sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Epistola a Casto Inholaru sobre o ideal Católico de Civilização

Graça, paz e bem

Não tendo, o protestantismo, forjado ideal próprio de Civilização, permaneceu oscilando entre dois extremos: O de Lutero, que fazendo da política, da economia e da org social 'caso de polícia' tornou-se padrão de todos os naturalismos subsequentes, do capitalismo ao nazismo e o de Calvino com seu ideal legalista, maniqueu e moralista de civilização Bíblica ou judaizante, assumido pelo pentecostalismo hodierno. Aqui nada de Cristão... Em absoluto. A um lado a aceitação de um padrão materialista e economicista e posteriormente de um padrão estatólatra e a outro a aceitação do padrão judaico ou mosaico r portanto de um padrão arcaico e ultrapassado mais primitivo do que o próprio islã.

Foi nesta luta entre extremos que o protestantismo enfiou a Cristandade dizendo que escolhesse entre um padrão naturalista materialista e um padrão judaico, como se fosse o Cristianismo infecundo, estéril e inútil em termos de organização social e como se não possuísse um ideal próprio de civilização, segundo sua especificidade credal.

O que quero dizer a ti é que os Católicos não tem obrigação alguma de aderir a qualquer tipo de proposta de civilização naturalista seja capitalista, comunista, anarquista, fascista ou nazista; devendo, muito pelo contrário resistir a todas elas e recusar-se a negociar. Afinal a proposta deles, sendo materialista, esta fundamentada neste mundo, enquanto a nossa proposta, sendo essencialista ou realista, procede de outro plano existencial. Assim a ética deles desconsidera amplamente a pessoa humana, enquanto a nossa afirma e assume os direitos da pessoa como sagrados.

Eles substituem a pessoa pelo lucro, negam sua liberdade, separam-na da comunidade, oprimem seu corpo e sua mente, rotulam-na artificialmente segundo o critério de raça, etc E o fim de tudo isto é a aniquilação da pessoa. Pois tudo isto é uma profanação. Mas nós afirmamos que a economia é um meio, que o grupo social é um meio e que a política é um meio tendo em vista a afirmação desta pessoa na perspectiva do bem comum. De modo que o fim último de toda ação humana é a realização pessoal e a aquisição da felicidade.

Grupo social, produção de bens, exercício da cidadania, etc tudo enfim não passa de instrumental tendo em vista o pleno desenvolvimento das potencialidades contidas na criatura racional e consequentemente a construção de uma personalidade equilibrada e saudável. Estamos criando as condições materiais e externas necessária a elaboração de uma personalidade cada vez mais normal. Isto quando propomos um ideal de Sociedade ou Civilização Católica e pugnamos por ele. Catolicismo e humanismo são as duas faces de uma mesma moeda pois os Católicos afirmando que Deus aspirou fazer-se homem não podem negar que santificou a existência que assumiu e que ao assumi-la visou o benefício ou a vantagem do ser humano.

Não possuísse o homem algo de digno e bom, e Deus não teria qualquer motivo para resgata-lo. No entanto se Deus decidiu resgata-lo... Neste caso aniquilar e abater o homem é abater a 'imagem e a semelhança' do Sagrado ou o Sagrado que esta nele.

Por isso o homem não pode nem deve ser abatido. Cumpre-nos imitar a Deus e resgata-lo de todas as situações indignas. Deus acreditou na emancipação, na libertação, na educação, no progresso, na evolução e no aperfeiçoamento do gênero humano e esta crença faz parte da instituição Cristã. O Deus Cristão foi otimista com relação aos homens e assim devemos ser nós.

Aquele que desespera do homem, pode apelar ao ex maniqueu ou cripto maniqueu Agostinho de Hipona, mas não ao Deus que veio ao encontro do homem. Pois esse Deus vem com poder e apto para reabilitar aquele que estreita a si. E unido espiritualmente a Jesus Cristo este homem muito tem a fazer, dando frutos sessenta por um, oitenta por um ou cem por um ao invés de enterrar suas moedas no chão...

O Cristão verdadeiro e consciente de sua missão no mundo faz render a graça de Jesus Cristo por meio de obras, as quais não podem deixar de impactar a sociedade em que vive e de transforma-la. E tão compenetrados estavam os primeiros Cristãos a respeito do que deviam e do que não deviam fazer, que não tardou muito tempo para a Estrutura do Império Romano, sentir-se ameaçada por ele. Não foi sem razão que Ed Gibbons apresentou os Cristãos como responsáveis por sua queda, uma vez que os Cristãos recusavam-se terminantemente a alistar-se no exército - cujo fim era ATACAR E PILHAR as outras nações - e a ter escravos. Ora o fundamento da economia romana eram as guerras de pilhagem e o escravismo, resultando do pacifismo ou do semi pacifismo e da falta de escravos uma ascensão inflacional nada vez mais séria e a partir dela toda uma crise. Esta brecha na economia romana foi aberta pela ética Cristã e aquela estrutura colossal viu-se abalada e ameaçada.

Quando os bárbaros chegaram a crise já havia maturado, de modo que o Império estava não só fragilizado, mas destruído por dentro. Os bárbaros em muitos casos limitaram-se a ocupar certas partes do Império em que a administração imperial já havia entrado em colapso. Instalaram-se em espaços abandonados pelo antes todo poderoso Império romano. O Cristianismo antigo sendo fiel a seus princípios optou por abolir a chaga da escravidão, mas antes do advento da sociologia, não sabia como resolver o problema do trabalho... Vestígios da antiga civilização romana associados as instituições peculiares aos bárbaros deram lugar a um nova ordem, a ordem medieval, que foi uma reorganização das instituições.

Nem por isso conheceu aquele antigo mundo - Ociental - a paz externa e interna. Requisito fundamental para que a mãe Igreja educasse aqueles povos e produzisse uma civilização própria. Civilização autenticamente Cristã foi produzida apenas e unicamente no Oriente, sendo representada pelo Império Bizantino. E é uma desgraça que suas instituições sociais ainda não tenham merecido estudo acurado e atento por parte dos estudiosos ocidentais, em especial pelos Cristãos. Pois trata-se da primeira experiência social e talvez única, em que o Cristianismo pode encarnar-se e inspirar na mais larga escala a organização dos negócios públicos e a implementação do bem comum. A esse respeito leiam as obras do bizantinista Anthony Kaldellis ao menos quanto ao aspecto político.

Tornemos porém ao Ocidente - que é nosso foco - sabendo que a Civilização Cristã Bizantina foi aniquilada pelo islã há cerca de setecentos anos. Cedendo lugar a uma nova ordem.

O ocidente continuou a ser atacado a abalado pelos bárbaros nórdicos até meados do ano 900 ou mesmo 1000, quando a Escandinávia principiou a ser Cristianizada. A evangelização da Escandinávia foi fator de suma importância para o ulterior desenvolvimento das Sociedades europeias pelo simples fato de ter produzido relativa estabilidade. Relativa porque a Europa continuava a ser ameaçada pelos muçulmanos procedentes do Oeste e do Sul e porque os nobres e senhores feudais, mantendo os costumes germânicos não cessavam de lutar e de fazer guerras uns contra os outros.

Ainda aqui foi a Igreja que teve de tomar a iniciativa de introduzir a paz por meio da trégua de Deus, idealizada por Gerardus. Eis outra instituição ou fator que não podemos menosprezar. Pois ao cabo de um século ou de século e meio a paz interna havia avançado ainda mais. Todavia o século XII já estava as portas... E o islã jamais havia deixado de ameaçar ou de atacar fosse o Império Bizantino ou os reinos cristãos do Ocidente, dando continuidade a sua jihad. Pacificada e reorganizada a Europa lançou-se a empresa das Cruzadas, empenhando suas forças por mais de dois séculos... De modo que apenas pelos idos de 1250/1300 pode a Igreja cogitar em plasmar uma Civilização Cristã no Ocidente, segundo permitiam-lhe as circunstâncias externas e materiais.

Pouco antes disto havia criado as primeiras Universidades (no Ocidente!) cogitando agora em criar outras tantas. De 1300 a 1500 dedicou-se a Igreja a alfabetizar o seu povo e a produzir uma Europa cada vez mais letrada, em oposição aos séculos precedentes. E foi a partir deste letramento inicial que renasceram as letras, a Filosofia e enfim a própria Ciência. As Letras com Dante, Petrarca, Bocaccio... ou se queres com Chaucer, Froissart, etc E depois com Gil Vicente, Camões, Cervantes, La Fontaine, Moliére, Shakespeare, Tasso, etc todos como salientou M Chateaubriand no 'Gênio do Cristianismo' filhos da Igreja. A Filosofia com Erasmo, este ainda, filho da Igreja e a ciência com os não menos Católicos Vitorino da Feltre, Guttemberg, Colombo, Luis Vives, Da Vinci, Copérnico, Vesalius e Agricola. 

Haviam ainda as Santas Casas de Misericórdia e estavam prestes a surgir os institutos de S João de Deus e de S Camilo de Lelis. Os irmãos de S Jeronimo educando um número cada vez maior de jovens e crianças. As corporações controlavam de modo relativamente eficiente e humano a produção do trabalho. Cujas retomava as lições do Direito Romano... E já se podia vislumbrar, pelos idos de 1500 o dealbar duma nova Civilização, já não medieval, reconciliada com sua herança greco romana, e ainda assim Cristã, por inspirar-se em princípios e valores Cristãos. Já se vislumbrava um novo ideal, sintético de Civilização: Clássico pela Filosofia, artes e Ciências e Cristãos pela fé e pela Ética.

Tal o panorama no comecinho do século XVI...

Certamente não faltavam problemas a serem resolvidos, assim o infame tribunal da Inquisição com sua origem exógena e espúria, assim o poder temporal dos papas romanos, assim a presença do agostinianismo e do maniqueismo/puritanismo em certos setores da igreja, etc Não se tratava certamente de um paraíso, a ser visto com lentes cor de rosa, ou romantizado. Mas os elementos a um lado greco romanos, e a outro Católicos estavam postos para um síntese harmoniosa, evitando o posterior conflito entre Filosofia/Fé e Religião... E os extremos do materialismo a um lado e do espiritualismo descarnado/ idealismo a outro.

Haviam amplas possibilidades e a Igreja romana, apesar de seus erros, acalentava o ideal de um Civilização e um ideal próprio tomado já a Platão, parte a Jesus ou a Paulo.

Foi quando, como um raio caindo do céu, manifestou-se Lutero e com ele e por meio dele a revolução protestante com sua Bíblia ou 'Corão Cristão' (Calvino). Criando uma nova situação totalmente diversa, em que um Cristianismo dividido e em luta perderá a direção espiritual da Europa. Todo reino dividido perecerá! Cindida a Cristandade em dois grupos e logo numa multidão de pequenas seitas prevaleceu disto o poder secular. Desde então o político não mais temeu guiar-se por outros princípios e por arrostar das pequenas seitas a grande Igreja. E mesmo quando declaravam-se Católicos pela fé os príncipes mostravam-se irredutíveis as exigências da Ética Cristã. Agora, após Lutero, Maquiavel era possível...

Por outro lado a Igreja romana, aspirando apoiar-se no poder político desses homens calculistas e sem fé, e por medo de verem-nos abraçar o protestantismo foi dando-lhes cada vez mais corda, abjurando de seu antigo ideal de Civilização Cristã, tolerando-lhes os caprichos e permitindo a elaboração de um ideal social cada vez mais naturalista. Desde que teve uma rival no protestantismo, a igreja romana teve, a revelia sua, de refugiar-se cada vez mais no domínio isolado de uma fé teórica e tornar-se cada vez mais descarnada. Permitindo que o Cristo se apartasse cada vez mais daquele mundo insano refugiando-se nas nuvens do céu. O Cristo converteu-se num ser etéreo e distante ou Salvador mistico, espiritual e abstrato, cessando de ser legislador de seu povo. Graças ao protestantismo, e esta foi a intenção de Lutero, o Cristo legislador saiu completamente de cena.

Saída de Cristo pela porta dos fundos ou defenestrado pela janela, produziu um espaço vazio ou um nicho, que foi produzido pelo cálculo ou por conjecturas puramente naturais, até que por um tempo, o materialismo, já convertido em positivismo, voltou-se contra a própria noção de Ética naturalizada, encarando-a como vestígio da religião.

Tanto pior no cenário ocupado pelo protestantismo ou pelas seitas protestantes onde bastante cedo a confusão doutrinal produziu a incredulidade e esta o materialismo, expresso sob a forma do liberalismo econômico ou capitalismo. Cristo foi substituído por Mamon e o aspecto mais admirável foi que até mesmo alguns Católicos (além de não poucos protestantes) avaliaram (e ainda avaliam) semelhante estado de coisas como aceitável. Cristianismo é uma coisa, diziam eles, e economia outra... A economia tem seus próprios princípios e por isso NADA tem a ver com Cristianismo. Mas o Cristianismo era ou é nossa fonte de Ética! Então a economia vai bem sem Ética ou possuí uma ética própria, uma ética sua, guiada pelas necessidades do Mercado!

E no entanto, amigo leitor, é a economia atividade precipuamente humana e que influência a vida de milhões e milhões de seres humanos.

O que quero dizer é que com ou sem Cristianismo o Capitalismo tem insistido doentiamente na negação de uma ética externa a si ou de uma Ética pautada na pessoa. Repudiou a Cristo e com ele Sócrates, com o qual tampouco se reconciliou, embora a Ética de Sócrates não seja religiosa (e tampouco naturalista mas espiritualista ou teista).

Posteriormente, em conexão com o Capitalismo ou como forma de reação a ele, surgiram outros tantos ideais de Civilização naturalista. O Comunismo mostrou certa sensibilidade - alias tomada aos socialismos religiosos, inspirados em sua maior parte no Evangelho ou no Catolicismo - face a condição sofrida dos trabalhadores, mas permaneceu preso a superstição materialista reproduzindo suas limitações em termos de análise do próprio Capitalismo e ignorando supinamente seu caráter de 'Geist' (ou espírito) assinalado por Sombart. Indispôs-se além disto com o fenômeno da liberdade e com toda expressão democrática (inclusive com o ideal grego de democracia direta) e assumindo um caráter totalitário tomado a Buonarotti e Blanqui, tornando-se conspiracionista e terrorista com Lênin (embora até certo ponto esta posição pudesse ser justificada face a autocracia csarista) por via de Sorel. Converteu-se posteriormente numa mistica ou religiosidade abstrata, a ponto de converter os escritos do SOCIAL DEMOCRATA Marx (A expressão é tomada a seu companheiro Engels) e os panfletos de Lênin em escrituras canônicas ou inspiradas cuja inerrância não pode ser questionada e portanto numa receita de bolo aplicável a todos os tempos e lugares. E eles acreditam ingenua e idealisticamente que podem mesmo adiantar o processo histórico por meio de armas e guerrilhas...

O anarquismo ocidental com Nietzsche, Molinari, Bastiat, Tucker, Rand, Rothbart, etc jamais sai da trilha apontada por Max Stirner no 'Uno e sua propriedade' podendo ser definido em termos psiquiátricos de psicopatia. Chegando a infectar o anarquismo socialista dos russos, cujos principais teóricos - Kropotkin  e Bakhunin - sequer são lidos ou conhecidos, a ponto de serem descritos como compatíveis com Stirner cuja opinião criticam e buscam impugnar a todo instante. E parte destes anarquistas - já mencionei Sorel enquanto fonte de Lênin - também se mostra favorável a violência, a sedição e ao terrorismo a que chamam 'propaganda pelo fato'. Em que pese a oposição marcada de outros tantos anarquistas - Éticos e de inspiração Cristã - como Thureau, Ballou e Tolstoi. Da mesma forma como os romanistas, os protestantes, os liberais economicistas e os comunistas também os anarquistas cometeram suas atrocidades tanto na Comuna de Paris quanto durante a Revolução espanhola, ocasião em que indispuseram-se com a gente simples boa dos campos (cuja cultura, como os comunistas, jamais puseram compreender) ao destruírem seus símbolos religiosos. E com opressão destruíram supostos símbolos de opressão, colhendo o ódio que semearam com sua hipocrisia. (Ao menos os comunistas não vivem falando em liberdade).

Portanto se você é anarquista e não respeita a liberdade que o outro tem, de estar equivocado... qual diferença entre você e os adeptos da inquisição a que critica? Se busca impor a 'liberdade' sua incoerência salta a vista. Dar a liberdade é sempre dirigir e dirigir oprimir, portanto... Você destrói a opressão alheia com a sua opressão... E tudo não passa de substituição.

Em seguida vieram os fascistas com seu culto cego ao estado, uma concepção puramente formal de ordem, uma ideia mecânica de obediência e como se vê alijaram o espírito e a liberdade tão caros ao ideal Católico, aproximando-se mais do ideal ditatorial de um Calvino com sua fascinação pela disciplina. Perceberam o problema da cultura mas reduziram-no a dimensões nacionais, quando temos diante de nós um problema continental ou universal e portanto Católico. Tiveram o mérito de criticar a peste do americanismo, mas não poucas vezes deram as mãos aos Yakees, cujo ideal de civilização é de matriz calvinista e essencialmente anti humanista e anti Católico. Tem questionado a essencialidade dos direitos da pessoa humana, que é decorrência natural de nossa doutrina jusnaturalista. E chegou a justificar as guerras de agressão ou conquista, em conexão com a doutrina expansionista do espaço vital, e portanto repudiando a doutrina da 'guerra justa' nos termos propostos pela Igreja... etc, etc, etc Assumindo um caráter essencialmente anti Católico e anti Cristã.

Podendo-se dizer o mesmo do Integralismo, com sua obsessão pela monarquia e o autoritarismo - os quais ousa apresentar como dogmas eclesiásticos - condenada já por Leão XIII. Parte de seus membros por sinal tem encarado a santa Igreja como uma espécie de muleta destinada a santificar o Estado e foi exatamente este ponto de vista instrumental a respeito da Igreja ou do Cristianismo que justificou a excomunhão de Ch Maurras. 

A respeito da abominação nazista já nos manifestamos detalhadamente numa das epístolas anteriores.

O que temos a dizer é que nenhum desses ideias ou destas propostas naturalistas de civilização satisfazem a consciência dos Católicos mais ilustrados.

Para os quais o ideal de civilização deve inspirar-se nos elementos da ética Cristã, sendo por eles fecundados.

Nós só podemos compreender a afirmação desses esquemas naturalistas nas mentes dos Católicos mal informados como decorrência de um estado de coisas criado e transmitido pela rebelião protestante. Cujos principais promotores questionaram o aspecto Legislativo da Revelação Cristã ou do Evangelho, definindo do Cristianismo como fé e nada mais e como uma fé voltada exclusivamente para o além. Foi o solifideismo protestante que desprendeu o Cristianismo ou a fé Cristã do mundo material, abrindo uma brecha no Império de Jesus Cristo tal e qual o Cristianismo havia aberto uma brecha no Império de Augusto.

Antes do advento do protestantismo a ideia de Catolicismo era orgânica, a saber, em torno de diferentes áreas da existência fecundadas pela mesma fé ou ética. Aqui temos um espirito ou uma religiosidade que confere sentido a todas as atividades executadas pelo fiel e que inspira sua vida por inteiro. Todas as atividades humanas, inda quem sem tocar a forma, são como que de alguma forma reguladas pela visão Católica de mundo ou pela ideologia Cristã. Produção e distribuição de bens, cidadania, legislação, educabilidade, etc tudo acaba sendo influenciado pelos princípios e valores tomados ao Evangelho.

O que implica dizer: Temos um ideal de organização social e de civilização, por meio da qual a razão e a liberdade ou seja a Filosofia, a ciência e a política harmonizam-se não apenas com a fé mas acima de tudo com a Ética Cristã, ou se queres, ao menos com a Ética teista de um Sócrates. Importa dizer que prevalece um humanismo.







Epistola a Casto Inholaru sobre judeus e protestantes

Nós nada vemos de divino no judaísmo além dos vaticínios sobrenaturais destinados a anunciar previamente o advento da Razão Encarnada Jesus Cristo Nosso Senhor.

Para além disto o que sobeja no judaísmo é mitologia sumeriana, egípcia, fenícia, etc

Se como apreciam dizer os fundamentalistas Jesus foi ou era judeu, devemos esclarecer que certamente era judeu segundo a carne. Quanto a religiosidade herético e condenado por heresia.

Nada mais estúpido do que apresentar Jesus como um rabino convencional e bem comportado. E no entanto esse Jesus foi condenado pelo Sinédrio da casa de Israel...

Nada mais idiota do que apresentar o Cristianismo como um ramo do judaísmo. O vinho novo não cabe nos odres velhos... E tampouco pode a sombra ombrear-se com a luz.

Nada mais imbecil do que apresentar o testamento antigo como compêndio de doutrina Cristã ou catecismo... E Jesus como mero repetidor.

Uma é a instituição Cristã e outra a judaica e não se misturam. São duas religiões diferentes, uma conciliada com a imanência por meio da encarnação e outra inconciliável por estar presa a transcendência absoluta.

Não entre a religião Cristã e a religião hebraica não pode haver qualquer aproximação. E se o Cristianismo corresponde a Verdade o judaísmo deve ser tido em conta de falso.

Que a este ponto, segundo o qual a religião ou a fé dos hebreus é execrável aos olhos do verdadeiro Cristão estamos de acordo.

Mas o acordo não segue avante.

Pois não confundimos a religião judaica com os judeus ou as pessoas com suas crenças. Julgando que as pessoas valham muito mais do que aquilo em que acreditam.

Odiamos o judaismo pelo simples fato de ser falso. Mas não aos judeus, aos quais a Santa lei de Jesus Cristo nos obriga a amar.

Como é que é? Perguntas tu, admirado! A lei de Jesus Cristo nos obriga amar aqueles que o crucificaram?

Não sendo assim por que raios Jesus Cristo impetrou-lhes o perdão pouco antes de morrer alegando que não sabiam o que haviam feito?

Ora, tu atribuis o pecado dos judeus a maldade, Jesus no entanto atribui-o a ignorância. E se há percado sem que haja plena lucidez deve ser bem leve...

De mais a mais aqueles que crucificaram Jesus já estão mortos há quase dois mil anos...

No entanto, argumentas, eles pediram que o sangue do justo caísse sobre as cabeça de seus filhos, ficando amaldiçoados...

Eh???? Desde quando Deus atende pedidos insensatos como transferência de pecado ou culpa??? Acaso não lemos que os pais não pagam pelos filhos e que os filhos não pagam pelos pais; pelo simples fato de que é impossível que Deus cometa injustiça. Como aconteceria se transferisse pecados ou culpa de uma pessoa para outra???

'Compreendo que uma coisa é admitir que os judeus não sejam malditos e outra bem distinta que estejamos obrigados a ama-los.' 

Apesar disto o mandamento esta dado: "Amai vossos inimigos."

Portanto se os judeus são nossos inimigos estamos obrigados a amar.

'Os judeus são inimigos de Cristo.'

Se os Cristãos são convocados a perdoar seus inimigos, tanto mais o Cristo, do qual deve partir o exemplo.

Acaso não disse: "Perdoai setenta vezes sete."???

Suponhamos que não sejam nossos inimigos.

Tanto melhor. Pois nesse caso temos de nos amar mutuamente, segundo o preceito: "Amai-vos uns anos outros."

'Quer dizer amar os demais Cristãos.'

Os judeus amam os judeus, mas o preceito de Jesus Cristo não conhece restrição e a ninguém exclui.

Do contrário em que seríamos melhor do que os judeus e adeptos das demais religiões?

Em nada.

Pois é fácil amar o que esta de acordo com nossas crenças e gostos.

Por isso que Jesus nos mandou amar a todos os seres humanos ou a todos os homens.

São os judeus homens?

Neste caso estão inclusos no Santo Mandamento, devendo ser amados.

Cogita que os judeus não sejam humanos? Então teu erro reportasse a biologia, a filosofia...

Não queres ou não desejas amar aos judeus?

Mas quem é que te disse que a suprema Lei de Jesus Cristo considera teu gosto ou tua vontade?

Ou te submetes a lei de Jesus Cristo ou de forma alguma obténs aquilo que ele mereceu.

'Neste caso devo compreender que os judeus tenham direitos?'
Se são seres humanos teem direitos, pois não criatura racional que não tenha seus direitos fixados pela santa divindade.

Assim a liberdade dos judeus cultuarem seu deus a sua maneira e segundo suas tradições foi sucessivamente reconhecida por Alexandre, o grande; por ocasião da grande metrópole de Alexandria, por Júlio César quando lá esteve amando a rainha dos egípcios, por Otávio Augusto e mesmo pelo arrogante Justiniano, o qual, embora tenha decretado algumas restrições de caráter social com o propósito de evitar a judaização dos Cristãos, sequer ousou tocar, mesmo de leve, nos direitos reconhecidos por seus ilustres predecessores. Nem o permitiria a piedade Cristã.

Por isso o teóforo Ambrósio, homem todo cheio de Cristo e Bispo Santíssimo, exigiu que o Imperador mandasse reconstruir a sinagoga dos hebreus que os falsos Cristãos haviam demolido.

As pessoas e as propriedades dos judeus são sagradas como as de todos os homens, exceto se arremeterem contra a paz pública exercendo violência. Do contrário jamais é lício ao Cristão molesta-los.

Mas eles vivem de usura e amealham grandes fortunas, etc Os judeus, como todos os infiéis vivem segundo suas próprias leis e são zelosos em viver de acordo com elas. O modo de vida deles não é regulado pelo Evangelho porque não professam nossa fé. Os Católicos é que deveriam imitar os judeus e maometanos e viver segundo a lei de Jesus Cristo, a qual tão facilmente traem e profanam com absoluta leviandade. Miseráveis são os Cristãos que desprezam a Lei promulgada por seu Legislador para viverem cada qual segundo sua própria vontade, i é, segundo a moda luterana.

Quem és tu Cristão para censurar nos judeus o amor que sentem por suas leis? Logo tu que que não levas a sério a Lei de teu Senhor e Mestre Jesus Cristo cuidando que te salvarás facilmente pela fé?

Oh monstruosidade abominável: o Judeu vive sua fé, o maometano vive sua fé, o budista vive sua fé... enquanto o Cristão não vive sua fé, permanecendo sempre na teoria!

'Segundo W Sombart foram os judeus que deram deram início ao modo capitalista de produção.'
O que não convém aos Cristãos, regidos pela lei positiva do Evangelho, não é necessariamente vedado aos infiéis.

Assim avareza e usura ficam infinitamente mais feias no Cristão do que no judeu.

Ademais não assiste ao Cristão o direito de julgar o infiel. O juízo do Evangelho recai apenas sobre os que pertencem a Igreja ou aos filhos que Deus assumiu pelo Batismo.

Então o que temos de perguntar não é quem inventou ou criou o éthos Capitalista e sim como ele foi inoculado nas almas dos Cristãos. É a transposição do judaísmo para o Cristianismo que devemos indagar e isto, meu amigo, Sombart não explica ou melhor não aborda.

A questão aqui é quem imitou o modo de vida dos judeus, traindo a lei de Jesus Cristo e profanando a fé imaculada?

E vou te dar uma pronta resposta!

Quem batizou, crismou, assumiu e santificou o CAPITALISMO foi a reforma protestante.

Sim, meu amigo, foi o protestantismo que ensinou os Cristãos a traírem sem maiores constrangimentos a Lei de Jesus Cristo.

Foi ele que inoculou o éthos judaico e o veneno da avareza nos corações dos Santos, levando-os a apostasia.

Foi a heresia pestilenciosa que aniquilou o ideal de uma Sociedade Cristã fundamentada na Lei de Jesus Cristo substituindo-a por um salvação mágico fetichista.

Foi ela que travou e fez reverter a Encarnação do Senhor no mundo.

Foi ela que destruiu pela base a proposta de uma Civilização Cristã.

Tinham pois absoluta e plena razão os padres da Igreja quando declararam que o pecado de heresia é sempre mais grave e muito mais grave do que o pecado de infidelidade. VERDADE SOLENE, supinamente ignorada pelos neo católicos.

Pois os infiéis quando cometem seus erros, cometem-nos justamente porque não são bem orientados ou seja porque ignoram e desconhecem a Luz suprema do Evangelho.

Já os heréticos erram conscientemente, pois teem o Evangelho diante dos olhos e são advertidos por ele todos os dias. Os heréticos pecam contra a luz porque conhecem a luz, os infiéis não.

Quem conhece a Lei de Jesus não tem desculpa alguma.

E no entanto os heréticos dos tempos antigos limitavam-se a negar um ou outro aspecto da fé (Aério, Vigilâncio e Helvídio foram os mais insidiosos a ponto de terem repudiado um número maior de artigos de fé) enquanto a heresia protestante, partindo do Biblismo e do livre examinismo, nega o Catolicismo como um todo ou por completo. Juntem todas as negações formuladas pelos protestantes e nada resta do Cristianismo - nem Trindade, nem Encarnação, nem Cristo, nem Imortalidade, nem Batismo, nem nada...

Portanto se as heresias antigas era suficientemente graves a ponto de serem encaradas como mais perigosas do que a infidelidade, quem pensar do protestantismo?

Judaísmo perto dele é fichinha.

Pois os judeus ignoram ou desprezam Jesus, e nenhum deles declarar crer nele para em seguida falsear as suas palavras. Os judeus e maometanos sempre costumam mostrar certa reverência para com os escritos atribuídos a Moisés ou a Maomé.

Os protestantes não.

Afinal declaram crer em Jesus e sancionam a desobediência, asseverando obstinadamente que podem obter a salvação pecando e no pecado. Quando Jesus Cristo disse a pecadora que cessasse de pecar!

Afetam seguir Jesus e distorcem o sentido de suas palavras por meio do livre exame, introjetando outros significados, segundo seus gostos e preferências. Por isso entre eles há diversas 'versões' de Jesus ou diversos Jesus. Pois cada um fabrica um Jesus a sua própria imagem e semelhança.

Brincando com as palavras de Jesus e fugindo a sua objetividade fica fácil.

Mas isto se chama irreverência.

Pecado dos 'cristãos' protestantes, não dos judeus e maometanos. Princípio ou Sola canonizado pelo Dr Martinho Lutero.

'Ah mas quem dentre os protestantes fez isto?'
Leia a 'Ética protestante e o espírito do Capitalismo' e ficaras sabendo quem foi.

Leia Cobett, Obrien, Tawney, Huxley, Fanfani, etc e saberás quem associou a fábula da predestinação ao hesito financeiro...

Reconheçamos no entanto que tudo já estava implicitado na tese do querido Lutero, segundo a qual não existe Lei Cristã, mas apenas salvação pela graça e pela fé somente.

Se não há lei Cristã podem os cristãos viverem como bem quiserem, logo como judeus... E ficam sempre salvos pela fé, pelo sangue ou pelos méritos de Cristo.

Foi da graciosa salvação sem compromisso que emergiu este mundo leviano, judaizado e materialista; agradeçam ao 'profeta' alemão Martinho Lutero.

Ele foi quem fez retroceder a obra da igreja, a qual por quinze séculos havia buscado reformular a Sociedade partindo do Evangelho.

Lutero classificou a obra civilizatória da igreja como supina loucura e nossos homens base como bestas. Para ele reformular as estruturas da sociedade e implantar no mundo a lei de Jesus Cristo era simplesmente aberrante. Importava ao homem crer e crer somente... Nada mais era necessário e o mundo que se explodisse, já que segundo ele, estava fadado a dissolver-se ou a ser transformado num inferno para os condenados... Pois até mesmo os santos ressuscitados haveriam de viver no céu ou num outro mundo. Segundo o novo Evangelho de Platão ou de Plotino.

Não havia qualquer esperança para o mundo material. E nem esperança de correção para o cristão batizado... Kierkegaard reconheceu que Lutero, buscou alargar as portas do céu, que rebaixou o ideal Cristão e que falseou o Evangelho ao opor, artificialmente o conceito de graça e redenção ao conceito de lei. Pelo simples fado de que a Igreja sempre apresentará os Cristãos como salvos por Cristo para a Lei ou obediência de Cristo, mas Lutero gritou que eram salvos para uma vida de pecado e que no pecado se salvavam...

Não, não foram os judeus que associaram a Santidade divina a imoralidade. Não foram os maometanos que pintaram a obra de Cristo como uma oportunidade para continuar pecando facilmente... Foi Lutero, patriarca do anti nomiasmo. Tal o Lutero histórico, concreto e real pintado por seus mais fiéis escudeiros: Flacius, Amsdorf, Spangemberg, Moerlin... e não o 'Lutero da fé' pálido, espectral e comportado como fora pintado pelo delicado Melanchton.

Não foram os infiéis que tendo o Evangelho diante das fuças, escreveram: Quando o diabo vir e te tentar então peca não um pecado fraco, que faz jus a uma graça fraca, mas pecado forte que demande graça forte!!!!
Tornando-se axiomática entre os luteranos 'ortodoxos' que os homens não podiam nem deviam cessar de pecar, para que Jesus Cristo não se visse privado do título de redentor. Pois como podería ele perdoar-nos caso não pecassemos???

Eis a irrisão em que Lutero transformou a mensagem sagrada de Jesus Cristo Nosso Senhor!

Resultando disto uma incredulidade generalizada. Desde o materialismo, o liberalismo econômico e em seguida todo um universo de teorias naturalistas: comunismo, anarquismo, positivismo, fascismo e nazismo; uma mais monstruosa do que a outra. Mas quem é que preparou o terreno para essas culturas de morte senão a maravilhosa reforma protestante??? De fato não há heresia social que não encare com complacência o despadrado alemão, responsável pela desconstrução do ideal de civilização Cristão afirmado pela igreja. E quando algum Católico mais esclarecido ousa retomar o ideal da igreja perguntam logo de que mosteiro ele saiu...

Certo estava o maridão da Dna Kate quando queria enfiar todos os frades franciscanos numa casa e por fogo nela não?

Não, meu amigo, o ponto de partida para a crise atual não foi nem em sonho o judaismo, cujo éthos achavasse exilado nos guetos, mas o protestantismo, que tomou esse éthos maligno e introduziu-o na instituição Cristã contra a tradição e o sentir da igreja.

Os judeus decerto tinham o poder do dinheiro.

E tu acreditas que isto é grande coisa!

Hoje, no contesto da incredulidade e do materialismo certamente o é.

Mas não no contesto medieval, face ao conceito de civilização Católica.

Conceito que ao tempo nem dinheiro nem armas podiam aluir.

Mas o poder a virtude, das ideias, da fé sincera... é sempre maior.

E o judaísmo lá ficaria contido, paralisado e impotente, com todo seu ouro entesourado.

Foi o protestantismo que sabotou o ideal de Sociedade Católica ao repudiar a Lei de Jesus Cristo e enunciar sua teoria mágico fetichista de salvação descarnada. Foram Lutero, Calvino e Zwinglio que envenenaram as fontes do nosso Cristianismo. Ele são os verdadeiros envenenadores de poços que substituíram a água pura e cristaliza do Evangelho pelas águas salobras da imoralidade ou do legalismo farisaico.

O judaísmo sendo princípio humano jamais teria forças para suplantar o princípio divino do Cristianismo. Então a corrupção tinha que vir de dentro para manchar o coração e contaminar a alma. Era necessário um cavalo de Troia, o qual ocultando sua natureza, fosse recebido na cidadela. Este cavalo de Troia, este adversário nascido no seio da instituição Cristã, este Briareu com cem braços ou tentáculos formidáveis é o protestantismo, não o judaismo.

Então se vocês, iludidos pelas aparências fazem o diagnóstico errado, como haverão de salvar a vida do enfermo e dum enfermo que agoniza e jaz a beira da sepultura? Enquanto vocês correm como crianças atrás da bolha de sabão do judaismo, a infecção protestante alastra-se mais e mais pelo corpo da igreja desde 1549 e desde o Vaticano II a igreja jaz febril e delirando. E já o câncer da RCC foi introduzido nela e prossegue a metástase. E vai se protestantizando o mundo Católico e a treva se tornando mais densa..

Por isso cumprimos zelosamente nossa missão e vos advertimos. Antes que este processo de infecção se torne irreversível e tenhamos de ser purgados pelo domínio do islã. Pois caso não retomemos ontem o ideal de civilização Católica, abandonando as quimeras da vida relaxada e da salvação fácil seremos todos engolfados e destruídos pelo turco!

Paz, graça e bem!







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Epistola a Casto Inholaru sobre Hitler e o nazismo

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Chegamos agora a um tema bastante polêmico, que é o tema do nazismo.

E muito me estranha que tu argumentes a respeito da inocência de Hitler.

E que injuries e vituperes a excelsa fé, alegando que esse monstro de iniquidade fosse Católico quando assimilou os ensinamentos anti semitas do heresiarca, falso profeta e anti Cristo Martinho Lutero, inimigo número um da fé Católica.

Tenho em minhas mãos as memórias do julgamento de Nuremberg, onde constam as elucidativas palavras de Jules Streicher: NOSSO HITLER NADA MAIS FEZ DO QUE CONTINUAR A OBRA DO GRANDE REFORMADOR LUTERO.

Já escrevi diversos trabalhos sobre a relação entre a imundície protestante e a imundície nazista. Não citarei a mim mesmo pois seria demasiado fácil impugnar a quem cita a si mesmo.

Recorro então ao site Católico e anti protestante 'Caia farsa' cuja idoneidade é insuspeita entre todos os católicos sinceros que amam da igreja.

Segue o artigo, bastante extenso, em que as relações incestuosas entre nazismo e luteranismo são postas a claridade do dia:

https://caiafarsa.wordpress.com/o-nazismo-nasceu-do-protestantismo-inedito/

Ousaras apelar a essa cantilena de neo católico relativista segundo a qual a pseudo reforma beneficiou ou redimiu a igreja?

Que devemos a esse Lutero, a esse Zwinglio e a esse Calvino senão a total destruição da Lei de Jesus Cristo, que é base e fundamento da Civilização Católica?

Um (Lutero) substitui a Lei de Jesus Cristo pela pura e simples libertinagem, declarando que os homens se salvam pela fé somente mesmo quando pecam contra a lei de Cristo e violam-na sucessivamente. O outro (Calvino) substitui a Lei divina de Nosso Senhor Jesus Cristo pelo legalismo dos escribas e fariseus ou pela torá de Moisés! E tu queres que nós encaremos esse elementos como benfeitores do Catolicismo? Um antinomiasta ou imoral e um legalista ou judaizante???

Mas, dizes tu, certamente - Queira Deus - por ignorância, esse maravilhoso Lutero mandou queimar o Talmude!

Abençoados céus! Desde quando Cristianismo resume-se em queima de livros? Desde quando queimar livros é Cristianismo ou faz parte do Cristianismo? Em que parte do Santo e divino Evangelho lemos que Jesus tenham queimado livros ou mandado queimar livros?

De fato não sei que Evangelhos andas lendo, pois nem nos apócrifos dou com Jesus baixando o mandamento de queimar livros.

Oxalá queimando livros as ideias fossem queimadas juntas! No entanto se os queimas é porque não tens habilidade para refuta-los!

Justamente por isso nossos Santos Padres declararam e disseram que os livros dos heréticos devem ser conservados, lidos e refutados para a glorificação de nossa fé. Tanto mais escura a treva, tanto mais brilhante a luz!

De fato o Sefer Toledot Yeshua é um livro imundo e sujo, ponto pacífico. Concedemos porém que os infiéis, que não pertencem a fé da igreja tenham todo direito de conserva-lo e le-lo.

É blasfemo mas não tão blasfemo quanto a boca do hipócrita Martinho Lutero, a quem pertencem as seguintes palavras:

"Então ele, Jesus, pecou primeiramente com a Madalena, a qual tão levianamente absolveu, e depois com a outra Maria e com a mulher do poço, por que os apóstolos diziam: Que fez ele com ela?"

Segundo Funck Brentano os luteranos, buscando atenuar a gravidade das palavras de seu lider e mestre, costumavam dizer que Lutero havia proferido tais palavras quando estava completamente bêbado. Hoje diríamos que Lutero estava drogado. Na Idade Média seria encarado como possesso do Diabo, mas há quem hoje, queira apresenta-lo como profeta ou benfeitor da 'igreja Católica'. Eternos céus!

Honrando a tradição Católica vou usar contigo da boa lógica escolástica empregada por nossos ancestrais:

Se o Catolicismo, que é a Revelação divina, comunicada por Jesus Cristo constitui o Bem supremo seu oposto ou sua negação, que é o protestantismo só poder constituir o Mal supremo.

Agora se o protestantismo é o mal supremo, o nazismo, tendo surgido a partir dele não pode deixar de ser igualmente mal e pernicioso.

A princípio tu me perguntas se eu abraço as mentiras e calúnias lançadas contra o teu fuherer ou lider, Hitler e já ter respondo com base na historiografia Católica que nós não cremos em qualquer espécie de conspiracionismo (tipo história oculta) seja protestante, comunista, esotérica, nazista, etc não cremos nas fábulas do batista ou sabatista oculto, na 'estória' comunista, no continente de Mu, na 'estória' nazista, etc Mas na História concreta produto do cruzamento das fontes primárias.

Tua defesa do hitlerismo é tão parcial e subjetivista quanto a defesa da reforma pelos protestantes, a defesa da comuna pelos anarquistas ou a defesa de stalin pelos bolcheviques... Nem melhor, nem pior! Há inclusive uma corrente pseudo histórica alimentada por fanáticos Católicos, a respeito da qual o honestíssimo Papa Leão XIII, disse: A IGREJA NÃO PRECISA DE TAIS MENTIRAS!

Lutero, pelo contrário, declarou: Bem vale pregar uma boa mentira pela causa da igreja! Da igreja Luterana e da 'santa' reforma é claro.

Mas nós não precisamos de mentiras, e aplaudimos os verdadeiros Católicos que reconhecem em Alexandre VI um canalha, e os verdadeiros Ortodoxo que veem em Justiniano um herético e celerado. Porque a Igreja não precisa de mentiras! Seus adversários sim, ela não!

Assim as culturas de morte e os projetos naturalistas de civilização estão todos fundamentados sobre a mentira.

Respondo-te que a Igreja, que não é uma visionária inconsequente, adiantou-se e denunciou os crimes do teu Fuherer na Encíclica Mit brennender Sorge, a qual tendo sido lida publicamente no Domingo da Paixão de 1937 PROVOCOU ATAQUES E SANSÕES CONTRA O CLERO!

Eis porque a 06 Setembro de 1938, o Papa Pio XI em alocução aos peregrinos Belgas, e segundo a tradição da Igreja declarou em alto e bom som que o anti semitismo era inaceitável porque o Verbo de Deus, sua mãe e seus apóstolos haviam sido judeus. Pela mesma razão a mártir Madre Maria Skobotzeff declarou que se os nazistas batessem a porta de seu 'convento' pedindo para que lhes mostrasse judeus apontar-lhes-ia o ícone da Santíssima Virgem Mãe de Cristo! Tal o sentimento de Leon Bloy em seu livro 'A redenção vem pelos judeus'.

Como os párias ou harijans da índia antiga, os judeus são intocáveis e como ensinaram nossos abençoados ancestrais sua presença pelo mundo e sua religião sem templo e sacrifício constituem evidência em favor do nosso Evangelho.

Eu impugnei tua alegação mencionando as mortes de diversos Católicos - Ora mártires e intercessores nossos reverenciados pela Santa Igreja de Deus - supliciados pelas hordas dos bárbaros enviadas pelo teu Fueher, assim S Edith Stein, S Maximiniano Kolbe, S Maria Skobotzeff, S Alexander Schomorell, S Padre Dimitri, etc

Quem os matou, supliciou, condenou, martirizou...????

Será que foram suicidas ou mataram a si mesmos????

Como tu me explicas a morte deles???

Agora me dirás que devo acreditar em ti e nos nazistas e dar a Igreja Católica, Una, Santa e Pura por mentirosa e alucinada????

Teu Fueher não só é um assassino miserável como fautor de crime inexpiável! Teu líder e mestre não tem perdão! Pois supliciou os Clérigos fiéis a tradição da Igreja e suas pessoas são sagradas! "Quem vos ouve a mim me ouve!" disse o Verbo da vida aos apóstolos e por extensão a todos os Bispos seus sucessores e também a todos os clérigos e monges que ensinam em comunhão com o Bispo a doutrina da Igreja Católica. Portanto o teu fuherer profanou a carne do corpo de Cristo e submeteu nosso Deus encarnado novamente a morte a tortura ao matar seus membros habitados e santificados pelo Espírito Santo!

Eu não deveria nem sequer discutir com que ousa relativizar a morte dos elderes da Igreja! Faço-o apenas constrangido pela caridade que tudo crê.


Diante disto fostes obrigado a admitir que alguns judeus, 'Alguns milhares' rsrsrsrsrs foram de fato supliciados, mas não milhões e que os sionistas aumentam o número.

Não duvido de que o sionismo se faça em cima de tais assassinatos... Parabéns aos idiotas nazistas que fabricaram mártires para a causa do sionismo!

Caso os nazistas não tivessem sancionado o assassinato de pessoas inocentes, os sionistas nada teriam a explorar!

Agora não me importam quantos morreram se milhões, milhares ou centenas porque ainda que fossem meia dúzia de mortos, continuaria sendo crime. A malignidade do assassinato não depende do número de pessoas assassinadas, pois é intrínseca e essencial. Se teu fuherer sancionou a morte de cem, de mil ou de milhares de judeus, é o quanto basta para dele fazer um assassino execrável.

E em assassino algum permanece a vida eterna! (I Jo). Portanto nem no teu querido fueher, espiritualmente morto para o Cristo nosso Deus!

Apelas a autoridade do Bispo D Willianson. Como se a autoridade dele aluísse a autoridade dos outros milhares de Bispos Católicos, muitos dos quais testemunharam as atrocidades, perpetradas pelo teu fuherer. Deves saber que a autoridade isolada de um Bispo é tão relevante quanto a de um simples fiel isolado... Nem deves ignorar que Macedônio, aquele que negou a divindade do Espírito Santo, era Bispo, arcebispo e Patriarca! Que alguns Bispos como Teógnis de Nikaia seguiram Ario! Que outros Bispos apoiaram Eutiques, assim Julian de Halicarnasso! E foi rara a heresia que não constasse com Bispos transviados entre seus partidários.

Devo corrigir-te e advertir-te que a lei da Igreja Católica, seu padrão e seu critério é a Idjima ou a concordância dos padres e Bispos de todos os tempos e lugares (vide Vicente de Lerins 'Commonitorium') e não as opiniões isoladas deste ou daquele Bispo, padre ou leigo. Apenas o protestantismo, como admite Paul Tillich, acredita que o individuo, seja Bispo ou leigo pode estar correto em oposição a comunidade visível e histórica dos fiéis. É um princípio protestante, o princípio Católico é pela comunidade ou pela igreja, é eclesiástico e pautado na autoridade. O individualismo não pertence ao Catolicismo ou ao sentido da igreja.

Compreendes porque a opinião de D Willianson em oposição aos demais Bispos em Unidade de nada vale?

Agora por que a Igreja Santa de Deus condenou o teu fuherer?

É o que vou te explicar minuciosamente.

Porque o teu querido fuherer em sua obra ímpia e anti Católica 'Mein Kempf'', da qual possuo um exemplar, fez com o judaismo exatamente o que Marx havia feito com Hegel, JAMAIS SAIU DELE, apenas inverteu-o. Sim porque essa superstição grosseira sobre povo eleito ou superior, foi primeiramente editada pelos judeus. A partir de Lutero os alemães passaram a encarar a si mesmos como novos judeus ou israelitas espirituais, e a partir daí arquitetaram a teoria da superioridade do povo alemão, o qual teve o privilégio de ser contemplado com a reforma ou o protestantismo em oposição aos povos latinos do sul, desprezados por deus e inferiores.

Podemos acompanhar a formação dessa doutrina desde o embrião luterano até o aborto nazista passo a passo. Com Adelung, o filólogo é ventilada a unidade dos Indo europeus, posteriormente o francês Gobineau postulou a unidade ariana e mistificou a história de diversos povos e nações julgando ver pureza racial onde jamais houve como no Egito, na Mesopotâmia, na Helade e em Roma, todas sem exceção caracterizadas pela mistura racial ou miscigenação que é o verdadeiro motor biológico da evolução social e cultural.

A Igreja, Católica ou Universal por definição jamais admitiu essa ímpia doutrina sobre a superioridade de uma determinada raça ou etnia, encarando-as todas como igualmente dignas de receberem a mensagem divina e de serem introduzidas na civilização. Pois quem fecunda, fomenta e cria a civilização é a mesma igreja por meio da Ética Cristã, fundamento do humanismo essencialista.

Substituir a cultura ou a ética Cristãs pelo critério da raça ou etnia é simplesmente pecaminoso ou melhor dizendo monstruoso. É retirar o fundamento divino, sabotar a civilização - já sabotada pelo capitalismo, comunismo e anarquismo - e substitui-lo por fundamento humano na perspectiva do naturalismo. Dando continuidade é erro liberal economicista...

Por fim sustentar a ideia de superioridade racial implica negar a identidade comum estabelecida pela sensação, pela percepção, pelo raciocínio e pela livre vontade. O que existe é Unidade do gênero humano enquanto imagem e semelhança do sagrado ou seja enquanto racionalidade e liberdade!

Outro aspecto negativo e ruinoso do nazismo, e comum ao fascismo é a doutrina da obediência cega ao líder, a qual inda que oposta a sã razão, não basta para tornar o homem irracional e irresponsável permanecendo responsável pelos crimes, maldades e pecados que comete.

Não deve a criatura racional obedecer cegamente a quem que seja e se o faz profana sua condição tal qual fora disposta por Deus. Nem mesmo os mandamentos religiosos devem ser cegamente obedecidos mas, pois a ordem da graça apenas completa, jamais derroga a da natureza. Então mesmo na obediência religiosa há espaço para a deliberação racional, mesmo porque somos instados a oferecer, aqueles que pedirem, as razões de nossa esperança. A qual ao contrário do que dizem os luteranos e protestantes não é irracional ou arbitrária.

Por isso todo homem ao receber ordens de outro deve sempre consultar a sua consciência, a qual corresponde a lei natural gravada em sua alma, e julgar o direito positivo por meio dela e em segundo lugar pela Lei de Jesus Cristo, que é o Evangelho e a Ética da Igreja. É a tais fontes que deve recorrer ao formular seus juízos morais e confrontar as leis promulgadas pelos homens, pois não há homem que seja infalível ou incorruptível, e tanto mais alheio as luzes da consciência e da igreja tanto mais próximo do erro se posta.

Na mentalidade Católica, não há mínimo espaço para a doutrina do luterano e estatólatra Hans Kelsen sobre direito puro ou positivo e ela certamente esta bem mais próxima da doutrina da desobediência e resistência civil de Thoureau, Spooner, Ballou, Tolstoi, Gandhi e outros. Em havendo conflito entre as leis e a justiça o Católico esta sempre obrigado pela lei de Jesus Cristo a cumprir as exigências da justiça.

Mas a que propósito vens com a Igreja? Questionas tu!

Se não queres que venhas com a Igreja é simples torna-te Luterano e os Luteranos te mostrarão os escritos em que Lutero separou a vida da fé, descrevendo as questões comportamentais e humanas como caso de polícia.

Se pensas o Catolicismo como mera fé ou simples fé que não toca a vida ou como uma teoria inoperante, pensas luteranamente o Catolicismo. Agora se pensas catolicamente o Catolicismo admitiras com o Dr Woodlock que ele é uma concepção de vida, uma visão de mundo, um sentido de existência, uma ideologia, uma lei e uma fonte unificadora de todas as nossas ações.

Mas não concordo. Se a Igreja Católica tem sua tradição, seu sentido, sua lei, sua vida, etc e tu dizes não concordo e bates o pé e declaras que queres apenas a fé, e selecionas eu lamento mais te colocas fora da igreja, pois teu espirito não é o da igreja e na alma da Igreja não há espaço para ti.

Pois emprestas autoridade fenomenal ao fascismo ou ao nazismo que correspondem a sistemas humanos, falíveis e equivocados e abates a autoridade de uma igreja que ousa revindicar para si autoridade divina e solicitar submissão por parte de seus membros. Sim caro amigo, pois o padrão da igreja Católica não é a opinião ou gosto individual, mas a autoridade.

E coma autoridade divina ela exige obediência por parte daqueles que apresentam-se como seus filhos. A Igreja Católica não pode transigir, não pode ser transigente, não pode acomodar-se, não pode ser flexível, ela não negocia. Não negociou com o liberalismo econômico, não negociou com o anarquismo, não negociou com o comunismo e não negociara com qualquer sistema humano seja o nazismo ou o fascismo e se qualquer deles tem a audácia de disputar-lhe o terreno, cobre-o com maldições! Seja anátema! Pois é a Igreja exclusivista e não cederá espaço a qualquer naturalismo! Ela não precisa de vossas migalhas e esmolas humanas! Houve quem a traísse sordidamente lambendo botas de reis e generais. Mas também houveram Ambrosios e Crisóstomos que honraram nossa tradição e lei resistindo ao principado secular e corrigindo-o quando necessário.

Ah mas...

Não há mas... O mas ou os mas são para o protestantismo que é sistema humano, naturalista e individualista com o qual podes discutir a vontade.

Com o protestantismo podes discutir e certamente podes resistir-lhe. Se resistes ao catolicismo seja em nome do que for e como for, é a Jesus Cristo que resistes e quem resiste a Jesus Cristo será por eles esmagado, talvez já neste mundo e certamente no outro.

Por isso não podes de boa fé juntar Catolicismo a nazismo sem profanar a santidade da religião e colocar-te fora dela.

É verdade dura que devo lançar-te em face. Pois é sempre preferível uma verdade amarga a uma doce mentira, e por amor ao próximo devemos sempre dizer-lhe a verdade. No que tange as coisas divinas e espirituais não se pode disfarçar, ocultar ou mentir.

Desespera pois de conquistar o mundo inteiro por meios escusos, para que não venhas perder a ti mesmo.

Paz, graça e bem em Jesus Cristo pelas intercessões de sua mãe Santíssima, de S João Batista, de S José, de S João Evangelista e de todos os santos vitoriosos!


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Epistola a Casto Inholaru sobre o sentido da Inquisição romana

Paz, graça e bem

Nada mais polêmico do que o tema da Inquisição romana e por extensão das inquisições. Digo isto porque nos seculos XVI e XVII também as seitas protestantes - luterana, calvinista e zwingliana - tiveram suas inquisições bíblias, tão ou mais violentas do que a inquisição do papa.

Exatamente por isso protestante algum tem idoneidade moral para tecer críticas a igreja romana, isto pelo simples fato de que sua religião começou a matar, assassinar e macular-se com sangue humano e inocente já no berço. Lutero é assassino matador de camponeses e anabatistas cujas mortes abençoou e estimulou, por isso que o berço da fé protestante é berço sangrento e impuro. Se a religião professada por eles matou - E Calvino fez queimar um Servet a lenha verdade na praça Champel - como romana, se seus reformadores foram tão carniceiros quanto o papa romano, se tiveram suas inquisições calem-se e cessem de formular juízos HIPÓCRITAS. Tirem a trave do olho de vocês antes de soprarem o cisco da igreja rival, cujo proceder vossos ancestrais imitaram!

Quando um protestante aloprado entra nesse negócio de inquisição papal não posso mesmo deixar de rir...

Deixem as críticas para quem em tese não matou: Deistas, cientistas, espíritas, pacifistas... Afinal, o liberalismo matou, o comunismo matou, o fascismo matou, o anarquismo matou, o nazismo matou... Não cabendo aos apoiantes dessas ideologias assassinas julgar o condenar as matanças do papa e de sua igreja mas calar como os protestantes.  Se você adere a um padrão de força seja coerente e não critique os demais partidários da violência apenas porque discordam de suas ideias, afinal o método é o mesmo.

Feitas estas ressalvas inicio minha analise.

Dirijo-me em primeiro lugar aos poucos gatos pingados que aplaudem entusiasticamente a Inquisição e que porventura aspirem ve-la restabelecida.

Uma coisa é compreender um fenômeno religioso ou social, outra justifica-lo e outra mais grave ainda aplaudi-lo e aspirar por sua restauração.

Nós ficamos no plano da compreensão, e somente quanto ao plano da natureza.

No artigo sobre os direitos humanos e a fé Crista editamos os decretos dos Santos Doutores a padres sobre o emprego da violência por parte da religião. Apresentando os testemunhos de Orígenes, Tertuliano, Lactâncio, Arnóbio, Hilário de Arles, Waso e enfim de Bernardo de Clairvoux, o assim chamado oráculo das Gálias e de toda Europa, o qual em pleno século XII declarou que a matança dos dissidentes feita pela populaça é condenável e incompatível com o espírito Cristão.

Ajuntamos agora outro fato, omitido no artigo anterior por falta de oportunidade e espaço. Referi-mo-nos a condenação a morte, por parte do César, de Prisciliano, líder herético espanhol, procedente de Avila. A pena capital havia sido solicitada por dois Bispos toscos: Idacio e Itácio. Morto Prisciliano, o primeiro a condenar sua execução foi o ilustre S Ambrósio de Milão, pilar da Ortodoxia! Ele já havia condenado Teodósio Cesar a penitência por ter massacrado alguns súditos em Saloniki, e vedado seu acesso aos mistérios, evidenciando a autonomia e soberania do sacerdócio fiel a Lei de Jesus Cristo. Agora exigiu e conseguiu a excomunhão dos dois Bispos, obtendo aprovação de toda Igreja espalhada pelo mundo. Lá de Constantinopla ecoou a voz retumbante de S Crisóstomo:

AQUELE QUE DERRAMA O SANGUE DE UM HERÉTICO COMETE PECADO INEXPIÁVEL!

Tal a lei e tradição da igreja, o que nos impede de justificar ou de aplaudir a execução dos heréticos.

Admitida a alegação de que o caso dos cátaros era social e portanto especial, justificando a coerção física segundo o princípio da guerra justa tudo quanto podemos dizer é que após a eliminação dos tais cátaros o tal tribunal, perdendo sua função legítima devería ser suprimido. Mesmo porque Waldenses, franciscanos espirituais, patarinos, flagelantes, etc jamais usaram de força física ou empunharam armas contra a igreja ou a Sociedade, menos ainda numa dimensão social. De modo que não cabe recurso a inquisição ou a força em tais casos, sob qualquer pretexto.

Outro é o caso dos protestantes, cujos lideres a semelhança da igreja romana, recorreram ao poder do braço secular contra a igreja, impondo sua reforma a força de armas ou a ferro e fogo. No entanto como havia naquele meio um espírito ideológico em movimento os Doutores Católicos mais atilados como Francisco Fervadentius, Gebebrardo de Aix, Nicolau de Lisieaux, Lindanus, Hervetius Gentilis, etc advertiram a Igreja de que o emprego da força seria contraproducente, como de fato foi.

Pois se o sangue dos mártires é semente e força do Cristianismo, o mesmo sangue também pode ser semente e força da heresia, fabricando-lhe falsos mártires.

O martírio deve ser reservado aos filhos da igreja, na dimensão pessoal. A paz aos dissidentes que aspirarem pela paz e respeitarem nossa opção livre.

Se a tolerância doutrinal é um pecado a tolerância pessoal, civil e social é virtude essencialmente Cristã.

Nem Jesus empregou a violência com propósitos religiosos. Jamais torturou ou matou em nome de Deus ou da religião, e tampouco seus apóstolos e os Padres que sucederam aos apóstolos. E quando a religião e a fé eram atacadas pelo império romano pagão, as armas que empunhavam eram as da coragem e da paciência, eles optaram por morrer ou deixar-se matar ao invés de terem optado por matar seus opressores segundo declara Tertuliano na 'Apologia' e já seu número era significativo.

Muito pelo contrário os mandamentos de Jesus são favoráveis a paciência, ao amor, a paz, a mansidão, ao perdão, a liberdade - Por isso quando foi concitado pelos Zebedeus a fulminar a cidade obstinada de Samaria, não só recusou-se a proceder assim, como exclamou: Não sabeis porque espírito sois guiados. Porque eram dominados pelo espírito do mundo que é violência e falta de fé.

Ele mesmo podia ter fulminado toda casa de Israel com o sopro de sua boca, mas entregou-se como manso cordeiro para ser supliciado por eles em nome de suas ideias.

Pode e deve o Cristão participar da legítima defesa da Sociedade ou do Grupo, quando socialmente atacado por inimigos externos. Tal o caso da guerra justa.

Mas não pode, sob qualquer pretexto, usar da força com o intuito de defender ou de 'impor' a fé. Porque nossa fé e livre, e produto da persuasão.

A força da Igreja é sua santidade, suas obras, sua ação social. É divina e procede dos céus.

O islã conquistou o universo a ponta do alfange, matando; os Cristãos conquistaram o universo por meio do martírio, morrendo por sua fé. Pascal.

A fé se defende por meio da argumentação e do martírio, jamais da espada ou do alfange.

Aquele que mata, inclusive em nome da fé, comete apenas um crime e um crime contra a fé e a religião, maculando-as.

Admitir que a religião deva ser imposta pela coerção externa ou física implica admitir que não possui qualquer grandeza ou força interior. Mas sua força é justamente interior, espiritual, ideológica e por isso dispensa o recurso da espada ou da força física.

A religião tem por si a verdade que é o seu escudo e o escudo mais poderoso. Avançara mesmo que todos os poderes do cosmos conspirem contra si, isto se for fiel a sua doutrina que é amor, justiça, liberdade e paz.

As portas do inferno não prevalecerão contra ela, tal a promessa do Verbo, que não precisa de divisões humanas, mas da abnegação e da boa vontade de seus fiéis servidores.



Do ponto de vista natural -



Para compreendermos a Inquisição do ponto de vista da natureza e permanecer na adesão da fé imaculada temos de admitir que a Igreja não é moralmente infalível. E portanto que sua infalibilidade restringe-se a esfera da doutrina e a generalidades da Ética (princípios e valores).

Como não admito a infalibilidade moral da igreja e portanto que a Inquisição corresponda a um ato divino, ela não toca a Revelação ou a fé e não atinge, segundo creio, a pureza e fidelidade da igreja para o que foi constituída.

Minha questão com a igreja não são picuinhas como inquisição e dragonadas, disse certa vez Ernesto Renan, mas a legitimidade do Quarto Evangelho. Minha luta é teológica.

Concordo plenamente com ele.

Rompi com a igreja romana e passei ao Catolicismo Ortodoxo não por causa da inquisição, das dragonadas ou das bruxas e sim por causa da Infalibilidade papal, das penas eternas, do agostinianismo/gracismo e do expiacionismo. O que não diminui em nada minha admiração por certos aspectos da teologia e da espiritualidade latinas. Foi a igreja romana que retirou-me do cativeiro Bíblico em que jazia...

Em termos de natureza as fontes da Inquisição podem ser atribuídas a elementos exógenos como as invasões bárbaras e o caráter atrasado, grosseiro e primitivo dos povos germânicos. Foi em parte reflexo da crise da educação e da cultura. Em que a própria tradição acabou sendo lesada e obscurecida. O segundo elemento, ativo; foi introduzido pelo convívio com os judeus e muçulmanos na península ibérica. No caso dos judeus temos por resultante uma supervalorização do antigo testamento e das instituições mosaicas (não Cristãs) i é um processo de judaização e no caso do islã a assimilação de elementos como a jihad, a djazia e a murtad. Partindo esta elaboração sincrética da Península Ibérica.

Tais as fontes não Cristãs da Inquisição: O caráter agressivo e tosco dos invasores germânicas e a adoção de elementos e instituições judaicas e muçulmanas por parte dos invasores recém convertidos na Península Ibérica.

Este espírito jamais foi autenticamente Cristão. Corresponde a algo estranho ou que vem de fora. Não ao sentido Católico de vida e as fontes da nossa tradição.



- Possíveis atenuantes


Outros possíveis atenuantes foram a necessidade de legalizar os linchamentos espontâneos realizados pelo populacho, dos quais resultavam efeitos ainda mais graves e perniciosos.

Ao institucionalizar o julgamento dos heréticos a igreja revestiu-o de certas formas jurídicas que em determinadas circunstâncias atenuavam os estragos promovidos pelo simples instinto de destruição ou vingança; embora devamos reconhecer que nem sempre fora assim. Problema já dissemos foi a gente ilustrada da igreja, ou parte dela, conformar-se definitivamente com semelhante recurso a ponto de considera-lo divino. Esta foi a tragédia... Quem em determinado momento, alguns psicopatas matriculados nas fileiras da igreja gostaram de não apenas supliciar mas o que é pior torturar.

Claro que numa situação social em que um dentre doente era extraído com golpes de martelo e uma hemorragia pensada com óleo fervendo ou ferro em brasa, o impacto da tortura não era tão profundo como entre nós ou entre os antigos gregos e romanos, cuja civilização era mais adiantada.

Problema é continuar falando em tortura após a neo escolástica espanhola do século XVI ou após as criticas acuradas de Beccaria, Verri ou Alfieri. Problema é justifica-la e preconiza-la em pleno século XXI, isto sim é sobremodo grave e danoso.

Outro fator que não pode ser desconsiderado é a cooptação e uso da inquisição ( e como já dissemos da religião de modo geral) a princípio tribunal religioso ou credal, pelo poder político ou pelos diversos estados 'Católicos' como repartição de estado e aparelho repressor. De que temos amplo exemplo na Monarquia espanhola, na M portuguesa e em pequenos principados italianos, onde os opositores políticos e críticos do governo eram sempre acusados de heresia e enviados a inquisição com alguma queixa especiosa e ordem para que fossem eliminados...

Eis uma situação que a que a Igreja, se bem que enfraquecida pela falsa reforma, jamais podería ter aceitado e com a qual jamais poderá tornar a sonhar. Pois implica sujeitar-se como meio aos interesses do poder político e profanar a sua própria condição de mestra e orientadora em termos de Ética.

Católico algum em sã consciência poderia ou pode contentar-se com uma submissão passiva por parte da igreja face a qualquer poder político sem consciência ou com uma igreja convertida em polícia, aparelho repressor ou mera repartição de estado destinada a santificar suas ações criminosas. Quando cabe-lhe justamente a tarefa diametralmente oposta de denunciar os abusos cometidos pelo poder e de corrigir os estados pretensamente Cristãos exigindo que seus dirigentes respeitem como sagrada a dignidade da pessoa humana.

Não aspiramos certamente por uma igreja que substitua o grupo social ou tome suas rédeas, segundo a receita teocrática do islã e do pentecostalismo; mas por um Estado cujos cidadãos, na medida em que professem a fé Católica inspirem todas as suas ações sociais, políticas, econômicas, jurídicas, educacionais, etc nos princípios e valores inculcados por esta fé. E que esta mesma fé seja para eles lei, espírito e vida enquanto determinante de um sentido capaz de humanizar a política.

É em termos de coerência e de inspiração ideal que falamos e jamais de controle direito do P público pelo sacerdócio cujas funções são peculiares e exclusivas. O que queremos é que a fé Católica ou melhor a ética dos Católicos seja transferida para o plano político e que os políticos e cidadãos Católicos procedam sempre como Católicos comprometidos com o amor, o bem comum, a justiça, a fraternidade, a solidariedade, a verdade, a probidade, etc E que jamais negociem em torno de tais valores por mero cálculo ou falta de fé.

Porque se temos fé, e temos esperança e temos caridade temos a espada mais afiada e penetrante, a espada do espírito, do espírito que confere forma a matéria, do espirito que produz e altera a cultura, do espírito que transforma as sociedades e produz civilizações. Então não precisamos de qualquer braço secular ou cada quebrada. Não precisamos de coerção física para a adesão da fé. Não precisamos de qualquer inquisição e deploramos que tenha sido necessária se necessária foi, aplaudindo sua abolição como uma avanço essencialmente benéfico a causa da verdadeira religião!



Epístola a Casto Inholaru sobre o crime, a punição, o poder e a autoridade

Graça e paz.

Li tuas conjecturas e ideias sobre a criminalidade e a punição, a qual, segundo acreditas deve ser rigorosa a ponto de aterrorizar os maus para conte-los no respeito.

Julgas evidentemente que um forte aparelho repressor e um estado policial serão suficientes para manter a ordem. E toda tua argumentação esta voltada para a ordem.

Concordo contigo que a ordem e a paz sejam bens altamente desejáveis e a anomia um estado de coisas absolutamente indesejável.

Exatamente por isso devemos inquirir qual seja o verdadeiro fundamento da estabilidade social, da paz e da ordem, se as armas e o constrangimento físico ou a justiça.

Com Confúcio e Platão sustento que o fundamento mais sólido da ordem e da paz seja a justiça e que toda a situação de injustiça, cedo ou tarde, degenerará em conflito aberto inda que sobejem espadas, lanças, baionetas e metralhadoras. A paz social não virá por meio delas.

Por isso Emanuel Mounier refere-se a uma desordem estabelecida ou a uma ordem injusta mantida pelo estado. O qual há alguns séculos foi cooptado pelos ricos i é por banqueiros, empresários, milionários parasitas os quais tem se utilizado criminosamente dele com o objetivo de oprimir os trabalhadores e manter sua condição privilegiada.

Uma sociedade ou estado dominado pela mentalidade capitalista ou liberal economicista jamais satisfará as exigências mais rigorosas da justiça, mas produzirá injustiça como o estrume produz cogumelos e ampliará a desigualdade social e miséria ao infinito (Henri George) e o fim de tudo isto será a canonização da ímpia doutrina do Darwinismo social, ateística, materialista e essencialmente anti Cristã.

É esta corrente neo pagã que identifica os pobres com vagabundos enquanto o Evangelho percebe-os como injustiçados, oprimidos, explorados e consequentemente como seres angustiados.

Não, não é possível estabelecer uma ordem justa e desejável e ao mesmo tempo manter o capitalismo ou a ideologia do acumulo ilimitado de bens, do lucro máximo, da avareza, do salário de fome, etc Se desejamos a paz e a estabilidade social devemos principiar destruindo as raízes deste sistema, ainda que possamos (ao contrário do que dizem os comunistas) manter algumas de suas formas. Mas não o seu espírito essencialmente capitalista e adversário de tudo que é Deus e especialmente da concepção Cristã de existência.

Para que tenhamos uma nova ordem e afastemos o espectro da crise civilizacional devemos pugnar pela destruição do sentido ou ideal capitalista de vida, e por extensão dos falsos princípios e valores insuflados pelo americanismo.

Não pode o Cristão Católico servir ao Mercado que é o deus Mamon, devendo por-se a serviço do homem cuja condição nosso Deus assumiu com o objetivo de libertar plenamente de todas as servidões: alienação face ao divino, do mal, do crime, do vício, do pecado,da injustiça, etc O Cristão Católico ao contrário do protestante é chamado não a uma fé teórica apenas, que o conduza a uma salvação magico fetichista, mas a uma fé prática, viva, ativa, significativa e portanto a virtude, a santidade, ao bem, ao amor, a justiça e a tudo quanto seja divino, pelo que sua redenção começa já neste mundo onde vive, sendo seu dever contribuir para transforma-lo paulatinamente num paraíso.

Certamente que o Reino de Deus não é deste mundo. É princípio que parte do mundo eterno e superior, de Deus mesmo. Mas que com Jesus Cristo, por meio da encarnação desce a este mundo, manifesta-se nele e nele é implantado enquanto semente de mostarda destinada a germinar, como fermento na massa de pão destinada a levedar, como consciência destinada a expandir-se. Da mesma maneira como Deus encarnou-se neste mundo, o reino de Deus, procedente dos céus e do mundo espiritual deve encarnar-se neste mundo.

E como se encarna?

Por meio das santas e boas obras, da correção da vida, da ruptura com o mal e o pecado, da penitência concreta, da santidade, da perfeição; enfim pela assimilação do caráter de Jesus Cristo e imitação dos exemplos por ele deixado. Tal o caminho indicado por um S Francisco de Assis para quem o Mestre, mas do que um Salvador, foi também e talvez acima de tudo um modelo de conduta. Somos retirados de nosso estado de alienação para a construção do Reino de Deus no mundo e o caminho consiste em viver como Jesus viveu. Tal a lei dos Cristãos, a sunah de Jesus.

Aqueles que postulam apenas e tão somente uma salvação mágica no além como fruto da fé mutilam, falseiam e pervertem a instituição Cristã.

Ao contrário do protestantismo o Catolicismo é uma fé que penetra e ilumina todos os setores da vida humana comunicando-lhes sentido e imprimindo-lhe direção. Não é uma religião puramente doutrinal ou intelectual apenas mas antes e acima de tudo uma fé Ética i é destinada a regular as relações inter pessoais e o comportamento humano. Imaginar o Catolicismo como uma fé ou teoria somente é mistifica-lo. A tradição testifica que os Catolicismos sempre ofereceram marcada resistência a esta concepção reducionista proveniente do protestantismo. A ideia naturalista (sobre diversos campos da existência) passou do protestantismo (para quem o matrimônio era questão de polícia) ao liberalismo econômico, e deste ao comunismo, ao anarquismo e ao fascismo; cujos adeptos acreditam que podem pensar o homem, a ética, a virtude, a justiça, etc SEM RECORRER AO EVANGELHO E A TRADIÇÃO DA IGREJA. Esta concepção que alija Jesus Cristo, não é apenas artificiosa, mas amplamente sacrílega e blasfema.

Tudo no Catolicismo reporta a Cristo e ao Evangelho.Tudo quando seja humano e diga respeito ao fenômeno humano.

Atividade humana alguma seja ética, econômica, jurídica, educativa, etc pode permanecer ou ficar alheia ao influxo do Santo Evangelho e da religião Católica, a qual sem controlar diretamente tudo, tudo deve inspirar segundo seus princípios e valores: assim o direito natural, a essencialidade dos direitos humanos, a sacralidade da vida e da condição humana, a doutrina social, etc Tais os elementos reguladores da ação humana, segundo a religião Católica compreendida como lei e vida.

Entro em acordo contigo a respeito do rigor das leis e punições, desde que a sociedade seja regulada pelo princípio Católico da solidariedade, da justiça social, da igualdade de oportunidades e da promoção da pessoa humana. Para tanto devemos abolir por completo a desordem capitalista e substitui-la pelo ideal de uma sociedade fraternalista.

É o que temos?

Nem de longe!

O que temos hoje é uma sociedade capitalista afirmada com a anuência e colaboração ativa do protestantismo com seu ideal semi naturalista e reducionista de fé. O que temos é uma org social essencialmente anti Católica. Um modelo destinado a impedir o ideal Católico de consumar-se, concretizar-se e encarnar-se; e pelo simples fato de que o Catolicismo opõem-se a obtenção de lucro sórdido classificando-o como pecado de avareza. O fundamento desta sociedade materialista é a avareza condenada pelos profetas antigos da lei, por Jesus, pelos apóstolos, pelos Santos Doutores e Padres, pelos escolásticos, por S Francisco, S Antonio e toda tradição Franciscana, temos uma civilização pecaminosa, segundo a perspectiva Católica e ela deve ser moralmente reformada e corrigida a luz do Evangelho.

Removido o sentido, espírito ou éthos capitalista e instaurada uma nova ordem, uma ordem inspirada no S Evangelho, uma ordem humanista, uma ordem Cristã e Católica, a qual satisfaça as exigências do bem comum, da justiça e da liberdade; vigorando oportunidades iguais para todos e uma emulação contida e equilibrada, a partir dai podemos discutir sobre as punições, antes não. Num contesto como o atual, num contesto acatólico e anti católico em que a condição humana assumida por Jesus Cristo e abatida e profanada pelos poderes do capital não!

Resolvido o problema econômico da ministração da justiça e restabelecido o antigo sentido de vida, passamos a discussão.

Claro que mesmo numa situação ideal de justiça e relativa igualdade social (a nivel de oportunidades) certos procedimentos jurídicos essencialmente humanos, racionais e cristãos permanecem válidos: A presunção de inocência, o habeas corpus, a inviolabilidade física do cativo, o direito a um julgamento com contraditório e ampla defesa feito pelo magistrado segundo a forma da lei, etc

Permanecendo irremissivelmente condenadas pela tradição da Igreja: a arbitrariedade autoritária que se sobrepõem as leis, a tortura, a usurpação do juízo por policiais e outros subalternos, etc

Nem podem aqueles que adoram um Deus 'criminoso', morto em virtude de abuso e erro judiciário e torturado defender tais procedimentos. Tendo Deus ao encarnar-se assumido o gênero humano como um todo ou nossa condição, santificou os corpos de todos os homens (em especial dos batizados e profitentes) aumentando ainda mais sua dignidade e conferindo-lhe um status sobrenatural. De modo que em termos de corpo humano, todo abuso recai sobre o corpo do Cristo e ele, do mesmo modo como sente fome e sede, e frio, nos miseráveis, continua a ser torturado nos torturados e todo torturador é torturador do Cristo, e todo assassino é assassino do Cristo. Daí S João declarar peremptoriamente:

EM ASSASSINO ALGUM PERMANECE A VIDA ETERNA! I Jo

Desde que o Deus Cristão adquiriu um corpo de carne todo pecado ou crime cometido contra o corpo humano, seja assassinato ou tortura adquire o caráter de sacrilégio. E todo torturador sendo sacrílego, deve segundo a lei canônica da igreja manter-se afastado dos sacramentos da vida e sequer tocar os vasos sagrados e alfaias que se tornam impuros e contaminados ao contado de suas mãos manchadas com sangue. E se o sangue é inocente seu pecado é inexpiável e digno de exclusão e penitência até o fim da vida.

Portanto para que a punição mereça ser tida em conta de justa e equânime todo processo legal deve ser religiosamente observado, imaculadamente observado, sob pena de contaminação.

Em terceiro lugar, segundo a doutrina de Tomas de Aquino, exige-se que os atenuantes e agravantes dados pelas circunstâncias sejam sempre considerados. Assim se alguém comete algum crime movido pela miséria ou carência, o escolástico declara que este crime é atenuando pelas circunstâncias. A contrário daquele que comente o mesmo crime em situação de saciedade e conforto, o que é bem mais grave e sendo mais grave perde punição mais rigorosa. Por isso o político que desvia dinheiro público do erário comete um pecado sempre muito mais grave - ou hediondo - do que aquele que rouba uma quantia sumária premido por sua condição. O mesmo Doutro certifica ainda que aqueles que cometem crimes movidos pela necessidade, não são verdadeiros criminosos, pois a necessidade esta acima de toda lei e não conhece lei alguma. Assim aquele que rouba comida para não morrer de inanição, pois obedece a um instinto disposto por Deus, devendo ser absolvido! É a doutrina humanista de Tomás de Aquino e num Catolicismo semi protestantizado faz muita falta.

Portanto as condições externas e sociais do infrator sempre deverão ser consideradas pelo magistrado. Inclusive se foi criado com seus pais ou assistido por uma org familiar qualquer. Pois esta provado que a inserção da criança ou do jovem numa estrutura familiar qualquer é importante para a construção da afetividade e da personalidade normal. Portanto isto também deve ser averiguado e considerado. Assim quando o Capitalismo com seu regime de trabalho insano, retira pai, mãe ou responsáveis do lar comete verdadeiro pecado social. Mais do que tudo e acima de tudo é o regime de produção e a forma do trabalho que separa ou aliena os membros da família, deixando o menor desamparado ou sem afeto, e predispondo-o a sérios danos emocionais.

Por isso a questão da normalidade e da personalidade, bem como do crime, da justiça e da punição não se resolve dentro do sistema capitalista.

O primeiro adversário da convivência humana, do entendimento, do auxilio mútuo e das estruturas familiares é o Capitalismo, é ele que isola e incute o veneno do individualismo, fonte de todas as neuroses, no santuário da pessoa, profanando-o.

Temos de considerar enfim, após termos considerado a condição social do infrator, sua sanidade mental ou a estabilidade emocional de modo a saber se pode ou não ser considerado responsável por seus crimes. Pois segundo a doutrina escolástica a responsabilidade procede da liberdade e a liberdade do entendimento racional do sujeito. Dai Tomás de Aquino certificar que um alienado mental não sendo livre não poder ser responsável por seus atos e portanto punido sob qualquer pretexto. Nem preciso dizer que toda jurisprudência posterior o tem seguido e feito da sanidade mental ou da estabilidade emocional a pedra de toque ou fundamento de toda punição corretiva.

Queres punições rigorosas?

Também as quero, desde que passemos os crimes e infrações pelas quatro peneiras acima:

  • Uma organização social justa e fraterna pautada nos princípios e valores Cristãos tomados ao Santo Evangelho e portanto a supressão da 'ordem' capitalista. 
  • Consideração da situação sócio econômica do infrator. 
  • Consideração do histórico familiar do infrator. 
  • Constatação de sua sanidade mental e estabilidade emocional por quem compete i é os psicólogos

Tudo isto dentro do quadro geral de um processo no rigor da forma da lei, e incontaminado de quaisquer abuso e apenas ao fim do qual a culpabilidade seja decretada, jamais antes.

Pois se torturas para obter a evidências de culpa que não possues sempre podes estar torturando inocentes, o que é abominável aos olhos de Cristo. Daí a pertinência do direito científico e da matéria da prova criminal. É por meio da douta investigação e não do sadismo, que as evidências da culpa devem ser inferidas e já digo e declaro que a tortura é contaminada em seu princípio e juridicamente inválida pelo simples fato da dor e do meio da dor enfraquecer a faculdade do juízo. E a vítima sempre poderá admitir culpa e confessar falsidade para escapara a dor e a tortura. Por isso é um recurso aplicado apenas por bárbaros e cidadão algum podia ser legalmente torturado entre os gregos e romanos segundo declara Cícero. Torturavam os escravos e os bárbaros porque encaravam-nos como homens inferiores ou sei homens, mas o Catolicismo não admite a existência de homens ou etnias inferiores; afirmando a igualdade absoluta e de todos os homens e etnias. As diferenças existentes procedem da cultura e da educação e sempre podem ser alteradas.

Certamente que a ideia de punições rigorosas, com significativo tempo de reclusão e trabalhos forçados tendo em vista a reparação do dano causado são ideias dignas de consideração e aproveitáveis; desde que fundamentadas numa realidade social distinta da nossa. Não nos opomos a ela abstrata ou metafisicamente mas considerando uma realidade anti Cristã, anti  humanista, anti justicionista e produtora de alienação, angústia, neurose, enfermidades mentais, etc Inserir o rigor da punição num sistema pagão, materialista e economicista só viria a agravar as situações de injustiça, o que consistiria em mais um crime. Nos tornaria solidários para com o capitalismo, e os católicos não podem ser solidários com um sistema que abençoa e estimula o pecado da avareza.

Procurei expor a ti a teoria Católica, a única aceitável para os Católicos, em termos de crime, lei e punição. Ou acatamos o espírito da igreja ou compactuamos com o espírito bárbaro e feroz do protestantismo tomado ao antigo testamento...











domingo, 19 de fevereiro de 2017

Epístola a Casto Inholaru sobre o fascismo, seus méritos e suas limitações éticas

A realidade e o bem da Sociedade exige que dialoguemos com os totalitários sejam eles comunistas ou fascistas. Quando dialogo com os comunistas os liberais nada liberais e fascistas mostram-se indignados, quando dialogo com os fascistas os comunistas mostram-se indignados. Não dialogo com os liberais economicistas ou capitalistas porque esta doutrina esta condenada pela tradição da Igreja e não há o que discutir com publicanos ou pagãos. Não dialogo com racistas ou nazistas porque seu credo abominável e monstruoso esta irremediavelmente condenado pela lei da razão e da natureza. Por fim não dialogo com os teocráticos (pentecostais e muçulmanos) porque não passam de bárbaros grosseiros e celerados. Face a estes limito a expressar minhas opiniões e a criticar.

Tenho certo carinho pelos comunistas porque mostram certa sensibilidade face a situação do mundo do trabalho e a injustiça social. O que me leva a dialogar com eles, pelos simples fato de ser trabalhista, socialista, fraternalista, coletivista, social democrata, católico social, personalista o que quiserem, mas sempre adepto da regulação externa da economia pelo corpo social.

Tenho também certo apreço pelos fascistas, em geral gente nova, jovem e inexperiente em termos de ciência política ou administração pública mas com certa compreensão a respeito do mundo da cultura, o que é bastante precioso; embora associem o problema da cultura a nação ou pátria o que acaba falseando-o, por ser saída reducionista. Ora eles também são críticos da democracia representativa, meramente formal ou burguesa e eu também embora por motivos distintos ou até opostos porque eu sou policrata ou adepto obstinado da solução grega pela democracia direta. Também nos encontramos na crítica - até certo ponto lamentavelmente atenuada - a civilização Norte americana ou Yankee (americanismo) que é essencialmente anti humanista devido a suas raízes protestantes e anti tese do ideal legitimamente Católico e/ou humanista de organização social.

Bem o fascismo possibilita essas abordagens e esse dialogo fraternal.

Então eu que preso acima de tudo a justiça, sendo justicionista; também compreendo o problema da dinâmica da cultura e o papel crucial da religiosidade ou da espiritualidade. Aqui Fustel de Coulanges, Christopher Dawson, Marcel Mauss e G Simmel.

A primeira advertência, e revelante, que faço; pois se trata de ser ou não nazista. Diz respeito a questão judaica ou melhor semíta e assim da arabe/muçulmana. Se se coloca a questão no plano da cultura apenas, assumo com os srs que a cultura semita é inferior a cultura greco romana ou clássica que nos deu o conceitos de ciência, de direito natural/humanismo, de racionalismo, de ideal estético e de democracia. Ponto e basta! É diferença entre céus e terra ao menos que tais conceitos nada signifiquem para nós. Mas se tais conceitos são essenciais e pertinentes então temos de nos questionar sobre a contribuição da cultura semita e ela até hoje, em seu estado mais ou menos puro, que é islã, tem negado tais conceitos com veemência e proposto a Sharia como até 70 d C os judeus propunham a Torá e a destruição violenta do mundo pagão.

O que não podemos admitir é qualquer insinuação em termos nazistas de raça ou etnia. Egito, Mesopotâmica, Grécia, Roma e outras civilizações gloriosas do passado foram fruto de mistura ou miscigenação em termos de unidades étnicas. Em termos de natureza todos os homens são dotados de sensibilidade corporal, percepção, razão e livre vontade; o que os torna radicalmente iguais. (Essa igualdade é potencial e deve ser excitada pelo meio, que é a civilização.) Assim o aborígene australiano, o halacalufe, o Inuit, o inglês, o Yankee, etc E não existe raça ou poso superior ou inferior; alias resíduo da superstição judaica.

Por isso que muitos judeus vivendo em comunidades ocidentais assimilaram diversos traços de nossa cultura e mostraram-se cada vez mais maleáveis. Hoje quem se mostra resistente é o árabe muçulmano de matriz sunita, seja hambalita, wahabita ou salafita; o que corresponde ao nosso pentecostalismo. Por outro lado por meio da cultura protestantes vemos ocidentais judaizando e tornando-se mais tacanhos e grosseiros do que os judeus. No Peru há a seita Israelita do Novo pacto e no Brasil temos a Assembléia de deus dos últimos dias, fundada pelo energúmeno Marcos Pereira... Donde se ve que o problema é cultural e não racial ou étnico.

Outra limitação corresponde a mística construída em torno da pátria abstrata sem considerações mais profundas a respeito da vida vivida pelo povo sob a dominação capitalista e influxo da cultura americanista. Por isso temos de nos peguntar que é pátria se o injusto ou o injustiçado, o opressor e o oprimido, o explorador e o explorado? Se o conceito pátria não esta sendo usado com o objetivo de ocultar ou disfarçar tais contradições sociais, etc? Claro que deveríamos viver numa Sociedade Unida, solidária e fraterna, mas é obvio que o capitalismo e o darwinismo social suprimiram este ideal Católico endeusando a rivalidade, a concorrência e a desigualdade social. Assim o conflito não só existe como foi implantado e alimentado pelo capitalismo trazido lá das 'américas' pelos gringos, então se queremos implantar algum grau de unidade ou aproximação temos de nos reportar ao ideário capitalista.

Por outro lado em termos de cultura, a pátria ou estado nação nada mais é do que uma Unidade cultural pertencente uma estrutura muito mais ampla que é a cultura Européia ou euro americana (no sentido de nossas raízes greco, romanas e católicas ANTERIORES A AFIRMAÇÃO DO CAPITALISMO!). Aqui a ideia de pátria ou cultura nacional faz muito pouco sentido. Pois a exceção se um Peru ou de um México nossos referências mais importantes - já apontados: ciência, razão, democracia, etc - procedem do outro lado do Oceano e correspondem a uma macro estrutura. E temos de compreender muito bem isto para resgatar esses elementos fundamentais ou basilares e fazer marcada oposição a cultura norte americana, americanista ou Yankee cuja matriz é o protestantismo calvinista com seus pressupostos anti humanistas e suas decorrências em termos de afinidades eletivas a democracia meramente formal e o capitalismo; os quais foram uma outra macro estrutura cultural oposta a que pertencemos e sobreposta a ela.

É esta sobreposição de culturas antagônicas e excludentes: Nossa herança Clássica e Católica advinda do velho mundo e a infiltração paulatina de princípios americanistas, que engendrou o estado de tensão responsável pela crise civilizacional porque ora passamos. Pois queremos conciliar o inconciliável: Humanismo ancestral e Capitalismo o que é impossível. A afirmação da justiça e a sede de lucro... Não temos mais uma cultura ou civilização homogênea, mas uma composição híbrida e amorfa de elementos antagônicos. O fascismo teve e tem o mérito de ter percebido que a infiltração da cultura americanista em nossas Sociedades tradicionais - que já contavam com seus problemas - destruiu as identidades regionais ou nacionais e despersonalizou os individuos.

O que o fascismo não percebeu ou não quis perceber é que os líderes e governantes alimentaram ativamente essa assimilação de elementos exógenos procedente dos EUA e incentivaram a americanização e portanto a destruição de nossas identidades. E quando os governos quiseram resgatar algo da 'nossa cultura' jamais chegaram a direito natural, democracia, estética, razão, ciência, etc optando - pasmem! - por samba e futebol!!!! O primeiro elemento em parte de origem africana e o segundo, santo Deus, de origem inglesa! Triste mas os comunistas com sua incompreensão abissal em termos de dinâmica cultural sempre souberam resistir mais e melhor a hidra americanista. Eduardo Prado, autor da 'Ilusão americana' deve estar se rebatendo em sua fria sepultura.

No discurso fica bonito falar de pátria, mas depois vão todos a grande república anti humanista e plutocrática do Norte beijar as mãos do algoz, mãos sujas e poluídas com sangue inocente de nossos irmãos latinos e Católicos e que assassinaram em nome da sua 'doutrina de Monroe' ou do seu 'destino manifesto'!

A terceira incompreensão e crítica é que os fascistas sempre compreendem um Estado ou sociedade forte - o que é necessário para resistir ao americanismo - como autoritário ou monárquico/ditatorial (no sentido de ser guiado por um único lider) e esse é um erro funesto pois uma sociedade policrática de cujas decisões todos tomem parte pode ser tão forte quando uma sociedade autocrática. Bastando para isso que os cidadãos amem a liberdade e aprendam a encarar as decisões comuns e o espírito policrático como sagrado. E é certamente mais racional encarar como sagradas e imaculadas as leis que ajudamos a elaborar e a aprovar do que as leis, muitas vezes injustas e arbitrárias, impostas por terceiros.

Foi por isso que os cidadãos livres de Atenas e da pequena Platéia resistiram ao Imperador dos Persas, senhor do maior Império do Planeta (com um exército de um milhão de súditos e servos) e derrotaram-no em sucessivamente em Platéia, Maratona e Salamina. E posteriormente Alexandre com uns poucos gregos livres esmagou o tirano persa sucessivamente em Iso, Granico e Gaugamela/Arbela. Pois homem algum combate melhor do que aquele que luta por sua liberdade e dignidade.

E o amor e zelo da liberdade, dignidade e justiça são forças bastante poderosas.

De modo que não precisamos de líderes ou condutores aos quais tributar obediência cega e irracional, digna dos brutos apenas, mas de consciência a respeito do que somos ou portamos. O que deve ser introjetado pela educação e pela cultura. Temos de produzir um espírito da liberdade que penetre o esqueleto carcomido da democracia formal e lhe devolva a vida e a consciência ampliando e alargando suas estruturas dadas por Locke. Devemos sair sim da democracia limitada, formal e representativa a qual no fim das contas jamais passou de vil plutocracia e tornar não a Pérsia dos servidores reais, mas a Hélade gloriosa de Clístenes e Leônidas!

Quanto as guerras de expansão, especialmente por sórdido móvel econômico, serei breve: As repúblicas animadas pelo espírito Católico devem ser solidárias e fomentar uma Unidade cultural em torno de nossa herança ancestral como a policracia, a ciência, a racionalidade e a doutrina social da Igreja. E permitir que os demais países e nações vivam em paz, segundo suas leis. Atacando-os apenas se forem e quando forem atacadas por eles, segundo a doutrina da Guerra justa e da defesa legítima. Nada mais anti Cristão do que o ataque!

"Bem aventurados os pacíficos..." tal o oráculo divino.

Resta abordar mais uma vez a questão do padrão da força. A força da cultura é interna, ideal ou espiritual e reside na formação e educação das almas (mente). Portanto se alguém acredita que vai manter a dinâmica da cultura fixa ou estável por meio das armas, da polícia ou do exército incide no mesmo erro funestos dos 'Católicos' mal informados que cuidaram poder derrotar e vencer o protestantismo por meio da inquisição apesar das advertência feitas pelos homens mais excelentes: Fco Fevardentius, Genebrardo de Aix, Hervetius Gentilis, Lindanos, Faber, etc Os lideres supremos apostaram não na cultura, na educação ou no espírito mas na coerção externa e qual o resultado disto? Que a igreja romana perdeu a batalhar pois protestantizou-se por completo após o Concílio do Vaticano II assumindo conceitos protestantes e pasme, até o espírito protestante do moralismo puritano, sinal de decomposição e morte em matéria de religião.

E hoje quanta miséria pois os Catoliquinhos falam apenas de sexo, homossexualismo, matrimônio, etc ao invés de salientarem os mistérios divinos e sagrados da Trindade, da Encarnação, das Duas Naturezas do Cristo, dos Sacramentos, da Eucaristia, da Mãe de Deus, etc Para não falarmos no misticismo tosco, nas falas comunicações, revelações adicionais, fetichismo, milagres e toda essa mixórdia indigesta que serve de introdução a Hidra protestante. E deste espírito religioso e teológico essencialmente Católico e anti protestante DEPENDE TODA NOSSA CULTURA!!! Apostaram na inquisição e perderam seu espírito, consciência e identidade, seus ritos, suas tradições, sua teologia, convertendo-se a Igreja romana modernista em província dom protestantismo!

Reconheçam que apostando na força tomaram caminho errado, como protestantes, os liberais hipócritas, os comunistas, os anarquistas, os nazistas, os muçulmanos... Assim o fascismo tomou o mesmo trem que eles. Nosso trem porém é outro. Só adotamos a violência para estritamente necessário, ou seja, para resistir quando somos atacados. Não como forma de substituir a formação ou a dinâmica da cultura pois isso jamais dará certo e tudo reverterá a barbarismo: a pentecostalismo, islã e teocracia.

Quando apelamos a mística da força ou da violência é porque desesperamos da razão e portanto de nós mesmos, de nossa herança grega que é uma das maiores conquistas da humanidade.

Tais as nossas divergências quanto ao fascismo a respeito do papel dos judeus, do estado nação, da autoridade e da violência, de modo a que possas aquilatar-las com a devida justeza. Pois nós cremos na tua sinceridade e boa vontade.