sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Evolucionismo X criacionismo na escola



Preocupado com a situação em que se encontra o Brasil mergulhado nas trevas do obscurantismo outro dia abordei o polêmico tema evolucionismo x criacionismo para um 8º ano. Como sou professor de história (tenho licenciatura curta) e de geografia achei por bem combater a ignorância científica e o fundamentalismo religioso. Evidentemente, o que me inspirou foi um livro didático de História do 6º ano do Projeto Araribá que aborda nas páginas 26.27,28 e 29 uma crítica ao criacionismo e uma defesa do evolucionismo.

Fiz dois mapas mentais, um mostrando as bases do criacionismo e o outro mostrando as evidências do evolucionismo, poucos alunos (os mais inteligentes) aceitaram a explicação da teoria da evolução, a maioria ficou revoltada como era de se esperar porque isso atingia em cheio a sua fé baseada em mitologias de 2ª categoria.

Os alunos fundamentalistas, clientes das seitas neo-pentecostais começaram a gritar que era mentira, que o Gênesis estava certo, que a ciência era mentirosa e coisas do gênero. Pedi que me dessem evidências de que o livro do Gênesis falava a verdade e como não me deram as evidências comecei a questioná-los sobre o livro da capa preta (bíblia): Perguntei o porquê do Criador ter feito as plantas antes do Sol uma vez que as primeiras dependem do último para fazer fotossíntese. Perguntei também: Por que Deus não criou a água? Pois no texto do Gênesis, não diz que Deus criou a água mas tão somente que um vento de Deus soprava sobre as águas. (Gn1,2)

Depois demonstrei como o Design Inteligente (DI) não tem sustentação num debate sério. Se existe um desenho inteligente por que temos o dente siso que não serve para nada? Qual é a razão de ser do apêndice? Por que os avestruzes tem asas que não tem função alguma? Que projetista iria desenha algo sem propósito, sem finalidade? Ainda perguntei a um adolescente muito arrogante metido a pastor se Adão tinha umbigo e como pôde ter umbigo se não tinha mãe, pois o umbigo não é um enfeite mas onde se ligava o cordão umbilical por onde o feto era alimentado. 

Os jovens criacionistas pediam evidências do evolucionismo e citei apenas os fósseis que mostram mudanças numa dada espécie.

Os argumentos usados (chamo de argumentos por comiseração) eram Ad hominem, Ad baculum, Ad Verecundiam (Deus disse, está na Bíblia) entre outras falácias.

Em meio a gritos de é mentira e de perguntas: "o senhor é ateu?", "o senhor não crê na Bíblia?" cumpri meu dever porque fiz alguns questionarem a mitologia semita e estimulei a curiosidade científica neles, e depois vi esses poucos defenderem com coerência a teoria da evolução com os mesmos argumentos que tinha usado antes e com outros argumentos novos. 

Como professor sinto que é o meu dever desmistificar visões anti-científicas e combater o fundamentalismo religioso cujos frutos são as superstições e a intolerância.


Um comentário:

Carlos Miguel disse...

Essa dia foi louco, e a aula maravilhosa :D