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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A farsa da Educação em S Paulo e munícipios (S Vicente) - Como professores sem consciência são comprados por um Bônus, os resultados são fraudados e o ESTADO FABRICA INTENCIONALMENTE MASSAS IMBECIS...

Certamente aqueles que leem meus repetitivos artigos sobre o problema da máfia ou farsa da Educação pública no Estado de S Paulo e munícipios colaboracionistas, professores sem consciência, etc devem estar se perguntando porque o ministério público ou o poder público ainda não abriram uma oitiva ou fizeram qualquer coisa diante da situação, alias, creio eu, fácil de averiguar. Por que ainda não me convocaram para depor, etc Porque eu adoraria faze-lo e não tenho receio ou escrúpulo algum quanto a isto - Sou socrático e creiam, mais fanático que qualquer anarquista ou comunista, sou cristão apostólico ou 'Católico' ortodoxo e das antigas, e tido em conta de pequeno burguês arrogante - Em suma não tenho o que temer e adoraria chutar o pau da barraca, no português chulo.

Acontece que neste país, quanto as coisas sérias e prementes (Como a imbecilização em massa por meio do desmonte ou da manipulação do ensino em todos os sentidos, e a facilitação do trabalho das seitas estrangeiras que sabotam nossa cultura > Proliferando em meio desses imbecis fabricados pelo e para o sistema.) faz-se um total e surdo silêncio, quando não encaram o 'denunciante' ou 'narrador' como louco, doido, desajustado, maluco, etc Nada de novo debaixo do sol e só não sou internado num hospício (Tal e qual os inconvenientes era internados em mosteiros durante a alta Idade Média) porque ao menos formalmente ainda temos Direitos humanos, democracia, liberalismo político, Constituição, etc Instituições que eu mesmo tenho assumido e defendido com unhas e dentes por representarem a civilização.

Tornemos porém ao tema e numa outra perspectiva.

Porque não adianta apenas culpabilizar o governo, e um governo muitas vezes posto a serviço do mercado e consequentemente em sintonia cultural com as seitas norte americanas e sua ideologia da estupides. Há que se olhar o outro lado, o dos colaboracionistas e eu jamais o ignorei em minhas análises.

Compreenda o leitor que não existe possibilidade de democracia, como não existe possibilidade e amparo trabalhista ou simples qualidade de ensino, sem combate ou luta. Parte de nossos ancestrais estava consciente disto, e lutou, para termos o que temos. Eu por exemplo sou descendente de pessoas que assumiram as causas iluminista, abolicionista e republicana... Então sei perfeitamente do que estou falando quando digo que nada, absolutamente nada foi dado de presente ou caiu dos céus. Nossas liberdades 'burguesas', como dizem alguns, foram pagas e compradas e muito bem compradas com coragem, ação e até sangue. Não foi talvez uma História bela ou romântica, foi porém digna.

Alias ainda hoje eles nos conhecem a avaliam pelo vocabulário ou pelo estilo, e estão certos, pois são espertos.

Lamentavelmente as pessoas, cada vez mais imbecilizadas por defeitos, justamente na área da educação, passaram a idealizar um Estado ou uma sociedade romantizada, em que os políticos cuidam delas - Daí o conformismo, a falsa confiança e o paulatino despojamento de direitos na malsinada direção da Inglaterra ultra liberal do século XIX - Leiam Ch Dickens e despertem... Não apenas os demônios estão de volta (E as fogueiras certamente!) - Como diziam Sagan e Quevedo - mas também os 'amáveis' patrões e tudo mais...

Portanto os acomodados e colaboradores são um grande problema.

Trabalhei no Estado de S Paulo por exatos dezessete anos, quase a totalidade deste tempo como professor concursado, alias nos primeiros lugares, que optou (Por idealismo) efetivar-se numa escola de periferia e nela trabalhou por cerca de quase quatorze anos. Durante este tempo assisti o desmonte de uma estrutura razoável legada, pasme por ditadores (!!!) ser destruída gradativamente por 'liberais' num cenário democrático e tenho para mim que o desmonte da escola pública do Estado de S Paulo foi proposital ou consciente i é com objetivos bem delineados, o que o torna ainda mais hediondo. 

Tendo sido aprovado em concurso de promoção\premiação e lecionando a adolescentes interessados um conteúdo que me era agradável (Filosofia) ali me mantive até a sinistra reforma da previdência, sempre acreditando que as coisas mudariam ou tomariam outro rumo - Pois é desesperador assistir o desmonte da escola pública contemplado por um clientela inerte e inativa (Sic). A partir daquele momento, percebi que não havia saída e chamado passei a uma outra prefeitura. 

Portanto tenho eu perfeito conhecimento de causa. Pois fui testemunha ocular de tudo quanto aqui narro, testemunha e em certo sentido participante. Naturalmente que como professor público municipal participo ou participei também dos Conselhos parciais e finais das escolas que pertencem a esse nicho da Educação. Cuja prática não posso ignorar.

Posso dizer então que o Estado, que não cuida de ninguém, mas, que na atual conjuntura, cuida apenas e tão somente do mercado i é dos patrões, dos afortunados, dos multi milionários e dos interesses deles, cumpre ou tenta cumprir com seu papel quando pugna contra a qualidade educacional. O Estado de S Paulo executa com máxima perfeição aquilo que é demandado por empresários, pastores e demagogos: Priva nossas crianças e adolescentes da possibilidade de virem a exercer um pensamento crítico sobre bases consistentes apenas porque tal clientela se tornaria questionadora. 

Assim a gestão, conectada organicamente ao Estado, quando DESIGNADA, repito quando designada, ou não concursada\efetivada, executa as ordens que lhe são dadas, até onde pode. E precisamos entender como as coisas funcionam. 

Gestão concursada, quando pautada em princípios e valores éticos, resiste e não poucas vezes recusa em pressionar os educadores para promover automaticamente o aluno i é a inventar notas para passa-lo sem saber. Outro o caso dos designados, os quais podendo ser removidos arbitrariamente, não costumam resistir, mas obedecer. 

Aqui um aspecto importante da máfia ou do esquema fraudulento responsável pela massificação a que assistimos no tempo presente.

Ao Estado de S Paulo e a prefeitura de S Vicente repugna convocar e empossar candidatos aprovados em concurso público para vagas de diretor, assistente e coordenador pedagógico ou seja para a equipe. Protelam, violam prazos e tudo fazem para manter seus queridos colaboradores que eles mesmos designam com o propósito de promover aqueles que não atingiram o mínimo, inclusive semi analfabetos, e assim manobrar os índices oficiais.

Portanto o papel daquele que é arbitraria e caprichosamente designados, em prejuízo dos cidadãos que foram bem sucedidos nos concursos é relevante. Daí inclusive a iniciativa de alguns quanto a combater a estabilidade do funcionário público para melhor controla-lo, manipula-lo e destarte, falsear as metas com maior eficácia ou em escala ainda maior, eliminando resistências e consolidando a máfia. Veja como a iniciativa de eliminar a estabilidade do funcionário público beneficia seu controle arbitrário pelo poder político e facilita as coisas, para eles... 

Agora o poder político controlando diretamente todo processo educativo e particularmente a promoção, estabelece um círculo vicioso, pois ele: Estabelece as metas, avalia e promove. E cessando de reprovar, além de economizar mais dinheiro para ser desviado, obtém os índices que ele mesmo deseja com o objetivo de aplaudir a si mesmo e obter recursos sejam Federais ou Internacionais. Porque as meta da aprovação automática e irresponsável em todos os níveis é também a obtenção de dinheiro, pelo governador, pelo prefeito, pelos vereadores, pelos diretores, pelos coordenadores e até por parte de docentes. Virou tudo negócio, em termos de compra e venda.

Das esferas nacional e internacional procedem recursos. Aqui e ali investimentos privados. Para as Escolas ou equipes uma verba maior (Desde que cumpram com as tais 'metas' que são sempre reprovar menos ou não reprovar quem quer que seja.) e até mesmo para os colaboradores professorais uma infame gorjeta chamada bônus - O qual sendo desvinculado do salário, só é alcançado e atribuído tendo em vista o cumprimento das metas, uma das quais é a fixação de um número mínimo de alunos a serem reprovados, ficando 'proibido' reprovar os demais, ainda que nada saibam em termos de conteúdos. Logo esse bônus nada mais é do que uma forma de comprar os professores, como verbas e recursos adjudicados com base na aprovação compra os diretores ou a equipe, e ficam todos pagos ou comprados. 

Que seja tudo isto anti ético - Tá por assim dizer na cara.

Os que não são designados e paus mandados são comprados por meio do tal bônus... Tudo dentro da maior legalidade ou da forma, porque o tal bônus e as tais metas de aprovação dadas os professores são objeto de lei. 

Porém qual o fim disso tudo> Através do professor que aspira pelo bônus, do coordenador que espera pela gorjeta, do assistente designado, do diretor que aguarda por verbas, quem de fato decide quem será aprovado e na prática impede o educador consciente de reprovar quando seja necessário são os supervisores, os secretários da educação e enfim os prefeitos e governadores, enfim o poder político, que controla escrupulosamente a aprovação e a reprovação de alunos com o sórdido objetivo de mascarar resultados. Claro que tal não é feito em todo lugar, porém é feito...

É monstruoso pois o que temos de buscar em nossas escolas são resultados educacionais e formativos (Sabendo que aqui a reprovação faz parte do processor e é, não poucas vezes, necessária.) e não resultados políticos.

Bem, o que aqui me choca, é a colaboração dos professores, os quais no Conselho não hesitam sabotar os colegas com maior grau de consciência, fabricando notas que não existem (Mudando ou distribuindo notas por pressão da equipe gestora.) para promover os que não atingiram as metas e obter o bônus ou, no caso do Estado de S Paulo, boas notas e aprovação do gestor designado.

Importante destacar que essa dependência do bônus tem, também ela, uma explicação. Para que o professor cobice essa gorjeta ou propina deve ser antes seu salário desvalorizado ou seja deve ser esse profissional pauperizado ou proletarizado. Assim é a má remuneração ou a remuneração irrisória que o torna retira sua autonomia, tornando-o receptivo ao controle ou escravizado. Caso contrário, i é, caso fosse bem pago, seria bem capaz de resistir em nome de seus princípios e valores e consequentemente de furar o cerco e estourar a bolha criada por um Estado corrupto.

Molesta-me sobretudo a atitude dos colegas proletarizados que se deixam guiar pelo desejo do bônus. Da gestão nada espero em absoluto. Dos colegas de trabalho esperaria mais consciência, ética e responsabilidade. No frigir dos ovos parte dos colegas não querem se dar ao trabalho de fazer os relatórios necessários tendo em vista a reprovação do aluno - E dão semelhante trabalho por exaustivo e inútil mormente quando após terem feito os tais relatórios, elencado provas, tombado trabalhos e enfim terem executado tudo quanto deveriam ter executado, tornam-se voto vencido no conselho final porque a maior parte dos colegas, cedendo a pressão feita pelo gestor, prefere DAR ou fabricar a nota e, por voto, obtendo maioria, aprovar o dito cujo sem nada saber. É de fato algo desestimulante ou frustrante testemunhar essa burla, do aluno ser promovido pelo Conselho porque muitos dos colegas, para poder levar ao dito Conselho 'criaram' a tal nota 'Ex nihilo'. É coisa que se espera do governante ou do gestor, não de um par...

Insisto que a causa disto é a desvalorização do salário, sem a qual o tal bônus, aliciaria apenas pessoas naturalmente inclinadas a venalidade. No entanto torna-se ele cobiçado para pagar contas, o carro novo, o celular, etc Daí a necessidade de se obtê-lo e assim de demonstrar um resultado de trabalho que é falso, sim, falso, porque aquele aluno obtém o diploma ou papel sem estar em posse do conhecimento. Já porque é o trabalho docente intencionalmente sabotado pelo excesso de alunos em sala de aula (No Estado cheguei a testemunhas turmas com mais de cinquenta alunos!), pela inserção de alunos com necessidades sem apoio, por sobrecarga de exigências burocrática ou papelada inútil, pela subtração formal dos meios de controle necessários a disciplina, etc Sem contar com as mazelas da sociedade e com a condição familiar do educando - Tudo quanto foge a esfera do educador. 

A resultante desse complexo de fatores incontroláveis é que parte dos educandos não atingirá as metas propostas em termos de aquisição de conhecimentos elementares para prosseguir no roteiro de estudos, e que deverão ser reprovados de modo a poder adquiri-los. Pois sendo promovidos com deficit carrega-lo-ão e o ampliarão para o resto de suas vezes, uma vez que implica salto, lacuna ou supressão de fase. 

Falseando os dados, municípios e estados (Como o de S Paulo) dão a entender que tudo está bem. E nem adianta falar em provas ou verificação de saberes, uma vez que até mesmo as provas aplicadas pelo governo Federal, são de talhe pós modernista, minimizando o conhecimento formal necessário ao progresso do aluno, nos termos de uma pedagogia responsável que é a pedagogia crítica de conteúdos. O aluno, como ser humano e tendo em vista sua formação integral, a sequência nos estudos e a integração no mundo do trabalho, faz jus a obtenção de conteúdos - Os quais lhe são criminosamente negados por um Estado em que a estrutura da Educação é JÁ EM SUAS LEIS (Em torno de algo como o tal Bônus) viciada e a massificação institucionalizada. 

Quais as consequências disto: Apesar de provas e avaliações pós modernistas e inúteis em torno de identitarismos, os brasileiros, como evidenciam as pesquisas, jamais leram tão pouco, jamais estiveram tão alheios a literatura nacional, jamais foram tão negacionistas quanto o conhecimento científico, jamais interpretaram tão mal, jamais foram tão manipulados por demagogos, líderes religiosos e, é claro, patrões... E jamais foram tão ignorantes, Posto que o poder público está a fabricar massas e a fugir de seu principal dever que é educar. Não adianta reservar $$$ %%% a uma estrutura que é, em sua essência, viciada. 

Enfim o que temos, ao invés de uma democracia que deveria contar com a participação de cidadãos instruídos, críticos e conscientes. O que temos são apenas formas i é urnas, votos e eleições de tantos em tantos anos, e uma quase oclocracia i é um controle quase férreo exercido por massas acríticas manipuladas pelos demagogos, pastores e patrões... Uma quase oclocracia onde o que resta de povo consciente, por ser ínfima minoria, já não tem voz. Uma quase oclocracia onde imbecis, que não veem sentido algum no voto, são por lei obrigados a votar, apenas para trocar o dito voto por um quilo de feijão, dois quilos de arroz, uma caixa de cerveja, uma garrafa de pinga, cinquenta reais, um encaixe na repartição tal como designado, etc 

Enfim o que estou a denunciar aqui não são meus colegas proletariados e portanto, ao menos em parte vítimas de vícios estruturais. O que pretendo denunciar aqui são brechas ou descuidos quanto aos leis, que permitam ao próprio Estado gerenciar, julgar e intervir no resultado de um processo educativo que ele mesmo oferece - O que se dá por Leis safadas como a desse bônus por metas estipuladas em torno da aprovação dos alunos... Uma vez que órgão algum deveria julgar a si mesmo ou seja aquilo que produz ou oferece. 






quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Educação - A farsa continua...

Li o artigo do economista Cláudio de Moura Castro 'No meu tempo a educação era muito melhor' publicado no jornal 'Estado de São Paullo' a quatro de setembro de 2022 e reproduzido, desde então, em diversos certames públicos.

Felizmente tenho uma cópia dele, tombada, em meu arquivo. A qual acabo de reler. 

Para esse autor a qualidade da Educação oferecida no passado é duvidosa e a ideia de que a Educação, de modo geral, esteja piorando, equivocada. Tal seu ponto de vista, a respeito do qual discordo cabalmente.

De fato em tempos pretéritos ou nas décadas anteriores aos anos noventa, não haviam exames institucionais de caráter estadual ou nacional que aferissem os resultados educativos.

E no entanto, pessoas que, como eu, nasceram em meados dos anos 70, tiveram a oportunidade de conviver com pessoas adultas ou mais velhas que haviam sido educadas nos anos 40, 50 e 60, i é, imediatamente após a grande reforma Capanema - Marquem esse nome! E o quanto posso dizer é que no decorrer dos anos 80 e 90 havia, por assim dizer, uma elite altamente educada, formada inclusive por pessoas que sequer haviam cursado alguma Universidade, mas apenas formado Ginasial ou como dizemos hoje ensino médio.

Era educação socialmente restrita...

Parece-me honestamente que sim ou que não era uma educação voltada para todos.

Socialmente restrita porém qualitativa ou de alta qualidade.

Quem teve o privilégio de conviver com tais pessoas saberá do que estou falando.

O defeito era ser socialmente restrita, e era defeito. 

A virtude era ser de alta qualidade ou relevante.

Quero problematizar isso.

Diz-nos Claudio Castro que temos um problema, e para mim é um problema. Pois declara que a Condição social do educando é forte determinante do rendimento escolar.

Tão inegável como o descobrimento da América, Claudio Castro e esquerda fuzarqueira de plantão.

Mas foi exatamente por isso que nossa Legislação determinou que os insumos relacionados diretamente com a Educação, seja graciosamente ofertados pelo Estado, assim uniforme, material, merenda, transporte, etc - O que de fato não era oferecido antes da década de 90. 

Costumeiramente se diz e crê que a partir da Educação é que podemos consertar determinadas situações de desigualdade social. Agora se a desigualdade econômica afeta de cheio os resultados educativos TEMOS UM CÍRCULO VICIOSO.

Tem se tentado quebrar parte desse círculo por meio dos já referidos insumos. 

É atitude relevante, mas não suficiente - Caso não se preste a devida atenção ao conteúdo educacional oferecido e enfim a estrutura do sistema educacional público em comparação com o privado.

Vamos porém aos exames gerais apontados por Castro ou aos resultados apontados por esse autor.

A primeira informação é que houveram alguns avanços nos anos iniciais do Ensino fundamental, e essa informação é de suma importância, pois estamos falando em alfabetização ou nas fases iniciais do letramento.

Nos anos finais porém - Sétimo, Oitavo e Nono ano, reconhece Castro que não houve avanço ou que este foi mínimo, embora corresponda a uma fase mais consistente da Educação. 

Castro no entanto nos quis trazer belas e boas notícias; diz-nos então que antes da Pandemia (2019) o Ensino médio deu um 'saltinho' - Na Prova Brasil. 

E aqui temos já um sério problema - Apenas Português e Matemática são avaliados, o que é altamente insatisfatório, ao menos, quanto o Ensino Médio, dada a Relevância da Biologia, da História, da Geografia e por que não da Arte...

Mas... Apesar disto, prossigamos.

Como professor que atuou no Ensino Médio do Estado de S Paulo, por dezessete longos anos, e que ainda pertencia a este quadro em 2019 (Desliguei-me logo após a malsinada reforma da Previdência.) acho no mínimo estranho que tenha havido algum progresso. Observo no entanto que se, tal se deu de fato - Mantenho o benefício da dúvida! - foi anterior a implementação da Reforma que o arruinou com completo nos anos seguintes.

Refiro-me a trágica Reforma que introduziu no Currículo as quinquilharias inúteis de: Planejamento econômico, projeto de vida, empreendedorismo, etc e cujo escopo final é erradicar por completo as disciplinas de: Arte, História, Geografia, Sociologia e Filosofia, e consequentemente o que chamamos projeto Integral ou humanista, limitando-se, novamente, a formar mão de obra subalterna, empregados, operários, serviçais, etc

Significativo que após uma tênue e duvidosa melhora siga a demolição completa... Sob o pomposo título de Escola Integral. Sim, pois esse ensino médio integral - Ao menos no Estado de São Paulo - nada é além de uma creche para adolescentes, a qual possibilita a permanência dos pais e responsáveis fora de casa ou no ambiente de trabalho e favorece antes de tudo o setor econômico. Professores fazem o papel de babás, os conteúdos - Como descrevi acima. - tornam-se irrelevantes, as salas de aula se convertem em 'depósitos' e por ai s vai... 

Agora vamos ao PISA - E o PISA avalia justamente o último ano do Ensino Fundamental...

Que diz o PISA...

Estagnação - Brasil está paralisado há muitos anos e o que é pior quase na lanterninha ou nas últimas colocações.

E gastamos uma fortuna com os insumos...

É um tonel de Danaídes - Pois lançamos água por meio dos insumos, a qual se esvaí pelos buracos dessas reformas escabrosas, e de uma quase total indiferença ou omissão no que diz respeito a estrutura e o pessoal de nossas Escolas públicas.

Por estrutura me refiro aos prédios e instalações, bem como ao material de trabalho. Desde ares condicionados ou ventiladores, cortinas, vidraças, etc a lousas digitais, mapas, globos, biblioteca, etc

Quanto ao pessoal me refiro aos professores, cujos salários deveriam ser corrigidos de modo a tornar desnecessário o acúmulo de cargos. O docente deveria ganhar o suficiente para não precisar trabalhar em duas redes e assim, não se sobrecarregar. 

Outra questão, tão grave quanto, é a oneração intencional dos professores por meio da burocracia ou do preenchimento de papéis ou de relatórios inúteis. Tudo quanto sobrecarrega o professor, desgasta-o e se reflete negativamente na interação com os alunos.

Agora tornemos a questão do progresso...

Incrível que no Brasil não piorar seja motivo de comemoração.

Nos sentimos realizados porque os anos finais do E F encontram-se paralisados, tal e qual o E M...

E vibramos porque supostamente avançamos nos anos iniciais, i é, nos domínios do letramento ou da alfabetização. O qual nem sei como é avaliado... O que sei é que as professoras dos anos iniciais são pressionadas para promover os alunos analfabetos ou semi analfabetos até o quinto ano. Posto que chegam até nós, no sexto ano, um resíduo de alunos analfabetos que costumam seguir até o Nono ano... E já os tive, pasme (E sem laudo!) no E M - Analfabetos, e, perdoem a expressão > Idiotas, incapazes de compreender e de interpretar...

Para mim semelhante quadro é o de uma tragédia

Pois quando se mensura pelo geral se perde por completo a noção de particular.

Em geral apreciamos execrar a Idade Média e o analfabetismo reinante, a condição das massas dominadas, etc

E exaltar a simples capacidade para ler, escrever e calcular.

Porém tal capacidade de fato só é digna de admiração na medida em que o sujeito prossegue na caminhada do saber, ampliando mais e mais os seus conhecimentos. Em suma: O letramento ou a alfabetização só deveria ser encarada como benefício quanto corresponde a uma porta ou passagem...

É justamente aqui que entra a ideia de Rebelião de Massas, oclocracia, etc 

Nós estamos nos dando por satisfeitos com um Ensino meia boca ou demasiado elementar i é a nível de letramento ou de alfabetização e achamos que é grandioso... Mas não o é!

Ao alfabetizar sumariamente um idiota ou imbecil (Sem jamais torna-lo capaz de pensar!) e lança-lo no mundo da Internet ou mesmo de algumas Folhas pagas, com seus Fake news, estamos a cometer grave crime, do qual resultará imensa calamidade futura. 

Sim, pois essas massas idiotas e apenas sumariamente letradas, adquirem direitos de cidadania e passam a decidir os rumos da vida comum... Tornam-se eleitores e convertem nossa democracia em Oclocracia, desacreditando-a... As consequências vimos no início deste ano, com a tentativa de golpe teocrático. As massas que produzimos em nossas escolas querem já atentar contra nossa semi oclocracia, e massas se chocam contra massas... Quadro escabroso.

Os analfabetos da Idade Média, os idiotas, os imbecis e as massas por assim dizer não tinham manias de grandeza ou pretensões de chegar ao poder. As massas que produzimos, alentadas por um discurso democrático mal elaborado e já denunciado por Sócrates, aspiram pelo poder - Poucos entre nós aspiram auto educar-se para se tornarem dignos da vida democrática, esbater pelo bem comum e exercer a cidadania, e, os que o fazem são abatidos pelo número da multidão.

Multidão que no Brasil, sendo constrangida a votar, negocia seus votos ou vende-os descaradamente em praça pública, entregando o comando do país a demagogos sem consciência - Como esse Tarcísio de Freitas, que acaba de leiloar a nossa Sabesp!!!

Agora calculem quando esses elementos, promovidos com base no mínimo do mínimo ou mesmo sem nada saber obtiverem grau no Ensino Médio... E se, com dinheiro obtido no tráfico ou sei lá onde, custearem alguma Faculdade - Especialmente na modalidade EAD... Caso se tornem enfermeiros, cuidadores, médicos, advogados, arquitetos, etc Calculem os erros e imaginem o caos que teremos... Idiotas aplicando injeções e imbecis projetando ou construindo pontes!!!


Aumentamos ao máximo o número dos educandos. Mas abatemos a qualidade dos conteúdos e por isso, se antes, muito educávamos a poucos, hoje, pouco educamos a muitos. Quando bem poderíamos ter ampliado o número dos estudantes sem ter descuidado da qualidade do que é aprendido ou da Educação.

E a a suspeita que se me impõem é se não estamos fingindo ou apenas afetando educar a esses muitos...

Se antes províamos a tantos de carne por que não continuamos a fornecer carne ao invés de pão duro...

Não vejo porque a qualidade da Educação deva ser sacrificada a quantidade dos educados e acho isso inaceitável.

Rebaixar os níveis ou sacrificar os conteúdos para acolher ou satisfazer a muitos, ao menos para mim, não é educar. E é assim que nossa Educação se torna uma farsa. O professor fecha seus olhos e finge que ensina, enquanto pais e alunos fecham seus olhos e fingem que aprendem.

Diante disso aparecem os mecanismos sinistros da progressão continuada, da promoção automática, da interferência criminosa do poder público; visando limitar o número de alunos reprovados por sala ou escola, etc E são nossos jovens e nossas crianças passados por debaixo da carteira ou sem saber o mínimo do quanto deveria ser exigido - Pois não cabe ao professor conceder notas ou números, mas somente aferir o quanto o aluno obteve!!!

Continua...


quinta-feira, 12 de março de 2020

O sentido político do proselitismo protestante nas escolas públicas do Estado de São Paulo

No artigo interior fizemos uma denúncia bizarra... Se não há, certamente houve, há alguns anos, exercício de proselitismo religioso em certas escolas públicas do Estado de São Paulo. Estou averiguando para saber se tal situação ainda ocorre... Assim se determinados projetos 'laicos' ou 'éticos' realizados nas Escolas por voluntários religiosos exercem qualquer tipo de propaganda, direta ou indireta visando converter os alunos ou levar-lhes sua fé. O exercício de proselitismo na Escola pública, com o apoio de aparelho estatal, é crime líquido e certo, alias, julgo eu, sem atenuantes.

Incluo aqui as orações. Orações em alta voz, instrumentalizadas por líderes, bem pode ser ser utilizadas como forma de proselitismo, pelo simples fato de produzirem certo clima psicológico, tipicamente eclesiástico, na escola pública. O que é inadmissível numa cultura democrática.

Importante, acima de tudo, saber que este assalto religioso tem um significado político. É um proselitismo em favor de certa política e uma política favorável ao proselitismo, uma mancebia Estado/Religião, uma troca de favores, uma máfia espiritual e um ataque ao estado Laico, assim a Constituição, Lei maior deste país.

Que querem os políticos ou demagogos???

Votos - De preferência a toneladas... toneladas de votos...

Mas como obter toneladas de votos empacotados???

Tudo isto tem uma História. Perpasse-mo-la!

Como todos sabem foi a Proclamação da República uma espécie de golpe ou motim, não algo espiritual ou ideal, que tenha partido do povo. Sequer povo havia naqueles tempos, mas massas analfabéticas, quiçá não tão estúpidas e degradadas como as nossas, mas, em todo caso massas, não povo, em termos de cidadania consciente. O povão só soube da República, em alguns casos, meses ou mesmo anos após sua proclamação (Como diz o conto do Chernovicz), só lhe restando aceitar e aplaudir. O senso comum era sinceramente monarquia e quem representava o pensamento 'popular' (Se assim posso escrever) era o Antonio Conselheiro.

O povo devia permanecer, como sempre ou até mais, sob controle. E já se disse que o Pedro barbudo (O filho - segundo II) fora mais democrático que os primeiros presidentes, como o ditador Floriano. Bem, era necessário criar uma ficção democrática ou dar ao povo a ilusão de que a si governava quando era governado, mais até do que sob o antigo regime... Para tanto prestaram-se os coronéis. Os coronéis foram o creme de chantilly daquele 'Café com leite'. Era eles que arregimentavam os sufrágios para seus compadres ou apadrinhados políticos e moviam toda estrutura da primeira República. Ocupavam a base e mantinham o sistema, amedrontando ou coagindo fisicamente os eleitores. Esse voto dirigido pelos coronéis foi chamado voto de cabresto e vencia o pleito quem tinha o apoio e as bençãos deles.

Essa festa ou orgia coronelesca durou até 1930 quando o gaúcho valente desarticulou a máfia. Desde então apenas a valsinha ficou com saúde desses coronéis babões e pedófilos tão bem pintados por Jorge Amado...

O Estado de S Paulo, no entanto, tendo sido alijado do poder e posto a margem dele, insistiu que o coronelismo era sinônimo de democracia e que tudo iria muito bem 'obrigado', não fosse o 'odioso' ditador Vargas... E levantou-se contra ele com o objetivo de defender a velha ordem do pão, pão; queijo, queijo... Getúlio no entanto não abalou-se... E paradoxalmente uma ditadura foi que criou o primeiro impulso democrático neste estranho país. Trazendo a tona temas como 'bem como', 'justiça social', 'direito do trabalho', etc A educação conheceu seu primeiro salto qualitativo sob Gustavo Capanema... E por isso aquele ditador 'odioso' era amado pelos trabalhadores, camponeses e por toda gente simples.

Para os liberais economicistas - Liderados pelo Lacerda - comunistas e anarquistas no entanto era Vargas um déspota, por isso fizeram um pacto - a Oposição - com o objetivo de derruba-lo, mas ele, mostrando brios: Saiu da vida para entrar na História... E sua política, para desespero dos sediciosos e da 'nova' elite militar, continuou. Carlos Lacerda bem que tentou realizar seu eterno sonho de tornar-se presidente (Foi o modelo do Aécio Neves!) mas não conseguiu enganar o povo e ser aceito.

Quando o Jango ganhou foi um 'disparate' e de pronto as forças e poderes sinistros tentaram remove-lo. E até teriam conseguido não fosse o herói Leonel Brizola.

Herdeiro da política e do ideário getulistas Jango jamais flertará com o Comunismo, aqui representado por meia dúzia de gatos pingados, inda que sediciosos. Era Jango no máximo Social democrata ou adepto do bem estar social, noutras palavras, trabalhista, reformista ou algo assim. Otimista, imaginou ele que dava para avançar e saiu-se com a tal Reforma agrária, reforma implementada em quase todos os países civilizados - Na França por exemplo desde 1789, pela grande Revolução... Foi quando alguém berrou comunista e o povo ficou atemorizado, por lembrar-se das cagadas feitas por Lênin e Stalin... Foi como recorrer ao 'mito' de Sorel. O grito 'bolchevista' eletrizou gregos e troianos, numa nação em que os Católicos alienados nada sabiam sobre a doutrina social de sua própria igreja... Com um empurrãozinho dos EUA o pobre jango foi derrubado e substituído pelos militares, digo pelos novos militares, não pelos companheiros de Getúlio, os quais a exceção de Teixeira Lott estavam já quase todos mortos e enterrados.

Rachel de Queiroz (F S P 1999) anti getulista confessa, declarou: Agora nós eramos o poder ou a ditadura! Nós, os adversários de Getúlio e os novos militares.

Esclareço - Os militares do tempo de Getúlio i é seus companheiros, eram pelas tradições nacionais e cultura brasileira. Os novos militares, desde 1945 - i é da segunda grande guerra - morriam de amores pelos EUA e derretiam-se todos por aquela potência estrangeira e sua cultura. Era decididamente pró capitalistas e tecnicistas. Para eles os EUA representavam o progresso e o Brasil, o atraso... Era quase todos americanistas e nada tinham de nacionalistas, exceto por um culto de símbolos e aparências. Nossas tradições, costumes e cultura era para eles dignos de riso. E tínhamos de assimilar ou afetar os costumes Norte americanos caso quiséssemos avançar. O programa era transformar isto aqui em província cultural dos EUA ou num país vassalo (Colônia).

A bem da verdade tais ideias não eram novas ou recentes, remontando ao antigo regime. Já pelos idos do segundo império principiou Tobias Barreto a endeusar antes de tudo a cultura alemã e em seguida a cultura inglesa (Apesar do 'deus' Comte ser francês e admirador do Catolicismo!). Foi seguido por Sílvio Romero (E na Argentina houve um Domingo Faustino Sarmiento)... Os quais opinavam que a suprema desgraça de nossos países era terem sido colonizados por latinos, i é portugueses e espanhóis e não por alemães ou ingleses como os EUA, o país que dera certo... Graças as virtudes inglesas. Era o que diziam eles, proclamando a superioridade da cultura anglo saxã, em cuja base estava o protestantismo, 'cornucópia donde manavam todas as joias da civilização'...

Em última análise todas as nossas desgraças - Como a 'Idade das trevas' (Outro mito construído pelos protestantes!) - deviam-se a velha igreja romana i é da religião vigente nos países latinos como Portugal e Espanha... Todos os progressos vinham do protestantismo, como postulará apressadamente o Belga E Lavellaye e ainda era repetido pelo gramático e pastor Eduardo Carlos Pereira em "O problema religioso na América Latina" (1920), ensaio em que repetia as pérolas do Lavellaye e dos nossos germanófilos. Afinal se assim o era a solução era protestantizar a América Latina, o que alias era intensamente desejado pelos EUA. Quanto a E C Pereira foi completamente pulverizado pelo jesuíta Leonel Franco em sua obra "Igreja, Reforma e Civilização" umas das melhores obras religiosas já escritas no Brasil. Lamentavelmente o erudito jesuíta abordou prioritariamente o tema religioso ou espiritual, deixando de desenvolver mais o tema político e social.

Tal e qual no vizinho Chile, o protestantismo avançou bastante no Brasil durante o período militar, e Décio Monteiro de Lima nos explica porque. Claro que o Vaticano II tem grande parte de culpa... E todavia o discurso americanista dos novos militares não era nada inocente. Se assimilar a cultura N Americana significava progredir esta assimilação tinha de passar pela adesão ao protestantismo cujas seitas aqui introduzidas produziam grande clamor.

Seja como for durante este período não se precisava preocupar com votos, uma vez que a ditadura havia dado cabo da democracia. Por outro lado, nem mesmo a igreja romana seria capaz de produzir algo semelhante ao velho coronelismo, intimidando e manipulando as massas.

Os resultados da Ditadura são bastante conhecidos por todos: Investimento considerável numa alfabetização sumária ou elementar (De encontro ao protestantismo e o soletramento da bíblia), empobrecimento quanto a educação superior ou crítica, renúncia a justiça social e sistemática violação de direitos, com certo saldo de mortes e tortura; enfim a destruição do espírito ou da consciência democrática.

Mas havia algo ainda pior por vir! E no final dos anos 80 - A retomada de uma forma democrática sem espírito, consciência ou cultura, e com matizes de liberalismo econômico é claro. Nos anos 90 foi restaurada a estrutura democrática, e posta a serviço do economicismo neo liberal. Aquele tempo nem as pessoas sabiam votar nem havia qualquer cabresto... havia um despreparo geral, agravado ainda mais pelo voto dos analfabetos. Disto resultou tremendo Caos e o funesto período FHC... Uma vez expulsos os trabalhistas juntamente com os sectários comunistas, foi a retomada das formas democráticas intencionalmente posta nas mãos dos liberais e neo liberais, os quais assumiram o status de heróis, bem como suas agências partidárias como PMDB, PDS, PSDB...  FHC aspirava fazer nos anos 90 tudo quanto Boi Sonoro agora faz, i é as ditas reformas, mas foi sucessivamente barrado pelos getulistas e petistas. Hoje os getulistas estão mortos...

Até que chegou o Lula e com ele e o PT, o dilúvio... Uma vez que as tais reformas foram dadas por enterradas ou engavetadas. No mínimo o ritmo delas se tornaria bem mais lento. Diante disto o Mercado ficou enfurecido...

Os liberais precisavam retornar ao poder e impor seu programa aos brasileiros, prestando com isto imenso serviço ao mercado... Mas não podiam voltar ou consolidar-se sem as toneladas de votos fáceis ou empacotados, como no tempo dos coronéis. Tampouco podiam eles ressuscitar os coronéis ou contar com eles. O cabresto da chibata ou do revólver estava findo, definitivamente.

Haviam no entanto os pastores... Os quais também sonhavam com o poder político, uma vez que já tinham o poder de guiar as consciências e orientar votos. Bastava então saber usa-los, como material de troca. Os pastores criariam - como criaram de fato - um novo cabresto, espiritual, e forneceriam toneladas de votos aos políticos sem consciência, em troca estes lhes abririam as portas das Escolas públicas, de modo a controlarem a Educação, cooptando mais e mais consciências e controlando mais e mais eleitores...

Foi exatamente assim, com o apoio das mafias religiosas e dos fanáticos, que o PSC, PSL, PSDB, PMDB, DEM e outros partidos removeram o PT e chegaram ao poder, fazendo acordos, traindo o laicismo e oferecendo a educação pública de mãos beijadas aos pastores ou as pessoas por eles instrumentalizadas. O que é absolutamente necessário, se se quer que a dita máfia aumente e o esquema continue vigorando... Numa palavra cidadão brasileiro: Fomos todos vendidos aos pastores e fundamentalistas... Aos quais o Boi Sonoro distribui os cargos que pode, assim o Dória e outros governadores. Em posse do poder eles forçam a Constituição, interpretam, burlam e se esforçam por introduzir mais e mais grupos religiosos na Escola pública, com o objetivo de exercer um sutil proselitismo.

Na medida em que crescem e obtêm mais fieis as seitas convertem-nos em eleitores do Dória, do Boi sonoro ou do PSC, ou votam nos candidatos indicados ou irão para o inferno declaram os pastores. Votam nos candidatos de Jesus ou não obterão graça alguma. Com esse tido de cabresto, digo, de voto, que fica sendo da democracia??? Nada... Pois o pastor manipula o pobre do eleitor como o vidraceiro manipula a cera quente...

Neste momento as seitas protestantes são imensos celeiros de votos com que contam os liberais e neo liberais... E podem fazer cálculos e contar antecipadamente com eles, posto que não são menos controlados do que os votos de nossos ancestrais sob o jugo da primeira república. Apenas o cabresto de hoje é mais apertado porquanto interno, mental ou invisível; o que mantém as aparências, sem torna-lo menos eficaz. É cabresto porque há imposição por parte de um lider religioso.

Resta declarar que os fanáticos religiosos negociam apenas porque ainda não constituíam ampla maioria no exercício do poder. Fossem eles maioria e já teriam legislado em favor próprio, obtendo privilégios e vantagens. Daí a dissimulação e o ocultamento ou mesmo prudência com que dirigem-se as escolas públicas alegando oferecer projetos que não violam a laicidade - Ainda que hajam orações em sala, e orações tipicamente protestantes. Julgo que o STF ou qualquer órgão da justiça devesse estar investigando isto há muito tempo, pois não é novidade para quase ninguém. Caso as autoridades sejam coniventes ou se omitam que cada um faça sua parte e cada cidadão promova a resistência.

Caso você retruque e me diga que a Escola pública jamais foi laica - Nos anos 70/80 e 90 eu conheci uma escola pública 100% laica! - ou que a igreja romana sempre desejou exercer certa influência sobre ela, devo dizer, a guiza de resposta, que a Igreja romana, em que pese seus vícios e defeitos, jamais foi moralmente tão invasiva, pretensiosa e arrogante quanto o protestantismo bíblico vindo dos EUA, o qual tudo pretende dominar e pautar pelo antigo testamento com seus milhares de tabus e preconceitos. O sectarismo protestante me parece mais estreito e sufocante, digo-o como ex protestante. Por isso o crítico, não enquanto fé ou crença religiosa mas enquanto fonte de poder e dominação.

quarta-feira, 11 de março de 2020

A escola pública e o proselitismo 'oculto'

NÃO versa este artigo sobre as aulas de religião na Escola pública, as quais me oponho decididamente, seja qual for sua forma. E caso me fossem atribuídas tais aulas delas declinaria... Aqui dou razões aos anarquistas e comunistas (O que aliás raramente faço!) - Neste caso por que não aulas de economia ou de política? POR QUE priorizar a religião ou a fé se temos imenso déficit de conhecimento político básico, em termos de formas e estrutura, como sistemas, regimes, Constituição, etc???

Aulas de teoria Política e de Psicologia seriam bem mais úteis aos adolescentes, aos pequeninos elementos se Sociologia e Filosofia seriam infinitamente mais proveitosos. Com Fustel de Coulanges compreendo o poder e a força social das Religiões, mas como economia e política factual é coisa que já se aprende nas aulas de HISTÓRIA ou GEOGRAFIA HUMANA.

Não examinei teor da decisão do STF (Não repeito DOGMAS 'seculares' pois dogmas só  vão bem com a religiosidade ou a fé!) a qual como disse oponho-me com base nas alegações acima. Creio todavia que não deve autorizar ensino confessional nas escolas públicas, assim o proselitismo. Penso que a educação pública ainda não tenha sido assaltada pelos pastores protestantes...  Ao menos com o apoio do poder público ou do STF. Em que pese os esforços malignos deste governo norte americanizantes e vendido aos charlatães bíblicos.

O proselitismo oculto a que me refiro, enquanto elemento sutil porém perigoso, outra coisa é.

Por isto narrarei genericamente um fato do qual tomei parte, já há algum tempo, na Escola estadual Paulista de que faço parte, como professor concursado ou efetivo já há quase quinze anos.

A narração será genérica já por respeito as atuais diretora e coordenadora, as quais em parte deram-me razão e compreenderam meu ponto de vista, além de terem feito um legítimo contraponto e me convidado, elas mesmas, para que eu examinasse o dito projeto sendo posto em prática.

Por isso não posso denunciar qualquer coisa ou trazer tais fatos a público, o que de outro modo já teria feito. Porém, por questão de justiça, tenho de examinar os fatos mais de perto e assim as alegações da outra parte.

Servirá no entanto, quanto aos traços gerais, para suscitar uma reflexão e orientar todos os professores numa grave questão de cidadania, da qual depende a sobrevivência ou não da própria democracia.

Há tempos algumas alunas 'Caxias' - Cujas identidades preservarei até o fim e jamais divulgarei - vieram até mim e disseram estar incomodadas porque sendo de cultos africanos tinham, ao fim de certo projeto, ouvir umas preces em nome de Jesus (Devo dizer que sou Cristão e adoro Jesus.) e parece alguns versos bíblicos. Estavam elas, como é natural constrangidas e isto me alarmou.

Imaginei se eu ou filho meu lá estivessemos, numa classe pública lotada e alguém lá fosse falar sobre Maomé e depois convidar-nos a recitar a fatiha...

Passou algum tempo. Eis senão quando vou entrar em minha aula é imediatamente antes de mim entra este grupo de projeto que fora acusado... Pelo sim pelo não, tendo em vista certos precedentes relacionados com outra equipe gestora, solicitei a inspetora que os fizesse sair para que pudesse entrar e ministrar minha aula - Direito meu. Adicionando que em caso de necessidade faria um BO.

Até aqui tudo bem. Sucede que perto da inspetora se achava um aluno do tipo 'crente fanático' o qual dirigiu-me a palavra apenas pata declarar que os religiosos tinham pleno direito de orar e pregar nas escolas públicas caso os alunos quizessem. QUAIS ALUNOS? TODOS??? Mencionei as leis, a CONSTITUIÇÃO, etc com o objetivo de esclarecer o dito jovem sobre a coisa pública, o laicismo, etc Ele no entanto mostrou-se irredutível e inclusive ergueu a voz, como típico é dos sectários... Respondendo eu no mesmo tom. ATÉ QUE os voluntários religiosos deixaram minha sala e lá pude entrar..


E nem havia iniciado minha aula quando me vem a Sra coordenadora querendo falar comigo. De fato pouco receptivo fui e até aspero tendo em vista o histórico da Unidade e os fatos imediatamente ocorridos, alias supondo que ela, a coordenadora, tentaria enfiar o tal grupo em minha sala. Iniciou-se uma discussão que lá foi parar na sala da Direção.

A diretora, aliás educada e paciente, tentou entender e esclarecer a situação. Relatei a denúncia feita pelas alunas sobre orações confessionais, aliás protestantes e possível citações de sei lá que versos bíblicos e declarei irredutível que tal era violação de consciência e crime contra nossa lei maior, a Constituição.

A coordenadora, aliás espírita, disse que a dinâmica em si nada tinha de religiosa ou credal mas que no entanto após o término havia uma espécie não de 'oração', com esse nome, mas uma reflexão em que cada aluno se dirigiria ao Sagrado nos termos da sua própria religiosidade... A qual insistia ela tinha outro nome...

Repliquei declarando que o nome era indiferente se a prática era a mesma e havia uma oração confessional, mencionando bíblia, Jesus e com mínimo conteúdo protestante ou exemplo de formas tipicamente protestantes fornecido pelos organizadores.

Como de praxe declararam que na sala ninguém era obrigado a aderir a reflexão e que sendo ela livre não violava a consciência de quem quer que fosse.

Respondi que está atitude era discriminatória e que certamente constrangida os possíveis irreligiosos, ateus, etc Politeísta - pois certamente ali não se falava em deuses... muçulmanos, etc mesmo aqueles que se sentem incomodados pelos gritos e berros dos pentecostais...

Claro que chegando aqui - FUI irredutível por questão de justiça - foi me assegurada a liberdade de cátedra dada por lei e nem me preocupo com Conselho, Equipe gestora, etc caso destoem da Lei maior da Constituição, garantia da liberdade de Consciência e da igualdade entre todos os cidadãos.

Por fim indagaram a respeito de meu manifesto nervosismo. Foi quando me referi ao jovem fanático, a respeito do qual elas certamente já sabiam porque - Pasmem! - ele, muito provavelmente, já se antecipara a mim, indo a diretoria denunciar-me por defender o laicismo e a Constituição e os direitos da Consciência livre. AGORA PAREM E ANALISEM ESTA POSSIBILIDADE MONSTRUOSA... Aquele jovem certamente cria que aquele espaço público, mantido com nossos impostos, fosse propriedade, líquida e certa, da seita ou grupo a que pertence!!! ONDE CHEGAMOS...

Terminei minha entrevista com a equipe gestora declarando em alto e bom som que quando ingressei naquela unidade há doze anos, pouco mais pouco menos, a equipe gestora (DIRETOR E VICE) não apenas cediam o espaço escolar para diversas organizações religiosas protestantes - A ponto de converte-se numa seita de células aos sábados e Domingos - como promoviam shows gospeis, palestras confessionais e mesmo cultos em pleno periodo letivo e com ampla atividade proselitista, com grave dano a CONSTITUIÇÃO, digo a lei. ISTO ocorreu numa Escola pública do Estado de São Paulo a partir de 2007 e há sobejos testemunhos ja de alunos que se sentiram incomodados, ja de professores que la trabalharam, nessa Escola dirigida por um fanático truculento...

Ora, alguns colegas até gostavam de ceder suas aulas a esses doutrinadores religiosos. Nem todos e menos ainda eu. Porém por fragilidade, estando no probatório e temendo retaliações, não pude denunciar - Ademais temia pelos demais, fossem alunos ou funcionários e havia ali um espirito SECTÁRIO e inquisitorial, bastante conhecido por mim...

Dai minha prevenção contra este novo projeto, do qual se haviam queixado duas meninas.

Até aqui os fatos. SEGUEM AS REFLEXÕES -

Sendo a prece ato pessoal dos que creem não há como os indiferentes ou incrédulos não se sentirem constrangidos. Assim como cristão devo fazer justiça aos ateus e incrédulos e reconhecer-lhes o direito de não querer participar de preces ou sequer presencia-las em espaço público. Posto que tal viola o santuário divino da Consciência.

Um ateu ou incrédulo tem pleno direito de sentir-se incomodado por uma prática cujo sentido desconhece ou ignora.

Mas há ainda os religiosos que não desejam fazer preces inter confessionais - Testemunhas de Jeová, 'Católicos' tradicionais, Adventistas, Mórmons, muçulmanos, hindus, etc decididamente tais grupos não desejam rezar na companhia de pentecostais fanáticos ou a moda deles porquanto as concepções de prece são diferentes.

Consideremos ainda que em tais classes ou salas os pentecostais costumam a sentir-se mais a vontade para rezar em público, como se estivessem em suas seitas e podem se por a berrar e gritar em alta voz como já presenciei. Para outros a prece é mais sóbria, interior, recatada... E as vozes e pensamentos deles ficam abafados pela gritaria pentecostal... QUE FAZEM DAS PRECES UM MEIO DE PROSELITISMO, por berra-las.

Ademais eles bem podem ser instrumentalizados pelos pastores neste sentido (Ex protestante fui criado nesse meio inescrupuloso.), a ponto de nessas preces ingênuas ou comuns produzirem um clone tipicamente pentecostal ou sectário.
Manipulam assim uma 'reflexão' a princípio voltada apenas para o Sagrado e inter confessional. Colocam isso no papel mas na prática podem distorcer, e exercer um proselitismo oculto ou sutil.

Daí surge fatalmente a revolta, por parte dos não crentes, conflitos, problemas, discriminações e preconceitos como já testemunhei. O que é deseducativo e choca-se com a harmonia que deve reinar no ambiente escolar. Para além disto disseminam ideias anti científicas e anti filosóficas como criacionismo, terraplanismo, etc Além de conteúdos moralistas e puritanos ou mesmo teocráticos e anti democráticos; o que dificulta imenso o trabalho escolar.

Por isso sou decididamente contra as preces em ambiente escolar, mormente quando promovidas por algum grupo religiosos, e, particularmente contra preces feitas e classe ou salas de aula.

Seria menos agressivo ou invasivo caso algum membro da equipe gestora apenas convidasse, a hora da entrada, quem quisesse - Sem convocação ou fila - para parar e recitar o Pai Nosso ou fazer uma prece silenciosa no pátio, enquanto os demais iam diretamente para suas salas... Aqui se poderia apelar a cultura ou ao costume e não haveria constrangimento. Mas poderia abrir precedente para justificar outras coisas, como a oração em sala...

Nós no entanto preferimos que a letra da Constituição ou da Lei seja observada, e que evento religioso ou prece alguma seja realizada em espaços institucionais, especialmente quando existem elementos proselitistas. Assim dentro da convivência vai bem o respeito.

Concluo dizendo que vivemos um momento arriscado ou delicado em que os pastores e suas ovelhas apoiaram este governo com o objetivo de obter vantagens e benefícios, como poder político ou a possibilidade de invadir e tomar nossas escolas públicas, consolidado seu poderio. Eles parecem querer usar a educação pública com o objetivo de converter nossos jovens e crianças e estabelecer uma teocracia moralista.

Há cento e trinta anos tiramos a educação das garras da Igreja Romana para torná-la laica e democrática ou para coloca-la nas unhas desses pastores enviados pelos EUA??? Caso nossos ancestrais tenham lutado para que a educação fosse, ao fim do processo, entregue a uma agremiação ainda mais insidiosa e mesquinha do que a Igreja Romana foram perfeitos idiotas, pois ao menos a Igreja Romana, com seus Pai Nossos e Ave Marias, fazia parte de nossa cultura... Que se deixasse tudo como estava. O que nossos ancestrais conquistaram em 1891 - A Escola laica, fundamento do Estado democrática - religosamente mantenhamos.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O S T F e a questão do Ensino religioso nas escolas públicas.

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Manifesto é que não cabe a um Estado Laico, ministrar aulas de religião em suas instituições públicas de Ensino e nossos ancestrais estavam perfeitamente cônscios disto. O estado democrático é laico ou neutro por definição face tanto ao problema metafísico quanto ao problema religioso.

Quanto ao problema metafísico, como Aristotélico/Socrático tenho sérias dúvidas e isto pelo simples fato de aceitar com absoluta naturalidade a capacidade do aparato racional.

Sei perfeitamente que esta aceitação acarretaria objeções quanto a isenção do Estado democrático em matéria de crenças religiosas.

O fato é que nestes tempos o padrão da racionalidade já não é admitido pela totalidade dos cidadãos e já não se faz presente em todas as esferas do poder político ou da administração pública. Há cidadãos relativistas, subjetivistas, positivistas, cientificistas, etc

E nem podemos criar um Congresso filosófico ou concílio ecumênico com o objetivo de resolver a situação. A menos que se chegue a uma acordo por via da persuasão, prevalecerá a divisão. O Estado político no entanto não pode esperar por este hipotético acordo em matéria de conhecimento ou de epistemologia, logo, tem de considerar a divisão como fato consumando e na prática estabelecer uma governação que agrade a todos. Ora o único meio de agradar a todos, face a uma situação de dissidência insolúvel é a adoção do princípio da neutralidade.

Adota-se portanto, segundo a fórmula de Locke, uma solução de neutralidade ou isenção tanto no plano da metafísica quanto no plano da fé religiosa. No sentido de custo benefício, como veremos é a solução, de longe, mais vantajosa para todos.

Quanto a metafísica é este Estado agnóstico, e portanto, de modo algum ateu, como costumam alegar os religiosos desonestos e ressentidos.

Agnóstico porque reconhece a si mesmo como incapaz de julgar a questão da existência ou não de Deus. Recusando-se tanto a afirma-la - na perspectiva do teísmo - quanto a nega-la.

Tal Estado não resolve a questão pela negativa. Abdica no sentido de resolve-la, alegando que não faz parte de sua esfera, a esfera das coisas comuns.

Tampouco temos aqui um estado anti religioso no sentido em que negue a existência do fenômeno religioso o lhe dê combate.

É irreligioso no sentido de que não se julga apto para interferir a favor de determinada religião - e em detrimento de todas as outras - ou para julgar a questão religiosa, atribuindo-a ao juízo privado de cada cidadão.

Sendo assim não é religioso nem anti religioso, mas neutro ou isento.

Já o Estado confessional é aquele que revindica para si o direito de julgar a controvérsia religiosa, posicionando-se unilateralmente em favor de determinada fé, e não poucas vezes proscrevendo ou proibindo o exercício das demais.

A questão aqui, em termos práticos é decidir a respeito de qual deles será mais estável na mesma medida em que resguarda os direitos essenciais da pessoa humana.

Aparentemente o estado confessional uniforme apresenta uma maior estabilidade em todos os sentidos. Pois na medida em que se elimina a crítica religiosa, tende-se a eliminar toda crítica e a dominar o indivíduo por completo. Onde prolifera a fé religiosa, controla-la ainda é a melhor maneira de controlar o próprio homem.

Mesmo porque poucos sentimentos são tão arraigados no homem quanto o sentimento religioso.

De modo que este controle, da fé religiosa, só se pode dar e efetivar de maneira dramática i é sob a forma do terror. Aqui a inquisição, ali a Murtad ou a Djzia.

Um Estado ou uma Sociedade hábil no sentido de estabelecer a unidade religiosa será certamente uma sociedade repressora, desumana e sangrenta.

Aqui o preço a ser pago pela estabilidade social é demasiado caro.

O sistema laicista nem sempre funciona perfeitamente pelo simples fato de em determinadas situações, certas religiões de caráter teocrático, fundamentalista ou fanático, aspirarem pelo controle do Estado ou chegar as vias de fato com elementos de outras fés.

Aqui o risco do conflito e da violência é sempre real, pois a convivência pacífica entre pessoas que pensam ou creem diferentemente ainda não é sinceramente aceita por todos.

Cabe a este tipo de estado gerenciar tais conflitos por meio da lei ou reprimi-los da maneira mais dura. Criando um espírito ou produzindo - aos poucos - uma cultura de liberdade e respeito mútuo.

Já foi dito e com razão que a lei é incapaz de alterar drasticamente esta ou aquela dinâmica social ou de opor-se a cultura tradicional e arraigada.

Sem sombra de dúvida o Estado laico ou a lei, não produz de imediato uma sociedade laicista ou uma cultura em torno do laicismo consciente.

É todo um aparato legal que se sobrepõem a uma cultura muitas vezes infensa.

O que se espera é que o ato de acionar-se repetidamente a lei e sua aplicação rigorosa acabe por reprimir a cultura confessional ou sectária e a produzir, a longo prazo, uma padrão diferente de cultura.

A própria tendência a longo prazo é esta, chegando as próprias instituições religiosa predominantes a conformar-se com a lei e em seguida a abraçar o novo padrão de cultura.

Estabilizando-se a situação e sucedendo-se a paz. A menos que outra ideologia sectarista se apresente e aspire pela dominação.

As vezes a afirmação da cultura laicista supõem um trabalho de esclarecimento e uma luta intelectual de longo prazo ou uma guerra continua.

Pelo que se vê não temos um sistema perfeito, assim como algo dado, pronto e acabado.

Por outro lado, no contexto de um Estado fraco, a promoção de uma determinada fé em detrimento das demais, tende a ser até mais danoso do que sua promoção por um estado forte a autoritário. Na medida em que as principais religiões podem assumir o controle e a situação desandar numa guerra religiosa. Desde muito tempo as guerras religiosas tem sido incomuns no contexto Ocidental. A última no entanto, a Guerra dos Trinta anos, é considerada por alguns como equivalendo a primeira grande guerra mundial e tudo quando podemos dizer é que foi verdadeiramente pavorosa.

Novas guerras religiosas, no estilo da guerra dos trinta anos, poderiam superar em carnificina, qualquer tipo de repressão institucionalizada num determinado Estado confessional.

Por isso a principal obrigação de uma democracia laica ou laicista é jamais interferir diretamente na dinâmica religiosa, jamais arbitrar, jamais julgar, jamais favorecer a qualquer um dos credos ou religiões existentes e não apenas manter mas promover por todos os meios possíveis uma situação institucional de absoluta igualdade. É dever do Estado laico abster-se no sentido de envolver-se em qualquer controvérsia religiosa e de manter sua estrutura impermeável a qualquer tipo de controle credal. Uma vez que assumiu uma orientação laicista e promoveu relativa igualdade entre os partidos religiosos deverá permanecer neutro ou isento, custe o que custar.

O que não se pode é brincar com o laicismo ou como se diz afetar laicismo. É como brincar com fogo. Elaborar um discurso em torno da laicidade para em seguida favorecer determinada fé, pode ser o caminho para sérios distúrbios sociais, mesmo entre um povo pacífico e pacato.

Eis porque temos de questionar, e muito seriamente, a viabilidade de que o Ensino religioso venha a ser ministrado pelos estabelecimentos públicos de ensino, especialmente numa perspectiva credal ou dirigida.

Concedamos que a simples ideia de que o Estado laico autorize a inserção de um conteúdo religioso genérico no currículo já é, em si mesma, problemática.

Que dizer então - Como tem sido dito no próprio STF!!! - a respeito de um Ensino religioso dirigido ou credal? Em que pesem todos os sofismas editados a guiza de democracia, cultura, etc

Antes de tudo devemos considerar que a arbitragem em termos de matéria religiosa não cabe nem ao estado, nem ao fórum, nem a escola, ou a qualquer setor público, político ou administrativo mas a consciência de cada individuo. É assunto que pertence a esfera privada da existência.

E não lhe cabe julga-lo ou arbitra-lo nem mesmo numa perspectiva democrática.

Não é questão de democracia mas de princípios, de valores e de educação, e como tal adstrito apenas ao tribunal da consciência. Transferi-lo a esfera pública das coisas comuns é profanar a consciência e cimentar a opressão.

Autorizar o monopólio de uma determinada fé ou religiosidade num contesto igualitário é sabotar esta igualdade e portanto outorgar a uma instância pública qualquer, seja ela o bairro, a escola, a 'província', a nação, o direito de julgar uma questão que como vimos pertence exclusivamente ao cidadão e isto equivale a uma usurpação, na medida em que todos os cidadãos são contribuintes e pagam impostos, merecendo a proteção do Estado ma mesma medida.

Religião alguma pode ser beneficia pelo Estado em detrimento das demais sem que lhe seja conferido um status, inadmissível de superioridade, incompatível com o caráter neutro ou isento do estado laico.

Dar as outras religiões por inferiores e alija-las quando ao uso deste espaço que é público implica ultrajar seus profitentes para os quais são tão sagradas como qualquer outra. Isto fere os princípios sagrados da justiça.

Permitir que uma religião determinada tome posse do espaço que é público com o sentido de 'canonizar' o seu discurso, implica autoriza-la a fazer proselitismo tirando vantagem da coisa pública, a qual é mantida com os recursos tomados a cidadãos pertencentes as mais diversas confissões religiosas os quais certamente se sentirão menosprezados e ultrajados. É estabelecer regime de exceção ou privilégio incompatível com o caráter isonômico das instituições democráticas.

Não é de modo algum promover a igualdade ou a tolerância como supõem algum invertendo a lógica das coisas até o ridículo mas sancionar a desigualdade e alimentar a intolerância, vício cujos perniciosos efeitos detectamos já em nosso redor, corroendo as bases do estado democrático de direito e da civilização. Não se estimula a compreensão mútua, o respeito e o mútuo entendimento concedendo privilégios imorais, mas promovendo a igualdade.

A tolerância é valorizada ou estimulada quando os valores que pertencem a esfera privada da consciência lhe são atribuídos e quanto o Estado ou o grupo social abstém-se de intrometer-se neles, introduzindo 'favores' que acarretam a desigualdade. Qualquer tratamento desigual deste favor coloca em perigo o equilíbrio social tendendo a ser tão perigoso quanto a uma bomba.

A simples ideia de que todas as ideias devam ser examinadas e discutidas na Escola sob a égide das instituições democráticas implica uma abordagem ampla, profunda, genérica e igual e não uma abordagem fechada, dirigida, credal ou confessional. O ideal seria o aluno poder comparar suas crenças com as demais de modo a tomar consciência da diversidade religiosa e assumir uma perspectiva de tolerância civil no plano da convivência. Nem se trata aqui de imaginar que todas as doutrinas religiosas ou fés sejam boas na mesma medida, como pretendem os relativistas, mas apenas e tão somente de conviver em paz a harmônia com os profitentes das mais diversas fés, partindo do suposto que sejam livres e que lhes assista o direito de optar neste sentido.

Por outro lado a apresentação unilateral de uma única fé na escola pública bem poderia suscitar no aluno a ideia de que sua fé é superior, no plano civil inclusive... com todas as funestas consequências embutidas neste padrão de pensamento.

Conceder o privilégio ou monopólio espiritual a esta ou aquela doutrina nas escolas públicas não tendem a converte-las como deveria ser feito, numa instituição harmoniosa e pacífica, regida pelo princípio do respeito mútuo, mas num campo de guerra inundado pelo rancor. Em pouco tempo os próprios alunos, a exemplo do 'doutrinador' - e isto já está acontecendo em algumas escolas públicas neste momento!!! - vão assumir eles mesmos (mormente durante os intervalos) o encargo proselitista, distribuindo livros, revistas e panfletos de teor religioso, pregando em alta voz, cantando ou mesmo exorcizando e hostilizando os dissidentes e opositores. Que os alunos afetem a profetas, pastores ou doutrinadores no cenário de uma escola pública é absolutamente monstruoso. Que convertam o recreio ou o intervalo em palco de batalhas religiosas que degeneram em agressões e violência é o cúmulo da aberração. E no entanto tal já pode ser constatado em nossas escolas públicas 'de visu' e é epifenômeno ou consequência dessas aulas religiosas confessionalistas ou melhor proselitistas autorizadas pela lei.

Que um professor público penetre o recinto da escola portando uma Bíblia, um Corão ou uma Tripitaca, etc e visando impor seus pontos de vista a qualquer minoria que deles não comungue ou mesmo a qualquer cidadão livre, é da-lo por inferior no plano civil, injustiça-lo e oprimi-lo. Pois ele tem o direito de não querer ouvir semelhante discurso doutrinador, sem que deva ser obrigado a abandonar a sala de aula ou dela sair. Afinal o espaço escolar é tão seu quanto de todos os demais.

Totalmente outra seria a situação, caso girasse em torno de princípios de natureza científica, cuja constatação parte da percepção ou da experiência, que são elementos comuns a todos os homens. A fé no entanto por não ser imediatamente perceptível como os fatos de natureza científica e suscitar controvérsias pertence a outra categoria de elementos, os quais pertencem como já dissemos a esfera privada da consciência. Quem age independentemente quando a fé, julga-se livre. Já aquele que pretenda questionar seriamente a fidelidade dos próprios sentidos ou da razão bem faria em procurar um analista.

Nem poderia a laicidade, como querem alguns epistemólogos, deixar de ser laicista; como não pode o socialismo deixar de ser socialista, o positivismo deixar de ser positivista, o federalismo deixar de ser federalista, etc

Laicidade supõem laicismo, que é a separação entre a esfera público/policita e a esfera privada da crença religiosa, passando todas as crenças a serem encaradas como iguais e assim tratadas em vista do direito, de modo a garantir a plena satisfação de todos os profitentes religiosos enquanto cidadãos e membros da república, evitando situações de rivalidade, abuso e conflito. Como já fizemos observar implica esta posição por parte do Estado em negar-se a penetrar o cipoal da esfera religiosa disposto a julgar o conteúdo dos livros ou a oficializar alguma interpretação (e são milhões). Quem não percebe que esta posição é de longe a mais prudente quando há sérios mecanismos de controle destinados a punir os fanáticos e sectários mais exaltados caso pretendam 'assaltar' o estado e estabelecer uma ordem teocrática?

Claro que este tipo de estado deve levar bastante a sério seu próprio caráter estando sempre pronto para refrear todos os abusos e punir com máximo rigor quaisquer crimes que envolvam a prática da religião ou que sejam por ela inspirados. Brincar de laicismo ou fazer jogo duplo seria a pior das opções e por isso precisamos sim assumir radicalmente nossa laicidade na perspectiva de um laicismo consciente e pugnar por uma igualdade absoluta das diversas fés face a estrutura política seja militar, educativa, hospitalar, etc

Não é possível que em pleno ano de 2017, i é quase cento e trinta anos após a proclamação da república e a desvinculação do estado quanto a igreja antiga - a qual por sinal decorreu em termos pacíficos - seja ele cooptado por formas religiosas ainda mais controladoras e virulentas em nome de interesses econômicos. Não é possível que toda uma sociedade venha a assistir pacificamente o desmantelamento de um Estado laico, o que implica a negação da dignidade da maior parte dos cidadãos, que são dissidentes religiosos face a certas minorias ambiciosas. Como aceitar ser cidadão de segunda classe em termos de fé e crença, no setor da consciência, quando já se o é no setor da da economia por obra da miséria???

Permitir que as escolas se convertam em sucursais de seitas religiosas e as salas de aula em púlpitos só virá a aumentar ainda mais o estado de confusão em que se encontra nossa sociedade potenciando outros tantos conflitos que deveríamos apaziguar e conduzindo este pais a anomia, ao caos, a dissolução. A escola, enquanto instituição educativa e formativa, deve ser mantida a qualquer preço, incontaminada face as pretensões do sectarismo religioso ou as injunções do fanatismo sob pena de sabotarmos ainda mais o fundamento pétreo da democracia que é a laicidade. A consciência formada a aqui deverá ser o quanto possível aberta, crítica, reflexiva e tolerante; jamais fechada numa mórbida complacência de si mesma, arrogante e agressiva. Só podemos estimular a boa convivência e o respeito fomentando a igualdade e fomentar a igualdade a partir de uma abordagem igualitária. Sancionar uma abordagem discriminatória e preconceituosa na escola pública, uma alimente a ideia de superioridade religiosa é e será sempre uma atitude leviada e irresponsável por parte do poder público além de ser essencialmente iníqua e sempre questionável é claro.

Dirigimos todas estas reflexões ao STF Brasileiro, fundamentados em nossa experiência professoral como educador público e como pesquisador social. Solicitando que os ilmos srs ministros pesem todas as evidências e abracem a solução mais prudente e ponderada face a tão grave problema, pelo simples fato de tocar a própria liberdade religiosa.



DIA 20 DE SETEMBRO, daqui a uma semana, o STF - FINALMENTE - julgará a questão sobre o ensino confessional de determinada religião na Escola Pública. Cumpre a todo cidadão acompanhar, pressionar e ficar atento pois trata-se de uma questão essencial no plano da cidadania e da cultura.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A escola como refém




Muitos "educadores" e dentre eles gestores e coordenadores adoram citar frases de Paulo Freire e dizem ter um pensamento progressista, mas a prática desmente a teoria. A quase unanimidade dos gestores e coordenadores de escolas públicas são extremamente autoritários e arrogantes. Mas esses não são os únicos problemas das escolas, não! A escola pública que deveria ser laica se dobra quase sempre às vontades de pais de alunos, e isso porque a escola é um curral eleitoral e a educação pública no Brasil não passa de uma farsa.

Os professores de história por exemplo, não podem falar da cultura africana, sem que ouçam gritos de: "Isso é do diabo!", Isso não é deus!" e outras esquisitices do gênero, e além disso receber denúncias dos pais por ensinarem coisas que vão contra a bíblia; Professores de biologia tem medo de abordar a Teoria da Evolução por causa de alunos fanáticos de seitas obscuras, pois esses alunos saem do debate para os ataques pessoais, e afirmam que a teoria da Evolução é uma mera teoria como diz o próprio nome, e, infelizmente a maioria dos professores de biologia por medo e/ou despreparo acabam concordando que a teoria da evolução é apenas uma mera teoria. Esses professores não deveriam se calar, deveriam explicar o que é uma teoria, pois isso seria uma defesa contra as intromissões das religiões numa área que não lhes compete; O mesmo acontece com professores de geografia quando tem que ministrar aulas de geografia física, soube de uma professora que se acovardou diante de um aluno de um 6º ano, essa professora disse que o aluno não acreditava no Big-Bang e ela respondeu que existem duas teorias, a da bíblia e o da ciência, e o aluno poderia escolher a que quisesse, mas mesmo assim ela tinha que falar da visão científica, como se falar de ciência fosse questão de opinião ou de gosto, não sabe a professora que está contribuindo para formar uma sociedade cada vez mais teocrática e intolerante e que o dever de todo o bom professor é erradicar erros e superstições?

Ainda há casos em que diretores recomendam a seus professores que evitem falar da cultura africana, de folclores, do Saci-pererê e de tudo aquilo que o folclore possa vir a suscitar a ira da santa inquisição protestante neo-pentecostal. Por aí se vê que a escola pública não tem o compromisso com a verdade, com o pensamento crítico e muito menos com a liberdade, mas a escola pública é um jogo de interesses onde tudo o que importa é agradar a clientela, se manter no poder, tudo importa, exceto a educação. 

Não me admira que o Brasil venha caindo na educação pois os alunos sabem cada vez menos, estão num processo cada vez pior de estupidificação, onde eles tem a liberdade para fazer tudo menos estudar. As escolas públicas se tornaram depósitos de pessoas e os professores se tornaram babás, onde são cobrados o tempo todo, trabalhando sob pressão, ouvindo sermões dentro e fora dos HTPCs. E, se um professor ministrar uma aula diferenciada, ele é denunciado, humilhado e punido como se tivesse cometido o mais hediondo de todos os crimes. Pois é, soube de um professor que numa certa escola quis fazer algo diferente, foi punido, mas qual foi seu crime? Ele agrediu fisicamente algum aluno? Xingou algum aluno? Fez gestos obscenos? Molestou sexualmente algum aluno? Menosprezou algum aluno? Fez algum comentário preconceituoso ou racista? Não, nada disso. Ele fez algo pior! Somai todas essas coisas e multiplicai por mil e tereis a resposta. O professor em questão - que não era autoritário e que acreditava na educação pública - subiu na carteira para chamar a atenção dos alunos e começou a lecionar, os alunos tiraram fotos e fizeram vídeos do tal professor e alguns contaram horrorizados para os pais que o professor "criminoso" fez. Um pai muito conscencioso fez uma denuncia para a autoridade competente da escola e esta o chamou para passar um sermão e ensinar como se deve dar aulas e como se deve agradar aos pais de alunos e, por último o professor teve que assinar um livro de advertência ficando ciente de sua horrenda quebra de conduta. O professor ciente de suas maldades  e muito arrependido fez o mea-culpa e disse que resolveria o problema declinando dessas aulas, e deixando a escola, os pais e os alunos livres de um indivíduo tão "nocivo" para a sociedade e todos ficaram felizes para sempre, porque o professor em questão domina as competências e habilidades e não é bom que um professor desses esteja numa escola  né?