sábado, 31 de julho de 2021

Porque não sou um estorvo ao sistema ou porque sobrevivo.






Viver em semelhante conjuntura é deprimente ou até comprometedor por ser, em certa medida e até certo ponto, sinal de criminosa cumplicidade ou ao menos de impotência. 

Se vivo ou sobrevivo em meio a um sistema tão podre é porque até certo ponto devo ser conivente ou ao menos inócuo. Se sou conivente não sei, tenho no entanto a consciência de ser inócuo.

Nem em sonho vivemos num sistema respeitoso face aqueles que o ameaçam. Certamente não vivemos mais os tempos das inquisições papais ou bíblicas (Esta última mais virulenta que a primeira!), romana ou protestante... E tampouco nos achamos no período vitoriano em que os 'dissidentes' culturais eram diagnosticados como loucos e internados em sanatórios ou hospícios. 

Em tempos de direitos humanos e democracia, quando por hora não se pode mais torturar ou matar abertamente só resta mesmo recorrer ao assassinato, e portanto a eliminação categórica dos inimigos. Do que temos inúmeros exemplos: Garcia Moreno, Delmiro Gouveia, Oscar Romero, Chico Mendes, Dorothy Stang, etc A mensagem é de prístina simplicidade: Caso você ameace algum grupo hegemônico prepare-se para morrer. Pois se representa uma ameaça real ao sistema não sobreviverá.

Se passar do discurso as obras e ao exemplo, postando-se intransigentemente ao lado da justiça e denunciado corajosamente as injustiças - Na medida em que representar uma ameaça real ao sistema econômico vigente você terá poucas chances de sobreviver. 

Claro está que um sistema que deseja ser considerado manso ou liberal recorrerá a todos os modos e maneiras possíveis com que neutralizar seus críticos sem derramar sangue. Tal será quase sempre possível, porém nem sempre...

Aos teóricos ou que apreciam sobretudo palavras e discursos vazios bastará ao sistema opor denunciantes contratados. Ficando desmoralizada assim a imensa maioria dos revolucionários - Sejam comunistas ou anarquistas - que pouco se preocupam com a virtude e que tão rapidamente assimilam os métodos maquiavélicos de seus oponentes.

Logo em seguida vem os Cristãos que tem algum conhecimento do Evangelho e que sem ser perfeitos buscam opor-se a iniquidade. Quanto a estes é suficiente que a imprensa ameace denunciar alguns de seus pecados episódicos ou ocasionais, revelando algum caso, algum amante ou ex amante, etc o que equivale a desmoralização... Com isso se cala 99% do clero apostólico, seja romano ou ortodoxo, o qual fica amordaçado, mudo, silencioso e calado, limitando-se a tartamudear indiretas...

Já quanto aos leigos Cristãos de diversas orientações, anglicanos, espíritas, etc, judeus, budistas, teístas humanistas, etc de modo geral é suficiente lançar contra eles a 'mão invisível' i é fechar-lhes todas as portas ou possibilidades honestas, retirar-lhes o emprego e sobretudo ameaçar-lhes a estabilidade econômica, convertendo-os em párias ou mendigos. Isto sem que - Ao menos antes da Internet - pudessem vir a público espernear. O que a esquerda cirandeira reproduz sob o termo 'Cancelamento' ou boicote, já é feito há muito pelo poder econômico estabelecido contra seus críticos ou dissidentes de vária lavra. 

Que a mídia sendo privada ou paga negue a palavra aos Cristãos apostólicos e aos socráticos e mesmo aos socialistas mais intrépidos é fato. Não temos uma imprensa democrática a serviço do bem comum - Já pensou nisso? Temos uma imprensa paga ou privada a serviço de valores econômicos ou do lucro. Como pode haver liberdade de fato ou democracia sem real liberdade de expressão? No entanto a liberdade de expressão continua sendo atribuída apenas aos 'economistas' científicos de Chicago, a certas Xuxas da filosofia e no máximo a padres bailarinos... Quando foi que a Globo ou o SBT deram espaço a qualquer sacerdote papista para divulgar a doutrina social da igreja romana? Quando foi que os grandes canais de Televisão promoveram simpósios ou cursos sobre Sócrates, Aristóteles, Platão, Confúcio, etc??? Jamais...

Os próprios partidos políticos não deixam de funcionar como filtros políticos, como dizia M Nordau, e assim os sindicatos... Bastando para o sistema subornar os dirigentes políticos e sindicais sem Ética ou humanismo. 

Suponhamos no entanto que alguém consiga furar filtro após filtro... Empenhando-se em favor da virtude como um Teori Zavascki. Haverá defeito na turbina e o avião cairá. Para que se evite derramamento de sangue... O sistema está perfeitamente a par do tertulianesco dístico: Sangue de mártir é semente de Cristãos... Sangue de mártir é semente ideológico. Pois não poucos são os que despertam por darem crédito aos que se deixam morrer por suas crenças. Sendo melhor não criar mártires em demasia. 

Todavia se preciso for...

Antes o mártir que o sistema.

Mas professor, por que faz o senhor declarações tão amargas?

Sinto-me impelido após ter lido e relido as vidas de um Buda, de um Confúcio, de um Jesus e sobretudo de um Sócrates, os principais críticos ou reformadores sociais sobre os quais muito sabemos.

Antes de tudo eram tais personagens rigorosamente atidos ao princípio da justiça e refratários a toda sorte de injustiças, partissem elas donde partissem.

Dos dois últimos temos que foram mártires, embora o primeiro tenha morrido com certa de quarenta anos e o segundo com certa de setenta. Quanto aos outros dois, posto que tendo vivido em sociedades não tão corruptas, não chegaram a ser imolados, o que não quer dizer que tiveram uma existência agradável. De fato tanto Confúcio quanto Buda, em certos períodos de suas vidas foram atrozmente perseguidos.

Quanto ao divino Jesus não possuímos reflexões suas sobre o assunto. Temos porém algumas declarações enfáticas:

Se me odiaram odiarão a vós.

Haverão vocês de ser perseguidos.

Bem aventurados quando forem vocês perseguidos por conta da justiça.

...

Há porém no tempo presente milhões ou bilhões de Cristãos formais espalhados pelo mundo que não sofrem qualquer tipo de perseguição, vivendo até muito bem...

De fato, afinal por que perseguiria este mundo do dinheiro os calvinistas que lhe deram a vida ou as emprejas que lhe tomaram o método?

De fato não creio que os poderes deste mundo haveria de perseguir aqueles cristãos nominais que servem ao dinheiro ou ao Estado mas sim aqueles que se recusam servir a Mamon i é ao dinheiro, ao lucro, ao capital... Conforme está escrito: A Deus e ao dinheiro não podeis servir.

De fato não me parece que o Redentor esteja se referindo a essa Cristandade de Liturgia, Missa ou Culto, que se satisfaz com a adoração e sim aos que ultrapassando a adoração (Sem jamais repudia-la.) buscam imitar o Cristo, assimilando seu comportando e regulando a vida pelo Evangelho. A estes que acumulam bens no Reino dos céus e não neste mundo e que odeiam a injustiça, e que não toleram qualquer forma de maldade, e somente a estes persegue o mundo e extermina o sistema sem piedade.

Por isso os mártires foram levados ao suplicio antes de tudo por terem repudiado - Em grande parte ao menos e em que pese Paulo. - a abominação escravista e ao ataque a outros povos. 

Outro o caso de Sócrates porquanto este refletindo sobre sua morte, deu-se conta da situação que envolveu sua existência. Perguntando a si mesmo por que não havia sido morto ha muito tempo atras i e quando mais moco... 

Tenho tal reflexão por atual e crucial.

Sem postular o que hora chamam de revolução, furtou-se Sócrates inclusive ao insercionismo ou seja a participar ativamente da vida politica (Como politico profissional.) no auge da democracia grega. Justificando tal opção e priorizando uma ação politica indireta ou não estrutural por meio de uma formação. Claro está que Sócrates exerceu uma ação politica indireta pelo simples fato de ser educador, não sendo alias pela abstenção dogmática e sectária mas pelo preparo. De fato Sócrates acreditava ser mais importante preparar cidadãos para a democracia do que exerce-la ele mesmo.

E contemplando aquele despreparo categórico, atribuía-o ao fato dos cidadãos dirigentes priorizarem o lucro, dos negócios ou do dinheiro que o auto conhecimento, da formação ética ou a virtude, descuidando inclusive (cf Laquetes) a educação dos filhos... Parece que era já aquela Atenas no seculo V a C proto economicista, como que adiantando-se a seu tempo e antecipando o nosso.

Agora que resultava disto?

Infiltrada a sórdida avareza ou a paixão pelo lucro na estrutura do poder ou na politica uma apenas pode ser a consequência> O florescimento da Injustiça no mais alto grau! Portanto era a monarquia, e era a ditadura, e era a oligarquia, e era a democracia, e era a oclocracia - enfim, cada uma delas - usada com o proposito de cometer crimes e exações... Perdido o conceito de bem comum, modelo politico algum podia salva aquela sociedade, pois o problema não era politico estrutural mas ético. Aquelas pessoas amavam o ouro e odiavam a justiça. Diante disto milagre algum podia ser feito...

A uma maquina diabólica sucedida outra.

E nosso Sócrates ficava sempre alheio, a parte, de fora... E por que?

Vos responderei exatamente como ele -

Por que seu Daimon, seu inconsciente, sua intuição, sua mente, seu guia, seu tutor providencial ou seja la o que fosse advertia-o para que jamais se dedicasse a atividade politica, pois caso contrario, assumindo com intransigência o paradigma da justiça e afrontando os poderosos, os avarentos e os injustos seria logo morto, sequer chegando aos quarenta ou cinquenta anos. Entrando pela senda politica e opondo-se as ilegalidades, crimes, arbitrariedades e injustiças não tardaria a tombar o filho de Fenarete! Todavia era necessário que vivesse ou ao menos que prolongasse sua nobre existência ate os setenta anos de idade, de modo a educar uma multidão de homens, formar uma constelação de cidadãos e garantir uma hoste inumerável de discípulos. Tal sua missão ou vocação atribuída pela Providencia celestial.

Destarte o socratismo prepararia o elemento humano e daria vida a democracia ainda em nossos dias i e vinte e cindo seculos depois. Porquanto a vida esta no ideal e não na estrutura.

Decorre do discurso de Sócrates que aquele tempo o sistema, cooptado por gente vil, ja matava, assassinava e suprimia a vida dos reformadores movidos pelo ideal.

E não havia espaço para críticos capazes de ameaçar a normalidade. 

Sócrates, amigo leitor, e quem pinta este cenário aterrador.

Observem agora como em nossos dias as coisas não fogem a esse padrão. Tendo um bom numero de vereadores, deputados e políticos virtuosos tombado sob cortante aço ou atingidos pela bala por se terem postado contra essa maquina de injustiça, denunciado seus pares e devassado seus crimes. Pois não e hoje este sistema menos feroz do que aquele.

Importa saber que a simples atividade educativa quando bem executada jamais se torna improfícua. Assim se nosso homem, evitando exercer cargos públicos, ultrapassou os sessenta não pode ultrapassar os setenta anos de idade. Pois enfim sua atividade tornou-se ameaçadora e tal foi sua gloria. Foi Sócrates bem sucedido como educador ético porque enfim incomodou o Estado ou a estrutura e tudo quanto ela representa, sendo enfim supliciado. Foi justamente a morte que coroou sua atividade educadora. Pois caso a não representar qualquer risco para o sistema não teria suscitado qualquer forma de repressão.

Por isso para o educador ético, humanista e consciente e dos mais luminosos.

Devendo saber ele que enquanto estiver vivo e seguro não cumpriu com seu dever e nada fez de duradouro. Devendo saber que enquanto não for ameaçado ou sentir-se incomodado não representa perigo algum - Por isso pode o homem falar ou discursas livremente. Pode no entanto ameaçar ou representar qualquer medida de risco livremente? Julgue e responda você mesmo amigo leitor. Pois estamos numa época em que muitos vangloriam-se quanto a audácia de seus discursos ou palavras enquanto comodamente vivem... sem serem molestados pelo poder estabelecido. Por isso me pergunto> Que fazem eles para não serem molestados? Pois vejo que Sócrates e Jesus não morreram confortavelmente em seus leitos.

De modo geral acredito que a vivencia, a vida e o exemplo de algumas pessoas rigorosas e intransigentes face as injustiças e mais ameaçador - Para o poder do dinheiro! - do que certos discursos revolucionários iconoclásticos dos quais muito desconfio. Confio mais no testemunho dado por certos homens e mulheres quando confrontados pelo sistema, assim como quando alguém que exerce autoridade toma coragem e se posta ousadamente em favor da fauna, da flora ou de alguma pessoa injustiçada ou ainda de qualquer grupo humano oprimido, pois estes, sabem que correm risco de morrer.

E uma situação concreta da vida que nos poem em risco quando fazemos a opção correta. 

Sempre podemos fugir e estar durante certo tempo a margem do sistema. Todavia quando estando nele - Em maior ou menor medida - oferecer-mos qualquer risco seremos exterminados ou ameaçados por algum matador profissional, capanga ou justiceiro - Sempre formalmente desvinculado, mas, moralmente vinculado... 

Ha quase trinta anos fui convidado para ser politico profissional ou para exercer ativamente a vida politica, e como sou policrata e não abstenceísta sempre tenho sido inquirido por meus alunos (Ao cabo de quinze anos.) sobre o porque de ainda não me ter candidatado ou disputado eleições quando tenho imensa possibilidade de vir a ganha-las tornando-me vereador e implementando uma pauta verdade ou social... Hoje, por meio desta reflexão dou publica resposta e fundada razão ao interrogantes.

Meio constrangidamente confesso que mesmo não temendo a própria morte temo pela segurança de meus entes queridos, de minha mãe idosa, irmão, animais de estimação... Tal a minha covardia e fonte da restrição. Por isso mesmo quando me excedo, grito, denuncio, etc e sempre como articulista ou escritor, jamais como politico atrelado ao poder. Pois não sei por quanto tempo seria tolerado ou viveria. E certamente encontraria um trágico fim.

Por isso me sinto envergonhado quando me dizem que faco parte dessa coisa chamada opinião publica ou que influencio pessoas. Talvez por meio dessas páginas influencie um ou outro, todavia não um número suficiente de pessoas com que ameaçar a 'desordem estabelecida' ou este sistema iníquo de coisas a que chamam estrutura. Pois caso ameaçasse de fato não seria minha sorte melhor que a de Jesus ou que a de Sócrates. Tendo eles recebido a cruz e a cicuta, escaparia eu - Aluno de ambos! - a bala ou a ponta do gládio? Certamente que não - Pois não pode o aluno estar acima de seus instrutores.

Portanto se vivo estou e porque sou inofensivo, inerte e inútil - E sofro por ter plena consciência disso...

Espero que chegando aos setenta ou oitenta tenha já incomodado suficiente o sistema a ponto de obter o que chamam de martírio - Prêmio com que se coroa uma vida honesta! E que a Providência divina e celestial me predisponha a tanto.





 

Tempo de assistir 'O tempo' ou porque Shyamalan não será indicado para o Oscar...



Tirei hoje um tempo para assistir 'O tempo', o novo clássico - Isso mesmo, um clássico, pois toda 'obra prima' nasce já sendo um clássico. - dirigido M Nigth Shyamalan.

A bem da verdade, absorvido por minha leitura das obras de Platão, ignorava que estivesse ele dirigindo um novo filme. No entanto, ao passar pelo Cinema existente no Shopping center de minha cidade, deparamos com o cartaz.

Diante disso, revi meus planos para o Sábado e decidi assistir ao Novo filme, descrito pela vendedora de bilhetes com um filme de 'Suspense' - E de fato ai temos um filme do mais puro suspense, compreendido como mistério. Nem por isso deixa de ser ele de terror. Não porém daquele terror estereotipado e banhado a sangue como 'O massacre da serra elétrica'. Tampouco de um terror sobrenatural e manjado a semelhança de 'O exorcista'. Não. Nada disto, aqui o contexto é outro e, pasme, há narrativa ou concatenação. Aqui temos uma trama, no sentido de que faz oposição a uma urdidura. 

Aqueles leitores nossos que acompanharam-nos até aqui temos de advertir que talvez haja Spoiler. 

Portanto se ainda não assistiu 'O tempo' para de ler este artigo e corra ao Cinema. E não, não estamos recebendo qualquer comissão pelo convite. O quanto aqui fazemos é em benefício da cultura geral, do raciocínio, da Ética, da formação pessoal, etc de não a custo de 'vil metal'.

Não perca portanto a oportunidade de deliciar-se com o tempo, filme feito não para pessoas medíocres mas para gente que pensa ou para seres pensantes. Pois é obra que estimula o pensamento no mais alto grau.

Eu assisti e posso dizer desde já que foi, ao menos para mim, uma experiência tão marcante quanto a que tive ao assistir "Elysium", "O preço do amanhã" ou "V de Vingança". Os quais até hoje são presença obrigatória em meus artigos, aulas, palestras, etc Especialmente quando versam sobre Ética, virtude, moralidade, dilema, ciência, etc

Antes de tudo não creia que o diretor se atrapalha ou embaralha com qualquer coisa. 

Não são 'O Tempo' ou seu diretor que se embaralham. Não - O quanto fazem eles é decodificar para nós uma realidade atrapalhada ou um mundo embaralhado.

Pelo contrário, é 'O tempo' filme de rara acuidade Psicológica e Social, capaz de captar perfeitamente a mentalidade de um psicopata ou canalha que pensa a si mesmo como mocinho, herói ou redentor da humanidade. Em 'O tempo' esta presente o espírito venenoso e sorrateiro de Maquiavel com suas terríficas consequências. Como também esta nele, e é precisamente o que faz dele um marco ou uma obra exponencial, vigorosa resposta a premissa positivista segundo a qual a Ciência nos dará uma Ética, o que alias vem já prometendo há quase dois séculos...

Será que de fato dos laboratórios e tubos de ensaios saíra uma Ética superior a que nos foi dada por Sócrates ou pelo Evangelho (Disse Evangelho não Cristianismo e menos ainda bíblia.)???

Não, não me impressionei com a capacidade de certas pessoas fazerem o mal (Embora quase sempre socrático não creio que a maldade humana seja sempre expressão da ignorância do bem. Todavia conduzido por um otimismo ingênuo e tosco, cheguei a crer que os homens tivessem consciência de seus crimes ou algum vestígio de culpa. "O Tempo" no entanto reconduz-nos a realidade da vida vivida na qual os criminosos não apenas vangloriam-se do que fazem como apresentam-se como beneméritos. 

Assim o é... Fazer o que? Pois enquanto uns possuem sentimentos inconscientes de culpas infundadas outros são simplesmente debochados, insensíveis e cruéis no mais alto grau... 

Talvez se observar com atenção a morte do segundo personagem e de seu cão alguém consiga intuir o desenrolar da trama... O que leva um idoso a morrer antes dos outros? Que leva um cãozinho a perecer primeiro?
 
A partir de 'O tempo' você começará a entender porque os ateus e materialistas apreciam tanto a doutrina no ideologia do Caos, e qual o sentido dessa ideologia. 

Em seguida se lembrará talvez do misterioso 'Triângulo das Bermudas', agradecendo aos céus ou a Providência porque ele não e outros locais do gênero não possuem existência real. Afinal nossa existência, mesmo sendo bizarra, poderia ser ainda mais bizarra e monstruosa. Amorosos céus...

Nada mais reconfortante saber nosso mundo natural e uniforme. 

Para além disto há também material para uma boa reflexão existencial em torno de um casal de jovens, de seu bebê e da morte acidental. 

E como se não bastasse há ainda uma lição de amor em termos de vínculos, cumplicidade e resgate, com direito a heroísmo e quem diria, a um final feliz. Como a ensinar-nos que em meio a mais densa treva pode haver alguma luz...

Há enfermidades - Esquizofrenia, Alzheimer, cegueira, tumor, epilepsia, etc Num quadro de temporalidades, mortes, aparências, engano, amizade, afeto, educação, etc elementos muito bem relacionados uns com os outros e que fazem deste filme, como registrei a princípio, um clássico.

Após terminar de assistir a 'O Tempo' talvez nos tornemos pessoas mais prudentes, quem sabe prudentes como as serpentes e aptos para saber que 'Quando a esmola é demais o santo desconfia' ou se ferra... Pois o preço de um paraíso oferecido de mãos beijadas bem poderá ser um inferno de dor...

Opino no entanto que 'O tempo', devido a seu sentido Revolucionário - Não para comunistas e anarquistas ou no sentido usado por eles! - passará batido. Não contará o apoio das galinhas que não botam ovos, i é, dos críticos e quiçá sequer seja indicado para o Oscar. Pois sem querer ele destapa um cloaca ou boeiro demasiado fétido.

De fato temos uma produção que nas entrelinhas questiona o espectro, ainda vivo e presente, do cientificismo ou do positivismo. 

Claro que uma produção que questiona tais valores não poderá ser bem acolhida por uma mídia movida a grana ou por uma cultura econômica 'evolutiva' ou progressivista. 

"O tempo" como já disse não é uma produção ingênua, mas crítica, e que crítica uma parte ainda essencial - e mitológica - de nossa cultura. 

E como o genial ateniense dizia que antes de buscar conquistar o universo devemos conhecer e dominar a nós mesmos há humanismo na nova produção de Shyamalan. Sendo essa obra mais um testemunho artístico a respeito dessa inversão a que chamamos civilização. 

No entanto não se preocupe se após ter assistido 'O tempo' você não conseguir perceber tudo isso de uma vez. Caso perceba alguns dos elementos apontados já saíra mais rico e melhor... E por fim, sempre poderá reassistir o filme, uma, duas, três ou até mais vezes, que bem merece.

Eis o quanto queríamos registrar sobre "O tempo", seu diretor e seu significado.

Bora partir para o Cine mais próximo e assistir Shyamalan???

 




terça-feira, 27 de julho de 2021

O papa romano e a missa protestante...





Meu S Sócrates, desde quando pode o homem proibir aquilo que é bom?

Nem o Bendito Cristo que Deus é Verdadeiro pode proibir o que bom é.

Pois é Deus nosso 'Sumo bem' o qual não pode repudiar o bem, e querer ou ordenar o mal.

Acaso o que não pode Deus fazer por não poder quere-lo, poderá fazer um apóstolo, um mártir, um doutor ou um patriarca?

Não. A homem algum é lícito ordenar o mal e condenar o bem.

Pois é o bem Lei geral que governa todas as coisas por disposição divina.

Assim ordena o Bom Deus que amemos o bem e odiemos o mal, não o oposto: Amar o mal e odiar o bem é sinal de perversidade.

O papa Francisco no entanto bem parece ter cortado parte do cérebro, a menos que pense com os intestinos, cujas partes no caso fariam grande falta. 

Dirá no entanto o leitor: A que propósito vem esse grego Ortodoxo, ou 'cismático' meter o bedelho nas coisas de Roma?

Boa pergunta e tratarei já de responde-la.

Não é de hoje que existe no seio do Cristianismo um movimento de alienação ou de dessacralização que tem suas fontes no protestantismo radical, o qual fluindo pelo anglicanismo, chegou - Com esse sínodo chamado Vaticano II - a igreja romana, e influencia a Igreja Ortodoxa. Portanto não ser romano ou anglicano não é desculpa para ignorar o quanto de mau o de bom acontece em tais comunhões. Pelo contrário, por sermos ortodoxos devemos prestar máxima atenção ao que ocorre em tais setores, sem dúvida alguma os que se acham mais próximos de nós. É justamente por sermos Ortodoxos que nos ocupamos com tudo quanto se sucede na igreja apostólica de Roma e no alto anglicanismo.

Querendo ou não, gostando ou não, aceitando ou não mais cedo ou mais tarde a Ortodoxia ou os Ortodoxos sentirão o repuxo. Portanto é melhor ficar de atalaia e cerrar fileiras desde já.

Tanto pior quanto sabemos que há cerca de setecentos anos nossos Bispos canalhas, cedendo a pressões advindas do poder político, assentiu em precipitar-se nos braços recém gerados do papado, esse mesmo papado que há meio século, tritura e extermina, sem minimo respeito, suas próprias tradições.

E há uniatas rondando-nos ainda hoje e anunciando as ímpias doutrinas da monarquia e da infalibilidade papal.

E romanistas há, aos milhões, que acompanham e seguem a esse papa protestante... agente do protestantismo, apóstolo da heresia e núncio da apostasia. 

Não chameis a Francisco de novo Lutero. Seria calunioso, pois Lutero jamais adotou esse novo modelo de culto voltado para a assembléia. Nem mesmo de Calvino - O monstro de Genebra! - podeis chamar o Papa romano atual... pois até onde sei, sequer foi Calvino quem adotou esse novo padrão de culto!

Chameis a vosso infalível para de Karlstadt ou de Muntzer, assim de papa anabatista, posto que o nosso padrão de culto, i é, a missa nova, parece ser de origem anabatista.

Graças a divina monarquia papal cessaram os romanos de oficiar o culto fixado pelo Apóstolo S Pedro e codificado, cinco séculos depois, por S Gregório Diálogos, para oficiar um culto anabatista. Graças a Paulo VI, João Paulo II e Francisco rezam os romanos como anabatistas, i é como os mais fanáticos dentre os heréticos. Graças ao Vaticano II imitam os papistas aos sectários mais radicais e assimilam sua maneira de orar, completamente esquecidos quando o dístico: "Lex orandi, lex credendi." 

Assombra-me o fato duma instituição religiosa pugnar contra sua própria forma de culto tradicional.

Nada mais indigno do que condenar a adoração oficiada pelos ancestrais.

No entanto é exatamente isto que o déspota romano acaba de fazer, alias hipocritamente i é atribuindo tal juízos ao episcopado, ao mesmo episcopado ao qual envia instruções recomendando a supressão do velho culto. De modo a preservar sua própria imagem.

Não nos enganemos a propósito de tão indigna, desonesta e covarde manobra 'franciscana' digo francisquiana.

Por que cargas d'água gasta o papa portenho suas energias dando combate a um padrão proclamado imutável por um de seus predecessores (Pio V), ao invés de condenar duma vez por todas os inúmeros crimes  ou como dizem, abusos, litúrgicos de que é objeto a nova missa por parte dos carismáticos ou da RCC, a qual aqui no Brasil, converteu já a nova missa num culto sacrílego de talhe pentecostal???

Tal a pergunta que não quer calar, suscitada pela minha indignação.

Sim, pois apesar de ser Católico Ortodoxo tenho a infelicidade de viver cercado por apostólicos romanos, numa sociedade apostólica romana... Não podendo ser indiferente ao que ocorre ao meu redor. Vez por outra somos convidados a um batizado, a uma crisma, a uma cerimônia fúnebre... e, quase sempre, a contragosto, obrigados a declinar... Pelo simples fato de serem quase sempre cerimônias debochadas de talhe pentecostal. Nada mais avesso, não apenas a Tradição Ortodoxa, mas também a tradição romana!

Nada de mais escandaloso, contraditório, venenoso, ímpio, sacrílego e revoltante do que entrar num templo romano para rezar e ouvir os sons ou melhor os ruídos daquelas baterias e contemplar toda aquela multidão de povo rebolando, pulando e girando junto aos altares, num recinto até pouco tempo encarado como sagrado! Pois crê o homem conforme reza, ora, cultua ou adora. Portanto como admirar-se de que nosso pobre povo esteja a passar numa proporção cada vez maior as seitas pentecostais??? Se permitis oh papa Francisco que imitem aos pentecostais??? Que rezem, cultuem e adorem como sectários protestantes? Que afetem modos de anabatistas??? Em oposição ao padrão apostólico, fixado pela tradição...

Que apostolicismo é esse papa Francisco? 

Que apostolicismo é esse que substitui os paramentos, as alfaias, o incenso, os círios, a água, as cruzes, os estandartes, os sinos, enfim tudo quanto é legitimamente apostólico e Católico, e Ortodoxo, e Cristão por acrobacias protestantes???

Nem romanismo isso é sr Francisco, quando menos Catolicismo!

Pois Cristãos Católicos, Cristãos Apostólicos, Cristãos Ortodoxos, costumam levar adiante a adoração assumida por seus avoengos e não tripudiar dela, proibi-la, dificulta-la, suprimi-la, sob quaisquer alegações! O que se torna ainda mais sinistro quando observemos uma tolerância desbragada face a todos os abusos litúrgicos cometidos por esses padres ambiciosos e avarentos que folgam proceder como pastores pentecostais! Como acreditar em sua boa fé papa Francisco se enquanto o Marcelo Rossi e o Fernando de S Amaro abusam da nova missa vossa alteza lança raios contra a Missa perpetuamente fixada por seu predecessor Pio V???

A descrer na natureza divina de seu cargo e sobretudo em sua infalibilidade, a qual me parece pífia... poderia ou quiçá deveria, enquanto Cristão, supor tua boa fé, honestidade, sinceridade, etc papa Francisco, todavia "Non possumus"... Não posso crer na honestidade, sinceridade e boa fé de alguém que não tem pingo de respeito pela memórias de seus predecessores e ancestrais.

Embora não seja latino ou romano sinto-me imensamente triste diante de tais fatos. Pois acredito na beleza e na função didática do belo... E a liturgia romana, seja a tridentina ou a Gregoriano/petrina é imensamente bela quando dignamente oficiada. 

Por ser Ortodoxo não sou Oriental mas de tradição Ocidental ou latina. Minha cultura é está e nada tenho contra tal padrão de culto, por ser tradicionalmente apostólico e assim Ortodoxo - Claro que me refiro ao Rito Petrino/Gregoriano. Outro o caso do rito Tridentino ou de Pio V, o qual por ser mais recente não deixa de ser belo. 

Lamentavelmente a impressa sempre superficial e as massas desinformadas preferem dizer Missa em Latim. Lamentavelmente algum tradicionalistas se apegam mais a lingua ou ao idioma do que a estrutura do ritual. Concedo que as pessoas devam compreender o que é lido ou cantado. Concordo que a beleza não baste. Devendo esta associado ao conhecimento. Bem o que se tem hoje no novo padrão de culto seja carismático ou libertino - Pois são no mínimo dois. - é o conhecimento de algo feio, banal e vulgar, que em nada edifica ou alimenta o espírito Cristão.

A questão não é de lingua ou sobre latim e jamais deveria ser posta em tais termos. Como a nossa liturgia não pode ser posta em termos de grego ou árabe e sim de ritual, de estrutura ou de beleza; em torno dos elementos já citados: Altar, paramentos, ícones, cruzes, incenso, velas, alfaias, ritmo, etc É isto que se deve preservar como essencial a adoração. Erram os que porventura fixam-se no latim e não no canto gregoriano... Na lingua e não na Kibla i é no Sagrado Altar. 

É questão de estrutura, padrão, modelo, espírito, ritmo, etc Pois é adoração histórica e legitimamente Cristã feita com tais elementos, e não se eles.

É a adoração modernista, inspirada na heresia protestante e na manobra pentecostal, emocionalista. Já a adoração Cristã Católica Ortodoxa ou ainda apostólica é sobretudo simbólica, e enquanto tal destinada a promover sentimentos nobres. 

Quero dizer que bem se poderia diminuir a presença do Latim e decretar o uso de traduções literais no serviço religioso, desde que fossem preservadas as mesmas orações solenes e sobretudo o canto gregoriano. Pois o que se deve preservar antes de tudo, além da direção do Ministro e da congregação para o altar é o canto gregoriano, o qual do ponto de vista meramente humano é uma obra de arte e mais, uma terapia. Supondo que fosse oriental (Sou ortodoxo mas não Oriental!) nem por isso negaria - Por ódio ou birra - a beleza do canto gregoriano e sua capacidade para elevar as mentes ao Sagrado.

Outro o caso do barulho, do som ou do ruído que dispersa o ser humano ao invés de interioriza-lo. Outro o caso do movimento acelerado de membros e corpos, que torna as pessoas ainda mais agitadas. Outro o caso de mensagens puramente emocionais que nada contém ou ensinam em termos de doutrina.

Por isso é chocante que esses cultos pentecostais, que muitos chamam atrevidamente de missas, passem batidos ao defensor da fé enquanto que o rito de seus ancestrais exaspera-os. Eis algo que não posso entender. Esse amor ao novo associado pelo ódio ao antigo - Que há nisso de Católico ou mesmo de apostólico romano? Posto que fomos ensinados a amar o que é antigo ou tradicional enquanto oriundo dos apóstolos e a odiar as novidades profanas concebidas pelo homem.

Independentemente a fé ou da crença percebo que o papa Francisco combate por um mundo mais feio, banal e vulgar, segundo a receita moderna ou modernista. E não posso portanto louva-lo ou mesmo deixar de censura-lo e sobretudo de acautelar nossos ortodoxos encantados com as 'luzes' de Roma...

Que pode haver de divino num hierarca que pugna ferozmente contra a tradição autenticamente Cristã e que insinua estarem equivocados os nossos ancestrais? Acaso não eram os apóstolos, mártires e padres bem orientados? Então porque adotar um padrão de culto recente de origem anabatista ou protestante? Qual o sentido disto? Mormente quando sabemos que as pessoas creem como rezam ou o que rezam...

Que pode haver de infalível num ser leviano que atraiçoa as tradições legadas por seus predecessores e assume valores procedentes de uma outra fé, da fé inimiga?

Para que precisam os nossos Ortodoxos de papa ou mestre supostamente infalível? Para guia-los ao protestantismo e faze-los apostatar? Para faze-los berrar como loucos, saltar sobre os altares, rebolar, tremer, babar, virar os olhinhos... numa só palavra: Para ensandece-los??? Para dispersa-los, para desorienta-los e desliga-los da cultura de seus ancestrais? 

De fato há na ortodoxia, e lamentamos por isso, muita gente ritualista e superficial... Não o negamos, antes esperamos, meio do ritual, conecta-los ao sentido da fé. Fazer com que passem da casca a polpa, e venham a degustar o Evangelho de Cristo ou enfim a saborear as coisas divinas. Nossos defeitos devemos honestamente assumir e buscar corrigi-los.

Agora nem por isso, devido a possíveis excessos, sacrificaremos nosso ritual simbólico ou a conotação histórica do culto. Nem por isso haveremos de fomentar delírios insanos em pessoas instáveis. Nem por isso haveremos de chegar ao transe ou a pajelança... A exemplo do papa Francisco, o qual ao invés de tentar tornar a adoração modernista tanto menos grotesca cuida fulminar aqueles que fiéis ao espírito da religião limitam-se a fazer o que deve ser feito, assim a manter viva a adoração posta em prática por seus ancestrais. Apesar de seus defeitos e vícios (Como o moralismo/puritanismo) sob tal aspecto ao menos eu as admiro.

Que saibam os papistas reconhecer quem são seus verdadeiros inimigos... e portanto a dizer Sim a tradição e ao padrão de culto adotado por seus ancestrais, e a dizer Não, e um sonoro Não ao papa Francisco... 

Afinal nem mesmo Deus pode proibir o que é bom e belo ou abençoar o quanto seja mau ou feio. A missa antiga é sem dúvida boa e bela, enquanto de esse novo culto carismático é ímpio, feio e portanto sacrílego. 




segunda-feira, 26 de julho de 2021

A farra do Borba Gato... Bolsonaro... Nem Revolução nem origem periférica...

A esquerda cirandeira finalmente pegou Borba Gato, com quase trezentos anos de atraso...

Chegado no entanto o momento de acertar as contas foi o implacável bandeirante surrado como Judas em sábado de aleluia e em seguida atearam-lhe fogo.

Claro que o velho safado nada sentiu, posto que morto e apenas representado em sei lá o que. Pois não gastei meu precioso tempo com o saber se era a dita estátua de mármore, granito, pórfiro, etc

Tampouco me dei ao trabalho de averiguar se possuía ela algum mérito estético.

Afinal a tal estátua não me importa muito. 

Sim o ato da esquerda pós modernista comemorar sua destruição, prenúncio, segundo eles de uma Revolução que, pasmem, virá da periferia... Da mesma periferia a um lado dominada pelo crentismo e cada vez mais conservadora e a outro guiada pelos 'acordes' do Funk ou do Baile na Favela, alias, para a vergonha dos brasileiros musicalizados, executada nas Olimpíadas de Tóquio... - Tal a aurora da Redenção cósmica chamada Revolução, quiçá feita com as nádegas ou os peitos balançado, quiçá feita com gestos que aludam ao coito, pelos tigrões e pelas cachorras.

Os marxistas 'ortodoxos' com seu etapismo mecanicista, filho do vezo materialistas, decerto equivocam-se a respeito de muita coisa. Sem no entanto ser ser esdrúxulos como a degenerada esquerda pós moderna...

Com seu funk, sua queima de estátuas, seu identitarismo sectário (Não sou como os marxistas ortodoxos contrário ao identitarismo porém contra o identitarismo sectário cujos membros costumam olhar apenas e tão somente para o umbigo do próprio clã - O que encaro como inevitável abuso ou excesso.), etc

E no entanto, dirão eles, tais estátuas são símbolos de poder... 

Pera lá sr cirandeiro, símbolos do poder de quem ou de qual poder?

Do poder bandeirante ou dos bandeirantes?

Diga-me então onde está ele?

Onde estão os Anhangueras, os Gatos, os Fernão Dias, etc???

Só se exercem algum poder no cemitério, ou no além túmulo. 

Caso em que caberia uma intervenção espirítica e não uma intervenção material.

No entanto, diz o sr cirandeiro, teve tal poder continuidade...

Um momentinho sr cirandeiro. Sou educador e licenciado em História... Escusado dar-me aulas e expor-me como aos bandeirantes sucedeu - No estado de S Paulo pelos anos de 1890 ou mesmo antes. - uma venenosa cultura bandeirista e como inspirou ela a princípio o PRP, em seguida a ARENA, o PDS, o PFL e o nosso DEM... sendo alias incorporada elo PMDB e pelo PSDB. 

Efetivamente esse poder, apenas disfarçado ou maquilado, ai está representando pelo Jorge Dória, fabricante de inúmeras maldades... 

Agora em que fazer churrasquinho de Borba Gato atinge o PSDB ou o Dória.

Quando Getúlio Vargas foi trucidado pelos imperialistas em 1954 a gente simples foi não somente mais ousada como muito mais inteligente que nossos revolucionários da periferia, pois ao invés de queimar ou quebrar estátuas, monumentos, etc dirigiu-se a Sede dos Diários Associados do pulha Chateaubriand e passou tudo a ferro e fogo... Não deixando inclusive de quebrar as sedes de alguns partidos liberais anti varguistas. 

Enquanto Balsonaro e Dória, e L. Hang fazem suas maldades a esquerda cirandeira, vanguarda da tão sonhada Revolução, tira a desforra numa velha estátua posta num parque, e na estátua de um celerado morto há mais de três séculos, o qual por sinal, agia conforme o espírito bronco de sua época... E isto é celebrado nas tendas pós modernistas como prenúncio da Revolução... Diante disto chego até a compadecer-me dos comunistas ou marxistas sérios. De fato é algo humilhante...

Ao que parece está a esquerda cirandeira para o comunismo como os doidos carismáticos para a Igreja Tridentina ora molestada pelo papa Francisco...

Tudo delírios frenéticos de carismáticos, funkeiros, carnavalescos e demais irracionalistas. Sentido algum em tais atos. Como sentido haveria se os revolucionários periféricos se dirigissem ao Palácio do Planalto e chamassem Bolsonaro as contas em nome de toda nação, o que com o Pe Mariana SJ, temos de admitir: Seria justo e digno de apoio. 

Algo até certo ponto relevante caso se dirigissem os tais revolucionários cirandistas ao Congresso com o objetivo de apoiar ou cobrar a CPI ou ainda de enfrentar a brigada genocida lá entocada. Aqui ainda haveria alguma nobreza e valor.

Não sendo tão corajosos bem que poderiam nossos cirandistas toscos ir a qualquer loja da Havan e expurga-las dos elementos favoráveis ao imperialismo estado unidense, o que deveriam alias ter feito nos tempos do Trump... Por que não chamam as contas esse empresário pérfido, traidor de nossa cultura e sim a estátua do velho Borba Gato? Eis o que não possa entender.

Claro que nem por isso e nem de longe sou a favor de que o poder público financie estátuas e monumentos destinados a exaltar figuras anti éticas ou maléficas como os tais bandeirantes. Visar ergue-las no tempo presente é de fato coisa que não pode ser tolerada. Guardem portanto suas forças e entusiasmo para despedaçar e queimar futuros ídolos dedicados aos Aécio Neves, Alckmins, Serras, Dórias, Bolsonaros e a toda essa canalha degenerada. 

O que num passado de ignorância foi feito por pessoas sem consciência fique relegado ao desprezo até cair por si mesmo...

Ademais são documentos ou registros históricos que comprovam a existência de tais personagens sejam eles bons ou maus. 

Quanto ao deflagar da tão sonhada Revolução no tempo presente devo ser suficientemente claro e terminante: É o Brasil, em especial suas cidades, periferias e favelas, um pais em processo de protestantização, do que só pode resultar mesmo bolsonarismo... Jamais ocorreu qualquer Revolução em qualquer sociedade protestante pelo simples fato de serem elas ultra conservadoras. Marx, Lênin e Sorel erraram feio ao supor que o parto cósmico aconteceria na Alemanha, na Inglaterra ou nos EUA, o que não aconteceu nem poderia ter acontecido. Tomem pingo de vergonha e folheiem Max Weber ou Werner Sombart o qual há cem anos perguntava a si mesmo porque Revolução alguma estoura em qualquer país protestante. Caso o futuro do Brasil seja protestante a única 'revolução' que os senhores verão será a revolução fundamentalista ou teocrática cujo modelo é a Genebra de Calvino, onde Miguel Servet pereceu queimado - Tal o ideal de boa parte dos pastores fieis ao padrão bíblico, vetero testamentário ou judaizante.

Enfim quanto ao outro lado da periferia, ainda não cooptada pelo sectarismo protestante, não é a toque de Funk ou pancadão que fará sua querida Revolução. As novelas, o futebol e o carnaval não o permitirão... A maior parte dessas pessoas permanecerá em sua caixinha por força da alienação, apenas imaginando que por quebrarem ou ignorarem as regras da arte acadêmica porão fogo ao mundo. No entanto uma coisa nada tem a ver com a outra. E não será a arte moderna, a arte popular ou o funk que moverão a tal Revolução, na qual alias não acredito.

Resta dizer que tampouco esse sectarismo identitário a deflagará. Na medida em que divide e fragmenta os que são economicamente explorados, lançando nos olhos de muitos uma cortina de fumaça. Há mais de dois milênios o estrategista romano proclamava: Divide em impera, pondo a realidade em pratos bem limpos. Perdido aquele vínculo a que os comunistas atribuíam o termo de consciência de classe, o simples ideal de Revolução vai pro vinagre ou pelo cano abaixo. Digo isto porque o fato segundo o qual existem diversas formas 'sui generis' de dominação não é de forma alguma mais sério ou relevante do que o fato segundo o qual cada uma dessas formas são - No momento presente. - alimentadas e estimuladas pelo poder econômico. O que exigiria por parte de todos os oprimidos uma ação comum e articulada em torno do inimigo comum. Ora certas formas ou certo grau de identitarismo tem frustrado essa ação comum e tornando cada vez mais distante o vulto amado da tal Revolução.

Bastando que algum desses oprimidos seja aceito ou admitido, enquanto indivíduo, nos altos níveis do sistema - Assim por meio do esporte ou de medalhas olímpicas. - para perder o foco e abandonar o tal ideal Revolucionário. Quanto aos marxistas, comunistas, anarquistas e outros que folgam discursar contra o socialismo parlamentar ou verberar contra o imediatismo trabalhista, deveriam antes de tudo voltar seus olhos para o papel do esporte e da estrutura midiática como elementos aparentemente destinados a integrar os oprimidos e identitários, afastando-os decididamente do tal ideal revolucionário. 

Uma coisa é certa: Revolução alguma virá do BBB, do Funk, do Carnaval ou das Olimpíadas, eventos dos quis aufere o Mercado imensos benefícios, alias com a solidariedade dessa esquerda cirandeira, a qual chega a ser mais desprezível do que a seita dos comunistas. Como disse pelo menos os comunistas não chegam ao ridículo.

Da próxima vez pensem em gastar papéis, esqueiros, palitos de fósforo, etc com o Bolsonaro, o Dória ou o Hang, quero dizer no Palácio do Planalto, no Palácio dos Bandeirantes, nas Sedes do DEM, do PSL, do PSDB, etc Afinal, parafraseando Eça de Queirós, de tais lugares só sairá luz quando de fato arderem. 


Viagem a Marte - Para além da simplicidade Julesverniana...

Muito antes que o sr Jeff Bezos fosse chamado a luz da existência e cogitasse passear pela órbita espacial, um francês de nome Júlio Verne cogitava uma viagem até a lua. 

Enquanto alguns questionam a ida do homem a luz em 2021 Verne era capaz de imagina-la no século XIX??? - A um lado a mente idiota e a outro a mente genial...

Desde que foram os homens a lua, no final dos anos 60 ou em qualquer momento dos anos 70, muita água rolou por debaixo da ponte.

E se antes o objeto era a lua não tardou a converter-se em Vênus ou em Marte.

Vênus no entanto é demasiado quente...

Já o frio, ainda que excessivo, conseguimos burlar.

Por outro lado sempre que pensa em Marte pensa o homem em água.

Quiçá possamos criar naquele planeta uma atmosfera artificial. A água no entanto seria de grande valia caso por lá existisse em estado líquido ou ao menos em estado sólido i é congelada.

De fato há ali água sob três de seus estados, preponderando no entanto como gelo. E se é a Antártida um continente gelado é Marte um planeta gelado.

Agora por que tanto interesse no distante planeta gelado e tão pouco interesse no Planeta azul em que vivemos.

Por que buscar partículas de microscópica vida lá enquanto extinguimos onças, antas, tigres, leões, girafas, elefantes, zebras, etc  por aqui?

Serão tais formas banais apenas por estarem perto de nós ou por existirem?

E as de lá maravilhosas por existirem apenas em nossas cabeças ou estarem tão distantes?

Talvez seja o caso. 

Afinal é vezo nosso e vezo sinistro valorizar o quanto perdemos...

Ademais ainda estamos acostumados a ver leões, zebras, girafas e gorilas em quantidade, o que nos leva a conceber a existência deles como vulgar...

Poderíamos gastar bilhões com o propósito de limpar nosso planeta, assim para descontaminar as águas, o ar ou a terra... No entanto preferimos investir em Marte ou na Lua. 

De fato enquanto alguns multi milionários parasitas colhem ovações e aplausos pelo fato de poderem excursionar em torno do planeta,vai nosso pobre planeta passando do azul translúcido ao cinza ou marrom...

Obra nossa ou melhor dos nossos excelentes industriais e empresários impulsionados pela ideia absurda de um progresso econômico e técnico ilimitado.

Por mais resistente que seja, a mãe natureza não poderá resistir indefinidamente a nossos ataques e agressões. 

E nós ou alguns de nós intensamente preocupados com Marte ou com a Lua.

Não, não é problema de sistema, embora o sistema seja abominável. É antes de tudo problema humano, antropológico, ético ou moral, o qual gira em torno da virtude. Foi o homem que concebeu, alimentou e ainda insisti em manter esse sistema abominável, julgando ser o melhor possível...

Sócrates já o havia previsto e antevisto - Divino ateniense! 

Pois ao denunciar o formalismo estrutural da democracia ateniense e postular a formação de homens leais, honestos, capazes e democráticos, teve de antepor o auto conhecimento ou o conhecimento de si próprio a todas as outras formas de saber, inclusive ao conhecimento do mundo externo e da técnica.

Do ponto de vista socrático o que aqui temos, há vinte cinco séculos é uma inversão. 

Pois iniciamos a construção do saber pelos elementos do mundo externo e não por nosso universo interior que tudo maneja. Tal nosso drama.

Aprendemos a controlar o mundo externo ou o universo, porém jamais cuidamos em controlar a nós mesmos ou nossos impulsos com seriedade.

Em seguida, já na modernidade, cuidamos planejar as mais belas instituições e estruturas, antes de cogitarmos na fruição de direitos, na justiça ou na virtude.

O fruto de tudo isto é uma sifilização formalista até o mecanicismo estrutural. Um formalismo democrático de teor fetichista, um agregado de leis formalistas, a ideia imbecil de um mercado que se regula por si mesmo, o socialismo bizarro - Mecanicista e etapista - de K Marx, o cientificismo/tecnicismo positivista... Abismo após abismo, miséria após miséria... Afora de Sócrates, Platão, Cícero, Quintiliano... de Jesus Cristo e dos Padres da Igreja, preocupação alguma com o elemento humano.

Até que a magnífica ciência levou-nos a lua e brindou-nos com bombas de destruição maciça - a uns seres pretensiosos que a bem da verdade são pouco melhores ou quem sabe até piores do que seus primos macacos... 

Podia este homem, a ser educado, civilizado e virtuoso - Segundo o propósito de um Confúcio, de um Sócrates ou de um Jesus. - ajudado pelas máquinas e por todo este excesso de tecnologia, ter convertido este nosso mundo num Paraíso. Nós no entanto continuamos engatados naquela resoluta marcha rumo ao único inferno, este que ora construímos por meio da extinção, a poluição e da sujeira...

Para que tanta tecnologia se os olhos da maior parte dos seres humanos continuam focados em Marte ou na Lua? Ignorando ou fingindo ignorar as necessidades reais deste planeta, nossa casa e nosso lar?

Por pouco uns homens loucos, escolhidos a dedo ou eleitos pelas massas, não reduziram este planeta a pó com o apertar alguns botões ou com o estralar dos dedos...

Criamos brinquedos mortais com que dar cabo não apenas de nossa espécie mas também de todas as outras e aniquilar o trabalho evolutivo de dois bilhões de anos.

Sim, brinquedos. Pois não passamos de crianças nos termos rasgados de um Freud. Crianças porque ainda não fomos curados do egoísmo, nosso pecado original.

Divinas e núncias das realidades celestiais por saberem confiar. Mas também egoístas até a crueldade. O que no entanto facilmente se cura por meio da pesquisa e da instrução.

Pesquisando sobre nós mesmos por meio da introspecção e conhecendo o defeito congênito aplicando as medicinas dos grandes Mestres citados: Buda, Confúcio, Sócrates e sobretudo Jesus de Nazaré... 

Mas é como disse: Só podemos lidar perfeitamente com aquilo que conhecemos e na medida em que melhor conhecemos.

E negligenciamos o conhecimento de nós mesmos, desse imenso universo que em parte permanece indevassado. Dispersa-mo-nos pela Via Láctea, guiados por quiméricos sonhos, porém jamais ousamos examinar a fundo nosso universo interior. Construímos bombas e foguetes, computadores e TVs, trens elétricos e automóveis capazes de guiarem a si mesmos; mas continuamos a fugir da 'Longue chaise'... Exatamente por onde deveríamos ter principiado - O Metronomo e a Longue chaise...

Triste a sorte de um mundo ou de universo controlado por um ser descontrolado, incapaz de impor limites éticos a si mesmo ou de controlar-se. 

Como pode controlar algo aquilo que não se controla?

Desde Fechner, Wundt, Freud, Jung, Frankl, Winnicott, Blowby e outros tornamos a levantar a tampa do alçapão tenebroso. Os fantasmas porém há muito que haviam escapado... sem que nos déssemos conta ou nos importássemos. 

Nós que não nos identificamos uns com os outros e que tampouco nos compadecemos dos animais ousamos produzir maquinários e parafernália capaz de aumentar milhares de vezes nosso raio de ação não poucas vezes destrutivos. 

Antes de criar todo esse mundo artificial ou cibernético por que não nos desprendemos do consumo de carne vermelha?

Aqui certamente teríamos feito algo de relevante ou uma espécie de Revolução. E nos preparado para grandes conquistas. Porém guiados pela injustiça matamos pelo prazer do sabor sem ousar refletir ou raciocinar.

Por isso nos convertemos em vermes nauseabundos que em louco festim devoram a carcaça deste pobre Planeta enquanto olham embevecidos para Marte ou para a Lua.

Sabe Deus nossas intenções perversas?

Não apenas ele porquanto a ficção científica - Acurada desde os tempos de Verne, Salgari, Reid, etc - já deslindou o segredou e colocou-o diante de nossas vistas > O cúmulo da profanação!

Não romantizemos as coisas nem nos enganemos por um instante sequer a respeito deste falso encanto falso encanto diante do universo externo. Amamos nesse universo imenso o que ele nos pode dar, o que desejamos e esperamos que haja nele.

Não foi o Cristianismo antigo ou apostólico que impulsionou a pilhagem da América. Triste - Tentou inutilmente conte-la e até conteve-a em certa medida. Coisa que não faria este neo cristianismo protestantizado e canalha, incapaz de produzir um Francisco Vitória, um Banez, um Soto, um Cano, um Las Casas, um Suarez, um Benci, um Pedro Claver, um Martinho de Porres, etc

O futuro porque aspiramos é o pior do quanto nos legou o passado, assim a explotação do Oeste pelos colonos Norte Americanos, esta não somente incontida como estimulada pelos pastores com suas bíblias ou velhos testamentos - Do que resultou o pior genocídio da História. Tal o modelo de futuro que temos...

Pois como predadores aguardam esses homens ímpios por uma nova América ou por um Novo mundo quiçá repleto de humanos, de animais ou de minerais a que pilhar, torturar e matar. Rogo aos céus que tais mundos estejam bem distantes de nós e assim a salvo. Rogo a Providência celestial que não estejam na periferia desta Via Láctea... 

Encontrado este outro Planeta com ar, água e riquezas minerais sucederá a passagem, a migração das larvas insaciáveis ou a colonização e degradação do novo espaço. 

Como disse acima, caso hajam lá outras formas de vida, racionais ou não, seguirá a catástrofe. Principiaremos a matar e a escravizar uns e outros, quiçá em nome desse novo Evangelho parceiro do darwinismo social e do mamonismo. 

A grande diferença em termos de processo histórico é que enquanto após o descobrimento da América foram as massas empobrecidas e miseráveis que para cá migraram ora teremos algo quiçá mais diabólico, posto que aqui não há mais para onde correr. Destarte premidos pela geografia ou pela imutabilidade do espaço quem se deslocará serão os multi milionários como o sr Bezos e serão eles os únicos e próprios 'deuses astronautas' a migrar para outras plagas em que não hajam pobres. Os demais vermes cá ficarão para disputar os ínfimos restos de uma carcaça nauseabunda. Num contexto em parte já sabido com falta de água, de espaço, de ar limpo... e é claro com superabundância de sujeira. 

O quadro de nosso possível futuro foi descrito qual profecia ou vaticínio no Filme Elysium (2013). Outro propósito não tem os multi milionários, ricos, empresários, industriais, banqueiros e seus títeres políticos quando ao invés de descontaminarem este nosso lar investem imensa fortuna em máquinas, foguetes e viagens inter planetárias, etc O quanto querem é encontrar um refúgio para em seguida deixar este Planeta quase irrecuperável, e multidão de miseráveis nele a formigarem como vermina. 

Tal o panorama e o significado de tais investimentos e excursões; havendo quem apoie abertamente tais desígnios. 

Movidos por insaciável ambição que jamais se contém ou reforma tais homens dão já nossa casa por  irrecuperável e perdida. E não se sensibilizam - pretendendo antes começar tudo de novo num outro local. Dando sequência a essa saga de sangue, suor e lágrimas... a esse rosário de sofrimentos e dores, previsto já pelos homens póstumos, pelos supremos representantes da espécie. O quanto posso imaginar face a esse quadro é uma chusma de ratos (Os ratos que não me levem a mal.) prestes a abandonar o navio prestes a sossobrar... 

Para piorar ainda mais o cenário já aterrador surge pergunta que não quer calar:

Terá você amigo leitor, ou algum de seus descendentes, possibilidade de morar nesse modelo de paraíso chamado "Elysium"??? 

Ou ficará abandonado com os céus numa terra convertida no pior dos pesadelos imagináveis?

Para, pense, reflita, revise suas concepções e considere não apenas cuidar do Planeta mas pressionar as autoridades para que dele cuidem.

Informe-se sobretudo a respeito da proposta realista em torno de uma 'economia estacionária'. 



sábado, 24 de julho de 2021

Entrevista - Conclusão.

 01) Os meios de comunicação?

Na conjuntura atual selecionam ou fabricam informações objetivando o lucro.

O que infelizmente compromete não apenas a História mas até mesmo o conceito de verdade.

02) A História?

Ninguém a definiu melhor do que aquele que apresentou-a como Mestra da vida.

03) Historicismo?

Não se faz boa reflexão, Filosofia ou metafísica, ignorando-se a realidade histórica. A boa Filosofia deve estar vinculada a concretude.

04) Sociologia?

Um conhecimento dos mais importantes.

05) Psicologia?

"Conhece-te a ti mesmo." Sócrates
"Que adianta ao homem conhecer o fundo dos oceanos e devassar as mais longínquas estrelas caso ignore a si próprio?"

06) Socratismo?

Sim, antes de ser Cristão sou socrático. Curiosamente o Cristianismo Ortodoxo conduziu-me a Sócrates e Sócrates manteve-se Cristão.

Considere que o socratismo possuía mais meios com que regenerar e salvar o mundo antigo, vindo no entanto a perecer com ele.

O Cristianismo possuía sequer possuía meios e tinha contra si o império. No entanto foi o Cristianismo antigo ou apostólico que salvou os restos do mundo antigo e do socratismo.

Era o socratismo ou o platonismo, em termos de Ideologia a maior força atuante no mundo antigo, e, apesar disto falhou.

Assumiu a Igreja o ideal socrático ou seu legado Ético e colocou a seu serviço uma vida sacramental. Considero que este programa, o programa socrático, assumido pelo Cristianismo, possa ser levado adiante e mais uma vez regenerar o mundo.

07) Platonismo.

Sistema totalitário posteriormente reformado nas Leis, obra de maturidade.

Parece ter acertado em cheio ao colocar a justiça como fundamento das sociedades humanas. Outro não era o parecer do sábio chinês.

O próprio Aristóteles reconheceu os méritos de sua dialética, alias tomada a Heráclito e aprimorada.

08) Aristotelismo.

Sou um pensador eclético - Não sincrético - porém de base aristotélica quanto a gnoseologia, a epistemologia e a Ética. 

O pensamento grego colocou o teísmo em termos naturais e Aristóteles apresentou um teísmo com um vigor lógico peculiar. 

Além disto corrigiu os excessos ultra realistas ou idealistas de seu mestre, colocando as virtudes no homem e não fora dele, como se fossem capazes de existir abstratamente ou em si mesmas. Quanto a gnoseologia já o dissemos foi herdeiro de tradições otimistas que remontam a Parmênides e a Anaxágoras. 

Ofereceu-nos ainda um modelo de ética equilibrado que foge aos extremos. 

Quanto aos sistemas, regimes ou modos de governo assumiu uma perspectiva realista ou relativa as condições de cada sociedade. E se as mais sensíveis, finas, educadas, evoluídas e civilizadas adotarão um modelo democrático ou melhor policrático (Posto que a democracia grega era direta e não indireta.) é até certo ponto natural que as culturas menos desenvolvidas, atrasadas ou primitivas assumam a realeza ou a aristocracia, importando que tais modelos estejam a serviço do bem comum - Do contrário teríamos a tirania/ditadura ou a plutocracia, a timocracia, a oligarquia e outros desvios.

09) Por que eclético e não sincrético?

Observe que Victor Cousin, o grande eclético francês, não se limitou a selecionar o quanto julgará válido nos diversos filósofos sobrepondo ou misturando desordenadamente tudo, o que alias resultaria em contradição e muito se assemelharia ao que chamamos de exoterismo. Ele buscou integrar ideias ou doutrinas que não se chocavam ou contrariavam, formando um todo harmonioso. 

O ecleticismo, não se comprometendo com qualquer sistema fechado (De aparência religiosa.) ou com quaisquer generalizações infundadas e transferências, busca conectar diversas partes e oferecer um sistema orgânico seja nas áreas da Filosofia, da Sociologia ou da Psicologia. 

E parte ele da sensata premissa segundo a qual boa parte das opiniões é válida quanto ao que afirma em seu campo mas falsa no que nega ou quando são ampliadas e transferidas para todos os campos. 

Exemplifico: O Freudismo quanto a sua teoria de repressões e complexos está certamente correto quanto as sociedades ocidentais dos últimos séculos, assim dos séculos XVIII, XIX e XX. Também as criticas de K Marx são válidas quanto ao modelo capitalista clássico do século XIX - Agora aplicadas abstratamente a humanidade como um todo ou a totalidade do curso da História são manifestamente errôneas.

Quanto ao ecleticismo por mim concebido o pensamento Aristotélico nos campos acima indicados é o elemento coordenador. Quanto a Sociologia tenho a Weber por elemento coordenador, com sua teoria da cultura. Enfim quanto a Psicologia parece-me que Victor Frankl corresponde ao elemento coordenador, embora aqui a complexidade seja tanta que Freud, Jung, Rank, Horney, Kline, Piaget, Winnicott, Blowby ocupem um espaço considerável.

O sincretismo amontoa ou junta ideias, o ecleticismo articula-as ou coordena-as produzindo sistemas, os quais todavia jamais deveriam ser fechados em si mesmos como a Revelação religiosa mas em caso de necessidade revistos ou corrigidos.

10) Parapsicologia?

Tema precipuamente polêmico devido a sanha positivista. Ainda hoje os positivistas e cia pretendem ser como que Papas em matéria de ciências e reter seu monopólio. Daí a vinculação de Ideologias ou Metafísicas como o ateísmo e o materialismo, e a proliferação de preconceitos.

Como conceitualista e portanto em parte empirista me vi na obrigação, alias em termos de consciência, de investigar esse campo do saber ou melhor os fenômenos/fatos para psicológicos ou como se dizia antanho: Metapsíquicos. Alias não fui o único, sendo precedido por imensa hoste de cientistas honestos como - Lodge, Crockes, Richet (Três prêmios Nobel), Einstein, Hare, Erni, Gibier, Schrenk-Notzig, Jung, Wallace, Edison, Lombroso, Driesch, Hartmann, etc

Comecei esta investigação há quase trinta anos, ao tempo de minha conversão a igreja romana, e jamais abandonei-a tendo examinado dezenas de volumes, assim obras de todo gêneros, desde materialistas e ateus como Silva Mello, passando pelos céticos como M Dessoir, P Heuze, H Price e o Pe Heredia; pelos animistas como Hartmann e Quevedo; e pelos espíritas como Aksakoff, Bozzano, Pedro Granja, Imbassahy, Delanne, Collarile, Flammarion, Denis, etc até chegar aos demonistas como o Cardeal Lepicier. Além disto li também as obras de pesquisadores 'positivistas' ou de cientistas como Richet, Amadou, Warcollier, Sudré, Myers, Gurney, Podmore, J F Rhine, Fodor, etc 

Além disto busquei investigar os fatos por mim mesmo ou como se diz ir a campo. 

Confesso que não tardei a certificar-me quanto a veracidade dos fatos ou ao menos de alguns deles de par é claro com as neuroses e com as fraudes - Que como alega Silva Mello não são poucas. Agora uma coisa é serem muitas as fraudes e outra tudo ser fraudulento, o que não passa de mentira. 

Fatos para psicológicos ou estranhos e inexplicáveis há em quantidade e já foi dito por um Amadou que muito provavelmente Eusápia Palladino foi uma autêntica médium, mesmo tendo eventualmente tentado falsificado quando não conseguia produzir o que é incontrolável, como foram autênticas médiuns as 'romanistas' Piper e M Silbert, no caso desta última os fenômenos além de espontâneos eram públicos e sucediam-se em plena luz do dia no exterior da casa. Assim, muito provavelmente D D Home, o qual tendo se tornado papista, aborrecia os fenômenos. Além disto, a pedido dos positivistas desencantados com seus pares, foi ele examinado por Houdini, e para o desgosto deles, aprovado.

Aqui em minha região houve igualmente um médium famoso de sobrenome Mirabelli, cuja veracidade dos fenômenos foi atestada pelo povo, já por terem sido de natureza pública. 

Dessoir e Price merecem a pecha de desonestos, quanto a Heuze e Heredia foram acusados de parcialidade ou desonestidade pelos próprios romanistas como o cardeal Lepicier e por um famoso convertido cujo nome ora me foge. 

Os fatos para psicológicos ai estão sendo negados apenas por ateus e materialistas, os quais não podem explica-los a partir de suas crenças, só lhes restando negar a fina força a exemplo do positivista Branly, o qual afirmou que seus sentidos o estavam enganando! O que já havia sido dito 'ex hipotesis' por De Broussais. 

Restam as interpretações a gosto do cliente e existem duas: A animista de Hartmann e Sudré e a sobrenatural, a qual se subdivide em duas a demonista e a espiritista.

Quanto a mim, por não admitir o pressuposto da monocausalidade, não tenho porque afirmar a existência dos dois tipos de fenômeno: O animista, produzido pela mente humana e muito mais comum; e o espírita - Sequer considero a sugestão forçada a respeito de anjos caídos ou diabos, que os Cristãos ignorantes confundem com demônios. - produzido por espíritos humanos ou por pessoas já falecidas, estes em menor quantidade é claro ou até mesmo raros. Dentre todos os fenômenos que se sucedem espontaneamente são os mais interessantes. 

Resta dizer que a admissão do fenômeno espírita não me encaminha a doutrina espírita ou ao kardecismo.

11) E por que não?

Por que tais espíritos continuam sendo humanos e limitados, se é que não transportam suas convicções e crenças infundadas para o outro lado.

Tampouco possuem carteira de identidade ou certidão de nascimento com que possam comprovar suas identidades. 

Mesmo a idoneidade dos espíritos evocados demanda certas condições nem sempre satisfeitas pelos evocadores como pensamento elevado, uso de emblemas, proteção, etc 

12) Religião ou religiosidade?


Um fenômeno humano e psicológico aparentemente universal o qual como quaisquer outras instituições trouxe diversos malefícios e benefícios para a humanidade. 

Compreendo a religiosidade ou a espiritualidade como um sentimento de vínculo com o todo ou de unidade sem qualquer vinculação institucional i é com qualquer organização ou estrutura credal. 

11) Revelação? 

Suponho que um Deus bondadoso se deva revelar a criatura nacional ou comunicar-nos alguns conhecimentos sobre si mesmo, sua vontade, o mundo invisível e o futuro de nossa espécie, i é tudo quando esteja para além de nossa experiencialidade e raciocínio, enfim de nossas capacidades cognitivas. Pois ocioso ou supérfluo seria revelar o que por si sós podemos descobrir.

12) Qual o melhor meio para comunicar a tal Revelação?

Concordo com o Cristianismo Ortodoxo quando postula a Encarnação de Deus i é que Deus assuma nossa condição fazendo-se homem.

13) Cristianismo?

Parece-me que o Cristianismo ou melhor dizendo o Evangelho de Cristo ofereça a mais excelente de todas as éticas e que haja certa proximidade entre as figuras de Sócrates, Buda, Confúcio e Jesus, alias três instrutores bastante práticos.

Também a figura de Jesus parece-me dentre todas a mais elevada e fora de seu cenário ou contexto natural. De fato por parecer Jesus deslocado e sublime, parece mais fácil aos ateus e materialistas desonestos negar sua existência, tal e qual negam a dos fenômenos para psicológicos ou para normais. Tudo quanto não se enquadra em sua caixinha eles excluem ou negam, o que evidencia desonestidade.

14) Bíblia, Evangelho.

A maior parte da bíblia hebraica é irrelevante para nós.

A única parcela do Antigo testamento que possui um sentido Cristão é a pena profética ou as profecias que dizem respeito a manifestação de Jesus Cristo. O mais é ocioso, assim produto da cultura. Demonstrar que nove décimo do AT seja de origem puramente humana ou contenha erros afeta a doutrina da inspiração verbal, linear e plenária e por meio dela o biblismo ou o protestantismo, não o Cristianismo antigo ou o padrão apostólico fixado no Novo Testamento ou melhor dizendo no Evangelho.

Apesar de tanto assédio permanece o Evangelho de pé. Pois ser incompleto jamais equivalerá a ser contraditório e assim errado ou falso. A grande falácia aqui parte da crítica ainda positivista e portanto anacrônica no sentido de exigir que um documento da antiguidade apresente formas modernas ou contemporâneas. Hora os Evangelhos são narrativas de sua própria Época. Para além disto o pouco que por tradição sabemos sobre os autores de cada um deles e sobre o público a que cada um estava direcionado parece estar de pleno acordo com o conteúdo. Por fim certos equívocos periféricos (Que são ocasionais e raros.) que não alteram o conteúdo doutrinário excluem a possibilidade de um acordo prévio entre os autores. Por fim, de modo geral, as narrativas estão de acordo com a geografia do tempo, como foi constatado dentre outros por Fillion. Também Buxtorf, Vitringa, Ligthfoot, Schoetgenius e mesmo Gesenius, dentre outros hebraístas, apresentam farto material tomado ao Talmud, aos Targuns e aos apócrifos que corroboram o cenário geográfico, político, social, econômico e cultural descrito pelos evangelistas. 

Externamente existem os testemunhos de Josefo, Plínio, Suetônio, Tácito e Abba Serapião, além dos testemunhos do Talmud e de Paulo, e ainda os de Luciano, Celso, Filostrato e Juliano. 

15) Papado, igreja romana?

É o papado uma instituição humana, fruto de um desenvolvimento histórico cujos fatores foram brilhantemente expostos por Doellinger no 'Papa e o concílio', assim pelo nosso Rui Barbosa em prefácio não menos monumental.

É a Igreja romana uma igreja particular ou apostólica liderada primeiramente pelos apóstolos Pedro e Paulo (Sua fundação é anônima e a princípio Pedro e Paulo lideraram duas igrejas rivais, uma de judeus e uma de gentios, unificadas no final do século I por Clemente romano.) não a igreja Católica Ortodoxa, pois a parte jamais pode equivaler ao todo. Somente a partir do final do século XV - Como aduzimos do Comentário de Tostato a S Mateus e da História tripartida editada em 1543!) principia a igreja romana a apresentar-se como a Igreja Católica do Símbolo, antes apresentava-se como Santa Igreja Romana, jamais como a Una, Santa e Católica, e Ortodoxa enquanto Federação de Igrejas particulares fundadas pelos apóstolos. 

Portanto de modo algum a Igreja apostólica romana é a Igreja Una, Santa, Ortodoxa e Católica. 

16) Neste caso qual é ou melhor onde esta a Igreja Católica?

No Oriente onde foi fundada há dois mil anos.

Sendo formada por aquela Federação de Igrejas apostólicas que ainda hoje tomam o nome de Ortodoxas.

17) Protestantismo ou reforma?

Uma tragédia espiritual que agravou ainda mais os males produzidos pela Igreja romana ou pelo papado na medida em que produziu o imenso número de seitas e credos que hora temos diante dos olhos.

A reforma possui defeitos essenciais ou estruturais quando a seu método o biblismo e o livre exame.

O biblismo ignora o dado, alias admitido pelo protestante O Cullman, segundo o qual a tradição oral precede a Escritura ou o Evangelho oral o Evangelho escrito. Existiu igreja sem escritura por cerca de quinze anos ou seja de 34 a 49 d C. Irrelevante como sempre qualquer petição ao Antigo Testamento uma vez que não damos nele com o Pai nosso, a fórmula eucarística, o mandamento do Batismo, etc.

Por isso o Evangelho escrito deve ser estudado a partir dessa pregação oral ou tradição apostólica para conservar seu sentido. 

Embora não se pode dizer que o livre exame seja herético num sentido estrito i é reservado aos preparados - Pois é um método monacal que demanda imensa cópia de conhecimentos, é certo que sua atribuição irrestrita atribuída a toda sorte de pessoas, inclusive as mais simples, semi analfabetas e despreparadas é uma calamidade. Pois através desse tipo de exame o ensinamento objetivo do Mestre Jesus Cristo dilui-se na subjetividade humana, transformando-se a revelação divina em mera interpretação ou em comentários inúteis. Do que resulta a fragmentação da doutrina, o surgimento das seitas, a confusão e a incerteza ou incredulidade. E o protestantismo é isso. 

Ademais a partir do livre exame é perfeitamente exequível que homens ambiciosos santifiquem ou divinizem seus pensamentos malignos, revestindo-os com pedaços do Evangelho escrito removidos de seus respectivos contextos e adulterados. É o que comumente fazem os pastores fundamentalistas com o objetivo de comover, impressionar, intimidar, manipular e dominar. Por semelhante via o livro que nos veio tornar livres acaba se convertendo na fonte da mais perversa servidão, ficando os homens simples escravos dos pastores.

Agora cindido em milhares de seitas como pode o protestantismo oferecer-nos um Credo? O que costumeiramente digo agora repito: Em seu conjunto a totalidade das seitas bíblicas repudia cada artigo da divina Revelação, das imagens e das orações aos mortos a divindade de Cristo e a Santa Trindade. 

Isto para sermos sucintos e não levarmos a crítica a história, a economia, a política, etc





Entrevista - Parte final

01) Individualismo?

Egoísmo - O veneno do tempo.

02) Personalismo?

O ser humano recebe está condição, a condição humana. Nascemos já enquanto seres humanos, não como ou enquanto pessoas. 

Segundo Mounier nós nos tornamos pessoas por meio de um processo.

Nos tornamos pessoas quando saímos de nós mesmos e nos conectamos aos outros. 

Tornar-se pessoa é criar vínculos afetivos na dimensão do social.

03) Humanismo?

Continuação de um ideal grego ou melhor Socrático e/ou ainda platônico que afirma a essencialidade da Ética/moralidade, a livre iniciativa do agente social e a primazia da justiça enquanto princípio. 

Por via do Cristianismo ou do Evangelho, com o Dominicano Francisco de Vitória chegamos a noção da dignidade inerente do ser humano ou dos direitos humanos enquanto entidades essenciais.

Engloba atualmente uma coordenação entre valores derivados da política liberal, a forma democrática, a ética essencialista (Jusnaturalismo), os direitos humanos e a justiça social ou justicionismo. Tais os elementos que compõem. Impossível ser humanista sem ser politicamente liberal, democrata ou melhor policrata, jusnaturalista e essencialista; pois a adesão a tais princípios equivale sempre a promover ao máximo o ser humano.

04) Feminismo.

Antes que eu mesmo reconheça os abusos historicamente criados em torno deste ideal devo insistir que o abuso jamais tolhe o uso e que todas as instituições, mesmo as divinas, sofrem abuso por parte dos homens, assim o Evangelho a ser 'livre' ou 'subjetivamente' interpretado ou distorcido. Tal o caso do evolucionismo biológico, da ciência, da metafísica, do socialismo, do jusnaturalismo, da moral, etc Tudo sem exceção sofre abuso e por isso toda e qualquer solução iconoclástica torna-se inviável. Ou teríamos de abolir todas as coisas, todas as doutrinas e instituições, sem que nada restasse.

Todavia, dentro de suas medidas e pugnando por um objetivo justo é o feminismo, segundo J S Mill, amplamente libertador e poderoso aliado das instituições democráticas e liberais. Pois na medida em que nos libertamos libertamos igualmente aos outros, em especial aqueles que estão habituados a dominar, dentre todos os piores escravos enquanto escravos do ego. Ninguém liberta apenas a si mesmo, mas também aquele que o oprime. 

Assim quando a mulher cessa de permanecer presa ao fogão e a ignorância cessa de ser dominada pelo xeque, pelo rabino ou pelo pastor, assim de ser usada e manipulada por eles e de servir como espécie de arma contra as instituições democráticas. Sobretudo quando permitimos que a mulher instrua a si mesma, e que trabalhe, e que se sustente - É claro, sem abandonar de todo o lar, mas compartilhando-o com seu esposo. - e que tome suas decisões, que seja sujeito de direito, que se possa separar quando desejar, etc estamos libertando antes de tudo a prole, posto que a mulher, sendo escrava ou livre é sempre educadora. Portanto faze-la livre é como que criar um curso intensivo de liberalismo para a prole ou ainda prover uma atmosfera de liberdade tendo em vista a formação de cidadãos livres. 

Além disso reconhecer a equivalência de direitos e deveres para homens e mulheres é satisfazer uma demanda posta pela própria justiça uma vez que da parte da natureza inexistem diferenças essenciais entre os dois gêneros em termos de superioridade e inferioridade. Portanto quanto as mulheres e homens pugnam pela liberdade feminina e pela igualdade pugnam por uma causa essencialmente justa, destarte por um bem. 

Outro o caso das tais radifens, feministas fanáticas ou sectárias que postulam uma superioridade essencial para as mulheres, ora isto não passa do veneno machista invertido, o que da mesma maneira ocorre no campo do racismo ou do preconceito racial.

05) Quer dizer que há um racismo invertido?

Compreendendo uma das mais bizarras monstruosidades surgidas no curso da História humana não pode o racismo ser tolerado sob quaisquer formas ou expressões.

Temos então de falar no justo combate ao racismo por parte de um igualitarismo essencial absoluto, isto em termos de etnia, de direitos naturais e de deveres, mas não necessariamente em termos de cultura.

No entanto ao menos quando ao aspecto biológico ou natural podemos postular um igualitarismo essencial absoluto. Todos os seres humanos são absolutamente iguais em termos de direitos e deveres.

O que nos obriga a abordar o tema polêmico da inversão racial ou da reprodução do preconceito e da discriminação por parte dos africanos ou pretos.

Há inclusive uma Ideologia forjada por essa inversão, o pan africanismo. 

Aproveitando-se deste clima tóxico produzido pelo relativismo/subjetivismo os teóricos desta ideologia tem buscado demonstrar que foi o Egito antigo um espaço ocupado majoritariamente por negros ou que ao menos seus dirigentes os faraós foram praticamente todos negros. Fora de discussão a existência de uma Dinastia negra ou 'africana' procedente de Meroé e cujo principal representante foi Taharca, um grande faraó guerreiro. Dai concluir que todas as dinastias e que todos os Faraós e dirigentes egípcios foram pretos é uma desonestidade, mormente quando os egípcios sabiam perfeitamente discriminar os povos pretos do Sul sob o término de Nehesi e assim pinta-los de preto enquanto que a si mesmo pintavam de vermelho e a suas mulheres com rosa claro.

Seguem no entanto tais ideólogos adiante e quando não tentam demonstrar que também Sócrates era negro - rsrsrsrs... ousam repudiar a Sócrates e a toda Filosofia grega em bloco por não ser africana, o que denota já etnocentrismo ou racismo. 

Fato é, e lamentável, que tais discussões tem frequentemente ultrapassado o plano teórico e chegado ao plano prático da vida vivida. Eu mesmo, que por ser descendente de judeus e mediterrânicos não sou caucasiano mas moreno (Diria tipicamente semita.) ao ter questionado - Numa discussão pública! - as incoerências contidas no discurso de um negro africanista obtive a seguinte resposta por parte do Ideólogo: O Senhor não sabe de nada porque é um branco (Ora eu não sou nem negro nem branco mas semita ou mediterrânico, com uma parte de Ameríndio!) e eu não discuto ou diálogo com brancos, apenas com homens pretos.

Não hesito classificar esse tipo de resposta como racismo ou preconceito invertido. Posto que o homem insinua que os brancos e demais seres humanos sejam incapazes de compreender ou de pensar. Que sejam inferiores aos pretos quando ao aparelho cognitivo. Que seja impossível dialogar com quem não é negro! Francamente, como classificar tal tipo de atitude. A qual torna-se cada vez mais comum no Brasil... Bem, o que estamos assistindo hoje é a criação de um sectarismo étnico. Inclusive por parte de nossos povos indígenas, o que posso falar com pleno direito por ter em minha árvore uma ancestral indígena.

Não se trata portanto de pugnar pela liberdade ou por direitos iguais, e já estamos ouvindo mais uma vez e com complacência o velho e perigoso discurso da superioridade.

Da mesma forma como não há autoritarismo mau e autoritarismo bom numa sociedade avançada tampouco podemos admitir que haja racismo mau e racismo bom - Racismo algum é bom ou tolerável parta do branco, do negro ou do índio. 

Por ser favorável a igualdade, a liberdade e aos direitos de negros e índios nem por isso sou contra a totalidade da cultura branca ou européia, como se nada nela prestasse... Avaliações culturais feitas em bloco são sempre perigosas. Nada mais leviano do que lançar as favas o Cristianismo antigo junto com o capitalismo ou a Filosofia grega junto com o nazismo, ou ainda o pós modernismo com o jusnaturalismo ou a ciência. 

Uma visão equilibrada da realidade considera que cada etnia, povo ou sociedade contribuiu de alguma maneira tendo em vista a evolução do todo. Temos assim a caverna de Blombos na África do Sul como berço do progresso humano, mas também temos a Índia com os numerais arábicos, a china com a bússola, o papel, a pólvora, etc A Suméria, o Egito, a Grécia, etc como que formando uma grande simbiose social.

06) Equivalência ou igualdade cultural?

Tudo quanto faz o homem é cultura e hoje sabemos que até mesmo alguns tipos de animais produzem cultura.

O que não significa que sejamos obrigados a avaliar todas as formas de cultura como absolutamente iguais. Postular o contrário é forçar a barra e exigir submissão ao relativismo, ao relativismo ético inclusive (Nos termos de um L Levy-Bruhl.)

Tudo é cultura porém nem toda cultura tem o mesmo valor e podemos sim atribuir valores diferentes pretendendo que hajam formas superiores e inferiores de constelações culturais.

Em termos de cultura não posso deixar de afirmar algumas como superiores assim a sumeriana, a egípcia, a grega, a bizantina, a italiana da baixa Idade Média ou a francesa durante o século XVII... E o quanto temos para medi-las é considerar o que delas passou a nossa cultura ocidental contemporânea. Não posso alistar aqui a antiga cultura israelita por não acreditar que o fenômeno Cristão tenha partido dela como algo imanente, pelo contrário todas as investigações apontam para uma radical oposição entre o elemento Cristão i é o Evangelho ou Ética e aquela cultura. Eu encaro honestamente o fenômeno Cristão como algo sobrenatural ou Revelado, não como produto da cultura e jamais ocultei tal ponto de vista.

Todavia, caso tomemos por medida a imanência, Sócrates ou o socratismo se destacam em termos de Ética como algo universalmente relevante, assim a gnoseologia e a epistemologia de Aristóteles, bem como as contribuições de um Scottus ou de um Aquino, assim as de um Descartes ou de um Pascal, as de um Shakespeare ou de um Molière, as de um Dante, de um Camões, de um Klopstock ou de um Cervantes - São entidades culturais ou estéticas que não encontraríamos na Ilha de Páscoa, nas Ilhas Trobriand, entre os bosquímanos, xavantes ou anasazis. O que não quer dizer que para seus agentes tais culturas nada possuam de bom ou mesmo de belo. Efetivamente satisfazem as demandas de seus membros, sendo funcionais. Outro o caso dos exemplos acima citados, os quais satisfazem anelos universais e comuns a espécie de modo que mesmo um alacalufe, um hotentote ou um Puri deixaria de avalia-los como belos ou relevantes. Por isso é o Hecatonpedon visitado por pessoas de todas as partes do mundo, sem que seja avaliado como feio por quem quer que seja.

07) Arte moderna?

Psicologista e utilitarista.

Por ser psicologista ou meramente subjetiva admite que o artista determine suas regras, o que foge a qualquer tipo de avaliação objetiva. Partindo dela os concursos não fazem qualquer sentido, posto que toda avaliação meramente subjetiva é arbitrária. Nada mais complicado do que mensurar supostos estados de espírito ou emoções. Por isso que a arte clássica se limita a avaliar externamente as formas, as cores, etc podendo dar a público suas razões, o que num concurso qualquer é bem mais honesto. Tais razões sempre podem ser contestadas, estados de espírito ou emoções não. Alias, partindo de tais premissas qualquer pessoa poderia ser juiz em matéria de arte... E no entanto temos juízes??? Qualificados no que? Em nada que não esteja no teu ou no meu acesso.

Por ser utilitarista, pragmática ou funcionalista é esta arte filha do capitalismo com sua fabricação de objetos em larga escala, o que obviamente excluí o adorno como supérfluo por ser custoso. Nesta perspectiva, isento de adornos ou enfeites ociosos, cessam tais peças de ser obra de arte... posto que nada mais há nelas de humano ou de pessoal. A produção em massa é adversária da arte... O sapato de outrora era a um tempo um sapato ou objeto destinado ao uso e uma obra de arte por conter adornos, quase sempre feitos a mão. 

O Capitalismo por meio do utilitarismo separou a arte da produção. Por meio da arte moderna separou a arte do belo ou o belo da arte, substituindo o belo por impressões psicológicas vagas e indefinidas. 

Separar o objetivo do subjetivo e priorizar um dos dois será sempre obscurecer e distorcer. Pois é o humano a um tempo objetivo e a um tempo subjetivo. Sendo apanágio da arte despertar um impacto sentimental por meio da contemplação da beleza e não despertar emoções indefinidas por meio do grotesco, ou ainda servir como meio para descarregar as emoções com exclusão da beleza.

Não posso ver a arte como estância destinada a manifestações derivadas do inconsciente. E sim como expressão do quanto haja de mais belo na realidade ou no mundo exterior, portanto a nível da consciência. Por tais razões só posso encarar a arte moderna como um desvio.

Para encerrar o assunto a arte deve ser inútil por definição como sentenciou Paul Valery, não poder ser delineada por editores com propósitos lucrativos. Via de regra o que é editável, lucrativo ou barato é lixo, isso mesmo lixo, e não arte. Não é feita a arte para ser consumida em alta escala pelas massas mas para ser degustada por almas sensíveis. 

Após ter engendrado o modernismo e a tal cultura de massas o liberalismo econômico continua a empobrecer e a ameaçar a arte. 

08) O Funk, a música contemporânea de modo geral.

Por tornar-se psicologista como a arte moderna de modo geral a música converteu-se em som ou melhor em ruído ou barulho, quando no passado era harmonia entre notas ou composição. E sequer precisava ser alta para se degustada - "O barulho jamais faz bem e o bem não faz barulho." é lema que cabe perfeitamente a música.

A música moderna enquanto barulho tanto pode significar invasão cultural ou reprodução ditada pelo ritmo das relações sociais (Líquidas segundo Z Baumann) e da produção econômica, como podería significar uma tentativa de fuga da realidade por meio da dispersão, posto que o barulho aliena e dispersa. Neste caso o barulho na música faria o mesmo papel que as micaretas religiosas do pentecostalismo (Alias tão barulhento quanto.), as drogas, a hipersexualidade, os jogos eletrônicos, etc criando uma espécie de realidade paralela. 

De um modo ou de outro o barulho sempre dispersa, aliena e afasta o homem da interiorização e da reflexão. É algo sem conteúdo por ausência de notas e composição, i é, de melodia, exceto na perspectiva da arte moderna que é, como vimos acima, psicologista e emocionalista. Ora o emocionalismo exacerbado é inimigo da reflexão.

Para além disso as mensagens divulgadas pelo funk são quase sempre perniciosas: Hipersexualismo ou erotismo deslocado até a pornografia, machismo, homofobia e até mesmo estímulo ao consumo de drogas... nada de eticamente elevado ou educativo. 

Quando embrenha-se pelos domínios da dança converte-se o Funk em calamidade, supondo que consista a dança a balançar a bunda, em balançar o peito ou em simular a cópula. Claro que um espetáculo de dança ou opera pode ter um conteúdo sexual ou erótico, outro o caso de reduzir toda trama ou todo espetáculo em atos de natureza sexual, aqui o quanto temos é um reducionismo tosco. Dança para mim é balé e música para mim é ópera, criações nas quais bem pode haver algum espaço para o erotismo mas que não se reduzem a ele situando-o num drama ou numa narrativa. Seguidamente a ópera temos os consertos ou a música instrumental, a qual também supõem uma trama ou narrativa. Também a música folclórica ou regional pode conter um repertório bastante rico. Ora música é composição, narrativa e trama, não apenas som. O simples vocal já é sinal de reducionismo ou empobrecimento ditado pelas circunstâncias acima citadas. Nada educativo.

09) Não é sua concepção de arte elitista?

Massivista é o que não é.

Porém prefiro dizer educativa, integral ou ainda essencialista.

Lamentavelmente as massas apropriaram-se do belo, da expressão artística ou a Arte, com exclusão do povo, e fizeram delas um monopólio. Estabelecendo inclusive uma segregação, por saberem que a Arte educa e humaniza.

Diante disso as esquerdas simplistas, desorientadas e iconoclásticas passaram a votar imenso ódio ao quanto seja clássico, humano e educativo por ter sido apropriado pelas elites burguesas. Já os bens materiais não querem os revolucionários iconoclásticos, apenas os culturais ou imateriais, posto que Sorel deixa bem claro que os bens econômicos devem ser conservados... Que brincadeira de mau gosto é essa? 

Julgo que a posse de tais bens culturais e das expressões clássicas da arte deva ser recuperada pelo povo, tal seu valor educativo e humano.

Alias a intencionalidade dos burgueses ao privar tais grupos do acesso a tal conteúdo foi justamente brutaliza-los ou desumaniza-los. No que foram bem sucedidos até certo ponto. Do contrário não teríamos sunitas, pentecostais, carismáticos, comunistas e anarquistas circulando por todos os lados... 


10) Alienação?

Fuga de uma realidade que nem sempre podemos viver ou transformar.

Mesmo o intelectual ou humanista precisa alienar-se em certa medida e até certo ponto da realidade ingrata a que busca transformar, nem sempre com sucesso (Ao menos imediato.) Tal a alienação saudável, destinada a abastecer e a reabastecer, representada pelo consumo moderado de licores, pelo consumo parcimonioso do fumo, pela degustação culinária, pela boa música, pela composição poética, pelo teatro, pelas exposições de arte, etc 

Há no entanto quem movido pela angústia ou pela frustração fuja a toda medida. Chegando a uma dependência insuperável.

Quanto as formas há diversas: Jogos eletrônicos, Televisão, Futebol, hipersexualidade, cigarro, álcool, entorpecentes, comida, o fanatismo religioso ou ideológico, etc Tais os assim chamados vícios - Os quais se tornam patentes quando afetam a qualidade de vida do sujeito. 

Quanto ao mais terríveis como o álcool ou as drogas, na medida em que as sensações produzidas pelas substâncias mais fracas vão se tornando costumeiras ou banais a tendência é consumir substâncias, bebidas ou drogas, mais fortes, o que subindo vai em escala até a morte ou o suicídio por overdose no último caso ou por algum tipo de enfermidade quando ao primeiro caso. 

Quanto as demais formas, tanto mais inocentes, via de regra limitam-se a reduzir ou a disfarçar a realidade dada, convertendo o sujeito em prisioneiro inconsciente. De modo que se exila no mundo da bíblia, dos romances, da novela, do futebol, da hipersexualidade, da realidade digital paralela, dos jogos eletrônicos, etc E o que temos aqui são prisões, grades ou cárceres invisíveis. 

No mais das vezes é um alienado - A peregrinar de alienação em alienação. - uma espécie de morto vivo ou zumbi...

11) Como evitar uma tal condição?

Distrair-se com as formas de alienação inocentes e episódicas. Vá ao Teatro, a exposições, a espetáculos musicais, feiras de arte, etc Ouça boa música, cante, dance, desenhe, pinte, esculpa, modele, recicle, pratique algum esporte ou faça dinástica, jogue com familiares ou amigos. Faça palavras cruzadas, pesca palavras e todo tipo de joguinhos diariamente. Reserve um tempo para isso, pois tudo isso é higiene mental que ajuda a descontrair. 

Observar a vida vivida: Passear, viajar, ler jornais e revistas, etc

Manter-se bem informado ou simplesmente cultivar um ritmo de leitura.

Busque conectar-se ao todo ou ao universo cultivando alguma forma de espiritualidade. Entre num belo templo religioso: Ortodoxo, romano, anglicano, judaico, budista, etc eleve o pensamento, faça uma prece mental, respire moderadamente, aproveite o silêncio, deguste a música religiosa, contemple as expressões artísticas do espaço, etc 

Tudo isso te ajudará a ser mais resistente, a conhecer a realidade, a suportar tal conhecimento e a lutar com objetivo de melhorar as coisas. 

12) Homofobia?

Sinal dos tempos ou de nossa profunda decadência. 

O fenômeno da homofobia é um dos mais escandalosos e incoerentes que se tem manifestado neste tempo.

Pois se trata de um elemento cultural semita ou judaico - Assim presente na abominação islâmica. - que nada tem de Cristão assumindo por parte considerável dos Cristãos e pela quase totalidade dos protestantes que se situam para além do calvinismo e do pentecostalismo. Pois eles de fato por professarem a terrível do 'corão cristão' ou da inspiração plenária, linear e verbal, são judaizantes, sectários e fundamentalistas, sempre a serviço da Torá ou da Mikrá, mesmo quando a maior parte dos judeus esclarecidos dela já se desprendeu há muito. Aqui, sem dúvida alguma, são os judeus bem mais civilizados.

Repito, perigoso, extremamente perigoso esse 'Elo de ligação' com o islamismo, há outros (Como o machismo e o adultismo.) este porém é o mais forte deles e pode servir como via de acesso...

Condenar a homo afetividade sem estar firmado em Jesus Cristo (Legislador completo e divino que jamais a condenou.) implica condenar o que mais fingimos admirar: A Cultura e civilização gregas, e dar Sócrates, Platão, Aristóteles, Parmênides, Anaxágoras, e outros gregos ilustres por degenerados e perversos! Esse mesmo Sócrates que Rousseau declarou ser pouco menos do que Jesus Cristo! Esse mesmo Platão núncio da justiça! E esse mesmo Aristóteles que serviu de modelo ao Aquino! Pois todos estes viveram numa sociedade homo afetiva ou homossexual.

E essa mesma Sociedade homossexual, que deveria ser monstruosa, legou-nos o Teatro, a História, a Filosofia, Os cânones de Polikleitos, os rudimentos da ciência... 

Mesmo os odinistas que afetam grande amor a inculta Esparta deveriam estar cientes de que eram os espartanos praticantes do homossexualismo, inclusive aquele valente Leônidas, que por mais de três dias conteve um milhão de persas, cujas flechas podiam obscurecer a luz do dia... Não era maricas ou efeminado mas era homossexual - Ponto e basta.

Assim grande número de intelectuais e cientistas que costumamos da mesma forma reverenciar, a começar por Leonardo D Vinci. 

Grosso modo é a homofobia uma forma de hipersexualidade invertida e deslocada. 

Pois implica dar por importante o que não possuí qualquer importância ou sentido. Equivalendo a um transtorno moral, pois o que devíamos considerar é se determinada pessoa é justa, compassiva, leal, veraz, etc e não qual seja sua opção sexual, o que é eticamente irrelevante.

Tomo tal afirmação ao Evangelho de Cristo onde não deparo com fartura de matéria sexual, a qual os neo cristãos emprestam tanta importância. Repito é tomar o Mestre por incompleto, insuficiente ou leviano. Quando penso em coisas espiritualmente relevantes julgo terem sido sempre abordadas por aquele cuja origem é divina. 

Daí parecer-me que o pensamento de Jesus corresponde ao oposto do pensamento farisaico, centrado no traje, no cardápio ou na dieta e enfim na sexualidade. Não observo Jesus Cristo decretando o uso de determinado traje, como não o vejo recomendando dietas ou roteiros sobre o que comer ou beber e tampouco sancionando ou condenando práticas sexuais. Parece que exterioridades ociosas e costumes não são o foco do Evangelho redentor.

Por isso não me ocupo de tais questões. Como não crio caso num restaurante pelo fato dos demais escolherem um prato diverso do meu. Tendo, a bem da verdade a uma dieta ética. Todavia nem por isso, eu, que detesto nabos, chuchu, chicória, almeirão, etc vou esmurrar os que consomem tais vegetais. Repugna-me o gosto do cação, porém de modo algum incomodam-me os que comem esse peixe. Estendo o mesmo juízo ao vestuário: Jamais usaria uma calça boca de sino, porém jamais agrediria qualquer pessoa pelo simples fato de usa-la. O fato de qualquer um de nós ser avesso a prática da pederastia não nos autoriza a cercear o gosto ou a liberdade alheia, não nos autoriza sequer a julga-la, e antes nos obriga a tolera-la.

Imagine só o ouvinte caso as pessoas começassem a agredir umas as outras devido a considerações em torno da dieta ou do vestuário... Que seria das paz social e da tranquilidade.

Uma vez que os vegetarianos, veganos, carnívoros, vitorianos, sumários, etc não nos atacam, agridem ou prejudicam fazem crédito a tolerância e ao respeito como quaisquer cidadãos. Diga-se o mesmo dos homossexuais, transsexuais, etc uma vez que a ninguém atingem ou causam dano com suas práticas fazem jus a tolerância e ao respeito, como quaisquer cidadãos da república ou contribuintes. Agredi-los ou buscar cercear suas liberdades só pode ser fruto do preconceito, o que de modo algum pode ou deve ser admitido pela Lei. 

Tampouco posso admitir que preocupe-se Deus com tais questões, exceto se Jesus Cristo o tivesse dito. Ele no entanto silenciou. 

Considero portanto que a homofobia não passe de tolo preconceito, oriundo da antiga cultura judaíca. Irrelevante que Paulo sendo fariseu filho de fariseu e aluno do Rabino Gamaliel a tenha condenado em nome de sua cultura. Necessário seria demonstrar que Paulo estava firmado ao menos no Evangelho Oral ou na pregação ministrada pelo Redentor. Temos no entanto que Paulo em diversas situações, como prisioneiro da cultura, foge do Evangelho - Assim quando sanciona a o machismo, o adultismo, o estatismo, o escravismo... Reportando sempre a cultura hebraica e jamais a Revelação Cristã. O próprio Paulo em seus escritos teve ocasião de declarar: Digo eu, não o Senhor, o que deveria ter repetido outras tantas vezes. Como Cristão não paulinista repudio a homofobia.

13) Adultismo?

Desde o 'Emílio' de Rousseau é a criança sujeito de direitos, e assim deve se-lo, sendo-lhe garantido o direito de brincar assim como o direito de não ser explorada ou tratada como um empregado e, evidentemente o direito de jamais ser espancada.

Deve a criança ser educada pelo exemplo de seus pais, pela explicação, pela argúcia, e não pela chibata. Deve a criança ser levada a imitar o comportamento de seus pais ou a aceitar as instruções fornecidas por ele com base em sólidos vínculos de afeto construídos. É a partir do amor que deve seguir a imitação, a obediência... Como foi explicitado por Wallon e Rogers o caminho da educação se chama afeto ou amor. E nada temos a acrescentar. Seja amável para com seus filhos e a educação deles estará garantida. Por outro lado, sem afeto ou amor jamais se chegará a qualquer lugar.

14) Especismo/instinto

Está já suficientemente demonstrado que os grandes mamíferos não somente pensam como produzem cultura. Diante disso a palavra mágica instinto já não faz sentido algum.

Auto cognoscentes, inteligentes, capazes de construir relações afetivas... Não podem mais ser os animais tratados como coisas ou objetos. Pelo que se tornam sujeitos de direito. Relação que se não pode ser avaliada por eles pode ser perfeitamente avaliada por nós, criaturas racionais.

Alias não é pelo padrão deles que devemos julgar o quanto percebemos sobre eles porém a partir do nosso padrão, que é racional e ético, e é claro que uma ponderação racional baste para afirma-los como sujeitos de direito e objetos de respeito.

Tem portanto Peter Singer quando pleiteia sua libertação animal em obra já clássica.