Mostrando postagens com marcador animais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador animais. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de setembro de 2017

Uma entrevista polêmica sobre Ética, ciência, vegetarianismo e cobaias.

Resultado de imagem para cobaias em laboratorio




Após termos espicaçado os mistagogos comunistas e os sectários cristãos daremos a público um Diálogo que tivemos há algum tempo com os cientificistas e os carnívoros -

Interlocutor - Boa tarde professor.
Eu - Boa tarde jovens, sejam bem vindos.
Interlocutor - A primeira pergunta diz respeito a ciência ou melhor dizendo ao conhecimento não aplicado, corresponderá ele a algo neutro ou a um bem?
Eu - Na medida em que tanto a busca pelo conhecimento quanto sua aquisição correspondem a uma demanda da própria condição humana ou do intelecto não podemos deixar de encarar tais atividades como boas em si mesmas.
Interlocutor - Mesmo que não haja aplicação para este tipo de conhecimento em questão?
Eu - Grosso modo todo conhecimento teórico tende a converter-se, com o passar do tempo, em conhecimento aplicado i é em técnica. Independentemente disto a primeira aplicação de qualquer conhecimento obtido e enquanto conhecimento teórico, é satisfazer a curiosidade humana ou saciar nossa sede de saber. Sabemos para que? Sabemos para saber, porque somos antes de tudo curiosos. Um homem qualquer cujas necessidades básicas estejam satisfeitas não tardará a elaborar diversas perguntas a respeito da realidade que o cerca e elas surgirão naturalmente. A ciência tem sua origem nessa condição de inquietude peculiar aos seres humanos.
É justamente a ciência aplicada e apenas ela capaz de poluir o conhecimento.
Interlocutor - Poluir o conhecimento? Que vem a ser isto?
Eu - Poluímos o conhecimento de diversas maneiras, mormente quando tornamos este conhecimento aplicável e aplica-mo-lo indignamente. É o uso que o homem faz deste ou daquele objeto que o torna bom ou mau. Todo e qualquer objeto produzido pelo homem, seja ele uma faca, um rifle ou uma bomba, é bom em si mesmo enquanto produto do engenho humano. Seu uso ou emprego pelo homem numa determinada conjuntura é que poderá ser bom ou mal. Assim fará bom uso da faca para cortar legumes ou descascar frutas e um mau uso caso venha a agredir outro homem. Fará bom uso do rifle caçando ou protegendo-se dos animais selvagens e um mau uso na guerra fuzilando inocentes. Fará bom uso da bomba detonando montanhas com o objetivo de construir estradas e um mau uso lançando-as sobre cidades e estraçalhando civis inocentes. Todo e qualquer objeto pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal.
Interlocutor - De maneira que a técnica sempre estará sujeita ao abuso?
Eu - Efetivamente, toda técnica esta sujeita a abusos pelo simples fato de seu uso corresponder a determinado fim. Caso o fim seja bom o uso será bom, caso o fim não seja bom teremos o abuso.
Interlocutor - E como poderíamos distinguir o uso do abuso. O uso da técnica, para ser bom, deve estar a serviço da condição humana e respeitar a dignidade do ser humano. Deverá promover o homem jamais avilta-lo ou abate-lo. Caso o efeito do uso desta ou daquela invenção acarrete dor, mal estar ou prejuízo aos seres humanos, estamos diante do abuso. O uso implica em beneficiar o ser humano ou em minorar seus sofrimentos. Assim o emprego deste ou daquele objeto numa guerra injusta ou agressiva deve ser encarado como mau.
Interlocutor - Apenas isto?
Eu - Não. Há diversas outras situações em termos de produção de conhecimento que suscitam nossa reflexão em termos de ética, de princípios e de valores, de bem e mal.
Interlocutor - Podería fornecer alguns exemplos?
Eu - Certamente. Julgo que antes de tudo devemos indagar se os meios investigativos empregados pela própria ciência - enquanto instância relaciona diretamente como a produção do conhecimento - são bons ou maus.
Interlocutor - Julgo não ter captado o sentido desta última pergunta.
Eu - A pergunta levantada reporta ao método científico em si mesmo e indaga se acarreta prejuízo, dor ou sofrimento a qualquer forma de vida.
Interlocutor - Ah compreendo, refere-se a testes e pesquisas feitos com doentes ou condenados, especialmente quando não autorizadas?
Eu - Naturalmente que é um dos aspectos da questão, mas não o único. Propositalmente não me referi a seres humanos, mas a formas de vida e a quaisquer formar de vida.
Interlocutor - Captei. O professor esta se referindo aos animais ou melhor dizendo aos animais que são empregados como cobaias nos laboratórios.
Eu - Exatamente.
Interlocutor - Há quem diga que o emprego de animais como cobaias é indispensável ao progresso científico.
Eu - Houve e há quem diga que as guerras são necessárias ou indispensáveis ao equilíbrio social de uma determinada sociedade como há quem diga que o regime de livre mercado seja indispensável. Uma coisa é ser indispensável e outra, totalmente distinta é ser apresentado como indispensável. Oxigênio e água são elementos indispensáveis a vida humana mas há quem afirme o cigarro, o alcool ou mesmo o chocolate como indispensáveis...
Ademais em termos de ética não se pergunta de algo é necessário - tanta coisa má é descrita como necessária - mas se é justo, certo ou correto.
Interlocutor - Desenvolva.
Eu - Obrigado. Será mesmo que não podemos continuar produzindo ciência sem cobaias ainda que num ritmo menos acelerado?
Interlocutor - Eis um questionamento a ser feito.
Eu - Mormente quando a redução deste ritmo corresponde a uma exigência ética.
Interlocutor - Parece-me convincente.
Eu - Acompanhe-me. Via de regra, a maior parte de nós, é ensinada a considerar o consumo de carne vermelha como necessário ou mesmo indispensável a conservação da vida e da saúde. Parece-me no entanto que a existência de vegetarianos ou de pessoas que limitam-se a consumir carnes brancas neste planeta aponta-nos para uma solução contrária. Seja como for somos ensinados a crer que devemos ser carnívoros para sobreviver. E como nossa cultura é carnívora não costumamos a questionar seriamente este ensinamentos. E como a carne é apetitosa.
No fundo o que queremos é saborear um bife suculento. Por isso não questionamos a cultura carnívora.
Seja como for aqui bem cabem algumas perguntas: Será mesmo impossível que a humanidade como um todo ou ao menos parte dela sobreviva sem devorar mamíferos ou bovinos? Quem sairia perdendo caso boa parte da humanidade cessa-se de consumir carne vermelha? Acaso parte do discurso vigente não teria sindo elaborado tendo em vista as exigências econômicas do mercado? Há gente querendo lucrar com a venda de carne não? E nesse sentido o consumo faz-se necessário, devendo ser estimulado.
Interlocutor - Jamais me haviam ocorrido tais perguntas?
Eu - Geralmente não costumamos a elaborar perguntas capazes de incomodar-nos. O ser humano não costuma ser bom nisto.
Interlocutor - Supondo que o consumo da carne vermelha não seja necessário a manutenção da vida?
Eu - Neste caso somos obrigados a nos perguntar sobre o pôrque de saborearmos a tal carne vermelha e julgo que a resposta oferecida seria mais ou menos assim: Consumo carne vermelha porque gosto ou porque me agrada e porque não prejudica a quem quer que seja.
O engano aqui é manifesto pelo simples fato do Boi ou do Porco não poder falar.
Afinal não vejo como possa qualquer um deles sentir-se beneficiado ao levar um baita golpe na testa e ter a vida suprimida pelo homo sapiens.
Não nego que em estado de natureza tanto o boi quanto o porco ou qualquer outro animal tivesse de conseguir sua própria comida e de escapar de seus predadores, é fato. No criadouro ou na fazenda por outro lado são alimentados e cuidados pelo homem. Sim, mas para terminarem no abatedouro e sem aquela mínima chance que lhes é oferecida pelo meio ou pela mãe natureza.
Interlocutor - Quem sabe se a média de vida de um animal criado em cativeiro não seja até maior do que em estado de natureza? Estado em que poderá morrer de câncer inclusive, caso atinjam uma idade mais avançada.
Eu - Claro que há variáveis e algumas até consoladoras para os consumidores de carne vermelha... Quanto ao câncer a alegação talvez seja plausível com relação a um seleto número de indivíduos idosos, já quanto a média de vida de um animal criado num cativeiro integrado aos moldes capitalistas de produção e ao lucro máximo, acho no mínimo discutível. Seja como for devemos admitir que a criação - em comparação com a caça - sendo controlada evite a extinção da espécie. Que os animais criados pelo homem sejam os mais prolíficos na face da terra me parece fora de dúvida.
E no entanto aquele que considera normal devorar um animal em tais circunstância raramente ou quase nunca o abate com suas próprias mãos, considerando este tipo de ação 'infamante'. A quase totalidade dos que consomem carne vermelha não realiza o trabalho sujo. Hoje certamente bem menos sujo devido ao abate humanitário, o qual corresponde certamente a uma das mais belas aspirações humanas. Apesar disto para muitos dar uma marretada nos miolos de um boi ainda seria tabu. Neste caso, se você não tem coragem suficiente para abater por que consome???
Interlocutor - Boa pergunta.
Eu - A bem da verdade consumimos carne vermelha de grandes mamíferos porque gostamos ou porque nos agrada, mas justificamos alegando uma hipotética superioridade. Tal o caso das cobaias. Criamos cobaias e usamos cobaias em laboratórios porque julgamos ter este direito e julgamos ter este direito por sermos superiores. Bem, no caso do consumo há um atenuante, o abate humanitário. No caso da cobaia a produção de dor e sofrimento é intencional.
Interlocutor - Tal distinção jamais me havia ocorrido, agora quanto a tomar o que é agradável como critério em matéria de juízos éticos sempre me pareceu problemático.
Eu - Me parece bem mais do que problemático. Afinal a quem sinta prazer em matar, torturar, estuprar, humilhar, oprimir, etc
Interlocutor - De modo que o agradabilidade não produz direito.
Eu - Nem poderia e por isso editamos outra justificativa, segundo a qual somos superiores aos animais.
Trata-se dum discurso - caso estabeleçamos sua arqueologia - antes deslocado do que discutível e que foi produzido antes mesmo de que a ciência viesse a ocupar o espaço que ocupa na sociedade contemporânea. Discurso segundo o qual o homem não seria um animal mas uma criatura a parte ou diferenciada de todas as outras. O que reporta necessariamente ao mito do gênesis ou a criação fetichista do mítico Adão, apresentando como dono ou proprietário de todos os animais.
Interlocutor - No entanto desde Darwin...
Eu - Sim, sim, desde Darwin foi o homem integrado a natureza e apresentando como um animal, inda que racional por apresentar cercas capacidades em termos de abstração. É no entanto um mamífero e primata, aparentado com os demais mamíferos, cujos genes trás em si.
Grosso modo nossa única superioridade face aos demais mamíferos nossos parentes é a de elaborar pensamentos tanto mais complexos ou raciocínios o que paradoxalmente conduz-nos a questionamentos éticos em termos de princípios e valores e a uma vida ética. Somos consumidores de carne e matadores de mamíferos capazes de questionar o consumo de carne, pelo simples fato de sermos capazes de nos identificar com nossos parentes mais próximos. Temos consciência de que as formas mais complexas do reino animal, em especial os mamíferos são bastante sensíveis a dor, e mais ainda, somos perfeitamente capazes de nos colocar no lugar deles e de nos compadecer. Portanto nossa única e decantada superioridade equivale justamente a um padrão de consciência tão refinado a ponto permitir que problematizamos nossos alimentares...
Somos superiores porque capazes de submeter nossos hábitos alimentares a um escrutínio ético, coisa que certamente mamífero algum, enquanto espécie é capaz de fazer.
Interlocutor - Já sei porque as vezes me sinto canibal...
Eu - O fato é que poucos de nós estão dispostos a levar adiante ou as últimas consequências este tipo de reflexão. Por isso batemos o pé e declaramos ter o direito de torturar uma pequena cobaia, um macaco, um gato ou mesmo um cão ou um cavalo. Mas de que decorre este suposto direito? Temos de beneficiar nossa espécie!!! Sim, mas parasitando outras? É lógica de lombriga ou ancilóstomo não de um ser racional. Somos superiores... Só se for em sadismo...
Sei que a reflexão sobre o uso de cobaias é desconfortável.
Injeção também é, mas também é necessária.
Em que somos superiores as pequenas cobaias ou aos animais que acometemos em nossos laboratórios infringindo toda sorte de sofrimentos?
Interlocutor - Em poder ou força?
Eu - Acertou em cheio. Não torturamos as cobaias porque exista qualquer direito natural que nos autorize a faze-lo mas apenas porque queremos e podemos. A lógica dos experimentos científicos com o objetivo de beneficiar nossa querida espécie, é o direito do mais forte. Nada mais venenoso... Direito do mais forte é tese que reporta ao darwinismo social, a Nietzsche e enfim a Hitler e ao nazismo. Não fazemos isto ou aquilo porque é justo ou direito mas apenas e tão somente porque podemos e queremos. Tal a origem de todas as agressões, conflitos e guerras de conquista e dominação. Como as cobaias são mais fracas do que nós, como os animais são indefesos...
Certamente não temos diante de nós um bom caminho.
Por outro lado, caso levássemos a ética a sério, proibiríamos o uso de cobaias sob quaisquer pretextos, mesmo que disto decorresse uma diminuição no ritmo da pesquisa e produção científica e isto pelo simples motivo de que o supremo valor de uma Sociedade humana não pode ser a produção científica ou a aquisição do conhecimento, mas o respeito por todas as forças de vida. Implica admitir uma escala de valores e o primado da ética, coisa de os cientificistas não podem admitir.
Eis uma via porque a ciência é contaminada na fonte convertendo-se ela mesma em abuso.
Felizmente há diversas áreas da pesquisa científica que não fazem uso de cobaias. Neste caso a investigação em si mesma é, como já dissemos, sempre um bem.


FIM

terça-feira, 25 de março de 2014

Destruindo mitos sobre testes em animais e o meu mea culpa



Ano passado após o resgate dos Beagles do instituto Royal houve um debate sobre o uso de animais em experiências científicas, o bom desse episódio foi o fato de ter trazido à tona o assunto em questão, pois chamou a atenção da mídia e das redes sociais o que obrigou os cientistas a se manifestarem e explicarem o que são e como funcionam e quais os limites dessas experimentações.

Eu mesmo no calor das emoções fiz três postagens (este, este e mais este) que hoje considero infelizes, mas não as apaguei para mostrar que posso mudar de ideias, que "prefiro ser - como cantava Raul Seixas - essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha, velha opinião formada sobre tudo". 

O que me fez mudar de ideia foi a leitura de um artigo da Revista Scientific American Brasil nº 141 página 20, escrito por Jorge Qillfeldt que é neurocientista e divulgador de ciências. O que eu gostei é que esse cientista explicou de forma clara e concisa sobre a importância dos testes dos animais e que os cientistas procuram buscar outros órgãos do governo que fiscalizam essas experiências.

Ele escreve: "O maior desafio da popularização da ciência é explicar para o maior número possível de pessoas como funciona o processo científico que produz novos conhecimentos acerca do mundo real, incluindo os conhecimentos biológicos e clínicos que não apenas melhoram a qualidade de vida, como muitas vezes representam a diferença entre a vida e a morte".

Sendo certo ou errado o resgate dos beagles no instituto Royal, repito, este ato chamou a atenção de toda a população e muitos cientistas se puseram a explicar nos jornais, revistas, tevês ou através de vlogs. Mas nem todos conseguiram ser tão claros como o neurocientista Jorge Quillfeldt.

Ele continua: Há muita desinformação neste tema e alguns setores dos movimentos de defesa dos animais pioram a situação exagerando relatos e distorcendo fatos. Apesar do crescimento da pesquisa, a quantidade dos animais utilizados vem diminuindo devido aos esforços em substituir, reduzir números e refinar procedimentos, base das chamadas políticas de bem estar animal, implementadas por lei em todo mundo, inclusive no Brasil. Há comitês de ética monitorando o uso, e os movimentos têm assento neles. A maior parte desses animais não sofre desconforto ou dor e, quando isso ocorre, é obrigatório o uso de medicamentos para atenuá-los. Ao contrário do que se pensa, há maior bem estar animal no ambiente científico que entre os animais criados para outros fins, como animais de corte ou mesmo de estimação (como aqueles confinados a apartamentos), práticas para as quais existem alternativas reais, mas não são nem questionadas nem alvo de ações organizadas".

Infelizmente poucos cientistas se dispõem a falar numa linguagem acessível ao público não especializado, evidentemente que o emocionalismo e o extremismo também atrapalham bastante o debate pois no mundo virtual mais importa ganhar o debate do que aprender bem vale a tática maquiavélica: "Os fins justificam os meios".

Reproduzo mais alguns trechos do artigo de Jorge Quillfeldt: "Apesar dos enormes avanços da medicina atual ainda estamos longe de saber tudo, e ainda existem doenças que não compreendemos a ponto de poder debelá-las. A garantia de que esses benefícios da ciência estejam igualmente disponíveis a todas as pessoas  é outro importante problema a ser resolvido: mas o certo é que, se não obtiver o conhecimento, não haverá o que distribuir.
Para dispormos de medicamentos ou procedimentos clínicos seguros e eficazes, deve haver uma série de estudos prévios. Descobrir uma substância que atua inibindo determinada doença, por exemplo, controlando um câncer in vitro, não garante que ela possa ser utilizada de forma segura em um organismo integral: o corpo humano é uma complexa rede de processos bioquímicos e fisiológicos, envolvendo vários órgãos com diferentes papéis, e uma substância “boa” aqui, pode ser “ruim” ali: nosso suposto agente anticâncer pode ser tóxico ao fígado - o que muitas vezes é letal - e acabará descartado. Mas será necessário causar a morte de uma pessoa, que poderia tentar outro tratamento possível, apenas para descobrir se o mesmo é seguro ou não?"

Em minha ingenuidade pensava eu que controlar o câncer in vitro seria suficiente para descobrir curas e fórmulas, agora começo a entender que  a coisa é bem mais complexa e que explicar como funciona a ciência como disse o doutor Jorge Quiilfeldt é um grande desafio.

Segundo Quillfeldt: "Testes de segurança contra efeitos colaterais como toxicidade, teratogênese, mutagênese ou carcinogênese sempre precedem o exame da substância em si, e geralmente são feitos em animais, até por que a validação estatística exige estudar grande número de indivíduos. O sacrifício humano acima, portanto, não resolveria a questão, e muita gente teria de morrer à toa se não pudéssemos testar antes em animais. Felizmente tal possibilidade foi banida após os horrores perpetrados pelos “cientistas” nazistas durante a segunda guerra, resultando no chamado Código de Nuremberg, fundamento de toda pesquisa científica atual com humanos. Esta pode e deve ser feita, mas apenas com o consentimento informado de voluntários, e somente em etapas posteriores do estudo, quando há menos risco de danos irreversíveis.

No presente estágio do desenvolvimento científico, não existem alternativas capazes de substituir o uso de animais, embora a busca continue. Cultura de células, por exemplo, além de extraídas de seres vivos, não permitem prever o que acontecerá com determinado fármaco ou procedimento quando aplicado num animal inteiro, com fígado e rins que os processem e modifiquem. Modelos em computador, por sua vez, incorporam apenas conhecimentos já estabelecidos, e o objetivo da pesquisa científica é acessar o que ainda é desconhecido".


Eu me senti enganado ao ver pela televisão e pelas redes sociais pessoas defendendo cultura de células e modelos em computador como alternativas, não eu não sabia, confesso que ignorava que modelos em computador só incorporam conhecimentos estabelecidos e não aquilo que é desconhecido e no tocante à cultura de células nunca parei para pensar que não se pode prever o que acontecerá  no organismo. Então esses métodos não constituem alternativas para obter novos conhecimentos. 

O doutor Quillfeldt diz que provar segurança em animais  não garante a segurança integral em humanos, por isso os testes só são aplicados depois de confirmado um alto nível de segurança. E que os testes em animais dão uma certa segurança porque apesar de sermos tão diferentes somos parecidos uma vez que todos evoluímos de ancestrais em comum. Outra coisa: a medicina veterinária segundo Quillfeldt também se beneficiou de testes em animais. Que coisa não? Pense nisso da próxima vez que levar seu bicho de estimação para o veterinário. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Os animais e a ética



Escrevi outro dia sobre a incoerência daqueles que aceitam testes em animais não humanos e que se dizem evolucionistas, daqueles que sabem que não há uma espécie mais evoluída. Hoje abordarei ainda o tema da incoerência.

Os apologistas dos testes em animais dizem que esses testes trazem benefícios à humanidade e que tentar proibir essas pesquisas é fazer a sociedade regredir. Suponhamos que eu ceda a esse argumento, se eu ceder teremos que ir até o final e aceitar as consequências.

O fim das pesquisas com animais é trazer benefícios ao ser humano, bem estar, felicidade. Ora, sendo assim teremos que aceitar rodeios, touradas e animais em circos, porque isso também traz benefícios para a maioria das pessoas. Os circos, os rodeios e as touradas divertem e entretém grandes massas de pessoas ao redor do globo. Esses espetáculos provocam a catarse logo trazem benefícios para a maioria das pessoas, se faz bem, não há porque proibir o uso de animais em circos, rodeios e touradas.

Ah, mas não é a mesma coisa pode alguém argumentar. De fato, não é a mesma coisa enquanto atividade, mas o princípio que rege os espetáculos e a ciência neste caso é o mesmo. É o princípio pragmático da ética relativista de Protágoras que dizia que o homem é a medida de todas as coisas, isto é, as coisas são boas ou más conforme seja bom ou mau para o indivíduo.

Ora se aceitamos os testes em animais porque trazem benefícios para as pessoas então deveríamos aceitar também os espetáculos como os rodeios, touradas e circos, pois trazem benefícios de cunho emocional, trazem diversão e lavam a alma. Aceitar os testes em animais e não aceitar sua utilização em rodeios, circos e touradas é pura incoerência uma vez que eles (os animais existem) para o homem e não para si mesmos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Todos os animais são iguais mas alguns animais são mais iguais que os outros

"Todos os animais são iguais mas alguns animais são mais iguais que os outros", esta frase de George Orwell, nunca fez tanto sentido como nos dias atuais.

Os ateus, e todos os evolucionistas criticam os criacionistas porque estes se creem uma criação à parte, porque consideram o homem o rei da criação, conforme reza o Gênesis 1:26: Então Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra." 

A Teoria sintética da evolução vem demonstrando ano após ano que o ser humano não é uma criatura singular nem mesmo mais evoluída, uma vez que todos os animais evoluíram de formas diversas, e o homem é mais um dentre os animais. 
[Esta é a árvore da vida de Darwin, ele via a evolução como uma árvore com vários galhos. Ou seja, não-linear, diferente de Lamarck que via a evolução como uma escada cujo topo estava o ser humano como a criatura mais evoluída.]

[Segundo Robert Chambers (que era um evolucionista ao seu modo e não podia ser diferente porque desconhecia as ideias de Darwin até porque se antecipou a este) a evolução de F (peixes), R (répteis) e B (aves) levava aos mamíferos e por conseguinte ao ser humano.]

Eu sou evolucionista darwinista e aceito o veredito dos fatos o homem é apenas mais um ser vivo que evoluiu de um ancestral em comum a todos os seres vivos. Isso é ponto pacífico e não é isso que eu critico em certos ateus e cientificistas, o que eu critico é a sua incoerência. 

Na teoria são evolucionistas mas na prática são tão ou mais criacionistas que os criacionistas, ou são evolucionistas lamarquianos ou à moda de Robert Chambers que acreditava que os registros fósseis mostram um progresso encaminhando para o ser perfeito que é o homem. Sim, eles agem desse modo. Explico-me. Na última semana um grupo de ativistas invadiu o instituto Royal e resgatou beagles que eram usados em testes para cosméticos e esses cientificistas de plantão que se dizem darwinistas, protestaram, vociferaram contra a atitude dos ativistas. Argumentavam assim no facebook: "Não querem que animais sejam testados mas tomam vacina e aspirina" e chegaram a postar esta foto de Carl Sagan, aí embaixo.

Como se a ciência estivesse acima do bem e do mal e não fosse limitada por valores...

No youtube cheguei a assistir um vídeo do Eu ateu, canal do (Yuri Greco) explicando e defendendo testes em animais, assisti até o ponto onde ele disse que não poderia haver testes em humanos porque tem a questão bioética, parei aí. Parei de assisti-lo por causa da incoerência. Porra!!!! Como um cara darwinista que acredita que não existem seres mais evoluídos ou menos evoluídos vem falar uma caca dessas? Ora, se há questões bioéticas para o homem, logo ele acredita que o homem ou é mais evoluído que as outras espécies ou acredita que o homem é um ser especial da criação mesmo não havendo criador algum. Não, eu não sou a favor em testes nem em animais nem em humanos, que usem métodos substitutivos ou que a ciência encontre métodos para isso. 

Os argumentos dos cientificistas continuam: "Tem que se fazer testes em animais pois disso advém benefícios para a espécie humana". Aí certos cientistas como a doutora Suzana Herculano-Houzel e também cientificistas que aceitam a teoria da evolução caem em contradição, logo eles que tanto criticam Aristóteles e ateleologia, pois ao afirmar que podemos dispor dos animais para nosso benefício, estão afirmando com sua atitude que a finalidade dos animais é servir ao homem ou que a finalidade do homem é ser feliz e para isso pode dispor da natureza como bem entender, ou seja, existe finalidade na natureza, justamente o que criticam. 

Se essas pessoas negassem a evolução ou se ao menos se tornassem lamarquistas eu até aceitaria suas "razões" para os testes em animais... Cadê a coerência?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

José Serra e a questão ambiental

O governador tem um discurso muito bonito quando fala do meio ambiente, infelizmente na prática a teoria é outra. Você pode ouvir o belo discurso do governador clicando aqui.
Agora veja o descasso dentro de uma Unidade de Conservação, conhecida como Horto Florestal.



Isso aí é São Paulo (leia-se Serra) trabalhando por você. Se o governo faz isso com animais indefesos, imagina o que não vai fazer com os trabalhadores se for eleito presidente...