sábado, 3 de novembro de 2012

Carta aberta ao amigo Camilo Gomes Jr acerca da anarquia







Caro Camilo (Camilo Gomes Jr é blogueiro e seu blog é a "Voz da espécie"   (http://avozdaespecie.wordpress.com/  ) sei que você tem dúvidas sobre a funcionalidade do anarquismo, isso é bom porque nos permite o debate sobre este assunto.

Segundo suas dúvidas, dúvidas louváveis:

Quanto à questão do anarquismo, acho que o maior desafio para seu estabelecimento é justamente superar o desenho genético de nossos cérebros (cujo funcionamento produz nossas mentes), em especial no que tange àqueles traços de base mais instintiva ou de moral primitiva que antropólogos já registraram distribuídas em todas as sociedades humanas, nas mais diversas culturas: os chamados “universais humanos”. Acho difícil superá-los ou reduzi-los sem a presença coercitiva de alguma autoridade central (um Estado: aqui, entendido como qualquer poder centralizado numa comunidade, seja um Estado organizado como o democrático de direito contemporâneo, seja um conselho de sábios, uma cúpula de partido, um rei, um parlamento, uma liderança tribal ou um patriarcado de clã). 

Parece-me que você parte da premissa de Hobbes: "Homo homini lupus", "o homem é o lobo de outro homem", por isso é preciso ter uma autoridade externa para que o mundo não caia "na guerra de todos contra todos". 

Somos levados a crer que o Estado é importante, que ele é quase divino e que existe desde que o ser humano surgiu ou que é um mal menor. Sem Estado não haveria leis, não haveria organização e todos seriam individualistas tais como os homens-lobos de Hobbes. Infelizmente é isso que nos ensinam nas escolas, a história é falsificada com objetivo de querermos sempre uma autoridade, um governo. Muita gente acha que a anarquia é uma utopia e que nunca vai existir essa idade do ouro, logo a presença do Estado se faz necessária.

Acontece que tivemos sim, essa idade de ouro e foi na Idade Média que a maioria das pessoas por ignorância chama de Idade das Trevas. Foi nessa época que surgiram as comunas e as guildas que se guiavam por leis consuetudinárias ao invés de se guiar pelo direito romano. Os homens nessa época se associavam livremente, criavam fraternidades e federações.

Sobre as guildas e fraternidades diz Kropotkin: "Sob a designação de guildas, de amizades, de fraternidades, de universidades etc., pululavam as uniões para a defesa mútua; para a ofensa de vinganças recebidas por qualquer membro da união; para se solidarizarem com todos os atos que fossem levados a efeito - substituindo, assim, a estúpida vingança do olho por olho pela compensação, seguida da aceitação pura e simples do agressor na "fraternidade";para o aprendizado e exercício das profissões; para o socorro em caso de doença; para a defesa do território; para impedir as pretensões da autoridade nascente; para o comércio; para a prática da "boa vizinhança"; para a propaganda... para tudo, enfim, que o europeu educado pela Roma dos Césares e dos papas, solicita hoje ao Estado". [1]

Durante a Idade Média não existia o Estado, o Estado tal como é hoje é uma invenção moderna e não é nada daquilo que diz Hobbes, que é preciso um poder centralizador para que o homem não caia na guerra de todos contra todos.

Segundo este mesmo autor: "...Os bárbaros deixavam-se escravizar, trabalhando para os amos; mas seu espírito de ação livre e de livre entendimento não se tinha corrompido. apesar de tudo, as suas fraternidades tinham vida; e as suas cruzadas não fizeram senão despertá-las e desenvolvê-las no Ocidente. 
Então, e com grande espanto da Europa, eclodiu, nos séculos XI  e XII,  a revolução das comunas, revolução preparada desde longa data pelo espírito federativo, espírito este que saiu da união das fraternidades ajuramentadas com a comuna rural". [2]

Como bem se vê a anarquia, a acracia ou qualquer nome que se dê a isso não é uma utopia, uma ilusão de mentes românticas ou degeneradas como querem os defensores do Estado sejam conservadores sejam esquerdistas, sejam de centro. Um governo imposto, uma auto--gestão já existiu mas é claro que nossos historiadores oficiais não têm interesse em mencionar, daí que nossas gerações "educadas" nessa história se apegam ao Estado como aquela instituição que garante seus direitos e que o assiste em suas necessidades. E   diante de tal ocultação ou adulteração da história os anarquistas são odiados e insultados pelos estatólatras que não se deram ao trabalho de estudar os teóricos anarquistas.

De acordo com Kropotkin: "Em algumas regiões, o desenvolvimento destas comunas foi natural. Em outras - e foi a regra geral para a Europa ocidental - o seu desenvolvimento foi o resultado de uma revolução.
Quando os habitantes de um determinado burgo sentiam-se suficientemente protegidos por suas muralhas, formavam uma "conjuração". Voluntária e mutuamente faziam o juramento de abandonar, esquecer, mesmo, todas as questões provenientes de insultos, de lutas ou de ferimentos; e juravam também que, no futuro, não mais recorreriam, nas desavenças que porventura houvesse, a outro juiz que não fosse o síndico, ou os síndicos nomeados por eles. Em cada guilda de profissão ou de boa vizinhança, em cada fraternidade ajuramentada, este procedimento foi praticado durante um largo período de anos. E nas comunas rurais, antes do bispo ou do reizinho terem introduzido nelas para impor-se como juízes, observava-se o mesmo costume.
Mais tarde, as aldeias e as paróquias que constituíam o burgo, assim como todas as guildas ou fraternidades que se desenvolveram no seu seio, consideravam-se como uma única amizade, não só para nomear os seus juízes, como para jurar a união persistente entre todos os grupos.
Para isso redigia-se imediatamente uma carta que era aceita por unanimidade. Em caso de necessidade mandava-se copiar essa carta (espécie de constituição de que se conhecem, hoje,  centenas e centenas de exemplares) de qualquer comuna vizinha; e, assim, ficava constituída a nova comuna. Ao bispo, ou ao príncipe, que, até aquela data, tinha sido, em maior ou menor grau, o dono, o senhor, não lhe restava outro recurso senão o de aceitar o fato consumado, ou combater, por meio das armas, a nova conjuração. muitas vezes o rei, quer dizer, o príncipe que procurava dar-se ares  de superioridade sobre os outros príncipes, mas cujo cofre estava vazio, "outorgava" a carta mediante uma certa quantia. Deste modo renunciavaà imposição do seu jugo à comunidade, assumindo, depois, uma pose altiva perante os outros senhores feudais. Mas isto não era, de maneira alguma, a regra geral: centenas e centenas de comunas viviam sem outra sanção que não fosse a sua vontade, as suas muralhas e as suas lanças!". [3]

Isso porque o desafio de se conseguir, sem imposição da autoridade, a homogeneidade comportamental: o respeito para com o outro e para com o que é do outro, a compreensão da partilha necessária, de que não se pode matar, roubar, estuprar etc., ao que parece a mim e a muitos estudiosos cujos trabalhos conheço, dependeria de a mente humana ser uma tábula rasa lockiana, que fosse reprogramada numa espécie de lavagem cerebral coletiva que produzisse mentes funcionando da mesma maneira, predispostas a emitir os mesmos juízos de valor sobre as mesmas coisas. Ou seja, é basicamente a grande falha do “princípio da não agressão” dos anarcocapitalistas.

Na verdade, não, caro Camilo, somos anarquistas por natureza, muitas e muitas vezes entre amigos ajudamos e somos ajudados sem pedir algo em troca, sem inserir ideias de obrigatoriedade. Então, diante das evidências de que o ser humano é o lobo do outro homem, pensamos ser necessário um Estado policial e repressor. Agora, é fato que os detentores do poder não querem que o povo saiba a verdade, não é interessante saber que as comunas, guildas e fraternidades funcionavam sem a presença do Estado. O Estado precisa sobreviver através do medo das pessoas que se isolam e buscam conforto nessa entidade abstrata chamada Estado.

Infelizmente essas experiências começaram a acabar no século XVI com o fortalecimento dos comerciantes e apoio destes aos reis e também porque as fraternidades se emanciparam mas esqueceram de emancipar seus irmãos camponeses e esses se uniram aos senhores feudais e reis para enfraquecer e destruir as guildas e fraternidades e isso se deu simplesmente por causa de seu apoio aos reis e senhores feudais. Esta é a tese defendida por Kropotkin em seu livro: O Estado e seu papel histórico. Quanto a essa opinião do Steven Pinker penso que não se sustenta pois como já diziam os positivistas: contra fatos não há argumentos. É evidente que crimes continuarão existindo e mesmo injustiças mas numa escala bem menor, pois o que a sociedade procura é a justiça enquanto nossa sociedade só lhes dá a legalidade.

Notas: Todas as referências feitas à Kropotkin foram retiradas do livro "O Estado e seu papel histórico".

domingo, 21 de outubro de 2012

Redução nas contas de energia


Vou imitar aqui o Otário: Óóóó que legal a presidente Dilma vai reduzir o preço das contas de luz. Como ela é generosa! Puta que pariu presidente, não me fode! Vocês do PT fizeram com que essas empresas cobrassem a mais e agora só vão ter que restituir, o que é uma obrigação de vocês, não tem mérito nenhum. Porra, por que não falam que cometeram um erro durante 8 anos? Fazem a merda e ainda aproveitam para enganar o povo como se vocês estivessem nos fazendo um favor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Um mundo ácrata é possível?




Muitas pessoas tem me perguntado se um mundo anarquista é possível. Elas duvidam, é um direito que lhes assiste. Argumentam que um mundo anarquista é um mundo sem hierarquia, portanto não funciona, e, apresentam suas razões para isso. Uma delas é assaz interessante, fundamentada na biologia, mais especificamente, no evolucionismo. Essa tese afirma que o homem como ser biológico precisa de hierarquia e que mesmo no mundo dos primatas (e nós somos primatas) existe noção de hierarquia.

Piotr Kropotkin, anarquista russo e geógrafo, pesquisou a vida animal na Ásia e afirmou sim, que a evoluçãose dá pela seleção natural, mas não só pela seleção natural, também se dá pela cooperação, apoio mútuo, que é título de sua obra que versa sobre a reciprocidade.

Mas ainda que não existisse a evolução por meio da cooperação deveríamos aceitar o determinismo biológico? Não. Porque todo determinismo é reducionista, isto é, dogmático, se apresenta como a única ciência perfeita e verdadeira, as outras ciências não passam de charlatanismo, no caso dos cientificistas; de ideologia burguesa no caso dos marxistas ortodoxos. De modo que devemos rejeitar todo e qualquer reducionismo, seja biológico (darwinista), seja econômico (marxista), seja psicológico (freudista), uma vez que nenhuma ciência pode explicar o todo, e as ciências são especificidades, portanto fragmentação da realidade.

Ainda que o ser humano tenha uma forte inclinação biológica, ele não é determinado, tanto é verdade, que o ser humano pode criar e recriar culturas e valores. Dizem os biólogos que o estupro era comum na época das cavernas e que esses homens agiam por puro instinto. Ora, não era porque isso é normal e porque seja algo instintivo que devemos permitir que o estupro seja algo legal. Só o fato da maioria condenar o estupro mostra como a natureza humana, não é determinada, que tem plasticidade para se adaptar a novas situações. Explicados os porquês dos perigos do reducionismo, tentarei responder a pergunta:

                      É possível existir um mundo ácrata? 

A anarquia por ser um sistema sem governo só funciona se transformarmos a sociedade como explica Bakunin:

"Abolição de qualquer relação e de qualquer igreja do Estado ou mantida pelo Estado...
Necessidade absoluta de cada país que quiser fazer parte desta federação livre de povos de substituir a organização centralista, burocrática e militar por uma organização federal, baseada na liberdade absoluta e na autonomia das regiões, das províncias, dos municípios, das associações e dos indivíduos com funcionários eletivos e responsáveis diante do povo, e como o armamento nacional, organização que se formará, como atualmente, de cima para baixo, mas de baixo para cima e da circunferência para o centro, pelo princípio de federação livre, partindo dos indivíduos livres que formarão as associações, as comunas autônomas que formarão as províncias autônomas que formarão as regiões e das regiões que, federalizando-se livremente entre si, formarão os países que, por sua vez, formarão cedo ou tarde a federação universal e mundial". in A sociedade ou Fraternidade Internacional Revolucionária (1865)


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quem não cola não sai da escola


Quem não cola não sai da escola, acredito nisso! O(a) leitor(a) deve estar espantado(a) e se perguntando: Meu Deus como um professor pode dizer isso? Será que ele pirou? Não, não pirei, estou em plena posse de minhas faculdades mentais. E vou dizer mais: eu incentivo meus alunos a colarem em algumas de minhas provas. Daqui deste lado já ouço protestos, deixe-me explicar. A cola nas provas é um ótimo método pedagógico para trabalhar. Como assim? - você me pergunta. Veja só, se o aluno prepara a cola dele em casa, ele tem que ler e não só ler, mas tem que escrever também e muitas vezes tem que se esforçar em fazer tirinhas. Ora, tudo isso demanda um grande esforço que sem perceber o aluno acaba gravando na memória a matéria a ser estudada. Você nunca parou para pensar nisso?

É evidente que meus alunos estranham meus métodos,  (a cola pedagógica não fui eu que inventei, mas um outro professor que deu uma palestra para os professores da rede municipal de São Vicente) pois a cola é vista sempre como algo feio, desaprovada por todos os professores e se um professor se distancia desse discurso é porque deve estar maluco.

Quando marco uma prova com cola, aviso com uma semana de antecedência, peço para os alunos fazerem suas colinhas (individuais) porque no dia da prova não permito que se usem livros e cadernos, apenas a cola que foi preparada em casa ou mesmo em sala de aula. Sem que os alunos percebam acabam estudando e memorizando e não como uma obrigação, mas com prazer. Esta semana um de meus alunos perguntou: professor, para que serve a cola, se eu nem usei a cola na prova, se eu já sabia de tudo? Justamente - respondi - a cola serve para você estudar e sem perceber você memoriza, grava e aprende. É para isso que serve a cola.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Viva a teocracia!






Na política vale tudo para se ganhar as eleições ainda mais se tratando do Brasil, um país com uma porcentagem enorme de analfabetos e de outros tantos analfabetos funcionais e toda sorte de gente supersticiosa e fanática. Esse é o ambiente perfeito para oportunistas, já que não conseguem se promover por si mesmos pegam carona no carro da fé. 

Os fanáticos por exemplo votam em certos candidatos porque esses se apresentam como homens e mulheres de deus, isso é o quanto basta para votarem, não importa quais projetos de leis apresentarão à câmara, quantos projetos votarão ou se vigiarão o executivo. Para esse tipo de gente não importa quais projetos de leis apresentará à câmara, nem em quais projetos votará ou se vigiará o executivo. O que importa é que ele é o irmão na fé, que serve o mesmo deus, que é homofóbico, que odeia as outras religiões, etc... Agora, quando figuras desse naipe são eleitas, toda a sociedade paga, paga porque imbecis tem o direito de votar e foder prejudicar a sociedade. 

Aqui em São Vicente cidade onde nasci e onde moro a política está cada fez mais feia, cada eleição surgem mais e mais homens e mulheres de deus, já que ninguém se garante. Não confio em pessoas que se posam de servos de deus, pois estão manipulando as pessoas e as pessoas que deveriam votar no candidato,  votam em deus, no pastor, na congregação, exceto no candidato. E se os "eleitos do Senhor" ganham as eleições não é mérito deles, mas da idiotice de seus irmãos na fé. 

O que mais me deixou indignado foi quando peguei um panfleto do candidato Emmanuel Menezes Pimentel que desrespeitando o Estado laico criou a lei: Lei da semana gospel (evento musical, inserido no calendário oficial da cidade, realizado na praia do Itararé, gratuitamente), o leitor pode ver o verso do panfleto do candidato na foto acima, antes da postagem. É triste, mas como se pode destinar verba pública para particulares e mais ainda para fanáticos que com o dinheiro de não cristãos querem construir uma teocracia!!!

Já o homem guiado por deus, falo do sr. Marcelo Correia, foi acusado de estar ligado ao tráfico de entorpecentes,  é, tinha que ser um homem de Deus! Tudo bem que ele só é acusado, mas algumas coisas não se explicam como a compra do imóvel do seu assessor ou ex-assessor Rinaldo Bispo do Santos, três dias depois da denúncia... Mas deixa prá lá talvez sejam mistérios insondáveis de Deus!

Quando os fanáticos e oportunistas se candidatam não querem representar o povo mas apenas a parcela do povo que os interessa, só que se esquecem que os cargos políticos não são confessionais e sim laicos, portanto agem desonestamente se dirigindo aquela parte da população que os elege, e, os elege porque é boçal e é boçal porque não tem estudo e isso tudo é muito bom para continuar nesse círculo vicioso e manter o status quo. Além do mais é uma falta de caráter se apresentar como homem ou mulher de deus, pois se eu me apresento assim estou dizendo que o(a) outro(a) não é de deus, logo é mau/má.

Por uma política verdadeiramente laica, sem Deus e sem religião envolvidos, cada um no seu quadrado!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A escola pública é laica mas os talebãs tupiniquins não entendem isso!

Outro dia depois das aulas numa conversa descontraída com amigas professoras, elas me disseram como é difícil lecionar história, educação física e artes, por causa de alunos filhos de pais protestantes fundamentalistas (vulgarmente como conhecidos como evangélicos). Elas me disseram que sentem mal estar quando tem que abordar assuntos como carnaval, folclore, cultura africana no caso de história e artes, mas a  situação da educação física não é lá muito diferente. Soube da história que uma aluna se recusou a participar  das aulas de educação física porque não poderia sair correndo e ficar exposta a mostrar partes de seu corpo, é evidente que também a figurinha não iria querer usar calças pois argumentaria que é roupa de homem e blá blá blá blá.

É engraçado como essa gente põem seus filhos nas escolas públicas e querem determinar o que deve e o que não deve ser ensinado, eles que muitas vezes são semi-alfabetizados ou que são analfabetos funcionais, o problema, o grande problema é que os professores tem receio de lidar com eles e isso acaba fortalecendo suas superstições.

Então os pais proíbem que seus filhos façam trabalhos que envolvam os seguintes assuntos: carnaval, folclore, história e cultura dos afro-brasileiros,  etc..., isso porque esses assuntos são do diabo, claro que eles nunca pararam para refletir, infelizmente eles reproduzem o espírito do colonizador e não do colonizado.  A religião do oprimido é má e a do opressor é boa, ora, se os negros tivessem vencido a história religiosa seria outra.

Eles privam seus filhos de uma educação artística, de aprender, de produzir de criar e desenvolver competências porque carnaval e folclore são coisas do demo! Privam seus filhos de aprenderem a história africana e indígena, privam de conhecer culturas e de conhecer a história desses povos sofridos e a só vão conhecer a visão oficial da história que é a do colonizador bom e cristão, não tão bom cristão, já que era católico e não protestante. Privam seus filhos de fazer ginásticas! São inimigos do corpo logo inimigos da saúde e tudo isso por causa da infame leitura que fazem da Bíblia numa tentativa de transformar a sociedade secular numa teocracia neopentecostal. São tão cegos que se escandalizam com o que não provoca escândalo e aquilo que provoca escândalo encaram como perfeitamente normal: apedrejamento de bruxas, de adúlteras, e de sodomitas. (muitos querem ressuscitar essas prática) Isso não escandaliza! Todavia os professores  não devem contemporizar com fanáticos ou tolerar os intolerantes, uma vez que com eles não existe diálogo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dos manuais de filosofia




Li vários manuais de filosofia mas não vi nenhum imparcial, (isso não quer dizer que não existam autores imparciais, até porque não li todos os manuais de filosofia do mundo) quase todos os manuais e histórias da  filosofia carregam as tendências de seus respectivos autores.

Quando se lê uma história da filosofia o leitor espera encontrar imparcialidade mas infelizmente não encontra até porque tudo o que somos e o que fazemos leva o cunho partidário, ideológico de modo que não existe neutralidade. 

Leio manuais de filosofia desde minha adolescência (faz tempo!) e com o tempo tenho aprendido que os manuais diferem não pela matéria mas pela tendência, exemplo: Se o leitor ler o livro Vivendo a filosofia de Gabriel Chalita e ler os Fundamentos de filosofia de Afanasiev vai perceber que no primeiro livro a tendência do autor é acentuar a importância de autores católicos e dedicar mais páginas à Santo Agostinho e a Santo Tomás de Aquino assim como toda a Idade Média em detrimento dos filósofos acatólicos teístas ou não; já no segundo livro o autor trilha toda a história de filosofia, mostrando duas correntes: a idealista e a materialista que permeiam toda a história da filosofia. O autor do segundo livro é marxista-leninista então ele se propõe a mostrar todos os defeitos do idealismo e engrandecer o materialismo até chegar ao ápice que é o materialismo histórico/dialético, pois mesmo os materialismos anteriores carregavam vícios, o único bom é o da então URSS. 

Agora quando se trata de levar livros didáticos de filosofia (o do Chalita é didático) os professores devem ser bem criteriosos e escolher aqueles livros que sejam os menos parciais possível, de modo que seus alunos  possam conhecer todas as correntes da filosofia por si mesmos e possam ter autonomia para escolher a corrente que mais lhes agradar ou nenhuma. Num livro didático tendencioso o aluno praticamente é levado a escolher tal ou tal tendência filosófica. 

Agora quando se trata de livros específicos como Filosofia na Idade Média de Etienne Gilson é evidente que se trata de filosofia católica, além é claro de não se tratar de um manual de filosofia, mas uma exposição da filosofia medieval e da Igreja Católica Romana. Nesse caso o leitor não tem do que reclamar porque o autor está delimitando o tema. O mesmo se diga dos livros de Michel Onfray Contra-história da filosofia trata de pensadores materialistas, então o leitor está advertido sobre os temas de um e outro livro. 

Nada tenho contra os manuais de filosofia mas não pense que são imparciais porque não são e nem infalíveis, daí que é bom ter vários manuais para confrontar um com o outro, para eventuais esclarecimentos. Os manuais de filosofia muito auxiliam na ajuda de certas leituras difíceis de serem assimiladas, mas o melhor mesmo depois das leituras dos manuais é iniciar a leitura dos filósofos por si mesmo pois aí você não encontrará interpretações, verá os filósofos tais como são e a interpretação do que ele disse de fato ou do que se cogita fica por sua conta leitor. Os manuais servem apenas para uma orientação, são como bússolas que apontam para o norte, mas se você não sabe os pontos cardeais as bússolas para nada servem. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Da falsa modéstia




Em nossa sociedade as pessoas não estão acostumadas com pessoas sinceras, nem com verdades, confundem o ter personalidade com arrogância e fraqueza de espírito com humildade. O engraçado é que essas pessoas (falo das redes sociais) que se dizem humildes xingam, destratam os outros, fazem alarde dos conhecimentos de tal e tal assunto, mas quando alguém fala contra a cultura de massa se revoltam tomam as dores, censuram, te acusam de arrogância, olvidando que o ato de acusar alguém disso já é um ato de arrogância, porque acha que a sua opinião é verdadeira e não pode ser questionada, interessante não?

Essas pessoas se acham modernas, livres de preconceitos, homens e mulheres póstumos mas na verdade não passam de imitação barata e mal feita do homem superior de Nietzsche. Muitas dessas pessoas adoram citar frases buriladas de Nelson Rodrigues, de Nietzsche, de Oscar Wilde, de Freud dizendo que concordam com essas celebridades, mas esse concordar é um falso concordar, pois quando alguém (e esse foi o meu caso) escreve:

"Eu gosto do povo/massa pois graças à ele(a) eu posso saber o que é um bom filme, uma boa música, um bom livro. Explico-me se a massa ouve uma música eu não a ouço; se lê um livro (exemplos: agapinho, bíblia, a cabana) eu rechaço; se assiste a um filme (os vingadores) é um bom sinal para não assistir".   


Essas pessoas caem em cima criticando, afirmando que o autor da frase é arrogante, preconceituoso, etc... Que não tinha o direito de exarar essa opinião, aí quando você cita um autor que pessoas "humildes" gostam como Nelson Rodrigues: "A unanimidade é burra", elas tem a coragem de perguntar ao interlocutor se este está se nivelando ao dramaturgo.  Engraçado, essas pessoas apóiam tudo o que ele escreveu, inclusive coisas ofensivas as massas e ficam chocadas quando alguém coerente, isto é, que tenta seguir pensadores como Diógenes o cínico, Nietzsche entre outros são criticados pela autenticidade. Porque autenticidade para essa gente é ser hipócrita, é esconder o que pensa. Essas pessoas que se dizem tão avançadas somente o são para fazer citações a fim de parecerem interessantes/intelectuais mas não passam disso, pois na hora de colocar em prática o que dizem acreditar se mostram tão ou mais reacionárias que as pessoas assumidamente conservadoras, pregando a "moral e os bons costumes". 


Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco não? Essas pessoas que estão aí no mundo virtual adoram mostrar sua sabença, humilhar os que discordam delas e depois quando encontram alguém autêntico posam de São Geraldo Majela, a humildade personificada. Mas para censurar um ser declaradamente orgulhoso é preciso ser ainda mais orgulhoso que ele, é o caso de Diógenes que disse:


- Piso no orgulho de Platão.
- Logo com um orgulho maior, respondeu Platão. 


Eu não posso fazer nada se já descartei há tempos a falsa modéstia e essa humildade forjada em oficinas de teatro de 5ª categoria. Por que hei de negar uma coisa assim:

- você é inteligente.
- não, não bondade sua.

Acaso isso não é hipocrisia e querer se passar por humilde não é querer que o outro continue elogiando e admirando ainda mais por causa da falsa humildade?  Esse tipo de gente admira pensadores ousados mas quando encontram pessoas ousadas caem em contradição, pois elogiam aquilo que falaram e fizeram e quando alguém se põe a imitá-los, censuram. É, hipocrisia é FODA!!!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Prometheus o filme




Caro(a) leitor(a) resolvi escrever hoje porque ontem assisti ao filme Prometheus e tive um insight, então é melhor aproveitar o momento e vou falar sobre o filme.
Prometheus se passa num futuro não muito distante, em 2093. O filme começa com um alienígena que se mata aqui na Terra e o seu  DNA parece que cria a espécie humana (deve ser isso ou não entendi bem o início do filme).

Um casal de arqueólogos no ano de dois mil e oitenta e pouco descobre uma pintura pré-histórica de 35.000 anos na Escócia, e o impressionante é que um gigante aponta para uma constelação, alguns anos mais tarde a nave Prometheus vai em busca desse planeta. O enredo do filme é um besteirol científico bem ao gosto da literatura produzida por Erich Von Däniken e o seu clássico "Eram os deuses astronautas".

Depois de uma viagem em que a tripulação passou dois anos dormindo, a mesma é despertada, e uma das coordenadoras do projeto mostra um holograma de um velho feito em 2091, explicando o porquê do projeto e para que foram contratados ao fim do holograma o velho indica os arqueólogos como os líderes do grupo.


Chegando à lua onde vivem os alienígenas eles desembarcam nesse mundo hostil, logo exploram e descobrem a cabeça de um desses alienígenas, supostos pais dos seres humanos e levam-na para fazer pesquisas e descobrem que o seu DNA  é compatível com o dos seres humanos, ou seja, é o mesmo DNA.

Em meio à expedição dois integrantes do grupo se separam por causa de brigas fúteis, esses dois integrantes acabam se perdendo, enquanto o grupo que é liderado pelos arqueólogos volta para a nave em meio uma tempestade com a cabeça do alienígena.

Um robô que está entre eles acaba descobrindo coisas que os cientistas não descobriram e ele faz testes com o arqueólogo com uma arma biológica que encontrou e o infecta. Nessa mesma noite ele se deita com sua companheira, acorda com alguns sintomas de mutação mas mesmo assim vai à expedição, volta bem mais doente e quando chegam próximo a nave Prometheus pedem que abram a escotilha, a coordenadora do projeto não permite que o doutor entre na nave, somente seus companheiros, a coordenadora está com um lança chamas e ele avança, se despedindo da companheira, ele pede que a coordenadora acabe logo com isso então ela o incendeia e ele morre, após isso todos ingressam no interior da nave. Os outros dois continuam perdido, numa manhã saem em expedição para ver se os regatam, encontraram-nos ambos mortos. Enquanto isso David (o andróide) leva a arqueóloga para a sala de cirurgia e diz-lhe que ela está grávida de três meses, ela diz que não está grávida, que é impossível porque é estéril, então David pergunta se ela manteve relações com o arqueólogo, ela disse que sim há 16 horas. Ela quis ver o feto e David disse que o feto não era um feto convencional. David a isola, ela foge e sozinha vai para a sala de cirurgia e retira sozinha o ser estranho que está dentro de seu ventre.

Um dos dois cientistas que se separaram do grupo volta à nave mas não é bem ele, mas ele metamorfoseado num alienígena predador que mata alguns integrantes da tripulação até ser morto.

A doutora descobre que o velho que financiou o programa está vivo e que David descobriu que um dos alienígenas pré-humanos está vivo dormindo numa cápsula. O velho explicou que o motivo da missão era descobrir a imortalidade pois ele não queria morrer e disse para a doutora que se eles (os pré-humanos) os criaram eles poderiam salvá-los. Foram ao encontro desse ser e ao despertá-lo David falou em sua língua, o velho mandou que perguntasse os segredos da vida, enquanto a arqueóloga pediu-lhe que perguntasse por que tinham criado os seres humanos. O ser pré-humano arrancou a cabeça do robô e matou o velho, a arqueóloga fugiu. Enquanto isso, o capitão da nave Prometheus descobriu que aquele lugar era uma nave e que aquele mundo era uma base militar e uma armadilha para os seres humanos, logo aquelas pinturas rupestres apontando para o céu e dando as coordenadas daquele lugar não era um convite amistoso, mas uma armadilha. E é neste ponto que desejo me deter e fazer um pouco de filosofia ainda que eu seja um arrivista.

Vamos às questões.

A finitude assusta o homem, ele deseja a imortalidade e por isso faria qualquer coisa. Talvez porque a maioria de nós não vive, apenas existe.

Os arqueólogos queriam saber a verdade de sua origem e isso desemboca naquelas velhas questões:
Quem somos?
De onde viemos?
Para onde vamos?

Como o ser humano é curioso e não satisfaz com meias respostas ou com emias verdades ele sai em busca daquilo que julga ser verdade. O princípio da razão suficiente sempre vai falar mais alto. Outra questão interessante que o filme suscita é a vontade de querer entrar em contato com os alienígenas e que isso pode ser perigoso como bem demonstrou o filme e alertou o grande cientista Stephen Hawking.

Enfim o filme vale pelas questões filosóficas que suscita, a eterna busca do homem por sua origem, pela imortalidade, contato com extra-terrestres, etc...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Site islâmico oferece recompensa por morte de rapper iraniano




Um site islâmico oferece recompensa por morte de rapper islâmico, notícia interessante para os servos de Allah que desejam tirar o pé da lama, visto que o pão de cada dia não cai do céu.  $100.000 dólares para matar um homem, poxa, parece que o paraíso com 72 virgens não tem tanto efeito quanto $100.000 dólares, é que o paraíso é hipotético mas o dinheiro é real, não é o nosso real, mas é real.

Mas por que os líderes mulçumanos querem matá-lo? Porque ele blasfemou e a blasfêmia tem que ser punida com a morte, isto é, com um assassinato, ou seja, os mulçumanos punem um suposto crime com um crime de verdade, muito lógico não?

Mas qual foi a blasfêmia segundo os clérigos mulçumanos? Ele fez uma canção que "insulta" Ali al-Hadi al-Naqi, um dos 12 imãs --as personagens religiosas fervorosamente reverenciadas por muçulmanos xiitas. Realmente muito justa a acusação de blasfêmia, o morto não reclamou, mas os seus defensores lá estão para tomar as dores do morto que lá do além-túmulo deve estar interessadíssimo no caso. Certamente que Ali al-Hadi al-Naqi deve estar clamando vingança a Allah, o Clemente e o Misericordioso. 


Amo de paixão essas sociedades teocráticas que tem um senso de justiça tão apurado, onde as pessoas defendem com zelo Deus e os seus santos. Realmente as sociedades teocráticas são o céu na terra, o paraíso no degredo, um oásis no deserto. Os clérigos poderiam oferecer apenas o céu com 72 virgens e outras delícias para quem matasse em nome de Deus e da "santa religião" mas não, eles são generosos oferecem as delícias do mundo presente e do mundo vindouro. É justo não é, receber uma recompensa na Terra e depois outra no céu por um crime? Religião boa essa né? Você comete crime mas é como se não tivesse cometendo. Uma dúvida me surge na mente quem moverá os fiéis a matarem esse apóstata Allah, o Clemente e Misericordioso ou Mamon, o verdadeiro e máximo deus deste mundo? Em minha humilde opinião acho que Pluto tem maior poder persuasão que Allah, Allah perto de Pluto, isto é, $100.000 não passa de um deus de segunda categoria, e não sou eu quem digo, são os próprios mulçumanos que dizem isso, pois se Allah pudesse persuadir de per si que necessidade teriam os clérigos de oferecer tão bela recompensa? 


Dar dinheiro para matar os inimigos de Deus é louvar a Deus da  melhor forma é exaltá-lo, porque Deus é grande, Allahu Akabar! Tudo bem que esses $100.000 dólares poderiam servir para construir um hospital público no Irã, construir universidades, diminuir as desigualdades sociais criando um pais mais justo ou um país menos injusto, mas que são essas ninharias perto das ofensas feitas a Allah e seus santos? Não são nada, e ainda que eu pudesse socorrer todos os pobres do mundo e não matasse os infiéis isso não seria nada; pois o ódio é caluniador, injusto, folga com a mentira, não tem paciência, é ciumento e vingativo. Por ora subsistem três dons: a má fé, a tola esperança e o ódio, o maior deles é o ódio que faz a religião crescer e que afirma que os fiéis são superiores àqueles que não cultuam Allah e não respeitam seus santos. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um grande orador



Hoje me senti obrigado a escrever sobre um grande orador da baixada santista, o cônego Paulo Horneaux (pronuncia-se Hornô) de Moura Filho. Não se preocupe dileto(a) leitor(a) não é sobre religião que vou discorrer.

Na minha adolescência eu era católico romano devoto, beato, carola, papa-hóstia, mas por razões teológicas abandonei o romanismo, mas isso não vem ao caso e não é sobre o meu abandono da fé romana que você está interessado(a) mas sobre o grande orador, pois bem falemos sobre ele.

Padre Paulo santo para muitos, politiqueiro para outros, e demônio para alguns foi um grande orador, não vou tecer minhas considerações sobre sua pessoa, apenas abordarei sua faceta enquanto orador.

Já andei por várias igrejas dentro do estado de São Paulo, conheci alguns bispos e padres à rodo e nunca vi um que se equiparasse ao cônego Paulo Horneaux de Moura seja em conhecimentos históricos, geográficos, filosóficos, literários seja em saber como se postar frente à um auditório. Também por curiosidade andei no meio protestante tradicional e pentecostal e nenhum pregador tem sequer um trilionésimo da cultura que teve o padre Paulo.

Lembro-me de suas homilias como se fosse hoje, com sua batina alva com a estola da cor do tempo litúrgico, subindo ao púlpito e lá ele esperava que o povo silenciasse, então pedia ao povo que rezasse uma ave-maria e que pedisse ao Espírito Santo que o inspirasse e depois encenava estar inspirado e falava com autoridade. Tudo nele falava e não só a boca, falavam as mãos, os olhos e todo o corpo.

O cônego Paulo sabia modular a voz, fazer caras e bocas e o que é mais importante, sabia comover o auditório, era o tipo de orador que poderia dizer obscenidades dignas de marquês de Sade e ainda todo o povo choraria copiosamente, com ele aprendi que o importante não é dizer algo mas como se diz esse algo, pois os ouvintes se atentam mais ao como é dito do que ao que é dito.

Creio que posso dizer que em minha adolescência minha admiração por esse grande retórico era o mesmo que Agostinho de Hipona sentia ao ver o bispo Ambrósio de Milão. Eu mesmo mais me interessava na forma como dizia do que dizia, era um espetáculo vê-lo pregar e como conseguia persuadir seus fiéis a respeito de quaisquer coisas que lhe interessassem.

Esse padre não tinha o olhar hipnótico de Rasputin mas o timbre de sua voz melodiosa e seus gestos graciosos no púlpito cativavam seus ouvintes levando-os à comoção. Se um orador seja este político, religioso, advogado, promotor, conferencista não mexe internamente com seu auditório então não é um bom orador. Creio que o meu amor às palavras e o modo como converso carregam um pouco do estilo desse homem. Dizem que a palavra é de prata e o silêncio é de ouro mas penso ser o contrário o silêncio é de prata e a palavra de ouro, não é à toa que o apóstolo João identificou Jesus Cristo com o  λόγος, o verbo, a palavra.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Porque sou a favor das cotas raciais




Na semana passada vi muita polêmica ao redor das cotas para negros nas universidades no facebook, infelizmente má polêmica, de gente que argumenta mal. Vi também fotos digitais com dizeres contra as cotas, isso me assustou a tal ponto que me perguntei: que país é esse?

Eu sou a favor sim das cotas raciais e imagino que o leitor queira saber por quê? Sou a favor das cotas não porque os negros sejam incapazes de competir com os brancos, não mil vezes não! Mesmo porque não existem raças humanas, o que nos diferencia são apenas fatores superficiais, mas graças à esse fatores os negros foram escravizados, humilhados, desprezados e colocados à margem da sociedade. 

Os negros foram escravos no Brasil por cerca de 300 anos e a abolição da escravatura foi uma palhaçada, pura jogada política, posto que a Inglaterra já estava pressionando o Brasil fazia algum tempo, pois o modo de produção já tinha sofrido significativos avanços. A abolição da escravatura porque aquela princesa de alma generosa alforriava os negros mas simultaneamente os deixava sem trabalho, sem abrigo, sem comida e sem indenização. A partir daí começa uma nova história para os negros, uma história de novos sofrimentos e de exclusão. 

Hoje, em 2012, gente branca, mestiça e mesmo negros que desconhecem história, direito e o que seja justiça vão às redes sociais e falar a primeira merda besteira que assoma à cabeça contra as cotas raciais, chegam ao absurdo de escrever pérolas como essa: "as cotas são uma nova forma de racismo porque põe os negros como inferiores". Não percebem ou não querem perceber o óbvio que a maioria do Brasil hoje é composta de negros e que os negros sofreram e sofrem diversos tipos de discriminações. E a questão das cotas não é "privilegiar os negros" como andam distorcendo certas pessoas que fisolofam bem e filosofam mal.  

A questão das cotas não é ter dó dos negros mas uma correção de uma injustiça histórica, os negros foram escravos por 300 anos, os primeiros negros do Brasil foram aqueles que foram tirados à força de seus países no continente africano. Essa injustiça deve ser corrigida e a forma mais viável foram as cotas. Então não me venham com essa conversa mole para boi dormir, que as cotas não devem existir, porque seria uma forma de racismo. Aliás, um racismo ao contrário não? Um racismo que pretende nivelar negros e brancos. 
Também não me venham com aquela conversa fiada: "conheço negros que cursaram uma federal sem a ajuda de cotas". Ótimo, se você conhece parabéns, mas a exceção não elimina a regra e o fato de um negro não querer ser ajudado pelas cotas de modo algum isso apaga o fato de que os negros devem ser indenizados por tudo o que sofreram no Brasil. Por trás desses discursos está escondida a ideologia da classe dominante, que não quer reparar seus erros. Agora, o que muito me admira é que gente que diz entender de filosofia entenda mesmo é de fascismo!

sábado, 21 de abril de 2012

Aviso aos idiotas de plantão

Um idiota que leu a postagem "Os ateus e o ar" cocômentou meu blog tentando tirar sarro,  se dirigindo a mim, o sujeito sequer se deu ao trabalho de ler de quem era a postagem. Só não o chamarei de burro porque não quero ser processado pela sociedade protetora dos animais. Porra, lê quem é o autor da postagem, antes de vir aqui fazer merda.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

19 de abril dia do índio




Hoje no Brasil é dia do índio, mas os indígenas não tem o que comemorar, tem sim  o que lamentar. Nossos índios também são vítimas do capitalismo e não há quem os defenda, na verdade há, mas os que os defendem muitas vezes não tem acesso ao poder o que dificulta sua defesa.

Os grandes latifundiários expulsam os índios de suas terras com as mais esfarrapadas desculpas e não são punidos, esses senhores que ajuntam terra á terra, são os verdadeiros criminosos, não respeitando as nações indígenas, e roubando-lhes tudo. Tudo isso em nome do progresso, do empreendedorismo e da"sadia competição do mercado". São desflorestamentos na Amazônia, rotas do tráfico de entorpecentes, são queimadas para transformar o lugar em pastagem e a expulsão dos nativos.

O homem branco "civilizado" pratica as piores barbaridades e ainda chama os índios de selvagens. De que adianta o progresso tecnológico sem ética? Melhor seria viver como os índios em sua simplicidade, respeitando a natureza. A tecnologia é boa, as conquistas que a civilização tem feito nos últimos 4 séculos são notáveis, mas isso de nada adianta se a ética via ralo abaixo.

A  FUNAI  (fundação nacional do índio) que deveria proteger os indígenas se mostra ineficiente em seu dever, é mais uma instituição para inglês ver do que para proteger nossos índios. Onde está o governo quando se precisa dele? Onde estão as forças armadas para combater aqueles que fazem de tudo para explorar e exterminar os indígenas?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

PROUNI



Caro(a) leitor(a) não sei sua opinião acerca do PROUNI, mas a minha opinião é que ele tem ajudado muito e que o  Lula se mostrou muito socialista criando o PROUNI, não se assuste leitor(a), não pare de ler, ainda não conclui meu raciocínio, depois se quiser pode me mandar às favas ou às urtigas. Sim, o PROUNI tem ajudado os donos das faculdades privadas que estavam em dívidas, inadimplentes e que o Lulinha paz e amor foi um grande socialista, socializando o dinheiro público com essas empresas privadas, esse é o socialismo do Lula, o socialismo à la PT.

No site do PSTU  encontramos isso: As universidades particulares, depois de uma expansão desenfreada na década de 90, vivem hoje uma profunda crise. Segundo levantamentos do governo, existem 550 mil vagas “ociosas” e, de acordo com os empresários da educação, 30% dos estudantes matriculados estão inadimplentes. Mas por que isso acontece? Com o arrocho salarial, decorrente da política econômica ditada pelo FMI, os estudantes-trabalhadores não conseguem pagar as mensalidades que sobem ininterruptamente. Isto é, o ensino é tratado como uma mercadoria como qualquer outra.


A solução encontrada pelo governo foi a MP n0 213 (ProUni), decretada em 10 de setembro de 2004, configurando assim um verdadeiro plano de privatização das universidades públicas e salvamento dos famintos tubarões do ensino privado. Hoje o governo gasta em torno de R$ 3 bilhões em isenções fiscais com os donos das faculdades particulares por meio do FIES, bolsas de vários tipos, subsídios do BNDES e outras regalias. Somente o ProUni consumirá R$ 196 milhões para ocupar 112 vagas em 2005. Ou seja, o governo compra milhares de vagas ociosas e ainda cria a imagem de que está incluindo os estudantes carentes no ensino superior. Essa é uma opção consciente de Lula e Tarso Genro, porque, segundo dados do próprio governo, com essa verba se poderia criar um milhão de vagas nas universidades públicas.

A primeira vista parece que o PT  está a favor dos pobres permitindo que os filhos das pessoas das mais baixas camadas sociais ingressem no ensino superior, mas na verdade o governo está ajudando mercadores do ensino que     ficaram inadimplentes e para que estes não vão à falência o governo da isenção fiscal em troca de umas bolsas e de um ensino de péssima qualidade. O governo financia mesmo bolsas para o ensino à distância, assim os donos dessas empresas não terão muitos gastos e terão em retorno grandes lucros. 

Ao invés de gastar o dinheiro público com a ampliação das universidades públicas e criando outras universidades públicas, o governo do neoliberal do PT (partido dos empresários e o T do PT? É de T de traição) financia os empresários e mente para o povo afirmando que ajuda a população carente com o PROUNI. O PROUNI  não contempla todos os estudantes e tampouco oferece cursos caros como medicina, engenharia e outros do mesmo jaez como você poderá ler no texto "A farsa do ProuUni". Se o governo petista quisesse mesmo ajudar os jovens de baixa renda, estudantes trabalhadores, aumentaria as vagas nas universidades públicas e criaria mais universidades públicas. Mas é mais fácil privatizar a educação superior, ajudar os empresários, fingir que ajuda os pobres e ainda assim sair bonito na foto como se diz por aí. Alimentar o PROUNI é alimentar o neoliberalismo, é impedir que aquelas pessoas que tiveram péssima educação básica e média não possam ingressar num ensino superior de qualidade, gratuito e público. É criar dois ensinos superiores: o público para os ricos e o privado para os pobres e assim se mantêm incólume as castas. Eu sou totalmente contra o PROUNI, não porque eu quero que as pessoas sem recursos não estudem, mas para que estudem de graça, porque isso deve ser universal e gratuito, portanto para todos. Se você concorda comigo grite: Abaixo PROUNI! Agora se discorda apresente objeções pautadas na boa argumentação racional e sem emotivismos baratos. É, isso.



Faltam professores

Tenho conversado com professores amigos das redes públicas (municipais e estaduais) e eles me disseram que  estão faltando professores, sinceramente pra mim não é novidade, pois quem vai querer trabalhar com uma clientela desinteressada, indisciplinada e mal-educada e ainda com um salário baixo? Só quem ama muito a educação ou não encontrou coisa melhor.

Há escolas que professores de história lecionam geografia, professores de ciências ensinam artes, advogados ensinam língua portuguesa e por aí vai nossa educação farsa educacional.

O governo não dá estrutura alguma para os professores trabalharem: classes com 40 alunos, salas mal iluminadas, salário baixo, não é de admirar que as licenciaturas estejam fechando. É evidente que isso é culpa do governo que transformou a categoria de professores em babás, obrigando esses profissionais a fazer o que as famílias dos alunos deviam ter feito e não fizeram: educar. Fora que os professores ainda podem ser agredidos por menores e nada podem fazer, porque aqui no Brasil menor tem direito a tudo. Sinceramente, eu espero que haja cada vez menos professores porque só assim nós professores seremos valorizados.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Visita à favela e considerações sociológicas




No último domingo fui à favela visitar um parente idoso, mas não é sobre isso que vou discorrer, mas sobre os problemas do lugar.

A favela é produto humano, para ser mais preciso é um produto das relações econômicas, das injustas relações econômicas, é um lugar mas não é um lugar natural assim como a área nobre de uma cidade também não é, ambos os lugares foram transformados pelo ser humano através das relações de produção, trata-se então de uma segunda natureza.

Mas como as relações de produção capitalista podem criar lugares assim? Simples, através da exploração econômica, quando o homem se torna o lobo de outro homem, homo homini lupus. Os operários, os trabalhadores em geral recebem salários baixos por causa da mais-valia. Os trabalhadores trabalham mais tempo ou produzem mais sem que haja aumento no salário. Com salários baixos eles podem apenas sobreviver com o básico para continuarem trabalhando para seus patrões. É evidente que os salários dos trabalhadores pouco qualificados são baixos porque existe muita mão de obra para poucos empregos e aí surge a lei da oferta e da procura, excesso de mão de obra, muita gente querendo trabalhar e não há empregos para todos, claro que isso agrada aos patrões que podem ditar o valor do salário a ser recebido por seus escravos empregados e quando existe um excedente de mão de obra que fica desempregada chamamos esse excedente de exército industrial de reserva. Essa gente que recebe salários indignos pode apenas sobreviver, os desempregados tem que arrumar subempregos, os famosos "bicos", sobreviver dos benefícios como o bolsa família ou entrar para o serviço do Estado paralelo, isto é, o tráfico de entorpecentes.

Se as pessoas mal remuneradas e desempregadas mal podem se alimentar, mal podem se vestir como poderão ter casas? Como poderão pagar aluguéis? Por não conseguir pagar aluguéis acabam por invadir os mangues, terrenos abandonados, etc... Não porque gostem disso, mas porque precisam sobreviver. Esse grupo de trabalhadores, desempregados e marginalizados vão para esses lugares e aí começam as favelas: barracos amontoados uns em cima de outros, palafitas e toda sorte de construções precárias sem quaisquer mínimas infra-estruturas, com os famosos gatos e a total desasistência do Estado que muitas vezes não garante sequer o saneamento básico.

Esses lugares são verdadeiros infernos, onde faltam muitas coisas. Não há privacidade, não há segurança, pode ocorrer um incêndio, uma ripa apodrece e a ponte fica instável com o risco de quebrar. Triste não? Esses lugares produzem seres humanos brutalizados, fracos, doentes físicos e mentais, revoltados, analfabetos ou gente de baixa instrução, daí Marx dizer com certa razão que "não é a consciência dos homens que determina sua existência, mas é a sua existência social que determina sua consciência". (Teses sobre Feuerbach) Evidente que não podemos ser deterministas, por isso, acredito que seja um condicionamento e não necessariamente um determinismo econômico, mas é o que ocorre de fato. 

Quem mora na favela tem que ter muita esperança ou muito desespero, quem tem muita esperança se apega à fé cega e ingressa numa igreja milagreira que satisfaça suas aspirações, que entorpeça essa gente pobre e a faça esquecer por um momento sua realidade. Daí que nas favelas abundam seitas pentecostais para todos os gostos, uma em frente da outra, uma ao lado da outra, em cada esquina e por toda a favela. No meio da favela não há centros espíritas, pois essa religião não é milagreira e só pessoas com certo nível intelectual são capazes ade assimilar sua doutrina. Também não se encontram capelas católicas romanas, até porque não temos mais padres operários e a igreja romana (com poucas exceções) não conta  com padres e leigos interessados em ajudar os favelados. Então os favelados se apegam à fé cega na esperança de que servindo Jeová dos exércitos, este lhes faça mercês:  dando empregos, oportunidades, melhores salários, pois como diz um versículo bíblico, (infelizmente muito mal interpretado) Deus é fiel! Sim, esta parcela de moradores das favelas tem que se apegar a Deus e aos milagres, pois é só com isso que podem contar, pois eles não tem acesso à saúde, à educação e nem à segurança, então sua fé nas  seitas neopentecostais faz às vezes do Estado. Por outro lado, quem não tem esperança, tem desespero e o desespero faz com que essa outra parcela dos moradores das favelas entrem para o mundo do crime, porque no fundo, eles sabem que sem estudo e no lugar onde moram nunca serão ninguém, então porque se iludir se a realidade não vai mudar? É aí que passam a ser revoltar com suas condições, ter ódio e considerar as pessoas como objetos descartáveis, daí, não custa muito pegar um revólver e matar alguém por uns míseros reais. Consideram as pessoas como lixo, porque a sociedade lhes ensinou isso, pois sempre foram tratados como lixo e o que eles fazem outra coisa não é do que reproduzir a ideologia da sociedade capitalista: o importante não é ser mas ter. 
Não é fácil encarar a realidade num lugar que cheira mal, as ruas não são asfaltadas, os barracos caem aos pedaços e você tem ao redor pessoas feias, feias sim, porque maltratadas e maltratadas porque não tem dinheiro para se vestir bem e cuidar da aparência. Talvez seja por isso, que muitos jovens usem drogas nas favelas para tentar fugir de suas tristes realidades. 

Os comunistas costumam dizer que essas pessoas são imediatistas e não tem uma visão para o futuro, isso quando não dizem que os favelados desempregados, traficantes, bandidos, prostitutas são  o lupemproletariado. Mas ajudar que é bom, nada. São ótimos críticos e talvez ótimos leitores de Marx e nada mais. 

Os padres e fiéis romanos reacionários dizem que eles tem que se conformar com a vida porque essa é a "vontade de Deus" que ele assim estabeleceu "em sua sabedoria", que nós "não podemos entender seus desígnios" e que "a revolta é contra Deus e se continuar nessa revolta depois da morte ainda vai queimar no inferno, mas caso se resigne Deus lhe dará um prêmio imorredouro". 

Os ateus liberais e "humanistas" que são a favor do aborto em nome da humanidade, pouco ou nada se preocupam com os favelados, se acham muito confortáveis em seu ateísmo de classe média b, e geralmente criticam essa religiosidade doentia dos favelados, criticam o efeito mas não abordam à causa. Queria ver se esses ateus conseguiriam viver em seu racionalismo dentro de uma favela sem ter uma perspectiva de vida, sem um amanhã melhor... ou se cometeriam suicídio, pois se Deus não existe e a situação não vai melhorar para que prolongar a dor da existência? Ora, o problema dessa fé cega é um só: a ausência do Estado. Então ao invés de ensinar pessoas como essas que Deus não existe, deveriam ajudar a erradicar as favelas, lutando por uma justa distribuição de renda.

Os políticos se aproveitam dos favelados para darem cestas básicas, materiais de construção, camisas de futebol para times de várzeas e outras quinquilharias, sempre nos anos eleitoreiros, e claro esse povo vota neles, porque ao menos eles "fizeram alguma coisa". 

Uma última questão, uma vez que me estendi mais do que devia neste texto, por que as favelas geralmente são longe dos centros urbanos? Para que eles (os favelados) "não contaminem" a "boa sociedade", para que sua realidade não seja conhecida, e para que não tenham como reivindicar seus direitos nas câmaras e prefeituras. 

A favela é fruto do capitalismo, do egoísmo e das desigualdades, se alguém diz o contrário que prove ao invés de mergulhar em delírios idealistas que não explicam a realidade.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Carta a Sam Harris






Caro Sam Harris acabei de ler o seu livro Carta a uma nação cristã e realmente você argumenta muito melhor que o seu colega de profissão Richard Dawkins, autor de Deus um delírio. Richard Dawkins disse no prefácio do seu livro que você nunca erra o alvo, e li o livro com a curiosidade de saber se isso é verdade ou se isso era apenas mais um dogma do sr. Dawkins. Não vou me deter naquilo que concordo pois isso seria mera repetição e reprodução de ideias pura e simples.

Sam não sei se foi por ignorância ou por malícia mas você disse que Jesus era a favor da escravidão e você cita Paulo para confirmar isso e afirmou que Jesus nunca se pronunciou contra a escravidão. Qualquer pessoa que leia os Evangelhos independente de crer ou descrer sabe que Jesus nunca apoiou a escravidão, pois o mesmo disse: "Fazei aos homens o que desejais que eles vos façam", "Eu não vim para ser servido mas para servir", "Quando orardes dizei Pai-nosso" e se isso não basta atente para Nietzsche, o filósofo afirmou que a revolta dos escravos, começada por Jesus, conquistara então a vitória. Afirmar que Jesus era a favor da escravidão ou é cegueira ou maldade, prefiro crer que seja cegueira, pois como disse Paulo apóstolo: (I Cor 13) "A caridade tudo crê".


Você disse de forma obscura preferir os crentes que levam tudo ao pé da letra do que os cristãos liberais, inclusive insinuou nas entrelinhas que os cristãos moderados e liberais não são sinceros por não crerem na Bíblia ipsis litteris. Claro, eu entendo seu pensamento, afinal você sabe que os cristãos liberais não são inimigos da ciência e isso lhe irrita, porque você quer divorciar a religião da ciência da mesma maneira que o Dawkins. Ora, é mais fácil debater com fanáticos, porque estes negam a ciência e não sabem argumentar, e, aqueles crentes sinceros que você refuta podem engrossar a fila do exército ateístico. 


Você que é cientificista é o pior dos metafísicos quando diz que o ateísmo não é uma filosofia nem um modo de ser e que esse termo não deveria existir da mesma forma que não existe o termo não-astrólogo, que o ateísmo é o óbvio. Sam, se o ateísmo é tão óbvio como você afirma, explique-me o fato de serem agnósticos Darwin, Thomas Huxley, Stuart Mill, Stephen Jay Gould entre outros? 


Você diz que os cientistas são humildes ao aceitar que não podem conhecer tudo, o que não vale para você, pois nega a existência de deus, e quem nega, não tem dúvidas, está convencido de uma verdade: "deus não existe", tão dogmático contra os teístas que você tanto gosta de atacar. E mesmo porque Sam Harris o objeto da ciência não é o imaterial, mas o material. E, se fôssemos falar de coisas que não existem no mundo real eu pediria para você provar a existência da lógica e matemática que são disciplinas totalmente metafísicas e abstratas e por serem assim elas não existem?


Quando você tenta rebater os argumentos de que Stálin, Mao, Pol Pot e Kim Jon Il não eram ateus, disse que o ditador da Coréia queria sempre suas camas a 500 metros acima do nível do mar, portanto não podia ser ateu. Hã? Como é que é? Também disse que gente como Stálin e outros do mesmo jaez não poderiam ser ateus porque tinham uma ideologia e essa ideologia funcionava como religião. Ou isso é um ato falho seu, afirmando ser o ateísmo uma religião ou você mente quando diz que ateus são melhores do que cristãos, todavia sua argumentação é falha. 


Por fim, você errou o alvo e sua retórica não passa de metafísica barata, ciência não é ateísmo nem ateísmo é ciência mas são cosmovisões, ao querer tornar a ciência como fruto do ateísmo você deixa o campo do empirismo e cai no idealismo, pois você não tem como provar que o ateísmo é uma ciência ou que a ciência não pode caminhar com o sentimento religioso. 







sábado, 17 de março de 2012

Santo capitalismo, Batman!

Vi essa charge no facebook e achei interessante compartilhar com os leitores deste blog, para refletir.


sexta-feira, 2 de março de 2012

A educação em Praia Grande



Após quase um mês trabalhando como professor na escola municipal Professora Maria Clotilde Lopes Comitre Rigo, avisei hoje a diretora que eu estava deixando as aulas, depois me despedi dos ex-colegas de trabalho e me dirigi à SEDUC de Praia Grande e fiz minha recisão de contrato como vocês podem ver logo acima.

Mas ninguém exonera nem pede recisão de contrato sem um motivo (princípio da razão suficiente: todo efeito tem uma causa). O meu motivo foi, ou melhor meus motivos foram a impunidade, a negligência e a má educação da clientela praiagrandense. Um aluno, se é que pode ser chamado de aluno, de um nono ano já vinha atrapalhando minha abordagem pedagógica desde os primeiros dias de aula. Como existem regras de convivência da unidade escolar que é a mesma em toda a rede de ensino municipal, é proibido usar boné em sala de aula, proibido usar celular ou quaisquer aparelhos eletrônicos e os professores são obrigados a fiscalizar isso. Desde o primeiro dia eu proibia o uso de quaisquer aparelhos eletrônicos dentro da sala de aula assim como o uso de boné. Mas um desses "alunos" além de ser mal-educado é também um desajustado às boas normas de convivência na sociedade, uma espécie de "bad boy". Uma vez pedi que desligasse o celular, então essa criatura disse: "peraí, tô ligando".
- Me dá o celular.
- Não vou dar ( e escondia o aparelho).
Então comecei a ler as regras de convivência da escola e ele disse
- Já sei, não precisa ficar falando.
- Me entrega o aparelho que eu te devolvo no fim da aula.
- Não vou entregar.
- Se eu chamar a inspetora ela vai tomar o seu aparelho e levá-lo para a diretora.
O sujeitinho deu de ombros, pedi a um aluno que chamasse a inspetora, quando ela chegou narrei-lhe o ocorrido e ela pediu que o desrespeitador das normas de convívio lhe entregasse o aparelho, ele não entregou nem para a inspetora, uma senhorinha de idade, muito simpática. Então a inspetora me instruiu sobre o que deveria ser feito, disse que eu deveria fazer a ocorrência dos atos desrespeitosos e da insubordinação do sujeito, foi o que fiz, mas ele disse que não tinha medo daquelas folhas pois já tinha levado várias ocorrências e nunca aconteceu nada e disse que não tinha medo da diretora.
Outros dias que eu dei aulas as mesmas falas (as dele e as minhas) se repetiram como se fosse uma espécie de eterno retorno. Cada vez que eu aparecia na sala de aula que ele estava não para estudar é claro, mas para "causar", ele se tornava mais arrogante e mais petulante na mesma medida em que é ignorante, pois os professoras me disseram que ele não sabe nada nem de matemática nem de língua portuguesa.
Esta semana ainda eu estava em outra sala, sala em que a namoradinha dele estuda, não é que o tal invadiu a sala sem pedir licença, agiu como se estivesse dentro da casa dele. Eu nem quis advertí-lo porque já tinha percebido que se trata de potencial psicopata. E por falar em psicopatia, minhas ex-alunas praiagrandenses disseram-me no dia seguinte após esse incidente que ele havia batido em sua própria namorada dentro da escola, fora o que a diretora, e os professores me contaram a respeito desse exú.
Ontem quando eu tive aula com esse frango de macumba ele me mandou calar a boca na sala de aula, sua lógica foi a seguinte a aula dura uma hora, já era 16:02 e eu continuava a explicar um texto quando o espírito de porco começou a gritar: "cala a boca, vai embora, sai, sai, sai, vaza, sai sai". Eu falei pra ele que a aula termina quando o professor sai da sala de aula e não quando ele quer. O sujeito me aborreceu tanto que senti vontade de esmurrá-lo e tive que me afastar o mais distante que eu pude para não chegar as vias de fato com um sujeito que não vale a pena se sujar. Comuniquei a senhora diretora que apenas conversou com ele, mas não tomou nenhuma providência, então tomei eu as providências cabíveis, eu pedi minha recisão de contrato. Porque se vocês não sabem Praia Grande está com falta de professores de geografia, são mais de 60 aulas na rede para serem preenchidas (segundo a rádio peão, isto é, segundo os professores  que tem contatos com outros colegas) e não tem professores de geografia nem mesmo os ruins. E os bons que eles conseguem  não tratam bem, não dão o devido apoio...
Mas exoneração e recisão de contrato é uma coisa muito comum em Praia Grande e mais fácil recindir contrato e exonerar do que ser contratado e/ou efetivado.

Praia Grande é um município que paga bem aos professores todavia os professores tem que se sujeitar a todo tipo de humilhação e pressão. Eu recindi meu contrato como uma forma de protesto, porque não admito ser pisado por um ser boçal; recindi meu contrato porque eu sei o meu valor e o dinheiro não é o mais importante na minha vida; recendi meu contrato porque não tive o respaldo da direção para punir o infrator, e não punindo esse infrator, ele continuará a fazer as mesmas coisas e os professores estarão de mãos amarradas.  Infelizmente grande parte da rede age assim com os professores, razão pela qual muitos professores fogem de Praia Grande assim como o diabo foge da cruz, e eu também fugi.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Democracia representativa

Não creio nem um pouco na democracia representativa. Mas o que é democracia representativa? Democracia representativa é essa "democracia" que de 4 em 4 anos, ou melhor, de 2 em 2 anos (O Brasil tem eleições a cada dois anos, mesmo que votemos a cada 4 anos em prefeitos e vereadores e de 4 em 4 anos em presidente, governadores, senadores e deputados) elege presidente, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores. É nisso que não creio e por conseguinte não creio o sufrágio universal. 

Não posso crer que alguém possa me representar. No momento em que eu voto estou admitindo que sou um incapaz e que preciso que alguém pense e aja por mim, reconheço que não sou adulto e dou o poder a essas pessoas para que me governem.

Dizem que o governo democrático é um governo da liberdade onde as pessoas tem liberdade de escolha, será? Que liberdade é essa que no horário de propaganda eleitoral gratuita dá mais tempo para os grandes partidos e um brevíssimo tempo para os partidos pequenos? Como uma pessoa poderá pesar todos os discursos? Na verdade, ela será induzida por aqueles partidos que tem mais tempo, parafraseando aquele dito norte-americano (ou será inglês?) tempo é voto, quanto mais tempo tem um partido mais votos terá. 

Outro fato no governo representativo é que as pessoas sem instrução e de baixa renda não votam conscientemente, não. Pessoas sem instrução (e mesmo as "instruídas") são ludibriadas pelos meios de comunicação ou por líderes religiosos que fazem do púlpito um palanque político. Desse modo pessoas sem instrução acabam votando em quem os pastores apontam como sendo "homens e mulheres de deus". Quanto as pessoas de baixa renda elas vendem seus votos por "favores" como cestas básicas, telhas, areia, cimento e blocos ou por uma vaga numa escola municipal para o filho, um estágio para um filho adolescente e outras coisitas mais. Como pode uma pessoa não vender seu voto se passa necessidade? Como pode uma pessoa  exercer sua cidadania se não tem sequer o mínimo para ser cidadã?

Você nunca parou para pensar por que precisa ser representado? Não acha que em sua comunidade você poderia participar ativamente da política votando e sendo votado? Apresentando propostas e ouvindo outras? Você é "livre" para escolher quem serão as pessoas que te governarão por quatro anos e acha que isso é liberdade. Se a democracia, isto é, o poder popular é representativo, então não é o povo quem governa, isso é uma mentira.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Argumentos "filosóficos" de um comunista

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Estava eu no facebook exercendo a minha liberdade de expressão até que apareceu a censura. A censura do PIG? Não, a censura da ditadura militar? Muito menos, caro leitor. A censura comunista, que por não saber argumentar parte para ofensas pessoais porque acham que são donos da verdade quando não são donos nem de si mesmos por não possuírem autocontrole.

Um militante comunista do PCB se descontrolou e postou ofensas pessoais porque eu disse que "os ex-anarquistas fizeram uma grande cagada quando fundaram o PCB". Por não saber argumentar, e diga-se de passagem que o ofensor é um professor, então deveria ter uma postura no mínimo ética. É triste que uma pessoa sem educação esteja na educação poluindo as mentes juvenis com suas ideologias baratas e com suas mentiras nada convincentes. Como pessoas autoritárias querem criticar a ditadura militar brasileira se em nada se diferenciam da mesma? Estranho não? São em horas como essas que meu anarquismo é cada vez mais reforçado.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Abusos das lotações em São Vicente


Infelizmente eu sou usuário das lotações de São Vicente, sou obrigado uma vez que não tenho carro nem moto. O serviços prestados pelas lotações são precários, sem nenhuma qualidade. No fim do ano passado por exemplo, eu tinha que entregar um documento para a diretora da unidade escolar onde trabalhei e ainda trabalho. O motorista ficou mais de 5 minutos com a van parada à cata de passageiros. Eu reclamei, porque tinha horário, o cidadão disse que estava no horário dele, eu lhe disse que não estava fazendo turismo e nem viajando de favor, estava pagando por aquele mau serviço. Enfim, continuou discutindo e eu também juntamente com outros passageiros insatisfeitos. E pelo caminho o motorista foi devagar como se tivesse apreciando as paisagens à sua volta. Por sorte, cheguei à tempo na escola, mas não graças à boa vontade e a eficiência dessa empresa.

Hoje, tomei a lotação por volta das seis e quinze da manhã para ir trabalhar, cheguei na escola onde trabalho às  seis e cinquenta e cinco, ou seja, faltando 5 minutos para a entrada dos alunos. Não tive tempo nem para descansar, só o tempo de pegar gizes e livros e me dirigir para o pátio e formar a fila de uma de minhas turmas.

Peguei a lotação em frente ao Robinho (antigo clube Beira-Mar) ainda não estava cheia, quando passou pela Vila Margarida a van encheu, eram pessoas apertadas, se acotovelando e se apoiando nos ombros cabeças dos passageiros que estavam sentados nos bancos do corredor da van. Chegando no bairro do Rio Branco (área continental) a van que já não cabia ninguém, foi obrigada a aceitar mais 15 estudantes. A cobradora uma (des)graça de pessoa, pediu para as pessoas que estavam no corredor a ir mais para o fundo, não deixando sequer o mínimo espaço para se movimentar. A cada parada várias pessoas tinham que descer da lotação para que um ou dois passageiros pudessem sair, o que fez com que a demora se estendesse mais do que o normal.

A cobradora no ávido desejo de ganhar uns trocados a mais ficava insistindo com as pessoas nas ruas para ver se estas embarcavam na barca do inferno lotação, enquanto isso o tempo voava, infelizmente o tempo não espera. Uma senhora idosa estava sentada ao meu lado (eu no corredor, ela na janela) ela deu uns berros para o motorista acelerar e não pegar mais pessoas, porque muita gente na lotação e se dirigindo a certas velocidades, pode provocar uma tragédia. A cobradora muito mal-educada (via de regra essa gente que trabalha nas lotações de São Vicente são mal-educados) pontos depois, desceu e bateu no vidro onde a senhora estava sentada e disse: "Da próxima vez pega um táxi". Isso deixou a senhora mais do que irritada e com razão, ali a maioria das pessoas tinha horário e ela juntamente com seu parceiro achavam que estavam prestando um favor e não um serviço. Essa senhora, tinha horário, é uma enfermeira do ambulatório do Parque das Bandeiras.

As pessoas pagam caro (R$ 2,30) por um serviço de péssima qualidade, vão apertadas, sem poderem se movimentar, sem poder esboçar uma reação de revolta contra essa gente desclassificada que trabalha nas lotações, e ainda expostas ao perigo e aos caprichos de motoristas que nada tem de profissionais. O motorista da lotação de hoje por exemplo, estava falando ao rádio. Está na hora de boicotarmos essa empresa, está na hora de mudarmos a política de São Vicente, ou termos mais 4 anos da mesmice, reclamações, mais reclamações e só fica nisso.

Antigamente chamávamos as lotações de bestas, mas hoje descobri que as bestas somos nós usuários desse transporte de quinta categoria.

Lotação é isso:





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Definir é preciso




O grande problema dos desentendimentos é a não definição dos conceitos. Por isso muitas conversas, muitos debates nunca chegam ao fim porque num diálogo ou num debate ninguém se entende, tal e qual numa confusão de línguas da torre de Babel descrita no livro do Gênesis. E as pessoas não se entendem porque tem diferentes compreensões acerca de um determinado conceito. A primeira coisa para se entabular uma conversa ou para principiar um debate é a necessidade da clareza e esta é dada pela definição. E o que vem a ser definição?  O minidicionário de língua portuguesa Houaiss diz: "Definição  s.f 1. estabelecimento de limites. 2 significação precisa < é difícil dar a definição de amor>". Então dar a definição de algo é estabelecer limites e isso é necessário para que esse algo não se torne causa de desentendimento. As ciências estabelecem limites, é graças a isso (estabelecimento de limites) que existem e funcionam. Não se pode progredir num debate, conversa, se não há significado preciso.

Hoje de manhã assisti a palestra de um arqueólogo que não foi feliz em sua definição de arqueologia, ele disse que "a arqueologia é a ciência que estuda um país ou um lugar antes da colonização", então um membro do auditório o questionou: "quer dizer que tudo o que existia antes da criação dos novos Estados do leste europeu não faz parte da história e sim da arqueologia?". Por não ter dado uma significação precisa o palestrante deu brecha para ser questionado e até explicar melhor o que tencionava com a definição, perdeu 10 minutos e mesmo um pouco de sua credibilidade. Não estou dizendo que o palestrante não dominasse o assunto, apenas quero demonstrar aonde pode levar uma não definição como o do arqueólogo. Ele não estabeleceu limites nem deu o significado preciso do que seja arqueologia.

Muitos mal-entendidos, muitas falácias e sofismas seriam desmontados se conseguíssemos estabelecer limites acerca dos conceitos que abordamos. Uma frase atribuída ora a Sócrates ora a Voltaire diz com razão: "Se queres conversar comigo, define primeiro os termos que usas".

Os filósofos mesmos definem seus termos de modo que se houver engano acerca do que escreveram a culpa é tão somente do leitor que é ignorante ou malicioso ou ainda ambas as coisas. Seja para se escrever sobre determinado assunto, seja para lecionar, para palestrar ou conversar é preciso definir. A definição enriquece o assunto e faz progredir a ciência. Mas para definir necessário é ter um vasto vocabulário e um vasto vocabulário se adquire estudando e não perdendo tempo assistindo novelas, teclando no MSN ou perdendo tempo com nulidades das redes sociais que não são poucas. Quem deseja se aprofundar com termos precisos deve adquirir vários dicionários principalmente de filosofia, e depois dicionários de psicologia, economia, geografia, história, sociologia, etc... Ah, sim e um bom dicionário da língua pátria, em nosso caso língua portuguesa.

No primeiro parágrafo usei o Houaiss para dar o significado correto do termo definição, deixarei mais uma definição precisa retirada de Lalande:

"Definição Log. Geral: A definição, considerada como operação do espírito, consiste em determinar a compreensão que caracteriza um conceito".
LALANDE, Andre. Vocábulário Técnico e Crítico da Filosofia. Martins Fontes, São Paulo, 1999.


Para que duas ou mais pessoas se entendam elas devem determinar a compreensão que caracteriza um conceito, ou seja, se estiverem de acordo  com essa determinação da compreensão do termo podem conversar e debater tranquilamente e se alguém desvirtuar a conversa ou debate pode-se fazer com que volte ao termo definido aceito também por esse alguém.

Se navegar é preciso, muito mais preciso é definir. Termino com as palavras atribuídas ora a Sócrates ora a Voltaire: "Se queres conversar comigo define seus termos".