quarta-feira, 26 de julho de 2017

Desconstruindo o discurso elaborado em torno da pretensa sexualidade 'Cristã' - Pederastia, homoafetividade, sexo oral, masturbação, etc 02

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No entanto quando surgiram os novos tempos e com eles um setor naturalista ou racionalista na sociedade 'cristã' já secularizada, os pastores e profetas, para não ficarem falando as paredes, tiveram de ensaiar um discurso naturalista e aparentemente racional com o intuito de vindicar seus preconceitos ou melhor os preconceitos bíblicos em torno do sexo.

O objetivo deles era impugnar as relações homoafetivas do ponto de vista da natureza e entregaram-se com sanha invulgar a esse objetivo, talvez com o intuito de recalcar ainda mais o desejo de dar a bunda... Ainda hoje observamos um discurso insidioso como este na boca de possíveis enrustidos como Feliciano e Malafaia. Psicologicamente falando o policiamento sexual só pode partir de pessoas sexualmente inseguras ou insatisfeitas. Pessoas seguras, decididas e realizadas não se preocupam com o que o outro faz de seu corpo ou com o uso que faz de sua vagina ou ânus. A preocupação é essencialmente doentia...

Curioso é que por pura e simples ignorância tenham os fanáticos confundido homoafetividade com pederastia ou sexo anal, tomando uma por equivalente da outra.

Via de regra as pessoas comuns, péssimas conhecedoras de história antiga ou cultura clássica, imaginam com razão que nem todos os homens gregos apreciassem a pederastia ou o sexo anal, sugerindo, por força de nossa cultura, que fossem todos heterossexuais ou pessoas 'normais' segundo a receita de bolo 'cristã'. A suposição é forçada e absurda uma vez que os gregos, guiados pela natureza, ao invés de recalcar, encaravam seus impulsos ou desejos com absoluta naturalidade.

De fato, sabemos por Aristóteles e outros letrados gregos, que nem todos os homens apreciavam a pederastia. Deixavam por isso de ser homossexuais para converterem-se em gado judaico ou judaizante recalcando os impulsos provenientes da natureza? De modo algum. Neste caso que faziam???

Sexo não penetrativo.

Para ao menos parte dos antigos gregos, a homoafetividade não comportava necessariamente a pederastia, como 'soi' entre os Cristãos hipócritas e fingidos há mais de mil anos.

Então?

Masturbavam-se uns aos outros, trocavam carícias corporais, praticavam o sexo oral e sobretudo friccionavam os pênis tal e qual fazem as lésbicas friccionando os clitóris. Tal o sexo não penetrativo praticado pela totalidade dos homens gregos. Destarte a pederastia ficava restringida a determinado setor.

Por onde se vê que o homossexualismo grego não é de modo algum atingido pela crítica ferina que os fundamentalistas dirigem a pederastia e que, como veremos mais adiante, atinge todas as demais formas de sexualidade humana, a exceção da consagrada posição missionária ou papai e mamãe, canonizada pelos pastores hipócritas.

Alias aproveito a oportunidade para convidar os pastores e profetas que limitam-se a praticar a posição missionária com suas esposas para que venham a nossa página dar testemunho de sua fidelidade ao (rsrsrsrsrs) 'evangelho' rsrsrsrsrsrsrsrs

De minha parte sou demasiado cético para crer que mais de 1% dos bíblicos, contentem-se, entre quatro paredes, a introduzir frontalmente o pênis na vagina. As mulheres especialmente adorariam essa forma ortodoxa de sexo que consiste apenas em abrir as pernas e receber o membro amigo... Queria saber quem, entre os paladinos da moral e dos bons costumes, contenta-se com isto...

Nossa página esta aqui aberta e disposição dos fanáticos dispostos a dar 'bom testemunho' de sua sexualidade!!!

Aparecera alguém???

Duvido e faço pouco.

Mesmo entre os fanáticos que buscam criar um discurso naturalista contra a orientação homoafetiva, raro - e estou sendo condescendente - é o que não masturba, bolina, beija, lambe, faz sexo oral e pasme!!! mesmo anal com a parceira. Sexo anal seja com homem ou mulher equivale a pederastia, pelo simples fato de envolver o ânus e já veremos, senhores pastores, onde chega tudo isto...

Já dissemos que, levar a sério o discurso homofóbico naturalista inventado pelos pastores e suas ovelhas, a única solução possível para os ungidos em termos de sexo é o delicioso papai e mamãe, e que tudo quanto passe disto proceda necessariamente do maligno.

Analisemos o discurso.

Em que consiste ele?

Em declarar e insistir até a vulgaridade que o ânus não sendo órgão sexual não pode ser penetrado.

Usar o ânus com propósitos de natureza sexual seria anti natural uma vez que ele foi feito apenas para defecar.

Deus fez o ânus para cagar e não para que um pênis seja introduzido nele.

Tal a bomba atômica fabricada pela sinagoga cristã kkkkkkkkkk

E como não há qualquer diferença entre o ânus da mulher e o do homem fica evidente que qualquer homem religioso que ouse penetrar o ânus da esposa comete um ato anti natural, logo um pecado.

Peca trasando com a mulher da mesma maneira como pecaria trasando com um homem pelo simples fato de que a sensação é a mesma.

Afinal quem obtém sensações prazerosas penetrando um ânus feminino obte-la-ias da mesma maneira penetrando um ânus feminino.

Logo quem apreciar esta modalidade ao penetrar o ânus da esposa correrá o risco real de...

Trata-se portanto de impedir que o homem conheça este tipo de sexo, sensação e prazer. De modo a jamais cogitar em...

A estratégia do pastor aqui consiste em satanizar todo e qualquer tipo de sexo anal (pederastia), sem consideração de ralação ou gênero (não importa se faz matrimonialmente com a legítima esposa, continua sendo anti natural e pecaminoso e nada muda isto sr crentelho) e em canonizar o sexo frontal ou vaginal.

Neste caso, convenhamos que restará ainda muita coisa, dirá nossa ovelha judaizante de plantão. Pois poderei acariciar, bolinar, lamber, friccionar com as mãos, etc bem como ser acariciado, masturbado, chupado, etc

Ledo engano tolinho...

Uma vez que tal e qual o ânus, mãos, seio e boca não são órgãos sexuais. Esqueceu-se de que as relações só são naturais e lícitas quando envolvem órgãos sexuais com terminações nervosas e finalidade especifica??? Caso excluamos arbitrariamente o ânus temos de convir que os únicos órgãos sexuais propriamente ditos são pênis e vagina, nada mais.

Boca, segundo a natureza e os 'planos de deus' foi feita apenas para comer, assim a lingua, os dentes, etc não para lamber ou chupar outras coisas! Tem o ânus turbilhões de bactérias venenosas e nocivas??? Quem lhe disse que a boca tem menos????

Que dizer então do seio, cuja função é alimentar um nascituro???!!!??? E até mesmo de nossas mãos não lavadas repletas de micróbios??? Alias quem disse que nossas mãos foram feitas para friccionar a vagina ou o pênis substituindo criminosamente o órgão oposto???

Admitido o argumento crentelho a respeito do ânus temos toda forma de sexo não vaginal, condenada como anti natural e pecaminosa!

Por outro lado caso devamos considerar mãos, boca e seios como órgãos de natureza sexual não vejo porque excluir arbitrariamente o ânus. Afinal que tem ele de indigno ou inferior? Despejamos matéria sólida por meio dele??? E urinar, urinamos com que??? Já tirou a uretra da vagina ou do pênis na hora de fazer seu sexo limpo ou sagrado??? Bem, então se os homossexuais fazem sexo com fezes você faz sexo com urina! Gosta de urina??? Então por que não bebe???

Eis o ridículo a que chegamos levando as últimas consequências os argumentos ineptos dos homofóbicos contra o sexo anal.

Por isso só daremos ouvidos aos crentelhos hipócritas quando vierem a público declarar que se satisfazem com a posição missionária, alias com as luzes apagadas (para não contemplar a nudez proibida pela santa Torá rsrsrsrsrs). A coerência o pede! Exige-o.

Eis o que dá substituir os ensinamentos simples do Evangelho por tabus e preconceitos humanos.

Se Jesus não decretou quaisquer leis destinadas a normatizar as relações sexuais, é dever dos Cristãos lutar e combater pelo exercício de uma sexualidade livre e, consequentemente por uma sociedade menos neurótica.

Desconstruindo o discurso elaborado em torno da pretensa sexualidade 'Cristã' - Pederastia, homoafetividade, sexo oral, masturbação, etc 01







Por incrível que possa parecer ao menos para algumas pessoas ainda é tabu falar livremente sobre sexo. Sim, e estamos no século XXI.

No entanto para certas pessoas abordar o tema da sexualidade sem trazer uma receita de 'bolo' ou roteiro 'sagrado' mas mãos é um desafio.

Há inclusive quem deseje proibir a discussão caso ela não siga o roteiro previamente traçado pelos 'guardiães'...

E que fique exasperado face a audácia alheia...

Falar livremente a respeito da sexualidade humana e sustentar a liberdade sexual é, ainda hoje, para não poucos brasileiros, um sacrilégio ou um pecado.

Não nos querem sequer ouvir e, caso detivessem o poder, amordaçar-nos-iam.

Toleram-nos porque são obrigados pelo formalismo democrático.

A má vontade no entanto é manifesta.

No entanto - e este questionamento parte de S Clemente de Alexandria, um doutro Cristão no século II  (por ai se vê o quanto temos piorado!) - como poderíamos ter vergonha de falar a respeito do que Deus não teve vergonha de criar???

Como condenar o que é natural se o próprio Deus é o autor da natureza ou das leis que regem este universo.

É o orgasmo ou prazer sexual algo sujo ou maléfico?

Atribuam-no ao Diabo ou culpem a Deus.

Afinal como algo poderia ser natural e indecente ao mesmo tempo sem que Deus se convertesse no grande indecente do universo e pai de toda a indecência.

Lamento fanáticos mas a sexualidade humana foi concebida, desejada, querida e criada por Deus.

Nem por isso existe qualquer coisa parecida, mesmo de longe, com 'sexualidade cristã'.

Existe sexualidade judaica, farisaica ou talmúdica pelo simples fato de que a Torá de Moisés, não menos que o Kama Sutra, esta repleta de mandamentos, normas e regras de teor sexual.

Mas em que toca isto, a Torá de Moisés, aos Cristãos???

Em absolutamente nada.

Afinal de contas caso a Lei, a respeito da qual disse nosso Mestre Jesus, que não passaria mínimo traço, fosse a Lei de Moisés ou a Torá, estaríamos obrigados a viver conforme o regime dos judeus e a observar todos os seus preceitos nos abstendo de raspar a barba, de vestir linho e lã, de semear trigo e cevada, de comer strogonoff, etc, etc, etc...

Coisa que os bons 'Cristãos' não fazem...

Por saberem que a Lei divina, eterna, e imutável, a que se refere Jesus - Declarando que não seria alterada em um ponto sequer - outra não é senão ou Decálogo ou os Dez mandamentos gravados tanto nas tábuas de pedra quanto nas consciências de todos os homens. Tal a lei moral ou ética que condena irremissivelmente o assassinato, o roubo, a traição, a mentira, etc

O resto, isto é todo o resto da Torá, ao invés de corresponder as páginas de um Corão cristão, corresponde apenas a elementos da cultura semita, israelita, judaica e nada mais que isto. Não são leis de origem divina, mas leis étnicas de origem puramente humana e, marcadamente maniqueístas ou puritanas sob sua derradeira forma.

Tal o sentido das sucessivas maldições com que os israelitas fulminavam a exposição do corpo ou a nudez. Os povos do deserto, até mesmo por questões de natureza climática, jamais souberam lidar normalmente com o próprio corpo ou aceita-lo. E de tanto oculta-lo acabaram por encara-lo como maligno e assim a sexualidade como um todo.

Não ocultavam o corpo ou a sexualidade porque fosse sagrada mas porque a consideravam altamente profana.

Era algo a ser feito as escondidas como tudo quanto é vergonhoso.

A naturalidade era encarada como algo vexatório para a mentalidade dos povos semitas.

Daí seus livros - como a Torá - incluírem um grande número de mandamentos destinados a regular escrupulosamente o exercício da sexualidade, subtraindo-o a decisão humana.

O domínio do pênis, do ânus ou da buceta é atribuído formalmente a deus, o qual se sente atingido ou injuriado caso o sexo fuja as regras ou não seja feito da maneira correta ('Ortodoxa').

É a deus que pertence o controle do corpo do homem ou melhor as sacerdotes, que a partir do sexo tornam-se controladores, manipuladores e senhores do homem todo, ora convertido numa marionete religiosa.

Evidentemente que Deus não se preocupava com nada disto. Do contrário não teria vinculado prazer algum a tais órgãos ou ações. Os sacerdotes no entanto preocupavam-se muito com tudo isto, pois sabiam que constituía o meio de dominação por excelência.

Uma vez que o homem aceite ser controlado sexualmente por outro nada restará de propriamente seu. Invadido o domínio da sexualidade, nosso homem se converterá num boneco ou num robô dirigido pelo líder...

Extremamente ambicioso e dominador o clero judaico não poupou esforços no sentido de implementar uma autêntica 'ortodoxia' sexual a partir da qual ficava bastante fácil conduzir todo aquele gado humano ou rebanho de bestas. Tais as raízes e fontes mais remotas do totalitarismo maniqueu ou puritano que ainda nos assombra...

Tudo muito semita, israelita, judaico, mosaísta, etc Mas Cristão???

A parte fundamentalista da cristandade firmada na concepção de um Corão Cristão ou de uma inspiração plenário/linear, esforça-se para demonstrar que sim e para manter o mais rigoroso controle sexual.

O patético aqui é que atribuem essa orientação maniqueísta e puritana ao próprio Jesus Cristo.

A sugestão aqui é que ele seja o próprio autor da Torá (!!!) ou que a tenha sancionado em sua totalidade (Devido a uma compreensão equivocada sobre o sentido da palavra Lei, relativo a Lei que jamais seria revogada)... O problema é que como vimos os protestantes, pentecostais e fundamentalistas selecionam da Lei mosaica ou da Torá o que bem querem, deixando de praticar ou de cumprir uma porção de coisas...

No entanto caso a Torá ou lei de Moisés não tenha sido revogada em sua totalidade, como eles fingem crer, com que direito selecionam ao invés de cumprir tudo, tudinho e viver a moda dos judeus ortodoxos???

Os bíblicos selecionam oportunamente da Torá apenas o que lhes convém ou agrada, ignorando supinamente todo resto... Certamente Jesus não é o critério, pelo simples fato de jamais ter revogado explicitamente o dispositivo atinente a barba, proibindo seu corte... A depender de uma revogação explicita por parte de Cristo, a maior parte das leis Mosaicas estaria em vigor, e se não esta é pura e simplesmente porque ela jamais foi válida em sua totalidade (para os não judeus) ou divina, mas étnica ou cultural.

Ora a dar por suporta a total inoperância da Torá e dos escritos judaicos só nos resta ir buscar os tais mandamentos, normas, regras e preceitos de natureza sexual (o Kama sutra 'Cristão) na lei dos Cristãos que é o Santo Evangelho e verificar quais tenham sido as leis de natureza sexual baixadas por Jesus Cristo.

Aqui a suprema miséria do fundamentalismo, do biblismo ou do Cristianismo judaizante pelo simples fato de Jesus jamais ter legislado exaustiva e minuciosamente a respeito da sexualidade.

A conclusão a que chegamos aqui torna-se revolucionária e insuportável para muitos: Se as leis sexuais, civis e penais dos antigos judeus não tocam ao Povo de Jesus Cristo e se ele, Jesus Cristo, a seu tempo não ocupou-se da matéria, i é da sexualidade, só podemos concluir que sob a perspectiva Cristã a sexualidade humana é livre, cabendo a cada um refletir e decidir a respeito.

A sexualidade libertária esta fundamentada no Evangelho, partindo do que podemos chamar de lacuna ou omissão por parte do mesmo.

Então temos de adotar a sexualidade maniqueísta dos antigos judeus...

Por este raciocínio tosco teríamos de adotar todo regime de vida dos judeus uma vez que Jesus Cristo jamais cogitou em legislar a respeito das roupas ou da dieta de seus seguidores, ao contrário dos escribas e fariseus...

Evidentemente que a questão não se coloca para os unitários ou arianos. E isto pelo fato de Jesus não passar de simples profeta a ser completado por outros profetas...

No entanto do ponto de vista atanasiano ou niceno, a questão assume proporções totalmente diversas. Pois aqui Jesus é o Verbo eterno encarnado ou seja Deus Revelador...

E não podemos presumir que o Deus perfeito feito carne tenha deixado de enunciar qualquer orientação doutrinal ou ética importante para seus seguidores, ou que tenha sido incompleto. Dar Jesus Cristo, enquanto Deus encarnado, por insuficiente ou por Instrutor imperfeito se nos parece absurdo.

Certamente ele comunicou aos seres humanos tudo quando era necessário saber e fazer sem nada omitir. Fornecendo-nos uma instrução completa e perfeita.

Supor lacunas, omissões ou deficiências na pregação do Senhor, implica opor-se a seu caráter divino.

Se Jesus é Deus verdadeiro, seu Evangelho é lei perfeita e completa.

Resta-nos concluir que tudo quanto não tenha sido ensinado ou decretado por ele é irrelevante para seus seguidores.

E no entanto esse Verbo Encarnado passa a largo quanto o tema da sexualidade humana. Limitando-se a condenar o engano ou a ocultação (traição) introduzida nas relações justamente pelo regime proprietarista vigente entre os antigos judeus, os quais naquele momento não podia Jesus alterar.

Justamente por não estar em sua mão alterar radicalmente o regime social dos antigos judeus, foi que ele limitou-se ao fazer o que podia no sentido de torna-lo menos danoso. Daí ter vinculado o repúdio ao adultério para que as mulheres não fossem arbitrariamente postas no olho da rua por seus consortes e determinado que fossem rigorosamente fiéis aos compromissos que haviam assumido e que julgavam ser de origem divina. Ele jamais ensinou que a monogamia heterossexual fosse divina e normativa. Os judeus, escribas e fariseus é que pensavam assim, tal a situação dada com que ele devia trabalhar e dentro de certos limites.

Por isso pronunciou-se pela indissolubilidade das relações matrimoniais e pela sinceridade tendo em vista amenizar os excessos e sanear os abusos. No entanto ele jamais disse que aquele estado de coisas ou que aquelas relações pessoais fossem divinas e jamais fixou uma forma quanto a organização familiar. Ao encarnar-se Jesus já encontrou aquela forma pronta e era produto da sociedade judaica. O ideal de família heterossexual, monogâmica, indissolúvel e patriarcal não partiu de Jesus mas da cultura judaica, cultura em que eles estava inserido e com a qual devia dialogar, polindo as arestas.

As soluções que ele formulou foram divinas no sentido de serem adequadas as condições dadas ou a cultura judaica. Isto não significa porém que as condições não devessem ser alteradas, adotando-se outras formas de organização sexual fundamentadas na mútua compreensão, no respeito e no amor.

Alias quanto a realidade social das relações monogâmicas tudo quanto ele quis determinar, ao condenar o adultério, é que quando ambas as partes tem um acordo, o engano ou a ocultação equivale a um crime. Parte algum do Evangelho vincula o pecado do adultério a fruição do prazer sexual. O que esta em jogo ali é a tentativa desonesta de se burlar uma relação fechada, recorrendo-se a mentira. A essência do pecado que envolve o adultério envolve não o prazer da carne, mas um prazer bem mais sutil e doloso - ainda que muito pouco considerado - o prazer do engano, no sentido de passar a perna no outro e de ser mais esperto do que ele. Além é claro do prazer da injustiça, pois enquanto a parte fiel contenta-se com o prazer fruído numa relação monogâmica, a parte infiel frui diversas modalidades de prazeres...

O prazer em si mesmo não esta em jogo mas a fruição do prazer numa determinada conjuntura a respeito da qual Jesus jamais pronunciou-se canonizando-a.

A parte destas duas alusões ou 'leis' alusivas as relações matrimoniais vigentes entre os judeus não nos deparamos com qualquer outra coisa no Evangelho.

Nada de relativo ao corpo, a nudez, aos órgãos ou as relações sexuais em si mesmas. Aqui como já dissemos, é Jesus reticente ou lacunoso; omisso, incompleto... Diz muito pouco ou melhor, nada diz.

Refere-se sim ao ânus mas apenas para dizer que os alimentos materiais após serem processados pelo aparelho digestivo, são expelidos por ele terminando na fossa. Nada além disto. Nem uma palavra sobre pênis, vagina, etc

O sexo é uma realidade que não é abordada por Jesus.

Pelo simples fato de não dizer respeito ao Reino celestial.

Foi, do ponto de vista do Evangelho, um setor deixado ao sabor da natureza na perspectiva da liberdade e não policiado, segundo a receita dos escribas e fariseus. Até nisto Jesus distinguiu-se deles...

Mas se é assim como foi que o Cristianismo converteu-se nisto ou seja numa instituição visceralmente maniqueísta ou puritana?

Devemos compreender que o Cristianismo surge numa sociedade judaica e que até mesmo o Criador ao fazer-se carne teve de levar em conta semelhante limitação. Desde que o vinho novo foi derramado num contexto judaico é bastante natural que os judeus cristãos tenham tentando enfia-lo nos odres velhos da lei, iniciando-se um movimento dialético de idas e vindas, etc

Absolutamente natural que a cultura judaica tenha invadido a instituição Cristã dando origem a diversos padrões de Cristianismos judaizantes; da grande e antiga igreja a seitas como o ebionismo. Esta situação agravou-se ainda mais no Ocidente após a formação do que chamam Bíblia, o predomínio da doutrina linear de inspiração e a canonização do biblismo pela reforma protestante; todos estes fatores contribuiram para um refluir da judaização no contexto do Cristianismo ocidental e para a afirmação de uma moralidade maniqueísta e puritana, especialmente após o advento da reforma protestante.

A simples ideia de uma sexualidade cristã diferenciada num contexto calvinista segundo o qual tudo deve ser regulado positivamente pela Bíblia sugeria que a única forma sexual ortodoxa equivalia a posição papai e mamãe, desde então batizada como 'posição missionária'. A partir de fundamentos mais ou menos bíblicos o prazer lícito ou o sexo cristão foi definido como fricção frontal pênis/vagina, e como veremos o fundamentalismo - racionalmente falando - não pode fugir disto... Todas as outras formas de sexo, legadas pelo paganismo e postas em prática pelos Católicos ortodoxos e papistas ao cabo da idade média foram de imediato classificadas como pecaminosas e diabólicas.

Dentre elas a pederastia, o sexo oral, a bolinação e a masturbação.

Vale a pena conhecer a origem de cada uma destas práticas, bem como a respectiva definição, antes de examinarmos a tentativa dos Bíblicos, no sentido de argumentar natural e racionalmente, e fulminar a homoafetividade compreendida sempre como pederastia.


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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Consultório pedagógico - Como explicar a evolução das espécies a nossos alunos? II


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Após termos procurado oferecer um panorama geral sobre o caráter do Evolucionismo enquanto conhecimento humano, uma breve introdução ao vocabulário científico e finalmente as principais evidências por ele oferecidas, tentaremos explica-lo da melhor maneira possível.

Para tanto, partindo do que já fora estabelecido no artigo precedente, devemos entender o processo evolutivo como um movimento de sofisticação orgânica em que as formas mais simples de vida vão dando lugar a formas de vida cada vez mais complexas e portanto, aptas para vencer os obstáculos postos por um meio em constante transformação e não poucas vezes hostil.

Evoluir pode ser definido como aquisição de um equipamento biológico que permita a determinada forma de vida adaptar-se com sucesso ao meio em que vive. E já adiantamos que a maior parte das mutações não vantajosas eliminadas pela 'Seleção natural' não podem ser compreendidas enquanto fenômenos evolutivos pelo simples fato de que não auxiliam o indivíduo a adaptar-se e manter-se, mas prejudicam-no. Assim se não há benefício, adaptação e continuidade como podemos dizer que houve de fato evolução???? Assim o que houve foi mutação e não devemos confundir os termos mutação e evolução. A Evolução é ao menos em parte efeito da mutação, mas a mutação não é a Evolução.

É importantíssimo por a questão nestes termos devido a afirmação de um discurso polêmico e anti teísta ou ideológico segundo o qual a Evolução nem sempre seria vantajosa ou benéfica para o indivíduo. Concordamos se quer dizer que a mutação pode produzir certo desconforto quanto ao ser mudado. No entanto se apesar do possível desconforto ela propicia condições favoráveis a sua conservação e a manutenção de sua posteridade - Logo da nova espécie produzida - não vejo como possa ser absolutamente desvantajosa ou prejudicial. Não vos parece que, caso a mutação favoreça a permanência do individuo e a conservação do novo tipo seja benéfica?

Compreendi que evoluir é adquirir uma alteração estrutural (relativo a forma do corpo físico) vantajosa que possibilite ao individuo em questão triunfar das dificuldades postas pelo meio e superar os demais membros da espécie, ou seja, aqueles que não adquiriram o novo equipamento, e que doravante tenderão a extinguir-se já por serem menos capazes de obter alimento - com relação ao individuo que sofreu a mutação e seus descendentes - já por se acharem menos expostos a predação. É uma mutação corporal que oferece aos indivíduos mudados e seus descendentes uma condição de superioridade face aos elementos da espécie que não a experimentaram.

Agora a pergunta chave? ALIAS JÁ RESPONDIDA.

Qual é o fator responsável por implementar a mudança? Qual o primeiro impulso, desencadeador do processo evolutivo? Qual o elemento chave em termos de evolução Biológica.


TAL O NERVO A CONTROVÉRSIA ou o calcanhar de Aquiles em termos de compreensão.

Devido a disparidade das respostas oferecidas, a obscuridade e a confusão reinantes.

Antes de Batenson e De Vries (isto em 1904 ou há cerca de 110 anos!!! - MARQUE ISTO!) todos os cientistas, na esteira de Ch Darwin e R N Wallace - teóricos da 'Seleção natural' - estavam convencidos de que a própria Seleção natural, é que introduzia as modificações nas formas, e esta é a origem do Imbroglio na medida em que, ao menos entre os leigos (Professores, jornalistas, ensaístas, autores de livros, etc) mantiveram até nossos dias esta ideia equivocada, certamente devido ao colossal prestígio adquirido por Darwin e Wallace, os quais sem embargo, observaram e recortaram apenas uma parte do processo, e não o processo como um todo.

O que os dois pesquisadores britânicos do século XIX descobriram na verdade foi o mecanismo de controle chamado seleção natural, ao qual atribuíram toda responsabilidade pelo processo evolutivo, perpetuando assim, até certo, ponto o equívoco de J B Lamarck segundo o qual o meio externo por si só ou sua dinâmica, seria capaz de produzir alterações físicas nos seres vivos, e consequentemente - em termos de Biologia genética - de alterar-lhes os genes ou cromossomos, possibilitando a FORMAÇÃO DE CARÁTERES OU SUA TRANSMISSÃO, o que sabemos ser absolutamente falso desde os tempos de Weissman. Alteração externa alguma produzida pelo meio é transmitida a posteridade de um animal. 

Portanto a dinâmica externa da seleção natural nada pode criar ou produzir.
Darwin e Wallace não haviam descortinado toda a verdade. Pelo simples fato de ignorarem as pesquisas do abade austríaco Gregor Mendel, examinadas mais de perto, como vimos por De Vries e Batenson. 
Neste caso qual seria o elemento chave, criador ou positivo em termos de Evolução?

Chegamos aqui ao FENÔMENO DA MUTAÇÃO.

Sem o auxilio do qual não se pode compreender corretamente o processo.

De modo geral ocorrem as mutações por duas vias - interna e externa. A mutação interna tem sua origem na produção de novas células a partir de erros aleatórios quanto a fabricação do DNA. A mutação externa tem sua origem na exposição do organismo a radioatividade. E como no passado distante ou nas Eras iniciais da vida os elementos radioativos achavam-se expostos a flor do solo, há que se admitir um grau de exposição muito maior caso tomamos por comparação o tempo presente.

Uma mutação bastante comum entre nós diz respeito as pessoas que nascem com seis dedos (polidactilia). Caso pessoas que portam este gene ou membros da mesma família casarem entre si, a tendência é que o número de pessoas com seis dedos vá aumentando progressivamente.

Até aqui um lado da Evolução. A mutação, que é por assim dizer um fator acidental ou estocástico, sem direção ou sentido.

Vejamos agora o outro lado da moeda. O elemento negativo, o qual embora por si mesmo nada produza, controla e direciona as mutações.

A maneira como as mutações são testadas pela natureza sob a forma da 'seleção natural' é bastante simples: Caso a mutação corresponda a uma vantagem, ajudando o indivíduo em questão a superar determinado obstáculo posto pelo meio, a suplantar os elementos que não passaram por ela e a conservar a própria existência por mais tempo a tendência é que do acasalamento entre indivíduos que herdaram tais genes surja uma população com as mesmas características. Na medida quem que tais populações sejam expostas a outras mutações vantajosas testadas pela seleção natural e acumulem equipamentos diferenciados é que se produz uma nova espécie. De modo que a especiação pode ser definida em acumulo de mutações (e equipamentos) benéficos testados pela seleção natural.

Uma vez que a aquisição de um conjunto de equipamentos vantajosos se dá por via acidental ou aleatória, supõem-se que o processo de acumulação se estenda por dezenas de milhões de anos. Afinal a maioria esmagadora das mutações é prejudicial e inoperante em termos evolutivos. Claro que as circunstâncias externas ou a condição do meio também entra em jogo. Pois a simples mudança de um meio em termos de inundações, secas, epidemias, oferta de suprimentos, migrações, etc basta para converter uma mutação ou equipamento prejudicial em equipamento vantajoso. Assim, como o meio é dinâmico e sujeito a alterações constantes... Mudam os critérios da seleção e seus resultados. O que torna o processo evolutivo impossível de ser previsto em termos de exatidão matemática.

Resta-nos agora, aludir brevemente ao caminho percorrido pela evolução dos seres vivos até o homo sapiens.

A direção da vida unicelular para a vida pluricelular, é simples obviedade.

Assim da esponja ao verme, do verme ao peixe, do peixe ao anfíbio, do anfíbio ao réptil, do réptil as aves e mamíferos.

Quanto aos mamíferos, grupo a que pertencemos, nossa filiação ao grupo dos primatas com seus cinco dedos e polegar opositor é igualmente obvia. Herança dos lêmures que se encontram na base do grupo.

Nem por isso é certo, mas absolutamente errado, afirmar que nós descendemos dos macacos ou mesmo dos macacos superiores (Antropoides). Macacos não são nossos ancestrais. Tudo quanto podemos dizer é que somos parentes muito próximos ou primos enquanto descendentes de um ancestral comum que teria vivido a cerca de uns vinte milhões de anos segundo alguns especialistas.

O homem não vem dos macacos. Mas de um primata já extinto, do mesmo modo que os macacos.

Este primata extinto foi convencionalmente chamado de 'elo perdido' pelo simples fato de seus restos ainda não terem sido encontrados. Tal lacuna, no entanto, nem de longe atinge a evidência relativa a nossa linhagem e isto pelo simples fato de podermos rastrear nossos primos e ancestrais do Homo sapiens sapiens ou Cro Magnon, até o homo erectus, o homo habilis, os australiopithecoides, o ramapithecus, etc estabelecendo as sucessões e traçando nossa árvore genealógica para mais de sete ou dez milhões de anos. Aos poucos, conforme as descobertas foram avançando a maior parte das lacunas foram sendo preenchidas e os laços de afinidade e proximidade estabelecidos com bastante exatidão. De modo que nega-los só pode constituir mesmo prova da mais absoluta ignorância ou de pura e simples desonestidade.

Via de regra o que podemos dizer que a quase totalidade daqueles que negam obstinadamente a teoria da Evolução é composta por pessoas superficiais, que não possuem devido conhecimento de causa e que jamais examinaram o assunto com atenção e profundidade. Quem acalenta alguma dúvida a respeito do que digo, interrogue nossos opugnadores peguntando-lhes sobre as mutações, a seleção natural, os principais hominídeos, etc O repto esta feito e a resposta conhece-mo-la muito bem nós mesmos e por experiência: Não precisamos estudar, conhecer ou compreender o evolucionismo (!!! Sim vocês ouvirão isto se ousarem confrontar os criacionistas!) PARA NEGA-LO!!! Basta-nos a Bíblia que é a palavra de Deus.

Vemos então que se trata de pessoas simples, rudes, grosseiras as quais nada leem além da Bíblia, mas que se julgam autorizadas a opinar sobre tudo e a tudo julgar... Como se chama isto??? O fato de alguém rejeitar uma proposta que sequer analisou??? Eu chamo de arrogância ou prepotência, e você??? E mesmo assim tais pessoas folgam apresentar-se como humildes... Chegamos ao fim do poço!







quinta-feira, 8 de junho de 2017

Consultório pedagógico - Como explicar a evolução das espécies a nossos alunos?

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Um, sendo humilde observa a realidade, o outro sendo cego confia em mitos indefensáveis.


Uma das tarefas mais difíceis e ao mesmo tempo mais importantes para um bom professor de Biologia ou de Ciências consiste em fazer com que seus alunos compreendam o processo evolutivo porque passaram todas as formas de vida ora existentes, ou seja, a Evolução das espécies.

Especialmente se levarmos em consideração que os fundamentalistas religiosos são habilmente treinados em suas seitas com o objetivo de fazer perguntas capciosas e desmoralizar seus professores. O que é suficiente para intimidar os educadores mais inseguros. Todo um clima de polêmica é artificialmente produzido pelos alunos fanáticos com o premeditado intuito de desestabilizar estes profissionais, o que é bastante grave.

Afinal professor algum costuma dirigir-se a qualquer conventículo religioso com o objetivo de questionar e desmoralizar o pastor. E menos ainda de treinar alunos e envia-los as reuniões religiosas com o objetivo de sabota-las. Afinal professores tem ética. Pastores não - Claro que há raras e por isso mesmo nobres exceções - e por isso estão dispostos a 'assaltar' a escola pública e laica com o objetivo de nela introduzir o querido Gênesis e o dogma criacionista. Tal a gravidade da situação!

Daí a necessidade premente de se estar muito bem preparado para enfrentar a crítica obscurantista e supersticiosa que invade nossas escolas e esmaga-la. Mesmo porque, hoje infiltram-se nos domínios da Biologia, amanhã nos da geografia, da História... De modo a instilar; 'catastrofismo geológico', História 'sagrada' (???), etc E o fim de tudo isto é substituir todas as disciplinas do currículo e o conhecimento científico como um tudo pela Bíblia ou melhor dizendo pelos mitos, fábulas e lendas do antigo testamento.

Há quem sonhe com o dia em que todos os compêndios escolares - de Química, Física, Bilogia, História, Geografia, Sociologia, etc - serão substituídos pela Torá ou pela Tanak segundo a versão JFA.

Em termos de Biologia - Que é a porta de entrada! - urge, mais do que nunca, partir para o afrontamento, afirmar em alto e bom som a veracidade do processo evolutivo e, acima de tudo, expô-lo com máxima exatidão e clareza, dirimindo todas as dúvidas.

Antes de tudo é necessário deixar bem claro que as discussões a respeito de como o processo evolutivo teria se dado, de modo algum atingem ou invalidam o processo enquanto tal.

Cientificamente não há nem existe a mínima dúvida a respeito do processo evolutivo, cuja demonstração já foi realizada por Haldane, Dobzhansky e Mair, os pais de teoria sintética a praticamente oitenta anos. As discussões dizem respeito apenas a detalhes ou quanto a certos aspectos do processo.

Do ponto de vista da ciência a evolução das espécies é um fenômeno dado ou um aspecto da realidade natural que não se discute e algo não menos verdadeiro do que o heliocentrismo ou a lei da gravidade, mesmo em se considerando que não seja um fato ou uma lei.

Comecemos portanto definindo com objetividade e precisão, os conceitos principais conceitos, os conceitos mais elementares, em termos de ciência:

  • Fato - Define-se o fato Biológico como correspondendo a menor unidade perceptível ou observável em termos de natureza. Assim o fato é percebido ou captado pelos sentidos, sem que haja, necessidade de demonstra-lo. Fatos são axiomáticos e impõem-se por si mesmos. Não preciso fazer declaração alguma com o intuito de demonstrar que o gelo seja água em estado sólido.

    Exemplos - O aspecto quadrupede do cão, o aspecto mamífero do gato, o aspecto ovíparo da galinha, os espinhos do cacto, a flor da roseira, etc

  • LEI - lei é uma relação constante de causa e efeito existente entre dois fatos (Relação constante de causa e efeito que parte da própria natureza das coisas). A relação e a constância podem ser observadas evidenciando que a Lei existe objetivamente no plano da natureza e não apenas como construção mental de caráter puramente subjetivo. No entanto sua formulação ou expressão em termos de linguagem humana, dispende certo esforço racional, o qual foge a experiencialidade pura. Não podemos pesar, contar ou medir uma Lei embora os resultados da relação possam ser quantificáveis. E sequer podemos negar que uma lei qualquer pudesse ter sido formulada ou expressa de maneira mais exata ou mais claro Exemplo - O Fototropismo > Fato um: A luz do sol. Fato dois: O crescimento dos vegetais. Relação constante ou Lei: Os vegetais crescem sempre voltados para a direção da luz.

  • TEORIA - De modo geral os leigos (E Até mesmo um bom número de professores e articulistas> O que é assustador) ignoram qual seja o conceito científico de TEORIA, julgando que corresponda a ideia vulgar de sugestão, opinião ou HIPÓTESE (A hipótese é algo duvidoso e provisório) e imaginando que a Evolução das Espécies ainda não tenha sido cabalmente demonstrada!

    Aproveitando-se disto os religiosos desonestos com o propósito de alegar que o relato mitológico e fetichista do gênesis (Criacionista) corresponda a uma outra teoria ou opinião tão digna quanto. O que além de desonesto é absurdo.

    Afinal não temos na Teoria evolucionista mera hipótese ou suposição questionável imaginada pelos cientistas e tampouco no criacionismo uma informação que parta da observação dos fenômenos naturais uma vez que nem os sacerdotes do antigo israel e tampouco seus professores sumerianos deram-se ao trabalho de examinar a natureza 'in situ' buscando uma resposta plausível. Limitando-se assim a imaginar ou a fantasiar a respeito de como as coisas teriam se passado, exatamente como os poetas e artistas ou como o criador do Mikey mouse ou do pato Donald.
          Neste caso que vem a ser TEORIA segundo o vocabulário científico?



Da mesma maneria como uma determinada lei busca expressar uma relação constante existente entre um determinado número de fatos, tirando-os de seu isolamento, a TEORIA busca encontrar uma explicação unitária para todas as leis ou relaciona-las todas a partir de um determinado aspecto.

Resulta disto que a formulação de uma teoria deve ser precedida por análise minuciosa de uma imensa gama de fatos para poder explica-los todos sem exceção. O que exige um grau bem maior de observação e, quanto a sua formulação - A formulação da teoria - uma dose bem maior de raciocínio lógico. Teoria é algo que não se pode formular partindo de um único fato ou le, mas que se deve inferir a partir do conjunto.

Daí os positivistas - com quem os fanáticos religiosos costumam pegar carona - e neo positivistas, apegados a um sensorialismo chão e sempre desconfiados quanto a qualquer formulação especulativa de caráter mais geral - a exemplo de K Popper - impugnarem o caráter objetivo e científico do Evolucionismo para apresentarem-no como construção filosófica ou metafísica.

Compreendem por que até o Malafaia pode sair-se bem com um manual positivista entre as mãos?Afinal para eles ciência nada mais seria do que a coleção (Descritiva) interminável de fatos imediatamente perceptíveis a qual nos autoriza a formular, com bastante cuidado, algumas Leis. Nada mais...

Felizmente encontra-se o positivismo completamente ultrapassado, especialmente após das formulações propostas por W Dilthey, Kuhn, etc Ademais, o citado Popper sequer mostrou- se fiel a mentalidade positivista, caminhando sempre na direção do Ceticismo e do Relativismo de Hume e da negação da objetividade do conhecimento científico. Os fanáticos religiosos agradecem a demolição da verdade no plano da natureza para substituírem-na por seus delírios e baboseiras!

Uma coisa no entanto é certa: Conceito de teoria não é mesmo brincadeira mas coisa séria. Do mesmo modo a teoria de Evolução das espécies enquanto produto social resultante do esforço comum empreendido por diversas gerações de cientistas a exemplo de Ch Darwin, Wallace, Mendel, Batenson, De Vries, Weissman, dentre outros, muitos outros.


         Exemplos de teorias:

         A T da gravidade geral de Newton
         A T atômica de Bohr
         A T da relatividade de Einstein
         A T uniformitária de Hutton
         A T das placas tectônicas de Wegener
         A T dinâmica da mente de Freud
         As teorias sociais de Le Play, Marx, Durkheim e Weber

         Todas sem exceção absolutamente relevantes.


Vejamos agora porque consideramos a teoria da Evolução como algo real, suficientemente demonstrado e acima de quaisquer dúvidas. Consideremos pois o rol das evidências -


  1. Evidência embriológica da Recapitulação.
    Diz respeito a existência de estádios homólogos na ontogenia dos seres vivos, ou ao desenvolvimento de um ovo até sua fase adulta. Assim o cérebro de um embrião humano com cinco semanas de vida é idêntico ao de um peixe. Já entre o cérebro de um feto com sete meses e meio de idade e o de um macaco não há diferença alguma. Não apenas nossos cérebros mas cada um de nossos órgãos refaz durante a gestação toda a história evolutiva dos seres vivos, de modo que poderiam exclamar unanimemente: Fui peixe, fui réptil, fui macaco...
    Será ociosa esta recapitulação ou pretenderá dizer-nos alguma coisa a respeito de nossa própria História?
  2. Evidência das estruturas homólogas
    "Quando estudamos um grupo de animais como, por exemplo, os vertebrados, verificamos que a estrutura dos representantes de duas espécies distintas - homem e cão ou gato - suponhamos, encarada sob um aspecto geral, apresenta relações muito estreitas entre si. Os braços de um homem e os membros anteriores de um cão ou de um gato apresentam as mesmas peças esqueléticas gerais: um osso no braço e dois ossos no ante braço, vários ossos no punho e cinco fileiras de ossos nas mãos. Semelhanças correspondentes encontram-se do mesmo modo nos músculos, nos nervos e nos vasos sanguíneos."

    De modo que até mesmo a asa de um pássaro assemelha-se bastante a uma espécie de braço.
  3. Evidência dos órgãos vestigiais.
    Órgãos vestigiais são remanescentes de órgãos que no decorrer do processo evolutivo perderam suas funções, sem que no entanto fossem suprimidos ou deixassem de existir. Com efeito, inseridos no interior do ventre da Baleia, encontram-se os ossos de suas patas traseiras, evidenciando claramente a origem terrestre - Alias mamífera, como é indicada por outros aspectos de sua morfologia - deste animal, ora marinho. Externamente desapareceram, sequer convertendo-se em nadadeiras, mas internamente... Encontram-se lá, bastando tais ossos para esmagar o criacionista. 
  4. Evidência do registro fóssil numa perspectiva comparativa.
    Para tanto basta recolher os fósseis de determinada espécie animal, como o cavalo ou urso, data-los e comparar os mais antigos com os mais recentes. O movimento será sempre o mesmo em qualquer um dos casos: Estruturas bastante simples dando lugar a estruturas cada vez mais complexas. O que por si só basta para apontar a direção tomada pelo processo, do mais simples para o mais elaborado. Os fósseis mais antigos sendo sempre mais simples e os mais evoluídos cava vez mais sofisticados.

A menos que nossos corpos almejem enganar-nos ou pregar-nos uma tremenda peça tais evidências devem ser seriamente consideradas. A natureza não conhece outra linguagem que a da evolução. Digo mais; sem a evolução no plano da biologia nada faz sentido. Destarte negar a Evolução equivale sempre a negar a própria percepção, a experiência e o raciocínio enquanto dádivas que nos foram comunicadas pelo próprio Deus. Implica negar a realidade fixada pela divindade. 


    quarta-feira, 7 de junho de 2017

    Apolônio de Tiana, sim; Jesus, não!

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    Mesmo admitindo que a princípio fosse Jesus um 'judeu obscuro' perdido lá nos ínvios sertões da palestina, nos confins do Império romano ou na periferia do mundo civilizado, querem os ateus e materialistas - Oh contradição miserável - que o foco da historiografia romana contemporânea (século I d C) tenha caído poderosamente sobre ele.

    Fica bom pra saga 'Jesus super star' não para a realidade história.

    Tomemos a figura de um Pilatos a respeito da qual mesmo tendo sido pretor não se achavam quaisquer evidências documentais extra evangélicas, e isto a ponto dos críticos do século XIX, postularem sua inexistência ou lançarem fortes dúvidas sobre ela. Até encontrarem a inscrição de Cesarea... E ele era político de relativa importância.

    Que dizer então de um rabino obscuro.

    Certamente haviam registros a respeito de sua pessoa. Registros públicos depositados em arquivos. Pois o Império romano era sumamente organizado.

    Basta dizer que diariamente, a administração Imperial publicavam uma espécie de Jornal, a Acta diurna, a qual sumariava todos os acontecimentos importantes ocorridos na capital do Império e era tombado e arquivado, exatamente como nossos diários oficiais, podendo ser consultado por quem o desejasse. Evidentemente que Jesus jamais fora mencionado em semelhante registro... Pelo simples fato de não residir em Roma e de não ser relevante para o 'Império' como um todo.

    Essas Actas foram certamente consultadas pelo grande Tácito. Hoje no entanto nada mais resta delas ou dos nomes e eventos nelas citados. Devido as sucessivas invasões porque passou a cidade eterna e as decorrentes pilhagens com os fatais incêndios, deram cabo de absolutamente tudo.

    No entanto haviam igualmente Cartórios e arquivos muito bem organizados não apenas nas capitais das províncias, mas mesmo nos principais centros administrativos de cada província. Nos quais ficavam arquivados e tombados por exemplo os censos mandados realizar pelos Césares ou pelos proconsules. Mesmo porque os romanos eram demasiado ciosos quanto ao fisco e nada deixavam passar...

    Da mesma maneira os tribunais regionais e provinciais possuíam todos os processos e decisões judiciais arquivados pelo simples fato de constituírem 'precedente'. Assim o que chamaríamos hoje serviço secreto, contendo todos os relatórios atinentes a processos de natureza política envolvendo possíveis ou mesmo supostas sedições, cujo sumário, muito provavelmente eram enviados aos procônsules, senão ao Senado Romano, pois em termos de 'conspiração' nada era insignificante para os imperialistas do Lácio. Em questão de poder desejavam estar sempre muito bem informados.

    Logo, as alegações repetidas por Justino, Tertuliano e alguns outros autores antigos a respeito da existência de tais relatórios sobre o nascimento, o processo e a condenação de Jesus; existissem ainda nos arquivos do Império, certamente nos arquivos provinciais da Palestina, são no mínimo plausíveis. Pelo simples fato de jamais terem sido rebatidas pelos muito bem informados adversários do Cristianismo a começar por Fronton, Celso, Porfírio, Hierócles, Juliano, etc Os quais sempre poderiam ter impugnado tais informações e apresentado nossos apologistas como embusteiros. Misteriosamente eles silenciaram...

    Agora, quanto tal documentação efetivamente perdeu-se e para sempre, alegam cinicamente que jamais existiu!

    E demandam por 'Reportagens de última hora' elaboradas pelos grandes cronistas do Império e não por uma ou duas, que não se dão por satisfeitos, mas por dúzias. Ou a falta de referências, alusões documentais, citações, descrições, etc dão logo Jesus por inexistente, ou melhor por mito.

    E repetimos, era este Jesus um cidadão obscuro e o Cristianismo um movimento socialmente irrelevante ao menos até o ano 50 desta Era.

    Tampouco tudo quanto havia sido escrito, narrado, registrado e historiado naquela conjuntura - o século I d C - chegou a nós em sua totalidade. Que? Talvez nem mesmo um quinto ou vinte por cento do que foi escrito naquela Época chegou até nós, mesmo considerando as transcrições de segunda, terceira, quarta... mão. Ainda estamos sendo generosos. Pois a autores que se declaram otimistas e alegam que nem mesmo dez por cento do material historiográfico elaborado ao tempo dos Césares teria chegado até nosso tempo. Há portanto mais escuridão do que luzes e não apenas quanto ao provinciano e obscuro Jesus mas sobre personagens relativamente importantes da História imperial, generais, comandantes, governadores, etc

    Tomemos por hora um exemplo apenas: Rufius companheiro de César o qual foi posto por ele, durante algum tempo, a testa da grande cidade de Alexandria. Que aconteceu com este Rufius posteriormente? Quanto tempo mais viveu? Onde, como e quanto morreu??? Ignorabimus! E era Rufius... Nada muito diferente quanto a maior parte dos companheiros de César. Alias das inúmeras biografias compostas ao tempo da Roma Imperial, fora as elaboradas por Nepos, Plutarco e alguns outros gatos pingados, nada resta. E elas enchiam Bibliotecas inteiras! Hoje, mesmo quanto aos grandes imperadores possuímos apenas algumas, embora cada um deles tenha sido objeto de dezenas delas!

    Será que o amigo leitor foi capaz de perceber a dimensão do problema?

    E qual o significado de dizer: Não temos biografia alguma de Jesus elaborada pelos cronistas romanos dos séculos um e dois???

    Afinal quem era Jesus para que um autor clássico romano dos primeiros séculos elaborasse sua biografia??? Por outro lado, dando asas a imaginação e supondo que um deles tivesse composto um rascunho ou pequeno relato sobre o obscuro líder religioso judeu, podemos supor que haveria de transformar-se num best seller e atravessar os séculos até nossos dias? Admitida esta hipótese, até absurda, poderíamos dar por quase certo, que em meados do século IV desta Era já estaria semelhante relato esquecido e perdido!

    Portanto o que digo e em algo e bom som é que nem mesmo o nome ou uma simples referência a pessoa de Jesus de Nazaré deveria constar nos escritos pagãos dos primeiros séculos!!! Jesus tudo tinha para passar totalmente em branco por mais de um ou dois séculos... Tal e qual passou-se com o tão querido Apolônio de Tiana cuja existência jamais foi seriamente impugnada pelos neo ateus! Alias não poucos autores dão por absolutamente certa sua existência, ao menos não a discutem. Agora veja só leitor benevolente. Apolônio de Tiana era um contemporâneo de Jesus e segundo dizem teria falecido cerca do ano 100 desta Era. Marquem bem!

    Agora vos pergunto, quando a primeira notícia a seu respeito foi publicada??? Segundo consta a 'Vita' do mistagogo pagão teria sido elaborada por Hierócles a pedido da imperatriz Júlia Domna cerca do ano 230 desta Era e portanto cento e trinta anos após a sua morte. Outras referência ao estranho personagem inexistem. Hierócles alegou uns cadernos elaborados por um certo Damis, seguidor do taumaturgo asiático, os quais, no entanto, a crítica tem dado por falsos. Mencionou e até transcreveu algumas cartas do homem, as quais a crítica tem dado por falsas ou no mínimo bastante duvidosas.

    Portanto que nos leva a admitir a existência de alguém como Apolônio de Tiana - a seu tempo alguém muito mais importante e conhecido do que Jesus de Nazaré - além das palavras ou do relato de seu biógrafo Hierócles??? Nada! Absolutamente nada!

    Excelente! No caso, a míngua de testemunhos, podemos da-lo por inexistente e com a mais absoluta certeza? De modo algum! Pois neste caso seria necessário contestar a existência da maior parte dos personagens históricos mencionados pela historiografia clássica e da-los por fictícios.

    Mas como???

    Simples, tomemos o mais brilhante de todos os pensadores gregos: Sócrates, e perguntemos: A parte do discípulo Platão por quantos outros escritores foi expressamente citado? Por três apenas
    Aristóteles -firmado na autoridade de Platão - e, independentemente de Platão, por dois apenas: Aristófanes e Xenofonte!

    Agora refleti por um instante - Não tem Jesus em Luciano de Samosata (Autor de 'O Peregrino') seu Aristófanes e em Josefo - segundo a transcrição original de Agápio - seu Xenofonte? Alias até um Xenofonte melhor porquanto pertencente a um credo religioso rival...

    E no entanto, mesmo quanto a quaisquer outros grande Filósofos e pensadores quatro ou cinco alusões por parte de contemporâneos não comprometidos é tudo quanto - Com um pouco de sorte - haveis de conseguir em termos de evidência historiográfica. Isto repito, quanto a um Platão, um Aristóteles, um Epicuro ou um Zenão; homens cuja fama fora universal.

    Contam-se NOS DEDOS as referências por parte de terceiros não comprometidos ou engajados sobre os grandes mestres do pensamento antigo. Quem discordar DEMONSTRE O CONTRÁRIO!

    Coisa de sete ou doze personagens, não mais do que isto.

    Mas a que vem ao caso?

    Espere um pouquinho e já o verá.

    Agora tome em suas mãos um antigo Manual de Filosofia como o de Diógenes Laertius ou o de Filodemo de Gadara ou algum florilégio como o de Aulo Gelio, ArrianoJohanes Stobaeus ou ainda a Suidas. Folheai-os com atenção e la encontrareis referências a outras tantas centenas de pensadores helênicos... Agora o surpreendente para os leigos em matéria de Historia, é que tais referências sejam únicas ou exclusivas quanto a no mínimo dois terços (66%) deles. Personagens cujos nomes sequer são conhecidos por quaisquer outras fontes! E tais homens pertenciam a nata da boa Sociedade grega e não deixaram de ser relativamente bem conhecidos dentro de certos círculos do tempo em que viveram.

    Todavia passados vinte e tantos séculos que testemunho restou sobre a existência deles além de uma vaga alusão ou transcrição em alguma destas obras compostas cem, duzentos ou até quatrocentos após a época em que haviam florescido???

    Destarte, aplicando a mesma 'lógica' ou empregando a mesma argumentação que os neo ateus a que os neo ateus recorrem com o o objetivo de demonstrar a inexistência de Jesus, seríamos obrigados a concluir pela inexistência de todos estes personagens. Antipater de Tiro não passaria de um mito, assim como Cimias, Cebes, Metrodoro, o antigo, Diógenes de Babilônia...

    E temos já de estender nossas dúvidas a praticamente toda Historia antiga, e abdicar de qualquer certeza. Quem não percebe que o tiro ideológico disparado contra Jesus abate praticamente todos os personagens da historiografia grego romana? Neste caso que ficamos sabendo de concreto sobre a História antiga focada sobretudo em reis e generais? Praticamente nada além de alguns atos de governo! Pelo simples fato do governo ou da esfera política ter sido priorizada em detrimento da Filosofia, da religião e da História das idéias de modo geral... Neste caso que triste História temos; história do comum, do trivial, do vulgar; sacrificando sua melhor e mais elevada parte devido a parcimônia das fontes.

    Afinal onde havereis de achar pencas de alusões e referências a um Exegias ou a um Filon de Biblos??? Em lugar algum!

    O que os pseudo historiadores ateus exigem a respeito da pessoa de Jesus Cristo, tendo em vista o reconhecimento de sua existência Histórica e objetiva, pouquíssimos personagens da História antiga seriam capazes de oferecer!

    E estes homens eram conhecidos.

    Que dizer então dos milhões de homens obscuros que se arrastaram sobre a face da terra e a respeito dos quais temos apenas um Nome (claro que me refiro a uns poucos apenas)? Que não passaram de mitos?


    Motivo para desesperação?

    Absolutamente.

    Afinal por mera 'questão de sorte' - digamos assim - topamos com alusões e referências fresquinhas a respeito de Jesus -

    Nos Evangelhos e escritos de Paulo (afinal quando se trata do divino Sócrates você não admite os testemunhos dos engajados Platão e Aristóteles?) e para alem disto - Aqui o filé - nos de Josefo (O qual refere-se igualmente a  João Batista, o qual em tese também não deveria passar de um mito) do Talmud, de Tácito, Suetônio, Plínio e Luciano??? Num total de cinco testemunhas não alinhadas: Quatro pagãs e uma judaica. Agora considere que Josefo era coevo, que Tácito e Suetônio floresceram cerca de quarenta anos apos os fatos, que Plínio não distaria deles mais do que oitenta anos e Luciano pouco mais de um século! Para não falarmos em Celso, o qual, segundo alguns teria composto seu discurso verdadeiro por volta de 170 d C, logo cerca de cento de trinta anos após a consumação dos fatos.

    CELSO ESCREVIA SOBRE JESUS COMO QUALQUER ESCRITOR BRASILEIRO DE HOJE PODERIA ESCREVER SOBRE D PEDRO II E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA!!! Logo como inserir um mito ai ou pior como alegar que os relatos compostos pelos quatro evangelistas não passam de mito - Veja só o absurdo!

    O mais interessante é que o citado adversário pagão alude claramente a tradição judaica segundo a qual Jesus teria sido filho de um certo soldado romano cognominado Pantera. Dando por certo sua existência história e buscando apenas mancha-la ao invés de nega-la, apresentando-a como um logro. Agora o que levaria os antigos judeus, adversários ferozes do Cristianismo, a admitir a existência de um personagem que fora inventado ou criado pelos apóstolos (ou pela comunidade Cristã) e que jamais tivera existência real? POR QUE OS ANTIGOS JUDEUS NÃO FORAM OS PRIMEIROS A DESMASCARAR A 'TRAMA' DOS CRISTÃOS????

    Recorde-mo-nos mais uma vez de Apolônio cuja primeira biografia foi composta quase século e meio após sua morte. Tampouco seria irrelevante considerar que as primeiras biografias de Pitagoras foram elaboradas por Aristoxenos e Dicearco de Messenia cento e setenta anos após sua morte. Que a biografia mais antiga que possuímos a respeito do grande matemático remonta ao segundo século desta Era (devendo-se a Diógenes Laertius) tendo sido elaborada sete séculos após sua morte e assim toda a literatura neo platônica subsequente, elaborada nos séculos II, III e IV. Quanto a testemunhos coetâneos a seu respeito contamos com apenas duas alusões bastante sumárias em Xenófanes e Heráclito. E mesmo assim atribuem-lhe o teorema... e quem esta disposto a demonstrar facilmente que Pitágoras não passa de um mito? O próprio Xenófanes é mencionado apenas por Epicarmo e Heráclito embora tenha, como Pitágoras, viajado e circulado por todo mundo conhecido. Além de ter privado com reis... Neste caso por que quanto a Jesus exigem-se pencas de testemunhos, dez, doze, vinte, cem????

    No entanto o relato evangélico mais antigo alusivo a pessoa de Jesus Cristo parece remontar no máximo ao ano cinquenta desta Era, estando separado dos fatos por menos de vinte anos e não por mais de século como supunham os críticos 'emancipados' do século XIX dando os mais antigos relatos como tendo sido compostos após 70 d C e os mais tardios (Como o Evangelho de João) cerca de 130/140 desta Era. Hoje sabemos que toda esta cronologia com que Emílio Bossi e outros, deitaram e rolaram no século XIX esta completamente errada. E no entanto foram elas que serviram de base a teoria do Jesus mito numa época em que os mitos e sua formação sequer haviam sido estudado ou seja meio século antes de um Mircea Eliade. (Após os estudos científicos de Eliade sabemos que os mitos não se formam as carreiras ou tão rapidamente quanto em vinte, quarenta ou mesmo setenta anos).

    Afinal tais relatos circulavam publicamente! A ponto dos críticos como Luciano e Celso poderem le-los? Logo expunham-se a crítica. Certamente que os sábios romanos não estavam dispostos a critica-los, ao menos num primeiro momento. Podemos no entanto dizer o mesmo a respeito dos antigos judeus para os quais Jesus fora um herético perigoso e não um simples fantasma? Os judeus e sua tradição sempre poderiam ter feito eco a versão do Jesus mito, mas não fizeram, apresentando-o como entidade histórica e real - Como um bastardo, feiticeiro e idólatra cujo corpo foi roubado pelos apóstolos... Agora para que imaginar tudo isto e dar corda a uma narrativa, que eles judeus palestinianos, sabiam ser fictícia?

    Temos assim quatro relatos públicos de primeira mão sendo que o mais afastado deles não dista dos fatos mais do que setenta anos. Neste caso que ficamos devendo a Platão e a Xenofonte? A Aristóteles e a Aristófanes??? Não, certamente Sócrates - historiograficamente falando - não ocupa melhor posição do que Jesus. E no entanto ele era Sócrates, habitante da grande metrópole de Atenas e a sumidade de seu tempo. Enquanto o outro não passava de um pregador ou profeta obscuro e perdido nos confins da Judeia, i e, no 'fim do mundo' daquele tempo. Logo como exigir de ambos os mesmos créditos?

    Aprofundemos!

    Sabido é que parte dos neo ateus e anti humanistas tem buscado igualmente fulminar o ilustre filho de Fenarete com os mesmos raios que tem disparado sobre o filho de Maria ou seja, questionando a existência história de Sócrates (Evidentemente que Buda também faz parte deste seleto grupo de pessoas desagradáveis). E no entanto a Atenas do século V a C é o ambiente deste Sócrates e por assim dizer até pede este Sócrates tal e qual o ambiente ou cenário da Palestina no primeiro século desta Era - com suas instituições e costumes - não apenas torna perfeitamente possível e compreensível a existência de um Jesus, como reflete tudo quanto fora descrito pelos quatro evangelistas, inclusive o traçado da antiga Jerusalém, conquistada e destruída por Tito. 

    Quanto mais avançam as pesquisas arqueológicas a respeito da forma da Palestina ao tempo em que Jesus teria florescido tanto mais se concluí pela objetividade e fidedignidade do cenário descrito pelos evangelistas com Jerusalém, as regiões, as cidades, as vilas, os acidentes geográficos. Nada em absoluto parece ter sido escrito a distância, de memória ou inventado. Por que raios um forjador de mitos haveria de proceder com tamanho rigor??? Caso tenha inventado o personagem e as estórias, por que teria deixado de tratar o ambiente ao menos com certa liberalidade? Em certo sentido Jesus como Sócrates é o homem do seu tempo e a Jerusalém do século I d C parece pertencer-lhe tal e qual a Atenas do século V a C é propriamente a Atenas do Sócrates de Platão.

    Enfim tudo quanto arbitrariamente exigem os neo ateus de Jesus, praticamente personagem algum das Idades Antiga e Média poderia oferecer do mesmo modo como raras figuras relativamente famosas do tempo presente poderão oferecer daqui a dois mil anos ou mais; passando quase todas em 'branca nuvem'.

    Tal exigência é descabida pois implica ignorar supinamente as circunstâncias que envolvem a importância de determinada figura em seu próprio tempo. Como implica ignorar as vicissitudes porque passam as fontes históricas ou registros ao cabo dos séculos. Determinando por fim que a historiografia antiga enquadre-se nos cânones 'científicos' do moderno positivismo, o que redunda em monstruoso anacronismo. As biografias de um Pitagoras, de um Sócrates, de um Jesus ou de um Apolônio jamais poderiam ter sido elaboradas por um Ranke, por um Taine ou por um Buckle...

    A tomar por critério as exigências da ideologia positivista com seus preconceitos e sua técnica não teríamos tido conhecimento histórico algum anterior ao século XIX, apenas mito e somente mito do seculo XVIII para baixo. De modo que até mesmo o conhecimento de que dispomos sobre Reforma protestante e as grandes navegações falhar-nos-ia... E tudo não passaria de falácias!

    No fundo, no fundo a questão pertinente a existência de Jesus ou de Sócrates transcende os domínios da religiosidade ou do humanismo (Os quais mexem com os sentimentos das pessoas) trazendo a tona a questão da própria produção e credibilidade histórica, da metodologia, da crítica, etc e nem há como aborda-la sem fugir aos temas abstratos do objetivismo e do subjetivismo relativista com suas múltiplas decorrências.

    Sintomático que toda essa pregação ideológica em torno do Jesus mito ou da inexistência do Jesus histórico - Ainda atrelada a crítica ultrapassada do século XIX - parta geralmente de pessoas muito pouco informadas a respeito da Historiografia, de suas fontes e de seus métodos ou como costumamos dizer de leigos despreparados. Sinto ter de dize-lo mas Onfray e muitos outros limitam-se a repisar e reproduzir os argumentos embolorados de Emílio Bossi desconsiderando toda uma imensa gama de testemunhos arqueológicos e documentais acumulados desde 1890! Apesar do verniz tudo isto ainda cheira a Dupuis, século XVIII... Com seus equívocos monstruosos a respeito dos templos de Dendera e Filé. Tudo isto sabe a Jacolliot e a suas patacoadas sobre as 'puranas' e outros registros hindus cuja elaboração é atualmente reconhecida como post Cristã... Ressente as conjecturas inexatas a respeito do Cristianismo ter reproduzido fábulas budistas que hoje sabemos terem sido elaboradas igualmente na Idade Média.

    Erraram apostando no paganismo greco romano. Erraram apostando no paganismo egípcio, erraram apostando nos mitos hindus e budistas sucessivamente. Foi toda uma sucessão de equívocos...

    Só lhes restando atualmente o vergonhoso expediente de alterar as narrativas a respeito de Horus, Mistras, Hélios, Adonis, etc forçando aqui, empurrando acolá, emendando mais além, com o objetivo de demonstrar que Jesus é isto tudo, e que nada de novo há em nossos Evangelhos. Agora se tudo estava lá sr ateu porque raios o Império romano mostrou-se tão surpreendido e incomodado a ponto de proibir o exercício desta religião? Alias por que teria sido tão encarniçadamente perseguida pelo paganismo antigo e combatida pelos adoradores de Horus e Adonis??? Como se percebe absurdos e mais absurdos.

    E qual a derradeira pedra posta sobre a construção ateística? AQUI O SUPREMO RIDÍCULO! O vezo protestante, tradicional já, de tudo atribuir ao imperador Constantino, apresentando-o como pai, criador e mestre do Catolicismo, do atanasianismo, do trinitarismo. Pois bem para parte dos neo ateus Constantino seria o legítimo pai do mito Jesus e do Cristianismo, conferindo-lhe a elaboração final e canonizando-o. Evidentemente que a exemplo de seus instrutores, os pregadores protestantes do século XIX, toda essa gente não conhece uma linha sequer de literatura patrística, jamais tendo lido um parágrafo de Justino, Atenágoas, Teófilo, Clemente, Orígenes ou Tertuliano. Daí mais e mais afirmação gratuitas, levianas e ineptas!

    Tal não é certamente a perspectiva de um Vermes, de um Crosan, de um Thiedmann, de um Ehrman...