Mostrando postagens com marcador autoridade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autoridade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Por que alguns pais não educam ou põe limites aos filhos





Entre as diversas crises porque passamos uma das mais sérias é a crise da Educação. E desta vez não me refiro a educação escolar, a qual, segundo nossa LDBN, é oferecida em instituições próprias e sim a Educação elementar que deveria ser ministrada pelos pais e responsáveis no espaço familiar.

Parece que esse tipo de Educação não está acontecendo, pelo simples fato de que os agentes não tem sabido maneja-lo.

Exatamente - Parece que no tempo presente os pais tem medo ou receio de educar.

Sim - Devem ter medo e receio de agredir fisicamente, de bater, de surrar, de agredir, etc porque isso não serve de nada e educar ou limitar é absolutamente necessário.

Não nos enganemos > Sem educação ou noção de limites intransponíveis produziremos apenas monstros ou aberrações; tarados, maníacos e sociopatas.

Todo ser humano tem necessidade de limites ou de limitação tanto quanto tem necessidade de comer, beber ou respirar.

Estabelecer limites não é constranger, não é dominar, não é humilhar, não é agredir, não é violar, etc mas humanizar. 

Trata-se repito de uma necessidade moral ou humana das mais básicas.

Supõe valores a serem dados ou determinados, e assimilados, como supõe orientação, regras, direção e portanto autoridade e punições ou castigos; coisa que ainda assusta muita gente.

E no entanto você não pode conceber a educação sem tais elementos: Princípios e valores a serem comunicados a consciência e introjetados, direção, autoridade e punições.

Agora temos de entender que a educação deve ter por fim não um controle insuperável e sim a autonomia do sujeito > De modo que em posse da sã razão ou de uma capacidade reflexiva consumada possa rever os princípios, valores, crenças e costumes recebidos, rejeitando-os inclusive caso pareçam absurdos ou inconsistente. Ao adulto normal, consciente, pensante, etc cabe o pleno exercício da liberdade. No entanto a criança precisa ser conduzida ou educada, ainda que com amor, carinho, bondade, paciência, etc

Tampouco deveria ser tal autoridade arbitrária ou caprichosa, e aqui tocamos a questão do abuso de autoridade ou do autoritarismo. O adulto, o pai, o responsável deveria exercer a liberdade buscando sempre o interesse da criança e seu bem estar, não sua própria vantagem ou satisfação, porque aqui já é o oprimir ou dominar.

Assim usar a criança ou o filho como um servo, um empregado ou um executor de serviços jamais equivalerá a educa-lo.

E se muitos hoje tem receio de contrariar, exasperar ou desagradar o filho outros pelo contrário tem o sádico prazer de contraria-lo sempre ou de tornar sua existência insuportável. Uns convertem a educação em tirania, escravidão, opressão e nesse sentido numa fonte de traumas, complexos, desajustes e bloqueios muitas vezes insolúveis; enquanto outros abdicam por completo dela, e, guiados pelos gurus neo freudianos, dão a entender que não existem quaisquer limites > E a criança, pobre dela, aprende que pode tudo ou que é dona do mundo... 

Deve o pai corrigir seu filho com firmeza e carinho sempre que ele cause dano ou prejuízo concreto a qualquer ser vivo ou ao menos a qualquer animal - No mínimo a todo e qualquer ser humano, e aqui toda e qualquer resistência ou obstinação faz jus a algum castigo ou restrição.

Não se trata obrigar a criança a gostar determinada cor ou a consumir determinado alimento, pois aqui nos aproximamos demasiadamente da opressão. Mas de respeitar todas as formas de vida, de não causar dano ou prejuízo aos outros animais que conosco convivem, de tolerar os demais seres humanos que exercem a tolerância, etc

Neste sentido ético, vital e humano devem haver metas concretas a serem atingidas, padrões de comportamento a serem evitados e, consequentemente, castigos e punições.

Castigos e punições são palavras que causam receio e suspeita a muita gente boa, pelo simples fato de que no passado sofreram abuso e foram equivocadamente empregadas - Servindo ao despotismo, a tirania, ao poder arbitrário, etc e acarretando um torvelinho de dores. Sejam corrigidos os excessos e erradicados os abusos, não a punição justa e sábia, sem a qual a educação se torna improfícua.

A norma é simples: Quanto mais você ensinar pelo exemplo (Comenius) menos precisará impor quaisquer hábitos. No entanto, quando, apesar dos exemplos, houver infração, haja castigo.

Não físico, não físico, mas quando possível reparativo ou restritivo.

Toda vez que a criança causar qualquer dano ou prejuízo deve o adulto, sempre que possível for, fazer cessar aquele dano. Se ve-la chutar ou pisar numa flor ou erva, faça com que replante as mudas, galhos, sementes, etc Caso machuque um animal qualquer obrigue-a a cuidar dele ou a tratar de sua saúde. Se ofender alguém obrigue-a a pedir desculpas. Se furtar faça restituir. Se agredir mande dar algo seu ou algo de que goste em compensação, etc 

Mas a criança sempre pode resistir. 

Sim, sempre pode.

Nesse caso que fazer...

Surrar ou bater...

Jamais.

Nesse caso o adulto > Pai, responsável, professor... Repare o dano causado diante dela e em seguida castigue-a com um restrição.

E para tanto haja com sabedoria, prevalecendo sempre do que a criança ama ou mais gosta, para que sinta algum impacto.

Exemplo: Se aprecia muito ir com o adulto a um determinado local, num determinado dia - Tipo: Ir pescar com o pai todos os Domingos, diga em alto e bom som que não haverá pescaria nos próximos três Domingos PORQUE, pisou no rabo do gato do vizinho - E repita isso a cada Sábado e Domingo, recordando o motivo porque não terá aquele prazer. 

Retire um mimo, presente, benefício qualquer, sempre relacionando com o dano causado por ela. 

Para que o castigo não venha a perder seu sentido e sua força jamais o empregue com propósitos banais, assim arbitrariamente. Importa que desde pequenina tenha a criança uma certa esfera de liberdade - Quero dizer com isso que tenha o direito de escolher uma determinada cor de roupa, certos pratos ou alimentos que lhe pareçam saborosos, determinados brinquedos, determinados amiguinhos, determinados locais ou mesmo preferências musicais e artísticas, etc Tudo quanto for eticamente neutro ou que não cause dano ao outro ou a própria criança lhe seja permitido. Haja portanto um controle rigoroso mas não absoluto ou total, pois a criança tem o direito de ter preferências ou gostos que sejam seus.

Imaginar que seu filho seja um outro você ou uma cópia sua pronta e acabada, permita-me dizer é uma doença ou defeito de caráter que não deixará de suscitar conflitos e turbações. Eduque eticamente seu filho, comunicando-lhe princípios e valores saudáveis mas não exija que ele ou ela seja uma cópia sua. 

Também é necessário que o castigo tenha prazo de validade ou que não seja demasiado longo. Importa que a criança sinta pelo que fez... Não que sinta sempre ou eternamente, pois o objetivo é que altere seu comportamento e se torne melhor. Deve o pai ou responsável compreender perfeitamente que educar ou punir não é vingar-se - Pois se vingar-se de qualquer um outro é muito pouco nobre, vingar-se de u filho ou de um aluno é doentio e deseducativo.

Caso vá aplicar determinada punição ou restrição a seu filho com espírito de arrogância, ódio, crueldade ou vingança melhor abster-se de aplica-la, pois aqui a emenda sairá pior do que o soneto. Considere portanto seu inconsciente sempre que for punir algum pupilo e busque sempre purificar suas intenções, ter em mente o benefício dele e estar certo de que esta a castiga-lo por amor ou para que venha introjetar princípios e valores saudáveis. Sim certifique-se que ao educar ou punir esta buscando em seu pupilo o bem da espécie ou da família humana e não a satisfação do ego, e assim não correrá o risco de exceder-se.

De qualquer forma, e esse é o temor de todo pai educador ou mãe educadora, meu filho ou minha filha poderá vir a odiar-me e a acalentar ressentimentos contra mim, inclusive desejando vingar-se quando for adulto.

Sim, até pode ser que seu pequeno, apenas por não ser capaz de compreender perfeitamente o que esta acontecendo, passe, ao menos num primeiro momento, a nutrir certos sentimentos negativos por aquele que o corrige ou orienta.

Pode ser inclusive que deseje ser mais velho apenas para dar-lhe um bom soco na cara ou chute na bunda... Todavia, fora os casos de agressão física, as crianças tendem a esquecer muito rapidamente tais tipos de evento.

Via de regra, quando a criança cresce, amadurece e tem seus próprios filhos a tendência dominante é compreender os esforços educativos de seus pais e professores admirando-os e respeitando-os ainda mais. Invertidos os papéis, o homem ou a mulher, educados com sucesso tendem a encarar aqueles que os educaram como modelos de heroísmo.

Já no caso dos que não receberam qualquer noção de limites, esses sim, tendem a ser uma eterna fonte de problemas para seus pais e mestres.

Pois educar é em ultima analise comunicar consciência sobre nossa condição restrita e limitada onde os direitos pessoais começam onde terminam os direitos alheios...

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Os erros e acertos do Sardinha (Antonio in 'Glossário dos tempos' 1942) - Prólogo





Sempre interessados pela literatura - Tanto quanto nos interessamos pelas ideias... e portanto em Gil, Camões, Bernardes, Vieira, Garrett, Herculano, etc resolvemos folhear 'O testamento de Garrett (Opus cit p 53).

E ao folhear topamos ali com a costumeira mistura de luz e trevas com que topamos e toda obra humana ou ideológica. Posto que os criticantes, como Sardinha, presumem estar muito acima dos criticados como os liberais políticos, constitucionais ou democratas ou, em termos atuais, os comunistas e anarquistas. 

Porém, considerando tudo em seu conjunto, ou como sistemas fechados, acabados e prontos, Comunismo, Anarquismo, Fascismo e Capitalismo são praticamente a mesma coisa, embora acredite eu que o último ou quarto modelo seja o mais tenebroso, eu que em POLÍTICA, sou ultraliberal intransigente ou policrata.

Já expus em diversos artigos aquilo que alguns teóricos chamam liberalismo, em singular, não existe ou é grosseira ficção construída por ideólogos e panfletários. Existem liberalismoS, como existem renascimentoS, ReformaS e SocialismoS... Alias liberalismos em conflito como assinalaram Polanyi e Arendt dentre outros, tendendo o Liberalismo econômico, a restringir o espaço do Liberalismo essencial - O político - e a reduzir-lhe a qualidade, por onde, com sua educação ineficaz, a miséria e o fundamentalismo religioso chegamos a OCLOCRACIA e jamais a democracia.

E de fato muito do que os autoritários ou fascistas, e comunistas, e outros liberticidas tem criticado e combatido, não é democracia (E menos ainda policracia.) mas pura e simples oclocracia ou comando de massas acríticas manipuladas por uma elite econômica sem consciência.

Sócrates combateu, não a democracia, porém o espectro da oclocracia ou sua ameaça ao apontar os defeitos de uma democracia demasiado ingênua (A nossa é puramente formal ou como dizem 'positiva' - Vício análogo), e por isso foi morto. Prestou porém imenso serviço a causa democrática, como prestam todos os críticos que apontam os defeitos que a tornam vulnerável. De modo que as críticas deles - Exceção feita aos teocráticos ou fundamentalistas com suas citações de livros! - sejam comunistas, fascistas ou anarquistas devem sempre ser examinadas com todo cuidado e levadas em consideração caso queiramos produzir uma democracia de qualidade na qual a Liberdade e a Autoridade, o Direito e o Dever, a Pessoa e a Lei, caminhem juntas num estado ideal de equilíbrio.

Tornando aos sistemas fechados, temos no Comunismo o defeito supremo da Ditadura do proletariado, pelo simples fato de que Marx, lúcido crítico da estrutura capitalista ou de mercado, era coxo no terreno da ciência política não sendo digno de desamarrar as sandálias de um N Poulantzas... Apesar disso os comunistas, como os socialistas - E quem o diz ou confessa são os sisudos padres romanos ou tridentinos a exemplo de um H Chambre, de um Bastos de Ávila, de um Lebret ou de um Abbé Pierre (Assim o leigo Tasso da Silveira em seu artigo sobre M Gorki)  - Tinham sensibilidade suficiente para perceber que a pessoa humana estava sendo triturada pelas estruturas econômicas importadas da Inglaterra ou dos EUA, o que até hoje é rejeitado pelos partidários cegos ou apóstolos do liberalismo econômico.

Negam inclusive, e escrevo-o em 2023 - as transformações climáticas de caráter antrópico impulsionadas por seu modelo e ainda mais: Mostram-se totalmente céticos face a degradação ambiental, desastres, calamidades e extinção de formas de vidas ultra milenárias deflagradas pela cobiça insaciável de alguns... Chegando a atribuir tais fatos a imaginação de seus adversários ideológicos, em especial aos comunistas, apelando a solução conspiracionista como qualquer ideólogo vulgar ou como os sectários religiosos. Assim tem se portado os defensores do liberalismo econômico, e diante disso não posso absolve-los da pecha de mau caratismo...

Por sua falta de consciência humana, ética, empatia, senso de justiça, sensibilidade, etc não posso deixar de encara-los como piores do que os comunistas totalitários, mesmo quando considero todas as crueldades e misérias do comunismo, as quais não são poucas. No entanto para assassinar, matar ou suprimir vidas sequer é necessário derramar pequena gota de sangue e menos ainda extrair vísceras ao modo dos partidários do antigo regime ou dos revolucionários mais atilados... Pois é coisa que se faz por omissão inclusive. Com privações e excesso de trabalhos torna-se o assassinato banal e nem se percebe a inanição ou a fome, fenômenos que por assim dizer passam batidos.

E se alguém compôs um livro negro do comunismo este bem poderia ser dado em troca do outro livro não menos escuro e sinistro, o do capitalismo ou do mercado. Não seria um livro vermelho, escarlate ou rubro como a bandeira dos comunistas apenas porque não teria havido efusão de sangue, mas isto não significa que não houve luto em abundância. 

Parece-me que o único mérito do liberalismo econômico é ventilar o problema da liberdade econômica ou da livre iniciativa privada no setor econômico, tese com a qual não podemos deixar de concordar desde que se trate de uma liberdade limitada - Alias como todas as mais liberdades, pois ao contrário do que queria Sartre não existe qualquer liberdade ilimitada no mundo em que os seres humanos são múltiplos. - reduzida, controlada e posta a serviço do ser humano ou das necessidades humanas. Claro que quando falamos em controle não nos estamos referindo a um controle necessariamente político e menos ainda ditatorial, mas antes de tudo num controle democrático interno sob a forma de colegiado a exemplo da Idade Média e quando postulamos um controle político ou um planejamento é claro que supomos um modelo político democrático ou melhor policrático, direito e exercido pelos cidadãos.

Não pode haver setor algum da atividade humana desvinculado do Bem comum ou alheio a uma finalidade social. O que remete-nos sempre a um controle político, enquanto veículo dessa estrutura social. Que o econômico aspire separar-se do político é pura falácia, pois uma tal aspiração implica sempre uma dominação e portanto uma subversão a partir da qual passa o Bem comum a segundo plano e os interesses puramente particulares, insaciáveis e egoístas passam ao primeiro plano. Tal a Sociedade econômica, essa carroça posta diante dos cavalos ou bois.

Desarvorado o econômico absorve e destrói o político ou o liberalismo político e logo em seguida o humano ou a esfera de nossas liberdades privadas seja por meio do moralismo sectário ou do controle militar dos quais depende para impor-se e manter-se. 

Apesar disso reconhecemos a premissa liberal de uma liberdade econômica relativa ou não absoluta. 

E quanto o anarquismo...

O anarquismo tem por virtude uma consciência política muito mais acurada ou refinada, pelo simples fato de opor-se a quaisquer modelos totalitários ou a quaisquer ditaduras de direita ou esquerda, do tal ditadura do proletariado aos golpes 'liberais' responsáveis pela derrubada de quaisquer regimes democráticos que se afastassem da ideologia capitalista visando controlar o mercado. 

Notável é o anarquismo quanto declara que nosso modelo democrático é muito pouco democrático necessitando ser aprofundado ou ampliado. É uma visão grandiosa essa passagem da democracia formal ou anglo saxônica para uma democracia real, semi direta, direta ou policrática mesmo quando suponha a demolição do macro Estado e a construção de pequenas comunidades políticas.

Apenas os anarquistas não percebem que esse ideal, quando suponha a criação de centenas ou milhares de micro estados, é incompatível com a existência de um colossal império econômico como os EUA, o qual não teria mínimo escrúpulo em incorporar pela força bruta todas essas comunidades livres, fortalecendo ainda mais seu imperialismo sórdido. Por isso um crítico lúcido já observou que a demolição do macro Estado, se necessária, deveria começar necessariamente pelos EUA que é o centro do poder político e econômico atual.

Outro defeito grave do anarquismo - E pelo qual esta ligado ao Comunismo e ao Fascismo hodierno - é a sanha revolucionária ou o ideal jacobinista legado por Robespierre, Babeuf ou Blanqui. Em sua maior parte os adeptos do movimento anarquista recusam-se a admitir que se possa ampliar a democracia que temos por dentro ou institucionalmente i é por meio de leis e antes delas por meio de greves, protestos, referendos, plebiscitos ou mesmo algumas conjurações oportunas. Iconoclastas, postulam uma demolição total das estruturas sociais vigentes de cujas cinzas surgirá como a Fênix uma nova sociedade. Creem numa transformação radical por meio de uma efusão de violência e não numa possível evolução orgânica.

Um terceiro defeito desse modelo é o furor pela inovação, o que os situa no terreno oposto do conservadorismo acrítico e ingênuo. Estes querem tudo conservar, e a exemplo de Zenon suprimir o movimento ou a transformação. Aqueles, a exemplo de Heráclito, mergulhar a sociedade na instabilidade absoluta pela negação de tudo quanto remeta ao passado enquanto construção histórica de uma cultura. 

O quanto defeito implica por fim em transpor o anarquismo, enquanto uma espécie de rebeldia sem causa ou negação total do passado histórico, para todos os setores da existência humana. Cessando ele de ser uma solução política derivada do princípio da liberdade para converter-se ele mesmo num princípio metafísico compreendido como um 'culto a novidade'. Destarte migra ele, o anarquismo iconoclástico, para outros campos, como a arte e a literatura ou a arquitetura, a ética, etc endossando acriticamente a rebelião modernista engendrada pelo CAPITALISMO, e ampliando seus danos ao infinito até atingir o centro da pessoa.

Este último aspecto do anarquismo, por onde toca o modernismo e o pós modernismo, quiçá seja seu defeito mais grave ou seu ponto mais negativo, pois chega a tocar a gnoseologia e a epistemologia, logo a apreensão da realidade e o sentido, até - Caso seja levado a seus termos finais. - destruir a própria indignação, o modelo ideal, a fé revolucionária na transformação, etc e desembocar no nihilismo crasso.

A revolução devora a Revolução e a subversão aniquila a subversão.

Quanto aos defeitos do Fascismo ou do integralismo formam um cacho... E seus adeptos de tanto criticarem o liberalismo político, o comunismo e o anarquismo tornam-se incapazes de olhar para o próprio umbigo e de contemplar a própria miséria. Certamente não me refiro aqui a abominação nazista com o grosseiro critério de raça... mas ao fascismo bem compreendido.

Antes quero repisar o que sempre tenho dito com absoluto destemor, o Fascismo tem uma compreensão muito mais realista e saudável da cultura e portanto da formação das estruturas político sociais em conexão com outros elementos. É precioso, é a anti tese do anarquismo alienado, mas não passa disso. 

E seu pecado original é a ideia de submissão cega a autoridade, a qual dá vezo a todos os achaques de autoritarismo, tirania, despotismo, opressão, domínio e controle arbitrário que esmagam a pessoa humana. Daí sua admiração pelo modelo militarista e a necessária antropologia pessimista muitas vezes bebida a Agostinho ou a teóricos irracionalistas e deterministas protestantes como Lutero e Calvino. 

No liberalismo absoluto ou crasso - Assim no capitalismo, e no anarquismo temos a ideia de um ser humano angelical ou totalmente bom em sua condição original, e ao qual não se deve impor quaisquer limites ou restrições, o que reporta em parte a J J e aos pós freudianos (Não a Freud, o qual por ser bastante realista e criticava apenas alguns aspectos ou excessos da repressão, jamais ignorando o que fosse educar.). Para tais teóricos, ultra otimistas, a causa de todos os males era justamente o controle ou a restrição em qualquer grau.

Ao lado diametralmente oposto damos com todos os totalitarismos despóticos ou ditatoriais seja o Fascismo ou o Comunismo. E aqui topamos sempre, na raiz ou na base, com Agostinho, tributário por fim de Manes, do que resulta uma antropologia negativa ou pessimista, enfim a ideia de que o ser humano é limitado, incapaz ou malevolente por natureza. Daí a necessidade de controle, tão ardorosamente defendida pelos jansenistas. 

Antes que algum modernista ouse corrigir-me apontando para Pirro de Elis e seus sucessores, com o objetivo de afirmar um pessimismo antropológico naturalista e grego, remeto o leitor a Victor Brochard, e advirto-o de que Pirro de Elis, tendo estado com Alexandre na Índia, tomou seu pessimismo antropológico e sua ataraxia ou quietismo, aos Bicos budistas que por lá deambulavam e portanto duma fonte religiosa ou credal, o que foge aos termos do naturalismo. Buda acreditava que a vontade do ser humano era a fonte do mal, e não preciso dizer mais nada quanto a isso.

Aqui Buda, ali Agostinho ou Manes ou Elchai, sempre esse exótico e místico Oriente, nada de concreto, de empírico ou de racional.

Parece uma ideia ingênua não... Admito que pareça. 

As consequências no entanto foram as piores possíveis. 

Pois a partir desse modelo antropológico pessimista é que João Calvino inaugurou o primeiro imenso campo de concentração da História (cf Pierre Van Paassen) na infeliz Genebra. Quis transformar o mundo inteiro num mosteiro ultra rigorista ou melhor numa imensa caserna movida por um disciplina mecânica e cega, e seu ideal podre foi secularizado pelos fascistas. 

Continua



quinta-feira, 22 de julho de 2021

Minha mais recente entrevista - Extratos

Drops -

01) Economia?

Face ao mito positivista do progresso ilimitado, já denunciado por A C Grayling como secularização da escatologia Cristã, sou partidário decidido da Economia estacionária. Vivemos num sistema finito, portanto não dá mais para brincar com essa xaropada de desenvolvimento contínuo, nossos recursos são limitados e a reciclagem uma necessidade embora mesmo a reciclagem não passa de um paliativo. 

02) Anarco primitivismo?

Sim. Nesta altura do campeonato encaro com franca simpatia este ideal apontado por Nisbet como tributário do Cristianismo antigo, já por via do monaquismo beneditino, já por via do franciscanismo. Precisamos redescobrir nossa relação de dependência face ao mundo natural, restabelecer a comunhão com os demais seres e assumir uma perspectiva holística. Temos que nos redefinir como parte do ecúmeno, recriar as pontes que foram derrubadas, rever nossas necessidades e excluir o quanto não seja essencial. Enquanto vítimas de nosso próprio consumismo temos o direito de questiona-lo. 

Para mim, além de Freud, tenho por revolucionário a Scott Nearing, num nível de consciência bem mais profundo que um Blanqui, um Bakhunin, um Lênin ou um Sorel. 

Há quase cem anos foi constatado por V G Childe que a evolução social não se faz conforme o esquema linear adotado pelos marxistas 'ortodoxos' comportando crises ou recuos. Quem sabe não chegamos no momento de recusar conscientemente ou de planejar um retorno? 

Claro que não estou clamando contra o progresso científico. Creio todavia que deva este ser posto sobre bases humanas e humanistas e não sobre a falsa base da máxima lucratividade. 

Sempre que tornarmos ao consumismo irracional, ou ao consumo acelerado tornamos ao vomito. Criamos necessidades artificiais que devem ser revistas e temos de pensar que se cada um dos bilhões de seres humanos aspirarem a acumular o máximo de entidades materiais nosso planeta é que será consumido, nossa casa, nosso lar, nosso espaço.

Temos portanto de moderar o consumo e de limitar o acúmulo com o propósito de salvar o planeta e temos de faze-lo urgentemente, antes que seja demasiado tarde.

Não dá mais para tolerar os caprichos de um sistema econômico individualista, irracional e cego.

Nesse sentido é louvável sim um retorno ao campo, ao padrão agrícola, a uma economia natural, a um padrão de sobriedade... capaz de dizer: Não vou aquecer o mercado, não vou gerar emprego ou renda, não vou comprar isso, não quero aquilo, não preciso disso... Basta! Chega!

03) Tal a solução?

Não. No máximo parte dela ou, creio eu, mero paliativo.

Pois na base de nossos problemas temos um círculo monstruoso: Injustiça social, miséria e angústia a um lado e excesso de população a outro. Precisamos atacar dos dois lados, posto que a miséria parece instigar o instinto da geração. Precisamos tentar atenuar a miserabilidade crônica por meio de investimentos da área da educação, da proteção ao trabalho e da promoção humana. E precisamos, concomitantemente, tentar conter o crescimento da população mundial. Aqui Malthus se faz tão importante quanto Sócrates, Platão e Jesus. Pois qualquer crescimento mínimo quanto a densidade populacional põe em risco nossas conquistas no plano social. Puxa-se de um lado e encolhe-se do outro...

Não basta opor-se aos caprichos do liberalismo econômico, com seu exército de reserva inclusive. Não é suficiente. Pois faz-se mister implementar políticas de controle populacional a nível global, por meio de incentivos inteligentes. 

04) Crê o senhor que a solução esteja no Comunismo?

Jamais acreditei no comunismo, mas nos comunistas ou em parte deles. Cuidando que fossem humanistas e assumissem a causa humanista da justiça social. 

Sei que há comunistas e anarquistas, assim marxistas, de boa vontade e comprometidos com a Ética da pessoa. Oriundos de outros sistemas valorativos e ignorando a doutrina de Marx tem eles certo sentido humano. 

No entanto...

05)  No entanto???

No entanto por defeito essencial é o marxismo um sistema materialista, mecanicista e determinista ou como dizem entre eles etapista - O que põe tudo que é humano a perder. 

Há marxistas excelentes apesar do marxismo ou do comunismo e são os marxistas levianos ou incoerentes.

Assim que se tornam sérios i é que se põem a ler as obras de Marx e assimilar seu pensamento tornan-se os marxistas insensíveis e cruéis. Pois o ideal metafísico da Revolução acaba substituindo por completo aquele ideal de justiça social ou promoção humana acima citado.

A partir daí passam eles a condenar com inaudita ferocidade todas as formas de reformismo social (As quais tem em conta de socialismos heterodoxos ou utópicos.): Assim o ativismo parlamentar, a formação educativa da consciência... 

Pois crendo que a consciência seja absolutamente determinada pelo modo de produção, acreditam que estruturas e homens só serão modificados quando o modo de produção capitalista por transformado pela Revolução proletária. No entanto para que as condições da Revolução sejam dadas é necessário que o modo de produção capitalista se desenvolva livremente e em máximo grau. Portanto, para os comunistas fiéis a Marx, deve o capitalismo ser implantado e desenvolver-se livremente a nível mundial e não ser limitado, contido, precocemente combatido, repudiado, reformado, etc Até que o modo de produção se desenvolva em máximo grau devemos apenas observar ou ficar na expectativa, crentes de que o capitalismo trás em si mesmo, em seu organismo ou em seu bojo os gérmens de sua destruição. É dele, do capitalismo, que partirá sua ruína e a passagem para a redenção cósmica i é para o comunismo. 

É portanto o capitalismo passagem, caminho, porta ou via de acesso ao mundo futuro. Fase ou período necessário dentro daquele esquema evolutivo e linear traçado por Marx. Etapa a que não nos podemos furtar... Conter o capitalismo é conter a revolução, e ser reacionário da pior espécie possível.

Daí os maravilhosos comunistas desconfiarem já dos trabalhadores mais humildes i é dos que mais sofrem e dos camponeses, os quais costumam censurar muito frequentemente acusando de imediatismo, na medida em que se preocupam antes de tudo com seus salários e com a condição do trabalho ao invés de pensar na futura Revolução. 

E pelo mesmo motivo, surpreendem a muitos, quando se unem aos capitães da indústria e campeões do liberalismo contra os interesses dos trabalhadores e os socialistas parlamentares ou reformistas, implementando a política desumana e cruel do 'Quanto pior melhor' com o objetivo de - Pasme leitor ingênuo - impulsionar ainda mais e tornar ainda mais forte o Capitalismo. Vargas foi inimigo odioso porque sancionou leis de proteção ao trabalho que de algum modo coibiam ou continham o capitalismo. Odiaram-no os liberais, herdeiros da velha política. Mas, odiaram-no acima de tudo os comunistas para os quais o céu ou paraíso comunista dependia antes de tudo do inferno liberal. 

De fato todos os analistas marxistas, a começar pelo próprio Marx e sem seguida com Engels e Sorel, supuseram (Demonstrando o quanto eram fracos de espírito e o quanto ignoravam a dinâmica da cultura.) que o parto cósmico aconteceria na Inglaterra, na Alemanha ou nos EUA... Por outro lado não puderam prever que nos países latinos, a partir do liberalismo econômico desbragado, teríamos uma safra de ditaduras... O que foi percebido apenas pelo heterodoxo H J Laski. Surpreendentemente a tal da Revolução acabou vingando num país tão agrário quanto a Rússia, o que fugia por completo as predições e esquema etapista de Marx. Dos problemas planteados por essa estranha Revolução surgiram diversas seitas, correntes e partidos que culminaram em expurgos. Apesar da NEP e dos expurgos conheceu a mesma Revolução significativas idas e vindas, até que por fim tornou ela ao vinagre, após sete décadas de sofrimentos... Outra não foi a sorte das Revoluções Mexicana e Chinesa, igualmente implementadas em países agrários e é claro não protestantes. 

Nas sociedades protestantes, por uma questão de cultura, desenvolveram-se as forças capitalistas de produção, e se acaudalaram, e se avolumaram, e engrossaram de um modo tal sem que no entanto sequer manifestassem mínimos sinais de simples insurreição... 

Raymond Aron, após ter sido ele mesmo marxista, feito já marxólogo, decifrou por completo o enigma dessa esfinge. Portanto nada devemos esperar do Comunismo, pelo etapismo mecanicista, colaborador servil do capitalismo.

05) E quanto o anarquismo, que pensar?

Antes de tudo jamais devemos dizer anarquismo e sim anarquismoS.

Pois tal e qual o Renascimento, a Reforma protestante, o Liberalismo, a Revolução Francesa, o Socialismo (Aos quais bem cabe um S) temos diversas formas de anarquismo bem distintas. 

De fato temos basicamente dois anarquismos:

# O Oriental ou Russo de Tolstoi e Kropotkin, no qual há um elemento humano ou pessoal a par se um elemento estrutural. A partir dessa saudável corrente - Que bem poderia ser chamada de sócio anarquismo, social anarquismo ou mesmo de socialismo anarquista. - foi que parte dos anarquistas passaram a insistir bastante na educação e na formação da consciência e da cultura a par da transformação econômica e política.

# E o ocidental cujas raízes tocam a Godwin e a Stirner e que foi desenvolvido na Europa por Proudhon (Embora Proudhon possa ser classificado como pensador original ou a parte.) e Bakhunin e nos EUA por Tucker e Spooner. Ora esta última corrente embricou com o darwinismo social (Spencer) e com o liberalismo econômico (Bastiat, Molinari, Mises, Rothbard, Friedman, etc) dando origem a ideologia ANCAP, o que já diz tudo. Para nós essa corrente representa um ideal tão sinistro quanto o comunismo. E representa um desenvolvimento natural e orgânico do liberalismo econômico, na medida em que um liberalismo econômico forte tende a descartar a esfera do político sobre a qual até então se apoiará. O reverso desta ideologia é o neo liberalismo irracionalista de Hayek, rebento do velho absolutismo, por meio do qual os reis todo poderosos serviram como capachos a um liberalismo ainda frouxo e temeroso face a Igreja Romana.

Quanto ao anarquismo russo ou oriental, mesmo quando exportado para o ocidente e remodelado, reconhecemos nele diversos valores, assim a superação do materialismo grosseiro, mecanicista, fechado e etapista dos marxistas por um sadio realismo que considera a força do elemento ideal ou imaterial; assim o consequente apelo a formação da consciência, a dinâmica da cultura e a educação, assim um apreço pela estabilidade social e pela paz em maior ou menor nível, assim um vigoroso questionamento face ao mito positivista do progresso incessante, ao progresso tecnológico e ao desenvolvimento econômico, assim o consequente retorno a natureza, a retomada das questões ecológicas... Cada um desses itens corresponde a um valor a ser assumido pelo homem ético do futuro, isto se queremos de fato sobreviver como espécie. Sim, o anarquismo porta em si mesmo certos elementos que são preciosos para todos nós seres humanos. Não Bakhunin com seu pensamento tão raso quanto o de Marx e nem Sorel mas Kropotkin, Tolstoi, Thoureau, Nearing...


06) Portanto não crê no senhor no paradigma da Revolução?

Com e como Bernstein acredito na Evolução e do Evolucionarismo, embora não de maneria simplista ou linear. Não acredito noutro gatilho da cultura além da educação i é de um processo regular de transmissão e reelaboração. Tampouco acredito que um ato de força possa alterar a dinâmica cultura. E menos ainda que as estruturas econômicas um vez alteradas alterem radicalmente a cultura, embora julgue que na atual conjuntura a implementação de reformar econômicas possam beneficiar o processo educativo, bem como as estruturas políticas em termos de qualidade.

07) É o senhor contra Revolucionário?

Sou cético quanto ao sucesso das Revoluções tendo em vista as pretensões dos revolucionários, o que  não significa que seja contra revolucionário ao menos no sentido corrente ou vulgar, segundo o qual seja necessário conter as revoluções por meio da força. Sobretudo quando contam com o apoio da população ou das massas sou contra toda e qualquer tentativa de repressão. Toda tentativa de repreensão a uma Revolução feita 'a posteriori' é burra além de potencialmente cruel. Já disse a exaustão e ainda repito: A Revolução, de modo geral, deve ser contida 'a priori' i é em suas causas ou preventivamente por meio de sábias reformas sociais. Por isso falo sempre em profilaxia das Revoluções. O liberalismo econômico no entanto, sendo irracionalista e cego por natureza converte-se em motor natural de tumultos, distúrbios e revoluções.

Salvo algumas possíveis exceções tenho postulado uma neutralidade absoluta por parte dos autênticos Cristãos e dos humanistas, face a quaisquer Revoluções. Como Berdiaeff só posso encara-las como uma Penitência imposta aos Cristãos por sua escandalosa omissão e por seus pecados sociais, frutos dessa vergonhosa mancebia com o liberalismo.

08) Fascismo?

O fascismo tem uma compreensão mais realista sobre a cultura e o passado, todavia, por não saber maneja-la recorre - Exatamente como burgueses e revolucionários - ao padrão da força até chegar ao militarismo, ao autorismo e ao totalitarismo; tal sua grande miséria, chega perto da solução do problema mas não soluciona nada. Alias dependência de Sorel é manifesta: Tanto o carrasco Mussolini quanto o prisioneiro Gramsci eram leitores acríticos de Sorel e nisto iguais a Lênin. 

Para além disto a antropologia fascista é a mesma antropologia venenosa do integralismo, tributária do pessimismo agostiniano tal e qual a reforma protestante e o jansenismo, em oposição a certas correntes Dominicanas e a escola Jesuíta, o que é para lamentar-se. Devido a tal antropologia anti natural e maniqueísta (Alias abraçada por Sorel.) desconfiam eles do povo, da sociedade e consequentemente da Democracia julgando que a pessoa deva ser contida por essa igreja secularizada que é o Estado, com sua inquisição secular e autos de fé secularizados. 

Enquanto Sócrates fazia uma crítica construtiva não a democracia mas a qualidade dos democratas e a um estruturalismo formal que já se esboçava, os modernos partem para uma crítica ontológica ou essencial cujo fundamento mais remoto é esse tipo de antropologia jamais sancionada mesmo pela Igreja romana com a doutrina da graça forte ou capacitante. O que eu não consigo entender é como a Igreja romana tolera a presença de tais pessoas em seu seio ao invés de remete-las ao luteranismo, ao calvinismo ou ao jansenismo que é o lugar delas. No entanto bem conhecida é a tolerância do romanismo face ao agostinianismo, fonte de todas as nossas tragédias.

A partir de uma petição cega ao padrão da autoridade chegamos pelo militarismo a doutrina perversa da obediência cega, a qual ignorando os preceitos transcendentes da justiça, caí sob as críticas de Sócrates, Platão e Jesus. Pois pouca diferença há entre a doutrina do sacrifício patriótico e as doutrinas da Razão de Estado e da Vontade geral, uma após a outra adversárias do homem e do humano.

Todos esses vícios terríveis se acham presentes nessa cultura de morte.

09) Nazismo?

Abominação da desolação e a mais primitiva das culturas de morte.

10) Democracia?

Não é a democracia que temos a democracia que queremos e tampouco corresponde a nosso modelo grego que era direto mas a um modelo delineado na Inglaterra burguesa por J Locke. 

Temos assim uma estrutura formal bastante precária, que corresponde a um esvaziamento, restrição e perda de qualidade por parte do político, como foi observado por Arendt.

Ademais por ter surgido em tais condições e portar defeitos estruturais foi essa forma 'contemporânea' quase que de imediato cooptada pelo liberalismo economia. O que não significa que todas as formas de Estado, compreendido como forma de organização social e política, tenham tido o mesmo destino ao cabo da História. 

Agora por serem e terem sido tanto mais permeáveis ao gerenciamento econômico por parte da burguesia, foram as democracias contemporâneas denunciadas com veemência pelo anarquismo, até o iconoclasmo. 

Como os comunistas ao fim do curso ordinário das coisas postulam o fim das 'classe' sociais os anarquistas postulam o fim do Estado - Concordaríamos com eles em se tratando do fim da autoridade arbitrária ou abusiva, todavia em se tratando do fim da autoridade em si mesma somos completamente céticos. Para nós ambas as propostas não passam de propostas duvidosas quanto a um futuro incerto. Pois não conhecemos sociedades sem divisão social ou exercício da autoridade. 

Não acreditamos portanto na destruição da democracia burguesa ou formal por qualquer tipo de evento cósmico ou revolução, mas em sua transformação por dentro, a partir de reformas políticas que venham a amplia-la cada vez mais até converte-la numa democracia autêntica, popular e direta, conforme o modelo clássico. Julgamos portanto que a democracia burguesa corresponda a uma passagem institucional para a democracia direta. Claro que para não cairmos numa oclocracia ou num domínio das massas, como advertiu Ortega y Gasset, temos de secundar as reformas políticas com um maciço investimento nos domínios da Educação, assim de criar democratas para o exercício da democracia ou ainda de produzir homens e mulheres a altura das instituições. Jamais devemos dar as costas a formação e produção de consciência enquanto transformamos as estruturas, sob pena de tais transformações serem inúteis. 

11) Implica portanto uma ruptura com o formalismo/estruturalismo democrático de viés positivista?

Sem dúvida.

Impossível falar em democracia, e aqui partimos da França, sem falar em Liberalismo político, e aqui partimos da Inglaterra.

Democracia sem liberalismo político e Ética é como corpo sem espírito ou alma.

Podendo inclusive, a partir da doutrina da Vontade Geral de Rousseau, converte-se num autoritarismo disfarçado e ainda de assumir uma forma totalitária. 

Mesmo sendo direta a democracia continuará pertencendo a esfera do político e portanto a uma esfera por definição, limitada - Posto que pertencente as coisas que são comuns, em oposição ao gênero de coisas que são privadas e que se encontram fora de sua alçada.

Democracia sem liberalismo político torna-se demasiado ampla e indigesta, por ultrapassar seus próprios limites ou suas próprias fronteiras e degenerar. Portanto a primeira baliza conceitual é a do liberalismo econômico.

A segunda é a necessidade de um recheio ou conteúdo Ético portada pelos atores políticos ou pelos democratas. A democracia concede oportunidades políticas a todos. No entanto caso esses todos sejam em sua maior parte canalhas, como estrutura ou forma que é, a democracia não fará milagres. Portanto a par de manter as estruturas democráticas temos também de produzir cidadãos virtuosos ou éticos, comprometidos com princípios e valores humanistas. Sob pena de vermos nossa democracia vir abaixo. A advertência de Sócrates sempre será válida - Democracia para a aristocracia da virtude ou para que os melhores e mais excelentes tenham acesso ao poder. 

Caso não cuidemos do homem e de sua formação a democracia não nos salvará. Não nos enganemos, não nos iludamos. Melhor conhecer bem as limitações de nossa democracia para maneja-la com máxima habilidade. 

Estruturas não salvam ou salvarão a quem quer que seja, por terem de ser ocupadas por homens dignos. Em não havendo homens dignos tudo estará perdido.

12) E as 'cruzadas' ou expedições democráticas feitas pelos EUA?

Pura e simples continuação do espírito jabobino e revolucionário (Este espécie de ponte entre o primeiro modelo revolucionário, protestante, detectado por Sorel, e as revoluções contemporâneas.).

 Para nós é tal prática contraproducente. Posto que cada sociedade ou cultura deve fazer seu próprio caminho. Democracia é algo que deve partir de dentro da própria sociedade como que brotando da consciência e não algo a ser formalmente imposto por um poder externo. Alias nada mais contraditório e anti democrático que impor a democracia... O que chega a ser escandalosamente vergonhoso.

Impossível criar uma vida democrática onde não há espírito democrático. 

Alias a grande tragédia da modernidade já foi descrito por um acurado analista J M de Carvalho em termos de inversão. Na medida em que a criação das instituições e estruturas precedeu a formação do homem e a afirmação dos direitos. É isto criar umas casca ou crosta não conteúdo. 

Tanto pior quando nos EUA é o ideal democrático sordidamente usado com o objetivo de satisfazer necessidades econômicas, assim de pilhar ou parasitar outros países, o que já foi classificado como pirataria democrática. Nada mais comprometedor para o modelo democrático. Com suas agressões, ataques, invasões, etc os EUA, prestam imenso deserviço a vida e ao espírito democráticos.

13) As guerras?

São justas as guerras quando esforço de defesa contra um Estado ou uma Sociedade agressora.

Já as guerras agressivas ou de conquista são execráveis e deveriam ser rigorosamente proscritas e punidas por um tribunal internacional. 

Mesmo o emprego da violência racional e controlada por qualquer sociedade deve ser cuidadosamente ponderada de modo a se evitar possíveis excessos e abusos que porventura tornem ainda mais sofrida a condição do povo, posto que durante as situações de anomia parte dos indivíduos costumam a tirar proveito com o objetivo de praticar crimes, maldades, retaliações, vinganças, etc (Conferir D'Apchon 'O Irenophilo...' o que como disse acima deve ser evitado com máximo rigor.

O próprio Sorel reconheceu que a violência sempre pode sair do controle e o mais que fez foi conjecturar sobre um futuro incerto ou profetizar. De modo que o recurso a força ou a violência deve ser sempre o último a ser empregado, após terem sido esgotadas todas as outras possibilidades face a uma situação de injustiça e crueldade insuportável.  

Já disse, somos totalmente contra qualquer tipo de mística criada em torno da violência ou de qualquer entusiasmo face a seu emprego. É a violência semelhante a um veneno ou a uma droga que deva ser manipulada com todo cuidado e empregada meticulosamente.

14) Culturalismo?

Sem dúvida.

É a cultura que faz o homem pois o homem é prisioneiro da cultura. 

Uma visão realista de cultura considera tanto o poder da matéria ou da estrutura quanto a força do imaterial, do espírito ou das ideias. 

Julgo que tais estâncias sejam quase equivalentes. 

15) Quase...

Parece-me inquestionável  que a dimensão material exerça imensa influência sobre os seres humanos, cria possibilidades e firma condições. Parece alias que a maior parte dos seres humanos ou as massas ainda se movam apenas nesse nível.

Todavia, apesar disso, parece-me que as transformações, as rupturas, o progresso, o avanço, a mudança, a cultura, etc partam de um princípio dinâmico que é a mente, o pensamento, a criatividade, a racionalidade, a livre iniciativa... Assim ao imaterial, ideal ou espiritual, realidade que julgo ser mais forte e capaz de sobrepor-se a influência da materialidade; ao menos em alguns momentos. Momentos que correspondem as grandes transformações que marcam a História. Quando o meio oferece oportunidades ou condições é o ser humano que tira partido deles para supera-las e superar a si mesmo. 

16) Interacionismo...

Inclusive nos domínios da Educação por não ignorarmos o que é dado, e tampouco o fenômeno humano. Pois se admitimos portar um sistema operacional em termos de racionalidade e esquema de linguagem tampouco questionamos o papel do homem como sujeito do conhecimento. 


Continua -


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Revisionismo protestante - Seitas para Católicas, que troço é esse???

Em tempos que prolifera o fundamentalismo bíblico com suas monstruosidades e bizarrices é sempre bom mostrar o outro lado da moeda...

Afinal como dizia Mencken, lá nos EUA dos 1900, a evolução ou progresso intelectual dos cidadãos podia sem mensurado em termos de hierarquia confessional. Achando-se, é claro, os batistas - com o dogma imbecil da inerrância bíblica - na base da pirâmide seguidos de perto pelos calvinistas... Já no alto da pirâmide achavam-se os anglicanos e papistas com seus refinados construtos teológicos.

Operava já o pentecostalismo ou a pajelança de Pharran entre as massas mais embrutecidas... Mas não proliferava como hoje.

Há cem anos atrás ou mais eram os protestantes históricos, especialmente metodistas e luteranos, que abandonavam os preconceitos ancestrais e catolicizavam... Restabelecendo os Sacramentos, o ritual e mesmo alguns artigos do Dogma entre suas membresias. Os luteranos da Rússia por sinal, tendo Fesller a sua testa, chegaram a ultrapassar os próprios papistas e a rivalizar com nossos Ortodoxos quanto ao esplendor litúrgico de seus ofícios. De modo que ao entrar em qualquer templo luterano de Moscow tinha-se a nítida sensação de estar num templo papista ou anglicano.

Outra não era a direção dos metodistas e mesmo de alguns presbiterianos dos Estados Unidos, os quais na mesma medida em que iam descobrindo os tesouros da literatura e da tradição patrísticas iam forjando seus próprios movimentos de 'Oxford'. E restabelecendo a Confirmação, a Penitência, a Ordenação, o incenso, as representações, as cruzes, enfim tudo quanto caracteriza o nosso Cristianismo em oposição ao judaísmo e ao islan, cuja pobreza estética ou formal é notória.

Seja como for não podemos classificar tais organizações como para Católicas. Na medida em que ao menos formalmente, permaneceram apegadas aos princípios errôneos divulgados pela falsa reforma, assim a doutrina da salvação imoral, vicária e fetichista pela fé somente ou nos pecados, assim a doutrina da predestinação, assim a doutrina do livre examinismo... Claro que tais agremiações não cogitavam, nem de longe, por tais princípios em prática, mantinham-nos todavia em seus 'credos' como letra morta.

As seitas para Católicas de modo geral constituem elementos bastante curiosos devido a seu caráter, digamos assim, paradoxal ou antagônico; pois se quanto ao conteúdo ou a matéria caracterizam por levar ainda mais adiante a revolução iniciada pelo demagogo Martinho Lutero, quanto a forma tem renunciado ao modelo protestante 'tradicional' e reproduzido o modelo Católico, da autoridade hierárquica, assim quando a Ética, o que tem bastado para exasperar os demais intérpretes da Bíblia, seus companheiros.

De fato os protestantes formalmente 'ortodoxos' - compreenda-se coerentes e fiéis aos princípios enunciados pelos reformadores - costumam nutrir mais ódio, rancor e má vontade quanto a estes seus irmãos revisionistas ou traidores, do que pelos odiados filhos das igrejas Católicas, comumente classificados como idólatras, politeístas ou pagãos, uma vez que o sectarismo protestante permanece preso ao dogma judaico da transcendência absoluta, jamais tendo assimilado por completo ou até as últimas consequências o mistério central de nossa fé que é a Encarnação de Deus ou a manifestação do Verbo na carne.

Há meio milênio já estão os sectários judaizantes do protestantismo em guerra contra a imanência, já sob a égide do antigo testamento e do rabinismo com Calvino, já sob a égide do neo platonismo com Zwinglio. Pugnam assim por um deus puramente espiritual e descarnado como o jao dos hebreus ou o alla dos maometanos, por um culto puramente espiritual e expurgado de quaisquer representações, por um redenção meramente espiritual e descarnada que desconsidere os problemas ou mesmo a sorte deste mundo, por uma salvação individualista e mágica que excluí as obras e consequentemente a mediação de nosso semelhante, por uma igreja invisível ou fantasmagórica composta por eleitos e predestinados, por uma espiritualidade invisível que exclua os Sacramentos até a presença do Senhor da ceia... E por ai seguem eles, na contra mão da encarnação de Cristo, 'espiritualizando' tudo - e enquanto Deus insere-se por assim dizer na matéria e no mundo físico eles desertam dele...

Aqui as seitas para católicas rompem decididamente com a tradição ancestral inaugurada pelos três reformadores ( Lutero, Zwinglio e Calvino) e vão por outro caminho, pelo caminho inverso.

Por seitas para Católicas, queremos designar as congregações dos Adventistas, dos jeovistas, dos mórmons e numa medida menor da CCB, a 'Obra de respeito' como é designada pelo nosso Délcio Monteiro de Lima. E de respeito mesmo uma vez que não canonizou a instituição judaica do dízimo e que consequentemente não vive de prebendas estabelecendo vínculos e laços - de dependência e servidão - com as instituições financeiras deste mundo. Alias os jeovistas também não cobram dízimos...

O fato é que nenhuma dessas seitas quer ou cogita ser invisível ou fantasmagórica como queria o Dr Lutero. Querem ser visíveis e bem visíveis a ponto de alastrarem-se pelo mundo afora e substituir a igreja dos Bispos ou a ordem divina. Aspiram concretamente pela dominação e por isso são e querem ser muito bem visíveis, em todos os sentidos.

Outro aspecto comum entre a Ortodoxia e tais seitas é que ao contrário das demais seitas protestantes - que vivem conflitando sobre interpretações e doutrinas se bem que, admitam uma salvação 'comum' para seus adeptos - é que as seitas para Católicas, resgatando e levando adiante o conceito tradicional de Revelação divina, ousam afirmar-se como depositárias da verdade divina, ou mesmo como necessárias a salvação e, pasme, como únicas, encarando as seitas rivais como falsas ou diabólicas. Comum o adventista, o jeovista ou o congregado afirmarem em alto e bom som, como a verdadeira Igreja, que fora de suas seitas não há redenção.

Assim as seitas para Católicas não temem apresentar-se como visíveis e salvíficas.

A grande ruptura no entanto deu-se a nível do princípio operacional do Biblismo, que é o livre exame, doutrina segundo a qual cada indivíduo deve extrair os elementos ou o conteúdo intelectual da divina Revelação (Dogmas) por meio da leitura da Bíblia i é por meio da técnica exegética, da especulação racional ou duma suposta inspiração mágica. Claro que se trata do princípio responsável pelo estado de fragmentação e confusão doutrinal característico do protestantismo 'ortodoxo'. Afinal cada qual lê a mesma Bíblia a sua maneira e compreende-a de modo diverso jamais tocando ao terreno comum e uniforma da verdade... Tudo quanto há no protestantismo ortodoxo são interpretações contraditórias, alias centos ou milhares delas, ou opiniões, conjecturas, hipóteses, suspeitas, etc o que de modo algum pode servir de fundamento a verdadeira religião. No passado cada protestante 'ortodoxo' sustentava a divindade de sua própria seita e denunciava todas as outras como falsas, hoje continuam a divergir a respeito de pontos importantíssimos - como a presença real e o batismo infantil - alegando no entanto que tais divisões são irrelevantes e levando seus clientes mais atilados a darem por irrelevante o ensinamento de Cristo ou a porém em dúvida o conceito de Revelação... Esta acomodação foi necessária para serenar a guerra doutrinária que lavrou entre eles desde 1800... Hoje, via de regra, a doutrina é irrelevante ou de somenos importância, desde que não seja a Católica...

Os fundadores das seitas Católicas, nascidos como nós, neste ambiente de rivalidade e confusão, ressentiram muito cedo quanto a falta de unidade entre as seitas bíblicas e consequentemente quanto ao desamparo em que se achava o protestantismo ancestral face a verdade divina... Sentindo-se levados a restabelecer sobrenaturalmente tanto uma quanto outra coisa.

Como no entanto conheciam muito bem o defeito de fabricação da reforma procuraram estabelecer 'corpos governantes' a semelhança do colégio apostólico, aos quais atribuíram o direito de fornecer a interpretação exata da Bíblia aos indivíduos i é a membresia. Grosso modo eles costumam afirmar que limitam-se a ensinar as pessoas a lerem a Bíblia corretamente ou a fornecerem o sentido unívoco e a posse da verdade objetiva divinamente revelada, tal e qual a igreja antiga fazia e faz.

Perceba-se a diferença crucial - Aqui nem o corpo governante, nem o individuo ou fiel buscam ou devem buscar qualquer coisa. Antes que a Bíblia seja examinada o corpo governante ou a autoridade já esta em plena posse da verdade. Assim enquanto nosso protestante ortodoxo, isolado em seu quarto inclusive, demanda pela verdade perdida e pela doutrina o afiliado as seitas para Católicas recebe a doutrina prontinha e já formulada. Logo a Bíblia - manipulada pelo indivíduo - já não constitui fonte única da doutrina, mas meio ou instrumento por meio do qual a verdade é comunicada pelo corpo governante. Há aqui um sistema ou conjunto de doutrinas que precede a leitura do livro e ao qual o catecúmeno deve submeter-se dócil e passivamente. Ao menos teoricamente, no protestantismo ortodoxo, o indivíduo colhe por si só a doutrina sem a necessidade de qualquer orientação humana de caráter externo ou autoritativo. Aqui o indivíduo isolado é a autoridade suprema. Ali ele é ensinado ou instruído por outros homens, dos quais recebe o sentido comum.

Claro que a ideia segundo a qual a leitura da Bíblia deva preceder o credo ou a verdade só funcionou para uns poucos privilegiados ou espertalhões a exemplo de Lutero. Os quais editaram e impuseram suas interpretações ou opiniões individuais aos idiotas. Precedendo desde então a doutrina ou o credo a leitura da Bíblia, fosse luterana, zwingliana, calvinista, congregacionalista, anabatista ou metodista. A doutrina segue sempre antes... Os pastores a princípio colocam a Bíblia nas mãos da vítima, fazendo-a crer que ela mesma é livre para extrair as verdades de fé, PARA NUM SEGUNDO MOMENTO ORIENTA-LA NA DIREÇÃO DE SUA TRADIÇÃO OU CRENÇA. Ao menos a igreja antiga age sem embuste ou honestamente alegando preceder a escritura do Evangelho e ter sido comissionada pelo próprio Jesus segundo o padrão apostólico da sucessão. Assim as seitas para Católicas...

O que Lutero julgou ter demolido e Calvino - por meio de sínodos e credos espúrios - julgou ter restabelecido precária e matreiramente, as seitas para Católicas assumiram de fato, oficialmente e sem pejo. Tal o padrão externo da autoridade ou a normatividade da leitura bíblica, ora furtada aos nuances do subjetivismo crasso. A partir daí as seitas para Católicas adquiriram uma unidade mais ou menos sólida, a ponto de rivalizarem com as grandes igrejas episcopais em sua disputa pela clientela religiosa. Eis porque - nos manuais protestantes - seus nomes costumam vir alistados mesmo antes dos nomes das odiadas igrejas romana, anglicana e Ortodoxa, merecendo seus ensinamentos cuidadosa refutação por parte dos pastores, a qual no entanto redunda quase sempre em benefício das ditas seitas ou dos catolicismos devido a sua inanidade.

E como acentuam a virtude da obediência ou da submissão face aos respectivos corpos governantes, não podiam tais organizações deixar de entrar pelo terreno da soteriologia, da antropologia e da ética, abordando a temática da fé e das obras segundo a doutrina Ortodoxa, ao menos proximamente. O que nos leva a mais uma revisão ou ressignificação em termos de princípios, ou seja, a ruptura com o solifideismo ou com a crença na salvação pela fé somente i é sem obras éticas, sem amor, sem caridade, sem justiça, sem virtude, etc Todas as seitas para Católicas abandonaram decididamente tanto o monergismo quanto seu pressuposto essencial que é a doutrina da depravação total da natureza humana. Alinharam-se mais uma vez com os Catolicismo de que fugiam e tornaram-se ainda mais detestadas pelos protestantes 'ortodoxos'.

É unânime entre jeovistas, mórmons, adventistas e congregados que o fiel é salvo não pecando ou em seus pecados mas de seus pecados por uma graça eficaz ou capaz de secundar a livre vontade em seus anelos pela santidade e pela perfeição. É o homem recuperado ou resgatado por Cristo para a obediência ou melhor dizendo para a vivência do Evangelho e prática da nova lei. Por isso em comunhão com seu Mestre pode e deve abster-se de pecar e não viver desbragadamente como qualquer gentio... A perspectiva aqui é totalmente diversa da luterana ou da anabatista, pois o sangue não sucede ao pecado, ocultando-o vicariamente, mas precede-o tornando-o evitável e desnecessário. Trata-se mais de pedir forças para não pecar do que de pedir perdão para em seguida tornar a pecar. Trata-se de conhecer as exigências do Evangelho e de leva-las a sério, implica compromisso, esforço e heroísmo por parte da vontade de colabora com a graça.

Já segundo a opinião de Lutero é o homem ao mesmo tempo justo, salvo, predestinado, santo e pecador uma vez que a Santa divindade - que tudo pode - recusa-se a liberta-lo integralmente do mal e do pecado, quiçá para mante-lo humilde... Miserável, insensível, canalha, mas humilde... Como se a humildade e não a caridade ou a justiça constituíssem as virtudes mais elevadas. Aqui a santidade, a perfeição, a beleza, a caridade, a justiça, enfim tudo quanto seja Cristão é sacrificado a humildade... Receando Cristo que a santidade e a perfeição tornem este homem orgulhoso e ponham-no a perder... Neste caso por que teria dito ele: Sêde perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito, ao invés de ter antecipado o agostiniano alemão e dito: Sêde pecadores, miseráveis, imperfeitos mas humildes???

Para arrematar este artigo já demasiado longo gostaria de ressaltar outros pontos de vista em que as seitas para católicas acham-se de acordo com a fé da igreja ou em suas proximidades -

Os adventistas do sétimo dia admitem a virgindade perpétua da santa mãe de Cristo, antes e depois do parto.

Os membros da CCB tem autorização para beber com sobriedade, além disto os líderes da seita não podem exercer quaisquer cargos políticos, orientação seguida igualmente pelos jeovistas.

Os jeovistas são cessacionistas e como nós estão persuadidos de que os milagres - realizados por Cristo e pelos apóstolos - tendo cumprido a função a que haviam sido destinados deixaram de existir. Não mais interferindo a divindade, diretamente, na ordem natural do mundo. Evidente que eles merecem ser aplaudidos por isto.

Já quanto aos SUD são inúmeros os pontos de acordo entre a seita a que pertencem e a Ortodoxia, de modo que até seria fastidioso elenca-los.

De um modo ou de outro, a sua maneira, cada uma dessas seitas nos aponta para a verdadeira igreja apostólica que recebeu sua autoridade divina das mãos do próprio Mestre Jesus Cristo. A seu modo, cada uma delas, testemunha em favor de nossa fé Ortodoxa, imaculada, pura e Católica na mesma medida em que souberam superar os preconceitos e paradigmas protestantes afirmados pela pseudo reforma.

reiramente, por meio de sínodos e credos espúrios,






segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Quinhentos anos de reforma protestante - Uma perspectica crítica

 Resultado de imagem para lutero caricatura


Embora para nós os quinhentos anos da Reforma protestante completem-se apenas em 2021, pelo simples fato de estarmos sendo cobrados, não nos podemos deixar de manifestar, ainda que com três anos de antecedência.

Afinal ao contrário do Catolicismo, do islamismo ou mesmo do espiritismo não é ou foi o protestantismo uma Revelação transcendente cujo conteúdo tenha sido imediatamente comunicado pelos céus. Daí a composição problemática da Reforma com o Cristianismo Histórico, afinal o Livro é Resultado da Revelação e não a Revelação em si mesma. A Revelação divina na perspectiva puramente Cristã é fruto ou produto da Encarnação e não de um livro. Cristianismo é Deus que se faz homem e não livro. É A RELIGIÃO DA ENCARNAÇÃO e não uma religião do livro como o judaismo ou o islamismo. A oposição entre o Catolicismo, estribado no anúncio oral do Mestre, e o Biblismo principia aqui.

Do mistério da Encarnação procedem antes de tudo a pregação, a igreja e a tradição; as quais antecedem ou precedem o Evangelho Escrito. E já digo e adianto que as escrituras dos judeus ou antigo testamento não vem ao caso, pelo simples fato de não constituir a Lei dos Cristãos. Daremos ouvidos aos protestantes ou bíblicos quando toparem com o Sermão do Monte ou com as Bem aventuranças na Mikra. Até lá nos firmaremos no Evangelho como algo Novo, específico e diferente ou como vinho novo que não cabe em odres velhos.

Ulteriormente, após inúmeras hesitações, adotou ou assumiu o protestantismo uma via mística ou sobrenatural, mas de teor puramente subjetivo, segundo a teoria individualista da inspiração interna, invisível, intransferível e inverificável; tanto que poderia ser alegada por qualquer credo religioso, como algo caprichoso e arbitrário, que foge a evidência objetiva ou a demonstração.

E no entanto este Lutero de 1517 ainda é perfeitamente papista ou Católico bem como o Lutero de 1521. Durante todo este tempo não cogitou o homem romper com a igreja e protestou submissão filial ao papa romano até o derradeiro instante da excomunhão. Foi ao calor das disputas com Eckius - o qual buscava reduzir seu oponente ao absurdo - e ao sabor do improviso que o protestantismo foi sendo muito naturalmente fabricado sem que Lutero sequer cogitasse ser dirigido, guiado ou iluminado pela divindade. Era agostiniano e como tal não temia o absurdo, consequentemente canonizou o irracionalismo e o absurdo chegando a apresentar a razão como um puta. Para ele o Cristianismo não precisava fazer sentido e nossa esperança era certamente louca...

Começa a criar o protestantismo em 1521... principiando pelo Biblismo e pelo livre exame. Sem cogitar que estava enveredando pelos domínios naturais da técnica exegética ou da especulação interpretativa, e desviando-se por completo das já citadas fontes do Cristianismo histórico, o qual certamente não surge como uma técnica exegética naturalista ou como interpretação de qualquer coisa, mas com a manifestação visível de Deus na carne ou na natureza humana.

Sucede no entanto que o papismo para firmar-se havia contaminado a tradição ancestral. A tradição latina, desde o ano 1080, era uma tradição papista ou papal. S Fócio e S Miguel Cerulário, já haviam denunciado esta manobra. Os ocidentais no entanto separaram-se das antigas igrejas apostólicas de lingua grega, e resolveram seguir seu próprio caminho. Destarte quando Lutero veio ao mundo já não havia na igreja ocidental quem fizesse caso das críticas levantadas pelos gregos 'cismáticos' meio milênio antes, ou quem conhecesse as legítimas tradições.

Em semelhante conjuntura, a admissão dos concílios latinos e portanto da tradição, implicava admissão da monarquia papal e ninguém estava disposto a concordar com os 'odiados' gregos. Lutero foi posto contra a parede e numa posição desconfortável, a qual impedia-o de apelar a tradição ou de usa-la em seu favor. Ao contrário dos bizantinos refinados ele jamais chegou a cogitar numa crítica histórica das tradições e como típico alemão, achou por bem cortar o mal pela raiz e eliminar o critério externo e objetivo da tradição. Creio que foi uma solução ditada pelas circunstâncias e não algo refletido.

Seja como for devia ele substituir a monarquia papal, os concílios e a tradição dos padres por alguma outra coisa.

Tal o problema.

A imprensa acabava de ser inventada meio século antes, e considerável número de Bíblias, já em latim, já em vernáculo circulavam por toda a Europa, sem que no entanto a mágica do Livro tivesse sido quebrada numa Sociedade majoritariamente analfabeta.

Como qualquer um de nós, que imaginamos nossos ancestrais com celulares, aviões ou automóveis, cogitou Lutero, que o livro impresso sempre estivesse em posse dos cristãos ou em suas mãos, e por isso tomou a 'Bíblia', no mínimo com sessenta e seis livros, i é, uma verdadeira Biblioteca, como padrão de verdade. Em momento algum ele, Lutero, cogitou na universalidade da mensagem Cristã e em culturas iletradas. Em momento algum imaginou as condições das sociedades letradas antes da invenção da imprensa. E o anacronismo converteu-se em pecado original da nova fé.

Desde então a mitologia protestante tem imaginado qualquer versão ou tradução da 'Bíblia' palestinense, baixando prontinha, de capa a capa dos céus. Eis como encaram a JFA aqui no Brasil... Outros imaginam como tendo toda ela sido escrita por Jesus ou por algum apóstolo de Gênesis a Apocalipse. Havendo inclusive quem, levado pela fantasia, imagine Jesus ou os apóstolos com um livro debaixo dos braços ou folheando Bíblias!!! Ademais, eles sequer fazem caso da distinção existente entre Antigo e Novo Testamento, imaginando o dito livro como uma espécie de Corão.

O problema no entanto não se restringe a origem, conteúdo ou a acessibilidade da Bíblia, mas sobretudo a sua capacidade enquanto veículo suficiente da divina Revelação. Ao que parece Lutero desconsiderou supinamente a incapacidade de um livro para dar sentido ou interpretar-se a si mesmo. Por isso que o sola do Biblismo ou da suficiência da Bíblia é falacioso... Na medida em que precisa de um intérprete humano ou do livre exame. A Bíblia não lê a si mesma, não se examina, não se interpreta, não dá sentido a si mesma; mas recebe seu sentido dos homens ou do leitor.

Tal o problema fundamental do protestantismo, o qual é uma interpretação e uma I. subjetiva. Já o Cristianismo surge como Revelação sobrenatural, objetivamente estabelecida nos domínios da História pelo mistério da Encarnação. Jesus não vem com livro ou em livro mas com a carne a palavra; e ao invés de ter escrito um livro ou manual de religião comissiona doze homens e lhes confere autoridade para ensinar em seu nome, tais os apóstolos que enviou como vigários ou embaixadores a todas as nações da terra. E a este grupo de apóstolos autorizados deu o nome de Igreja e prometendo-lhe certos auxílios espirituais de modo a que cumprisse fielmente sua missão de conservar imaculadamente o depósito da Verdade que lhe fora comunicado.

Mesmo quando hoje lemos o Evangelho Escrito, percebemos a constatamos que a instituição divina do apostolado e a existência da Igreja, precedem a existência do Evangelho escrito. Pelo simples fato de que foram os nossos Evangelhos escritos por apóstolos e discípulos, logo escritos na Igreja e para a Igreja. De modo que antes do primeiro a ser escrito, no ano 47, não faltará autoridade a Igreja por doze anos! Sendo regida pela tradição oral ou pela pregação mantida pela autoridade apostólica.

Consciente ou inconscientemente ao antepor a palavra escrita a Igreja, a autoridade apostólica, ao anúncio oral ou a tradição Lutero cometeu um terrível equívoco do qual os protestante só podem sair por meio da judaização ou seja alegando - na perspectiva mitológica de um Corão Cristão - que o antigo testamento é um compêndio ou manual de fé Cristã. Inda que não haja ali sinal do Pai Nosso ou da Eucaristia... Historicamente, por ódio a tradição legitimamente Cristã, o protestantismo fez volta ao parafuso, e canonizou as tradições mortas dos rabinos e fariseus, as quais haviam sido condenadas pelo Verbo Jesus, e judaizou, sabatizou e foi do iconoclasmo ao unitarismo.

Tragicamente a crônica do Biblismo ou do protestantismo é crônica de sectarismo judaizante - de predestinacionismo, de iconoclasmo, de zwinglianismo, de sabatismo, de unitarismo, etc até a negação total do Cristianismo ou de sua especifidade, até os confins de um teísmo natural ou do islamismo, nos quais desembocou, ao menos culturalmente.

Tornando agora a questão da Bíblia e do livre exame ou do elemento humano, em termos de interpretação, duas possibilidades extremas ou antagônicas e radicais apresentaram-se ao protestantismo nascente. Primeiramente a adoção de uma técnica puramente naturalista e a princípio objetiva, via que conduziu a nova fé diretamente ao liberalismo ou seja a negação do sagrado, inclusive no que tange ao Novo Testamento e ao Evangelho. Desde Reymarus, Semler, De Wette e outros foi a versão que prevaleceu na Alemanha luterana e posteriormente em toda a Europa protestante. Começaram assim por deificar a Bíblia até que a especulação veio a demolir o próprio Evangelho e abater a Encarnação do Verbo. E se é certo que os liberais protestantes, dando continuidade ao movimento iniciado pelos judeus e papistas, merecem o aplauso de todos por terem ousado repudiar os mitos e fábulas do antigo testamento não é menos certo que ultrapassaram os limites da fé nicena ou atanasiana mostrando-se permeáveis a diversos preconceitos materialistas ou deístas.

Por obra e graça desta liberdade estranha ou do livre exame com toda sua carga subjetiva este mesmo protestantismo que principiou erguendo-se contra a igreja antiga, tornou-se, em seus próprio berço, valhacouto do naturalismo, do agnosticismo, do materialismo, do deísmo, e pasmem, até mesmo do ateísmo, haja visto os pastores que formularam a teologia da morte de deus, segundo a qual, esta deus morto, tal e qual fora proposto por F Nietzsche , o qual por sinal, tendo sido filho e neto de pastores luteranos, concluiu que existiam apenas interpretações subjetivas e de modo algum o que convencionamos chamar verdade.

A partir daí o protestantismo europeu ou envelhecido a cabo dos séculos ou ao cabo de sua trajetória evolutiva, foi perdendo todo seu vigor e credibilidade em termos sociais e sido paulatinamente abandonado pelas classes mais instruídas, as quais foram tornando-se abertamente incrédulas ou irreligiosas, até o ateísmo, e sem necessidade de máscaras ou disfarces. Ao cabo de todo século XX as principais nações protestantes da Europa foram tombando, uma a uma, no abismo da negação religiosa e absorvidas até meados dos anos cinquenta pelo papismo, e, após o Vaticano II, pelo comunismo e mais e mais pelo islamismo.

A outra via ou segunda via posta ao protestantismo já no referimos. É a do misticismo subjetivo ou da inspiração profética. Segundo a qual o leitor, comentarista ou intérprete da Bíblia, inda que semi analfabeto, despreparado e iletrado revindica 'humildemente' para si mesmo as luzes do espírito santo, apresentando-se como guiado ou dirigido por deus, as vezes no sentido mais vulgar alegando ter sido visitado por ele, te-lo visto e ouvido. Todavia, de modo geral, os partidários desta solução, limitam-se a apelar a uma certeza interna ou intuição, insistindo que estão convencidos de que foram escolhidos por deus para restabelecer a verdade eterna, dando continuidade a obra iniciada por Lutero, o qual tem dezenas de pretendidos continuadores, escolhidos por deus... É evidente que esta solução vai pelos caminhos demência ou da imbecilidade, sem que no entanto deixe de contar com vultoso número de adeptos entre nossas massas incultas, mormente quando fazem-se passar por taumaturgos ou milagreiros.

O próprio Lutero num determinado momento de sua carreira, e tendo em vista combater os profetas de Zickwau, que eram anabatistas delirantes, parece ter sutilmente enveredado por este caminho, e isto até o ponto de ser apresentado como profeta dos alemães e declarar que seus dogmas haviam sido comunicados pelo céu, quando na verdade haviam sido elaborados naturalmente no auge da polêmica com os representantes do papa ou fabricados por Andraeas Bodstein, o Dr Karlstadt, a princípio seu colaborador mais entusiasta braço direito, e em seguida seu supremo desafeto. Já antes de Lutero, Karlstadt havia revindicado para si mesmo a qualidade de profeta. Lutero no entanto encarava-o como profeta do diabo suscitado pelo inferno na medida em que Bodstein, sacando consequência após consequência, a partir duma lógica cerrada e inflexível, ia demolindo cada artigo ou dogma da antiga fé.

Curiosa a semelhança existente entre Lutero e S Freud, na medida em que, num primeiro momento, 'excomungavam' seus críticos para posteriormente adotar seus pontos de vista e negar que o tivessem feito. O quanto Freud fez com Adler e Jung havia Lutero feito quatro séculos antes com Karlstadt, sob diversos aspectos legítimo pai da doutrina protestante. Basta dizer que foi este ex Dominicano que concluiu pelo anabatismo, pelo simbolismo eucarístico, pelo cânon palestinense do A T, pelo casamento dos clérigos, dentre outras coisas... Tendo sido as duas últimas assimiladas por Lutero, não sem certa resistência.

O fato é que os dois comentaristas, interpretes, examinadores ou leitores da Bíblia, apesar das alegadas audiências com o espírito santo, jamais puderam entender-se ou mesmo deixar de encarar um ao outro como apóstolo do Diabo. O que prenuncia uma divergência ainda maior a ser travada entre Lutero, Zwinglio e Calvino os quais tampouco puderam entender-se apesar da alegada clareza da Escritura (imagina se não fosse clara!) e dos adjutórios sobrenaturais...

O fato é que com ou sem espírito santo, os reformadores e protestantes, ao cabo de meio milênio, jamais foram capazes de entender-se a respeito de crenças tão importantes quanto o batismo infantil, a presença do Senhor no Sacramento, a Liberdade humana ou mesmo a divindade de Cristo, cindindo-se em centenas ou milhares de seitas, e vindo essa calamitosa situação a agravar-se cada vez mais, até o escândalo. Afinal os mesmos protestantes vivem jurando que as escrituras podem ser compreendidas até mesmo por uma criança ou por um analfabeto... E no entanto acham-se em oposição uns aos outros a propósito de cada passagem ou versículo. E não há nem sombra de Unidade ou uniformidade entre eles. Sinal de que, com ou sem inspiração, o método não funciona. Digo o método do livre exame.

Ademais quanto a inspiração é fácil compreender como os protestantes fazem uso dela, palmilhando a mesma trilha que Lutero. Cada individuo limita-se a declarar que sua seita é a verdadeira, que deus mesmo disse isto para ele ou que sente em seu coração e que todas as demais seitas de inspirados são inspiradas pelo capeta. Incrível aqui é que sendo fanático ele sequer cogite estar equivocado ou que sua seita seja inspirada pelo capeta... Cada sectário pensa invariavelmente assim. A postura arrogante é sempre a mesma - ninguém aqui considera a simples possibilidade de estar equivocado - mudando apenas o nome da seita. Tampouco os tristemunhos mugidos variam: Aqui um tremedor, dançarino ou malabarista uivando e saltitando declara que o dia do Senhor é o Domingo e mais além, na Adventista da promessa, o mesmo 'espírito' com os mesmos trejeitos, alega que o dia do Senhor é o sábado... Na presbiteriana reformada o 'espírito' entre gritos e cambalhotas referenda o 'dogma horrendo' da predestinação, o qual é negado em profecia na metodista... Na Brasil para Cristo o celibato é apresentado no 'espírito' como instituição divina e na Batista como selo da Besta inventado pelo papa... Tantas profecias quanto cabeças, as quais não bastam para salvar o protestantismo da pulverização doutrinária...

Destarte com ou sem fetichismo ou misticismo, permanece a obra iniciada por Lutero, fragmentada e em situação de conflito. Uma seita denunciando e combatendo a outra como herético em que pese a 'liberdade' outorgada... Cada seita perdida nos rincões do universo alegando ter encontrado mais um fragmento perdido da revelação... Cada pastor ou profeta arvorando levar adiante a sempre inacabada reforma de 1521, 1530 ou 1546... Cada inspirado jurando ter dado com mais uma invenção do Papa ou de Constantino... Cada pregador dizendo ter recebido 'uma nova luz'... Cada fundador de seita crendo ser o único a ter encontrado a 'pérola de grande valor' oculta na Bíblia... E a multidão de interpretações, opiniões, hipóteses, teorias, comentários, ponto de vista, crenças, dogmas aumentando cada vez mais, e a confusão avolumando-se ao cabo destes quinhentos anos.

Em que pese este Lutero e cada um de seus sucessores e rivais, como Zwinglio e Calvino terem considerado suas respectivas reformas como definitivas e acabadas. Os neo protestantes todavia chegaram a concepção de uma reforma em gotas homeopáticas segundo a qual deus revela-se parcimoniosamente aos mortais, introduzindo sua verdade no erro e associando a luz as trevas. Havendo inclusive que, partindo da doutrina da corrupção total da natureza, tenha concluído que a própria verdade ou revelação divina corrompe-se novamente na mesma proporção em que é reformada ou restaurada, daí não ser a igreja reformada, mas reformanda ou em perpétua estado de reforma, a qual jamais acaba!!! Destarte após quatro ou cinco século ao invés de introduzir-nos no reino da verdade eterna, a reforma protestante introduz-nos é no Reino de Heráclito, com seu 'Panta rei' agora sob a forma de um devenir doutrinário... Por uma mágica subjetivista converteu-se nosso Cristianismo no rio do pensador efesino, e quando julgamos estar em posse de um artigo de fé comunicado por Nosso Senhor nos achamos diante do erro... e quando julgamos ter identificado o erro ei-lo convertido em verdade...

Diante disto como crer???

sábado, 8 de abril de 2017

Desfazendo a manobra ou quimera do Livre exame

O propósito desta postagem é divulgar, entre aqueles que interessam-se pelo problema religioso, particularmente numa perspectiva Cristã e reflexiva, as conclusões a que chegamos após fraternal diálogo com um de nossos ex alunos mais brilhantes que acaba de romper com o protestantismo.

O enfoque é um dos princípios basilares da ideologia protestante, o 'livre examinismo' que é modus operandi relacionado com o 'Sola Scriptura' ou Biblismo.

Desde muito cedo fomos ensinados que os protestantes, de modo geral, gozam duma liberdade infinitamente superior a dos Católicos sejam anglicanos, romanos ou Ortodoxos e, para começo de conversa, fazemos questão de alertar, que esta afirmação é pura e simplesmente falaciosa.

Aceitam-na os Católicos idiotas porque ignoram supinamente como funcione o protestantismo ou porque jamais tenham refletivo detidamente sobre a questão.

Grosso modo o único ou principal objetivo do livre exame - Desde que Lutero o opôs, face as tradições corrompidas do papado - é impugnar a doutrina Católica.

Assim se o Católico - Firmado nas tradições autênticas ou na autoridade - diz crer numa Trindade e apela a determinada passagem dos Santos e divinos Evangelhos, o unitário ou jeovista atalha de pronto: Mas isto é INTERPRETAÇÃO sua...

Se o Ortodoxo diz acreditar na presença real do Salvador no Sacramento e recorre a determinado trecho dos discursos de Jesus, o zwingliano não se faz de rogado: Mais isto é interpretação sua...

Mas isto é interpretação sua repetem a pretexto de qualquer alegação doutrinária feita não só pelos Católicos, mas inclusive pelos dissidentes das seitas rivais.

Todos os dissidentes, sejam Católicos - especialmente se o forem - ou mesmo protestantes teem apenas interpretações, opiniões, hipóteses, palpites, teorias, etc Nosso protestante ou melhor, a seita, a que pertence - Uma entre mais de cem mil! - esta apenas esta em posse da Verdade.

No entanto caso tomemos as seitas protestantes em seu conjunto, o que temos é justamente isto, um mar de teorias, hipóteses, palpites, opiniões ou INTERPRETAÇÕES a respeito de qualquer coisa ou de qualquer passagem do Evangelho. São milhares de milhares de significados caprichosos e arbitrários imaginados pelos 'leitores da Bíblia'... Tantas interpretações quanto cabeças... Milhares ou mesmo milhões de credos... Um mar ou Oceano de subjetivismo... A apoteose do individualismo. É o que chamamos de seitas.

Sendo assim, fim do percurso, ou melhor ao cabo de três séculos - pelos idos de 1860... - o neto de um fervoroso teólogo luterano: Friedrich Nietzsche, pode postular serenamente a inexistência da Verdade, e a existência de interpretações apenas. Tal o estrago feito pelo protestantismo ou melhor pelo livre exame, já no plano da Filosofia ou da profanidade.

Que dizer então sobre o plano da religião ou da fé?

Devido as disputas produzidas pelas interpretações conflitantes, as seitas, os partidos e a confusão doutrinal reinante, o protestantismo não tardou a degenerar em incredulidade, alias em materialismo e ateismo, impactando consideravelmente a cultura Ocidental ou desvinculando-a por completo de suas raízes ancestrais. As divisões provocadas pelo livre exame estão na gênese ou base da crise da fé experimentada pela modernidade. Tais disputas exegéticas extenuaram por assim dizer o 'Cristianismo'...

Impossível discernir a Verdade no seio de tantas interpretações. Mais fácil e conveniente nega-la.

O arqui inimigo ou antípoda do protestantismo, firmado na autoridade e na tradição, resistiu e tem resistido bem mais, afirmando estar em posse da verdade, fornecer o conhecimento exato dos textos sagrados e franquear acesso a mensagem do Cristo em termos de exatidão e objetividade.

A tudo isto o protestantismo continua opondo a interpretação individual, sempre a guiza de verdade, ao menos em nosso Brasil.

O Catolicismo tem interpretações arbitraria e despoticamente impostas pela hierarquia ou pela autoridade, e ele, protestantismo, todo dividido e cindido em inúmeras seitas, a verdade, e uma verdade livremente adquirida.

Pois, dizem eles, partem do 'nada' ou do vazio doutrinal, e tomando por padrão a Bíblia, inferem seu credo...

Partem portanto da máxima liberdade, da isenção, da neutralidade, etc para chegar a verdade, adquirida por eles mesmos...

Enquanto os Católicos tontos recebem uma verdade imposta!

É o que dizem todos os protestante fazendo galas da liberdade, mas, será mesmo assim??? Será verdade que partem mesmo do nada? Sem quaisquer ideias preconcebidas?

Sejamos indulgentes e admitamos que por vezes, muito raramente, sucede que um individuo qualquer abra sua tradução mil vezes revista e corrigida da Bíblia, de com uma passagem ou versículo qualquer, atribua o sentido que mais lhe agrade, forje uma interpretação, invente um 'credo' e crie uma nova seita... Canonizando sua interpretação ou exame privado.

São quase cem mil seitas e portanto cerca de quase cem mil privilegiados que ousaram-se apresentar-se a humanidade como porta vozes exclusivos da verdade ignorada por todos os demais seres humanos e portanto como seres especiais aos olhos do Bom Deus.

Assim Calvino, Zwinglio, Socino, Ellen White, Ch T Russel, Pharran, Virgren, Berg, Macedo, Rodovalho, etc

Estes de fato fizeram valer seus direitos ao livre exame, pois abriram uma tradução qualquer e formaram um Credo, uma seita, uma nova versão do cristianismo enfim.

Mas e os demais???

Isto é aqueles que nasceram em qualquer uma dessas seitas - calvinista, zwingliana, sociana, adventista, jeovista, assembleiana, universal, etc - ou aderiram a qualquer uma delas antes mesmo de terem lido e examinado as escrituras?

Tiraram alguma conclusão imparcial? Exerceram verdadeiro livre exame? Extraíram a verdade? Produziram um credo? Fizeram valer a tão decantada liberdade? Ou limitaram-se da receber um Cristianismo PRONTO E ACABADO exatamente igual o da igreja Católica?

Ah mas eles tem uma Bíblia!

E daí, acaso a igreja romana ou a anglicana não tem suas Bíblias e não fazem le-las em suas cerimônias?

Todavia essas igrejas não distribuem Bíblias e não colocam a Bíblia nas mãos de seus fiéis!

Quanto ao livre exame, o que vem verdadeiramente ao caso não é a posse da Bíblia e sim se a posse da Bíblia precede ou sucede a filiação doutrinal.

Porque se antes de receber a Bíblia você recebe a doutrina luterana, calvinista, batista ou unitária e é 'ensinado' a ler a Bíblia - i é conduzido - conforme a crença ou a fé de qualquer uma dessas organizações é evidente que o exame não é livre mas orientado e que a leitura da Bíblia não é livre mas dirigida! Neste caso onde fica a liberdade do exame se o 'credo' é recebido com o livro ou mesmo antes dele??? Que liberdade é essa se o neófito jamais ousa contestar? Se recebe a leitura, o exame ou a interpretação fornecida por um outro? Que temos aqui senão o velho critério da autoridade revindicado pela igreja antiga?

Que diferença há em recebermos a interpretação Ortodoxa ou qualquer uma das interpretações protestantes: calvinista, zwingliana, unitária, adventista, assembleiana???

Pois se é para acatar o padrão da autoridade que comenta ou interpreta, é evidente que devemos dar preferência a autoridade da Igreja mais antiga, cuja origem remonta anos apóstolos e que as seitas de origem mais recentes, surgidas a partir de Martinho Lutero - 1521 - não possuem qualquer autoridade.

O protestantismo hodierno recorre amiude a autoridade, traindo o livre exame e impondo tradições credais; mas finge exercer o livre exame, apenas porque o critério da autoridade desampara-o por completo. O protestantismo não possui qualquer vinculo material e concreto com o Verbo encarnado Jesus Cristo, não é apostólico, não possui sucessão episcopal e por isso... Tem apenas pretensões e discurso, mas direito algum. Pois seus fundadores jamais foram comissionados pelo divino Mestre.

O que nosso protestante faz não é livre examinar, mas receber uma interpretação dada e CONFIRMAR esta interpretação por meio da Escritura... Recebem um credo para ser defendido com base na Bíblia e não um Bíblia com o objetivo de forjar um credo!

Nada mais fácil a um homem atilado do que tomar suas doutrinas ou crenças prediletas e estabelece-las a partir de um escrito ou livro qualquer sejam os Vedas, o Corão, a Tripitaca...

O mesmo que fazem com a Bíblia, isolando textos do contesto para atribuir um significado arbitrário, os protestantes poderiam fazer com os romances de Machado de Assis ou de Dostoevsky e confirmar seus 'credos' e escrever apologias a partir de tais escritos!

Pois se trata de adaptar o sentido de um livro a fé... Nada mais fácil do que isto.

Teem um credo ou uma interpretação a defender. E por isso tomam a Bíblia com esse premeditado intuito, de encontrar testemunhos favoráveis ao luteranismo, ao calvinismo, ao zwinglianismo, ao unitarismo, ao adventismo, etc Partem com essa ideia fixa e distorcem o sentido do Evangelho. Pois tal qual acredita assim o homem vê as coisas! Assim cada sectário protestante projeta suas crenças na mesma Bíblia. O jeovista vê nela o jeovismo como o adventista vê nela o adventismo e o pentecostal vê nela o pentecostalismo... Porque recebem o sentido ou a interpretação antes do livro, com a cultura ou com a adesão, e não 'a posteriori', então esse exame não é livre mas parcial e tendencioso, pelo simples fato de excluir premeditada e arbitrariamente a versão Católica.

Portando a maioria dos protestantes é tão acrítica quanto a totalidade dos Católicos a que busca criticar e igualmente pré determinada.

A diferença aqui é que o Ortodoxo encarando a igreja antiga, fundada por Jesus e pelos apóstolos, como mãe e mestra da verdade, se lhe submete docilmente. Porque se trata de um organismo superior e divino.

A indignidade está justamente no protestante, - que em tese ou 'pro forma' é um livre examinador - receber a interpretação de outro livre examinador igual a ele. Afinal se todos os homens são igualmente capazes e dignos de examinar a escritura, por que raios devemos receber a interpretação fornecida por outrem ao invés de examinarmos nos mesmos e extrairmos a verdade divina?

Qual o sentido a adesão ou da submissão a interpretação, opinião ou palpite de outrem, se somos todos iguais?

Por que curvar-se diante da autoridade de outro homem e recebe-lo como INTERMEDIÁRIO entre nos e a escritura?

O que queremos salientar é a monstruosidade de enfiar a autoridade num sistema oficialmente livre examinista! O que temos aqui é um sistema teórica ou aparentemente 'liberal' atuando eclesiasticamente, e isto me parece desonesto.

O que temos diante de nós é um seleto grupo formado por uns espertalhões que ousam afirmar-se como superiores num sistema teoricamente igualitário, ludibriando uma multidão de idiotas -Constituída pelo grosso dos fiéis ou da membresia - os quais podendo examinar a escritura livremente e tirar suas próprias conclusões recebe interpretações alheias... Abdicando miseravelmente da liberdade com que acenam aos Católicos desavisados.

Assim são luteranos os que recebem os pontos de vista de Lutero, Calvinistas os que recebem os pontos de vista de Calvino, Zwinglianos os que recebem os pontos de vista de Zwinglio, limitando-se a buscar evidencias favoráveis a tais sistemas na Escritura. O próprio nome das seitas denuncia submissão ao exame canonizado ou santificado por outrem em beneficio próprio!

Eis a igreja discente e docente desconstruída e reconstruída pelos neo protestantes. De modo que uns ensinam, fornecendo exposições e comentários bíblicos desnecessários, e outros recebem passivamente os comentários ou são ensinados! Recebendo um credo, uma fé ou uma verdade pronta, segundo o método da igreja Católica, denunciado e satanizado por Lutero em 1521.

Os reformadores, permitam-me dizer, limitaram-se a substituir os comentários de Clemente, Orígenes, Tertuliano, Atanásio, Hilário, Ambrósio, Crisóstomo, etc pelos comentários de Pafúncio X, Rodovalho M, Terezo J, etc Substituiam as tradições autênticas dos primeiros séculos por tradições humanas e espúrias do século XVI ou XX??? Cadê a coerência???

No entanto se todos são livre e tem mesmo o direito de ler, estudar e interpretar a Bíblia, dando seu pitaco ou contribuição a jamais acabada reforma e achando sua verdadezinha oculta com que brindar a pobre humanidade por que raios ler comentários alheios? Por que se ensinado por outro se não é para ser ensinado por alguém superior como os Bispos sucessores dos apóstolos escolhidos por Jesus? Quem vem ao caso as opiniões de X ou N???

Esperto no protestantismo foi quem teve a ideia de proclamar-se superior aos demais, canonizar sua opinião, santificar sua doutrina, forjar seu credo e criar sua seita...

Quanto aos demais, que recebem exame elaborado por outro, perdoem-me, mas não posso deixar de encara-los como perfeitos tolos. Que se vangloriam quanto a posse dum carro estacionado no quintal da casa ou de um computador que não sabem usar rsrsrsrsrsrs

Pois declaram ser livres, emancipados, independentes, etc E adotam ensinamentos e interpretações fornecidos por outro. Qual o propósito duma liberdade que não é usada? Liberdade no neo protestantismo doutrinário - Com credos, fórmulas, etc - virou enfeite.

Que romanista ousou brindar as Encíclicas de seus papas com o titulo de 'inspiração', igualando-as ao Santo Evangelho??? Os adventistas no entanto não hesitam em conceder este título aos escritos da sra Ellen Withe, elevada já a classe de hagiógrafa honorária!!! E classificam o papismo como idolatria!!! Logo eles que nivelam as palavras de uma doente mental as palavras de nosso Divino Mestre! Sim, amigo leitor, o protestantismo, apelando a uma liberdade falsa e aparente forjou a pior das servidões e chegou as fronteiras da insanidade! Subverteu seus próprios fundamentos e violou seus princípios...

Que Ortodoxo, por mais devoto e submisso que chega, atribui a igreja o direito de julgar o que deva comer, beber, vestir, ouvir, dançar, etc??? Tudo isto e muito mais atribuem os jeovistas a seu 'Corpo governante' tendo toda sua vida controlada por ele, como os turcos pelo Corão!

Pasme querido leitor, o Catolicismo exige unicamente (além de, é claro, terem de viver segundo a lei do Evangelho) que seus adeptos, professem cerca de quarenta dogmas ou artigos de fé, definidos com relativa exatidão e precisão, enquanto o protestantismo 'ortodoxo' exige que seus fieis submetam-se a Bíblia inteira -de capa a capa ou de Gênesis a Apocalipse - a guiza de pura palavra de deus, proibindo que qualquer parcela do livro seja posta em duvida ou contestada. E por ai vão milhares e milhares de dogmas ou artigos de fé, alias um bom número de fábulas, mitos, lendas e narrativas estúpidas contidas no antigo testamento. E o pobre Cristão protestante, com toda sua 'magnífica' liberdade, deve engolir tudinho! Ficando atrelado a um calhamaço inteiro de dogmas!!!

E dizem que há liberdade nisto!!! Dizem!!!

Pavorosa a escravidão da bibliolatria. A qual só encontra páreo no islã com seu Corão.

Que dizer então dos pentecostais? Que vivem a criticar as seitas para católicas ou autoritárias e hierárquicas acima citadas arrotando liberdade???

Ali cada homem, cada individuo, cada chefe, cada líder, cada profeta, se faz Papa e mais do que Papa alegando estar possuído pelo espirito santo e que todos os seus pensamentos correspondem a vontade de deus.

Os profetas pentecostais, alegando contato direito com a divindade, revindicam, da parte dos simples fiéis, submissão absoluta no mais alto grau. Simplesmente mandam, determinam, decretam e controlam a todos tirânica e despoticamente em nome da 'liberdade' (sic)!

E chegamos ao máximo grau de teocracia.

Pois o profeta possuído por deus é deus... Com o qual não se discute, debate ou dialoga. Obediência cega é o que exigem e obtém de pessoas que se 'livres' ou libertas da igreja romana rsrsrsrsrs

Arrotam liberdade enquanto rojam aos pés alheios... Como qualquer hindu diante de seus simulacros.

Líder religioso algum na face da terra, a exceção talvez do Dalai Lama ou do Aga Kan desfruta de tanta autoridade quanto um líder pentecostal. E pasme, em teoria ao menos, esse homem é líder de livre examinadores, os quais tendo acesso deveriam examinar as tais escrituras e tirar as próprias conclusões... A realidade no entanto é totalmente outra e da tal liberdade originou-se o mais rígido dogmatismo.

Agora com base no que?

Na alienação, na ignorância, na idiotice e na estupidez alheias.

Que leva uma pessoa, que revindica para si mesma o direito de examinar a Bíblia, a curvar-se submissa reverente diante da interpretação alheia, ao invés de fazer valer seus direitos??? E de interpretar livremente, sem partir de um credo ou ter de recebe-lo autoritativamente...

Por que e para que ser ensinado ou doutrinado por outro, se tem acesso direto a Bíblia sempre fácil, clara e auto evidente?

Agora se temos de ser ensinados por outros para que insistir doentiamente sobre a leitura da Bíblia ou melhor, por que não ouvir a igreja antiga e receber sua interpretação, a qual remonta aos apóstolos e em ultima analise ao próprio Revelador Jesus Cristo? Se a questão não é de liberdade para examinar e forjar um credo, mas de autoridade por que não escolher a mais antiga???

Convenhamos, se é para receber uma tonelada de dogmas numa talagada só, os católicos que aderem ao protestantismo, limitam-se a trocar uma servidão por outra, alias uma mais leve - com apenas quarenta artigos de fé - por uma enciclopédia com milhares de dogmas monstruosos ou absurdos a começar pelo criacionismo!

Enfim, por todos os ângulos que examinemos a questão do livre exame, sua aplicação se nos parece extremamente problemática e a via do Catolicismo ou da autoridade muito mais realista e compatível, tanto com as condições antigas quanto com as condições atuais das Sociedades humanas, além de remeter-nos com mais diretamente a doutrina da Encarnação de Cristo na História e do fundamento apostólico.

Tais as considerações que nos foram sugeridas durante a proveitosa conversa que tivemos, ontem a tarde, no Instituto, entre refrescos e quitutes, com nosso jovem amigo, como nós um ex protestante, um liberto.