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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Nos domínios tenebrosos do 'Evangelistão'

Para aqueles que vivem em S Paulo ou vivenciaram, nos tristes anos 90, a expansão do Tucanistão a nível nacional, era difícil ou mesmo impossível conceber algo pior, embora eu mesmo, como ex protestante, sempre tivesse em mira, quiçá intuitivamente, essa possibilidade.

Mesmo porque o Brasil é exemplo universal quanto a possibilidade do ruim tornar-se ainda pior, e do pior agravar-se.

De modo que ao tucanistão e a lulopetismo (Cujas virtudes e defeitos não ignoramos.), de carona num vergonhoso golpe, chegamos ao evangelistão bolsonarico em que uma cáfila de pastores oportunistas, não apenas tomam de assalto o Estado e a administração pública como tem o desplante de querer controlar as vidas dos cidadãos, de restringir suas liberdades, de domina-los e de querer impor-lhes a moda bíblia - Não o Evangelho de Cristo é claro, mas o antigo testamento, com seu padrão voluntarista e odinista.

Hoje por sinal, tendo meu irmão ido ao médico e encontrado um amigo comum (Alias ex protestante como eu.), este enojado teria dito a meu irmão, algo que costumo repetir frequentemente: Este governo mesmo sendo formalmente democrático, consegue ser pior, repito consegue ser pior, do que a ditadura militar.

Pois se a ditadura torturou apenas alguns milhares de cidadãos este governo apoiado pelos falsos cristãos fundamentalistas, tem torturado indiretamente dezenas e dezena de milhões por meio da inabilidade, da miséria, violência, da ignorância, da negação de direitos, etc É todo um povo ou melhor uma nação sendo indiretamente torturada, inclusive em sua alma.

E se o FHC ocupava o primeiro lugar entre nossos piores presidentes é isto coisa do passado. Impensável a cerca de cinco anos, porém, atualmente inequívoco. 

Jamais enfrentou nosso país algo ou alguma coisa semelhante a Bolsonaro ou ao Bolsonarismo. Coisa muito próxima não de um Mussolini - Sinto desapontar a esquerda desmiolada! - mas de um Hitler (Temos de ser precisos, exatos e taxativos!), de um Calvino, de Bush, de um Trump... Pois o modelo de Bolsonaro, se é que modelo tem, não esta na Itália ou nas obras de um Mussolini, mas nos EUA, nas obras dos pastores e remotamente dos economistas liberais de Chicago. Não Roma, mas Chicago. Não Europa ou Itália mas América do Norte.

Daí o empenho de crentes e fanáticos, os quais, novidade não é, há muito que acalentavam conquistar antes de tudo culturalmente esta infeliz república para em seguida converte-la numa nova Genebra, ou conquista-la politicamente e valer-se da força com objetivo de estabelecer leis bíblicas ou melhor vetero testamentárias sacadas a Torá.

É plano antigo que os calvinistas, comunicado de geração após geração e transplantado de espaço em espaço desde Genebra, implantar um reino sectário e judaizante sobre a face da terra. E já traçamos com detalhes o roteiro desse plano, de Genebra ao Brasil passando pela Inglaterra e pelos EUA, lugares onde sucessivamente abortou. Fato é no entanto que não são somente os sunitas lá do Oriente médio que com sua sharia se opõem as instituições politicamente liberais, democráticas e laicistas, quiçá estimulados ainda mais pela opressão e pela miséria. Não - Pois há também nos EUA, a mais prospera e poderosa nação do planeta, e mais precisamente no Sul, há milhões de sectários bíblicos, fundamentalistas e fanáticos que odeiam tais instituições e quiçá com maior intensidade.

Afinal a cepa dos calvinistas, deterministas e adversários da liberdade, muito agradaria usar todo esse poder temporal e político com o objetivo de impor o biblismo a ferro e fogo, quiçá as nações romanistas e Ortodoxas. O que já se empenharam em fazer durante todo século XVI e parte do século XVII. A bem da verdade mesmo os não calvinistas Muntzer e Zwinglio, partindo do antigo testamento, aduziram a legitimidade de levar o novo evangelho a ferro e fogo, lavando a terra com sangue. Forjando assim uma jihad 'cristã' semelhante a de Maomé, e um dos homens mais sábios que caminhou sobre a terra Guilherme Postel - Avançando no terreno futuro da Sociologia Religiosa - julgava que os reformadores teriam lido o Corão em lugar do Evangelho... No entanto o que eles leram foi mesmo a Torá ou antigo testamento, em parte por descuido e parte da Igreja Antiga.

Claro que nas atuais condições uma tal ação seria impossível. Mesmo considerando que os fanáticos sejam irracionalistas. Damos no entanto uma tal manobra política calvinista como altamente improvável. Já outra coisa seria escorar-se sutilmente no poder do Estado Yankee, auferindo recursos e regalias diplomáticas em favor da fé, tal e qual sucede hoje no Brasil, quando aos pastores parasitas se concede passaporte diplomático ou o uso de aviões presidenciais, ou quando uma seita convoca o governo a defender seus direitos noutro pais, donde seus representantes foram defenestrados sob a pecha de avareza... 

Lá no entanto, onde o espírito democrático é bem mais forte, o máximo que esses vampiros lograram obter foi essa sutil mancebia sob os governos Bush e Trump, os mais lesivos e sinistros do ponto de vista da política internacional e autênticas calamidades. Com o Trump, o mais imbecil entre eles, concebeu-se lá o inconcebível i é uma tentativa de sedição, certamente apoiada por tais grupos, a qual felizmente foi esmagada sem piedade ou contemplação pelos militares. Inda quando o golpista do Norte, conta-se com a solidariedade de alguns zumbis no próprio parlamento, uma vez que nem todos os teocráticos por lá são abstenceístas, e parte deles também cogita destruir a democracia e construir uma democracia por dentro i é com a ajuda de demagogos fundamentalistas eleitos por eles. 

Tanto lá como aqui a democracia precisa criar mecanismos com que proteger-se da infiltração dos militares e dos pastores seus principais adversários. Quanto aos militares porque não devem em hipótese alguma transmitir ideologias partidárias ou sectárias na caserna, a qual cabe defender o país como um todo e suas instituições. Quanto aos pastores porque não devem tirar proveito do poder espiritual para, a partir dele conquistar o poder temporal ou político. Uma vez que não sabem ou se recusam a raciocinar em fora da bíblia ou em termos comuns, e buscam impor suas crenças, tomadas a bíblia, a todo corpo social, compreendendo séria ameaça ao laicismo e evidentemente ao liberalismo religioso que é um dos pilares da ordem democrática.

Importa dizer que as aspirações desse grupo é tanto mais humilde e realista embora não menos perigosa, consistindo em apossar-se do Estado com o objetivo de impor leis bíblicas ou judaizantes, i é moralidades 'reveladas' ou 'cristãs' ou de impedir o avanço de leis e pautas que consideram anti bíblicas, tendo em vista manter invulneráveis determinados preconceitos presentes em nossa cultura. Tal o objetivo da política protestante ou bíblica aqui representada pela perversa bancada evangélica e como vemos é anti naturalista e consequentemente anti democrática. Por menos nossos ancestrais causaram grande danos ao papado no século XIX, embora o papado honestamente revindicasse para si um padrão de autoridade, que o protestantismo, pautado no exame individual e livre, não pode revindicar sem que lhe caiba a pecha de hipócrita.

Foi desse empenho teocrático que surgiu a dita bancada evanjéguica no final do passado século, não com o junto objetivo de defender igrejas porventura perseguidas e sim com premeditado objetivo de tomar posse do poder em benefício próprio i é com o propósito de manter ou se possível de aumentar seus privilégios, até suportar essa política puritana e firmar leis bíblicas inspiradas na fé. 

Claro que tudo isto vai muito mal com as instituições liberais e democráticas assentes em nossa Magna Lei que é a Constituição.

Por isso esses homens ambiciosos e arrogantes não tardaram em editar um lema essencialmente virulento: Bíblia sim, Constituição não.

Posto que o Velho testamento individualmente interpretado sanciona os mais deploráveis crimes condenados pela Constituição como o assassinato em nome de Deus acompanhado pela tortura e pelo estupro inclusive. Admitida tal aberração as wiccanistas teriam de arder em nossos jardins, uma vez que a Torá determina que as bruxas sejam queimadas... a partir daí iriamos de abismo em abismo, até os cientistas e as pessoas civilizadas, adeptas do evolucionismo biológico serem decapitadas ou enforcadas por heresia no tribunal dos fanáticos. Basta lembrar que lá no EUA houve um processo Scopes em pleno século XX. Já me referi a oposição suscitada contra Copérnico por Lutero, a questão da circulação do sangue na condenação de Servet, a condenação de Celsius pelos luteranos no século XVII, a condenação da vacina pelos pastores, a oposição por parte dos mesmos ao para raios de Franklin,  a destruição do laboratório de J Prestley pelos sectários no final do século XVIII, etc tudo tudo feito em nome da bíblia ou da leitura da bíblia. Apegue-mo-nos pois a Constituição, coração da vida democrática, a qual felizmente conhece limites, pois a bíblia não o conhece e tampouco seus leitores exaltados.

Com o dizer bíblia designam a bem da verdade seu leitor, i é o pastor que lhe dá sentido e santifica ou diviniza suas opiniões colocando-se acima da lei e exercendo autoridade arbitrária. O Resultado de toda essa treva de bíblia e livre exame sim, sem a existência de uma lei constitucional, temos no horrendo julgamento das 'bruxas' de Salém... 

Caso queiramos evitar que tais cenas se repitam no tempo futuro temos de afastar ou melhor de preservar o poder político de quaisquer injunções advindas da bíblia, do corão, do avesta ou de quaisquer livros religiosos. É o elemento comum da razão que deve gerir o Estado ou o poder político com exclusividade. Como ex protestante direi que  maior parte dos protestantes, fixados não no Evangelho mas no antigo testamento, não assimilaram este padrão de pensamento ou introjetaram o espírito democrático, do que tiram proveito os pastores inescrupulosos. 

Agora essa manobra ou conjuração teocrática cerra fileiras com Bolsonaro e chega a ameaçar o STF, o qual apesar de seus erros e senões (Pois não pretende ser tribunal infalível que infalivelmente queima inocentes em nome de Deus.) é custodiário de nossa Lei maior, a Constituição, suprema garantia de nossas liberdades e direitos essenciais. Por isso dar combate ao STF, face as ações arbitrárias desse governo desumano e cruel, equivale a gritar: Bíblia sim, Constituição não.

E como não pode a Hidra bolsonarista atingir o STF por fora i é por meio da sedição, devido ao amor que alguns dos cidadãos ainda tributam a vida democrática e suas instituições, optou o déspota atacar o STF por dentro lá lançado um cavalo de Tróia ou comprometendo-se com seus apoiantes fundamentalistas a indicar a próxima vaga que porventura surgisse no STF um cidadão 'Terrivelmente evangélico' ou melhor dizendo um cidadão terrivelmente bíblico, fundamentalista, fanático, sectário, protestante...  Agora veja o leitor amigo onde chegamos com essa política bolsonarista, que concede a todo instante algum benefício aos fanáticos. Em que pese também terem votado nele certo número de ateus, irreligiosos, papistas, ortodoxos, espíritas... Incoerentes, desorientados e alienados, que agora se limitam a fazer discreto 'Mea culpa' enquanto que o poder é entregue aos pastores e seus lacaios.

São diversos ministros pastores como o Milton, a famigerada Damares, etc E agora é um pastor, cuja visão de mundo está fixada na bíblia ou no antigo testamento, o sr André Gonçalves, indicado para aquela vaga... Pelo simples fato de ser protestante ou terrivelmente 'evangélico', sendo sua indicação impulsionada por um elemento credal, o que é inadmissível na perspectiva da laicidade. Não se indica ou se deve indicar alguém para tornar-se titular de qualquer cargo público com base em suas convicções pessoais ou crenças religiosas. Tal postura é inconcebível por parte de um agente democrático. 

É, fazer distinção religiosa colocar um cidadão acima dos demais por ser afiliado a determinada crença. É exercer discriminação e rebaixar todos os outros cidadãos da república. É violar o princípio da isonomia assente na Constituição e humilhar os demais serventuários da lei. Pior, muito pior, é privilegiar um credo ou uma fé com objetivos demagógicos ou eleitoreiros. É usar cargos e dignidades públicas destinadas a servir a democracia como vil moeda com que comprar o apoio de fanáticos sediciosos. 

Isto no mesmo momento em que outro pastor amancebado com esse governo, um certo pastor Hamilton, envolve-se - Como para nos era de se esperar haja visto que outro pastor politiqueiro, o Everaldo, já se encontra atrás das grades, fazendo companhia ao pastor Cunha, outro corrupto! - em grave escândalo relacionado com a vacina! E enquanto diversos pastores fanáticos pelejam em favor do coronavírus, fazendo com que os índios não se vacinem... Desde a conspiração da vacina, contra Jenner, no século XVIII,  a coisa não evoluiu muito, tornando esses diletantes a afirmar que brotarão chifres nas cabeças dos imunizados, ou que receberão um chip ou ainda que serão transformados em gays - No passado eram lobisomens rsrsrsrs

Lamento a rude franqueza mas é coisa que não se vê no papismo e na Ortodoxia 'idólatras', no espiritismo, no judaísmo, do budismo, do ateísmo, do materialismo, etc mas somente na excelente religião bíblica dos salvos, eleitos e predestinados.

Tristemente havíamos já deparado com tais situações nocivas durante o inicio da pandemia com pastores e fanáticos cuspindo em enfermeiras, espalhando o vírus em seus cultos, recusando-se a usar máscaras ou a ficar em suas casas, etc alguns inclusive participando ativamente de marchas bolsonáricas e chegando a agredir profissionais da saúde... Tudo isto esse bando de fanáticos fez e continua a fazer neste pais, sendo agora brindados a guiza de recompensa com um provável ministro no STF, destinado a sabotar ou a tentar sabotar nossas liberdades, garantias e direitos, e o cúmulo dessa comédia pastelão será ve-lo querer introduzir orações, cultos ou mesmo pregações no recinto do STF durante as sessões!!! A menos que aspire o homem de deus exorcizar seus pares fiéis ao espírito democrático.

Lamento ali não estar, como ministro, no recinto do STF para, no espírito de um Rui Barbosa, de um Teixeira de Freitas, de um Pontes de Miranda, de um Evaristo de Moraes... mandar o pastor calar a boca caso ousa-se recitar orações durante as plenárias da casa. Pa e Pum eu o mandaria tartamudear suas orações em Meca ou em Riad...

No entanto é isto que cogita o Emir ou o Ulemá do Planalto, atingir ou humilhar, de algum modo os honoráveis paladinos da democracia.

Tais as condições da nossa República nas garras desses ciclopes insaciáveis a que chamam pastores. Finado Tucanistão que transformou-se em Evangelistão, realizando um único milagre: Conseguir ser pior... e fazer-nos ter saudades do FHC. Tristes tempos em que o Hitler dos trópicos converte nossos piores vilões - Como o Dória, o Alexandre de Morais, o Gilmar Mendes, o Renan, etc - em heróis...  Resta-nos apenas dizer: "Oh tempora, oh mores!" e pugnar heroicamente por esta ordem democrática que é o supremo bem da nação.



domingo, 4 de julho de 2021

Cristãos incoerentes, afinidades eletivas e noética.

Vivemos em tempos difíceis de viver ou passamos por tempos difíceis. Nós quais a verdade objetiva, a experiência, a razão e a própria Revelação são eclipsadas por um turbilhão de ideologias e culturas de morte, a maior parte delas notável pelo conteúdo irracionalista ou melhor por aquele absurdo já apontado com seriedade por Camus. Vivemos na Era ou na Idade do absurdo e é isto deprimente. Importa ter esperança - Para Freud era veneno, para os pupilos do Evangelho é virtude.

Esperamos estar passando por tempos difíceis ou por tempos nublados, aguardando pelos raios do Sol... Cremos e esperamos que as nuvens, sombras e trevas sejam espancadas pelo Sol da razão e pela luz da experiência, enfim pelo brilho da verdade divina, para qual são os homens encaminhados pelo que chamamos Filosofia. Não qualquer Filosofia, mas a Filosofia perene de um Sócrates, de um Aristóteles e mesmo, com prevenções, de Platão.

Todavia, enquanto aguardamos este novo 'Renascimento' ou glorioso porvir, temos de ir tateando em meio a este cipoal e tentar cortar-lhes os galhos ou tentáculos.

Tudo está muito confuso e as coisas fora do lugar.

Como disse Brecht, e eu considero patético, são tempos de ensinar o óbvio.

Sim, tempos em que se deve insistir sobre as obviedades ou sobre o que é axiomático, ou seja, evidente por si mesmo. Em tempos de idiotice generalizada já o evidente por si mesmo não parece tão evidente, o que é desesperador.

Bem, quando escrevo Cristãos - Bom advertir o amigo leitor! - certamente jamais me refiro aos protestantes, por mais boa vontade que tenham eles, mas apenas e tão somente a meus confrades os Cristãos Católicos Ortodoxos, ou mesmo aos apostólicos romanos e episcopais (Pertencentes a igreja alta ou ao anglo Catolicismo.) cujas agremiações conservam certos elementos do Catolicismo ou da tradição apostólica. Por questões de ordem cultural apenas alguns deles me poderão compreender.

Os protestantes, digo alguns protestantes, podem ser honestos e acalentar os melhores e mais nobres sentimentos, o que não torna o protestantismo Cristão, na plena acepção da palavra. Devo insistir nisto. Claro que as seitas protestantes são formalmente Cristãs e assim classificadas por todos os manuais de História das religiões. O protestantismo é formalmente Cristão, ponto pacífico. Outra coisa é ser autenticamente Cristão pelo 'espírito' de Cristo... Mesmo a igreja romana, apesar de seus diversos erros e do veneno agostiniano o é, ou ao menos setores e partes suas. Há ainda algo de Cristão em alguns apostólicos romanos - Não nos integristas ou nos carismáticos, e quiçá nem mesmo nos tradicionalistas (Com seu moralismo puritano que os conecta com o que há de pior no Protestantismo i é ao Calvinismo!) mas supreendentemente nos apostólicos romanos moderados - Alguns deles remanescentes da Era Tridentina e outros adeptos da TL (A qual nem por isso deixa de ser um sistema teológico defeituoso!) - apesar da missa moderna, que é como sabemos de origem protestante. Está a Igreja romana, dos pés a cabeça, doente de protestantismo: Do tridentinos aos carismáticos ninguém é incólume naquela comunhão (Isto por dupla via: O agostinianismo e o puritanismo, duas vias de acesso do ecumenismo e da apostasia.), no entanto alguns ainda amam honestamente a Tradição. É a estas pessoas que nos dirigimos, aos que amam o sentido ou a consciência Histórica do Cristianismo, amor há muito perdido pelas seitas protestantes.

Não nos iludamos, já por via do biblismo, que é filho legítimo da invenção da imprensa, é o protestantismo um sistema totalmente novo, uma revisão do Cristianismo histórico ou antigo ou ainda uma adaptação as novas circunstâncias sociais, políticas e econômicas. Só por isso é ele questionável ou mesmo detestável, pois não pode a instituição divina curvar-se face aquilo que é humano ou ceder em qualquer coisa. A instituição do Cristianismo cabe - E com muito mais razão - a diretriz exarada por um dos líderes Jesuítas a respeito de sua Companhia: Ou continuaremos sendo o que somos ou cessaremos de ser. Melhor seria ao Cristianismo desaparecer por completo da face da terra sem deixar vestígios, do que abjurar de seus princípios e doutrinas fundamentais fazendo concessões ou negociatas. O Cristianismo não pode ou deve mudar, e no entanto o protestantismo foi e é mudança.

Mudança por seu individualismo inusitado, mudança por seu transcendentalismo avesso a imanência, por sua antropologia - Agostiniana - viciada, por sua epistemologia capenga, etc 

O protestantismo trouxe sérios problemas a Cristandade. Novidade alguma até aqui.

Aberrante que a igreja apostólica romana ou mesmo que o Catolicismo Ortodoxo tenham assumido o filho bastardo que não lhes pertence. Refiro-me ao fundamentalismo bíblico ou a judaização - Noutras palavras, a todo esse universo formado pelo criacionismo, pelo terraplanismo, pelo geocentrismo, enfim pelo negacionismo científico. 

Nada mais triste do que testemunhar um Rose ou um Corção envidando esforços contra a Evolução Biológica - Um tentando infirma-la a partir de citações do antigo testamento como qualquer protestante, e outro forjando ensaios escolásticos ou metafísicos com o objetivo de refuta-la > Jesus, quanta treva! - o que é somar esforços com os setores mais radicais e obscuros do protestantismo, e daí caminharam (Ortodoxos e romanistas), para o terraplanismo, o geocentrismo, a negação da Lei da gravidade, etc como não poderia deixar de ser, se bem conhecemos o caráter do antigo testamento! De fato este movimento não se deterá no criacionismo! 

Assumido pelos Cristãos apostólicos o postulado protestante e falso dogma de que o antigo testamento em sua totalidade é pura palavra de Deus, chegaremos aos confins do islã, nada restando em termos de Filosofia e Ciência neste mundo. Afinal as raízes da Filosofia e da Ciência encontram-se na Grécia pagã, não no judaísmo ou no antigo testamento, cujo caráter (A par do divino ou do profético voltado para o anúncio do Verbo Jesus!) é mitológico, fetichista, mágico e intragável.

Nada mais comum nestes tristes tempos do que abordar o negacionismo científico. Coloquemos o dedo no fundo da ferida e busquemos suas causas - Como ex protestante direi e alto e bom som: É o negacionismo científico (Com suas propagandas anti vacina, terraplanista, geocentrista, etc ) fruto do fundasmentalismo bíblico protestante - Exportado para as comunidades Ortodoxa e apostólica romana inclusive! - seja ele pentecostal ou calvinista. Tais suas autênticas fontes, em termos técnicos: A doutrina supersticiosa da inspiração plenária, linear e verbal. Para parte dos protestantes (Aqui no Brasil imensa maioria) é a bíblia, ou melhor, o antigo testamento, autoridade absoluta e infalível em termos de conhecimento da natureza criada, ficando a Ciência totalmente desacreditada, quando não atribuída ao Diabo, nos mesmos termos que a 'idolatria' romana.

O aspecto mais triste porém é que parte dos nossos Ortodoxos ou dos apostólicos romanos - Os quais deveriam terçar armas em torno do Novo Testamento ou pugnar pelo Evangelho, que é a pura palavra de Cristo e Lei dos Cristãos - assumem tais postulados e endossam a manobra. Nada mais triste do que ver um Cristão apostólico fazer causa comum com o sistema dentre todos mais avesso a sua fé, que é o protestantismo. Afinal para os pentecostais os apostólicos não passam de idólatras amaldiçoados por Deus enquanto que para os calvinistas não passam de predestinados a condenação eterna. Apesar disso uns e outros não cessam de beber em fontes protestantes, de assumir seus postulados e de estender-lhes as mãos fortalecendo seu poder.

E nossos ortodoxos e neo romanos sempre me fazem lembrar os ratinhos conduzidos pelo flautista de Hamelin...

Eles ignoram as ilações doutrinais ou as afinidades eletivas e por isso não cessa o Cristianismo de diluir-se no protestantismo e de servir a interesses protestantes. Sendo nossos Ortodoxos e Romanos fundamentalistas usados como marionetes ou espantalhos.

Mas e os Apóstolos (Paulo) e os Padres?

Os apóstolos e padres procederam com honestidade e pureza de consciência pelo simples fato de terem florescido antes do advento da ciência, a partir do século XVI. 

Outro o caso dos reformadores protestantes, os quais tendo já vivido nos albores da ciência, foram e são modelos de negacionismo científico. Afinal, tendo em vista a doutrina do Corão Cristão ou do biblismo, esbateram-se ferozmente contra a ciência emergente, Lutero, condenando decididamente o Diácono Romano Nicolau Copérnico e com ele o geocentrismo... Calvino opondo-se a Acquapendente (Assumido por Servet pouco antes de W. Harvey) e a circulação do sangue... Tudo porque o heliocentrismo e a doutrina da circulação do sangue 'Não se achavam na bíblia' ou melhor dizendo, no antigo testamento, sendo supinamente ignoradas pelos antigos israelitas. 

A bem da verdade essa Cruzada bíblica, calvinista, judaizante, sectária, etc jamais cessou. Pois no século XVII os amenos Luteranos da Suécia abriram processo contra Nils Celsius (1679) - Apud Bivort de la Saude, 1959 p 112 - por ter ousado professar o Heliocentrismo. Pela mesma época, aproximadamente, tendo o insigne Nicolaus Stenius verificado o quanto seus confrades luteranos eram apegados a letra do antigo testamento e ao criacionismo chão, passou a igreja romana - Onde obteve o título de Cardeal - e tornou-se um dos próceres da Paleontologia. Já no século seguinte foi Joseph Priestley que teve seu laboratório incendiado pelos bíblicos. Também Moleschoot teve de fugir da Holanda para poder cultivar seus estudos em Roma (...) Darwin enfim exitou bastante em publicar suas conclusões pelo simples fato de viver numa Inglaterra ainda parcialmente calvinista e sectária...

Apesar disso a ciência fez sua caminhada e seus progressos. Sem que pudesse o protestantismo trava-la. Pois o máximo que os fanáticos bíblicos puderam fazer quando o benemérito Jener inventou a vacina foi dizer que os vacinados criariam chifres e se transformariam em vacas. Como dizem hoje aos nossos índios que, caso sejam vacinados, virarão homossexuais ou terão marcas na cabeça (Uai serão os chifres do século XVIII???) - Tal o serviço que prestam os pastores a humanidade em nome de sua bíblia!

Mas tornando ao 'Outro o caso', a negação da ciência pelos reformadores ou por qualquer um de nós em tempos modernos ou pós científicos planteiam uns sérios problemas que jamais ocorreram a Paulo, aos demais apóstolos ou aos antigos padres, os quais honestamente criam nos mitos judaicos tomados a Suméria e ao Egito. 

Pois negar a ciência, e suas conclusões, frutos da experiência sensível, implica criar um problema epistemológico e um problema antropológico. Claro que tal raramente se colocará para um Valdomiro Santiago ou para qualquer ovelha semi analfabeta do Malafaia ou do Feliciano... permanecerão eles bem ajeitados no berço esplendido da ignorância, e nada de mais sucederá. Tal o nível deles...

Outro o caso dos apostólicos romanos ou Ortodoxos que abraçam tal modelo teológico, posto que mais livres e medianamente instruídos. 

Destarte pelo menos alguns deles plantearão a questão da 'veracidade' bíblica do AT, da inspiração plenária ou linear, da falsidade da ciência, deste falso conflito e da credibilidade do conhecimento humano assim da condição humana e aqui teremos o drama, digo o estrago, produzido pela mentalidade protestante, bíblica e fundamentalista.

Os Ortodoxos explorando certos aspectos teológicos muito discutíveis do hesicasmo e tributários do neoplatonismo, irão dar na tal da noética... Há muito assumida pelas seitas protestantes luteranas, pentecostais e mesmo calvinistas. Os romanos irão dar na mesma solução por via do Agostinianismo ortodoxo e mais além irão seguindo na direção de uma antropologia nefasta até o jansenismo, o luteranismo ou calvinismo. 

Ocidente e Oriente por via da noética, que é princípio subjetivo e indemonstrável que se ajusta a qualquer crença ou heresia, desarmarão a Mãe Igreja face as seitas e falsas religiões no exato momento em que carece fortalecer sua apologética com o objetivo de confrontar as ditas seitas, as culturas de morte e o islã - Vejam então como tudo isto é trágico e como os fundamentalistas de modo geral prestam péssimo serviço a Igreja. 

Após terem judaizado, assumido os mitos ineptos dos antigos israelitas e menosprezado os autênticos mistérios de nossa fé, e fragilizado as 'razões' da Igreja - Apresentadas pela Filosofia clássica - os fundamentalistas devem necessariamente flertar com o integralismo. Afinal desprovida de seus fundamentos ontológicos ou apologéticos - I é da demonstração racional e experimental da verdade!  não pode a mãe Igreja caminhar sobre seus pés, devendo ser, como uma palhoça capenga, sustentada pelo poder autocrático e arbitrário do Estado. 

Fundamentada na mística, na noética, na iluminação ou na relevação particular e subjetiva perde a fé seus mais sólidos fundamentos - Sejamos honestos: Qualquer apresentação da Ortodoxia neste sentido só deliciará os Ortodoxos, qualquer apresentação do papismo por esta via só deliciará os papistas, e assim por diante. É a tal noética de todo inapta para convencer os contrários, refutar seus erros e firmar um são proselitismo! E falhará ela cabalmente face as seitas protestantes, ao islã, ao ateísmo e as culturas de morte. Atrairá apenas os elementos semi analfabetos ou analfabetos pertencentes as massas, fortalecendo as seitas. Pessoas mediatamente instruídas, críticas ou geniais não conquistará e agregará a Igreja de Cristo. Do contrário, fosse boa a tal noética para nossas igrejas apostólicas, não teria ela sido assumida com unhas e dentes pelos heréticos... Por isso nada quero com ela... Porque desarma a Igreja e não se presta aos misteres que temos em vista!o, que como grego tem veleidades não apenas hesicastas mas noéticas, que me contento em assumir a fé Ortodoxa, mas não essa Teologia ou Theologumena, ficando com a velha Escolástica ou melhor com a propedêutica da Filosofia clássica assumida por Clemente, Irineu, Orígenes, Atanásio, Eusébio, Gregório de Nissa, Damasceno, etc Vereda sólida e segunda para a apresentação objetiva da fé e sua justificação. 

O que nos leva a afastar-se ao máximo da posição agostianiana com sua epistemologia já suspeita e sua antropologia maniqueísta que redundou necessariamente em calvinismo, como do calvinismo resultaram o fundamentalismo, o puritanismo, a teocracia e mesmo a afirmação do liberalismo econômico ou do capitalismo, pelo que não podem os Cristãos apostólicos assumir tais elementos culturais, os quais nem lhes pertencem ou são seus.

Tal a importância das relações entre os elementos culturais ou das afinidades eletivas, a qual nos permitem ir além da fé e da teologia, e examinar o panorama da cultura com toda sua abrangência. Ora quem diz panorama da cultura, diz projeto social, político e econômico em termos de civilização. E mais uma vez aqui, as Igrejas apostólicas e o protestantismo separam-se. Veja bem e anote isto: São dois projetos culturais não apenas distintos mas apostos; o que vale já para a Igreja romana e muito mais para o Catolicismo Ortodoxo.

Daí apontarmos a leviandade com que papistas e Ortodoxos, assumindo pautas protestantes, como o fundamentalismo, a depravação total, a noética, o integralismo, o puritanismo, o liberalismo econômico, etc protestantizam-se em certa medida. São Ortodoxos que chocam-se contra a cultura e o projeto social da Ortodoxia e romanos que ignoram ou confrontam o projeto sócio cultural de sua confissão, traindo uma mentalidade protestante. Ora um Ortodoxo ou um papista não pode ter uma mentalidade protestante, de modo que jamais será ou poderá ser capitalista ou individualista, fundamentalista (E assim criacionista, terraplanista, geocentrista ou negacionista em qualquer grau.), integralista, carismático, puritano, etc pois cada um desses elementos chocam-se com a norma e regra da tradição e com a mentalidade vigente no padrão apostólico.

É uma questão de coerência. 

Verdade é que a igreja romana tem abdicado cada vez mais - Século após século - de seu próprio projeto, tão caro a consciência medieval. É um fato demasiado triste, pois implicou ceder espaço a esse projeto sujo e porco que ai temos, o qual é de origem protestante e redundou em tais culturas de morte contra as quais nos esbatemos: Capitalismo, Comunismo, Anarquismo, Fascismo, Nazismo, etc Observe que o projeto protestante original, se é que existia (Em termos de teocracia bíblica), abortou miseravelmente. Desde então o Cristianismo foi perdendo cada vez mais o seu ascendente sobre as Sociedades ocidentais... Havendo um esvaziamento Ético em termos de princípios e valores. 

Sob pressão do Islã sucedeu o mesmo no Oriente quicá numa proporção ainda maior. E embora nossos Ortodoxos conheçam algo sobre o império Bizantino, o quanto sabem é sobre sua forma política em parte ultrapassada. Sobre sua estrutura e ações sociais quase nada sabem, sendo a ignorância quase total. Importa dizer que esse projeto jamais completado nada tem em comum com o projeto protestante ou calvinista até certo ponto materializado nos EUA. 

Repito, como houvesse um projeto protestante original: Bíblico, fundamentalista e teocrático; foi definitivamente repudiado pelo Ocidente, pois partindo de seus princípios deletérios o protestantismo produz tensões insuperáveis. Foi e é um projeto de que resultam extremos perigosos: A total descristianização da sociedade e o abandono do mundo a um lado e o ideal de república bíblica pautado no Israel do século VI a C. Até certo ponto parece que essa dicotomia horrenda renasce no Brasil de hoje. Pois se o protestantismo brasileiro teima obstinadamente em enjaular a mente humana ou de enfiar a sociedade na bíblia, o Cristianismo, a partir deste padrão tosco, passa a ser cada vez mais odiado pela outra parte da Sociedade.

Está situação exige por parte dos Ortodoxos, papistas e anglicanos um posicionamento - Especialmente face a infecção ecumênica - e tomada de consciência e eu aconselharia a cada um deles o caminho da coerência: Tornem a luz. Afastem-se de todos os princípios assumidos pelo sectarismo bíblico: Individualismo, biblismo, subjetivismo crasso, negacionismo científico, fetichismo, integralismo, liberalismo econômico, etc Rompam decididamente com esse padrão sócio cultural e retornem a suas raízes. Tornem a Ética da solidariedade, ao Evangelho, a Tradição comum, ao objetivismo, a Filosofia clássica, a ciência, a vida democrática, a justiça, a tolerância, ao amor, enfim a tudo quanto seja humano, nobre, justo e excelente. 

Não tentem usar remendo velho em roupa nova ou colocar vinho novo em odre velhos... Não dará certo. O Evangelho, a lei Cristã, a Cristandade antiga, tem uma visão total e projeto próprio. E não é o que temos... Não é comunismo e não é capitalismo, pronto. Não é objetivismo sem subjetividade e tampouco subjetivismo crasso. Não é cientificismo e tampouco negacionismo... É algo sóbrio, equilibrado, harmonioso e complexo, que foge aos extremismos e ao sectarismo bizarro. Tornemos e retornemos a este projeto humanista, pois dele depende a cura do homem e o Renascimento da civilização, ou sua preservação.

Não temos muito tempo, portanto apressem-nos.

Desculpem a prolixidade e a extensão deste artigo mas foi necessário, pois o repetir é que nos faz claros. Claridade é tudo ou ao menos muita coisa.