sexta-feira, 17 de março de 2017

Programa de restauração das fontes da cultura III

Eis-nos chegados aos sistemas naturalistas, pós liberalismo econômico:

  • Comunismo
  • Positivismo
  • Fascismo
  • Nazismo

    Mais:

    Socialismos materialistas e irreligiosos
    Anarquismo socialista

Todos pontuando os defeitos do Capitalismo, fazendo-lhe oposição e aspirando substituí-lo ou sucede-lo. No primeiro caso temos quatro sistemas totalitários em maior ou menor grau e no segundo sistemas politicamente liberais ou democráticos, ou melhor policráticos e ao menos quanto a este tema, o da organização política, estamos decididamente com o segundo grupo, i é com Bakhunin, Kropotkin, Poulantzas e alguns outros teóricos da democracia direta, que é a saída inversa para a democracia indireta ou representativa e saída pela superação não pela negação.

Aqui nossas diferenças são apenas quanto as fontes e os métodos, pois nós, com Sócrates, Platão e Aristóteles partimos da essencialidade Ética, encarando o socialismo como manifestação ou expressão de uma justiça cósmica e consciência universal, eterna, imutável... E acreditamos na via institucional ou das reformas políticas, sem no entanto repudiar a doutrina da guerra justa. Todavia encaramos com máxima cautela a 'mística da violência' e preferimos, sem duvida, o método da desobediência civil. Pelo simples fato do sistema capitalista ser vulnerável a inação ou a paralisação do elemento produtor. O que no entanto exige introjeção e expansão de consciência, alias tarefa precípua a que não se pode fugir impunemente.

O homem deve ser educado para o socialismo no âmbito da cultura. Introjetar princípios e valores socialistas neste homem e revolucionar sua mente, e revoluciona-lo internamente, e alterar seus paradigmas é categoricamente imperativo. E arma alguma tem ou terá poder suficiente para produzir tal consciência. Sem a qual todas as Revoluções revertem quando cessa a coerção externa ou física. Tornando aquele homem a ser cooptado pela ideologia capitalista.

Que dizer agora sobre os totalitarismos?

Todos tem calcanhares aquileus ou pés de barro: Ali o ateísmo que conduz sempre e necessariamente ao relativismo, ali o cientificismo sem consciência, mais adiante o autoritarismo e reducionismo cultural e mais além a superstição abjeta e hedionda do racismo...

Aqui o homem é convertido em fração do partido, ali em cobaia, acolá em membro de uma pátria abstrata e por fim em lixo... E esmagado sem maiores contemplações em nome de tais realidades superiores quais sejam o partido, a ciência, o estado ou a raça; o homem racional e livre desaparece e com ele, ainda aqui e mais uma vez, nossa herança grega!

Organização política - não necessariamente partidária - é bom, ciência é excelente, cultura é vital... desde que cada um destes elementos seja vivificado por uma consciência Ética que reporte a dignidade humana, ao bem, ao amor, a justiça. Dispersos e isoladamente elevados acima do homem tornam-se igualmente daninhos e degeneram.

Sem a ideia de um Sumo Legislador cujas leis sejam racionalmente acessíveis ou de uma Revelação divina jamais saímos disto.

E ficam os naturalismos em continua luta, a semelhança das seitas protestantes que os precederam, ampliando a confusão reinante, alimentando o ceticismo e não poucas vezes fortalecendo a resistência do Capitalismo e demais formas de individualismo, bem como a alienação fundamentalista.

Eles são, me perdoem a crua expressão, como larvas a alimentarem-se de carne podre. Pois quando aparecem em cena o protestantismo e capitalismo já corromperam por completo a sociedade e a cultura, e capitalismo é necessariamente materialismo e por fim ateísmo, então não saímos disto. E tampouco encontraremos qualquer adjutório ou apoio nas doutrinas transcendentes, descarnadas e supersticiosas alimentadas pelos fundamentalismos de matriz semítica... Protestantismo Ortodoxo e islamismo aspiram cremar o cadáver e espalhar suas cinzas pela terra... Situação dramática!

Sem maiores evasivas direi que precisamos de algo que esteja situado entre o ateísmo e o materialismo a um lado e a religiosidade mística ou descarnada a outro. Como uma crença que incorpore a imanência, valorizando-a. Pelo que chegamos ao deísmo ou a religião natural dos antigos gregos e dos iluministas franceses ou ao Catolicismo antigo fundamentado nos Santos Evangelhos e na tradição. Talvez aqui possamos encontrar um critério Ético que seja saudável. Penso que ao menos devamos ouvir a um Sócrates e a um Platão ou a um Jesus Cristo e escutar-lhes as propostas.



Por que jaz o Ocidente prostrado face ao islã e correndo risco iminente de ser absorvido por ele?

Por que chegamos a semelhante estado de coisas, tão deplorável e tão arriscado?

Por que nos encontramos acuados e ameaçados?

Elemento houve em nosso passado que desagregou-nos e desde então esta desagregação não cessou de progredir e de avolumar-se.

E a melhor forma de conquistar um Império qualquer é dividi-lo.

"Divide e impera.", tal a divisa de César.

Quando a Europa era Una pela Cultura ou quando era inspirada pelos valores comuns instilados pelo Cristianismo antigo, soube resistir ao islã como um só homem, conte-lo e faze-lo recuar.

Passado os áureos dias de Lepanto, desde o século XIX, o islã tem retomado sua expansão as custas de uma civilização superficial envenenada pela confusão e pelo ceticismo.

Quem ensinou-nos a ser céticos e a duvidar de tudo???

Foulcault e os pós modernos, Kant antes deles e antes de Kant, Hume. Foram eles que demoliram as certezas pelas quais bem se vive e se ousa morrer. Foram eles que assassinaram a Verdade que regula as vidas. Foram eles que removeram o espírito que anima as consciências. Mas eles são produtos do protestantismo ou do ambiente protestante.

Lutero foi quem abriu a primeira brecha em nossa cultura fazendo com que o homem duvidasse da Igreja, até chegar a duvidar da Ética proposta pelo Evangelho. Quando este homem chegou a acalentar duvidas sobre o Cristo, teve de buscar outras fontes para sua Ética e não podia deixar de chegar aos confins do relativismo e do subjetivismo. Ou de precipitar-se no legalismo de religiões menos evoluídas... Abandonou o Evangelho que inspira para ser comandado por patrões, líderes, partidos, etc

Após o triunfo do ceticismo religioso por meio da reforma protestante o espírito do homem não mais achou repouso, fatigou-se, extenuou-se, dissipou-se... A ponto de negar a realidade percebida pelos sentidos! Tal o abismo em que veio a precipitar-se.

Não nos congregamos mais como irmãos e membros da mesma cultura com o objetivo de dar combate ao inimigo comum e insidioso.

Porque a fé que nos unia pela produção da cultura foi abatida.

Mas o protestantismo nos trouxe a Bíblia!

Nós trouxe os mitos e fábulas dos antigos judeus que face a ciência não podemos suportar e, consequentemente decepção e ceticismo!

Nos trouxe o livre exame, individualista a subjetivo com que se destrói a mensagem do Evangelho possibilitando a construção de diferentes e múltiplos Cristos!

Nos trouxe, vitorioso e triunfante aquele pessimismo agostiniano que nem mesmo o talento e gênio de um Montaigne ou de um Hervetius haviam conseguido injetar na sociedade papista como um todo.

Pela judaização, pelo livre examinismo e pelo agostinianismo, com sua teoria sobre a corrupção absoluta da natureza o protestantismo instilou o veneno do ceticismo nas veias da cultura européia. E no entanto este homem, europeu, asiático, americano ou africano, anseia por verdades sobre as quais apoiar suas ações... Assim se o ocidente nega-as, o islã oferece-as; e arrasta multidões de homens, inclusive de homens sábios e prudentes como um Roger Garaudy!
Natural que num cenário de pessimismo epistemológico, por detrás do qual avista-se o pessimismo antropológico de Mani, as pessoas flertem com o islã ou com qualquer outra coisa...

O islã é certamente falso. Mas sabe afirmar-se obstinadamente como verdadeiro! E nosso homem confuso, ansioso, angustiado, aflito, desiludido... deixa enganar-se pela aparência da verdade. E prefere a aparência da verdade a negação da verdade ou a dúvida metafísica e invencível enunciada por aqueles que sobreviveram ao triunfo efêmero da variedade das seitas protestantes.

Pois foi a variedade e a disputa que alimentou o ceticismo!

Foi o Biblismo, foi o livre examinismo, foi o agostinianismo... Tal a matriz de nossos males, de nossa crise, de nosso abalo! Tal a porta de entrada da nova ordem naturalista e dos posteriores conflitos - O protestantismo! A reforma!

Foi ela que restabeleceu a doutrina dos antigos sofistas em detrimento da via indicada por Sócrates e enfim por Platão e Aristóteles.
Foi ela que desfez a mentalidade racional e racionalista de nossas ancestrais, até certo ponto incorporada pela escolástica latina!

A reforma foi nosso desvio de rota! Foi o primeiro passo que nos conduziu a esta via dolorosa e val de lágrimas da cultura. Foi ela que engendrou a crise! Foi ela que corrompeu as fontes da cultura!

Então sabemos até onde devemos retrocedes e recuar!

Temos de revisar, de retroceder, de recuar, antes que o abismo nos engula.

Não temo dizer e declarar que precisamos nos reconciliar com o passado. Com as fontes e raízes da nossa cultura. 

Alias a própria igreja romana precisa recuperar-se, precisa lavar-se e purificar-se da poluição protestante com sua RCC... Precisa superar seu tradicionalismo formalista amancebado com o capitalismo... Precisa construir uma teologia da libertação fundamentada na tradição dos antigos padres, etc Precisa recuperar sua identidade e sua consciência. Ou ser substituída inexoravelmente pelo Catolicismo Ortodoxo... 

Com ou sem as igrejas romana e anglicana precisamos resgatar o nosso passado ante protestante. Nosso passado de unidade e fé. Nosso passado de Ética e amor. Nosso passado de Evangelho e tradição. Temos de retornar até ele para fazer frente ao islã. Richard Dawkins reconheceu-o honestamente. Não saímos desta crise funesta sem cristianismo e sem cristianismo Católico, porque nela fomos postos e iniciados pelo pseudo Cristianismo protestante com seus delírios individualistas, subjetivistas e relativistas...

Precisamos resgatar a preciosa noção de Verdade que conduz a Unidade e leva a ação.

Temos de nos reconciliar socialmente com o Catolicismo ou no mínimo com o Socratismo, matriz de nossa cultura. Desprovida de seus alicerces e fundamentos a cultura vem abaixo como uma residência sujos alicerces foram removidos. O alicerce de todas cultura é a religião, ou, subsequentemente a Filosofia. Comte iludiu a humanidade fazendo-a crer que a ciência era capaz de substituir a Filosofia, e isto pelo simples fato que esta raramente e com suma dificuldade consegue substituir a religião. Infiéis ao absoluto como serão os homens fiéis ao relativo e ao subjetivo??? Mas a percepção??? A percepção comum as pessoas sãs (Alf Ross). Bravata, pura Bravata pois após a razão ou a negação da razão tudo acaba cedendo... Ademais Hume a semelhança de Protagoras (Alf Ross) já teceu cerrada crítica aos sentidos e a razão, asseverando que não há certeza alguma e que o conhecimento científico é tão aparente, ilusório e enganador quanto os conhecimentos religioso e metafísico.

Kant por mais ginástica mental que tenha feito morreu a praia e reconheceu que os sentidos sempre distorcem a realidade. Ciência só é exteriormente ou externamente válida porque produz resultados vantajosos, o que tampouco torna-a verdadeira... A realidade permanece sempre oculta por trás do véu e o homem ignorando a 'essência' de um simples alfinete, em seu estado de ignorância invencível e absoluta. Nada sabemos quanto ao que se acha para além do fenômeno e jamais deixamos de pertencer ao império da ignorância.

Sem fé, sem razão e sem percepção; eis o homem contemporâneo nu e cru... Morre junto com a noção de divindade e miseravelmente perece dentro de si tendo suas habilidades negadas! Que resta a este homem: NADA, NADA, NADA... A reta final e o ponto de chegada de tudo isto é o nihilismo. O fim de toda esta escolástica irracional, anti sensorial e anti humanista. Nada resta ao homem, apenas um nada absoluto no lugar do absoluto. Não há Deus, mas também não se pode dizer que há homem, que há universo... Pois este ser infeliz chega a duvidar da própria existência e da existência do universo, chega as fronteiras da loucura, a insanidade! E os clamores da razão que nele habita e que não pode calar atormentam-no como Tântalo. E ele sofre por ter negado a si mesmo e profanado sua condição!

É este homem pós moderno ou kantiano, ou cético pior do que uma jabuticabeira. Esta corresponde a seu fim produzindo jabuticabas. Os sentidos jamais atingem seu fim, que seria informar o homem sobre a realidade externa a si. Antes pelo contrário desinformam-no na medida em que alteram a realidade e produzem realidades diferentes e antagônicas inclusive. E a jabuticabeira atingindo seu fim atinge-o inconscientemente, enquanto, oh desgraça suprema, o homo sapiens ou melhor non sapiens tem consciência de sua frustração, enfim de que é um ser desajustado ou inepto!

Para que consciência então???

Não era melhor permanecer na inconsciência de tão deplorável estado?

De tão calamitosa realidade, a saber, de que desconhecemos ou ignoramos a realidade?

Tolo o que dá ouvidos ao falastrão A Comte apegando-se a ilusão da ciência como uma náufrago apega-se a uma tábua em meio a vastidão do mar imenso... Apenas para prolongar-lhe a agonia! Protágoras, Hume e outros já mandaram ao fundo o batel de I Kant seu mestre. Fez água e afundou-se. Tudo quanto resta após Nietzsche e Foulcault são interpretações ou leituras. Que se constrói com interpretações ou leituras em termos de Cultura ou Sociedade? NADA, NADA, NADA...

Os homens que lançaram os fundamentos de nossa Sociedade, lançaram-nos porque acreditavam numa verdade, fosse religiosa ou metafísica e foi a verdade que levou-os a atuar buscando criar ou transformar a realidade. Negado o acesso a realidade por meio da verdade fica o homem entorpecido e paralisado. Para criar é necessário saber e saber de fato... A ignorância nada cria, abismasse e fechasse em si mesma. Nega o mundo, nega a sociedade, nega o homem, nega a dor, nega o sofrimento e por isso é incensada pelo liberalismo econômico. Ademais aquele que não chega a solução final como o jovem Werther, aliena-se consumindo... e alimentando o Mercado. Esse homem não se posiciona, não contesta, não faz nada e permanece sempre em mórbida contemplação de si mesmo, em estado de inércia, babando diante de sua estupidez.

Não será agente da civilização, não será atuante face ao islã... Pois não se arriscará e tampouco morrera pelo que é ilusório ou aparente. O que crê ou julga saber algo tem motivos para resistir, o que nega a realidade tenderá a acomodar-se... e a fazer concessões. Mas nós precisamos de lutadores e combatentes. De pessoas que vivam e morram pela cultura ancestral. Por isso temos de retomar o espírito que produziu esta cultura, por isso temos de nos reportar aos pensadores gregos ou aos padres da igreja em busca de salutar inspiração.

Temos de destroçar este cipoal de naturalismos e cortar o górdio do ceticismo, e só podemos faze-lo retrocedendo ao estádio anterior ao protestantismo i é a fé Católica, a lei de Cristo, a voz do Evangelho, a luz da tradição... Não ao Catolicismo ocidental desfigurado pelo agostinianismo maniqueista, mas ao Catolicismo antigo, legítimo, Ortodoxo que afirma e reconhece as capacidades do homem, seja sua racionalidade ou sua livre vontade e capacidade para o bem e a virtude.

Somente por via do Catolicismo ou do deísmo (talvez) atingiremos os ideais gregos da liberdade e da justiça ou seja da democracia e do socialismo superando as ilusões do totalitarismo e do individualismo, os quais não fazem parte da nossa cultura.





quinta-feira, 16 de março de 2017

Programa de restauração das fontes da cultura II

A proposta islâmica da Umma


Agora não é por ódio a civilização Yankee e a idolatria do Capital que abraçaremos algo quiçá ainda mais execrável e odioso quanto a proposta islâmica, a qual pode ser definida como uma arabização em termos universais.

Lá é Washington que se converte em capital, centro e polo e um império mundial; aqui é Meca... E continuamos equidistantes de Jerusalém e Atenas, Roma e Alexandria... E talvez ainda mais distantes porque o islamismo, mais do que o calvinismo, faz-se legatário e herdeiro dos mesmos delírios judaicos anti pagãos, iconoclásticos e transcendentes.

Certamente que os muçulmanos são hábeis em citar os crimes dos EUA como o extermínio dos peles vermelhas e a KKK. Nós não pertencemos a esse ocidente traidor e traído e não compactuamos com os crimes desta SIFILIZAÇÃO protestante/capitalista... Sejamos justos no entanto e perguntemos aos maravilhosos sunitas, wahabitas, hambalitas, salafitas sobre quem EXTERMINOU mais de UM MILHÃO DE ARMÊNIOS, meio milhão de GREGOS propontídeos, e mais meio milhão de ASSÍRIOS, todos cristãos Ortodoxos, em 1914??? Também podemos conversar sobre a escravidão ainda vigente em diversas sociedades islâmicas e divinamente imposta em nome do abençoado Corão.... ou sobre a castração de mulheres e meninas... E QUESTIONAR SE TUDO ISTO É MESMO MUITO BONITO E BELO!

É roto falando do mal vestido, assim o islamismo falando sobre os crimes do Cristianismo, em especial do C protestante ou N americano... E com o trave nos olhos vão soprando o cisco do olho alheio...

Mas as Cruzadas! MAS A JIHAD iniciada pelo califa Omar em 643??? E jamais contida até as batalhas de Poitiers e Tallas, as quais salvaram a Europa Ocidental e a China da arabização...

Quem é que atacou primeiro em Mutta, Kadissya, etc, etc, etc Quem iniciou a guerra, a expansão, a conquista, a rapina, o ataque, a agressão, a pirataria, o morticínio, a conversão forçada, etc EM NOME DE DEUS E saiu berrando aos quatro ventos com o alfange em mãos: CONVERTE OU MORRE??? O cristianismo???

Cruzadas foram uma reação e reação necessária, guerra defensiva e portanto justa face as aspirações imperialistas e universalizantes do islã com seu ideal de Umma.

E não fossem elas, mais Poities e Lepanto, TODAS SEM EXCEÇÃO laboradas com sacrifício e esforço pela igreja romana e não pelo protestantismo hipócrita, NEM O TIO LUTERO teria surgido ou o tio Calvino pois todos estaríamos falando árabe e recitando a shahada com o rosto voltado para a Kibla de Meca e nossas mulheres cobertas com burkas e shadores! Se somos filhos da liberdade e damos continuidade a nossa herança grega e combatemos os preconceitos estúpidos e tolos de judaismo antigo e vindicamos os direitos das mulheres, das crianças, dos homossexuais, dos trabalhadores, dos animais, etc é porque lá nas cruzadas e nas guerras de defesa, nossos ancestrais souberam resistir heroicamente combater, e morrer, e tombar por nós para que não tombássemos como um todo face a sharia e não fossemos arabizados.

E não me venhas tu falar no islã liberal da mutazzila, conquistado em parte pela cultura greco romana e 'obscurecido', 'desfigurado', e 'poluído' porque esse 'islã' impuro ou compósito e desarabizado foi prostrado de morte pelos imames Achari e Gazalli, sucedendo a rígida ortodoxia sunita triunfante com seu ideal de fidelidade irrestrita ao Corão e portanto de irracionalismo e fideísmo crasso.

Nada mais sintomático do que vocês discursarem sobre a existência de 'alguns' muçulmanos liberais e emancipados no OCIDENTE, em Paris, N York, Londres, etc Devo perguntar-lhes sobre o porque de não estarem, espalhando o liberalismo em seus países de origem estre os irmãos? Por que raios não estão a instruir seus pares em Islamabad, Riad, Kandahar, Cairo, etc???  Preciso responder que seriam tratados como heréticos, apóstatas, pecadores, etc e submetidos a murtad???

Lamento por tantos quantos alimentam-se de ódio e rancor mas tudo quanto o islã tem a oferecer ao Ocidente, no lugar dos EUA, é a sharia e não vejo como e porque a sharia seria superior ou melhor, ou menos cruel e danosa do que o capitalismo enterrando as mulheres 'adulteras' ou simplesmente acusadas de adultério até o umbigo e lapidando-as sem misericórdia.

Por ângulo algum vejo que a proposta do islã seja melhor ou superior que a dos fundamentalismo bíblicos. É tudo a mesma treva pestilenciosa.

O islã sunita ortodoxo e salafita será o fim da cultura, do pensamento científico, da racionalidade, da liberdade, da democracia, dos direitos humanos e a cristalização de todos os preconceitos a que combatemos. Será o fim de nossa herança greco romana e a morte do humanismo.

Continua

quarta-feira, 15 de março de 2017

Programa de restauração das fontes da cultura

Este programa é antes de tudo um programa cultural, que diz respeito as fontes ou raízes de nossa cultura.

Opo-mo-lo:

  1. Ao relativismo cultural
  2. Ao americanismo ou civilização protestante
  3. A Umma ou ideal islâmico de arabização mundial
  4. Aos esforços estéreis das culturas de morte ou sistemas naturalistas. 

A falácia do relativismo cultural


Acreditamos firmemente que todos os homens sejam genericamente iguais tendo em vista os apanágios:

  • Da sensação
  • Da percepção
  • Da inteligência
  • Da racionalidade
  • Da livre vontade

No entanto como o desenvolvimento de tais apanágios depende sempre de algum estímulo fornecido por agentes externos e portanto do tempo, do espaço, do meio, etc

Ao menos quanto a dimensão social em que se dá a produção da cultura, a condição do meio é bastante relevante.

Por isso que as culturas não são iguais. Nem sob o aspecto material e tampouco sob o aspecto imaterial.

De modo que toda produção humana sendo cultura tem valor, mas o valor dessa produção não é nem pode se idêntico. Pois a cultura não se esgota em si mesma e o homem não produz cultura pro produzi-la, mas para relacionar-se com o mundo externo e dialogar com ele.

Temos o critério de cultura ou do valor da cultura na realidade externa do mundo.

Evidentemente que aqueles que repudiam a realidade externa do mundo ou sua intelegibilidade, como os kantianos, pós modernos e relativistas, e subjetivistas... descartam este critério, adquirindo esta questão uma conotação filosófica.

Em que nós vamos pelo realismo, pelo objetivismo, pelo senso comum... ou seja pelo caminho oposto ao dos modernos e pós modernos, na direção do estagirita.

O que nos leva a encarar a função da cultura como uma espécie de dialogo ou tentativa de compreender o mundo externo, de adaptar-se a ele ou de transforma-lo; mas sempre tomando por padrão a realidade.

Culturas que deslindam a realidade tornariam a vida do homem mais fácil ou melhor.

Culturas que conseguem fazer com que este homem consiga compreender a si mesmo, sua origem, o meio em que vive, sua história, etc merecem ser consideradas como superiores.

Nós opinamos que neste sentido nenhuma foi melhor sucedida do que a cultura greco romana com seus ideais de: Sociedade democrática, direito natural, orientação racional para a vida, bem comum, ideal estético, etc E que esta cultura foi enriquecida ainda mais pena contribuição do Cristianismo ou Catolicismo antigo com seus ideais de liberdade pessoal e ética; isto a ponto de formar um complexo harmonioso, perfeito e capaz de desenvolver-se organicamente a partir da idade média... Conhecendo de fato certa evolução até a França do século XVIII ou mesmo dos séculos XIX e XX.

É A ESTA NOSSA HERANÇA CLÁSSICA - e não ao capitalismo, ao protestantismo OU A QUALQUER COISA SURGIDA DEPOIS e em oposição aqueles ideais - QUE NOS REPORTAMOS SEMPRE QUANDO NOS REFERIMOS A NOSSA CULTURA OU A CULTURA PROPRIAMENTE OCIDENTAL. 

Portanto se outros tomam por cultura ocidental ou por nossa cultura qualquer outra coisa produzida na Inglaterra moderna, não estamos falando a mesma lingua. E estamos na contra cultura e em oposição marcada a essa cultura oficial ou midiática.

NÓS NÃO SOMOS A FAVOR DO OCIDENTE CONTEMPORÂNEO, O QUAL HÁ CERCA DE MEIO MILÊNIO OU QUINHENTOS ANOS TRAIU SUAS PRÓPRIAS RAÍZES ANCESTRAIS DANDO ORIGEM A UMA CRISE EM PRECEDENTES NA HISTÓRIA HUMANA.





Ainda o veneno americanista


Leon Chestov
em suas esquisitas lucubrações achou por bem, a exemplo do velho Tertuliano de Cartago, opor Jerusalém a Atenas, os apóstolos e o Cristo aos filósofos, a Eklesia Cristã a Ágora e ao Areópago, discordo dele e não entrarei no mérito; mas admitida tal oposição ainda haveria mais e maior oposição entre Jerusalém e Atenas e a Berlim ou a Londres modernas e aqui a oposição é por assim dizer drástica e os valores antagônicos.

E sequer transpomos o mar Oceano chegando aos confins de Nova York.

O Ocidente, já o dissemos, sofre e sangra porque vive um conflito de culturas. Na Europa ou mesmo na América latina temos ainda 'vivos' e em atividade diversos elementos de nossa cultura imaterial clássica ou antiga. No entanto lá nos EUA, aqui e mesmo na Europa temos também um novo padrão de cultura produzido no século XVI ela reforma protestante e este sim organicamente relacionado com o modelo de produção capitalista e todo desenrolar subsequente. E essa cultura contemporânea não é racional, não é coerente e não é realista mas a um tempo idealista a outro materialista, amorfa, híbrida, contraditória... É uma cultura de paradoxos e extremos.

Essa cultura levada adiante pelas necessidades globais do mercado sob a forma de imperialismo cultural, sobrepôs-se e busca sobrepor-se ainda mais a antiga de modo a elimina-la. E temos aqui um conflito de morte entre o economicismo do tempo presente (que é materialista) e o ideal humanista legado por toda antiguidade.

É em suas fontes uma cultura inumana e anti humana, pelo simples fato de remontar em última analise ao maniqueismo agostiniano, assumido dogmaticamente por Lutero e Calvino. É cultura que desconfia do homem e que o tem por essencialmente corrupto e degenerado. É cultura que encara o homem como um coitadinho ou miserável. É cultura que nega sua liberdade e questiona sua racionalidade... E a partir daí não se constrói nada mas substitui-se esse ser indesejável pelo TER.

O protestantismo não nos deu a liberdade. Foram suas seitas e divisões ou seu defeito de estrutura, que impediram uma a outra de assumir o controle efetivo da sociedade, substituindo o papismo e criando uma sociedade Bíblia (ideal ainda hoje buscado por muitos protestantes ortodoxos sob a forma da teocracia). Hábil em questionar e fragilizar a igreja antiga, para nossa suprema felicidade, o protestantismo não foi capaz de tomar o lugar dela na direção da Sociedade. Não é que não o quisesse, - Calvino queimou Servet a lenha verde e Benedict Karpzov queimou bruxas como queimamos palha, - apenas não pode faze-lo. Uma vez que criticou a igreja anterior ou velha foi também ele submetido a crítica (e com ele o ídolo Bíblia) pelos pósteros, vitimizando-se até o dia de hoje... Do contrário a Sociedade Ocidental teria revertido ao século IX a C - Segundo o modelo do antigo Israel e algo bem próximo do islã sunita ou salafita - pois a maior parte dos primitivos protestantes odiavam tudo quanto cheirasse a paganismo e estavam determinados a erradicar nossa herança clássica.

Importa saber que suas aspirações falharam ou estouraram como uma bolha de sabão e que ele perdeu a direção espiritual da Europa em menos de um ou dois séculos. Por volta do século XVII já a Inglaterra achava-se apinhada de deístas a exemplo de Tolland ou Cherbury e na França pontificava Pierre Bayle. Foi Nietzsche que ao contemplar o presente da Europa no século XIX, encarou-o a semelhança do fórum romano, juncado por ruínas, apresentando Lutero como responsável por semelhante estado de coisas... E assomavam entre tais ruínas as colunas truncadas e capitéis da escolástica...

Foi algo poderoso para destruir, mas não para construir qualquer coisa de espiritual porque espiritualmente falando ceticismo, religioso ou metafísico, é sempre sinal de desespero. O protestantismo saiu de cena, mas não sua cultura envenenada pelo ceticismo e infensa as capacidades cognitivas do homem vindicadas pela Filosofia Clássica. Kant será sempre o filosofo portátil de Lutero ou seu padrinho filosófico e Aristóteles o guia daqueles que acreditam piamente nas mesmas capacidades e que os sentidos existem para informar o homem sobre a realidade externa que o envolve e não para engana-lo, distorcendo-a.

Se há engano há corrupção e se a corrupção não saímos de Lutero e de seu pretenso paulinismo. Mesmo porque tanto Paulo quanto Pedro admitem expressamente a capacidade cognitiva do homem, inclusive para os elementos da fé. Lutero reporta a Agostinho e Agostinho a Mani... Perdoem-me mas é História das ideias que vai as fontes. Conteste quem quiser mas Agostinho, Lutero e Kant abrem as portas da Acadêmia a Mani... E o homem fica sempre e eternamente fadado a ignorância.

Fica ignorante para que reine a fé e a fé cega.

De todo impotente para controlar as mentalidades ou melhor para dirigi-las é claro que o protestantismo falha ainda mais em termos de ética no sentido de inspirar ação política ou social. Alias pelo dogma da fé somente ele se refugia nas nuvens ou no além e entrega por completo o domínio da Sociedade a política absolutista dos príncipes ou a 'polícia'. Jesus é Salvador espiritual para o além e não legislador ético para o tempo presente, isto em termos de princípios e valores. O que os chineses pagãos concedem a Confúcio, os nipônicos a Sidarta, os maometanos ao filho de Ahmina e os hebreus a Moisés, Lutero e seus protestantes recusam-se conceder a Jesus Cristo! Ficando completamente despojado de sua autoridade Ética, reguladora de todas as atividades humanas. E deixa a Cristandade de buscar inspiração para a vida nos Santos Evangelhos.

Estabelecendo-se uma nova ordem naturalista tanto na produção de bens ou economia quando na ordem política; assim capitalismo e absolutismo e depois formalismo democrático. Não é que a economia sequer o tivesse revindicado antes, a nova religião luterânica é que abdicou oficialmente de inspirar tais setores da vida humana secularizando-os de maneira absoluta, até engendrar o 'espírito' do materialismo. E nos acostumamos, por convivência com essa cultura apóstata, a crer que o Cristianismo não diz respeito ao mundo material e que nada tem a ver com este mundo, passando como uma fórmula fetichista de redenção mágica, quando no passado foi lei e lei a ponto de provocar a queda de um império como o romano, o que não se consegue com orações!

Por outro lado se o protestantismo não era capaz de assumir a direção espiritual e ética da Europa tampouco permitia que a igreja romana torna-se a assumi-la no passado enfrentando dos déspotas e banqueiros e não mais haveria de surgir Ambrósio que ousasse enfrentar o tirano Teodósio ou Antonio de Pádua que impusesse penitência aos banqueiros e avarentos na Europa! Reis e banqueiros podiam trilhar livremente seu caminho de sangre, suor e lágrimas sem que qualquer poder os contivesse, e há quem veja amplos benefícios nisto. Foi grande, não o negamos, o benefício de não mais se poder matar em nome do Cristo, profanando-o. No entanto não havia e nem parece haver quem contenha a fúria assassina dos banqueiros e governantes, e a fome é uma expressão dela que ainda nos passa desapercebidamente no século XXI, sem que hajam milhões de monges dispostos a mitiga-la, como dizia o anglicano Cobett.

Após a revolução protestante uma igreja romana fragilizada e ameaçada pelos poderes seculares, converte-se em capachos dos reis por trezentos anos, sem que disto adviesse qualquer benefício concreto. Por toda Europa temos um Cristianismo socialmente morto e eticamente irrelevante, em que pesem as vozes proféticas de um Hugh Latimer, de um Thomas Morus, de um Thomazzo Campanella, de um William Laud, de um Mably, de um Morelly e enfim de um Lammenais, o qual no exato instante em que a nova ordem capitalista impõe-se politicamente na Inglaterra, faz-se porta voz do Catolicismo social na França e assim Wietling na Alemanha.

No entanto por trezentos anos ou seja por três séculos este gigante espiritual esteve prostrado e arruinado após a rebelião luterana.

Diante deste vácuo ou vazio espiritual provocado e alimentado pelo protestantismo haveis de estranhar que os naturalismos tenham assomado e assumido a direção espiritual da Europa a partir do Capitalismo???

Graças a total inépcia do protestantismo e a fragilização da igreja romana, diversas e sucessivas culturas de morte afirmaram-se por toda Europa, renovando inclusive os erros letais do paganismo antigo como o autoritarismo, o nacionalismo, o racismo e o odinismo; a estatolatria enfim. Foi o caminho ou direção tomada por muitos com o intuito, as vezes honesto, de contra atacar o liberalismo econômico e posteriormente o americanismo abjetos. Atacaram os inimigos certos mas com armas erradas porque não souberam empunhar as armas afiadas da cultura.

Já explicamos em diversas ocasiões como a civilização americanista ou yankee com sua KKK, seu destino manifesto, extermínio de peles vermelhas, etc, etc, etc é produto da crença protestante calvinista transplantada ao Novo Mundo. Destruída a cultura indígena e sem qualquer concorrência por parte de uma cultura humanista mais antiga - como no caso do velho mundo - pode o calvinismo engendrar um novo padrão de cultura anti humanista em conexão com o modelo capitalista de produção, com a democracia meramente formal e até mesmo, posteriormente, com o darwinismo social.

A cultura protestante norte americana é herdeira e legatária dos delírios judaicos iconoclásticos, anti 'pagãos' e consequentemente anti humanistas e anti imanentes. Daí seu completo repúdio a tudo quanto precede a reforma protestante com seu ideal vetero testamentário de cultura. De Sócrates a Tomas de Aquino tudo quanto havia foi pintado como diabólico... Daí a busca por uma terra incontaminada, pura e vazia de cultura, por uma terra sem sinos, cruzes, catedrais e Bispos, tal o ideal do puritanismo, com sua busca doentia por uma sociedade bíblica nos moldes do antigo Israel...

Esse solo impoluto, em termos de cultura, foi a America do Norte. E ali a cultura puritana, calvinista, individualista, anti humanista e 'biblica' pode nascer, e medrar, e florescer até ser encampada pelo materialismo economicista, sem que todavia sua simples presença e resíduos culturais desaparecessem por completo. Por fim, em meados do século XIX/XX protestantismo, capitalismo e democracia formal converteram-se num só organismo, estabelecendo laços de solidariedade.

Agora, isto é após a segunda grande guerra em especial, esta cultura essencialmente maligna, despenha-se sobre todo mundo visando coopta-lo e estabelecer um império mundial ou global, não apenas econômico mas também religioso, político e cultural. Os EUA aspiram converter-se em novo polo mundial de civilização, a semelhança do Império romano ou da cultura helenística... Quando na verdade sua cultura é a negação de toda nossa herança helenística e romana e a afirmação a um lado do ideal semítico e descarnado de divindade e cultura e a outro do ideal materialista e economicista com seu reducionismo e pobreza infinitos.

Continua -

Sócrates, a qualidade democrática e a produção de consciência

Antes de tudo devemos dizer que nossa democracia não é a democracia grega. Sempre oportuno dizer e repetir isto. Os gregos não conheciam o 'dogma' anglo saxão da representatividade e por isso representavam a si mesmos. Seu sistema era direto e não indireto...

Portanto entre nossa democracia, a democracia moderna, forjada na Inglaterra, já contaminada e envenenada pelo liberalismo econômico, vai uma larga diferença.

Lá a traição só era capaz em caso de 'loucura' rsrsrsrsrsrs Aqui a traição é ameaça ou perigo onipresente. Basta que algum milionário 'molhe as mãos' dos supostos representantes para que eles sem mais, atraiçoem o bom povo. Locke teve o bom senso de declarar que em tais casos era defeso ao povo rebelar-se, pegar armas e dissolver o Parlamento infiel, no entanto, este aspecto de sua doutrina parece ter caído no mais profundo esquecimento...

Segundo a concepção mais moderna de democracia o povo deve deixar-se atraiçoar pacifica e ordeiramente como uma ovelha se deixa tosquiar ou uma rês é conduzida ao matadouro; sempre em nome da autoridade... Aqui dos supostos representantes, ali de um só e mais além das massas; mas, se vai contra o interesse do bem comum, é sempre DITADURA - de um, de alguns ou de muitos.

Temos assim ditaduras de indivíduos, de classes e de massas, mas á tudo farinha do mesmo saco podre e infecto.

Curioso Sócrates ser apresentando como adversário da democracia em algumas publicações.

Nada mais equivocado.

Era Sócrates aristocrata?

Em que sentido?

Afinal há várias formas de aristocracia. Assim se há aristocracia de terras, que é oligarquia, há aristocracia de sangue, que é timocracia, e há aristocracia de grana, que é plutocracia. Mas também há uma aristocracia, e no passado era situação ou realidade consumada, da informação, do saber ou da consciência em oposição as massas iletradas, incultas, acríticas e fanatizadas.

As massas acríticas e sem consciência eram uma realidade impactante nas Sociedades antigas em que o letramento e o esclarecimento apenas havia começado ou dado os primeiros passos.

Imaginem o volume de pessoas completamente analfabetas e iletradas nas antigas cidades gregas...

Imaginem o volume de pessoas sem instrução espalhadas pelos campos ou pela realidade agrária da Helade...

Imaginem o volume e densidade das 'massas'...

E como democracia vive de consciência, era uma realidade ingrata.

Supunha o 'plano grego' todo um esforço educativo tendo em vista eliminar ou reduzir ao máximo as 'massas' transformando-as em povo consciente e agente de sua própria História. Era um plano grandioso encarado pelo ponto de vista educativo, e que demandava um esforço gigantesco. No entanto tal qual hoje, chocava-se tal plano formativo com as exigências da produção de bens ou da economia. Por isso mesmo que os gregos, como nós, deram os pés pelas mãos e estabeleceram a igualdade política entes que houvesse igualdade de consciência ou qualidade democrática... O que suscitou as críticas de Sócrates.

Sócrates não negava ou criticava a teoria democrática em si mesma e sim a realidade de uma democracia sem qualidade, i é, franqueada a todos sem exigir determinadas condições.

Nossa realidade não é menos ingrata.

Pois franqueamos o voto as massas analfabetas, cujo acesso a informação e aos saberes de caráter mais elaborado é tanto mais restrito, alegando que possuíam certo índice de consciência social, vivência, experiencialidade, etc, etc, etc, o que em alguns casos não deixa de ser verdade. Mas é manifesto e evidente que o demos um tiro no pé (da democracia), resultando desta 'democracia' de massas incultas e acríticas a sinistra bancada evangélica e após o golpe de 2016 - de que essa sinistra bancada foi a 'alma' - a reversão da própria democracia.

Isto sem falarmos das sucessivas tentativas por parte desta bancada, dominada pelo pensamento teocrático, de sabotar nossas instituições, restringindo os direitos, liberdades e garantias ao máximo; e de obter privilégios. Temos, e isto é inegável, o nosso califado ou estado pentecostal, em formação, com decorrências políticas e sociais que já se fazem sentir, e sua consolidação se deve, ao menos em parte ao voto dos analfabetos e da gente simples e sem consciência.

Karl Sagan já nos havia advertido a todos, democracia não vai bem com massas incultas ou ignorância, revertendo facilmente em teocracia seja aqui no Brasil ou em Istambul. Por isso que não se pode falar em democracia num país muçulmano, em que as pessoas, em que as massas são apenas ensinadas a ler ou a soletrar RECITANDO O CORÃO... E em que as mulheres são relegadas a ignorância mais abjeta. Onde prolifera e predomina a falta de informação, o analfabetismo, a superstição, o fundamentalismo religioso, etc a ordem democrática se torna impossível e inviável, pois falta-lhe espírito, alma ou consciência. E degenera... Saindo a emenda pior do que o soneto.

Nada mais trágico do que o poder entregue as massas incultas, acríticas e manipuláveis. Se há massas, precisam ser contidas ou controladas para que não causem maiores danos ou demassificadas... O que nos remete a um projeto educativo, essencial em termos de cultura democrática. Democracia demanda povo e qualidade e a formação de um povo consciente demanda sempre maior ou menos medida de instrução.

O que Sócrates queria era exatamente isto: Que os cidadãos se fizessem dignos da democracia por meio do letramento, do conhecimento, do saber, da reflexão, etc  Não aspirava acabar com a democracia mas injetar-lhe qualidade. Por isso que criticava essa democracia inconsequente e danosa, que vai bem com massas e ignorância.

Embora Sócrates reconhecesse que todos os homens eram iguais pela capacidade da razão e pela livre vontade, não pensava que esta igualdade genérica, por si só, fosse capaz de tornar todos os homens politicamente iguais. Para que se tornassem politicamente iguais era necessário partir dessa igualdade genérica, desenvolver suas potencialidades e adquirir determinadas aptidões ou qualidades, as quais tornavam o homem digno da cidadania.

Todos podiam certamente decidir sobre as mesmas coisas, desde que TIVESSEM CONHECIMENTO DE CAUSA. Assim aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre as leis deviam estudar e conhecer as leis... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre estratégia militar deveriam estudar estratégia militar... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre economia deveriam estudar economia... E sucessivamente.

Para legislar com propriedade sobre um determinado tema é sempre necessário conhece-lo, sob pena de tomar as piores decisões, ainda que sejam comuns ou democráticas. Uma democracia mal provida de conhecimentos pode ser sim bastante catastrófica.

Tais as linhas gerais da crítica socrática.

Agora que pensar sobre ela?

O mínimo que se pode dizer é que se os cidadãos não se podem - nem mesmo hoje em 2017 - especializar nos diversos campos do conhecimento a respeito dos quais são chamados a pronunciar-se e a deliberar, é absolutamente necessário que o processo deliberativo ou decisório numa democracia direta ou semi direta seja precedido de amplo debate ou discussão (amplo = demorado) entre os especialistas em cada área. O que não exclui, antes exige, por parte do cidadão comum, ao menos um letramento geral ou uma Educação de qualidade, que inclua por exemplo os conteúdos de Psicologia - ainda ausente no currículo de nossas Escolas - Sociologia e Filosofia (incluidos a bem pouco tempo).

Trata-se de um esforço continuo e colossal em termos educativos e mesmo assim insuficiente.

Platonicamente ou socraticamente falando: Se não cabe a aristocracia do saber o exercício do exclusivo do poder e se não podemos falar numa aristocracia 'aberta' para a democracia ou melhor para os elementos que queiram fazer-se dignos dela, é imperativamente necessário que esta aristocracia do saber seja ouvida pela sociedade democrática dirigindo o debate ou a discussão que precede a deliberação.

Por outro lado esta mesma aristocracia intelectual, já crítica, já reflexiva e já digna de em certo sentido dirigir o processo democrático; não pode deixar de ser aberta pelo esforço educativo, cujo objetivo primacial é inserir mais e mais homens e mulheres, de modo consciente, no processo decisório. É ela, a elite intelectual, que deve levar adiante o processo de desmassificação por meio da formação das consciências. E o ponto de partida de todo este processo é simples: o letramento, o acesso aos conteúdos essenciais já apontados, o estímulo a criticidade, etc

Supondo que o Estado ou um determinado estado obstinadamente comprometido com as exigências estabelecidas pelo Mercado ou pelo capitalismo, fiel ao dogma da representatividade, embasado na ignorância das massas ou na alienação, etc que fazer?

Neste sentido a praxis anarquista da libre associação, do apoio mútuo, da auto gestão, etc assume um caráter de necessidade. Ou substituíra ou completará a iniciativa do Poder público. Exemplo prático é a organização das Escolas de rua, mantidas por educadores comprometidos, em quaisquer espaços públicos.

Só assim responderemos dignamente as críticas do grande filósofo no sentido de produzirmos não uma Sociedade democrática, abstrata ou metafisicamente falando, mas uma Sociedade capaz de democracia ou digna dela, em que a maior parte ou totalidade dos cidadãos, após amplo debate possa deliberar sobre este ou aquele assunto, e legislar com propriedade excluindo a representação, sempre precária de um parlamento.

Tais as possibilidades que se nos apresentam:

  • Permaneceremos atrelados ao dogma da democracia formal, burguesa ou liberal ad infinitum, e este será o 'fim da história' como quer o sr Fukuiama.
    Não. Este será o fim inglório da democracia e de suas esperanças, substituída pela 'ordem' teocrática imposta pelas massas incultas e manipuladas.
  • Apostaremos no totalitarismo - ditador, tirano, déspota, líder ou messias Salvador. Mas a loteria da História demonstra com absoluta propriedade que para cada D Pedro II a centos ou milhares de Hitlers, Stalines ou Bushes, psicopatas degenerados dispostos a sangrar o gênero humano. Com o saldo de milhões e milhões de almas sacrificadas... Ao menos no plano da política ou da sociologia, a crença hindu/budista segundo a qual 'Ninguém deve esperar qualquer salvador além de si mesmo ou fora de si mesmo.' converte-se na mais prístina verdade. O povo não deve esperar absolutamente nada de quem quer que seja, mas tornar-se agente de sua emancipação.
  • Ultrapassaremos o modelo democrático formal ou burguês restabelecendo o modelo democrático grego, i é, direto; passando antes - provavelmente - pelo modelo romano, semi direito, dos plebiscitos ou referendos, fase já atingida por diversos países europeus. O que no, entanto, como acabamos de dizer, não nos deve iludir e conduzir a um comodismo análogo ao dos antigos atenienses, mas predispor-nos a um heroico esforço formativo, a que chamamos desmassificação.

E nós somos por esta última. Embora conscientes do 'defeito' apontado por Sócrates e da necessidade de formar os cidadãos para a ordem democrática e de forma-los por meio de uma educação de máxima qualidade. A qual o permita compreender a si mesmo, a evolução biológica dos seres vivos, a organização social, o desenrolar do processo histórico, a produção de bens, a formação da mente e da personalidade... levando a posicionar-se diante do universo, assumindo valores que estimulem e possibilitem a convivência, além da afirmação do bem comum.

Implica este ideal, já por ser político e mais ainda por ser educativo e formativo, questionar o espaço dado pela sociedade capitalista a dimensão econômica da existência, e restringi-la se necessário for. Implica este ideal de democracia chocar-se com o espírito do economicismo, em nome do que cognominamos humanismo.

Precisamos dar mais espaço ao político e educacional tendo em vista a expansão da consciência e a afirmação de um padrão de qualidade?

Os espaços atualmente ocupados pela produção econômica, pela educação e pela cidadania precisam ser discutidos?

Temos uma péssima política?

A quem ou que isto se deve?

Somos preparados efetivamente para o exercício da cidadania?

Todas as crianças e jovens estão na escola?

A que ou a quem favorecem a ignorância, a alienação e o desprezível espírito de submissão cultivado por tantos?

A que acomodamos nosso espírito democrático?

Fomos bem sucedidos em produzir uma consciência democrática em nosso pais?

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A todos estes questionamentos o liberal economicista responderá imutavelmente com sua shahada: Não é o melhor dos sistemas mas é o que temos?

Com pastores da prosperidade e bancadas fundamentalistas assaltando o estado 'laico' e buscando interferir ativamente nas vidas das pessoas?

Com a afirmação irracional, caprichosa e arbitrária de preconceitos estúpidos como a homofobia, o adultismo, o especismo, etc???

Com um mar de corrupção e venalidade que nos submerge até o pescoço, que nos sufoca e que compromete inclusive a reputação das instituições?

Com uma execrável justiça ideológica e partidarista capaz de profanar a legalidade???

Com os direitos e garantias do trabalho sendo imolados no altar de Mamon pelo próprio Parlamento???

Se nos devemos contentar com isso, com esse lixo, melhor vestir uma camisa de força e pedir refúgio num hospício.

Nada mais indigno e abjeto do que pedir ao cidadão que se conforme com tudo isto e bata palmas. É apenas aqui, que os totalitário, até eles, mostram um pouco mais de sanidade e dignidade do que os 'tarados' liberais...

Não, não se pode pedir ao ser racional e libre, ao ser consciente e ético, ao ser instruído e civilizado que se conforme com tão baixo padrão de moralidade política.

Neste caso qual caminho a ser seguido?

A democracia representativa foi criada com o objetivo de suprir a uma formação educacional, ética e cidadã que o liberal, julga ser impossível e tão utópica quanto os delírios do comunismo.

Para o liberal não se deve dispender assim tanto tempo em educação e formação política em detrimento das necessidades econômicas que ele julga serem básicas.

É questão de vontade.

A democracia não deve obter mais qualidade e tornar-se direta ou semi direta e nem a sociedade deve ser desmassificada e posta a salvo da ameaça teocrática APENAS PARA QUE O CAPITALISMO POSSA PERMANECER FUNCIONANDO E COM O MESMO RITMO DE SEMPRE.

É devido a imposição das falsas necessidades ditadas pelo Mercado que a democracia perde sua qualidade e que nosso projeto de democratização i é a retomada de nossa herança greco romana, é declarado impossível, inviável ou utópico. Pois para que as pessoas estejam mais presentes nas escolas, nas bibliotecas, nos museus, nos debates, nas decisões ou na politica enfim deverão estar menos presentes nas fábricas... E também deverão fruir de uma condição de vida melhor. O que nos conduz ainda mais uma vez a eliminação ou drástica redução, da alienação, da ignorância e portanto da miséria.

Compreendem por que a causa do fundamentalismo religioso ou da teocracia e do capitalismo é a mesma e que o patrão e o pastor são sempre aliados? Posto que ambos vivem de ignorância e miséria, e aspiram perpetuar a direção: FÁBRICA - IGREJA e vice versa??? Compreendem que o patrão e os políticos traidores e venais precisam do pastor para injetar o veneno da submissão nos cérebros dos trabalhadores? Compreender porque tanto o pastor quanto o patrão temem a escola, o esforço educativo, o esclarecimento e o exercício da cidadania? Como o pastor poderia vender falsas, esperanças, falsa libertação e falsos milagres caso não houvesse uma situação de angústia generalizada produzida pelo patrão? A causa da Bíblia e do auto forno é a mesma...

No entanto a mesma educação que leva o cidadão a questionar os mitos do antigo testamento e a autoridade do pastor, mina pela base a suposta autoridade do patrão.

Por isso ambos se sentem ameaçados pelo esclarecimento, e lá existe uma solidariedade oculta entre as necessidades do mercado e o projeto teocrático da bancada bíblica, o anseio de humilhar, oprimir, domesticar e colonizar o homem por meio de normas e regras arbitrárias tornando-o dócil; o eterno anseio de controlar e o desejo de escraviza-lo por meio da ignorância convertendo-o numa boa ovelhinha, num bom empregado ou num 'homem de bem' sempre submisso a ordem iníqua em que esta inserido.

Por isso é uma e mesma a causa da democracia direta, do mundo do trabalho ou seja do socialismo e da liberdade religiosa; e não se separam, formam uma unidade. Tanto a exploração econômica ou a miséria quanto o fundamentalismo religioso tornam a democracia, mesmo indireta e parlamentar impossível, desestabiliza-na e tornam-na mais indesejável que a tirania; justamente porque não passa ela mesma de uma ditadura de massas e aristocratas do dinheiro ou plutocratas. Ditadura de massas porque as massas não tendo consciência são manipuladas por eles, governando os milionários em nome das massas que oprimem, exploram e enganam... E ficando o cidadão consciente sempre a ver navios... Quando não a seduzido pela falsa esperança da ditadura individual ou pela fé num redentor secular. Sedução que é igualmente fruto da angústia e do desespero, face a precariedade de uma democracia apenas aparente, que o capitalismo impede de tornar-se real...

Temos uma democracia de conta gotas, de medida, controlada por um elemento externo e não político. Mas se não é soberana não é democracia, se é submissa não é democracia...

Urgem retornar a Sócrates. Compreender os defeitos estruturais da democracia antiga e da nova para buscar sanea-los. Ocultar ou disfarçar o estado precário e a condição abjeta de nossa democracia não a salvará. Manter a eterna ilusão de uma democracia de massas iletradas e incultas sempre no acesso do fanatismo religioso e do fundamentalismo não a salvará. Compactuar com a ignorância e alienação não a salvará. Fazer o jogo sujo e sórdido do mercado não a salvará.

Democracia se faz com esforços educativos e formativos que levem a formação de consciência bem como a produção de espírito e cultura. Democracia deve ser sinônimo de desmassificação. Democracia deve considerar sim preparo, capacidade, habilidades, competências, etc Democracia deve discutir, dialogar, debater e antes de tudo ouvir atentamente os intelectuais ou peritos, que tem conhecimento sobre determinada causa. Nossa democracia não pode conformar-se com os limites que lhe foram impostos no século XVII mas ampliar-se, aprofundar-se, alargar-se, ultrapassar-se, superar-se... O que implica chocar-se com a desordem institucionalizada do capitalismo, a grande responsável por seu fracasso.

Democracia precisa de tempo e de espaço para acontecer e isto não lhe foi dado, ainda não lhe foi dado, lhe tem sido sonegado... Em detrimento de sua qualidade.

Democracia precisa de pessoas capazes, mas elas não tem sido capacitadas desde os tempos de Sócrates. Pelo que tombamos num comodismo prejudicial e nefasto. Não estamos a formar cidadãos mas escravos, servos, elementos submissos, gente de bem, pessoas sem iniciativa e criatividade; isto é excelente para patrões e pastores, pois vivem de gado; mas não para a excelência democrática.

Sócrates tinha razão em criticar o comodismo e as ilusões de seus pares a respeito de uma democracia mágica, abstrata e metafísica, que dispensasse efetivo preparo. Ele apontou as asperezas do caminho e incomodou muita gente. Incomodou os falsos democratas com seus dogmas estúpidos, estruturas obsoletas e formas anquilosadas; eles precisavam e precisam ser incomodados. Sagan também os incomodou e fez bem. Democracia é feita mesmo para isso: para incomodar e não para acomodar as consciências e agradar.

Nosso projeto começa agora, quando terminará não o sabemos e sequer precisamos sabe-lo. Somos semeadores que um futuro que não viveremos e que não veremos. O amor ao próximo e os sentimentos de fraternidade e alteridade exigem que preparemos um futuro melhor ou menos dramático para os que virão. Não assistiremos o reflorescer da democracia direta no Ocidente ou em nosso pais, mas folgamos em ter dado os primeiros impulsos! Somos os semeadores do amanhã!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A alienação carnavalesca

Carnaval 2017




Se carnaval trouxesse algum benefício a sociedade brasileiro, a Globo certamente não apoiava. Pois a Globo só se preocupa com o que dá dinheiro ou trás lucro.

É comemoração mais descaracterizada do que o Natal.

Tendo perdido por completo suas raízes.

Nada mais patético do que relacionar carnaval com africanidade.

Com se lá na África a africanidade consistisse em negras nuas esfregarem-se publicamente com seus parceiros. Ademais onde se dança nu, a nudez encarada com naturalidade faz parte da cultura e a maior parte das danças são sagradas.

Tampouco era assim no Brasil Império, quando lundus e maxixes era dançados em torno das fogueiras junto as senzalas... sem atrizes anencéfalas como 'madrinhas de bateria', consumo de cerveja Z..., 'mulatas' sargentelianas rebolando seminuas, letras homenageando empresas, políticos ou times de futebol, velhos decrépitos babando diante das menininhas da favela, e todo este cenário de ridículo e horror conjugados transmitidos pela globela corporation...

A festa das tais escolas de sambas nas suas passarelas e sambódromos, para o maior gaudio de uma burguesia branca é pura falta de consciência negra e sinônimo de consciência alienada e cooptada que sente-me feliz por durante alguns dias poder desfilar para os brancos. Afinal a maior parte dos brancos da elite jamais consentiriam que suas filhas ou netas expusessem seus dotes publicamente na tal passarela. Que as negras ou 'mulatas' exponham-se para nós...

Jamais a mulher negar foi tão aviltada como no carnaval contemporâneo das tais escolas de samba. Afinal não se trata de expor a nudez com naturalidade no quotidiano, a exemplo das culturas africanas ou de nossos índios, mas de denudar-se durante alguns dias com o objetivo de deslumbrar uma clientela branca. A qual, encerrados os tais festejos carnavalescos, classificara as tais passistas como pervertidas e imorais.

Inclusive num sentido mais lato é o carnaval apoteose da hipocrisia. Onde a mesma sociedade que canoniza uma estrutura familiar abstrata, nega seu próprio corpo e muitas vezes sua sexualidade, durante alguns poucos dias põem em prática tudo quanto considera imoral. E isto sem dúvida é um problema. Porque se temos de aceitar o corpo e a sexualidade é durante os trezentos e sessenta e cinco dias do ano que temos de aceita-los. Agora se temos o corpo por mal e a sexualidade como algo condenável, o carnaval representa uma traição ao ideal.

Emancipar o homem por alguns poucos dias a cada ano para nada presta.

O homem deve viver sua sexualidade, livre, desimpedida e descomplexada; embora num contesto de vida mais amplo e mais rico, ao cabo do ano inteiro.

Exatamente por isso é o carnaval contraproducente.

E moralmente danoso na medida em que aparentemente torna lícito o que é ordinariamente condenável, instilando relativismo moral e hipocrisia na vida social.

No fim das contas tudo isso acaba é fortalecendo a repressão. Pois encerrados os dias da folia todos devem conformar-se com as vidas medíocres que detestam...

No entanto quem fica com a pior parte são sempre os negros ou a mulher negra, que hoje desfila nua e amanhã é classificada como vadia pela mesma sociedade hipócrita e doentia que acabou de aplaudi-la.

Alguns chegam a dizer que a grande oportunidade da negra 'bonita' é ser passista de escola de samba. Como a oportunidade dos meninos e jovens negros mais atilados seria o futebol, i é a ilusão de ser jogador. Lamento por essas meninas e meninos inteligentes e capazes que acabam sendo iludidos e desviados da verdadeira oportunidade que se lhes apresenta, a escola ou o estudo.

Mais do que qualquer outra parcela da população brasileiros os negros é que deveriam valorizar o estudo e pleitear uma vaga na universidade pública. Por cuja manutenção também pagam através dos impostos. Isto sim é índice de consciência e emancipação e não fazer o joguinho da elite branca desfilando para ela no sambódromo...

Distrair ou divertir a elite branca e carrear dinheiro para os empresários milionários jamais será índice de consciência negra. Colaborar servilmente com sistema capitalista de produção jamais será índice de consciência negra.

Imaginem a fortuna que essas escolas de samba não recebem por fora apenas para homenagear esses grã finos engomadinhos, sejam políticos, empresários, artistas ou jogadores... Ou vão me dizer que é pura e simples benemerência??? Tudo isso é feito em troca de um bom patrocínio e eu não acredito que sequer 1 porcento desse valor chegue as mãos das comunidades negras carentes! Fica tudo com meia dúzia de dirigentes... Para os quais evidentemente 'O carnaval é nossa vida, é nossa luz...' posto que vivem dele...

Mas não os músicos e passistas iludidos por tão baixo 'ideal'... Pois acabado o 'fascínio' a vida retoma a triste realidade de quem não tem emprego, estudo, ou chance alguma além de trabalhar carregando caixotes na feira ou como diarista lavando banheiro de branco endinheirado.

Pessoas, essas músicas não são as músicas cantadas pela resistência negra há século e meio... essas danças não são as danças executadas por eles... esse instrumentos não são os empregados por eles... esses trajes ou adereços nada tem a ver com os que eram utilizados por eles... Esse carnaval carioca de passarela vendido pela Globo nada tem a ver com a consciência ou com a resistência negra. É festa de opressores brancos para opressores brancos e festa da opressão, em que os negros são usados pura e simplesmente.

É algo que envolve apenas dinheiro e muito dinheiro. De que as comunidades negras dos morros do Rio não tiram proveito algum. Benefício social algum. Tudo quanto essas Escolas fazem tem por objetivo perpetuar essa cultura ou tradição servil, cujo objetivo é dançar para os brancos, em especial pelos estrangeiros.

Veja, os negros podem sambar nus, são livre e respeitados!

Só que não...

É apenas fantasia para inglês ver.

O carnaval ancestral, de raiz e relacionado com a resistência africana esta morto e bem morto há décadas... E por questão de coerência era bom ressuscita-lo.

Que dizer agora do carnaval de tradição européia com seus blocos e marchinhas?

De modo geral também perdeu muito de sua originalidade ancestral.

E até os pierrots e colombinas foram substituídos por super heróis importados dos estados unidos... a cuja perniciosa influência nada escapa neste país.

Por outro lado converteu-se também ele, especialmente nos clubes, numa festa sexual em que tudo é permitido. Como já dissemos é o tributo que se paga a hipocrisia maniqueista/puritana.

Carnaval tornou-se ainda sinônimo de embriagues... E as cervejarias agradecem.

Deveríamos beber sem afetação, com naturalidade e equilíbrio.

Mas carnaval é época de destempero.

Há ainda o problema da violência e das brigas, pois as pessoas estão cada vez mais agressivas, e mais agressivas ficam ainda quando bebem ou quando estão no cio...

Tornando-se o Carnaval de hoje, talvez mais do que nunca, copiosa fonte de agressões, conflitos, mal entendidos, e consequentemente de mortes inclusive.

O próprio barulho excessivo, insuperável no tempo das caixas de som, colabora para criar uma atmosfera totalmente irracional, frenética e emocionalista em que os piores instintos, como o de agressão, acabam aflorando. O barulho torna as pessoas ainda mais nervosas interagindo com o alcool e potencializando atritos.

A crítica aqui vale para todos os tipos de música e para todos os ritmos, inclusive para a música pseudo religiosa que já aderiu as caixas de som e baterias, ou seja, a cultura do barulho.

O carnaval é o máximo exponencial (Mas não o único) dessa cultura neurótica.

Efetivamente o barulho é uma das melhores formas de deseducar e barbarizar uma alma qualquer. Nem barulho faz bem, nem o bem faz barulho pois o barulho é fuga do mundo e de si mesmo.

Por todos estes motivos todos também a folia 'lusitana' perdeu por completo sua razão de ser.

O Carnaval correspondia a uma função social quando os reis, senhores, déspotas, tiranos, ditadores, juízes e carrascos controlavam a sociedade com mão de ferro imponto o maniqueísmo como lei e oprimindo as consciências. Numa sociedade autoritária e inimiga dos prazeres havia de ter uma válvula de escape e esta eram os tais festejos carnavalescos, ocasião em que a moralidade vigente tornava-se mais lassa. Para os oprimidos do passado, para os servos, escravos e explorados carnaval era momento de descontração. Após o que, tornavam a conformar-se com o estado de vida que lhes era dado ou imposto pela Sociedade igualzinho os negros das escolas de samba.

Tratava-se portanto de uma estratégia destinada a perpetuar a dominação e o controle nos termos dos senhores.

Eram dias de tolerância em meio a uma sociedade totalitária ou autocrática e portanto correspondiam a uma função.

Nós no entanto que vivemos numa sociedade ao menos formalmente democrática em que podemos definir nossos gostos, que temos acesso a certas formas de distração, que fazemos jus a certos dias de repouso, que não temos mais nossas vidas completamente decididas e controladas por outros, precisamos de carnaval?

Claro que precisamos do descanso propiciado pelo feriado. Sem dúvida.

Mas será que precisamos de desfiles desses desfiles de escolas de samba com todo seu servilismo e hipocrisia ou mesmo de pular e saltar num salão?

Acho que o carnaval podia ser bem melhor aproveitado no cinema, no teatro, num museu, numa exposição... ou mesmo em casa ouvido boa música, lendo um bom livro, estudando, curtindo a família, cozinhando, visitando alguém, etc Há tantas maneiras de aproveitar-se um feriado com inteligência.

Então para que dispersar a si mesmo com risco da própria integridade física?

Compreendo que os pequenos tenham certo fascínio pelo carnaval, é perfeitamente compreensível e faz parte da idade.

Compreende-se que as crianças pulem ou brinquem o carnaval. O qual sempre pode ser organizado em casa com fantasias tradicionais (pierrot, colombina, bruxa, vampiro, pirata, etc) e marchinhas tradicionais, entrando comes e bebes inclusive, doces, refrescos etc Um carnaval saudável também pode ser organizado no condomínio, no prédio ou mesmo entre um grupo de famílias amigas. Importa fugir a ambos os extremos: prestigiar o carnaval imposto pela Globo, festa duma elite branca degenerada e de negros sem consciência e proibir as criança de brinca-lo ou o que é pior e mais danoso, envia-las aos execráveis retiros religiosos com sua cultura sagrada do barulho...

No caso dos pequenos é sempre melhor, sendo possível, criar uma atmosfera honesta, acolhedora e familiar em que possam brincar o carnaval com os amiguinhos.

E os adultos podem também brincar esse tipo de carnaval?

Penso que cada pessoa deva responder por si mesma segundo suas necessidades lúdicas ou afetivas. Pessoas há que não tiveram infância ou cujos pais, fanáticos religiosos, proibiam-nas de brincar e de pular carnaval. Neste caso é perfeitamente compreensível que desejem brincar com os filhos e netos, ou mesmo participar da folia em pleno sentido da palavra. Tais as péssimas consequências produzidas por uma educação ditada pelo fanatismo religioso. Outros talvez tenham mesmo um caráter mais extrovertido e por isso sejam atraídos por tais folguedos... Todas as coisas são boas desde que usadas com moderação.

Acho supimpa ouvir marchinhas antigas e das umas cabrioladas pela casa, mas não é coisa que absorva-me a vida ou que constitua a razão do viver... O problema como já disse consiste justamente nessa ilusão de viver para o carnaval ou para a passarela, ignorando que o Carnaval seja provisório ou episódico e que a vida seja bem mais complexa.

Há coisas mais importantes e elevadas da que devotar a vida.

O que quero dizer é que a vida não é sambodromo ou passarela dada graciosamente por brancos, mas na maioria dos casos um calvário. Calvário da falta de leitos nos hospitais, calvário da falta de vagas nas escolas, calvário da falta de meios de transporte, calvário da violência, calvário da droga...

E aqui a mística do samba pode ser tão danosa quanto a mística das seitas religiosas, perpetuando cada um destes calvários contra os quais as consciências todas deveriam lutar.

O mundo vendido pela rede Globo é tão real quanto suas novelas de época ou ficção. É um carnaval perpétuo, mas isto não existe.

O carnaval só se torna perpétuo para os dirigentes espertos das grandes escolas que recebem subsídios da globo, do governo, das empresas e dos particulares que desejam ser reverenciados. Mas você negro pobre e negra pobre jamais verão esse dinheiro.

Então comecem a tomar consciência, a estudar e a prepararem-se para a Universidade, conselho de educador branco!

O recado tá dado e repito o que foi dito, no ano de 2017 não acho que qualquer tipo de carnaval seja necessário.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Epistola a Casto Inholaru sobre o ideal Católico de Civilização

Graça, paz e bem

Não tendo, o protestantismo, forjado ideal próprio de Civilização, permaneceu oscilando entre dois extremos: O de Lutero, que fazendo da política, da economia e da org social 'caso de polícia' tornou-se padrão de todos os naturalismos subsequentes, do capitalismo ao nazismo e o de Calvino com seu ideal legalista, maniqueu e moralista de civilização Bíblica ou judaizante, assumido pelo pentecostalismo hodierno. Aqui nada de Cristão... Em absoluto. A um lado a aceitação de um padrão materialista e economicista e posteriormente de um padrão estatólatra e a outro a aceitação do padrão judaico ou mosaico r portanto de um padrão arcaico e ultrapassado mais primitivo do que o próprio islã.

Foi nesta luta entre extremos que o protestantismo enfiou a Cristandade dizendo que escolhesse entre um padrão naturalista materialista e um padrão judaico, como se fosse o Cristianismo infecundo, estéril e inútil em termos de organização social e como se não possuísse um ideal próprio de civilização, segundo sua especificidade credal.

O que quero dizer a ti é que os Católicos não tem obrigação alguma de aderir a qualquer tipo de proposta de civilização naturalista seja capitalista, comunista, anarquista, fascista ou nazista; devendo, muito pelo contrário resistir a todas elas e recusar-se a negociar. Afinal a proposta deles, sendo materialista, esta fundamentada neste mundo, enquanto a nossa proposta, sendo essencialista ou realista, procede de outro plano existencial. Assim a ética deles desconsidera amplamente a pessoa humana, enquanto a nossa afirma e assume os direitos da pessoa como sagrados.

Eles substituem a pessoa pelo lucro, negam sua liberdade, separam-na da comunidade, oprimem seu corpo e sua mente, rotulam-na artificialmente segundo o critério de raça, etc E o fim de tudo isto é a aniquilação da pessoa. Pois tudo isto é uma profanação. Mas nós afirmamos que a economia é um meio, que o grupo social é um meio e que a política é um meio tendo em vista a afirmação desta pessoa na perspectiva do bem comum. De modo que o fim último de toda ação humana é a realização pessoal e a aquisição da felicidade.

Grupo social, produção de bens, exercício da cidadania, etc tudo enfim não passa de instrumental tendo em vista o pleno desenvolvimento das potencialidades contidas na criatura racional e consequentemente a construção de uma personalidade equilibrada e saudável. Estamos criando as condições materiais e externas necessária a elaboração de uma personalidade cada vez mais normal. Isto quando propomos um ideal de Sociedade ou Civilização Católica e pugnamos por ele. Catolicismo e humanismo são as duas faces de uma mesma moeda pois os Católicos afirmando que Deus aspirou fazer-se homem não podem negar que santificou a existência que assumiu e que ao assumi-la visou o benefício ou a vantagem do ser humano.

Não possuísse o homem algo de digno e bom, e Deus não teria qualquer motivo para resgata-lo. No entanto se Deus decidiu resgata-lo... Neste caso aniquilar e abater o homem é abater a 'imagem e a semelhança' do Sagrado ou o Sagrado que esta nele.

Por isso o homem não pode nem deve ser abatido. Cumpre-nos imitar a Deus e resgata-lo de todas as situações indignas. Deus acreditou na emancipação, na libertação, na educação, no progresso, na evolução e no aperfeiçoamento do gênero humano e esta crença faz parte da instituição Cristã. O Deus Cristão foi otimista com relação aos homens e assim devemos ser nós.

Aquele que desespera do homem, pode apelar ao ex maniqueu ou cripto maniqueu Agostinho de Hipona, mas não ao Deus que veio ao encontro do homem. Pois esse Deus vem com poder e apto para reabilitar aquele que estreita a si. E unido espiritualmente a Jesus Cristo este homem muito tem a fazer, dando frutos sessenta por um, oitenta por um ou cem por um ao invés de enterrar suas moedas no chão...

O Cristão verdadeiro e consciente de sua missão no mundo faz render a graça de Jesus Cristo por meio de obras, as quais não podem deixar de impactar a sociedade em que vive e de transforma-la. E tão compenetrados estavam os primeiros Cristãos a respeito do que deviam e do que não deviam fazer, que não tardou muito tempo para a Estrutura do Império Romano, sentir-se ameaçada por ele. Não foi sem razão que Ed Gibbons apresentou os Cristãos como responsáveis por sua queda, uma vez que os Cristãos recusavam-se terminantemente a alistar-se no exército - cujo fim era ATACAR E PILHAR as outras nações - e a ter escravos. Ora o fundamento da economia romana eram as guerras de pilhagem e o escravismo, resultando do pacifismo ou do semi pacifismo e da falta de escravos uma ascensão inflacional nada vez mais séria e a partir dela toda uma crise. Esta brecha na economia romana foi aberta pela ética Cristã e aquela estrutura colossal viu-se abalada e ameaçada.

Quando os bárbaros chegaram a crise já havia maturado, de modo que o Império estava não só fragilizado, mas destruído por dentro. Os bárbaros em muitos casos limitaram-se a ocupar certas partes do Império em que a administração imperial já havia entrado em colapso. Instalaram-se em espaços abandonados pelo antes todo poderoso Império romano. O Cristianismo antigo sendo fiel a seus princípios optou por abolir a chaga da escravidão, mas antes do advento da sociologia, não sabia como resolver o problema do trabalho... Vestígios da antiga civilização romana associados as instituições peculiares aos bárbaros deram lugar a um nova ordem, a ordem medieval, que foi uma reorganização das instituições.

Nem por isso conheceu aquele antigo mundo - Ociental - a paz externa e interna. Requisito fundamental para que a mãe Igreja educasse aqueles povos e produzisse uma civilização própria. Civilização autenticamente Cristã foi produzida apenas e unicamente no Oriente, sendo representada pelo Império Bizantino. E é uma desgraça que suas instituições sociais ainda não tenham merecido estudo acurado e atento por parte dos estudiosos ocidentais, em especial pelos Cristãos. Pois trata-se da primeira experiência social e talvez única, em que o Cristianismo pode encarnar-se e inspirar na mais larga escala a organização dos negócios públicos e a implementação do bem comum. A esse respeito leiam as obras do bizantinista Anthony Kaldellis ao menos quanto ao aspecto político.

Tornemos porém ao Ocidente - que é nosso foco - sabendo que a Civilização Cristã Bizantina foi aniquilada pelo islã há cerca de setecentos anos. Cedendo lugar a uma nova ordem.

O ocidente continuou a ser atacado a abalado pelos bárbaros nórdicos até meados do ano 900 ou mesmo 1000, quando a Escandinávia principiou a ser Cristianizada. A evangelização da Escandinávia foi fator de suma importância para o ulterior desenvolvimento das Sociedades europeias pelo simples fato de ter produzido relativa estabilidade. Relativa porque a Europa continuava a ser ameaçada pelos muçulmanos procedentes do Oeste e do Sul e porque os nobres e senhores feudais, mantendo os costumes germânicos não cessavam de lutar e de fazer guerras uns contra os outros.

Ainda aqui foi a Igreja que teve de tomar a iniciativa de introduzir a paz por meio da trégua de Deus, idealizada por Gerardus. Eis outra instituição ou fator que não podemos menosprezar. Pois ao cabo de um século ou de século e meio a paz interna havia avançado ainda mais. Todavia o século XII já estava as portas... E o islã jamais havia deixado de ameaçar ou de atacar fosse o Império Bizantino ou os reinos cristãos do Ocidente, dando continuidade a sua jihad. Pacificada e reorganizada a Europa lançou-se a empresa das Cruzadas, empenhando suas forças por mais de dois séculos... De modo que apenas pelos idos de 1250/1300 pode a Igreja cogitar em plasmar uma Civilização Cristã no Ocidente, segundo permitiam-lhe as circunstâncias externas e materiais.

Pouco antes disto havia criado as primeiras Universidades (no Ocidente!) cogitando agora em criar outras tantas. De 1300 a 1500 dedicou-se a Igreja a alfabetizar o seu povo e a produzir uma Europa cada vez mais letrada, em oposição aos séculos precedentes. E foi a partir deste letramento inicial que renasceram as letras, a Filosofia e enfim a própria Ciência. As Letras com Dante, Petrarca, Bocaccio... ou se queres com Chaucer, Froissart, etc E depois com Gil Vicente, Camões, Cervantes, La Fontaine, Moliére, Shakespeare, Tasso, etc todos como salientou M Chateaubriand no 'Gênio do Cristianismo' filhos da Igreja. A Filosofia com Erasmo, este ainda, filho da Igreja e a ciência com os não menos Católicos Vitorino da Feltre, Guttemberg, Colombo, Luis Vives, Da Vinci, Copérnico, Vesalius e Agricola. 

Haviam ainda as Santas Casas de Misericórdia e estavam prestes a surgir os institutos de S João de Deus e de S Camilo de Lelis. Os irmãos de S Jeronimo educando um número cada vez maior de jovens e crianças. As corporações controlavam de modo relativamente eficiente e humano a produção do trabalho. Cujas retomava as lições do Direito Romano... E já se podia vislumbrar, pelos idos de 1500 o dealbar duma nova Civilização, já não medieval, reconciliada com sua herança greco romana, e ainda assim Cristã, por inspirar-se em princípios e valores Cristãos. Já se vislumbrava um novo ideal, sintético de Civilização: Clássico pela Filosofia, artes e Ciências e Cristãos pela fé e pela Ética.

Tal o panorama no comecinho do século XVI...

Certamente não faltavam problemas a serem resolvidos, assim o infame tribunal da Inquisição com sua origem exógena e espúria, assim o poder temporal dos papas romanos, assim a presença do agostinianismo e do maniqueismo/puritanismo em certos setores da igreja, etc Não se tratava certamente de um paraíso, a ser visto com lentes cor de rosa, ou romantizado. Mas os elementos a um lado greco romanos, e a outro Católicos estavam postos para um síntese harmoniosa, evitando o posterior conflito entre Filosofia/Fé e Religião... E os extremos do materialismo a um lado e do espiritualismo descarnado/ idealismo a outro.

Haviam amplas possibilidades e a Igreja romana, apesar de seus erros, acalentava o ideal de um Civilização e um ideal próprio tomado já a Platão, parte a Jesus ou a Paulo.

Foi quando, como um raio caindo do céu, manifestou-se Lutero e com ele e por meio dele a revolução protestante com sua Bíblia ou 'Corão Cristão' (Calvino). Criando uma nova situação totalmente diversa, em que um Cristianismo dividido e em luta perderá a direção espiritual da Europa. Todo reino dividido perecerá! Cindida a Cristandade em dois grupos e logo numa multidão de pequenas seitas prevaleceu disto o poder secular. Desde então o político não mais temeu guiar-se por outros princípios e por arrostar das pequenas seitas a grande Igreja. E mesmo quando declaravam-se Católicos pela fé os príncipes mostravam-se irredutíveis as exigências da Ética Cristã. Agora, após Lutero, Maquiavel era possível...

Por outro lado a Igreja romana, aspirando apoiar-se no poder político desses homens calculistas e sem fé, e por medo de verem-nos abraçar o protestantismo foi dando-lhes cada vez mais corda, abjurando de seu antigo ideal de Civilização Cristã, tolerando-lhes os caprichos e permitindo a elaboração de um ideal social cada vez mais naturalista. Desde que teve uma rival no protestantismo, a igreja romana teve, a revelia sua, de refugiar-se cada vez mais no domínio isolado de uma fé teórica e tornar-se cada vez mais descarnada. Permitindo que o Cristo se apartasse cada vez mais daquele mundo insano refugiando-se nas nuvens do céu. O Cristo converteu-se num ser etéreo e distante ou Salvador mistico, espiritual e abstrato, cessando de ser legislador de seu povo. Graças ao protestantismo, e esta foi a intenção de Lutero, o Cristo legislador saiu completamente de cena.

Saída de Cristo pela porta dos fundos ou defenestrado pela janela, produziu um espaço vazio ou um nicho, que foi produzido pelo cálculo ou por conjecturas puramente naturais, até que por um tempo, o materialismo, já convertido em positivismo, voltou-se contra a própria noção de Ética naturalizada, encarando-a como vestígio da religião.

Tanto pior no cenário ocupado pelo protestantismo ou pelas seitas protestantes onde bastante cedo a confusão doutrinal produziu a incredulidade e esta o materialismo, expresso sob a forma do liberalismo econômico ou capitalismo. Cristo foi substituído por Mamon e o aspecto mais admirável foi que até mesmo alguns Católicos (além de não poucos protestantes) avaliaram (e ainda avaliam) semelhante estado de coisas como aceitável. Cristianismo é uma coisa, diziam eles, e economia outra... A economia tem seus próprios princípios e por isso NADA tem a ver com Cristianismo. Mas o Cristianismo era ou é nossa fonte de Ética! Então a economia vai bem sem Ética ou possuí uma ética própria, uma ética sua, guiada pelas necessidades do Mercado!

E no entanto, amigo leitor, é a economia atividade precipuamente humana e que influência a vida de milhões e milhões de seres humanos.

O que quero dizer é que com ou sem Cristianismo o Capitalismo tem insistido doentiamente na negação de uma ética externa a si ou de uma Ética pautada na pessoa. Repudiou a Cristo e com ele Sócrates, com o qual tampouco se reconciliou, embora a Ética de Sócrates não seja religiosa (e tampouco naturalista mas espiritualista ou teista).

Posteriormente, em conexão com o Capitalismo ou como forma de reação a ele, surgiram outros tantos ideais de Civilização naturalista. O Comunismo mostrou certa sensibilidade - alias tomada aos socialismos religiosos, inspirados em sua maior parte no Evangelho ou no Catolicismo - face a condição sofrida dos trabalhadores, mas permaneceu preso a superstição materialista reproduzindo suas limitações em termos de análise do próprio Capitalismo e ignorando supinamente seu caráter de 'Geist' (ou espírito) assinalado por Sombart. Indispôs-se além disto com o fenômeno da liberdade e com toda expressão democrática (inclusive com o ideal grego de democracia direta) e assumindo um caráter totalitário tomado a Buonarotti e Blanqui, tornando-se conspiracionista e terrorista com Lênin (embora até certo ponto esta posição pudesse ser justificada face a autocracia csarista) por via de Sorel. Converteu-se posteriormente numa mistica ou religiosidade abstrata, a ponto de converter os escritos do SOCIAL DEMOCRATA Marx (A expressão é tomada a seu companheiro Engels) e os panfletos de Lênin em escrituras canônicas ou inspiradas cuja inerrância não pode ser questionada e portanto numa receita de bolo aplicável a todos os tempos e lugares. E eles acreditam ingenua e idealisticamente que podem mesmo adiantar o processo histórico por meio de armas e guerrilhas...

O anarquismo ocidental com Nietzsche, Molinari, Bastiat, Tucker, Rand, Rothbart, etc jamais sai da trilha apontada por Max Stirner no 'Uno e sua propriedade' podendo ser definido em termos psiquiátricos de psicopatia. Chegando a infectar o anarquismo socialista dos russos, cujos principais teóricos - Kropotkin  e Bakhunin - sequer são lidos ou conhecidos, a ponto de serem descritos como compatíveis com Stirner cuja opinião criticam e buscam impugnar a todo instante. E parte destes anarquistas - já mencionei Sorel enquanto fonte de Lênin - também se mostra favorável a violência, a sedição e ao terrorismo a que chamam 'propaganda pelo fato'. Em que pese a oposição marcada de outros tantos anarquistas - Éticos e de inspiração Cristã - como Thureau, Ballou e Tolstoi. Da mesma forma como os romanistas, os protestantes, os liberais economicistas e os comunistas também os anarquistas cometeram suas atrocidades tanto na Comuna de Paris quanto durante a Revolução espanhola, ocasião em que indispuseram-se com a gente simples boa dos campos (cuja cultura, como os comunistas, jamais puseram compreender) ao destruírem seus símbolos religiosos. E com opressão destruíram supostos símbolos de opressão, colhendo o ódio que semearam com sua hipocrisia. (Ao menos os comunistas não vivem falando em liberdade).

Portanto se você é anarquista e não respeita a liberdade que o outro tem, de estar equivocado... qual diferença entre você e os adeptos da inquisição a que critica? Se busca impor a 'liberdade' sua incoerência salta a vista. Dar a liberdade é sempre dirigir e dirigir oprimir, portanto... Você destrói a opressão alheia com a sua opressão... E tudo não passa de substituição.

Em seguida vieram os fascistas com seu culto cego ao estado, uma concepção puramente formal de ordem, uma ideia mecânica de obediência e como se vê alijaram o espírito e a liberdade tão caros ao ideal Católico, aproximando-se mais do ideal ditatorial de um Calvino com sua fascinação pela disciplina. Perceberam o problema da cultura mas reduziram-no a dimensões nacionais, quando temos diante de nós um problema continental ou universal e portanto Católico. Tiveram o mérito de criticar a peste do americanismo, mas não poucas vezes deram as mãos aos Yakees, cujo ideal de civilização é de matriz calvinista e essencialmente anti humanista e anti Católico. Tem questionado a essencialidade dos direitos da pessoa humana, que é decorrência natural de nossa doutrina jusnaturalista. E chegou a justificar as guerras de agressão ou conquista, em conexão com a doutrina expansionista do espaço vital, e portanto repudiando a doutrina da 'guerra justa' nos termos propostos pela Igreja... etc, etc, etc Assumindo um caráter essencialmente anti Católico e anti Cristã.

Podendo-se dizer o mesmo do Integralismo, com sua obsessão pela monarquia e o autoritarismo - os quais ousa apresentar como dogmas eclesiásticos - condenada já por Leão XIII. Parte de seus membros por sinal tem encarado a santa Igreja como uma espécie de muleta destinada a santificar o Estado e foi exatamente este ponto de vista instrumental a respeito da Igreja ou do Cristianismo que justificou a excomunhão de Ch Maurras. 

A respeito da abominação nazista já nos manifestamos detalhadamente numa das epístolas anteriores.

O que temos a dizer é que nenhum desses ideias ou destas propostas naturalistas de civilização satisfazem a consciência dos Católicos mais ilustrados.

Para os quais o ideal de civilização deve inspirar-se nos elementos da ética Cristã, sendo por eles fecundados.

Nós só podemos compreender a afirmação desses esquemas naturalistas nas mentes dos Católicos mal informados como decorrência de um estado de coisas criado e transmitido pela rebelião protestante. Cujos principais promotores questionaram o aspecto Legislativo da Revelação Cristã ou do Evangelho, definindo do Cristianismo como fé e nada mais e como uma fé voltada exclusivamente para o além. Foi o solifideismo protestante que desprendeu o Cristianismo ou a fé Cristã do mundo material, abrindo uma brecha no Império de Jesus Cristo tal e qual o Cristianismo havia aberto uma brecha no Império de Augusto.

Antes do advento do protestantismo a ideia de Catolicismo era orgânica, a saber, em torno de diferentes áreas da existência fecundadas pela mesma fé ou ética. Aqui temos um espirito ou uma religiosidade que confere sentido a todas as atividades executadas pelo fiel e que inspira sua vida por inteiro. Todas as atividades humanas, inda quem sem tocar a forma, são como que de alguma forma reguladas pela visão Católica de mundo ou pela ideologia Cristã. Produção e distribuição de bens, cidadania, legislação, educabilidade, etc tudo acaba sendo influenciado pelos princípios e valores tomados ao Evangelho.

O que implica dizer: Temos um ideal de organização social e de civilização, por meio da qual a razão e a liberdade ou seja a Filosofia, a ciência e a política harmonizam-se não apenas com a fé mas acima de tudo com a Ética Cristã, ou se queres, ao menos com a Ética teista de um Sócrates. Importa dizer que prevalece um humanismo.







Epistola a Casto Inholaru sobre judeus e protestantes

Nós nada vemos de divino no judaísmo além dos vaticínios sobrenaturais destinados a anunciar previamente o advento da Razão Encarnada Jesus Cristo Nosso Senhor.

Para além disto o que sobeja no judaísmo é mitologia sumeriana, egípcia, fenícia, etc

Se como apreciam dizer os fundamentalistas Jesus foi ou era judeu, devemos esclarecer que certamente era judeu segundo a carne. Quanto a religiosidade herético e condenado por heresia.

Nada mais estúpido do que apresentar Jesus como um rabino convencional e bem comportado. E no entanto esse Jesus foi condenado pelo Sinédrio da casa de Israel...

Nada mais idiota do que apresentar o Cristianismo como um ramo do judaísmo. O vinho novo não cabe nos odres velhos... E tampouco pode a sombra ombrear-se com a luz.

Nada mais imbecil do que apresentar o testamento antigo como compêndio de doutrina Cristã ou catecismo... E Jesus como mero repetidor.

Uma é a instituição Cristã e outra a judaica e não se misturam. São duas religiões diferentes, uma conciliada com a imanência por meio da encarnação e outra inconciliável por estar presa a transcendência absoluta.

Não entre a religião Cristã e a religião hebraica não pode haver qualquer aproximação. E se o Cristianismo corresponde a Verdade o judaísmo deve ser tido em conta de falso.

Que a este ponto, segundo o qual a religião ou a fé dos hebreus é execrável aos olhos do verdadeiro Cristão estamos de acordo.

Mas o acordo não segue avante.

Pois não confundimos a religião judaica com os judeus ou as pessoas com suas crenças. Julgando que as pessoas valham muito mais do que aquilo em que acreditam.

Odiamos o judaismo pelo simples fato de ser falso. Mas não aos judeus, aos quais a Santa lei de Jesus Cristo nos obriga a amar.

Como é que é? Perguntas tu, admirado! A lei de Jesus Cristo nos obriga amar aqueles que o crucificaram?

Não sendo assim por que raios Jesus Cristo impetrou-lhes o perdão pouco antes de morrer alegando que não sabiam o que haviam feito?

Ora, tu atribuis o pecado dos judeus a maldade, Jesus no entanto atribui-o a ignorância. E se há percado sem que haja plena lucidez deve ser bem leve...

De mais a mais aqueles que crucificaram Jesus já estão mortos há quase dois mil anos...

No entanto, argumentas, eles pediram que o sangue do justo caísse sobre as cabeça de seus filhos, ficando amaldiçoados...

Eh???? Desde quando Deus atende pedidos insensatos como transferência de pecado ou culpa??? Acaso não lemos que os pais não pagam pelos filhos e que os filhos não pagam pelos pais; pelo simples fato de que é impossível que Deus cometa injustiça. Como aconteceria se transferisse pecados ou culpa de uma pessoa para outra???

'Compreendo que uma coisa é admitir que os judeus não sejam malditos e outra bem distinta que estejamos obrigados a ama-los.' 

Apesar disto o mandamento esta dado: "Amai vossos inimigos."

Portanto se os judeus são nossos inimigos estamos obrigados a amar.

'Os judeus são inimigos de Cristo.'

Se os Cristãos são convocados a perdoar seus inimigos, tanto mais o Cristo, do qual deve partir o exemplo.

Acaso não disse: "Perdoai setenta vezes sete."???

Suponhamos que não sejam nossos inimigos.

Tanto melhor. Pois nesse caso temos de nos amar mutuamente, segundo o preceito: "Amai-vos uns anos outros."

'Quer dizer amar os demais Cristãos.'

Os judeus amam os judeus, mas o preceito de Jesus Cristo não conhece restrição e a ninguém exclui.

Do contrário em que seríamos melhor do que os judeus e adeptos das demais religiões?

Em nada.

Pois é fácil amar o que esta de acordo com nossas crenças e gostos.

Por isso que Jesus nos mandou amar a todos os seres humanos ou a todos os homens.

São os judeus homens?

Neste caso estão inclusos no Santo Mandamento, devendo ser amados.

Cogita que os judeus não sejam humanos? Então teu erro reportasse a biologia, a filosofia...

Não queres ou não desejas amar aos judeus?

Mas quem é que te disse que a suprema Lei de Jesus Cristo considera teu gosto ou tua vontade?

Ou te submetes a lei de Jesus Cristo ou de forma alguma obténs aquilo que ele mereceu.

'Neste caso devo compreender que os judeus tenham direitos?'
Se são seres humanos teem direitos, pois não criatura racional que não tenha seus direitos fixados pela santa divindade.

Assim a liberdade dos judeus cultuarem seu deus a sua maneira e segundo suas tradições foi sucessivamente reconhecida por Alexandre, o grande; por ocasião da grande metrópole de Alexandria, por Júlio César quando lá esteve amando a rainha dos egípcios, por Otávio Augusto e mesmo pelo arrogante Justiniano, o qual, embora tenha decretado algumas restrições de caráter social com o propósito de evitar a judaização dos Cristãos, sequer ousou tocar, mesmo de leve, nos direitos reconhecidos por seus ilustres predecessores. Nem o permitiria a piedade Cristã.

Por isso o teóforo Ambrósio, homem todo cheio de Cristo e Bispo Santíssimo, exigiu que o Imperador mandasse reconstruir a sinagoga dos hebreus que os falsos Cristãos haviam demolido.

As pessoas e as propriedades dos judeus são sagradas como as de todos os homens, exceto se arremeterem contra a paz pública exercendo violência. Do contrário jamais é lício ao Cristão molesta-los.

Mas eles vivem de usura e amealham grandes fortunas, etc Os judeus, como todos os infiéis vivem segundo suas próprias leis e são zelosos em viver de acordo com elas. O modo de vida deles não é regulado pelo Evangelho porque não professam nossa fé. Os Católicos é que deveriam imitar os judeus e maometanos e viver segundo a lei de Jesus Cristo, a qual tão facilmente traem e profanam com absoluta leviandade. Miseráveis são os Cristãos que desprezam a Lei promulgada por seu Legislador para viverem cada qual segundo sua própria vontade, i é, segundo a moda luterana.

Quem és tu Cristão para censurar nos judeus o amor que sentem por suas leis? Logo tu que que não levas a sério a Lei de teu Senhor e Mestre Jesus Cristo cuidando que te salvarás facilmente pela fé?

Oh monstruosidade abominável: o Judeu vive sua fé, o maometano vive sua fé, o budista vive sua fé... enquanto o Cristão não vive sua fé, permanecendo sempre na teoria!

'Segundo W Sombart foram os judeus que deram deram início ao modo capitalista de produção.'
O que não convém aos Cristãos, regidos pela lei positiva do Evangelho, não é necessariamente vedado aos infiéis.

Assim avareza e usura ficam infinitamente mais feias no Cristão do que no judeu.

Ademais não assiste ao Cristão o direito de julgar o infiel. O juízo do Evangelho recai apenas sobre os que pertencem a Igreja ou aos filhos que Deus assumiu pelo Batismo.

Então o que temos de perguntar não é quem inventou ou criou o éthos Capitalista e sim como ele foi inoculado nas almas dos Cristãos. É a transposição do judaísmo para o Cristianismo que devemos indagar e isto, meu amigo, Sombart não explica ou melhor não aborda.

A questão aqui é quem imitou o modo de vida dos judeus, traindo a lei de Jesus Cristo e profanando a fé imaculada?

E vou te dar uma pronta resposta!

Quem batizou, crismou, assumiu e santificou o CAPITALISMO foi a reforma protestante.

Sim, meu amigo, foi o protestantismo que ensinou os Cristãos a traírem sem maiores constrangimentos a Lei de Jesus Cristo.

Foi ele que inoculou o éthos judaico e o veneno da avareza nos corações dos Santos, levando-os a apostasia.

Foi a heresia pestilenciosa que aniquilou o ideal de uma Sociedade Cristã fundamentada na Lei de Jesus Cristo substituindo-a por um salvação mágico fetichista.

Foi ela que travou e fez reverter a Encarnação do Senhor no mundo.

Foi ela que destruiu pela base a proposta de uma Civilização Cristã.

Tinham pois absoluta e plena razão os padres da Igreja quando declararam que o pecado de heresia é sempre mais grave e muito mais grave do que o pecado de infidelidade. VERDADE SOLENE, supinamente ignorada pelos neo católicos.

Pois os infiéis quando cometem seus erros, cometem-nos justamente porque não são bem orientados ou seja porque ignoram e desconhecem a Luz suprema do Evangelho.

Já os heréticos erram conscientemente, pois teem o Evangelho diante dos olhos e são advertidos por ele todos os dias. Os heréticos pecam contra a luz porque conhecem a luz, os infiéis não.

Quem conhece a Lei de Jesus não tem desculpa alguma.

E no entanto os heréticos dos tempos antigos limitavam-se a negar um ou outro aspecto da fé (Aério, Vigilâncio e Helvídio foram os mais insidiosos a ponto de terem repudiado um número maior de artigos de fé) enquanto a heresia protestante, partindo do Biblismo e do livre examinismo, nega o Catolicismo como um todo ou por completo. Juntem todas as negações formuladas pelos protestantes e nada resta do Cristianismo - nem Trindade, nem Encarnação, nem Cristo, nem Imortalidade, nem Batismo, nem nada...

Portanto se as heresias antigas era suficientemente graves a ponto de serem encaradas como mais perigosas do que a infidelidade, quem pensar do protestantismo?

Judaísmo perto dele é fichinha.

Pois os judeus ignoram ou desprezam Jesus, e nenhum deles declarar crer nele para em seguida falsear as suas palavras. Os judeus e maometanos sempre costumam mostrar certa reverência para com os escritos atribuídos a Moisés ou a Maomé.

Os protestantes não.

Afinal declaram crer em Jesus e sancionam a desobediência, asseverando obstinadamente que podem obter a salvação pecando e no pecado. Quando Jesus Cristo disse a pecadora que cessasse de pecar!

Afetam seguir Jesus e distorcem o sentido de suas palavras por meio do livre exame, introjetando outros significados, segundo seus gostos e preferências. Por isso entre eles há diversas 'versões' de Jesus ou diversos Jesus. Pois cada um fabrica um Jesus a sua própria imagem e semelhança.

Brincando com as palavras de Jesus e fugindo a sua objetividade fica fácil.

Mas isto se chama irreverência.

Pecado dos 'cristãos' protestantes, não dos judeus e maometanos. Princípio ou Sola canonizado pelo Dr Martinho Lutero.

'Ah mas quem dentre os protestantes fez isto?'
Leia a 'Ética protestante e o espírito do Capitalismo' e ficaras sabendo quem foi.

Leia Cobett, Obrien, Tawney, Huxley, Fanfani, etc e saberás quem associou a fábula da predestinação ao hesito financeiro...

Reconheçamos no entanto que tudo já estava implicitado na tese do querido Lutero, segundo a qual não existe Lei Cristã, mas apenas salvação pela graça e pela fé somente.

Se não há lei Cristã podem os cristãos viverem como bem quiserem, logo como judeus... E ficam sempre salvos pela fé, pelo sangue ou pelos méritos de Cristo.

Foi da graciosa salvação sem compromisso que emergiu este mundo leviano, judaizado e materialista; agradeçam ao 'profeta' alemão Martinho Lutero.

Ele foi quem fez retroceder a obra da igreja, a qual por quinze séculos havia buscado reformular a Sociedade partindo do Evangelho.

Lutero classificou a obra civilizatória da igreja como supina loucura e nossos homens base como bestas. Para ele reformular as estruturas da sociedade e implantar no mundo a lei de Jesus Cristo era simplesmente aberrante. Importava ao homem crer e crer somente... Nada mais era necessário e o mundo que se explodisse, já que segundo ele, estava fadado a dissolver-se ou a ser transformado num inferno para os condenados... Pois até mesmo os santos ressuscitados haveriam de viver no céu ou num outro mundo. Segundo o novo Evangelho de Platão ou de Plotino.

Não havia qualquer esperança para o mundo material. E nem esperança de correção para o cristão batizado... Kierkegaard reconheceu que Lutero, buscou alargar as portas do céu, que rebaixou o ideal Cristão e que falseou o Evangelho ao opor, artificialmente o conceito de graça e redenção ao conceito de lei. Pelo simples fado de que a Igreja sempre apresentará os Cristãos como salvos por Cristo para a Lei ou obediência de Cristo, mas Lutero gritou que eram salvos para uma vida de pecado e que no pecado se salvavam...

Não, não foram os judeus que associaram a Santidade divina a imoralidade. Não foram os maometanos que pintaram a obra de Cristo como uma oportunidade para continuar pecando facilmente... Foi Lutero, patriarca do anti nomiasmo. Tal o Lutero histórico, concreto e real pintado por seus mais fiéis escudeiros: Flacius, Amsdorf, Spangemberg, Moerlin... e não o 'Lutero da fé' pálido, espectral e comportado como fora pintado pelo delicado Melanchton.

Não foram os infiéis que tendo o Evangelho diante das fuças, escreveram: Quando o diabo vir e te tentar então peca não um pecado fraco, que faz jus a uma graça fraca, mas pecado forte que demande graça forte!!!!
Tornando-se axiomática entre os luteranos 'ortodoxos' que os homens não podiam nem deviam cessar de pecar, para que Jesus Cristo não se visse privado do título de redentor. Pois como podería ele perdoar-nos caso não pecassemos???

Eis a irrisão em que Lutero transformou a mensagem sagrada de Jesus Cristo Nosso Senhor!

Resultando disto uma incredulidade generalizada. Desde o materialismo, o liberalismo econômico e em seguida todo um universo de teorias naturalistas: comunismo, anarquismo, positivismo, fascismo e nazismo; uma mais monstruosa do que a outra. Mas quem é que preparou o terreno para essas culturas de morte senão a maravilhosa reforma protestante??? De fato não há heresia social que não encare com complacência o despadrado alemão, responsável pela desconstrução do ideal de civilização Cristão afirmado pela igreja. E quando algum Católico mais esclarecido ousa retomar o ideal da igreja perguntam logo de que mosteiro ele saiu...

Certo estava o maridão da Dna Kate quando queria enfiar todos os frades franciscanos numa casa e por fogo nela não?

Não, meu amigo, o ponto de partida para a crise atual não foi nem em sonho o judaismo, cujo éthos achavasse exilado nos guetos, mas o protestantismo, que tomou esse éthos maligno e introduziu-o na instituição Cristã contra a tradição e o sentir da igreja.

Os judeus decerto tinham o poder do dinheiro.

E tu acreditas que isto é grande coisa!

Hoje, no contesto da incredulidade e do materialismo certamente o é.

Mas não no contesto medieval, face ao conceito de civilização Católica.

Conceito que ao tempo nem dinheiro nem armas podiam aluir.

Mas o poder a virtude, das ideias, da fé sincera... é sempre maior.

E o judaísmo lá ficaria contido, paralisado e impotente, com todo seu ouro entesourado.

Foi o protestantismo que sabotou o ideal de Sociedade Católica ao repudiar a Lei de Jesus Cristo e enunciar sua teoria mágico fetichista de salvação descarnada. Foram Lutero, Calvino e Zwinglio que envenenaram as fontes do nosso Cristianismo. Ele são os verdadeiros envenenadores de poços que substituíram a água pura e cristaliza do Evangelho pelas águas salobras da imoralidade ou do legalismo farisaico.

O judaísmo sendo princípio humano jamais teria forças para suplantar o princípio divino do Cristianismo. Então a corrupção tinha que vir de dentro para manchar o coração e contaminar a alma. Era necessário um cavalo de Troia, o qual ocultando sua natureza, fosse recebido na cidadela. Este cavalo de Troia, este adversário nascido no seio da instituição Cristã, este Briareu com cem braços ou tentáculos formidáveis é o protestantismo, não o judaismo.

Então se vocês, iludidos pelas aparências fazem o diagnóstico errado, como haverão de salvar a vida do enfermo e dum enfermo que agoniza e jaz a beira da sepultura? Enquanto vocês correm como crianças atrás da bolha de sabão do judaismo, a infecção protestante alastra-se mais e mais pelo corpo da igreja desde 1549 e desde o Vaticano II a igreja jaz febril e delirando. E já o câncer da RCC foi introduzido nela e prossegue a metástase. E vai se protestantizando o mundo Católico e a treva se tornando mais densa..

Por isso cumprimos zelosamente nossa missão e vos advertimos. Antes que este processo de infecção se torne irreversível e tenhamos de ser purgados pelo domínio do islã. Pois caso não retomemos ontem o ideal de civilização Católica, abandonando as quimeras da vida relaxada e da salvação fácil seremos todos engolfados e destruídos pelo turco!

Paz, graça e bem!