Mostrando postagens com marcador Massas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Massas. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de dezembro de 2023

Oclocracia ou, quando a Democracia desanda...

Dever nosso, i é, dos que sustentam os ideais do Liberalismo político e da vida democrática, velar para que nossa democracia não se venha a converter numa qualquer outra coisa ou em algo que os antigos chamavam Oclocracia, ou seja, o domínio das massas imbecis.

De fato um conceito sadio de democracia supõe sempre algo a que se chame povo ou um conjunto de cidadãos. Em contraposição a povo temos massa, algo inconsciente e formado por homens e mulheres ignorantes, idiotizados, acríticos e manipuláveis. 

As massas não parecem ter ideais muito elevados e por isso mesmo contentam-se em ter satisfeitas suas necessidades mais elementares como comer, beber, fumar, procriar e curtir, nada muito além... Via de regra são as massas miseráveis ou carentes de quase tudo, e por isso seus ideais são básicos ou elementares...

Isentas de qualquer ideal político as massas não oferecem qualquer perigo para os poderosos ou para os demagogos. 

Já por serem extremamente dóceis e manipuláveis.

Por questão de necessidade as massas se vendem e vendendo-se são contidas.

Basta que o líder ou os lideres lhes deem> Pão e circo i é Pão, churrasco, cerveja, sexo fácil, fumo e ruídos para que se satisfaçam e não incomodam. As massas contentam-se com migalhas ou esmolas ofertadas pelos demagogos e por isso são oportunas.

O cidadão, tendo uma condição de vida média e satisfeitas suas necessidades básicas, bem pode alçar-se as regiões do abstrato, idealizar algumas coisas - Como a partilha do poder! - e aspirar por elas. Por ter atingido certo nível de consciência é o cidadão uma ameaça para o demagogo e também para o patrão, para o mago...

As massas e o zumbi, não incomodam a quem quer que seja, não representam ameaça alguma, não são causa de inquietação...

E no entanto a questão que aqui se coloca é a do acesso ao poder.

Pois desde que mundo é mundo, são as massas, sutil ou declaradamente, controladas.

A bem da verdade são compradas por meio das migalhas ou esmolas que recebem.

E sendo as massas o que são, não vejo outra solução possível.

Por isso a Democracia atribui o acesso e o controle do poder a outra entidade, a que chamamos Demos ou Povo, uma agremiação formada por cidadãos conscientes, a cidadãos formados por um processo educativo ou emancipatório.

Agora para que tal elemento político - O Povo, exista de fato, é necessário um ingrediente econômico.

As massas alienadas tanto hoje quanto nos belos tempos do Império romano, são formadas pelos miseráveis, pelos que quase nada tem e pelos que, quase nada tendo, sequer podem satisfazer suas necessidades básicas. Posto que a miséria produz a dependência e a falta de acesso a educação produz a conformidade.

Uma economia que produz miséria impulsiona o processo de massificação e tira vantagem da massificação, gerando um círculo vicioso reforçado pelo fundamentalismo religioso e pela tirania ou pela demagogia. 

Para que haja povo ou um conjunto de cidadãos conscientes, devem eles, economicamente falando, gozar de uma condição média > A qual lhes franqueie acesso a certo nível de comodidade ou conforto, e possibilite a formação do espírito por meio da instrução.

No tempo presente, as estruturas econômicas, a situação política e certas expressões religiosas, conjugaram-se, tendo em vista a produção de massas ou de pessoas sem consciência. Isto porque almejam controla-las econômica, política e socialmente, tornando sua servidão invencível.

Se o setor responsável por gerir o processo educativo, curva-se diante dos poderes econômicos e diante dos clamores suscitados pelo sectarismo religioso, não se deve esperar coisa alguma dele, a exceção de uma instrução aparente.

Oferecer as massas uma educação de qualidade ou uma instrução esclarecedora equivaleria a entregar aos presos a chave da cela, e o carcereiro, imbuído de sua vocação, não o fará.

Temos massas, fabricação acelerada de massas, despersonalização, desumanização... E temos um discurso politicamente liberal ou democrático, o qual, dentro de certas condições é não apenas válido como desejável.

Eu aspiro por ideais democráticos e por uma vida democrática que garanta, na perspectiva mais ampla, o exercício das liberdades.

Porém democracia só se faz com povo ou é feita, é construída, é implementada, pela atuação de cidadãos conscientes. Alias quanto mais direta um democracia é, melhor é.

Com massas o que temos jamais será democracia porém Oclocracia. Algo em entram diversos ingredientes, como demagogia, certo nível de manipulação ou dominação sutil e acordos.

Implica a Oclocracia, que as massas tenham certo nível de acesso ao poder ou que obtenham algo em troca - Como o cão, a quem o gatuno atira um osso, para poder ter acesso a casa que pretende roubar... As vezes esse osso poder até ser um pedaço de carne ou mesmo um suculento bife - Uma vez que o assaltante obterá ouro...

É uma espécie de troca. 

Por meio da qual as massas alienadas obtém os 'bens' que, por absoluta, falta de educação ou instrução, veio a desejar - Pois caso fosse educada aspiraria por outras coisas ou por verdadeiros bens.

Contentam-se as massas com - Futebol, carnaval, novelas, showzinho gospel, falsas moralidades, cachaça, fumo, drogas, sexismo, etc enquanto os demagogos rapinam o erário. Fornecido o ópio ou o circo, as massas não se mexem, não se movem, permanecem inertes...

O Estado demagógico, por meio da cultura, condiciona as massas a fruírem de tais 'bens', inclusive ocultando-lhes outros bens, que de fato são bens. Apenas para em seguida fornecer-lhes tais bens, e assegurar a paz: "O que eu quero é ser feliz na favela onde eu nasci.".

Mas só é feliz na favela e nela deseja viver, quem por ignorar horizontes mais amplos, cuida ser ela, a favela, o mundo...

Ocultem o mundo, o outro mundo, aos aprisionados, e eles se sentirão super felizes dentro da caverna...

A Educação hoje consiste basicamente nisso: Em mostrar o que já se conhece e jamais apresentar o que não se conhece ou ignora. E nem podemos aspirar pelo que ignoramos.

Mantemos o discurso em torno da democracia e do liberalismo político, mas não concedemos as massas pleno acesso ao poder.

É o caminho da Oclocracia. 

A passagem para o caos.

Pois em certo momento poderão as massas exigir mais.

E se um dia, por obra do deus acaso, conquistarem o poder e exercerem o controle...

Conhecemos, lamentavelmente, a ditadura de um ou de alguns.

Que seja ditadura de um grupo social ou uma ditadura de massas, ignoramos supinamente.

O quanto quero dizer é que ao fabricar massas podemos estar forjando um futuro terrível ou pior que tudo quanto já vivenciamos.

Deveríamos estar instruindo, educando, formando cidadãos críticos, dirigindo para a Ética, personalizando, humanizando... 

O que o Estado, a serviço do lucro e da superstição, tem feito é semear a miséria, despersonalizar, desumanizar, promover a ignorância, expandir a alienação, etc - Com o que se solapa a democracia e se suscita críticas intempestivas, não poucas vezes justas.

Não poucas vezes o que se repudia e combate não é a Democracia ou o tipo ideal de vida democrática porque aspiramos e sim essa corrupção chamada Oclocracia - O domínio das massas idiotizadas. 

Muitas vezes o que se rejeita e combate é apenas sombra de democracia ou uma democracia degenerada e decadente.

Tal o quadro sinistro das coisas...

Nossa democracia se vai desacreditando.

O clamor das massas imbecilizadas e satisfeitas aumenta dia após dia. Como nuvens que prenunciam uma tempestade...

No Brasil parte das massas identitárias ocupa-se de coisas totalmente inúteis, como em elevar o Funk e o 'ripe rope' ou a dança de rua, as alturas... Enquanto o outro lado, deseja a instauração de uma Teocracia bíblica...

De extremo a extremo vagam as massas... 

E não sabemos no que resultará tudo isso.






sábado, 2 de dezembro de 2023

O Estado deseducador ou onde esquerda e direita se tocam...

 Acho difícil ou até ingenuidade acreditar que a educação pública, gerida por um Estado associado ao Mercado e a seitas religiosas fundamentalistas, cumpra seu desiderato, que é a produção de cidadãos críticos e reflexivos.

Até onde podemos observar o Estado, dirigido por demagogos, se tem empenhado em produzir massas manipuláveis já para os empresários, já para os charlatães religiosos e até poderíamos falar num processo de massificação. Mesmo porque o 'político', o patrão e o pastor beneficiam-se da ignorância alheia.

Enquanto profissional da Educação tenho que responsabilizar direita e esquerda - Embora a direita seja muito mais feroz e proativa. - por semelhante estado de coisas. 

A direita pretende fornecer aos cidadãos uma educação sumária ou elementar que o habilite apenas a ler, calcular e, no máximo, decorar uns nomes e umas datas... Nada que permita ao ser racional contemplar, conhecer, avaliar e inclusive transformar o mundo em que vive ou a sociedade em que esta inserido. É a famosa educação positivista ou positiva, destinada a produzir funcionários ou criados. Acho que decidir o futuro dos jovens e crianças e limitar seus horizontes, equivale a um crime hediondo...

Já a esquerda, no afã de inserir os meninos e meninas pobres na escola, satanizou levianamente a reprovação, e, face as mazelas sociais, implantou a aprovação sumária ou automática, sendo acompanhada por muita gente de boa vontade, que alega omissão por parte do poder público - E o lema é: O educando não pode ser responsabilizado... De acordo> Porém converter a educação numa farsa não me parece ser a solução correta.

O resultado desse afã foi uma queda ou rebaixamento abissal no que tange a qualidade da educação. Conclusão: Inserimos muitos para que aprendam muito pouco - Quando deveríamos ter inserido muitos para que aprendessem muito, cobrar o poder público, sanar as mazelas instauradas na estrutura educacional, instruir, cobrar, exigir responsabilidade por parte dos educandos, reforçar a noção de dever e, quando necessário for, punir e reprovar, sem o que não se educa.

Por esse caminho chegou-se a mentalidade pós modernista, insuflada por essa esquerda desmiolada e aproveitada com gosto por aquela direita canalha acima descrita. 

Quero dizer que nossas crianças não mais vão a escola para aprender conteúdos significativos e relevantes ou ferramentas que possibilitem-nas ascender socialmente, mas coisas populares ou que aprendem já em seu ambiente. Não mais se torna de abaixar-se até a realidade do educando para eleva-lo, porém de lá ficar - Abaixo, com o popular ou chulo... Exatamente conforme aquela 'música' horrenda: 'Quero ser feliz na favela em que nasci' > Educação virou isso, escola pública virou isso: Funk, 'ripe rope', dança de rua, capoeira, sei lá mais o que, para essa esquerda cirandeira; economia, projeto de vida, empreendedorismo, etc para a canalha de direita... E a Educação não transcende, não mostra nada de novo ou de diferente para essa clientela, na acrescenta... 

Pois o que chamamos de Educação, a esquerda chama de ideologia burguesa e a direita de ideologia de esquerda. E em níveis diferentes (A direita advertimos é bem mais hostil e nem toda esquerda é pós modernista!) parece que contribuem para produzir cidadãos estúpidos ou imbecis, seja por meio dessa educação positiva\mutilada ou através dessa cultura popular que se dá por satisfeita. 

Em meio a semelhante caos estabelecem-se prêmios ou bônus para que professores, diretores e supervisores aprovem o maior número de alunos possíveis, de modo que os defensores da reprovação passam a ser malvistos e caçados por seus próprios colegas de trabalho. Pois o lema é passar a criatura a todo custo, inda que não saiba ler ou calcular > E chega ela ao sexto ano - Analfabeta ou semi analfabeta. Afinal: A prefeitura ou o Estado não a apoiou como deveria... E não podemos culpabilizar o aluno... Então enganemos o infeliz, dando-lhe um diploma falso, que não significa coisa alguma... E com essa ideia de justiça consolamos nossa consciência ou ocultamos essa fome insaciável de bônus.

E o empenho é tal que nos municípios supervisores pressionam diretores e diretores pressionam professores para que mudem suas notas i é para que aumentem suas notas, de modo a passar a todos e a promover analfabetos e semi analfabetos. A rede estadual de S Paulo vai muito mais longe> Diretores e vice diretores há que falsificam as assinaturas dos professores relutantes em colaborar... Professor há que reprovou formalmente o aluno em Conselho, apenas para ve-lo aprovado no ano seguinte sem saber como... Que o ministério público faça uma grande oitiva ou sindicância nessas organizações...

Uns pela educação sumária e mutilada, outros pela cultura popular, outros - Mais práticos, pela prebenda a que chamam bônus. - parecem que todos estão de acordo quanto a aprovação automática dos analfabetos e semi analfabetos.

Acham inocente ou inócuo promover quem pouco ou nada aprendeu e até ousam dizer que reprovar é castigar o aluno ou vingar-se dele, que é ato de rancor, etc 

Bem - Lhes damos um diploma e lhes franqueamos passagem...

Não chegarão a lugar algum, disse-me um colega suspirando...

Calma professor, disse-me ele, contenha-se, daí não sairão enfermeiros, cozinheiros, arquitetos, médicos, etc

Calei-me... Inutil discutir com pessoas tão bem intencionadas (Bônus). Mas pensei comigo mesmo: EAD.

Caso venham a adquirir uma graninha se vão matricular num curso virtual e pagar para que alguém faça as atividades por eles... Arriscarão na prova... E quiçá com um pouco de sorte cheguem a aplicar injeções, a preparar alimentos ou até a desenhar algum projeto. Dessa rebelião ou ascensão de massas despreparadas e idiotas porém diplomadas resultará o caos...

O número de erros em áreas nas quais o erro acarreta desastres escabrosos aumentará exponencialmente. 

Impossível que a queda, por nós provocada, na qualidade educativa não se reflita, daqui há algumas décadas, no desempenho profissional de parte da população, o qual experimentará considerável declínio. Outra possibilidade é a falta de profissionais habilitados em diversos campos, o que afetará diretamente a oferta de diversos serviços essenciais.

No tempo da ditadura a Educação tinha qualidade porque era para poucos e não para todos...

Triste verdade que não apoiamos.

Hoje, no entanto, parece que é a Educação para todos, mas aparente...

Antes tínhamos educação para poucos - Hoje não há temos para quem quer quer seja i é não temos educação...

Mas sabem ler e escrever... Um maior número de cidadãos.

Ok - Mas não promovam quem não atingiu suficiência. Pois também a reprovação, em certos casos, produz melhorias.

Quiçá nem todos sejam absolutamente iguais, e alguns precisem se esforçar mais ou muito mais. É possível. Neste caso há que se estabelecer certos requisitos mínimos, além de dar máximo apoio possível. Há que se investir... E também de reprovar, quando não houver condições.

Por fim me pergunto quanto essa ideologia anti reprovação significa em termos de economia ou de $$$ e julgo que essa pergunta seja necessária. Afinal, em tempos nos quais o Estado assume uma responsabilidade cada vez maior por parte dos insumos educacionais, a quem cabe o investimento... Nesse caso, aluno reprovado, investimento dobrado.

Antes não era a reprovação satanizada porque os pais arcavam com seus custos. Agora que o Estado assume parte dos custos é a reprovação proscrita como algo essencialmente deseducativo ou maligno - COINCIDÊNCIA...

Saibamos analisar criticamente cada discurso...



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Produção de consciência e sua descontinuidade no curso da HISTÓRIA humana.

Breve será o objetivo deste artigo, destinado a confrontar os sistemas ou ideologias que jamais produziram ou que cessaram de produzir a consciência social, enquanto elemento aglutinante da cultura.

Anarquismo, Comunismo, Fascismo, Nazismo, Islamismo, social catolicismo, protestantismo, o PT (rsrsrsrs) dentre outras tantas propostas não implementaram a Mimesis, continuando a digladiar-se, tendo em vista a direção totalizante ou integradora de nossas sociedades em Crise.

O comunismo a princípio, encarando a organização partidária como um veículo antes de tudo educativo\formativo e portanto tal e qual fora idealizado por Marx e Engels, foi bem sucedido, começando a ocupar os espaços desguarnecidos pela Cristandade estagnada e inoperante. Todavia na mesma medida em que, com o 'revolucionário' Lênin, torna-se vitorioso, podemos observar o organismo do partido tornando-se cada vez mais político e controlador, alias na linha da mesma violência física deflagrada pelo processo revolucionário. Neste momento a prioridade passa a ser a conservação do poder, sicut Machiavelli e 'Il principe'... Cessa o esclarecimento ou a produção de consciência ou não satisfaz a nova demanda (Por não se ter concentrado nela ou simplesmente pecado por tentar adiantar o processo histórico e ignorar a força das estruturas - Especialmente culturais!). E a URSS colapsa ao cabo de setenta anos. Talvez a exceção da pequena Cuba, onde o comunismo é ideológica e culturalmente reforçado por uma justa tradição anti imperialista ou N Americana desenvolvida por Jose Marti, todas as sociedades comunistas mantenham-se apenas superficialmente, por via de um controle externo ou físico, donde resulta sua extrema vulnerabilidade.

Seria interessante oferecer um estudo mais aprofundado sobre o tema da Revolução cultural chinesa, o qual salientaria a complexidade do problema. Por absoluta falta de espaço não podemos oferece-lo agora. Mas recomendamos esta linha de estudos, especialmente aos que acreditam apenas no padrão externo da força ou do controle estatal para manter um grupo social coeso.

O anarquismo, especialmente nos EUA, onde foi contaminado pelo individualismo (cf Murray Bookchin) converteu-se em apêndice daquela cultura, a qual espera que avance na linha do minimalismo crasso. Reverteu assim em anarco capitalismo, corrente a serviço da ideologia dominante, a qual acredita dever levar adiante como herdeiro, e não se sai disto. Em outras partes, como Europa ou França assumiu um aspecto psicologista, irracionalista, subjetivo e em parte individualismo, até ser assimilado pelo pós modernismo, disto resultou uma fragmentação sectária em torno de tipos - O negro, a mulher, o homo afetivo, a criança, o ecossistema, etc que fogem a qualquer integração, e o estereótipo do rebelde sem causa, apenas disposto a gastar as energias da juventude ou a promover a violência pela violência, a luta pela luta... até chegar a agressão gratuita, que reporta as fontes do inconsciente. Tal o quadro geral de um anarquismo que pecou contra a racionalidade e apartou-se da salutar noção de municipalismo, fundamento da policracia ou democracia direta, a qual parecem ter perdido completamente de vista. E é um quadro desolador...

O fascismo e nazismo com a mesma petição a força, inda que militar ou conservadora, presente no comunismo, no islã e no protestantismo sectário, jamais lograram em produzir consciência ou em forma-las, desdenhando ou mesmo deplorando qualquer tipo de esforço educativo\reflexivo que ultrapassasse as fronteiras de um cientificismo\positivismo, acrítico, servil e abjeto. O padrão da força, do poder ou da violência sempre temeu as expansões da consciência livre e disposta a resistência, como demonstra aquele processo levantado por Anito, Melito, Licon e Diopeites; com o apoio velado de Aristófanes, contra o mestre de Atenas. Então o 'Converte ou morre' do islã com suas espadas e ameaças produziu apenas um sistema de controle eficiente, por rotineiro. O que ali se observa em termos de cultura é a impermeabilidade do Estado a uma educação livre, científica ou reflexiva, um terrorismo antes de tudo anti educativo, destinado a aprisionar as mentes. Há uma unidade cultural, mas, apenas imposta pelo poder arbitrário com absoluto sucesso, um treinamento multi secular, através do qual as pessoas foram domesticadas. O que se vê ali não é processo interno de ascensão da consciência livre e uma associação livre de pessoas.

Outro e específico o caso do protestantismo, o qual jamais logrou a produzir (Nem mesmo na Santa Genebra de Calvino onde o controle do poder colapsou tal e qual na URSS) ou reproduzir na Europa a mesma cultura bíblica ou israelita do século VII a C, tendo de perseguir este ideal horrendo na Inglaterra de Cromwell e enfim nos EUA onde foi apenas relativamente ou em parte bem sucedido, de modo que os radicais, como apontou Décio M de Lima nos 'Demônios', tiveram de migrar para o Brasil, onde trabalham neste exato momento com o objetivo de sabotar nossas culturas e substitui-las por aquele projeto.

De fato o protestantismo produziu um dos mais poderosos éthos ou espíritos de todos os tempos, a exemplo do budismo, do Cristianismo, do Islã e do Comunismo, o qual no entanto, por mais turbação que tenha causado, dispersou-se e jamais logrou realizar por completo, por ser a História, ao menos em sua totalidade de formas irreversível e o protestantismo bíblico, ortodoxo e sectário esse olhar utópico de resgate voltado para o A T ou para qualquer fase do judaísmo pré Cristã. Ademais, reforçando a negação do mundo, assim o maniqueísmo, o neo platonismo e outras forças, ele representou, ao menos a princípio, enquanto luteranismo e em seus ensaios, mais um elemento negativo ou o decidido abandono de um ideal Cristã tradicional vinculado a concretude ou a transformação do mundo, cujos imperativos partem da própria crença na Encarnação de Deus {Nada mais miserável do que um comunista apontar-nos isto, a nós Cristãos luteranizados e adormecidos!). Assim o protestantismo, negando-se a inserir-se no mundo e opondo-se a ação dos Catolicismos abre brecha para a produção de um novo tipo de cultura, a qual não dirige (Indiretamente ou por orientação Ética) mas com a qual colabora ativamente. O protestantismo aceita colaborar com o novo espírito do liberalismo econômico, a batiza-lo, a crisma-lo e a servi-lo, sancionado-o no plano da cultura. E assim se integra a ele como elemento da nova construção cultural, iniciada na terra 'Virgem' (De herança clássica ou católica) dos EUA. O resultado disto é a produção de um novo tipo de consciência - o mais recente - a consciência ou cultura americanista, fundamentada no Capitalismo, porém, como já foi dito, com a colaboração ativa do protestantismo, num segundo plano, e de alguns outros elementos. O protestantismo tomou parte na construção deste novo padrão de consciência e dele faz parte, ainda que subordinadamente.

O social Catolicismo, surgido no século XIX, apesar de deitar raízes no século anterior e de representar enfim toda tradição anterior, antiga e medieval, bem como a própria consciência e cultura do passado não logrou afirmar-se entre os neo Católicos luteranizados. Falhou quanto a contagia-los, eletriza-los e mesmo em constituir-se como grupo majoritário destinado a comanda-los. Contou com as melhores e mais nobres almas, chegou a antecipar o justo clamor dos comunistas, mas não impos-se e não vingou como consciência ou forma de cultura, isto a ponto de, no tempo presente, a grande massa de neo Católicos ignorar a Doutrina social ou não leva-la a sério, pelo simples fato da hierarquia religiosa não te-la tornado rigorosamente impositiva, a exemplo das moralidades privadas e inúteis. A maior parte do clero não conheceu e menos aina valorizou esta corrente que é essencial.
A resistência dos neo Católicos foi insuficiente, de modo que o americanismo ou a consciência capitalista ultrapassou suas fronteiras, invadiu nossas sociedades e instalou-se nelas, nem sempre nos lombos do sectarismo protestante, mas, as vezes nas espaldas dos liberalismos ou do positivismo acrítico.

Disto resulta a puerilidade de criticar um simples partido como o PT por não ter produzido cultura nos governos Lula e Dilma, limitando-se a criar consumidores e a promover melhoramentos gerais. Devemos no entanto deplorar que sequer tenha tentado faze-lo, demonstrando vergonhoso conformismo e admitindo alianças nem sempre recomendáveis, assim com os próprios fundamentalistas como o Crivella. Tampouco é Bolsonaro fascista, nacionalista ou qualquer coisa tanto mais profunda do que um pires, no sentido de possuir ideologia, cultura ou consciência. Imaginar Bolsonaro como homem de espírito é não ter espírito... Limita-se ele, por necessidades práticas e instigação dos a aderir ao modelo vigente nos EUA. Não passando de imbecil útil, a favor de uma cultura exógena.

Então onde e quando essa integração cultural, Mimesis ou ascensão Ética verificou-se na História humana. Sem a ascensão Ética, recentemente, lá nos EUA, sob os auspícios de um economicismo ocultado pela religião morta.

Com ascensão Ética e brilho em apenas três oportunidades: No Extremo Oriente por meio do Budismo e do Confucionismo. E esta Constelação manteve-se, ao menos em parte, até meados do século XIX, com a Rebelião dos Samurais e a morte da imperatriz Tsu Hsi. Basta dizer que estes sistemas plasmaram as sociedades do Japão e da China conferindo-lhes por séculos a fio uma coesão e estabilidade que mais para o Ocidente identificamos somente no Antigo Egito. A coesão e estabilidade do antigo Egito giravam em torno de um princípio mais simples: Uma religiosidade essencialmente conservadora, reforçada por uma territorialidade fechada, ou vice versa, como quer Weber. Ali no entanto houve continuidade de algo cujas origens se perdem nos tempos e não a produção de algo que podemos acompanhar historicamente, como no caso do extremo Oriente.

A segunda construção é de matriz racional ou metafísica e naturalista. Diz respeito a antiga Grécia, relaciona-se com a afirmação do conhecimento filosófico e atinge ou conquista o Império romano (E com ele todo circuíto do Mediterrâneo). Inda que a princípio variada esta construção acabou consolidando-se em torno das figuras de Sócrates, Platão, Aristóteles e do legado Humanista transmitido por eles. Prevaleceu ela por quase mil anos, até a queda do Império romano, embora para muitos jamais tenha saído de cena mas sido assumida pelo Catolicismo ou pelo Cristianismo antigo, já na construção da Teologia, já quanto a afirmação de certos postulados Éticos, pelo que poderíamos postular certa continuidade em torno de objetivos como a superação da fragmentariedade e a busca por uma unidade essencial. Para alguns analistas este devaneio grego ainda estaria em marcha através de sistemas ideológicos progressivistas ou escatológicos que não passariam de um Cristianismo secularizado, do que resultaria a possibilidade de um paraíso aqui na terra resultando ele quer da posse dos meios de produção pelo proletariado, do progresso técnico científico, do poder do Estado\lider, do Mercado, da eugenia ou purificação da raça, etc...

A Terceira grande Mimesis ou produção, em larga escala, duma consciência comum, deve-se ao Cristianismo, como continuador ou substituto do Socratismo ou da cultura clássica. Tendo prevalecido com sucesso, por mil anos, em Bizâncio, formação político cultural importantíssima e que deveria se estudada com maior atenção pelos ocidentais e no Ocidente europeu até o fim da Idade Média ou o século XV. Claro que aqui se trata duma reconstrução após a derrocada do grande projeto romano, a qual jamais foi satisfatoriamente realizada devido a sombra do Islã e que por fim foi por completo frustrada pelo advento da reforma protestante, ocasião em que uma Europa totalmente convulsionada sai dos trilhos e entra numa crise interminável (Que se prolonga até hoje). E por ter surgido, a par das diversas culturas de morte ou ideologias, uma nova forma de consciência (Rival da antiga) na América, acentuou-se ainda mais o conflito. Resta concluir que das Idades antiga e média, a partir delas, não houve um desenvolvimento orgânico mas uma drástica ruptura, e que os elementos, princípios e valores tradicionais, ali presentes e comunicados pelo passado foram abortados. O projeto Cristão Católico, desfigurado em parte pela brutalidade medieval, legado pelo socratismo permanece até hoje inacabado. O trágico é que ele representa a expansão da Encarnação do Verbo - desta vez a nível social! - ou a Encarnação de sua palavra (O Evangelho) sob os auspícios do Espírito Santo, sempre em comunhão com a vontade dos homens bons.

Nós, os amigos de Sócrates, acreditamos na retomada deste projeto.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Os cavaleiros do apocalipse ou a intelectualidade vs obscurantismo bíblico/protestante

Resultado de imagem para Copernico



Como ex protestante ousarei declarar que a humanidade tem pegado pesado com o papismo ou com os catolicismos de modo geral, e pegado demasiadamente pesado com o protestantismo e o princípio estreito do biblismo, abismo que se abre aos pés de nossa civilização, ora arrancada de seus fundamentos.

Observe o leitor que a bíblia - mesmo o Evangelho, cujo tema é a transcendência e não a verdade imanente ou científica - ou o antigo testamento, que é um livro ou registro escrito, jamais poderá pronunciar -se objetivamente no sentido de reconhecer a Evolução biológica dos seres vivos. Outro o caso do papismo, o qual na pessoa de seu chefe ou líder, Pio XII, na Encíclica "Humani generis", pode posicionar -se claramente no sentido de permitir que suas ovelhas assumissem como empiricamente veraz a Evolução do corpo. Tal pode parecer muito pouco aos olhos de alguns, porém, em comparação com o descontrole protestante assume contornos bastante significativos.

PERMITIU o livre exame, superficial e imvecilmente exercido pelas massas, que elas firmassem e afirmassem uma cultura fetichista/criacionista tomada a letra do Genesis e mantendo a letra do Genesis ao invés de dar passagem a uma solução crítica e libertadora. O que daqui resultou não foi nada libertador mas servil no mais alto grau posto que, o protestantismo ortodoxo e sectário, que vomitou injúrias sobre a Igreja antiga e a Tradição Cristã jamais pretendeu ou ousou criticar a bíblia, quero dizer os escritos judaicas e isto pelo simples fato de, com Calvino, ter canonizado a tese de um Corão cristão, infalível de capa a capa sob todos os aspectos. Tal a doutrina da inspiração linear ou plenária, a quintessência do obscurantismo protestante.

A parte disto parte do catolicismo antigo foi, por tradição, aberto a especulação racional ou ao padrão de pensamento grego, daí o surgimento da Teologia sistemática com Clemente e Orígenes, em Alexandria, a sombra da grande Biblioteca e enfim da corrente escolástica, da qual resultou, mesmo a partir de uma postura crítica ou hostil, o ressurgimento da Filosofia enquanto atividade autônomo. Nem Erasmo, nem Bacon, nem Descartes, nem Montaigne foram queimados ou excomungados pela igreja antiga. Mesmo Pomponazzi e Telesio puderam construir seus ousados sistemas na terra dos papás romanos e tal deve ser considerado.

O protestantismo, sendo ferozmente racionalista com Lutero e estreitamente bíblico com Calvino, tendia a ser mais negativo, como tende até hoje. Por isso pricipia ele, na pessoa do próprio fundador Lutero - Tido por muitos em conta de progressista - condenando Copérnico e o heliocentrismo, por ext., nos termos mais severos e categóricos, setenta anos antes do Vaticano. Totalmente injusto e absurdo fazer clamor em torno da condenação de Galilei pelo papa e passar em branco a condenação destemperada de Copérnico - aliás diácono da Igreja Romana! - pelo pai do protestantismo.

Talvez por isso cientistas como Agrícola terem repudiado tacitamente a nova fé, cujo real conteúdo aquilatatam. Mesmo um pensador ousado como Erasmo acabou por fim voltando se contra ela. Tampouco fora endossada pelo condenado Galileu, o qual, num de seus livros, põem abertamente em cheque a crença supersticiosa na inspiração plenária, explicitando que a ciência não é objeto ou parte da Revelação divina.

Logrou o protestantismo posterior ludibriar a platéia pelo simples fato de se ter cindido em múltiplas seitas, e de, no contesto europeu, seus ramos históricos, terem adotado - ao menos em parte - uma crítica naturalista que reverteu contra a bíblia e produziu uma religiosidade não apenas liberal mas incrédula.

Confiados na fragmentação do protestantismo em múltiplas seitas e na aparição de um grupo liberal, - De que faziam parte materialistas e ateus inclusive - os pensadores e cientistas incrédulos, em sua maior parte, jamais se deram ao trabalho de combate-lo, quando não o encararam, ingenuamente, como um aliado.
O papismo ou os catolicismos, em sua unidade credal e extensão pareciam bem mais ameaçadoras.

Foi uma análise precipitada e equivocada, posto que as aparências enganam. O protestantismo sobretudo, por atribuir a gente semi analfabeta um método monacal e acima de suas forças, tinha mesmo de fomentar um sectarismo de massas e assim um ethos fundamentalista calçado numa visão unitária (Por isso cooranica do Lívŕo) e numa visão superficial. Nem a visão de mundo estreita e não científica que possuíam exigia mais deles.

Tenho declarado, em minhas polêmicas com os defensores do livre exame bíblico, que tal exame até pode encaminhar a fé Ortodoxa é Católica, que é o conteúdo da verdade revelada ou ao menos a algum sentido histórico do Cristianismo, na periferia da objetividade ou da tradição. Para tanto porém jamais poderia ser livre quanto a forma, mas estrito, metódico, erudito, técnico e cientifico. Claro que estamos falando de um método restrito e elitista, exportado dos mosteiros cristãos. O qual dependia de toda uma estrutura educativa difusa, ainda hoje inexistente, quanto mais aquela época. Não era e não é algo para ser posto no acesso da gente simples, analfabeta ou sumariamente letrada.

O erro cabal dos protestantes foi querer estender este método ao povo. Um método ainda hoje reservado a teólogos ou a estudiosos consagrados ao estudo dos Evangelhos. O exame dos Evangelhos em sua dimensão literária (Deus originais são gregos como a República e a Memorabilia) assim cultural, histórica, geográfica... é coisa de médico ou jurista. Imaginem só os leigos e semi letrados praticando direito ou medicina??? Foi exatamente o que o protestantismo fez no âmbito da religião ou das Escrituras promovendo uma versão superficial, subjetiva e distorcida quase sempre judaizante e anti Cristã, mas também anti científica e irracionalista, pelo simples fato de estar calcada nos antigos mitos do antigo testamento, cujas raízes sumerianas tocam aos albores da História.

Eis porque este livre exame voluntarista e irresponsável, estimulado pela reforma nascente, tinha de resultar por fim num robustecer da consciência mitológica e numa postura a princípio irracionalista e enfim anti científica.

Em tempos de racionalismo e empirismo ou de controle mecânico por parte da Igreja antiga, nada disto assustava. Muito pelo contrário mais temiam os cientificistas dos catolicismos, devido a coerência interna que tais sistemas apresentavam e a couraça escolástica, buscando não poucas vezes enfraquece-los com o auxílio dessas seitas bíblicas, aliás bem mais próximas do modelo norte americanista ou capitalista que acalentavam. Aliás as seitas ainda servem  este propósito cultural inserido na imanência...

Todavia em tempos de pós modernismo, - Quando pensadores é filósofos da ciência tornam a Hume e Kant, arrematado contra a experiência e o raciocínio, e arvorado as bandeiras do ceticismo e do relativismo, (Aliás semeados pela prática do livre exame protestante.) - inverteu-se a situação em benefício do irracionalismo, do emocionalismo, do voluntarismo, do moralismo e das citadas seitas, que mais e mais vão abrindo espaço e adquirindo poder.

Há no entanto algo ainda mais obscuro. A falharem miseravelmente quanto a sua ideologia por falta de um aparelho educativo que produzisse qualidade, os próprios reformadores canonizaram a degeneração na medida em que canonizaram o fetichismo e anteciparam a manobra pentecostal. Na medida em que preconizavam a iluminação ou inspiração individual, ensinando irresponsavelmente que as massas receberiam a instrução bíblica diretamente do espírito santo, sem a necessidade do estudo, santificaram a ignorância e conferiram-lhe uma chancela social. Hoje entre as massas livre examinadoras ser igorante ou sumariamente letrado equivale a virtude... Como levar consciência científica a este nicho?

Para ser povo livre é necessário mais que letramento formal ou elementar. É necessária uma educação de qualidade, que traga consciência. É consciencia ou sentido que qualifica um povo diz com razão Freire. Massas não podem ser livres e se a Igreja velha, por não ter educado com suficiência e dado sentido mais amplo, falhou e produziu ou manteve massas, ao menos ajudou o antigo regime elitista a controla-las. Da mesma forma o partido Comunista, quando falhou igualmente em produzir consciência. FOI O SECTARISMO PROTESTANTE, ESPECIALMENTE PENTECOSTAL, que viabilizou está horrenda rebelião de massas iconoclasticas mais do que o Comunismo ou o Anarquismo, a partir desta democracia formal que inconsequentemente admite o voto do analfabeto ou do analfabeto funcional. O clamor dessas massas é triplo - Aspiram pelo fim das liberdades e direitos fundamentais, o aniquilamento da ciência ou de uma visão mais naturalista do mundo e enfim o controle do poder - Moralismo puritano, fetichismo e teocracia são as três parcas para nós e palavras de ordem ou programas para eles.

É necessário revelar ainda o quanto estes sectários perversos, não menos do que a intifada cultural do islã tem se beneficiado dos erros táticos cometidos ainda a pouco e obstinadamente repetidos já pelos neo darwinistas ateus, cientificistas, positivistas, etc Já pelos comunistas e anarquistas ou até mesmo por espíritas e esotéricos mas avisados cujas críticas igualam todas as formas religiosas ou priorizam a velha e combalida igreja romana, em parte degenerada aliás pela influência protestante fundamentalista. É como chutar cão morto, enquanto o cão vivo se multiplica. Hoje porém é bem mais fácil cooptar um romano ou Católico medianamente instruido do que um crente raiz conformado com a própria ignorância. O protestantismo no entanto tem tirado largo proveito disto, no sentido de apresentar se as massas incultas como inocente e puro, como anjo de luz e mesmo amigo do progresso...

DAI  a necessidade extrema de expor seu caráter essencialmente obscurantista anti libertário, anti científico e anti policratico. Por isso nada melhor do que registrar tudo quanto ou ao menos parte do que os principais homens de ciência e pensamento, como Rousseau, Prestley, Darwin, Marx ou Freud tiveram de sofrer por parte das massas fanáticas, dos pastores e desta cultura bíblica anti humanista (Dale Nogare). EIS UMA HISTÓRIA OU CRÔNICA A SER ESCRITA E DIVULGADA NUM PAIS CADA VEZ MAIS SECTÁRIO E AZEDO!!!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Breve crônica do nosso tempo... Aetatis tenebrae!!!

Resultado de imagem para donald trump absolvido




As trevas estão aqui... Vivas, densas e presentes. Mesmo quando temos nossos olhares voltados para as vidraças de nossos ancestrais medievos...

Ocioso declarar que não há democracia sem Ética. Além de algum preparo, é claro. Sócrates jamais criticou a forma democrática em si mesma mas o despreparo técnico e sobretudo Ético dos democratas. A democracia, mais do que qualquer outro sistema, demanda cidadãos intensamente éticos... Democracia sem Ética será sempre qualquer outra coisa: Plutocracia, Oligarquia, Oclocracia... menos Democracia. Não fosse aquela policracia aparente ou degenerada e Sócrates teria sido absolvido. Ele era o médico ou terapeuta, com o diagnóstico em mãos. Posteriormente as coisas só pioraram... Mas ele tentou fornecer um padrão seguro a Ética, assim a Democracia.

Diante disto como não ficar o homem estarrecido diante do que contempla???

Trump, após ter cometido patente crime, de abuso de poder, tão levianamente absolvido pelo Senado dos EUA quanto Dilma foi levianamente condenada pelo nosso. Aqui e lá os fundamentos da democracia sofrem rude abalo. Quando os homens públicos exercem juízos ideológicos e partidários em detrimento deste fundamento pétreo do Estado que é a justiça tudo esta perdido. Chegamos ao fundo do poço, mesmo quando nosso discurso seja aparentemente democrático. Também a geração que fez Sócrates ingerir a taça de cicuta ela hábil e eloquente em tecer discursos democráticos... E no entanto toda aquela aparência formalística foi rolando de abismo em abismo... Terrível lição que ainda não aprendemos. Pois não se trata aqui, como julgam os sectários e ideólogos, do PT ou do Partido Democrata... Você simplesmente não pode salvar ou redimir qualquer coisa partindo de uma perspectiva injusta.

O que aqui assistimos no Brasil, a partir das denúncias de alguém tão culpado quanto Eduardo Cunha, quanto o que lá assistiu-se: Uma absolvição precoce, movida por preocupações partidárias e a negativa escandalosa de se dar ouvido a testemunhas põem em choque os fundamentos espirituais de nossas instituições. Temos um edifício belo assentado sobre a areia ou o lodo! Não é contra Marx ou Engels que se peleja, mas contra Sócrates, Platão e Aristóteles, lídimos paradigmas da justiça e próceres de nossa cultura. É contra nossa herança grega, clássica e humanista que pugnamos em nome de preocupações artificiais e vazias!

Mais grave todavia que a absolvição leviana do demagogo Conservador N. Americano é o apoio que continua a receber por parte das multidões sem dignidade e consciência, sempre conduzidas por motivações imediatistas, pragmáticas ou financeiras: Se a economia vai bem, tudo está bem! - E depois ainda reclamam quando classificamos esta 'sifilização' como economicista e apóstata... De fato o homem econômico 'Nada sabe além de comprar e vender', como dizia Confúcio. E perdeu ele, por completo, o sentido da vida ou a noção de que sejam os fundamentos do convívio!

Se a economia vai bem podemos nos conformar com a injustiça... Especialmente de um petista ou democrata qualquer está do outro lado do banco. Com a mesma lógica maligna, infernal e desumana os sectários partidaristas que apresentam-se como Messias redentores mandariam seus desafetos, as toneladas, ao cadafalso. Em seguida apresenta-se Kelsen com sua turma para declarar: Deixai passar... Sem incomodar-vos com questões metafísicas em termos de justiça. Discordo de Grotius quando condena a neutralidade face aos juízos de qualquer organização humana, inda que supra nacional. Posto que não há organização incorruptível ou infalível. Mas concedo que não é digno manter-se neutro face a qualquer forma de injustiça, mesmo que para tanto nos devamos opor não apenas a juízes e tribunais, mas inclusive a parlamentos nacionais e supra nacionais, como o da ONU.

Não preciso ser petista para identificar-me com a injustiçada Dilma Russef ou estar matriculado no partido democrata para solidarizar-me com os cidadãos N. Americanos que se opõem aos abusos cometidos por Trump, basta-me ser humano, ter consciência, ser digno, buscar ver além das fronteiras partidárias ou ideológicas. Difícil é entender porque os demais seres humanos não podem compreender algo tão simples...

Enquanto tais atrocidades, alimentadas já pelo capitalismo, já pelo fundamentalismo religioso e cego, vão sucedendo por este pobre mundo, quase hospício, 'nossa' esquerda 'radical', infectada por um gérmen de morte vai embarcando mais e mais no barco furado do pós modernismo, a ponto de glorificar não apenas o Carnaval mas até mesmo, pasmem, o B B B... Da até então odiada Rede Globo, talvez agora convertida em instrumento de emancipação das massas ou do proletariado.

Haja visto que a Revista Fórum acaba de publicar referências embevecidas a este espetáculo massificador voltado para as massas. Como alguns dos competidores, buscando agradar a audiência e abocanhar o prêmio milionário, fizessem algumas declarações favoráveis ao feminismo, foi o quanto bastou para serem aclamados como gênios, intelectuais, heróis, etc enfim como protótipos do 'revolucionário', e quanto a este último elogio nada tenho a declarar ou que duvidar rsrsrsrsrs. Agora quanto a relevância intelectual destes moços muito teria a dizer... Mas a revista Fórum deu de imaginar que o B B B equivale a Acadêmia de Platão, o Liceu de Aristóteles, o Pórtico, o Concílio Ecumênico, a Sorbonne, a A B L ou sei mais eu ao que...

Bem poderia a dita publicação dar espaço a autênticos estudiosos ou intelectuais, envolvidos em pesquisas em inúmeras acadêmias... E desenvolvendo belos trabalhos as áreas de Ética, Ciências Políticas, Sociologia, Psicologia, História, Literatura, etc Não poucos em favor da dignidade humana, da promoção social, do bem comum, etc E no entanto onde vai ela beber 'sabença' no B B B, cujos participantes, servem-se de todo um aparelho conceitual ou vocabulário pós modernista e anti científico procedente é claro dos E U A, a pátria do irracionalismo (Bem como do Capitalismo, do fundamentalismo, do formalismo democrático e doutros tantos venenos!) ou do anti intelectualismo. E a esquerda carnavalesca do Brasil vai de comboio... A constatação é óbvia: Com essas babaquices ineptas como 'lugar de fala', apropriação cultural (Chamamos isto de circulação de cultura!), etc não se chegará a lugar algum, e não se deve esperar qualquer redenção desses falsos profetas.

Como queriam Platão, Quintiliano, Feltre, Russeau, Freire... dentre tantos outros, devemos investir é na Educação ou no esforço educativo, numa Educação destinada a questionar e superar o pós modernismo com sua sopa irracionalista: Cética, relativista, subjetivista, etc Somente questionando a epistemologia apresentada por uma civilização decadente e em crise poderemos chegar a algum lugar. Precisamos restabelecer a confiança do homem em si mesmo, em suas capacidades cognitivas, em sua percepção, em seu raciocínio... sob pena de sermos, em pouco tempo, engolfados pelo que há de pior: O fundamentalismo religioso. Ao sectarismo ideológico ou partidário inspirado por culturas de morte como o agostinianismo, o maquiavelismo, o capitalismo, o comunismo, o fascismo, o anarquismo, o nazismo, etc temos de opor a velha cultura clássica ou socrática posta para a verdade metafísica, seja gnoseológica, estética ou sobretudo Ética, em termos de uma Ética essencial, não ilusória ou aparente.

Enquanto finalizo estas linhas sou informado de que a mesma Gleisi Hoffman que repudiou qualquer aliança em torno de Ciro Gomes e do PDT teria sinalizado a possibilidade de alianças com DEM e PSDB... A notícia foi desmentida pela própria G. H há dois dias, mas a questão ficou mal esclarecida. Seja como for os petistas esqueceram de vetar PSC rsrsrsrsrsrs Mas que há para se admirar quando o próprio Lula, aos modos de macaco imitando o Freixo, declarou ser necessário aproximar-se dos 'Evangélicos' i é do mesmo setor religioso e fundamentalista que traindo o PT, promoveu ativamente o golpe contra Dilma entre as massas... Pelo jeito os esquerdistas folclóricos não aprenderam nada com a História recente e estão dispostos a repetir os mesmos erros funestos!!! Supondo-se a viabilidade da união com os fanáticos religiosos, que haverá de monstruoso em unir-se a DEM e PSDB ou PMDB, famigerados valhacoutos dessas ideologias abomináveis??? PT, PSOL e aliados não tem qualquer noção precisa em termos de cultura ou de dinâmica religiosa. Sequer leram Engels, quanto mais Max Weber... Triste, Triste... Buscar apoio nessas canas quebradas que são as seitas protestantes, pontas de lança culturais do Capitalismo e do Minimalismo. Mas PT não aprende mesmo e é inútil tentar convencer seus quadros...

Já o Paulo Guedes, afirmando seu compromisso ideológico e cultural com os E U A, apresenta os funcionários públicos deste pais, em parte consciência alerta deste corpo social, como parasitas ou vagabundos, como sanguessugas que sugam o erário... Como admirar-se em tempos de estado mínimo??? Tolo o funcionário público que esperava rosas ou algo de bom deste governo neo liberal economicista... A prioridade aqui é destruir qualquer tipo de consciência sócio intelectual e produzir massas no acesso do fanatismo. Só assim o P S L poderá manter-se ou florescer. PSDB e DEM assim já brincavam. Negócio é demolir a Educação pública convertendo-a em beabá. Para em seguida proletarizar o funcionário público, obstruindo sua formação educativa e humana. Assim é que fabricam-se massas anencéfalas ou eleitores servis e acríticos. Dos militares, políticos e juízes que fazem aprovar regularmente o aumento do próprio salário, já colossal, o nobre ministro bolsonarista não se lembra...

Cuida ele, que ocupa cargo designado e vive ora viajando pelo mundo afora, ora com o copinho de água geladinha debaixo do ar condicionado, que tal seja a condição de todos os funcionários públicos da República, em especial dos professores públicos. Comece comparando os salários sr Guedes, para constatar quem é o demagogo... Contemplando o concursado e o designado já em termos de salário quanto de regalias e privilégios clamorosos bem se vê quem seja parasita, quem onere os cofres públicos... E quem o Guedes quer que pague a conta. A mira do ministro americanizante são os funcionários públicos estaduais e municipais que não foram flagelados pela sinistra reforma da presidência. Eis a carne de fogueira cobiçada pelo grande inquisidor financeiro ou capitalista: O funcionário público concursado, contra quem ele, habilmente, espera lançar as massas arguindo privilégios... Olhem os cidadãos para os militares, políticos e juízes, isto é, para as verdadeiras castas que proliferam pelo pais afora, cuidando caçar seus privilégios que são monstruosos além de clamorosos.

Oxalá, diante de tanta insanidade poder dizer ao mundo: Pare mundo que quero saltar... Alias, mundo não, hospício...