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domingo, 26 de novembro de 2023

Religião, credulidade e incredulidade





                                                          OS MILAGRES


Acho mesmo muita canalhice alguém afirmar que Deus é bom e maravilhoso só porque está tudo bem com ela. Quer dizer que quando der ruim Deus ficará sendo feio e mau...

A meu ver essas pessoas que acreditam que a divindade atua exclusivamente em favor delas ou de seu grupo são pessoas sem caráter, egoístas e centradas em si mesmas.

Não tenho motivo algum para julgar que atue Deus em favor delas enquanto nada faz pelas criancinhas famintas da África ou da Ásia - Mesmo porque as criancinhas são inocentes enquanto que elas...

Por outro lado leio na pura palavra de Deus, que ele - Deus, não faz acepção de pessoas; mas que faz chover sobre justos e injustos, sendo imparcial...

Enquanto o ego carnal se apresenta como especial ou como algo da predileção divina, declara Deus que todos são iguais e portanto que não atua em favor de A, B ou C.

Imagina só o caboclo se matando de estudar para passar no vestibular ou no concurso público e Deus ajudando e promovendo sujeito que não estudou, i é, um vagabundo parasita.

Tampouco me parece digno que altere Deus a ordem de um mundo que ele mesmo criou... Afinal porque consertaria Deus algo que poderia ter feito melhor desde o princípio...

Enfim julgo que pessoa alguma daria o melhor de si para evitar algum erro caso contasse com o bom Deus para consertar suas 'cagadas'. Nesse ponto um sadio deísmo ou naturalismo, que exclui o fetichismo, oferece-nos melhores garantias em termos de prevenção de acidentes... E de fato penso que qualquer profissional que qualquer profissional que acredite em milagres ou intervenção divina, tenda a ser mais displicente que um cesssacionista.

Por fim a busca por milagres e eventos sobrenaturais corresponda a uma alteração da ordem divina na medida em que apresenta a divindade como estando a serviço das criaturas ou como executora da vontade delas.


EXTREMA SIT TAGUNT

São nossos neo ateus notáveis por confundir a totalidade das pessoas religiosas com radicais protestantes ou muçulmanos i é com pentecostais/calvinistas e sunitas... O que me parece uma deturpação da realidade ou pura e simples desonestidade.
Também me parecem equivocados quando associam a existência de Deus ao discurso religioso ou quando atribuem a questão da existência de Deus a autoridade, livros, fé, religião, etc e, ainda aqui, se mostram herdeiros de Kant, um pensador luterano alemão que buscava justificar o fideísmo ou exaltar a fé cega.
De fato, seguindo a mesma linha do agostiniano pessimista Lutero Kant tinha por lema abater a a percepção, a racionalidade e a metafísica naturalista ou a capacidade especulativa dos seres humanos para glorificar a fé ou a Revelação divina. Acho incrível mesmo que os céticos, agnósticos e ateus elevem aos céus um autor cujo pensamento deriva justamente do universo religioso e de um universo religioso deplorável. Os protestantes, bíblicos e fundamentalistas agradecem, - Pois situando a divindade no plano da fé cega o debate se torna impossível, e consequentemente qualquer tentativa de impugnação. Segundo o critério de Kant o deus dos fanáticos é sempre intangível.
De fato se a existência da religião revelada depende da existência de Deus, Deus sempre poderia existir sem se ter comunicado com os seres humanos, como predicam os deistas. De modo que a relação não é natural ou necessária e da falsidade das religiões em seu conjunto nada se poderia aduzir de concreto sobre a existência Deus, exceto que seus supostos ou pretensos porta vozes são falsos. A questão em si, da existência de Deus, continuaria sendo tema da metafísica ou da teodiceia, exatamente como foi colocado pelos grandes pensadores gregos: Xenófanes de Colofon, Diógenes de Apolônia, Anaxágoras, Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles, Crísipo de Solis, Cleanto de Assos, etc
Acho curioso que os modernos passem da fé cega numa religião qualquer diretamente ao ateísmo ou a negação de Deus, sem sequer examinar o agnosticismo ou o deísmo, ao contrário de nossos nobres e prudentes ancestrais. Coisas da bíblia é claro, digo eu, pois apenas a leitura despreparada e irrefletida desse livro poderia causar um tão estranho prodígio.
'Tocam-se os extremos" como diria o 'estagirita' - E de um extremo a outro vão as massas.


PROTESTANTISMO E INCREDULIDADE.


Coisa notável é o protestantismo por produzir, nas massas idiotizadas, um topor estúpido e nos humanos mais inteligentes, materialismo e ateísmo, i é, apostasia. Disto talvez resulte, no futuro, um grande conflito social entre os dois extremos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Marx, Darwin e Freud, três intelectuais face ao Sagrado.


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Caso houvesse concurso de mentiras ou lorotas não sei quem ganharia. Se os neo ateus cientificistas ou seus desafetos fundamentalistas. Basta dizer que uns e outros amam classificar o grande Ch Darwin como ateu em suas publicações ineptas... E por ai vai - Os sectários fanáticos classificam como ateus e materialistas, irreligiosos, etc a tantos quantos repudiam seu deus retangular, a bíblia e os neo ateus, aplaudem e declaram: É exatamente assim, encampando um bom número de irreligiosos e agnósticos que jamais negaram a existência de um Supremo Ser ou de uma Consciência universal...

Fenômeno curioso este de dois grupos extremistas e fanáticos explorando os mesmos boatos, fábulas e mentiras. Sem pingo de dor na consciência... Uns quiçá por crerem que o rubro sangue do Nazareno tudo lave, e outros por repudiarem um padrão universal de bem ou virtude.

Por isso resolvi escrever algumas linhas sobre os grande ateus ou sobre os grandes ateus inventados. E começarei por Karl Marx. O qual era ateu de fato, mas de modo algum fanático como seus pretendidos seguidores ou sucessores, que parecem ter chegado a fobia...

Materialista convicto não podia Marx admitir a existência de um princípio espiritual ou imaterial paralelo, por inferência era ateu num sentido muito próximo do de Sartre: A existência dum tal Ser não lhe interessava, além de é claro parecer-lhe sem sentido. Alias, como um materialista poderia encontrar sentido numa entidade Imaterial e Invisível. No entanto Marx não perdia seu tempo precioso buscando convencer os religiosos e teístas ou visando converte-los ou salva-los. De fato ele não entrava em discussões metafísicas como o teófobo Seb. Faure... Não se empenhava em demonstrar ou provar, através de argumentos, a inexistência de Deus.

Mais ainda. O odiado Marx parece até ter tido respeito e sabido lidar muito bem com os sentimentos religiosos alheios, não lhe faltando até certa delicadeza. Ocorre-me ter lido, quando moço, trechos da correspondência que trocará com uma garota ou menina, na qual a mesma aludia ao costume de ir a Missa com a família todos os Domingos. Em certo momento Marx assim se expressa: 'Como de costume sei que iras a Missa...' e 'Porém depois que chegares da Missa...' sem revelar a jovem qualquer sentimento amargo ou negativo. Enquanto qualquer pentecostal fanático diria a queima roupa: A Missa é uma cerimônia demoníaca... em nome de seu belo deus e de seu teísmo azedo e supersticioso. O ateu e 'diabólico' Marx no entanto não procede assim. Parece até saber compreender, tolerar e colocar-se no lugar do outro... Parece que aprendeu muitas coisas boas com o capeta ou com o não deus...

Freud é outro departamento. Ao contrário de Marx e Sartre era ateu forte... tendo o costume de destilar seu ateísmo a todo instante. E juntamente com ele, por admirável força de coerência, toda sua falta de esperança. Um ateu não deveria abrigar o veneno metafísico da esperança em seu coração dizia ele. Evolucionismo, progressivismo e outros vestígios de misticismo Cristãos haviam sido lançados ao limbo por ele bem antes da crítica ácida de Grayling e outros. Para este grande representante do ateísmo, mais do que para o fanático Agostinho de Hipona, os bebês nada mais eram que malvados polimorfos e o homem algo semelhante a um verme ou parasita.

Apesar disto Freud, como todos os neo ateus sentia imenso mal estar em dialogar ou discutir sobre a teísmo natural dos antigos gregos. Em "O futuro de uma ilusão" não hesita sair pela tangente e declarar que esse Deus, o da metafisica racional, de Platão, de Aristóteles ou dos Filósofos, não o interessava. O deus que interessava a Freud, como a Dawkins e a tantos outros, era apenas o espantalho fetichista dos fanáticos religiosos e fundamentalistas i é à la Genesis... Assim, lançando-se contra esse espantalho, fica mesmo fácil...

Agora onde procurar as fontes do ateísmo freudiano? Há uns poucos anos lí uma análise psicanalítica segundo a qual Freud transplantou o ódio que sentia pelo pai e rival para Deus... Achei delicioso, no entanto minha opinião é bem outra. Quiçá a dor e a indignidade física tenham consolidado o grande psicólogo em sua posição. Afinal desde 1920 até a ocasião de sua morte passou ele por cerca de vinte intervenções cirúrgicas, devido a um câncer bucal extremamente invasivo. A cabo do processo esta terrível enfermidade lhe havia destruído a mandíbula e arrancado a lingua. As dores eram lancinantes e a morfina já não conseguia alivia-las... Por fim houve uma rejeição da prótese e necrose, o cheiro tornou-se tão repugnante que afugentou-lhe os queridos cães. Diante disto ele suplicou por uma dose maior de anestésicos e... Pense então numa pessoa que padece de dores atrozes e que por fim se vê apodrecer viva. Coloquem-se no lugar dela. Tentem identificar-se... Difícil estar no lugar de Freud sem pensar como ele ou até revoltar-se. Fácil falar sentado sobre as poltronas do sofá... Julgo melhor tentar compreender mais e julgar menos. Quero dizer apenas que Freud, a partir de sua experiência diária ou de sua vivência, não tinha lá motivos muito fortes para mudar de posição face ao problema de Deus.

Tanto pior se me disser que o deus 'sábio' serviu-se da moléstia que o consumia para castiga-lo. Ora todo castigo vindo de um Ser Bom, Generoso e Filantropo só pode ser a recuperação do homem e não para sua exasperação. No entanto supostas punições, dolorosas e desumanas como estas, só serviram mesmo para exasperar e produzir revolta nos corações dos mortais. Concluo que o deus dos fanáticos nada sabe sobre atrair e reconciliar os seres que criou. Sua pedagogia é um completo fracasso ou um reforço do ateísmo. Já a simples hipótese de estar ele exercendo vingança não passa de sadismo, i é o reforço do sacrilégio e da blasfêmia. Melhor aceitar o fato de que semelhantes desgraças são meros acidentes com que nos brinda a natureza ou a sorte, sem que a excelsa divindade tenha qualquer coisa a ver com elas...

Chegamos assim a Darwin. O qual jamais professou qualquer forma de ateísmo. Haja visto sua reflexão a respeito da sabedoria divina e do processo evolutivo em termos naturais contida na própria Origem das espécies. Religioso durante a primeira quadra da vida e destinado ao ministério eclesiástico confrontou-se aquela mente, antes de tudo, com a grosseria do Gênesis e da mitologia hebraica, porque se batem até hoje os fanáticos bíblicos, não com Deus.

Os advogados da mitologia no entanto, como Sedwigck, não pouparam esforços para fazerem-no avançar em sua posição. O que tal e qual no caso Freud foi reforçado pela própria vivência ou pela experiência pessoal. Pois Darwin teve de assistir a morte de dois de seus rebentos amados, o pequeno Charles, levado pela escarlatina e sua filha predileta e companheira Anne, após lenta agonia, aos dez anos de idade. Desde então parece ter perdido a fé e se tornado deísta. A partir daí podemos observar sucessivas crises existenciais oriundas duma existência tocada pelo sentido trágico da vida, por delicadeza, lirismo e recaídas religiosas... Foram sucessivas crises, idas e voltas, revisões, jamais privadas de uma grave consciência espiritual.

Sua trajetória no entanto, sequer parou por aqui, pois Darwin apenas encontrou escolhos metafísicos jamais vislumbrados antes e assim dignos de nota. Com efeito em suas ulteriores pesquisas pode observar o que compreendeu como um certo índice de malignidade presente na própria natureza ou no mundo natural. Observou o excesso de vida e a carência de alimentos, assim a fome. Observou em certos animais costumes bastante bizarros, que chegam a crueldade. Observou que ao menos em parte o processo evolutivo é estimulado pelo incomodo ou pela dor, enfim por situações de sofrimento, catástrofes, etc Passou então a ter dificuldades para relacionar tais fatos como conceito de um Deus bom e misericordioso... Tanto mais pesquisava e mais parecia divisar uma face maléfica na natureza, representada alias por sua seleção natural. Diante disto, nos últimos anos de vida, parece ter passado do deísmo ao agnosticismo e chegado a duvidar da existência de Deus, sem no entanto jamais obter qualquer certeza a respeito.

Em seus últimos dias Ch. Darwin a todos recebia em seu convívio fossem clérigos, religiosos ou teóricos ateístas... Com uns rezava, em companhia de Emma, com outros ouvia, não poucas vezes ferozes preleções contra a fé religiosa ou mesmo favoráveis ao ateísmo, sem todavia jamais endossa-las formalmente e até exigir certo decoro ou respeito. A atitude muito parecia-se com a de um agnóstico, ao qual fugiam todas as certezas e ambas as metafísicas: A teísta e a ateística... Darwin jamais declarou estar convencido sobre a inexistência de Deus ou tentou demonstra-lo. Tampouco desejava polemizar fosse com os ateus ou com os religiosos... Sua atitude sabe a neutralidade ou isenção, bem a gosto da divisa: Ignorabimus et ignorabimus. Tal parece ter sido seu ponto de vista definitivo, no momento em que abandonou esta existência, portanto apresenta-lo como ateu ou ateu forte sabe a mentira grossa e cabeluda.

Religiosos e ateus sejam antes de tudo honestos, evitando atribuir suas opiniões aos outros ou o que é ainda pior atribuir-lhes uma concepção que julgam ser indigna, porque em ambos os casos vocês, falseando a realidade histórica - Em nome de seus queridos sistemas! -  é que se tornam indignos.


domingo, 15 de outubro de 2017

O futuro de uma ilusão (S Freud) - A caminho da frustração e da desesperança.

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Enquanto Adler, tanto mais realista, limitou-se a ver no homem um instinto para a afirmação ou para a realização pessoal Freud - fortemente influenciado pela primeira grande guerra com seu estouro de violências - encarou este instinto (descoberto originalmente por Adler) como um instinto de agressividade. cf 'Para além do princípio do prazer' 1919.

Julgo que essa constatação foi muito mais dramática para a Psicologia e a Psicanálise do que a descoberta do princípio do prazer e da sexualidade infantil, o qual nada tem de sujo ou de negativo como pressupõem arbitrariamente a 'sifilização' maniqueísta ou puritana. O prazer e a busca pelo prazer, inclusive na dimensão sexual, nada tem de aberrante. Outro é o caso de um instinto de agressão ou violência. Aqui é Freud por outra via que se aproxima do maniqueísmo e paradoxalmente da doutrina Agostiniano/calvinista do pecado original. Pois se o homem porta em si mesmo um princípio de agressividade inata ou um princípio anti social que pensar sobre a origem deste homem?

Seja como for transita Freud, a partir dos anos 20, de um monismo sexista ou pansexual para um dualismo em termos de Eros e Tanatos, dois princípios opostos e conflitantes em torno dos quais desenvolve-se a personalidade humana e a própria civilização, esta concebida literalmente em termos de choque ou luta entre os dois princípios antagônicos - o do amor, cuja matriz é a sexualidade e o da morte/agressividade que conduz a dissolução. Um faz perpetuar já a vida biológica e já transfigurado (objeto inibido) a vida social, o outro busca dissolver a vida biológica e também a social.

Quanto a dissolução da vida Biológica Freud bem sabe que nada podia ou poderia ser feito de efetivo nem nutre qualquer esperança em termos de uma sobrevivência post mortem. Aqui o triunfo da morte sobre o indivíduo é completo, restando apenas sua continuidade noutro ser distinto de si, mas ao mesmo tempo semelhante quanto a certas estruturas e capacidades. Já em termos sociais, ao menos em sentido lato, não logra o instinto de morte a prevalecer totalmente face a cultura e destruir a civilização. Importa saber que ele jamais retirou-se da arena ou abandonou a luta, e que continua a matricular multidões de descontentes em suas fileiras. Freud não apenas não esta matriculado entre as fileiras dos descontentes ou rebelados, os quais encara como vítimas de um jogo urdido pelo sentimento de culpa, como faz-se paladino da civilização tendo em vista a atividade científica de que decorre, em última instância, um melhoramento das condições de nossa existência ou uma diminuição de nossos sofrimentos, o qual víria a compensar todas as limitações impostas tendo em vista a implementação deste ideal, a civilização.

Em 'Futuro de uma ilusão' Sig já se mostra cônscio quanto a forma economicista de nossa civilização - Ocidental ou melhor Norte Americana - e seus problemas e isto a ponto de fazer-se apreensivo. Uma civilização que produz multidões de descontentes num ritmo tão rápido parece por a si mesma em grande perigo. "Uma medida constante de descontentamento se imporá no seio desta cultura, o que poderá fomentar rebeliões perigosas." pondera ele. E arremata melancolicamente: "Não devemos esperar uma interiorização de proibições culturais por parte dos oprimidos, muito pelop contrário, eles não estão dispostos a reconhecer tais proibições, mas empenhados em destruir a cultura e, eventualmente, até em abolir seus pressupostos... Não é preciso dizer que uma cultura que deixa insatisfeito um número considerável de seus membros e que incita-os a rebelião não tem perspectivas de se conservar perpetuamente E SEQUER O MERECE."
Assim se suas críticas o sistema não são tão contundentes quanto as de um Marx - pelo simples fato deste estar situado no plano da economia - ou de um Berdiaeff, nem por isso deixam de ser menos enfáticas. É como se Freud não desejasse por as mãos em lodo tão sujo ou analisar em si mesmo ao modelo capitalista, sendo até possível que ele estivesse convencido de não estar a altura deste desafio. Talvez não estivesse mesmo e por isso lança toda carga de sua crítica contra as instituições religiosas, prestando muito pouca ou quase nenhuma atenção ao problema da Ética da essência e depositando suas esperanças moribundas sobre os altares da ciência. Tal a dinâmica de o Futuro de uma ilusão.
Freud até cogita piedosamente, e tenta oferecer aos homens algo melhor do que a religião ou o que é mais dramático ao teísmo naturalista; tenta ter alguma esperança... Mas veremos que não consegue e que a dar por certas as críticas formuladas neste opusculo só nos restaria aceitar a frustração propiciada pela razão nos termos de um Camus, a dar-nos por totalmente iludidos e a perder toda esperança. Sem cogitar a respeito da religião sobrenatural ou da fé, dou-me por satisfeito com o afirmar que com a impugnação do teísmo racional, nos termos dos pensadores gregos, particularmente de Sócrates, Platão e Aristóteles, nada nos restaria, a nós homens em termos de civilização, cultura ou esperança.

O valor de Freud aqui é, a partir do que ele mesmo constatou, deslindar um drama ainda maior, um drama ético, um drama cósmico.

O primeiro aspecto do problema foi em parte levantado no artigo precedente, pelo que vamos aborda-lo bastante superficialmente. Esta ele relacionado com a crítica endereçada a Freud pelo sábio francês Roman Rolland e diz respeito a um suposto instinto ou tendência religiosa existente em todos os homens ou ao menos em parte deles. Em parte porque muitos como Freud e os irreligiosos alegam não estar em posso dele. Sig por sinal declara-o explicitamente no primeiro capítulo do Mal estar. No entanto, admitidas as premissas do próprio Sig i é a psicanalise, não seria nem um pouco prudente contentar-nos apenas com o testemunho da consciência, ao menos quanto a este aspecto da personalidade. Tal o sentir de K G Jung, bem como do Pe Victor White os quais dedicaram-se a elencar evidências e argumentos favoráveis a tese de Rolland dando Freud e seus partidários como recalcados ou como pessoas que em virtude de determinados traumas não foram capazes de lidar com o sentido religioso, lançando-o fora da consciência, mas não da mente, no fundo da qual subjaz, mal resolvido e enquanto possível fator de neuroses... Há portanto outras versões no terreno da própria psicanalise.

Freud, quiçá racionalizando (para ele apenas os outros racionalizavam) arquiteta uma bela tese segundo a qual Rolland e os demais seres humanos, que se declaram em posse de um sentido religioso (inda que desvinculado de qualquer forma ou instituição), representam um tipo de Mente estacionada numa fase anterior ao desprendimento do Ego face ao mundo externo, possuindo juntamente do Ego desprendido resíduos de um outro ego tanto mais rudimentar ou primitivo, digamos assim de um proto ego. A hipótese é engenhosa, embora sua finalidade, refutar a tese de Rolland e sobrepor-se narcisisticamente ao rival, salte a vista. Ele Freud acaba sempre estando em posse de uma mente normal e equilibrada enquanto seus contraditores... Freud piedosamente lhes remove toda culpa ou malícia, juntamente com a normalidade/sanidade que reserva para si mesmo. Jung e White limitam-se a dar-lhe o troco supondo-o desajustado ou incapaz de lidar com o problema religioso devido a alguma sequela porque tenha passado na infância ou na juventude.

O problema aqui é que o desajuste individual face a esta tendência a religiosidade - que muitos vinculam externamente a cultura - não a elimina nas outras pessoas e isto a ponto de Freud - o qual como Plutarco e Heródoto deve ter levado em conta a presença da religiosidade em absolutamente todas as culturas do Planeta, sem exceção - postular uma neurose coletiva em termos universais. Tanto a religiosidade não determinada transcende a relatividade da cultura que o próprio Freud, que com os antropólogos de fancaria poderia ter tentado resolve-la no plano da cultura (Postulando a existência de sociedades irreligiosas ou ateias), é obrigado a transferi-la para o domínio interno e comum da mente e reconhecer sua universalidade embora como neurose. É uma neurose coletiva, não cultural e tampouco individual; pois esta presente e difusa em todas as Sociedades humanas. Mas é transmitida pela educação. Afinal a educação produz essa tendência religiosa difusa ou limita-se a comunicar-lhe uma forma?

Freud mesmo, num momento de lucidez em que pugna contra si mesmo, parece intuir a resposta:

"Se o senhor deseja eliminar a religião de nossa cultura européia, isso só poderá acontecer MEDIANTE A ADOÇÃO DE UM OUTRO SISTEMA DE DOUTRINAS, E ESTE ASSUMIRIA DESDE O PRINCÍPIO TODAS AS CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS DA RELIGIOSIDADE... O senhor precisará de alguma coisa desse tipo para corresponder as exigências da cultura e não poderá renunciar a tanto..." O futuro de uma ilusão cap IX

Talvez Freud ainda não se houvesse dado conta mas enquanto escrevia estas linhas em 1925, em Viena, na Austria, ali mesmo ao lado, no Norte da Alemanha, a religião protestante luterana, cada vez mais secularizada, estava - sob os auspícios de Hegel, During, e outros - assumindo o aspecto de uma nova mística secular, o nazismo. Haviam no entanto outras tantas místicas seculares, engendradas em sociedades irreligiosas e sem embargo disto herdeiras da religiosidade ou da tendência inata a religião. E quem diz nazismo diz fascismo, comunismo ou mesmo capitalismo, afinal por trás de cada uma delas damos com uma mística em torno de elementos naturais seja a raça, o estado, o partido ou o capital. Crane Brinton é apenas um dos que - em sua monografia sobre a Anatomia das Revoluções - relaciona essas místicas secularizadas ou religiosidades profanas com o sucesso das Revoluções.

Posteriormente as próprias culturas de morte ou místicas seculares - a exceção do capitalismo, pelo simples fato de distorcer nosso sentido de afirmação ou realização - exauriram-se. Nem por isso tem cedido espaço, a uma sociedade absolutamente irreligiosa ou ateia (A Sociedade Escandinava é o que temos de mais próximo no sentido de uma sociedade irreligiosa no sentido de que a religiosidade permanece em seu estado natural ou informe, e no entanto mesmo nela o ateísmo compreendido segundo a acepção da palavra é apenas residual), mas cada vez mais a expansão do islã. Assim essa mesma Europa com relação as quais os ateus e agnósticos acalentavam os mais belos sonhos no sentido de criar-se uma Sociedade emancipada, ateia e irreligiosa após a erradicação do Cristianismo tem, paradoxalmente, abraçado a forma mais arcaica, fetichista, irracionalista e virulenta de religião, a saber o islamismo sunita salafita. O que não nos surpreende nem um pouco.

Uma coisa é certa, nem o ateísmo crasso ocupou o lugar antes ocupado pelo Catolicismo ou pelo protestantismo; nem a irreligiosidade parece ter se imposto definitivamente no contesto europeu, mas apenas provisoriamente enquanto passagem para o islã, o que nos reporta mais uma vez ao estagirita: "Os extremos se tocam."

Ora toda argumentação assumida por Freud no Futuro de uma ilusão sabe a esse falso dilema posto entre os extremos de uma religiosidade cega e primitiva com seus delírios fetichistas e a irreligiosidade - compreendida em termos de um ateísmo crasso - proposta pro ele. Aqui, para S F não há qualquer escala ou meio termo. Nosso homem desconsidera-as intencionalmente e como tantos e tantos paladinos do ateísmo ele não parece estar nem um pouco disposto a dialogar com os expoentes de uma alta teologia Católica ou mesmo com os deístas, sucessores dos antigos filósofos gregos e paladinos da religião natural. A impressão aqui é que Freud ainda esta preso ao modelo arcaico, primitivo e grosseiro de divindade formulado por seus ancestrais, o qual parece encarar como a obra prima do pensamento religioso. Parece ter feito sua opção e só é compreender a divindade em tais termos, afinal é a que melhor serve a seus propósitos e cai-lhe como a mão a luva. Freud como quase todo o ateu, precisa de um espantalho para surrar facilmente e por isso vai ao mercado e escolhe o pior tipo de deus, da-lhe uma sova e em seguida declara ter esgotado o conceito...

Mas e o Deus de Anaxágoras e Sócrates? E o Deus de Platão? E o Deus de Aristóteles, de Erigena, de Davi de Dinant, de Amauric de Benne, de Spinoza e Whitehead??? E o Deus de Descartes e Bacon??? Destes todos passa do largo, se bem que os conheça e sinceramente declare não pode refuta-los - Isso mesmo, nobre leitor, o campeão do ateísmo, confessa sinceramente não poder atingir ao Deus dos Filósofos e da religião natural:

"Com efeito se vossas ideias religiosas se restringirem a afirmar a existência de um Ser Supremo de caráter espiritual cujas qualidades são indefiníveis e as intenções sumárias, ELAS SE TORNARÃO INVULNERÁVEIS FACE AS OBJEÇÕES DA CIÊNCIA, mas certamente os homens é que perderão seu interesse por elas." O futuro de uma ilusão. Cap X

Mas acaso os nomes acima citados não são nomes de homens ou de seres humanos? Acaso eram tais pensadores minerais ou vegetais? Tal o Deus tal o homem Dr Freud... Tal a condição do intelecto humano tal o Deus Dr Sig. Assim o problema não em Deus mas no conceito ou ideia que dele se faz e certamente há certo número de ideias relativamente distintas a respeito da divindade. Entre a concepção mágico fetichista escolhida pelo senhor e a inexistência vai ao menos alguma outra coisa intermediária que o senhor parece ter descartado sem examinar atentamente. Claro que o homem do povo ou o homem comum tendo em vista sua presente condição não pode interessar-se pelo Deus de Anaxágoras ou pelo Deus de Aristóteles, ponto pacífico... Devemos admitir então que os homens sempre serão assim? Uns imbecis ou idiotas dominados por seus impulsos? O senhor mesmo Dr Freud reservou a si mesmo o direito de acalentar a esperança de que nem sempre fosse assim, e de que num futuro próximo ou distante este homem assumisse um caráter tanto mais racional e distinto daquele que o qualifica no tempo presente.

Admitido que os homens alcancem este estádio tornando-se tanto mais críticos e reflexivos por que motivo seria impossível mostrarem algum interesse num Ser Supremo espiritual no moldes acima descritos? Por que entre a ideia ultrapassada e a negação total não poderiam optar por uma terceira via ou por uma ideia mais depurada e digna de Deus? Por que teriam de aderir necessariamente ao ateísmo sem ao menos examinar a proposta do deísmo ou da religião natural? Tudo quando posso perceber ou antever aqui é preferência preconcebida pela solução radical do ateísmo... Claro que o ateísmo precisa ser examinado e considerado mas em comparação com o deus fetichista da fé ancestral e o Deus legislador da alta teologia ou do deísmo. Cada hipótese deve ser atentamente examinada pela criatura racional e livre, de modo que sua opção seja ainda mais consciente.

Afinal admitida a existência de um instinto egoísta voltado para a agressão e a morte - ou ao menos duma distorção cultural sofrida por ele - bem como de um primado da vida inconsciente ou dos impulsos (Trieb) como poderíamos estabelecer normas ou regras de convivência válidas e aceitas por todos??? Admitida a relatividade absoluta da cultura, no sentido que lhe é dado por Freud, como fazer valer universalmente os valores inerentes a pessoa humana ou mesmo postular valores inerentes sob a forma de direitos? Como poderia a relatividade da cultura vencer instintos universalmente arraigados no âmago mesmo da pessoa??? Alias como superar a força titânica do Tanatos sem recorrer a comunhão com esse poder difuso por todo Universo??? Como esperar vencer o Tanatos a partir de uma cultura fragmentada??? Como evitar que a cultura humanista a que chamamos civilização dissolva-se por completo nas culturas de morte??? Como encontrar uma força ou poder capaz de vencer o poder do lucro ou do capital??? Como garantir a afirmação do Ser sobre o Ter? Como preservar a própria racionalidade do desgaste por parte de uma crítica insidiosa??? Como impedir que a ciência seja lançada ao fogo juntamente com a religião e a Filosofia???

Ao terminar este ensaio devo advertir o leitor de que este mesmo Freud, que em 1925 ao escrever O futuro de uma ilusão reportou-se diversas vezes a palavra esperança apresentando-a como um valor, foi, durante os quinze anos subsequentes de sua vida, perdendo- a por completo, até mergulhar no total desesperança e no pessimismo absoluto. Basta dizer que pouco antes de morrer já se refere a ela, a esperança, tal e qual referia-se a religião, ou seja, nos termos de uma neurose coletiva. De certa forma Freud chegou, pelo messianismo, a vincular a esperança a religião. Claro que se trata de esperanças falsas e artificiais. Nos outros campos, da natureza ou da imanência, passou a concebe-la tal e qual Camus e alguns outros existencialistas chegaram a encarar a própria razão - enquanto promotora de um sentido que não existia - ou seja como uma espécie de verme que corrói a mente.

Afinal, como filho do positivismo - e apesar da segunda grande guerra mundial - ele apostará no poder redentor da ciência. A qual além de se ter inclinado facilmente ao poder do capital e do Deus Mercado, tornou o segundo conflito ainda mais mortífero e medonho. A segunda grande guerra demonstrou cabalmente que ciência não produz consciência e que o poder de Tanatos era colossal por assim dizer. Eros foi mortalmente abatido e com ele as esperanças de Sig.

Outra aposta errada foi na razão. Não na razão enquanto razão, a qual para todos nós tem imenso valor ou até mais valor do que para ele Freud na medida em que rechaçamos as críticas de Kant e Hume continuando a praticar a velha metafísica, da qual a Ética é um setor. O problema aqui é a credibilidade da razão. A qual após Hume e Kant tornou-se tão vulnerável quanto a religião. Levaram a guerra até ela e como aludimos acima chegaram a encara-la como um verme. Assim se Freud nos diz que resta algo, o escocês dirá que nada nos resta em absoluto e o alemão que nos devamos contentar com aparências.

Apostou que após o fim da fé chegaríamos as portas do paraíso, mas, desde que a fé entrou em crise com a pseudo reforma protestante, chegamos as portas da geena conduzidos pelas mãos de seu substituto, o Capital. Apostou que após o fim do delírio religioso sobreviria a normalidade mas o que sobreveio a ele foi nazismo, fascismo e comunismo...

Apostou na afirmação da incredulidade e vemos o santuário de nossa cultura ancestral assaltado pela forma mais rude e grosseira de religião, o islã. Isto ele, Freud não precisou testemunhar para perder toda a esperança.

No entanto estes quinze anos que transcorreram de 1925 a 1939 foram cruciais para que o pai da Psicanalise, se certificasse de que a extinção da fé ou da religiosidade não redundaria em maiores benefícios para a pobre humanidade e de que sendo assim deveríamos abdicar de todas as esperanças quanto ao futuro da humanidade, aceitar nossa própria frustração e quiçá concluir que o próprio surgimento do fenômeno humano equivale a uma tragédia cósmica. Agora poderá o homem engolir resignadamente tais verdades sem ópio, narcótico ou anestesia??? Tudo quanto sei é que não poucos daqueles que tragaram até o fundo o mesmo cálice que o Dr Freud optaram por tirar a própria vida, seja como ato concreto de desesperação e impotência face um mundo irracional e despido de significado, seja lentamente por meio da bebida ou da droga; afinal quem não sente vontade de fugir face a um universo tão hostil em que a dor é por assim dizer insuperável. Buda ainda pode oferecer a seus profitentes a esperança do Nirvana, Freud após ter destruído a fé religiosa que nos oferece??? Nada, absolutamente nada, apenas a desesperação.




terça-feira, 18 de abril de 2017

Henry Thomas Buckle e a Civilização espanhola II



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Após tecer tão eloquentes discursos sobre a influência determinante dos desertos e montanhas sobre o comportamento dos povos ibéricos, tudo explicando a partir daí, o teórico inglês continua, e refere que da religiosidade ou do misticismo espanhol resultou que este povo jamais deixou-se contagiar ou dominar pelo espírito científico.

Aqui a questão assume outro caráter, bem diverso do anterior. Pois toca a relação religião e espírito científico, que é, ao menos em parte, bastante complexa.

Para não baralhar ainda mais as coisas tentarei ser sucinto.

Alargarei a polêmica e me desviarei um pouco de Buckle pelo simples fato de que os protestantes costumam servir-se desonestamente dele com o intuito de declarar que sua religião é que deu origem ao espírito científico - Rematado absurdo - ou que esta mais próxima dele (Outro rematado absurdo).

Grosso modo podemos dizer que a relação aqui se põem em termos de:


  • Fanatismo/fundamentalismo/misticismo ou religiosidade mágico/fetichista - Religiosidade e espírito científico
  • Irreligiosidade e espírito científico
Das já citadas obras de Pogendorff resulta ser pífia a tese de uma antinomia essencial entre religiosidade e ciência.

Grande número de homens sábios conciliaram a pesquisa científica com a religiosidade sem maiores problemas fossem Ortodoxos como Medeleiev, Tesla ou Dobzhansky; romanos como Galileu, Mendel ou Lemaitre ou mesmo protestantes como Newton ou Faraday. 

Por outro lado, é perfeitamente compreensível que um homem integral ou genial divida suas atenções e ações. Vivenciando além da pesquisa científica, as dimensões religiosa, ético/reflexiva, política, social, artística, etc da existência. Aparentando até mesmo dispersar-se.

Uma personalidade integral não será cientificista, não substituíra a religião pela ciência, não permitira que a pesquisa absorva toda sua vida, sendo normal até que produza menos do que um cientificista obcecado que vive apenas e exclusivamente para a ciência. As custas de além de ser irreligioso ou ateu, se estúpido em matéria de Filosofia, alienado em política, insensível em termos de ética, impermeável a sensação estética, etc Este cientificista que tanto produz, é um ser mutilado e infeliz; e não poucas vezes um neurótico. E o culto a ciência um narcótico face a complexidade da vida e do ser...

Pode até produzir mais, porém jamais questionará por exemplo o uso ou o fim de sua produção científica. E fica sendo um tipo desprezível.

Uma coisa no entanto é certa: Cientificismo é uma coisa e espírito científico ou pesquisa outra. Valor reconhecemos apenas no espírito científico, enquanto parcela da atividade humana, esta muito mais abrangente,

O cultivo da ciência é possível tanto ao irreligioso e ateu quanto ao religioso.

Assim o verdadeiro problema no que toda a religião e a ciência toca ao modelo religioso assumido pelo crente.

Se a religiosidade é Ética ou semi - deísta (Assim aqueles que acreditam apenas nos milagres de Cristo e em nenhum outro milagre posterior, questionando a ideia de intervenção divina em seu sentido ontológico, admitindo que esgotaram sua FUNCIONALIDADE e foram 'cancelados'.) ou se é mágico fetichista (logo mistica e fundamentalista). A questão aqui é sobre o objeto ou fim da religiosidade: Se é educar e promover o homem ou obter milagres, graças, intervenções sobrenaturais, etc

Claro que a forma de religiosidade que melhor condiz com o espírito científico é a que negando a intervenção de forças sobrenaturais - de caráter arbitrário ou caprichoso - assume o mundo material em sua naturalidade.

Apenas a mente naturalista esta apta para captar a realidade do mundo. A mentalidade mágico fetichista, encarando cada evento 'inexplicável' como uma quebra das leis naturais ou intervenção divina e sobrenatural, só sabe distorce-la. Por isso uma religiosidade focada antes de tudo e acima de tudo em milagres ou no conceito de um deus interventor, que não cessa de consertar a natureza é de fato incompatível com o espírito científico.

Portanto a questão aqui não toca a Deus ou a imortalidade da alma e sequer ao conceito de uma revelação divina destinada a comunicar certas verdades, inacessíveis a percepção e a razão, aos seres humanos. O cerne da questão entre fé ou religiosidade e o espirito científico diz respeito ao sentido dos milagres e a sua perpetuação indefinida.

No Catolicismo a ideia de milagres relaciona-se antes de tudo com as figuras de Jesus Cristo e seus apóstolos, a promoção de sua pessoa e a afirmação de seus ensinamentos; sempre numa perspectiva externa e funcional, jamais numa perspectiva ontológica, de um deus consertador da natureza. Donde decorre a ideia, muito presente em certos autores patrísticos e canonizada pela teologia, segundo a qual os milagres perdendo sua razão de ser após a afirmação do Catolicismo, deixaram de existir para sempre.

Não poucos dentre os Católicos mais instruídos e mesmo dentre os protestantes considerados heterodoxos por seus colegas, abraçaram esta opinião e, consequentemente; acolheram sem maiores dificuldades o espírito cientifico.

Outra porém é a questão do Catolicismo vulgar, popular ou folclórico da gente rude e do misticismo. E outra a questão do protestantismo Ortodoxo ou bíblico - este que pretende fazer-se desonestamente em cima de Buckle - visceralmente anti científico.

Nem preciso insistir que esse padrão de fé é valhacouto de inúmeros mitos judaicos - Que arvora impudentemente em dogmas 'cristãos' ???!!! - que conflitam com diversas áreas da ciência, a exemplo do mais clamoroso que é o criacionismo, matriz e fonte do pensamento fetichista.

Nada mais oposto ao pensamento científico do que a fé Bíblica 'ortodoxa', para a cujos adeptos não só a perpetuação dos milagres, como sua banalização constitui o cerne da espiritualidade.

Nada mais oposto a ciência do que um padrão agostianiano/luterano/calvinista cujo dogma da corrupção total da natureza supõem que as capacidades perceptivas e racionais do ser humano, foram completamente distorcidas.

É perfeita e absolutamente normal que o sectário protestante ou bíblico, por uma inversão monstruosa, atribua - como Montaigne (Que apesar de papista era agostiniano) a fé ou a Bíblia a única fonte confiável de conhecimento, sendo absolutamente cético quanto ao mais.

Desconfiando da ciência o fanático não terá porque cultiva-la.

O protestantismo ortodoxo tal e qual o islã incute nos homens aquele tipo de fé cega no livro - no caso antigo testamento ou a Bíblia de capa a capa - que torna os homens imprestáveis a ciência.

Já o Catolicismo tende, se bem compreendido, a concentrar a religiosidade ou a fé no Evangelho ou nas palavras de Jesus e sabido é que o Divino Mestre jamais pretendeu ministrar aulas de ciência ou fornecer explicações sobre o mundo natural.

Absolutamente compreensível que o espírito científico tenha surgido e florescido entre as cidades e comunas e pequenos principados da Itália, onde havia muito mais liberdade em todos os sentidos. Podendo se dizer o mesmo sobre a França dos séculos XVI e XVII, devido a força e rivalidade do elemento feudal.

O elemento contensor do espirito científico foi em todo lugar, seja na Inglaterra Henriquina, na Espanha ou na França do 'rei sol', a tirania, o despotismo ou o absolutismo monárquico. Na Espanha como já foi dito vinculado ao tribunal da Inquisição e portanto sumamente eficaz.

Surgiu igualmente nos países protestantes quando após o fim das grandes convulsões sociais - Que terminaram pelos idos de 1648/1650 - as seitas tiveram de tolerar umas as outras e inclusive os incrédulos. Não foi a fé protestante ortodoxa ou bíblica que fomentou ou estimulou o espírito científico mas a divisão entre as seitas, a multiplicidade de interpretações bíblicas e a confusão doutrinal vigente, das quais resultaram a primeira crise da fé e repudio a religião. 

O protestantismo, por defeito de fabricação, produziu e ainda produz as condições necessárias a afirmação e triunfo da incredulidade e simultaneamente a necessidade de um acordo tácito entre os beligerantes e dissidentes bíblicos. Assim temos a um lado os indiferentes em matéria de religião, deístas, etc e a outro, no decorrer do século XVIII, uma situação de relativa tolerância, a qual evidentemente não deixou de beneficiar a ciência, FEITA VIA DE REGRA, pelos incrédulos ou irreligiosos, e não pelos protestantes ortodoxos ou bíblicos, os quais, vez por outra, acusavam-nos de impiedade. Do que resultou ter Nils Celsius abraçado o papista e ido para Roma e o laboratório de Priestley ter sido quebrado por uma multidão de fanáticos enfurecidos.

Agora o fato mais curioso é que vinte de dois anos após Buckle ter editado seu livro (1879) o materialista Jakob Moleschott não apenas instalava-se em Roma - coração do romanismo - como declarava, para a eterna vergonha dos protestantes, que se sentia muito mais livre entre os italianos papistas do que entre seus confrades protestantes ortodoxos. O que viria a ser repetido ainda pelos incrédulos Ingersol e Mencken nos EUA e pelos holandeses Van Paasen e Van Loon pelos idos de 1940!!!

Pois quem fez ciência nos países protestantes a partir de 1700 foram, em geral, os irreligiosos ou indiferentes, deístas, materialistas ou ateus, prevalecendo-se da liberdade. Liberdade que as diversas seitas beligerantes, tiveram, a contragosto de manter - Uma vez que não mais podiam viver guerreando e mantando-se como no século XVI - sem conseguir monopolizar.

Os países Católicos mostraram-se duplamente infensos ao espírito da liberdade, já pelo absolutismo monárquico, já devido a presença da Inquisição. Além de si o Catolicismo deixou-se levar pela alta confiança em sua unidade ou coesão interna, mostrando-se por vezes intransigente quando não deveria te-lo sido. Do que resultou um clima não muito propício para a ciência no decorrer do século XVIII. Foi um descompasso ou desencontro bastante pernicioso para a Igreja de modo geral.

Já no que diz respeito a especificidade da cultura ibérica podemos adicionar outro fator nada desprezível.

Os Jesuítas, dando continuidade a algumas tradições medievais difusas por toda Europa, e que remontavam a antiguidade - Refiro-me ao Trivium e Quadrivium - face a cultura científica, natural ou material, atribuíram mais valor ou deram mais atenção ao cultivo da Filosofia e da poesia ou seja das letras clássicas. O que por um lado foi bom, pois se não produziram ciência em larga escala como as repúblicas vizinhas e não poucas vezes uma ciência sem consciência - Questionada desde os tempos de Sócrates - acabaram por produzir o humanismo ou uma reflexão bastante ampla e vasta a respeito do homem que ainda não foi devidamente apreciada.

Muitos tem classificado essa cultura como superficial, aparente ou livresca; no entanto esta avaliação, que peca pelo materialismo e cientificismo, não é nem um pouco justa. De modo geral, esta reflexão, que remonta a neo escolástica, mas toca até o século XX, atingido um Julian Marias e um Garcia Morente, não deixou de beneficiar amplamente a Filosofia, o Direito, as Ciências políticas e mesmo as Ciências sociais, enfim as humanidades de modo geral. É uma face da moeda que costuma ser ignorada por muitos.

Seja como fora, apesar de sua deficiência em termos de empirismo, temos de admitir que esta Espanha não só pensou o homem, como tem problematizado com ousadia e coragem e torno dos Dogmas Kantianos, canonizados e santificados pelos pós modernos.

Por outro lado não podemos negar que houve, igualmente um gigantesco empenho dedicado as letras. O qual para nós tem também seu valor. Cabendo no entanto ao leitor amigo, julgar se foi ou não excessivo. E se Portugal e Espanha fazem jus as acusações que lhe são feitas no sentido de terem alimentado uma cultura aparente ou meramente literária.

Resta-nos dar resposta a segunda questão, sobre o declínio do Império espanhol.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Intelectualidade e ateísmo, uma resposta definitiva






Certos professores há que em seus cursos asseveram ensinam a repetem, entusiasticamente, que a maior parte da intelectualidade - em termos de cientistas e filósofos - teria professado o ateísmo ou sido ateia. É coisa que se ouve sair dos lábios de qualquer sectário ateísta... E que as custas de ser repetida pelos prosélitos - mal informados ou intencionados - acabo se convertendo numa das tão decantadas 'verdades do tempo'. Particularmente os pensadores mais eminentes e brilhantes teriam sido ateus em sua quase que totalidade.

É o que se ouve, o que se repete, o que se crê...

Tal a fé.

Como já tivemos ocasião de abordar o tema em nosso pequeno cenáculo, aqui em casa, limitar-nos-emos a publicar o que já foi exaustivamente estudado e discutido por nós e pelos comensais.

E para tanto principiamos pela Bibliografia: Manual biográfico literários sobre as ciências exatas e naturais. Johann Christian Poggendorff 1863

A respeito desta obra faz-se mister declarar que constitui uma verdadeira Enciclopédia destinada imortalizar tantos quantos dedicaram-se a pesquisa científica (com exclusão das ciências humanas) até meados de 1860, transcrevendo suas biografias e abordando diversos aspectos de sua vidas, inclusive os pensamentos religiosos. Daí sua relevância neste campo. E já adianto que seu trabalho foi continuado - por outros uma vez que J C P faleceu em 1877 - até cerca de 1900 (volume quarto). Enfim não há como abordar científica e honestamente o tema da religiosidade ou do suposto ateísmo dos cientistas sem se recorrer a esta fonte que é sob diversos aspectos primária e essencial.

Quanto aos filósofos e suas crenças há o livrinho de Huberto Rohden 'Tu és o Cristo filho do Deus vivo" Vozes 1918

Dito isto passemos ao 'problema'


Buscando uma definição para ateísmo


Cujo primeiro aspecto é a irredutibilidade em termos de definição.

Sócrates dissera certa vez: Se aspiras dialogar comigo define os teus conceitos.

Assim se vamos debater em torno do ateísmo a primeira exigência a ser feita é que haja acordo a respeito do que seja ateísmo. Do contrário estaremos a dialogar inutilmente a respeito de 'fenômenos' diferentes...

E no entanto quanto a este aspecto ateísmo e judaísmo caminham de mãos dadas uma vez quer também o judaísmo recusa-se a um definição clara e objetiva.

Perguntas a um judeu? Que é judaísmo? E ele te responde: Crença, fé, religião; excluindo os ateus, incrédulos, budistas, etc

Perguntas a outro judeu: Que é judaísmo? E ele te responde: Judaísmo é povo, é a nação composta pelos descendentes do patriarca Abraão, e arrola em seu número: Ateus, materialistas, irreligiosos, budistas, etc

Segundo a primeira definição Nordau, Marx, Einstein, Asimov, Sagan, etc não são judeus. Já segundo a outra definição continuam sendo contados como judeus. De modo que no fim das contas serão milhões de judeus a menos ou a mais...

E qualquer trânsfuga religioso, relativista e mal intencionado sempre poderá alegar que a religião ou a fé judaica produziu uma 'elite' de intelectuais!

Outra não é a postura - sinuosa - do protestantismo. Quando o protestantismo recebe críticas por parte da Ortodoxia, do papismo, do espiritismo e de quaisquer outras religiões no sentido de ter promovido a incredulidade na Europa contemporânea, seus defensores negam veementemente que os protestantes 'liberais' - inda que pastores como Collani - sejam protestantes. Como negam veementemente que os unitários ou arianos (Testemunhas de Jeová) sejam protestantes... No entanto quando os mesmos críticos ou os incrédulos alegam que o protestantismo (claro que estamos nos referindo ao protestantismo 'ortodoxo' seja batista ou calvinista, e essencialmente 'biblicista') foi bastante pobre em termos de ciência, os apologistas protestantes não exitam arrolar Sir Isaac Newton, - que era unitário ou ariano - ou Sabatier que era liberal, isto quando não têm o desplante de arrolar os Bispos (sic) da Igreja Episcopal.

Na ora de defender a fé os paladinos da reforma lançam tudo que é liberal ou incrédulo (ao menos com relação a totalidade da Bíblia) ou episcopal para fora da arca, o que por sinal é razoável. No entanto quanto se trata de compor 'Apologias' em defesa do protestantismo são quase sempre incluídos. É quando Hanack vira 'cristão piedoso'...

Tal o judaísmo, tal o protestantismo com suas divagações em torno de definição.

Tal o ateísmo.

Pois de modo geral na ora de cooptar prosélitos ou de fazer propaganda os ateus fogem a definição formal e objetiva de ateísmo enquanto 'Convicção a respeito da inexistência de Deus' ou ainda capacidade de demonstrar que Deus não existe, ou ainda como pura e simples negação de Deus, e põem-se a enfiar na 'igrejola' aqueles que apenas duvidam (tanto do ateísmo quanto do teísmo) ou consideram a questão inacessível ao conhecimento humano, assim os céticos, abstencionistas ou agnósticos de Comte. E como não param por ai, incluem ainda os agnósticos ingleses de Huxley os quais sequer - como Spencer e Stuart Mill cujas obras contém diversas alusões a um ser 'INCOGNOSCÍVEL' - ousam por em dúvida a existência de um Supremo Ser mas apenas sua definição ou cognoscibilidade a exemplo dos antigos gregos, e seguindo por este caminho 'largo e fácil' tantos quantos nas Sociedades mais avançadas do Planeta, como a Escandinávia, a Holanda, a Bélgica, a Suíça, os antigos países comunistas, etc simplesmente não têm qualquer vínculo religioso ou fé. Ficando os incrédulos ou indiferentes e matéria de religião alistados como 'ateus' mesmo quando as mesmas pesquisas explicitam, logo na linha abaixo, que essas pessoas admitem a existência de uma energia ou forma de consciência supranatural ou mesmo a existência de um Deus (!!!)

Diante desta manobra ou melhor farra, assiste-nos o pleno direito de perguntar onde é que está a honestidade ou melhor ainda, onde esta a maravilhosa Ética ateística que os leva inclusive a denunciar tudo quando seja religioso como desonesto ou falsificador???

Cade a seriedade, o espírito científico, a probidade, a moral, a Ética dos nossos apóstolos ateísticos???

Sim porque nesta mistura heteróclita e esdrúxula de conceitos que se opõem e excluem mutuamente como:
  • Deísmo
  • Agnosticismo
  • Indiferentismo religioso
  • Espiritualidade não institucional

Tudo quanto posso ver é safadeza mesmo.

No entanto como alguns ateus são mesmo tão fanáticos e obstinados quanto seus desafetos religiosos vou soletrar:

Os agnósticos ingleses - ou ao menos parte deles - que admitem a existência do Incognoscível, bem como aquelas populações das 'repúblicas' ateísticas que admitem a existência de um Deus não revelado ou de uma energia ou ainda de algo sagrado, merecem, ser classificados como deístas.

Como os deístas afirmam a existência de algo que transcende a vida e a matéria, é evidente que estão em oposição aos ateus que negam terminantemente a existência de qualquer coisa nesse sentido. Aqui a exclusão é manifesta uma vez que a afirmação e a negação incidem sobre o mesmo objeto - qualquer tipo de concepção que remeta a Deus.

Os agnósticos franceses ou positivistas da Escola de Comte e Litreé repetiram a exaustão que não eram ateus pelo simples fato de que o ateu - como o teísta - cuida saber a respeito de algo que ele agnóstico afirma nada saber. O agnóstico ao contrário do ateu e do teísta não assume posição a respeito do assunto, não afirma nem nega, abstém-se de formular qualquer juízo metafísico pois como I kant e D Hume não admite a validade desde tipo de conhecimento. Tanto que os agnósticos (aquele que não conhece) partindo de seu ceticismo inveterado classifica o ateísta como metafísico.

Filosoficamente, do ponto de vista da episteme, são posicionamentos inconciliáveis ou paradoxais e podemos asseverar que quando um Filósofo ou pensador define-se como agnóstico, esta querendo dizer em alto e bom som que não esta convencido a respeito da validade do ateísmo e que dele dúvida tanto quanto dúvida do teísmo.

Aos ateus, ainda aqui acompanhando as diatribes dos pastores - quando tentam explicar porque o pagador de dízimos não obteve o milagres alegando que não tinha fé, que é um pecador, etc - resta o péssimo recurso de apresentar os agnósticos como 'ateus fracos', 'ateus medrosos', 'ateus tímidos', 'ateus enrustidos', pois ignorando, como toscos que são, o problema das origens do conhecimento, da gnoseologia, da episteme, da metafisica, etc não podem mesmo admitir que hajam agnósticos sinceros. Daí embrenharem-se pela via do subjetivismo crasso elaborando juízos de valor tão miseráveis em torno da intencionalidade e da sinceridade alheia. Porque recusam-se a assinar a fórmula de fé ateística todo agnóstico fica sendo fracote, tímido, covarde, medroso, etc

Alias nestes tristes tempos em que ateísmo virou moda entre as cabecinhas sem conteúdo que sem contentam em repetir as abobrinhas cozidas ou fritadas pelo Bernacchi e temperadas pelo Oiced Mocam, o fato de boa parte dos intelectuais recusarem-se a referendar o novo credo parece-nos sintomático. Afinal vivemos em tempos de liberdade não é mesmo??? E não há duzentos anos, sob o jugo infame das Inquisições... Ou sob o controle dos déspotas e tiranos.

Medo do que? Receio do que? Que tipo de temor respirariam os intelectuais agnósticos ou 'ateus enrustidos' numa sociedade democrática ou liberal?

Acaso os comunistas não alardeavam seu ateísmo e seu materialismo há cem ou cinquenta anos passados sem que qualquer um deles fosse acusado de 'ateísmo', mas de sedição, pelo simples fato de aspirarem alterar a ordem política e econômica vigente???

Quantos processos ou autor de fé anti ateístas foram realizados no Ocidente ao cabo do século XX???

Pelo modo com que os ateus expressam-se diríamos estar em Meca, Medina, Riad, ou em qualquer uma dessas maravilhosas sociedades muçulmanas em que os ateus são pura e simplesmente executados ou decapitados em obediências as leis do Corão ou melhor aos ditames da Sharia. E eu nem observo qualquer esforço por parte do apostolado ateístico de enviar missionários aos países muçulmanos com o objetivo de conquista-los a esta fé machista, adultista, homofóbica, escravista, etc que tantos males tem causado a pobre humanidade!

Por que raios precisam os ateus esconder-se ou ocultarem-se - com a máscara do agnosticismo - numa Sociedade livre? Será que lhes falta coragem (a essa imensa multidão que os ateus classificam como medrosa ou fingida) para afrontar uma simples crítica ou cara feia??? Admitindo que todos os agnósticos seja mesmo ateus ocultos ou disfarçados seríamos obrigados a concluir pela incapacidade crônica do ateísmo em comunicar coragem ou em despertar compromisso entre seus profitentes... Imagina então se como os antigos Cristãos ou as minorias Cristãs nas sociedades islâmicas essa manada de ateus fracos corre-se perigo de vida??? Haveriam de enfrentar a morte e de morrer por sua fé uma vez que não são capazes de enfrentar as críticas de uma Sociedade liberal?

Ao que parece não é o ateísmo apto para despertar aquela mesma firmeza com que os mártires cristãos souberam enfrentar o jugo do império romano.

Portanto como esperam pode enfrentar e resistir heroicamente a jihad islâmica que já se alevanta nos confins da Europa e ameaça submergir e destruir o berço de nossa civilização (Grécia e Roma, não Inglaterra!)?

Diante da facilidade e rapidez com que os ateus mais atilados classificam seus 'irmãos' e correligionários como 'medrosos' em tempos de democracia só nos resta concluir com o Papa ateísta Richard Dawkins que apenas o Cristianismo ou um retorno decidido a fé ancestral poderá fazer frente a ameaça do islã e salvar a Europa. Não fui em quem o disse querido leitor mas o autor de "Deus, um delírio', os créditos são dele, e a reflexão fica por sua conta...

Continua 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Mutilações ou Materialismo, empirismo crasso, positivismo e a dificuldade de lidar com o fenômeno humano

Nos combatemos conscientemente a concepção materialista de processo histórico e existência humana pelo simples fato de não saber lidar com a integralidade do fenômeno humano e consequentemente mutilar seus setores de atuação em termos científicos.

Por mais estranheza que nossa afirmação possa vir a causar o materialismo tem causado um mal imenso a humanidade. Males tão grandes e tão sombrios quanto aqueles que foram conjurados pelo fanatismo religioso e pelo sectarismo, outra grande fonte de males.

Em termos de psicologia a partir da invenção do behaviorismo - que é uma adaptação forçada e arbitrária da Psicologia as exigências da mística materialista - tornou-se dificil senão utópica e impossível a colaboração entre psiquiatria e psicologia, isto pelo simples fato do psiquiatra em geral encarar o psicólogo como charlatão e repudiar aprioristicamente a existência de enfermidade psico somáticas. Daí a dopagem sistemática de pacientes incuráveis - em termos puramente materiais ou somático - a ocultação de sintomas e a destruição da qualidade de vida e das esperanças de milhões e milhões de seres humanos. Os quais bem poderiam ter sido 'salvos' ou ajudados caso tivessem sido encaminhados a um terapeuta. No entanto, por questões de ideologia, é a psicologia e mais ainda a psicanalise, desprezada pela alta roda do materialismo.

Não é para menos que o apóstolo do materialismo tupiniquim profo Silva Mello - aquele mesmo que tinha medo do escuro e de fantasmas (!!!) rsrsrsrs - compôs alentado volume contra a psicanalise atacando a concepção dinâmica da mente e a abordagem do inconsciente.

Como o inconsciente não é material e portanto acessível as técnicas do empirismo, assusta ou melhor aterroriza os acanhados positivistas...

Da psicologia passam os estragos feitos pela escola a Filosofia ou melhor a Ética e já escrevemos extensamente a respeito. Como a consciência ética em termos de juízos e valores tampouco é materialmente perceptível e acessível aos sentidos, negada ou obscurecida a ideia de um Deus Legislador converte-se ipso factum em opinião individual ou em preconceito.

Desde então o individuo torna-se ele mesmo lei e critério interno de bem e mal.

Portanto quem achar felicidade no estupro...

Quem puder matar sem ser pego...

Quem quiser roubar sem ser notado...

Afinal não há lei objetiva e externa ao homem que torne tais ações más. Quem o diz é o pensador e filósofo ateu e cético D Hume.

Bem se vê que ao contrário do que dizem e declaram Dostoyevsky não mentiu e 'Sem Deus tudo é permitido' por não haver critério de ética externo, objetivo, universal e obrigatório. Sem Deus não há legislador ou lei. Evidentemente que estamos falando em lei ou direito natural e não em normas e regulamentos religiosos. O exercício da razão partindo de Deus e da consciência é o quanto basta para deduzir os elementos da lei moral desde os tempos dos estóicos e da neo escolástica espanhola Salamanca, caminhos porque chegamos a concepção humanista ou melhor personalista.

Vejamos agora como neste caso a emenda ainda acabou saindo bem pior do que o soneto.

Pois para fugir ao cipoal do individualismo crasso teve a maravilhosa ética ateística de converter-se em questão de policia ou de caserna, vindo a definir-se como lei jurídica e contratual firmada por um grupo qualquer de homens ou pelo Estado. Destarte, excluído o foro da consciência, chegamos a negação da pessoa e seu espaço (Aberto a duras penas pelo odiado Cristianismo) e a 'ditadura da maioria' - aqui uma aplicação livre de Aristóteles - em termos de formalismo democrático puro ou teoria pura do direito (Hans Kelsen) e em termos de liderança arbitrária autocracia, de um modo ou de outro, por um caminho ou outro a estatolatria e ao totalitarismo. Pois já não nos cabe, como preconizavam Thureau e Spooner, julgar as lei positiva a partir da consciência segundo o critério da justiça.

É todo um abjurar da criticidade e da racionalidade face as exigências da lei ou do Estado e um admitir que a comunidade jamais era em termos de direito ou 'justiça', sendo absolutamente justo tudo quanto ela decreta. E não se trata de uma característica especifica do Estado autocrático representado pelas ditaduras, mas de um problema que toca aos fundamentos da doutrina estruturalista e formalista de democracia, cuja gênese não á outra senão a mesma negação sistemática de uma Ética essencial e de um direito natural, donde surge a vã pretensão de governar todas as esferas da existência e de legislar totalitariamente, sem fazer conta da dimensão privada ou pessoal da vida cuja deliberação não cabe a esfera pública do político nem mesmo sob a forma democrática.

Evidentemente que o materialismo formalista não pode conceder qualquer espaço a esfera pessoal segundo as exigências da Ética da essência ou do direito natural (fundamentado numa lei transcendente e externa ao individuo) porque os amiguinhos ateus revindicariam o mesmíssimo espaço na perspectiva do individualismo crasso, com as funestas decorrências que já apontamos. Pois cada qual aspiraria fazer o que quer, identificando o bem com sua própria vontade, com seus desejos e gostos... Do que resultaria um caos inconcebível, e quiçá a destruição da Sociedade.

O materialismo e o ateísmo em termos de ética, lei e política jamais sai destes dois extremos assustadores: O individualismo absoluto segundo qual o individuo é lei suprema de si mesmo e tudo, realmente tudo pode fazer e o totalitarismo formalista segundo o qual toda lei procede do poder político estabelecido devendo ser acatada. Dando-se por certo que a maioria jamais se equivoca, ao menos numa perspectiva democrática.

Claro que a respeito do individualismo crasso passo a largo. Para mim equivale sempre a psicopatia ou a um defeito de educação e caráter.

Se você se sente seguro face a ação de pessoas que acreditam inexistir qualquer tipo de limite ou lei acima de si mesmas, parabéns, vá em frente...

O que pretendo examinar aqui é a teoria política e jurídica, aparentemente mais séria, segundo a qual devemos sempre seguir as determinações ou decisões da maioria em termos de lei i é de direito positivo, mormente sob a égide da democracia. Tudo isto nos parece de fato muito lindo mesmo...

Mas pode não ser tão lindo.

Pois em que pese o caráter autocrático de Hitler ele recebeu maciço apoio por parte do povo alemão, o que nos leva a ventilar se de fato seu poder não procedia do povo... Seja como for, com o apoio ativo do povo, cometeu todos os crimes abomináveis que conhecemos. E podemos dizer o mesmo sobre muitos outros governantes...

O democrático governo dos EUA legalizou o acesso irrestrito ao aborto, noutras palavras do infanticídio. Este mesmo governo democrático manteve em vigor durante quase cem anos uma série de leis de exceção com relação aos cidadãos de ascendência africana ou pele negra, e com apoio tácito das multidões! O mesmo estado democrático por fim tem aprovado guerras infinitas, de que temos exemplo nas invasões ao Iraque, a Líbia, a Síria, etc Democraticamente pobres, negros e ladrões de galinha são regularmente executados nos EUA e a população de modo geral controlada!Tudo realizado com o apoio da maior parte da população e do Congresso ou seja democraticamente.

Democraticamente minorias são oprimidas, cidadãos executados (ao invés de serem reeducados), crianças assassinadas e populações dizimadas.

Democraticamente é o homem esmagado pelo aborto, pela pena capital, pela guerra, pelo preconceito (temos as leis homofóbicas ou restrições a cidadania plena deste nicho social), etc

Democraticamente um mercado é priorizado em detrimento ao ser humano...

O imperialismo yankee, o nazismo, o fascismo, o comunismo e hoje o sionismo são legais!

De fato não a crime hediondo que já não tenha sido aprovado pela lei positiva!

Aqui no Brasil tivemos a democrática aniquilação de Canudos que foi a apoteose da bárbarie.

Então vejam a que abismo sinistro de degradação conduziram-nos os formalismos democrático e jurídico netos do ateísmo e do materialismo... Conduziram-nos a negação da pessoa humana e a crise da civilização.

Após a negação do Deus Legislador e da consciência o homem é que foi abatido e aniquilado!

Portanto já explanamos sobre os estragos feitos pelo positivismo no campo da política e do direito por meio de seus legítimos rebentos que são os formalismos, negadores da ética da essência, da lei natural e portanto do espaço da pessoa e da consciência.

Sacrificamos a noção tão cara o velho Platão que é a justiça e pela negação da autonômica pessoal (na esfera das coisas pessoais) chegamos a mais triste servidão: A política vazia e o direito positivo ou puro.

No entanto o positivismo contaminou ainda outro setor, a saber o da própria ciência, ou melhor da técnica, engendrando uma ciência pretensiosa, arrogante e opressora; sempre irredutível no sentido de reconhecer seus próprios limites... Limites Éticos.

Desde então persuadiram-se alguns cientistas de que animais e homens lhes pertencem a títulos de cobaias. O resultado disto foi a exposição de milhares de seres humanos a experiências de caráter doloroso ou desumano, sempre em nome do progresso. E não só no âmbito do odiado nazismo mas até mesmo - e como - na democrática e emancipada Sociedade Yankee, onde a prática desumana e anti humana chegou a ser publicamente defendida! Quanto aos animais falar o que??? Como a Sociedade ainda esta longe de compor-se com Peter Singer...
Na Idade Moderna tivemos N Maquiavel com a oportuna 'Razão de estado'... O positivismo bisonho brindou-nos com a 'Razão de ciência'. Em termos de metafísica abstrata o 'progresso' tudo justifica.
Mas quando pretendemos saber que é progresso, oh desilusão clamorosa, pois quase sempre progresso nada mais é que conta bancária bem gorda e lucros por parte do empresariado cientificamente engajado... Claro que fala-se muito em humanidade, interesse pelo ser humano, benemerência, etc Todavia no frigir dos ovos as culturas mais 'pobres' e as pessoas sem meios, continuam a margem dos benefícios auferidos pela ciência, uma vez que são caros e até custosos. Evidentemente que esta situação deve ser questionada, mormente quando pedimos a colaboração heroica a cobaias humanas, as quais raramente habitam em Beverly Hills ou no Leblon.
Como o positivismo não pode, não sabe e não quer trabalhar com Ética ou juízos de valor porque violam o paradigma materialista da neutralidade, mostra-se sempre e inalteravelmente servil face as guerras, aos preconceitos, as exigências do mercado, etc sem jamais questionar os resultados. É deste materialismo tosco acomodar-se a realidade abjurando do quanto seja ideal. O positivismo em sua miserabilidade extrema coopera, colabora, auxilia... E jamais é crítico face ao poder econômico, o direito positivo ou as decisões políticas.

Partindo dessa assimilação passiva - idêntica ao 'perinde cadaver' dos antigos jesuítas - ou dessa conciliação eterna com a realidade dada, onde chegaremos no momento em que as culturas de morte tomarem posse legal ou política dessa realidade??? Se não tem vigor ético ou moral para questionar o Capitalismo ou seus abusos, como crer que haverá de resistir ao fascismo ou ao nazismo???

Sim eu acredito que um realismo epistemológico, um realismo ousado que assume a realidade do imaterial, do mental ou do espiritual ao lado do elemento material e integrado a ele; associado as teorias de espaço pessoal, ética da essência e jusnaturalismo, produziria uma sociedade moralmente mais crítica ou autônoma, sem chegar aos excessos do individualismo crasso, explosivo e dissolvente.

Talvez ainda esteja em tempo de mudarmos nossos paradigmas e de repensar o mundo que temos e que queremos... Então vamos refletir sobre tudo isto, afinal:

"Pelos frutos é que os conhecereis."







terça-feira, 3 de novembro de 2015

Reflexões sobre os postulados éticos da antiguidade Clássica

Não foi apenas Deus que segundo declaram morreu...

Nem sei como existindo poderia ele ter morrido ou como poderia ter morrido inexistindo, no entanto...

Compreenda-se que 'morreu' metaforicamente a ideia de Deus, alias aquilatada como genial por Bertrand Russel, na medida em que uma parte dos homens tem aderido ao agnosticismo ou a indiferença face ao tema de sua existência ou inexistência e outra parcela, bem menor, ao ateísmo.

Negar que o agnosticismo avance não podemos.

Não se trata aqui de um negar dogmaticamente a existência do Sagrado; mas de pura e simplesmente considerar a questão insolúvel, irrelevante ou supérflua.

Agora esqueceram-se de declarar nossos cronistas que a Ética também parece ter morrido.

Dostoievsky foi quem de modo mais eloquente reeditou a relação - Deus Ética - em tempos mais próximos... sabemos no entanto que já havia sido explorada e esgotada por I Kant e antes dele por Voltaire, Russeau, Leibnitz, Descartes, Bacon, entre os modernos. Suas fontes mais remotas no entanto remontam a nossa herança greco romana, a Antistenes, Sócrates, Diógenes de Apolônia, etc

Embora os emancipados desta geração limitem-se a rir debochadamente diante de raciocínios que reputam tão rasos e miseráveis, eles fazem parte de um lugar comum assaz explorado por nossa tradição filosófica até Nietzsche, During, Marx, Dietzgen, Freud, Sartre, Camus... quando o tema de deus foi declarado inadequado ou proclamado tabu.

Desde então a Ética carunchou e apodreceu como sói as batatas...

Claro que o nome Ética continuou a ser empregado.

Afora os positivistas e cientificistas fanáticos poucos atreveram-se a questionar a existência da moral ou da ética.

Houveram mudanças radicais...

Assumindo a nova ética um caráter individualista, subjetivo e relativista muito semelhante aquele que lhe fora atribuído pelos sofistas.

Justamente com Cristo, a Virgem, os Santos e todas as 'fanfarronices' do Cristianismo, também Sócrates e Platão, se quem que gentios e adoradores dos deuses imortais, receberam um pé na bunda ou melhor nas bundas...

Disse Sócrates que no futuro a humanidade reconheceria não ter feito ele mal algum. Já Xenofonte e Platão cogitavam que num futuro não muito distante todos haveriam de convir que jamais havia vivido homem tão sábio e virtuoso quanto o filho de Sofronisco e Fenarete... dois mil e quatrocentos anos depois no entanto... a intelectualidade contemporânea parece ter dado ganho de causa aos sofistas!

Invertemos, subvertemos... importa ter mantido o nome Ética, afinal as mentiras convencionais devem ser mantidas religiosamente, como dizia Mestre Nordau.

Sem mentiras convencionais fica difícil viver assim como vivemos...

Assim discutimos sobre nossos interesses, defendemos o que nos agrada, sustentamos aquilo que desejamos ou queremos e a tais exercícios de vã retóricos atribuímos o nome de ética.

Afinal em que consiste a ética contemporânea, oferecida pelo materialismo, ateísmo e mesmo agnosticismo senão na defesa do 'utilitarismo individualista', nome pomposo com que crismamos nosso egoísmo?

Perguntem ao Stirner, ao Nietzsche, a Ayn Rand e virão a saber que é ética contemporânea, isenta de elementos deletérios ou Cristãos. Nem puderam Benthan e Mill postular um utilitarismo social ou gregário sem que fossem representados como 'beatos' e escarnecidos. De fato nada na ordem natural constrange-nos a sacrificar os interesses individuais pelo interesse social. Eventualmente tal se sucede, como testifica Kropotkin no 'Apoio mútuo', mas nem sempre... Ademais se tais ocorrências não constituem lei tampouco tem o poder ou a força de constranger a criatura racional e livre.

Estou de pleno acordo com o pensador russo no sentido de que não podemos mais permanecer atidos a uma Ética religiosa, particularista e sectária. Nem por isso, com Dostoievsky, satisfaço-me com esta nova ética agnóstica ou ateística. Torno assim mais uma vez ao ideal ético do iluminismo ou melhor dizendo da Grécia antiga, este por sinal construído não em torno duma entidade situada fora do mundo ou para além do mundo, mas em torno duma entidade presente no mundo e em comunhão com ele.

Grosso modo o que distingue a ética antiga da nova ou a ética dos antigos gregos desta ética contemporânea é o desinteresse e o interesse.

Quando os antigos gregos refletiam a respeito dos grandes temas ou problemas relacionados com a Ética e sustinham esta ou aquela teoria face a qual nós, modernos, acreditamos poder tirar máximo proveito, verificamos que ele, raramente auferiam proveito das teorias que sustentavam.

Trata-se de um aspecto deveras interessante que nos conduz diretamente ao tema do amor a verdade, da busca pelo conhecimento, da livre pesquisa, da investigação desinteressada... e reputo este aspecto como um dos mais interessantes em termos de filosofia clássica.

Concentre-mo-nos na figura de Aristipo de Cirene, um dos familiares de Sócrates e desafeto constante de Platão... como é sabido de todos, concebeu ele um sistema de ética em torno do prazer apetitivo ou físico em termos de comida, bebida, sexualidade, etc Diante disto só nos restaria imagina-lo como um comilão, beberrão e promiscuo sobremodo intemperante. No entanto as descrições que dele possuímos parecem desfazer este juízo apressado... ao que tudo indica tratava-se de um homem virtuoso ou mesmo sóbrio.

Então por que raios arquitetou uma doutrina destinada a justificar a fruição dos prazeres físicos ou corporais? Certamente porque estava persuadido de que sua doutrina correspondia a realidade ou que era verdadeira... Diante disto por que não tirou maior proveito dela vivendo como um porco de Circe? Por que não tinha interesse ou melhor porque os antigos pensadores gregos não tinham o vezo de defender seus próprios interesses ou o que mais os agradava.

Argumentar em torno dos próprios interesses parecia muito pouco filosófico para aqueles homens.

O exercício da Filosofia parece ter algo a ver com o desinteresse imediato...

Não era um ato de argumentar em torno de conveniências ou oportunidades.

É justamente este viez que faz a grandeza daquela Filosofia.

Homens sustentavam teorias, ideias e opiniões, que aparentemente, não lhes propiciavam qualquer benefício ou qualquer vantagem imediata.

Sustentavam este ou aquele sistema por estarem persuadidos de que era verídico.

O padrão ou critério daqueles homens não era o proveito imediato ou uma vantagem a se tirar, mas a verdade ou o conhecimento da realidade.

Disputavam, arengavam, debatiam, discutiam, dialogavam... tendo em vista esclarecer algum ponto obscuro. E não justificar seus gostos ou seus vícios.

Filosofia grega jamais foi sinônimo de justificar algo que se fazia ou pretendia fazer. Eles não partiam de seus desejos, gostos, aspirações... tentavam antes de tudo alcançar o ideal ou saber como deviam fazer.

Os post modernos é que converteram a ética num exercício destinado a argumentar em torno das próprias ambições, gostos, desejos, aspirações... e a justificar os próprios vícios e defeitos, em particular o egoísmo. Tudo quanto temos hoje são apologias do egoísmo, sob a alcunha de individualismo.

Primeiro o homem age e depois justifica sua maneira ou modo de agir. Desde quando isto é ética?

Nenhum questionamento, problema, esforço... apenas defesa do que já se fez e pretende continuar fazendo sem cogitar em qualquer possibilidade de mudança. Afinal o homem de hoje converteu-se mesmo em medida de todas as coisas e legislador supremo para si... Como, diante disto, poderia este homem auto suficiente procurar por uma regra externa e universal de vida a qual adaptar-se???

Se constitui norma e regra para si mesmo...

Agora que elemento comum podemos ter que transcenda a política ou a democracia formal?

Elemento algum.

Pois somos individualidades específicas ou ilhas humanas cada qual com seus princípios e valores.

Diante de semelhante revindicação ou tomamos o político ou o social como único tipo de convenção destinada a nivelar a multiplicidade dos seres livres e estabelecer os limites do privado e do comum; ou reconhecemos como realidade única e irredutível esta infinidade de átomos humanos sempre prestes a se chocarem uns contra os outros...

No primeiro caso temos um estado ou uma comunidade, ou ainda um grupo soberano e inquestionável na medida em que a lei natural é obscurecida, restando apenas a lei positiva. Aqui os direitos e garantias da pessoa humana ficam em certo sentido ameaçados...  agora como postular direitos essenciais e inquestionáveis, sem fazer postular uma lei natural? E como postular uma lei ou direito natural sem tocar o problema de um Legislador natural??? Agora se o estado ou o grupo social assume o lugar deste legislador supremo ou natural quão grande não será o seu poder!

No segundo caso, do relativismo crasso ou absoluto, nem poderíamos condenar positivamente o nazismo, o fascismo, o comunismo, o fundamentalismo religioso, etc Pois o que um de nós condenasse outro justificaria... os homens passariam da discussão as vias de fato, desta a guerra, e chegaríamos ao Caos nos termos do 'Leviatã' de Hobbes... A extinção de todo e qualquer vínculo social, última e derradeira fase do individualismo, resultaria justamente no domínio do fraco pelo forte i é na tirania; ou num conflito universal.

Face a este dilema a solução mais plausível consiste em reconhecer o benefício da unidade política (em termos de uma democracia o mais direta possível) ou da lei positiva; limitada no entanto pela lei natural enquanto fiadora dos direitos essenciais da pessoa humana. Isto no entanto implica a ideia de um Legislador natural... Sem a ideia de um legislador natural ou de uma alma do mundo não há como erigir uma ética objetiva em torno da essencialidade, a Ética de que precisamos no momento presente para dar suporte ao humanismo.

Não podemos sair desta xaropada individualista ou destas justificativas em torno do egoísmo se apelar a um elemento unificador. Agora caso apelemos ao estado ou ao grupo social correremos sempre o risco de diviniza-lo ou de atribuir-lhe competência total. Neste sentido julgo mais prudente apelarmos a uma consciência ou espírito universal mais ou menos difuso nas criaturas racionais e cuja forma é a própria racionalidade.

Para que não venhamos todos a perecer faz-se mister ressuscitar o sentido da ética, o sentido antigo, o sentido clássico, o sentido perene. Para tanto talvez tenhamos de resgatar a ideia de Deus ou ao menos discuti-la com a mente aberta e isenta de preconceitos.

No próximo artigo tornaremos a Filosofia grega com o intuito de repensar algumas doutrinas formuladas no campo da Ética.





terça-feira, 20 de outubro de 2015

A evolução do pensamento religioso

Há quem diga que a religião não evolui ou que o pensamento religioso, sendo tosco e primitivo, permanece estagnado para sempre.

É a tônica de certa propaganda religiosa.

Que conduziu-nos senão ao ateísmo ao menos ao deísmo e ao agnosticismo ou seja a indiferença credal.

Importa saber que as sendas desta propaganda emancipada nem sempre foram honestas como deveriam ter sido.

Afinal para nos atrevermos a corrigir a desonestidade alheia devemos ser absolutamente honestos, sob pena de sermos demagógicos.

Não podemos soprar cisco de olho alheio tendo uma trave ou poste fincado em nossos olhos.

Tal foi o caso da assim chamada reforma protestante. Como é ainda hoje o caso do pentecostalismo e do islã...

Em geral esta triste sorte tem sido a sorte de quase todos os críticos da igreja romana e do espiritismo.

A reforma por exemplo manteve e afirmou tudo de pior que havia na igreja velha: eternidade de penas, agostinianismo/gracismo, expiacionismo, conteúdo platonizante, etc além de ter principiado a torturar e assassinar em seu próprio berço, desde que os anabatistas foram mandados ao suplício pelos próprios Lutero, Melanchton e Zwinglio, trinta anos antes de Calvino ter condenado Servet a fogueira...

E retomada ou alimentada mais uma vez a sinistra ideia de Bíblia unitária e infalível, renasce com força total a crença em bruxas e bruxarias com os decorrentes linchamentos em massa...

Bem como a oposição ao modelo científico nascente.

Afinal cem anos antes de ter sido julgada pela igreja papista foi o heliocentrismo condenado pelo próprio Lutero, o qual alias não poupou insultos a Nicolau Copérnico (alias clérigo papista como Nicola de Cusa, Gregor Mendel e Georges Le Maitre, dentre outros).

Tudo isto é perfeitamente compreensível caso encaremos a reforma protestantes como um movimento de origem e caráter puramente humanos... admitido o caráter naturalista da tão alardeada reforma prescindimos de maiores explicações...

Outro é o caso daqueles que encaram este movimento como divino ou sagrado...

O que não é nem um pouco compreensível é a atitude demagógica assumida pelos apologistas protestantes nos últimos trezentos anos...

É para se ver com que empenho e rapidez apontam na igreja velha os mesmos vícios tenebrosos reproduzidos por sua maravilhosa reforma!

Sabemos no entanto que esta maravilhosa reforma foi ainda mais supersticiosa (basta dizer que propoz como dogma a BÍBLIA INTEIRA DE CAPA A CAPA!), mais inquisitorial e mais anti científica do que fora a igreja antiga em toda sua História... E PORTANTO MAIS INCOERENTE OU DEMAGÓGICA.

Pois acenou num primeiro momento com certos princípios que quase de imediato sacrificou.

Verdade seja dita: mesmo após a cooptação da igreja antiga pelo poder imperial em 378, damos ainda com um Ambrósio a impor penitência do Imperador 'todo poderoso', com um Crisóstomo a denunciar o escravismo e com as vozes deste ou daquele Bispo a sustentar a pureza do Santo Evangelho no decorrer de séculos!!! Não foi num passe de mágica ou da noite para o dia que a Igreja antiga abandonou seus ideais... foi um lento processo que arrastou-se até o século XII, por quase mil anos!

Os reformadores protestantes no entanto, mal se veem apoiados pelo poder secular e já imolam 'Efigênia' aos bons ventos... questão de meses, de menos de um ano.

E já não se fala mais em livre exame. Transformando-se ele em monopólio dos Luteros e Calvinos.

Sequer houve liberdade para que as pessoas ou a gente do povo pudesse escolher entre os três ou quatro credos (papal, luterano, zwingliano, calvinista ou anabatista) pois era tudo decidido pelos senhores, pelos reis e pelos nobres. Era o rei ou o senado da cidade que determinavam qual seria a verdade religiosa... e ai de quem protestasse!

Os próprios reformadores sugeriram e abençoaram a teoria monstruosa do 'Cuius regio, eius religio', pela qual a decisão sobre matéria religiosa era atribuida aos poderes políticos! E ja estamos a um passo do erastianismo ou cesaro papismo... com todas as decorrências políticas e sociais.

Verdade seja dita: temos nos séculos XV e XVI um Renascer de humanismo patrocinado ou ao menos tolerado pelo papado e de modo geral nimbado pelas luzes do Evangelho de Cristo... contra o qual a reforma protestante vomita a bilis concentrada de seu anti humanismo agostiniano, impedindo que se desenvolva e frutifique nos rincões onde veio a afirmar-se...

E no entanto esta pseudo reforma que foi sob todos os aspectos um desastre: desastre educacional, desastre social, desastre artístico, desastre político, desastre cultural... um revolução anti Cristão, uma assolação e catástrofe ainda atreve-se a encarar a igreja velha e a sorrir com desdem!

Havendo quem aplauda!

Mas direi o que foi esta malfadada reforma.

Direi com Doellinger que foi um desastre educacional pelas universidades, escolas paroquiais, liceus e colégios que levou a falência! Direi com Cobett e O'brien que foi um desastre pelos mosteiros que fechou porquanto cada um deles mantinha diversos nichos dedicados a assistência social quais fossem dispensários, enfermarias, asilos, orfanatos, etc Elencarei com o judeu Zweig as inumeras obras de arte aniquiladas pelo delírio iconoclástico. Com Janssens descreverei o desastre do erastianismo e a condição aviltante a que ficaram reduzidos os camponeses alemães da rebelião de 1525 ao período napoleônico! Com Max Weber e Huxley poderia traçar o roteiro de um desastre cultural de que resultou a afirmação do materialismo economicista ou traçar a genealogia do fascismo, do anti semitismo, etc

Que nos legou esta maravilhosa reforma protestante que parte da humanidade aplaude de boca aberta?

Amigo leitor legou-nos erastianismo, anti humanismo, anti cientificismo (de que temos exemplo vivo no criacionismo), capital de reserva, materialismo economicista, crítica demolidora dos Santos Evangelhos, dilúvio de ateísmo sem ética, anarco individualismo, americanismo, KKK, apartheid, mística nacionalista alemã, anti semitismo, etc No frigir dos ovos todas as correntes acima citada tem relações estreitas - nos ousamos declarar orgânicas - com o neo cristianismo germânico ou luterano. São novos elementos presentes no caldo cultural do protestantismo!

E não pode este novo Cristianismo deixar de ser julgado como solidário face as culturas de morte.

Então com que méritos denuncia o Cristianismo antigo?

O desempenho de seus sucessores, os materialismos parece que não foi assim tão deplorável.

Mortes houveram em número astronômico.

A causalidade no entanto foi mais dissimulada, sutil ou indireta.

Não houve uma inquisição liberal como havia existido inquisição romana e inquisição protestante.

Grosso modo as cenas de iconoclasmo ficaram restritas aos principais centros urbanos da França.

Houve uma valorização da ciência. A afirmação do liberalismo político ou da democracia formal.

Não se pode negar que houveram progressos.

No entanto os trabalhadores ingleses e logo depois os proletários concentrados nos principais centros urbanos da Alemanha e da França conheceram o inferno sobre a terra...

Houve um lado bastante sinistro.

E não é preciso ser comunista para conhece-lo amiúde.

Bastar-nos-ia ler as obras do Papa romano Leão XIII ou as de Henry George.

Os quais nada tem de comunistas...

Todavia os liberais, materialistas, ateus, etc continuaram não só a ridicularizar a velha igreja como a calunia-la inclusive.

Ainda hoje não nos deparamos com ateus virtuais ou de internet jurando de pés juntos que N Copérnico foi morto pela inquisição ou que Galileu Galilei foi torturado e queimado???

Pesquise quem o desejar...

E dará com a desonestidade, a perfídia, a safadeza, etc perpetuadas em pleno século XXI!!!

São os que dizem que todas as religiões são absolutamente iguais e que o pensamento religioso jamais evolui.

Que temem eles?

Por que preferem as formas mais primitivas e grosseiras de religiosidade como o pentecostalismo, o calvinismo e o islã?

Por que apreciam terçar armas apenas com as fés que se refugiam nas páginas de seus livros infalíveis?

Por que proclamam todas as formas criticas ou teológicas de religiosidade como traidoras?

Lamento ter de implodir sem misericórdia o mundinho limitado destes senhores oportunistas.

Para certificar que o espiritismo assumiu os pressupostos do evolucionismo biológico assim que Ch Darwin publicou a 'Origem das espécies'...

O próprio romanismo forneceu aderentes como o Bispo de Sura. Até Pio XII reconhecer há quase setenta anos que o evolucionismo adstrito ao corpo físico do homem é perfeitamente condizente com a fé.

No campo da igreja Ortodoxa satisfaço-me com declarar que um de seus fiéis, T Dobzhansky foi um dos arquitetos ideológicos da teoria sintética.

Não posso deixar de mencionar A Wegener como brilhante filho da igreja romana ou Agrícola, teólogo e pai da mineralogia...

Agora que temos do outro lado???

Refiro-me as formas religiosas ascendentes do pentecostalismo e islamismo.

O IMPÉRIO do criacionismo com seu padrão mágico fetichista de pensamento dogmática e intransigentemente afirmado em nome do livro!!! EM PLENO SÉCULO XXI!!!

Diante disto como se diz que todas as religiões são absolutamente iguais e igualmente toscas, vulgares e grosseiras???

Se algumas desligaram-se já do Criacionismo enquanto outras continuam a apegar-se fanaticamente a ele e a seus pressupostos?

Afinal a aceitação do evolucionismo em termos biológicos por parte da igreja romana, da igreja grega, do anglicanismo, do espiritismo ou do budismo IMPLICA RECONHECER QUE ESTES SISTEMAS RELIGIOSOS ADERIRAM AO CRITÉRIO DA DEMARCAÇÃO, reconhecendo o direito da ciência fornecer explicações válidas e verdadeiras a respeito do mundo natural.

Como negar que este passo seja um passo gigantesco face a pretensão dos fanáticos, segundo os quais a religião teria o direito de fornecer explicações a respeito do mundo natural e portanto, negando que a ciência possua um espaço seu?

Como negar que a atitude comum a Ortodoxia, ao anglicanismo, ao papismo, ao espiritismo e ao budismo seja amplamente revolucionária e saudável em comparação com o posicionamento daqueles que continuam encarando seus códigos religiosos como fontes infalíveis em matéria de conhecimentos naturais???

Implica admitir que algumas religiões, as mais evoluídas, conseguiram superar o falso dilema: RELIGIÃO x CIÊNCIA pelo simples fato de admitirem que não lhes cabe fornecer explicações sobre a dimensão material ou natural do universo e por concentrarem seus esforços em Deus, na Alma e no Destino da espécie humana.

Tornaram-se tais religiões em certo sentido mais espiritualizadas alijando-se dos mitos ancestrais, das fábulas, das superstições... e concentrando-se no objeto que lhes diz respeito.

O transcendente, o imaterial, o invisível, o sagrado, o divino, o incognoscível...

Tornando-se invulneráveis por assim dizer aos ataques dos cientistas, cujo campo de estudo restringe-se a materialidade ou a imanência.

Grosso modo uma religião que ensine a existência de uma Trindade ou da presença do Senhor no Sacramento, coloca-se fora do campo da ciência e para além de toda e qualquer crítica científica.

Do ponto de vista do mais estrito agnosticismo uma religião que se concentre em seu campo torna-se intangível. Uma vez que o agnóstico declara nada saber a respeito do que fuja a dimensão material da existência...

As religiões limitam-se a afirmar o que é gratuitamente negado pelo agnóstico: que nada podemos saber a respeito do que haja para além da condição material do ser... asseverando que podemos sabe-lo porque algo que lá se encontra quis revelar-se aos seres humanos.

Ora toda esta questão a respeito do conhecimento, suas fronteiras ou limites já não pertence a ciência 'positiva', mas aos domínios da metafísica ou da filosofia, que são bem outros.

Pelo que ficando a fé dentro de seus limites fica mais ou menos segura, para o desespero dos cientificistas fanáticos. Aos quais é demasiado facil ir ao antigo testamento ou ao Corão e elencar centenas de erros, equívocos e tolices em matéria de conhecimentos naturais, semeando pânico entre os fanáticos e fazendo maior ou menor estrago.

Agora nos terrenos da filosofia ou da própria religião nosso homem sente-se desarmado por falta de conhecimentos. Nem podemos negar que o principal trunfo dos cientificistas corresponda justamente ao padrão mágico fetichista de pensamento por parte daqueles que recusam-se obstinadamente a abraçar o critério da demarcação. É justamente a pretensão absurda dos fanáticos de pontificar a respeito duma ordem de conhecimentos que não lhes pertence e de invadir o espaço da ciência, que permite aos cientificistas e cientistas estabelecer uma contra crítica demolidora...

Resulta disto que a adesão ao critério da demarcação é util e salutar para os dois lados na medida em que permite que os discursos sejam elaborados com conhecimento de causa e propriedade; levando ambos os lados a uma trégua amistosa ou convivência pacífica, o que doutro modo seria impossível.

Este tipo de posicionamento tende a satisfazer as exigências dos elementos mais equilibrados de ambos os partidos.

Doravante o dilema fica cada vez mais deslocado para os extremos do cientificismo e do criacionismo ou seja daqueles que caprichosamente pretendem negar qualquer espaço a fé ou a ciência.

A evolução do pensamento religioso tende a colocar as coisas exatamente nestes termos, uma luta entre fanáticos. Luta em que nem os cientistas nem os religiosos moderados tomarão parte.