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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Resistência cultural, qual a melhor opção (Como escapar ao protestantismo e ao islã - Ao Brasil e a Europa.) II - ContinuaçãoGuardar

Seja-me permitido dizer com absoluta fraqueza. E por sinal como Historiador que folga estudar antiguidades clássicas e orientais a cabo de três décadas - Face aos assédios protestante e islâmico ideologia naturalista alguma nos poderá valer ou salvar.

Pois nem mesmo as Ideologias mais fortes e belas da antiguidade puderam salva-la da dissolução.

Refiro-me a obra daquele que Rousseau, contrapondo a Jesus Cristo, apontou como o maior ser humano de todos os tempos: Sócrates. Bem como a obra daquele outro grego que segundo afirmam os sábios era capaz de pensar por no mínimo cem homens: Aristóteles.

Em vão procuraríamos por melhores doutrinas ou por ensinamentos mais excelentes. E no entanto... Foram, um e outro, socratismo e aristotelismo, incapazes de salvar três ou quatro milênios de civilização.

Foi o aristotelismo, após uma magnífica floração e contra todas as expectativas, suplantado pelo platonismo, o qual acabou por ceder passo ao neo platonismo e enfim a teurgia ou feitiçaria... De fato foi aquele sóbrio realismo aristotélico engolido pelas toscas conjecturas de Platão e estas consumidas pelo irracionalismo e pelo ceticismo até chegarmos a Jâmblico e a magia, encantamentos e coisas do tipo. De modo que quando o herético Justiniano determinou o fechamento da quase milenar academia não passava ela duma tenda espírita...

Já a figura de Sócrates não tardou, nos primeiros séculos desta nossa Era a ser substituída pelas patéticas figuras de Apolônio de Tiana e Alexandre de Abonútica, o segundo ao menos - Segundo Luciano de Samosata - um mistagogo charlatão.

Enfim nem mesmo os ensinamentos humanos mais puros e elevados foram capaz de manter aquela ordem de coisas e de regenerar aquela cultura pluri milenar. De modo que tudo veio fragosamente abaixo e sucumbiu.

Porém não sucumbiu por inteiro.

Pois ao tempo de Octaviano César, o 'Augusto', apareceu neste nosso báratro sublunar um homem virtuoso e exemplar, o qual não hesitou apresentar-se como o Ente Supremo, Legislador, organizador e mantenedor dos Universos. 

Viveu de modo digno e irrepreensível no meio da gente mortal e emulando com o ateniense, com Buda e Confúcio, enunciou o padrão de Ética mais elevado que até hoje possuímos, fundamentado na empatia, alteridade ou solidariedade. tolerância a respeito dos que creem de modo


Por meio da palavra e do exemplo sancionou a diverso (Ao recusar fulminar com raios a aldeia dos samaritanos.), um amor heroico que se estende até os contrários, um ideal crítico de paz, um escrupuloso zelo pela justiça, o culto piedoso da verdade, a disponibilidade ao perdão irrestrito, a lei divina da liberdade, a fraternidade universal, etc

Tão elevada a puridade de seus ensinamentos que não poucos objetores decidiram, arbitrariamente, lança-lo no mundo dos mitos, bani-lo da História e negar sua existência real (Dupuis, Strauss, E Bossi, Bernacchi, Antonio Miranda...) Enquanto outros, agindo como doidos (O dr Binet Sanglé) chegaram a questionar sua sanidade mental, pelo simples fato de se ter apresentado como Deus Nosso Senhor, mantenedor do Universo. Pois de fato esse grande homem foi, ainda é e sempre será uma pedra de escândalo, especialmente para seus falsos seguidores, adversários do Evangelho redentor.

Mesmo para o islã é ele uma pedra porquanto o livro deles o reconhece como 'Palavra de Deus', nascido miraculosamente de Virgem, enquanto que Maomé, nasceu de modo humano e natural de Abdullah e Aminah. 

Ademais enquanto este Jesus foi fiel aquela Lei que declara: Não assassinarás, Maomé tornou-se conhecido por ter mandado amarrar Umm Quirfa de Banu Faraza (A qual era uma mulher idosa!) a dois camelos e partida viva em dois pedaços, após o que foi esquartejada, decapitada e sua cabeça oferecida como 'mimo' ao 'santo' homem, o qual teria declarado na ocasião: "Um povo liderado por uma mulher jamais obterá sucesso.". Por mais caras de pau que tenham os maometanos não podem negar tais fatos, uma vez que constam na "Sirat rasul Allah" de Ibn Isahq (Sessão 980) e no Hadith de At Tabari (VIII,96).

E no entanto os ideólogos que costumam colocar em dúvida a existência de Jesus, Buda ou Sócrates (kkkk) nem de longe questionam a existência do líder desses bandoleiros saídos dos desertos com suas cimitarras...

Para a crítica imparcial dos ateístas, apenas aquele que decretou explicitamente a destruição dos ateus, materialistas e irreligiosos e que condenou a liberdade, tanto política quanto religiosa, tem direito a existência. 

Agora, tornando a Jesus, sejamos francos - sua existência, similar a de Çakia Muni, Confúcio ou Sócrates e digna de grandes civilizações, como a Índia, a China ou a Grécia, não faz sentido algum nos confins da Palestina ou nos desertos da Judéia. A de Maomé ou a de 'Moisés' ali se enquadram perfeitamente... A de Jesus melhor estaria em Mileto, Atenas, Antioquia e sobretudo Alexandria. Pois supõem a convergência de tradições culturais que só poderiam ser encontradas juntas naquela soberba Biblioteca, o centro do saber antigo. E no entanto, tais doutrinas e ensinamentos (Que lhes são atribuídos pelo Evangelho ou pela Igreja antiga.), a serem humanamente extraídos, suporiam décadas de pesquisa, e demandariam a atividade frenética de um Eratóstenes ou de um Calímaco e não de um bando de pescadores semi analfabetos de Cafarnaum... cf "Jesus, o mestre de Nazaré" Aleksandr Mien

E que resulta disto...

Resulta disto que o Cristianismo - Opondo-se tanto a guerra injusta quanto ao escravismo. - faz deitar o machado a raiz da árvore podre, como assevera E Gibbon no "Declínio e queda do império romano"

E no entanto, ao contrário do islã iconoclástico cf Robert Reilly "O fechamento da mente muçulmana" - o estro do Catolicismo Ortodoxo, ao mesmo tempo que conduz aquele mundo a seu fim, dissolve-o e destrói-o, igualmente preserva o que nele havia de mais precioso, para recompor e, sobre outras bases (Éticas), criar uma nova civilização. Cf Th Cahill "Como os irlandeses salvaram a civilização" (1995) 

De fato, o Catolicismo Ortodoxo (Em seguida, no ocidente, a igreja apostólica romana.) tudo recompõem, em torno dos mistérios de Jesus Cristo:


 A Ética: Politicamente liberal, religiosamente tolerante, anti escravista ou abolicionista, justicionista face ao poder do dinheiro ou ainda trabalhista, feminista ou a favor da igualdade de gênero, pacifista crítica ou não agressiva, ecologista, disponível, sensível, fraternal, solidária e assim voltada para as condições específicas da criança, do deficiente, do idoso, etc buscando suavizar as dores do mundo e converte-lo num lugar mais digno e melhor. 

A estética: Estimulando os ofícios da música, da arquitetura, da pintura, da escultura, do drama, da poesia, etc representados por Palestrina, Bach, Bruckner, Gnoud, J B Neumann, P A Vignon, J F Millet, F V E Delacroix, Gericault, B Thorvaldsen, J R de Hita, Gil Vicente, Petrarca,
 Shakespeare, Corneille, Racine, Dante, Camões, Cervantes, La Fontaine, T de Tasso, L Ariosto. cf Chateaubriand "O gênio do Cristianismo" 

E sobretudo na área do conhecimento, sustentando até o Vaticano II, o legado de Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Antíoco de Ascalon e outros sobre a demonstração da verdade e seu critério. E sem embargo produzindo novas e dignas contribuições, com R Descartes ou Rosmini, dentre outros. Cf Fulton J Shenn "Filosofia da religião"

E ainda na área do que chamamos ciência - Sobre a qual escreveremos um artigo a parte.

Ora, tudo isto foi feito e pronto já estava, graças a ação profícua do Catolicismo Ortodoxo ou da igreja romana, antes que o protestantismo aparecesse no horizonte, como verdadeira Revolução, destinada a interromper bruscamente o rumo das coisas e imprimir-lhes uma outra direção: Cética, naturalista, materialista, economicista, relativista, ateística, modernista, nacionalista, etc numa só palavra: Perversa... e precipitar a infeliz Europa nos braços do islã.

O que o Cristianismo, com tanto esforço e trabalho fez, a rebelião protestante desfez... lançando os fundamentos de um mundo caótico e incapaz de manter-se face a barbárie muçulmana. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Conservadorismo
  • Anarquismo
  • Positivismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Ensino - Entre criticismo e essencialismo\Ojetivismo



Num mundo cada vez mais complexo é cada vez mais difícil instruir as gerações futuras.

No passado, cerca de cinco, dez, vinte ou vinte e cinco séculos, educar era antes de tudo comunicar o que parecia ser a essência das coisas ou mostrar como as coisas eram em si mesmas.

No entanto, há cerca de cinco séculos, passou o Ser, a ser cada vez mais utilizado com uma finalidade lucrativa e desde então quase todas as coisas se converteram como que em meios para se obter dinheiro. Desde então as pessoas tem se interessado mais pelo uso que se faz das coisas do que pelas próprias coisas, até o ponto de certas opiniões - Ora predominantes. - certificarem que não podemos conhecer as coisas como tais e que isso é ociosidade inútil. Sempre podemos usa-las (rsrsrsrs), sai de cena a Ontologia ou a Metafísica, e entra em cena, com grande gala a Dona Economia... Senhora de nossos tristes tempos economicistas (Foi o Católico T S Elliot e não os comunas que os declararam tristes e eu concordo plenamente com ele.). 


Ao mesmo tempo em que as coisas principiaram a ser cada vez mais usadas com finalidades econômicas, também foram - As coisas. - usadas para ocultar, disfarçar ou obscurecer a realidade vivida por aqueles que ao invés de lucrar ou auferir benefícios por parte do sistema vigente, apenas trabalhavam e continuavam penando ou acumulando miséria. Na medida em que parte das coisas ou dos seres passaram a ser usados, por quem aspirava permanecer no comando, com o objetivo de alienar os mais humildes da realidade por eles vivida ou melhor dizendo de suas causas mais íntimas e remotas, foram surgindo oponentes cujo ofício passou a ser revelar ou tornar pública a grande burla que é a Sociedade liberal economicista ou capitalista, em Educação, essa vertente recebeu a alcunha de crítica.

O Educador crítico tem assumido, em maior ou menor grau a tarefa de demonstrar como a realidade das coisas tem sido manipulada pelos detentores do poder econômico, noutras palavras, tem concentrado seus esforços em expor as mentiras do capitalismo - E o capitalismo mente a não poder mais (O que não quer dizer que as Ideologias que se lhe opõem, disputando a Hegemonia, não mintam.). 

Então qual é o problema do Criticismo ou dessa Revelação a propósito da grande farsa do Capitalismo...

Que ficamos apenas na crítica ao uso que o capitalismo faz das coisas, no marketing, na instrumentalização, no engano, na aparência ou melhor dizendo nas relações existentes entre os seres, criadas pela produção. E jamais chegamos as coisas, ao ser, a verdade mais íntima e profunda... Em Geografia olvidamos por completo os fenômenos físicos... Em História colocamos de lado os personagens, fatos, datas, etc - Além de abandonar o passado mais remoto, tão interessante e fecundo... Em Arte esquecemos a fruição intuitiva do belo (Estética) ou o significado estético da produção pessoal - E tudo isso vai sendo relegado a segundo plano e deixado para trás.

A crítica é quiçá necessária, e isso é angustioso! Porém a educação ou a formação se vai mutilando e empobrecendo. A ponto de tornar-se alvo de contra criticas justamente por parte dos prestidigitadores economicistas. Não sou contra a crítica ou o criticismo, reconheço sua relevância num mundo de aparências e intencionalidades viciosas, mas quero estabelecer uma crítica honesta face a certos abusos ou excessos do Criticismo, pois temos que tornar a falar sobre as coisas e a verdade, para que a Ética não fique desamparada de seus fundamentos, passando a ser apresentada como mero discurso, como uma perspectiva, como uma interpretação ou como algo absolutamente relativo.

Quando falo na realidade da dor provocada no sujeito por um situação de injustiça tenho que aprofundar metafisicamente minha predicação, conceituar que seja dor, que seja ser humano, que seja justiça, etc e demonstrar que haja algo real, para que essa dor e essa justiça não sejam relativizadas.

Curioso falar em crítica, criticidade, criticismo, etc sem pensar I. Kant.

No qual já esta presente o grande efeito ou sintoma da brincadeira iniciada pelos sistemas modernos face ao conceito de verdade - Seja natural\racional ou Revelada, não importa... Esse sintoma doentio é a negação da Verdade ou o total desinteresse por ela. E nem se pode dizer que o positivismo, o cientificismo, e outras ideologias modernas, ainda quando impulsionaram o anarquismo e o comunismo, começaram prestando imenso serviço ao Capitalismo, pelo simples fato de negarem a Metafisica e consequentemente Ontologia, Estética e Ética (Litreé). Após a demolição da fé, precipitaram-se as mentes não no precipício da economia, com seu prosaísmo vazio, mas nos braços da Metafisica e sob os auspícios da Filosofia clássica. 

Kant prosseguiu a demolição da Verdade, pois a um tempo contemplou a burla iniciada pelo Capitalismo e a outro o significado mortal do Libre examinismo no plano religioso > Pois se haviam apenas interpretações (A expressão é de Nietzsche) não havia verdade e menor ainda Revelação divina - O único padrão de veracidade para os Evangelhos e o Novo Testamento é a Tradição alardeada pelas antigas igrejas Apostólicas, sem a qual o livro se converte num labirinto sem saída. E no entanto esse mesmo Kant forcejou por estabelecer um Ética objetiva por meio de imperativos categóricos e não podia imaginar o viver sem Ética de Litreé.

Comte, outro bravo demolidor, busca abater toda Metafísica e exaltar a Ciência empírica até imaginar uma ditadura de cientistas. Litreé põem de lado a ditadura de cientistas para conciliar-se com a democracia formal, porém 'avança' no sentido de repudiar a Ética e é claro a Estética, como emboloradas lucubrações metafísicas... E exalta até onde pode essa ciência que se deleita em deslindar aparências ou fenômenos... Após ele Durkheim e Lévy Bruhl levam adiante a batalha contra a essencialidade Ética nos domínios da Sociologia e postulam um relativismo absoluto, a partir do qual Sócrates é morto e não resta critério algum pelo qual possamos acordar em torno do certo e do errado...

Foram uns belos discursos positivos ou científicos em torno da Ética ser mero resíduo cultural, produto intragável da fé religiosa ou pura fantasia arbitrária (Metafísica) engendrada pela mente... Até que os alemães parecem te-los lido e levado bastante a sério, a ponto de produzirem duas grandes guerras mundiais nas proximidades do paraíso capitalista ou do coração da civilização, convertendo-o por duas vezes em ruínas fumegantes... E no bojo dessa cruzada contra o direito natural ou o jus naturalismo (Em que Antígone era pintada como idiota e Creonte como...) surgiu nazismo, e tortura, e assassinato, e roubo... E toda aquela carniçaria e miséria - Afinal não havia qualquer padrão objetivo ou essencial de Ética.

Recordo-me de ter lido algumas palavras escritas por alguém que viveu num desses campos de concentração - Nos quais Ética era certamente encarada como palavra vazia ou discurso sem sentido: Ali haviam diplomados e técnicos que assassinavam... e respeitáveis cientistas que praticavam tortura, exterminando crianças, grávidas e idosos com requintes de crueldade... Adquiriram com sucesso os conhecimentos de suas respectivas disciplinas, a calamidade aqui é que não aprenderam a ser bons... Essas pessoas, antes de aprender matemáticas, física, química, etc deveriam ter assimilado princípios e valores saudáveis. 

Nada que Sócrates, Jesus ou um Buda já não tenham dito antes... Esses pobrezinhos... > Segundo Litreé, Durkheim e Bruhl... não passavam de umas criaturinhas toscas, privadas de espírito positivo ou científico... Desde então teve a Europa ou o Ocidente, que aprender com a dor e que reformular seu discurso...

Após a segunda grande guerra a palavra Ética - E o velho Sócrates ou Aristóteles. - parece ter sido reabilitada, tornando-se novamente popular, ao menos aparentemente ou superficialmente, pelo simples fato de que os céticos, positivistas, relativistas, ateístas, etc servidores do Capitalismo, não podem admitir ou conceber, que a dimensão ética da pessoa seja inculcada nos mais jovens com toda seriedade a que faz jus. Problema não é o comunismo ou anarquismo repudiarem uma Ética essencial - Nada que o amiguinho querido, chamado positivismo (E o cientificismo que com ele se confunde.) já não tenha feito... Problema é o Mercado insinuar a meia boca que esta acima da Ética ou os representantes da bela ciência (Como se fossem arremedo do colégio cardinalício.) exigirem neutralidade...

Por isso digo que pior do que negar a Ética é muito menos prejudicial e danoso que brincar com ela.

Pois onde mais falta Ética em nossos dias é nas relações econômicas, cada vez mais desumanas e intoleráveis, assim nas relações políticas com essas guerras totais que envolvem a população civil de cada pais e seus animais inocentes. O mundo da economia, da política e da guerra continuam visceralmente irredutíveis a Ética...

O próprio Ch Dawson em seu inútil livro sobre Deus ou contra a existência de Deus, ainda que imbuído por um venenosa ideologia cientificista em momento algum decantou contra a Ética, limitando-se a declarar que até então o ateísmo querido tem sido de todo inútil para produzi-la i é para criar um sistema de Ética. A bem da verdade, a crítica foi injusta, pois o ateísmo ou o materialismo encontra-se na gênese do utilitarismo ou pragmatismo 'ético', com suas repercussões estéticas... E foi outro desastre clamoroso, pois por ser nulo em termos de princípios e valores, o pragmatismo (Como a ciência positiva) fica sempre sujeito a ser utilizado por qualquer ideologia ainda que oculta...

O mesmo Dawson não se lamenta menos de que no campo da estética a querida ciência nada tenha produzido de relevante, como uma peça de Teatro ou uma sinfonia.

Agora por não produzir Ética - Não produz sequer estética! - ou princípios e valores próprios, como poderia a querida ciência deixar de servir como lacaio dedicado ao Capitalismo... Como servirá o Nazismo na Alemanha e o Comunismo na URSS. Bela deusa essa que se partilha seu leito com Comunismo, Nazismo ou Capitalismo. No Ocidente é acrítica e manipulável, não devendo o homem esperar dela qualquer redenção. Descobertas, conquistas tecnológicas, verdades fenomenológicas, etc mas não a mais leve crítica ao sistema. Entre nós a ciência esta conectada aos poderes políticos e econômicos - E por isso, enquanto os europeus deploravam a desconstrução da Ética pelas beldades positivistas, os cientistas instalados nos EUA faziam o que lhes era ordenado, produzindo Bombas que seriam lançadas sobre uma população civil inocente.

Protestantismo, capitalismo, positivismo, cientificismo, ceticismo, pragmatismo, modernismo, etc se entrelaçam e misturam nessa sopa indigesta e nauseabunda. Merecendo cada qual ser criticado com toda propriedade e responsabilizado pela demolição da Ética essencial, da estética essencial e sobretudo da Metafisica, sem a qual tudo se relativiza e perde o sentido.

Comunismo e anarquismo também deveria ser julgados e criticados e julgados com toda liberalidade, enquanto reprodutores acríticos das ideologias acima citadas e de seus vícios. Não são inocentes e nem mesmo a Igreja romana ou o papismo é inocente - Embora eu a encare como a menos culpada, paradoxalmente a mais responsável (Por não ter condenado o agostinianismo.) e a menos culpada (Devido as condições históricas e sociais do Ocidente medieval.).

Por isso considero que calcar as críticas na velha igreja papalina como se fosse a principal responsável por todos os nossos transtornos e padecimentos, equivale a um erro imperdoável e tanto Engels, quanto Weber, e Tawney, Fanfani, O'brien, etc apresentaram o protestantismo como sendo o principal sustentáculo ou aliado ideológico do capitalismo.

Seja como for estabelecer uma crítica tão completa na escola é intencionalmente impossível... Digo mais: Concentrar-se numa crítica ao Capitalismo e suas mazelas tampouco é possível, e esgota-la menos ainda. 

Necessário ao professor de História apresentar a seus pupilos outros períodos em que não havia capitalismo e nos quais o poder econômico não era tão poderoso e forte. Necessário a esse educador referir a personagens, eventos, locais e datas, não apenas a processos de produção e as estratégias empregadas com o objetivo de oculta-las.

Necessário ao professor de Geografia apresentar a seus alunos não apenas a 'Guerra fria' mas antes dela a forma do planeta, os acidentes geográficos, a relação meio, homem e sociedade, etc 

Tampouco o professor de arte poderia concentrar-se apenas no uso da arte como dominação ou na contra propaganda sem apresentar as turmas a História das representações artísticas e alguma mínima noção de teoria Estética, sempre intermeada pela produção concreta da arte, quiçá seu aspecto mais relevante tendo em vista seu aspecto psicológico e formativo; o simples trato prático com a arte é humanizador e terapêutico.

Um bom professor terá, necessariamente, que conciliar a crítica ou o criticismo com um saudável realismo ou essencialismo que reporte as coisas ou ao ser, e a pessoa. De maneira que seu criticismo não se torne árido e insípido. Ocioso dizer que por admitirmos uma justa crítica ao Capitalismo e aos danos por ele causados em praticamente todos os setores da vida humana, não endossamos qualquer apologia ao Anarquismo, ao Comunismo ou a qualquer outro sistema sócio, político e econômico em sala de aula. Compreendemos perfeitamente que todos esses sistemas devam e possam ser livremente abordados e discutidos pelas turmas e professores nas aulas de Filosofia, Sociologia ou mesmo em certos tópicos de História, mas não admitimos que as nossas aulas devam converter-se numa doutrinação catequética sistemática. 

E já declaramos que, salvo quando uma tal temática seja introduzida pelo currículo, sua discussão deve partir sempre dos alunos ou da turma e jamais do professor, a guisa de proselitismo. Salvo quando os alunos suscitarem determinadas questões - As quais sempre deveriam ser acolhidas e levadas a discussão pelo professor. - deve o docente seguir a ordenação curricular e ministrar os conteúdos estipulados. 

Exerçamos portanto um criticismo crítico, sóbrio, dosado, etc e não um criticismo cego e sectário que redunde em contra críticas maliciosas em favor da manutenção da realidade dada. 






sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

A miséria da arte moderna.

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Baumgarten, Baumgarten... raramente escrevo sobre Estética.

Aqui, mais do que em qualquer outro campo, escrever é polemizar.

Acusado de ser demasiado progressista (rsrsrsrsrs Nem tanto pois meu progressivismo não vem da 'caixola' mas, creia leitor, do passado - E por isso apresento-me como reacionário ou anacrônico. Jamais como conservador pois não creio que muito do que temos HOJE mereça ser conservado!) em moral, política, economia, etc devo ser classificado como 'conservador' ao menos nesta área, alias nesta única área. Conservador face a realidade estético acadêmica do século XIX, assim anti pós modernista ou mesmo modernista neste campo. Ou, como e caso queiram reacionário, ultra reacionário, caso admitamos que o modernismo está mesmo na berlinda. Odeio o pós modernismo e o modernismo com todas as forças da alma, inclusive na gnoseologia, mas, sobretudo na estética.

Então vamos logo ao 'prato' e que temos ai???

Temos arte dirão nossos amiguinhos pós modernistas e modernistas, eu direi que temos expressões meramente subjetivas preciosas para a Psicologia, mas não arte propriamente dita.

E por que não temos arte???

Não temos arte porque este festival de psicologismo é irredutível a qualquer avaliação objetiva ou exata em termos de técnica ou mesmo de ponderação estética. O que temos aqui é apenas emoção ou emocionalismo irredutível a qualquer padrão ou critério avaliativo exato, seguro ou objetivo. É algo que não se pode valorar com segurança ou a respeito de cujo mérito se chegue a qualquer acordo. Decretar que a arte moderna deva ser reconhecida como meritória por todos ou por toda crítica é rematado absurdo, filho de incoerência. Nada pode obrigar-me a mim ou qualquer outra pessoa a reconhecer valor estético nessa 'arte' reducionista e mutilada.

Ok, dirá você. Acaso a arte não deve contemplar a esfera do sentimento e satisfazer esta demanda?

Tolo seria, de minha parte, discordar de você. Claro que um dos aspectos distintivos da arte ou da estética é mexer com os sentimentos humanos. Claro que a contemplação da arte tem por fim despertar o sentimento ou a emoção estética. A fruição dos sentimentos e emoções faz parte efetiva da produção artística, por meio da qual o mundo externo não é apenas representado, mas, aperfeiçoado, na medida em que encontra seu ideal.

Então qual o problema?

O problema é que a parte não é o todo.

Fixar-se apenas e tão somente no sentimental/emocional, no subjetivo apenas ou no psicológico será sempre reduzir ou mutilar a condição humana. Afinal não é este homem apenas sentimento ou emoção e há nele um elemento de razão e outro de experiencialidade, os quais devem estar em comunhão e ser representados numa arte integral.

Certo, o sentimento deve ser posto na obra de arte. Assim a emoção. E deve ela causar impacto emocional. No entanto essa emoção deve ser expressa em comunhão com o racional e dentro de determinadas normas técnicas de execução que possam ser objetivamente mesuradas. Do contrário jamais poderemos avaliar esta arte.

Após o sentimento ou a emoção deve ser considerada pela crítica o elemento objetivo, racional ou técnico. A harmonia entre as tonalidades de cores, como salientou Van Gogh a respeito das magníficas telas de Millet; a forma do desenho, a perspectiva, etc Como deixar de considerar estes aspectos presentes na natureza???

Dirá você que o inconsciente não conhece normas e que a arte atual é expressão de um mundo onírico isento de regras. Então é apenas uma expressão psicológica de uma vida interior ou emanação das profundezas da mente. Algo que se reduz a psicologia ou fenômeno psicológico... Neste caso para que manter a farsa ou a encenação aparatosa dos concursos e prêmios??? Como distinguir expressões meramente psicológicas ou mentais umas das outras. Se por princípio todas as manifestações do inconsciente tem o mesmo valor (que é meramente subjetivo!) como premiar uma e não outra??? Em que uma simples manifestação da atividade mental ou da imaginação é, em si mesma, superior a todas as outras. Apenas a forma, vazada na técnica, pode comunicar superioridade ou inferioridade... E para a arte moderna e irredutível a qualquer controle externo e objetivo, a forma não é nada. E já não existe norma ou regra que nos permita julgar esta produção, declarando que uma seja melhor ou pior do que todas as outras. O que você tem ai são expressões livres do inconsciente... Como levar tais expressões a um concurso e premia-las como se melhores fossem???

Elaborações meramente subjetivas e fora de qualquer controle objetivo por ausência de normas não podem ser julgadas.

É exatamente por isto que X ou N podem enlatar as próprias fezes ou grudar catarro em folhas de papel e proclamar que é arte, arte moderna...

Mas que há de estético ou de verdadeiramente belo em cocô enlatado ou em escarro espalhado sobre o papel???

Bem se vê que a arte psicologista ou do inconsciente perdeu por completo seu sentido. A ponto de ignorar a contemplação estética de um ideal harmonioso ou a dimensão do belo.

Esta arte se contenta em impactar emocionalmente. Como se a outra, a formal ou acadêmica não contemplasse este aspecto há muito tempo ou a milênios. Como de a contemplação de um Polikleitos ou de um Parrasio não suscitasse absolutamente nada nos homens... Como se alguém pudesse permanecer indiferente face a obra de um Praxísteles ou de um Apeles!!! No entanto, além disto, havia norma e regra, uma técnica de execução a ser objetivamente avaliada ali. E bem se poderia justificar a excelência de um Fídias face a seus rivais sem maiores problemas...

Uma arte que se esgota na emoção ou no sentimento e que se proclama livre ou acima de todas as regras, além de trivial e fácil não pode ser avaliada.

É trivial porque qualquer criança pequenina, a qual seja dada papel e tinta, pode executa-la perfeitamente. Basta espalhar as cores com os dedos sobre o papel, tudo misturando... ou ensaiar algumas formas obscuras ditadas pelo senhor inconsciente. E alí estão as obras primas da arte moderna!!! Executadas por qualquer nascituro... Diante disto como premiar o pintor X ou o escultor N??? Se qualquer moleque recém nascido é capaz de exprimir a mesma coisa???

Mas a ser trivial é esta nova arte fácil e este é seu problema central ou basilar. Posto que não precisa ser estudada ou aprendida. É arte que não demanda esforço algum. Arte que não precisamos beber junto a um mestre consumado.

Admitida a arte sem compromisso da facilidade, a verdadeira arte, que demanda esforço ou aprendizado torna-se vulnerável ou posta a morte e ao desaparecimento e por isso mesmo, a concepção psicologista ou modernista da arte não deve ser encarada como algo inofensivo pelo filósofo mas como algo monstruoso. Afinal de contas por que qualquer artista iniciante haveria de tomar a senda estreita de um Delacroix ou de um Canova, ou de um Thorwaldsen se para obter a glória basta-lhe rabiscar ou bater com o martelo num bloco qualquer?

Dizer que todos são artistas criadores de obras primas é dizer que não há artista algum ou obra prima alguma. Mas... você sempre poderá aprender e criar pautando-se ao menos em algumas regras, o que de fato abre espaço ao talento.

Como sempre a esquerda desorientada adorou a demolição da arte acadêmica ou 'burguesa' - e assim relativa... Pelo simples fato de que todos os homens, especialmente os miseráveis, que não teem acesso ao estudo, a aprendizagem ou a formação, poderem apresentar-se como artistas, dentro de um padrão de igualdade absoluta.

Concedo que o monopólio estético da arte caiu nas mãos desta burguesia sem consciência, e que a arte acadêmica, em sua esfera, foi amiúde acrítica e servil. Que os donos do poder se tenham apropriado da beleza em proveito próprio é fato que deploramos. Aos simples e restou apenas o trabalho bruto e insano, e a criação do que chamam arte popular ou mesmo de massas, a qual nem sempre é alheia a cânones e regras... E nem sempre é feia ou isenta de méritos. Alias é sempre significativa quando a falta de técnica ou preparo aspira por um ideal de beleza a que não tem acesso.
Tal o contesto a partir do qual os comunistas e anarquistas (Sobretudo estes porquanto a URSS conheceu uma arte Realista, em que pese seu engajamento!) passaram a encarar a supressão das normas no domínio da arte como uma espécie de pré revolução ou peristilo da revolução... E tornaram-se eles iguais por essa nova arte antes de se tornarem verdadeiramente iguais quanto a vida social. Foi uma igualdade funesta. Por ter privado parte dessas massas da contemplação da beleza a que por vezes tinham acesso. A qual a um lado serenava e a outro educava... Contemplar a Notre Dame ou o Partenon jamais deixou de ser catártico para quem quer que fosse.

Mas essa ideia pós modernista, que implica encarar todas as manifestações livres do inconsciente como artísticas equivale, no plano da economia, em transformar todos os cidadãos em milionários pelo simples fatos de acrescentarmos alguns zeros a direita dos centavos, convertendo-os em milhões... Seria como nivelar todos pela mesma miséria após ter destruído todas as riquezas. Belo nivelamento, em que todos se tornem iguais pela falta ou pela carência! Quanto valia o título de cidadão romano quando a todos foi oferecido por Caracalla??? Devia valer muito pouco, se é que valia algo! Tornaram-se todos cidadãos por decreto porque a cidadania nada mais significava. Hoje a modernidade reconhece que todos os homens são artistas em estado de natureza justamente porque... Tire suas conclusões enquanto nas tais exposições de arte moderna oferecem fezes enlatadas ou catarro espalhado sobre o papel... Por que não engarrafam peidos???

A arte moderna não vulgarizou ou popularizou a arte. O que demandaria educação, escolaridade, alteração das estruturas, clamor, revindicação, etc A arte moderna demoliu a arte enquanto auto suicídio da arte e só podemos compreende-la a luz da imensa miséria produzida pelo capitalismo, tal e qual o fanatismo religioso, o pragmatismo, o ceticismo... Tudo miséria oferecida pela miséria. É forma de alienação por apartar o homem de um ideal de beleza que o acompanha desde Lascaux e Altamira, e que o fez erguer soberbas pirâmides e catedrais preciosas. A malignidade da avareza apropriou-se deste universo de beleza, a imbecilidade dos modernos negou-o.

Mas se enfim o que este homem moderno deseja é apenas chocar-se ou experimentar sensações análogas aos que experimentam aqueles que se atiram do Bungee Jump... Se objetivo é apenas fruir de sensações cegas e incontroláveis, inconscientes e irredutíveis a razão. Não há o que discutir. O homem se joga em seu próprio vazio, este homem mutilado e sem sentido. O problema aqui seria descobrir que sobre este ou aquele aspecto estas idolatradas forças do inconsciente não são seguras, ou que são destrutivas... Abismos há, ou fossas, cujas tampas só deveriam ser alevantadas num bom consultório de psicologia. Já disse, tais expressões, como exposições de arte moderna, são imensamente ricas (E eu mesmo a elas vou, como estudioso da psicologia humana - Alias sob seu aspecto patológico - ) do ponto de vista psicológico ou da anormalidade mental. Como expressões de arte são apenas o 'nada absoluto' ou a negação.

Sei que meu posicionamento chocará há muitos. Mas sei que serão apenas os psicologistas que satanizam o controle racional e que super valorizam a afirmação de um inconsciente irredutível a normas em todas as dimensões da atividade humana. Como disse não sou nada otimista face a estas forças cegas que se acham do outro lado da porta!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Nos diálogos de Platão... I


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Não sabemos exatamente quantos Diálogos ele legou a posteridade. Os estudiosos e críticos não estão de acordo, afinal além das obras indubitáveis há obras duvidosas e apócrifas.

Há quem fale em 22 - Os indubitáveis - e quem adicione seis, chegando a 28 e mais cinco - suspeitos ou duvidosos - chegando assim a 33, além das Cartas, atingindo a soma de 34 obras. E há é claro, quem por amor a Platão e falta de mais Diálogos, aceite ingenuamente outros 8, certamente apócrifos.

Dentre estes destacam-se, pela densidade e a doutrina, A República ou Da Justiça (Peri Dikaion) e as Leis (Peri Nomoi), a primeira, composta durante a juventude e portanto bastante idealista, a segunda uma espécie de revisão, composta já na idade madura, alguns anos antes da morte de um quase octogenário. Da República, com sua comunidade de mulheres e filhos e uma confiança ingênua na autoridade, as Leis, com seu objetivismo legal, comparável ao Constitucionalismo hodierno, vai caminho... O Caminho de Platão.

Um Platão que teria cruzado com Sócrates com cerca de vinte anos de idade. E ficado literalmente preso aquela mente grandiosa. A qual no entanto lhe foi arrebatada oito ou dez anos depois, e por um regime, formal ou pretensamente democrático. Platão jamais recuperou-se deste trauma. E se críticos declaram que a Igreja supliciou Giordano Bruno que dizer da República que assassinou o melhor de todos os homens??? De fato Platão jamais pode distinguir a Democracia da Oclocracia ou da Demagogia. E concebeu o paradigma da autoridade redentora, mesmo quando na velhice, achou por bem delimitar sua esfera.

Há nos afamados Diálogos - Literariamente muito mais ricos do que a massa dos escritos atribuídos a Aristóteles ou por ele escritos - uma grande gama de personagens famosos - Professores, generais, médicos, devotos, poetas, estadistas, etc Criton, Eutrifon, Crítias, Adimanto, Glauco, Céfalo, Cálias, Querefon, Queremon, Protágoras, Laques, Nicias, Cármides, Trasímacos, Górgias, Agaton, Fedro, Erixímaco, Pausânias, Aristófanes, Fedon, Zenon, Parmênides, Alcebíades, Protarco, Filebo, Timaeus, Hermócrates, Clínias, Meguilo, etc que ora dormem no Kerameikos... A impressão é que estamos numa das praças ou largos da velha metrópole helênica a ouvir as arengas produzidas pelo filho de Fenarete.

Atualmente os Diálogos de Aristócles (Sim, Platão é apelido e significa Ombrão ou ombros largos!) constituem a principal referência ao Pai do humanismo, i é, a Sócrates. Mas não a única, e sequer a melhor ou a mais fiel. A antiguidade clássica conheceu muitas outras fontes a respeito do ilustre mártir da Filosofia: Fedon, Critias, Glauco, Adeimantos, Euclides de Megara, Aristipo de Cirene, Antístenes e mesmo um sapateiro... Todas estas fontes, citadas e fragmentariamente reproduzidas por Laércio, Stobaeus, Athenaios, Aulo Gélio e outros doxógrafos antigos acham-se atualmente perdidas para nós. Contamos porém com a Memorabilia de Xenofonte e com alguns fragmentos de Aesquines de Asfeto, rival de Platão.

Seja como for a Sócrates não é Platão e Platão não é Sócrates. Embora Platão estivesse persuadido de que era uma espécie de homenagem ou recompensa atribuir ao mestre suas lucubrações metafísicas em torno das origens do conhecimento ou sua origem das ideias. Para Th Gomperz por exemplo, o Sócrates histórico é o Sócrates de Xenofonte. Para outros é do Aesquines de Asfeto... ou mesmo a caricatura de Aristófanes. O certo é que nem tudo quanto Platão atribui a Sócrates parece digno de aceitação. Sócrates, sem jamais negar a possibilidade, veracidade ou a objetividade do conhecimento parece ter sido antes de tudo um Mestre de Ética, concentrando seus esforços sobre o fenômeno humano - "Do que me tenho eu ocupado senão do conhecimento do homem?" indaga ele na insuspeita Apologia. Criticou certamente os conhecimentos que julgava ingênuos ou aparentes e muito teve de demolir segundo as circunstâncias. Deixou muitas reflexões ou diálogos inconclusos, mas nada indica que tenha sido cético ou relativista. Especialmente quando opunha-se decididamente a Górgias, Protágoras e os demais sofistas, buscando por um padrão ou critério exato no plano da Ética. Se Sócrates concordaria com Descartes no sentido de que os frutos da Filosofia pertencem aos domínios da Ética, como o francês não ignorava a ilação metafísica existente entre a gnoseologia e a Ética ou que sem Verdade absoluta não era possível postular uma Ética do absoluto ou para além das opiniões e aspirações individuais. Mesmo assim quis começar pela Ética e tão larga foi sua seara que ao deixar a vida, aos setenta anos, estava sua obra incompleta ou mesma por começar.

Sócrates jamais repudiou a verdade e provavelmente em alguns momentos de sua carreira apoiou a tendência naturalizante atribuída aos Sofistas e Filósofos de modo geral. Queremos dizer que compreendeu ou apresentou os deuses da mitologia como forças da natureza, sem no entanto, como eles postular o assustador ateísmo ou mesmo agnosticismo. Foi Sócrates o principal apoiante do teísmo ou monoteísmo racional, metafísico e racionalista, não religioso, revelado ou fideísta. Seja como for tal não foi seu foco - A questão dos deuses e da natureza - e não insistiu muito sobre o assunto, exceto para sustentar que a existência de um ELEMENTO UNIFICADOR {Jamais alheio a consciência grega} era absolutamente necessário no sentido de sustentar uma economia universal, seja no plano do conhecimento, da Ética ou da Estética. O Bem, a verdade e a beleza eram expressões universais de um Ente universal. E o Bem, antes de tudo, foi o objeto da busca socrática. Pois para Sócrates uma ordenação hierárquica situava tais qualidades. E ao Bem pertencia a primazia. A Ética para ele é soberana.

Assim se a crítica da verdade não tocou ao mestre, até por questão de oportunidade, ficou ao encargo do filho de Perictione e Ariston, o qual tentando conciliar os opostos, assim Parmênides e Heráclito, apresentou seu sistema como criado por Sócrates. Nisto não há mentira, há homenagem ou preito de gratidão, segundo a cultura dos antigos. Todavia não devemos crer nem imaginar Sócrates dissertando sobre vidas sucessivas, reminiscências, mundo ideal, arquétipos, etc Tudo isto é apenas e tão somente Platão, o qual para construir seu sistema serve-se das tradições religiosas dos órficos e pitagóricos. Nada demasiado sólido ou racional... Daí a reelaboração, racionalista ou naturalista, desta teoria platônica das formas, apresentada pelo Estagirita, a qual para muitos tornou-se definitiva, ao menos no plano da Gnoseologia ou da metafísica do conhecimento. Aristóteles porém tinha seus pés sobre os ombros de um gigante colossal, do primeiro pensador sistemático do conhecimento: Platão, o pupilo de Sócrates.

Daí a conveniência de que o homem de hoje conheça suas obras ou Diálogos, lidos inclusive por Oppenheimer e Sagan, dentre outros cientistas quase contemporâneos.

Acompanhe em alguns de nossos artigos a apresentação crítica de algumas de suas obras já estudadas por nós.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Judaísmo, Paganismo e Cristianismo ou - O que a Igreja tomou do Paganismo?

Embora ousemos considerar o Cristianismo Católico (Ortodoxo) enquanto Ética e fé, como um fenômeno sobrenatural ou Revelado não podemos negar que esta auto comunicação do Sagrado tenha ocorrido no tempo e no espaço, alias num contesto cultural judaico, do que resultaram uma série de conflitos, um processo religioso e uma condenação, um homicídio.

Pois bem, nós não negamos que esta Revelação sobrenatural tenha ocorrido num cenário natural, e num cenário dominado pela cultura hebraica. O que nós não enxergamos é a suposta harmônia natural entre esta nova fé e a fé antiga. Jesus não nos parece muito bem enquadrado ou situado na Sinagoga. Foi o quanto procuramos demonstrar no artigo precedente.

Acabo de receber um exemplar da Folha universal ano 25n 1366 Ed de 17 de Junho de 2018 e constato, nas pags 04 e 05 que a IURD adotou vestimentas israelitas... Já construíram uma paródia do Templo dos antigos judeus, além de cultuarem menorás, arcas do pacto, estrelas e outros tantos símbolos do judaísmo antigo... Com dois mil anos de atraso. Grosso modo grande número de seitas pentecostais teem judaizado desde o século XIX ou adotado instituições do judaísmo antigo, após seus ancestrais, os 'deformadores' do século XVI, terem denunciado o sacerdócio Cristão como plagio do judaísmo ou do paganismo antigo e assim quase todo ritual, ao menos segundo a corrente dos calvinistas, os quais, surpreendentemente, morriam de amor pelo antigo testamento.

O calvinismo por sinal canonizou e reforçou um erro basilar, do qual a mente protestante jamais logrou furtar-se por completo. Lutero, aproximando-se do grande Marcion e reforçando algumas posturas do Cristianismo medieval - em que pese ter confundido as coisas e anunciado o anti semitismo - tinha consciência de que o Cristianismo e o Judaísmo correspondiam a mentalidades ou crenças diferentes e repudiava portanto uma dependência total do primeiro face ao segundo. Paradoxalmente o irracionalista Lutero não achou prudente alardear a versão tradicional a respeito da 'revogação' do judaísmo, o qual folgava apresentar como uma falsa religião, sem prestar maiores esclarecimentos. Calvino, embora fosse racionalista, abraçou com fervor a opinião corrente a seu tempo, alardeando que o Judaísmo correspondia a uma Revelação ou dispensação divina revogada em benefício de outra, a saber do Cristianismo... Teria assim o Cristianismo substituído o judaismo segundo ainda podemos ler em diversas apologias...

Num segundo momento os calvinistas foram deparando com diversos pactos ou alianças no corpo do antigo testamento, as quais haviam substituído umas as outras até chegarem ao Cristianismo e em tese atingirem sua perfeição final... Segundo declaram os mal orientados houve uma revelação Davídica, uma Noaquica, uma Abraâmica ou patriarcal e uma Sacerdotal ou Mosaica que teria vigorado até ser derrogada em benefício da Instituição Cristã. De modo geral é assim que contam embora hajam outras versões conforme é próprio da imaginação e da fantasia humanas. Os pentecostais tem partido dessas fantasias, menos e bem menos que de Joaquim de Fiore, deduzindo um novo pacto mais intenso, com o espírito santo... E a quem encaixe a suposta queda da Igreja antiga e a manifestação do protestantismo neste mesmo quadro... Afinal se existiram outras tantas revelações e alianças precedentes, todas revogadas e substituídas, quem nos garante que este movimento haveria de cessar? De modo que a Encarnação de Deus fica correspondendo a um evento apenas dentre tantos outros, até perder seu significado único...

O que queria dizer é que para os calvinistas o Judaísmo foi uma espécie de Cristianismo antigo, cujos mistérios haviam sido anunciados simbolicamente ou por meio de linguagem cifrada... Há inclusive quem empregue o termos 'igreja antiga', 'igreja judaica' ou 'igreja de Moisés', e por ai vai... Uma coisa é certa, todo Cristianismo, em termos de doutrina, ai estava, contido alegoricamente na religião do antigo Israel, na Torá, na Tanak, etc

Apesar disto, de par com os supostos elementos doutrinas Cristãos ou alegóricos, havia também diversas normas, regulamentos, estatutos, ensinamentos... Tipicamente judaicos, os quais, segundo pensam os calvinistas, eram igualmente sagrados enquanto produtos de uma comunicação divina. Os calvinistas acreditam que tudo quanto esteja registrado na Tanak ou AT seja divino. Creem portanto que a ordem para exterminar os cananeus partiu indubitavelmente do 'Bom Deus' de Jesus Cristo ou daquele Pai de Amor descrito no Novo Testamento. Eles creem que a legislação dos antigos hebreus, em sua totalidade, seja de origem divina e portanto que o Deus verdadeiro tenha sancionado não apenas a pena de morte e de morte dolorosa tendo em vista certos crimes de natureza civil, mas que tenha inclusive sancionado a execução de dissidentes religiosos e portanto condenado a doutrina do liberalismo religioso. São obrigados a crer que existam 'bruxas' ou feiticeiras como as de Salém e estão obrigados a queima-las sob pena de irreverência! E em outras tantas normas e regras devem crer como aquela que proíbe o corte da barba, que regula a semeadura dos campos, o uso de tecidos diferentes no vestuário, a dieta, etc E ELES CREEM E ALARDEIAM CRER QUE TUDO ISTO É DE ORIGEM DIVINA, MAS... ao contrário dos judeus ortodoxos, não buscam viver tais leis ou coloca-las em prática!

Mas como???

Observe agora a mágica dos calvinistas ou dos protestantes de modo geral...

A primeira coisa que fazem ao cruzar com um espírita é anunciar que a evocação dos mortos foi proibida pela Lei de Moisés no Antigo testamento... E com que empáfia o anunciam!

Dão sorte quando o espírita é de origem simples, se é ingênuo ou mal informado. Do contrário não tardarão a ouvir boa réplica: Ueh naquela mesma lei que proíbe os fiéis de comerem chouriço ou galinha a cabidela??? - Nosso espírita poderia citar centenas de regulamentos mosaístas que nossos protestantes violam sem maior cerimônia como o da tatuagem, o dos tecidos, o da barba, o da exposição a nudez ( e a maior parte de nossos protestantes vão a praia!), etc

A esta altura nosso calvinista, após engolir um pouco de saliva, responderá sem abalar-se muito (ele sequer tem noção do que esta a dizer!) - Acontece que nem todas as leis do antigo testamento permanecem válidas... Aqui atalhará um papista abelhudo - Mas o que do Antigo Testamento não foi abolido a exceção do DECÁLOGO???

Aqui nosso protestante literalmente pira, pois compreende que sua estratégia seletiva foi desmascarada... Afinal quem é que decide o que vale ou não vale do antigo Testamento; digo das leis civis e cerimoniais??? Afinal os incisos da barba, dos tecidos, da semeadura, da terra, etc JAMAIS FORAM POSITIVAMENTE REVOGADOS PELO MESTRE... Estarão todos valendo??? Neste caso por que nossos calvinistas não os cumprem, começando pela reforma agrária??? Deveriam ser todos confirmados ou validados por Jesus? Neste caso só nos resta a parte imposta ao jovem rico, a Lei moral ou o Decálogo, vindo todo resto da Torá abaixo... Aqui nosso protestante fica já desconsertado pois já não pode condenar o espiritismo ou os espíritas sem que sejam também eles fulminados pela 'boa' lei de Moisés, afinal S Tiago é absolutamente claro: QUEM VIOLA UM INCISO DA LEI VIOLA-A EM SUA TOTALIDADE... portanto se uma norma qualquer Lei judaica foi revogada é porque ela jamais fora revelada por Deus, sendo de origem puramente humana. Afinal Lei divina alguma pode ser revogada... Se você violar uma norma ou regulamento divino torna-se impuro ou sacrílego...

Mas os Cristãos jamais foram obrigados a cumprir qualquer lei judaica ou a viver a moda dos judeus, e por que? Porque os Cristãos sempre souberam que a cultura judaica era de origem puramente humana... Os protestantes, mais do que os papistas - logo avançando - é que divinizaram em vão a totalidade da Torá, criando uma tempestade em copo dágua para si mesmos. Afinal se com um raio fulminam os coitados dos espíritas com outro feixe de raios são fulminados pelo jao, no mesmo momento em que comem torresmo ou fazem a barba... Não podem viver atualmente o judaísmo, como nem mesmo os judeus ortodoxos conseguem vive-lo em sua integralidade. Observem os judeus moderados em compreenderão o que estamos falando.

Então seja assim dirá nosso calvinista contrariado. Se é certo que tais regulamentos e normas não valem mais e não regulam a instituição Cristã é certo que vigoraram no passado e que foram revogadas. Aqui o Neo Católico ou o luterano, por piedade ou complacência silenciará ou concordará e mesmo a quase totalidade dos nossos Ortodoxos. 'Nom nobis', nom nobis; pois em boa consciência perguntaremos a nosso calvinista como poderia Deus, sendo imutável e sem sombra de variação, mudar ou substituir uma 'lei' por outra??? E não se diga que ele, Deus, meramente desenvolveu ou ampliou esta lei na mesma direção porque, como vimos, uma autoriza a matança dos dissidentes religiosos - negando o valor da liberdade religiosa - enquanto outra reconhece que os homens são livres para não querer (Eu quis recolher teus filhos como a galinha recolhe o pintinho debaixo de suas asas e tu não o quisestes) e para resistir, sem que Jesus se mostra disposto a fulmina-los com raios, como queriam os Zebedeus! Aqui, onde há Espírito, parece haver liberdade; e mal sabem os Zebedeus por que espírito ou porque valores estavam sendo guiados, mas certamente não eram os valores daquele que disse: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei! Ali os sacerdotes assumem o governo secular e comandam o extermínio ou reis são supostamente escolhidos e entronizados por Deus - Aqui a lei ou preceito é totalmente distinto: Daí a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Lá, naquela outra suposta lei divina, é deus quem associa, mistura e confunde... aqui, na Lei divina do Evangelho, a mancebia entre os poderes esta condenada e a teocracia perpetuamente maldita!

São leis totalmente diferentes, dando a antever mentalidades diferentes... Como portanto atribuir ambas as leis a mesma fonte, no caso Deus??? E sustentar ao mesmo tempo, honestamente, que este Deus seja imutável e sem sombra de variação. Quem não percebe que da Torá ao Sermão do Monte a mudança é drástica e alteração clamorosa? Que deduzir sinceramente a partir disto senão que o Verbo Encarnado Jesus Cristo encarava a Lei dos judeus como uma Instituição verdadeiramente humana e não divina? Como poderia ele criticar algo divino sem tornar-se sacrílego ou blasfemo??? Se se opõem, se emenda, corrige, revoga, etc é porque não lhe reconhece a divindade??? Como criticar liberalmente o que é divino? Como selecionar elementos a partir duma Lei revelada??? Todo discurso protestante ou calvinista sobre a matéria mostra-se equivocado e falacioso!

Então prepare-se para o paradoxo!

Pois o judaísmo era uma religião sacerdotal, que atribuía, segundo a Torá, o estabelecimento do sacerdócio a uma iniciativa divina. Pois bem que pensa o Calvinismo sobre o sacerdócio Cristão? Que é uma cópia do judaísmo ou do paganismo... e que o Cristianismo de Jesus - pasme - seja anti sacerdotal!!! No sentido de que Jesus apenas é sacerdote... sem que haja necessidade de outros sacerdotes conectados a ele. E o judaísmo, a que reputam por sagrado e revelado é sacerdotal, obedecendo a um princípio sacerdotal, que eles protestantes condenam!!! Agora como poderia este princípio ter sido divino e vigorado se Jesus é o único sacerdote??? Por conexão, respondem os protestantes. Os sacerdotes judeus representavam e por isso comunicavam algo de Cristo aos antigos judeus... Daí a validade relativa de se sacerdócio. Ueh, mas se o sacerdócio anterior a Cristo, exercido por judeus, podia tomar sua eficácia da conexão, por que raios não poderiam os apóstolos e seus sucessores, que viveram a realidade e na realidade de Cristo, exercer o mesmo sacerdócio ou um tipo análogo por conexão??? Qual o problema??? Não pode - responderá nosso embibliado, posto que a mentalidade de deus é oposta ao sacerdócio ou anti sacerdotal... E haviam sacerdotes no judaísmo antigo cujo sacerdócio era válido... Ao que parece a mentalidade de deus mudou ou sofreu alteração???

Aqui os protestantes, mostrando seu espírito ou viés neo platônico, tomado a Zwinglio, opõem-se tanto ao judaísmo antigo quanto ao antigo paganismo e afastam-se do universo inteiro, por repudiarem o padrão sacerdotal... Mas não ficam por aqui, são ousados, vão além, e negam todo e qualquer aparato simbólico ritual ou litúrgico, opondo-se mais uma vez ao judaísmo antigo e ao antigo paganismo, como neo platônicos que são, a exemplo de Ulrich Zwinglio.

Judeus e pagãos ofereciam sacrifícios sangrentos a seus deuses, e nós não cremos que os sacrifícios dos primeiros ou de quaisquer outros fossem solicitados pela Santa divindade. Mil trezentos e cinquenta anos antes desta Era o faraó Aknaton decretara que os sacrifícios sangrentos fossem substituídos por sacrifícios de flores, frutos e perfumes. Posteriormente foi a vez de Çakia Muni, Sidarta Gautama, Tatagata ou Buda como costumamos dizer, cancelar tais sacrifícios entre as gentes do oriente, substituindo-os do mesmo modo por flores e perfumes... Já o Cristianismo antigo compreendeu que podia ter acesso ao sacrifício de seu fundador manipulando o pão e o vinho, estabelecendo um sacrifício incruento de louvor.

Os elderes do passado, a seu tempo, consideraram que esta quebra do tempo e do espaço ou este sacrifício de pão e vinho era algo demasiado solene para permanecer despojado daquelas cerimônias simbólicas a que a humanidade como um todo atribuía tanto valor. E por isso, guiados pelo Espírito prometido e depois pela prudência e pela sabedoria apropriaram-se do aparato ou linguagem simbólica comum a humanidade, e revestiram este sacrifício de uma pompa e solenidade magníficas. De fato, sabendo que a divindade fosse perfeita, pagaram tributo estético a beleza impulsionando a expressão da arte.

Disto resultou que a exemplo dos queridos hebreus, aos quais não faltava certa noção de reverência, consagraram a Santa divindade as coisas ou objetos que empregavam no culto público e dedicaram-lhe além de altares acessórios e alfaias ou seja cálices, castiçais, turíbulos, vasos, ânforas, cruzes... e toalhas, cortinas, véus... E certas roupas, que vieram a converter-se em paramentos... E cruzes, evangeliários, ícones, etc E templos... e uma arquitetura específica. E instrumentos musicais, como o órgão... E sinos (Jarash)... Tudo com o objetivo de abrilhantar este culto. Mas não se limitaram aos elementos materiais, pensando da mesma maneira na ação humana, em como coordena-la de modo harmonioso e sóbrio. Surgindo a ordenação das preces, os hinos, a poesia... O Calendário litúrgico com as festas do Senhor tomadas ao Evangelho... A regulação do Culto ou liturgia com seus gestos ou sinais simbólicos cada um dos quais contém um ensinamento ou uma mensagem didática a ser comunicada a gente simples - Daí o emprego de cores diferentes para cada tempo.

Tudo isto construiu a mãe igreja com sabedoria e prudência, ao largo dos séculos, servido-se das mais diversas culturas e tentando encontrar elementos comuns. Embora não deixasse de se adaptar a certas particularidades culturais, do que resultaram diferentes liturgias ou ritos numa saudável variedade.

De modo geral os protestantes atribuem a origem de todo este aparato, odioso, ao paganismo antigo e costumam apresenta-lo como uma contaminação, noutras palavras, como a apostasia da igreja apostólica, e isto é necessário para que possam justificar sua reforma i é sua própria existência. Grosso modo os esotéricos como Ledbeater e A Besant, referendam esta versão, aceita por grande parte dos Cristãos Católicos.

Chegando a este ponto temos de fazer algumas observações.

Nem são os atuais judeus neo platônicos ou infensos a simbologia ritual; como seus ancestrais não o eram.

Se é verdade que os antigos judeus não estavam plenamente sintonizados com a imanência - Pelo simples fato de que jao é um ser puramente espiritual e informa que jamais se encarna ou assume aparência humana - seria faltar totalmente com a verdade caso os apresentássemos como totalmente desvinculados dela, a maneira de muçulmanos sunitas ou melhor de neo platônicos e já adiantamos que fé alguma assumiu de tal modo e maneira o ideal neo platônico como o protestantismo de matriz Zwingliano/calvinista.

É verdade que os protestantes esforçam-se por nos apresentar os antigos judeus sob tal prisma pelo simples fato de não poderem confeccionar representações de jao ou mesmo de seus ancestrais, os patriarcas e profetas. Os fariseus, antes dos protestantes, pareciam querer ir em tal direção... No entanto o culto legítimo, autorizado pela escritura ou pela lei deles era oficiado por sacerdotes num templo, o que pressupunha toda uma ordenação ritual bastante semelhante a do Catolicismo ou do Paganismo antigo; não os antigos judeus não fugiam a esta regra e não eram nem um pouco 'espiritualizados' ou neo platônicos, a ponto de olvidar que eram espíritos postos em corpos físicos ou materiais e não espíritos desencarnados.

De fato não possuíam imagens ou representações. O que não tornavam o culto deles menos pomposo ou solene do que o culto pagão. Ficando o culto protestante ou 'espiritualizado' e despojado de símbolos, vagando em mesmo as nuvens da religião a exemplo da sogra de Pedro... Alguns batistas neste sentido assumem de imediato a inusitada pretensão protestante, segundo a qual o cristianismo, em oposição ao judaísmo, ao paganismo e a condição humana, teria inaugurado ou inventando um novo padrão de culto que é só seu e que pode ser definido como um repúdio a todas as formas de aparato simbólico ou mesmo de simples organização ou forma. Não se trata aqui apenas e tão somente de um culto completamente despojado de elementos materiais mas de um culto decididamente espontâneo ou subjetivo conduzido por supostos profetas, videntes ou inspirados... A ponto do culto público protestante nada ter de comum, convertendo-se numa mera associação temporal de cultos individuais - Isto a ponto de cada fiel ajoelhar-se numa direção distinta...

Claro que a pretensão nem é judaica, nem Pagã, nem Cristã, mas protestante e de origem neo platônica. Os antigos judeus como os judeus de hoje possuiam arcas, vasos, tabernáculos, rolos, mantos de oração, menorás, lampadários, trombetas, livros, procissões, gestos, etc Na Sinagoga de Dura, inclusive, representações de seus ancestrais e de outros tantos símbolos que lhes eram caros... Quanto as cerimônias do templo é possível fazer alguma ideia a respeito delas e de sua orientação apenas folheando o antigo testamento. O certo é que muito antes de Cristo os judeus piedosos adicionaram outras tantas festas e criaram um calendário... E que cada uma destas festas possuía simbologia própria, comportando um ritual. Os Salmos que os protestantes tanto estimam (Tehilim) eram o hinário dos antigos hebreus e já se vê por eles que empregavam a repetição ostensivamente... A respeito dos pagãos a regra era mesma e não ficavam atrás dos judeus. Eram tão reverentes a ponto de regressarem ao início de uma cerimônia caso o sacerdote cometesse algum erro mínimo... Como os judeus eles aspergiam seus profitentes com água, ungiam-nos com azeite...

O Cristianismo foi desde o princípio ou desde seu berço que é o Evangelho uma fé sacramental em sintonia com a matéria ou com o corpo físico. Jesus bem podia ter curado o cego com o poder de sua palavra, mas quis empregar barro e saliva - Os protestantes chamem-no de bruxo, mago ou feiticeiro caso queiram. O Certo é que ordenou o uso do pão, do vinho e da água, que são elementos materiais; e isto nos parece muito pouco espiritualizado ou neo platônico. Queiram ou não nossos fanáticos e sectários o batismo e a eucaristia envolvem algo mais do que palavras. A darmos fé ao Evangelista ele também empregou azeite, dizendo que os santos apóstolos ungissem os enfermos e há quem com excelentes razões, nisto veja, o sacramento da unção final. Além disto, segundo lemos no Livro Sagrado, o Senhor quis soprar o Espírito Santo sobre os apóstolos, empregando um gesto... Os apóstolos a seu tempo tomaram alguns dos crentes destinados a funções especiais e impuseram as mãos sobre eles, empregando um outro gesto... Embalde os protestantes fogem aos elementos materiais e ao recurso gestual pois topamos com eles no S Evangelho e cremos que deram origem a cinco grandes ordenanças quais sejam o Batismo, a Eucaristia, a Crisma, a Ordem e a Evkelaion...


Agora por que teria ele empregado livremente tais elementos ou linguagem corporal? Pela mesma razão segundo a qual se fez homem assumindo um corpo físico e uma dimensão material. De modo que a adoração ou o culto, embora partindo do espírito que é a fonte da racionalidade deve englobar a dimensão física do corpo exprimindo por meio de símbolo, e, em se tratando da adoração comunitária de símbolos comuns capazes de unir a congregação num só corpo e numa só mente; o que supõem uma adoração coordenada, sob pena de não ser nem sóbria nem racional. A adoração neo platônica ou espiritualiza foge a tais termos, foge ao judaísmo e foge ao Cristianismo ou ao Evangelho, é um padrão recente e inventado.

Resta esclarecer, a partir do que foi dito acima, que se tomamos muito do paganismo também tomamos aparatos do judaísmo. Assim a túnica preta dos sacerdotes ou batina corresponde a indumentária dos judeus piedosos do tempo do Senhor. Assim os mantos, os turbantes, a Skouphia, etc Assim a túnica habitual ou pastoral a que os latinos chamam batina e nós exorason. A túnica de ofício, alva ou Sticharion é branca porque os sacerdotes tanto judeus quanto pagãos usavam uma túnica branca e acreditasse que os judeus tenham tomado esta costume aos antigos egípcios. Os demais paramentos sacerdotais parecem ter se desenvolvido a partir do antigo vestuário pagão.

O costume de oferecer incenso num turíbulo era comum a todas as religiões antigas. O antigo testamento apresenta-o como uma ordenação divina. O altar Cristão difere tanto do pagão quanto do judaico por ser coberto com alfaias ou toalhas, isto se deve ao fato de não receber sacrifícios sangrentos. As velas ou castiçais são comuns ao judaísmo - o AT atribui essa ordenança a divindade - e ao paganismo antigos; relacionando a divindade com a luz. Os vasos sagrados eram empregados tanto pelo paganismo quanto pelo judaísmo e de tal maneira tidos em conta de sagrados que os judeus atribuíam a morte de Bechurusur de Babilônia ao fato de te-los empregado num festim profano, o que os rabinos diziam sobre Pompeu Magno e Tito Flávio. O calendário como dissemos era comum aos judeus e aos pagãos... A forma ou modelo de nossos templos são associados ora a antiga Basílica pagã, local onde se oficiava a justiça, ora ao templo dos judeus; de modo geral veio a assumir a forma cruciforme. Os sinos (Jarash) substituíram as trombetas empregadas pelos antigos hebreus. O órgão ao que parece era já empregado pelos judeus em seu templo bem como os demais elementos da fanfarra ou banda. Já dissemos que judeus e pagãos faziam aspersões com água e unções com óleo ou azeite. As procissões também eram um costume comum, os judeus no caso carregavam sua arca ou modelos da arca com rolos de livros. Os judeus e pagãos empregavam a prostração, o ajoelhamento e a saudação ou a inclinação em seus atos de culto. A prática de cantar a liturgia ao invés de recitar ou falar foi tomada ao judaísmo ou as religiões orientais.

De modo que nosso aparato simbólico é tributário tanto do judaísmo quanto do paganismo, de ambos os quais tomamos muitas coisas.

O calvinismo, paradoxalmente, mesmo afetando amor intenso pelas instituições judaicas, distorceu a História e buscou apresentar todo aparato simbólico da igreja antiga como pagão na mesma medida em que despojava-se dele assumindo valores neo platônicos. Num primeiro momento o protestantismo apelou ao antigo testamento com o objetivo de julgar e condenar a igreja, já num segundo momento julgou o judaísmo e desprezou tudo quanto possuía em comum com o paganismo e com os catolicismos... De fato o relacionamento dos protestantes ou do protestantismo com aquele livro não foi coerente mas ao que parece marcado pelo oportunismo, o mesmo oportunismo que levou-os a desfigurar os judaísmo antigo e moderno em benefício de um padrão descanado ou espiritualizado que remonta a U. Zwinglio.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas II



Nos domínios do absurdo



Isto parece aterrador, não ter mais sentido... Diz meu amigo.



Não parece aterrador, bom amigo. É... Simplesmente é.

E já lhe digo que caso este sentido necessário, dependa de algo transcendente, também este algo transcendente fica sendo absolutamente necessário. Não somos responsáveis pela questão do materialismo e o tema do ateísmo tocarem ao sentido da existência ou melhor por essas ideologias destruírem o sentido, encaminhando o homem ao nihilismo, ao absurdo e ao desespero total. Até destruírem o homem, fazendo com que abandone decididamente uma farsa que jamais devería ter sido iniciada. Julgo alias que uma doutrina cujo o fim último seja a decepção, a frustração, o tédio, a auto alienação e a neurose, deva ser revista com todo cuidado.

É o caso do ceticismo crasso, é pura teoria, não serve para a vida, não tem sentido vital, não pode ser vivido ou praticado. Assim o nihilismo...

Aqui chegamos a Camus, com sua teoria do absurdo.

Pois o caos, o acidental ou o absurdo é que se opoem ao sentido.Caso abdiquemos do sentido temos de chegar a loucura. Afinal por que qualquer outro aspecto da existência teria direção ou sentido num quadro geral de absurdidade? Michel Foucault, Gatarri, Derrida e outros não brincaram quando tentaram quebrar as barreiras entre normalidade e loucura... Se tudo é absurdo como estigmatizar a loucura. Afinal condenamos a loucura em nome de um certo sentido a que chamamos normalidade. Os pós modernistas foram coerentes ao avançarem do absurdo a anormalidade generalizada ou a loucura. 


Não fica mal ao pós modernismo e o irracionalismo negarem o sentido, como negam a própria empiria e a própria ciência segundo suas respectivas cosmovisões.

O problema aqui é o cientificista, que - apesar de Kant - afeta objetivismo enquanto acesso a certa dimensão da realidade, encontrar-se com o irracionalista e pós modernista apenas para negar o sentido e canonizar o absurdo.

Levando o absurdo a sério


Aqui outra arbitrariedade uma vez que o pós modernista nega absolutamente tudo, mergulhando no subjetivismo crasso, enquanto que o positivista faz um recorte arbitrário e nega apenas o sentido geral da existência reservando o absurdo para o fim. Sem perceber que afirmando o absurdo metafísico torna sua própria ciência absurda. E pouco se nos dá que esse mesmo homem dê com os ombros e declare: Eis tudo que temos! Afinal a ciência no tempo presente é privilégio de uns poucos enquanto as multidões que se arrastam pela terra caminham para a dissolução e o nada. Se as migalhas de felicidade de que dispomos dependem do conhecimento científico a condição humana é bastante deplorável.

Ah, mas minha ciência não é absurda! Querido caso o princípio seja acidental ou fortuíto e o fim igualmente sem sentido algum, como crer que o meio. Mas compreendo como é difícil para vocês abandonar a única consolação ilusória de que dispõem, i é a objetividade cientifica face a crença no absurdo total corajosamente proclamada pelos pós modernista.
E no entanto este homem auto consciente e racional demanda pelo sentido, busca por um sentido, persegue o sentido... como uma mariposa lança-se as chamas da lamparina dirá certo pensador ateísta.

Psicologicamente, seja para Jung, Frankl, Allers e tantos outros teóricos o encontro do sentido corresponde a própria sanidade mental e sua negação a uma fonte de neuroses.

Para um grupo seleto de seres humanos


Compreendo que pessoas saudáveis, bonitas, jovens, limpas e bem nutridas desdenhem do sentido, que afirmem ser tal busca ociosa, a razão um verme e absurdo tudo quanto nos envolva.

Desde que haja casa, comida, roupa lavada e certa felicidade a negação do sentido pode ser viável ou mesmo tentadora. No entanto a maior parte dos seres humanos vive sob condições distintas e ouso duvidar que um tal tipo de ensinamento - apto para satisfazer pessoas realizadas e felizes - pudesse ser seriamente enunciado num Hospital, num Asilo, num Orfanato ou mesmo numa Favela... A absurdidade da vida é doutrina bastante restrita e parece não contemplar as necessidades existenciais ou psíquicas da maior parte dos seres humanos.

Os termos finais da 'bela' doutrina...


Foi apenas após a trigésima cirurgia que Freud pode abdicar por completo da esperança e descreve-la como um verme, pouco antes de recorrer ao clorofórmio e deixar o palco ou picadeiro da vida.. Raras são as esperanças de que um jovem que nega categoricamente o sentido da existência chegue a extrema velhice após uma série de vicissitudes e calamidades.

Werther de Goethe sequer precisou envelhecer ou passar por problemas de ordem material para sucumbir ao peso de uma existência sem qualquer sentido, e o simples ceticismo, bem como o agnosticismo - para não falarmos em materialismo e ateísmo - tem sido suficientes para levar ao suicídio um número cada vez maior de cidadãos escandinavos. Onde um aluvião de suicídios tem acompanhado os passos da ideologia nihilista, o que por si só basta para excluir qualquer análise superficial e forçada em termos de clima, afinal o clima tem sido estável há centenas de anos e o aumento dos suicídios um fenômeno relativamente recente que tem acompanhado a cultura. Tampouco passam eles por qualquer problema mais sério a nivel de organização econômica ou social. As condições de vida são as melhores do planeta, e a taxa de suicídios também, bem como as afirmações em torno do nihilismo, do absurdo e da total falta de sentido.

No entanto para que precisariamos ir a Escandinávia quanto temos Elvis Presley, Jacqueline Onassis, Bob Marley, Janis Joplin, Michael Jackson, Amy Winehouse e outras centenas de multi milionários precipitando-se como mariposas nas chamas de uma lamparina, após terem declarado explicitamente em diversas entrevistas que a vida não possuía qualquer sentido e que a  existência era absurda, Ah mas eles se drogavam ou embriagavam... Tente peguntar-se por alguns instantes sobre o pôrque deles desejarem fugir a existência. Antes de declarar que se drogavam ou embriagavam forçados pelos genes. Psicologicamente falando a falta de sentido e a conclusão pelo absurdo tem sido uma porta a berta para o consumo de bebidas ou de entorpecentes, mas a farsa dura pouco, afinal como diz Vintila Horia, pela droga o homem encontra a si mesmo e seu imenso vazio, vazio existência, vazio de ser... E põem fim a farsa.



Mais contradições - O Homem e a ideologia inumana


O curioso aqui é que o homem olhe para dentro de si mesmo e 
demande por sentido. Olhe para fora de si e encontre teorias muito mal feitas, prontas para dizer-lhe - Não pergunte por isso! Não peça isso? Não pense nisso!

Mas, este homem não se conforma com a negação do sentido a que persegue.

Tece questionamentos. Apenas para ouvir que são imponderáveis e que deve se contentar com o fardo da própria ignorância.

Aspira por uma dimensão ética da existência. Dizem que ela não existe...

E este homem comum não pode viver absurdamente ou fazer o que bem quer. Do contrário vai preso com base em critérios éticos e morais sem 'sentido', e é morto como Ravachol...

Tudo porque alguns indivíduos ricos e bem nutridos, e felizes tem a posse das armas e do poder, uma vez que não existe bem e mal fora dos indivíduos e que somos regidos por instintos ou genes egoístas... E ainda sim punidos ou castigados quando os obedecemos irresistivelmente. Assim a legislação fala em delitos e crimes, embora uma determinação genética ou um impulso sendo natural, não possa ser criminoso.

"Te devoro obrigado por minha natureza." Eis o que diz o monstro do filme, vermes rastejantes, a uma de suas vítimas a ser devorada.

Pobre homo sapiens... pobre animal racional!

A negação da Estética e o desprezo pela beleza.


Aspira por uma dimensão estética da vida, mas; as verdades 'puras' que abraça estão desvinculadas por completo do Bem e da Beleza, são frias e feias e por isso não lhe oferecem poemas, óperas, peças de teatro, pinacotecas, partenons e catedrais; declarando tudo isto artificial, ocioso, supérfluo e absurdo. A esfinge, o Alhambra e o Tja Mahal são frutos de uma fé... As universidades europeias, como Nápoles, Salamanca, Paris, Cambridge, Oxford, Lovaina... de uma fé e de uma Filosofia, tal e qual os Dialogos de Platão. Igualmente frutos da fé são Ilíada, a Odisséia, a Divina Comédia, o Paraíso perdido, os Lusíadas, a Jerusalém libertada, a Messiada e o Orlando furioso. A paixão de S Mateus e os Oratórios de Haendel. O Duomo de Florença, a Piazza de S Marcos e o campanário de Ulm, bem como a catedral de Colônia. Para não falarmos na Hagia Sophia ou em La Madeleine. A fé inspirou as encantadoras obras de um Ary Scheffer, a mitologia a pena de um Virgílio, de um Ovídeo, de um Estácio, de um Terêncio ou de um Propércio. Foram homens de fé ou de reflexão Sóflocles, Ésquilo, Eurípedes, Plauto, Gil Vicente, Shakespeare, Corneille, Racine e Molière. Assim a sensibilidade ímpar de um Fédro, de um Esôpo ou de um La Fontaine tampouco procedeu da vossa ciência positiva ou melhor da ideologia materialista ou da metafísica dawkiniana. O cientificismo tem sido esteticamente estéril, e parece não preocupar-se nem um pouco com isto...

A negação da Ética ou o desprezo pelo bem

Escusado seria falar nos orfanatos, asilos, escolas, hospícios, hospitais, albergues, dispensários, etc que o cientificismo nem erigiu no passado nem cuida ou porfia erigir no tempo presente. É verdade de a legítima ciência empírica, produz técnica. Mas não é menos verdade que esta técnica entregue ao mercado é negociada ou vendida como qualquer outra coisa, convertendo-se a magnífica ciência que endeusa em fonte de lucro ou renda para ele. Consequentemente imensas vastidões do planeta, como certas paragens da África e da Ásia, jamais são tocadas por essa técnica arrojada. Mesmo os pobres das Américas dificilmente tem acesso a elas. Tendo de recorrer ao pastor ou ao xamã (curandeiro). Exceto quando algum grupo de religiosos ou de humanistas compram os aparelhos (a técnica) e movidos por sentimentos 'duvidosos' transportam-na a tais remotas paragens. Consciência, empatia, alteridade, identificação, solidariedade, é coisa que o cientificismo parece não produzir.

Os medievos e nós - A nossa crise


Os medievos a que costumamos lançar paus e pedras costumavam preocupar-se mais do que nós com o homem. Multidões de monges e freiras, sem asseio ou técnica buscavam servir aos enfermos e a minorar-lhes os sofrimentos. Por falta de ciência - e por isso dizemos que a ciência é muito importante - e técnica não havia recursos em abundância, mas havia boa vontade e sincero desejo de ser útil. Os recursos humanos no entanto sobejavam e a crise era meramente material. No tempo presente temos a ciência que produz uma técnica refinada e doentes morrendo as baldas sem assistência nas periferias, ruas, praças ou a fila do SUS. Temos recursos suficientes para curar muito mais gente bem como para erradicar a fome do planeta, e mesmo assim - milhões morrem de fome e outros tantos de doenças 'curáveis'. Agora qual a razão disto? Simples. Hoje sobeja m recursos técnicos e materiais e faltam recursos humanos ou boa vontade. A nossa crise é muito pior do que a medieval porque humana, produto de um egoísmo, de uma insensibilidade, de uma desumanidade e de uma falta de ética que nossa ciência é impotente para solucionar.

"A ignorância é uma benção."


Temos supostas verdades positivas ou metafísicas cientificistas mas elas estão definitivamente apartadas da Beleza e do Bem, e este homem emancipado do século XXI é um ser fragmentado.

Tudo por quanto este ser racional aspira é avaliado ficção, ilusão ou engano pelos gurus da modernidade.

Mas não chegamos ao fundo do poço. E segue o drama supremo!
Pois este homem é consciente... auto consciente. A respeito do que sonha, aspira, quer...

E do quanto lhe negam ou dizem ser utópico, pretensioso, impossível...

Imagine por um instante uma borboleta ou uma águia, que possua asas perfeitas e não possa erguer-se do solo e cortar as nuvens... Para que ter asas? Para que servem as asas???

E no entanto estes anima
is tem, muito provavelmente, o benefício da ignorância ou da inconsciência.


Acaso não será melhor ser um 'frustrado' ou um fracasso natural sem ter consciência disto?

Mas, oh azar, na evolução sofreu uma hipertrofia e brindou-nos com esse cérebro que não só sabe afetar os modos de uma mente como fazer perguntas irrespondíveis.

Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e outros dramaturgos clássicos diriam que tudo isto é pateticamente trágico, mas nossos positivistas a tudo assistem sorrindo qual o desenrolar de umas das comédias de Aristófanes!

Uma bananeira que não produz bananas jamais conhecerá a infelicidade deste homem tolhido em suas legítimas aspirações, pois não foi amaldiçoada com o apanágio da auto consciência


Consciente este homem se sentirá frustrado e frustrado se tornará neurótico.

Equívoco consciente produzido pela sorte, pelo acaso ou pelo giro dos átomos eis tudo quanto é ele. Um acidente... Um aborto??? Não o sabemos! Ignorabimus!

Comunicar o absurdo...


 

Uma coisa porém julgo saber.
 

Dificilmente alguém que estivesse de fato convencido sobre o absurdo da existência ou o nihilismo, ousaria reproduzir-se, procriar ou por filhos no mundo a menos é claro que declare ser escravizado pelos genes. Do contrário seria cruel...

Afinal para que comunicar uma existência absurda a outrem, já diziam os sensatos Sartre e Simone. Para que prolongar a farsa???

Como dizer honestamente a uma criança que todos somos fruto de um acidente de percurso e que a vida é um absurdo? Como declara-lo a um jovem que passa por uma crise existencial.

Grosso modo os filhos desta geração esperam ser fruto de um planejamento  ou de algo previsto, desejado, acalentado e previamente amado, não duma camisinha furada ou de uma pílula que não funcionou. No entanto, como produtos da sorte ou do acaso, somos todos nós, seres humanos, resultados duma camisinha furada! E você ousará comunicar essa existência absurda a outrem???

E tudo termina pela mentira!




É ai que entra em cena ou darwinismo com sua nova ética ou o Dr Wilson, para ensina-lo que a mentira é um fator evolutivo e incita-lo a enganar seu filho, exatamente como os católicos desencontrados ensinam aos seus o mito grosseiro do gênesis ou como os demais cidadãos que ensinam seus filhos a esperar pelo Papai Noel ou pelo Coelho da Páscoa a cada ano...

Importante é que nossos filhos absurdizados continuem a mentir e mantenham a tradição da mentira, do contrário Werther encarnar-se-a outras tantas vezes sobre a terra.





segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas I




Resultado de imagem para altruismo




Discordar pressupõem variação, e parece indicar complexidade, indeterminação e quiçá liberdade



Discordar é uma atitude rica de significados.

Como há um sem número de ideologias e pontos de vistas diferentes, a variedade parece indicar que de fato não somos comandados ou determinados por genes. A menos que os genes além de tencionados e por consequências conscientes (Ed Husserl) sejam também pensadores ou ideólogos...

A tabela periódica possui uns cento e poucos elementos. Portanto a variação é mínima... Nossas ideias, opiniões, crenças, teorias e visões de mundo, etc superam muito provavelmente o número de nossos genes, afinal são bilhões de seres humanos e não menos de dezenas ou centenas de milhões de seres humanos 'conscientes' experimentando e julgando criticamente o mundo i é produzindo concepções e doutrinas que se cruzam e produzem outras tantas, algumas que materializam -se outras que não se materializam, o que, como diz C G Jung é absolutamente irrelevante.



Um ser que elabora perguntas inoportunas



Veja uma obra de arte por exemplo, seu valor consiste justamente em não ter utilidade alguma, é pragmaticamente um mistério que Steven Pinker, o grande mago, esqueceu de alistar entre seus imponderáveis (a respeito dos quais os gregos tanto ponderaram e tantos homens ilustres ponderam ainda.) Produtos da mesma hipertrofia evolutiva que concedeu-nos um cérebro ou um aparelho cognitivo capaz de elaborar questões que os cientistas - materialistas e neo darwinistas é claro - dizem ser inoportunas ou irrespondíveis. É o que diz Pinker (com Kant) em seu livro 'Como funciona a mente' creio que a pag 256 ou segs onde declara que nosso aparelho cognitivo não foi feito para a verdade (Então como ele sabe que não esta equivocado???)...

A riqueza da cultura é mais ampla do que a riqueza genética.


Após esta digressão o que quis dizer é que nosso universo ou variedade cultural parece bem mais amplo do que nossos genes ou nosso universo genético, assemelhando-se a um turbilhão. Claro que se trata apenas duma hipótese a ser verificada no momento em que todas as ideias ou teorias e concepções humanas venham a ser matematicamente contabilizadas. Mas, como Pascal, faço já a aposta na transcendência da cultura face ao número dos genes. Agora se genes de algum modo produzem ideias (não creio nessa xaropada metafísica chamada memética, cujos devaneios, a contento, revelaremos - A gênese e forma da cultura é totalmente outra) são entidades pensantes, além de possuírem intencionalidade e consciência; e estamos já no reino da Carochinha...


Pinker vs Pinker


Agora veja meu bom amigo, o sr Pinker pronunciando-se categoricamente sobre o que acabara de alistar entre seus imponderáveis, uma vez que tal questão, sobre a possibilidade do conhecimento, é metafísica - qualquer doutrina sobre a validade do conhecimento, ultrapassando a empiria, como o empirismo, é metafisica - e epistemológica. É sempre possível que Pinker, no fim das contas repudie ao princípio de contradição de Parmenides, não o sei. Mas sei que responde a uma questão que alista entre seus imponderáveis... E responde-a da pior maneira possível, com Kant.


Hume e Kant (Jamais saímos disto!)


Kant é uma personagem chave a respeito de tudo quanto discutimos. E citado frequentemente por todos os modernistas como uma espécie de oráculo - 'Magister dixit'. David Hume, de cuja honestidade não podemos duvidar, também declarou que o aparelho cognitivo humano não estava posto para a verdade e por isso repudiou a religião, a filosofia e é claro a ciência, uma vez que a empiria parte dos sentidos. Já antes dele Pirro, Timon, Arcesilas, Carneades, Enesidemo, Montaigne, Vayer, Agripa e outros haviam esposado a mesma tese, que é a do ceticismo. O Ceticismo, nobre amigo, tem uma vantagem, não é arbitrário ou parcial, pois não precisa de um papa ou de uma autoridade dogmática a qual caiba definir a extensão ou o terreno de nossos conhecimentos.

Kant - que era luterano e trazia por baixo de sua epistemologia negativa uma antropologia (Toda Epist pressupõem uma Antropol segundo Ed Husserl) negativa - como declarou Mme de Stael sobre os reformadores, pretendeu ter atingido as colunas de Hércules da epistemologia e pôde dizer a posteridade - Daqui não passarás! Querendo com isso definir a extensão do conhecimento humano ou até onde era possível saber. Pupilo de Lutero ele identificou a razão com a imaginação ou a fantasia, condenando tudo quanto fosse demasiado especulativo, racional ou sutil; (A exemplo das modernas TEORIAS 'científicas'), enfim a metafísica, identificada, mui apressadamente com a ontologia e a teodiceia. No entanto o próprio uso de Metaphisika era ambiguo e isto a ponto de Schoepenhauer descrever o homem como um ser ou animal metafísico.

Chegando a Comte - Seu projeto ético



Comte; o francês, foi quem concluiu pela vaidade do exercício ou da reflexão filosófica de modo geral. E no entanto este homem genial não podia deixar de preocupar-se com o 'para que', com os valores, princípios, critérios e padrões que regem o convívio humano, insistindo dramaticamente sobre a necessidade de se manter ou criar uma Ética. Em certo sentido Comte e Freud são muito parecidos por suas contradições... Seja como for, foi Emílio Litreé, segundo papa positivista, que declarou a Ética ociosa ou desnecessária (por aquela época já não se falava em Estética). Os positivistas herdaram o aborto mas a humanidade clamou e clama por uma ética, e não por qualquer ética.


As promessas de Litreé...


Litreé é quem assume a teoria segundo a qual a Ciência deveria substituir a Filosofia tal e qual esta já havia substituido a religião. A compreensão no entanto era bem distinta da de Pinker. Pinker ora nos revela que devemos aceitar um certo estado de ignorância sobre o imponderável, assim a Ética - a qual sendo imponderável continua sendo ociosa! - e a Epistemologia... e nem preciso falar em Estética, afinal não poucos cientificistas admitirão sem maiores problemas que também ela é produto de uma hipertrofia evolutiva e quiçá algo tão dispensável quanto a espiritualidade. Litreé, como diz Grayling, não abre mão de uma escatologia Cristã otimista, mas secularizada (nos mesmos termos que Marx) e assevera que a ciência fornecerá ao homem todas as respostas e desvendará todos os mistérios produzindo uma nova visão de mundo.

Demandando por Ética!


Husserl julga que tais promessas são pretensiosas e mesmo venenosas, uma vez que nosso conhecimento sempre será fragmentário e limitado, como ora parece admitir Pinker, numa perspectiva mais realista, mas não menos dramática uma vez que seus imponderáveis são por assim dizer 'vitais' e não meramente acessórios dispensáveis sem os quais podemos passar muito bem... Com efeito não pode o homem viver sem perguntar a si mesmo 'Para que?' e todos se perguntam sobre isto algumas vezes ao menos na vida. Impulsos genéticos que pretendemos recalcar ou demandas psíquicas a respeito das quais a ciência empírica não é capaz de responder, mas que suscitam outros tipo de reflexão e outras formas de conhecimento.

Contesto mais uma vez que o acesso a este tipo de conhecimento, vital a nosso convívio, desenvolvimento, sobrevivência e felicidade possa ser arbitrariamente negado por um Kant, um Pinker, um Litreé ou outro qualquer. Não é um medo infantil como aquele de que foram presas um Comte ou um Freud com toda sua ciência positiva. Só não vê a crise civilizacional porque passamos quem não quer... E só aqueles que não tem um mínimo de empatia - e que certamente fariam do egoísmo genético sua praça forte - fugiriam a esta preocupação, uma vez que somos todos humanos!







A questão esbatida do altruísmo


Claro que eu bem sei e sei bem que falar em identificação, a alteridade, empatia, abnegação ou altruísmo com um biologista é tabu desde os tempos de Darwin. Hamilton em suas 'equações' já havia restringido o altruísmo a família ou a ligações genéticas, introduzindo o elemento do egoísmo... Tudo isto faz parte da ideologia positivista, a qual serve-se de enormes fórmulas matemáticas com o objetivo de intimidar a platéia. Carrel no entanto, que fora nobel e empirista de primeira linha, já dizia não trocar uma tonelada de demonstrações matemáticas por um único e singelo fato. Mesmo Comte, tão afeito a cálculos, teve de admitir esta bela verdade - Contra fatos não há argumentos...

No entanto exemplos de altruísmo desvinculado de ligações genéticas não são raros já na História, já no naturalismo e indiquei uma obra notável pelo senso de realismo e observação característicos da verdadeira ciência, assim o 'Auxílio mútuo' de Piotr Kropotkin.

É o humanismo um especismo vulgar?


"Soa como um desejo de ser mais do que felinos ou outras formas de vida... e para muitos expressaria uma forma de arrogância." diz meu amigo.

Certamente não somos superiores nos termos do sectarismo religioso ou do gênesis, segundo os quais os animais são propriedade nossa ou nos pertencem. Mesmo quando criamos animais deveríamos faze-lo segundo os princípios de uma Ética. No entanto adotar uma ética quanto ao convívio com os demais animais parece característico do homem. Pois se há homens sem consciência, que atuando como os demais animais, extinguem outras formas de vida, também há um significativo número de seres humanos que questionam a destruição de tais formas de vida apelando a conceitos como a justiça ou a alteridade, uma vez que somos todos sensíveis a dor. Veja o grupo Green Peace por exemplo.


Temos uma Ética que as demais formas de vida não tem!



Agora que leão ou jiboia ou urso após alimentar-se de um humano viria a refletir a ponto de deplorar seus hábitos alimentares e altera-los? Absurdo impensável. Mas nós temos veganos! Temos valores que alteram comportamentos... Estou esperando demonstrarem que os animais são capazes de fazer o mesmo. Nada nos indica que carnívoros façam reflexões de natureza ética determinativas com relação a seus objetos alimentares, ao menos em larga escala.

Neste sentido, de poder avaliar, com base em certos princípios, nossa relação com o que seria nossa comida ou nosso alimento, parece inovador e distintivo. Certamente que o advento da cultura vegetariana entre humanos é absolutamente rico e sugestivo; e não preciso ser vegano ou vegetariano para chegar a esta conclusão. Basta-me preferir a fome a consumir a carne dos grande mamíferos sensíveis a dor...

Os animais não produzem ciência, o homem...


Passemos a outro aspecto da polêmica. Caso sejamos absolutamente iguais aos outros animais e em nada nos destaquemos deles por que raios formigas, baratas, ratos, felinos, cães e elefantes não produzem ciência? Por que não tem seus laboratórios onde fazem pesquisas e experiências? Por que não tem suas universidades e escolas em que produzem o saber? Por que não transformam radicalmente o meio em que vivem como temos feito?

Caso a ciência produzida unicamente pelo homo sapiens tenha este valor tão grandioso - não negamos seu grande valor. O que questionamos é a atitude do cientista que se nega a pensar sobre o fim da técnica numa perspectiva ética - o quadro da vida propriamente animal comporta alguma limitação. Se a ciência produzida pelo homem tem algum valor, não há como deixar de concluir pela superioridade relativa ou intelectual de seu produtor. Agora se dissermos que é tudo uma só e mesma coisa temos de negar o valor desse fenômeno especificamente humano que é a produção científica. Elevar a ciência as alturas e abater o homem até as termitas, que não produzem ciência, é uma atitude absolutamente contraditória e incoerente.

A espiritualidade e a reflexão filosófica como fenômenos  tipicamente humanos


Mesmo sabendo que os cientificistas e positivistas negam o valor objetivo da religiosidade humana, aqueles que estão habituados a estudar o fenômeno humano não podem deixar de considera-la. Ao menos no plano da cultura temos de considerar o aspecto religioso como uma construção humana não só característica e relevante, inclusive, mas até, em certas circunstâncias como elemento positivo e favorável a evolução de determinada sociedade.

Diga-se o mesmo e mais ainda da reflexão filosófica. E o ateu Bertrand Russel foi quem declarou ser o 'deus dos filósofos' a mais refinada abstração concebida pelo homem e ao menos no plano natural, algo não menos grandioso que as pirâmides ou as grandes catedrais. Mas eu não percebo que os animais, claro que isto poderá vir a ser demonstrado, possuam uma vida espiritual e menos ainda que coloquem para si mesmos questões sobre os primeiros princípios e fins últimos do homem ou da natureza, do ser, do destino e da dor, na feliz expressão de Leon Denis. Os animais não parecem contestar a realidade dada que os cerca. Não parecem possuir um belo ideal face a vida e ainda aqui, os positivistas - que mutilam a condição humana - furtando-se a dimensão ética da vida, é que parecem espelhar-se nos animais, rebaixando-se.

A Estética ou a arte...


Temos ainda a arte, cujo fim é valorizar o que não é útil ou que não tem qualquer valor prático (Theophilo Gauthier). O homem entrega-se a este ofício inútil e desperdiça energias a toa, cerca de quarenta mil anos! Afinal para que serviriam algumas linhas e cores impressas num jarro??? ou uns sinais postos a lâmina de uma lança??? Bem, o Partenom e as Catedrais da idade média são a culminância deste exercício típico do homem e que não vemos nas alimárias que nos cercam. Ou já vistes um cão encenar uma peça ou um porco tocar uma flauta???

Por fim o homem, no dizer de Pascal, Kierkegaard, Heidegger, Marcel, Jaspers,e outros 'tolos' é um ser inquieto, que coloca-se diante do tempo, do espaço, da vida, da morte, do ser, da finitude, etc Segundo Platão ele possui um Thymos ou programa vital... segundo Romain Rolland possui um sentimento oceânico... segundo Henri Bergson possui uma intuição das coisas... segundo Husserl tende ao eidético, etc Não percebo essa inquietação, esse incomodo ou angústia nos animais. Não percebo esta sede. Não percebo esta busca ou demanda...

UM SER QUE SE AUTO MUTILA...


Claro que UM OU OUTRO SER HUMANO sempre pode mutilar-se, restringir-se e descer de nível. Outra coisa é o animal ascender ao humano, posto que lhe falta todo um aparato cultural. O esforço dos biologistas e metafísicos cientificistas consiste em eliminar ou minimizar justamente o que é propriamente humano E POR ISSO SÃO COM PROPRIEDADE CLASSIFICADOS COMO REDUCIONISTAS.


Eles pura e simplesmente desconsideram ou menosprezam a espiritualidade, a Ética, a Estética, a curiosidade ou a busca pelo sentido. As quais para eles são irrelevantes, EMBORA SEJAM RELEVANTES EM TERMOS DE ESPÉCIE E CULTURA. Más eles, os auto imunes, encaram a si mesmos como os arbítrios do universo e porta vozes da ciência, a qual sem embargo diariamente atraiçoam e profanam, publicando e divulgando metafísicas, escolásticas, especulações, sutilezas e ideologias em seu nome!!!