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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lutero, Locke e D Trump


Resultado de imagem para ditadura parlamentar


"Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)" (Grisar: 522) tais as palavras, do 'reformador' (sic) da Cristandade, proferida numa roda de teólogos congregada em Eisenach para debater sobre o perigo da licença de bigamia concedida ao eleitor Filipe de Hesse tornar-se pública.

Diante de tais circunstância optou o doutor Lutero por santificar a mentira como já havia abençoado e santificado muitos outros pecados.

Acaso não havia ele ensinado que: "Nenhum pecado pode nos separar d’Ele, mesmo se estivéssemos a matar ou cometer adultério milhares de vezes por dia."??? Saemmtliche Dr. Martinho Lutero Schriften, Carta n º 99, 1 de agosto de 1521

Aqui não foi melhor do que Maquiavel, o qual já havia introduzido a mentira na ordem política. Mas mil vezes pior, pois introduziu a mentira na obra daquele que disse: "Eu sou o caminho, a VERDADE  e a vida." 


E também:

"Todo aquele que mente procede do maligno." 


O profeta dos alemães no entanto aquilatou que era a verdade bem pouca coisa, e que podia oculta-la, obscurece-la ou nega-la sem maiores problemas.

E chegou inclusive a introduzir a mentira e o dolo nas coisas que encarava como sagradas. Assim em sua tradução do antigo testamento, obra em que emprestou os nomes pelos quais os sacerdotes eram conhecidos na Alemanha de seu tempo, aos sacerdotes do antigo Israel e até mesmo termos com que os romanistas distinguiam seus paramentos, alfaias e cerimônias, e isto com o premeditado intuito de identificar o clero romano com o clero israelita, fazendo aquele passar por assassino de Cristo.

De modo que a gente simples e semi analfabeta dos países protestantes foi levada a crer que Cristo havia sido morto por ordem do papa, dos cardeais, Bispos e padres Cristãos???!!!???

Além de explorar fábulas e narrativas em que ele mesmo não acreditava e de cuja autenticidade duvidava como a carta de Ulrich de Augsburgo. 
Enfim parte significativa de sua obra consistiu em falsear e mentir em nome de Cristo. Coisa que nem mesmo Maquiavel havia feito.

Assim o demagogo Donald Trump como bom protestante, mostrou-se excelente imitador de seu pai, M Lutero principiando por enganar sordidamente seu eleitorado ao qual prometeu não interferir na questão Síria ou seja não insistir a respeito da deposição de Assad, contrariar a Rússia e fortalecer ainda mais aquela calamidade que é o califado do ISIS.

Em semelhante conjuntura eu mesmo aquilatei sua proposta como sensata.


No entanto, mal o homem sentou seu traseiro imundo e sujo, na cátedra da casa branca (A qual tem derramado tanto sangue sobre a face da terra que deveria chamar-se Red house ou casa vermelha) e já se pôs a tramar contra Assad até bombardear a Síria e a 'apoiar' indiretamente o ISIS. Pois tudo quanto enfraquece a autoridade o líder sírio, fortalece o exército de fanáticos treinado pelos EEUU (!!!).

Tais os fatos!

A questão aqui consiste em saber que acontece a um determinado líder político, seja Yankee ou brasileiro (Pois estamos passando por uma situação ainda pior do que a que tem sido enfrentada pelos Norte americanos, a saber uma situação de golpe e ilegitimidade), quando descumpre as promessas feitas a seu eleitorado, atraiçoando o povo que deveria representar???

Quando alguém se elege enganando o eleitorado, que fazer?

Segundo os formalistas absolutamente nada.

Pois após a transferência do poder garantida pelas eleições livres, o povo fica sem poder algum... Passando o poder aos políticos eleitos por um certo prazo fixado por lei.

Ainda segundo esses pulhas, ao povo cabe apenas aceitar passivamente tudo quanto os traidores executam em seu nome durante este prazo ou seja a conformar-se. Tal a solução democrática, e como é 'bela'.

Quem não perceber que esses fariseus hipócritas concedem poderes ditatoriais aos políticos eleitos por um determinado prazo??? De modo que chegamos a um ditadura provisória ou limitada pelo tempo, apenas isto e nada mais que isto.

Apenas não é considerada ditadura porque é provisória, extinguindo-se em determinado tempo.

Mas, não podendo ser reprimida, corrigida ou removida de algum modo, é ditadura com 'prazo de validade'.

Em tais circunstância pode o parlamento fazer tudo quanto quer, mesmo operando em oposição a vontade popular.

Ueh Mas como pode representar a vontade popular sem estar de pleno acordo com ela?

E como pode haver democracia e legitimidade sem representação???

Afinal para que foram constituídos os tais políticos profissionais: Para representar ou para trair???

Se a transferência eletiva tem por base e fundamento da representação, que acontece quando entram em cena a infidelidade e a mentira?

Qualquer contrato de casamento, mesmo sobre o rígido regime da igreja antiga seria dado por anulado e roto.

Os advogados do formalismo no entanto, ao menos aqui, esqueceram ou fingem ter esquecido as preciosas lições fornecidas por John Locke, o pai da democracia burguesa ou representativa. O qual, nem por isso, havia mergulhado no pântano do formalismo...

Baseado no que acabamos de registrar logo acima, considerada Locke que na medida em que a vontade de um Parlamento ou de um governante eleito qualquer, conflita com a dos eleitores ou seja, com a autoridade do povo - A qual é por assim dizer a fonte do poder e da legitimidade - deve o Parlamento ceder, exercendo fielmente a representatividade para que foi constituido ou...

Nada mais importante na obra de Locke e nada mais atual do que este ou...

Nos casos em que o Parlamento se arvorasse em poder supremo contra a vontade popular era defeso aos cidadãos livres - Por meio doutra instância governativa ou DA FORÇA (isto mesmo 'Da força) - dissolve-lo.

Agora porque raios Locke atribuia ao povo o direito de dissolver um Parlamento legitimamente eleito?

Simples, porque a finalidade da eleição era constituir representantes ou seja elementos que conhecessem os pontos de vista de seus eleitores e fossem fiéis a eles, encarnando tais princípios. Sem o que as eleições e a representatividade perdiam sua razão de ser. Afinal para que eleger dominadores absolutos???

Aos olhos do teórico inglês da democracia caso o Parlamento resistisse a vontade popular e continuasse e a legislar em prejuízo dela, teríamos como já foi dito uma ditadura provisória, ficando caracterizada a ilegitimidade e estabelecido o direito de revolta, segundo o qual era defeso ao povo por os demagogos para correr.

E considere o leitor que aquele tempo não eram os tais representantes pagos para representar como o são nos EEUU e Brasil de hoje. Hoje são pagos para cumprir com seus deveres, pagos com nosso dinheiro, pagos com o provento de nossos impostos, pagos para - Como quaisquer outros funcionários - cumprir com seu dever que é representar, o que supõem honestidade e fidelidade. Evidente que a exemplo de todos os outros funcionários e servidores públicos, os cargos políticos correspondam a determinados condicionantes... No caso dos políticos eleitos este elemento condicionante é representar os eleitores. Em cessando a representação política cessa a legitimidade dos titulares, devendo ser removidos de seus cargos, de um modo ou de outro... Do contrário teremos uma ditadura, e o que é mais cômico, financiada ou paga por nós mesmos!

Observe agora o leitor que dissolver um parlamento infiel ou derrubar um tirano não constitui apenas um direito sagrado e inalienável derivado das fontes democráticas. Do ponto de vista da cidadania e da liberdade constitui um dever.

A essas horas o demagogo Donald Trump já deveria estar sendo convocado ou mesmo processado pelo Senado de seu pais...

Que dizer então de um país em que um elemento golpista, leva a cabo, arbitrariamente, uma reforma sacrílega - Da previdência - sem o apoio do povo??? De um governo imoral, que exime certas categorias da Reforma, estabelecendo um estado de exceção??? Privilegiando aos próprios políticos, a casta militar e aos policiais, como se tais elementos fossem superiores e os demais cidadãos de categoria inferior ou de segunda classe??? Que tem se estribado em mentiras e falsa propaganda??? Que tem ousado reprimir cidadãos livres no exercício sagrado de seus direitos assegurados pela Constituição??? Quem tem por único fim aquecer o mercado e a iniciativa privada? Que locupleta-se por meio dos cargos que detém e prevarica sordidamente???

Se Trump merecia ter sido reprovado ou corrigido pelo parlamento de seu pais caso John Locke fosse levado a sério, que pensar dobre o 'governo' do Brasil???

Que pensar sobre um governo que não foi diretamente eleito pelo povo? Sobre um governo empossado após a derrubada de uma presidente honesta por um bando de ladrões e corruptos liderados por um mafioso como Eduardo Cunha? Sobre um governo cuja tacha de aprovação não chega a dez porcento? Sobre um governo cuja pauta principal consiste em impor, a toque de caixa, toda uma série de reformar anti populares? Sobre um governo voltado exclusivamente para as necessidades artificiais impostas pelo Mercado financeiro? Sobre um governo imposto pela FIESP???

Julgue você, leitor benevolente, o que um povo livre e soberano já deveria ter feito com um governo desse tipo???

Isto é claro se John Locke fosse conhecido e levado a sério...

Enfim se foi para constituir essa ditadura provisória, mas tão abjeta quanto as velhas monarquias, por que não mantivemos a monarquia???





domingo, 15 de janeiro de 2017

Mutilações ou Materialismo, empirismo crasso, positivismo e a dificuldade de lidar com o fenômeno humano

Nos combatemos conscientemente a concepção materialista de processo histórico e existência humana pelo simples fato de não saber lidar com a integralidade do fenômeno humano e consequentemente mutilar seus setores de atuação em termos científicos.

Por mais estranheza que nossa afirmação possa vir a causar o materialismo tem causado um mal imenso a humanidade. Males tão grandes e tão sombrios quanto aqueles que foram conjurados pelo fanatismo religioso e pelo sectarismo, outra grande fonte de males.

Em termos de psicologia a partir da invenção do behaviorismo - que é uma adaptação forçada e arbitrária da Psicologia as exigências da mística materialista - tornou-se dificil senão utópica e impossível a colaboração entre psiquiatria e psicologia, isto pelo simples fato do psiquiatra em geral encarar o psicólogo como charlatão e repudiar aprioristicamente a existência de enfermidade psico somáticas. Daí a dopagem sistemática de pacientes incuráveis - em termos puramente materiais ou somático - a ocultação de sintomas e a destruição da qualidade de vida e das esperanças de milhões e milhões de seres humanos. Os quais bem poderiam ter sido 'salvos' ou ajudados caso tivessem sido encaminhados a um terapeuta. No entanto, por questões de ideologia, é a psicologia e mais ainda a psicanalise, desprezada pela alta roda do materialismo.

Não é para menos que o apóstolo do materialismo tupiniquim profo Silva Mello - aquele mesmo que tinha medo do escuro e de fantasmas (!!!) rsrsrsrs - compôs alentado volume contra a psicanalise atacando a concepção dinâmica da mente e a abordagem do inconsciente.

Como o inconsciente não é material e portanto acessível as técnicas do empirismo, assusta ou melhor aterroriza os acanhados positivistas...

Da psicologia passam os estragos feitos pela escola a Filosofia ou melhor a Ética e já escrevemos extensamente a respeito. Como a consciência ética em termos de juízos e valores tampouco é materialmente perceptível e acessível aos sentidos, negada ou obscurecida a ideia de um Deus Legislador converte-se ipso factum em opinião individual ou em preconceito.

Desde então o individuo torna-se ele mesmo lei e critério interno de bem e mal.

Portanto quem achar felicidade no estupro...

Quem puder matar sem ser pego...

Quem quiser roubar sem ser notado...

Afinal não há lei objetiva e externa ao homem que torne tais ações más. Quem o diz é o pensador e filósofo ateu e cético D Hume.

Bem se vê que ao contrário do que dizem e declaram Dostoyevsky não mentiu e 'Sem Deus tudo é permitido' por não haver critério de ética externo, objetivo, universal e obrigatório. Sem Deus não há legislador ou lei. Evidentemente que estamos falando em lei ou direito natural e não em normas e regulamentos religiosos. O exercício da razão partindo de Deus e da consciência é o quanto basta para deduzir os elementos da lei moral desde os tempos dos estóicos e da neo escolástica espanhola Salamanca, caminhos porque chegamos a concepção humanista ou melhor personalista.

Vejamos agora como neste caso a emenda ainda acabou saindo bem pior do que o soneto.

Pois para fugir ao cipoal do individualismo crasso teve a maravilhosa ética ateística de converter-se em questão de policia ou de caserna, vindo a definir-se como lei jurídica e contratual firmada por um grupo qualquer de homens ou pelo Estado. Destarte, excluído o foro da consciência, chegamos a negação da pessoa e seu espaço (Aberto a duras penas pelo odiado Cristianismo) e a 'ditadura da maioria' - aqui uma aplicação livre de Aristóteles - em termos de formalismo democrático puro ou teoria pura do direito (Hans Kelsen) e em termos de liderança arbitrária autocracia, de um modo ou de outro, por um caminho ou outro a estatolatria e ao totalitarismo. Pois já não nos cabe, como preconizavam Thureau e Spooner, julgar as lei positiva a partir da consciência segundo o critério da justiça.

É todo um abjurar da criticidade e da racionalidade face as exigências da lei ou do Estado e um admitir que a comunidade jamais era em termos de direito ou 'justiça', sendo absolutamente justo tudo quanto ela decreta. E não se trata de uma característica especifica do Estado autocrático representado pelas ditaduras, mas de um problema que toca aos fundamentos da doutrina estruturalista e formalista de democracia, cuja gênese não á outra senão a mesma negação sistemática de uma Ética essencial e de um direito natural, donde surge a vã pretensão de governar todas as esferas da existência e de legislar totalitariamente, sem fazer conta da dimensão privada ou pessoal da vida cuja deliberação não cabe a esfera pública do político nem mesmo sob a forma democrática.

Evidentemente que o materialismo formalista não pode conceder qualquer espaço a esfera pessoal segundo as exigências da Ética da essência ou do direito natural (fundamentado numa lei transcendente e externa ao individuo) porque os amiguinhos ateus revindicariam o mesmíssimo espaço na perspectiva do individualismo crasso, com as funestas decorrências que já apontamos. Pois cada qual aspiraria fazer o que quer, identificando o bem com sua própria vontade, com seus desejos e gostos... Do que resultaria um caos inconcebível, e quiçá a destruição da Sociedade.

O materialismo e o ateísmo em termos de ética, lei e política jamais sai destes dois extremos assustadores: O individualismo absoluto segundo qual o individuo é lei suprema de si mesmo e tudo, realmente tudo pode fazer e o totalitarismo formalista segundo o qual toda lei procede do poder político estabelecido devendo ser acatada. Dando-se por certo que a maioria jamais se equivoca, ao menos numa perspectiva democrática.

Claro que a respeito do individualismo crasso passo a largo. Para mim equivale sempre a psicopatia ou a um defeito de educação e caráter.

Se você se sente seguro face a ação de pessoas que acreditam inexistir qualquer tipo de limite ou lei acima de si mesmas, parabéns, vá em frente...

O que pretendo examinar aqui é a teoria política e jurídica, aparentemente mais séria, segundo a qual devemos sempre seguir as determinações ou decisões da maioria em termos de lei i é de direito positivo, mormente sob a égide da democracia. Tudo isto nos parece de fato muito lindo mesmo...

Mas pode não ser tão lindo.

Pois em que pese o caráter autocrático de Hitler ele recebeu maciço apoio por parte do povo alemão, o que nos leva a ventilar se de fato seu poder não procedia do povo... Seja como for, com o apoio ativo do povo, cometeu todos os crimes abomináveis que conhecemos. E podemos dizer o mesmo sobre muitos outros governantes...

O democrático governo dos EUA legalizou o acesso irrestrito ao aborto, noutras palavras do infanticídio. Este mesmo governo democrático manteve em vigor durante quase cem anos uma série de leis de exceção com relação aos cidadãos de ascendência africana ou pele negra, e com apoio tácito das multidões! O mesmo estado democrático por fim tem aprovado guerras infinitas, de que temos exemplo nas invasões ao Iraque, a Líbia, a Síria, etc Democraticamente pobres, negros e ladrões de galinha são regularmente executados nos EUA e a população de modo geral controlada!Tudo realizado com o apoio da maior parte da população e do Congresso ou seja democraticamente.

Democraticamente minorias são oprimidas, cidadãos executados (ao invés de serem reeducados), crianças assassinadas e populações dizimadas.

Democraticamente é o homem esmagado pelo aborto, pela pena capital, pela guerra, pelo preconceito (temos as leis homofóbicas ou restrições a cidadania plena deste nicho social), etc

Democraticamente um mercado é priorizado em detrimento ao ser humano...

O imperialismo yankee, o nazismo, o fascismo, o comunismo e hoje o sionismo são legais!

De fato não a crime hediondo que já não tenha sido aprovado pela lei positiva!

Aqui no Brasil tivemos a democrática aniquilação de Canudos que foi a apoteose da bárbarie.

Então vejam a que abismo sinistro de degradação conduziram-nos os formalismos democrático e jurídico netos do ateísmo e do materialismo... Conduziram-nos a negação da pessoa humana e a crise da civilização.

Após a negação do Deus Legislador e da consciência o homem é que foi abatido e aniquilado!

Portanto já explanamos sobre os estragos feitos pelo positivismo no campo da política e do direito por meio de seus legítimos rebentos que são os formalismos, negadores da ética da essência, da lei natural e portanto do espaço da pessoa e da consciência.

Sacrificamos a noção tão cara o velho Platão que é a justiça e pela negação da autonômica pessoal (na esfera das coisas pessoais) chegamos a mais triste servidão: A política vazia e o direito positivo ou puro.

No entanto o positivismo contaminou ainda outro setor, a saber o da própria ciência, ou melhor da técnica, engendrando uma ciência pretensiosa, arrogante e opressora; sempre irredutível no sentido de reconhecer seus próprios limites... Limites Éticos.

Desde então persuadiram-se alguns cientistas de que animais e homens lhes pertencem a títulos de cobaias. O resultado disto foi a exposição de milhares de seres humanos a experiências de caráter doloroso ou desumano, sempre em nome do progresso. E não só no âmbito do odiado nazismo mas até mesmo - e como - na democrática e emancipada Sociedade Yankee, onde a prática desumana e anti humana chegou a ser publicamente defendida! Quanto aos animais falar o que??? Como a Sociedade ainda esta longe de compor-se com Peter Singer...
Na Idade Moderna tivemos N Maquiavel com a oportuna 'Razão de estado'... O positivismo bisonho brindou-nos com a 'Razão de ciência'. Em termos de metafísica abstrata o 'progresso' tudo justifica.
Mas quando pretendemos saber que é progresso, oh desilusão clamorosa, pois quase sempre progresso nada mais é que conta bancária bem gorda e lucros por parte do empresariado cientificamente engajado... Claro que fala-se muito em humanidade, interesse pelo ser humano, benemerência, etc Todavia no frigir dos ovos as culturas mais 'pobres' e as pessoas sem meios, continuam a margem dos benefícios auferidos pela ciência, uma vez que são caros e até custosos. Evidentemente que esta situação deve ser questionada, mormente quando pedimos a colaboração heroica a cobaias humanas, as quais raramente habitam em Beverly Hills ou no Leblon.
Como o positivismo não pode, não sabe e não quer trabalhar com Ética ou juízos de valor porque violam o paradigma materialista da neutralidade, mostra-se sempre e inalteravelmente servil face as guerras, aos preconceitos, as exigências do mercado, etc sem jamais questionar os resultados. É deste materialismo tosco acomodar-se a realidade abjurando do quanto seja ideal. O positivismo em sua miserabilidade extrema coopera, colabora, auxilia... E jamais é crítico face ao poder econômico, o direito positivo ou as decisões políticas.

Partindo dessa assimilação passiva - idêntica ao 'perinde cadaver' dos antigos jesuítas - ou dessa conciliação eterna com a realidade dada, onde chegaremos no momento em que as culturas de morte tomarem posse legal ou política dessa realidade??? Se não tem vigor ético ou moral para questionar o Capitalismo ou seus abusos, como crer que haverá de resistir ao fascismo ou ao nazismo???

Sim eu acredito que um realismo epistemológico, um realismo ousado que assume a realidade do imaterial, do mental ou do espiritual ao lado do elemento material e integrado a ele; associado as teorias de espaço pessoal, ética da essência e jusnaturalismo, produziria uma sociedade moralmente mais crítica ou autônoma, sem chegar aos excessos do individualismo crasso, explosivo e dissolvente.

Talvez ainda esteja em tempo de mudarmos nossos paradigmas e de repensar o mundo que temos e que queremos... Então vamos refletir sobre tudo isto, afinal:

"Pelos frutos é que os conhecereis."







quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O 'espírito' da democracia ou afirmação da objetividade moral

Topei na "Nova Idade Média" de Berdiaeff com uma crítica bastante acida ao formalismo democrático, parte da qual reproduzo:

"A Democracia reveste-se ela mesma de um carater puramente formalista, ela própria ignora sua essência e, nos limites do princípio que afirma não tem consistência alguma... A democracia é indiferente a direção e a essência da vontade do povo, não dispõe de critério algum... para definir o valor da vontade... A democracia permanecer indiferente ao bem e ao mal.... é indiferente pois perdeu a fé na verdade... A democracia é cética e filha de um século cético.... Ela não pode admitir que a vontade do povo possa dirigir-se para o mal; que a maioria possa ser pelo erro e pela mentira, e que a verdade e o bem possam subsistir no seio duma pequena minoria... ela tem fé e cre que a maioria sempre acerta."  231

Considero trágicas tais palavras, mas imensamente atuais, geniais e profundas. Especialmente para mim  que sou Policrata ou adepto da democracia direta.

Os democratas acima de todos devem ser honesto buscando compreender as limitações da democracia e estudar seus problemas. Críticas não deveriam apenas ser esperadas mas bem vindas.

Eu não tenho esta fé. No sentido de que a maioria acerta sempre.

Todavia no que diz respeito as coisas comuns e a esfera do político encaro a democracia como o sistema menos imperfeito ou mais seguro: todos enganam-se porém é muito mais facil que individuos isolados enganem-se e mais provável de que o coletivo acerte. Desde que haja ampla discussão!

Apesar disto a reflexão de Berdiaeff leva-me a duas conclusões:

  • Devemos traçar e muito bem os limites de nossa democracia estabelecendo o que lhe pertence e o que não lhe pertence para que não se torne 'totalizante' ou totalitária. Sim, pois uma democracia direta ou não também pode tornar-se totalitária, despótica e inadequada.
  • Devemos reconhecer que há algo acima das democracias ou para além delas. Para não criar um estatismo democrático.
Na idade média as coisas eram bem mais fáceis e comodas. Havia um papa e este papa pensavam por todos e arbitrava sobre todas as coisas; inclusive sobre política, constituindo uma espécie de árbitro superior. Era o meio porque a esfera da religião sobrepunha-se a esfera imanente do poder temporal. No antigo oriente ou no Leste este meio era o concílio ecumênico.

Mudaram os tempos. Concílios tornaram-se impossíveis de serem congregados e os papas romanos passaram a ser apresentados não só como faliveis mas como usurpadores do poder secular ou viciados. Hoje temos uma ONU, a qual continua sendo falivel... Assim se é certo que o Papa romano procedendo por cálculo exorbitou seus poderes não é menos certo que os homens buscaram nele e na fé que representava uma espécie de tribunal superior capaz de revisar os atos políticos necessariamente falíveis.

Após o papa os protestantes tomaram por árbitro um livro: a Bíblia. Aqui a situação tornou-se ainda mais calamitosa porquanto a Bíblia sendo um livro ou amontoado de papéis desprovidos de vida e razão, é sempre incapaz de interpretar a si mesma. Interpretaram-na os homens, cada qual a sua maneira. Fermentaram opiniões, hipóteses, palpites, crenças, credos em grande quantidade, uns em oposição aos outros. Diversos Cristianismos e diversas seitas... O protestantismo com suas variações ou divergências interpretativas falho miseravelmente, perdendo a religião sua primazia em termos de Ética.

Foi, como já dissemos noutros textos nossos, tal primado diretor, assumido pelo elemento comum da razão humana inaugurando-se o período do racionalismo ou das luzes. E toda uma Ética, destinada a direcionar as relações humanas - fossem sociais, políticas ou econômicas - foi elaborada. Uma Ética firmada na transcendência (Conceitos de lei natural e Legislador Supremo) mas já naturalista veio a luz. A unificação foi iniciada com relativo sucesso... antes de estar concretizada no entanto apareceram Hume e Kant este proclamando a morte da metafísica. 

Consolaram-se os doutos com a posse da ciência numa perspectiva nitidamente material ou materialista. Desde então o primado das relações humanas foi assumido pelo econômico (capitalismo e comunismo) ou pelo político e /ou étnico (fascismo, nazismo). Nada mais sobrepunha-se a máquina, ao mercado, ao estado ou ao parlamento convertendo-se tais instituições em deuses. Sem fé, papa, Evangelho ou a simples razão edificou-se uma ciência sem consciência! Até que a própria ciência e toda objetividade foi abatida pelos pós modernos. Restando apenas Estado, Nação e Mercado; fascismo, nazismo e capitalismo; e o pobre homem indo de uma a outra destas fúrias!

Após a falência da razão, o desaparecimento da Ética e o triunfo do ceticismo o econômico e o político converteram-se em 'tetos' da atividade humana. Teve como disse o escritor russo, a democracia de tornar-se meramente formal pelo simples fato de negar a existência de qualquer conteúdo objetivo exterior a si e, em certos contextos de regular por inteiro as vidas dos cidadãos. Invadindo os domínios questionáveis (???) do pessoal, o santuário do Ser.

Alias, quem poderia definir qualquer verdade objetiva exterior a atividade política do corpo social? O papa, o Evangelho, a razão, a ciência??? Após Hume, kant e os pos modermos a transcendência, a racionalidade ou a objetividade material unificadora foram substituídas por um vácuo. Nada restou acima do econômico e do político; do mercado, do parlamento ou da nação!

As pretensões do mercado, do parlamento e da nação tornaram-se abusivas e opressoras a ponto de desumanizar o homem. Apareceram as dinastias dos Stalines, dos Mussolinis, dos Hitleres, dos Bushes, etc Até mesmo as democracias cederam a tentação de ultrapassar a demarcação e legislar a respeito do que diz respeito apenas e tão somente a esfera partículas da personalidade e não ao espaço comum. Espremidas pelo liberalismo econômico algumas formas de liberalismo político ou democracia chegaram a ameaçar a matriz de todos os liberalismos: o liberalismo pessoal ou moral!

Quiçá não haviam lido ou compreendido as primeiras páginas do "Contrato social" onde esta muito bem escrito que certos direitos inerentes a pessoa humana não podem ser cancelados ou restritos nem mesmo pelo grupo social ou democraticamente. Mesmo que diretamente aprovada por todos os habitantes duma determinada Vila a confiscação de uma propriedade qualquer, fruto do trabalho de um de seus companheiros continuaria sendo um crime imperdoável. O máximo que a comunidade poderia fazer é indenizar o proprietário em questão se tal fosse de fato exigido pelo bem comum. Pois se tal não fosse rigorosamente exigido pelo bem comum, nem a título de indenização poderiam tomar posse de tal propriedade enquanto fruto do trabalho pessoal.

Tais os juízos que se fazem sobre a vida humana cujo valor é incalculável.

Mesmo quando aprovados diretamente por uma maioria.

Ocorre-me a condenação de Sócrates pelo Aeropago e a condenação de Jesus pelo Sinédrio: houve alguma discussão, houve voto, houve decisão da maioria e mesmo assim clamorosa injustiça! Por isso não creio na infalibilidade da maioria! Por isso não admito pena de morte exceto em caso de crises cometidos por fanáticos religiosos (uma vez que estes costumam assumir seus crimes e vangloriar-se deles).

Por isso precismos considerar o que esta fora e o que esta acima do político, mesmo sob sua forma democrática. Pois nem mesmo o grupo social tem o direito de regulamentar o comportamento pessoal ou o que esta fora do espaço comum ou da vida pública. A democracia não é nem pode ser totalizante e totalitária. Deve reconhecer seus próprios limites com absoluta precisão. Não pode fabricar autômatos como o fascismo ou a teocracia. Não pode legislar sobre todos os elementos da cultura.

A democracia para ser democracia deve conhecer as fronteiras da pessoa. Não os caprichos dos individuos que pretendam exercer domínio sobre o que é comum ou público. Mas os limites internos da pessoa.

Sob pretexto algum poderia a maioria democraticamente determinar que a totalidade dos cidadãos preferisse Coca Cola a Guaraná, que optasse pelo Verde ao invés do amarelo, que ouvisse gospel ao invés de rock, que comesse arroz no lugar de macarrão, que contraíssem matrimônio com fulano ou beltrano... pois são decisões que não dizem respeito algum a esfera comum do político mas as esfera particular da vontade pessoal. Em termos de preferências dietéticas, estéticas, sexuais, musicais, ideológicas (aqui até certo ponto) não cabe juízo político, mesmo sob a forma democrática. Alias seria essencialmente anti democrático pretender faze-lo.

Queremos dizer com isto que não existe liberdade social ou liberalismo político que possa sobrepor-se aos direitos da pessoa humana. Direito a vida, a conservação de sua integridade física, ao execício da liberdade alheia, a tolerância, a igualdade, a justiça, etc Bem pode o político estabelecer preconceitos como direito na forma da lei. Neste caso devemos preferir o bem e a justiça, mesmo quando fossem o machismo, o adultismo, a homofobia, o racismo, etc sancionados pela totalidade dos cidadãos da República. Neste caso deveríamos ficar com o que esta para além do político e da própria democracia: com a dignidade humana.

Implica reconhecer não só a forma democrática, que sempre poderia ser preenchida por qualquer coisa e reproduzir os erros da estatolatria nazista. Implica reconhecer a existência de um espaço Ético para além da democracia e do formalismo político. Implica reconhecer um espírito ou ideal de justiça que não pode ser tocado ou transtornado pelas mãos humanas.

Não podemos todavia chegar até aqui sem ressuscitar uma dama chamada razão. Elemento comum e unificador de todas as mentes. Não podemos nem queremos ressuscitar o papado. Não podemos mais tomar por critério o Evangelho profanado pelo livre exame. Não podemos tomar por guia as tradições particulares do Cristianismo Católico (em termos sociais). Uma Sociedade pluralista, laicista e democrática só poderia tomar por critério o elemento imanente e comum do raciocínio. O qual exercido em comum, mesmo sem chegar a ser infalível, será sempre seguro.

Levantamos a ponta do véu...

Para escapar aos monstros do capitalismo, do nazismo, do fascismo... da estatolatria... da teocracia... do formalismo político ou democrático temos de inserir ou insuflar um espírito dentro desta forma. Como um corpo sem alma não passa dum cadáver a democracia meramente formal, apartada do bem, da verdade e da beleza não passa duma casca. Receberá este espírito e viverá quando desprezar os profetas da modernidade e restaurar sua crença na capacidade da razão, elemento comum destinado a congregar a espécie humano em torno do mesmo ideal ético.

Recebendo este espírito de ideal ético converter-se-a a democracia formal num organismo vivo destinado a abarcar a sociedade humana como um todo. Mantida como simples formalismo desvinculado da cultura deixará de existir. Caso tal se suceda a civilização entrará em colapso e o mundo, mais uma vez, ver-se-a juncado de ruínas.