
Como educador que somos não nos contentamos em votar, encetamos debates, encontros, eventos e saimos as ruas pedindo aos cidadãos todos que aderissem a essa louvável iniciativa.
Naquela ocasião em diversos artigos apontamos para o risco de que cada vez mais jovens e estudantes levassem armas para as escolas, dando inicio a um número cada vez maior de acidentes e tragédias.
Afirmamos em alto e bom som que a residência de um civil honesto não é o local apropriado para se guardar ou depositar armas e munições e que tal 'liberdade' nada mais era do que pretexto para se ferir a integridade alheia...
As armas não garantem a liberdade de quem quer que seja, antes suprimem a liberdade pela morte.
Falta de aviso não foi...
Sábios gabaritados como o ilmo profo Dalmo Dalari entraram a na liça e pugnaram bravamente a favor de um mundo melhor, mais pacífico e fraterno, isento de todos os obscurantismos medievalizantes... a favor de um mundo sem justas, duelos ou trocas de tiros nas escolas...
Parece que a maioria das pessoas ou se confundiu na hora de voltar ou deu ouvidos a cantilena dos ruralistas, banqueiros, etc a favor de uma sociedade armada... Pois eles podem comprar muita arma, muita munição, e...
Assim se formam e reforçam poderes paralelos a margem do estado...
Verdadeiros grupos e mílicias paramilitares...
Tudo a sombra da nação, com o objetivo de manter as ditaduras da oligarquia e da plutocracia.
Agora o povo brasileiro por assim dizer ingere de seu próprio veneno...
Não há do que reclamar, a chance de mudar a situação foi desperdiçada e o mal foi feito.
Doravante cada pai ou mãe que votou contra o desarmamento e vir a perder seu filho com uma bala no meio da testa, estará colhendo um amargo fruto que ajudou a cultivar: a morte, filha dos revolveres e das escopetas...
Para dizer a verdade não sinto um pingo de dó com relação a essa gente estúpida ou maliciosa que votou a favor das armas, crendo que as tais armas protegeriam seus filhos. Armas não protegem ninguém.
A unida garantia de paz e segurança para um povo e uma sociedade é a justiça social.
O fundamento inabalavel da paz e da segurança é a qualidade de vida.
Enquanto houver uma desigualdade econômica tão escandalosa como tem havido no Brasil desde o século XVI e aumentado ano após ano, é em vão que a burguesia com suas roupinhas brancas fará suas patéticas marcas pela paz e lançará rosas na praia...
Certamente que precisamos de marchas, mas de marchas populares como dizia meu ínclito mestre Paulo Freire, precisamos de marchas sim: marchas pelo desarmamento, marchas pela posse da terra, marchas contra a corrupção, marchas por mais plebiscitos e referendos, marchas contra este sistema financeiro que está em crise, marchas pela promoção da vida em todos os sentidos, marchas pelos direitos das mulheres, das crianças e dos idosos, marchas pelas cotas para os descendentes de negros, índios e nordestinos, marchas, muitas marchas!
Não precisamos de marchas para Jesus, mas de marchas POR Jesus, por jesus que esta no miseravel, no analfabeto, na prostituta, no idoso asilado, no sem terra, no sem teto, no sem amor, etc
A sociedade brasileira teve seu kairos e não soube aproveitar.
Pois depositou toda sua confiança nas armas de fogo e nas munições e não nos valores supremos da justiça, da caridade, da compreenção, da misericórdia, da paz, etc
Tal sociedade mostrou-se completamente pagã, descristinizada e infensa aos valores propostos pelo Evangelho, valores que são perpétuos e perpétua garantia de felicidade para aqueles que lhos cultivam.
Os brasileiros apenas trocaram os tacapes, os arcos e flechas e as lanças por revolveres e espingardas, por baixo das roupas e vestimentas da modernidade se encontra o troglodita do paleolítico, o aborigene das selvas ou o homem medieval com sua agressividade e truculencia.
Por isso assistimos a esse espetáculo quase diário de namorados e noivos chacinando suas ex namoradas e noivas junto com a família inteira... São famílias inteiras: mães, pais e filhos... executadas sumariamente e vitimadas, por X ou por N?
Não, mil vezes não! Tais familias, tais garotas, tais garotos, nossos jovens, nossas crianças são vítimas de uma opção errônea feita por todo um povo, por todo grupo, pela coletividade em sua maior parte. Cada cidadão brasileiro que se recusou a referendar a lei do desarmamento merece a justa pecha de homicida e assassino, de matricida, patricida, fatricida!!!
Quem se congraça com um assassino, que se associa a ele, quem compctua e lhe fornece os meios necessários para que consume seu crime é cumplice!!!
A maioria dos brasileiros é cumplíce quanto a essa sangria, a essa carniçaria que estamos assistindo. É responsável por transformar todo um país num açougue a céu aberto!!!
Todos certamente já se esqueceram de que votaram e de como votaram... já abafaram, já serenaram as vozes da consciência! Mas os manes dos que pereceram clamam por justiça!
Pois se não houvessem tantas armas espalhadas entres os civis e armazenadas em suas residências não haveriam tantos crimes ou ao menos as vítimas teriam mais chance de escapar e seu número seria menor.
Como Lindemberg poderia ter agredido e supliciado simultaneamente Eloá e Nayara com uma faca? Só pode ferir a ambas porque estava em posse duma arma de fogo.
Pois somente as ditas armas de fogo possibilitam a concretização de chacinas como estas que recentemente aconteceu na Alemanha... podeis imaginar os psicopatas chacinando dezenas de pessoas com facas?
Não fosse essa maldita opção pelas armas de fogo e a garota Eloá poderia estar ainda hoje, viva e feliz em meio aos seus, mas sua vida foi ceifada e seu sangue vertido...
E tantas e tantas Eloas e Nayaras por este Brasil afora. O pais está como que se afogando no sangue de seus filhos e há quem ouse falar em adquirir mais armas para se proteger... assim estamos a caminho do faroeste... Trinity... Bonanza... por ai afora.
Sedenta por sague a sanguessuga clama: mais, mais...
Não se apaga um incendio lançado mais combustivel... antes a mingua de combustivel o fogo se apaga...
Jamais o combate da violência com mais violência será bem sucedido, antes mergulhará a sociedade na selvageria e na barbarie...
Numa sociedade qualquer a violência equivale a febre no organismo vivo, é sintoma de que há um desequibrio, de que algo não vai bem, de que o corpo esta enfermo...
A violência é e sempre será sintoma de patologia social...
Procurar erradicar a violência da sociedade sem se ocupar de suas causas é como procurar reduzir a temperatura do corpo humano sem se ocupar da infecção que a produz...
A única maneira viavel de se combater a violência é através da escolarização, do ensino, de investimentos na área da saúde publica - inclusive da saude psiquica - da habitação, da manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas, de programas sociais que visem a integração das minorias, da transferência de recursos públicos para entidades filantrópicas e benemerentes, etc
Só seremos capazes de superar todas as situações de violência no momento em que aprendermos a investir nossos recursos em seres humanos e não em INSTITUIÇÕES BANCARIAS E BOLSAS DE VALORES!!! Não aos ricos e poderosos que o Estado deve socorrer mas os elementos excluidos por este sistema e morte e postos a margem da sociedade...
Precisamos rever nossos conceitos e refazer o Estado numa perspectiva personalista e social, vencendo o fetiche econômico... a tirânica despótica do mercado...
Há quatro anos o Brasil teve a chance de mostrar ao mundo que era de fato um pais instruido, civilizado e progresista... mas falhou miseravelmente e sancionou o reinado da violência permitindo que centenas de jovens desajustados continuassem a ter acesso a armas de fogo e a matar impunemente...
Se ora matam, matam com o consentimento venal duma opinião que se diz pública mas que na verdade é feita sob medida para lizongear a nossas elites parasitárias e com a aprovação dum povo que merece ser qualificado como leviano e irresponsavel.
Agora que o mal esta feito, como diziam os antigos, cumpre suporta-lo com heroismo e dignidade...
Sem essa pieguice de seminários escolares, oficinas, dinâmicas, circulos, rodas, etc O que precisamos não é de blablabla mas sobretudo de atitudes ou soluções concretas como o desarmamento. Conscientizar é bom?
É e como é.
Porém ter tirado as armas de fogo do alcance da população e da maioria desses jovens teria sido muito melhor.
Pois as soluções práticas, realistas e chãs sempre surtem efeitos superiores e garantidos.
Lamento sinceramente pelos que morrem na flor da juventude, mas, não lamento pela maioria desses pais e mães oportunistas, levianos e irresponsáveis que há quatro anos, por assim dizer, puzeram as armas nas mãos daqueles que vieram assassinar seus filhos. E com um simples voto, um voto irrefletido e torpe.
Alia Jacta est!












