quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Mãe




Pode ser que o leitor pense que vou falar sobre a obra de Máximo Gorki: A Mãe. Não caro leitor que me lê, não é dessa obra nem dessa mãe que eu quero falar, é de outra mãe, ou melhor, é de outras mães que vou falar.

Na escola onde trabalho às vezes somos obrigados a chamar os responsáveis dos alunos indisciplinados e quando conhecemos suas mães acabamos por conhecer a causa da indisciplina. Para o meu desprazer tive a infelicidade de atender duas mães que defenderam seus filhos pelo único fato de serem seus filhos. Infelizmente a maioria das mães, estraga os filhos e chego a conclusão que a guarda de muitos filhos deveria ser tirada de certas mães e pais também.

Mas voltando ao assunto para não perder o fio da meada. Uma das mães, tem um filho que é o cão chupando manga superindisciplinado. Pois bem, o inspetor trouxe a mãe até a sala de aula. E aí a mãe acusou os professores de estarem perseguindo "o santo", o "mártir" de seu filhinho, e que por causa dos professores ele levou uma surra do pai, etc... Disse ainda que os outros alunos bagunçam e que ninguém vê isso, e que o seu filho não é mau, antes é mal-entendido pelos professores que são verdadeiros carrascos de Dachau e Auschwitz (ela não disse isso, estou a usar um recurso literário para que o tom fique mais dramático).

Agora passo a falar da outra mãe que tive a imensa insatisfação de conhecer nesta semana. É uma criatura arrogante, petulante, egoísta que se julga a dona da verdade. Ela é aquela criatura que não educa os filhos, a única coisa que sabe fazer é estragar os filhos.

A mãe ficou toda cheia de melindres ao ser convocada e já chegou a escola numa postura agressiva, defendendo o filho antes que eu pudesse mostrar a ocorrência de seu "anjinho". Tentei falar mas a mãe com toda a deseducação que lhe é peculiar me cortava o tempo todo, e uma coisa que poderia ser resolvida em menos de 5 minutos, levou 20 minutos, tempo esse precioso para mim, tempo no qual poderia estar lecionando, ao invés de ouvir a biografia do "santo" em questão.

A mãe disse que não admite ameaças ao filho como se eu tivesse ameaçado o seu filho, e ainda questionou o meu trabalho, disse que eu sou todo "nervosinho e já entro na aula estressado gritando com os alunos" (sic). Foi isso que o seu filho lhe contou. A minha sorte é que na sala dos professores estava o inspetor de alunos que me defendeu dizendo que o "professor Fernando é tranquilo até demais e um dos melhores professores da escola" (sic). Uma outra professora que estava lá, também me defendeu, senão a mãe descontrolada, terminaria o seu julgamento, me condenaria e me executaria caso pudesse fazê-lo.

Aí perdi minha compostura e disse-lhe: "Mãe o problema é esse, esse e aqueloutro, estou pedindo sua colaboração para resolvermos esse problema porque quem vai perder não sou eu, uma vez que se o seu filho aprende ou deixa de aprender, vou continuar recebendo o meu salário. Outra coisa eu não saio de minha casa para vir à escola para fazer "futricas" de alunos, o meu interesse é ensiná-los e para isso preciso de uma classe disciplinada. Caso a senhora não esteja satisfeita com o meu trabalho, vá até a SEDUC e me denuncie por escrito.

Após isso a mãe, disse que não queria dizer isso, mas não admite injustiças e que os outros alunos são bagunceiros, etc... Apresentei o caderno de ocorrências e a fiz assinar, arrependido de a ter chamado à escola.

Moral da história: Fazer filhos é fácil, difícil é educá-los!

5 comentários:

Carlos H. disse...

Fernando, confesso que esse textou me deixou nervoso só de me imaginar na sua situação.

Seria tão bom se as tais mães assistissem às aulas de seus filhos.

Mas não digo uma aula por ano não, digo ao menos umas duas semanas inteiras, tempo suficiente para os alunos se acostumarem com a "tia" e perderem a vergonha e o respeito por ela, mostrando sua verdadeira face, no melhor estilo reality show.

quandoescrevo disse...

Por onde formos, teremos essas mães!

Fernando disse...

Mães que deseducam, nada mais!

Nekomata Reikainosuke disse...

Infelizmente neste caso tenho que dizer que a mãe está sendo bem sucedida. Ela vai conseguir perpetuar nos filhos, os seus próprios atributos: egocentrismo, presunção, desprezo pelos semelhantes, comportamento hipócrita... Sim, ela está educando o filho, mas dentro do seu modelo de mundo.

Não é fácil para aqueles que querem educar para a solidariedade entre os semelhantes. Vai contra muitos pais e mães. Mas não desanimem.

Uma PROFESSORA apaixonada.... disse...

É notória a diferença da qualidade de pais que os alunos têm em casa, é estampado! Como a família tem um papel importante na educação das crianças!!!