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terça-feira, 3 de outubro de 2017

No 'inferno' do 'Amar é'




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Levante a mão quem ainda se lembra do álbum de figurinhas 'Amar é'.

Caso você seja dos anos setenta ou mesmo oitenta certamente ainda lembrará do simpático casalzinho castrado...

Época da Sarah Kay, da menina moranguinho, dos animais fofinhos, etc tudo muito bonitinho e encantador. E é claro que os namoradinhos do 'Amar é' não podiam fugir a regra...

Exatamente por isso eram desenhados muito moralmente ou seja sem os 'asquerosos' órgãos sexuais. Nem o menino tinha pênis nem a menina tinha vagina, eram ambos completamente lisos ou tapados, i é, sem buraco algum.

Orifício por onde fizessem o número um ou o número dois não havia e ficamos lá pensando se comiam ou bebiam qualquer coisa, e por onde saiam os refugos - Pela boca? Pelo nariz, ou pelas orelhas? A pergunta bem pode ter ocorrido a qualquer criança do nosso tempo (anos 80) e premiada lá com algumas palmadas por parte desses pais educadores que já não usavam a 'vara de marmelo'.

Eu como menino 'bíblico' ou crente só pude conhecer a 'Amar é' através de meus amiguinhos pagãos, que costumavam cola-las em seus cadernos e - pasmem, pasmem sim - havia sido orientado a não fixar os olhos em tais figurinhas, pelo simples fato de ostentarem corpos nus!

E como disse não havia ali sequer vestígios de órgãos sexuais ou qualquer coisa que insinuasse um pênis ou uma vagina! Era ambos castradíssimo e sem embargo disto, 'imorais'. Ao menos para parte da boa Sociedade.

Jamais pude esquecer o comentário feito por uma velha senhora diante de uma banca de jornais em cuja parte externa o proprietário havia colado um cartaz promocional das figurinhas:

-- Viu Minguinho (tal meu apelido de menino) a que ponto chegou esta sociedade (nem sabia o que era sociedade)? No meu tempo não se ostentavam corpos nus desse jeito, vou falar com o seo Morgado para não colar esse tipo de coisa na Banca.

Tá certo que a senhora em questão era de outro tempo... Tão certo quanto o menino e a menina serem lisos e castrados, e não haver qualquer sinal de, digamos, 'malícia' nas figurinhas. Exasperou no entanto muita gene mais nova e não estou convencido de que ainda hoje não exaspere algumas pessoas, especialmente os fanáticos religiosos... Sempre em guarda contra o corpo, a nudez e a sexualidade humanas.

Nem estou suficientemente convencido de que parte da Sociedade atual seja ainda mais fechada do que aquela dos anos 80...

Reeditado o álbum 'Amar é' em nossos dias, será que venderia mais??? Será que não fariam autos de fé pelas esquinas. Alegando que o casalzinho de castrados é decididamente imoral ou pecaminoso...

Uma coisa é certa meu senhor. Há quem se sinta incomodado com as simples linhas ou com o esboço pictórico de um corpo nu. No passado dizia-se nu artístico e não me parece que fizessem tanta bulha em torno dele quanto hoje...

Problema aqui é que não se tratam de casos isolados ou de pessoas psicologicamente desajustadas. Aparentemente essas pessoas melindradas são normais. O que temos aqui é a produção intencional de uma certa cultural maniqueísta ou puritana...

Dirá você que estou fazendo tempestade em copo dágua uma vez que a produção desse tipo de cultura anti corporal ou assexuada é produção que remonta há séculos.

Indubitavelmente meu querido, indubitavelmente. Consideremos no entanto que vivemos num mundo pós freudiano direcionado cada vez mais para a aceitação do corpo, do sexo e da nudez, não em termos de valores supremos (como querem muitos), mas certamente como algo natural.

Consideremos que o passado século, em que pesem exageros e abusos, foi um tempo de avanço. A tendência a que me referi acima era um agregado persistente, mas condenado, ao menos a longo prazo, a desaparição. As tendências mostravam isto...

Portanto o que me assusta ou incomoda é a retomada feroz desse tipo de discurso ou dessa produção cultural na mais larga escola. O que estamos assistindo, ao menos aparentemente, é a retomada de ideais e modelos maniqueus e puritanos que não só confinam com islã como preparam seu advento em nossas sociedades ocidentais. Há todo um discurso negativo ou pecaminoso em torno da nudez ou da sexualidade e cujo objetivo é produzir um generalizado sentimento de culpa entre as pessoas, especialmente entre as mulheres... o fim desse discurso é que após o corpo experimentar certa degradação ou a beleza declinar sucede o arrependimento, a conversão e por fim túnicas, icabs, burkas, shadores, etc como forma de penitência.

Que tais pessoas optem por ocultar seus corpos decrépitos deveria ser assunto de ordem privada. Lamentavelmente no entanto, assistimos a toda uma reação contrária ao direito dos demais membros da sociedade exporem seus corpos ao menos por parte de algumas dessas pessoas 'convertidas' a alguma religião qualquer... De fato elas não estão nem um pouco convencidas de que a tais pessoas assista o mesmo direito que assistiu a elas durante a juventude. Não é simples questão de arrependimento mas também de egoísmo inconsciente expresso pela forma clássica: Se não ouso mais mostrar meu corpo ninguém mais deveria poder faze-lo. Em tais situações as pessoas que ousam mostrar seus corpos passam a ser odiadas e quando não insultadas ou agredidas.

A parte da sociedade que se esconde o corpo e a sexualidade parece não se dar bem com a outra parte, seja a sexista ou a que busca viver com naturalidade, tornando-se ativamente hostil. Assim entre os que não vão a praia devido a questão da nudez costumam sentir-se molestados porque os demais vão e isto pelo simples fato de serem influenciáveis, covardes e não terem coragem para fazer o que querem. A pessoa que assume um princípio moral ou crença sinceramente e que busca vivencia-lo em máximo grau, via de regra não se preocupa com o comportamento alheio, apenas com o seu. A preocupação com o comportamento alheio em termos de Psicologia, denota sempre um insatisfação subjacente, desconformidade, insegurança e, é claro rancor. Rancor por achar-se obrigada a viver uma vida que não gostaria de viver.

Em termos de cultura no entanto o ponto de partida desta postura intolerante é a produção de um sentimento de culpa, relacionado com a retomada de um discurso maniqueísta ou puritano cujo objetivo é satanizar o corpo físico, a nudez e sobretudo a sexualidade humana. O que me suscita minha reflexões não é a sobrevivência circunstancial desde discurso enquanto mero agregado persistente mas sua decidida retomada em alguns contextos da sociedade brasileira, do que resultou toda esta polêmica assustadora em torno do homem nu lá no Masp.

Lamento por Fernando Sabino, autor impagável da Crônica 'O homem nu' já não estar mais entre os vivos para escrever um segundo conto ambientado lá no Masp...

Afinal, desta vez ao menos, é o mesmo povinho que leva os filhos no colo, durante os carnavais, para assistirem 'mulatas' (a expressão aqui é mesmo para despertar choque) semi nuas ou nuas em pelo, rebolando e se arreganhando na passarela... E quem se choca???

Tudo bem que pela primeira vez cobriram a globeleza com um vestido...

Homem branco rebolando nu em pelo foi o que a Globo jamais cogitou por.

A simples imagem da mulher negra nua, pobre, favelada, sem oportunidade na vida... estar ali se arreganhando diante de um montão de machos caucasianos com seus filhinhos impecáveis nos colos, é tão perversa que me faz lembrar as velhas vitrines de zoológico em que colocavam tipos humanos primitivos.

Se é mulher, negra ou morena, pobre, etc rebolando em cima de uma garrafa pode, é bonito... Agora basta expor a nudez de um homem branco, simplesmente sentado num lugar fechado para produzir exasperação... Meu Deus onde estamos???

Ah mais haviam crianças lá....

Ok, mas foi a exposição realizada para esse tipo de público?

Quem levou? Quem são os responsáveis? Que pretendiam eles? São seus filhos???

E se os pais quiseram levar as crianças ao evento para familiariza-las com a nudez, segundo a opinião deles, o que você tem a ver com isto??? São seus filhos??? Então você quer total liberdade para educar e criar seus filhos, surrando-os com a vara ou espancando-os por qualquer motivo e para os outros pais liberdade alguma???

Digo isso porque criança alguma foi posta ali pelo produtor do evento ou raptada!

Estavam ali porque foram conscientemente conduzidas até aquele lugar pelo poder paterno que vocês tanto endeusam em causa própria.

Alias quando o menino Bernardo foi assassinado pelos pais após ter procurado ajuda, qual a exasperação de vocês??? NENHUMA???

Vejam a disparidade!!!

Claro que a lei bem poderia, e é alvedrio seu, fixar uma idade mínima para a assistência do evento. Agora proibi-lo pelo simples fato de contar com a exposição de um Nu, de modo algum, de forma alguma. Não existe nada, absolutamente nada no nu que cause dano ao outro e se alguém adota o ponto de vista contrário não vá a exposição, não compre 'Amar é', não manuseie material pornográfico as ocultas, etc Uma vez que aqueles que encaram a nudez com naturalidade ou como parte da vida assiste o direito de contempla-la livremente.

Mas a contemplação da nudez é um pecado ou uma imoralidade.

OPINIÃO SUA.

Não minha, nem de outros tantos milhões de cidadãos honestos e trabalhadores que não teem problema algum de aceitação com relação a seus corpos.

Agora se pensa assim conduza-se de modo coerente, ao invés de pretender comandar os outros porque ainda há cidadãos livres nesta porra dispostos a não se deixar comandar por gente autoritária e controladora como você.

Se a questão é as crianças, que a justiça estabeleça um limite de idade quanto ao acesso a tais eventos. Claro que todos os cidadãos e todos os pais deverão obedece-los, como você deve obedecer a lei menino Bernardo e cessar de espancar seu filho ou apodrecer na cadeia. Se a questão é a lei, comece cessando de educar seu filho com a vara de marmelo ou de tortura-lo.

Agora quanto a exposição e acesso a nudez, cidadãos adultos e maduros não precisam ser tutelados por zelosos moralistas de fancaria. Vão viver seu azedume e sua amargura sem importunar os outros!

Não pensem que estou defendendo, como os esquerdopatas sem causa, a dimensão artística deste nu ou deste exposição de arte moderna, a qual deploro como psicologista, relativista, subjetivista, estúpida, etc Não sou nem pretendo ser partidário dessa arte degenerada a que chamam de moderna, sou pelo clássico, decididamente. E em questão de nu prefiro uma Vênus de Milos.

A questão a ser ponderada não é repito, a dimensão artística da produção, a qual bem pode ser negada ou questionada. Não sou dos que iriam a uns exposição de arte moderna, mesmo para ver o Gianecchini em pelo, palavra não iria. O foco da questão é a nudez e a aceitação do próprio corpo, pressuposto absolutamente necessário para a construção de um personalidade normal, sadia e equilibrada. A negação do corpo, da nudez e da sexualidade é o ponto de partida para o desenvolvimento de uma série de neuroses e distúrbios psicológicos, e francamente este mundo já esta cheio de anormais e de seres sem consciência explorando a anormalidade alheia com propósitos financeiros...

Comecei lembrando das coleção 'Amar é' com o simples traçado de corpos nus lisos e tapados. E termino formulando a seguinte pergunta: Será que no Brasil de 2030 alguém terá coragem de criar algo semelhante ou de reeditar o velho 'Amar é'??? Eis uma pergunta aparentemente tola que demanda nossa reflexão urgente! Que rumo estamos tomando e como será o Brasil do futuro?

quinta-feira, 24 de março de 2016

Resposta aos formalistas: porque o impedimento de Dilma é golpe!

Cópia de texto que será enviado ao STF solicitando, mais uma vez a impugnação do pedido de impedimento da presidenta Dilma Russef articulado pelo cidadão Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos deputados.

Logo após a presidente legitimamente eleita deste pais, Ilma sra Dillma Russef, ter denunciado publicamente o golpe institucional contra ela urdido pela Câmara Federal na pessoa de seu presidente o cidadão Eduardo Cunha, tivemos a oportunidade de ouvir alguns comentários contrários, noticiados pela famigerada TV Globo. A mesma emissora que ora ousa colocar-se acima do STF, não apenas tecendo aleivosas críticas mas tramando contra a pessoa do Ilmo e resp min Teori Zavascki!

De nossa biblioteca não tivemos tempo suficiente para averiguar de que jurista ou magistrado, tecera tais considerações, segundo cremos pautadas no formalismo jurídico.

Em direito, talvez mais do que em qualquer outra área do saber humano, deve vigorar o lema do estagirita: "A virtude esta no meio, os extremos se tocam." a qual nossos maiores assim traduziam: "Nem tanto a terra nem tanto ao mar.".

Assim em matéria de direito deve-se evitar os dois extremos perigosos: o do subjetivismo, que coloca o magistrado acima da lei engendrando a tirania e dando vezo a arbitrariedade e o do formalismo, segundo o qual a simples aplicação dos ritos processuais é suficiente para conferir valor ao ato em si, pois nem sempre aquilo que é necessário é suficiente.

Assim contra a 'flexibilidade' de Moro sustentamos decididamente a necessidade imperiosa de cumprir as ordenações e ritos processuais sob pena dos atos serem nulos e de haver crime. Apesar disto não caímos no extremo oposto do mecanicismo formal, mas sustentamos que a aplicação dos ritos ou a normalidade do trâmite seja insuficiente para conferir-lhe legalidade ou licitude.

Aqui além do rito processual há que se considerar sempre o caráter daquele ou daqueles que iniciam e presidem aos ritos bem como seus vínculos e interesses. Do contrário seria ociosa a doutrina da suspeição...

Suspeição supõem Ética, Supõem que o direito, para além das fórmulas, assuma uma perspectiva Ética.

O direito será Ético ou não será justo e sendo justo não será direito ainda que legal.

A legalidade deverá sempre exprimir a justiça.

Ou nos precipitaremos de cabeça no abismo do nazismo.

Pois também os nazistas possuíam aparato político e jurídico formais.

Pelo que formularam leis e decretos racistas, homofóbicos, etc em todo opostos aos direitos essenciais da pessoa humana ou a lei natural.

Afastando-se a lei positiva da lei natural ou a forma da Ética teremos um direito que poderá tomar caminhos assaz tortuosos.

Num tempo em que a todo instante as multidões discursam sobre Ética urge tomar a Ética a sério e fugir aos formalismos ocos.

Necessário é certamente observar todos os trâmites legais de um processo. No entanto é necessário esclarecer que do ponto de vista de uma Ética humanista a execução deste trâmites, não basta para tornar um processo lícito ou justo. Para que seja justo e direito deverá considerar as pessoas envolvidas, assim o magistrado, assim o político, assim seus interesses...

Evidente que qualquer formalista poderá negar tudo quanto acima ponderamos, mas seja honesto e como bom positivista assuma que exclui a Ética do direito e que sustem a validade de um direito sem Ética. Nem se diga ou alegue que a Ética dimana dos processos pois a Ética é relativa ao comportamento das pessoas.

Que os formalistas levem suas doutrinas até as últimas consequências e demonstraremos como são excelentes para dar suporte ao nazismo e a arbitrariedade.

Os contrários e os curiosos acharão vária matéria sobre o tema nas obras relativas a Filosofia do Direito, a Sociologia do Direito, a Psicologia do Direito e mesmo a Introdução a Teoria do Direito empregadas em praticamente todas as Faculdades do mundo civilizado. Miguel Reale - alias este define o direito como 'Ordenação Ética..." - escreveu sobre o tema... Lyra Filho e Pontes de Miranda também, e não creio que a matéria seja ociosa.

Sob esta perspectiva analisemos e tentemos compreender o pedido de impedimento da Ilma Sra presidente Dilma Russef...

Executem-se as formas regulamentadas...

Mas não se pode deixar de considerar quem abriu este processo, quem haverá de julga-lo e quais os prováveis interesses em questão.

Todas estas circunstâncias ligadas a Ética bem podem contaminar a produção do direito e converter o processo de impedimento num golpe institucional. O que será bastante fácil demonstrar.

Primeiramente consideramos a pessoa daquele que abriu ou deu início ao processo e questionamos: Terá idoneidade moral? Estará isento de interesses?

Pois se não possui idoneidade moral como pode exercer a função de censor moral de um ato político?

E se possuí interesses relacionados com o objeto do processo como acreditar que procederá com a isenção necessária???

Que Eduardo Cunha não possua idoneidade moral ou reputação ilibada que o qualifique para presidir tão grave ordenamento demonstram-no cabalmente os mais de vinte processos de que foi alvo, as dúzias de contas secretas que contra nossas leis possuí na Suíça, as mentiras e enganos a que recorreu com o objetivo de proteger-se, as diversas e sucessivas artimanhas com que tem esforçado para obstruir a justiça, etc

Basta saber que Delcídio em sua delação afirmou a inocência da sra presidente, acrescentando que o choque entre ela e Cunha deu-se justamente após esta ter interferido nas Furnas com o objetivo de por fim as ilegalidades perpetradas por este cidadão. E já antevemos aqui um elemento passional i é o desejo de vingança. Por ter ele se sentido prejudicado pela ação enérgica da chefe do executivo brasileiro.

Agora pergunto a qualquer magistrado de menor instância alias: como poderia este Cunha, sofrendo tantos processos abrir processo contra outrem???

A título algum Eduardo Cunha esta a altura de tão grave processo!

Basta que seja suspeito e processado para tornar-se incapaz de ministrar juízo!

Afinal em tese é um possível criminoso!

Há aqui no entanto elemento muito mais sério e que vícia o trâmite do impedimento.

Basta dizer que Cunha é parte interessada em condenar a parte julgada!

Pois deposta a presidente Dilma lhe seria facultado exercer a vice presidência da nação! Subiria de cargo o homem ou seja obteria vantagem líquida e certa.

E é evidente para qualquer teórico de Ética e de direito que parte interessada não pode julgar com isenção!

Interesse ou vantagem corrompe qualquer ate jurídico político!

É coisa que se aprende nos bancos da acadêmia no primeiro ano da propedêutica.

Cidadão algum pode presidir ato jurídico válido sendo parte ou tendo interesses envolvidos.

Verdade mais prístina do que esta não há no terreno da Ética e do direito.

Agora dirá alguém que Cunha adquirindo status político mais elevado não adquiri benefício para si???

Ousará alguém suster que é indiferente ao homem ser presidente da Câmara ou vice presidente do pais???

Corrompido ou viciado o ato jurídico político fica evidente e manifesta a malignidade do golpe.

Agravante: A própria comissão parlamentar destinada a interrogar a sra Presidente é manifestamente composta de deputados (e são cerca de 40 quarenta!!!) envolvidos com escândalos, denúncias e processos; tal e qual o cidadão Eduardo Cunha! Pelo que lhes falta a idoneidade necessária para julgar os atos alheios.

Supõem-se que a ordenação da justiça deva ser exercida por pessoas nobres, excelentes, virtuosas, idôneas e de reputação ilibada. Foi o que Jesus Cristo quis significar ao absolver Maria Madalena, levada a juízo por seus companheiros de pecado... ELA SEQUER PODERIA TER SIDO DENUNCIADA POR ELES, QUANTO MAIS JULGADA!!!

Do contrário escolheríamos nossos jurados nas penitenciárias!

Diante de tais fatos, a contento expostos, rogamos ainda mais uma vez ao egrégio tribunal que impugne este processo de impedimento declarando-o nulo de todo valor tendo em vista a honra do direito e a paz da República. De nossa parte daremos a público este memorial, primeiramente aqui e; sucedendo qualquer calamidade a república e as instituições democráticas, na Europa: Portugal, Espanha, França e Itália, onde temos amigos e parentes.

E se necessário enviaremos memoriais e relatos a ONU, a Corte de Haia, ao Vaticano, a OEA, ao MERCOSUL e não cessaremos por um instante de denunciar este golpe.

Por hora exortamos aos srs ministros que cumpram com sua grave função e salvem a República do abismo em que alguns demagogos inconsequentes desejam lança-la. O ministro Zavascki já deu o primeiro passo neste direção e seu nome haverá de ficar perenemente gravado nas páginas da História pátria como o que alguém que na hora certa cumpriu corajosamente com seu dever.




domingo, 8 de fevereiro de 2015

Uma aula de filosofia no Shopping Center






O protagonista de nossa história será um professor de história e de filosofia, mas antes de começar a narração quero descrevê-lo para o(a) leitor(a) que não o conhece.

Nosso protagonista tem 1,70 m. de altura, é ligeiramente obeso, tem ascendência europeia direta, o pai era português, muito parecido com um mouro, e, o filho saiu a cara do pai cuspido e escarrado, não, não usemos esta expressão pois ela está errada, esta expressão sofreu uma deturpação por pessoas que tinham pouca cultura, a verdadeira expressão é: saiu a cara do pai esculpido em carrara (mármore carrara), os ouvintes desta expressão ou porque não ouviam bem ou porque tiveram educação deficitária transformaram o dito numa outra coisa que não faz o menor sentido. Perdoem-me a digressão e voltemos ao nosso protagonista, como eu havia dito, ele é ligeiramente obeso, tem 1,70 m. de altura a pele bronzeada, cabelos negros e compridos, um cavanhaque igualmente negro e um bigode semelhante ao de Nietzsche que ele tanto odeia, odeia Nietzsche e não o próprio bigode. Seu nariz é pequeno e fino num rosto enorme, rosto oval, com olhos grandes, negros e faiscantes, seu lábio inferior é carnudo, o que faria a alegria de muitas mulheres, daquelas que adoram lábios carnudos. O personagem em questão é uma figura exótica, sim exótica. Ele veste bermudas floridas, bem ao estilos dos surfistas, calça sapatos mocassins e veste camisas sociais e anda com uma pequena bolsa à tiracolo onde carrega sempre um ou dois livros, bolsa jeans, velha e desbotada, que recorda aquelas bolsas que as crianças da antiga pré-escola carregavam. Nessa bolsa ele amarra um lenço que pode ter mil e uma utilidades. Ele sempre anda com um boné inglês ou outro chapéu estranho. É uma figura que se destaca entre aqueles que vestem-se de forma uniforme e seguem as tendências da época, poderia dizer que ele é um ser atemporal, mas não posso porque assim como nós, ele é mortal.

A história que narrarei a seguir poderia ser um conto, mas não é, não é um conto, não é uma ficção, é um fato ou melhor foi um fato presenciado por umas 50 ou 60 pessoas, salvo engano.

Era uma noite quente mas não tão quente que fosse sufocante, estava um calor agradável para sair, para passear. Céu limpo, sem nuvens, portanto sem ameaça de chuvas torrenciais tão comum ao período.

Então, o nosso protagonista, que é meu irmão de consideração convidou-me para comermos algo bom na praia, as palavras que despertaram meu interesse foram: "eu pago". Incontinenti, larguei tudo o que fazia e fui, pois já estava de banho tomado e com roupas trocadas e fomos.

Pedi que antes de chegarmos à praia passássemos no Shopping Brisamar para ver o que estava passando no cinema. Ao chegar naquele lugar havia ali alguns bate-estacas, seguranças em seus ternos pretos e a maioria deles, parda e negra, barrando a entrada adolescentes de periferia, não por causa do rolezinho, mas porque não tem dinheiro para consumir e Shopping não é lugar para passeio mas para consumir e pobre ou consome muito pouco ou não consome nada.

Vi um jovem de 14 ou 15 anos mirrado, com camisa pólo desgastada, calça jeans e que calçava um tênis de marca não sei se era ou não original e ele foi barrado por um segurança, o Domingos Pardal Braz, este é o nome do nosso protagonista, logo se revoltou e tomou as dores do rapaz e disse:

- Por que ele não vai entrar? Por que você está proibindo a entrada dele?

- Senhor - disse o segurança - não se intromete, ele sabe o que fez.

- Vocês não deixam ele e outros como ele entrarem porque são pobres, porque são garotos da periferia.

- O senhor é o que dele? O senhor é alguma coisa dele?

- Eu sou professor, ele é meu aluno e ninguém vai impedi-lo de entrar, ele vai entrar comigo.

- Se ele aprontar qualquer coisa lá dentro o senhor será responsabilizado.

- Eu assumo a responsabilidade.

Ele abraçou o aluno, e triunfantemente entraram no shopping, o garoto não se continha de felicidade, ele não acreditava que o seu professor o defenderia dos brutamontes e nem que conseguiria adentrar no shopping. Já dentro do shopping o professor o alertou que não fizesse nada de errado. O shopping estava apinhado de jovens da periferia. Ele despediu-se do aluno e seguimos para o quarto piso e filmes bons, nada. Como não tinha nada interessante deixamos aquele lugar. Ao sair do shopping vimos muitos adolescentes pobres, alguns brancos mas a maioria parda e negra discutindo com os seguranças. Então o homem sanguíneo (assim o considero de acordo com a teoria dos 4 humores de Hipócrates), tomou a defesa desses meninos, e começou a bater boca com os seguranças sem ter medo deles e sem ter vergonha do povinho de classe média falida. E ele deu uma aula de filosofia e de sociologia que nunca dera na sala de aula, e essa foi sua melhor aula. Falou contra a discriminação e contra o preconceito racial e questionou porque jovens brancos com roupas novas e de marca original podiam entrar e os jovens de periferia não. Questionou a falta da justiça e da igualdade e sendo ofendido pelos seguranças ameaçou voltar e meter-lhes um processo. Ele causou um alvoroço, os jovens gostaram e comemoraram e dali fomos embora entre vaias e elogios.