segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Entrevista com o professor Domingos no SeeTv
O professor Domingos Pardal Braz, colaborador de "O Diário de Um Bobo da Corte", foi entrevistado no dia 24/08/09 no SeeTv uma web tevê. Eu estive presente no dia, foi muito bom. Quer conhecer um pouco da história de São Vicente? Assista a entrevista, não se arrependerá.
P.S.: O vídeo demora um pouquinho para abrir.
domingo, 30 de agosto de 2009
Por um socialismo honesto...

Ao discutir com os companheiros de partido ouço por vezes algumas insinuações que não me agradam muito devido a seu alto teor de insensibilidade e crueldade perante a dor e o sofrimento humanos.
Nessas ocasiões sinto como se o velho Maquiavel tivesse reencarnado em nosso meio...
Efetivamente eu não creio que os fins justifiquem os meios...
Maquiavel, Lutero, Leão X e outros acreditaram mas eu não creio, não acredito e não aceito.
Penso que bom meio é aquele que se conforma com a qualidade do fim...
Geralmente aqueles que são contrários a revolução enquanto processo lento e gradativo de transformações, são igualmente contrários a toda e qualquer reforma que tenda por objetivo melhorar as condições de vida do trabalhador.
Por paradoxal que pareça nossos 'ortodoxos' são contra a manutenção ou o aumento dos direitos trabalhistas...
É dificil e entender como alguém que se intitula socialista pode ser contrário aos direitos sagrados do trabalhador ou deixar de se alegrar diante da ampliação dos mesmos.
Entretanto tal modo de encarar as coisas tem lá sua lógica, a qual partindo de falsos principios chega fatalmente as piores conclusões.
Os ortodoxos ou radicais se assustam mais que os burgueses com as reformas sociais e conquistas dos trabalhadores porque cada uma delas por assim dizer acomoda o trabalhador fazendo com que ele não se interese por esta revolução imediata e violenta que eles desejam deflagrar.
É o que chamam de adormecimento ou entorpecimento da consciência do trabalhador ou de fetiche imediatista.
Oriundos das classes médias e intelectuais de gabinete em sua maioria nossos ortodoxos julgam ser muito facil fazer uma revolução e muito mais facil ainda comanda-la ou assumir sua liderança. O trabalhador entretanto conhece por antecipação o que seja sofrimento e não deseja ve-lo aumentado... por isso prefere lutar por reformas e astear a bandeira da revolução continua ou do reformismo.
Como conhecedores da História das grandes revoluções como a francesa e a russa os ortodoxos sabem que as massas incultas e exploradas só abraçam a revolução quando sua situação torna-se desesperadora e seu sofrimento insuportavel. Na maioria das vezes o estopin é a fome, a epidemia, a miséria...
A revolução francesa esta diretamente relacionada com a seca, a a redução de suprimentos e a fome; a revolução russa com a miséria causada pelos gastos do governo com as despesas da primeira grande guerra as revoluções Cubana, Coreana e mesmo a venezuelana com pressões imperialistas mais ou menos dramaticas dos EEUU... foram tais situações de sofrimento e dor que deflagraram todas as revoluções do passado e sem elas revolução alguma teria ocorrido.
A burguesia inteligente aconselhada pela sabedoria de Keynes há muito que se apercebeu desta conjuntura revolucionária tratando de acordar de tempos em tempos com esta ou aquela reforma e com certa elevação na qualidade de vida dos trabalhadores em geral, por medo de que situações de extrema miséria ponham todo o edificio a perder convertendo a civilização ocidental num montão de escombros.
Tal o dilema dos ortodoxos que em algumas situações chegam a se aliar a burguesia para que esta se sentindo segura oprima o povo com todas as suas forças...
O objetivo de combater o 'reformismo' ou quaisquer 'paliativos' e de se associar e fortalecer da burguesia salta a vista: no momento em que a burguesia imaginando-se forte e perdendo a cabeça reconduzir os trabalhadores as condições desumanas e de extrema miséria vigentes no passado, as massas, sentindo-se apupadas rebelar-se-ão e destruirão o sistema.
Se a linguagem das massas só é capaz de compreender a dor é necessário que a burguesia lha oprima e sangre para que ela efetivamente adira e participe da revolução.
Tal o modo: indiferente e leviano com que os ortodoxos encaram o sofrimento humano. Dir-se-ia que tais teóricos são isentos de vida como as pedras...
Eles entretanto nos acoimam de romantismo quando levamos em conta os sofrimentos de tantos idosos, mulheres, crianças e deficientes que são os que primeiro caem diante da fome e da miserabilidade.
Para eles contabilizar tais vidas é puro romantismo, isto porque não são seus pais, esposas ou filhos, mas o sangue do proletariado ou das massas...
Nós não compactuamos com tal visão e com tal estratégia porque respeitamos acima de tudo o sangue e o sentimento do homem do povo.
Portanto não desejamos uma revolução assim, que sacrifique aqueles que pretende redimir como chasqueiam os burgueses...
Só nos restando apoiar as transformações institucionais e a revolução continua que dá seguimento ao curso normal da História. Curso em que o papel das massas vai se ampliando gradativamente na mesma medida em que elas vão sendo formadas, informadas e transformadas em povo ativo e consciente segundo os esforços do partido, esforços primacialmente educativos.
Somente quando a massa tiver desaparecido em sua maioria ou convertida em povo pelo esclarecimento é que poderá cumprir seu papel e implementar a revolução ampliando seu poder participativo.
As massas não fazem revolução, apenas participam delas sendo comandadas ou lideradas por um chefe ou um comite que assume o poder. Ora isto não é nem pode ser socialismo num primeiro momento.
Pois o socialismo vem de baixo e pressupõe a atuação ativa do povo, quero dizer da maior parte da sociedade, que não pertece a burguesia recem desalojada... entretanto não é isto que acontece no frigir dos ovos de modo que as antigas elites financeiras acabam sendo substituidas por uma nova elite: a burocracia...
Não entrarei no mérito da discusão se quem lidera e comanda é o ditador e seu conselho, se é o partido ou se é a categoria dos operários urbanos muitas vezes identificados eles apenas com a noção de proletariado... não me importa, nem me interesa porque nada disto é a sociedade ou o povo. A parte não é o todo e o todo não esta na parte...
Se queremos fazer uma revolução popular ou para a sociedade explorada esta revolução deverá incluir necessariamente o campônio, a imensa categoria dos empregados do comércio e até mesmo a classe média - especialmente a média baixa e média média - e não excluir sob quaisquer alegações.
Se a sociedade como afirmam nossos intelectuais esta cindida em dois grupos: explorados ou proletários e exporadores ou burgueses, posto esta que a classe média, os empregados do comercio e os camponezes devem pertencer a algum destes grupos.
E se pertencem ao grupo dos explorados, desde que não pertencem ao dos exploradores, suas vozes devem ser ouvidas e não sufocadas sob a alegação infantil de que estes grupos o jogo da burguesia ou que são ideologicamente burguezes. Pois também há burgueses ideologicamente falando entre os operários das fabricas e se seu numero não é maior é porque o partido concentrou sua propaganda ali ignorando os demais setores e o desafio de coopta-los para a revolução.
Partindo de preconceitos inadmissiveis o partido abandonou tais grupos e lhos poz de lado discriminando uma parcela daqueles que são oprimidos, está errado.
Tambem os camponeses, os empregados do comércio e a classe média deveriam ter sido chamados e instruidos pelo partido e o partido deverá faze-lo se de fato esta disposto a cumprir seriamente com sua função. Nenhum preconceito de ordem cultural deve impedir-nos de atingir a estes grupos.
Grosso modo o partido deve evitar imiscuir-se e dogmatizar sobre questões de ordem cultural e moral, concentrando-se naquilo que verdadeiramente importa: o econômico, o político e o educativo, catalizando todas as forças descontentes para que conquistem mais direitos, ampliem seus estatutos e reformem em um ritmo cada vez mais intenso o Estado e as relações de produção até deixarem de ser o que hoje são.
O caminho das reformas institucionais e do respeito a institucionalidade esta em parte garantido pelo temor que os burgueses teem de fortalecer os radicais. Neste sentido a existência e o pensamento dos radicais é se suma importância porque eles atemorizam a burguesia e dão freio a suas ambições.
Conforme as massas ou apoiarão de certo modo a nós e a nossas medidas de tomada e ampliação da democracia burguesa ou, atingindo a opressão certos límites insuportaveis, aos ortodoxos e a sua proposta de revolução imediata e violenta.
Não queremos com excluir com isto a possibilidade da violencia no momento em que o povo já esclarecido e formado tiver seus passos tolhidos pela burguesia seja no que diz respeito a ampliação de seus poderes ou na modificação das relações produtivas.
O mesmo deve ser dito quando a quebra da institucionalidade por parte das elites burguezas como em 1964 por ocasião do infame golpe.
Em tais situações o povo deve fazer juz a seus direitos pela força pois o direito emanando ao povo, pertence ao povo e não aos poderosos. Aqueles que pela força se sustentam por ela deverão ser aniquilados...
Ai portanto de quem apela a força, dando o primeiro tiro...
Que ele não parta de nós, mas de nossos adversários os burgueses, para que a malignidade deles seja manifesta e eles possam ser ceifados com toda justeza.
A defesa é e sempre será legitima.
Todavia o processo como um todo deverá partir conscientemente do povo, de baixo para cima.
É o povo que deverá incomodar os burgueses na mesma medida em que penetrar e dominar a institucionalidade e iniciar sua destruição e a construção duma democracia direta e popular.
É o povo que deverá levar avante todas as mudanças e não um grupinho de pessoas, uma categoria ou o partido.
A revolução imediata e violenta para se bem sucedida deveria ser internacional ou universal como afirmou Trotsky, o que é assaz problemático na medida em que levaria o mundo a um novo periodo de cruzadas ou a uma nova guerra mundial, o que não beneficiaria ninguém mesmo que a vitória fosse certa, o que não é. O unico resultado que lograriamos caso estivessemos dispostos a seguir a orientação de Trotsky - a única compativel com a ideologia da revolução imediata e violenta - seria um mundo completamente arruinado e o alvorecer duma nova Idade Média.
E caso o mundo islâmico estivesse fora deste conflito e relativamente preservado não tardaria a esmagar-nos...
É pois inviavel e inaceitavel uma revolução universal como sói ser uma revolução imediata e violenta que deseje ser bem sucedida...
A revolução russa centrada numa Rússia cujos proletários conscientes eram infima minoria diante dum campesinato em sua maioria alienado e inconsciente só poderia dar no que deu: num aparelho burocratico estalinista e após a morte do grande pai ou ditador em seu desmantelamento e ruína. Pois esta revolução socialista jamais foi verdadeiramente popular embora tendesse a isto ao menos durante sua primeira fase, dirigida por Lenin... pois Lenin garantia que a voz do proletariado urbano fosse ouvida e que norteasse a revolução.
Nem por isso a gestão dos comitês sob a dirigência de Lenin foi isenta de graves problemas tendo em vista a limitação da revolução a Rússia, no caso cercada por países capitalistas... Daí as sábias conclusões sacadas por seu parceiro Trotsky.
O mesmo se sucederá mais cedo ou mais tarde na Coréia, em Cuba e na Venezuela, em que pesem as qualidades de Fidel e Chavez, Ou eles educam seus povos e integram-no no processo ampliando sua participação e poderes ou o ideal revolucionário perecerá com eles...
Não há como fugirmos ao paradigma da educação, pois todas as mediações passam por ele.
Fica aqui meu reproche direcionado aos ortodoxos e a sua tática, a meu ver desonesta e desumana, de colaborar com a opressão das massas para que elas levadas pelo desespero se deixem conduzir pelos caminhos da revolução.
Não, a pessoa humana não deve ser exposta a tais sofrimentos, mas esclarecida para que construa seu próprio destino.
Documentário Sicko
Outro conversando via MSN com meu amigo Ravick, ele disse que gostou muito do vídeo que postei sobre a saúde em Cuba e disse que iria procurar numa locadora o documentário Sicko do cineasta Michael Moore. Está aí o documentário completo caro Ravick, espero que goste, esta postagem documentário é em sua homenagem, então sinta-se homenageado e abraçado.
O maior perigo para a "democracia" ianque

A História da quarta Internacional
Um ótimo documentário sobre a História da Quarta Internacional, história essa que mostra que Leon Trotsky é um legítimo herdeiro do marxismo-leninismo. O documentário mostra que Stálin acabou com o comunismo que é o governo do proletariado e substituiu-o pela burocracia, ou seja Stálin nem era marxista nem comunista, mas uma forma de socialismo fascista.
Faz-se mister lembrar que foi graças à Stálin que o mundo se viu livre do nazismo alemão.
Infelizmente partidos como o PCO e PSTU são sectaristas e altamente dogmáticos posto que criticam o regime cubano e o governo venezuelano que seguem o paradigma do governo stalinista.
Apesar de eu ser comunista e querer que a revolução surja de baixo para cima, da base para o topo, do povo para todos, não posso fazer beicinho e chorar como uma criança mimada e não reconhecer os benefícios que a Revolução de Cuba trouxe para o povo cubano.
O operário em construção
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
VINÍCIUS DE MORAIS
O socialismo da ostra ou um socialismo inteligente?

No decorrer do processo histórico o partido e os militantes assumiram certas posturas que urge conscientemente superar no esforço lógico-dialético, tais como a postura da ostra.
Por postura da ostra compreendo aquela atitude de considerar a todos os que estão fora do partido como maus elementos a serviço da burguesia, a firme recusa em cerrar fileiras com eles, certo medo de contaminar-se com outras formas inferiores ou diferentes de socialismo, a perniciosa idéia de que a cúpula do partido é impecavel e infalivel e acima de tudo o recuar diante de certas instituições tomadas pela burguesia e empregadas por ela.
Este ato de abandonar, de desertar, de desesperar ao invés de combater é o que denominamos estratégia da ostra.
No frigir dos ovos significa encarar um determinado setor ou esfera da sociedade como 'satanico', como mau em si mesmo e como irrecuperavel para a causa da justiça e do bem comum.
Penso que neste sentido o preconceito mais marcante no seio do socialismo é o preconceito anti-religioso ou a idéia fixa de que todas as formas religiosas são igualmente infensas ao socialismo e suas adversárias.
Em tése esta idéia procede do próprio Marx tendo por base uma frase sua retirada do contexto e amplamente vulgarizada: 'A religião é o ópio do povo.' penso que sem ser completamente abandonada esta afirmação deve ser analisada partindo daquele instrumental historicista recomendade pelo próprio Marx e não romanticamente metafisicada em dogma indiscutivel...
O próprio Marx viveu antes dos progressos obtidos nos ramos da sumerologia, da egiptologia e da civilização inca, parece não ter prestado muita atenção ja na organização social do antigo Islan, já no fenômeno da República Cristã Socialista guarany (implementado pelos jesuitas) e ignorou certamente a assim chamada teologia da libertação...
Nós não temos a mesma desculpa pois conhecemos a fundo toda esta problemática historico/factual e não podemos deixar de tirar as devidas conclusões: nem todas as religiões são más durante todo tempo ou melhor nem todas as formas religiosas são o ópio do povo, muito pelo contrário algumas delas disseminaram por algum tempo um alto nivel de consciência social o qual de certa forma faz parte constituitiva de suas tradições.
Refiro-me em especial ao Cristianismo primevo, evidentemente que em alguns setores e casos houve certa penetração de misticismo e alienação, isto entretanto não diminui nem destrói aquele esforço paralelo, concreto, pragmatico e real, tendo em vista a implantação duma sociedade em moldes cooperativo/socialistas, a qual posteriormente foi desarticulada pelas aspirações econômicas dum poder político completamente impermeavel e refratário a mensagem cristã.
Disto temos evidência histórica nos escritos dos assim chamados 'Padres da Igreja' que foram os Bispos ou lideres eclesiásticos dos primeiros séculos. É raro encontrar um deles que não tenha em seus sermões - perdidos em sua imensa maioria - condenado inexoravelmente tudo quando, sob a forma de injustiças, aproxima-se de certo modo do atual sistema econômico e se postado sempre ao lado dos trabalhadores e da justiça.
A literatura socialista é pródiga em exemplos nesse sentido, tais como Engels em seu escrito sobre o Cristianismo, Rosa de Luxembrugo em seu escrito sobre as igrejas, Max Beer em sua História do socialismo, Lisandro de la torre em 'Cristãos sociais...", etc
Não quero dizer com isto que não haja um verdadeiro ópio ou conteúdo alienatório na maioria talvez das religiões e que parte delas sirva de instrumental perfeito nas mãos da burguesia, crenças e posturas há que são inconciliaveis com as metas do socialismo, refiro-me aqui as formas menos evoluidas, magico/fetichistas e imediatistas de religião (cf La Torre - prefácio), teocracia, fundamentalismo, criacionismo, solifideismo, espiritualismo descarnado, misticismo, teologia da prosperidade, etc... Posto esta que nenhum destes ideários é compativel com a revolução social... pois são todos ideais reacionários.
Entretanto as formas religiosas não se esgotam nesse caudal, pois existem formas tanto mais evoluidas, criticas, liberais, conscientes e engajadas.
Há portanto que se levar a luta de classes em favor dos menos favorecidos ao amago daquelas religões todas que oferecem suporte a esta luta e a sua afirmação perante os mais diversos grupos sociais, talvez fosse oportuno citar aqui o islan, e as formas Cristãs: ortodoxa, romana e espírita, especialmente esta última se levamos em conta a personalidade de M. Lachatre - o primeiro tradutor de Marx para o francês e espirita militante - e a magnifica obra de Leon Denis 'Espiritismo e socialismo', no campo da Ortodoxia recomendo a obra 'Libertar os oprimidos' composta pelo metropolita David e no campo do romanismo a "Ascenssão e decadência da Burguesia" de Emmet Hugues e as obras de D Helder e Leonardo Boff bastante conhecidas em nosso meio.
Todas estas obras fazendo ponte com as obras socialistas acima elencadas devem servir para a construção duma possivel ponte entre o ideal revolucionário e a mentalidade religiosa mais evoluida.
Do setor marginalizado da religião passou-se ao sa política.
Então foi dito e continua a ser dito por aqueles que se auto-intitulam ortodoxos: abandonemos as fileiras da política porque pertencem a burguesia...
Não ignoramos a grande verdade de que o atual môdelo político da democracia formal ou representativa, concebido pelo burguês J. Locke em favor de sua classe, constitui juntamente com a alienção e a manipulação religiosa o segundo grande sustentaculo ou pilar do sistema.
Reconhecemos entretanto a possibilidade e o desafio de, a partir da formação, da educação e da militância organizadas penetrar, influenciar e modificar esta estrutura ou aparelho a serviço da burguesia. De nossa parte cremos ser possivel tomar posse da democracia formal, altera-la e destrui-la por dentro convertendo-a numa democracia popular, participativa e cidadã.
Limitar-me-ei a registrar que Lenin apoiou a idéia da formação de um bloco dentro da Duma com o objetivo de desistabilizar o sistema por dentro.
Por isso a idéia segundo a qual devemos abandonar o político as mãos da burguesia me parece assustadora e monstruosa.
Não queremos dizer com isto que devemos nos contentar - como alguns de nossos companheiros - em participar deste tipo de democracia, mantendo sua forma inalterada. Não partilhamos desta funesta ilusão que é a possibilidade de mudanças significativas a partir do atual môdelo representativo ou formal de democrácia.
Mudanças significativas no setor econômico ou social só serão possiveis na medida em que reduzir-mos o papel do atravessador ou seja do parlamento e aumentar-mos o poder popular através dos mais diversos recursos e expedientes.
Da política a postura da ostra passou ao aparelho educacional.
É necessário abandona-lo pois constitui um aparelho reprodutor da mentalidade burguesa, clamam ja illich, já Bourdieu e Passeron (1976), e este clamor insensato mexe de algum modo com meus brios e com minha consciência de educador crítico/progressista.
Tal pessimismo ou derrotismo me assustam...
Não ignoramos que tal e qual os setores religioso e político o setor educacional esteja nas mãos da burguesia e sirva a seus propósitos adaptadores/reprodutores segundo os esquemas positivistas e weberianos.
Há entretanto - ao menos até onde sei e tenho presenciado - uma grande luta entre a parcela mais esclarecida, socialista e atuante da categoria professoral e a estrutura a que esta vinculadas e a heroica tentativa de implementar estratégias em prol duma educação critico/progressista nas salas de aula. Makarenko, Vigotsky, Freinet, Wallon, Freire, Saviani, Libânio... tem sido lidos, associados a estratégias e métodos empregados com sucesso pela burguesia (como Montessori, Decroly, Piaget, etc) e aplicados tendo em vista a formação de um aluno crítico e dotado de consciência social.
É alarmante que a burguesia tenha consciência desta 'revolução' no campo do aparelho educacional, que a denuncie e que procure destrui-la enquando certos setores do socialismo teimem em ignora-la ou em identifica-la com esforços pequeno burgueses, recusando-lhe seu apoio num momento que é por assim dizer crucial. Pois esses educadores criativos e heroicos precisam mais do que nunca do apoio dos companheiros e da sociedade.
Do contrário por falta de apoio dos partidos socialistas esta revolução no setor educativo será esmagada pela pressão da burguesia.
Na conjuntura porque passa a educação brasileira o discurso da ostra tende a isolar os educadores críticos no universo do socialismo e a drenar seus esforços, dai nossa oposição marcada a este tipo de discurso.
Walter Beijamin percebendo que a burguesia também tomara posse do estético, do artistico, do belo... tendo em vista fortalecer ainda mais a segregação econômica, chegou a conclusão de que o belo em si mesmo fora criado pela e para a burguesia, afirmando a necessidade de se criar ou valorizar um outro tipo de arte produzidas e determinadas pelas massas ou pelo proletariado. Disto resultou a atual cruzada em prol da arte popular caracteristica de diversos setores do socialismo, os quais encaram a arte como algo meramente subjetivo, ditado pelas relações econômicas e excludentes.
Nós entretanto não partilhamos deste ponto de vista.
Atribuindo certo elemento objetivo a arte clássica ou ao padrão clássico de beleza, sem negar entretanto que tais canônes devam ser empregados a favor da mensagem revolucionária, tal e qual foi implementado na URSS.
Fora isto acreditamos firmemente que alterando as relações sociais vigentes e instaurando a ordem socialista, a revolução colaborará potencialmente para a democratização e não para a destruição do padrão clássico de beleza. Já pelo tempo que será disponibilizado a estética e a discussões congêneres na sociedade do futuro, pois a adoção do socialismo e o solucionamente dos problemas materiais relativos a destribuição da riqueza, possibilitarão que o homem emancipado desenvolva ainda mais suas potencialidades devassando novos horizontes no plano do imaterial...
Não encaramos a implantação do estado socialista como fim de nossos problemas, mas como principio de uma nova era para a humanidade, de uma nova era que possibilitara um aprofundamento duma dimensão espiritual, emancipada e liberta de objetivos imediatistas. A inauguração da sociedade comunista significara o começo da resolução de nossos problemas éticos e estéticos no caminho da evolução.
Por isso aguardamos por sua implantação como uma libertação de forças até então manipuladas e escravizadas.
Crucial é entretanto a questão do sindicalismo, pois eu mesmo pude já observar a aplicação do discurso da ostra aos sindicatos, sindicatos que tanto representam para a história do socialismo.
Talvez seja necessário que o partido rompa com os sindicatos, pois a maior parte deles já caiu nas mãos da burguesia e foi dominada por ela.
Observe-se como o discurso pessimista da ostra percorreu todo um caminho desde a religião até o sindicalismo passando pelo político e o escolar...
Abandone-mos, recuemos, desertemos, pois a burguesia dominou estas e aquelas instituições e só nos resta recuar...
Que espécie de luta ou combate é este?
Adotada esta visão iconoclasta de caramujo o que nos restará?
Abandonadas as esferas da religião, da política, da educação, da comunicação, da arte convencional, das organizações trabalhistas, etc o que nos restará?
O PARTIDO, O PARTIDO APENAS...
Ouviremos o partido e o partido liderará a revolução?
Mas que revolução?
A armada?
Iremos então a praça da Sé com tacapes e canivetes ao meio dia e proclamaremos a nova ordem socialista?
Não isto não é socialismo nem aqui nem na China, mas burrice...
Alias durante os conflitos que estouraram a certa de vinte anos na praça da paz celestial em Pequin, a China comunista, ela mesma, nos deu exemplo do que os estados do Ocidentes farão com os socialistas em caso duma rebelião armada ou golpe: esmagarão os transloucados com seus tanques?
Quantos tanques, metralhadores, bazucas ou granadas possuimos?
Até onde sei nenhum.
Portanto como uns e outros ousam falar em revolução nos termos vulgares?
Por outro lado excluida tanto a revolução armada - por ser inviavel ao menos no contexto brasileiro - quanto a luta ideologica levada as instituições burguesas que nos restará?
Nada...
Farão luta de classes no partido???
Quaquaquaqua...
Mas que outra classe, que classe rival a proletária ou a popular existe nos quadros do partido?
Nenhuma...
Evidentemente que no seio do partido, enquanto orgão das aspirações proletárias, não pode haver espaço para qualquer tipo de luta (todo reino dividido perecerá).
Não havendo classes ou burguesia no seio da organização partidaria marxista/leninista posto esta que o conflito, o ataque e a tomada das instituições e da sociedade não pode ser feita dentro do partido mas apenas e tão somente fora dele.
Ao partido cabe apenas e tão somente o papel formativo e orientador segundo as bases proletárias que congrega e as aspirações de gradativa transformação que representa.
A luta de classes entretanto ocorre na sociedade ou seja em algo muito mais abrangente e amplo de o partido.
Ocorre por sinal em cada campo ou área da sociedade: a religião, a politica, a educação, a comunicação, a arte, a organização sindical, etc em todos estes setores há desejos e vontades revolucionarias que precisam ser alimentadas.
Devemos pois ir ao partido para alimentar e depurar em nós mesmos as fomes da revolução e depois sair do partido e ir a luta em todos os setores a que pertendemos divulgando seis objetivos e recrutando novos membros. Pois é na rua, na praça, no lar e no dia a dia que se trava a luta das lutas...
Ficar pois refugiado no seio do partido como numa torre de marfin ou como uma ostra dentro de sua casca não favorece em nada a luta gigantesca do socialismo.
Nem o negativismo, nem o derrotismo, nem o iconoclasticismo nos trarão beneficio algum.
Contamos, por incrivel que pareça, com um grande número de simpatizantes em todos os locais ou nichos da sociedade, mesmo nos mais infensos a nossos objetivos, sem ser transigentes podemos sempre ser afaveis e simpaticos ao invés de supor que o outro sempre seja o inimigo ou que esteja mal intencionado.
Pugnemos ativa e inteligentemente em favor da grande revolução ao invés de po-la a perder.
sábado, 29 de agosto de 2009
Socialismo, facismo e participação popular.
Os remanescentes do antigo regime, ora inseridos no novo sistema do "laissez faire" bem como as massas incultas e barbarizadas não possuiam os instrumentais necessários para perceber o significado de tais crises, significado entrisecamente econômico relacionado com a produção e o mercado, perceberam sem embargo o aspecto meramente político ou superficial das mesmas, o que entretanto não deixa de ser interesante neste enfoque por nós escolhido, que é um enfoque político.
Haja visto que a cada crise econômica sucederam-se crises políticas de que resultou a emergências de rebeliões e conjuras já socialistas, já facistas... Tomemos por exemplo a eclosão dos facismos após a primeira grande guerra e seu fortalecimento após a crise de 1929.
A explicação de tal fenômeno é bastante simples e as obras compostas já pelos monarquistas, já pelos facistas daqueles tempos - que nos fornecem as respostas necessárias - seguem sempre pelo mesmo viez: a completa ausência de autoridade ou mediação da parte do estado liberal preconizado por Adam Smith. Todos chegaram a conclusão de que ao postular a auto-regulamentação do mercado, a exatidão do econômico e não intervenção do Estado - até então onipresente - o homem brincou com forças que acabaram por sair de seu controle redundando em desemprego, miséria, fome, epidêmias e guerras...
Percebeu o homem contemporâneo, pela primeira vez a falácia da democracia formal ou representativa enquanto mero instrumental da burguesia e seus intereses econômicos. Percebeu pela primeira vez a grande farça urdida por J Locke...
Percebeu a farça mais não estava preparado para lidar com ela.
Por isso espelhou-se num passado em que o Estado era já paterno, já onipotente...
Grosso modo só há duas alternativas ante a farça da democracia representativa:
- Desconstrui-la por dentro transformando-a em democracia direta, participativa, cidadã e popular, o que demanda um gigantesco esforço educativo prolongado por um tempo indefinido e imprevisivel.
- Destrui-la pela força e instaurar uma ordem totalitária nos moldes do passado absolutista, refiro-me aqui não mais ao rei enquanto 'pai e protetor do povo' mas a seu sucedâneo: o ditador. E para minha analise, ao menos nesta etapa, não distinguirei entre ditaduras facistas, socialistas ou comunista.
Penso que o socialismo enquanto objetivo é sempre nobre, independente da forma sob a qual venha a ser implementado, entretanto em se pensando a realidade brasileira e o caminho a ser seguido por nossa revolução socialista, creio ser importante salientar os riscos da opção ditatorial - mesmo quando se trate duma ditadura de grupo ou partido - e as vantagens da opção participativa ou cidadã.
Ninguém ignora ou questiona aqui a grande benção que Fidel foi e é ainda hoje para a sofrida ilha de Cuba, entretanto a conjuntura de Cuba sob a pressão direta e insuportavel do imperialismo Yankee não é similar a nossa. Por outro lado o simples fato de Fidel estar educando o povo cubano e preparando-o gradativamente para sua missão que será assumir o controle deste Estado, tornando-o a longo prazo popular é raríssimo, senão único.
Apostar num pai ou lider que fizesse tudo por nós como supõe o imaginário monarquico/facista é apostar um contra um milhão correndo o risco de se obter um Hitler ou um Stalin como resultado com um saldo de milhões de mortes... Penso que este saldo sangrento não compensa nem a concesão de direitos aos trabalhadores nem a instauração de nossa tão desejada ordem socialista.
Só poderá dizer: -- O povo que sofra e suporte. justamente quem jamais conheceu o povo ou fez parte dele ou seja os intelectuais que se isolam nos gabinetes cercados por 'mapas' do tesouro ou teorias rotuladas de 'ortodoxas'...
Faz-se mister romper-se com o paradigma do 'grande pai' - o qual no fundo implica na mesma representatividade atinente ao parlamento (só que reduzida) - e falar abertamente ao povo que cada qual deve participar tendo em vista o bem comum, que cada qual deve engajar-se ativamente como agente do processo histórico, que cada qual é responsavel pela construção e reconstrução da ordem social, que ninguém deve esperar que o outro faça algo por si se não fizer também ele algo pelo outro, que a meta é apropriar-se da esfera do político exercendo cada qual, diretamente, seus direitos políticos através de plebiscitos, referendos, poderes locais, etc
Quero dizer com isto que a revolução socialista não pode partir de cima para baixo -ou seja das nuvens - mas de baixo para cima, conforme a ordem natural e com os pés no chão.
É o povo que deve já exigir, já executar a revolução e acelera-la na medida em que sua consciência social, despertada e alimentada pelo partido, se desenvolve. O apelo ou a violência só se justificam enquanto resistência a uma quebra da institucionalidade cujo objetivo seja frustrar a vontade popular enquanto sujeito histórico do processo.
Portanto uma revolução bem sucedida não pode partir das massas desesperadas - por exemplo pela fome - e controladas por um ou alguns revolucionarios intitulados lideres.
Robespierre e seu grupo e Babeuf pouco depois tentaram implantar uma ordem socialista em meio a um povo cujo imaginário estava completamente dominado pelo ideal burguês, daí a necessidade da implantação daquele instrumento de controle chamado 'guilhotina' e do regime do terror. Aquele povo - inclusive os trabalhadores, campônios, miseráveis - era enviado em massa ao cadafalso justamente porque não desejava a implantação duma ordem socialista naquele tempo, porque não fra suficientemente educado ou preparado para sua missão. Foi e continuou sendo massa que momentaneamente se revoltou e serviu a intereses que não eram seus enfeitiçada pelo brilho do mundo burguês.
Qual o saldo de tudo isto, ou seja da fase jacobina da grande revolução?
A alta burguesia logrou assumir o controle das massas, destruir o grupo de Robespierre, revogar todas as conquistas por ele implementada e inaugurar uma contra revolução destinada a fazer com que revolução recuassse novamente a seus limites iniciais, do que resultou o código napolêonico, nada jacobino pelo contrário, amplamente burguês.
Outro erro não menos funesto é que a revolução iniciada por um povo consciente acabe passando ao controle de um só, e assim se perde toda revolução...
Disto temos exemplo em Stalin... pois quando Lenin logrou finalmente implementar o estado socialista conferiu-lhe uma organização de base pautada nas decisões tomadas pelos comites de operários, o que conferia a revolução russa, ao menos em tése, uma ordem natural ou seja: de baixo para cima.
Entretanto embora os operários tivessem consciência de sua missão, não constituiam a nação mas apenas uma mínima parte dela, o povo não era a nação porque a nação englobava um imenso substrato de massa camponeza, alienada e manipulavel.
Foi quando Stalin dando cabo dos principais expoentes do partido foi assumindo o controle absoluto da situação.
Durante a segunda grande guerra a maioria destes operários cidadãos, já maduros por sinal, acabaram perecendo nos combates travados contra os alemães, saindo Stalin ainda mais fortalecido e com ele a praga da burocrácia ou dos grupinhos de oficiais/intelectuais que a longo prazo veio a por em cheque e a destruir a revolução.
Trotsky teve a percepção de diversos aspectos deste problema e de seu ponto de vista era necessário acelerar o processo da cooptação do poder nos demais países através da força. Pois ele não considerou a questão das massas e do povo na URSS e tampouco o papel da educação no processo revolucionário ou da penetração dos organismos políticos burgueses pelo povo esclarecido e sua modificaçãoe destruição por dentro. (afinal uma bomba deve ser desarmada por dentro)
O enfoque educacional da revolução - um dos mais lúcidos - só pode ser desenvolvido num momento posterior pela mente genial de Gramsci e o enfoque político por ele e Poulantzas, infelismente esses paladinos da revolução consciente foram tachados de revisonistas ou hereticos pelos tacanhos defensores da 'ortodoxia' mumificada...
Resultado: uns continuaram esperando a graça do grande pai ou ditador que os guia-se como os facistas e outros permanecem imaginando poder deflagrar um golpe amanhã as treze da tarde na praça da Sé armados com estilingues e canivetes...
O socialismo precisa superar esta triste dicotomia: ditadura/revolução armada e assumir sua tarefa gigantesca que é a educação das massas alienadas e a tomada das instituições burguezas tendo em vista sus transformação pela ampliação do poder popular. É clado que isto passa por decisões de talhe nimiamente economicos como a redução da jornada de trabalho com a manutenção dos sálarios, e outras estratégias a nivel de implementação de direitos, que alias, já estão nas pautas dos partidos socialistas.
Temos que abrir terreno no local de trabalho junto ao trabalhador seja por meio dos sindicados - temos de lutar também pela posse dos sindicatos cujo fim deve ser educar e formar os trabalhadores - ou por da ampliação de seus direitos, temos que abrir terreno na escola publica, temos de abrir terreno no poder local, temos de abrir terreno na política a começar pela política municipal... temos de cerrar as fileiras e trabalhar em diversas frentes, sem a vã ilusão de que veremos os resultados... não precisamos ve-los, basta saber que beneficiarão a humanidade futura.
Não devemos ter receio algum de falar abertamente em gradação e processo diante daqueles que advogam uma revolução feita nas coxas em termos imediatistas. As massas incultas dominadas por outras forças que não as nossas não nos seguirão a menos que lhas emancipemos da ignorância em que jazem e que a partir de suas experiências e intuição lhas encaminhemos para a posse dum tipo de conhecimento tanto mais maduro e elaborado.
Só assim, gradativamente ou seja através da educação - seja na oficialidade ou fora dela - é que conseguiremos depurar a revolução desta ganga facista que lha compromete e cujas raizes estão fincadas em nossa experiência monarquica, imperial e escravista.
Ninguém fará nada por nós enquanto nos divertimos apenas como se este mundo fosse um grande parque de diversões ou enquanto trabalhamos como animais, só nós podemos fazer algo por nós mesmos assumindo e exercendo nossos papéis de construtores comuns do edificio social.
O socialismo depende da formação de cidadãos críticos e ativos que discutam e decidam seu futuro planejando racionalmente o amanhã e não de cidadãos passivos a apaticos que esperam ou aceitam mecanicamente as ordens do chefe ou da cúpula do partido.
De mais a mais chegada a conclusão de que o povo não pode exercer, como deve - diretamente - o poder que lhe é próprio, num Estado de proporções gigantescas só nos restaria concordar com Bakunin e admitir que um tal Estado, que impossibilitasse a participação direta de todo povo em seus destinos, deve ser esfacelado ou fragmentado em parcelas menores de modo a possibilitar ou a facilitar a democracia popular. Deveriamos pois tornar ao microestado seja sob a forma da Polis grega ou dos cantões suiços ao invés de manter a farça burgueza da representatividade parlamentar ou de recorrer a uma mediação dum estado forte em termos ditatoriais.
Assim assumimos nosso próprio caminho rompendo já com a manobra representativa denunciada com propriedade pelos intelectuais facistas, já com o risco duma ditadura nos termos dum Hitler ou dum Stalin criticada com toda propriedade pelos intelectuais liberais. Cumpre aceitar a ambas as críticas rompendo com ambos os môdelos e gestando um novo Estado, popular e participativo, inda que fragmentado e em proporções menores.
Conservadorismo, liberalismo e socialismo.

A partir de meados do século XVIII iniciou-se uma longa série de conflitos a principio instituicionais e posteriormente sociais, os quais, sob suas respectivas formas teem se prolongado até nossos dias.
O primeiro destes conflitos travou-se entre a antiga ordem monarquico-feudal (antigo regime) e a ordem burgueza então emergente após uma longa gestação. A primeira batalha deu-se na França em 1792 com saldo positivo para a nova ordem, a guerra entretanto prolongou-se por mais de um século.
Os representantes do antigo regime, tiveram suas bases no campo e receberam o nome ou título de conservadores porquanto lutavam pela conservação de seus privilégios tradicionais. Já os representantes da nova ordem, oriundos da burguesia, indentificavam-se com valores diversos sendo o primeiro deles a liberdade pelo que foram classificados como libertinos ou liberais, título que se perpetua até hoje entre eles.
Politicamente falando os conservadores eram monarquistas-absolutistas e advogavam um sistema de intima união entre a igreja e o Estado justamente com o fim de sacralizar e manter inalteradas suas formas, como já foi dito sua base estava na agropecuária e na família patriarcal, que então impunha-se como exemplo no campo da moral.
Já os liberais eram constitucionais em parte - quando monarquistas - desejando limitar e conter o régio poder ou republicanos, quando aspiravam pela eleição do chefe de estado através do voto (evidentemente censitário) e pela separação entre a igreja e o Estado, o que comporta sua desacralização.
Dentro desta analise o cárater estático do conservadorismo - latente no próprio termo por sinal - e o cárater dinâmico do liberalismo salta a vista. Tratava-se pois duma luta em que estava em jogo a mumificação ou a revitalização da sociedade e constitui-se numa parte crucial, por assim dizer, do processo histórico porque viemos a ser o que somos.
Durante a primeira etapa do embate a burguesia pareceu como que unificada em face a um inimigo bastante coeso e as divergências foram mínimas partindo apenas e tão somente de grupos racicais como os jacobinos do grupo de Robespierre e os babovistas cuja influência ao tempo foi mínima, diluindo-se por completo no ideal burguês de liberdade formal.
Enquanto classe já isenta de direitos em face a ordem feudal, já emergente, a burguesia comportava certo dinamismo e certa combatividade verdadeiramente admiráveis. Identificava-se pois com valores que num segundo momento veio a perder assumindo uma postura reacionária idêntica ao estamento feudal, quando este estava em posse do poder.
Isto significa que num primeiro momento combateram todos juntos burgueses proletários cerrando fileiras, mesmo porque aqueles que dirigiram o processo, os burguezes acenaram com propostas de fraternidade e igualdade que jamais foram cumpridas. Após o período aureo do jacobinismo a grande revolução como que recuou: a liberdade foi implementada enquanto a igualdade e a fraternidade jamais sairam do papel chegando mesmo a converter-se em ameaças ao Novo regime.
Posteriormente o povo tomou a consciência de que fora manipulado e lançado contra os feudais em nome duma ordem tão ou mais excludente e opressora. E momentos houve no quadro do processo que o povo sentiu saudades do antigo regime...
Foi neste quadro fragmentário e caótico em que se sobrepunham os mundos feudal e burguês, as sociedades campesina e citadina e os modos de produção agrário e industrial, que emergiu o ideal socialista sob as mais diversas formas sendo que a mais lúcida ou madura - ao menos enquanto analise crítica - foi elaborada por Marx e Engels.
Não crescera sobre as nuvens entretanto, sendo tributária em parte de diversas formas precedentes de socialismos - cuja origem mais próxima fora o jacobinismo/babovismo - preconceituosamente tachados como 'utópicos', os quais entretanto foram tomados por Marx e seus companheiros num processo de depuração e superação que lhe conferiram foros de maior precisão ou de científicidade. Ao intuicionismo, que não deixa de ter seu valor, sucedeu uma elaboração em termos tanto mais razoaveis quando experimentais.
O socialismo, sob qualquer uma de suas formas, não questiona o dinamismo social vindicado e estabelecido pelos primeiros liberais. Seu ideário em geral não comporta um retorno aos padrões monarquicos feudais de organização ou um retrocesso - certamente utópico mas a superação dum monstruoso paradoxo: o dinamismo ou ritmo ilimitado e incontrolado do setor econômico em face ao fixismo absoluto da estrutura política classificada sob o termo de democrácia formal (e que de modo algum deve ser confundida com a democrácia clássica ou grega!).
Esse fluxo incontido e incontrolado das forças econômicas, sujeitas como se diz, apenas e tão somente a auto-regulamentação do mercado ( a qual como postulou Marx e demonstrou a História inexiste )em face a uma organização política dogmática, sagrada e intocavel nos termos de J. Locke, situação histórica por assim dizer antagônica, foi rotulado por alguns como o 'fim da história' enquanto desenvolvimento máximo e insuperável de nossas possiblidades organizativas e de fato virá a ser seu fim, não por ser máximo e insuperavel, mas por ser incompativel com a estrutura material já do bioma, já do planeta, e por vir acarretar nossa extinção.
Queremos dizer com isto que se o ritmo do econômico não for controlado e limitado pelo social haverá um colapso, não tanto dum sistema que se modifica conforme as circunstâncias externas, quanto da capacidade do bioma e do planeta. O ritmo de exploração imposto pelo sistema em questão não é compativel com a sustentação interna do meio ambiente, destrindo a interação organica que há entre os diversos seres vivos e acarretando sua destruição, inclusive a do próprio homem que é um ser vivo dependente dos demais para adquirir suprimento de proteinas.
É verdade que a tecnologia logrou por um tempo conjurar o tenebroso espectro apontado por Malthus há quase dois séculos. Engrendrou todavia a futil ilusão de que tudo esta sob controle e de que a humanidade pode multiplicar-se ao infinito num pais finito...
No entanto a finitude do planeta azul testifica que isto não é possivel e que o crescimento populacional já deveria ter sido planejado e consequentemente limitado há muito tempo, sendo os avanços tecnologicos no campo dos suprimentos meramente paliativos diante do fato de que a superficie do planeta não aumenta porquanto ele não infla...
Daí as propostas que campeiam pelo terreno da ficção científica por exemplo, mas que, por insólito que pareça, envolvem experiências que envolvem um montante inacreditavel de gastos. Refiro-me as pesquisas que envolvem a produção artificial de vida (a partir de matéria bruta ou inerte) ou de alimento bem como as tentativas de fixação já no fundo dos mares, já em outros planetas o que implica no desenvolvimento da vida a parte do oxigênio ou da luz.
Tais as tentativas levadas a cabo nos principais laboratórios financiados pelo sistema econômico vigente e cada uma delas comporta gastos enababescos. E ficamos todos a nos perguntar porque raios tais gastos não foram investidos em políticas sociais ou ao menos em políticas de planejamento familiar e de controle populacional?
A resposta é muito simples e já foi fornecida pelo odiado barbudinho a mais de cem anos: a manutenção do mercado de reserva.
Vidas são multiplicadas irracionalmente e indigmanente mantidas tendo em vista a preservação do mercado de reserva enquanto instrumento de controle de empregos e salários por parte da burguesia. Qualquer política social ou meramente clínica que incida sob o aumento da população, limitando-o ou reduzindo drasticamente não pode deixar de produzir efeitos ou de impactar negativamente tendo em vista os intereses econômicos dominantes.
Assim sendo devido as ambições de uns poucos degenerados todos corremos o risco, eminente, de perecer numa grande conflagração, não nuclear, mas ecológica.
Dentro deste quadro existe apenas uma alternativa real de acordo com o fluxo dum processo histórico que jamais recua ou volta átras: o socialismo.
Pois enquanto as formas remanescentes do conservadorismo - em parte tão conscientes e apreenssivas quanto nós - tem suas vistas voltadas para um passado que não pode mais ser reproduzido e caem sob o domínio da mais funesta das ilusões, nós socialistas temos nossas vistas voltadas para o futuro, buscando, não uma destruição total e iconoclastica da herança liberal mas sua superação tanto sob o aspecto econômico quanto sob o aspecto político tendo em vista a obtenção dum equilibrio social pautado na justiça e no bem comum.
Ai esta a diferença: enquanto o conservadorismo mais consciente de si mesmo e dos problemas sociais pertinentes ao sistema dominante, aposta em sua destruição e na restauração das formas abolidas e superadas de relações sociais o socialismo apósta numa transformação ou superação do mesmo.
Segundo cremos o econômico deverá ser gradativamente controlado e subordinado as necessidades concretas da sociedade na mesma medida em que nos apossarmos democraticamente das instituições políticas com o objetivo de altera-las destruindo a democracia meramente formal por dentro e convertendo-a cada vez mais numa democracia popular, participativa e cidadã, no molde direto dos antigos gregos porém num raio bem mais amplo (sem escravos).
Tudo isto implica antes de tudo num intenso esforço educativo, que parta duma pedagogia crítico/progressista e tenha por objetivo primordial a transformação das massas em povo. Pois na medida em que as massas são educadas obtendo consciência de seu papel como agentes e construtores do processo, deixam de ser massas para engajar-se como povo ativo, participativo e cidadão.
Desejo salientar com isto o papel fundamental da luta de classes no contexto pedagógico escolar enquanto utilizado pela burguesia como forma de reprodução social na qual o aluno é treinado para adptar-se. A luta de classes na dimenssão política não pode ignorar a situação da escola enquanto entidade formadora de operários, mas ao menos potencialmente de cidadãos.
Quero dizer com isto que o educador socialista deve lutar conscientemente pela posse da escola ou pela formação de cidadãos critícos. Não me refiro a cidadãos indisciplinados ou anarquistas mas de cidadãos conhecedores de nossas mazelas sociais e preparados ou capacitados para combate-las.
É somente através da educação ou seja pela formação de toda uma juventude, de toda uma geração socialista que lograremos penetrar legalmente a institucionalidade, não para nos conformar-mos com ela, mas para transforma-la ou altera-la por dentro. Assim a revolução partirá donde deve partir: de baixo para cima, do povo como um todo, da sociedade e não de um grupo, duma elite, dum comite, duma cupula ou dum diretório...
Revoluções que partam de baixo para cima só se sustentarão apelando, já a figura dum lider com feições ditatoriais, já a valores patrióticos ou nacionalistas. Não sou contra tais revoluções enquanto sob circunstâncias especificas - como a pressão do imperialismo Yankee - uma vez que seu fim é a construção duma sociedade mais justa e fraterna, entretanto estou persuadido de que nossa revolução, a revolução brasileira deve fazer seu caminho especifico e que este caminho é a educação das massas, sua participação no processo formal, a tomada de posse do mesmo e sua modificação tendo e vista a construção duma democracia cada vez mais direta e participativa na qual o congresso ou o parlamento - esse instrumento de domínio nas mãos da burguesia - tenha suas atribuições reduzidas ao máximo.
Pois a chave do sistema político vigente e da força da burguesia é a mediação do congresso ou seja a atuação desses 'atravessadores' que jamais representaram o povo.
E ela só pode ser derrubada por dentro pela alteração lenta e gradativa de seus dispositivos no sentido de dar cada vez mais espaço ao povo. Refiro-me em termos mais concretos a adoção de plebiscitos e referendos bem como ao fortalecimento do poder local.
Nesta conjuntura qual será o papel do partido ou dos partidos socialistas?
Será não um papel de comando num primeiro momento, mas antes de tudo um papel educacional/formativo que permita ao povo a tomada da hegemonia dentro dos principios da legalidade. Não da hegemonia pela hegemonia, mas da hegemonia pela transformação da hegemonia em algo cada vez mais amplo e popular.
Evidentemente que os nossos deverão ser educados para ir a luta e para combater e empregar a força caso as regras propostas pela legalidade forem quebradas e o estado democratico formal anulado, tal e qual se sucedeu em 64, durante os dias do golpe. Toda e qualquer tentativa de golpe ou de reação armada da parte da burguesia deverá set 'lavada a sangue' dentro dos próprios principios democraticos tendo em vista a manutenção do estado de direito e da legalidade.
Não podemos no entanto tomar tal iniciativa marcando um golpe para as quatro da tarde no centro da cidade tendo em vista que uma tal atitude poria o partido a margem da lei e interromperia todo processo educativo encetado e ardorosamente mantido por nosso educadores/heróis. Sem contar com o sacrífico inutil de vidas uteis a mais nobre de todas as causas.
Penso que a fase do golpismo ou da tomada do poder a força deva ser superada por um projeto de tomada do Estado e das instituições por dentro partindo da educação das massas e tendo em vista as regras e normas da democracia formal. É um grande desafio a ser assumido.
Jamais devemos nos esquecer que a democracia formal deve ser tomada para ser destruida na medida em que lha ampliamos concedendo novos instrumentos de participação ao povo.
continua...
(próximo artigo - relações existentes entre facismo e certas formas de socialismo)
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio

Ilha das Flores
Creio ser desnecessário comentar esse documentário. Só afirmo que vale a pena ser assistido.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
A história das coisas
A história das coisas em duas versões:
1) Dublada
2) Em inglês e legendado
A história das coisas um vídeo que fala de um modo bem didático acerca do capitalismo e de suas consequências. Uma ótima aula para operários e trabalhadores em geral sobre os males do capitalismo. São 21 minutos de investimento em cultura. Vale a pena gastá-los para assistir a este documentário.
Este blog acerta em cheio
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Racismo no Carrefour de Osasco
Homem negro, funcionário da USP e técnico em eletrônica foi identificado como bandido por um grupo de brutamontes (leia-se seguranças) que trabalhavam no Carrefour. Ele estava em seu carro, quando foi abordado por esses criminosos, sim, criminosos, pois racismo é crime e quem é racista é criminoso. Como eu estava dizendo, esses criminosos o abordaram quando ele estava em seu carro. Cinco criminosos e todos com armas de fogo apontado para ele.Um desses bandidos, gritou: "A casa caiu negão!". Januário (esse é o nome da vítima) foi levado pelos neo-nazistas para um quarto onde foi espancado por esses marginais que foram contratados para trabalhar no Carrefour.
Quer dizer então que negros não podem possuir bons carros? Que negro é sinônimo de marginal? Que podem ser chamados por apelidos ofensivos como negão? Se ele fosse um branco, loiro de olhos azuis e tivesse bem trajado poderia entrar em qualquer loja do Carrefour e anunciar um assalto, ninguém jamais suspeitaria de que ele seria um marginal.
Espero que esses nazistas sejam postos na prisão, pois esse é o lugar de gente xenófoba. Bom, nós que somos anti-racismo deveríamos fazer um boicote em solidariedade ao senhor Januário. Eu farei o meu boicote, este ano pretendo não comprar nada no Carrefour. O Carrefour deve selecionar melhor seus funcionários.
sábado, 22 de agosto de 2009
Michael Moore visita Cuba o país do mal
Michael Moore e alguns de seus compatriotas visitaram aquele "maléfico" país, que é Cuba. E lá constataram coisas desagradáveis, como por exemplo:
A saúde é gratuita e universal;
Que os remédios são baratíssimos;
Que a expectativa de vida é maior em Cuba do que nos EUA, entre outras coisas.
Os burgueses falidos do Orkut que adoram tagarelar sem conhecimento de causa, vivem a repetir seu tosco chavão: Comunistas Cuba os espera.
Para esses norte-americanos foi um choque saber que remédios que pagam cerca de 120 dólares nos EUA, em Cuba os mesmos remédios custam centavos. Ficaram chocados ao saber que Cuba envia gratuitamente seus médicos para países de terceiro mundo. Que apesar do embargo econômico imposto pelo Tio Sam (U.S), sua medicina é uma das melhores do mundo.
Mas Cuba é um país do "mal", não tem liberdade. Bom são os Estados Unidos onde se tem liberdade para morrer de fome e sem assistência do Estado. Capitalistas sem capital, Cuba me espera.
| Reações: |
terça-feira, 18 de agosto de 2009
De como a tevê fabrica papagaios
A imagem acima é uma tirinha do meu amigo Ravick Bittencourt, articulista do blog Os AmoraisNão há salas de aulas nas quais entro que eu não ouça esses jargões novelescos: "Are Baba", "Mamadi", "é a treva", "Jesus me chicoteia", "Jesus apaga a luz" entre outros mais ridículos.
Isso só vem a demonstrar para que servem as novelas. Alienar as massas! A cada novela global, as massas ficam mais e mais emburrecidas. E aí a Rede Globo pode tripudiar em cima das mesmas vendendo seus "dogmas" televisivos.
O ingênuo telespectador pensa que as novelas servem para entretê-lo, que servem para passar o tempo, aliás tristes tempos estes que vivemos, tempos nos quais as pessoas querem ver o tempo passar sem aproveitá-lo de modo adequado. O telespctador acredita que as novelas servem para distraí-lo, quando na verdade servem para destruí-lo.
As novelas não apresentam nada, absolutamente nada que seja bom, belo ou verdadeiro. As novelas não tem preocupações sociais, nem históricas nem culturais. Constituem um lixo, mas um lixo que não serve sequer para ser reciclado ou utilizado como adubo intelectual.
A rede Globo com sua mediocridade sabe apenas fabricar papagaios que repetem incessantemente seus clichês. Essas pessoas nem pensam no significado de tais palavras e/ou expressões, nem se perguntam, apenas repetem porque acham chique, bacana, "da hora", etc...
Mas a Globo é esperta, ela sempre cria personagens estereotipados com seus bordões, para que as massas fiquem hipnotizadas e já não prestem tanto atenção na trama, mas nos bordões. A trama pode ser sem pé nem cabeça, mas se tiver esses jargões e se eles emplacarem, é o que importa.
Pode ser que o telespectador pense que a Globo lhe presta um serviço, mas na verdade é a Globo quem se serve dele (perdoem-me a cacofonia mas foi necessária). E na rede Globo sempre foi assim, pelo menos desde que me conheço por gente. Entra novela, sai novela nunca muda. Mudam-se os personagens, mudam-se os cenários, mudam-se os atores, mas o enredo é sempre o mesmo. Quem assistiu uma novela da Globo assistiu a todas. Da Globo pode-se fazer coro à Salomão: "Não há nada de novo sob o sol" (Ecl 1,9).
Muitas das pessoas que conheço dizem não ter tempo para ler, mas arrumam tempo, tempo de sobra para praticar sua "sacratíssima religião" que é assistir tevê. E aqui quero deixar claro que não falo só da Globo, mas também do SBT, Record, Bandeirantes entre tantas outras redes nefastas. Excetuo apenas a tevê Cultura, que ainda oferece uma razoável programação.
Alguém já disse com muita razão que "o pior cego e o que vê tevê". Caros leitores, desliguem seus aparelhos e vão ler bons livros, bons blogs, bons jornais. Se todos fizessem isso, certamente teríamos um país melhor e melhores pessoas. Enquanto isso sonho com o dia em que não mais teremos tevês ou que as teremos de alta qualidade.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Até onde chega o individualismo
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo”.
(Bertolt Brecht)
Ler deveria ser proibido
LER DEVIA SER PROIBIDO
Guiomar de Grammon
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Coisas que a imprensa marrom não mostra
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad foi recebido por judeus ultra-ortodoxos do Neturei Karta, judeus esses que se opõem ao sionismo. No vídeo acima eles presenteiam Ahmadinejad e o abençoam. E disseram que judaísmo não é a mesma coisa que o sionismo. Judaísmo é espiritualidade, enquanto sionismo é materialismo revestido de formas religiosas para incentivar o nacionalismo.
É engraçado como a mídia ocidental sataniza Mahmoud Ahmadinejad, assim como sataniza o "ditador" Fidel Castro. Por que a mídia não mostra coisas assim? Porque não é interessante né? Já que a mídia divulga a ideologia burguesa.
A mídia só mostra o que é interessante para ela e para aqueles que a patrocinam. São meias verdades, notícias adulteradas, enfim notícias para persuadir o telespectador, o radiouvinte e o leitor de que o "comunismo come criancinhas", "Ahmadinejad é nazista" e que os "EUA querem levar a liberdade e a democracia para o mundo inteiro". Felizmente, a internet está aí para desmentir os "fatos". Basta ter um pouco de vontade e pesquisar.
Não há pior ditadura do que a ditadura da TV, onde as pessoas pensam serem livres e bem informadas. A TV tira o senso crítico das pessoas, pois elas não questionam se tal coisa veiculada é ou não é assim como a TV lhes apresenta.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Queixas profundamente justas e Cristãs

Carta do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a George W Bush
Essa tragédia não se limitou ao período de estabelecimento; infelizmente, ela vem ocorrendo já há 60 anos.
O regime estabelecido não demonstra misericórdia nem mesmo para com as crianças, destrói casas ainda ocupadas pelos moradores, anuncia com antecedência suas listas e planos de assassinar líderes palestinos e mantém milhares de palestinos prisioneiros. Um fenômeno como esse é único --ou pelo menos extremamente raro-- na memória recente.
Outra grande questão que as pessoas perguntam é por que esse regime está sendo apoiado? Será que o apoio a ele acompanha os ensinamentos de Jesus Cristo ou Moisés, ou os valores liberais? Ou devemos entender que permitir aos habitantes originais dessas terras - quer sejam cristãos, judeus ou palestinos - que determinem seu destino se opõe aos princípios da democracia, aos direitos humanos ou aos ensinamentos dos profetas? Se não, por que existe tamanha oposição a um referendo?
A administração palestina que acaba de ser eleita assumiu recentemente. Todos os observadores independentes confirmaram que esse governo representa a vontade do eleitorado. Inacreditavelmente, o governo eleito está sofrendo pressão e sendo aconselhado a reconhecer o regime israelense, abandonar a luta e seguir os programas do governo anterior.
Se o atual governo palestino tivesse usado essa plataforma na campanha eleitoral, teria obtido os votos do povo palestino? Uma vez mais, será que a posição tomada em oposição ao governo palestino pode ser reconciliada com os valores delineados anteriormente? As pessoas também querem saber por que todas as resoluções de condenação a Israel são vetadas no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Senhor presidente, como o senhor bem sabe, vivo em meio ao povo e estou em constante contato com ele - muitas pessoas do Oriente Médio em geral também conseguem entrar em contato comigo. Elas tampouco têm fé nessas políticas dúbias. Existem indícios de que as pessoas da região estão cada vez mais iradas com relação a essas políticas.
Não é minha intenção apresentar muitas perguntas, mas preciso me referir a outros pontos, igualmente.
Por que qualquer avanço tecnológico obtido na região do Oriente Médio é traduzido e retratado como uma ameaça ao regime sionista? Será que a pesquisa e desenvolvimento científico não constituem um direito básico de qualquer nação?
O senhor conhece a História. Além da Idade Média, em que outro ponto da História o progresso científico e técnico foi considerado crime? Será que a possibilidade de que realizações científicas sejam usadas para a guerra é causa suficiente para que nos oponhamos completamente à ciência e à tecnologia? Se essa suposição é verdade, então todas as disciplinas científicas, incluindo física, química, matemática, medicina, engenharia e outras, precisam ser reprimidas.
Mentiras são contadas sobre a questão iraquiana. Qual vem sendo o resultado? Não tenho dúvida de que mentir é considerado repreensível em qualquer cultura, e o senhor não que mintam ao senhor.
Senhor presidente, será que os latino-americanos não têm o direito de perguntar por que seus governos eleitos estão sendo alvo de oposição e por que líderes golpistas vêm recebendo apoio? Ou, por que eles devem sempre viver sob ameaça e com medo?
O povo da África é trabalhador, criativo e talentoso. Pode desempenhar papel importante e valioso no atendimento das necessidades da humanidade, e contribuir para o seu progresso material e espiritual. A pobreza e as dificuldades em grandes porções da África impedem que isso aconteça. Será que os africanos não têm o direito de perguntar por que sua imensa riqueza - incluindo os minerais - está sendo saqueada, a despeito do fato de que precisam dela mais do que ninguém?
Uma vez mais, ações como essas correspondem aos ensinamentos de Cristo e aos preceitos dos direitos humanos?






