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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Estabilidade civilizacional, tendências predominantes, ritmo histórico e conflito

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Não conhece nem busca a História leis gerais, pois sua tarefa consiste em identificar as causas imediatas de cada fenômeno ou evento particular. O sentido, a direção, o ritmo, as tendências, as 'leis', o processo Histórico enfim é perseguido pela Sociologia. O que os antigos chamavam providência podemos chamar de leis sócio/históricas ou melhor dizendo de tendências predominantes. Afinal tais leis não atuam de maneira estritamente mecânica ou absoluta como as leis físicas ou naturais, são flexíveis até certo ponto, conhecendo certo grau de indeterminação tendo em vista a ação livre do elemento humano ou melhor as modalidades de ação e interação que são 'infinitas'. A História ou melhor a sociedade humana, a cultura... possuem certamente um ritmo, uma dinâmica, uma frequência; mas não exata ou inelutável. Tinha plena razão W Dilthey ao substituir o paradigma da previsibilidade pelo paradigma da compreensão.

Justificar pertence a ideologia ou a moralidade. Prever a física ou a química. A História buscamos descrever e compreender. E através dela compreender o caminho percorrido pelas diversas Sociedades e pela cultura, em busca de alguns elementos comuns. Não se faz Sociologia geral sem História embora a Sociologia busque certo nexo genérico entre fenômenos que estão dispersos. Abstrai assim do tempo e do espaço, mas, para tanto, deve utilizar-se da História e da Geografia e alimentar-se delas.

Possui a dinâmica Social certas leis gerais desde que compreendamos o termo Lei de maneira 'lata'. Por isso recomendo o emprego do termo tendências predominantes. Claro que a natureza da cultura tem direções bem definidas, as quais podemos, com o devido cuidado esboçar.

Antes de tudo quero abordar o tema da Estabilidade civilizacional e das Crises, o qual faz-se tão premente em nossos dias. Para tanto vou socorrer-me de um Filósofo da História e de um Sociólogo aos quais atribuo o mérito de terem desvendado o segredo da Esfinge; assim Toynbee e P Sorokin, os quais juntamente com F de Coulanges, M Weber e R Nisbet, tenho em conta de geniais.

Constatou Sorokin a generalidade do conflito - quem disse que o conflito não existe ou que nada move? - envolve quase sempre culturas cujos valores antitéticos podem ser definidos como Materialista ou Idealista. Uma cultura em crise é basicamente uma cultura cindida entre valores materiais e ideais ou indefinida; bem como uma cultura fechada, seja materialista ou idealista. A Estabilidade civilizacional ou o 'brilho' corresponderia a uma síntese entre os dois 'sentidos' ou a uma equilibração. Em torno do que poderíamos chamar Realismo. O Realismo tenderia a conciliar a razão e a experiência, o psíquico e o biológico, o mental e o corporal ou físico, a religiosidade ou a fé na vida futura e a ação na vida presente, a Transcendência e a Imanência... Assim a prática da ginástica e dos esportes com o ideal da Kalokagathia, a Ciência e a Filosofia, a técnica e a ética, formando um todo harmonioso, e bem se vê o quanto este ponto de equilíbrio deva ser difícil de ser obtido. Via de regra move-se a Sociedade de um extremo a outro, tal o 'sentido' das crises.

E se o conflito de valores existe dentro da maior parte das Sociedades mais desenvolvidas, devemos considerar um outro tipo de conflito, existente entre diversos padrões de civilizações estáveis e mais ou menos estáveis ou mesmo não estáveis. Segundo Spengler o atual conflito entre o Islã e o Ocidente, remontaria a situações de conflito de conflito anteriores travadas entre a cultura persa e a cultura greco/helenística, a cultura romana e a cultura judaica, a civilização Cristã bizantina e o islã, a civilização Cristã Ocidental e o islã, enfim a civilização Ocidental contemporânea e o islã... Teríamos aqui o prolongamento de um choque milenar de culturas. Noutras palavras seria o islã herdeiro ou legatário do judaísmo antigo ou mesmo do zoroastrismo (o que é discutível - esta última assertativa) enquanto que os Catolicismos - devido ao conceito de Encarnação - seriam em parte legatários do paganismo antigo. Daí o conflito entre as duas tradições: Da transcendência pura e da Transcendência/Imanência.

Sucede no entanto que nossas construções sociais, raramente atingiram o necessário equilíbrio. A exceção do século IV, do século IX, do século XIII e do século XVII, em que conheceram-se aproximações, o ideal de civilização Católica jamais concretizou-se, frustrando-o - A queda do Império romano no século V, o advento do Islã no século VII, o advento do neo paganismo no século XIV, o advento da pseudo reforma, do capitalismo e das culturas de morte a partir do século XVI. Tais eventos tornaram o ideal de civilização Transcendente/imanente inexequível. Para além disto o próprio Catolicismo - seja Ortodoxo ou latino - deixou-se contaminar, poluir e obscurecer sucessivas vezes pelo neo platonismo sob as mais diversas formas, assim do agostinianismo, do palamismo, do zwinglianismo, etc E afastando-se do Eixo da Encarnação, perdeu sua consciência, tornando-se descarnado e confluindo para o judaísmo e o islamismo, facilitando inclusive a dispersão ou a conversão...

Hoje acima de tudo acha-se o padrão de civilização Ocidental cindido entre opostos, em luta e portanto em crise. O que se sucede desde que o protestantismo e seu 'filho' adotivo, o capitalismo, assumiram a direção de nossas sociedades. No protestantismo ortodoxo ou luterano temos uma fé ou religiosidade desvinculada do mundo material e totalmente idealista. No Capitalismo uma praxis naturalista, materialista, anti ética e anti Católica. No americanismo uma síntese monstruosa entre a religiosidade descarnada ou maniqueísta e a praxis capitalista, em oposição a valores humanistas e autenticamente Cristãos ainda presentes nas antigas sociedades europeias, assim como o sentido comunitário, o ideal de bem comum e uma doutrina social normativa.

Entre os vestígios da civilização Católica ainda presentes numa Europa colapsada e os ideais da pseudo civilização Norte americana ou americanista de origem protestante ou calvinista pautada no que chamam 'bíblia' ou antigo testamento, com sua moralidade individualista, grosseira e vulgar, vai um abismo imenso. E este conflito se torna ainda mais agudo nas sociedades latino americanas, onde entram ainda outros conteúdos culturais,  que o americanismo não pode aceitar ou compreender. Pois devemos ter em conta que para os puritanos recém chegados da Inglaterra, faziam os naturais deste continente as vezes de perversos cananeus votados ao extermínio.

Se os portugueses e sobretudo os espanhóis trazem a este continente recém descoberto um ideal de Cruzadas ocidentais, desconstruído pelo clero em Valadollid 1551, os puritanos do Mayflower, em 1648, trazem para este continente um ideal sectarista construído face as permanências do Catolicismo europeu, num clima de fanatismo e ódio contra Bispos, cruzes, torres e sinos... Tal e qual os Padres do século quarto tomaram por meta ou modelo social o Evangelho ou a lei de Jesus Cristo e os teólogos medievais do Ocidente a 'Cidade de Deus' de Agostinho - e já se percebe a queda do ideal... os calvinistas tomaram a peito criar uma Sociedade bíblica nos moldes da torá ou do antigo Israel... Daí a necessidade imperativa de satanizar e de aniquilar a cultural anterior ou nativa, segundo os ensaios que já haviam feito nos cantões Católicos da Europa...

Privada de conteúdo Cristão tradicional ou Católico ou de conteúdo nativo, implementaram os puritanos no Norte um ideal de Civilização protestantes que buscam, desde então vender ao mundo como legitimamente Cristão e impor as demais partes da América, conforme a doutrina do destino manifesto. Não apenas a América latina mas agora ao mundo como um todo como forma de legitimar o sistema Capitalista do qual tornou-se colaborador ativo ou servidor, pelo simples fato de que o protestantismo ortodoxo faz muito pouco caso das obras ou da ortopraxia. Mesmo os Catolicismos, posteriormente instalados neste 'solo virgem', tem se deteriorado muito facilmente e perdido sua consciência nesta atmosfera culturalmente tóxica, e tendem inclusive a exportar este Catolicismo negociável, flexível, morno, acomodado... face as necessidades do Mercado ao mundo inteiro, como se fosse produzido por encomenda.

Por isso não temos mais uma civilização Ocidental, unida e coesa, como no século XIII, mas uma sociedade cindida em torno de valores extremistas, como um espiritualismo descarnado e um materialismo insensível e cruel, os quais não se excluem, necessariamente. Em torno de permanências representadas por valores autenticamente Católicos, mesmo quando secularizados, como o socialismo, o ecologismo, etc E em torno de rupturas dramáticas como como a centralização política, os nacionalismos, o odinismo, o capitalismo, etc Vivemos um tempo de desencontro e contradição. A "Era da incoerência."

O que nos torna vulneráveis face a um islã relativamente coeso em torno do velho espírito fetichista e do padrão idealista ou descarnado de pensamento. O islã pode não ter atingido a equilibração civilizacional em termos de cultura, pelo simples fato de afirmar um deus absolutamente transcendente e apartado do universo material, mas fornece a seus adeptos, em termos de cultural, um padrão coeso ou não fragmentado. O ocidente deixou passar diversas oportunidades de equilibração e estabilidade social, até, por meio do protestantismo, do capitalismo e sucessivas culturas de morte, chegar a beira do abismo. Parte de nós zomba da fé ou da divina Revelação e da vida Ética que dela decorrer, embora nossas instituições todas e nossa cultura tenham sido postas sobre tais fundamentos desde tempos imemoriais e ante cristãos, uma vez que os Catolicismos dão continuidade a tudo quanto havia de nobre e excelente no paganismo antigo, fazendo com que remontemos a Platão, Sócrates e Aristóteles.

Ao repudiar preconcebidamente o Catolicismo estamos repudiando os fundamentos mais remotos da nossa identidade e para compreender o que estamos a fazer caberia ler - Coulanges, Dawson e Butterfield... Sociedade alguma subsiste fundamentada no ar, no vácuo ou no espaço. Uma sociedade completamente desarraigada de sua cultura ancestral não se mantém e por isto dizemos que os Catolicismos muito preservaram da cultura pagã ancestral quando o mundo antigo, por vício estrutural, ruiu fragosamente e veio abaixo. Foi um naufrágio e não fosse a presença do Cristianismo Católico experimentaríamos uma regressão tal como jamais fora vista em toda História, podendo quiçá, impugnar as constatações de V G Childe.

Quero dizer ainda que o neo paganismo, o materialismo, o ateísmo e mesmo o ceticismo ou a incredulidade, tal e qual nos tempos antigos nada produziram de relevante em termos de cultura refinada e já se disse que tais ideologias tem se mostrado estéreis nos domínios da Estética, o qual costumam depreciar. E quando se sabe o que esta tal arte moderna, psicologista... temos mais uma esfinge decifrada. Já quanto a ética bem poderíamos dizer que as mesmas causas produzem os mesmos efeitos, não por coincidência. O ateísmo e o materialismo refletidos jamais fogem ao utilitarismo, ao relativismo e ao subjetivismo... e são co relações epistemológicas necessárias. Por esta via jamais se chega a uma noção de Lei natural e assim ao essencialismo Ético em torno a alguns valores universalmente estáveis como o Bem, a Verdade e a Beleza - Digo algo a respeito deles... Para o cientificista ou positivista de nossos tempos Estética e Ética são palavras desprovidas de significados ou vazias, 'flatu vocis' enfim... Isto quando a própria razão e mesmo a própria experiencialidade não nos desamparam e encaminha ao nihilismo.

Nem fé, nem razão e nem mesmo a experiência.Nada fica restando de estável... Como construir ou manter uma civilização neste terreno? Tudo isto é resultado da dissolução, não algo positivo ou construtivo. Civilizações se constroem com afirmações fortes e ousadas em termos de princípios e valores. O protestantismo e suas sucessivas e múltiplas 'evoluções' privou-nos de tudo isto. Tornando-se o indivíduo centro da fé, e em seguida da razão e da experiencialidade, até que vieram a todas a morrer, pelas mãos do individualismo, imoladas!!!

Até aqui o conflito... Vivemos uma época de intenso conflito!

Devo dizer por fim, com Toynbee que a identificação de uma dada Sociedade com essa síntese harmoniosa e rara chamada realismo, não ocorre de qualquer maneira mais através da mimesis. Pois se faz necessário que após ter sido elaborada por uma elite intelectual, pensante ou dirigente, a solução de equilíbrio seja assumida por cada um de seus setores, inclusive pelos mais baixos ou pelas massas correspondendo a um eixo coordenador, capaz de integral todos os cidadãos, qual fossem um só corpo animado por uma só alma. Claro que essa assimilação de valores ou de cultura pressupõem antes de tudo uma organização educacional eficiente. A assimilação da cultura depende sempre da transmissão... Assim sendo uma Sociedade que aspire estabilizar-se deverá disseminar ou fixar determinados princípios e valores comuns por meio da educação, atingido verticalmente cada um de seus estamentos ou mesmo de seus membros.

Caso tais valores empolguem e inspirem os membros mais ativos e  produtivos de cada esfera, este vínculo produzirá a estabilidade e promoverá a civilização, desde que tais valores, como já dissemos, representem um são realismo em torno de necessidades espirituais e materiais ou de demandas psíquicas e biológicas de modo a contemplar o homem por inteiro. Caro que esses momentos de mimesis em torno de uma construção teóricas equilibrada ou realista serão raros e breves na História da pobre humanidade e não uma constante, pelo que conheceremos certamente mais e maiores períodos de crise. Ora também o ser humano em fase de crescimento ou o adolescente conhece períodos de crise e ambivalência... Por isso não nos devemos amedrontar, caso isto aconteça também com as diversas culturas ou com a humanidade de modo geral, apenas, como disse Guicciardini, deplorar o fato de vivermos nós em tais épocas - Como durante a eclosão da reforma protestante, a queda de Constantinopla, a expansão do islã, a queda do Império romano, os cem anos posteriores a morte de Alexandre, a Atenas conquistada pelos espartanos...

Talvez, como Platão, vossa genialidade seja estimulada pelas condições adversas... Assim enquanto prevalece a crise, procedais como os entomólogos buscando compreender e identificar cada faceta do processo histórico ou do ritmo conhecido pelas sociedades. A cada um dos que tiveram a paciência necessária para ler este artigo faço votos de boa sorte! Que possais, vós e vossos filhos, ver dias melhores!



domingo, 10 de setembro de 2017

Por que os professores se tornam socialistas ou comunistas - Uma leitura de Max Nordau


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Após ter, apenas de passagem, aludido a minha fé Socialista numa determinada redê social de que faço parte, um de meus amigos enviou-me a seguinte mensagem:

Percebo que a maioria dos professores são comunistas - socialistas, por que?
Existiram e existem vários lugares em que não deram certo.
Na prática aqui no Brasil daria certo?
Não é uma ideologia ultrapassada?
A ideia de Marx daria certo no nosso contexto hoje?

Por tratar-se de um jovem sincero e de boa vontade, animado pelas melhores intenções e não de um 'conspirador burguês e malvado' segundo o clichê de alguns radicais, vou tentar responder as questões levantadas segundo minhas possibilidades.

Como se tratam de cinco questões, vamos por partes, analisando uma de cada vez.

Percebo que a maioria dos professores são comunistas - socialistas, por que?

De modo geral não sei se a maioria dos professores são socialistas e menos ainda comunistas.

Eu suponho, diante da distinção que faz - socialistas/comunistas - que esteja a par da diferença existente entre os socialistas ou sociais democratas (grupo com que me identifico) e os comunistas, bolchevistas, marxistas ortodoxos, etc

Seja como for vou reforçar. A distinção é muito bem marcada por Kautsky discípulo de Engels nas Tres fontes do marxismo em suas derradeiras páginas; retomada e muito bem exposta pelo argentino Lisandro de La Torre no seu "A questão social e os cristãos sociais". Lisandro na esteira do velho Kautsky declarava que embora os objetivos do Socialismo e do Comunismo sejam próximos ou mesmo idênticos, eliminar a injustiça e estabelecer uma condição de igualdade social, estão em desacordo quando aos métodos uma vez que o socialista, via de regra, aceita a via institucional da democracia e das sucessivas reformas enquanto o comunista, via de regra, opta pela solução da força ou da sedição.

Sem embargo disto há outras disparidades não menos importantes; o aparato conceitual do Comunismo é um. Os socialismos possuem diversos aparatos conceituais, mas, em geral não dogmatizam ou insistem doentiamente sobre o ateísmo e o materialismo, havendo inclusive grupos de Católicos que sempre se apresentaram como socialistas ou sociais.

O comunismo é monolítico. São chamados 'revisionistas', 'traidores' ou renegados os que flertaram com alguma forma de social democracia; assim Plekhakov, Kautsky, Bernstein, Rosa, Bukharin, Lucaks, Althusser, etc Os quais são para o PC o que os heréticos são para a Igreja Católica. Socialismos há quanto cabeças, o Católico, o marxista heterodoxo, o anarquista, o humanista, o babovista, o georgista, o keynesiano, o distributivo, etc

Todo o que pretenda controlar externamente o Mercado, no mínimo grau, interferindo em sua dinâmica externa, pode ser definido, partindo do conceito liberal, como socialista.

Quanto a sua pergunta não tenho certeza de que a maioria dos professores atuais seja socialista.

Talvez tivessem constituído a maioria - provavelmente constituiram - entre os anos 60 e 80.

Hoje sua prevalência da-se apenas no campo das ciências humanas e o mínimo que podemos dizer é que de modo geral os professores de humanidades - História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Psicologia, dentre outros - adotam uma postura crítica face ao sistema capitalista, que suspeitam dele, que repudiam-no e que uma parte considerável do professorado adere a algum tipo de solução socialista, havendo até certo número de comunistas.

Seja como for a identificação do professor de humanas ou mesmo de História com o militante comunista não prevalece.

Quanto ao professorado de modo geral, englobando os professores de ciências exatas e naturais, posso dizer que há um bom número de neutros e não posicionados a respeito dos problemas sociais, e um resíduo de liberais e conservadores cada vez mais atuante.

Por que a maior parte dos professores de humanidades são socialistas?

Tal sua pergunta.

Num primeiro momento direi que os professores de humanidades tendem a refletir bastante sobre o homem e a sociedade levando em conta a diversidade história no decorrer do processo histórico. Quero dizer que costumam ter uma visão de conjunto, bem mais ampla que a do leigo, e que amiúde levam em consta as variantes.

O que os leva a questionar a realidade dada ou predominante.

A maioria de nós é levada a crer a a pensar que o mundo sempre foi tal e qual o encontramos ou que as sociedades não mudam.

O Historiador no entanto pode traçar uma lista cronológica em que conste o ano em que surgiram o computador, o avião, o automóvel e tudo quando o homem de hoje julga ser indispensável a vida.

Ele sabe até mesmo que diversos modelos de organização social, assim de matrimônio, vigoraram em determinadas épocas e locais.

O que o leva a adotar uma postura tanto mais crítica e questionadora a respeito do atual modelo de organização social.

Geralmente imaginamos que as coisas são assim porque são e que não poderiam ser de outro jeito.

O Historiador, o Sociólogo, o Geógrafo, vão noutra direção e costumam a indagar se as coisas não poderiam ser diferentes e por que são diferentes.

Tendem portanto a não se contentar com o que é, tendem ao progressismo ou a mudança. O que já os aproxima do Socialismo.

Agora por que aderem a soluções socialistas?

Primeiramente porque mesmo no tempo presente - embora cada vez menos - o socialismo subjaz na cultura e especialmente no terreno da ética.

Basta dizer que nossas Sociedade até bem pouco tempo foi agrária e tradicional. O índice de coesão social e solidariedade mesmo sendo inconsciente, é bastante marcante em tais sociedades.

Temos, em nossa maior parte, ancestralidade indígena. Os índios certamente não possuem uma ideologia ou teoria socialista - como não há possuíam os antigos orientais, inclusive os judeus - na prática todavia seu modo de viver esta mais perto do modelo socialista pelo simples fato de que os índices de coesão social e de solidariedade são marcantes em tal sociedade. O que vale para todas as comunidades primitivas cf A grande transformação de Karl Polayni 

Oriundo de uma Sociedade agrária e tradicional também o Catolicismo trás este legado socialista em seu bojo. Haja visto que nossa oração padrão é o Pai Nosso não Pai meu e que nossa liturgia também possui certo índice de consciência social. A adoração Católica é regulada ou comum.

O que quero dizer é que o socialismo esta no ar ou na cultura e que suas raízes no Ocidente remontam a Sócrates, Platão e Aristóteles de modo que o simples estudo das doutrinas sociais destes pensadores nos põem em contato com ele.

Os próprios romanos apesar de sua boçalidade insistiram demasiadamente a respeito do que chamamos justiça e criaram todo um aparelho legal destinado, ao menos em parte, a promove-la.

Para onde olhamos damos com um socialismo difuso presente em diversas fontes. Não precisamos sequer olhar para Marx ou recorrer a ele.

Aqui estão Platão, Jesus e Treboniano em coro dizendo que algo esta errado em nossa Sociedade... E insistindo aqui e acolá numa princípio ideal chamado justiça.

Segundo o qual deve ser dado a cada um o que lhe pertence.

O próprio Marx, que folgava ser ateu, principia suas críticas no capital, tomando um verso do antigo testamento - não dos esqueçamos de que um dos Isaías insiste bastante a respeito da justiça em sua dimensão social - "Ganharás o pão com o suor do teu rosto." o que o leva questionar sobre o porque daquele que sua não ter pão ou morrer de fome enquanto aquele que não sua banquetear-se fartamente... Estará isto de acordo com a tal ordem divina???

Se colocarmos a pergunta nestes termos: Estará isto de acordo com a ordem natural? ou ainda Estará isto de acordo com a Ética? Não mudamos muita coisa...

De modo que tal pergunta ocorre muito facilmente aos estudiosos no campo das ciências humanas.

Há no entanto um outro fator decisivo que empurra os professores de humanidades a uma solução socialista.

Em geral os professores são pessoas muito inteligentes, as quais por algum motivo - quase sempre de ordem econômica - não puderam tornar-se bacharéis no ramo em que licenciaram-se ou seja advogados, beletristas, psicólogos, sociólogos, historiadores, etc Tornamos mais uma vez a questão das elites que são circulam ou dos homens capazes que não ascendem socialmente.

O máximo que tais pessoas conseguem é se tornar professores ou funcionários públicos, quiçá inserindo-se na ordem mais baixa da classe média.

Um professor, especialmente se funcionário público não ascenderá aos píncaros da classe média e menos ainda comporá com as elites dirigentes.

Em geral as pessoas mal informadas, medíocres, sofridas, faltas de inteligência, alienadas, etc conformam-se com o que tem. Pelo simples fato de que suas necessidades pessoais são básicas ou porque ignoram quais as condições de vida das elites. cf Max Nordau 'Mentiras convencionais de nossa civilização'
O funcionário público, em geral o professor, não só é melhor informado sobre o regime de vida das elites, como ciente de seus méritos e possibilidades. Tornando-se consciente de que não ascende ou de que não vai mais longe porque é barrado e barrado justamente por um sistema que alega hipocritamente franquear-lhe todas as possibilidades. Mas ele sabe que esta fadado a ser professorzinho de aldeia, jamais medico da corte ou advogado de renome...

Como qualquer pessoa este professor ou funcionário público tem sua família e despesas. Foge a penúria, satisfaz suas necessidades básicas definidas como alimentação, roupa, educação dos filhos, etc num termo médio de insumos. Mas certamente não lhe resta nada ou quase nada. Para viver ou manter-se gasta tudo quanto ganha, quando, por ocasião de uma crise não se endivida e passa por apuros.

E no entanto este tipo de homem, intelectualizado, não vê porque deva passar por apuros e vexames ocasionais sendo bem mais sensível a eles do que qualquer outro homem. Inimaginável a posição de um pequeno funcionário público, professor de aldeia ou intelectual de periferia, que esteja prestes a perder sua única casa... Há quem aceite o fato e vá para o cortiço ou para debaixo da ponte debulhado em lágrimas. Quanto a este homem, simples ameaça ou perigo remoto de passar por semelhante situação é capaz de leva-lo ao paroxismo, a instabilidade ou insegurança econômica inerente ao sistema capitalista incomoda-o instintivamente.

E no entanto este professor de aldeia ou pequeno funcionário público aspira ler Ovídeo ou Italo Calvino (cultura tem custo), ir ao Teatro, frequentar assiduamente o cinema, bebericar um Benedictine ou Hanessy, adquirir lá uma tela ou antiguidade, etc Tem necessidades estéticas ou culturais que não são experimentadas por outras categorias da sociedade. Aspira, inda que moderadamente, ter acesso aos mesmos prazeres que a elite econômica cuja mediocridade costuma perceber. Destarte saber que eles podem provar patê de figado de ganso ou assistir a Antígona, enquanto ele não pode, exaspera-o. cf Nordau.
O Intelectual ou homem capacitado que não atinge seu fim por saber-se limitado arbitrariamente já pelas oportunidades iniciais impostas arbitrariamente pelo sistema, torna-se frustrado, revoltado, exasperado... E naturalmente abraçará a uma proposta qualquer que acene com o velho ideal da justiça: A cada um o que lhe pertence.

Aspirará no mínimo por chances ou oportunidades iguais para as crianças e jovens (seus filhos e netos) ou por uma igualdade absolutamente necessária no começo da corrida.

Os professores via de regra são intelectuais e enquanto tais mais sensíveis a qualquer grau de injustiça, miséria, privação ou necessidade, e este aspecto psicológico tenderá, em caso de que a circulação das elites seja estancada - o que o capitalismo não cessa de fazer - a lançar todos estes homens e mulheres descontentes nos braços do Socialismo. Quanto aos princípios e valores já estão embutidos e dispersos por toda cultura latina e brasílica.




domingo, 3 de setembro de 2017

O problema da neutralidade em ciências humanas

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Um dos temas mais polêmicos no que diz respeito a produção de um conhecimento científico é o da assim chamada 'neutralidade' ou isenção, a qual epistemologicamente chamamos objetividade.

A contrário do que se pensa o tema diz respeito tanto as ciência humanas quanto as ciências exatas, embora pareça mais sensível no campo das primeiras.

Para abordar o problema com propriedade devemos começar estabelecendo uma distinção absolutamente necessária: A neutralidade da produção do saber e a neutralidade em sua divulgação ou uso. E é evidente que ambas as instâncias: obtenção e uso do saber científico pertencem a esfera da ciência. Os positivistas no entanto criaram um espantalho bastante eficaz. Segundo dizem apenas a ciência pura é objetiva, já a ciência aplicada pertenceria a uma Ética, que eles por sinal repudiam.

A bem da verdade, como diz o professor Crane Briton, não se pretende ou pretendia mudar o átomo. A princípio a assertativa até parece veraz. Tenho-a no entanto por inexata, e pelo simples fato de que mal devassaram o átomo os cientistas pretenderam parti-lo com o objetivo de produzir uma determinada força. Diga-se o mesmo a respeito da célula ou dos genes, cuja manipulação tem determinados objetivos externos. Serão estes objetivos relacionados com a partição do átomo ou com a manipulação dos genes, e postos numa determinada direção, neutros, objetivos, isentos ou puramente objetivos? O que se deseja produzir a partir de tais experimentos? E sobretudo para que produzir tais fenômenos? Os cientistas certamente não estão preocupados com os fins últimos da ciência que produzem... Tudo isto no entanto é vendido como ciência. E o cientista vai acompanhando todo processo... Tenho para comigo, com Max Lerner, que nem tudo isto seja neutro...

No entanto nos é vendida a ideia de que a física e a química são ciências absolutamente neutras ou objetivas. Havendo no campo do positivismo quem as encare como equivalendo aos dois únicos campos da ciência, e, portanto - segundo os cânones do mesmo positivismo 'ortodoxo' - como as duas únicas formas de conhecimento válido e verdadeiro a que temos acesso. Segundo estes senhores nada poderemos saber fora do campo físico/químico, no qual vigoraria um tipo de empirismo puro e não contaminado pela razão ou pelo subjetivismo.

Seduzidos pela lábia dos positivistas toda uma série de biólogos e até mesmo de psicólogos e sociólogos adotaram sem mais i é passivamente, os métodos próprios das ciências exatas, buscando assegurar o mesmo grau de objetividade ou de neutralidade. Quanto a Biologia, foi até certo ponto acolhida e tolerada pelos sucessores de Comte, chegando a compôr trio com a Física e a Química, em que pese a jamais observável Evolução das espécies, classificada por K Popper como falaciosa, pelo simples fato de enquanto teoria não poder ser imediatamente constatada dependendo de todo um aparelho conceitual preexistente, o que implica contaminação racional ou subjetiva. Alias evolucionismo implica toda uma cadeia de causalidades, o que cheira a metafísica... Tal Pirro, tal Hume, tal Popper. De fato teoria alguma pode ser reduzida a um empirismo grosseiro supondo sempre e necessariamente algo mais... O quanto basta para exasperar o partido dos céticos.

Cumpre advertir o leitor de que alguns positivistas fanáticos e irredutíveis continuam repudiando o caráter cientifico da própria Biologia, pasme! Um deles alias, e bem recentemente, tendo entrado em polêmica como o famoso Biólogo Richard Dawkins - Devido, as ilações ateísticas e portanto metafísicas que costuma vender como ciência - questionou formalmente seu status de cientista alegando que não era nem físico nem químico.

Evidentemente que esses senhores, completamente dominados pela ilusão positivista construída em torno de um empirismo puro, levam adiante a antiga opinião, até certo ponto emitida por Francis Bacon, de que a ciência lida apenas com fatos imediatamente constatáveis - eles abdicam de quaisquer pretensões em termos de teoria - ou de que a ciência lida apenas com fatos, os quais, na mesma medida em que são descobertos, vão se encaixando por si sós em seu devido lugar... Sabemos no entanto que os fatos não podem se encaixar por si mesmos num plano geral a menos que este plano geral preexista na mente enquanto algo que transcende os fatos... O que nos conduz de chofre a ideia de todo um aparelho conceitual preexistente ou a teoria. Fatos são dados, e dados são organizados, classificados e relacionados pela capacidade racional do homem, numa direção bastante rigorosa a que chamamos lógica. Os positivistas sabem muito melhor do que nós que nem a racionalidade, nem a lógica pertencem a mesma categoria que a experiencialidade. A lógica diz respeito a operações mentais de caráter interno com relação ao homem, são realizadas no corpo físico e pelo corpo físico, fugindo no entanto a materialidade pura e supondo a existências doutra realidade existente na matéria e com a matéria. Não entrarei no mérito desta questão, mas sei que para os positivistas tudo isto implica contaminação subjetiva.

Até aqui restrinjo-me a Biologia, cujo fundamento pétreo é a teoria da Evolução... Algo que não é imediatamente constatável a partir da experiência, e que foge ao empirismo puro canonizado pelos apóstolos do positivismo e do cientificismo. Ah só uma observação: Os criacionistas e fanáticos religiosos agradecem e aplaudem os positivistas na medida em que - com o charlatão Popper - buscam apresenta-la como uma formulação puramente subjetiva ou como mero preconceito, declarando insolúvel a questão sobre a origem da vida. Claro que essa petição de incognoscibilidade tende a favorecer os mitos tomados ao Gênesis, ao Corão e a outros livros religiosos, na medida em que nos tornamos capazes de opor-lhe qualquer outra coisa em termos de concretude. Afinal os espaços que acabam não sendo preenchidos por algum tipo de conhecimento válido e verdadeiro ou científico, acabam sempre sendo invadidos pela superstição. Sintomático que os ulemas e pastores fundamentalistas estejam bastante familiarizados com as epistemologias contemporâneas, sejam elas positivistas, céticas, relativistas, subjetivistas, etc Eu mesmo já tive o prazer de escutar o falastrão do Silas Malafaia recitando K Popper em seu programa de TV!!!

Constato que a epistemologia da ciência, fugindo a solução realista - seja a de Aristóteles, a de Lênin ou qualquer outra - voltou-se contra o próprio conhecimento científico, já no que diz respeito a Biologia. Imaginem então qual seja a condição das ciências ou dos conhecimentos humanos dentro destes esquemas pretensamente neutros ou objetivos???

Do ponto de vista do empirismo puro, que é o carro chefe do positivismo, não há como fugir a constatação de que as ciências humanas não são ciências, e portanto, ainda na perspectiva do positivismo, de que não são conhecimentos válidos e verdadeiros a respeito dos quais podemos ter alguma certeza.

Neste caso que são as ciências humanas?

Tal e qual a Ética ou da metafísica (Porque a Ética é se sempre será domínio da metafísica, fugindo ao monstro da experiencialidade pura - A EXPERIENCIALIDADE NÃO PODE DETERMINAR O QUE DEVE SER APENAS O QUE É.) a respeito da qual os positivistas não fazem caso algum, o que cognominamos 'ciências humanas' não passa de formulação puramente subjetivista, relativa e cultural. Nem mais nem menos...

Naturalmente que nem todos os cientistas concordam com os pontífices do cientificismo ou aceitam as pretensões dos teóricos positivistas. Em maior ou menor medida no entanto refletiu-se a crítica positivista no campo das próprias ciências humanas produzindo uma enorme sensação de insegurança, dúvidas, questionamentos, etc Tudo em torno da busca pela puridade científica definida como objetividade pura e consequentemente neutralidade, isenção; até a apologia do descritivismo levada ao absoluto.

A tônica aqui foi copiar os métodos materiais e empíricos das tais ciências exatas e transferi-lo para o campo das humanidades. Desde então foi proclamada apriorística e pomposamente a materialidade absoluta do homem, o que em termos de Psicologia por exemplo deu origem a curiosa vertente dos behaviorista. Se o átomo e puramente material e a célula puramente material por que cargas dágua o homem fugiria a esta regra geral? Percebam o caráter metafísico ou especulativo do questionamento. De fato alma ou espírito algum - em termos de entidade imaterial - foi encontrado no homem, ao menos pelos Biólogos... Sob pena de heresia, i é de chocar-se com a mística cientificista, tiveram as ciências do homem de professar o novo dogma do materialismo. No entanto entre a noção de limitar o campo de investigação das ciências empíricas a materialidade e professar o que sabemos por materialismo vai larga diferença... Ficando expostas, mais uma vez, as guarras metafísicas do positivismo e seu mórbido estado de contradição.

Tal observação nos leva a um segundo aparte. O que os neo positivistas e cientificistas encaram como um progresso - i é, a afirmação tácita do materialismo no sentido de que todas as formas de existência sejam puramente materiais e que tudo quando exista posse ser percebido por nossos sentidos - era encarado por seus ancestrais ou pioneiros como pura e simples ilação metafisica. Assim o ateísmo, o teísmo, o espiritualismo e o materialismo; aos quais opunham a doutrina do silêncio, alegando que o sábia devia recusar-se a opinar a respeito de tudo quanto estivesse para além da experiencialidade pura ou do empirismo. Tal o domínio do mistério, por definição impenetrável. Os ateus e materialistas no entanto - os quais costumam apresentar-se como honestíssimos - costumam tudo embaralhar e confundir... Sem levar em conta os pressupostos ideológicos embutidos na opção cético/agnóstica e tomando o agnosticismo por brincadeira. No entanto para positivistas sinceros e agnósticos iniciados no domínio da epistemologia uns e outros ultrapassam a demarcação existente entre o conhecimento válido e verdadeiro e a metafísica...

Seja como for lá as ciências humanas deram de afetar não apenas os métodos próprios das ciências exatas como assumir o pressuposto materialista canonizado pelo positivismo contemporâneo. De fato as ciências físicas ou exatas são materiais e empírica no sentido clássico de reprodução controlada dos fenômenos analisados. Agora quanto as ciências humanas, seu campo de estudos é o homem com todas as variáveis resultantes de seu caráter enquanto ser auto movente, auto consciente ou livre. É o homem ser dotado de vontade e também de força para, dentro de certos limites, alterar a si mesmo e o o entorno de si. O que não pode ser desconsiderado sem grave dano para as ciências do homem. Reproduzir o pressuposto materialista e inseri-lo no domínio das ciência humanas, isto sim implica mutilar o homem e distorcer a realidade. Se há algum elemento nas ciência humanas que contamina a dinâmica do conhecimento tornando-a permeável a ação da subjetividade, é justamente a afirmação apriorística do materialismo. Jamais o positivismo ou a ciência levou a sério a simples possibilidade de averiguar seriamente a existência, no homem - e por meio dos efeitos ou consequências - de algo que fuja a materialidade pura e simples. De modo que a ideia ou ideologia foi imposta antes de qualquer inquérito isento ou imparcial.

O materialismo, digamos honestamento, foi transplantado das ciências exatas, físicas ou materiais para os domínios das ciências humanas por exigência dos teóricos positivistas e sob pena das ciências humanas não serem reconhecidas por eles como objetivas e consequentemente como um tipo de conhecimento válido ou verdadeiro. Não nos limitamos a copiar os métodos de todo inadequados das ciências físicas, assumimos seus pressupostos aprioristicamente como se o homem equivalesse a um átomo ou a uma célula, nem mais nem menos. A mente foi ignorada e a própria Psicologia não behaviorista classificada preconceituosamente como anti científica! Para não falarmos na Psicanalise, levada ao mesmo por K Popper ao mesmo pelourinho que a Evolução das espécies e pelos mesmos motivos. Felizmente Engels - pelos idos de 1860 na controvérsia contra o radical E Dietgen - reconheceu que as alegações materialistas ainda não estavam empiricamente demonstradas (queria dizer cientificamente), prenunciado no entanto que tal demonstração não tardaria a ser feita. Mais de meio século depois foi a mesma profissão de fé, realizada pelo líder comunista e epistemólogo W Lênin, o qual também teve de reconhecer que a demonstração científica do materialismo ainda não havia sido elaborada. Isto do lado comunista, cujo amor e dedicação ao dogma materialista são bastante conhecidos. Agora vejamos do outro lado - Popper e Eccles em um livro sobre o cérebro escrito pelos idos de 1970 reproduziram quase que textualmente as palavras de Engels e Lênin admitindo que os fenômenos de consciência não podiam ser, em sua totalidade, reduzidos a massa encefálica em termos de empiria. Penfield pela mesma época e após ter estudado o cérebro humano por quase meio século também teve de admitir que em termos de capacidade cognitiva e consciência, algo fugia a materialidade pura e simples e que em nome da experiencialidade não se podia afirmar que nossa massa encefálica fosse a única produtora de todos estes fenômenos em termos de causalidade pura e simples.

Portanto o processo da Psicologia e a Psicanálise é que não nos parece estabelecido sobre bases científicas ou isentas como querem os positivistas, mas sobre bases preconcebidas e viciadas. Suas constatações e conclusões, auferidas por métodos bastante distintos das ciências exatas, jamais foram levadas a sério, justamente por se lhe exigir - preconcebidamente - que adotasse os mesmíssimos métodos que ela e averiguasse os fenômenos mentais ou de consciência por meio de provetas, tubos de ensaio, réguas, balanças, etc Freud e seus sucessores foram classificados como heréticos justamente por não admitirem tais interferências metodológicas, e isto pelo simples fato de partirem de indivíduos totalmente alheios a especificidade dos fenômenos em questão. Os quais como papas infalíveis e sem conhecimento a respeito da matéria buscavam impor arrogantemente seus pontos de vista empírico/materialistas ou positivistas. Tal o caráter da 'odiosa Revolução' iniciada por Freud.

Não menos do que a Escola behaviorista de Psicologia - que representa uma Psicologia rasa, digamos de passagem - algumas Escolas Sociológicas, embrenharam-se pelo mesmo caminho das ciências exatas ou empíricas. Marx por sinal já havia incorporado a metafísica ou ideologia materialista a sua escola social. Durkheim evidentemente foi pelo mesmo caminho, se bem que o profundo Gabriel Tarde, identificasse já algo de metafísico ou abstrato em suas categorias e formulações, o que não haveremos de discutir neste artigo. Seja como for um dos primeiros teóricos a considerar o aspecto psicológico e livre do homem no terreno da Sociologia parece ter sido M Weber, pensador social cujos escritos reportam frequentemente a intencionalidade do agente humano. É mérito seu ter inserido o homem no contexto social ou sociológico, o qual com ele deixa de ser uma partícula determinada pelo ambiente para ao menos interagir com ele pondo algo de seu. E nem podemos deixar de encarar esta tese, que faz jus a liberdade humana, como a mais objetiva, isenta e próxima da realidade no âmbito da Sociologia.

Quanto a História e o Direito naturalmente que o positivismo não pode encarar tais áreas do conhecimento sequer como ciências humanas mas como técnicas. Reconstituir a História ou analisar as relações sociais em termos legais, é para o positivismo algo eminentemente prático. Mas desde quando a experiencialidade de todas as demais ciências foge a praticidade??? Desde quando aos diversos procedimentos ou metodologias encetados pelas diversas áreas do conhecimento falta este aspecto prático??? A única diferença a ser considerada aqui é que a técnica relativa a produção do saber no âmbito das ciências exatas equivale a determinados meios de controle realizado num local específico chamado laboratório. Tendo por regra a reprodução e controle dos fenômenos em questão. Já o trabalho do Historiador se dá fora de um laboratório - podendo ser realizado em sua residência, num arquivo, numa Biblioteca, etc - ou como dizemos na vida vivida, embora não exclua a contribuição de ciências auxiliares bastante 'laboratoriais'. Assim a arqueologia tem métodos de investigação tão precisos quanto a medicina com seu olhar clínico... É a medicina uma ciência ou uma forma de conhecimento válido ou verdadeiro??? Há positivistas 'sunitas' que ousem nega-lo??? Neste caso apontemos as sucessivas curas obtidas pela medicina e levemos em questão os resultados...

A bem da verdade o praticante de ciências exatas, físico, químicas ou mesmo biológicas, treinado na escola do positivismo, desconfia de qualquer controle realizado fora de um laboratório ou de qualquer método que não seja a reprodução controlada. Acontece que o Historiador não pode reproduzir eventos humanos ou sociais realizados no passado. Sua tarefa não é reproduzir mas reconstituir e compreender, relacionando cada evento com sua causa ou causas imediatas. (Não se trata aqui de causas gerais, as quais são buscadas pela Sociologia, não pela História)

E no entanto, como já dissemos o Historiador academicamente graduado, tem lá seu método, bastante rigoroso e tão adequado aos fins quanto o método do médico ou do detetive. Havendo dentre eles quem faça trabalhos bastante sérios como um L Ranke, um Doellinger, um Jhansens, um Lamprecht, um Breasted, um V G Childe, um P Montet, um Parrot, um Soustelle, um Ganchoff, um Pirene, um Huizinga, um L Febvré, um M Bloch, um Toynbee, um Spengler, um G Duby, um Le Goff, um Christopher Hill, um Keith Thomas, um Delumeau, etc, etc, etc

O problema aqui é tomar a definição de ciência como sinônimo de único tipo de conhecimento válido e verdadeiro - crença subjacente nos domínios do neo positivismo - e lançar em bloco, ao fogo, as obras dos autores acima, juntamente com as obras de arrivistas, charlatães e pseudo historiadores sem formação a exemplo de Daniken, Sichtin, Churchward, etc Claro que a falta de Historiadores reconhecidamente responsáveis e competentes o grande público sentir-se-a tentado a abraçar explicações mitológicas... Até passar dos braços do Daniken as mãos do Malafaia. Tomando a Bíblia e o Corão não só como manuais de Biologia, mas também de História - Vindo o ceticismo dos positivistas a alimentar a superstição e o fanatismo das massas.

A outra face do problema, transferida das ciências exatas para as ciências humanas, gira em torno do caráter meramente descritivo ou normativo da ciência ou das ciências. Via de regra o físico ou o químico não exaram juízos de valor a respeito dos fatos que descobrem. E por si mesmos dificilmente lhes ocorreria a ideia de alterar o ponto de ebulição da água, o qual nem mesmo avaliam em termos de bem e mal.

Já os problemas suscitados pelas ciências humanas, da mesma maneira que os problemas enfrentados pela medicina - isto as doenças - dificilmente deixam de suscitar semelhante tipo de avaliação i é Ética ou em termos de bem e mal. Em geral os assuntos ou fenômenos humanos relativos a ação livre do homem despertam no analista o vivo desejo de opinar, não talvez enquanto analista ou cientista, mas certamente como homem. A própria condição humana leva-nos a avaliar em termos qualitativos o quanto seja humano e esta tendência parece natural e insuperável. O positivismo no entanto compreende que devamos permanecer absolutamente neutros diante deles... No entanto como poderia o médico permanecer total e completamente neutro diante dos sofrimentos de seu paciente ou de uma enfermidade extremamente dolorosa??? Como o Historiador poderia permanecer neutro e isento face a tantos roubos, assassinatos, estupros e crimes hediondos constatados por si???

Podemos exigir do ser humano uma semelhante impassibilidade ou isenção sem mutila-lo? Podemos chegar a um meio termo?

Quanto ao Psicólogo, que trabalha com enfermidades de caráter mental ou comportamental, não vejo como possa deixar de assumir uma postura normativa, já aspirando curar ou corrigir a enfermidade em questão, já preceituando tudo quanto seja necessário a cura. O Psicólogo deverá trilhar o mesmo caminho que o médico do corpo, pelo simples fato de ser o médico da alma. Nem vejo como poderá permanecer neutro e isento diante dos fatores que acarretam ou causam as enfermidades mentais, mormente quando provocados deliberadamente por outros seres humanos. Seria demais pedir a um Psicólogo digno deste nome que encarasse com naturalidade e complacência a cultura da repressão sexual. Naturalmente que uma cultura ou um modo de vida responsável pela produção de certo número de enfermidades mentais, tende a ser questionada pelo Psicólogo ao menos enquanto homem que é. A ciência limitar-se-a a verificar a relação existente entre determinado comportamento ou prática social e a enfermidade mental. A ciência para por aqui e seu trabalho esta realizado. No entanto seria demais esperar do cientista, enquanto homem que deixasse de denunciar aquele tipo de comportamento pernicioso.

Por estranho que pareça a Sociologia não foge tanto a esta regra.

A Sociologia como disse Weber é meramente descritiva, limitando-se a descrever a realidade social tal como é. A Sociologia esgota-se nisto, pleno acordo.

No entanto, não decorre disto, que o Sociólogo - que também é um homem e como tal um Ser Ético -deva furtar-se a toda e qualquer apreciação em termos de princípios e valores, buscando remédios com que sanar as enfermidades sociais e utilizando-se da própria Sociologia como ferramenta preciosa. Como Sociólogo limitar-se-a a descrever. Como homem, cidadão e pensador no entanto é absolutamente natural que denuncie e combate as mazelas sociais que descreve. O único tributo exigido pela honestidade é que apresente-se como Sociólogo apenas quando e enquanto descreve e como pensador ou Filósofo Social enquanto crítica e indica soluções. Alias quem melhor para indicar soluções e propostas do que um pensador social formado em Sociologia??? Quanto a impedir o Sociólogo de pensar a sociedade que descreve partindo de seus princípios e valores, da ética ou da idealidade, em que se baseia tal pressuposto??? O máximo que podemos exigir do cientista em questão é que separe bem uma coisa da outra... Sabendo no entanto que metafísicos ateísticos a exemplo de Hitchens, Dawkins e Harris não procedem assim. E vai lá molesta-los o positivismo??? jamais vi...



segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A falácia da opção disciplinar na rede estadual do Estado de S Paulo - Uma reforma catastrófica

Falar sobre o currículo do Ensino é sempre problemático, polêmico, ousado... como que mexer em vespeiro.

Antes de tudo porque a forma do currículo diz respeito a intencionalidade e direção pedagógica, ao tipo de homem e de Sociedade que queremos.

Diante de tais premissas a conclusão salta a vista:

O CURRÍCULO DEVE SER COMUNITARIAMENTE CONSTRUÍDO, NUMA PERSPECTIVA HORIZONTAL OU DEMOCRÁTICA e jamais imposto numa perspectiva vertical ou autoritária.

Decretar um currículo e impo-lo é imprimir orientação, em termos de princípios e valores as gerações futuras. O que não pode ser executado sem a ativa participação dos pais, da família e dos cidadãos.

É algo que deve ser discutido exaustivamente e não arbitrariamente fixado por técnicos de um determinado gabinete.

Numa Sociedade livre a educação não pode mais ser objeto de 'decretos' governamentais!

Simplesmente não pode.

Do contrário como dizer que esta educação é de fato democrática e não autocrática???

No entanto, enquanto escrevemos estas linhas, cogita o sr secretário da educação do estado de S Paulo numa amplas e drástica reforma do ensino, não apenas sem te-la discutido com a Sociedade paulista mas sequer fornecendo a esta Sociedade os detalhes necessários para compreende-la e julga-la!

Tudo quanto sabemos é a nível superficial.

Informações esparsas fornecidas pelos meios de comunicação de massas.

A respeito do projeto em sua integralidade simplesmente nada sabemos. É uma incógnita!

Uma ocultação, uma surpresa, um mistério!

Justamente o que esperamos e desejamos conhecer como cidadão e contribuinte é o teor desta reforma!

Quais seus pressupostos? Sua justificativa??? Seus objetivos??? Seus meios??? Seus referenciais???

Que reforma é esta sr Secretário Herman Voorwald???

O povo quer saber, a sociedade que saber, os cidadãos querem saber! Todos queremos respostas porque reformas educacionais não podem cair de paraquedas ou ser feitas de improviso!

Não ouse dizer vossa Exma que somos esquerdopatas e já estamos prevenidos contra sua reforma!

Nós sequer estamos de acordo com a opinião da Sra Dilma Russef sobre o inchaço curricular do ensino médio.

O que esperamos de ambas as esferas do governo: Estadual e Federal é que tudo quanto diga respeito a educação seja coletivamente discutido, em temos democráticos e não imposto, tendo em vista a afirmação de finalidades políticas ou sociais que não condizem com as nossas ou seja com as da sociedade livre!

Feitas tais ressalvas, ouso ultrapassar o pórtico e entrar no âmago da questão!

Ao que parece, deseja ilmo secretário, conceder aos alunos o privilégio de escolherem eles mesmos as disciplinas que haverão de cursar no primeiro e no segundo ano do E Médio. O que conferiria a um tempo maior autonomia ao discente e mais flexibilidade e consequentemente riqueza ao Currículo.

Educar no entanto não significa abster-se de orientar e de dirigir nossos educandos. Cujas seleções por vezes precisam ser reorientadas e revistas.

Assim esta educação que em nome da democracia e da liberdade ou da autonomia abstem-se de orientar, problematizar, discutir, revelar outras perspectivas, etc parece-me sumamente nefasta.

Por falta de maturidade os jovens recém saídos do E fundamental ainda carecem de vistas suficientemente amplas acerca da complexidade da vida. Neste sentido suas escolhas poderão ser bastante limitadas e desastrosas para eles mesmos.

Incapazes de dialogar com o mundo, que questiona-lo, de exercer um pensamento crítico, de cogitar em transforma-lo; é bastante provável que este jovem apenas se acomode a situações já existentes, limitando-se a buscar sucesso profissional e acima de tudo dinheiro.

Afinal de contas é a única noção de vida que a maioria de nossos jovens tem e eles não conseguem olhar para mais além.... seus horizontes não prolongam-se para muito além da realidade vivida. Por isso desejam ser traficantes, jogadores de futebol, atores ou atrizes globais, etc sempre visando dinheiro, sucesso, fama...

As vezes permitir que os jovens escolham, por exemplo o que estudar é a mais sutil das ciladas, a melhor maneira para restringir seus objetivos e para induzi-los a um conformismo inconsciente.

Claro que os jovens sempre poderiam opinar ou sugerir; não necessariamente definir; isto no entanto após ampla e exaustiva discussão, que lhes apontasse a importância desta ou daquela disciplina para a vida. Sim sr secretário para a vida, para a construção de princípios e valores saudáveis, para a afirmação de uma cultura democrática, para a assunção da dimensão ética da existência. Tendo em vista solidificar ainda mais os fundamentos do humanismo!

Agora sr secretário, nenhuma das metas acima será atingida caso nossos estudantes possam optar por não estudar os componentes humanos deste currículo: História, geografia, Filosofia e Sociologia (lamentavelmente falta aqui a psicologia!).

Não se trata aqui de obter sucesso profissional, dinheiro, lucro ou qualquer outra coisa em termos de cultura material; mas sim de formar um ser humano integralmente. Um ser humano que seja solidário, fraterno, tolerante, amante da paz, entusiasta pela vida, fanático pela liberdade... Um ser como este precisa ser construído sob pena de nosso discurso em torno da ética ficar vazio ou ser hipócrita!

Sem a concorrência dos componentes humanos presentes no currículo nosso projeto de ser humano ético e cidadão ficará eternamente abortada.

Portanto se for feita qualquer reforma curricular, que não atinja os componente humanos, mas apenas os exatos.

Preconceito?

Arbitrariedade???

Presunção?

Não querido leitor, coerência.

Afinal para alguém tornar-se homem em termos de ética e cidadania não é condição necessária conhecer profundamente os altos mistérios da matemática, da física e da química para além do que já se aprendeu no E Fundamental. A construção de uma personalidade profundamente humana não depende da álgebra ou da geometria e menos ainda de fórmulas em torno da velocidade e das substâncias. Isto até pode ser acrescentado no decurso da vida mas não exerce qualquer influência positiva em termos de convivência humana ou ética.

O contrário no entanto não se dá.

Pois tanto o químico, o físico, o biólogo, o arquiteto, o engenheiro, etc precisam ser antes de tudo homens e bons homens. Precisam conhecer a realidade social em que vivem pelo simples fato de não poderem viver fora dela... precisam conhecer o processo histórico pelo simples fato de terem raízes culturais... precisam aprender a refletir sobre a totalidade da existência em termos de universo...

Sem querer menosprezar as ciências exatas, não é o caso; elas tem uma importância relativa muito grande mas não fazem o homem e não lançam raízes no terreno da ética.

Elas podem e devem completar a educação do homem.

As ciências humanas no entanto constituem base fundamental da educação de todos.

Porque falam a nossa essência, a nosso caráter, a nossa condição; porque ampliam nossa visão de mundo projetando-a para além de nosso lugar e de nossos interesses limitados.

Neste sentido, com ou sem a permissão dos estudantes, negar-lhes acesso a tais conteúdos é e será sempre mutilar a educação!

Uma educação integral não se faz sem o concurso da História, da Geografia, da Psicologia, da Sociologia e da Filosofia. São elas que mostram-nos o que é comum e o que pode identificar-nos: o tempo, o espaço, a mente, o raciocínio, a convivência... e isto sem dúvida é muito mais importante do que quaisquer operações matemáticas ou tabela de elementos! Porque esta posto em relação ao que há de mais íntimo em nós, possibilitando a construção e afirmação de princípios e valores humanos.

Não é estudando matemática, física ou química que nossos jovens aprenderão a ser tolerantes! No entanto quanta falta não faz a tolerância nestes tristes tempos em que vivemos???

Mais do que aprender a ler e a calcular o ser humano precisa aprender a estimar e a respeitar o outro. Somente a dimensão das ciências do homem são capazes de apresentar a realidade do outro e suas especificidades!

Como imunizar nossos jovens contra os venenos do economicismo, do fascismo, do nazismo, etc senão por meio de uma séria reflexão em torno das ciências humanas?

Por todos os motivos e muitos outros não se pode nem pensar em restringir ou alienar esta parte do currículo!

Privar o homem desta reflexão é como priva-lo de sua consciência!

Não se trata aqui de uma questão de gosto ou de opção, mas de necessidade em termos absolutos.

Não podemos mais brincar de ética.

Discursar pomposamente em torno dela e drenar suas fontes!

Nem posso imaginar qualquer limitação e alienação em termos de ciências biológicas.

Pois serviria de expediente para contemplar os caprichos dos sectários religiosos e fundamentalistas e servir de respaldo a animosidade que nutrem não só para com o mecanismo de evolução biológica, mas para com todo ritmo natural e comum típico da natureza.

Teríamos aqui uma anti educação destinada a fortalecer preconceitos de matriz mágico fetichista. O que nos levaria a uma dupla educação e a mais uma oposição bastante séria em termos de cultura e Sociedade como jamais tivemos neste pais uma vez que superstição criacionista é elemento importado, trazido de outra cultura...

Nem poderá haver espírito científico e cultura naturalista sem que um sólido conhecimento biológico seja propiciado a estes jovens.

Agora se o jovem deseja seguir uma carreira voltada para as artes ou as humanidades; aqui podemos e até devemos realizar uma boa reforma desobrigando-o de cursar integralmente as disciplinas de matemática, química ou física, cujos conhecimentos específicos falta alguma lhe farão.

É em torno destas disciplinas exatas que se deve facultar a escolha por parte daqueles cujos espíritos propendem ao cultivo das humanidades e ou das artes.

Não em torno dos conhecimentos humanos e biológicos uma vez que todos somos humanos e animais. Nem todos no entanto desejarão ser arquitetos, engenheiros, químicos, médicos, matemáticos, etc

Concluo esta minha análise vaticinando que uma reforma mal feita neste sentido poderá ter consequência sociais bastante desastrosas como a afirmação da cultura de morte e seus principiais elementos quais sejam: comunismo, nazismo, fascismo, individualismo, etc sem falarmos nos fundamentalismos religiosos.

É necessário fornecer a nossos jovens aparato crítico reflexivo face as estes venenos ideológicos ou imuniza-los mentalmente e somente as ciências humanas e biológicas são capazes de prover esta demanda social.

Diante disto solicitamos aos pais, professores, gestores, etc que cobrem transparência ao secretário da educação do estado de São Paulo e seus colaboradores.

Educação, participar é um dever de todos!