Certa vez, estando eu discutindo com um cientificista, leitor do antigo Draper, declarou-me ele incompatibilizar-se com Jesus e com os Evangelhos por conterem absolutamente nada em termos de ciência. Como homem de ciência meu amigo sentia-se consternado face a tal omissão por parte dos nossos livros santos, os quais nem mesmo lhe pareciam belos. Jesus para ser significativo deveria ter elaborado um ou outro discursinho sobre ciências naturais. Mas... O Evangelho é isto, um completo vazio em termos de imanência, e ele não aborda o tema, o tema da ciência... E nosso Evangelho não pode pretender ser um manual de ciências a exemplo do Corão ou da Tanak. Decerto nosso Jesus focaliza a transcendência, e prioriza (Como Sócrates, Confúcio, Buda...) a Ética.
Após ter ouvido as queixas de meu amigo lembrei-me do terceiro Califa 'bem orientado' Ommar Ibn Khatib. Aquele mesmo Ommar que mandou Amr ibn al Ash incendiar a famosa biblioteca de Skandarya. Sucederam tais eventos ao tempo de Sofronius, Batrak de Jerusalém (Al Kudush) - O Basileus era Heráclito - Ubaidah, o infiel, havia cercado a cidade e exigia rendição. O Patriarca no entanto recusava abrir as portas a menos que o Califa viesse tomar posse da cidade e assinar o acordo. Claro que se qualquer outra cidade fizesse tal exigência teria sido varrida da face da terra. Jerusalém no entanto era considerada Sagrada pelos agarenos, os quais acreditavam que Maomé a visitará, montado na égua branca Al Borak... Tentaram passar Khalid Aal Wallid, a 'espada' pelo Califa, mas o plano não deu certo. Diante disto o 'piedoso' e justo Ommar teve de deixar Madinat e vir a Jerusalém. Diante dele as portas da cidade santa foram abertas e o acordo assinado, com certa vantagem para os Cristãos...
Até aqui a conquista.
Na qual há um pequeno episódio, que bem ilustrará a omissão dos nossos Evangelhos ou a lacuna imperdoável nos ensinos de Jesus.
Contam os cronistas infiéis que estando Ommar em Al Kudush durante a prece a que chamam Al Zuhr, o Batrak sofronius convidou o Califa a fazer suas preces no Santo Sepulcro. Ao que Ommar recusou educadamente, declarando não ser prudente faze-lo, uma vez que os muçulmanos seriam levados e imita-lo e quem sabe tomar a igreja e transforma-la numa Mesquita. Omitiu-se assim de ali rezar para não abrir precedentes a seus comandados.
Encaro nesta mesma perspectiva a omissão de Jesus ou dos Evangelhos em torno da ciência ou da imanência e encaro-a sobretudo como um ato ou tributo de respeito face a esse tipo de saber. O qual não pode nem deve ser confundido com a Revelação divina.
Não quis, nosso Jesus, dizer uma mínima palavra sobre este tema para que futuramente os Cristãos não misturassem as coisas e revindicassem para a divina Revelação o controle da ciência, invadindo assim sua esfera e eliminando sua autonomia. E por isso temos uma lacuna significativa, a partir da qual podemos dizer: A ciência é um saber natural, cuja liberdade temos de reconhecer.
Tome agora por modelo o antigo testamento.
Cuja origem sócio, histórico, cultural é bem outra e anterior não apenas ao Evangelho, mas ao surgimento da Filosofia e da Ciência. Aquele registro não podia furtar-se a elaborar ao menos alguns discursos em torno da imanência, exprimindo-se por meio de mitos e fábulas cujas origens remontam a antiga Suméria. A Tanak dos judeus, como o Corão dos muçulmanos, possui um conteúdo de imanência destinado a substituir uma ciência que ainda não fora construída...
Foi uma necessidade e os antigos hebreus não devem ser levados a mal por isto... Estavam em sua época ou tempo. O problema são os nossos 'bíblicos' ou fundamentalistas, os quais - Negando o raciocínio e a experiência - ousam afirma-lo em pleno XXI, i é após Copérnico, Galileu, Kepler, Agrícola, Newton, Hutton, Darwin, Wegener, etc ou seja após a afirmação da Filosofia e da Ciência após o fim da Idade Média. De certo modo o problema não é a Tanak, a Torá ou o Gênesis mas a leitura irrefletida de nossos 'cristãos' alienados e imbecis...
Mal orientados acreditam eles que as partes não proféticas dos livros judaicos seja iguais o Novo Testamento ou o Evangelho - Tal a doida doutrina da inspiração plenária, a que juntam outra pior, a da inspiração linear e mesmo a inspiração verbal... E diante da presença deste discurso pré científico, que envolve a imanência, na Tanak dos judeus, concluem que a Revelação divina possui um conteúdo científico e portanto que cabe sim a Religião, a fé, aos pastores, etc intrometerem-se nos domínios da ciência e julga-la ou controla-la.
Toda esta pretensão totalitária dos sectários fanáticos deriva exatamente disto: Que encontram um discurso pré científico voltado para a imanência nos escritos dos antigos judeus. Diante disto invadem ou negam, sem maiores cerimônias, os domínios da ciência ou do conhecimento científico, anatematizando todos os que sucederam a Copérnico e nos ajudaram a compreender este mundo natural, cujas leis, tão belas, fixadas foram por Deus, pelo Deus do Evangelho.
Como a tal bíblia fixou em suas mentes o paradigma do fetichismo, com seu deus interventor e sucessivas correções, eles não podem reter o conceito básico de lei natural que vai, em linha reta, de Copérnico aos dias atuais. Então a questão aqui não é Deus - O qual é perfeitamente compreendido pelos cientistas Católicos como aquele que concebe, conduz, dirige e orienta o processo natural - mas sempre o Gênesis - Encarado como manual de ciências ou Enciclopédia, ou a letra do Gênesis, sempre naquela perspectiva mágica, irredutível a causas segundas... A mente sectária das massas parece não poder captar ou assimilar algo tão simples.
Diante desta tragédia imagine só se Jesus de fato tivesse discursado sobre o mundo natural...
Como toda essa gente tosca, deslumbrada face as soluções simplórias da mitologia hebraica, não haveria de clamar e de dizer que esta certa e que o controle da ciência pertence a religião. Como não iam misturar e confundir tudo, em benefício do fundamentalismo, do totalitarismo credal ou mesmo da teocracia...
Nós no entanto, que somos sinceros, estamos autorizados a corrigi-las, repetindo até a exaustão que nosso Jesus jamais deu aulas de ciência a seus ouvintes ou seja que ele jamais invadiu o terreno da imanência, concentrando seus discursos no mundo invisível ou no mundo futuro. Do contrário, se o discurso da imanência pertence a Revelação nosso Evangelho esta INCOMPLETO. Todavia esta ele bem completo, justamente porque a predicação científica não pertence a fé religiosa, estando os domínios da fé e da ciência eternamente separados quanto a seus objetos, pelo que jamais se confundem.
Percebo assim - E espero que você, amigo leitor, também perceba! - que esta omissão denunciada por alguns cientificistas foi intencional e estratégica, resultando dela a possibilidade dos Cristãos mais instruídos estruturaram um discurso próprio honestamente favorável a autonomia da ciência e a liberdade da investigação científica face a qualquer revindicação de controle por parte dos sectários e fanáticos.
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020
Uma omissão significativa ou Jesus Cristo, Evangelho, Cristianismo e a produção do conhecimento científico
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Os cavaleiros do apocalipse vs obscurantismo bíblico/protestante
Já assinalamos que quase um século antes de ter sido, o heliocentrismo, condenado pelo papa romano, fora condenado, na pessoa de Copérnico, pelo pai e criador do protestantismo... Significativo que a Igreja Romana não tenha sido fundada pelo tal papa mas que o movimento protestante seja obra desse Lutero obscurantista.
Ora este Copérnico, juntamente com Darwin e Freud foi um dos responsáveis, aliás o primeiro, a atingir a megalomania humana no coração. Afinal o diácono polonês deslocou o pobre homem do centro para a extrema periferia do universo. Assim como Darwin lançou dos céus na terra ou no mundo animal a que pertencia por definição, inda que apresentado como rei... Ora ser racional não é ser rei e tampouco a racionalidade elimina a animalidade... Freud - Cujas teses meio metafísicas são bem mais duvidosas e questionáveis - por fim demonstrou que não é este homem uma unidade estável mas uma fragmentação dinâmica.
Agora se Copérnico ou heliocentrismo, cujo anátema foi levantado pela igreja luterana com vinte anos de atraso face ao papismo (Encarado por muitos como a quintessência da obscuridade), foi assim tratado pelas 'bens bíblica, imagine o amigo leitor o que estava reservado aos continuadores de Copérnico inseridos nessa cultura protestante que muitos julgam tão progressista.
O próprio Servet, mandado queimar a lenha verde pelo reformador Calvino na praça Champel sob a acusação de arianismo ou anti trinitarismo, aliás mero fruto ou resultado de seu livre exame não tão livre, não deixou de ser ridicularizado pelos fanáticos por ter defendido a circulação do sangue movido pelo coração, o que efetivamente foi demonstrado por Acquapendente e Harvey meio século depois.
Também Melanchton, ao ser confrontado por Clavius e Maestlin sobre as manchas solares, preferiu fechar obstinadamente os olhos, o que repercutiu no luteranismo, fazendo com que Ihonnes Kepler, como seu mestre Tycho Brahe seguissem em demanda da Áustria, centro do império Habsburgo, papistas. Ali foi que, sob os auspícios de uma monarquia 'católica' desenvolveram seus roteiros de pesquisa e fizeram suas descobertas, alheios à cultura protestante ou bíblica, a qual por fim abjuraram, o segundo positivamente, o primeiro presumivelmente.
Em meados do século seguinte foia vez do luterano dinamarquês Niklaus Stenius ser confrontado pelos pastores luteranos já por ter sido um dos primeiros homens modernos a estudar os fósseis - Sendo apontado por muitos como o pai da Paleontologia - já por suspeitar apenas quanto a validade da cronologia curta ou massoretica. Foi o quanto bastou para atrair o furor dos bibliolatras... Diante disto concluiu ele que a igreja papa era mais flexível e aderiu a ela, chegando a tornar-se prelado.
A seguinte vítima da intolerância científica protestante foi o astrônomo sueco Nils Celsius, cujo caso, bem mais grave do que o de Galileu, posto que ocorrido em 1679, é muito pouco conhecido e divulgado entre a gente 'culta'. Pois nesse infausto ano foi o dito cientista condenar o pela Universidade de Upsala, em nome da bíblia, já por ensinar o odiado heliocentrismo de Copérnico, já por questionar a doutrina da inspiração plenária. Disputas e edições foram proibidos e ainda em 1691, nove anos após Sir Isaac Newton ter divulgado a lei da gravitação universal, Spole e outros acadêmicos suecos, que há muito ensinavam Copérnico, tiveram de ajudar e tornar ao modelo egocêntrico, tão caro ao sectarismo bíblico...
Segue -se o caso Rousseau. Cuja primeira edição do Emilio foi publicamente queimada em Genebra e o autor condenado, isto em pleno século das Luzes i é o décimo oitavo. Pouco faltou para Rousseau não se converter num novo Servet, com dois séculos de atraso. Diante disto transferiu se o ilustre genebrino para Neuchatel, onde apesar da proteção com que contava da parte dos homens mais ilustres e influentes da Europa foi ameaçado e perturbado pelos pastores locais, os quais queriam po-lo a ferros. Ora isto não foi obra da Igreja velha ou do papa, mas do protestantismo 'progressista' e levada a cabo no seu centro ou coração.
É verdade que a mesma obra fora condenada e queimada pouco tempo antes por ordem do Parlamento de Paris, em tese formado por bons católicos. Bravata, pois a este tempo ainda era o Parlamento de Paris, dominado, senão pelos jansenista - agostinianos fiéis e excomungados - ao menos por seu espírito, essencialmente oposto aquele que se reflete no Emílio, o qual de imediato atraiu o odio, não dos papistas - Exceto se minoria liderada pelo cardeal Morris- mas dos rebeldes filo jansenistas. Ora o que os cripto jansenistas fizeram os calvinistas suíços souberam fazer bem melhor. O primeiro campo de concentração da humanidade - segundo o insuspeito Van Paasen - (Genebra) ainda não havia abandonado suas tradições. Afinal a pouco menos de dois séculos, o principal ícone intelectual da Europa, Erasmo (Vida Zweig ou R Bainton) havia sido igualmente ameaçado e expulso de Bale, pelos mesmos calvinistas...
Ocioso creio eu mencionar o químico inglês Joseph Prestley cujo laboratório valioso fora invadiďo e depredado por uma massa de fanáticos (Como sempre instigada pelos pastores em nome da bíblia) protestantes as vésperas do século XIX. Ele concluiu como Celsius, que apesar das aparências, a cultura papistas era mais tolerante. Cerca dos anos 20/30 foi a vez do velho Moleschott, abandonar a querida Holanda protestante e instalar se a metros do Vaticano i é em Roma, onde pode confortavelmente professar e divulgar seu materialismo.
Quanto a Darwin, passados século e meio, o terrorismo protestante ou criacionista está longe de cessar. Nem se trata aqui de introduzir Deus como motor ou dirigente do processo evolutivo, como alegam os ateus e materialistas por ingenuidade ou má fé, mas de afirmar e impor, como dogmática e indiscutível a letra do Genesis e isto mais de quinze séculos após Agostinho de Hipona ter composto o clássico Genesis ad Literam... Do que resultou, nos anos vinte do passado séculos o infame 'Processo do macaco' contra o professor Scopps, em pleno Estados Unidos!!! Quanto aos que enchem a boca pata falar sobre o index papal temos de dizer que em pleno ano de 1860 foi vedada a entrada da 'Origem das espécies' no Trinity College... Isto sem contar o fiasco de Wilbeforce. Imaginem só o estado de tensão que desabou sobre aquela Cristã sincera chamada Emma, sem que Jesus ou o Evangelho o sugerissem i é apenas devido a caturrice dos pastores judaizantes e a sua teologia ultrapassada da inspiração plenária ou do Corão Cristão, que ainda hoje teimam opor não apenas a Darwin mas a ciências contemporânea como um todo e isto a ponto de se terem precipitado no terraplanismo e no geo centrismo, pois querem tudo retroceder não a fase anterior a Copérnico mas ao Israel do século VII a C, a plena barbárie anti científica após todo caminho percorrido pela ciência desde Tales ou ao menos destes cinco últimos séculos. O protestantismo desconsidera tudo isto, e nem a embriologia, nem a cladística, nem o estudo comparado dos fósseis abala seus aderente.
Nos catolicismos Ortodoxo, romano ou anglicano temos - Triste é admiti-lo - criacionistas, e contumazes. Tais comunhões todavia não se apresentam como criacionistas. No protestantismo ativo de nossos dias temos a Torre de vigia e o adventismo com suas organizações e edições falaciosas, além de imenso número de divulgadores. Imagine agora a situação do pentecostalismo, cujos membros de modo geral nada sabem ou podem saber sobre ciência ou evolucionismo, por serem tais elaborações sacrílegas ou blasfemas e ponto, porque esta na bíblia ou o pastor falou, e não se questiona ou argumenta por se pecado, punido com castigos eternos. A que estão destinados todos os evolucionistas, marxistas e freudianos, a maior e melhor parte.
Que dizer agora a respeito de K Marx, homem honestamente equivocado quanto a seus pressupostos, método, reduções e propostas futurísticas ou normativas (Como o Comunismo)? Basta dizer que nos EUA é o prato principal dos pastores fabricantes de fabulas em conflito com a Lei divina. Afinal, por mais que discordamos de sua proposta - O comunismo (Não de sua análise das estruturas capitalistas ou de sua posição crítica) isto não nos autoriza a julgar sua pessoa e menos ainda a calunia-lo da forma mais vulgar, grosseria que foge não apenas ao Evangelho mas a qualquer Ética naturalista que se preze. SEGUEM no entanto os pastores que vivem de dízimo ou rápida, denunciando o trabalho intelectual desse autor ( A que chamam vagabundo diante do espelho!) ou simplesmente declarando que era um satanista ou adorador de Belzebu!!! O que só vem a relevar a natureza do sectarismo protestante...
Basta dizer que os protestantes de modo geral são ferozmente anti evolucionistas ( É não apenas anti darwinistas, nem Lamarck ou St Hilaire servem para eles), anti marxistas e anti freudianos, levando sua cruzada fundamentalista até a raiz das árvores i é até Copérnico... Equivalente disto temos somente no islamismo sunita mais virulento, de Hambal, Wahaab, etc Os nossos protestantes todavia não se acham na periferia da Civilização mas em seu bojo.
Meu objetivo aqui não foi nem é ocultar as limitações, vícios e mazelas da organização que assassinou Giordano Bruno, mas demonstrar que a consciência dos Católicos de modo geral, sempre foi mais aberta e flexível do que a mentalidade do protestante ortodoxo ou sectário de matriz calvinista ou pentecostal com seu paradigma da bibliolatria. A bem da verdade a própria cúpula da ICAR parece ter sido bem mais tolerante do que a multidão de seitas protestantes onde tiveram estas acesso ao poder político. ESTAS sempre se mostraram impermeáveis ou inacessíveis as formas mais desenvolvidas do conhecimento científico, pelo simples fato de sua religião, a bíblia, ser criticada ou sofrer restrições. ESSENCIALMENTE. Fetichista e mágico como o antigo testamento que Ad Literam idólatra e prisioneiro dessa caixa, não pode nosso sectário compreender ou aceitar o mundo natural seja nos termos de um Copérnico, de um Agrícola, de um Stenius, de um Rousseau, de um Darwin, de um Marx, de um Weber ou de um Freud... ou conceder mínimo espaço ao naturalismo, pois está fora de seus padrões mentais e exaspera-o, suscitando um furor destrutivo ou iconoclastico.
As massas que ora fabricamos não conseguem ultrapassar o padrão baixo e fetichista das partes menos nobres do Antigo Testamento. O que até mesmo os judeus modernos lograram fazer. Eles não conseguem superar os moldes ou limites da Tanak e muito se assemelham aos criticos de Anaxágoras ou Sócrates como Diopeites e Licon, homens culturalmente superados na Grécia do século V a C.
A consequência prática se tudo isto é que nossos liberais, cientificistas, comunistas, anarquistas, etc perderam o trem da História por não terem sabido aquilatar o significado e os riscos do protestantismo enquanto biblismo ou doutrina de inspiração plenária que autoriza um livro a julgar todas as coisas ou conhecimentos inapelavelmente. Até hoje desconsideram o aspecto virulento dessa fé e por isso estrategicamente tem mirado no alvo errado ou chutado cachorro morto. Comportando-se como aliados ingênuos do protestantismo teem dado sucessivos tiros nos próprios pés ou cometido suicídio.
Já está mais do que na hora de rever essa postura incoerente, não no sentido de blindar o papismo ou qualquer setor dos Catolicismos, mas, de trazer a luz as obras do protestantismo ao invés de ignora-las ou de oculta-las. Como ex protestante e pesquisador garanto que são mais amplas e graves. Vamos testar???
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Big-Bang e a fé
A respeito do Bing-bang há dois grupos igualmente desinformados: O dos fanáticos religiosos e o de certos ateus, para os quais a Teoria do Big-bang é incompatível com a ideia de deus*.
Pensam ambos os grupos que a teoria do Big-bang explica a origem do universo. Uns pensam que é uma teoria ateia e blasfema por negar a ação direta de deus na natureza, outros pensam que é uma teoria ateística por prescindir da existência de um deus.
A teoria do Big-Bang foi postulada por um sacerdote, isso mesmo por um presbítero católico apostólico romano, o padre George Lemaître. É evidente que o nome não foi dado pelo padre, mas por um êmulo seu: Fred Hoyle com o intuito de desmerecer a teoria, uma vez que este renomado cientista (diga-se de passagem, materialista e ateu) morreu crendo na Teoria do universo estacionário, isto é, que certas propriedades do tempo e do espaço são imutáveis, mesmo após ficar suficientemente demonstrado que a Teoria de Lemaître correspondia aos fatos.
A propósito do Big-bang sabe-se que não foi grande, por partir de um ponto minúsculo e que tampouco houve explosão e sim expansão do universo. Expansão e não necessariamente uma produção.
Vibraram os ateus recentemente com o novo livro de Hawking e também com sua declaração de que a Teoria do Big-bang era capaz de explicar o surgimento do Universo sem a necessidade de recorrer à criação divina. [1]
Mas de acordo com Alexandre Zabot: "Em primeiro lugar, não há motivo para espanto, ele sempre afirmou isso. O único aspecto que parece ter mudado em sua opinião é que antigamente Hawking parecia ser mais condescendente com a religião, agora ele é mais duro.
Sempre que tem a oportunidade, manifesta enfaticamente seu ateísmo". [2]
Muitos ateus apelando ao argumento 'ad autoritatem' dizem Hawking é ateu e complementam com o 'magister dixit': deus não existe.
Assim fazem da autoridade científica uma outro deus ou uma espécie de demiurgo...
Deus não pode ser objeto da ciência pois não é um fenômeno. A ciência lida apenas com experiências, com pesquisas, com testes, ora nem tudo o que existe pode ser testado. Se deus fosse testável, verificável, experimentável ou passível de ser captado pelos sentidos seria material, logo composto, por isso limitado; inexistente enfim; uma vez que a ideia de deus exclui composição, materialidade e limitação.
Por outro lado os religiosos carecendo de conhecimentos científicos e históricos rejeitam a Teoria do Big-bang apegando-se aos mitos hebraicos como se se tratassem de fatos científicos.
Ora, a Teoria do Big-bang é uma teoria sobre a evolução do universo e não sobre a criação do mesmo.
Os cientistas não sabem o que veio antes do Big-bang ou como o universo surgiu. Se alguém metido a cientista opina sobre o que houve antes do Big-bang não está fazendo ciência mas metafísica, metafísica que faz o papel de antimetafisica ou de metafisica invertida.
O Big-bang não exclui - nem inclui - deus, quem exclui deus são os interessados em que ele não exista, como quem inclui, muitas vezes, tem em vista outros tipos de interesse.
Aliás, os ateus tem verdadeiro pavor de teístas que estudam e que adquiriram algum conhecimento científico, pois, pensam eles, é a ciência uma espécie de mãe ou filha do ateísmo.
E de certo até acaba sendo pois - devido as circunstâncias do tempo presente - aqueles que se fazem apóstolos do ateísmo eram religiosos de orientação fideista, logo desprovidos quaisquer conhecimentos científicos. No momento em que tais pessoas entram contato com a literatura científica, ficam deslumbradas passando imediatamente ao extremo oposto, aderindo a metafísica cientificista, e negando que fé e ciência possam caminhar juntas.
Cumpre observar ainda que o protestantismo biblicista (fundamentalista) é o padrão religioso que mais produz ateus uma vez que rejeita o padrão científico em sua totalidade acatando apenas a interpretação literal da Bíblia.
Um cristão pode aceitar a Teoria do Big-bang sem deixar de se-lo ou pondo sua fé em risco?
Não só pode como deve - e com orgulho - aceita-la uma vez que foi proposta por um clérigo, que por sinal jamais foi excomungado ou posto fora da igreja. Ter medo da ciência ou da verdade é pura desonestidade, neste ponto até ateus são desonestos como é o caso do supracitado Fred Hoyle que como vimos repudiou mesmo depois de verificada a Teoria do Big-Bang.
Alguém poderia questionar: Acaso a ciência não é materialista? Como um cristão pode conciliar a existência da dimensão espiritual com o materialismo?
De fato é a ciência metodologicamente falando materialista, esboçando no entanto um tipo de materialismo bem distinto do materialismo filosófico que é uma elaboração metafisica, mas, já que tocamos no assunto vamos até o fim, explicando que é materialismo filosófico e que é materialismo metodológico.
Materialismo filosófico é uma ideologia ou visão de mundo, pois implica crer que o universo sendo composto apenas de elementos materiais sempre existiu ou que surgiu do nada; já o Materialismo metodológico diz respeito apenas ao campo e aos métodos da ciência. A metodologia é materialista porque a ciência estuda apenas aquilo que pode ser percebido por nossos sentidos ou seja matéria, isto porém não implica em ateísmo ou em materialismo filosófico, mesmo porque embora todos os cientistas empreguem obrigatoriamente o materialismo metodológico, parte deles, ao menos é deísta e panteísta ou mesmo religiosa. Theodosius Dobzhansky um dos pais do neodarwinismo foi uma prova viva de que a ciência não exclui a fé. Dobzhansky rezava todas as noites pois era cristão ortodoxo.
Para tanto basta admitir que a realidade é mais ampla do que nossa capacidade sensorial ou seja que embora tudo quanto percebamos seja confiável e real, não somos capazes de perceber tudo, ficando alguma coisa para além de nossa percepção. Implica isto num certo tipo de concepção filosófica e não na experiência enquanto tal.
Voltando a Hawking e ao seu livro Alexandre Zabot escreve: "...por puro desconhecimento de conceitos básicos de teologia e filosofia que Hawking afirmou em seu último livro, The grand design [O projeto grandioso], que "dado que existe uma lei como a da gravidade, o Universo pôde criar-se e se cria a partir do nada. (...) A criação espontânea é a razão porque há algo em lugar do nada, de porque existe o Universo e porque existimos. (...) Não é necessário invocar a Deus para acender o pavio e colocar o Universo em marcha". Nessa afirmação, fica evidente que o físico britânico desconhece o sentido cristão de criação ex nihilo. Se já existia algo, a gravidade, então não ocorreu uma criação realmente. Houve uma transformação, uma evolução a partir de algo preexistente". [3]
Notas:
* Com isso quero indicar que deus não é um nome próprio, mas um substantivo comum, por isso me dou ao luxo de escrever deus com letra minúscula, isso nada tem a ver com fé ou falta da mesma.
As notas 1,2 e 3 são de autoria de Alexandre Zabot que é físico e astrônomo e tem uma coluna na revista O Mensageiro de Santo Antônio.
Fonte: O Mensageiro de Santo Antônio, março de 2011, páginas 34-35
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Cientista também fala besteiras

Faz tempo que não escrevo nada aqui no blog, primeiro porque viajei para o Rio de Janeiro (XIV Congresso Nacional do PCB 09/10 até 12/10), e depois porque voltei gripado do Rio e estou com muito trabalho na escola, como hoje estou mais ou menos folgado e um pouco inspirado resolvi escrever. Eis o resultado logo abaixo, não espero que gostem, espero que esse meu artigo seja desconfortante e provocativo. Boa leitura.
Os cientistas por lidarem com pesquisas e por serem pessoas muito requisitadas não poucas vezes se acham acima do bem e do mal. Acabam por crer que são espécies de semi-deuses e que podem falar de tudo, do cocô à bomba atômica, até porque seu status quo de cientistas o permite.
Respeito os cientistas quando falam daquilo que conhecem, respeito-os naquilo em que são peritos, mas naquilo que não conhecem não merecem aplausos senão vaias. É incrível que mestres e doutores em ciências possam cair no senso comum em outros assuntos e repetir irrefletidamente o que repetem as massas.
Eles (os cientistas) que são tão sérios em pesquisas que não aceitam palpites, nem pitacos, quando abordam temas que não são de sua área quase sempre falam besteira.Quer dizer que os métodos só servem quando é para se pesquisar alguma vacina para debelar tal e tal vírus? Que a seriedade só é válida quando precisamos estudar astrofísica? Para se falar de violência não é preciso estudar? Não é preciso conhecer as causas? Claro que não. Até porque para a maioria dos cientistas, ciências humanas não são ciências. E porque geografia, história, sociologia e economia "não são ciências" pode-se palpitar à vontade.
Outro dia no Twitter, um cientista soltou essa pérola: "Aí alguém acende um baseado e vai argumentar sobre como o capitalismo é o responsável pelo que acontece no Rio". Como se pode ver é uma frase desconcetada da realidade. Uma frase vinda de uma mente que trabalha com uma realidade fragmentada, que aplica os métodos de sua ciência (e isso por vício) às realidades sociais. Se o doutor estudasse ciências políticas e sociais não teria falado tal aberração. Por essa frase bem se percebe que ele não conhece história, nem sociologia, nem geografia, etc... Se estudasse saberia que os negros foram morar nos morros logo após a abolição da escravatura, e que os morros se constituíram favelas, porque os negros tinham que morar longe dos brancos, até porque não tinham dinheiro para comprar casas em áreas nobres, porque a única indenização que receberam do Império foi sua "liberdade". Não foram indenizados com somas vultosas nem mesmo com somas mínimas para manter suas respectivas dignidades. Não foram contratados para trabalhar nas fazendas como os italianos, não sabiam fazer outra coisa do que cultivar. Sem perspectivas de vida o que poderiam fazer?
Os cientistas muito entendem de astros e tubos de ensaio pouco ou nada de ciências sociais, por isso seu mundo é fragmentado, pobre e desvinculado da realidade. Não vá além do sapato, o sapateiro!
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