Há dois milênios e meio os gregos geniais principiaram a defender um sistema político fundamentado na participação efetiva de todos os cidadãos ou na cidadania.
Há cerca de quatro século esta belo sistema foi prostituido pelos súditos de sua majestade britânica, a libra esterlina...
Foi então que nasceu a meia democracia ou como se diz democracia representativa, indireta, liberal, formal ou burguesa.
Burguesa porque concebida por burgueses, como Locke, tendo em vista a satisfação de suas necessidades econômicas.
No plano da cultura ou da solidariedade cultural, democracia formal e liberalismo econômico estão sempre de mãos dadas e podemos suster, sem medo de errar, que a primeira esta a serviço da segunda e não do bem comum ou da promoção humana.
Segundo a ideologia corrente, as pessoas ´não tendo tempo' parta exercerem por si mesmas suas prerrogativas políticas, transferem-nas para outras, supostamente mais habilitadas, através das assim chamadas eleições.
Implicam as eleições em transferência de poder, dos legítimos titulares. a um grupo bem menor de pessoas. geralmente encaradas como sendo mais habilitadas.
Grosso modo, admitimos que a grande maioria das pessoas não tem como tomar parte, tanto mais ativa, no processo, pelo simples fato segundo o qual, encontram-se envolvidas na produção de bens de natureza econômica.
Destarte as exigências do sistema econômico de produção, alui pela base o exercício da democracia cujo fundamento mais remoto e sólido é a cidadania ou a participação direta no processo decisório.
Podemos pois afirmar e suster que o sistema econômico vigente, absorvendo a quase totalidade da ação humana, invade e destrói a esfera das relações políticas.
Daí a tal da representatividade.
Convém que o trabalhador ou operário permaneça ocupado nas fábricas para que não possa tomar parte no processo, defender seus interesses e auferir qualquer benefício de natureza social.
Eis porque, politicamente falando, o trabalhador é um alienado. e alienado por obra e graça duma estrutura posta a serviço da ideologia econômica vigente.
Aqui não há democracia mas apenas aparência de democracia.
Algumas liberdades muito básicas. geralmente de teor negativo, para todos enquanto a fruição das oportunidades é reservada apenas a alguns afortunados.
Eleições > propaganda paga > capital > poder, é esquema que define as ditas relações com absoluta propriedade.
Por meio da propaganda entra o dinheiro e por meio do dinheiro os interesses dos patrões e banqueiros perfeitamente assegurados.
Vivemos pois numa aristocracia posta a serviço do dinheiro ou melhor do capital.
Segundo os antigos gregos numa plutocracia ou timocracia.
Financiam os patrões e banqueiros aqueles que escolhem para representa-los.
E assim, por trás da cena, conservam a posse do poder político.
Em suma, a democracia formal, não passa dum instrumento providencial, posto por alguns ideólogos venais, nas mãos duma burguesia ávida por poder...
Puro e simples recurso econômico enquanto corrupção do ideal grego de participação ativa e direta.
Segundo o discurso vigente o povo deveria decidir tudo...
Desde que não toque no que realmente importa: no setor econômico e na esfera da produção de bens ou seja quanto aos interesses do mercado financeiro. Aqui o domínio é sagrado e a negação encarada como tabu.
Julgam de fato esses excelentíssimos senhores que somente eles compreendem as relações econômicas, logo, que somente a eles pertence o direito de decidir e legislar sobre matéria de natureza econômica.
Eis porque ficam literalmente aterrorizados com a possibilidade de que o povo, revindicando as prerrogativas que lhe são atribuidas, passe a tomar parte ativa no processo, por meio de plebiscitos e referendos.
Como este último, que acaba de ser proposto pelo governo grego com o intuito de regularizar seu situação econômica.
O motivo, razão e causa é perfeitamente simples e compreensível: o receio de que o povo - idiota (!!!) - recuse-se a aprovar as medidas econômicas de teor neoliberal, propostas por eles.
Recusando-se a colaborar para que o sistema seja mantido a qualquer preço, ao invés de ser desarticulado e substituido por outro de natureza tanto mais racional quanto funcional e humana.
Não querem pois ouvir o povo ou acatar sua soberana vontade pelo simples fato de que pode desamparar o sistema que desejam impor ao mesmo povo.
Não querem verdadeira democracia, participação, cidadania; mas obediência passiva ou submissão...
Querem decidir pelo povo e no lugar do povo porque temem o povo.
Cumpre observar qual será a atitude do povo grego face a questão.
Isto porque a verdadeira democracia, sem atravessadores, foi implementada por eles a cerca de vinte e cinco séculos...
Soubera manter o povo grego, os ideais de seus ilustres antepassados?
Ou curvar-se-a ante as exigências despóticas da anglo democracia?
É o que gostaríamos de saber...