quarta-feira, 23 de junho de 2010

A religião da bola

O comercial do banco Itaú é muito bem feito e muito bonito, mostra dois meninos, um judeu e outro palestino. O menino judeu está jogando bola quando sem intenção, acaba derrubando o produto de um feirante palestino. O menino judeu cabisbaixo, olha triste para sua camisa da seleção brasileira e o menino palestino faz o mesmo em seguida devolve a bola para o garoto judeu. Os judeus e palestinos saúdam-se amigavelmente com um aceno de mão e os meninos começam a jogar e o banco Itaú arremata: "Porque nós acreditamos que o nosso futebol pode unir as pessoas".



A Verdade





Como o nosso futebol une as pessoas não?



Existem ateus para todas as religiões, exceto para o capitalismo e o futebol!

O futebol acaba por se tornar uma religião cujo deus é a bola, ou melhor, cujo deus é o símbolo do time do torcedor. Por essa religião se compram badulaques (roupas e utensílios do time) e se mata não em nome de Cristo ou de Allah, mas do Palmeiras, do São Paulo ou do Corinthians e essa religião nem oferece um consolo além-túmulo.

E o banco Itaú diz que nosso futebol une as pessoas... Não duvido que o banco tenha dito a verdade, mas de uma forma irônica: "Nosso futebol une as pessoas no hospital, no cemitério...".

Dizem que a finalidade do futebol não é dar educação, nem ajudar as pessoas que passam necessidades, nem ajudar o país a se desenvolver, a finalidade única é divertir, noutras palavras, fugir da realidade. Podem os ateus falarem o que quiserem das religiões, mas não podem negar que muitas delas trouxeram progressos e quem diz o contrário, de duas, uma: ou mente ou é ignorante. Agora digam-me o que o futebol trouxe de bom para o mundo? O quê? Nada né? Um esporte que não educa, que não disciplina, que não tem por finalidade ajudar, não serve para nada, apenas para deixar as pessoas mais burras do que são.

Outra questão se põe: Quem ganha com o futebol?

Os bancos, as grandes indústrias como as de cervejaria e da telefonia celular, entre outras.



Então o futebol televisivo só serve mesmo para fazer propaganda dessas grandes empresas. Além de estar exposto à voz horrível do Galvão Bueno com seus chavões mais que batidos e aos comentadores (como se futebol fosse ciência, e os torcedores fossem burros que precisam de alguém que lhes diga o que é e o que não é) está exposto a uma enorme quantidade de propaganda. Um verdadeiro mercado.

Também o comércio simples ganha com isso, pois nessa época veem-se camisas vendidas por lojas e camelôs, cornetas, bandeiras, etc... As lojas de tintas também faturam pois há quem gaste seu dinheiro para pintar ruas e calçadas, uma paródia do Corpus Christi ou a lembrança dos antepassados da caverna que pintavam os animais que iam caçar, sabe-se lá o que significa isso.

A quem interessa o futebol? Aos políticos mais do que ninguém, pois os olhos de todos estão voltados para o Dunga e não para a Câmara dos deputados ou para a Assembleia Legislativa. Engraçado nessa época não se veem desgraças, mortes, estupros, enfim crimes hediondos que a TV gosta de passar.

Felizmente, nunca gostei de futebol e não é hoje do alto de meus 34 anos que vou começar a gostar dessa futilidade. Podem me chamar de recalcado, mas felizmente me conheço muito bem e não tenho esse tipo de problema para ser resolvido.

Recalcado na visão de alguns, na verdade realista e por isso com os pés no chão e não escravo da ideologia burguesa, ou seja, sou livre.

3 comentários:

Gracco Oliveira disse...

Pois é, camarada. Podemos dizer o mesmo da Brahma, que faz o povo acreditar que ser "guerreiro" é quem consome a cerveja. E não podemos esquecer que, para essa geração orkut, "rebelde" é que vê novela mexicana. Lamentável.

Que a contudência dessas suas idéias acendam o rastilho de pólvora que detonará os parapeitos da indiferença. Evoé!

Fernando disse...

Muito obrigado caro Gracco, folgo em saber que o camarada se identificou com este texto.

quandoescrevo disse...

Eu ainda não libertei-me completamente, mas observos as manobras feitas principalmente no mundial... Repare, as tomadas são geralmente amplas... Com o angulo aberto das câmeras, todo o 'alambrado' q envolve o gramado é muito visto, e os patrocinadores, destacados... REsta saber quem leva o título esse ano, será Adiddas ou Nike?