sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Surge mais um partido de extrema direita

Foi noticiado com magno gáudio pelo jornal reacionário O Estado de São Paulo que "Surge o Partido Militar Brasileiro, 100% democrático". Se é democrático então não precisa ser militar. Agora se é um partido só para militares, então trata-se de um clubinho.

Quem quiser saber da história do novo partido pode clicar no link (em letras marrom). Um partido novo com uma ideologia velha, velha e batida.


Ideologia. Questionado sobre a orientação do PMB, capitão Augusto não vacila: centro-direita. E a principal bandeira é, naturalmente, a segurança. A soberania da Amazônia e a garantia do ‘cidadão de bem’ – “aquele que não comete crimes, respeita o outro e o patrimônio alheio”- são os temas em que o PMB pretende concentrar esforços. “Essas progressões de pena, os indultos sem critério nos presídios, isso é um absurdo!”,diz o militar. “Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem”. (todas as citações que serão feitas são do site ao lado) Estadão.com.br

Por que o capitão não assumiu como direita? Centro-direita é direita. A principal bandeira do partido é a segurança! O capitão Augusto não é um político é um policial, isso fica bem revelado ao falar de segurança. Quem estuda as ciências sociais: história, geografia e sociologia sabe muito bem que a violência é fruto das imensas desigualdades sociais. E o que a polícia entende por segurança é uma coisa bem diversa do que entendem as massas sofridas. Porque em questão de "segurança" negro é sempre um suspeito, pobre e favelado tem que ser reprimido e grevistas acuados com tiros de bala de borracha, gás lacrimogênio, cassestetes e com mordidas de cães, tudo isso com o próprio dinheiro dos grevistas que pagam impostos, irônico não?

A soberania da Amazônia. Essas palavras soam aos meus ouvidos muito abstratas, o que seria essa tal de soberania? Proteção das tribos indígenas? Duvido muito. Os militares pouco se interessaram por nossos índios na época da ditadura. A proteção das florestas? A destruição dos latifúndios? Ou seria apenas palavras pomposas para impressionar o público?

A garantia do cidadão de bem. Cidadão de bem, é uma expressão das correntes fascistas e reacionárias do Brasil. Cidadão de bem é em primeiro lugar o dono de latifúndio, o dono de indústrias, que pertence à alta burguesia; depois o cidadão de bem é o homem branco de classe média A e classe média B que são católicos, que leem a revista Veja, o Estadão, a Folha de São Paulo e assistem a rede Globo e que amam "o trabalho honesto", a "paz" e a "ordem". Negros, favelados, gays, travestis, nordestinos não fazem parte dos cidadãos de bem porque para ser cidadão de bem faz-se mister ser cidadão de bens. Cidadão de bem "é aquele que não comete crimes, respeita o patrimônio alheio". Crimes, no discurso do policial é assalto à mão armada, furtos por necessidade e coisas do gênero. Quando crimes deveriam ser extorsão dos cofres públicos, desvio de verbas que são os geradores desses crimes de segunda classe.

O político defende também a propriedade privada quando fala do patrimônio alheio. E quem comete crimes contra o patrimônio alheio? (terras improdutivas, sedes governamentais abandonadas) MST, o movimento dos sem-tetos, etc...

“Essas progressões de pena, os indultos sem critério nos presídios, isso é um absurdo!”,diz o militar. “Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem”.

Absurdo são cadeias com cela para dez pessoas trancafiarem cinquenta. Absurdo é misturar presos de baixa periculosidade com presos de alta periculosidade, isso sim são absurdos! Evidente que não poderia faltar o cacoete: "Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem".

Mas o capitão Augusto lembra também que os presos têm seus direitos. “Se cometeuo crime, tem que cumprir a pena, sim. E a pena tem que ser vista não só como ressocialização do preso, mas como castigo. Mas o preso, que perdeu seu maior direito, a liberdade, não pode perder também a dignidade.” A situação dos presídios abarrotados, em que os detentos “são tratados como animais”, é uma das questões a ser atacada pelo PMB.

Pena como castigo, é bem mesmo da índole dos policiais. A ressocialização não é tão importante, mas o castigo... Nietzsche disse que "o castigo foi feito para melhorar aquele que o aplica". Logo após esse discurso do castigo, o capitão Augusto fica mais "flexível" ao afirmar que o preso que perdeu sua liberdade não pode perder sua dignidade, etc... Sinceramente, eu não acredito nem um pouco nesse discurso. Se eu acreditar nisso terei que acreditar em Papai Noel, coelhinho da páscoa e até mesmo no Jornal Nacional, principalmente quando casal Bonner fala do "ditador" Hugo Chavez.

E o que o PMB pensa sobre o período marcante da ditadura militar? “Somos contra. Abominamos o período. Seria covardia vincular a ditadura conosco.Se você for ver, são 500 anos de serviços prestados ao Brasil. A ditadura foi só 20 anos.”

O capitão Augusto diz que seria covardia vincular o período da ditadura com eles. Mas como não vincular se o discurso do partido é o mesmo que vigorava nos tempos da ditadura?

3 comentários:

AF Sturt Silva disse...

Perfeito o seu texto,já tinha lido essa reportagem num blog gaucho que reproduziu o material do Estadão.Quero só ver se esse partido vai conseguir legalizar antes da LIB ou do PCML...

As suas colocações são as minhas também.

Vou reproduzi-lo no Dl

Abração

AF Sturt Silva disse...

Opa,agora que eu perbebi que tem vários blogueiros postando por aqui,bem que achei que os textos tem fatores ideologicos bem diferentes...

http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=11881&Itemid=176&thanks=13

Fernando disse...

Obrigado caro AF Sturt Silva, fico muito grato.

Na verdade eu sou o dono do blog e chamei alguns amigos para postarem mas quem participa mais é o professor Domingos. Os outros participaram pouco ou nem participaram.