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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Ravachol, Sante Casério... e a propaganda pelo fato.

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Qual o preço a ser pago por ser justo?

Não sei...

Vai de um 'deslike' no mundo contemporâneo ou a um xingamento a cicuta que o grande ateniense teve de tragar.

É que hoje já não nos podem fazer tragar cicuta ou ameaçar com a corda fazendo correr a Calcis ou ao país mais próximo.

De alguns dizem que foram queimados vivos, como Pitágoras ou Moídos vivos num pilão gigantesco como Zeno.

Quanto aquele que disse 'Ai de vós que juntais casa a casa e somais campo a campo' dizem ter sido serrado ao meio por ordem do ímpio Manassés.

Carneades teve a sorte de apenas ter sido expulso da cidade eterna por Catão. Epicteto teve a perna quebrada, antes de ser exilado por decreto imperial. Petrônio o 'árbitro da elegância' teve de suportar os 'grunhidos' de Nero e Sêneca de abrir as veias. Helvídio Prisco foi mandado matar por Vespasiano.

S João Crisóstomo teve de morrer no exílio, S Máximo teve a lingua e o braço cortados, S Atanásio, S Hilário e muitos outros amargaram o exílio em terra estrangeira.

Conecto foi lançado as chamas. Edeline e De Lure foram encarcerados. Vieira processado pela Inquisição.

St Just, Robespierre e o próprio Babeuf supliciados.

Uma multidão de Católicos sociais, os filhos mais esmerados da Igreja, insultados e descritos como comunistas pelos traidores. D Lefevre e o abbe Georger de Nantes perseguidos incansavelmente pelos pedreiros livres. Emmanuel Mounier e Jacques Maritain caluniados pela ralé.

Também Kropotkin e Tolstoi, Ghandi e Thoureau, Blum e Nearing, dentre muitos outros, tiveram de conhecer as privações do cárcere, assim Hérzen, assim Lavrov... Chaplin teve de abandonar o EUA, que dizem ser a terra da liberdade!!!

Vargas foi assassinado da mesma maneira como Gabriel Garcia Moreno.

E sucessivamente os justos tem sofrido nas mãos do paganismo, do judaísmo, do papismo, do protestantismo, do capitalismo, do absolutismo régio, do comunismo, do nazismo, do fascismo e de todas estas culturas de morte abomináveis. Socráticos, Católicos, Policratas, Anarco socialistas e outros tantos amigos do homem tem sido sucessivamente oprimidos e suprimidos por terem ousado alça a voz em defesa da verdade.

Aqueles que se postam intransigentemente, ao lado da justiça e sem consideração de ideologias tornam-se odiosos!

Aqueles que afrontam os preconceitos sancionados pelo senso comum tornam-se detestáveis.

Aqueles que levantam-se contra a mediocridade dominante atraem numerosos desafetos.

Diante disto que fazer?

Calar-se e compactuar face quanto esteja errado ou afrontar?

Seguidores daquele que morreu suspenso no alto do calvário temos por imperiosa e imperativa a segunda opção!

No entanto por uma questão de prudência e para não dar ocasião de escândalo aos mais débeis queremos deixar bem claro qual seja nosso pensamento sobre a 'propaganda pelo ato' ou pela 'propaganda pelo fato' levada a cabo pelos bakuninistas radicais no último quarto do século XIX.

Sabemos muito bem quem foi o patife Nechyaev e quais foram suas relações com Bakunin, intelectualmente falando o menos afortunado ou mesmo pigmeu dos anarquistas. Face a Proudhon e Kropotkin Bakunin é para lá de medíocre...

Para nós a 'propaganda pelo fato' corresponde a algo de monstruoso, abominável, grosseiro e inadmissível sob qualquer pretexto ou alegação. Coisa de gente bárbara, cruel, vil e desumana; quando sã.

Afinal nós não pertencemos ao grupo daqueles que colocam a verdade ou a ideologia, seja ela qual for, acima da vida humana. Nós situamos a vida humana acima da verdade. E por isso não acreditamos que matar seja uma forma ou uma maneira de lutar pela verdade. Admitimos que a violência e a morte sejam justificadas face a opressão, a dominação, a miséria, a injustiça... Acreditamos que os homens possam reagir face a situações sociais de injustiça. Acreditamos na violência defensiva ou na guerra justa, mas de modo algum que se deva matar pela verdade ou em nome da verdade. A verdade é algo que se decide por meio da persuasão ou seja através de evidência e argumentação e não através de bombas, fuzis ou baionetas.

A menos que alguém, capaz de defender-se, opte por morrer por seus ideais ou que se auto sacrifique, é a verdade manchada. Honorifica-a o verdadeiro martírio, dos fortes. Polui-a o assassinato, o derramamento de sangue, a carniçaria, a matança... Matar será sempre matar, jamais defender a verdade. Assassinar será sempre assassinar, jamais promover o conhecimento. Educar jamais será sinônimo de ensanguentar.

Por isso condenamos a propaganda pelo fato da mesma forma que condenamos o terrorismo promovido pelos adeptos do califado; e antes de condena-los despresa-mo-los como o substrato mais baixo da ralé. Como bárbaros, rudes, grosseiros e inimigos da civilização. Não compactuamos com nada disto, e quem ousar declarar-nos partidários de tais recursos seja tido em conta de vil caluniador e mentiroso.

No entanto uma coisa é condenarmos o método empregado por Ravachol e seus companheiros, assim Vaillant e Sante Casério e outra condenarmos a eles como se não passassem de vis criminosos, sádicos, cruéis, etc sem quaisquer conexão com a sociedade em que viviam. De fato adotaram meios inadequados, no entanto nem por isso deixam de ser produtos do tempo ou da sociedade em que viveram ou melhor homens que sentiram todo peso dessa sociedade e não foram capazes de suporta-lo.

Não adianta dizer que havia algo de errado com Emilé Henry ou com Meunier. É da-los como seres a parte da Sociedade, da Sociedade que eles arrenegavam. Então o que temos de analisar, caso queiramos ser justos é se, em que pesem os meios de ação inaceitáveis a que recorreram, tinham lá alguma razão no sentido de repudiar aquele tipo ou padrão de sociedade. Não se trata de absolver a eles, mas de condena-los e absolver aquela sociedade; isto é que nos parece problemático. Alias a ideia que se passa é que eram homens maus ou cruéis em luta contra uma sociedade paradisíaca ou no mínimo aceitável aos olhos da criatura racional.

E já começamos dizendo que aqueles homens, condenados por terem agido equivocadamente, eram filhos de uma Sociedade condenável, cujos métodos ou recursos condenáveis reproduziam. Apenas não eram hipócritas e dissimulados como aqueles que matavam em nome do poder, do dinheiro ou do que chamam de ordem e eram condecorados quando não homenageados com uma herma em alguma praça...

Ravachol e Vaillant, franceses, viveram nas décadas de 60, 70 e 80 do décimo nono século e eram ambos de famílias paupérrimas ou miseráveis. Na França, do século XIX, nem havia algo semelhante a 'poor law' inglesa, nem havia mais um S Vicente de Paulo. De fato a Revolução francesa foi mais imprevidente do que a Coroa Inglesa ao cabo do décimo sexto século. Pois se esta abandonou os pobre por meio século, a contar da extinção dos mosteiros em 1838 a aprovação da primeira 'poor law' em 1898, aquela deixou-os completamente abandonados até a criação das primeiras leis trabalhistas, criadas de 1892 a 1900 e consolidadas em 1938. Portanto o estado francês, marcadamente liberal,, após ter usurpado parte dos bens eclesiásticos - a exemplo da reforma protestante - e secularizado as abadias e mosteiros, abandonou os pobres por mais de século e eles ficaram completamente, totalmente desamparados... A igreja, a seu tempo, envenenada pelo incredulidade e assolada pelo terror, tornou-se absolutamente dócil, na França do décimo nono século. Apenas os Católicos sociais, como Ozanam, lutavam arduamente no sentido de mudar tal situação. Eram no entanto poucos... E as condições políticas inadequadas.

Desde a Revolução, em que pese o Catolicismo social, podemos falar de um significativo vácuo, quanto ao socorro aos pobres, a promoção humana e a proteção do trabalho. Não menos que na vizinha Inglaterra, vigorava um liberalismo sufocante. Mas os ingleses, ao menos durante algum tempo, contaram com a ação social metodista, responsável inclusive, segundo alguns teóricos, por ter espantado o espectro da Revolução... A França, cética e em parte secularizada não contava com algo semelhante. Sua situação era dramática, digo a situação dos pobres, dos trabalhadores, dos camponeses e das classes superiores, os quais levavam uma existência miserável.

Tanto Ravachol quanto Vaillant referem-se amiúde não apenas as situações de fome porque passaram, mas o que é ainda mais dramático, as situações de fome porque passaram seus pais ou irmãos mais jovens sem que tivessem uma mísera códea de pão duro com que forrar o estomago. Mas há quem ache tudo isto comum, aceitável ou até mesmo belo; enquanto a mesma época um único banquete oficial com que as autoridades constituídas recebiam uma autoridade estrangeira consumia uma soma capaz de manter dezenas de milhares de famílias pobres por anos a fio... Tais banquetes, aquele tempo constituíam a prioridade orçamentaria, juntamente com as armas e munições destinadas a reprimir e massacrar os possíveis insurretos, que não se conformassem com tão indigna situação. Eram umas reuniões idílicas e aprazíveis em que algumas centenas de fidalgos degustavam canapês de caviar, trufas, salmão, foie gras, faisão, vinho do porto, etc enquanto milhões passavam dias inteiros com as barrigas vazias, inclusive crianças! Um estado policial, cujo único fim era manter a força semelhante condição, a que chamavam ordem...

Ordem na França do século XIX significava que, segundo o nascimento, uns tinham de conformar-se com pão amanhecido - quando havia - enquanto outros podiam consumir toda sorte de iguarias finas e delicadas, cujo valor bastaria para matar a fome daqueles... E quando morriam eram os nababos sepultados com suas joias de ouro e pedrarias. Carcaças putrefatas eram enterradas com joias cujo valor seria capaz de matar a fome de um vilarejo inteiro por anos a fio. Um só daqueles anéis bastariam para levar pão as bicas de centenas de crianças famintas. Mas... preferiam encerra-lo com uma cadáver num caixão apenas para mostrar 'status'... Então avalie o que era semelhante sociedade! Banquete para uns e agonia para outros, segundo o nascimento, não segundo a inteligência ou o mérito, os quais pouco contavam, exceto quando ornavam uns bajuladores sem caráter.

Segundo Max Nordau - nas 'Mentiras convencionais' - (De man alude a isto) a grande diferença entre os banquetes oferecidos pela França republicana e os não menos faustosos banquetes oferecidos por um Calígula, um Nero ou um Domiciano - capazes de consumir as rendas anuais de uma única Província imperial! - era que estes não apareciam nas primeiras páginas de revistas ou jornais. De fato aquele tempo as comunicações eram bastante precárias, de modo que tais excessos apenas por ouvir dizer chegavam aos ouvidos das massas, jamais aos olhos e com viva cor. A partir de um determinado momento a imprensa pos-se a ostentar ou a por debaixo dos olhos desta plebe ignara o faustoso banquete degustado por nossas elites, tornando-os assaz conhecidos do grande público. E semelhante ostentação da fortuna ao lado da miśeria ou da fome tinha mesmo de despertar a indignação e a repulsa de muitos.

Não era apenas questão de gula ou fome, de excesso ou privação, de riqueza ou miséria, mas acima de tudo de ostentação. A sem cerimônia com que esses ricos esbanjavam o que facilmente ganhavam foi logo interpretada como um tapa na cara. Nós não apenas exploramos o pobre e o fazemos passar fome, não é suficiente - Humilha-mo-lo e tiramos sarro dele. Foi esse tipo de humor negro, já presente na fábula dos 'brioches' de M Antonieta, que exasperou os mais inteligentes e sensíveis dentre os pobres tornando sua miséria ainda mais dolorosa ou internalizando-a.

Além do mais, as pesquisas nos fazem saber que a fome enlouquece. Eu mesmo testemunhei como um de nossos assistidos - pessoa demasiado tímida para revindicar qualquer coisa - quase surtou durante o período em que ficamos doentes e não pudemos socorre-lo. Veja o senhor o que é a fome! Imagine então ter de dormir sabendo que sua mãe passa fome por ter dividido a única fatia de pão com os pequenos, que os pequemos talvez não tenham leite no dia seguinte ou que a sua irmã menos tenha de vender o que chamavam 'pureza' em troca de alguns pobres para ajudar nas despesas da casa... Tais as situações porque passaram Vaillant, Ravachol, bem como o italiano Casério.

Dickens nada inventou do quanto escreveu. Descreveu com fidelidade a crônica de seu tempo, a 'idade de ouro' do liberalismo econômico...

Mas perguntará nossa 'cinderela' ou nossa 'branca de neve': Por que tais homens não trabalhavam ou deixavam-se imolar, como outros tantos, pelo deus mercado??? Havia aquele tempo, mais do que hoje, um colossal exército de reserva composto por desempregados. De modo que conseguir emprego não era tão simples ou fácil quanto se pensa. Tanto pior nas Vilas espalhadas pelos campos em que o trabalho era sazonal. Havia com que viver durante o tempo da semeadura e da colheita, no entanto, durante o resto do ano... Sim, sempre se podia executar alguma coisa ou algum servicinho mas a remuneração era irrisória, ínfima... e o preço dos gêneros, elevadíssimo.

Parece inacreditável ao homem de hoje mas cenas como as que atualmente só se sucedem nos confins da Etiópia ou que ocorreram na Ucrânia do Holodomor, repetiam-se anualmente nos cantões da França caso a colheita sofresse alguma alteração imprevista e o valor dos alimentos subisse. Dezenas de pessoas morriam de inanição... Sem que o Estado fizesse qualquer coisa. O governo policial nada fazia além de recorrer as baionetas e reprimir os insurretos. Por que vocês acham que o anarquismo mais virulento fez sua primeira aparição na França, identificando o estado como o mal absoluto ou metafísico??? Por que durante quase um século, o estado francês inspirado por uma ideologia econômica liberal, omitiu-se por completo face ao problema da inanição, disto resultando a morte de muitos... Para não mencionarmos a fome, a miséria, o trabalho; que eram outros tantos problemas.

De fato viver naquela França 'doce' apenas para uns poucos privilegiados era literalmente enlouquecedor. De modo que Ravachol, Vaillant e outros tantos acabaram surtando e colocando em prática a solução inconsequente formulada por Nechyaev. Exasperados puzeram-se a estourar bombas aqui e ali julgando que exerciam vingança contra aquele estado imoral, insensível e cruel. E se bem que, via de regra, explodissem apenas espaços frequentados pela alta burguesia debochada, sabiam que corriam os risco de ferir ou matar os inocentes que por necessidade ali trabalhavam. Tampouco pararam para considerar a condição peculiar das crianças, dos alienados mentais ou dos idosos, para eles todos os que pertenciam ao 'meio burguês' eram igualmente culpados e como disse Emilé Henry não havia inocentes no seio da burguesia. O marxismo, visando ser mais humano, deu a entender que também o burguês ou ao menos alguns deles, podiam ser vítimas da alienação... Estes jovens aterrorizados no entanto, compreenderam que todos os burgueses eram insensíveis, sádicos, cruéis e culpados face ao calvário percorrido pela gente simples.

Seja como for fica difícil entender de que modo explodir um bebê burguês torna-se revolucionário. Me parece mais um ato irrefletido, face da revolta e da insanidade produzidas pela fome. Trata-se antes de tudo de um ato de sadismo, mas de um sadismo produzido no seio de uma sociedade sádica, por uma sociedade em que todos, inclusive os que protestam contra ela, acham-se anestesiados. Tal o sadismo dos que sepultam seus queridos com tesouros, bem como daqueles que devoram diariamente salmão, pernil, caviar... sabendo que seus irmãos não tem o que comer! De fato o sadismo assume diversas formas... Como cobrir-se com um vestido de seda, tafetá, chamalote, rendas, laços, fitas e pedrarias... com que se poderia saciar a fome de milhares de bocas. Não, não se trata numa insensibilidade ou duma frieza presentes apenas nos anarquistas ou terroristas, mas de uma insensibilidade difusa, socialmente partilhada e que num determinado momento voltou-se contra a própria sociedade.

Antes de julgar tais homens ou tais criminosos - que tenho em conta de mentalmente instáveis ou afetados e aos quais certamente absolveria - acho que devemos procurar conhecer melhor a Sociedade em que viveram e julga-la. Nem preciso dizer que tais homens eram vítimas da Sociedade. Que uma sociedade individualista e egoísta faça vítimas é uma obviedade...  Contento-me por dizer que faziam parte daquela sociedade e que eram expressão dela, não algo a parte... Eu tive honestidade suficiente para ler os depoimentos deixados por estes homens e sacar algumas conclusões. Diferentemente de Paul Adam não direi que tais homens fossem mártires ou santos - embora Ravachol tenha jurado jamais tornar a roubar galinhas de uns pobre camponeses magricelas para dar de comer a irmã menor - mas tampouco direi que eram uns alienígenas ou mesmo uns celerados sem coração. Tudo quando direi é que eram homens de seu tempo e de seu lugar, e que aquele tempo e aquele lugar certamente não eram muito bons.

Pronto falei ou melhor escrevi e aguardo já pelas pedradas, afinal o -

"Diga a verdade e saia correndo." ainda parece ser a regra vigente...

Enfim estamos diante de homens descristianizados, membro de uma sociedade descristianizada ou o que é ainda mais chocante, de uma Cristandade aparente. Pois como pode o Cristão, o Cristão Católico, permanecer acomodado e indiferente face ao irmão que passa por privação e fome??? Como pode o Católico encarar a fome, num ambiente em que a produção de alimentos é suficiente para saciar a todos, como algo aceitável ou comum??? Admitido isto, só posso dizer que há algo de muito estranho ou de muito errado com este Catolicismo e que não se parece nem um pouco com o Catolicismo dos Apóstolos, de Justino, Clemente, Ambrósio, Astério, Basílio, Crisóstomo, etc 

terça-feira, 17 de julho de 2018

A Igreja e o espantalho do anti abortismo I - A hipocrisia dos anti abortistas

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A véspera das eleições 2018 estamos assistindo a mais uma manipulação do discurso anti abortista pelos pseudo católicos liberais e protestantizados, ou melhor dizendo pelos neo católicos ou tridento modernistas.

Já me referi no artigo anterior ao imenso perigo que consiste nos Católicos assumirem slogans protestantes ou causas que não são suas, como a pregação ou cruzada anti comunista. O protestantismo, aliado incondicional do capitalismo, em sua imensa miséria pode, definir-se a si mesmo como uma religiosidade anti Comunista. Ele sequer possui uma doutrina social normativa.

O Catolicismo não. Não é comunista, mas tampouco seu ponto de vista pode ser definido nos termos bisonhos e simplórios de um anti Comunismo. Por mais aterrorizante que a Revolução russa ou bolchevique tenha sido. E foi. A Igreja tem uma doutrina social, que não é nem comunista nem liberal. Isto quer dizer que ela não tem parceiros ou aliados, justamente por ter uma proposta própria. E que não pode fazer o jogo do liberalismo ou do imperialismo cultural Norte americano, que em termos de ideal Católico é uma anti civilização.

Mas o protestantismo, desde Trento, esforça-se por empenhar o papismo e por manipular seus membros, já em favor do agostinianismo, já em favor do germinismo de Bismarck, já em favor do nazismo, do liberalismo... E os Católicos tontos e superficiais, como verdadeiros patos, vão se deixando enlear pela parlenga protestante. Em temos de relativismo ecumênico não podia ser diferente. Os protestantes lançam suas iscas ideológicas ou puritanas, e os Católicos vão se deixando fisgar.

Qual a principal consequência de tudo isto?

O ideal Católico e Cristão de sociedade, legado por nossa tradição antiga e medieval vai ser cada vez mais pondo de lado e o ideal protestante ou Norte americana, em torno de uma sociedade liberal economicista ou capitalista se vai afirmando entre nós. Graças aos 'senões' destas almas timoratas...

Nada diferente durante estas eleições presidenciais 2018. Em que os protestantes e sua sinistra bancada teocrática, tem buscado favorecer seus candidatos, Marina e Bolsonaro - um e outro mancomunados com o liberalismo econômico - e prejudicar o candidato rival, Ciro Gomes, do PDT, apelando ao anti abortismo, a que os Católicos são bastante sensíveis e transformando-o em argumento político. Tudo isto sai dos fornos protestantes... e o resultado é justamente o afastamento drástico de nossas tradições - sempre respeitadas pelo Dr Enéas Carneiro- em benefício do capitalismo e da cultura yanke.

Comecemos portanto a deslindar esta trama, principiando pelo tema ou pela questão do aborto.

Lembro-me de ter lido, na Didaké e em S Atenágoras de Atenas, alguma coisa contra o aborto. De fato este ponto de vista faz parte da tradição humanista Cristã desde seus primórdios mais remotos.

Os antigos tinha uma postura distinta. E não poucos recorriam a poções com o objetivo de interromper a gravidez, algo bastante comum nas antigas Grécia e Roma. Levados pelo mesmo princípio - que abortistas e não abortistas parecem ignorar - eles também admitiam repudiar e consequentemente lançar ao bueiro ou a cloaca os filhos recém nascidos. Os Cristãos daquele tempo chocavam-se face a ambas as posições e a suas expensas financiavam - embora fossem pobres - orfanatos destinados a recolher tais crianças, combatendo eficazmente o aborto e a exposição. Eles não se contentavam em assumir, hipocritamente um discurso anti abortista ou em ignorar o não menos grave problema da exposição, da miséria e da escravidão - Por meio de instituições próprias buscavam solucionar a ambos os problemas.

De nossa parte, numa sociedade pluralista e laicista, nós temos buscado analisar o aborto do ponto de vista natural ou comum e tomar como ponto de partida os ensinamentos de Aristóteles a respeito do ato e da potência, bem como a tradição Socrático humanista que costumeiramente enfatiza o caráter racional do ser humano, um ser capaz de refletir, de pensar e portanto de planejar o seu futuro. Diante disto somos levados a crer, que num contesto em que a família pode ser planejada e a gravidez evitada por meio de contraceptivos, a opção pelo aborto irrestrito torna-se no mínimo problemática.

Afinal por que interromper artificialmente um processo que pode ser evitado e que não precisaria ter sido iniciado? A possibilidade de planejar, de algum modo, exclui a necessidade de uma interferência 'a posteriori'. Não se trata aqui de discutir se o feto é ou não um ser vivo ou se sente dor, não é o foco da questão. O que se deve analisar aqui é se este processo iniciado ao consumar-se redundará ou não no surgimento de um ser vivo... A vida esta potencialmente contida neste processo, que é a gravidez, desde o princípio. Então, se não desejamos que haja gravidez ou vida POR QUE NÃO PLANEJA-LA RACIONALMENTE ATUANDO DESDE O PRINCÍPIO OU NÕ PRINCÍPIO OU seja adotando métodos contraceptivos sejam eles quais forem? Por que não evitar ao invés de interferir 'a posteriori'?

Num tempo em que a oferta de preservativos é feita pelo poder público, o qual oferta da mesma maneira o planejamento familiar e contraceptivos, chega a ser clamoroso absurdo pleitear a aprovação indiscriminada do aborto, especialmente tendo em vista a clientela economicamente mediana e medianamente instruída - Isto sem falarmos nos abastados... E quando se cogita, tendo em vista relativo controle, que tais procedimentos sejam executados em instituições públicas com o dinheiro público. Como contribuinte tenho direito de recusar-me a custear o aborto de uma madame fútil, manipulada por um esposo fútil ou cruel, que bem poderia ter laqueado suas trompas ou exigido que o macho fizesse vasectomia! Afinal de contas é comum em todas as classes e condições que o 'macho alfa', após ter exigido transar sem camisinha, pressione a mulher para abortar... Refiro-me a tais problemas situados nas classes média e superior. E não quero pagar por tal ônus!

Quanto a possibilidade de tais serviços, destinados a atender esse tipo de clientela - bem posicionado - serem assumidos pelo setor privado, teríamos de pensar no controle. Pois teríamos aqui um sistema de abortização movido a dinheiro e sabe-se lá que abusos monstruosos resultariam disto em nosso paraíso tupiniquim... em que tráfico de órgãos e assassinato de pacientes é algo corrente. Em Hospitais públicos inclusive.

Mas estas pessoas, alegará alguém - e não sem razão - já realizam abortos no exterior ou abortos clandestinos aqui mesmo no Brasil. Aqui temos que ser bem claros. Quanto a essas mulheres ou casais de situação confortável - que optam livremente por assassinar seus futuros filhos e filhos que bem poderiam ser evitado - que continuem a gastar seu dinheiro no exterior, abortando por lá. O problema é a existência dessas clínicas ilegais, que auferem milhões e milhões aqui mesmo, sem que seus proprietários sejam punidos no rigor da lei. Antes de punir os que abortam deveriam ser punidos aqueles que tornam o aborto factível e dele fazem uma fonte de lucro. Mas no Brasil... Toda situação em torno do aborto feito por ou para pessoas bem situadas é problemática e eu julgo que tais pessoas, a começar pelo macho ou pelo pai, deveríam ser rigorosamente penalizadas. Deveríamos começar punindo com máximo rigor o homem, posto que vivemos numa cultura ainda machista.

Agora temos um problema não menos sério que é o das mulheres pobres e sem instrução inseridas uma cultura ainda mais machista, aquelas que por condição natural ignoram que seja planejamento familiar ou contracepção. E que tampouco deixam de ser influenciadas pelo macho ou, muito frequentemente, abandonadas pelo 'garanhão', tendo de assumir sozinhas o encargo de sustentar a prole, resultando disto situações de miséria e indignada que não podem ser desconsideradas, especialmente pelos que ousam apresentar-se como Católicos. Claro que as condições desta mulher pobre e quase sempre parda e semi analfabeta de periferia é totalmente distinta da madame fútil que encara o feto como um parasita ou como um pedaço de seu corpo! Como imaginar esta pobre mulher, vivendo como uma freira ou, procriando, sucessivamente sete ou doze filhos para que passem a viver sob condições desumanas???

Sem que o papa, o cardeal, o arcebispo ou mesmo o padre X ajudem-na a sustentar e criar dignamente esta imensa prole. Acaso o Marmelo Rossi ou o Pulha Ricardo estão dispostos a compartilhar do ônus que implica a criação de tantos filhos??? Quantos orfanados ou abrigos mantém eles??? Vão levar estas pobres crianças para a casa paroquial, adotar e cuidar??? Então veja só que diferença entre esta pregação teórica, que beira o fideísmo, e a atitude dos primeiros Cristãos, que mesmo sendo pobres assumiam o encargo de alimentar, vestir e manter os pequeninos???

Caso contrário denunciar, como criminosa e assassina a esta mãe pobre de periferia, que não recebe apoio algum, não passa de sórdida hipocrisia! Claro que a situação material, concreta e real desta mulher, deve ser considerada. Por que não localizam o macho que a abandonou? Por que não obrigam este celerado a pagar uma boa pensão? Por que não colocam este desalmado atrás das grades? Por que não punem este egoísta??? Porque se evade! Porque foge! Porque não há quem o encontre ou vá buscar! Porque é bêbado, drogado ou marginal! Porque não tem fonte de renda donde se lhe arreste uma pensão!!! Porque socialmente este homem ou marginal inexiste! E fica a mulher obrigada a manter-se sozinha, abandonada e com um cordão inteiro de filhos... Querem condenar o aborto em tais condições??? Assumam a responsabilidade social ou comunitária de vocês. Mas vocês murmuram contra a esmola do Bolsa família, e declaram - Quem pariu Mateus que balance! Que belos inimigos do aborto vocês são!!! Por que uma coisa é absolutamente certa: Se o macho pode omitir-se e permanecer impune, ou a Igreja ou o Estado i é a Sociedade, terão de auxiliar esta mulher... Do contrário, caso ela venha a abortar, calem a boca! Vocês são os infanticidas, não ela.

A situação da mulher em desespero é uma situação específica que os bons Cristãos não podem ignorar. Como criminalizar uma mulher destas em sã consciência? A qual já foi punida por si mesmo ao desfazer-se de um filho! Via de regra a mulher do povo tem sensibilidade e por isso fica, não poucas vezes, traumatizada, após abortar. Enquanto a mulher rica ou de classe média, cede as exigências do macho sem maiores consequências. Uma, amiúde, acalenta remorsos e culpa. A outra muito raramente. Portanto como pensar em punir esta vítima do machismo e do egoísmo humano. O mínimo que podemos dizer aqui é que a mulher que aborta, dependendo de seu contesto, não devería ser criminalizada. Assim a mulher pobre e sem instrução, a mulher do sertão, da rua ou da periferia. Esta mulher deveria sim ter sido acolhida e ajudada. Caso não o tenha sido, o mínimo que se espera é que não seja molestada pela hipocrisia alheia em busca de 'punições'.

Se vocês, paladinos do anti abortismo, querem de fato evitar que o aborto seja amplamente descriminalizado no Brasil - E nosso país só conhece soluções extremistas ou radicais: Proíbe tudo ou libera geral - comecem assumindo sua culpabilidade social e ajudando tais mulheres. Comecem a fundar orfanatos e abrigos tendo em vista a criação de tais pessoas numa atmosfera de carinho e dignidade. Sentem o coração doer face a tantos infanticídios? Pois bem adotem??? Quantos de vocês estão dispostos a adotar tais criaturas ou no mínimo a apadrinha-las??? Cadê as obras de vocês??? Quanto aos protestantes, ao menos são honestos quando declaram que não precisam fazer boas obras e que sem elas se salvam. Agora e vocês anti abortistas Católicos, cadê suas obras???

Me desculpem pera rude franqueza, mas se não fazem absolutamente nada ao invés de berrar: Aborto não... Vocês deveriam é engolir e digerir o anti abortismo de vocês. Porque cheira a hipocrisia. Vocês tem um problema que é em parte social, produto da ignorância e da miséria e nada fazem além de exigir que mulheres solteiras perambulem pelas ruas rodeadas por seus filhos esqueléticos! É este o espetáculo de uma sociedade Católica??? Um exército formado por uma multidão de miseráveis e famintos??? Sementeira de ravachóis e Casieros!!! Mas o Pe Pulha Ricardo... Mas o Pe Pulha Ricardo não passa de um fariseu hipócrita que coloca sobre os ombros alheios imensos fardos que nem mesmo com a ponta do dedo mindinho ousa empurrar!!! Pelo simples fato de não ter adotado alguns deses pobrezinhos ou de manter um abrigo destinado a acolhe-los! Ele só sabe pregar ou seja falar... Quanto a fazer...

Claro que alguns Católicos denodados e heroicos do passado, e una pouquíssimos hoje, tenham feito e busquem fazer alguma coisa. Merecem ser ovacionados e aplaudidos de pé. No entanto, parece que a imensa maioria dos que compõem esta multidão de abortistas tenha tombado no comodismo, no egoísmo e na insensibilidade. Limitando-se a apontar, a julgar e a condenar aqueles aos quais deveriam ajudar. Estão envenenados pela mesma ideologia neo liberal, burguesa e egoísta que alimenta os abortistas das classes superiores.

Continua


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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Um recado aos eleitores do PSDB e cia...


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Se você pretende anular seu voto, se não deseja votar em quem quer que seja, se é a favor da abstenção, se não tem lado, plataforma ou partido; sequer precisa continuar a ler este artigo.

Se pretende anular, de boa. Não pretendo te convencer do contrário, não vou perder tempo ou gastar saliva.

Se quer votar em branco boa sorte.

Se não tem candidato ou opção - forte abraço.

Enfim este artigo não foi escrito para você.

Se você não tentar me convencer eu é que não haverei de polemizar com você.

Respeito sinceramente todos aqueles que sinceramente pretendem não votar em quer que seja.

Como respeito da mesma forma e maneira a tantos quantos desejam ver todos os políticos corruptos presos, sejam de esquerda ou direita, ou seja, independentemente da plataforma partidária. Embora não seja isto o que esteja ocorrendo hoje.

Afinal temos tantos e tantos suspeitos, denunciados e acusados - FHC, Aécio, Serra, Alckmin, Nunes, Caiado, Malta, Fortes, Maia, Cunha Lima, Renan, etc - e apenas um interrogado diversas vezes...

A justiça no entanto nem conhece plataforma nem faz exceção e se temos exceção não temos justiça.

Justiça não vai bem com privilégios ideológicos.

Pois seu fundamento e paradigma é a isonomia ou a igualdade.

Quando temos diversos culpados, a menos que todos sejam igualmente punidos, não temos justiça. Em semelhante quadro a punição de um apenas constitui injustiça.

Quando temos diversos suspeitos, a menos que todos sejam interrogados do mesmo modo e maneira, não temos justiça, mas iniquidade.

Portanto só irei aplaudir a justiça e aplaudi-la de pé, quando chegar ao PSDB e seus aliados. O que de modo algum estou vendo.

Tudo quanto vejo até agora é uma justiça focalizada para um partido (PT) ou uma plataforma (Trabalhista) certamente com objetivos demagógicos; desacredita-las.

Não considero que isto seja justiça mas abuso da justiça e sórdida manipulação.

Justiça não permite ou sequer pode cogitar tratamento diferenciado.

O que temos aqui é a justiça sendo usada com propósito político; o que é demasiado perigoso, por ficar a justiça desacreditada.

Por isso deve ela, a justiça, estender seu foco até PSDB e cia... Sob pena de ficar cada vez mais desacreditada.

No entanto não é sobre a justiça que venho discorrer por meio destas linhas.

Afinal tendes o Pontes de Miranda, Teixeira de Freitas, Bevillacqua, Evaristo de Morais, Lyra Filho... Leiam-nos!

Tudo quanto pretendo aqui é mandar recado aos eleitores do PSDB. Especialmente aos que sejam meus amigos e conhecidos.

Melhor prevenir do que remediar.

Afinal não quero ser acusado de grosseria, então é melhor mesmo avisar antes.

Para que ignorando o 'pecado' ou crime, a pessoa não incorra em punição.

Eis porque advirto já aos amigos e conhecidos que pretendam votar PSDB que vou mandar a M... o primeiro deles que mencionar o nome do Lula.

Compreende???

Se quiser votar em seus candidatos LADRÕES: Alckmin, Serra, Aécio, Nunes, Caiado, Maia, Malta, Fortes, Cunha Lima, etc faça bom proveito. Se for discreto e ficar em silêncio não sou eu que irá molesta-lo...

Agora não me venha - Após ter votado nesses canalhas - apontar o dedo em riste e murmurar: Mas o Lula... Mas o PT, porque neste caso a coisa vai azedar... Terei de perder a tão cara compostura e remeter-te a Puta que te pariu... Sonoramente e sem dó!

Afinal que merece um hipócrita? Que merece um fariseu? Que merece um fingido? Que merece um falso moralista?

Que merece alguém que só tem olhos para a corrupção dos outros?

Que merece alguém que não olha para o próprio rabo?

Que merece alguém que tendo uma trave em suas vistas pretende soprar cisco em vista alheia?

Não, não, não contesto seu direito em votar PSDB. Vivemos numa ordem democrática e cada um vota em quem quer... Ponto pacífico.

O que contesto é seu suposto direito de censor, cujo propósito é acusar os que votam no Lula ou no PT. Sob a pecha de serem corruptos.

Neste caso permita-lhe perguntar sobre os quarenta e cinco escândalos do FHC...

Aquele sociólogo engomadinho que enfiou centenas de milhões nos bolsos do Cacciola, do Calmon de Sá, do Canhedo, da família marinho e de outros tantos milionários e parasitas a guiza de doação...

Aquele professor que costuma pousar as margens do Sena (Em Paris - Trés chic!) após ter comprado a peso de ouro a própria reeleição em hasta pública.

Não gosta FHC???

Não tem problema, afinal podemos falar sobre o senhor 'Rouboanel'...

Ou sobre o ladrão de merenda...

Sobre o pentadelatado das Neves...

Afinal são tantos.

E você, que pretende erguer a voz para corrigir-me, vota neles!

Neste caso, sendo sua indignação coletiva ou partidária, permita-me classifica-lo como fariseu hipócrita, cuja supina hipocrisia deploro!

Se votou nesses trastes denunciados, suspeitos, culpados... não ouse erguer a voz para increpar-me!

Democracia e liberdade é coisa que venero. Hipocrisia coisa que odeio.

Portanto a melhor coisa que um eleitor do PSDB faz ao cruzar com um eleitor qualquer da esquerda é ficar na sua, calar, silenciar... É o mínimo que se espera de quem deseja conservar imaculadamente a amizade.

Compreendo que você vote neles... Lí Freud inclusive os ensaios em que se refere a complexo de culpa, masoquismo, auto punição, etc

O que não compreendo é que pouse de herói e mortifique os eleitores do Lula ou da esquerda.

Afinal se PT não constitui paraíso sobre a terra PSDB muito menos...

Eu no entanto voto PT e conscientemente pelo simples fato de ter uma sensibilidade maior face a justiça social, a promoção humana, as garantias pessoais e os direitos dos trabalhadores.

E não por acreditar que se trate de uma organização impecável.

Organização impecável não existe sobre a face da terra. E nem mesmo Sociedade moralmente incorruptível.

Assim se PT tem seus defeitos, PSDB, PMDB, DEM, etc também os tem, e que defeitos!

Eis o recado, alias seguido por excelente conselho, tomado a sabedoria popular:

QUEM TEM TELHADO DE VIDRO NÃO ATIRA PEDRAS NO TELHADO DO VIZINHO!!!

Beijos de luz!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Burguesia, capitalismo e espírito democrático

Espírito democrático é espírito de liberdade, de opção, de escolha, de decisão.

Implica reconhecer que todos os cidadãos são responsáveis pelo governo ou administração da cidade e mão apenas um, dois, três ou alguns.

Supõem, no mínimo que as decisões da maioria sejam sempre acatadas.

Do contrário existe dominação ou concentração de poder nas mãos duma pessoa ou de um grupo em detrimento do bem comum, noutras palavras: opressão.

Até mesmo no plano da democracia impura, formal, indireta ou representativa pressupõem-se necessariamente o risco ou necessidade da alternância no poder já em termos ideológicos, já em termos meramente censitários.

Assim se nos posicionamos contra a simples possibilidade da alternância no poder é porque nos recusamos a reconhecer o povo como árbitro decisório e enfim porque negamos sua capacidade para o exercício da liberdade. Ficando a democracia morta na fonte.

No que tange a esfera do político ou das coisas comuns (que pertencem a Pólis) o democrata, policrata ou libertário reconhece que todas as decisões cabem ao povo e que a opinião contrária implica dominação.

Em termos de democracia pura ele esta firmemente persuadido que as discussões, debates e diálogos propiciarão a defesa dos mais variados pontos de vista, o exercício da argumentação, o acesso a informação, a possibilidade da comparação e a tomada da decisão mais acertada. Importa participar ativamente das discussões, exercer a cidadania e suster honestamente seus pontos de vista. Humanamente falando temos aqui o sistema que nos oferece as melhores garantias possíveis, inda que sem tornar-se infalível.

Agora em termos da democracia 'fajuta' ou precária que temos, torna-se a situação bem mais complexa. Embora as eleições quadrienais tragam ao menos uma vantagem que é justamente a possibilidade de revisarem-se certas leis na medida em que pela alternância uma outra ideologia toma posse do poder.

Quero dizer que as eleições quadrienais, ao menos em tese, propiciam a possibilidade de que ao termo de uma gestão pública mal sucedida, seis críticos e opositores venha a sucede-la trazendo propostas totalmente distintas. Eis a alternância no poder!

Agora poderá o socialista, o humanista, o social democrata, o trabalhista... admitir sinceramente este princípio, especialmente quando sua plataforma esta no poder????

Em que pese sua certeza em termos absolutos de que as soluções socialistas são quase sempre as melhores, o democrata admite que salvo seu juízo pessoal, o julgamento do governo e de todo governo pertence ao povo e não a si, a comunidade e jamais ao indivíduo, inda que de caráter nobre e esclarecido. Admite ele que gestão e administração socialista seja avaliada criticada pelos adversários, vigiada pela opinião pública e avaliada pelo povo; e como propõem-se a governar para o povo e não para castas, classes, categorias, grupos, etc não teme ser avaliado por ele embora admita que ele possa equivocar-se.

Segundo a perspectiva socialista equivocam-se as massas quando elegem um governo demagógico voltado para as necessidade do mercado e do capital. Transferir o poder a um governo inspirado nos princípios liberais economicistas constitui quase sempre uma tragédia em termos sociais e nem sempre temos como evita-la ou como impossibilita-la democraticamente falando.

No entanto a decisão mais acertada em tal conjuntura não é chutar o balde da democracia ou agir hipocritamente buscando derrubar o governo por força das armas. Aqui a melhor das soluções é - a bancada socialista - opor-se as más iniciativas do governo, estabelecer a crítica e buscar informar e conscientizar o povo preparando o clima para a próxima eleição.

Se somos democratas atribuímos ao povo o direito de errar. Afinal a possibilidade de errar faz parte do exercício da liberdade e quando negamos o direito ao erro, aniquilamos a liberdade. Claro que a liberdade não existe para o erro, mas para que o acerto seja meritório. No entanto o erro não pode ser descartado ao menos enquanto possibilidade sem que nos tornemos dominadores e totalitários.

Mesmo quando estamos convencidos de que nossos ideais são os melhores não nos é dado impo-los como quem domina.

Ou...

Revertamos agora a dinâmica e pergunte-mo-nos se a burguesia aceitou de boa fé e até o fim as exigências do espírito democrático.

Enquanto possibilidade de alternância no poder e a eleição e o reconhecimento de um governo popular ou socialista???

E como nestes tristes tempos temos de esclarecer o óbvio, é evidente que não estamos falando em comunistas, bolcheviques ou vermelhos pelo simples fato de que recorrem as pontas das baionetas e não a sufrágios! Evidente que estamos falando daquilo que o profo Everardo Beckheuser classificava como governo rosa i é ao bem esta social, trabalhismo, social democracia, democracia Cristã, keynesianismo, etc E sempre numa perspectiva democrática jamais golpista!

Na prática a experiência histórica demonstra-nos que não.

Basta para tanto apontarmos o último período do governo Vargas, que culminou com o suicídio (???) do presidente, ao governo Jango atalhado por um golpe militar, a deposição irregular e ilegal da presidenta Dilma pelo Congresso... Para nos atermos ao Brasil apenas.

Assim enquanto enganam o bom povo e governam os liberais hipócritas vivem com a boca cheia de democracia e ordem, mas... quando constitui-se livre e democraticamente pelos sufrágios do povo um governo não liberal, os bons liberais economicistas atraiçoam sordidamente o liberalismo político e recorrem a força das almas com o objetivo de aniquilar a democracia!!! Isto não interpretação ou análise são fatos e temos já três interrupções do estado de direito, não pelos rosas, mas pelos 'liberais' ou democratas de fancaria!

Implica isto um oportunismo e não um espírito democrático e a aceitação da ordem democrática apenas enquanto nos favorece e apenas até onde nos favorece. Triste realidade: os pressupostos da ordem democrática não foram aceitos até o fim pela burguesia ou pelos liberais economicistas e em suas mãos ela não passa de mais um instrumento destinado a perpetua-los no poder. É a busca sútil, disfarçada e sorrateira pela manutenção do 'status quo'. Pelo que temos aqui a manipulação, a profanação, a instrumentalização imoral da democracia. E não sua aceitação integral, como um espírito que nos deve sinceramente animar.

Aqui a simples possibilidade da alternância no poder e a formação de um governo socialista, implica pânico generalizado por parte dos eternos donos do poder e das elites parasitárias.

Não, nossa burguesia golpista e fingida ainda não esta a altura da elevação e da pureza do ideal democrático da auto determinação popular.

O que eles querem é continuar dominando o povo. Embora dando-lhe a ilusão e a mera ilusão de que governa a si mesmo e escolhe seus caminhos.

Neste caso por que derrubaram o antigo regime???

Era bem mais honesto e moralmente correto conservar o poder absoluto do rei, ao invés de construirmos uma democracia aparente ou de fachada.

Enfim até nossa democracia continua sendo apenas para 'inglês ver'.

Será que o inglês se deixa enganar - após três golpes! - a ponto de crer nela?

sábado, 10 de dezembro de 2016

BRASIL - As motivações ideológicas de um golpe

Se você acredita mesmo que o 'impitima' da presidente Dilma teve em mira acabar com a corrupção deveria começar perguntando-se sobre o 'pôrque' dela jamais ter sido citada na operação 'lava a jato'....
Tudo quanto se falava naquele tempo a respeito dela girava em termos de 'suspeita' ou 'omissão' o que por sinal jamais foi averiguado ou demonstrado...
Lula também era 'suspeito' e continuadamente acusado pela TV Globo, o quanto bastou para que sua indicação ao ministério fosse obstruída...
Os fatos são singelos: Dilma não cometeu um ato sequer de improbidade e todo seu processo seguiu pelos meandros da administração financeira...
Segundo se dizia a presidente era inepta para gerenciar a economia ou havia pecado por responsabilidade, tendo gastado muito com o SOCIAL é claro....
Claro que toda esta análise pode ser classificada como ideológica por implicar o que pode ser considerado prioridade para um governo, o Bem comum ou Bem estar dos cidadãos ou as necessidades do mercado financeiro. Um julgamento como este parte de princípios, valores e pressupostos ideológicos.
Retomaremos este enfoque mais adiante...
Importa saber que Dilma não prevaricou, jamais prevaricou. Não tomou dinheiro público para si, não encheu os bolsos com o produto de doações, não ocultou seus bens e rendimentos, etc, etc, etc
Se pecou, e é questão ideológica ou de interpretação, seu pecado foi venial ou leve em comparação com os pecados de seus denunciantes, digo da maior parte dos congressistas e inclusive dos líderes que a substituíram.
No entanto, apesar da mulher não ter roubado, era um orquestra de panelas ou sinfonia de talheres que não acabava mais, e sob a batuta da imprensa paga...
A Globo orquestrava denunciando o Lula ou repetindo tudo quanto já se sabia sobre o Dirceu e o Palocci e as massas saiam as ruas acompanhadas pelas ovelhas do pr Malafaia....
E era um tal de discursar sobre ética, virtude, moralidade, decência, etc que não acabava mais. Parecia uma sangria desatada....
Claro que todos os males e pecados eram artificiosamente atribuídos ao PT sem quaisquer considerações históricas em torno do passado recente.
Entrementes a horda do PSDB roubava merenda em S Paulo sem que disto resultasse maiores e mais graves problemas, afinal, segundo a praxe corrente eles roubam, julgam e absolvem uns aos outros com a mesma leviandade e a responsabilidade de apurar foi posta nas mãos dos compadres do DEM rsrsrsrsrsrsrsrsrs
Dos trens a merenda assaltavam o erário como ainda fazem mas a mídia paga olhos pra PT...
Ludibriadas pela telinha as ovelhas baliam e declaravam que removido o PT acabar-se-ia a corrupção e floresceria a virtude. E que corrupto algum permaneceria incólume!!!
E profetizavam a continuidade dos expurgos e a total purificação de um Congresso corrupto cuja impugnação aconselhávamos.
Se era necessário punir e castigar a Dilma por pecados tão brandos por que raios absolver e deixar incólume este Congresso cujos pecados eram infinitamente mais graves.
Assim se cabia julgar a presidente era ao povo que cabia julga-la, bem como ao Parlamento...
E isto pelo simples fato de que segundo nossas leis uma presidente jamais poderia ser julgada por sua política econômica senão pelos eleitores através de eleições livres.
Agora se insistiam em julga-la é pelo povo que a elegeu e por meio de consulta popular que deveria ter sido julgada mas não só ela, também o Congresso nacional,
Do contrário nos limitaríamos a substituir um governo supostamente corrupto ou mesmo inocente por um governo notoriamente corrupto e viciado.
O Histórico demagógico desta oposição era já bastante conhecido.
E conhecidas são as manobras imorais levadas a cabo pelo vice presidente e seu partido com o objetivo de obter apoio para a manobra do 'impitima' acenando com cargos e consequentemente proventos... Afinal a oferta de cargos entre nós representa o mesmo que a oferta de pro consulados representava para a estrutura política do Império romano.
Critica alguma neste sentido foi considerada seriamente e tudo foi entregue nas mãos de um Parlamento essencialmente venal e conhecidamente poluído pela corrupção.
Mas a promessa era de que a purificação não teria fim e de que o Congresso tornar-se-ia, oh Sancta simplicitas, auto limpante.
Malgrado esta crença supersticiosas não tardou para que o virtuoso Parlamento que derrubou a presidente honesta forceja-se por postergar os castigos a que a lei dispunha aqueles todos que haviam até que principiassem a sabotar as reformas destinadas a combater a corrupção, e a ameaçar a autonomia dos magistrados inclusive!!!
E caiu do teto do Parlamento uma chuva ou uma torrente de emendas imorais duma tolerância safada para com a corrupção e destinada a mantê-la não apenas viva mas imperante naquele recinto.
Diante disto éramos e somos levados a cogitar sobre a honestidade e idoneidade destes homens e mulheres que após terem deposto uma presidente com base em boatos e suspeitas jamais averiguados consagraram-se logo a tarefa de 'amaciar' justamente as medidas destinadas a extinguir a corrupção política.
Se são honestos por que empenharam-se em tornar as normas e regras mais laças e flexíveis eliminando o necessário vigor com que se deve combater tais crimes????
Caso não devam por que aparentaram tais temores em face da dureza das leis???
Caso suas fichas sejam ilibadas por que demonstraram tanto desconforto face aquilo que estava planejado???
´
Aplique-se aqui o 'Quem não deve não teme' extraía-se o temor e consequentemente a dívida moral dos Congressistas!
Era o que já se sabia por dedução pura e simples.
Agora quantos dos cidadãos que saíram as ruas para gritar contra o PT saíram para gritar contrar estes congressistas safados????
Quantas passeatas, protestos e procissões foram realizados exigindo a deposição deste Congresso venal????
Quantos bateram panelas e talheres face as iniciativas grotescas dos parlamentares???
Pra onde foi a mobilização contra a corrupção após a deposição da Dilma????
Quais as iniciativas tomadas por tais cidadãos diante da ousadia com que nossos demagogos tem buscado diluir e suavizar as medidas anti corrupção????
Quem não percebe que com o apoio de um presidente corrupto e disposto a sancionar em benefício comum laboram apenas em causa própria buscando fugir as malhas da lei, desmobilizar a lava jato (por eles usada matreiramente apenas contra o PT) e restabelecer o status quo do antigo regime (FHC) quando deitavam e rolavam com os recursos do erário????
E no entanto não se ouviu um grito de indignação e fez-se completo silêncio e mutismo.
Agora por que se como alegavam estavam tomados por um santo zelo direcionado a corrupção inventada pelo maldito PT????
Vou responder de modo bem simples e categórico:
Por que o tema da corrupção não passou de desculpa ou pretexto com que desmoralizar o PT e derrubar a presidente legitimamente eleita.
Mas por que careciam de derruba-la???
Porque devido a uma questão de princípios ou de orientação ideológica ela tendia a ser mais resistente face as reformas sociais e econômicas esperadas pelos setores neo liberais ou liberais da Sociedade brasileira. Refiro-me evidentemente aos milionários, banqueiros, patrões, etc Enfim a fina flor da burguesia nacional representada pela FIESP e cujas aspirações ideológicas haviam sido atalhadas há mais de quinze anos pelo governo Lula. Tais setores jamais se conformaram com o abandono da cartilha ou projeto neo liberal até então orquestrado pelo governo FHC.
A situação tornou-se ainda mais grave ou pior para tais setores no momento em que após longa demanda assumida pelo corruptíssimo Cunha prevaleceu em termos legais que os empresários já não poderiam financias candidaturas ou melhor contratar representantes entre os futuros políticos. Destarte a situação tornou-se preocupante e o papel deste congresso eleito com os recursos subministrados por eles tornou-se historicamente relevante da noite para o dia.
Cogitaram e cogitam ainda sob que Parlamento poderia ser eleito em 2018 ou sobre as decorrências de um Parlamento menos dependente deles financeiramente falando. Um Congresso mais autônomo ou livre do Mercado jamais é interessante para eles na medida em que se mostraria menos empenhado em votar e aprovar docilmente tudo quando desejassem... Tanto pior se o Lula retornasse a presidência. Neste caso teriam de postergar a imposição do modelo neo liberal até pelo menos 2028.
De fato este Congresso servil financiado pelas elites econômicas muito prometia e renovava as esperanças dos liberais. Havia porém um seríssimo entrave! A eleição vitoriosa de uma presidente trabalhista e infensa senão a reformas ao menos as reformas mais drásticas ou danosas ao interesse dos mais humildes, alias sua plataforma eleitoral.
Então como a presença da mulher com poder de veto punha em risco as tão ansiadas reformas econômicas a solução foi servir-se dos préstimos oferecidos pela imprensa (a peso de ouro é claro) e clamar por sua deposição.
O apelo em torno da corrupção, ainda que suposta (nela), da moralidade e da virtude foi tomado a pregação fascista neste caso fortalecido pelo puritanismo religioso e seus preconceitos.
Disto decorrendo uma sinistra coalisão entre liberais, teocráticos, fascistas, nazistas e até mesmo alguns monarquistas desorientados. Todos repetindo conhecidos chavões ou palavras de ordem contra a corrupção e jurando de pés juntos que antes de 2000 este país jamais a conhecera... Apesar de um certo FHC ter vendido nossos recursos a preço de banana, embolsado parte deles e empregado com o objetivo de comprar uma emenda destinada a perpetua-lo no poder!!! Refiro-me a escandalosa compra da reeleição...
Por fim, coisa de dois ou três dias chegou a imprensa o que já se sabia por outras tantas denuncias anteriores: Que a antiga oposição ou o novo governo, o presidente golpista, o presidente do Senado, o governador de Sampa, os caciques do PSDB, etc estavam todos envolvidos em esquemas milionários de propina e desvios de verba.
A situação todavia não mudou em nada e ainda estamos aguardando pelo ribombar das panelas...
Até agora silêncio absoluto e total mutismo face a corrupção dos outros, digo do PMDB/PSDB...
Governam o presidente corrupto denunciado dezenas e dezenas de vezes, o Calheiros corrupto alias detonado por ministro M A de Mello, o famigerado ladrão de merenda de Sampa, o ministro serrador e toda malta de canalhas execráveis que inda teem o desplante de vir a público para apregoar as funestas reformas do ensino e da previdência, além é claro da PEC da morte...
E governam....
E fazem bem pouco caso do povo a que alegam representar...
E estão dispostos a burlar todos os mecanismos democráticos com o objetivo de impor tais reformas...
Enquanto o tema da corrupção sai de pauta...
E a virtuosa milícia de paneleiros sai de cena...
E a imprensa presta-lhes os mesmo serviços de sempre editando músicas, jogos, novelas, etc
Neste momento não parece interessante insistir sobre corrupção ou conclamar os telespectadores as ruas para protestar contra o governo Temer.
Resta-nos perguntar por que???
Simples, porque este governo sujo, imundo, corrupto, demagógico e farisaico corresponde perfeitamente aos propósitos do poder econômico porque foi financiado ou contratado i é a imposição de um modelo político inspirado na ideologia econômica liberal ou neo liberal de que decorre:
  • O corte de gastos
  • A eliminação dos programas sociais destinados a contemplar a população mais humilde.
  • A queda de qualidade dos serviços públicos, e enfim
  • As privatizações, com o fortalecimento do setor privado e o aquecimento do mercado.


    Devemos acrescentar ainda os lucros auferidos pelos políticos corruptos durante a festa da privataria, com que contam para perpetuarem-se no poder, a exemplo do famigerado FHC e outros tantos...


    Importa que esses homens sem consciência decretem e imponham a PEC da miséria. Pois na medida em que os miseráveis aumentarem aumentará o mercado de reserva ou a oferta de mão de obra super barata. Segundo sabem e creem os patrões o auxílio oferecido pelo governo aos mais pobres possibilita que estes no gozo da liberdade, recusem-se a trabalhar a preço de banana ou melhor a pão e água e lhes propicia a possiblidade de negociar com o contratante, diminuindo os lucros obtidos pela mais valia e exasperando-os, digo aos patrões.

    Por isso os patrões contam com o corte dos recursos sociais e com o recrudescimento da miséria para lucrar mais intensamente, pois quem não quiser trabalhar como escravo morrerá de fome na sarjeta....

    Já a demolição da previdência social por meio das reformas implicará na consolidação da previdência privada e num enriquecimento substancioso dos banqueiros....

    Por fim através da reforma do Ensino esperam reduzir ainda mais sua qualidade já duvidosa e privatiza-lo por completo... Sempre com agravo dos mais pobres e humildes.

    Tudo isto faz parte de um programa mais amplo de inspiração liberal ou neo liberal bem a gosto de nossos coronéis e caciques e como o novo governo golpista esta decidido a fazer-lhes as vontades e a impô-lo a fina força sua corrupção, ao contrário da do PT, é supinamente desconsiderada. Resta-nos concluir que o tema da corrupção não passou de desculpa com o objetivo de derrubar um governo menos corrupto, mais livre e portanto mais resistente.

    Assim trocamos ou substituímos um governo que não era santo, puro, imaculado ou impecável por um que é sem sombra de dúvidas bem mais sujo e corrupto e que além disto é contrário ao bem comum ou aos interesses populares de modo geral, uma tragédia....

    Não o golpe não foi contra o PT mas contra o povo brasileiro, agora estão prestes a romper todas as cordas do lado mais fraco e os mais pobres estão prestes a serem sacrificados para pagar as dívidas de uma crise enquanto os mais ricos estão prestes a lucrar ainda mais e a colher os frutos!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Minha defesa das Cruzadas

Enquanto fui pacifista extremo nutri certo preconceito e - apesar de historiador e professor - mantive certa distância do tema.

Jovem, confuso e idealista cuidava que as Cruzadas estavam em oposição ao espírito do Evangelho.

E também confundia o abuso com o uso ou os excessos com a coisa em si.

No momento em que meu pacifismo tornou-se critico e minha compreensão do sentido do Evangelho mais ampla principiei a interessar-me por elas.

Não sei se foi o não por acaso que tal interesse associou-se as pesquisas que iniciara no campo da religiosidade islâmica.

Afinal não sou daqueles que costumam dissertar superficialmente sobre temas que na verdade supinamente ignoram. Aprecio quem opina e julga com conhecimento de causa e por isso costumo a exprimir-se com propriedade ou silenciar. Quando desconhecemos a natureza de determinado assunto é o melhor que podemos fazer!

Investiguei detidamente o islã: o corão, os sahis, algumas obras teológicas clássicas como At Tabari, os heresiólogos, historiadores e enfim algumas obras de natureza crítica. Li Hourani, Le bon, Goldziher e outros...

Assim quando folheei Maalouf  'As cruzadas vistas pelos árabes' - subentenda-se: muçulmanos... - e deparei com queixas em torno da agressividade, da violência, da crueldade, etc pensei logo na jihad, que são as cruzadas ou guerras santas dos maometanos, alias sancionadas ou melhor impostas pelo Corão e a Sunah, em seguida pensei na Djazia que é um imposto destinado a humilhar as minorias religiosas, na murtad que a pena capital a que ficam sujeitos os apóstatas; nos apedrejamentos, enforcamentos e mutilações determinadas pela fik... e no quanto tudo isto é humano, benigno, nobre, elevado...

Coerência continua mandando abraços aos muçulmanos que criticam o catolicismo e aos bons muçulmanos jihadistas que gritam contra as Cruzadas.

Ponhamos então os pingos nos Is.

Existe uma diferença crucial em torno do Cristianismo e do Islamismo.

E ela diz respeito justamente a questão da paz.

Para o Cristianismo quando aliada a justiça social a paz é um grande valor, uma expressão divina.

Por isso que os povos Cristãos não estão autorizados a impor a religião por meio da força e agredir as repúblicas e comunidades não cristãs. Os cristãos como os antigos gregos - por Cristãos compreendo antes de tudo Católicos e Espíritas - inclinam-se mais a persuasão ou ao diálogo e encaram o padrão da força com suspeição.

Concluindo: O recurso a guerra (mesmo em caso defesa) não é um dogma do Cristianismo. Nosso sistema não sacraliza nem abençoa a violência, apenas aceita-a em último caso, tendo em vista a defesa ou a implantação da justiça. Não temos um dogma chamado jihad que incita-nos a agredir ou a atacar os que creem distintamente. As 'Cruzadas' não correspondem a nosso modo de agir comum, mas a uma resposta...

Uma resposta a que???

Uma resposta as condições de violência criadas pela religião muçulmana no século VII desta Era.

Ocasião em que proclamada a Jihad contra os descrentes lançaram-se os árabes islamizados contra todos os povos e nações vizinhos com o objetivo de pilha-los, domina-los e impor-lhes o islã na ponta da espada. Quem iniciou sua expansão violenta em nome da fé foram os muçulmanos, eles é que agrediram e atacaram sucessivamente os impérios Persa e Bizantino, o primeiro Zoroastriano e o segundo Cristão Ortodoxo.

Não foram os 'malvados' cristãos que iniciaram os ataques ou as agressões por motivos credais: impor a fé Católica aos pobres árabes.

Os muçulmanos é que principiaram suas cruzadas ou sua jihad tendo em vista criar um império teocrático e estender a cultura árabe até os confins da terra.

Quem iniciou esta campanha tendo em vista a arabização forçada do universo foram nossos bons muçulmanos vencedores em Qadisyha, Anadayan e Aliarmuque... e pela ponta da espada, cometendo crimes, pilhagens e devastações foram ampliando seu império cultural e religioso.

A partir do século VII duas jihads anuais passaram a ser enviadas regularmente com o objetivo de atacar e saquear as costas da Ásia menor.

Diante deste contexto de guerra permanente levada a cabo pelos bondosos muçulmanos por quase quatro século só podemos compreender as Cruzadas como uma 'guerra justa' ou como um ato de legítima defesa. Fazia-se mister frear, mais uma vez o expansionismo árabe muçulmano, agora as portas da Europa.

A Europa a seu tempo social e economicamente 'estabilizada' após a conversão dos últimos povos pagãos do Norte, podia agora, fazer frente aos sucessivos ataques do islã e buscar dar-lhes competente resposta.

Era necessário fazer as fronteiras do islã recuarem até a arábia. Recuperando os antigos territórios pertencentes ao Império Bizantino como Síria, Palestina e se possível o Egito. E criando uma barreira ou muralha de proteção entre a Europa e a Península arábica.

De modo geral podemos dizer que a ocupação e dominação muçulmana obtiveram sucesso porque parte da população cristã derrotada acreditava ser melhor para si aceitar a derrota e submeter-se aos novos senhores, inda que pertencessem a outra religião. Queremos dizer com isto que não havia qualquer mandamento em torno de uma resistência violenta e menos ainda duma jihad! Nem existe qualquer mandamento cristão que proíba os fiéis de serem governados por pessoas de outra religião.

Ainda após a acomodação do Cristianismo a política imperial, a consciência Cristã ainda era capaz de discernir entre Deus e César.

Em certo sentido a paz afirmada como valor pelo Cristianismo foi compreendida por muitos como pacifismo crasso ou mesmo passividade face ao mal e a injustiça. E esta confusão foi perniciosa.

Outro era e é o sentido dos muçulmanos, que vencidos e conquistados por governante Cristão, recusavam-se terminantemente a aceitar este tipo de senhorio, exercido por um não muçulmano. Do que decorriam sucessivas e intermináveis sedições, rebeliões, conjurações; todas estribadas no dogma violento da jihad. Para os muçulmanos a simples ideia de se viver em paz sob um governo não muçulmano, é abominável. Aceitar a autoridade de um não muçulmano é uma heresia para os adeptos do maometismo.

Temos aqui um dogma que torna os muçulmanos insubmissos além de agressivos. Não só podem como devem governar outros povos impondo a Djazia aos dissidentes. Mas não podem ser governados por não muçulmanos e viver pacificamente sob seu jugo ou tutela. Trata-se de uma fé excessivamente turbulenta, que ignora por completo os pressupostos da paz.

Os islã é uma forma religiosa que aspira ao comando da Sociedade.

Por isso que minadas pela jihad, pela murtad, pela sharia... as cruzadas falharam miseravelmente. Sendo retomado o expansionismo islâmico. Agora pelos turcos seldjucidas... que terminaram por conquistar Constantinopla em 1476, e posteriormente por penetrar o continente europeu ainda nos século XV. No mesmo momento em que era banidos do Oeste (península ibérica) entravam novamente os sectários do Corão pelo Leste, e ameaçavam de conquista em conquista tudo submeter.

No entanto mesmo após a defecção protestante. Supostamente comprada pelo sultão aos reformadores como sugere Mika Watari. Os Católicos lograram frea-la mais uma vez em Lepanto... neste dia, por toda Europa, dobraram festivamente os sinos nos campanários das Igrejas anunciando a salvação.

Já antes disto e oitocentos anos antes (732) em Poitiers, Carlos Martel contivera o avanço deles pelo Oeste. Impedindo que levassem adiante seu plano de arabização da Europa, do qual jamais desistiram por um instante, achando-se até hoje fixado em suas mentes. Forçoso é reconhecer que se não fossem Carlos Martel, os Cruzados e D João da Áustria (em Lepanto) não poderíamos estar aqui hoje escrevendo livremente e divulgando tudo quanto pensamos...

Tendo triunfado o islã na Europa estaria cortado passo a Escolástica, aos Renascimentos, ao liberalismo político e religioso, o iluminismo, ao positivismo, ao socialismo, etc... Nada do nosso ideário secularizado teria sido possível ou melhor concebido. Para bem ou para mal tudo quanto temos a nível de cultura corresponde a falhas ou a sucessos do Cristianismo... o islã não teria conhecido os mesmos sucessos, nem cometido os mesmos erros...

De modo que nossos caminhos seriam os tristes caminhos do Wahabismo e do salafismo...

Filosofia, ciência e cultura; nossas fontes e raízes pagãs constituídas em torno da imanência, da profanidade, do laicismo e da liberdade, seriam completamente aniquiladas pela sharia com sua jihad, Djzia, murtad...

Outra não foi a sorte das decantadas Luzes do Islã, definitivamente apagadas há cerca de mil anos pela Ortodoxia sunita asharita ( Al Ashari e Al Gazalli) arquitetada em torno da insuficiência ou debilidade da razão humana e da inspiração plenária ou absoluta do Corão.

Admitidos tais pressupostos todas as áreas do conhecimento humano passariam a ser definidas por citações do Corão ou dos Sahis, as quais não se poderia questionar sem tornar-se herético e ser supliciado. E tudo ficaria reduzido a questões de exegese em torno do livro!!!

Diante de tudo isto bem posso compreender que os muçulmanos fanáticos e hipócritas teçam filípicas contra as Cruzadas e a Igreja Católica, censurando-lhe a violência que a religião deles SANTIFICA!

O que não compreendo é a facilidade com que os modernos (liberais, comunistas, anarquistas, etc) costumam repetir as mesmas filípicas desde os tempos da reforma protestante. De fato foram os protestantes, que jamais ousando pensar no que seria uma Europa totalmente islamizada, pela primeira vez registraram tão amargas e ingratas críticas a seus audazes ancestrais. Os quais não pouco sangue tiveram de verter nas inóspitas regiões da Palestina para que cá estivéssemos hoje debatendo livremente tais temos num clima democrático ao invés de estarmos recitando versos do Corão diante duma madrassia...

A tantos quantos divisam algum valor na liberdade e no socialismo, na ciência e na reflexão filosófica; e que diante disto não hesitam avaliar a cultura européia - matriz de nossa cultura - como superior face a cultura fundamentalista e teocrática do islã sunita ou wahabita com suas burkas, direi que chegamos até aqui graças a Carlos Martel e as Cruzadas, e que se não fosse a resistência exercida pelos Cruzados nossa realidade não seria em nada diferente da do Sudão, do Iraque, do Paquistão...

A História de nossa Sociedade e Cultura passa pelas Cruzadas.

E nem mesmo o protestantismo teria vindo a luz caso o islã viesse a atalhar os passos do romanismo e a extirpa-lo da Europa como fez a Ortodoxia no Oriente.

De modo que até mesmo os vaidosos reformados tem uma dívida irremissível face a tais expedições defensivas.

A tal respeito confirma-se o veredito do poeta:

"O homem viu uma cobra
Pelo frio entorpecida
Teve dó dela e no seio
Lhe volveu calor e via
Porém logo que a serpente
A consciência cobrou
afiadíssimos dentes
Em seu benfeitor cravou."

Assim a atitude dos modernos para com a Igreja romana e as Cruzadas.

Aos que de nós discordam propomos a experiência de irem proclamar seus ensinamentos religiosos, sociais e políticos em Meca, Medina ou Riad...

Se sobreviverem nos daremos por plenamente convencidos a respeito da maravilhosas luzes do islã! Dizemos isto porque enquanto escrevemos estas linhas os amáveis sauditas acabam de condenar mais um Blogger ao 'tronco'...

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Os mitos da islamofobia, da cristofobia (crentofobia) e a Catolicofobia I I

A catolicofobia


Foi apenas quando cheguei a casa dos dez anos - precisamente na metade dos anos 80 - que vim a conhecer a igreja romana ou como se diz por aqui 'católica'. Muito mais tarde é que vim conhecer os outros catolicismos: a igreja anglicana e a Ortodoxia.

Portanto desde 1984 pude observar discretamente o comportamento dos papistas, embora ignorasse por completo como funcionava a religião deles. Como bom protestante no entanto e interessado por questões de ordem religiosa, sabia quem de nossas relações ia e não ia missa.

Cinco anos depois, quando cheguei aos 15 (para dezesseis), perdi a fé em Cristo, o qual passeia a odiar profundamente. Isto graças as tonteiras do pentecostalismo! Aos dezesseis para os dezessete anos (1991/92) passei pela mesma experiência que Afonso de Ratisbonna e Paul Claudel: ao entrar pela segunda vez na igreja Matriz de minha terra, entrei deísta, odiando a Jesus Cristo e sai papista!

Como já narrei pormenorizadamente a narrativa de minha conversão ao papismo em minhas obras de polêmica contra os protestantes fundamentalistas. Paro por aqui.

Sucede que alguns anos antes de minha conversão ao papismo, cursando o então oitavo ano e depois o E Médio em 90/91 tive ocasião de ouvir, por parte de meus professores de História - Tive uma profa protestante, uma liberal e um profo Marxista  - autênticos sermões ou Filipicas, bastante agressivas contra a igreja romana. Havia ali gente que ia a missa regularmente, gente de cursava a perseverança, membros de famílias devotadas a igreja... sabia que parte de meus colegas não apreciava o que ouvia, no entanto jamais vi qualquer um deles exasperar-se insultar os professores, denuncia-los a direção (como pretendem fazer os criacionistas de hoje ou faria um muçulmano qualquer!)!

Jamais vi os romanistas em quaisquer circunstâncias cunharem o termo catolicofobia, o qual julgo no entanto são seria apenas oportuno, mas justo; porque os ataques eram fortuitos e cerrados; servindo alias para alimentar meu ódio a igreja de Roma.

Havia apenas um rapaz, extraordinariamente culto, de outra classe e escola, que segundo diziam ousava responder educadamente a tais acusações. O qual após minha conversão tornou-se meu melhor amigo.

Jamais este moço ousou negar as acusações que eram pertinentes, buscando apenas aprofundar o assunto (apontando para a existência do mesmo fanatismo e da mesma inquisição nas seitas protestantes e para o caráter violento e feroz dos reformadores) sem no entanto jamais ousar erguer a voz, ameaçar, maldizer, achincalhar ou agredir como é próprios dos fanáticos de hoje!

Noutros liceus havia romanistas fervorosos aos quais com toda razão incomodavam aquelas pregações anti 'católicas', aquele clima de hostilidade e ódio, etc Alguns dos quais mostravam louvável zelo pela verdade dos fatos e paixão pela justiça a ponto de replicar aos professores com exaltação! Nenhum destes porém ousou denunciar seus mestres, insulta-los ou ameaça-los como sói neste nossos tempos de 'luzes'...

Posteriormente dei com a descrição de tais tipos no Pe Liberato de Griez (Catholicismo e protestantismo 1935) p 04:

"Nós Catolicos temos... caridade, delicadeza e educação. NÃO INCOMODAMOS A NINGUÉM POR MOTIVOS DE CRENÇA, E FICARÍAMOS SATISFEITOS SE OS OUTROS NOS DEIXASSEM EM PAZ.

Os hereges, pelo contrário, são atrevidos e petulantes somo sempre foram e a ninguém deixam em paz. Discutem sempre e em toda parte, chegando mesmo a intimidade do lar e santuário da família, sem sombra de caridade, delicadeza ou educação. Apreciam sobremodo atacar a fé e religião alheias..."
 

Foi o que pude observar antes de tudo no protestantismo materno com sua eterna mania de abordar e discutir assuntos de natureza religiosa com o maior atrevimento e posteriormente na delicadeza da maior parte dos papistas, anglicanos, ortodoxos e espiritas que buscam viver suas crenças, sem, via de regra incomodar os outros.

Não estou negando aqui a existência de fanáticos em tais grupos.

Fanáticos por sinal existem em todas as instituições humanas: times de futebol, partidos políticos, escolas carnavalescas, etc

No entanto em algumas há mais e noutras menos. Numa muito mais e noutras bem menos.

É comparar os catolicismos com o protestantismo, o espiritismo com o islamismo, o budismo e o zoroastrismo com hinduísmo ou sikismo.

Algumas religiões alimentam mais o fanatismo enquanto outras buscam conte-lo até certo ponto.

De minha parte como poderia deixar de ser atraído pela delicadeza religiosa dos católicos e espíritas, que os protestantes, islâmicos e outros fanáticos e obscurantistas desonestos buscam apresentar como falta de fé (COMO SE A FÉ FOSSE NECESSARIAMENTE FANÁTICA - neste cado deveríamos abandona-la por completo como dizem os materialistas e ateus partidários desta tese).

Por experiência posso dizer que católicos e espiritas tem tanta fé quanto seus adversários religiosos. A diferença aqui é que católicos e espiritas insistem igualmente na Ética ou no amor ao próximo e consequentemente na tolerância, no convívio fraterno, na paz, etc Repugna a tais pessoas, e com absoluta razão, interrogar os outros sobre suas crenças, imiscuir-se no domínio das opiniões religiosas alheias, abordar assuntos de natureza religiosa sem um pingo de delicadeza, dirigir-se a deus berrando para que os vizinhos sejam informados sobre sua fé, sair catequizando o mundo afora a força de gritos... pelo simples fato de não serem intrometidas e grosseiras até a mais baixa vulgaridade, mas educadas.

Não quero com isto cair no extremo oposto dizer que religião não se discute. Pode e deve a religião ser discutida polidamente entre os iguais, isto é entre as pessoas nobres, equilibradas e instruídas. Desde que no entanto haja intimidade entre elas. Não é religião assunto vulgar a ser abordado com estranhos no meio da rua! A discussão de assuntos de tão elevada natureza exige a existência de sólidos vínculos. Coisa que um fanático, tarado ou compulsivo não pode compreender!

Particularmente, sinto-me mortificado sempre que algum desconhecido, após alguns instantes de prosa, imbrica pela seara da fé ou da religião. Intuitivamente percebo estar diante de mais um sectário com o qual, infelizmente, não é possível criar qualquer vínculo mais estreito e. diante disto, busco desconversar polidamente. Todavia caso não seja possível, digo em algo e bom som que tenho em conta de mal educadas e grosseiras as pessoas intrometidas que gostam de muito saber a respeito da vida alheia. E, se tal não for suficiente, recorro a um curto e grosso 'Passar bem', dou de costas e saio andando.... deixando o troglodita falando sozinho!

Simplesmente não dou a mínima atenção a esses profetas mal educados da modernidade.

Sei dialogar muito bem a respeito da fé, mas não a moda das lavadeiras... que apreciam descrever minuciosamente a roupa suja alheia. Uma discussão improdutiva em termos de roupa suja não me interessa. Debates com fanáticos que só sabem perceber os defeitos do sistema rival não me interessa nem um pouco.

Debater com protestantes e muçulmanos é mais o menos assim...

Atacam a não poder mais a igreja do papa...

Descrevem pormenorizadamente a inquisição; com seu sabido cortejo de horrores, tem o nome do Torquemada na ponta da lingua, apreciam discorrer sobre caso Galileu, etc

E caso os deixemos falar, haja corda!!!

No entanto assim que abrimos a boca com o intuito de refrescar-lhes as memórias e trazemos a baila: o assassinado dos camponeses por Lutero, a execução de Servet por ordem de Calvino em Genebra, os distúrbios causados pelos huguenotes na França, a condenação de Servet pelo próprio Lutero, o caso das Bruxas de Salém, a História do forceps, o caso Scopes, etc ou em se tratando dos muçulmanos os genocídios armênio, assírio e siríaco de 14; os feitos sangrentos de Tamerlão, a fúria de Al Hakim contra os cristãos coptas, o assassinato de Umm Qirfa e Asma Marwad, a conversão forçada de Abu Sufyan, o caso de Safiya, a execução dos 900 judeus, o ISIS, o BOKO HARAM, o TALIBAN, a murtad, a Djzia, o machismo, o escravismo, etc NOSSOS CONTRADITORES TAPAM OS OUVIDOS E PÕEM-SE A BERRAR:

ISLAMOFOBIA - CRISTOFOBIA!!!

Como papagaios ou vitrolas quebradas!


Quer dizer que atacar a igreja romana pode, bem como o anglicanismo e a Ortodoxia. Meter o pau nessas três confissões é digno, justo, bonito! Agora quando os católicos, espíritas ou incrédulos fazem os fundamentalistas beberem do mesmo veneno, expondo publicamente as malignidades perpetradas pelos sistemas a que pertencem, fazem-se logo de vítimas inocentes insidiosamente perseguidas! Oh coitados, criticar os outros eles sabem e com fúria, agora receber a crítica mais leve, transtorna-os!!!

Não entendo essa lógica dos Catolicismos poderem ser criticados livre e as vezes até injustamente e do protestantismo ou do islã serem tabus!

Alguém compreende?

Podem os protestantes e islâmicos se abster de agredir e atacar nossa fé ou a fé alheia?

Não!

Então com que petulância infernal se queixam quando seus sistemas são atacados???

Quantas vezes não tive de ouvir dos protestantes e ja estou a ouvir dos muçulmanos:

Agora o amigo passou dos limites!

Ah???

O que???

Não entendi!

Mas que é que me põe ou dá limites???

Com sua licença sr pastor, sr xeque, mas os srs não me impõem limite.

Vivemos, é sempre bom lembrar, numa sociedade democrática pautada no princípio da igualdade.

Assim o que é permitido aos srs também a mim me é permitido, e se os srs são tão hábeis em criticas as crenças alheias, bem vai que recebam lá uma criticazinhas!

Ah os srs se sentem ofendidos por criticar-mos o Corão ou o Antigo Testamento ou os escritos de Paulo???

Podem chorar a vontade ou até criar um muro das lamentações só para vocês: um protestante e um islâmico!

Limites quem me impõem sou eu mesmo e não lhes devo, felizmente, satisfação alguma.

Se alguém é pastor, xeque ou fanático, não existe para mim.

No entanto eu não preciso como vocês escudar-me por trás de magníficas frases de efeito como 'islamofobia' ou 'cristofobia' que é coisa de gente desonesta e incapaz. Vanglorio-me de ter estudado minuciosamente a História do protestantismo e estar fazendo o mesmo com a História do Islã. Pesquisados recorro as fontes buscando por a luz o que os srs ocultam!

Não preciso recorrer a mentira, ao engano e sequer as meias verdades ou verdades distorcidas como os srs! A igreja romana teve uma inquisição?

Sim teve!

Num determinado momento de sua existência passou a ceifar vidas humanas?

Lamentavelmente!

Em dado momento de sua história apostatou de seus ideais?

Sim!

Agora que proveito podem tirar de tais aduções islamismo e protestantismo????


NENHUM!!!

 E por que???

Porque o protestantismo, com Lutero matador de camponeses e anabatistas, já nasceu matando, já nasceu assassino, ja nasceu carniceiro! E fez carreira na inquisição, do que temos exemplo na morte de Servet...

Porque o islamismo não só nasceu matando - mencionarei apenas o poeta Ibn Afak - como mata e sustenta a doutrina do assassinato até nossos dias. O islã censurar a igreja romana por ter exercido violência no passado seria como Hitler acusando o Al Capone por assassinato!!!

A igreja romana só começo a executar os heréticos a partir do século XIII. Durante mais de mil anos abstivera-se de assassinar, embora o meio fosse extremamente violento após o século V! Protestantismo e islã teem seus berços encharcados em sangue humano!

Cristo não foi assassino! Pedro, primeiro Bispo de Roma, não foi assassino! Gregório, o grande não foi assassino! Maomé foi assassino e torturador - mandou torturar ibn Kynana - e Lutero matador confesso de 30.000 camponeses, sem contar os infelizes anabatistas cuja morte revindicou!

Então a que título sentem-se melindrados esses hipócritas!

Protestantes e muçulmanos não tem pingo de moral para tecer críticas a igreja romana!

Como não tem o sujo pingo de moral para censurar o mal lavado!

Como os fariseus não tinham pingo de moral para denunciar a Madalena!

Como aquele que tem uma trave no olho não é dado soprar cisco em olho alheio!

Que os ateus e materialistas o façam, lá vai...

Que protestantes e muçulmanos descarados ousem faze-lo é o cumulo da patifaria!

Nem por isso acredito que os Cristãos episcopais haverão de berrar: cristofobia!

Não precisam! Tem os fatos a seu favor!

Que gritem: À História!

E ponham os fatos a luz!

Posso ter desertado da igreja romana. Porém jamais cessei de amar a justiça e a equidade!

Assim, se tiver de defende-la contra seus acusadores hipócritas defende-la-ei e sequer precisaria de fé em Cristo ou de ter diante dos olhos a certeza da existência de Deus para faze-lo! Basta-me a voz da consciência e o sentido da ética.

Posso talvez no fundo ter desesperado quanto ao espírito Católico e ser pessimista quanto o futuro da Europa, do Brasil e da humanidade em geral. Agora quem desesperou do espírito do Catolicismo desesperou de tudo e não pode encarar senão como o cúmulo do absurdo a crença segundo a qual espírito do pentecostalismo ou o espírito do islamismo, fariam melhor do que ele pelo gênero humano!!! Não importa tomo por consolo a Filosofia de Aristóteles associada ao ideal ético de Platão! Agora que lá no fundo, bem no fundo, torço por uma revanche católica, ah isto torço! Para qualquer pessoa culta e emancipada seria melhor viver numa sociedade inspirada nos princípíos do Catolicismo do que numa sociedade pentecostal, regira pela Torá de Moisés, ou numa sociedade sunita regida pela sharia.

Tendo estudado com afinco e atenção todos estes credos não poderia pensar doutra forma.



sábado, 30 de janeiro de 2010

Os católicos romanos e a questão do aborto

Os ultramontanistas são contra o aborto em quaisquer circunstâncias, mas são contra não porque amem o ser humano, são contra porque o "doce Cristo na Terra" (assim se referia ao papa - a dominicana Catarina de Sena) proíbe o aborto em quaisquer situações.

Eu ainda não formei nenhuma opinião a respeito porque não estudei a fundo o assunto, mas sou a favor do aborto de fetos anencéfalos, pretendo abordar o aborto em outros aspectos também, mais para frente.

É engraçado que muitos desses que falam contra o aborto são a favor da pena de morte. Matar feto não pode, gente adulta pode, mesmo que o sistema judiciário falhe. Vai entender!!!

Tá, os católicos são contra o aborto, que maravilha!!! São a favor da vida, lindo!!! Mas que adianta uma mulher paupérrima que mora numa favela ter oito, dez ou mais filhos se eles nem tem o que comer??? Que adianta ter uma porrada um exército de filhos e não poder alimentá-los e não poder educá-los?

O protesto dos católiquinhos contra o aborto (falo daqueles hipócritas que fazem o discurso anti-aborto mas seguem o pensamento neoliberal) só teria coerência se ajudassem as mães solteiras, se procurassem de algum modo dar dignidade a essas mulheres que se entopem de filhos... Esses religiosos tartufos adoram a falar que fetos sofrem, que tem sentimentos, mas esses mesmos católiquinhos não se preocupam com meninos de rua, não se preocupam com chacinas, etc...

Há mães que não tem condições nem econômicas nem psicológicas para educar uma criança, mas os catoliquitos querem porque querem que a criança nasça e que se foda siga o seu fado. Se os catoliquitos(falo daqueles que são tradicionalistas - seguidores de Lefébvre, TFP, Opus Dei) amam tanto a vida intra-uterina deveriam amar ainda mais a vida extra-uterina e sabedores que são que muitas famílias não podem educar uma criança, deveriam eles mesmos assumir a paternidade dessas crianças, apadrinhando-as e por que não adotando-as? Só assim o seu discurso anti-aborto faria sentido.

Eu respeito muito as Missionárias da Caridade, porque são anti-aborto mas são coerentes. Em seu convento havia esses dizeres: "Não há aborte seu filho, se você não o quer, não tem condições de criá-lo, nós o educaremos para você". Já não tenho um pingo de respeito a esses papistas fanáticos que são contra o aborto porque são e nem se importam se uma mulher pobre tem condições econômicas e mentais de educar uma criança, criança essa que corre o risco de se tornar uma marginal e ser morta pela polícia duas décadas depois de nascida.

Quer ser anti-aborto lute por uma sociedade igualitária, onde não existam crianças desnutridas, sem acesso à saúde e educação. Agora se é para pregar contra o aborto só por causa dos caprichos de "Sua Santidade" vá às favas quem pensa assim e também "Sua Santidade".

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Então é natal...







Mais um natal, em nada diferente dos anteriores pelos quais passei. Particularmente odeio o natal por alguns motivos:

1) Consumismo e alienação ao extremo;
2) Subversão da mensagem e dos valores;
3) Festa da família feliz;

Vamos analisar cada um dos motivos rapidamente.

1) Consumismo e alienação ao extremo: Tenho percebido que cada vez mais as festas de natal começam mais cedo, vi uma casa com enfeites de natal na segunda semana de novembro; O Natal é uma festa para se gastar sem controle.

2) Subversão da mensagem e valores: O natal deveria celebrar o nascimento de Jesus, ao menos para os cristãos. O nascimento de Jesus que afirmou ter vindo para evangelizar os pobres, libertar os cativos e curar os enfermos. (Lc 4,17-21)
O natal hoje é um natal hedonista, natal para ricos, felizes, bonitos e saudáveis. Jesus, penso eu, não deve gostar de ser celebrado desse modo, como se ele tivesse vindo para os opulentos deste mundo, como se tivesse vindo para oprimir ainda mais os pobres. Jesus não é celebrado, mas sim a figura mítica e patética do papai noel. Aliás, as crianças conhecem mais o velho gordo do que o menino Jesus. O problema é que Jesus veio para os pobres e o papai noel veio para os ricos, sim para os ricos, é ele que ajuda a encher os cofres dos grandes comerciantes.

3) Festa da família feliz: Quantas e quantas famílias brigam e se odeiam o ano inteirinho, mas chega o natal, desculpam-se uns aos outros e confraternizam. Passadas as festas de fim de ano, começa tudo outra vez. O natal é uma ótima oportunidade para praticar a hipocrisia.

São esses motivos que me levam a sentir ojeriza por essa festa, que nada mais é do que a festa do consumismo e da hipocrisia. E como não sou nem consumista nem hipócrita...

A propósito eu celebro o natal sim, mas no dia 07 de janeiro. Aos cristãos sinceros que celebram o natal Feliz Natal. Aos que celebram por que tem que se celebrar, só lamento.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Racismo e Capitalismo dois monstros que andam de mãos dadas





Muitos blogs desonestos andam comparando o nazismo com o comunismo dizendo que ambas as coisas são iguais. Fazem isso por desonestidade e não por ignorância, é gente instruída que o faz! Mas não é o comunismo que vê diferença entre as raças visto que o comunismo é internacional. Só isso já faria calar essa gente neo-liberal que muito entende de falsear a verdade.

Os verdadeiros nazistas são os que defendem o neo-liberalismo, o capitalismo selvagem!
São esses que vivem a falar do homem de bem que discriminam os negros e tratam as mulheres como seres inferiores. Eles, brancos resolvidos ou remediados não querem a inserção de negros nas faculdades, são contra as cotas raciais. Alegando que as cotas são uma espécie de racismo. Pelo contrário as cotas são as únicas chances que os negros tem de ingressar nas universidades, visto que são futos das escolas públicas que tem um ensino precário e justamente por isso não podem competir com os burgueses que fazem cursinhos pré-vestibulares nas melhores escolas, burgueses esses que vivem apenas para estudar visto que não precisam ganhar o pão de cada dia.

Os defensores do neoliberalismo querem a desigualdade a todo custo, eles não querem uma sociedade onde todos sejam iguais e tenham as mesmas condições. O que eles querem é um sistema de castas como na Índia. Muitos desses neoliberais são monarquistas, até porque a monarquia já não é a mesma e deixou-se modelar pelos princípios neoliberais, como bem se pode ver pelo blog do fascista Pedro de Órleans e Bragança que descaradamente se intitula como príncipe.

O fascista Pedro de Órleans e Bragança é contra criação de reservas indígenas, contra o MST, contra os ambientalistas, ou seja ele reproduz direitinho o discurso neoliberal, ele mais se parece com a Margareth Thatcher do que com o seu trisavô Dom Pedro II.

A extrema-direita é contra as cotas raciais alegando que isso sim é o verdadeiro racismo! Discurso bonito não fosse a hipocrisia desses nazistas neoliberais travestidos de ovelhas quando na verdade não passam de lobos vorazes. Os conservadores dizem que já não há escravidão e que os negros podem competir em pé de igualdade com os brancos para ingressar nas universidades. Será?

Segundo o Ipea, negras e negros ganham menos, trabalham mais e em piores condições. São a maior parte sem a carteira assinada e são a maioria em serviços domésticos, agricultura e construção cicvil. Incluem-se mais cedo no mercado de trabalho e saem mais tarde. Crianças negras são as maiores vítimas do trabalho infantil. Mulheres negras são as que mais sofrem com a violência doméstica e sexual e a juventude negra continua sendo alvo preferencial das polícias militares e civis.

Esses defensores do neoliberalismo são cristãos católicos apostólicos romanos e protestantes. O blog que compara comunismo ao nazismo tem uma frase de apresentação de Lutero: "A paz, se for possível, mas a verdade a qualquer preço".
Citar Lutero já diz tudo! Citar Lutero mostra quem são os verdadeiros antissemitas. Pois Hitler se baseou nos escritos de Lutero para matar os judeus, interessante não? Por que será que o cristão revoltado não fala disso? Ele não quer a verdade a qualquer preço? Então vamos à verdade. Lutero escreveu um livro chamado Dos Judeus e Suas Mentiras, que você pode baixar aqui. O protestantismo alemão em quase sua totalidade apoiou o nazismo e divulgou as ideias do füher.

Também não devemos nos esquecer do silêncio do papa Pio XII um dos homens mais poderosos da época. Poderia ter condenado o nazismo e não condenou. Dizem os papistas que se ele falasse abertamente contra Hitler, este passaria a perseguir os católicos. Sei, mas não é dever do papa denunciar os erros? Não denunciaram as injustiças os profetas da velha lei? Alguma vez Jesus deixou de falar por medo? Não era o tal do papa "vigário de Jesus Cristo?". A verdade é que o papa tinha medo mesmo é do comunismo, não queria ser igual a todo mundo, por isso apoiou com o seu silêncio o nazismo.






Mas a propósito quem é nazista mesmo?
P.S.: Para ver a imagem do blog "O cristão revoltado" aumentada clique na mesma e aí aparecerá maior e o leitor poderá ler a frase de cabeçalho de Lutero.