.

Acabo de receber um exemplar da Folha universal ano 25n 1366 Ed de 17 de Junho de 2018 e constato, nas pags 04 e 05 que a IURD adotou vestimentas israelitas... Já construíram uma paródia do Templo dos antigos judeus, além de cultuarem menorás, arcas do pacto, estrelas e outros tantos símbolos do judaísmo antigo... Com dois mil anos de atraso. Grosso modo grande número de seitas pentecostais teem judaizado desde o século XIX ou adotado instituições do judaísmo antigo, após seus ancestrais, os 'deformadores' do século XVI, terem denunciado o sacerdócio Cristão como plagio do judaísmo ou do paganismo antigo e assim quase todo ritual, ao menos segundo a corrente dos calvinistas, os quais, surpreendentemente, morriam de amor pelo antigo testamento.

O calvinismo por sinal canonizou e reforçou um erro basilar, do qual a mente protestante jamais logrou furtar-se por completo. Lutero, aproximando-se do grande Marcion e reforçando algumas posturas do Cristianismo medieval - em que pese ter confundido as coisas e anunciado o anti semitismo - tinha consciência de que o Cristianismo e o Judaísmo correspondiam a mentalidades ou crenças diferentes e repudiava portanto uma dependência total do primeiro face ao segundo. Paradoxalmente o irracionalista Lutero não achou prudente alardear a versão tradicional a respeito da 'revogação' do judaísmo, o qual folgava apresentar como uma falsa religião, sem prestar maiores esclarecimentos. Calvino, embora fosse racionalista, abraçou com fervor a opinião corrente a seu tempo, alardeando que o Judaísmo correspondia a uma Revelação ou dispensação divina revogada em benefício de outra, a saber do Cristianismo... Teria assim o Cristianismo substituído o judaismo segundo ainda podemos ler em diversas apologias...

Num segundo momento os calvinistas foram deparando com diversos pactos ou alianças no corpo do antigo testamento, as quais haviam substituído umas as outras até chegarem ao Cristianismo e em tese atingirem sua perfeição final... Segundo declaram os mal orientados houve uma revelação Davídica, uma Noaquica, uma Abraâmica ou patriarcal e uma Sacerdotal ou Mosaica que teria vigorado até ser derrogada em benefício da Instituição Cristã. De modo geral é assim que contam embora hajam outras versões conforme é próprio da imaginação e da fantasia humanas. Os pentecostais tem partido dessas fantasias, menos e bem menos que de Joaquim de Fiore, deduzindo um novo pacto mais intenso, com o espírito santo... E a quem encaixe a suposta queda da Igreja antiga e a manifestação do protestantismo neste mesmo quadro... Afinal se existiram outras tantas revelações e alianças precedentes, todas revogadas e substituídas, quem nos garante que este movimento haveria de cessar? De modo que a Encarnação de Deus fica correspondendo a um evento apenas dentre tantos outros, até perder seu significado único...

O que queria dizer é que para os calvinistas o Judaísmo foi uma espécie de Cristianismo antigo, cujos mistérios haviam sido anunciados simbolicamente ou por meio de linguagem cifrada... Há inclusive quem empregue o termos 'igreja antiga', 'igreja judaica' ou 'igreja de Moisés', e por ai vai... Uma coisa é certa, todo Cristianismo, em termos de doutrina, ai estava, contido alegoricamente na religião do antigo Israel, na Torá, na Tanak, etc

Apesar disto, de par com os supostos elementos doutrinas Cristãos ou alegóricos, havia também diversas normas, regulamentos, estatutos, ensinamentos... Tipicamente judaicos, os quais, segundo pensam os calvinistas, eram igualmente sagrados enquanto produtos de uma comunicação divina. Os calvinistas acreditam que tudo quanto esteja registrado na Tanak ou AT seja divino. Creem portanto que a ordem para exterminar os cananeus partiu indubitavelmente do 'Bom Deus' de Jesus Cristo ou daquele Pai de Amor descrito no Novo Testamento. Eles creem que a legislação dos antigos hebreus, em sua totalidade, seja de origem divina e portanto que o Deus verdadeiro tenha sancionado não apenas a pena de morte e de morte dolorosa tendo em vista certos crimes de natureza civil, mas que tenha inclusive sancionado a execução de dissidentes religiosos e portanto condenado a doutrina do liberalismo religioso. São obrigados a crer que existam 'bruxas' ou feiticeiras como as de Salém e estão obrigados a queima-las sob pena de irreverência! E em outras tantas normas e regras devem crer como aquela que proíbe o corte da barba, que regula a semeadura dos campos, o uso de tecidos diferentes no vestuário, a dieta, etc E ELES CREEM E ALARDEIAM CRER QUE TUDO ISTO É DE ORIGEM DIVINA, MAS... ao contrário dos judeus ortodoxos, não buscam viver tais leis ou coloca-las em prática!

Mas como???

Observe agora a mágica dos calvinistas ou dos protestantes de modo geral...

A primeira coisa que fazem ao cruzar com um espírita é anunciar que a evocação dos mortos foi proibida pela Lei de Moisés no Antigo testamento... E com que empáfia o anunciam!

Dão sorte quando o espírita é de origem simples, se é ingênuo ou mal informado. Do contrário não tardarão a ouvir boa réplica: Ueh naquela mesma lei que proíbe os fiéis de comerem chouriço ou galinha a cabidela??? - Nosso espírita poderia citar centenas de regulamentos mosaístas que nossos protestantes violam sem maior cerimônia como o da tatuagem, o dos tecidos, o da barba, o da exposição a nudez ( e a maior parte de nossos protestantes vão a praia!), etc

A esta altura nosso calvinista, após engolir um pouco de saliva, responderá sem abalar-se muito (ele sequer tem noção do que esta a dizer!) - Acontece que nem todas as leis do antigo testamento permanecem válidas... Aqui atalhará um papista abelhudo - Mas o que do Antigo Testamento não foi abolido a exceção do DECÁLOGO???

Aqui nosso protestante literalmente pira, pois compreende que sua estratégia seletiva foi desmascarada... Afinal quem é que decide o que vale ou não vale do antigo Testamento; digo das leis civis e cerimoniais??? Afinal os incisos da barba, dos tecidos, da semeadura, da terra, etc JAMAIS FORAM POSITIVAMENTE REVOGADOS PELO MESTRE... Estarão todos valendo??? Neste caso por que nossos calvinistas não os cumprem, começando pela reforma agrária??? Deveriam ser todos confirmados ou validados por Jesus? Neste caso só nos resta a parte imposta ao jovem rico, a Lei moral ou o Decálogo, vindo todo resto da Torá abaixo... Aqui nosso protestante fica já desconsertado pois já não pode condenar o espiritismo ou os espíritas sem que sejam também eles fulminados pela 'boa' lei de Moisés, afinal S Tiago é absolutamente claro: QUEM VIOLA UM INCISO DA LEI VIOLA-A EM SUA TOTALIDADE... portanto se uma norma qualquer Lei judaica foi revogada é porque ela jamais fora revelada por Deus, sendo de origem puramente humana. Afinal Lei divina alguma pode ser revogada... Se você violar uma norma ou regulamento divino torna-se impuro ou sacrílego...

Mas os Cristãos jamais foram obrigados a cumprir qualquer lei judaica ou a viver a moda dos judeus, e por que? Porque os Cristãos sempre souberam que a cultura judaica era de origem puramente humana... Os protestantes, mais do que os papistas - logo avançando - é que divinizaram em vão a totalidade da Torá, criando uma tempestade em copo dágua para si mesmos. Afinal se com um raio fulminam os coitados dos espíritas com outro feixe de raios são fulminados pelo jao, no mesmo momento em que comem torresmo ou fazem a barba... Não podem viver atualmente o judaísmo, como nem mesmo os judeus ortodoxos conseguem vive-lo em sua integralidade. Observem os judeus moderados em compreenderão o que estamos falando.

Então seja assim dirá nosso calvinista contrariado. Se é certo que tais regulamentos e normas não valem mais e não regulam a instituição Cristã é certo que vigoraram no passado e que foram revogadas. Aqui o Neo Católico ou o luterano, por piedade ou complacência silenciará ou concordará e mesmo a quase totalidade dos nossos Ortodoxos. 'Nom nobis', nom nobis; pois em boa consciência perguntaremos a nosso calvinista como poderia Deus, sendo imutável e sem sombra de variação, mudar ou substituir uma 'lei' por outra??? E não se diga que ele, Deus, meramente desenvolveu ou ampliou esta lei na mesma direção porque, como vimos, uma autoriza a matança dos dissidentes religiosos - negando o valor da liberdade religiosa - enquanto outra reconhece que os homens são livres para não querer (Eu quis recolher teus filhos como a galinha recolhe o pintinho debaixo de suas asas e tu não o quisestes) e para resistir, sem que Jesus se mostra disposto a fulmina-los com raios, como queriam os Zebedeus! Aqui, onde há Espírito, parece haver liberdade; e mal sabem os Zebedeus por que espírito ou porque valores estavam sendo guiados, mas certamente não eram os valores daquele que disse: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei! Ali os sacerdotes assumem o governo secular e comandam o extermínio ou reis são supostamente escolhidos e entronizados por Deus - Aqui a lei ou preceito é totalmente distinto: Daí a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Lá, naquela outra suposta lei divina, é deus quem associa, mistura e confunde... aqui, na Lei divina do Evangelho, a mancebia entre os poderes esta condenada e a teocracia perpetuamente maldita!

São leis totalmente diferentes, dando a antever mentalidades diferentes... Como portanto atribuir ambas as leis a mesma fonte, no caso Deus??? E sustentar ao mesmo tempo, honestamente, que este Deus seja imutável e sem sombra de variação. Quem não percebe que da Torá ao Sermão do Monte a mudança é drástica e alteração clamorosa? Que deduzir sinceramente a partir disto senão que o Verbo Encarnado Jesus Cristo encarava a Lei dos judeus como uma Instituição verdadeiramente humana e não divina? Como poderia ele criticar algo divino sem tornar-se sacrílego ou blasfemo??? Se se opõem, se emenda, corrige, revoga, etc é porque não lhe reconhece a divindade??? Como criticar liberalmente o que é divino? Como selecionar elementos a partir duma Lei revelada??? Todo discurso protestante ou calvinista sobre a matéria mostra-se equivocado e falacioso!

Então prepare-se para o paradoxo!

Pois o judaísmo era uma religião sacerdotal, que atribuía, segundo a Torá, o estabelecimento do sacerdócio a uma iniciativa divina. Pois bem que pensa o Calvinismo sobre o sacerdócio Cristão? Que é uma cópia do judaísmo ou do paganismo... e que o Cristianismo de Jesus - pasme - seja anti sacerdotal!!! No sentido de que Jesus apenas é sacerdote... sem que haja necessidade de outros sacerdotes conectados a ele. E o judaísmo, a que reputam por sagrado e revelado é sacerdotal, obedecendo a um princípio sacerdotal, que eles protestantes condenam!!! Agora como poderia este princípio ter sido divino e vigorado se Jesus é o único sacerdote??? Por conexão, respondem os protestantes. Os sacerdotes judeus representavam e por isso comunicavam algo de Cristo aos antigos judeus... Daí a validade relativa de se sacerdócio. Ueh, mas se o sacerdócio anterior a Cristo, exercido por judeus, podia tomar sua eficácia da conexão, por que raios não poderiam os apóstolos e seus sucessores, que viveram a realidade e na realidade de Cristo, exercer o mesmo sacerdócio ou um tipo análogo por conexão??? Qual o problema??? Não pode - responderá nosso embibliado, posto que a mentalidade de deus é oposta ao sacerdócio ou anti sacerdotal... E haviam sacerdotes no judaísmo antigo cujo sacerdócio era válido... Ao que parece a mentalidade de deus mudou ou sofreu alteração???

Aqui os protestantes, mostrando seu espírito ou viés neo platônico, tomado a Zwinglio, opõem-se tanto ao judaísmo antigo quanto ao antigo paganismo e afastam-se do universo inteiro, por repudiarem o padrão sacerdotal... Mas não ficam por aqui, são ousados, vão além, e negam todo e qualquer aparato simbólico ritual ou litúrgico, opondo-se mais uma vez ao judaísmo antigo e ao antigo paganismo, como neo platônicos que são, a exemplo de Ulrich Zwinglio.

Judeus e pagãos ofereciam sacrifícios sangrentos a seus deuses, e nós não cremos que os sacrifícios dos primeiros ou de quaisquer outros fossem solicitados pela Santa divindade. Mil trezentos e cinquenta anos antes desta Era o faraó Aknaton decretara que os sacrifícios sangrentos fossem substituídos por sacrifícios de flores, frutos e perfumes. Posteriormente foi a vez de Çakia Muni, Sidarta Gautama, Tatagata ou Buda como costumamos dizer, cancelar tais sacrifícios entre as gentes do oriente, substituindo-os do mesmo modo por flores e perfumes... Já o Cristianismo antigo compreendeu que podia ter acesso ao sacrifício de seu fundador manipulando o pão e o vinho, estabelecendo um sacrifício incruento de louvor.

Os elderes do passado, a seu tempo, consideraram que esta quebra do tempo e do espaço ou este sacrifício de pão e vinho era algo demasiado solene para permanecer despojado daquelas cerimônias simbólicas a que a humanidade como um todo atribuía tanto valor. E por isso, guiados pelo Espírito prometido e depois pela prudência e pela sabedoria apropriaram-se do aparato ou linguagem simbólica comum a humanidade, e revestiram este sacrifício de uma pompa e solenidade magníficas. De fato, sabendo que a divindade fosse perfeita, pagaram tributo estético a beleza impulsionando a expressão da arte.

Disto resultou que a exemplo dos queridos hebreus, aos quais não faltava certa noção de reverência, consagraram a Santa divindade as coisas ou objetos que empregavam no culto público e dedicaram-lhe além de altares acessórios e alfaias ou seja cálices, castiçais, turíbulos, vasos, ânforas, cruzes... e toalhas, cortinas, véus... E certas roupas, que vieram a converter-se em paramentos... E cruzes, evangeliários, ícones, etc E templos... e uma arquitetura específica. E instrumentos musicais, como o órgão... E sinos (Jarash)... Tudo com o objetivo de abrilhantar este culto. Mas não se limitaram aos elementos materiais, pensando da mesma maneira na ação humana, em como coordena-la de modo harmonioso e sóbrio. Surgindo a ordenação das preces, os hinos, a poesia... O Calendário litúrgico com as festas do Senhor tomadas ao Evangelho... A regulação do Culto ou liturgia com seus gestos ou sinais simbólicos cada um dos quais contém um ensinamento ou uma mensagem didática a ser comunicada a gente simples - Daí o emprego de cores diferentes para cada tempo.

Tudo isto construiu a mãe igreja com sabedoria e prudência, ao largo dos séculos, servido-se das mais diversas culturas e tentando encontrar elementos comuns. Embora não deixasse de se adaptar a certas particularidades culturais, do que resultaram diferentes liturgias ou ritos numa saudável variedade.

De modo geral os protestantes atribuem a origem de todo este aparato, odioso, ao paganismo antigo e costumam apresenta-lo como uma contaminação, noutras palavras, como a apostasia da igreja apostólica, e isto é necessário para que possam justificar sua reforma i é sua própria existência. Grosso modo os esotéricos como Ledbeater e A Besant, referendam esta versão, aceita por grande parte dos Cristãos Católicos.

Chegando a este ponto temos de fazer algumas observações.

Nem são os atuais judeus neo platônicos ou infensos a simbologia ritual; como seus ancestrais não o eram.

Se é verdade que os antigos judeus não estavam plenamente sintonizados com a imanência - Pelo simples fato de que jao é um ser puramente espiritual e informa que jamais se encarna ou assume aparência humana - seria faltar totalmente com a verdade caso os apresentássemos como totalmente desvinculados dela, a maneira de muçulmanos sunitas ou melhor de neo platônicos e já adiantamos que fé alguma assumiu de tal modo e maneira o ideal neo platônico como o protestantismo de matriz Zwingliano/calvinista.

É verdade que os protestantes esforçam-se por nos apresentar os antigos judeus sob tal prisma pelo simples fato de não poderem confeccionar representações de jao ou mesmo de seus ancestrais, os patriarcas e profetas. Os fariseus, antes dos protestantes, pareciam querer ir em tal direção... No entanto o culto legítimo, autorizado pela escritura ou pela lei deles era oficiado por sacerdotes num templo, o que pressupunha toda uma ordenação ritual bastante semelhante a do Catolicismo ou do Paganismo antigo; não os antigos judeus não fugiam a esta regra e não eram nem um pouco 'espiritualizados' ou neo platônicos, a ponto de olvidar que eram espíritos postos em corpos físicos ou materiais e não espíritos desencarnados.

De fato não possuíam imagens ou representações. O que não tornavam o culto deles menos pomposo ou solene do que o culto pagão. Ficando o culto protestante ou 'espiritualizado' e despojado de símbolos, vagando em mesmo as nuvens da religião a exemplo da sogra de Pedro... Alguns batistas neste sentido assumem de imediato a inusitada pretensão protestante, segundo a qual o cristianismo, em oposição ao judaísmo, ao paganismo e a condição humana, teria inaugurado ou inventando um novo padrão de culto que é só seu e que pode ser definido como um repúdio a todas as formas de aparato simbólico ou mesmo de simples organização ou forma. Não se trata aqui apenas e tão somente de um culto completamente despojado de elementos materiais mas de um culto decididamente espontâneo ou subjetivo conduzido por supostos profetas, videntes ou inspirados... A ponto do culto público protestante nada ter de comum, convertendo-se numa mera associação temporal de cultos individuais - Isto a ponto de cada fiel ajoelhar-se numa direção distinta...

Claro que a pretensão nem é judaica, nem Pagã, nem Cristã, mas protestante e de origem neo platônica. Os antigos judeus como os judeus de hoje possuiam arcas, vasos, tabernáculos, rolos, mantos de oração, menorás, lampadários, trombetas, livros, procissões, gestos, etc Na Sinagoga de Dura, inclusive, representações de seus ancestrais e de outros tantos símbolos que lhes eram caros... Quanto as cerimônias do templo é possível fazer alguma ideia a respeito delas e de sua orientação apenas folheando o antigo testamento. O certo é que muito antes de Cristo os judeus piedosos adicionaram outras tantas festas e criaram um calendário... E que cada uma destas festas possuía simbologia própria, comportando um ritual. Os Salmos que os protestantes tanto estimam (Tehilim) eram o hinário dos antigos hebreus e já se vê por eles que empregavam a repetição ostensivamente... A respeito dos pagãos a regra era mesma e não ficavam atrás dos judeus. Eram tão reverentes a ponto de regressarem ao início de uma cerimônia caso o sacerdote cometesse algum erro mínimo... Como os judeus eles aspergiam seus profitentes com água, ungiam-nos com azeite...

O Cristianismo foi desde o princípio ou desde seu berço que é o Evangelho uma fé sacramental em sintonia com a matéria ou com o corpo físico. Jesus bem podia ter curado o cego com o poder de sua palavra, mas quis empregar barro e saliva - Os protestantes chamem-no de bruxo, mago ou feiticeiro caso queiram. O Certo é que ordenou o uso do pão, do vinho e da água, que são elementos materiais; e isto nos parece muito pouco espiritualizado ou neo platônico. Queiram ou não nossos fanáticos e sectários o batismo e a eucaristia envolvem algo mais do que palavras. A darmos fé ao Evangelista ele também empregou azeite, dizendo que os santos apóstolos ungissem os enfermos e há quem com excelentes razões, nisto veja, o sacramento da unção final. Além disto, segundo lemos no Livro Sagrado, o Senhor quis soprar o Espírito Santo sobre os apóstolos, empregando um gesto... Os apóstolos a seu tempo tomaram alguns dos crentes destinados a funções especiais e impuseram as mãos sobre eles, empregando um outro gesto... Embalde os protestantes fogem aos elementos materiais e ao recurso gestual pois topamos com eles no S Evangelho e cremos que deram origem a cinco grandes ordenanças quais sejam o Batismo, a Eucaristia, a Crisma, a Ordem e a Evkelaion...


Agora por que teria ele empregado livremente tais elementos ou linguagem corporal? Pela mesma razão segundo a qual se fez homem assumindo um corpo físico e uma dimensão material. De modo que a adoração ou o culto, embora partindo do espírito que é a fonte da racionalidade deve englobar a dimensão física do corpo exprimindo por meio de símbolo, e, em se tratando da adoração comunitária de símbolos comuns capazes de unir a congregação num só corpo e numa só mente; o que supõem uma adoração coordenada, sob pena de não ser nem sóbria nem racional. A adoração neo platônica ou espiritualiza foge a tais termos, foge ao judaísmo e foge ao Cristianismo ou ao Evangelho, é um padrão recente e inventado.

Resta esclarecer, a partir do que foi dito acima, que se tomamos muito do paganismo também tomamos aparatos do judaísmo. Assim a túnica preta dos sacerdotes ou batina corresponde a indumentária dos judeus piedosos do tempo do Senhor. Assim os mantos, os turbantes, a Skouphia, etc Assim a túnica habitual ou pastoral a que os latinos chamam batina e nós exorason. A túnica de ofício, alva ou Sticharion é branca porque os sacerdotes tanto judeus quanto pagãos usavam uma túnica branca e acreditasse que os judeus tenham tomado esta costume aos antigos egípcios. Os demais paramentos sacerdotais parecem ter se desenvolvido a partir do antigo vestuário pagão.

O costume de oferecer incenso num turíbulo era comum a todas as religiões antigas. O antigo testamento apresenta-o como uma ordenação divina. O altar Cristão difere tanto do pagão quanto do judaico por ser coberto com alfaias ou toalhas, isto se deve ao fato de não receber sacrifícios sangrentos. As velas ou castiçais são comuns ao judaísmo - o AT atribui essa ordenança a divindade - e ao paganismo antigos; relacionando a divindade com a luz. Os vasos sagrados eram empregados tanto pelo paganismo quanto pelo judaísmo e de tal maneira tidos em conta de sagrados que os judeus atribuíam a morte de Bechurusur de Babilônia ao fato de te-los empregado num festim profano, o que os rabinos diziam sobre Pompeu Magno e Tito Flávio. O calendário como dissemos era comum aos judeus e aos pagãos... A forma ou modelo de nossos templos são associados ora a antiga Basílica pagã, local onde se oficiava a justiça, ora ao templo dos judeus; de modo geral veio a assumir a forma cruciforme. Os sinos (Jarash) substituíram as trombetas empregadas pelos antigos hebreus. O órgão ao que parece era já empregado pelos judeus em seu templo bem como os demais elementos da fanfarra ou banda. Já dissemos que judeus e pagãos faziam aspersões com água e unções com óleo ou azeite. As procissões também eram um costume comum, os judeus no caso carregavam sua arca ou modelos da arca com rolos de livros. Os judeus e pagãos empregavam a prostração, o ajoelhamento e a saudação ou a inclinação em seus atos de culto. A prática de cantar a liturgia ao invés de recitar ou falar foi tomada ao judaísmo ou as religiões orientais.

De modo que nosso aparato simbólico é tributário tanto do judaísmo quanto do paganismo, de ambos os quais tomamos muitas coisas.

O calvinismo, paradoxalmente, mesmo afetando amor intenso pelas instituições judaicas, distorceu a História e buscou apresentar todo aparato simbólico da igreja antiga como pagão na mesma medida em que despojava-se dele assumindo valores neo platônicos. Num primeiro momento o protestantismo apelou ao antigo testamento com o objetivo de julgar e condenar a igreja, já num segundo momento julgou o judaísmo e desprezou tudo quanto possuía em comum com o paganismo e com os catolicismos... De fato o relacionamento dos protestantes ou do protestantismo com aquele livro não foi coerente mas ao que parece marcado pelo oportunismo, o mesmo oportunismo que levou-os a desfigurar os judaísmo antigo e moderno em benefício de um padrão descanado ou espiritualizado que remonta a U. Zwinglio.