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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A ferramenta do relativismo Cultural: Islamização, protestantismo e judaização....

Vivemos em tempos de impérios em conflito. Pois embora tenhamos diversos blocos políticos: Índia, China, Rússia, 'Europa', 'América latina'... apenas dois exercem um proselitismo cultural em larga escala, buscando, obviamente, criar um padrão universal.

Assim o americanismo, com o protestantismo; assim os islamismo. Um despejando-se pela América latina e, consequentemente, pelo Brasil, com suas seitas, bíblias e pastores. Outro despejando-se pela Europa e África. Com grande risco para as demais culturas, tradições e identidades.

Surpreendentemente - Por via do antigo testamento, Mikra ou Tanak - apesar da oposição credal, existe uma certa afinidade de espírito em termos de protestantismo e islamismo. E é algo mais profundo que o iconoclasmo, por tocar o anti cientificismo e o totalitarismo... Percebeu-o o grande humanista francês Gilherme Postel e compôs uma obra pioneira a respeito.

Assim se o islã predica uma transcendência absoluta e anti encarnacionista, o protestantismo judaizante - Devido a sua ênfase no antigo testamento. - (Em oposição a Fé Ortodoxa) recusa-se a levar o Encarnacionismo as últimas consequências: Daí sua objeção as imagens ou representações, a 'Mãe de Deus', a presença real do Senhor no Sacramento, ao Domingo, a comunhão dos Santos, etc 

De fato a proximidade existente entre as Igrejas apostólicas e a Imanência - Uma decorrência necessária da Encarnação de Deus! - choca de tal maneira os protestantes a ponto de assumirem o discurso muçulmano segundo o qual, foi o Cristianismo antigo ou Histórico, poluído e esmagado pelo paganismo! Importante salientar que muito antes de Calvino ou Blaurock se manifestarem neste mundo, os rabinos e ulemás já apresentavam a igreja de Cristo como quintal do politeísmo e da idolatria.

O próprio Jesus, quando mencionado nos registros do povo é classificado como sedutor, feiticeiro, politeísta e idólatra. Ele disse: Se eles falaram mau de mim, que sou o Senhor, como não haverão de falar mau de vós que sois os servidores... Já os infiéis das Arábias inculpam ora Paulo, ora João, ora Orígenes, ora Tertuliano, ora Atanásio, pelas 'blasfemias' politeístas da Cristandade apostólica. (Os protestantes só tem coragem de ir a Clemente de Roma, Inácio, Pápias ou Policarpo - Ouvintes dos apóstolos!). 

Mas estão de pleno acordo quanto ao juízo lançado contra a Igreja Histórica. E como o protestantismo é recente e muito mais jovem que o judaísmo ou o islã, podemos dizer que judaiza e islamiza. Novidade alguma - Pois já no séculos VIII e IX parte dos nossos, pretendeu aproximar-se do islã, embarcando na canoa furada do iconoclasmo. O mesmo se observa no papismo, o qual buscando reconquistar os protestantes foi mergulhando mais e mais no lodo agostiniano, até - Com o Vaticano II - mergulhar no protestantismo, e (Pasme!) no pentecostalismo fetichista (Com a tal RCC)... 

No entanto foram os iconoclastas, os papistas e os neo papistas que se perverteram, guiados por mestres tão cegos quanto os agarenos e os protestantes... Tal a ilusão das aproximações.

O protestantismo, aproximando-se do judaísmo e do islamismo (Por via do antigo testamento) foi perdendo mais e mais seu caráter 'Cristão' e encarnacionista, até nada mais ver ou poder ver no Cristianismo Histórico que o odiado paganismo, o qual anseia destruir até os fundamentos.

E não pode haver mínima dúvida quanto a tais desígnios, digo quanto a proposta tanto do islamismo quanto dos protestantismos pós calvinistas. Os quais encaram o paganismo antigo ou ante Cristão como absolutamente maligno ou diabólico, porfiando destruir seus últimos vestígios, assumidos pela Cristandade apostólica, assim as artes a que chamamos de sacra e a tudo quanto se destaca pela simples beleza.

Outro o programa da igreja, outra sua atitude, outra sua obra...

Todavia, tornando ao islamismo, o que ele pretende destruir são os fundamentos mais remotos de nossa civilização Greco romana, pelos quais respira ódio mortal. O judaísmo é tanto mais civilizado, embora conte também ele com certo número de fanáticos.
Sobre o protestantismo pós calvinista, todos nós o conhecemos muito bem. 

Tal o significado nu e cru da destruição das ruínas de Palmira e Nínive pelos fanáticos do ISIS. Caso você compreenda que cada um daqueles 'Aladlammús' esmigalhados representa as raízes de nossa cultura e as fontes da nossa identidade, terá compreendido tudo e qual seja o objetivo final do islamismo. 

Não nos deixemos ludibriar ou enganar: O Museu do Cairo ali está apenas enquanto significativa fonte de riquezas ou enquanto algo 'vigiado' pelas grandes potências do mundo civilizado. Eis porque, apesar dos esforços empreendidos pelos egípcios esclarecidos e de boa vontade, ele escapou por um tris da destruição... Outro o caso do Museu de Cartum, no Sudão - Onde os tesouros das Cândaces fora pilhados e quiçá derretidos pelos fanáticos...

Pois para a imensa maioria dos xeques e dos muçulmanos devotos, os tesouros contidos em nossos Museus nada mais são do que imundice pagã cujo fim é a destruição... Imaginar algo diverso é pura ingenuidade de quem ignora o verdadeiro caráter do islã.

Aqueles que no passado destruíram as bibliotecas de Cesareia marítima e de Skandaryia bem poderão, uma vez no poder, acabar com os Museus de Londres, Paris (Louvre), Berlim, Prado e Vaticano, assim como as principais Bibliotecas do velho mundo, destruindo por completo o quanto nos resta de um Ésquilo ou de um Aristóteles... E não podemos assistir de braços cruzados uma catástrofe semelhante. 

Pôde a Europa nos séculos passados exumar e resgatar as fontes na nossa cultura. Pois nas pessoas de um Champollion, um Lepsius, um Montet, um Layard,  um Gsell... pode passar a Ásia e reconstituir nosso vetusto passado. Agora ameaçada a Europa como haveremos nós de transpor o mar oceano para salvar as relíquias da nossa cultura...

Caso permaneçamos de braços cruzados, em poucas décadas, assistiremos a destruição da nossa cultura, das nossas raízes, de nossas tradições e de nossa identidade. Caso permaneçamos indiferentes a Europa se converterá em quintal do islã...

Tolos aqueles que esperam proteção e defesa por parte dos EUA. Pois os Yankees são, ao menos em parte, descendentes daqueles mesmos puritanos que deixaram a Inglaterra por não terem podido destruir as torres, cruzes e sinos das catedrais. Para o yankee é a Europa, inclusive a Inglaterra, um território indômito e contaminados pelas relíquias da Ortodoxia ou do Papado: Catedrais, calvários, torres, sinos, etc E tanto se lhe dá que o maometano de cabo do poder o Papa romano... ou dos Bispos...

O próprio papado encarou as coisas desse jeito, no século XV, com relação a Ortodoxia. A atual visão dos EUA outra não é em nossos dias com relação ao papado... Pois existe certa unidade de mente, como assinalamos entre o protestantismo e o islamismo. Destarte o que não pôde o protestantismo fazer ou completar na Europa, é esperado que seja feito pelo islã, quero dizer a destruição do símbolo.

Digo mais - A introdução do islã nos territórios Ortodoxos e romanistas é uma plataforma comum aos EUA, ao sionismo, aos comunas e aos anarcos e quiçá a única plataforma comum que teem eles, por ódio a Cristandade histórica... Os protestantes ressentem por não terem eliminado a igreja romana do mapa ou convertido os Ortodoxos, os sionistas esperam algum alívio caso os jihadistas avancem na direção da Europa, os comunas e anarcos esperam apoio político por parte dos muçulmanos - A ONU e a maçonaria executam e os governantes safados se deixam comprar...

Quem perde é o povo europeu, sejam romanistas, Ortodoxos ou liberais honestos, envolvidos pelos apóstolos da sharia. Quem perde são os cidadãos livres. Quem perde são aqueles que estão em posse de algum direito outorgado por lei. Assim as mulheres, os homossexuais, as minorias religiosas... E os amigos das artes, da ciência e da democracia; da civilização enfim ou do que lhe resta.

Portanto precisamos defender a América latina, quanto ao imperialismo protestante e a Europa, quanto ao imperialismo árabe, enfim quanto a ambas teocracias ou totalitarismos. Ambos fantasmas ou abutres, que ameaçam a civilização, precisam ser ousadamente combatidos.

No entanto antes de entrar nesse assunto - Da resistência ao protestantismo e ao islã, devo aborda de passagem as relações entre o Cristianismo nascente ou a Igreja primitiva e o paganismo ou nossa ancestralidade. Ressaltando que, apesar do 'fantasma' do judaísmo ou da cultura semita, não foi ela totalmente negativa\negacionista, mas em parte assimilacionista.

Já porque a ideia de um Deus encarnado - Fundamento e centro da fé Cristã. - sendo procedente dos céus, não tem afinidade alguma com o judaísmo antigo (Cuja mentalidade estava voltada para a transcendência absoluta ou para uma divindade apartada do mundo material.) e sim com o paganismo. Portanto se algum protestante ou judaizante tem algo contra o paganismo que se faça ariano, unitário ou muçulmano uma vez que a ideia de que deuses se façam mortais ou gerem filhos humanos é pagã e de modo algum semita. 

Não é a doutrina da mãe de Deus que é pagã como afirmam os protestantes mais ingênuos - Pagã é a ideia de que Deus se faça ser humano, repito. E no entanto tal é o fundamento pétreo de nossa fé uma vez que, segundo o Evangelho escrito, o fundador do Cristianismo reivindicou para si a natureza divina (Disse que julgaria os mortais no último dia, que perdoava pecados, que não tinha pecado, etc), merecendo por isso ser classificado como pagão e idólatra pelos judeus...

Eis porque não foi o Cristianismo antigo absolutamente iconoclástico ou negativo quanto ao paganismo antigo. Radical e intransigente face ao politeísmo e suas representações - Enquanto foram elas objeto de adoração. - não anatematizou a arte ou seja a pintura, a escultura, a arquitetura, a poesia, a música e o canto, apropriando-se de cada uma dessas expressões com o objetivo de abrilhantar a adoração verdadeiro. De modo que a adoração ao Deus encarnado Jesus Cristo foi provida de uma expressão estética ausente tanto no judaísmo e no islamismo, e assim nas seitas protestantes filhas da reforma.

É algo que se justifica facilmente nos padrões opostos a Encarnação. Outro o caso da religião em que a divindade tornou-se visível, audível e palpável no complemento de sua natureza humana. Ao encarnar-se o Deus Cristão entra no acesso dos sentidos e se torna perceptível. E como todos os aspectos de nossa condição foram os sentidos santificados pelo mistério da Encarnação, e assim a percepção humana.

Adoramos em espírito decerto ou guiados pela razão, pela mente, pela consciência, mas adoramos no corpo santificado pela Encarnação e pelo Batismo, e adoramos pelo corpo ou através dele, não fora dele ou como espíritos puros. É o espírito princípio e fonte do culto verdadeiro que prestamos no corpo. Por isso expressamos esse ato interno do espírito por meio de um aparato simbólico externo.

Adoramos em espírito e verdade e o fundamento de toda verdade é a Encarnação que santifica nossos corpos e que nos autoriza a empregar uma linguagem simbólica e gestual. Quanto a isto estamos de acordo com os odiados pagãos e não com os judeus ou com os muçulmanos, pois ao contrário deles adoramos um Deus encarnado e não um ente descarnado ou puramente espiritual.

É Deus Espírito e por isso o princípio da adoração é interno, derivado do sentimento, do afeto, do amor... E no entanto esse mesmo Deus que é Espírito puro, ao assumir e santificar um corpo material, sanciona o emprego do corpo na adoração. 

Daí a presença de arte no padrão apostólico, no catolicismo, na Ortodoxia. É nosso Deus Bom, verdadeiro e belo. Deve, nossa adoração, ser boa (Impedindo aqueles que estão fixos no mal ou no pecado de exerce-la.), verdadeira (Pela afirmação dos Mistérios da fé.) e bela, em seu aparato material e simbólico: Ícones, círios, incenso, gestos, ordenação de palavras, poesia, canto, etc

Eis porque, nossos excelentes ancestrais, conduzidos pelos apóstolos, tomaram aos pagãos, seus ancestrais, todos esses ofícios e capacidades e colocaram-nos ao serviço do Deus verdadeiro, de sua parentela, de seus apóstolos, de seus membros... Do que resultou um Calendário eclesiástico ordenado, uma liturgia simbólica e soberbas catedrais com cúpulas e torres encimadas por cruzes e adornadas com sinos. E esses ofícios solenes, executados através dos séculos em cada catedral constituem um hino de glória ao mistério da Encarnação.

Por isso, na medida em que as estátuas e pinturas dos deuses foram cessando de ser cultuadas não tivemos problema algum em conserva-las, de reconhecer o belo que há nelas e de mante-las, não como algo religioso ou sagrado, porém enquanto obras de arte. Ao contrário dos muçulmanos os cristãos não precisam destruir os vestígios dos deuses antigos pelo simples fato de não serem mais adorados. 

E o resultado disto é que não apenas podemos como devemos conservar esse legado artístico nos espaços a que chamamos Museus com o objetivo de apreciar sua beleza. Pois ainda que tais obras não tenham sido postas a serviço da verdade, ao menos neste mundo sublunar, são aptas para exprimir o belo e exprimindo o belo beneficiar nossas almas. Pois nos alimentamos tanto do belo e da verdade quanto do bem, os quais só se encontram unidos na pessoa de Jesus Cristo.

Enfim essa noção de Bondade, verdade e beleza - Kallocagathia tem uma História, que faz parte de uma dada cultura. É o quanto buscaremos explorar na segunda parte deste ensaio, confrontando com os demais modelos de cultura e sobretudo com a ideologia do relativismo cultural. 


Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc





terça-feira, 27 de julho de 2021

O papa romano e a missa protestante...





Meu S Sócrates, desde quando pode o homem proibir aquilo que é bom?

Nem o Bendito Cristo que Deus é Verdadeiro pode proibir o que bom é.

Pois é Deus nosso 'Sumo bem' o qual não pode repudiar o bem, e querer ou ordenar o mal.

Acaso o que não pode Deus fazer por não poder quere-lo, poderá fazer um apóstolo, um mártir, um doutor ou um patriarca?

Não. A homem algum é lícito ordenar o mal e condenar o bem.

Pois é o bem Lei geral que governa todas as coisas por disposição divina.

Assim ordena o Bom Deus que amemos o bem e odiemos o mal, não o oposto: Amar o mal e odiar o bem é sinal de perversidade.

O papa Francisco no entanto bem parece ter cortado parte do cérebro, a menos que pense com os intestinos, cujas partes no caso fariam grande falta. 

Dirá no entanto o leitor: A que propósito vem esse grego Ortodoxo, ou 'cismático' meter o bedelho nas coisas de Roma?

Boa pergunta e tratarei já de responde-la.

Não é de hoje que existe no seio do Cristianismo um movimento de alienação ou de dessacralização que tem suas fontes no protestantismo radical, o qual fluindo pelo anglicanismo, chegou - Com esse sínodo chamado Vaticano II - a igreja romana, e influencia a Igreja Ortodoxa. Portanto não ser romano ou anglicano não é desculpa para ignorar o quanto de mau o de bom acontece em tais comunhões. Pelo contrário, por sermos ortodoxos devemos prestar máxima atenção ao que ocorre em tais setores, sem dúvida alguma os que se acham mais próximos de nós. É justamente por sermos Ortodoxos que nos ocupamos com tudo quanto se sucede na igreja apostólica de Roma e no alto anglicanismo.

Querendo ou não, gostando ou não, aceitando ou não mais cedo ou mais tarde a Ortodoxia ou os Ortodoxos sentirão o repuxo. Portanto é melhor ficar de atalaia e cerrar fileiras desde já.

Tanto pior quanto sabemos que há cerca de setecentos anos nossos Bispos canalhas, cedendo a pressões advindas do poder político, assentiu em precipitar-se nos braços recém gerados do papado, esse mesmo papado que há meio século, tritura e extermina, sem minimo respeito, suas próprias tradições.

E há uniatas rondando-nos ainda hoje e anunciando as ímpias doutrinas da monarquia e da infalibilidade papal.

E romanistas há, aos milhões, que acompanham e seguem a esse papa protestante... agente do protestantismo, apóstolo da heresia e núncio da apostasia. 

Não chameis a Francisco de novo Lutero. Seria calunioso, pois Lutero jamais adotou esse novo modelo de culto voltado para a assembléia. Nem mesmo de Calvino - O monstro de Genebra! - podeis chamar o Papa romano atual... pois até onde sei, sequer foi Calvino quem adotou esse novo padrão de culto!

Chameis a vosso infalível para de Karlstadt ou de Muntzer, assim de papa anabatista, posto que o nosso padrão de culto, i é, a missa nova, parece ser de origem anabatista.

Graças a divina monarquia papal cessaram os romanos de oficiar o culto fixado pelo Apóstolo S Pedro e codificado, cinco séculos depois, por S Gregório Diálogos, para oficiar um culto anabatista. Graças a Paulo VI, João Paulo II e Francisco rezam os romanos como anabatistas, i é como os mais fanáticos dentre os heréticos. Graças ao Vaticano II imitam os papistas aos sectários mais radicais e assimilam sua maneira de orar, completamente esquecidos quando o dístico: "Lex orandi, lex credendi." 

Assombra-me o fato duma instituição religiosa pugnar contra sua própria forma de culto tradicional.

Nada mais indigno do que condenar a adoração oficiada pelos ancestrais.

No entanto é exatamente isto que o déspota romano acaba de fazer, alias hipocritamente i é atribuindo tal juízos ao episcopado, ao mesmo episcopado ao qual envia instruções recomendando a supressão do velho culto. De modo a preservar sua própria imagem.

Não nos enganemos a propósito de tão indigna, desonesta e covarde manobra 'franciscana' digo francisquiana.

Por que cargas d'água gasta o papa portenho suas energias dando combate a um padrão proclamado imutável por um de seus predecessores (Pio V), ao invés de condenar duma vez por todas os inúmeros crimes  ou como dizem, abusos, litúrgicos de que é objeto a nova missa por parte dos carismáticos ou da RCC, a qual aqui no Brasil, converteu já a nova missa num culto sacrílego de talhe pentecostal???

Tal a pergunta que não quer calar, suscitada pela minha indignação.

Sim, pois apesar de ser Católico Ortodoxo tenho a infelicidade de viver cercado por apostólicos romanos, numa sociedade apostólica romana... Não podendo ser indiferente ao que ocorre ao meu redor. Vez por outra somos convidados a um batizado, a uma crisma, a uma cerimônia fúnebre... e, quase sempre, a contragosto, obrigados a declinar... Pelo simples fato de serem quase sempre cerimônias debochadas de talhe pentecostal. Nada mais avesso, não apenas a Tradição Ortodoxa, mas também a tradição romana!

Nada de mais escandaloso, contraditório, venenoso, ímpio, sacrílego e revoltante do que entrar num templo romano para rezar e ouvir os sons ou melhor os ruídos daquelas baterias e contemplar toda aquela multidão de povo rebolando, pulando e girando junto aos altares, num recinto até pouco tempo encarado como sagrado! Pois crê o homem conforme reza, ora, cultua ou adora. Portanto como admirar-se de que nosso pobre povo esteja a passar numa proporção cada vez maior as seitas pentecostais??? Se permitis oh papa Francisco que imitem aos pentecostais??? Que rezem, cultuem e adorem como sectários protestantes? Que afetem modos de anabatistas??? Em oposição ao padrão apostólico, fixado pela tradição...

Que apostolicismo é esse papa Francisco? 

Que apostolicismo é esse que substitui os paramentos, as alfaias, o incenso, os círios, a água, as cruzes, os estandartes, os sinos, enfim tudo quanto é legitimamente apostólico e Católico, e Ortodoxo, e Cristão por acrobacias protestantes???

Nem romanismo isso é sr Francisco, quando menos Catolicismo!

Pois Cristãos Católicos, Cristãos Apostólicos, Cristãos Ortodoxos, costumam levar adiante a adoração assumida por seus avoengos e não tripudiar dela, proibi-la, dificulta-la, suprimi-la, sob quaisquer alegações! O que se torna ainda mais sinistro quando observemos uma tolerância desbragada face a todos os abusos litúrgicos cometidos por esses padres ambiciosos e avarentos que folgam proceder como pastores pentecostais! Como acreditar em sua boa fé papa Francisco se enquanto o Marcelo Rossi e o Fernando de S Amaro abusam da nova missa vossa alteza lança raios contra a Missa perpetuamente fixada por seu predecessor Pio V???

A descrer na natureza divina de seu cargo e sobretudo em sua infalibilidade, a qual me parece pífia... poderia ou quiçá deveria, enquanto Cristão, supor tua boa fé, honestidade, sinceridade, etc papa Francisco, todavia "Non possumus"... Não posso crer na honestidade, sinceridade e boa fé de alguém que não tem pingo de respeito pela memórias de seus predecessores e ancestrais.

Embora não seja latino ou romano sinto-me imensamente triste diante de tais fatos. Pois acredito na beleza e na função didática do belo... E a liturgia romana, seja a tridentina ou a Gregoriano/petrina é imensamente bela quando dignamente oficiada. 

Por ser Ortodoxo não sou Oriental mas de tradição Ocidental ou latina. Minha cultura é está e nada tenho contra tal padrão de culto, por ser tradicionalmente apostólico e assim Ortodoxo - Claro que me refiro ao Rito Petrino/Gregoriano. Outro o caso do rito Tridentino ou de Pio V, o qual por ser mais recente não deixa de ser belo. 

Lamentavelmente a impressa sempre superficial e as massas desinformadas preferem dizer Missa em Latim. Lamentavelmente algum tradicionalistas se apegam mais a lingua ou ao idioma do que a estrutura do ritual. Concedo que as pessoas devam compreender o que é lido ou cantado. Concordo que a beleza não baste. Devendo esta associado ao conhecimento. Bem o que se tem hoje no novo padrão de culto seja carismático ou libertino - Pois são no mínimo dois. - é o conhecimento de algo feio, banal e vulgar, que em nada edifica ou alimenta o espírito Cristão.

A questão não é de lingua ou sobre latim e jamais deveria ser posta em tais termos. Como a nossa liturgia não pode ser posta em termos de grego ou árabe e sim de ritual, de estrutura ou de beleza; em torno dos elementos já citados: Altar, paramentos, ícones, cruzes, incenso, velas, alfaias, ritmo, etc É isto que se deve preservar como essencial a adoração. Erram os que porventura fixam-se no latim e não no canto gregoriano... Na lingua e não na Kibla i é no Sagrado Altar. 

É questão de estrutura, padrão, modelo, espírito, ritmo, etc Pois é adoração histórica e legitimamente Cristã feita com tais elementos, e não se eles.

É a adoração modernista, inspirada na heresia protestante e na manobra pentecostal, emocionalista. Já a adoração Cristã Católica Ortodoxa ou ainda apostólica é sobretudo simbólica, e enquanto tal destinada a promover sentimentos nobres. 

Quero dizer que bem se poderia diminuir a presença do Latim e decretar o uso de traduções literais no serviço religioso, desde que fossem preservadas as mesmas orações solenes e sobretudo o canto gregoriano. Pois o que se deve preservar antes de tudo, além da direção do Ministro e da congregação para o altar é o canto gregoriano, o qual do ponto de vista meramente humano é uma obra de arte e mais, uma terapia. Supondo que fosse oriental (Sou ortodoxo mas não Oriental!) nem por isso negaria - Por ódio ou birra - a beleza do canto gregoriano e sua capacidade para elevar as mentes ao Sagrado.

Outro o caso do barulho, do som ou do ruído que dispersa o ser humano ao invés de interioriza-lo. Outro o caso do movimento acelerado de membros e corpos, que torna as pessoas ainda mais agitadas. Outro o caso de mensagens puramente emocionais que nada contém ou ensinam em termos de doutrina.

Por isso é chocante que esses cultos pentecostais, que muitos chamam atrevidamente de missas, passem batidos ao defensor da fé enquanto que o rito de seus ancestrais exaspera-os. Eis algo que não posso entender. Esse amor ao novo associado pelo ódio ao antigo - Que há nisso de Católico ou mesmo de apostólico romano? Posto que fomos ensinados a amar o que é antigo ou tradicional enquanto oriundo dos apóstolos e a odiar as novidades profanas concebidas pelo homem.

Independentemente a fé ou da crença percebo que o papa Francisco combate por um mundo mais feio, banal e vulgar, segundo a receita moderna ou modernista. E não posso portanto louva-lo ou mesmo deixar de censura-lo e sobretudo de acautelar nossos ortodoxos encantados com as 'luzes' de Roma...

Que pode haver de divino num hierarca que pugna ferozmente contra a tradição autenticamente Cristã e que insinua estarem equivocados os nossos ancestrais? Acaso não eram os apóstolos, mártires e padres bem orientados? Então porque adotar um padrão de culto recente de origem anabatista ou protestante? Qual o sentido disto? Mormente quando sabemos que as pessoas creem como rezam ou o que rezam...

Que pode haver de infalível num ser leviano que atraiçoa as tradições legadas por seus predecessores e assume valores procedentes de uma outra fé, da fé inimiga?

Para que precisam os nossos Ortodoxos de papa ou mestre supostamente infalível? Para guia-los ao protestantismo e faze-los apostatar? Para faze-los berrar como loucos, saltar sobre os altares, rebolar, tremer, babar, virar os olhinhos... numa só palavra: Para ensandece-los??? Para dispersa-los, para desorienta-los e desliga-los da cultura de seus ancestrais? 

De fato há na ortodoxia, e lamentamos por isso, muita gente ritualista e superficial... Não o negamos, antes esperamos, meio do ritual, conecta-los ao sentido da fé. Fazer com que passem da casca a polpa, e venham a degustar o Evangelho de Cristo ou enfim a saborear as coisas divinas. Nossos defeitos devemos honestamente assumir e buscar corrigi-los.

Agora nem por isso, devido a possíveis excessos, sacrificaremos nosso ritual simbólico ou a conotação histórica do culto. Nem por isso haveremos de fomentar delírios insanos em pessoas instáveis. Nem por isso haveremos de chegar ao transe ou a pajelança... A exemplo do papa Francisco, o qual ao invés de tentar tornar a adoração modernista tanto menos grotesca cuida fulminar aqueles que fiéis ao espírito da religião limitam-se a fazer o que deve ser feito, assim a manter viva a adoração posta em prática por seus ancestrais. Apesar de seus defeitos e vícios (Como o moralismo/puritanismo) sob tal aspecto ao menos eu as admiro.

Que saibam os papistas reconhecer quem são seus verdadeiros inimigos... e portanto a dizer Sim a tradição e ao padrão de culto adotado por seus ancestrais, e a dizer Não, e um sonoro Não ao papa Francisco... 

Afinal nem mesmo Deus pode proibir o que é bom e belo ou abençoar o quanto seja mau ou feio. A missa antiga é sem dúvida boa e bela, enquanto de esse novo culto carismático é ímpio, feio e portanto sacrílego. 




sábado, 31 de dezembro de 2016

Religiões: Sintomas de vida e morte... A agonia do Cristianismo e o fim da civilização humanista II







No entanto como disséramos, nem sempre fora assim.

A respeito da moralidade conjugal por exemplo, indicamos a título de leitura as obras de Charboneau (Pe) e do consagrado literato Morris West.

Apenas para resumir direi que a igreja antiga tolerou o concubinato, concedeu carta de divórcio sem maiores dificuldades, considerou o abandono no lar como equivalente a dissolução do vínculo... Já o ocidente medieval foi conivente com a masturbação (Pedro Damião foi o primeiro a condena-la no século XI), tolerou quando não incentivou - em algumas sociedades - o sexo antes do casamento, admitiu que o sexo oral enquanto preparativo para o coito não era pecaminoso, etc cf John Boswell "Cristianismo, tolerância social e homossexualidade" 1980)

Tovadia na medida em que um número cada vez maior de homens era forçado a abraçar o monacato contra a própria vontade, multiplicavam-se tanto os atos de masturbação, quanto os de homossexualismo e pederastia, o que naquele contexto implicava pecado de infidelidade. Na medida em que o Império romano esboroava-se e que bárbaros teutônicos e jihadistas muçulmanos massacravam os soldados e destruiam as cidades, certo número de homens espertos era levado a buscar paz e segurança nas comunidades monásticas. Nas quais havia relativa imunidade, comida, sossego... mas não mulheres. O que levava os não vocacionados e oportunistas a 'pecar' contra a castidade. Não porque a sexualidade fosse encarada como má, mas porque tais pessoas havia feito voto a Deus.

Tendo em vista o saneamento de tais males a igreja optou por recrudescer sua posição levando tais condenações, sobre matéria sexual, até os leigos. Pois se conseguisse disciplinar os leigos e afasta-los de certas práticas sexuais até então autorizadas ficaria mais fácil obter candidatos sóbrios e disciplinados para o monacato. Esta decisão implicava, ao menos até certo ponto, em 'monacalizar' a sociedade profana. Inaugurando um novo ethos sexual, um ethos repressor.

Portanto a adoção de normas sexuais mais rígidas por parte da Igreja decorreu não de ilações teológicas mas duma realidade social externa a si. Da dissolução das estruturas sociais, inclusive da própria família e duma situação de agitação e angústia que estavam empurrando as massas sem perspectiva para as organizações monacais, do que resultará o declínio do ideal e sucessivas crises de identidade. Pois parte daqueles homens e mulheres estava adotando um tipo de vida para o qual não tinham a mínima aptidão, um tipo de vida superficial e aparente, enfim um tipo de vida assumido não por amor mas por cálculo.

Em seus estertores finais parte da Sociedade antiga internou-se nos mosteiros pondo em perigo a velha e consagrada disciplina. Diante disto a igreja optou pelo contra ataque e de fato revidou tornando bem mais rígido o código sexual vigente e assumindo uma perspectiva cada vez mais puritana.

Parte dos leigos no entanto, jamais se deixou colonizar e resistiu ao cabo dos séculos.

Tal o caso do Ocidente ou da igreja latina.

Parte daquela sociedade, herdeira da cultura greco romana, mostrou-se infensa e irredutível face as condenações da igreja.

E por conta das profissões religiosas meramente formais ou forçadas a 'imoralidade' por assim dizer, apossou-se cada vez mais das 'casas de Deus'. Em que pesem as ameaças e maldições do alto clero parte da sociedade medieval continuou a encarar a sexualidade sob uma perspectiva puramente natural e a transar tal e qual seus ancestrais.

Pelo século XV desta Era não era apenas a maior parte da sociedade ocidental, mas parte considerável do clero ocidental que se entregava sem maiores escrúpulos as delícias da carne e dir-se-ia que a igreja romana fora cooptada e vencida pelo orgasmo. No entanto aquela mesma sociedade achava-se fragmentada e havia - enquistado nela - um setor poderosamente influenciado pelo judaísmo antigo e pelo maniqueísmo representados pelo Bispo Agostinho. Este setor encarava a outra parte da sociedade como pervertida e a igreja como corrupta, mas estava determinado a redimi-las, restaurando (???) a boa e velha disciplina e retomando o ideal de monacalizar a sociedade.

Foi este setor que alimentou e apoiou a revolução protestante e como já dissemos, esta tendência corporificou-se na pessoa do teólogo francês João Calvino.

Ocioso seria discorrer aqui sobre a disciplina imposta por Calvino aos infelizes genebrinos. Ali tudo era definido em termos de sobriedade: música, dança, comida, bebida, traje, vocabulário, sexualidade, etc Ao invés do Catolicismo ter se encarnado neste mundo pela implantação do amor, da bondade, da justiça, da solidariedade, a tolerância, da paz, etc o que se encarnou em nome do Cristo, na Genebra do século XVI, foi o espírito do farisaismo nos mesmos termos em que a sharia dos muçulmanos. Cf Zweig 'Uma consciência contra a violência' e Pierre van Paasen 'Nestes tristes dias' 

Nem precisamos dizer que a igreja romana, muito mal avisada, foi no reboque.

Afinal Calvino não cessava por um instante seque - exatamente como nossos sectários - de apelas aos escritos dos antigos judeus ou ao que chamava de 'Bíblia'. O que conferia certo prestígio a sua cruzada moralista, mesmo entre os Católicos...

Ao fim deste tenebroso caminho a igreja romana apresentou mais uma vez ainda o maniqueismo e o puritanismo em termos metafísicos e essencialistas e revestiu-os com um aparato dogmático que chegou a causar inveja nos setores mais obscuros do protestantismo, uma vez que este sistema, marcado pelo livre exame, não se revelava suficientemente impermeável e eficaz entre os europeus. Possibilitando sempre uma outra interpretação tanto mais suave ou mesmo liberal. A igreja romana por instinto refugiou-se mais e mais na cova do moralismo a ponto de apresentar-se como sua campeã e redentora da sociedade européia, sem imaginar que estava a tragar veneno e a suicidar-se espiritualmente.

A igreja romana assumiu uma causa que não era sua e tornou-se odiada, enquanto parte do protestantismo conseguiu manter seus 'créditos'.

No entanto desde as primeiras décadas do século passado assomaram lá na Europa católica certas vozes discordantes, as quais jamais puderam ser caladas e tornaram-se cada vez mais fortes, até formarem, mais uma vez, um setor, o setor do liberalismo moral. Em maior ou menor medida parte dos católicos mais esclarecidos acabaram assimilando as opiniões de S Freud e numa perspectiva teológica semi liberal e ao mesmo tempo sociológica puseram-se a denunciar a judaização da fé e o agostinianismo como equívocos.

Tanto na Europa quanto nos EUA este setor tornou-se emblemático justamente por trazer em seu bojo o pressuposto a ideia de que a cultura judaica - ao menos em seu todo - não é sagrada e por colocar em cheque a querida teoria da inspiração plenária ou linear com sua imagem artificial de um 'Corão Cristão'. Em certo sentido os Críticos da moralismo tendem a questionar mais e mais os posicionamentos dos profetas, de Paulo, de Agostinho, etc e a fixar seu ideal de moralidade no Evangelho ou seja nas palavras de Jesus Cristo autor da fé e fundador da Igreja. Implica isto uma compreensão correta ou exata de cultura...

No entanto semelhante tipo de compreensão não é nem poderia ser comum a toda Igreja e a uma igreja gigantesca somo a igreja romana (podemos dizer o mesmo das igrejas Ortodoxa e anglicana). Pois esta sempre na dependência da instrução e do esclarecimento.

Eis porque a afirmação dos romanismos (e mesmo dos Catolicismos!) latino americano, africano e asiático e o declínio dos romanismos europeu e norte americano colocam em situação de risco o setor do liberalismo moral e a própria tradição legítima da igreja, ora ignorada por seus próprios filhos e substituída por um ethos de origem protestante ou calvinista.

Agora para compreender-mos o que tem acontecido e poderá acontecer com a igreja romana de amanhã, devemos considerar historicamente a Igreja Católica Ortodoxa e sua relação com o mundo islâmico. Em termos de dinamismo cultural essa análise é não apenas esclarecedora mas fundamental.

Antes de abordar esta passagem cultural feita pela Ortodoxia gostaria de enfatizar, ainda mais uma vez, o caráter liberal da modalidade cristã bizantina e não encontro exemplo mais do que a Instituição da Adelphopoeisis (apud Boswell "Casamentos de semelhança ou uniões entre pessoas do mesmo sexo na Europa pré moderna" 1994 ingl). Boswell era filólogo e poliglota conhecedor de dezessete linguas e Católico praticamente de missa diária. Ademais seus argumentos a respeito da relação amorosa existente entre os soldados e mártires S Sarkis e S Bacus é perfeitamente aceitável se considerarmos que os antigos hagiógrafos descrevem-nos como Erastai o que nos remete em termos clássicos a efebia.

Da mesma maneira a instituição tradicional dos validos eunucos foi tolerada durante todos século IV e por quase cem anos após o édito de Milão. Havendo quem diga que sua condenação e a primeira condenação oficial da homossexualidade pela igreja - datada de 390 - deve-se antes de tudo ao apoio dado pelos eunucos a causa ariana. O que nada teria a ver com a malignidade essencial do homo erotismo. De fato um dos principais esteios do arianismo foi Eusébio, eunuco de Constantino e mordomo da porta do palácio imperial. cf S Atanasio, Escritos

Sem embargo disto a Adelphopoeisis chegou sem maiores problemas ao século XIX. Quiçá 'purificada' de seu aspecto sexual.

Enquanto a moralidade Ortodoxa passava por sucessivas e drásticas transformações, ficando por assim dizer 'islamizada'.

Importante compreender que religião alguma é impermeável a influência das demais. Assim como o Romanismo hodierno protestantizou-se, houve situações em que islamizou-se tal como o Catolicismo Ortodoxo. O que poderá repetir-se!

Não foi sem maiores razões que o fenômeno da Inquisição espanhola, foi atribuída tanto a judaização ou ao influxo do antigo testamento no contesto Cristão, quanto a influência do islã com sua murtad e sua jihad. Instituições assimiladas e canonizadas pelo romanismo espanhol.

O próprio espírito das Cruzadas fugindo ao aspecto defensivo - numa perspectiva social e política - que o gestará e por assim fizer degenerando também deve ter contribuído a sua parte. No entanto todas essas relações culturais em torno da violência e a agressão remetem necessariamente ao islã. Embora tenham sido alimentadas ou endossadas pela leitura dos escritos judaico 'cristãos'.

No entanto esclareçamos previamente que seja islamizar.

Islamizar é o mesmo que judaizar, i é, manter a fé cristã ou mesmo Católica e assumir costumes ou modos de vida judaicos ou muçulmanos.

O que até certo ponto é perfeitamente possível ou lícito. Exceto quanto a alguns aspectos da Ética a fé Católica não proíbe ou sequer condena a adoção da cultura judaica ou da cultura árabe muçulmana bem como de qualquer outra cultura no plano da natureza. Herética seria a afirmação de que tal gênero de vida seja superior aos modos de vida dos demais fiéis. Não havendo tal pressuposição sempre seria lícito ao Católico adaptar-se socialmente, especialmente quando pressionado.

Tal o caminho trilhado primeiramente pela Ortodoxia.

Por isso que diversas de nossas igrejas ortodoxas> Siríaca, Assíria, Copta ou mesmo Bizantinas islamizaram-se ou arabizaram-se em maior ou menor grau. Tais Cristandades mantiveram a fé imaculada e o rigor teológico, assumiram no entanto uma moralidade muçulmana e consequentemente maniqueísta, puritana, machista e homofóbica...

No entanto tais valores não são legitimamente Cristãos ou autênticos.

É a vida vivida por esses grupos Cristãos muçulmana, e a custa de adaptarem-se vivem já sob uma meia sharia, que é uma introdução a sharia.

Mantiveram a fé apenas mas não o sentido completo ou espírito da vida Cristã e incorporaram diversos preconceitos pertencentes aos padrões semitas de cultura.

Assim como já vivem parte do islã, fica fácil para eles trocar uma teoria por outra e assumir 'in totum' a crença maometana

Passam aqueles Cristãos em maior ou menor número ao islã e apostatam justamente porque suas vidas são já em parte reguladas por aquela crença e envenenadas pelo espírito da transcendência absoluta e do moralismo.

E não há como negar que sejam meio muçulmanos, apesar da fé.

Como há no Ocidente os sectários judaizantes por causa da Bíblia.

Grosso modo podemos dizer que quando a fé não da sentido da vida e não é vivida morre.

Morre entre os papistas protestantizados e entre os Ortodoxos islamizados!

Até extinguir-se por completo.

Por outro lado a vivência do Cristianismo integral, com sua Ética revolucionária, seria utopia e absolutamente impossível numa Sociedade islâmica.

Na medida em que suscitaria o ódio dos muçulmanos e determinaria sua aniquilação.

Alias norma e regra é não chocar os agarenos, e portanto...

A assimilação torna-se absolutamente necessária.

E de tal modo se concretiza que a existência de minorias cristãs nos países muçulmanos passa desapercebida aos olhos dos próprios cristãos que porventura la estejam.

A sombra do islã converteu-se a fé Ortodoxa noutro sistema de moral estreita, arbitrária, conservadora ou moralista, e até hoje tem sérios problemas para lidar com isto e não consegue superar este modelo acanhado e mesquinho mesmo quando inserida em alguma sociedade Ocidental. Dir-se-ia que o ethos islâmico criou raízes na Ortodoxia e que isto e simplesmente monstruoso.

Tal o dilema> O romanismo no Ocidente protestantiza (e consequentemente judaíza) enquanto no Oriente a fé Ortodoxa islamiza... predispondo-se a morte.


Continua