sábado, 3 de dezembro de 2016

Humanidade, tempos de auto contenção ou de extinção

Tempos houve em que não passávamos de algumas dúzias de seres simiescos a vagar pelas savanas da mãe África.

Pouco depois as primeiras levas de Sapiens atravessaram Península do Sinai e iniciaram sua grande aventura pelos dois grandes grandes continentes do mundo antigo.

Bem podemos comparar essa travessia como a ruptura de um dique e a uma inundação, melhor dizendo a um dilúvio em que marés de sapiens espalharam-se pela mãe terra varrendo tudo, inclusive os demais ramos da espécie, como os Neandertais e o H das flores, senão outros cuja existência ainda ignoramos enquanto não redescobrimos nossa História.

O fato é que os bem preparados Neandertais desapareceram como dizem aniquilados pela explosão de um grande vulcão localizado nas proximidades de Napoles. No entanto a explosão por grande que fosse não aniquilou todos os neandertais, embora tenha reduzido bastante seu número. Sempre poderiam ter se reproduzido, multiplicado e recuperado, no entanto não o fizeram. Certamente porque nossos belicosos ancestrais souberam das um empurrãozinho.

O catástrofe natural fez sua parte, não o negamos. Noutra conjuntura porém, em que não entrasse o Homo Sapiens cá estaria o Neandertal, talvez erguendo cidades e arranha céus... O que o cataclismo vulcânico iniciou foram nossos 'meigos' ancestrais que concluíram e disto resultou a eliminação de mais uma forma de vida.

No decorres desta expansão a princípio lenta tiveram os animais da Eurásia, já habituados a presença - nada amistosa por sinal - dos neandertais, tempo suficiente para aprender a desconfiar do novo tipo de homem e a fugir dele ocultando-se nas selvas e fendas da terra. Pois os que não se ocultavam e escondiam eram logo abatidos pelas lanças atiradas com o auxílio do propulsor e enfim das certeiras flechas.

Desde que os propulsores e arcos foram inventados os pobres animais, por colossais que fossem já não tiveram paz e sossego exceto nos ínvios sertões ou nos recônditos dos ermos. E lá fossem mamutes especialmente, ia o homem busca-los. Pois precisava de gordura para o lume, de pele para as roupas, de ossos para os implementos e especialmente de carne para o estomago.

Assim sendo a que correspondiam os mamutes, rinocerontes lanudos, a rena, o grande alce, o auroque, etc senão a dispensa cheia de nossos dias ou a fartura???

Eram tempos difíceis aqueles. O homem precisava lutar para garantir a sobrevivência da espécie. Precisava matar sem contemplações. E matou, e quanto mais sua população crescia mais matava. E continuou matando, até que diversas espécies não mais resistiram e deixaram de existir. Porque seu ritmo reprodutivo era mais lento do que a atividade carniceira de nossos ancestrais.

Assim a cerca de quatro mil anos, na longuiqua Ilha de Wrangel, nos confins da Sibéria chegaram os primeiros homo sapiens e supliciaram os últimos mamutes, tombando o derradeiro membro da espécie sem que fosse derramada uma única lágrima. E como não vivemos num mundo de poesia, muito provavelmente o céu não ficou turvo por aquela espécie que chegava a seu fim...

Muito antes disto porém, haviam já nossos perspicazes ancestrais inventando canoas de boa qualidade com que pudessem rasgar o denso véu cristalino dos mares e chegar a outros mundos inexplorados. Assim sendo dia houve em que este ser inquieto tocou ao paraíso dos marsupiais, a Austrália. Isto sem que a terra nossa mãe desse um único gemido...

É suposto que tal evento tenha se dado há cerca de 40 ou 45 mil anos passados.

A bem da verdade o clima local passava por algumas transformações. A despeito das quais a natureza sempre havia sabido recuperar-se.

Desde então, com a chegada dos 'trogloditas', tudo seria bastante diferente. Pois não traziam consigo apenas o fogo mas a fatídica queimada por meio da qual acabavam com as florestas, ilhavam e perseguiam os animais. Animais que por não estarem habituados com aquela presença estranha sequer cogitaram em fugir. Alias fugir para onde???

Assim tombaram sem saber porque levados por aquele vendaval humano.

E extinguiram-se o leão marsupial, o wombate, o coala gigante, o canguru gigante, etc, etc, etc

Uma a uma cada uma dessas espécies foi sendo literalmente aniquilada por nossos ancestrais.

Os quais não pararam por ai mais ao que parece correram pelas ilhas e ilhotas ainda não totalmente cobertas pelas águas e acompanhando o curso do litoral da Antártida chegaram a Patagônia e a América Sulina, enquanto ao mesmo tempo ou pouco depois outra leva de sapiens penetrava o mesmo continente pelo Norte ou seja por Behring.

Quando isto se deu não sabemos ao certo. Seria a 30, 20 ou mesmo 15 mil anos??? Responder com precisão não o podemos.

Sabemos no entanto que ao cabo de dez ou cinco mil anos espalharam-se por todas as partes deste novo mundo produzindo um efeito não menos devastador que os colonizadores espanhóis trazidos por Colombo.

E 9000 anos antes de Colombo já haviam dado cabo do tatu gigante, do soberbo Megatério, dos camelídeos, das manadas de cavalos, etc, etc Em nome da auto suficiência nossos antepassados acabaram com tudo. Supostamente não caçavam nem devoravam dentes de sabre, mas concorriam com eles e subtraiam-lhes o até então farto alimento. Pelo que devem ter sido abatido pelo mais negro de todos os flagelos e morrido de fome!!! Afinal de contas nem mesmo seus dentes ameaçadores eram capazes de rivalizar com o aparato técnico do homo sapiens... E o mais valente e astuto dos smilodontes não seria capaz de concorrer com nossas lanças e frechas...

Importa saber que o mesmo desastre ecológico repetiu-se infinitamente todas as vezes que alguma sociedade humana embarcada em suas canoas topou com uma Ilha até então desocupada e deserta fosse ela Madagascar, Nova Zelândia, Marquesas, Salomão, Samoa, etc Para onde se instalavam levavam por assim dizer a guerra... Assim sendo outro não podia ser o destino da Moa ou do Lêmure gingante senão a aniquilação.

Ao cabo desta peregrinação ou viajem iniciada a uns 60 mil anos, lá na África ou melhor ao cabo de vinte mil anos estava a existência de nossa espécie praticamente consolidada na medida em que ocupava todos os continentes.

A contrapartida no entanto era assombrosa, pois em cinquenta ou sessenta mil anos havíamos exterminado centenas de preciosas e admiráveis formas de vida - e me refiro apenas aos grandes mamíferos - com que a dinâmica evolutiva brindara a mãe natureza ao cabo de cinquenta milhões de anos... E quando a cruz foi arvorada no cume do calvário o calvário de tais espécies já havia sido consumado a muito tempo. Não sendo mais dado a nossos olhos contemplar os modos de tantos e tantos seres fascinantes.

Apesar disto há cerca de 2.700 anos, alguém, lá nos confins ou desertos da antiga Judeia fez questão de escrever: Crescei e multiplicai-vos, colocando tais palavras na boca de seu deus étnico Jao.

Para tal povinho isolado equivaliam tais palavras a um mandamento divino.

Ademais ainda havia muito espaço no mundo, muita selva, muita floresta, muitos animais não abatidos, etc

Porquanto o Homo Sapiens continuou a multiplicar-se e a crescer.

Cerca de dois mil anos foi este conselho adotado por outros povos e culturas, também a guiza de mandamento divino e chegou a ser anexado ao ritual do Matrimônio.

E a espécie continuou a multiplicar-se, a crescer e a espalhar-se ainda mais.

Embora a sujidade, as guerras, a fome e a peste fizessem seu trabalho, ceifando outras tantas vidas.

E ficava a balança equilibrada.

Acontece no entanto que aquele mesmo ser inteligente ou melhor esperto que inventara os machados de pedra, lanças, propulsores e frechas concebeu também as vacinas, os soros, a esterilização, os medicamentos, a cirurgia, a higienização, etc, etc, etc... Ficando desde então garantida a sobrevivência da maior parte dos nascituros e alargada a existência dos adultos... pelo que nos últimos dois séculos chegaram a aparecer casais com vinte ou mais filhos!!!

Os homens multiplicaram-se por demais e cresceram ao infinito. Orçando a casa dos milhões e enfim dos bilhões.

Foi quando um clérigo inglês de rara inteligência, achou por bem advertir os zelosos observantes do mandamento hebraico a respeito de que o espaço ou a terra não aumentava de tamanho, nem as terras, nem os campos... Disse, falou, escreveu e discorreu com impeto a respeito do óbvio: A limitação de nossos recursos e o descompasso existente entre o ritmo da fauna, da flora e daquilo que orgulhosamente cognominamos progresso.

Afinal, amigo leitor, apenas ao cabo destes últimos dois séculos nossa vaidosa espécie ou ao menos diminuta parte dela pode compreender que equivalemos a parte da natureza e não ao todo. Afinal não somos seres autótrofos i é que sintetizam clorofila e fabricam seu próprio alimento... Ao que parece dependemos de outros seres, os quais imolamos tendo em vista a obtenção de suprimentos (proteínas) e a conservação da vida. Esses outros seres por fim, sendo animais, são igualmente heterótrofos e tal qual nossos vegetarianos obtém seu alimento a partir das únicas formas autótrofas de vida representadas pela flora.

Senso assim: aniquilados todos os representantes da flora, destruídas todas as florestas, devastada toda mataria 'inútil' dão-se por perdidos todos os animais inclusive nós! Deem por certo que quando murchar a derradeira folha de arvoredo estamos condenados a morte por inanição e extintos a exemplo daqueles que nós mesmo extinguimos no passado.

Coexistiremos harmoniosamente com os representantes da fauna e da flora ou caminharemos para o suicídio coletivo.

Isoladamente, como senhores orgulhosos da devastação, não podemos existir.

Todavia para respeitar o fluxo da natureza há uma única saída.

Nossa espécie precisa diminuir o número de estômagos e bocas. Pois a natureza já não pode fornecer o montante que lhe é exigido por bilhões de bilhões. E seu ritmo já não acompanha nossas necessidades, impostas por este mandamento, ora estúpido e contraproducente do 'Crescei e multiplicai-vos'. Ao menos que anjos desçam dos céus trazendo pão ou que chova arroz, feijão e carne este mandamento converteu-se num mandamento suicida e numa ameaça a civilização.

Do que precisamos atualmente é de restrição, de planejamento, de controle racional da população.

Atualmente importa não crescer e não multiplicar mas reduzir ao máximo nosso ritmo de crescimento.

Do contrário seremos levados a contaminar água, terra, ares... a exterminar as poucas formas de vida animal que ainda restam e cortar a última árvore por fim. Talvez até consigamos prolongar nossa existência por um ou dois séculos convertendo todo espaço existente em plantações e pastagens gerenciadas pena mais alta tecnologia, mas será uma sobrevivência triste. Pois a exceção dos cães, gatos, ratos, coelhos e talvez alguns cavalos (além do gado bovino de corte é claro) todas as demais formas de vida só poderão ser contempladas em álbuns de fotografias ou em livros, a guiza de recordação. Quiçá alguns de nossos descendentes contemple choroso a imagem de uma zebra ou de uma girafa, ou de um leão tal e qual nós mesmos contemplamos a de um mamute ou megatério...

Então ao cabo de dois ou três séculos, por não termos sido capazes de reeducar-nos, de mudar nosso modo de vida, de conter nosso ritmo virá o colapso, a fome, a miséria, a convulsão social e o fim ou quiçá alguma nova Idade da Pedra muito primitiva e precária. A partir da qual teremos de reiniciar nossa marcha...

A outra possibilidade com que acenam os tecnocratas é colonizar outros planetas, para lá transplantando o excedente populacional bem como nossos insumos agrícolas. Talvez seja o caso de esgotar por completo os recursos naturais desta terra até abandonar sua carcaça imunda... Acaso não procedem assim os vermes???

O ideal no entanto, e este ideal nem sempre fica bem escondido, é dar com um novo 'continente' ou melhor com outro planeta cheiinho de formas de vida capazes de nos sustentar. Caso este dia infeliz venha a raiar nossos mestres e lideres proclamarão alegremente que aquelas criaturas ou formas de vida não sendo humanas ou sendo inferiores não tem o direito de existir ( a menos que existam para servir-nos) seguindo-se a mesma triste história de sessenta mil anos atrás. Faremos deste novo e infeliz planeta nossa vaca ou melhor nosso mamute cevado... exterminaremos uma a uma suas espécies e esgotaremos seus recursos naturais...

Caso semelhante possibilidade se concretiza estaremos evidenciando que não passamos de um vírus ou duma bactéria nociva espalhada no corpo do Universo...

Já fomos comparados com o câncer, mas ainda temos a possibilidade de olhar para o passado, de contemplar nosso saldo de destruição, de encarar a sujeira moral por nós produzida e enfim de limpar nossa ficha. Talvez seja a derradeira chance que nós é concedida. Aproveite-mo-la tendo em vista restringir as loucas pretensões que nos são ditadas pelos preconceitos religiosos e pelo fanatismo. Aproveite-mo-la para criar uma vida de respeito, amor e comunhão com a fauna e a flora. Aproveite-mo-la para desenvolver a fraternidade e mostrar gratidão para com a mãe natureza.

Mostremos que somos verdadeiramente Sapiens integrando-nos a mãe natureza numa perspectiva solidária, porque aquilo que o homem semear isto haverá de colher.

Portanto cessemos agora de semear a dor.

Ou colheremos lágrimas amargas.

Crise de civilização: O momento crucial porque passamos!

Imagine que um grande navio atravessando as vastidões do Oceano enfrenta ora momentos de calma e bonança, ora momentos de tormenta em que corre risco iminente de sossobrar e ficar eternamente sepultado sob espuma marulhante...

Nos momentos de calma e bonança o capitão não tem que preocupar-se em demasia com a qualidade daqueles que ocupam os postos no navio... Nos momentos de perigo todavia ele certamente escolhe os mais aptos e preparados para que juntos possam superar os desafios da tormenta e salvarem-se uns aos outros!

Não sei se a História deste planetoide obscuro possuí capitão. Digo capitão que desperdice seu tempo escolhendo os oficiais que haverão de resistir a tormenta. Afinal o capitão supremo e infinito não habita entre nós...

No entanto caso tenhamos sido lançados e existência com algum tipo de propósito ou cálculo, nós que vivemos no momento presente - refiro-me aos Ocidentais do século XXI - devemos ser especiais e feitos de rija tempera, pois tal os tempos, tal o homem e passamos por tempos incomuns, daqueles que marcam a História e a memória.

Sendo assim não devemos invejar aqueles que viveram do século III ao V ou mesmo VIII desta nossa Era e que assistiram não a queda do Império Romano, mas ao sossobrar fragoso de todo mundo antigo e duma herança ancestral acumulada por mais de três mil anos!

Refletindo na esteira do brilhante V Gordon Childe não mais aprecio a batida expressão: Queda do império romano, por inexata, insuficiente ou mesmo falaciosa. Império romano foi repositório da cultura grega ou helênica, esta das culturas egípcia, fenícia e babilônica; estas das culturas sumeriana e indiana, dentre outras. É todo uma caudal ou corrente compósita de civilizações que vem ter em Roma e a queda de Roma perante os teutônicos ou de Bizâncio perante os muçulmanos é a o ponto final de um mundo ou universo específico.

É todo um mundo que entra em colapso e declina com o Império romano.

E não afundou de um dia para o outro mas em decorrência de uma crise de identidade ou de um lento processo que arrastou-se por diversos séculos.

Claro que há elementos de natureza econômica e são preponderantes. Mas talvez não sejam os únicos...

Não me estenderei agora por esta direção.

O que desejo salientar aqui é que a queda de Roma é momento em que a civilização de desintegra, decompõem, dissolve e evolve ao 'nada' ou ao quase nada. É momento de crise e Roma só cai e deixa de existir em decorrência desta crise, econômica certamente, mas também de consciência e cultura.

A econômica foi brilhantemente deslindada por Childe, Huberman e outros mestres brilhantes. A da cultura por uma plêiade de analistas vigorosos, assim Th Momsen, W Oncken, etc 

Mas a que propósito vem isto pergunta o amigo leitor.

Quando o Império romano ou melhor dizendo a cultura ancestral entrou em colapso uma organização recém aparecida mas que comportava uma força colossal: A Igreja antiga, Católica, Cristã Ortodoxa, Episcopal ou como queiram chama-la tomou os elementos mais significativos daquela civilização desorganizada, caótica e decadente que estava a ser materialmente aniquilada por bárbaros germânicos e árabes, agregou-os, deu-lhes novo sentido e plasmou uma nova civilização capaz de subsistir por cerca de mil anos, talvez menos, pouco menos.

Não, não foi uma civilização perfeita, ideal, pura, sem pecado, isenta de contradições que isto não existe. Não existiu no auge da civilização antiga e não existe, jamais existiu. Mas logrou essa força, o Cristianismo antigo, salvar e conservar alguns fragmentos preciosos de cultura antiga, assim algumas partes de Filosofia - assim Platão, assim Aristóteles, assim Cícero, Vírgilio, Horácio - e alguns vestígios de arte que do contrário - não fosse essa força muitas vezes menosprezada - teriam perecido para sempre.

É verdade que durante o prolongamento ou continuação imaterial da crise (séculos VIII ao XII) tais fragmentos permaneceram encerrados nos mosteiros e no acesso de pouquíssimas pessoas. Todavia o fato da semente permanecer repousando sob a terra antes de vir a germinar e a dar fruto não tira o mérito daquele que a lançou... Pelo que rendemos os créditos dos futuros renascimentos literário, filosófico e artístico ( cujas condições foram produzidas por um Renascimento econômico cuja gênese é específica) tanto aos monges e bispos copistas assírios ou nestorianos do Oriente quanto aos monges copistas da antiga Irlanda. Quase tudo quanto pode ser futuramente explorado pelos Ocidentais após o Renascimento econômico dos séculos XIII e XIV foi transmitido por eles. Sem este elo da cadeia seriamos muito mais pobres...

seja como for a estabilidade e a produção ordinária de cultura vão sendo paulatinamente restabelecidas e obedecendo a um ritmo e significado próprios a partir de 1200. Tanto este ritmo quanto este sentido plasmam como já dissemos uma nova civilização e uma nova Idade - a Idade média ou baixa Idade Média (porque a alta Idade Média é por assim dizer a Idade Média em termos de estabilidade e cultura, especialmente os séculos XIII e XIV)  - a qual no entanto conhece um declínio bastante rápido e pronunciado (em meados do século XV) até desaparecer ao cabo de meio século de transformações materiais, técnicas e enfim CULTURAIS OU INTELECTUAIS.

A crise suprema, de cultura imaterial ou intelectual surge mais uma vez ao cabo da crise econômica ou as mudanças econômicas, materiais e técnicas; e prolonga-se para muito além desta até que nova síntese cultural ou modelo de civilização seja elaborado e a estabilidade restaurada.

A Idade primitiva conheceu esta estabilidade cultural. A Idade Antiga conheceu esta estabilidade ida que por um menor período de tempo e enfim conheceu-a a Idade Média por brevíssimo espaço de tempo. Pois em que pesem as crises e rupturas todas estas Fases e Idades conheceram a transmissão da cultura ou a Permanência. Assim a religião ancestral introduziu os elementos da cultura primitiva na Idade Antiga após as mudanças de produção e técnica porque passou e podemos dizer que naquela fase áurea não ouve uma crise de identidade ou consciência mas avanço tecnológico apenas. O qual prolongou-se após algumas 'crises' episódicas e de menos grau até a queda do Império romano, quando a humanidade letrada conheceu sua primeira e grande crise global ou se querem Ocidental.

No entanto ali estava como já dissemos a instituição Cristã, muito bem organizada e disciplinada com seus Bispos e Monges letrados disposta a salvar todo quanto lhe fosse significativo. Por isso lemos a Antígona de Sófocles e a República de Platão ou a Amizade de Cícero...

E mil anos depois ali estava ainda o mesmo Cristianismo ja sob a forma de um papado monárquico contagiado até a medula pena Renascença humanista e capaz de mais uma vez identificar-se com os ideais da cultura clássica afirmando-os face a nova crise emergente.

Importa dizer que após o término da crise 1530 (???) e o fim da Idade média não produzimos uma cultura estável, mais ou menos coesa ou uniforme em torno de um núcleo ideológico comum. O que a religião ancestral fora para os primitivos, o que a paidéia grega fora para os antigos, o que o Catolicismo e os restos de Paideia haviam sido para os medievos e Renascentistas da primeira leva NÃO TEMOS. NÃO TEMOS, NÃO TEMOS...

Porque desde Lutero e sua reforma temos apenas materialismo, técnica, econômica. Em termos de cultura propriamente imaterial, em termos de epistemologia ou de crenças religiosas tudo quanto temos hoje é epifenômeno da dúvida ou do ceticismo. Não temos verdades, não temos nada de intelectualmente positivo, não temos nada de metafisicamente relevante nestes tempos de continuidade e agravamento da Crise.

Passamos por uma fase ou por um tempo de ceticismo crasso ou crônico, a qual como já se disse é incapaz de produzir elementos intelectuais ou imateriais revelantes a ponto de conferirem estabilidade e certa unidade a cultura. E temos uma cultura fragmentada em inúmeros elementos contraditórios ou caóticos, um turbilhão de partículas separadas e de homens que são como mundos que nunca se encontram e jamais dialogam.

A princípio, como todos os seus erros (alguns bastante graves por sinal) o Cristianismo ocidental, papismo ou romanismo - AO MENOS PARTE DELE - buscou em maior ou menor medida reintroduzir estes elementos de unidade e reorganização em termos de epistemologia aristotélica, direito natural (hoje direitos humanos) e até mesmo de justiça social. Busca esta que prolongou-se até o colapso da Igreja romana nos anos 60 por ocasião do Vaticano II. Desde então embora ela tenha mantido de forma muito sumária e restrita tais valores foi invadida pelos elementos ou pelo conteúdo que até então denunciava (relativismo, subjetivismo, etc) e perdeu grande parte de seu prestígio e influência.

O papel que a religião ancestral desempenhou no mundo antigo, que a paideia grega e a igreja antiga desempenhou no mundo medieval (cf Jaeger 'Paideia grega e paideia Cristã'), que o papismo representou no fim da Idade Média e até meio século atrás não há instituição que possa representa-lo hoje em 2016 e já Toynbee e outros que acompanharam a agonia e o fim da igreja romana enquanto elemento social unificador e dinâmico, avaliaram esta situação como única e dramática. Cientes - com Coulanges, Mauss, Dawson - de que a religião e a Filosofia, a Filosofia e a religião sempre desempenharam papel de máxima importância quanto a produção, transmissão, afirmação, estabilização e unificação da cultura (necessária a existência de uma Civilização) parte dos intelectuais deixou-se contagiar pelo pessimismo e com Huizinga, Spengler, etc proclamaram o fim do ciclo ou da civilização Ocidental embalada pelo divino Sócrates e patrocinada por Alexandre há quase vinte e cinco séculos.

Após os círculos do ceticismo e do materialismo terem se fechado parece não haver mais qualquer possibilidade religiosa para o Ocidente após o Cristianismo (Nós restringimos tal afirmativa aos padrões Católicos: ortodoxo, anglicano e romano.) que parece ser a menos problemática e a mais evoluída das crenças religiosas mesmo sob o ponto de vista natural (aqui Bertrand Russel). Krisnamurti já apontou com propriedade o vão esforço de produzirmos um civilização sobre bases céticas ou materialistas. Pelo que o já citado filósofo da História, Toynbee, para escapar a maré ascendente de pessimismo imiscuiu-se (quase que como K Marx) pelos meandros sutis da profecia postulando o surgimento de uma nova síntese religiosa no Oriente médio, isto pela última quadra do século XX. Conciliando o humanismo, a ciência e a metafísica, elementos filosóficos, positivistas e hindus este novo padrão religioso superaria definitivamente a rivalidade islâmico/Cristã trazendo paz ao mundo, Unidade a cultura e suporta a civilização do futuro.

Nem preciso dizer que semelhante oráculo não se concretizou.

Assim temos hoje: O SALAFISMO, o ISIS, o TALIBAN, etc fazendo peripécias no Oriente. O sectarismo fetichista e bíblico dominando o Cristianismo Ocidental. Uma ciência cada vez mais cientificista e não só ateística e materialista como anti ética. Um humanismo ameaçado pelas culturas de morte com seus venenos totalitários, Nossa herança grega em termos de epistemologia objetiva ou realista cada vez mais negada ou esquecida. Um total entorpecimento em termos estéticos ou artísticos; enfim mundos em colisão, sociedades em conflito, culturas em choque e nada de Civilização.

Dentre este cenário caótico e negativo apenas os herdeiros do protestantismo, legatários de um ceticismo e de materialismo tímidos e paladinos de um individualismo economicista ou seja capitalistas ousam falar numa nova civilização pós medieval elaborada por eles lá nos Estados Unidos. Tal a única proposta de Civilização que em certa medida estendeu-se pelo Ocidente pulverizando os elementos humanistas da cultura antiga.

Temos aqui o ideal de civilização protestante, liberal economicista ou yankee (porque forma uma solidariedade cultural ou modelo mais ou menos uniforme construído naquela República) e já foi cognominado Americanismo ou câncer americano (Aron e Vailant). É o único modelo mais ou menos consistente que nos é apresentado num cenário geral de ceticismo, materialismo, totalitarismos e islamização. Ao ceticismo epistemológico e ao materialismo crasso opõem os yankees uma espécie de metafísica que desenvolveram em torno do lucro e do dinheiro numa perspectiva individualista. Uma espécie de religião ou culto do ego voltada para necessidades econômicas ou como dizem para o Mercado.

O Mercado este existe e dele não duvidam nem podem duvidar os apóstolos deste novo culto. E até se auto regula, em que pesem as crises, que eles sempre atribuem ao controle exercido pela Sociedade ou pelo Poder político, em que de fato não creem...

Como se vê e sabe ali tudo começou pela Bíblia, a luz do livre exame e naturalmente, depois, vieram, as seitas, as disputas e a total ou quase que total falta de fé. No capital porém encontraram os Yankees digno substituto para seu javé e nos livros de Smith, Ricardo, Molinari, Bastiat e mais ainda nos de Mises, Hayek e Fridmann a nova Bíblia com os dois testamentos: velho liberalismo e neo liberalismo... Há ali templos que são bolsas de valores. Sacerdotes que são acionistas e empresários. Culto que é o trabalho alheio e evidentemente hóstias ou sacrifícios que são os trabalhadores ou a gente humilde esmagada pelo peso da miséria.

Seria um ideal de civilização a ser seriamente analisado se como declarou o Filosofo estivesse destinado a fazer sumamente felizes o maior número possível de pessoas.

O liberalismo econômico no entanto não faz consideração em termos de pessoas ou de Sociedade. Para ele tudo quanto existe é a iniciativa privada e necessidades individuais que cada qual satisfaz segundo suas capacidades. Aqui quem não satisfaz, quem não se adapta ou se acomoda, quem não deixa comandar ou explotar pelo 'mais forte' é vencido, quando não vagabundo e esta é a lei da vida, a lei eterna que rege o universo e que foi ultimamente descoberta pelo vidente Mises.

Tudo quanto existem são unidades individuais (sic) empreendedoras num cenário natural de disputação ou concorrência e tudo quanto o Poder público deve fazer é velar para que a concorrência seja livre. Fazer algo pelos derrotados, miseráveis ou humildes seria anti natural!

É o Mercado impessoal e soberano e não o patrão que por puro capricho seleciona arbitrariamente os afortunados. Que é afortunado o é por qualidade e competência e questionar isto é simplesmente absurdo.

Mas é ou foi o protestantismo e não o liberalismo que separou as pessoas ou a comunidade em individuos no momentos mesmo em que ousou apresentar a Instituição do Cristianismo como uma relação individual com Deus na qual o homem bem pode salvar-se sozinho, isolado em seu egoísmo e sem se preocupar com seus irmãos os demais homens.

O liberalismo econômico veio depois e aproveitou-se certamente da situação, tirando partido da nova realidade cultural ou ideológica.

O terreno, repito em alto e bom som fora preparado pelo Dr Lutero ou pelo protestantismo no momento mesmo em que excluiu da econômica Cristã - inda que provisoriamente - os conceitos sociais ou gregários de igreja visível, mediação sacerdotal e obras éticas propondo um novo modelo religioso e espiritual centrado apenas no ego. A busca de uma salvação individual ou pessoal desvinculada da dimensão comum, eclesiástica ou social tinha mesmo de dar onde deu, numa economia individual, numa política individual ou negação da política (Estado mínimo/ Stirner), numa moral individual ou individualista (Rand) e até mesmo numa arte individualista. Pela porta da religião o individualismo apoderou-se de toda cultura ou de todas as esferas da cultura até formar uma anti civilização ou uma civilização anti humanista em tudo oposta a nossa herança clássica e a nossa herança Cristã as quais pensavam antes de tudo em termos de Pólis e de Igreja, jamais em termos de individuos.

Havia decerto o espaço da pessoa. O qual todavia jamais conflitava com a dimensão social da fé ou com a dimensão social da política.

Aqui o individualismo e suas necessidades egoístas ou psicopáticas por assim dizer tudo dominaram e produziram uma cultura para a qual o homem nada é ou para qual as exigências do Mercado, o capital ou o lucro foram postos acima da pessoa. Relação de já foi definida em termos de TER X SER.

Todas as civilizações antigas foram todas pelo SER. A nova civilização surgida no Norte das Américas ao tempo em que a Europa alienava-se de seus valores e se desagregava como civilização (seculos XVI e XVII) é decididamente pelo TER.

A reorganização e o sentido dados ali sob o influxo do protestantismo tendiam a um liberalismo exacerbado em todas as instâncias do ser. Por isso na terra do protestantismo o capitalismo evoluí cada vez mais num sentido ANACAP e não creio que seja por coincidência ou que as coisas possam se dar doutra forma. A um tempo político por seu conteúdo anti político e social e a um tempo econômico por sua insistência mórbida em torno da excelência do Mercado julgo que este modelo de pensamento corresponda a forma mais desenvolvida do individualismo.

Agora por que raios o protestantismo não produziu o mesmo efeito cultural na Europa???

Simples gênio, porque ali de par com ele haviam elementos - as vezes até inconscientes - da cultura ancestral e gregária mantidos pela velha igreja romana ou pelos catolicismos. Mesmo nos locais onde a nova fé suplantou a antiga haviam Catedrais, torres, sinos, cruzes, calvários, instituições culturais, etc Havia cultura Católica e nela cultura pagã ou cultura helênica e esta não pode ser destruída de imediato pela nova fé.

O desconforto dos reformadores mais dedicados tinha sua razão de ser justamente nisto, em que o povo mudava de fé mas não mudava facilmente de costumes e as instituições sociais perpetuavam-se e perduravam mesmo quando eram rotuladas como anti bíblicas. O ideal iconoclástico e fanático acalentado por alguns implicava erradicar todos os monumentos e vestígios da fé ancestral e por produzir um novo modelo de sociedade, uma sociedade que partisse dos moldes bíblicos do antigo israel numa perspectiva protestante e houve quem pensasse em termos tão radicais quanto menonitas e amishes inclusive em termos de técnica.

Sonhavam com um mundo totalmente novo sem cruzes, torres, sinos, bispos, pinturas, enfim tudo quanto lembra-se o Catolicismo e seus elementos pagãos e politeístas ou idolátricos como diziam. Era toda uma febre ou delírio que levou os puritanos ingleses do século XVII a destruir até mesmo os antigos padrões reais.

Poder destruir símbolos e emblemas até podiam mas a cultura é que não podiam destruir pelo que encaravam-na como poluída. A Apostasia da igreja romana e sua paganização havia contaminado a infeliz Europa durante toda Idade Média e deseducado a Cristandade. Mesmo após o surgimento da luz, como diziam os pregadores protestantes, alguns dos cidadãos ao contemplar os antigos emblemas sentiam renascer a fé antiga e regressavam ao papismo inda que tivessem de enfrentar as sansões do poder secular.

Era uma situação desconfortável porque não dava para produzir de imediato uma cultura protestante pura e consequentemente uma nova civilização isenta de elementos 'católicos'.

Neste sentido o surgimento de um novo continente, Virgem em termos de cultura européia - a cultura indígena sequer era considerada), passou a ser encarado providencialmente ou como uma benção divina e os sectários - que se sentiam oprimidos pelo simples fato de terem de conviver com os Bispos anglicanos paramentados, as cruzes, as catedrais, os sinos, os órgãos, etc - puderam concretizar seu sonho no sentido de criar uma civilização protestante pura. Essa cultura de fundo protestante ou civilização protestante é a cultura Norte americana ora marcada não mais pela religiosidade bíblica ancestral mas pelo capitalismo ou pela religião de mercado. O elemento comum que representa a continuidade é o ideal individualista presente em todos os setores da existência da religião a economia passando pela política.

A partir da religiosidade ancestral os primeiros povoadores da América do Norte puderam imprimir um sentido individualista a todas as esferas da vida humana e este pode desenvolver-se bastante rapidamente pela simples falta de uma cultura oposta capaz de conte-lo. Consciência social ou gregária não estava presente ali. O individualismo religioso medrou e desenvolveu-se até secularizar-se sob a forma de capitalismo e assumir ultimamente sua forma acabada: o projeto ANACAP. Em certo sentido este projeto é o último herdeiro direto do protestantismo...

Compreendem agora porque estamos lançados num conjuntura tão grave quanto aquele que teve lugar após o fim do Império romano, e sem instituição que nos possa valer.

Como somos levados falaciosamente a optar pelos extremos da ausência de civilização (representada pelas culturas de morte surgidas na Europa - comunismo, fascismo e nazismo) e a proposta duma anti civilização ou dua civilização anti humanista...

A encruzilhada da existência conduziu-nos a este terrível dilema.

O que a ética se é que assim nos podemos exprimir, espera de nós é a negação desta falsa cultura Americanista e sobretudo esperança de dar com uma solução cultural eficaz no sentido de forjar uma nova civilização humanista, que resgate o elementos do passado e nos reconcilie com a herança ancestral.

Faremos nós jus a esta tarefa?

Estaremos a altura de semelhante desafio?

Seremos nós os homens certos?

Estaremos nós no lugar e no momento certos?

Fomos escalados por algum capitão?

Corresponderemos a tão prementes necessidades?

Ou assistiremos o fim da civilização e quiçá da humanidade, enfeitiçada por um modelo que nada tem de ético???

Tais as minhas cogitações e perguntas ao querido leitor.

Porque eu mesmo me sentiria bem melhor no século V a sombra da igreja antiga e ao lado de um Boécio... ou no século XVI ao lado de um Morus ou de um Campanella e mesmo algum tempo depois ao lado de um mably, um Morelli ou um Lammenais. 

Diante de tudo quanto presencio em termos de cultura sinto-me um tanto desanimado, partilhando os mesmos temores de um Huizinga e de um Spengler sem as ilusões de um Toynbee. 



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ABORTO - Um ponto de vista

Aborto é o assunto ou questão do momento e por isso preferiríamos passar a largo dele...

No entanto após dar-mos em nossa 'time line' com algumas considerações expressas pelo amigo Maykon e as quais correspondiam exatamente com nosso ponto de vista, optamos por meter a colher e soltar o verbo...

Lançando farpas contra gregos e troianos...

Afinal, como o porco espinho, já se sabe que somos ásperos por todos os lados rsrsrsrs

Tornemos porém ao Maykon, o qual registrou estar impressionado com a miséria dos argumentos oferecidos pelos extremistas e fanáticos de ambos os lados.

Referi-mo-nos tanto aos apóstolos do abortismo quanto a seus críticos idealistas e hipócritas.

A uma lado damos com uma verdadeira mística capaz de encarar o aborto ou melhor sua legalização como uma espécie de alavanca destinada a guindar a espécie humana as alturas da evolução e do desenvolvimento, o que nos remete ao modo como os liberais economicistas encaram o Mercado e como os anarquistas encaram a extinção dos impostos!

Da cornucópia dourada do aborto saíra justiça social, espirito científico, emancipação, esclarecimento a apoteose da civilização enfim e todo um novo mundo fantástico e maravilhoso...

Do outro uma insensibilidade desumana e abstrata completamente incapaz de considerar as circunstâncias da vida alheia e de identificar-se com ela.

Uma superficialidade abissal a ponto de desconsiderar por completo os insumos materiais necessários a conservação da vida e a afirmação de sua dignidade.

Uma boçalidade tão ampla que jamais chega a refletir sobre as situações dramática que levam uma mulher e mãe humilde de periferia a optar pelo aborto e a suprimir seu próprio rebento tendo em vista a impossibilidade de cria-lo oferecendo-lhe uma vida decente e afortunada.

Pelos primeiros somos brindados por pérolas como do tipo: O feto é uma espécie de órgão do corpo da mulher ou mesmo uma espécie de parasita a semelhança de uma lombriga, de uma solitária ou de um ancilóstomo!!!

Quando a ciência biológica depõem e declarara que se trata duma nova forma de vida, distinta do corpo que a abriga inda que dependente dele.

Afinal dependência ou união não significa mistura...

Há os que declaram que o feto não é um ser vivo mas quiçá um cadáver ou um mineral...

Tendo dificuldade para compreender que é uma forma de vida.

Há os que cantam e descantam sua insensibilidade neuronal...

Nem por isso matamos aqueles que sobrem de analgesia crônica...

Há quem apele ao fato de não ser o feto consciente.

Como aqueles que encontram-se em coma ou algumas categorias de alienados mentais...

E por ai vai...

No entanto ali deixada entregue as leis da natureza mãe de todos, o feto desenvolve-se e adquire todas estas qualidades, pois todas já estão presentes potencialmente dele e ele só não virá a ser consciente, sensível, autônomo caso seus genitores não o queiram e interfiram positivamente decidindo que não terá a chance de tornar-se criança, jovem, adulto, idoso...

Interromper a gravidez é simplesmente interromper, negar curso a natureza e negar uma chance ou possibilidade de evolução ao feto.

É suprimir algo que haverá de vir a ser caso não seja impedido de ser por decisão de outrem.

Então a pergunta aqui é bastante simples: Tem uma outra pessoa o direito ou o poder de decidir sobre a vida alheia ou seu futuro???

Enquanto esta forma de vida implica decisão ou opção livre de duas ou ao menos de uma pessoa é evidente que sim.

Daí a razão do planejamento familiar racional e responsável.

É defeso ao homem escolher se deseja, como deseja e quando deseja ser pai... É defeso a mulher e faz parte efetiva de sua dignidade escolher se deseja, como deseja e quando deseja ser mãe; e ninguém tem o direito de meter o bedelho, nem mesmo a Sociedade, pois trata-se duma questão pessoal e livre.

Tendo em vista contemplar o exercício desta liberdade é que foram inventados os anti concepcionais e formuladas diversas formas e modos de evitar a gravidez.

Reforço que é característico e próprio do ser racional agir a priori ou antecipadamente evitando determinadas situações, projetando e planejando sua vida ou seu futuro.

Opinamos portanto que toda mulher instruída e economicamente bem posicionada, digamos de classe média (nem falamos na classe burguesa!) ou se quiserem todo casal ou família deva recorrer ao planejamento ou ao uso de contraceptivos tendo em vista evitar a gravidez ao invés de iniciar a geração de uma vida e interrompe-la bruscamente sem que nada signifique ou como se assemelha-se a um membro amputado.

A ideia de que casais bem informados e confortavelmente bem situados economicamente possam recorrer aos préstimos de um médio para interromper uma gravidez e extirpar um feto como se fosse um dente cariado pelo simples fato de não terem querido usar de contraceptivos e evitar o inicio do processo se nos parece de fato bizarro e monstruoso.

Portanto não comungamos da mística propalada por alguns machos canalhas e safados e por algumas patricinhas fúteis que defendem a legalização ou a descriminalização IRRESTRITA, o que para nós repete e reproduz a banalidade com que a burguesia e os liberais sempre encararam a vida.

Nem aleguem essas mocinhas que nosso ponto de vista, restritivo - não absolutamente negativo - seja essencialmente machista, opressor, etc Pois nós mesmos discutimos e dialogamos com machos 'revolucionários' ciosos quanto ao direito de transar sem maiores preocupações, fecundar suas parceiras e em seguida assassinar seus futuros filhos!!! Sim há bastante homem assim entre os jovens individualistas ou psicopatas... Os quais são capazes de discorrer serenamente a respeito de como seus filhos devem ser mortos!!! O que por sinal encaram como uma afirmação da liberdade!

Sendo assim tomemos uma arma e matemos o primeiro com que cruzamos na rua... Eis um belo exemplo de afirmação da liberdade individual. Pois se não posso matar a coisa que gerei não sou verdadeiramente livre mas oprimido pela Sociedade ou pelo Estado!!!

E vai por este caminho...

Nada feminista ao que me parece mas bastante cômodo para o macho procriador ou garanhão. Nada mais cômodo para o mito do 'pegador'... Isento de toda e qualquer responsabilidade por obra e graça do aborto...

Sendo assim já deixei bem claro que tudo depende das condições sociais, reais e concretas da mulher ou da mãe.

E que a questão do aborto é relativa a situação da mãe e mulher: se é instruída, se é desinstruída, se é  próspera ou humilde, se é saudável ou enferma, se é ajuizada ou alienada mental, se foi ou não estuprada, etc Assim não podemos ignorar supina e cruelmente as circunstâncias e exigir que uma mulher simples, paupérrima, demente, enferma ou estuprada leve a frente sua gravidez. Pede isto reflexão, dialogo e apoio segunda a decisão da mulher quem merece sempre ser compreendida.

Por isso as mulheres que já tem muitos filhos, as meninas grávidas, etc não podem nem devem ser condenadas caso recorram ao aborto caso não haja uma contrapartida concreta por parte da Sociedade. A Sociedade assume e partilha com elas a responsabilidade e assiste-as ou não terá o direito de condena-las. Neste sentido aprovar o aborto em tais casos pode significar optar pelo mais barato e conveniente para um governo liberal...

Aos críticos do aborto cumpre considerar a necessidade de auxiliar tais mães e mulheres por meio de pensões e bolsas PAGAS PELO GOVERNO caso os parceiros não tenham condições ou não desejam colaborar. Não basta 'pregar' contra o aborto sem cogitar o futuro da criança e sua dignidade.

Então é necessário fazer alguma coisa ao invés de pura e simplesmente falar e condenar.

Caso os críticos aspire evitar a aprovação irrestrita do aborto comecem a pensar numa maneira de ajudar as mães e mulheres pobre de periferia a criar seus filhos sem que precisem se tornar escravas ou mão de obra vil!!!

Afinal se defendem que tais mulheres devam sacrificar-se e trabalhar como máquinas vocês não passam se hipócritas e fingidos que defendem não a sacralidade e dignidade da vida humana mas o mercado de reserva e interesse dos patrões.

A vida só vale a pena ser vivida quando dignamente vivida.

Especialmente a dos bebês ou criancinhas lançadas involuntariamente neste mundo.

Para que a condição de fetos abortados ou a inexistência não lhes seja preferível a uma vida de padecimentos e dores.

Assim a vida da crianças desnutrida, da criança enferma, da criança trabalhadoras, do jovem que não pode estudar, do jovem sem perspectiva, do adulto que não tem acesso a uma ocupação decente, etc

São vidas que avaliadas por seus protagonistas podem ser indesejáveis.

Trancafiar tais mulheres após terem sido levadas pelo homem safado, pelo desamparo, pela angústia, pela miséria extrema, etc a destruir seus sonhos e esperanças mais preciosas não resolve absolutamente nada. Afinal esta mulher já esta ferida e castigada pelas circunstâncias. Então se vocês são inaptos para auxilia-la preventivamente, se vocês não souberam ser solidários quando ela precisava, se vocês nada fizeram de efetivo para evitar semelhante calamidade cessem de critica-la ou de persegui-la, esta mulher é vítima que precisa de proteção e apoio.

Mais, esta mulher precisa de assistência médica e psicológica!

Esta mulher precisa ser acolhida e quem precisa de perdão é a Sociedade indiferente, egoísta, idealista e hipócrita que não lhe estendeu as mãos. Esta Sociedade que não sabe partilhar as responsabilidades é que precisa ser condenada. Esta Sociedade acomodada, hábil em falar e inoperante para ajudar é que pecou e é pecadora! ABORTO É PECADO SOCIAL PRODUZIDO POR SITUAÇÕES DE MISÉRIA, IGNORÂNCIA E INDIGNIDADE porque todos, todos somos culpados e não adiante isolar-se ou esconder-se no gabinete ou na sacristia porque lá esta a voz da consciência a indagar: QUE FIZESTE DE TEU IRMÃO???

Nada fizeste por aquela mulher pobre! Então tome vergonha e cesse de condena-la.

Perdoe-me o bom Papa Francisco e seus cardeais mas já venderam todo ouro e prata (e não me refiro a obras de arte) entesouradas no Vaticano ou negociaram o 'banco do espírito santo' (!!!) e repassaram dinheiro as jovens grávidas de origem humilde???

E esses demagogos religiosos e parasitas que vivem de dízimos, em que medida tem socorrido tais mulheres com dinheiro ou gênero.

Uma Sociedade que não esta disposta a auxiliar não pode cobrar e muito menos condenar e punir!!!

Então esta mulher não pode ficar sangrando num canto sem assistência e tampouco ficar sujeita a situações de vergonha... E isto precisa ser pensado.

É portanto mal menor e menos insidioso que as mulheres pobres - DIGO COMPROVADAMENTE POBRES E DE BAIXA RENDA - e desamparadas (sem companheiro ou pensão) e pouco instruídas sejam atendidas humanitariamente na rede pública de saúde após passar por aconselhamento e orientação psicológica. É o mínimo que se pode fazer nas circunstâncias atuais em que impera e prevalece a indiferença e a doutrina liberal do baixo custo, advogada inclusive por católicos sem consciência.

Crianças tem custos srs anti abortistas, vivem de leite, arroz, feijão, fraldas, etc e depois de sapatos, roupas, livros, cadernos, medicamentos, etc

Eis porque a condenação metafísica do aborto encarado como uma ato abstrato e isolado da vida social é sempre inútil e contra producente. Apenas a eliminação da miséria, a instrução, a justiça social, a elevação da qualidade de vida constituem preservativo eficiente contra o infanticídio.

A mulher estuprada pode ser proposta a geração para a doação. É nobre a iniciativa de buscar convence-la sobre a inocência do bebê, todavia em tais condições a gestação nem sempre pode ser encarada apenas e tão somente do ponto de vista racional entrando forte conteúdo emocional ou afetivo, pelo que a decisão final deve sempre ser reservada a mulher após aconselhamento.

Ademais a condição de fruto de um estupro não deve ser lá muito agradável para a própria pessoa, exceto em condições singulares.

Diga-se o mesmo da gravidez de risco em que a mulher tem fortes chances de vir a óbito.

Portanto são distintas condições que devem nortear a consideração de cada caso. E não dá prá juntar tudo num 'bolo' e apreciar do mesmo modo ou como querem liberar tudo ou liberar geral promovendo a irresponsabilidade dos jovens burgueses...

Aqui a única solução - e isto vale para diversos temas do direito - é considerar a situação social de cada mulher e indagar se tinha condição ou não de exercer sua liberdade porque o exercício da liberdade depende do nível de consciência e este de certas circunstâncias quais sejam a educação e os recursos materiais.

Por isso digo que um é o problema quando consideramos a clientela feminina pobre que aborta e açougues e morre de infecção e outro quando consideramos as patricinhas que desejam extrair fetos como quem extrai dentes e que já abortam em clínicas ou hospitais de luxo sem que sejam penalizadas como deveriam. Se o aborto já existe para essas mulheres e homens fúteis que podem pagar, que exista igualmente para a mulher pobre e para ela somente.

Que a mulher rica, mas também seu comparsa pegador sejam responsabilizados e chamados a barra dos tribunais. E tais clínicas e hospitais de luxo fechados e lacrados!!!

Arremato este parecer já demasiado longo censurando mais uma vez a leviandade e hipocrisia daqueles que condenam o aborto duma perspectiva idealista e deturpara, sem levar em conta os aspectos da vida real ou prontificar-se a ajudar concretamente.

Se vocês se preocupam com o ser humano ou com a vida apenas enquanto esta no ventre, vocês não passam de hipócritas e fingidos porque a vida é sagrada em todas as suas fazes.

EM QUE MEDIDA VOCÊS SE ESFORÇAM POR PRODUZIR UM MUNDO MAIS DIGNO, JUSTO, FRATERNO E ACOLHEDOR PARA ESSAS CRIANÇAS???

Pensem nisto ou nada farão além de sentenciar pessoas ao único e verdadeiro inferno na terra que é a miséria.

Pensamentos exparsos sobre a religiosidade, o fetichismo e o Cristianismo




### A CÓLERA DE DEUS...

Se seu deus precisa castigar um ser tão diminuto quanto eu, quão diminuto ele é...


### DEUS CASTIGA???

Recado pros que dizem que serei castigado por deus:

Chegou atraso na fila uma vez que seus 'irmãos' vivem repetindo tais ameaças a vinte e cinco anos (desde que abandonei o protestantismo para fazer-me papista) e aqui estou - firme e forte - esperando pelos tais castigos que devem estar vindo montados em lombo de lesma!

### A BLASFÊMIA,,,

As vezes é necessário ser blasfemo, sacrílego e irreverente para mostrar ao homem vulgar que o Sagrado não se deixa afetar pelas ações e considerações humanas.


### AMOR E ÓDIO


Se Deus é amor mesmo como esta escrito por que seus 'filhos' odeiam tanto?


### PENA CAPITAL

Se o Deus dos Cristãos foi vítima de erro judiciário por que alguns deles são favoráveis a pena capital???


### FÉ NÃO FETICHISTA

Ao que me pergunta: Por que tens religião ou fé se não acreditas em milagres?

Respondo com outra pergunta: Se o objeto da tua religiosidade são milagres ou coisas materiais supostamente dadas por Deus por que precisas de Deus? PARA TE DAR COISAS.

Portanto para ti Deus não é o fim da religião mas um meio ou instrumento para obter coisas materiais e elas são os teus deuses ou ídolos.

Ora eu não preciso de um deus que me de coisas mas reverencio aquele que é fonte suprema e eterna do Bem, da Verdade e da Beleza e apenas a isto busco: O BEM, O BELO E A BELEZA que subsistem na divindade, com essas dádivas enobreço minha alma.


### HIPOCRISIA CRISTÃ...

Quando observo esses cristãos fetichistas ou melhor feiticeiros com suas orações 'miraculosas' escarnecendo e zombando dos animistas, africanos, wiccanistas, etc Não posso deixar de rir e pensar: O roto falando do mal vestido!

No entanto estes são honestos e sinceros enquanto aqueles são hipócritas uma vez que condenam os outros e procedem do mesma maneira.

Por isso não creio que palavras humanas possam mover o Espírito Supremo, é a mais pretensiosa, arrogante e tola de todas as ideias.


### INFORMANDO DEUS???

Imaginar que  possamos ou devamos informar aquele que tudo sabe e conhece desde toda eternidade a respeito de nossas necessidades é a suprema tolice.


### A MÍSTICA DO NADA...


O materialista ingênuo declara que sobreviverá em seus livros, em seus filhos, em seus descendentes, em seus exemplos, em suas ideias, em tantas e tantas coisas enfim.
 
No entanto tal sobrevivência será efêmera ou melhor ilusória.
 
Pois passados alguns míseros milhões de anos nada, nada, nada restará no que tange as estruturas materiais com que estamos familiarizados.



Tudo será completamente dissolvido e passaremos em absoluto, sem deixar lembranças ou saudades.

Então é bom assimilar desde já a destruição a que estamos reservados sem cogitar a respeito de qualquer tipo de sobrevivência...

Quantos estão dispostos a declarar que sentem-se felizes, contentes e realizados por saber que seus pais, filhos, cônjuges e demais entes queridos haverão de desaparecer sem deixar vestígios???

Quantos de nós aguardam ansiosamente pelo nada???

Quantos sonham encantados com a dissolução???

Quisera topar com um verdadeiro materialista que aspirasse por isto e se sentisse realizado diante da possibilidade de ser plenamente desintegrado mas ainda não topei...


### REPETINDO

Qualquer um pode dizer: Esta escrito. Poucos são capazes de refletir. Aqueles são vulgares e estes extraordinários.


### REFLETINDO

O homem inteligente declara: afirmo, sei, penso, julgo, creio... O homem medíocre: Esta escrito...


### REPRODUZINDO

Cê pergunta qualquer coisa pro cabroco, ele tem um cérebro, ai vai e abre um livro pra te responder... Ela tem o pensamento ali em si, dentro de si... e estende as mãos pra tomar um 'oráculo'...

Triste, triste, triste.


### GENTE SEM CABEÇA...

Não preciso de vampiro, bruxa, lobisomem, duende, mula sem cabeça - GENTE SEM CABEÇA ou melhor sem pensamento crítico me assusta!


### CONTINUANDO LUTERO

Antes de censurar-me e condenar-me porque ouso criticar sua Bíblia, lembre-se de que Martinho Lutero, fundador de sua religião, foi o que primeiro propôs um exame LIVRE ou sem compromissos (ou dogmas) da Bíblia, o que implica a possibilidade de DISCORDAR DELA.

Compreende ou preciso soletrar???

Afinal por que e para que examinar se devo sempre concordar???

Exame sempre supõem certa dose de dúvida...

Se Lutero essencialmente supersticioso não quis ou não foi capaz de tirar as consequências, tiranos nós.


### MISTURA EXÓTICA

Agora se não posso discordar da Bíblia o exame não é verdadeiramente livre...

Mas se os amigos disserem que Lutero não acreditava que era possível ou permitido discordar da Bíblia vou lançar o veneno de vocês contra vocês mesmos e como bom sectário protestante rsrsrs declarar que aqui Lutero ainda era muito Católico e conservador.

Portanto se a igreja papa é tão má como vocês pintam a primeira coisa de que temos que duvidar é da própria Bíblia em que ela manda confiar. Se é ...bom duvidar de tudo que o papismo crê como vocês ensinam, da Virgem, da Eucaristia, etc então deve ser bom e maravilhoso duvidar da Bíblia, porque a igreja papa não duvida dela e Lutero manteve este preconceito que precisa ser superado para que o exame seja verdadeiramente livre.

Compus este raciocínio para demonstrar que o liberalismo teológico, com seu materialismo, ceticismo, naturalismo e até ateísmo é filho legítimo do livre exame proposto pelo Dr Lutero e do protestantismo.

Por isso não posso compreender a revolta e indignação dos protestantes 'ortodoxos' ou fundamentalistas e calvinistas contra o desenvolvimento de um princípio arvorado por sua própria religião

Quando duvidamos imitamos Lutero, leva-mo-lo a frente, desenvolvemos seu princípio, herdamos seu ceticismo mas na hora de crer aderiremos ao CATOLICISMO, se é pra crer urge crer em tudo e não crer pela metade.

LUTERO FALHOU REDONDAMENTE AO PRETENDER CONCILIAR A CRENÇA COM A DESCRENÇA.


### ALIENAÇÃO

Ai, ai, ai, ai quando digo que o efeito de CERTAS religiões é pior do que o produzido pelo alcool, pela cocaína, pela maconha, pelo ópio ou qualquer outro tóxico ainda tem gente que ainda reclama!!!
 
Acabo de publicar um pequeno post explanando sobre a origem dos sacríficos de animais, do sangue, vida, ocre, etc
 
Ai cidadão aparece e escreve esta pérola: Vai ver que os animais eram sacrificados para representar o sacrifício de Jesus !!!
 
NESSE CASO, SUA BESTA, OS MELHORES SACRIFÍCIOS POR EXCELÊNCIA SERIAM OS SACRIFÍCIOS HUMANOS (!!!) QUE REPRESENTAVAM MAIS FIELMENTE O DE JESUS (!!!???)

Dignos representantes tem o nobre Filho de Maria em cavalos, vacas, ovelhas,  cabritos etc

Até onde vai a idiotice dessa gente???


### FANATISMO

Qualquer coisa que apague a luz da razão não pode ser luz. A treva apenas opõem-se a luz.


### INFINITOS

Duas coisas me parecem infinitas: A ciência divina e a estupidez humana... Agora como esta pode subsistir dentro daquela... IGNORABIMUS!


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A malignidade essencial da PEC 241 - Continuação

Encerramos o artigo precedente concluindo que o governo golpista empossado e patrocinado pela FIESP e inspirado por uma visão ideológica sobre o heroísmo do empresariado simplesmente não cogita em aumentar a arrecadação e consequentemente, o erário sobretaxando as grandes fortunas.

Desde que o PT foi criminosamente alijado do poder expressar semelhante opinião é pura e simplesmente tabu.

Os ricos, banqueiros e empresários são trabalhadores tão esforçados e honestos quanto aqueles que lavam seus banheiros ou varrem seus quintais em troca se salário e receptáculos de todas as virtudes. Sobretaxa-los constituiria verdadeiro crime, ao menos de lesa economia ou de lesa capitalismo.... E, sendo assim... é algo impensável ou ao menos inviável.

Sendo assim só resta sacrificar o boi magro as piranhas do Mercado ou seja, cortar os gastos públicos.

Mas que gastos???

Imaginemos agora que a família considerada no início do antigo anterior não tenha de fato como aumentar sua renda. A mãe já costuma e cozinha a exaustão, os meninos cortam a grama dos vizinhos, engraxam sapatos, passeiam com os cães da vizinhança, etc O pai, pobre pai, já faz serão no trabalho ficando até as oito... E de fato, exploradas todas as possibilidades já não há de onde tirar mais dinheiro. Os recursos minguaram e ponto.

Então é necessário cortar, reduzir, planificar.

No entanto a família certamente não cogita poupar em termos de alimentos básicos, roupa, medicamentos, material escolar, etc

Antes cogita em cortar aquilo que de fato seja supérfluo.

Assim: roupas de MARCA, chocolates finos, licores, salmão defumado, espetáculos teatrais, passeios de automóvel, etc Coisas que de fato não são fundamentais a dignidade de seus membros.

Então é isto que uma família séria, inteligente e responsável faz: corta aqueles gastos que são por assim dizer ociosos e de forma alguma do que seja essencial, e este é um corte inteligente, responsável, aceitável enfim...

Diante disto cumpre perguntar:

SERÁ ESTE O TIPO DE CORTE VISADO PELO GOVERNO GOLPISTA???

De modo algum...

A tônica aqui é tirar o arroz, o feijão, o sapato, o casaco, o medicamento, o livro, o caderno, a escola e as oportunidades de uns para garantir o caviar, o salmão, o vinho do porto, as joias, as sedas e os perfumes de outros.

É eliminar o essencial de muitos ou das multidões proletárias para manter ou aumentar o supérfluo de poucos. É trocar as esperanças dos humildes pelo luxo impudente dos poderosos!

Dir-se-ia que estou poetando ou distorcendo as coisas!

No entanto quem é que lembrou-se de propor por exemplo o corte nos salários desses políticos ou melhor demagogos que representam muito pessimamente a vontade de nosso bom povo???

Acaso alguma voz retumbou no Planalto cogitando reduzir as vergonhosas regalias e privilégios multimilionários de que gozam esses parlamentares espertos?????

Qual projeto de lei, qual emenda, qual proposta contempla a eliminação dessas passagens de avião, carros, motoristas, combustível, material gráfico, barbeiro, acessória, etc CUJO MONTANTE CHEGA A MILHÕES DE MILHÕES sem consideração das dezenas de câmaras estaduais, das milhares de câmaras municipais e das milhares de comarcas que a maneira de corte imperial ou monárquica e com mais e maior voracidade consomem no mínimo um quarto, senão um terço de nossos proventos????


NENHUM PROJETO, NENHUMA EMENDA, NENHUMA VOZ, INICIATIVA ALGUMA!!!

Assim o lobo saciado e gordo a por seus olhos na magreza do cordeiro!!!

Terá o cordeiro que deixar de consumir suas ervinhas enquanto o lobo voraz e insaciável empanturra-se fartamente com carnes gordas e viandas!!!!

Tal o caso do pastor que guarda seu rebanho cevado e lança os olhos cobiçosos sobre a única rês magérrima do vizinho!!!

"Guarda o seu e como o do outro." como dizia meu bom e velho pai.

Sim porque os cortes propostos pelo governo golpista ao invés de incidirem sobre o supérfluo, o desnecessário e até vergonhoso que são as regalias desfrutadas por nossos senhores e governadores os políticos profissionais incidirão certamente, e como sempre, sobre os programas sociais destinados a ampliar as oportunidades, a minorar as necessidades dos mais humildes, a eliminar parte das injustiças, etc

Refiro-me a cortes na Educação, na Saúde, na Habitação, no Lazer, na Segurança e outras tantas áreas por assim dizer públicas porquanto mantidas pelo poder público.

É no terreno de tais áreas, essenciais a dignidade da pessoa humana, e destinadas a contemplar a parcela mais humilde da população trabalhadora que o governo cruel, malevolente e desumano pretende fazer a 'drenagem' e cortar ou reduzir os gastos.

Portanto compreendam tais cortes como:

Cortes de material escolar destinado a seus filhos, corte de merenda (o que alias já é feito há muito tempo no estado de Sampa...) escolar, corte de salários de professores e médicos, corte de medicamentos oferecidos com descontos, corte de moradias populares, possível corte do bolsa família, etc

Tais os objetivos sórdidos, cruéis e desumanos propostos pelo governo títere comandado pela FIESP.

Quem desejar obter tais bens terá de trabalhar mais e de compra-los a iniciativa privada, a qual da noite pro dia com este corte de insumos oferecidos gratuitamente pelo governo haverá de aumentar seus lucros ao infinito.

A situação é bastante fácil de se compreender:

Na medida em que o Poder público diminui os gastos com os serviços básicos destinados a contemplar a parcela mais humilde da população é evidente que a qualidade mesma dos serviços é atingida, o que socialmente falando propicia duas situações:

Parte das pessoas são levadas a buscar mais renda e portanto a trabalhar mais para pagar pelos serviços oferecidos pela iniciativa privada; assim mais oferta de mão de obra barata, especialmente se terceirizada e mais dinheiro injetado no senhor e deus mercado...

Aparentemente todo este ciclo de horrores e terrores criado por meia dúzia de milionários e patrões deveria terminar aqui...

Só que não termina, vai além e toca a questão da ideologia.

Sim, pois na medida em que a qualidade do serviço público piora e decai - e este é um dos objetivos primaciais desta PEC e dos cortes! - alguns intelectuais vendidos, alguns jovens ignorantes e a quase totalidade dos meios de comunicação pagos i é da mídia principiam a editar um discurso liberal segundo o qual tais serviços não funcionam e não são viáveis não porque falte investimento por parte do governo (a explicação mais simples não lhes ocorre!) mas por um fator de caráter essencial: porque são públicos ou dirigidos pelo estado com recursos públicos e não privados ou fornecidos pelos heroicos e dedicados empresários!!!

O que nos remete a solução final e meta suprema do liberalismo: A privatização de todos os serviços ordinariamente oferecidos pelo Estado!!!

Na medida em que os bondosos empresários, especialmente os esforçados Norte americanos filhos 'daquela raça ou nação superior' (sic), vão amealhando todas as nossas empresas e recursos ou riquezas naturais a preço de banana e contanto com isenções tributárias 'ad aeternum' as coisas se regularizam e a qualidade dos serviços ascende como um foguete... O que alias é verdade mas apenas meia verdade! Na medida em que se esquece de dizer que tais serviços - escolares, hospitalares, policiais, etc passam a ser pagos e não poucas vezes muito bem pagos!

Neste caso como poderia o trabalhador assalariado pagar por eles???

Como poderia o cidadão médio manter-se confortavelmente num mundo completamente dominado pela iniciativa privada?

Poderia o homem comum, o homem do povo, o homem honesto e simples que trabalha oito horas por dia arcar com os custos deste sistema???

Suspeito que não e que tenha de sacrificar-se ainda mais, de endividar-se ou mesmo de tornar-se escravo de hipotecas e até de perder o lar adquirido e quitado com tanta dificuldade.

Mas, dizem eles, o operário haverá de ganhar bem!!!

Galhofa pois o mesmo discurso que alenta as privatizações opõem-se - por principio de coerência - a regularização social do trabalho por meio da lei ou a legislação trabalhista destinada a proteger o elo mais fraco da corrente i é o operário.

Implicaria contar com a generosidade e a boa vontade dos honestos e esforçados patrões para obter salário família, licença maternidade, férias, décimo terceiro, etc

ACREDITA VOCÊ NISTO???

Que revogada a lei os empresários haverão de pagar por todas estas garantias e benefícios em dinheiro até o último centavo????

Mas se eles pretendem desobrigar legalmente até do salário mínimo estabelecido por lei???

CRÊ que haverão de pagar livremente e de boa vontade por tudo isto???

Neste caso por que temem a fixação de um padrão salarial familiar e totalizante regulado por lei e sentem-se incomodados por ele???

Será mesmo que tudo se limita a uma questão abstrata, metafísica e desinteressada em torno da liberdade???

Quem acreditar em tudo isto que creia igualmente no unicórnio, no bicho papão, no lobisomem, etc

Declaram por fim que a causa de tudo isto será a redução ou a eliminação dos impostos e taxas pagos ao governo tanto pelos heroicos empresários quanto pelo próprio cidadão. O que em tese reduziria os preços dos produtos!

No entanto que impede os empresários desobrigados por lei e no goso de suas liberdades a baixar os preços dos produtos ao invés de lucrar mais e acumular mais segundo o preceito supremo da mística ou religião capitalista???? O que implica encampar igualmente o excedente do não pagamento dos direitos trabalhistas!!! Coisa que amiúde fazem já sob o peso da lei!!!

Bem se vê que em tais conjunturas o empresário, caso desejasse, poderia ficar com tudo deixando de diminuir os preços dos produtos e de aumentar os proventos dos trabalhadores; ficando com a parte do leão!

COMPREENDEU porque a quase totalidade dos bondosos empresários porfia em suster e patrocinar a ideologia neo liberal, da qual é o principal senão o único beneficiado????

Verdade seja dita: Esta a defender o seu...

Triste mesmo é ver pobre, trabalhador, homem humilde e intelectual endossando tal solução.

Quando terá de arcar sozinho com a excelente qualidade dos produtos e serviços...

E se não puder pagar???

Pesada como chumbo e dura como diamante é a lei do deus mercado!

Pois como não resta serviço público ou assistencialismo estatal e nem os cidadãos em sua maior parte são capazes de exerce-lo privadamente, ficam os oprimidos e necessitados literalmente sem ter para onde correr.

Tendo de revirar o lixo para comer restos apodrecidos... de morrer gritando ou esvaindo em sangue as portas dos Hospitais empresas... de viver ao relento com os filhos pequeninos, etc

Cenas de romance barato???

Cenas do quotidiano de qualquer centro urbano norte americano inda que ocultadas ou escondidas pelas grande produções cinematográficas de Holywood... Afinal miséria em termos de multidões maltrapilhas e fedorentas é o que ninguém deseja ou espera ver.

Cosia de Calcutá ou da odiada Havana???

Não, não, não!!! Vá a Detroit ou mande sua empregada ir até lá!!!

Quando não há espaço no deus mercado as erínias ou parcas dominam milhões de vidas humanas! São os miseráveis saídos direto da obra prima de Hugo para a american life.

Ademais a simples sugestão de que algum dia os brasileiros viessem a ficar emancipados e livres dos impostos é absolutamente falaciosa senão hilária.

Após tudo ser privatizado e as leis trabalhistas todas serem eliminadas apelariam ao mesmo papo ou argumento que apelam agora quando propomos os cortes e reduções de suas multimilionárias regalias: DEMOCRACIA TEM PREÇO!

Mas se tem preço não tem espírito ou dignidade não é mesmo???

Se tem preço não passa de negócio!

Se tem preço tende necessariamente a corrupção!

Democracia tem espírito de cidadania ou alma, que é o amor desinteressado da liberdade no mais alto grau.

Como na antiga Grécia onde os detentores dos cargos públicos nada recebiam se prósperos ou recebiam módico estipêndio (suficiente apenas para viverem com dignidade) se humildes.

Como os países mais avançados e desenvolvidos da face da terra, assim Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Suíça, Bélgica, Holanda, etc Repúblicas em que os parlamentares e demais administradores do poder público nada recebem ou recebem algo próximo do que recebe a maior parte dos cidadãos.

Lá democracia não tem custo exorbitante e parlamentar não tira seu peso em ouro.

Lá democracia não tem preço destinado a despertar o interesse e a emulação.

Lá os custos de uma democracia fiel e eficiente - que se traduz em termos de bem estar social - são baratos enquanto aqui os custos de uma democracia ineficiente, infiel e não poucas vezes autoritária é abusivo, saindo-nos bem mais caro que uma monarquia europeia.

Pagamos mais por uma democracia de fachada controlada por instituições econômicas e plutocráticas como a FIESP do que os súditos das coroas espanhola e inglesa, alias, ao que parece, tanto mais democráticas até.

Não, não é nossa democracia que tem custos e sim a cobiça insaciável de nossos políticos profissionais ou demagogos os quais aspiram enriquecer mais do que um proconsul do Império romano!

Democracia aqui é meio de amealhar riquezas muito facilmente e sem trabalhar.

Democracia aqui é meio de vida parasitária!

A culpa no entanto é da Lei ou do estatuto vergonhoso que alimenta e sustenta tão vergonhoso estado de coisas sem que o cidadão honrado se rebele!!!

Lei que chega inclusive a acenar com imunidades aos parlamentares que comentam crimes.

Evidentemente que um estado de coisas que acena com tantos privilégios desperta a cobiça dos avarentos e que uma legislação que concede imunidades estimula o crime!

Como esperar que nossos parlamentares não sejam os mais vis de todos os homens???

Como esperar que não sejam os mais avarentos, cobiçosos, venais e corruptos se são estimulados a prevaricar pela própria lei????

Como esperar que não sejam arrogantes, violentos, levianos... se contam com imunidades destinadas a acoberta-los????

E enfim como esperar que eles mesmos reformem a política, o parlamento, a câmara, o senado e ponham eles mesmos, os interessados, fim a semelhante estado de coisas???

Como esperar de bom grado que revoguem esses vergonhosos e milionários, e custosos privilégios de que são objeto???

Como esperar que considerem cortar ou reduzir as próprias despesas ao invés de onerar o trabalhador em favor do patrão???

Como esperar que abram voluntariamente mão de todas estas regalias e extingam os impostos???

Estabelecido o reinado da privataria terá o trabalhador de suster a si, ao patrão e também a nossos senhores os políticos com agravo de sua dignidade e condição.

Após engolir o anzol e isca do liberalismo econômico terá de trabalhar por três, como um escravo na antiga Roma ou um proletário inglês do décimo nono século.

Por fim o político espertalhão tomará posse do valor porque nossas empresas e riquezas públicas foram leiloadas e cindi-lo-á em duas partes:
Uma delas carreará a algum dos inúmeros paraísos fiscais, de que temos exemplo nas tais ilhas Caimãs, onde ficará rendendo e servirá para financiar suas futuras campanhas e orgias... Com a outra criarão uma espécie de fundo público com que haverão se socorrer os banqueiros e empresários falidos (juntando sempre um pouquinho de impostos)... Destarte os Cacciola, Calmons de Sá, Canhedos.... continuarão mamando eternamente nas mãos do estado, enquanto este for comandado pelos Caiados, Maias, Nunes, Neves, Alckmins, Maltas, Fortes, Cunhas, C Limas, Azeredos, Felicianos, Garotinhos e outros zelosos funcionários da FIESP.
Assim:
  • Eles CORTAM
  • Eles ESCULACHAM
  • Eles ENGANAM
  • Eles PRIVATIZAM
  • Eles SUBTRAEM
  • Eles SOCORREM os amiguinhos empresários...

    E FERRAM COM VOCÊ homem do povo.

    Tal o sentido de ideologia liberal que inspirou esta PEC 241, PEC  da miséria e da morte.


    E JÁ DIGO E DECLARO QUE A ÚNICA CHANCE E ESPERANÇA DE NOS VERMOS LIVRES DESTA CATERVA É ELEGER LULA EM 2018!!!
          LULA neles em 2018.

          Ruim com o PT???

          MUITO MAS MUITO PIOR SEM ELE.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A malignidade essencial da PEC 241





Adequar os gastos é um bem


Nada mais comum do que os lares e famílias planejarem o teto daquilo que haverão de gastar num mês ou num ano. Aqui a ideia não parece apenas boa mas excelente.

Diante disto como negar ou contestar que uma determinada Sociedade deva refletir conjuntamente sobre seus gastos e adequá-los a arrecadação?

Afinal não se pode gastar mais do que se arrecada.

Portanto se a renda somada de uma família comporta R$ 1.000 (hum mil) não se compreende que esta família gaste 1.500. Pois ficará endividada...

Até aqui ponto pacífico.

Não negamos nem questionamos que os gastos de um governo sejam limitados e suas despesas fixadas pela arrecadação.

Neste caso por que o governo golpista do sr Temer não pode cortar os gastos???



Aumentar a arrecadação ao máximo é um bem maior




Numa família bem estruturada antes de cortar os gastos essenciais cogita-se antes de tudo em aumentar o montante da renda adquirida.

Mas como?

A mãe passa a costurar ou fazer doces pra fora, o pai faz hora extra, um filho passa a entregar jornais, outro a engraxar sapatos... Pai e mãe procuram ocupações melhores...

De modo que ninguém fique sem aquilo que é essencial: alimento, medicamento, roupa...

Antes de restringir o consumo de bens essenciais qualquer família tenta e busca aumentar sua renda ao máximo.

Não é isto que tenta fazer o governo golpista...

O qual certamente abandonou o projeto do governo anterior que era sobretaxar as grandes fortunas.



O que fazem os países mais avançados e desenvolvidos do planeta?



O que é feito nos países mais civilizados do planeta lá no Norte da Europa, em especial na Escandinávia!

E antes que alguma lorpa venha pontificar declarando que a Escandinávia ou a Bélgica, ou a Holanda são países de economia liberal ou capitalistas sou levado a esclarecer que eles mesmos apresentam-se como social democratas ou keynesianos (leia-se bem) voltados antes de mais nada para o bem estar social dos cidadãos e não para as necessidade do Mercado financeiro.

Nada mais justo do que sobretaxar aqueles que por meio da mais valia produzem as condições de desigualdade que aumentam paulatinamente a miséria.

Pelo que devemos classificar essa sobretaxa como retorno social e meio porque atenuam-se tais condições. Por meio de programas assistenciais implementados pelo poder público nas áreas da Educação, Saúde, Habitação, Lazer, Segurança, etc todos os membros do corpo social passam a ter a oportunidade de fruir uma vida digna e diminui-se o grau de tensão social que produz a violência, os conflitos e as sedições.

O rico continua rico, embora um pouco menos rico, enquanto cidadão algum experimenta situações de miséria extrema como aquelas que conduzem a angústia e a revolta extremas. E todo corpo social mantem-se mais ou menos coeso e em paz. Quando todos tem chance de comer, vestir, habitar com comodidade, adquirir medicamentos e sentir-se seguros não há porque alterar violentamente um tal estado de coisas.

O que por sinal é bom para os ricos de lá, os quais compreendem perfeitamente o sentido de tal mecanismo e não se recusam a colaborar.

Eles sabem e muito bem que as baionetas teem dos gumes e que a mesma baioneta que hoje fere e massacra os humildes, pobres, oprimidos, excluídos, miseráveis e deserdados poderá num futuro qualquer voltar-se contra eles e feri-los de morte...

Sabem porque eles ou seus governantes, diplomatas e funcionários deram-se ao trabalho de estudar os clássicos da sociologia produzidos ali mesmo na Alemanha, na Aústria, na França ou na Inglaterra; atitude que entre nós brasileiros é encarada como supina loucura.

Para nós Sociologia não existe...

Cumpre explorar ao máximo os pobres, restringir salários e direitos, produzir situações de violência e miséria, recorrer aos serviços da polícia ou do exército ou seja do aparelho repressor e dormir em paz no berço esplêndido.

Taxar os honestos e esforçados empresários que tantos e tão enormes benefícios proporcionam a República parece monstruoso a alguns de nossos cidadãos...



Um espantalho povoando a mente tupiniquim...



É coisa de COMUNISTAS ousam bradar alguns sempre na esteira da cultura popular norte americana, cujo irracionalismo assimilaram...

Sem cogitar que os países do Norte da Europa - que eles mesmos apreciam classificar muito rapidamente (devido ao singular padrão de qualidade de vida) como liberais ou capitalistas - usam e abusam de tal recurso (!!!???!!!). Mas santa Fredegunda será possível ser liberal e comunista ao mesmo tempo??? Liberal pela qualidade de vida (coisa que República liberal alguma fornece a sua população) e comunista pela arrecadação que a sustém???



É a doutrina social da igreja romana comunista???



Quanto aos supostos 'católicos' ou membros da igreja romana (porque este país é majoritariamente romano ainda hoje) que compactuam com semelhante estado de coisas, eu que sem ser papista muito aprecio a doutrina social de sua comunhão, reproduzirei abaixo as linhas de um documento oficial elaborado pelo Cardeal Mercier de Malines:

"A mesma política preventiva justifica-se a respeito de certas DESPROPORÇÕES EXCESSIVAS NA REPARTIÇÃO DOS BENS DESTE MUNDO: INSTRUÇÃO, EDUCAÇÃO, RIQUEZAS MATERIAIS. INCUMBE AO ESTADO COLABORAR, DE SEU LADO, NA REALIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES FAVORÁVEIS A ASSUNÇÃO DO NÍVEL DE EXISTÊNCIA DOS MAIS HUMILDES, DE SORTE QUE TODOS TENHAM ACESSO A UM MESMO NÍVEL DE INSTRUÇÃO, DE EDUCAÇÃO E DE INSUMOS NECESSÁRIOS A UMA VIDA PLENAMENTE HUMANA.

ASSIM O QUER O BEM COMUM, POIS UMA CERTA COMUNIDADE NÃO PODE SUBSISTIR EM PAZ DE CLASSES QUANDO A ABUNDÂNCIA SUBSISTE DE PAR COM A MISÉRIA EXTREMA."
Código de Moral política parag 152

Achei por bem transcrever tendo em vista o esclarecimento desses maus católicos que buscam conciliar o inconciliável: a doutrina no mínimo social democrata ou de bem estar (bem comum para Aristóteles e Aquino) com o espírito liberal economicista DE ORIGEM PROTESTANTE (Cf Max Weber, Tawney, Huxley, O brien, Fanfani, etc) canonizado pelo judeu e ateu L Von Mises papa dos traidores.

A igreja romana e todos os Catolicismos (o Ortodoxo e mesmo o anglicano) nada tem de liberal em termos de economia. Compreende a economia como atividade humana, subordina-a a imperativos éticos e admite certo grau de intervenção ou controle por meio do corpo social ou do estado supondo que possa desprender-se em certa medida das mãos da burguesia e converter-se num órgão mediador ou redistribuidor reforçado pelas eleições e pelo exercício da cidadania. Não acredita, de modo algum, na auto regulação do mercado ou na autonomia do econômico face ao político ou ao social e por isso não compactua com a superstição liberal ou neo liberal.

Assim os papistas que alistam-se inadvertidamente nas fileiras do capitalismo e formam as hostes do sr Von Mises fazem-no porque são ignorantes em matéria de doutrina social da Igreja, tradição patrística, escolástica, etc ou porque são safados mesmos - falsos católicos de coração e alma calvinizadas e agrilhoadas aos pés do deus Mamon, lucro, capital ou milhão...

Por ai se vê que propor bem estar social, bem comum, fraternalismo, etc nada tem a ver com COMUNISMO OU COM KARL MARX eterno bicho papão dos liberais.



Uma tradição anti liberal



Do contrário a igreja romana - reputada por muitos como a suprema adversária e inimiga do COMUNISMO - seria comunista...

E não me venham as lorpas liberais dizer que tudo isto é fruto da 'satanizada' TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO como folgam faze-lo PORQUE O PAPA LEÃO XIII, autor da Encíclica "Rerum Novarum" floresceu na última quadra do século XIX... Havia no entanto CATOLICISMO SOCIAL, alias anterior a Marx, haviam Ketteler, Meignan, De Munn, De Amicis, Nitti, Brunetière, Lammenais, La Cordaire, etc, etc, etc 

E antes deles Mably, Morelli, Campanella, Morus, António de Padua, Aquino, etc

Perpetuando o sentido fraternalista, comunitarista, solidarista, trabalhista, socialista, etc (usem o nome ou termo que quiserem para exprimir o conceito que não munda absolutamente nada) presente no pensamento patrístico, apostólico, evangélico chegando mesmo a alguns profetas do antigo Israel.
O que implica sua essencialidade em termos de Cristianismo.

É uma corrente jamais quebrada cujos elos perpassam a História, as idades, os tempos e chegam ao Verbo Jesus Cristo.

Portanto se alguém aqui foi aluno ou assimilou algo desta ética multimilenar foi justamente o sr Karl Marx limitando-se a radicaliza-la segundo os cânones de seu materialismo e a lançar uns temperos ateísticos que a meu ver não lhe caíram bem. Ficou o marxismo insonso por sua mistica ateístico materialista e depois amargo ou azedo por seu conteúdo totalitário no entanto, sua Ética ou tendência altruística, esta - DEMONSTRA-O CABALMENTE O ILMO DR LUIZ FRANCISCO F DE SOUZA EM SUA MAGISTRAL OBRA (calhamaço de 1150 pags que ainda aguarda pela refutação dos comunóides ou dos liberais) "SOCIALISMO UMA UTOPIA CRISTÃ" 2003 Ed Casa amarela - esta recebeu-a do Cristianismo Católico que é sua fonte.

Alias a obra por magistral é incompleta por não mencionar ou omitir, salvo engano meu, os franceses De Munn, Meignan, Ozanam... e tampouco a Mother Jones, S Weil, Dorothy Day e outras flores do Catolicismo. Penso enfim que poderíamos juntar mais outro alentado calhamaço com outros tantos nomes de clérigos e fieis Católicos (anglicanos e ortodoxos inclusive) notáveis por terem combatido e denunciado o modelo liberal desde seu advento até nossos dias e ainda se me ocorrem: Leon Bloy, Mounier, Maritain, Berdiaeff... os quais, cada qual a sua maneira em em diversos graus propuseram outros modelos de organização social mais condizentes com a dignidade humana afirmada nos Santos Evangelhos e por toda tradição genuinamente Cristã infensa a injustiça e a miséria.


Heresia para os liberais!


No entanto o que se justifica face a doutrina social da igreja romana, as investigações levadas a cabo pelos mais conceituados sociólogos, as conjecturas salvíficas do Dr Keynes não passa de heresia para nossos liberais matriculados na escola do sr Mises, o papa da economia de Mercado.

Refiro-me ao aumento da arrecadação por meio da taxação das grandes fortunas... Meio porque a República bem poderia encher seus cofres e nada cortar em termos de gastos públicos.

No entanto como no novo governo empenha-se a favor dos ricos e empresários pelos quais é dominado enquanto vassalo da FIESP...

A política resume-se em poupar o viajante mais pesado ou gordo e para sua maior segurança lançar o viajante mais magro, sem para quedas, pela porta do avião (que no caso ameaça cair). Implica como veremos em sacrificar o trabalhador ou em imolar os mais humildes. De certo, passamos por uma 'crise' este é o mantra... no entanto quem terá de pagar por ela será o produtor, o homem comum, o cidadão de modo algum os mais afortunados, nababos e endinheirados; os quais não só continuarão a lucrar muito como sempre como até - e este é o verdadeiro motivo ou a razão final da PEC - aumentarão bastante seus lucros!

Enquanto você, meu amigo minha amiga, que aclamou a queda da presidente legitimamente eleita e gritou nas ruas contra o PT ficará sem eira nem beira ou na pindaíba como diziam nossos nobres e excelentes ancestrais, isto se houver pindaíba. Pois ela, como as carroças de papelão e o lixo, haverão de ser disputadas por todo um povo primeiramente manipulado e em seguida desassistido.

Por fim descartada a solução mais inteligente e acertada, que é a taxação dos milionários só nos resta enfrentar a PEC 241 isto é os cortes no orçamento, a redução dos gastos, o teto das despesas e temos de entender o que isto de fato significa e o impacto que produzirá em nossas vidas!


Portanto se deseja conhecer o real significado da PEC 241 leia atentamente a segunda parte deste artigo.  Tenho certeza que as escamas cairão de seus olhos como sucedeu com o então Saulo de Tarso em Damasco, na casa de Ananias. Assim deixando de ser um cego passarás a ver e cessando de ser ignorante passarás a saber e a conhecer o futuro a que fostes destinados, tu e tua família, por nossos governantes sem consciência.

 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Reforma Escolar - Destinada a formar que tipo de homem?






Segundo o imaginário do senso comum é a educação um ato neutro fornecido por uma entidade impessoal que é o governo.

Ainda dentro desta perspectiva o governo oferece as mesmas oportunidades educativas a todos os cidadãos, os que desejam aprender e se aplicam são bem sucedidos, os que não desejam aprender ou não se aplicam suficientemente sofrem as consequências.

Aqui podemos continuar dormindo no 'berço esplêndido' da pátria amada no país das maravilhas de Alice.

A realidade no entanto é bom outra e quem o diz não é o barbudo subversivo do Karl Marx responsabilizado por todos os males que acometem a pobre humanidade, mas nosso sisudo, querido e bem comportado Max Weber aquele mesmo sociólogo germânico que revelou ao mundo científico as afinidades eletivas ou culturais existentes entre o protestantismo e o capitalismo.

Acompanhe-mo-lo para ver se aprendemos alguma coisinha...

Segundo M Weber o governo também ele é formado por pessoas ou seres humanos, os quais sendo livre atuam segundo o critério da intencionalidade.

Logo também o governo tem determinadas intenções voltadas para determinados fins.

Importa portanto saber quais sejam tais fins.

Na perspectiva de um governo formalmente democrático inserido na corrente ordem mundial e sua pressuposta ortodoxia econômica é evidente que o governo devendo produzir empregos e cuidar da segurança - omitindo-se quanto a tudo mais - esta voltado para as necessidades de um mercado financeiro, devendo inclusive - segundo os preceitos da cartilha neo liberal - subsidiar ou secundar suas iniciativas.

Por isso que no instante mesmo em que escrevemos estas linhas o governo golpista empossado há seis meses, forceja, com apoio do Congresso golpista, aprovar uma série de medidas impopulares exigidas pelos empresários e capitalistas. Refiro-me ao corte de gastos públicos que ao invés de incidir sobre os proventos e benefícios auferidos pelos próprios parlamentares, militares e juízes incidirá fatalmente sobre os programas de ajustes sociais implementados pelo governo anterior e traduzir-se-a em cortes nas áreas da Educação, da Saúde, da Habitação, etc

Alias o objetivo de tais cortes não se limita apenas a carrear mais dinheiro aos fundos de investimentos destinados a socorrer bancos e empresas em vias de falência devido a má administração ou crises econômicas mas também e acima de tudo a provocar uma intensa queda qualitativa em termos de serviços públicos e consequente insatisfação popular.

O roteiro é mais ou menos este: Os cortes acarretam queda de qualidade nos serviços públicos. A queda que qualidade provoca a insatisfação popular face a tais serviços. A mídia venal explica dizendo que todo serviço oferecido pelo governo ou pelo poder público é necessariamente mau por ser público e sugere a privatização de tais serviços. A privatização fecha este ciclo, parte dos fundos arrecadados vão para as contas secretas no exterior (serão destinadas a propaganda política dos partidos privateiros) e parte servirá para engordar ainda mais os fundos de investimentos públicos destinados a amparar a iniciativa privada.

Se tudo quanto acabei de escrever não esta perfeitamente de acordo com a cartilha dos neo liberais dou o pescoço a corte.

A conclusão aqui salva a vista: Temos uma intencionalidade neo liberal no controle do governo.

Uma intencionalidade social, keynesiana ou humanista na Escandinávia...

No Brasil uma intencionalidade neo liberal em ascensão após o último golpe de estado promovido e apoiado pelos setores da direita.

Expusemos as necessidades econômicas voltadas para o Mercado. Uma questão simples e prática.

No entanto os liberais sabem melhor do que o sr Marx ou sr Mauss ou o sr Sombart que a afirmação do liberalismo econômico depende de um substrato fornecido pela cultura e destinado a alimentar um ideal liberal economicista de homem.

Por isso os políticos conservadores Norte Americanos estudam sociologia. Por isso desde os anos 50 investem no pior tipo de fundamentalismo religioso. Por isso preocupam-se com o fenômeno educativo. Porque aspiram cimentar ou produzir uma cultura liberal e um homem liberal.

E todos os esforços educativos, inclusive públicos são empreendidos neste sentido: de reproduzir uma cultura liberal economicista e de predispor os jovens e crianças ao individualismo.

Pois o capitalismo ou liberalismo nada mais é que uma forma de individualismo inserido na economia.

Se você não pensa individualisticamente não será anarco individualista, não será protestante, não será capitalista. Se a consciência é dominada em maior ou menos grau por preocupações em termos de sociedade ou grupo inspiradas por um ethos fraternalista, o capitalismo não se afirma e o sujeito identifica-se com qualquer outra forma de socialismo, da social democracia e do keynesianismo ao comunismo.

Capitalista ou liberal é que não será a menos que tenha abraçado o princípio letal do individualismo por qualquer outra via seja política (anarco individualismo/stirnerianismo) ou religiosa (protestantismo).

Todavia como nem sempre é possível introjetar tais valores por meio da educação formal ou estatal o líder individualista ou o capitalista militante receberá sua formação por via da família e esta de algum coletivo anarquista, protestante ou capitalista; a menos é claro que tenha sido educado nos EUA ou numa instituição privada que tenha transplantado tais ideais para cá.

Importa saber que apenas o elemento ativo ou direito das elites deve ser consciente de seu papel dominante.

Não se pode formar adequadamente um homem liberal por meio da educação pública brasileira, isto pelo simples fato de que esta educação deva ser neutra o isenta, o que frustra obviamente as ambições do liberalismo.

Na impossibilidade de produzir um homem liberal em larga escala contenta-se o liberal brasileiro ou o programa que lhe dá suporte em produzir uma cultura da estupidez ou da ignorância.

O que é sumamente fácil.

Bastando para tanto implantar um modelo educacional duplo e ao menos em parte tecnicista. Cujo currículo seja alijado dos conteúdos humanos.

Assim da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia, da Geografia e acima de tudo da História.

Produzindo um tipo alienado ou mutilado de ser humano. O qual limitando-se a ler e a calcular, a manipular certas fórmulas e a fabricar certos objetos ocupe o lugar que lhe foi dado pelo governo ou melhor pelos dirigentes da Sociedade i é um ligar de executor, empregado, gerenciador ou subalterno.

Um tipo de homem tão bronco, tão estúpido, tão idiota, tão desprovido de esperanças e ambições que predisponha seu filho a assumir seu lugar e toda sua descendência a reproduzir passivamente sua docilidade, até o dia do juízo final. Preservando o status quo dos senhores i é dos proprietários.

E assim será o homem que nada compreenda criticamente a respeito da vastidão do universo, da evolução dos seres vivos, da formação e organização das sociedades, da produção e distribuição de bens, da estrutura política, da justiça, da liberdade, do bem, do mal, da ética, do espírito científico; enfim da vastidão do mundo em que vive e seus problemas.

Tudo isto faz parte de sua condição, está de certo modo presente em sua vida, limita ou amplia a esfera de sua atuação e por isso este homem deve ter consciência de cada um destes aspectos da realidade. Para saber ao menos que poderia ser diferente e ocupar um espaço distinto e exercer uma função distinta e que as coisas não são como são porque devem necessariamente ser assim...

Este homem dificilmente contemplará passivamente um sistema largamente produtor de injustiças... Alegando que sempre fora assim ou simplesmente que é bom porque dá certo.

Se de fato os capitalistas estão dispostos a insistir que tudo sempre foi assim nas Idades primitiva, antiga e média são tão mentirosos ou supersticiosos quanto seus adversários comunistas igualmente predispostos a ver o capitalismo em todas as fases da História humana. Neste caso o liberalismo compactua com a mentira e alimenta-se dela... E não é melhor que seu adversário.

Por outro lado se o Capitalismo deve ser aceito pelo simples fato de ter dado certo sejamos honestos e coerentes reconhecendo a dignidade do nazismo. Pois digam o que disserem seus críticos ele deu muito mas muito certo enquanto existiu e só pode ser esmagado pelo execrado bolchevismo do sr Stalin com suas divisões... Não pelo maravilhoso capitalismo, a depender o qual o mundo inteiro - ou ao menos sua parte ocidental - seria ou estaria nazista e provavelmente muito bem ou menos mal... (Economicamente falando) Em que pesem as monstruosidades e abominações do nazismo. Isto porque ele foi prático e deu certo... Felizmente havia um Stalin no meio do caminho. O que nos leva a questionar os caminhos e o sentido da História uma vez que este Stalin foi fruto da Revolução de 17 e esta de condições russas específicas como a religião Ortodoxa, o Czarismo, etc

O que quero dizer é que um homem imbuido de cultura humanista dificilmente engolirá a vã prosopopeia - vulgar e anti ética - do liberalismo economicista, como recusar-se-a a engolir os venenos totalitários da cultura de morte como nazismo, fascismo, comunismo, etc partindo em demanda de outras soluções sociais fornecidas pela experiencialidade social e histórica do gênero humano.

Este homem instruído e reflexivo, critico e ousado será antes de tudo crítico e muito pouco disposto a contentar-se com respostas prontas destinadas a alimentar determinados tabus sociais.

Assim se não é possível patrocinar descaradamente a construção da besta liberal importa impedir a formação deste modelo humanista de homem por meio de uma educação superficial, mutilada e tecnicista de cujo currículo sejam subtraídos a Psicologia, a Filosofia, a Sociologia, a Arte, a Geografia e sobretudo a História, nobre mestra da vida.

É o reducionismo tecnicista implantado nos domínios da educação, melhor caminho para produzir e reproduzir uma geração de estúpidos, imbecis, idiotas e alienados destinados a mais rude servidão.

Este é o projeto deseducativo oferecido por um governo golpista que não pode subsistir-se nem sustentar-se senão a custas de massas acríticas e docilmente manipuláveis.

Pode o homem optar conscientemente pela ignorância ou pelo não aprender desde que esteja disposto a pagar o preço social exigido por sua opção. Não obtendo formação, título ou diploma.

O que não pode é a Sociedade conceder amparo legal a esta opção empobrecendo ela mesma o currículo. Humanidades não é coisa que se possa escolher, por de lado ou desprezar sob quaisquer alegações pelo simples fato de TODOS SERMOS HUMANOS.

De todos termos caráter, mente, pensamento, percepção, princípios, valores... Elementos que por isso mesmo devem estar presentes no conteúdo curricular.

Pois é sob tais elementos que construímos aquela vida ética responsável pelo direcionamento da técnica e da vida.

No entanto se a Escola ou a Sociedade estão mesmo dispostas a relegar tais elementos ao setor privado da vida humana, furtem-se de condenar o nazismo, o fascismo, o comunismo e a teocracia... e preparem-se para tolerar todas as culturas da morte.

Agora se pretendemos construir uma ética da essência o melhor lugar para discuti-la é no ambiente escolar, no espaço da disciplina de Filosofia.

Tal nosso projeto humano e humanista de pessoa. Em oposição ao projeto tecnicista posto a serviço da alienação.