O texto a seguir é de H.L. Mencken texto esse que ele detona o criacionismo e aquilo que mais tarde viria a ser chamado de D.I.
LUGAR DO HOMEM NA NATUREZA
Como já disse, a teoria antropomórfica do mundo revelou-se absurda diante da moderna biologia — o que não quer dizer, naturalmente, que um dia a tal teoria será abandonada pela grande maioria dos homens. Ao contrário, estes a abraçarão à medida que ela se tornar cada vez mais duvidosa. De fato, hoje, a teoria antropomórfica ainda é mais adotada do que nas eras de obscurantismo, quando a doutrina de que o homem era um quase-Deus foi no mínimo aperfeiçoada pela doutrina de que as mulheres eram inferiores. O que mais está por trás da caridade, da filantropia, do pacifismo, da “inspiração” e do resto dos atuais sentimentalismos? Uma por uma, todas estas tolices são baseadas na noção de que o homem é um animal glorioso e indescritível, e que sua contínua existência no mundo deve ser facilitada e assegurada. Mas esta ideia é obviamente uma estupidez. No que se refere aos animais, mesmo num espaço tão limitado como o nosso mundo, o homem é tosco e ridículo. Poucos bichos são tão estúpidos ou covardes quanto o homem.
O mais vira-lata dos cães tem sentidos mais agudos e é infinitamente mais corajoso, para não dizer mais honesto e confiável. As formigas e abelhas são, de várias formas, mais inteligentes e engenhosas; tocam para a frente seus sistemas de governo com muito menos arranca-rabos, desperdícios e imbecilidades. O leão é mais bonito, digno e majestoso. O antílope é infinitamente mais rápido e gracioso. Qualquer gato doméstico comum é mais limpo. O cavalo, mesmo suado do trabalho, cheira melhor. O gorila é mais gentil com seus filhotes e mais fiel à companheira. O boi e o asno são mais produtivos e serenos. Mas, acima de tudo, o homem é deficiente em coragem, talvez a mais nobre de todas as qualidades. Seu pavor mortal não se limita a todos os animais do seu próprio peso ou mesmo da metade do seu peso — exceto uns poucos que ele degradou por cruzamentos artificiais —, seu pavor mortal é também daqueles da sua própria espécie — e não apenas de seus punhos e pés, mas até de suas risotas.
Nenhum outro animal é tão incompetente para se adaptar ao seu próprio ambiente. A criança, quando vem ao mundo, é tão frágil que, se for deixada sozinha por aí durante dias, infalivelmente morrerá, e essa enfermidade congênita, embora mais ou menos disfarçada depois, continuará até a morte. O homem adoece mais do que qualquer outro animal, tanto em seu estado selvagem quanto abrigado pela civilização. Sofre de uma variedade maior de doenças e com mais frequência. Cansa-se ou fere-se com mais facilidade. Finalmente, morre de forma horrível e geralmente mais cedo. Praticamente todos os outros vertebrados superiores, pelo menos em seu ambiente selvagem, vivem e retêm suas faculdades por muito mais tempo. Mesmo os macacos antropóides estão bem à frente de seus primos humanos. Um orangotango casa-se aos sete ou oito anos de idade, constrói uma família de setenta ou oitenta filhos, e continua tão vigoroso e sadio aos oitenta quanto um europeu de 45 anos.
Todos os erros e incompetências do Criador chegaram ao seu clímax no homem. Como peça de um mecanismo, o homem é o pior de todos; comparados com ele, até um salmão ou um estafilococo são máquinas sólidas e eficientes. O homem transporta os piores rins conhecidos da zoologia comparativa, os piores pulmões e o pior coração. Seus olhos, considerando-se o trabalho que são obrigados a desempenhar, são menos eficientes do que o olho de uma minhoca; o Criador de tal aparato ótico, capaz de fabricar um instrumento tão cambeta, deveria ser surrado por seus fregueses. Ao contrário de todos os animais, terrestres, celestes ou marinhos, o homem é incapaz, por natureza, de deixar o mundo em que habita [1919 (N. T.)]. Precisa vestir-se, proteger-se e armar-se para sobreviver. Está eternamente na posição de uma tartaruga que nasceu sem o casco, um cachorro sem pelos ou um peixe sem barbatanas. Sem sua pesada e desajeitada carapaça, torna-se indefeso até contra as moscas. E Deus não lhe concedeu nem um rabo para espantá-las.
Vou chegar agora a um ponto de inquestionável superioridade natural do homem: ele tem alma. É isto que o separa de todos os outros animais e o torna, de certa maneira, senhor deles. A exata natureza de tal alma vem sendo discutida há milhares de anos, mas é possível falar com autoridade a respeito de sua função. A qual seria a de fazer o homem entrar em contato direto com Deus, torná-lo consciente de Deus e, principalmente, torná-lo parecido com Deus, Bem, considere o colossal fracasso desta tentativa. Se presumirmos que o homem realmente se parece com Deus, somos levados à inevitável conclusão de que Deus é um covarde, um idiota e um pilantra. E, se presumirmos que o homem, depois de todos esses anos, não se parece com Deus, então fica claro imediatamente que a alma é uma máquina tão ineficiente quanto o fígado ou as amígdalas, e que o homem poderia passar sem ela, assim como o chimpanzé, indubitavelmente, passa muito bem sem alma.
Pois é este o caso. O único efeito prático de se ter uma alma é o de que ela infla o homem com vaidades antropomórficas e antropocêntricas — em suma, com superstições arrogantes e presunçosas. Ele se empertiga e se empluma só porque tem alma — e subestima o fato de que ela não funciona. Assim, ele é o supremo palhaço da criação, o reductio ad absurdum da natureza animada. Não passa de uma vaca que acredita dar um pulo à Lua e organiza toda a sua vida sobre esta teoria. É como um sapo que se gaba de combater contra leões, voar sobre o Matterhorn ou atravessar o Helesponto. No entanto, é esta pobre besta que somos obrigados a venerar como uma pedra preciosa na testa do cosmos. É o verme que somos convidados a defender como o favorito de Deus na Terra, com todos os seus milhões de quadrúpedes muito mais bravos, nobres e decentes — seus soberbos leões, seus ágeis e galantes leopardos, seus imperiais elefantes, seus fiéis cães, seus corajosos ratos. O homem é o inseto a que nos imploram, depois de infinitos problemas, trabalho e despesas, reproduzir.
-1919
H. L. Mencken - in O Livro dos Insultos - seleção, tradução e posfácio por Ruy Castro.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Ceticismo inverso
Um exemplo de céticos invertidos são os criacionistas que negam a Teoria da Evolução porque esta põe em xeque a narrativa da criação descrita nos dois primeiros capítulos de Gênesis. É engraçado eles acreditarem nessa narrativa que não apresenta evidência alguma de que o mundo foi criado em seis dias por Deus (não nego que Deus tenha criado o universo, sou cristão mas não abandonei minha racionalidade). Eles acreditam no Gênesis sem qualquer evidência e rejeitam a Teoria da Evolução com todas as suas evidências.
O ceticismo é uma dúvida que o cético se permite quando alguém lhe apresenta algo sem provas para que este possa evitar ser enganado. O cético exige evidências caso contrário continuará duvidando, o ceticismo acaba quando se lhe apresentam evidências. No caso dos fundamentalistas religiosos eles creem sem evidência alguma mas duvidam do mundo real, do mundo natural com todas as suas inumeráveis evidências. Duvidam que haja evolução, outros duvidam que existam placas tectônicas e que estas se movem. Duvidam da ciência médica e de seus métodos apesar das evidências de que funcionam mas creem em água benta, em orações de cura, etc...
Do mesmo modo os homeopatas duvidam da medicina convencional (que está arraigada na ciência) mesmo tendo evidências de sobra para apresentar, mas os homeopatas não duvidam da homeopatia que não apresente sequer uma evidenciazinha. Outro tipo de cético invertido são os ufólogos e esotéricos, os primeiros acreditam que são visitados por extra-terrestres e são conspiracionistas, os últimos creem que em profecias, como a tal profecia maia do fim do mundo e negaram na época a refutação da NASA e claro, continuam a negar quaisquer fatos científicos enunciados pela agência espacial norte-americana. Eu tive a desventura, o desprazer de conhecer uma figura folclórica que se dizia ufólogo, o professor Luciano Pera Houlmont que disse ter sido abduzido, que transou com uma E.T e até tem uma filha meio humana e meio humanóide. Mostrou-me mapas de Marte apontando figuras de vários formatos e nenhuma simetria e ora dizia que eram naves, ora dizia que eram cavernas onde eles (os ETs) se escondiam. Quando eu lhe disse que aquilo era besteira, o professor encasquetou com sua tese, eu me limitei a sorrir zombeteiramente e lhe disse que um dos maiores cientistas mundiais Carl Sagan que era interessado pelo tema de vida inteligente em outros planetas, negou ou pelo menos duvidou que ETs tivessem visitado à Terra já que não há evidências e disse:
“Se nós mesmos estamos explorando nosso sistema solar, se somos capazes, como somos, de enviar nossas próprias espaçonaves não apenas a outros planetas em nosso sistema solar como além de nosso sistema solar, para as estrelas, então seguramente outras civilizações, caso existam, milhares ou milhões de anos mais avançadas que nós, devem ser capazes de alcançar a viagem espacial interestelar muito mais facilmente.
E em nenhum momento nego tal como uma possibilidade. Eu enfatizaria que a economia de esforço é muito maior para a comunicação por rádio que através da comunicação direta por espaçonaves interestelares. Eu argumentaria que você pode transmitir sinais a milhões ou bilhões de mundos simultaneamente, rapidamente, de forma barata, de uma forma que seria mesmo a uma civilização muito avançada muito mais difícil e oneroso fazer através de espaçonaves interestelares.
Contudo, eu certamente não excluiria a possibilidade de que a Terra está sendo ou já foi visitada. Mas precisamente porque tanto está em jogo, precisamente porque esta é uma questão que engloba emoções poderosas,nós devemos neste caso exigir apenas os mais escrupulosos padrões de evidência“. — de “The Varieties of Scientific Experience”, ou “As Variedades da Experiência Científica“. ¹
Nota: ¹ Carl Sagan sobre visitas extraterrestres - publicou o texto Kentaro Mori no site Ceticismo aberto.
sexta-feira, 28 de março de 2014
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Evolucionismo X criacionismo na escola
Fiz dois mapas mentais, um mostrando as bases do criacionismo e o outro mostrando as evidências do evolucionismo, poucos alunos (os mais inteligentes) aceitaram a explicação da teoria da evolução, a maioria ficou revoltada como era de se esperar porque isso atingia em cheio a sua fé baseada em mitologias de 2ª categoria.
Os alunos fundamentalistas, clientes das seitas neo-pentecostais começaram a gritar que era mentira, que o Gênesis estava certo, que a ciência era mentirosa e coisas do gênero. Pedi que me dessem evidências de que o livro do Gênesis falava a verdade e como não me deram as evidências comecei a questioná-los sobre o livro da capa preta (bíblia): Perguntei o porquê do Criador ter feito as plantas antes do Sol uma vez que as primeiras dependem do último para fazer fotossíntese. Perguntei também: Por que Deus não criou a água? Pois no texto do Gênesis, não diz que Deus criou a água mas tão somente que um vento de Deus soprava sobre as águas. (Gn1,2)
Depois demonstrei como o Design Inteligente (DI) não tem sustentação num debate sério. Se existe um desenho inteligente por que temos o dente siso que não serve para nada? Qual é a razão de ser do apêndice? Por que os avestruzes tem asas que não tem função alguma? Que projetista iria desenha algo sem propósito, sem finalidade? Ainda perguntei a um adolescente muito arrogante metido a pastor se Adão tinha umbigo e como pôde ter umbigo se não tinha mãe, pois o umbigo não é um enfeite mas onde se ligava o cordão umbilical por onde o feto era alimentado.
Os jovens criacionistas pediam evidências do evolucionismo e citei apenas os fósseis que mostram mudanças numa dada espécie.
Os argumentos usados (chamo de argumentos por comiseração) eram Ad hominem, Ad baculum, Ad Verecundiam (Deus disse, está na Bíblia) entre outras falácias.
Em meio a gritos de é mentira e de perguntas: "o senhor é ateu?", "o senhor não crê na Bíblia?" cumpri meu dever porque fiz alguns questionarem a mitologia semita e estimulei a curiosidade científica neles, e depois vi esses poucos defenderem com coerência a teoria da evolução com os mesmos argumentos que tinha usado antes e com outros argumentos novos.
Como professor sinto que é o meu dever desmistificar visões anti-científicas e combater o fundamentalismo religioso cujos frutos são as superstições e a intolerância.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Eli Vieira pulveriza argumentos de pastor metido a sabichão
Eli Vieira pulverizou os argumentos do pastor Silas Malafaia, fundamentalisa bíblico da Assembleia de Deus, Silas Malafaia foi entrevista por Marília Gabriela, o programa foi ao ar dia 03 de fevereiro de 2013.
sábado, 9 de abril de 2011
Quem disse que passarinho não tem consciência?
Durante muitos séculos o homem se gabou de ser a imagem e semelhança de Deus e eis que desde que a Teoria da Evolução se impôs ao mundo contemporâneo, isso se desfez, porque com a Teoria da Evolução surgiram outras ciências, e uma dessas ciências é a etologia que estuda o comportamento dos animais. No vídeo acima o pássaro demonstra ter consciência, isto é, de se reconhecer no espelho, de ter um "eu", e o pássaro usa o espelho para limpar uma marca amarela que os pesquisadores puseram em seu pescoço.
Para quem tiver interesse em assistir aos outros filminhos clique em PloS Biology, v.6 n.8, e202, 2008
sábado, 17 de julho de 2010
Apenas uma mera teoria?

Um católico romano afirmou o seguinte: Não custa lembrar, que tanto a Teoria da Evolução como a da Seleção das Espécies, ainda que geniais e ainda que amplamente aceitas, não passam de Teorias.Não estou negando-as, quero deixar bem claro.Mas nego o caráter de verdade científica indiscutível que desfrutam.
É isso o que acontece quando desavisados se põem a falar da Teoria da Evolução. Isso demonstra que o palpiteiro de plantão não sabe nem o que é a Teoria da Evolução, nem Teoria, nem hipótese, enfim é um analfabeto científico.
O problema de certos religiosos é que eles pretendem acomodar a ciência à teologia para que o seu Javé, deu Éden, seus Adão e Eva fiquem salvaguardados. Isso para não falar da meia evolução, que é a doutrina que postula que a igreja aceita a evolução da matéria, mas não a do espírito, esse é posto por Deus diretamente no corpo. Pelo menos nesse caso, para os católicos romanos, Deus não fica de braças cruzados sem fazer nada.
Mas para quem realmente deseja saber o que é uma teoria, recomendo o artigo da Wikipédia e este outro artigo aqui.
A Teoria da Evolução é uma "mera" teoria né? E a infalibilidade do papa que nem é mera hipótese?
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Os animais e sua inteligência

Já escrevi e pus vídeos sobre a inteligência animal: A inteligência dos animais e Analfabetismo científico, pois são assuntos que muito me interessam. Visto que nós humanos somos parentes de todos os animais (e plantas e demais seres vivos).
Hoje penso que o homem só poderá se conhecer melhor se conhecer o comportamento dos outros animais, pois guardamos ainda que de modo tênue nossas forças atávicas.
No último domingo enquanto eu ia à São Paulo para assistir a missa ortodoxa da Igreja Copta, e antes que alguém me pergunte, respondo antecipadamente, eu sou cristão ortodoxo sim, Dobzhansky também era e nem por isso deixou de ser menos darwinista. Mas como eu estava dizendo, enquanto estava na van que se dirigia à São Paulo, aproveitei o tempo para ler um artigo da revista National Geographic Brasil de março de 2008. (Eu gosto de ler revistas antigas e dai?)
E a revista forneceu-me dados interessantes que comprovam que os animais são sem sombra de dúvida inteligentes, como já postulava Charles Darwin em meados do século XIX.
O senso comum há muito sabe que os animais tem inteligência e sentimentos conforme a revista: "Bem, qualquer pessoa que já teve ou tem algum animal de estimação discordaria. Reconhecemos o amor no olhar de nossos cães e, é óbvio para nós, que eles tem pensamentos e emoções" (pág 36).
Mas o senso comum não basta para que um fato seja reconhecido como científico, se bem que o senso comum pode ser um caminho para a ciência.
Falemos um pouco desses animais fantásticos. O papagaio-cinza-africano Alex contava distinguia cores, formas e tamanhos; tinha entendimento básico do conceito abstrato de zero.
O Bonobo - O jovem Kanzi começou a desenvolver sua habilidade lingüística por conta própria - enquanto observava os cientistas que treinavam sua mãe. Hoje com 27 anos, o bonobo "conversa" usando mais de 360 símbolos em seu tabuleiro e entende milhares de palavras faladas. Ele forma sentenças e produz ferramentas de pedra - modificando sua técnica de acordo com a dureza da rocha. E toca piano (já fez improvisações com o músico Peter Gabriel). "Se convivermos com os bonobos por 15 gerações", diz William Fields, "os bonobos vão ficar menos bonobos, e os seres humanos, menos seres humanos. No fim das contas, não há tanta diferença assim entre nós." Fields está analisando as vocalizações de Kanzi: "É possível que esteja falando em inglês, só que num ritmo rápido e num tom agudo demais para que possamos entender".
O Golfinho - Imitadores magistrais, dotados de excelente memória e boa compreensão de vocabulário e sintaxe, os golfinhos são ágeis em termos cognitivos e comportamentais. De acordo com Louis Herman, "eles possuem grande cérebro generalista, como o nosso. E podem manipular seu mundo para obter o que querem."
Rato Inteligente - Não vá logo gritando que nojo. Os ratos são surpreendentemente inteligentes e, de fato, bem parecidos conosco. Eles dão risada quando alguém faz cócegas neles. São sociáveis, apreciam o sexo e até anseiam por ele. Também conhecem seus próprios limites intelectuais, o que se chama metacognição, um traço que, acreditava-se ser limitado aos primatas. Em testes de áudio em que ratos foram recompensados pelas respostas corretas, não ganharam nada pelas incorretas e receberam uma pequena recompensa por admitir "não sei", optaram pelas guloseimas mais certas (porém em menor quantidade) de "eu não sei" quando não estavam muito confiantes sobre sua resposta. Nada mal para as criaturas fétidas dos esgotos.
Saguis inteligentes - Quando jovens, os saguis-comuns aprendem o que comer observando os mais velhos e, como os grandes primatas, podem imitar as ações - uma das formas mais complexas de aprendizado. (Eles têm até uma noção de "permanência de objeto": sabem que algo que não enxergam continua existindo.) Mas, segundo Friederike Range, a dificuldade de manter a concentração por período longo talvez impeça os primatas de desenvolver comportamentos mais complexos.
O Polvo - Dotados de cérebro volumoso e tentáculos ágeis, os polvos são conhecidos por fechar suas tocas com pedras e se divertirem lançando jatos d'água em alvos de plástico (a primeira brincadeira de um invertebrado que se conhece) e nos pesquisadores. E podem também exprimir emoções básicas por meio de mudanças de cor, diz Roland Anderson, do aquário de Seattle.
Abelhas - As abelhas melíferas há muito surpreendem os cientistas com seus comportamentos sociais (fazer uma dança para dar indicações de como chegar a uma fonte de alimento, trabalhar em sintonia com milhares de companheiras de colméia, assumir tarefas especializadas tanto dentro quanto fora da colméia). Sua memória complexa também é notável: as abelhas são capazes de aprender e memorizar caminhos locais, pontos de referência e a época em que várias plantas diferentes florescem - permitindo assim que visitem o mesmo local no dia seguinte, na mesma hora, o que aprimora sua eficiência em juntar suprimentos.
Para Darwin o ser humano é produto da evolução não apenas o seu corpo mas também a sua inteligência. Por isso se o homem quiser compreender sua inteligência, seu comportamento terá que recorrer a Teoria da Evolução. A revista National Geographic Brasil edição de março de 2008 na página encontramos o texto que se segue: "O revolucionário Charles Darwin, que tentou explicar como se desenvolveu a inteligência humana, estendeu sua teoria da evolução ao cérebro humano: tal como o restante de nossa fisiologia, também também a inteligência deve ter evoluído de organismos mais simples, uma vez que todos animais enfrentam os mesmos desafios gerais associados à vida. Eles precisam acasalar-se, encontrar alimento, orientar-se na mata, no mar ou no céu - tarefas que, argumentou Darwin, dependem da capacidade de resolver problemas e pensar por meio de categorias".
Mas no início do século XX, os cientistas não mais levaram à sério essa proposição de Darwin, para eles os animais outra coisa não eram do que máquinas sem sentimentos e sem inteligência. Erro crasso! Mas a ciência caminha através de erros e acertos, ela não é dogmática como a religião que acha que não deve revisar nada. Mas voltando ao tema, sem a proposição de Darwin os cientistas não tinham como explicar o surgimento da inteligência humana, ficaram num dilema e tiveram que recorrer novamente à Darwin.
Não preciso dizer que essas descobertas sobre a inteligência e emoção nos animais desagradam aos fundamentalistas que acham que são "o último biscoito do pacote" né? Mas fatos são fatos e contra fatos - já diziam os positivistas - não há argumentos.
Sei que nesta postagem me estendi muito e não quero ser desagradável ao leitor sempre generoso que acompanha este blog, mas não posso deixar de compartilhar uma curiosidade, com o amigo leitor que aborda o sentimento nos animais, para ser mais preciso a depressão que levou muitos animais ao suicídio. O blog Arquivos do Insólito traz uma matéria feita pelo jornal O Globo realizada em agosto de 1979 sobre essa coisa inaudita que é o suicídio entre os animais, quem quiser ler o artigo, pode clicar aqui e depois julgar sobre a matéria.
Agora deixo o leitor na companhia de sua curiosidade epistemológica e das perguntas que surgiram durante a leitura deste texto. Eu vou mas que fique a minha mensagem de amor e respeito por nossos irmãos os animais.
domingo, 16 de maio de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Não converse enquanto come. Isso só vale para répteis!

Não é uma felicidade para você não ficar surdo nas horas das refeições? Certamente que é. Você ouve enquanto mastiga devido a evolução que os ouvidos dos mamíferos sofreram. Paleontólogos encontraram na China fóssil de animal que ajuda a explicar a evolução dos ouvidos, o animal extinto foi batizado de Maotherium Asiaticus, ele viveu onde hoje é o noroeste da atual China. O animal era muito parecido com esquilos e o que chama a atenção nele, são os ouvidos que tem certa semelhança com os ouvidos dos mamíferos atuais. Na verdade, seus ouvidos são uma forma intermediária entre os ouvidos dos répteis e os ouvidos dos mamíferos. Seus ouvidos são meio répteis e meio mamíferos.
Os ouvidos dos mamíferos são os mais desenvolvidos dentre todas as espécies. Se não houvesse essa evolução dos ouvidos dos mamíferos, certamente ao comermos ficaríamos momentaneamente surdos. Nos répteis os ossos dos ouvidos estão ligados à mandíbula, enquanto nos mamíferos os miniossos (bigorna, martelo e estribo) estão separados.
A evolução dos ouvidos foi essencial para que os mamíferos pudessem sobreviver naquele mundo e também no mundo atual. Segundo estudiosos, os mamíferos que conviviam com os dinossauros saíam à noite para caçar, e para isso a evolução dos ouvidos foi fundamental para captar sons de insetos e de perigos iminentes.
Não existe nada mais fantástico do que a evolução. Não precisamos de explicações mirabolantes para entender o mundo físico. Quanto ao mundo sobrenatural nada posso falar porque nunca estive lá, penso que exista, mas sei que isso é mera especulação, metafísica, mas concedo-me o direito de especular.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Professor revela mitos e verdades sobre Charles Darwin
Um vídeo com pouco mais de três minutos, onde o professor Nélio Bizzo, da faculdade de educação da USP, consegue uma façanha inaudita: falar sobre Darwin e sua vaigem no navio Beagle, sobre criacionismo, e que teísta não significa necessariamente criacionista, nem ateísmo é sinônimo de evolucionismo.
O professor ainda diz que todos os seres vivos hoje são produtos da evolução. Dizendo pouco num tempo brevíssimo, disse muito porque disse profundamente.
O professor ainda diz que todos os seres vivos hoje são produtos da evolução. Dizendo pouco num tempo brevíssimo, disse muito porque disse profundamente.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Um exemplo de cientista e de cristão

O Padre George Coyne é um verdadeiro exemplo de homem equilibrado, mesmo sendo religioso defende a Teoria da Evolução e diz que a ciência não tem como provar a existência de Deus e essa mesma ciência também não pode dizer que Deus não existe. Pois o objeto da ciência é a matéria, e se Deus existe ele não pode ser verificado justamente por ser imaterial.
O padre Coyne tem admiradores até mesmo entre os ateus e céticos tal a seriedade de sua postura como cientista e religioso. O padre Coyne demonstrou que não existe conflito entre a fé e a ciência. Ele é (o padre Coyne) um tapa na cara dos criacionistas e um tapa na cara dos ateus que dizem que cristãos evolucionistas são incoerentes ou que são todos burros e fanáticos. (Não são todos os ateus que dizem isso, mas há quem afirme.)
Leia a entrevista que o padre George Coyne concedeu à Folha de São Paulo aqui. E outra entrevista pode ser lida aqui.
Caso queira ler mais entre a relação cristianismo e evolucionismo sugiro os seguintes links, publicados aqui mesmo: O Cristianismo e a Teoria da Evolução e
Cristianismo e Teoria da Evolução II .
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Cristianismo e Teoria da Evolução II
Santo Agostinho embora não fosse um evolucionista no sentido como conhecemos hoje disse:
"Segundo o que eu penso, Deus, no início, criou todos os seres ao mesmo tempo, uns realmente, outros nos seus princípios... Assim como uma semente contém de uma maneira invisível tudo mo que deve desenvolver-se com o tempo numa árvore, assim nós devemos imaginar que o mundo, no momento em que Deus criou simultaneamente todas as coisas, continha virtualmente e casualmente as coisas que a terra produziu antes que se desenvolvessem no tempo, como nós as conhecemos". DE GENESI AD LITTERAM
Segundo o testemunho de Ernst Mayr, Dobzhanski foi o maior evolucionista do século XX, e ele era cristão ortodoxo.
"Dobzhanski não era um adepto da ideologia do acaso e da necessidade. aceitava, é certo, uma teoria com essas características na sua síntese evolutiva, mas não deixava que ela pervertesse sua visão do mundo. Aproveito a ocasião para revelar um fato. quando cheguei aos Estados Unidos, pela primeira vez, em 1955, tive a oportunidade de assistir ao casamento da filha única do casal Dobzhanski em uma igreja ortodoxa russa e, ali, no meio da cerimônia, vi o cientista fazer o sinal da cruz no estilo ortodoxo. Nunca me esqueci desse fato. Na época, eu era um agnóstico marcado pelo preconceito de que um cientista não podia ter uma visão religiosa do mundo. aquele gesto simples de Dobzhanski permanece até hoje - luminoso e transparente - na minha lembrança.
Fonte: MAIA, Newton Freire-. Criação E Evolução Deus, o acaso e a necessidade. p.341-342. Vozes, Petrópolis, 1986.
"Segundo o que eu penso, Deus, no início, criou todos os seres ao mesmo tempo, uns realmente, outros nos seus princípios... Assim como uma semente contém de uma maneira invisível tudo mo que deve desenvolver-se com o tempo numa árvore, assim nós devemos imaginar que o mundo, no momento em que Deus criou simultaneamente todas as coisas, continha virtualmente e casualmente as coisas que a terra produziu antes que se desenvolvessem no tempo, como nós as conhecemos". DE GENESI AD LITTERAM
Segundo o testemunho de Ernst Mayr, Dobzhanski foi o maior evolucionista do século XX, e ele era cristão ortodoxo.
"Dobzhanski não era um adepto da ideologia do acaso e da necessidade. aceitava, é certo, uma teoria com essas características na sua síntese evolutiva, mas não deixava que ela pervertesse sua visão do mundo. Aproveito a ocasião para revelar um fato. quando cheguei aos Estados Unidos, pela primeira vez, em 1955, tive a oportunidade de assistir ao casamento da filha única do casal Dobzhanski em uma igreja ortodoxa russa e, ali, no meio da cerimônia, vi o cientista fazer o sinal da cruz no estilo ortodoxo. Nunca me esqueci desse fato. Na época, eu era um agnóstico marcado pelo preconceito de que um cientista não podia ter uma visão religiosa do mundo. aquele gesto simples de Dobzhanski permanece até hoje - luminoso e transparente - na minha lembrança.
Fonte: MAIA, Newton Freire-. Criação E Evolução Deus, o acaso e a necessidade. p.341-342. Vozes, Petrópolis, 1986.
O Cristianismo e a Teoria da Evolução
Tenho aqui alguns textos que escrevi há um bom tempo e gostaria de compartilhar com meus leitores. Quero demonstrar que é possível ser cristão e evolucionista, mas é impossível ser cristão e ser apegado a fábulas judaicas, já desmentidas pela arqueologia, geologia, etc...
Seguem os textos:
Já no longínqüo ano de 1929 escrevia o abade Moreux:"Em resumo: o que o dogma católico condenará sempre como oposto radicalmente à fé é a doutrina da evolução absoluta, com a negação da criação; mas de fato, o criacionismo se alia perfeitamente com certa evolução: evolução no mundo inorgânico, transformação da matéria; evolução no reino vegetal, donde espécies extintas tem sido tem sido substituídas por outras a miúdo melhor organizadas; evolução no mundo animal, com a condição expressa de não derivar a alma humana do animal meramente sensitivo"."a posição do católico com respeito à evolução se precisa muito claramente: salvaguardar a Deus e a alma humana"."Podem tranquilizar-se meus leitores. Nada tem a ver com o dogma católico, com o evolucionismo, ainda aplicado ao mundo vegetal e animal, desde que se respeite a criação da alma humana por um ato especial de Deus.A mesma filosofia não se acha precisamente interessada no debate; que haja uma evolução no reino vegetal e algo pareido no reino animal, são questões de ciência pura e há que se deixar aos sábios que se dediquem em paz as suas investigações sobre esses pontos particulares".
"A evolução tomada como hipótese científica, - diz o Pe. Wassman -, considera as três atuais espécies de animais e plantas não como formas criadas diretamente por Deus, mas como resultado final das múltiplas mudanças que experimentaram as espécies que existiram nos períodos geológicos anteriores.A evolução tão pouco estuda a origem da vida, mas limita-se a invstigar as relações genéticas que medeiam entre as espécies sistemáticas, gêneros e famílias, e esforça-se por catalogá-las ordenadamente segundo sua antiguidade.É uma das muitas teorias, e baseia-se em várias hipóteses entre si harmônicas, que oferecem uma explicação muito provável da origem das espécies orgânicas. Seria pueril negar a Teoria da Evolução só porque as espécies não evolucionam à nossa vista"."Trata-se de uma hipótese, e os sábios são livres em discitir os múltiplos problemas que tem originado.Como a Bíblia não é um livro de texto para estudar ciências, não deve recorrer-se à ela como árbitro supremo para decidir"."A evolução não contradiz o que os católicos opinam sobr a vida.O Padre Von Hammerstein escreve: 'Se o Criador, em vez de criar as espécies animais na forma que atualmente tem, fez que chegassem à ela por evolução lenta de umas espécies noutras, nem por isso o seu poder e sabedoria seriam menos admiráveis. Embora, portanto, a teoria da evolução, dentro de certos limites, fosse certa, far-se-ia sentir mesmamente a necessidade de um Criador, pois sempre seria necessária uma Causa-Prima da evolução das espécies orgânicas. É como se um jogador de bilhar quisesse mandar cem bolas em diferentes e determinadas direções.Que seria mais admirável: golpear uma das cem bolas de per si, enviando-as à meta desejada; ou golpear uma só e esta batendo noutras e estouta noutra, e assim sucessivamente, todas chegassem sem desvio ao ponto prefixo?'".
Bibliografia: CONWAY, Bertrand L. Caixa de Perguntas. Edição da União Gráfica, Lisboa, 1957.MOREUX, Abade Th. Los Confines de La Ciencia y de La Fe. M. Aguillar Editor, Madrid, 1929.PINILLOS, José Luis. Segredos da Vida Mental. Editorial Verbo, Lisboa, sem data.
Seguem os textos:
Já no longínqüo ano de 1929 escrevia o abade Moreux:"Em resumo: o que o dogma católico condenará sempre como oposto radicalmente à fé é a doutrina da evolução absoluta, com a negação da criação; mas de fato, o criacionismo se alia perfeitamente com certa evolução: evolução no mundo inorgânico, transformação da matéria; evolução no reino vegetal, donde espécies extintas tem sido tem sido substituídas por outras a miúdo melhor organizadas; evolução no mundo animal, com a condição expressa de não derivar a alma humana do animal meramente sensitivo"."a posição do católico com respeito à evolução se precisa muito claramente: salvaguardar a Deus e a alma humana"."Podem tranquilizar-se meus leitores. Nada tem a ver com o dogma católico, com o evolucionismo, ainda aplicado ao mundo vegetal e animal, desde que se respeite a criação da alma humana por um ato especial de Deus.A mesma filosofia não se acha precisamente interessada no debate; que haja uma evolução no reino vegetal e algo pareido no reino animal, são questões de ciência pura e há que se deixar aos sábios que se dediquem em paz as suas investigações sobre esses pontos particulares".
"A evolução tomada como hipótese científica, - diz o Pe. Wassman -, considera as três atuais espécies de animais e plantas não como formas criadas diretamente por Deus, mas como resultado final das múltiplas mudanças que experimentaram as espécies que existiram nos períodos geológicos anteriores.A evolução tão pouco estuda a origem da vida, mas limita-se a invstigar as relações genéticas que medeiam entre as espécies sistemáticas, gêneros e famílias, e esforça-se por catalogá-las ordenadamente segundo sua antiguidade.É uma das muitas teorias, e baseia-se em várias hipóteses entre si harmônicas, que oferecem uma explicação muito provável da origem das espécies orgânicas. Seria pueril negar a Teoria da Evolução só porque as espécies não evolucionam à nossa vista"."Trata-se de uma hipótese, e os sábios são livres em discitir os múltiplos problemas que tem originado.Como a Bíblia não é um livro de texto para estudar ciências, não deve recorrer-se à ela como árbitro supremo para decidir"."A evolução não contradiz o que os católicos opinam sobr a vida.O Padre Von Hammerstein escreve: 'Se o Criador, em vez de criar as espécies animais na forma que atualmente tem, fez que chegassem à ela por evolução lenta de umas espécies noutras, nem por isso o seu poder e sabedoria seriam menos admiráveis. Embora, portanto, a teoria da evolução, dentro de certos limites, fosse certa, far-se-ia sentir mesmamente a necessidade de um Criador, pois sempre seria necessária uma Causa-Prima da evolução das espécies orgânicas. É como se um jogador de bilhar quisesse mandar cem bolas em diferentes e determinadas direções.Que seria mais admirável: golpear uma das cem bolas de per si, enviando-as à meta desejada; ou golpear uma só e esta batendo noutras e estouta noutra, e assim sucessivamente, todas chegassem sem desvio ao ponto prefixo?'".
Bibliografia: CONWAY, Bertrand L. Caixa de Perguntas. Edição da União Gráfica, Lisboa, 1957.MOREUX, Abade Th. Los Confines de La Ciencia y de La Fe. M. Aguillar Editor, Madrid, 1929.PINILLOS, José Luis. Segredos da Vida Mental. Editorial Verbo, Lisboa, sem data.
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