quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Abusos das lotações em São Vicente


Infelizmente eu sou usuário das lotações de São Vicente, sou obrigado uma vez que não tenho carro nem moto. O serviços prestados pelas lotações são precários, sem nenhuma qualidade. No fim do ano passado por exemplo, eu tinha que entregar um documento para a diretora da unidade escolar onde trabalhei e ainda trabalho. O motorista ficou mais de 5 minutos com a van parada à cata de passageiros. Eu reclamei, porque tinha horário, o cidadão disse que estava no horário dele, eu lhe disse que não estava fazendo turismo e nem viajando de favor, estava pagando por aquele mau serviço. Enfim, continuou discutindo e eu também juntamente com outros passageiros insatisfeitos. E pelo caminho o motorista foi devagar como se tivesse apreciando as paisagens à sua volta. Por sorte, cheguei à tempo na escola, mas não graças à boa vontade e a eficiência dessa empresa.

Hoje, tomei a lotação por volta das seis e quinze da manhã para ir trabalhar, cheguei na escola onde trabalho às  seis e cinquenta e cinco, ou seja, faltando 5 minutos para a entrada dos alunos. Não tive tempo nem para descansar, só o tempo de pegar gizes e livros e me dirigir para o pátio e formar a fila de uma de minhas turmas.

Peguei a lotação em frente ao Robinho (antigo clube Beira-Mar) ainda não estava cheia, quando passou pela Vila Margarida a van encheu, eram pessoas apertadas, se acotovelando e se apoiando nos ombros cabeças dos passageiros que estavam sentados nos bancos do corredor da van. Chegando no bairro do Rio Branco (área continental) a van que já não cabia ninguém, foi obrigada a aceitar mais 15 estudantes. A cobradora uma (des)graça de pessoa, pediu para as pessoas que estavam no corredor a ir mais para o fundo, não deixando sequer o mínimo espaço para se movimentar. A cada parada várias pessoas tinham que descer da lotação para que um ou dois passageiros pudessem sair, o que fez com que a demora se estendesse mais do que o normal.

A cobradora no ávido desejo de ganhar uns trocados a mais ficava insistindo com as pessoas nas ruas para ver se estas embarcavam na barca do inferno lotação, enquanto isso o tempo voava, infelizmente o tempo não espera. Uma senhora idosa estava sentada ao meu lado (eu no corredor, ela na janela) ela deu uns berros para o motorista acelerar e não pegar mais pessoas, porque muita gente na lotação e se dirigindo a certas velocidades, pode provocar uma tragédia. A cobradora muito mal-educada (via de regra essa gente que trabalha nas lotações de São Vicente são mal-educados) pontos depois, desceu e bateu no vidro onde a senhora estava sentada e disse: "Da próxima vez pega um táxi". Isso deixou a senhora mais do que irritada e com razão, ali a maioria das pessoas tinha horário e ela juntamente com seu parceiro achavam que estavam prestando um favor e não um serviço. Essa senhora, tinha horário, é uma enfermeira do ambulatório do Parque das Bandeiras.

As pessoas pagam caro (R$ 2,30) por um serviço de péssima qualidade, vão apertadas, sem poderem se movimentar, sem poder esboçar uma reação de revolta contra essa gente desclassificada que trabalha nas lotações, e ainda expostas ao perigo e aos caprichos de motoristas que nada tem de profissionais. O motorista da lotação de hoje por exemplo, estava falando ao rádio. Está na hora de boicotarmos essa empresa, está na hora de mudarmos a política de São Vicente, ou termos mais 4 anos da mesmice, reclamações, mais reclamações e só fica nisso.

Antigamente chamávamos as lotações de bestas, mas hoje descobri que as bestas somos nós usuários desse transporte de quinta categoria.

Lotação é isso:





sábado, 4 de fevereiro de 2012

A ciência pode saber tudo? Craig X Atkins

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Definir é preciso




O grande problema dos desentendimentos é a não definição dos conceitos. Por isso muitas conversas, muitos debates nunca chegam ao fim porque num diálogo ou num debate ninguém se entende, tal e qual numa confusão de línguas da torre de Babel descrita no livro do Gênesis. E as pessoas não se entendem porque tem diferentes compreensões acerca de um determinado conceito. A primeira coisa para se entabular uma conversa ou para principiar um debate é a necessidade da clareza e esta é dada pela definição. E o que vem a ser definição?  O minidicionário de língua portuguesa Houaiss diz: "Definição  s.f 1. estabelecimento de limites. 2 significação precisa < é difícil dar a definição de amor>". Então dar a definição de algo é estabelecer limites e isso é necessário para que esse algo não se torne causa de desentendimento. As ciências estabelecem limites, é graças a isso (estabelecimento de limites) que existem e funcionam. Não se pode progredir num debate, conversa, se não há significado preciso.

Hoje de manhã assisti a palestra de um arqueólogo que não foi feliz em sua definição de arqueologia, ele disse que "a arqueologia é a ciência que estuda um país ou um lugar antes da colonização", então um membro do auditório o questionou: "quer dizer que tudo o que existia antes da criação dos novos Estados do leste europeu não faz parte da história e sim da arqueologia?". Por não ter dado uma significação precisa o palestrante deu brecha para ser questionado e até explicar melhor o que tencionava com a definição, perdeu 10 minutos e mesmo um pouco de sua credibilidade. Não estou dizendo que o palestrante não dominasse o assunto, apenas quero demonstrar aonde pode levar uma não definição como o do arqueólogo. Ele não estabeleceu limites nem deu o significado preciso do que seja arqueologia.

Muitos mal-entendidos, muitas falácias e sofismas seriam desmontados se conseguíssemos estabelecer limites acerca dos conceitos que abordamos. Uma frase atribuída ora a Sócrates ora a Voltaire diz com razão: "Se queres conversar comigo, define primeiro os termos que usas".

Os filósofos mesmos definem seus termos de modo que se houver engano acerca do que escreveram a culpa é tão somente do leitor que é ignorante ou malicioso ou ainda ambas as coisas. Seja para se escrever sobre determinado assunto, seja para lecionar, para palestrar ou conversar é preciso definir. A definição enriquece o assunto e faz progredir a ciência. Mas para definir necessário é ter um vasto vocabulário e um vasto vocabulário se adquire estudando e não perdendo tempo assistindo novelas, teclando no MSN ou perdendo tempo com nulidades das redes sociais que não são poucas. Quem deseja se aprofundar com termos precisos deve adquirir vários dicionários principalmente de filosofia, e depois dicionários de psicologia, economia, geografia, história, sociologia, etc... Ah, sim e um bom dicionário da língua pátria, em nosso caso língua portuguesa.

No primeiro parágrafo usei o Houaiss para dar o significado correto do termo definição, deixarei mais uma definição precisa retirada de Lalande:

"Definição Log. Geral: A definição, considerada como operação do espírito, consiste em determinar a compreensão que caracteriza um conceito".
LALANDE, Andre. Vocábulário Técnico e Crítico da Filosofia. Martins Fontes, São Paulo, 1999.


Para que duas ou mais pessoas se entendam elas devem determinar a compreensão que caracteriza um conceito, ou seja, se estiverem de acordo  com essa determinação da compreensão do termo podem conversar e debater tranquilamente e se alguém desvirtuar a conversa ou debate pode-se fazer com que volte ao termo definido aceito também por esse alguém.

Se navegar é preciso, muito mais preciso é definir. Termino com as palavras atribuídas ora a Sócrates ora a Voltaire: "Se queres conversar comigo define seus termos".

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Porque sou a favor da união civil homoafetiva




Sou a favor porque é direito das pessoas amarem e conviverem com pessoas do mesmo sexo, se assim o desejaremumavez que  o homossexualismo é tão normal quanto o heterossexualismo visto que existe homossexualismo dentro da natureza.

A união civil homoafetiva não cria o homossexualismo nem aprova a safadeza como querem os reacionários e os fanáticos religiosos.

Sem a legalização da união civil homoafetiva os homossexuais viviam juntos mas não tinham garantias de herdar o patrimônio do(a) companheiro(a) no falecimento deste(a),quem herdava era a família do(a) morto(a), da família que o(a) censurou, da família que o(a) condenou, enfim da família que chegou a expulsá-lo(a) de casa. Não é justo que duas pessoas que viveram juntas por 10,15,20 anos ou mais,que construíram um patrimônio juntas por ocasião da morte de um dos(as) companheiros(as) perca tudo para a família, toda uma vida de trabalho. Então para a proteção dessas pessoas eu sou a favor sim da união civil homoafetiva.

Sou a favor da união civil homoafetiva para que casais de pessoas do mesmo sexo possam adotar crianças, ao invés das mesmas pararem em abrigos ou orfanatos, sem ter uma família e qualidade de vida. Pois casais homossexuais podem dar educação e carinho para crianças que foram abandonadas ou que perderam suas famílias de origem. Alguém poderia levantar a questão: Mas essas crianças não seriam influenciadas pelo comportamento dos pais ou das mães? Não, de forma alguma pois todos sabemos que a maioria dos homossexuais surgiram em famílias heterossexuais.

Sou a favor da união civil homoafetiva porque estas uniões não devem ser clandestinas, tampouco um benefício concedido a uma minoria mas porque deve ser um direito dos cidadão que optarem pelo homoafetividade. A sociedade não pode ser ameaçada por fanáticos que lutam para destruir a sociedade laica. O povo deve se reger não por princípios religiosos mas pelos princípios éticos e constitucionais.

Mesmo após esta breve exposição alguém poderia afirmar: "Cada um defende os seus interesses, se você defende o 'casamento gay' é porque você é um". Se alguém afirmasse tal eu responderia da seguinte forma: Então você não defende os negros do racismo por que não é negro? Você não luta pelos direitos das mulheres se emanciparem e competirem em pé de igualdade com os homens porque não é mulher? E você não condenaria os nazistas só porque não é judeu? Não, as pessoas não defendem somente seus interesses, elas defendem interesses alheios porque se colocam no lugar dessas pessoas, isso se chama empatia.

A união civil homoafetiva só não é aceita por toda a sociedade porque a maioria das pessoas tem preconceitos advindos da religião, como se os valores de um passado remoto e de um lugar valessem para todos os tempos e lugares. E, mesmo esclarecendo essas pessoas, mesmo convencendo, refutando, não podemos debelar suas vontades. Aceitar esse novo tipo de família cabe mais à vontade do que ao ato de conhecer a fundo a questão, pois uma coisa é o conhecimento e outra a vontade. Por isso, as garantias da união civil homoafetiva devem ser garantidas por lei, é isso, fim de papo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pinheirinho, o que você precisa saber

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Liberta São Vicente


O PSOL de Praia Grande (Partido Socialismo e Liberdade) participou da primeira manifestação "Liberta São Vicente", no dia 22 de janeiro, aniversário da cidade, cerca de duzentas pessoas dos mais variados segmentos da sociedade vicentina participaram desse ato contra a corrupção em São Vicente. A vila mais antiga do Brasil há 16 anos está nas mãos do PSB e não houve nenhuma melhora significativa para a população, principalmente para aquela parte da população geralmente esquecida e marginalizada: as pessoas de baixa renda.
Aqui em São Vicente estiveram presentes os companheiros professor Odair Bento Filho, Jasper Bastos Lopes, Franz Josef Hildinger (que não tem nenhum partido mas luta pelas causas sociais) e este blogueiro que vos "bloga".
Aqui encontramos os companheiros de São Vicente também, mas eu milito por Praia Grande, porque abriram uma exceção para um anarquista militar.




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Um cenário de terror



Imagine o leitor uma montanha de lixo, agora imagine pessoas paupérrimas: crianças, adolescentes e adultos envelhecidos antes do tempo. Não é o cenário perfeito para um filme de terror? Não é uma paisagem perfeita para os contos fantásticos de Edgar Allan Poe?
Há mais ou menos uma década vi o que era viver abaixo da linha da pobreza. Não foi trabalho de campo de geografia nem de sociologia. Fui com meu irmão (irmão de consideração mas nem por isso menos irmão, irmão que a natureza não quis me dar) para o lixão à cata de livros em meio aos catadores de papéis. Fomos para comprar livros, sim livros bons também param no lixo. E o que vimos lá? Coisas que olhos não viram - parafraseando São Paulo apóstolo -que os ouvidos não ouviram, que os narizes não cheiraram e que a mente não imaginou.

Fomos para comprar livros e compramos, perguntamos aos catadores quanto lhes pagavam por quilo e não acreditamos ou melhor não quisemos acreditar no que ouvimos: 2 centavos, o quilo. Sim, leitor os catadores de lixo reciclável, ganhavam 00,2 R$. Para ganhar R$ 2,00 por dia precisavam catar 100 quilos de lixo! Eles estavam muito além da exploração e nem sei que nome Marx daria a esse tipo de hiperexploração econômica, seria talvez mais-valia hiperinflacionária? O mais espantoso de tudo é que se você oferecesse para alguns deles que lhe trouxessem livros de 200 ou 300 gramas ou mais 0,20 centavos ainda ficavam agradecidos com a generosidade! E se desse R$ 1,00 você se torna um deus! Mas isso não seria bom negócio para os donos do lixão, pois pessoas dispostas a pagar mais se tornariam concorrentes e logo incômodas para aquele imundo sistema.

No lixão de São Vicente, no Sambaiatuba, hoje desativado, vi crianças trabalhando, pessoas com ferros que mais pareciam lanças para catar papéis, sem quaisquer proteção para os pés, cabeça ou braços. Poderiam se cortar com vidros, pregos enferrujados, se contaminar com líquidos puterfatos ou quaisquer outros materiais. Não eram escravos pois não tinham uma senzala onde descansar nem tinham comida mesmo da pior qualidade lhes esperando, estavam numa condição pior do que as dos escravos do século XIX. Eram pessoas sem esperança, sem identidade, sem futuro, viviam por viver. Com a desativação do lixão não sei o que foi feito delas. O lixão foi destivado para preservar o meio ambiente de São Vicente, mas de que adianta preservar o meio ambiente se se trata o outro como um objeto?

Ver coisas como essas creio eu, superam e muito os romances saídos da imaginação, o que eu vi gostaria que fosse um pesadelo, ou pura imaginação mas era real, tão real quanto você que me lê. É por isso que sonho com um mundo melhor porque o mundo real é um pesadelo sem fim.