Mostrando postagens com marcador sentido. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sentido. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas II



Nos domínios do absurdo



Isto parece aterrador, não ter mais sentido... Diz meu amigo.



Não parece aterrador, bom amigo. É... Simplesmente é.

E já lhe digo que caso este sentido necessário, dependa de algo transcendente, também este algo transcendente fica sendo absolutamente necessário. Não somos responsáveis pela questão do materialismo e o tema do ateísmo tocarem ao sentido da existência ou melhor por essas ideologias destruírem o sentido, encaminhando o homem ao nihilismo, ao absurdo e ao desespero total. Até destruírem o homem, fazendo com que abandone decididamente uma farsa que jamais devería ter sido iniciada. Julgo alias que uma doutrina cujo o fim último seja a decepção, a frustração, o tédio, a auto alienação e a neurose, deva ser revista com todo cuidado.

É o caso do ceticismo crasso, é pura teoria, não serve para a vida, não tem sentido vital, não pode ser vivido ou praticado. Assim o nihilismo...

Aqui chegamos a Camus, com sua teoria do absurdo.

Pois o caos, o acidental ou o absurdo é que se opoem ao sentido.Caso abdiquemos do sentido temos de chegar a loucura. Afinal por que qualquer outro aspecto da existência teria direção ou sentido num quadro geral de absurdidade? Michel Foucault, Gatarri, Derrida e outros não brincaram quando tentaram quebrar as barreiras entre normalidade e loucura... Se tudo é absurdo como estigmatizar a loucura. Afinal condenamos a loucura em nome de um certo sentido a que chamamos normalidade. Os pós modernistas foram coerentes ao avançarem do absurdo a anormalidade generalizada ou a loucura. 


Não fica mal ao pós modernismo e o irracionalismo negarem o sentido, como negam a própria empiria e a própria ciência segundo suas respectivas cosmovisões.

O problema aqui é o cientificista, que - apesar de Kant - afeta objetivismo enquanto acesso a certa dimensão da realidade, encontrar-se com o irracionalista e pós modernista apenas para negar o sentido e canonizar o absurdo.

Levando o absurdo a sério


Aqui outra arbitrariedade uma vez que o pós modernista nega absolutamente tudo, mergulhando no subjetivismo crasso, enquanto que o positivista faz um recorte arbitrário e nega apenas o sentido geral da existência reservando o absurdo para o fim. Sem perceber que afirmando o absurdo metafísico torna sua própria ciência absurda. E pouco se nos dá que esse mesmo homem dê com os ombros e declare: Eis tudo que temos! Afinal a ciência no tempo presente é privilégio de uns poucos enquanto as multidões que se arrastam pela terra caminham para a dissolução e o nada. Se as migalhas de felicidade de que dispomos dependem do conhecimento científico a condição humana é bastante deplorável.

Ah, mas minha ciência não é absurda! Querido caso o princípio seja acidental ou fortuíto e o fim igualmente sem sentido algum, como crer que o meio. Mas compreendo como é difícil para vocês abandonar a única consolação ilusória de que dispõem, i é a objetividade cientifica face a crença no absurdo total corajosamente proclamada pelos pós modernista.
E no entanto este homem auto consciente e racional demanda pelo sentido, busca por um sentido, persegue o sentido... como uma mariposa lança-se as chamas da lamparina dirá certo pensador ateísta.

Psicologicamente, seja para Jung, Frankl, Allers e tantos outros teóricos o encontro do sentido corresponde a própria sanidade mental e sua negação a uma fonte de neuroses.

Para um grupo seleto de seres humanos


Compreendo que pessoas saudáveis, bonitas, jovens, limpas e bem nutridas desdenhem do sentido, que afirmem ser tal busca ociosa, a razão um verme e absurdo tudo quanto nos envolva.

Desde que haja casa, comida, roupa lavada e certa felicidade a negação do sentido pode ser viável ou mesmo tentadora. No entanto a maior parte dos seres humanos vive sob condições distintas e ouso duvidar que um tal tipo de ensinamento - apto para satisfazer pessoas realizadas e felizes - pudesse ser seriamente enunciado num Hospital, num Asilo, num Orfanato ou mesmo numa Favela... A absurdidade da vida é doutrina bastante restrita e parece não contemplar as necessidades existenciais ou psíquicas da maior parte dos seres humanos.

Os termos finais da 'bela' doutrina...


Foi apenas após a trigésima cirurgia que Freud pode abdicar por completo da esperança e descreve-la como um verme, pouco antes de recorrer ao clorofórmio e deixar o palco ou picadeiro da vida.. Raras são as esperanças de que um jovem que nega categoricamente o sentido da existência chegue a extrema velhice após uma série de vicissitudes e calamidades.

Werther de Goethe sequer precisou envelhecer ou passar por problemas de ordem material para sucumbir ao peso de uma existência sem qualquer sentido, e o simples ceticismo, bem como o agnosticismo - para não falarmos em materialismo e ateísmo - tem sido suficientes para levar ao suicídio um número cada vez maior de cidadãos escandinavos. Onde um aluvião de suicídios tem acompanhado os passos da ideologia nihilista, o que por si só basta para excluir qualquer análise superficial e forçada em termos de clima, afinal o clima tem sido estável há centenas de anos e o aumento dos suicídios um fenômeno relativamente recente que tem acompanhado a cultura. Tampouco passam eles por qualquer problema mais sério a nivel de organização econômica ou social. As condições de vida são as melhores do planeta, e a taxa de suicídios também, bem como as afirmações em torno do nihilismo, do absurdo e da total falta de sentido.

No entanto para que precisariamos ir a Escandinávia quanto temos Elvis Presley, Jacqueline Onassis, Bob Marley, Janis Joplin, Michael Jackson, Amy Winehouse e outras centenas de multi milionários precipitando-se como mariposas nas chamas de uma lamparina, após terem declarado explicitamente em diversas entrevistas que a vida não possuía qualquer sentido e que a  existência era absurda, Ah mas eles se drogavam ou embriagavam... Tente peguntar-se por alguns instantes sobre o pôrque deles desejarem fugir a existência. Antes de declarar que se drogavam ou embriagavam forçados pelos genes. Psicologicamente falando a falta de sentido e a conclusão pelo absurdo tem sido uma porta a berta para o consumo de bebidas ou de entorpecentes, mas a farsa dura pouco, afinal como diz Vintila Horia, pela droga o homem encontra a si mesmo e seu imenso vazio, vazio existência, vazio de ser... E põem fim a farsa.



Mais contradições - O Homem e a ideologia inumana


O curioso aqui é que o homem olhe para dentro de si mesmo e 
demande por sentido. Olhe para fora de si e encontre teorias muito mal feitas, prontas para dizer-lhe - Não pergunte por isso! Não peça isso? Não pense nisso!

Mas, este homem não se conforma com a negação do sentido a que persegue.

Tece questionamentos. Apenas para ouvir que são imponderáveis e que deve se contentar com o fardo da própria ignorância.

Aspira por uma dimensão ética da existência. Dizem que ela não existe...

E este homem comum não pode viver absurdamente ou fazer o que bem quer. Do contrário vai preso com base em critérios éticos e morais sem 'sentido', e é morto como Ravachol...

Tudo porque alguns indivíduos ricos e bem nutridos, e felizes tem a posse das armas e do poder, uma vez que não existe bem e mal fora dos indivíduos e que somos regidos por instintos ou genes egoístas... E ainda sim punidos ou castigados quando os obedecemos irresistivelmente. Assim a legislação fala em delitos e crimes, embora uma determinação genética ou um impulso sendo natural, não possa ser criminoso.

"Te devoro obrigado por minha natureza." Eis o que diz o monstro do filme, vermes rastejantes, a uma de suas vítimas a ser devorada.

Pobre homo sapiens... pobre animal racional!

A negação da Estética e o desprezo pela beleza.


Aspira por uma dimensão estética da vida, mas; as verdades 'puras' que abraça estão desvinculadas por completo do Bem e da Beleza, são frias e feias e por isso não lhe oferecem poemas, óperas, peças de teatro, pinacotecas, partenons e catedrais; declarando tudo isto artificial, ocioso, supérfluo e absurdo. A esfinge, o Alhambra e o Tja Mahal são frutos de uma fé... As universidades europeias, como Nápoles, Salamanca, Paris, Cambridge, Oxford, Lovaina... de uma fé e de uma Filosofia, tal e qual os Dialogos de Platão. Igualmente frutos da fé são Ilíada, a Odisséia, a Divina Comédia, o Paraíso perdido, os Lusíadas, a Jerusalém libertada, a Messiada e o Orlando furioso. A paixão de S Mateus e os Oratórios de Haendel. O Duomo de Florença, a Piazza de S Marcos e o campanário de Ulm, bem como a catedral de Colônia. Para não falarmos na Hagia Sophia ou em La Madeleine. A fé inspirou as encantadoras obras de um Ary Scheffer, a mitologia a pena de um Virgílio, de um Ovídeo, de um Estácio, de um Terêncio ou de um Propércio. Foram homens de fé ou de reflexão Sóflocles, Ésquilo, Eurípedes, Plauto, Gil Vicente, Shakespeare, Corneille, Racine e Molière. Assim a sensibilidade ímpar de um Fédro, de um Esôpo ou de um La Fontaine tampouco procedeu da vossa ciência positiva ou melhor da ideologia materialista ou da metafísica dawkiniana. O cientificismo tem sido esteticamente estéril, e parece não preocupar-se nem um pouco com isto...

A negação da Ética ou o desprezo pelo bem

Escusado seria falar nos orfanatos, asilos, escolas, hospícios, hospitais, albergues, dispensários, etc que o cientificismo nem erigiu no passado nem cuida ou porfia erigir no tempo presente. É verdade de a legítima ciência empírica, produz técnica. Mas não é menos verdade que esta técnica entregue ao mercado é negociada ou vendida como qualquer outra coisa, convertendo-se a magnífica ciência que endeusa em fonte de lucro ou renda para ele. Consequentemente imensas vastidões do planeta, como certas paragens da África e da Ásia, jamais são tocadas por essa técnica arrojada. Mesmo os pobres das Américas dificilmente tem acesso a elas. Tendo de recorrer ao pastor ou ao xamã (curandeiro). Exceto quando algum grupo de religiosos ou de humanistas compram os aparelhos (a técnica) e movidos por sentimentos 'duvidosos' transportam-na a tais remotas paragens. Consciência, empatia, alteridade, identificação, solidariedade, é coisa que o cientificismo parece não produzir.

Os medievos e nós - A nossa crise


Os medievos a que costumamos lançar paus e pedras costumavam preocupar-se mais do que nós com o homem. Multidões de monges e freiras, sem asseio ou técnica buscavam servir aos enfermos e a minorar-lhes os sofrimentos. Por falta de ciência - e por isso dizemos que a ciência é muito importante - e técnica não havia recursos em abundância, mas havia boa vontade e sincero desejo de ser útil. Os recursos humanos no entanto sobejavam e a crise era meramente material. No tempo presente temos a ciência que produz uma técnica refinada e doentes morrendo as baldas sem assistência nas periferias, ruas, praças ou a fila do SUS. Temos recursos suficientes para curar muito mais gente bem como para erradicar a fome do planeta, e mesmo assim - milhões morrem de fome e outros tantos de doenças 'curáveis'. Agora qual a razão disto? Simples. Hoje sobeja m recursos técnicos e materiais e faltam recursos humanos ou boa vontade. A nossa crise é muito pior do que a medieval porque humana, produto de um egoísmo, de uma insensibilidade, de uma desumanidade e de uma falta de ética que nossa ciência é impotente para solucionar.

"A ignorância é uma benção."


Temos supostas verdades positivas ou metafísicas cientificistas mas elas estão definitivamente apartadas da Beleza e do Bem, e este homem emancipado do século XXI é um ser fragmentado.

Tudo por quanto este ser racional aspira é avaliado ficção, ilusão ou engano pelos gurus da modernidade.

Mas não chegamos ao fundo do poço. E segue o drama supremo!
Pois este homem é consciente... auto consciente. A respeito do que sonha, aspira, quer...

E do quanto lhe negam ou dizem ser utópico, pretensioso, impossível...

Imagine por um instante uma borboleta ou uma águia, que possua asas perfeitas e não possa erguer-se do solo e cortar as nuvens... Para que ter asas? Para que servem as asas???

E no entanto estes anima
is tem, muito provavelmente, o benefício da ignorância ou da inconsciência.


Acaso não será melhor ser um 'frustrado' ou um fracasso natural sem ter consciência disto?

Mas, oh azar, na evolução sofreu uma hipertrofia e brindou-nos com esse cérebro que não só sabe afetar os modos de uma mente como fazer perguntas irrespondíveis.

Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e outros dramaturgos clássicos diriam que tudo isto é pateticamente trágico, mas nossos positivistas a tudo assistem sorrindo qual o desenrolar de umas das comédias de Aristófanes!

Uma bananeira que não produz bananas jamais conhecerá a infelicidade deste homem tolhido em suas legítimas aspirações, pois não foi amaldiçoada com o apanágio da auto consciência


Consciente este homem se sentirá frustrado e frustrado se tornará neurótico.

Equívoco consciente produzido pela sorte, pelo acaso ou pelo giro dos átomos eis tudo quanto é ele. Um acidente... Um aborto??? Não o sabemos! Ignorabimus!

Comunicar o absurdo...


 

Uma coisa porém julgo saber.
 

Dificilmente alguém que estivesse de fato convencido sobre o absurdo da existência ou o nihilismo, ousaria reproduzir-se, procriar ou por filhos no mundo a menos é claro que declare ser escravizado pelos genes. Do contrário seria cruel...

Afinal para que comunicar uma existência absurda a outrem, já diziam os sensatos Sartre e Simone. Para que prolongar a farsa???

Como dizer honestamente a uma criança que todos somos fruto de um acidente de percurso e que a vida é um absurdo? Como declara-lo a um jovem que passa por uma crise existencial.

Grosso modo os filhos desta geração esperam ser fruto de um planejamento  ou de algo previsto, desejado, acalentado e previamente amado, não duma camisinha furada ou de uma pílula que não funcionou. No entanto, como produtos da sorte ou do acaso, somos todos nós, seres humanos, resultados duma camisinha furada! E você ousará comunicar essa existência absurda a outrem???

E tudo termina pela mentira!




É ai que entra em cena ou darwinismo com sua nova ética ou o Dr Wilson, para ensina-lo que a mentira é um fator evolutivo e incita-lo a enganar seu filho, exatamente como os católicos desencontrados ensinam aos seus o mito grosseiro do gênesis ou como os demais cidadãos que ensinam seus filhos a esperar pelo Papai Noel ou pelo Coelho da Páscoa a cada ano...

Importante é que nossos filhos absurdizados continuem a mentir e mantenham a tradição da mentira, do contrário Werther encarnar-se-a outras tantas vezes sobre a terra.





segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas I




Resultado de imagem para altruismo




Discordar pressupõem variação, e parece indicar complexidade, indeterminação e quiçá liberdade



Discordar é uma atitude rica de significados.

Como há um sem número de ideologias e pontos de vistas diferentes, a variedade parece indicar que de fato não somos comandados ou determinados por genes. A menos que os genes além de tencionados e por consequências conscientes (Ed Husserl) sejam também pensadores ou ideólogos...

A tabela periódica possui uns cento e poucos elementos. Portanto a variação é mínima... Nossas ideias, opiniões, crenças, teorias e visões de mundo, etc superam muito provavelmente o número de nossos genes, afinal são bilhões de seres humanos e não menos de dezenas ou centenas de milhões de seres humanos 'conscientes' experimentando e julgando criticamente o mundo i é produzindo concepções e doutrinas que se cruzam e produzem outras tantas, algumas que materializam -se outras que não se materializam, o que, como diz C G Jung é absolutamente irrelevante.



Um ser que elabora perguntas inoportunas



Veja uma obra de arte por exemplo, seu valor consiste justamente em não ter utilidade alguma, é pragmaticamente um mistério que Steven Pinker, o grande mago, esqueceu de alistar entre seus imponderáveis (a respeito dos quais os gregos tanto ponderaram e tantos homens ilustres ponderam ainda.) Produtos da mesma hipertrofia evolutiva que concedeu-nos um cérebro ou um aparelho cognitivo capaz de elaborar questões que os cientistas - materialistas e neo darwinistas é claro - dizem ser inoportunas ou irrespondíveis. É o que diz Pinker (com Kant) em seu livro 'Como funciona a mente' creio que a pag 256 ou segs onde declara que nosso aparelho cognitivo não foi feito para a verdade (Então como ele sabe que não esta equivocado???)...

A riqueza da cultura é mais ampla do que a riqueza genética.


Após esta digressão o que quis dizer é que nosso universo ou variedade cultural parece bem mais amplo do que nossos genes ou nosso universo genético, assemelhando-se a um turbilhão. Claro que se trata apenas duma hipótese a ser verificada no momento em que todas as ideias ou teorias e concepções humanas venham a ser matematicamente contabilizadas. Mas, como Pascal, faço já a aposta na transcendência da cultura face ao número dos genes. Agora se genes de algum modo produzem ideias (não creio nessa xaropada metafísica chamada memética, cujos devaneios, a contento, revelaremos - A gênese e forma da cultura é totalmente outra) são entidades pensantes, além de possuírem intencionalidade e consciência; e estamos já no reino da Carochinha...


Pinker vs Pinker


Agora veja meu bom amigo, o sr Pinker pronunciando-se categoricamente sobre o que acabara de alistar entre seus imponderáveis, uma vez que tal questão, sobre a possibilidade do conhecimento, é metafísica - qualquer doutrina sobre a validade do conhecimento, ultrapassando a empiria, como o empirismo, é metafisica - e epistemológica. É sempre possível que Pinker, no fim das contas repudie ao princípio de contradição de Parmenides, não o sei. Mas sei que responde a uma questão que alista entre seus imponderáveis... E responde-a da pior maneira possível, com Kant.


Hume e Kant (Jamais saímos disto!)


Kant é uma personagem chave a respeito de tudo quanto discutimos. E citado frequentemente por todos os modernistas como uma espécie de oráculo - 'Magister dixit'. David Hume, de cuja honestidade não podemos duvidar, também declarou que o aparelho cognitivo humano não estava posto para a verdade e por isso repudiou a religião, a filosofia e é claro a ciência, uma vez que a empiria parte dos sentidos. Já antes dele Pirro, Timon, Arcesilas, Carneades, Enesidemo, Montaigne, Vayer, Agripa e outros haviam esposado a mesma tese, que é a do ceticismo. O Ceticismo, nobre amigo, tem uma vantagem, não é arbitrário ou parcial, pois não precisa de um papa ou de uma autoridade dogmática a qual caiba definir a extensão ou o terreno de nossos conhecimentos.

Kant - que era luterano e trazia por baixo de sua epistemologia negativa uma antropologia (Toda Epist pressupõem uma Antropol segundo Ed Husserl) negativa - como declarou Mme de Stael sobre os reformadores, pretendeu ter atingido as colunas de Hércules da epistemologia e pôde dizer a posteridade - Daqui não passarás! Querendo com isso definir a extensão do conhecimento humano ou até onde era possível saber. Pupilo de Lutero ele identificou a razão com a imaginação ou a fantasia, condenando tudo quanto fosse demasiado especulativo, racional ou sutil; (A exemplo das modernas TEORIAS 'científicas'), enfim a metafísica, identificada, mui apressadamente com a ontologia e a teodiceia. No entanto o próprio uso de Metaphisika era ambiguo e isto a ponto de Schoepenhauer descrever o homem como um ser ou animal metafísico.

Chegando a Comte - Seu projeto ético



Comte; o francês, foi quem concluiu pela vaidade do exercício ou da reflexão filosófica de modo geral. E no entanto este homem genial não podia deixar de preocupar-se com o 'para que', com os valores, princípios, critérios e padrões que regem o convívio humano, insistindo dramaticamente sobre a necessidade de se manter ou criar uma Ética. Em certo sentido Comte e Freud são muito parecidos por suas contradições... Seja como for, foi Emílio Litreé, segundo papa positivista, que declarou a Ética ociosa ou desnecessária (por aquela época já não se falava em Estética). Os positivistas herdaram o aborto mas a humanidade clamou e clama por uma ética, e não por qualquer ética.


As promessas de Litreé...


Litreé é quem assume a teoria segundo a qual a Ciência deveria substituir a Filosofia tal e qual esta já havia substituido a religião. A compreensão no entanto era bem distinta da de Pinker. Pinker ora nos revela que devemos aceitar um certo estado de ignorância sobre o imponderável, assim a Ética - a qual sendo imponderável continua sendo ociosa! - e a Epistemologia... e nem preciso falar em Estética, afinal não poucos cientificistas admitirão sem maiores problemas que também ela é produto de uma hipertrofia evolutiva e quiçá algo tão dispensável quanto a espiritualidade. Litreé, como diz Grayling, não abre mão de uma escatologia Cristã otimista, mas secularizada (nos mesmos termos que Marx) e assevera que a ciência fornecerá ao homem todas as respostas e desvendará todos os mistérios produzindo uma nova visão de mundo.

Demandando por Ética!


Husserl julga que tais promessas são pretensiosas e mesmo venenosas, uma vez que nosso conhecimento sempre será fragmentário e limitado, como ora parece admitir Pinker, numa perspectiva mais realista, mas não menos dramática uma vez que seus imponderáveis são por assim dizer 'vitais' e não meramente acessórios dispensáveis sem os quais podemos passar muito bem... Com efeito não pode o homem viver sem perguntar a si mesmo 'Para que?' e todos se perguntam sobre isto algumas vezes ao menos na vida. Impulsos genéticos que pretendemos recalcar ou demandas psíquicas a respeito das quais a ciência empírica não é capaz de responder, mas que suscitam outros tipo de reflexão e outras formas de conhecimento.

Contesto mais uma vez que o acesso a este tipo de conhecimento, vital a nosso convívio, desenvolvimento, sobrevivência e felicidade possa ser arbitrariamente negado por um Kant, um Pinker, um Litreé ou outro qualquer. Não é um medo infantil como aquele de que foram presas um Comte ou um Freud com toda sua ciência positiva. Só não vê a crise civilizacional porque passamos quem não quer... E só aqueles que não tem um mínimo de empatia - e que certamente fariam do egoísmo genético sua praça forte - fugiriam a esta preocupação, uma vez que somos todos humanos!







A questão esbatida do altruísmo


Claro que eu bem sei e sei bem que falar em identificação, a alteridade, empatia, abnegação ou altruísmo com um biologista é tabu desde os tempos de Darwin. Hamilton em suas 'equações' já havia restringido o altruísmo a família ou a ligações genéticas, introduzindo o elemento do egoísmo... Tudo isto faz parte da ideologia positivista, a qual serve-se de enormes fórmulas matemáticas com o objetivo de intimidar a platéia. Carrel no entanto, que fora nobel e empirista de primeira linha, já dizia não trocar uma tonelada de demonstrações matemáticas por um único e singelo fato. Mesmo Comte, tão afeito a cálculos, teve de admitir esta bela verdade - Contra fatos não há argumentos...

No entanto exemplos de altruísmo desvinculado de ligações genéticas não são raros já na História, já no naturalismo e indiquei uma obra notável pelo senso de realismo e observação característicos da verdadeira ciência, assim o 'Auxílio mútuo' de Piotr Kropotkin.

É o humanismo um especismo vulgar?


"Soa como um desejo de ser mais do que felinos ou outras formas de vida... e para muitos expressaria uma forma de arrogância." diz meu amigo.

Certamente não somos superiores nos termos do sectarismo religioso ou do gênesis, segundo os quais os animais são propriedade nossa ou nos pertencem. Mesmo quando criamos animais deveríamos faze-lo segundo os princípios de uma Ética. No entanto adotar uma ética quanto ao convívio com os demais animais parece característico do homem. Pois se há homens sem consciência, que atuando como os demais animais, extinguem outras formas de vida, também há um significativo número de seres humanos que questionam a destruição de tais formas de vida apelando a conceitos como a justiça ou a alteridade, uma vez que somos todos sensíveis a dor. Veja o grupo Green Peace por exemplo.


Temos uma Ética que as demais formas de vida não tem!



Agora que leão ou jiboia ou urso após alimentar-se de um humano viria a refletir a ponto de deplorar seus hábitos alimentares e altera-los? Absurdo impensável. Mas nós temos veganos! Temos valores que alteram comportamentos... Estou esperando demonstrarem que os animais são capazes de fazer o mesmo. Nada nos indica que carnívoros façam reflexões de natureza ética determinativas com relação a seus objetos alimentares, ao menos em larga escala.

Neste sentido, de poder avaliar, com base em certos princípios, nossa relação com o que seria nossa comida ou nosso alimento, parece inovador e distintivo. Certamente que o advento da cultura vegetariana entre humanos é absolutamente rico e sugestivo; e não preciso ser vegano ou vegetariano para chegar a esta conclusão. Basta-me preferir a fome a consumir a carne dos grande mamíferos sensíveis a dor...

Os animais não produzem ciência, o homem...


Passemos a outro aspecto da polêmica. Caso sejamos absolutamente iguais aos outros animais e em nada nos destaquemos deles por que raios formigas, baratas, ratos, felinos, cães e elefantes não produzem ciência? Por que não tem seus laboratórios onde fazem pesquisas e experiências? Por que não tem suas universidades e escolas em que produzem o saber? Por que não transformam radicalmente o meio em que vivem como temos feito?

Caso a ciência produzida unicamente pelo homo sapiens tenha este valor tão grandioso - não negamos seu grande valor. O que questionamos é a atitude do cientista que se nega a pensar sobre o fim da técnica numa perspectiva ética - o quadro da vida propriamente animal comporta alguma limitação. Se a ciência produzida pelo homem tem algum valor, não há como deixar de concluir pela superioridade relativa ou intelectual de seu produtor. Agora se dissermos que é tudo uma só e mesma coisa temos de negar o valor desse fenômeno especificamente humano que é a produção científica. Elevar a ciência as alturas e abater o homem até as termitas, que não produzem ciência, é uma atitude absolutamente contraditória e incoerente.

A espiritualidade e a reflexão filosófica como fenômenos  tipicamente humanos


Mesmo sabendo que os cientificistas e positivistas negam o valor objetivo da religiosidade humana, aqueles que estão habituados a estudar o fenômeno humano não podem deixar de considera-la. Ao menos no plano da cultura temos de considerar o aspecto religioso como uma construção humana não só característica e relevante, inclusive, mas até, em certas circunstâncias como elemento positivo e favorável a evolução de determinada sociedade.

Diga-se o mesmo e mais ainda da reflexão filosófica. E o ateu Bertrand Russel foi quem declarou ser o 'deus dos filósofos' a mais refinada abstração concebida pelo homem e ao menos no plano natural, algo não menos grandioso que as pirâmides ou as grandes catedrais. Mas eu não percebo que os animais, claro que isto poderá vir a ser demonstrado, possuam uma vida espiritual e menos ainda que coloquem para si mesmos questões sobre os primeiros princípios e fins últimos do homem ou da natureza, do ser, do destino e da dor, na feliz expressão de Leon Denis. Os animais não parecem contestar a realidade dada que os cerca. Não parecem possuir um belo ideal face a vida e ainda aqui, os positivistas - que mutilam a condição humana - furtando-se a dimensão ética da vida, é que parecem espelhar-se nos animais, rebaixando-se.

A Estética ou a arte...


Temos ainda a arte, cujo fim é valorizar o que não é útil ou que não tem qualquer valor prático (Theophilo Gauthier). O homem entrega-se a este ofício inútil e desperdiça energias a toa, cerca de quarenta mil anos! Afinal para que serviriam algumas linhas e cores impressas num jarro??? ou uns sinais postos a lâmina de uma lança??? Bem, o Partenom e as Catedrais da idade média são a culminância deste exercício típico do homem e que não vemos nas alimárias que nos cercam. Ou já vistes um cão encenar uma peça ou um porco tocar uma flauta???

Por fim o homem, no dizer de Pascal, Kierkegaard, Heidegger, Marcel, Jaspers,e outros 'tolos' é um ser inquieto, que coloca-se diante do tempo, do espaço, da vida, da morte, do ser, da finitude, etc Segundo Platão ele possui um Thymos ou programa vital... segundo Romain Rolland possui um sentimento oceânico... segundo Henri Bergson possui uma intuição das coisas... segundo Husserl tende ao eidético, etc Não percebo essa inquietação, esse incomodo ou angústia nos animais. Não percebo esta sede. Não percebo esta busca ou demanda...

UM SER QUE SE AUTO MUTILA...


Claro que UM OU OUTRO SER HUMANO sempre pode mutilar-se, restringir-se e descer de nível. Outra coisa é o animal ascender ao humano, posto que lhe falta todo um aparato cultural. O esforço dos biologistas e metafísicos cientificistas consiste em eliminar ou minimizar justamente o que é propriamente humano E POR ISSO SÃO COM PROPRIEDADE CLASSIFICADOS COMO REDUCIONISTAS.


Eles pura e simplesmente desconsideram ou menosprezam a espiritualidade, a Ética, a Estética, a curiosidade ou a busca pelo sentido. As quais para eles são irrelevantes, EMBORA SEJAM RELEVANTES EM TERMOS DE ESPÉCIE E CULTURA. Más eles, os auto imunes, encaram a si mesmos como os arbítrios do universo e porta vozes da ciência, a qual sem embargo diariamente atraiçoam e profanam, publicando e divulgando metafísicas, escolásticas, especulações, sutilezas e ideologias em seu nome!!!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O ateísmo, o agnosticismo, a Kalokagatia e a morte da estética III - O sentido e as aspirações frustradas

"A existência sem a música seria um equívoco." Nietzsche 



Ao tecer suas considerações sobre o 'ateísmo' militante ou proselitista o sensato John Gray - e não o bispo Fulton Scheen (mas bem poderia ter sido ele) - publicou um fragmento bastante curto mas nem por isso pouco extenso e profundo, pelo contrário seu significado é vasto, então 'Verbi gratia':

"A crença no progresso é uma relíquia da concepção Cristã da Historia... Um ateísmo intelectualmente vigoroso começaria por questiona-la." 2011 p 332

E por ser completo ou mostrar fundamento, remete-nos a leitura de uma obra tão clássica quanto insuspeita ( Seu autor é um irreligioso confesso. ), a "Towards the ligth..." de Grayling.

Por coerência meus amigos ateus deveriam principiar abraçando a única opção que parece estar de acordo com sua ideologia - O nihilismo. Por via de escolástica ou de coerência lógica o ateísmo conduz necessariamente ao nihilismo, ou a abdicação de qualquer sentido ou direção quanto a existência humana. Claro que nossos antagonistas sempre poderão dizer, com os anarquistas, que a lógica, a coerência, a racionalidade... são formas de controle ou de dominação rsrsrsrsrsrsrs de autoritarismo enfim. Começaram tentando demonstrar racionalmente que Deus inexiste, e agora refugiam-se na palhoça do irracionalismo...

No entanto se usam de argumentação racional com o objetivo de demonstrar que não existe deus algum - e é evidente que me refiro ao Deus dos filósofos e não ao Deus da fé ou da Revelação.  - por que raios não levam essa argumentação adiante? Por que abandonam-na no meio do caminho? Por que não fazem o trajeto em sua completude?

Simples - Porque sem uma mente ordenadora, um ente organizador, um legislador supremo, uma consciência transcendente em comunhão com a Imanência, não podemos falar em qualquer sentido, direção ou tendência histórica. Toda direção supõem necessariamente um objetivo a ser alcançado e este um plano. Mas como pode haver plano sem que haja Planejador, mente ou consciência???

Concordamos com os cientificistas, ateus, materialistas, etc Não se pode discutir e menos ainda impor o 'Design inteligente' em aulas de Biologia. Teoricamente as aulas de Biologia deveriam contentar-se com os 'fatos' em sua simplicidade. No entanto, se assim o é, por que raios o Biólogo Dawkins e tantos outros teem o direito de negar o sentido e portanto de fazer metafísica ateística em nome da Biologia e da ciência??? Eis a contradição... Pois há centos de Professores de Biologia vendendo metafísica ateística em nome da ciência em nossas salas de aula. Não deveriam interpretar ou especular em torno do fado evolutivo, mas o fazem e sem maiores cerimônias! Raramente nos deparamos com aulas verdadeiramente científicas, factuais e portanto agnósticas.... No entanto apenas a metafísica teísta tem levado a carga, não a de Mr Dawkins e seus companheiros, apóstolos do ateísmo.

Tudo bem removamos o design inteligente do campo da Metafísica e substitua-mo-lo pela nova moda, do Caos. Diante disto poderemos falar em tendência, direção ou sentido??? Certamente que não. Mas é díficil encarar a Evolução das espécies e a manifestação da auto consciência, da razão, da liberdade e da Ética sem dar com a tendência. Basta pensar, refletir, ponderar... por alguns instantes. Daí - Fuga pelo irracionalismo. Pera lá, mas não somos nós que até agora argumentávamos racionalmente contra a existência de Deus??? No entanto quando chegamos a contemplação do fenômeno humano em sua especificidade e o trajeto porque chegamos até aqui, fica difícil ignorar a questão do sentido.

A maior parte dos neo ateus no entanto teimam, obstinadamente, em apresentar a velha fé redentora assumida pelo positivismo e portanto transplantada da religião, alias Cristã, aos domínios da natura... E atribuem essa redenção, sob o nome de progresso, a ciência. O credo de Dawkins, Dennet, Hitchens, Amis, Pulmann e outros tantos apóstolos do neo ateísmo continua sendo o Progresso técnico oferecido pela divina ciência. Progresso diante do qual tecem as mais absurdas, desmioladas e idealistas conjecturas... a ponto de imaginarem-se compondo poemas Épicos, sinfonias e mesmo santuários a nova divindade Redentora que conduzirá a humanidade num paraíso, ou melhor que converterá nossa terra num paraíso de esplendor... O 'Hino' é cristão, mas a ideologia comum, ao Cristianismo e ao neo ateísmo com seu legado positivista totalmente ultrapassado...

De nossa parte o quanto fazemos é perguntar-nos sobre o pôrque dos ateístas não terem lançado as favas esse resíduo secularizado da fé e de uma fé redentora? Temos que questiona-los e de perguntar-lher sobre o pôrque de não terem canonizado o nihilismo e negado o sentido da existência. Possível é duvidar, questionar, silenciar... embora seja já doloroso. Agora concluir pela total falta de sentido ou pelo absurdo da existência, e, enfim, pela malignidade essencial da razão até aborrecer a auto consciência de si mesmo parece ser para poucos, muito poucos. Demandando alias a elaboração de um discurso eficaz destinado a impedir que homens convertam-se em lemingues. Camus teve de elaborar tal discurso para que o suicídio não se converter-se em epidemia. E no entanto os países agnósticos ou materialistas - que contam com o maior número de ateus, embora eles jamais constituam a maioria! - nos quais a sociedade atingiu os melhores índices em termos de condição humana, são os que apresentam os maiores índices de suicídio e isto a ponto de preocupar as autoridades.

Dir-se-a que em tais países as pessoas dão cabo da própria vida porque enfrentam uma condição de miserabilidade extrema. Em se tratando da Suécia, da Dinamarca, da Finlândia, da Noruega, da Holanda, etc a pressuposição acima é absurda, pois o estado de bem estar social cuida de todos. Então por que se matam? Afetando sabença, os apóstolos do ateísmo, apelarão certamente ao clima - Falta de luz solar, sombras, nuvens, frio... A explicação até parece boa, mas temos que considerar que a epidemia de suicídios é recente, tendo acompanhado a ascensão da irreligiosidade. Já o clima, como qualquer um sabe, é elemento constante, cujo 'tom' remonta há milênios...Diante disto qualquer um de nós pode perceber o tamanho da falácia. O clima não explica absolutamente nada... pois não sofreu qualquer alteração sensível no tempo presente.

Claro que a questão não sendo social - Já parou para pensar que nas favelas do Brasil ou nas 'Vilas' da América latina a taxa de suicídios é bem menos do que nos países acima citados? - conduz-nos a uma questão muito pouco agradável a nossos amigos ateus que é a questão existencial, i é, a questão já alardeada em torno do sentido da existência. Essa questão foi proposta inúmeras vezes sob diversas formas e temos as versões de - Marco Aurélio, Agostinho, Pascal e Kierkegaard, dentre outros...

Claro que há ateus valorosos. Os quais apresentando o fenômeno humano como um golpe de sorte ou um acidente provocado pelos átomos que giram eternamente (Hume), declaram não haver sentido ou finalidade alguma. E não podem fugir a conclusão segundo a qual a consciência de si, que pela negação do sentido implica frustração, equivale a uma aberração, enquanto que a razão chega a ser comparada a um verme que nos corrói por dentro e nos incomoda, e nos martiriza com essa busca utópica pelo sentido. Sentido, objetivo, direção, finalidade, tendência que nos remete sempre a um Deus.

Assim o tributo pago ao ateísmo, jamais poderia ter sido barato, e foi o nihilismo.

O que questiono aqui é a leviandade dos neo ateus que não estão dispostos a pagar o preço estipulado e que continuam a enganar a pobre humanidade a partir de uma fé seculariza e a anunciar, não menos que Karl Marx, que a ciência e a técnica nos abrirão as portas do paraíso na terra. Sendo assim comecem a pinta-lo e a publicar revistinhas como as testemunhas de jeová! De fato, sua ciência tecnicista até poderia (o fato é que não pode), eliminar todos os sofrimentos que o homem impoẽm ao outro homem (isto é tarefa precípua da Ética. Ética que o positivismo sempre negou). No entanto como declara Tasso da Silveira, jamais poderia eliminar a consciência de nossa finitude face a vastidão imensa do universo. Jamais poderia eliminar o drama existencial que nos persegue onde quer que estejamos.

Fato é que os ateus não são capazes de eliminar este drama cósmico e tampouco a busca do homem pelo sentido da existência em que foi lançado. Remetemos mais uma vez o amigo leitor a John Gray - "A religião não foi embora. Reprimi-la é como reprimir o sexo. Tentativa fadada ao fracasso." p 335. A bem da verdade, mesmo aqueles que não creem, continua o mesmo Gray - inspirado por um senso de realidade muito superior ao de S Freud - o que deveríamos tentar fazer é investigar quais sejam as formas menos evasivas e mais evoluídas em termos de religião, para tentar educar e moldar este impulso da melhor maneira possível. Comunicar-lhe formas mais amenas e humanas, deveria a ser a meta de todos nós, inclusive dos ateus mais inteligentes, que dispensam a existência de um Nous ou de uma revelação. Deixar tal impulso entregue a si mesmo ou descurado, implica uma total falta de responsabilidade pela qual pagaremos muito caro. Mas os ateus continuam adotando padrões irracionalistas - Combatem como Dawkins, as fés mais evoluídas - Que tendo assimilado algum elemento racional aspiram compor-se com a ciência e promover o homem - e apoiam, ao menos indiretamente as religiões atrasadas e rudimentares, declarando que as religiões devem ser necessariamente fundamentalistas e fanáticas. Em certo sentido odeiam mais ao espiritismo, aos catolicismos e ao budismo do que ao islã e ao pentecostalismo, os quais de modo algum temem.

Por que teci tantas conjecturas de o tema deste artigo é a estética ou a beleza?

Um amigo a quem muito prezo, alegou que há algumas almas fortes que apegam-se a religião tradicional devido a questão da estética, da beleza, da arte, etc Mas me parece que ele não consegue penetrar o porque desta petição estética ou deslinda-la, talvez porque creia, não o sei, que a beleza, ou seja relativa nos termos de um Kant e dos modernistas, ou seja supérflua.

É a questão que tentei responder neste três artigos, chegando a conclusão.

Na hipótese da escolástica ateística do nihilismo ou na total falta de sentido quanto a existência não nos deveríamos preocupar nem com a Beleza, nem com a Bondade... Bastar-nos-iam a verdade isolada. Feia ou isenta de beleza. Existiria apenas uma verdade dura e uma dura verdade, beleza e bondade seriam utopias ou ideias relativos construídos pelo homem em sua prisão ou cubículo universal. Temos uma ideal e uma fome de beleza, mas ela não existe fora de nós ou sequer existem em si mesma. Diga-se o mesmo da bondade...

Há muito que os ateus sacrificaram á estética, ignoro sérias reflexões em termos de estética feitas por ateus. No mais do mais contentam-se com as opiniões já expostas de Kant... A Ética foi oficialmente abandonada pelos próprios positivistas e todas as tentativas de produzir-se uma Ética - E ME REFIRO É CLARO A UMA ÉTICA HUMANISTA QUE PROTEJA E PROMOVA O SER HUMANO - em termos de biologismo evolucionista (Spencer - Darwinismo social e Kropotkin) ou de pragmatismo tem sido desastrosas, jamais atingido o fim a que se propuseram. Ateísmo e materialismo não tem sido bem sucedidos no sentido de produzir uma ética eficaz... Gray com absoluta razão refere-se a essas falhas terríveis, sobre as quais ateu algum gosta de refletir, em termos de Nazismo e Comunismo, e bem poderia adicionar o formalismo jurídico de Kelsen. Além disto tem o ateísmo em sua quase que totalidade tem pactuado com o liberalismo econômico ou Capitalismo que é outra cultura de morte e matriz das demais culturas de morte.

Já quanto a produção estética ainda não chegou o dia em que gênios ou ateus inspirados haverão de compor os magníficos dramas, loas, sinfonias, poemas épicos, catedrais, conjuntos esculturais, etc em homenagem a ciência. O ateísmo tem sido estéril em termos de produção artística, exceto quando ateus fazem petição a fontes de inspiração religiosas ou mesmo cristãs... Pior, quando produzem alguma arte é sempre a prostituída arte de Kant, psicologista, subjetivista, anárquica e sem regras... Fruto se sonhos caóticos e pesadelos tenebrosos. Coisa que qualquer moleque de dois anos bem podia fazer rabiscando sobre uma folha ou mesmo, acreditem, cagando! No setor do modernismo talvez encontremos os gênios do ateísmo, ineptos para traçar a perspectiva de um desenho, para misturar as cores com delicadeza, para fazer arranjos, para obter rimas preciosas, etc, etc, etc Claro que se não há regras ou normas objetivamente fixadas para a confecção da obra de arte, a avaliação de que é objeto só poder arbitrária, em termos de um 'gosto' sem qualquer justificativa plausível.

Bem o que eu quis e quero dizer que a busca pelo sentido, tal como fora compreendida pelos antigos gregos, compreende não apenas a verdade... pois a verdade sempre poderia ser 'Não ha verdade alguma' rsrsrsrsrs ou 'Não há sentido'. A verdade para esgotar plenamente o sentido da existência deve estar necessariamente acompanhada pela bondade e pela beleza. A bondade e a verdade devem ser belas. A beleza e a bondade devem ser verdadeiras e a verdade e a beleza devem ser boas. Assim se manifesta plenamente o sentido da vida que todos buscamos. O Bom, o belo e o verdadeiro foram uma Unidade inseparável ou uma Trindade ideal no dizer de Flaubert. Até podemos substituir a religiosidade pela contemplação estética a maneira de Gautier, o que não podemos fazer é substituir a contemplação estética por qualquer outra coisa sem mutilar-nos a nós mesmos. A dimensão estética da vida faz parte de nossa integralidade e, se a religião busca satisfaze-la e o ateísmo não - mostrando-se insensível - a questão esta revolvida - O ateísmo é bisonho por reduzir a dimensão da existência a uma verdade gélida e fria...

"Deus não existe." declara o ateu. Ótimo em que isto nos tornará melhores e como produzirá beleza??? Ah não estamos em posse de padrões essencialistas que nos tornem melhores em sentido unívoco pois a Bondade é relativa e o homem seu supremo critério (Excelente, então deixemos o torturados torturar e o estuprador estuprar e cessemos hipocritamente de condenar Hitler, Stalin ou Bush fundamentados em nossas opiniões individuais! ). Já quanto e beleza, podemos bem passar sem ela???

Mas eu sinto uma necessidade intrínseca pela beleza ou uma demanda pela estética e pela arte que o ateísmo jamais satisfez ou satisfaz e por isso julgo-o inadequado e suas dissertações em torno de uma verdade estéril, irrelevantes. Minha sensibilidade estética opõem-se ao ateísmo por ser improdutivo... Essa busca por um a beleza ideal é que conduz-me a um Fídias, a um Praxisteles, e um Polignoto, a um Parrásio, a um Tirtaeus, a um Terpandro, a um Homero, a um Sófocles, a um Ésquilo, a um Eurípedes, a um Vírgilio, a um Estácio, a um Dante, a um Camões, a um Cervantes, a um Tasso, a um Milton, a um La Fontaine, a um Shakespeare, a um Moliére, a um Bach, a um Mozart, a um Bethoveen, a um Dellacroix, a um Millet, a um Schaeffer, a um G Doré, a um Calixto, a um Pedro Américo, a um Meirelles, a um Bilac, a um Raimundo de Menezes, a um Martins Pena, a uma Anna Pavlovna, a um Nijinsky, a um Ray Conniff, etc Nenhum dos quais era ateu ou inspirou-se no ateísmo. Muito pela contrário a maior parte destes homens que buscaram saciar a sede estética de seus companheiros e que se esforçaram para tornar este recanto um pouco mais belo eram em sua quase que totalidade Cristãos e mais Católicos! Recomendo a leitura de 'O gênio do Cristianismo' de Chateaubriand. As almas insensíveis, superficiais e vulgares não compreenderão esta obra magnífica - Teve gente da igreja que não pode compreende-la (Os agostinianos é claro) - Sócrates, Platão, Aristóteles, Parmenides, Anaxágoras, Xenofanes, etc compreende-la-iam...

E as arrevezadinhas demonstrações ateísticas de Onfray ouso opor apenas as Catedrais francesas, alemãs, italianas e inglesas... ou o Partenon, mas falar no Partenon seria pura covardia. Esperemos enfim que os apóstolos do neo ateísmo possam o quanto antes brindar-nos com um Partenon ou com um Taj Mahal...

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O tema da fuga...

Resultado de imagem para fuga da realidade



Como registrado foi em artigo precedente em posse do conhecimento da realidade assume o homem duas posturas características e antagônicas; a do afrontamento, que coaduna-se com o progressismo ou a da fuga, que corresponde a uma espécie de desespero invencível ou a um conservadorismo negativo nas palavras de meu grande amigo Douglas Eduardo Vaz.

Não se trata como bem poderia parecer de alternativas lineares. Não poucos progressistas, esquerdistas, trabalhistas, socialistas de modo geral após terem se dedicado por um longo tempo ao afrontamento e a militância (Tendo em vista a colossal dificuldade - já apontada com  peculiar lucidez por Freud - com que se transforma a realidade social) costumam costumam a passar por crises periódicas de angústia e desesperança até a ambivalência, alternando, em determinadas circunstância da vida, atitudes de afrontamento e de conservadorismo negativo ou desistência. Mauro Iasi caso não me falhe a memória, analisou detidamente esse problema numa de suas obras.

Temos de compreender estas pessoas ou melhor, temos de compreender a situação existencial experimentada por elas, as limitações do aparelho psíquico e a condição de cada um ao invés de sem mais classifica-las como vis traidoras ou inconsequentes. Do contrário nosso socialismo não terá valor algum. Ser humanista pressupõem no mínimo sincero esforço para compreender o outro, ao invés de te-lo em conta de conspirador malévolo.

Implica saber que a angústia não é em si mesma tolerável ou suportável, mas que corresponde mais ou menos a uma dor que se sente na alma...

Tanto mais intensa a dor, tanto mais a necessidade de ser estabilizada por meio de algum narcótico ou sedativo. No passado o ópio ou o clorofórmio... antes disto a Datura Stramonium, a Canabis Sativa, o Peyote, o Whisky... Homens e culturas sempre buscaram fugir a dor lancinante. Crendo-a radicada quase sempre no corpo. O homem moderno no entanto, objeto de tantos conflitos e frustrações, veio, mais do que qualquer um de seus remotos ancestrais a conhecer um outro tipo de dor não menos forte, a dor da alma ou a angústia.

Daí o já citado (apud artigo anterior 'Um pouco de arte) dramaturgo - Quem tem problemas tem conhaque... vodka, whisky, morfina... Afinal em situações de dor sedativo não é luxo, é necessidade.

E como a causa da angústia da-se inevitavelmente em termos de choque entre as instâncias mentais ou entre o Ego e o mundo externo, ao menos neste último caso, a única saída que se impõem é fugir deste mundo externo, cortar os vínculos com ele, separar-se...

Vindo a propósito a perda de consciência, por meio da qual temos acesso a outros estados de espírito, totalmente diversos da realidade.

No passado as multidões chegaram a crer que tais estados equivaliam a uma via de acesso aos seres divinos. Hoje multidões de homens irreligiosos continuam buscando-os não mais como forma de unirem-se ao sagrado ou ao numinoso, mas como forma pura e simples de romper com a realidade indesejável desde mundo ou enquanto fuga.

Apesar disto não é situação nem um pouco simples.

Fugitivos que recorrem a perda de consciência e a tão extravagantes fruições de prazeres costumam não poucas vezes a assemelharem-se aos marinheiros que bebem água do mar. E todos sabem muito bem o que se sucede com o infeliz naufrago que cede a esta forma de tentação...

Fugas bem planejadas e bem sucedidas podem se tornar recorrentes e incontroláveis; até que se perde por completo o nexo com a realidade vivida e se passa de vez para o outro lado, o lado da insanidade.

Pode sempre a fuga tornar-se compulsiva ou imperativa; e assim se perde o homem, não devido a angústia mas a fuga. Sempre bom após algumas fugas toleráveis buscar auxílio psicológico com que enfrentar a angústia em suas fontes e dribla-la. Fuga até pode acontecer como improviso, é compreensível. Urge no entanto, ir o quanto antes a raiz do mal e tentar estrai-la. Claro que num pais em que o custo do serviço psicológico é tão alto, as fugas podem se tornar ainda mais atrativas por serem menos onerosas, ao menos para o bolso...

Mas e se a substância empregada for nociva? E causar danos neuronais irreversíveis. E se os demais tipos de fuga ou compulsão tornarem-se incomodativos na medida em que se chocam com nossas necessidades vitais em termos de emprego, família, etc???

Não o tema da fuga não é nem um pouco simples. Na medida em que corresponde, não poucas vezes a um suicídio lento e inconsciente...

Assim se não se pode censurar o homem que sucumbiu ao peso tremendo da dor tampouco se pode deixar de orienta-lo no sentido de buscar por ajuda. Orientar é diferente de julgar e condenar. Como diria o Dr Frankl caso este homem não encontre um sentido mais profundo que o leve a apegar-se a vida mesmo com todas as suas dificuldades, quem poderá obriga-lo a viver? Se ele encara esta existência como um fardo doloroso, que podemos fazer? Como obrigar alguém a permanecer num navio que não o agrada ou a fazer uma viagem que não quer?

Como as dores da alma tendem a ser mais frequentes e continuas do que as dores do físicas, a intoxicação por meio excesso de sedativos ou por meio da fuga constitui uma ameaça real. Melhor tratar essa angústia já no começo... Após as primeiras fugas.

Bem, já enrolamos demais o amigo leitor. Urge finalizar este artigo. Arrolemos as possibilidades de fuga -

  • O fundamentalismo religioso, sempre associado a uma mentalidade magico fetichista ou seja crença em intervenções sobrenaturais e divinas. Tal a situação da gente simples ou ingênua sempre a espera de um milagre. Aqui sequer pressupomos qualquer explicação em termos de ocultação de causas ou de alienação, da qual o crente sempre pode prescindir. Descrevemos apenas a atitude vital daquele que abandonando mais e mais a vida refugia-se em templos e igrejas passando cada vez mais tempo assistindo a cultos religiosos, orando, consumindo literatura religiosa, etc Naturalmente que nos encontramos com um tipo de fuga plenamente justificado - O mundo é mal ou diabólico. Esta forma de fuga, que costuma ser total ou definitiva, tem seu principal risco quando a pessoa em questão acredita ser capaz de comunicar-se diretamente com a divindade, sendo estimulada neste sentido pelos líderes religiosos irresponsáveis. Assim por meio da via mística chegasse bastante facilmente a demência ou a esquizofrenia e não poucas vezes ao crime. Afinal não há pior opção do acreditar que tudo quanto pensamos, falamos, vemos ou ouvimos procede do próprio Deus.
  • Formas de hedonismo não substanciais ou químicas.
    Assim a compulsão sexual compreendida no sentido em que a busca pela fruição do orgasmo ou do prazer sexual converte-se em objetivo primário da atividade humana conflitando com as demais esferas da existência, assim com o trabalho por exemplo. Na medida em que essa busca vai trazendo mais e mais problemas, cumulativamente, caracteriza-se o problema. Trata-se aqui de um tipo de fuga bastante estimulado pema cultura e pela mídia tendo em vista certo nicho existente no mercado e evidentemente o lucro, situação que analisaremos em nosso próximo artigo sobre "A administração da alienação e da fuga ou do prazer pelo pode econômico."
    Outro tipo de compulsão diz respeito aos jogos de azar, estando nitidamente relacionada com a aspiração inconsciente pela emulação, pela auto afirmação ou pela realização pessoal, objeto de frustração. Aqui a relação com as finanças é ainda mais clara e perigosa, na medida em que uma pessoas viciada em jogos ou compulsiva pode vir a perder todos os seus bens muito rapidamente.
    Como variante deste temos a compulsão por jogos eletrônicos.
    Outra variante muito comum é a fuga por meio de uma realidade digital ou virtual paralela, inclusive produzida e comercializada. Tenho notícia de pessoas que por esta via chegaram rapidamente a alienação mental e irreversível por se terem hipostasiado com personagens e situações fictícias, cujo comportamento passaram a reproduzir socialmente. A derradeira variante é o esportivismo, no Brasil sob a forma do futebolismo e do clubismo, o qual não poucas vezes tem resultado em conflito armado e assassinatos. 
  • Chegamos por fim a menos crítica de todas as formas de fuga, se é que podemos dize-lo ou a que é mais apreciada pelo Sistema. Estamos nos referindo ao consumismo, em virtude do qual acreditamos poder saciar nosso vazio interior ou vazio de sentido e de perspectivas, adquirindo objetos, coisas ou mercadorias ou seja comprando, consumindo e aquecendo o Mercado. Aqui ainda a questão da auto estima, da realização pessoal, da auto afirmação... Pois não poucas pessoas sentem uma sensação indefinível de prazer, bem estar ou mesmo poder comprando coisas, o que em não poucas vezes reflete um estado psíquico análogo ao do misticismo, da auto sugestão ou mesmo do consumo de substâncias narcotizantes. Em tais circunstâncias além das dívidas o consume deve produzir certas substâncias glandulares ou endócrinas relacionadas com a sensação de prazer.
  • As formas de hedonismo químico resultante da introdução de certas substâncias no organismo seja por via bocal, nasal, venal, etc
    Temos aqui -
    A embriagues, definida como consumo de alcool na medida em que chega a alterar os níveis de consciências ou como consumo excessivo, o qual nada tem a ver com o consumo parcimonioso ou moderado (aqui C S Lewis). O problema imediato aqui são as situações em que o excesso conduz a perda total de consciência, assim o famoso caso do 'bêbado no banco da praça' ou o que é bem mais dramático, atirado inconscientemente sobre os trilhos de uma Ferrovia ou as margens de uma Rodovia, claro que todas estas situações traduzem certo grau de vulnerabilidade e comportando, riscos reais para a vida e a integridade física da pessoa. Afinal vivemos num pais em que índios e moradores de rua já foram incendiados pelo fato de estarem a dormir em alguma praça ou rua. A longo prazo todos sabemos que a embriagues implica sérios danos a saúde física, podendo resultar em cirrose ou câncer no fígado, para não falarmos noutras tantas moléstias 'comuns' como o AVC.
    Temos ainda aqui uma droga sintética extremamente forte e danosa, o Ecstasy, o qual é comercializado sob a forma de cápsulas ou pílulas. Associado a bebidas alcoólicas o Ecstasy tem seus efeitos potencializados podendo produzir facilmente uma parada cardio respiratória. O Ecstasy também pode conduzir os viciados a imbecilidade completa em curso prazo pelo esgotamento dos neurônios cerebrais.
    Chegados a via nasal temos toda uma gama de drogas inaláveis - Da cola e dos perfumes até o cigarro - que a bem da verdade não passa de uma droga legalizada - e o insidioso crack, i é as pedras de fumar feitas com cristais de cocaína (A qual também pode ser cheirada em pó). Ocioso dissertar a respeito dos riscos implicados no consumo continuo do tabaco descobertos há quase cem anos pelos médicos alemães do fuhrer. Igualmente ocioso mencionar os efeitos danosos do consumo de cocaína ou mesmo da inalação da maconha.
    Quanto a via venal temos a introdução de cocaína das veias. Aqui além de outros tantos riscos há o de contrair-se doenças transmissíveis devido ao uso comum da agulha e o de envenenar-se, haja visto que aqueles que manipulam tais implementos nem sempre estão conscientes do que fazem...
    O LSD pode ser consumido oralmente, inalado ou injetado, a vontade do freguês. É a dietilamida do ácido lisérgico produzida pela cravagem de um fungo do centeio desde 1943 por Albert Hofmann. A História do LSD constitui uma página a parte quanto ao consumo de entorpecentes pelo simples fato de ter produzido uma cultura, a cultura psicodélica (nos anos 60) relacionada com um grande número de artistas e intelectuais dentre os quais Aldous Huxley. É uma das drogas mais poderosas em termos de efeito, e relativamente segura. Sem consumo no entanto pode levar a psicose, inclusive crônica.
    Cumpre registrar a imensa popularidade da droga entre artistas e intelectuais, os quais tendo tomado consciência quanto a dura realidade da existência humana, e sua resistência a quaisquer tentativas de transformação deixaram-se dominar pela angústia e pelo desespero, resultando disto, obviamente a necessidade da fuga e consequentemente a droga. O trágico epílogo deste tipo de experiência todos conhecemos muito bem - A overdose e a morte... ou seja o suicídio, algumas vezes consciente, outras vezes não...

    FUGAS SAUDÁVEIS?

    Algumas fugas saudáveis tem sido relacionadas com a sensação estética produzida pela arte. Assim a fuga da realidade por meio dos livros de romance, ficção e fantasia. A fuga pela contemplação visual de um quadro ou duma exposição. A fuga pela poesia ou pela musica. A fuga pelo teatro. A fuga pela apreciação de cerimônias religiosas de caráter simbólico. A fuga moderada pela prática saudável de algum esporte. A fuga moderada pela apreciação sóbria do licor ou do narguilé. A fuga por um tipo de esforço pessoal agradável; como o artesanato. A fuga moderada pela arte culinária ou pela degustação de um bom prato. A fuga moderada pelo exercício da sexualidade, etc Em não poucas situações somos levados a perceber que a distinção entre o tolerável e o danoso esta apenas na intensidade da fruição a que chamamos fuga.


Resultado de imagem para fuga da realidade












Continue acompanhando esta série de artigos sobre as formas de alienação ideais e a fuga e nossos demais ensaios neste Blog e caso encontre sentido neles ou aprecie-os faça a gentileza de matricular-se entre nossos seguidores e de recomenda-lo a seus amigos, colegas e alunos. Toda colaboração e crítica ponderadas são bem vindas!



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O significado de Eduardo CUNHA

Há quem diga que Eduardo Cunha é o pior que podemos imaginar ou pensar em termos de política nacional. Mas não é não... Mais tenebroso e sinistro do que Cunha é o significado de Cunha e Cunha tem significado, ah isso tem...

Cunha tem significado, Cunha tem motivos, Cunha tem razão de ser...

E isto sim é amplamente assustador.

No frigir dos ovos o Brasil já conheceu um bom número de políticos execráveis ou demagogos. Tivemos um Carlos Lacerda, tivemos um Fiuza, um João Alves, um Barbalho, um Arruda...

Cunha no entanto parece ser o mais maquiavélico e inescrupuloso de todos.

Pois tudo tem feito, absolutamente tudo, para manter-se no poder...

E sua sanha pelo poder, sua cara de pau, seu atrevimento, parece não conhecer limites.

Assim enquanto registramos estas linhas para a posteridade, lá esta o elemento, mexendo seus pauzinhos e intrigando 'legitimamente' com o objetivo de interferir no conselho de ética, cujo relator acaba de condena-lo!

Tendo a opinião pública, o povo e a maior parte do elemento político contra si, ainda assim o sujeito acredita ser direito seu ocupar a presidência do parlamento; em seu próprio nome...

Muito democrático...

Num momento em que se fala tanto em Ética. Ética pra cá, ética pra lá... não se compreende o pôrque deste sujeito ainda não ter sido defenestrado em 'nome da moral e dos bons costumes'.

Por menos, muito menos queriam defenestrar a presidente...

Contra qual inexiste a mínima evidência em termos de corrupção ou improbidade...

Cunha não conseguiu explicar satisfatoriamente a existência de quatro milhões depositados na Suíça e mesmo assim não estamos ouvindo o rufar das panelas e os gritos de indignação.

Ética ou probidade é coisa que se deve exigir de todos os homens públicos.

Não apenas deste ou daquele, pertencentes a tais e tais partidos...

Cobrar uma postura ética deste não cobrar daquele é absolutamente anti ético.

Subordinar as exigências da ética ou da moralidade a imperativos partidários ou ideológico equivale a mergulhar de cabeça no abismo profundo da imoralidade!

Hostilizar alguém porque venceu honestamente as eleições numa perspectiva democrática, derrotando nosso candidato e fazer ouvidos moucos a um cidadão que dia após dia tem intimidado seus denunciantes e recorrido a chantagem é o cúmulo da hipocrisia e do farisaísmo.

Cade as marchas contra o homem que emporcalha a consciência política brasileira?

Cadê os gritos de 'Fora Cunha' ecoando do Iapoque ao Chuí?

Não os escuto ou pior, se os escuto, partem apenas da odiada esquerda.

Diante disto como ousam acusar-nos de simpatizar com a mesma esquerda???

Definitivamente não é a odiada esquerda que esta mancomunada com o bandido engravatado a ponto de te-lo blindado até o momento presente com objetivos puramente demagógicos; implementar um golpe!

Afinal, não fosse esta esperança imunda e suja, de sabotar nossa democracia, Cunha já teria caído a muito tempo, estando a alma de milhões e milhões de cidadãos brasileiros lavada! No entanto lá está o criminosos presidindo um parlamento e testificando perante todo mundo civilizado que esta pais não é um pais sério.

Num pais sério Cunha estaria mesmo é atrás das grades trancafiado numa masmorra de segurança máxima!

E no entanto este meliante, ameaça, grita, ruge, e ousa intimidar seus contrários com uma impudência jamais vista no cenário da História pátria.

Diante disto cumpre perguntar que faz Cunha assim tão seguro e quais sejam as fontes de sua insopitável arrogância?

Ide a um certo 'site de relacionamentos' e analisai a página do homem!

Tal como o Bililixo de S Vicente - O homem que fez o município afonsino recuar quinhentos anos na história - Cunha tem apoiantes e apoiantes fiéis, denodados, fanáticos...

Cunha como Felicianus tem fãs, como Bolsonaro tem fãs!

Não no juqueri ou em Itapira, mas livres, leves e soltos!

Diante disto como admirar-se de que Hitler, Stalin, Bush e outros tantos 'monstros' tenham seus fãs???

Tal o homem, tal seus heróis...

Como vai baixo o ideal de consciência deste nosso povo, como vai baixo!

Consola-nos imaginar que se trate de psicopatas.

Natural que psicopatas identifiquem-se com psicopatas.

Triste, triste seria imaginar ou supor que uma pessoa normal identifique-se com alguém que disse serem os negros amaldiçoados ou com alguém que sustenta publicamente a inferioridade da mulher, embora tenha nascido de uma e não de um macho...

E no entanto Bili, Felicianus, Cunha, Everaldo, Campos, Bolsonaro, Russomano, etc - ou seja o que há de pior ou de mais imundo na política nacional - e seus eleitores respiram uma atmosfera comum, a atmosfera do fundamentalismo religioso.

Todos os canalhas acima citados estão diretamente relacionados com a máfia dos pastores, a indústria da fé, a teologia do capitalismo, o charlatanismo religioso, o curral da fé, o cabresto sagrado, o pensamento teocrático...

B B B - Boi, bala e é claro Bíblia, ou seja, a justificativa ideológica do latifúndio e da bala!

Cunha resiste meus bons amigos porque mesmo sendo réu confesso, ainda assim conta com o apoio da sinistra bancada 'evangélica' - a mesma que deu suporte ao canalha do Marcos Felicianus na legislatura anterior, apoiando-o até o fim - das seitas pentecostais, da maior parte de seus líderes e de boa parte desse povo imbecil ou desavergonhado...

É ir as páginas do ulemá e conferir: Dr Cunha esta sendo perseguido pelos 'infiéis'! Dr Cunha esta sendo perseguido pelo diabo! Satã não irá vence-lo Dr Cunha! Dr Cunha é perseguido por sua fidelidade a palavra de deus! Dr Cunha é vítima de calúnia por parte dos inimigos da fé... e por ai vão as lucubrações dos fanáticos...

Cunha rouba, as provas são manifestas, mas.... mesmo assim é vítima pelo simples fato de cristalizar em torno de si os sonhos e esperanças teocráticos acalentados pelos fanáticos...

A incoerência aqui salta a vista. Pois são forçados a apoiar um ladrão e mentiroso com o objetivo de implementar uma pauta conservadora e moralista... Agora que moral há no roubo ou na mentira???

Mas o Dr Cunha defende a família!!! Dirão eles...

No entanto este mesmo Dr Cunha rouba, mente, intimida...

O que nos faz duvidar seriamente da família...

A família abstrata e metafísica do Dr Cunha prefiro a honestidade, a veracidade, a cordialidade...

Mesmo sem a familiazinha bonitinha com seus escândalos escabrosos a honestidade, a justiça, o bem, a caridade, a solidariedade, a veracidade e outros valores cuja presença não somos capazes de ver em seus defensores, permanecem belos!

Sim, pois esta família precisa de um substrato material que a mantenha e sustente! Eles no entanto, CUnha e seus comparsas, votaram pela terceirização, ou seja, pela servidão de nossas famílias! Pela miséria, pela fome, pela necessidade, pela proletarização!

Agora por que Cunha e seus amiguinhos, paladinos da moral e dos bons costumes, aderiram a causa da terceirização?

Simples amigo leitor: porque a terceirização aumentaria a miséria, a miséria aumenta o desespero e o desespero serve de alimento a superstição, ao charlatanismo a alienação pentecostal. Garantindo o sustento dos pastores parasitas...

Tal e qual os supostos protetores ou policiais, também os pastores lucram com a miséria e suas consequências: a violência, a insegurança, o desemprego, a ignorância, a necessidade...  Uns e outros assemelham-se aos cogumelos que alimentam-se de estrume e outras sujidades.

Num mundo ideal, mais justo e fraterno, sem violência ou miséria policiais, soldados e pastores teriam de trabalhar honestamente como qualquer um de nós...

Neste sentido para eles e seus aliados políticos aumentar as condições de miserabilidade ou tornar as vidas dos trabalhadores mais difíceis é e será sempre um bom negócio.

Trata-se evidentemente de um objetivo odioso, e; sem embargo, rentável.

Mesmo porque parte dos dízimos ou ofertas doados pelos pobres coitados será usada para financiar as campanhas os políticos alinhados com a igreja ou para financiar o 'cabresto sagrado'...

O que nos leva a outro tema relacionado com o Cunha e sua base: o financiamento de políticos por empresas e indústrias... 'pequenas igrejas grandes negócios' passam a investir nas candidaturas dos homens de deus, enquanto que os candidatos laicistas ficam chupando os dedos... E já sabemos porque eleição após eleição a bancada religiosa não cessa de aumentar. Afinal a propaganda é a alma do negócio e o dízimo a melhor maneira de compra-la.

Não nos enganemos, estamos diante duma verdadeira máfia político religiosa por meio da qual as ofertas doadas pelos fiéis acabam servindo para financiar as campanhas dos pastores e seus aliados, sabotadores da democracia e paladinos do pensamento teocrático.

A pergunta aqui é: Como poderão os candidatos laicos, alinhados com o pensamento democrático e livre, fazer frente a este mecanismo a um tempo credal e a outro financeiro???

A César o que é de César e a Deus o que é de Deus!

Precisamos lutar por uma legislação que ponha freio a tal mecanismo, fiscalizando a origem das doações as campanhas e assegurando que os dízimos dos fiéis não possam servir a tal propósito, mas a um propósito de caráter sagrado ou religioso.

Proibir o financiamento das campanhas por instituições de caráter financeiro, sejam empresar, indústrias ou igrejas é já um primeiro passo e por isso Cunha forcejou o mais que pode para impedir a aprovação desta emenda.

Afinal ele mesmo é acusado de ter enfiado dinheiro público nos bolsos da assembléia de deus... o que obviamente não fez de graça!

Importa, para milhões de fanáticos, que Cunha representa a vontade POLÍTICA de seu deus ou seja, a pauta conservadora...

Em nome dos preconceitos bíblicos: machismo, adultismo, homofobia, capitalismo, racismo, escravismo, etc Cunha torna-se herói mesmo sendo ladrão, mentiroso, chantagista...

Perceba amigo leitor como o óculos colorido do fanatismo tudo distorce e subverte!

Mesmo sendo o que é, um criminoso, arrogante, golpista, mentiroso, etc Cunha torna-se santo pelo simples fato de ter uma Bíblia em suas mãos ou de públicas salmos em suas páginas de relacionamento.

Concluindo: o problema não é o Cunha e sim o que esta por detrás do Cunha ou com o Cunha.

O problema é este padrão de pensamento segundo o qual alguém torna-se necessariamente honesto santo por comungar da mesma fé ou por defender os mesmos princípios.

O veneno é precisamente este!

Cunha tem apoiantes não porque é honesto ou bom, nobre ou virtuoso mas apenas e tão somente porque assume determinada pauta e torno de alguns princípios e valores comuns.

Assim eles já não enxergam o homem por pior que seja mas apenas a pauta, no caso a pauta moralizante e conservadora.

E não elegem o homem, mas a fé, a pauta, o discurso, a teoria...

E ao elege-las elegem um ladrão, um criminoso, um meliante...

E mesmo diante de todas as evidências jamais cedem.

Pois os pastores e lideres religiosos, não cessam de apresentar aquele sujeito como perseguido pelo diabo, como vítima, como mártir, como santo e digno de todo apoio.

"Os pagãos combatem este homem de deus porque não desejam viver sob a lei da palavra de deus!!!" é o que costuma proclamar em seus covis...

Resulta disto toda uma política abstrata, romântica. teórica, idealista... sempre infensa aos direitos do trabalhador, a qualidade de vida, a justiça social, ao bem comum. O pior tipo de política, a mais inutil, a mais perniciosa, a mais demagógica.

Sempre que a religião aproxima-se da política e associa-se a ela devemos esperar o pior tipo de política. É o que estamos a assistir no Brasil do tempo presente e caso a política brasileira não tome outros caminhos, no caso essencialmente laicistas, haveremos de ver ainda muita coisa pior do que o Cunha.