Terminamos o artigo precedente considerando a ambiguidade (As vezes oportunista) do termo conservador. Termo tão vago e impreciso quanto esquerdista, socialista ou mesmo anarquista. O qual por isso mesmo suscita diversas abordagens e imprecisão.
Conservar o que do que... Quais nossos parâmetros de tempo ou espaço para manter... Qual o modelo sócio\cultural a ser escolhido...
Continuo insistindo que os termos progressista e reacionário são mais felizes e melhor cunhados.
Alias sou reacionário em certos nichos como a política (Pois sou favorável a democracia direta ou a policracia dos antigos gregos, face ao arranjo anglo saxão - Parlamentar ou representativo - feito para agradar os patrões ou pioneiros do capitalismo, em detrimento da qualidade política.) a Epistemologia, a Ética ou a Estética (Aqui caminho com os antigos gregos ou melhor com Sócrates e Aristóteles) e decididamente progressista no campo da moralidade ou do comportamento humano e consequentemente do direito, e conservador quanto a cultura pré capitalista constituída em torno da micro sociedade, alias com conotações primitivistas, etc
Afinal se alguns conservadores, pequena parte infelizmente, são na verdade reacionários voltados para as instituições pré reforma ou ante capitalistas da Idade Média ou de uma Idade Média um tanto idealizada\romantizada, a maior parte parece querer conservar outra coisa, assim o que temos, e portanto a sociedade capitalista ou mesmo americanista, sicut modelo 'Americann way of life' - E aqui não temos mínimo acordo uma vez que considero este modelo de sociedade\cultura, produzido pelos pais peregrinos, com base no individualismo e no antigo testamento, como um dos mais venenosos já produzidos, juntamente com os modelos islâmico e sionista, devido a seu conteúdo anti humanista, em oposição aos direitos essenciais, inerentes a pessoa humana, posto que sou, decididamente (Contra Kelsen e turma) jusnaturalista.
Tudo isto é já problema quando aparece diante de nós o brasileiro deslocado ou brazundunga, assumindo justamente um modelo norte americano de sociedade e cultura que não é seu.
Devemos cogitar em conservar o que é nosso por herança ou o que nos foi transmitido por nossos nobres e excelentes ancestrais sejam eles lusitanos, espanhóis, italianos ou mesmo franceses. Falo portanto em termos de latinidade. Embora nossos ancestrais indígenas, num segundo momento, algo nos possam ensinar, em termos de uma economia natural, voltada mais para o ser do que para o ter. Penso alias que o discurso do cacique norte americano Seattle seja tão rica em sabedoria quanto a declaração de independência dos EUA. Que muito nos tenha a ensinar. E que seja vergonhoso a um cristão leal (Refiro-me em especial aos Cristãos apostólicos - Ortodoxos ou romanos) ignora-lo.
Seja como for, quanto a nós brasileiros, é apropriado dizer que não temos quaisquer relação com esses calvinistas chamados país peregrinos. Os quais abandonaram a Inglaterra apenas porque não sabiam, queriam ou podiam conviver com os símbolos alheios> Assim com os sinos, cruzes e torres dos Bispos anglicanos, diante dos quais seus ancestrais se haviam curvado por dezenas de séculos, mas que eles, no entanto, aspiravam destruir...
Nossa cultura, ao menos em parte, está relacionada com Cabral, Manoel; o Venturoso, Nóbrega, Anchieta, Camões, Bernardes, Vieira, Mathias Aires, José Bonifácio, Teixeira de Freitas, Góis de Vasconcellos, Cansanção Sinimbu, S Vicente, Inhomirim, Pedro II, Luiz Gama, José do Patrocínio, Rio Branco, Nabuco de Araújo, Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Aluísio Azevedo, Eduardo Prado, Quintino Bocaiuva, Evaristo de Morais, Clovis Bevillacqua, Pontes de Miranda, Sobral Pinto, Victor Mirelles, Casimiro, Castro Alves, Pedro Américo, Vicente de Carvalho, Martins Penna, Maricá, Tobias Barreto, Farias Brito, Arthur Ramos, Teodoro Sampaio, Câmara Cascudo, Darcy Ribeiro, Fernando de Azevedo, Gilberto Freire, etc Tais as nossas referências e os homens base da nossa cultura, da nossa consciência ou do nosso espírito.
E caso desejássemos referências mais remotas teríamos - Pe Juan de Mariana, Cervantes, Dante, Tasso, La Fontaine, Racine, P Corneille, La Rouchefoucauld, La Bruyére, Hugo, Daudet, Mauriac, Bernanos, Cesbron e mesmo um Dostoievsky ou um Tolstoi estão muito mais próximos de nós e de nossa cultura do que qualquer ideólogo iankee alinhado.
Isto é nosso, nossa herança comum, nossa cultura, nosso espírito, legado pelo Cristianismo antigo ou Catolicismo, pela Filosofia clássica (Socrática ou aristotélica) e enfim pelo direito romano, fontes supinamente ignoradas ou depreciadas pela república protestante do Norte.
Por via do Cristianismo apostólico ou histórico, do aristotelismo e da estrutura política do império romano herdamos as instituições preciosas da paróquia e do município e com o municipalismo e o conselho, uma democracia de base ou uma base democrática. Como explicou Moulin havia democracia nas estruturas de nossas ordens religiosas ou conventos. Assim em nossas cortes que limitavam o régio poder. E tínhamos Ordenações (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas) impregnadas de espírito comunal ou coletivo. E os rocios e terras públicas do município. Enfim toda uma riqueza de instituições sociais, infensas ao individualismo nórdico e norteadas por um espírito gregário que tendia ao equilíbrio social.
Aqui, a chaga, ao menos no Nordeste, segundo se diz, imposta pelo meio, mas tragicamente imposta e injustificável, foi a escravidão. A qual, ao contrário dos EUA, sem efusão de sangue ou guerra fratricida, abolimos vinte anos depois deles. Pagamos, por essa instituição criminosa um preço social bastante caro até os dias de hoje e trazemos suas marcas no espírito da cultura, quiçá as cotas nos ajudem a obter alguma redenção. Quanto aos povos originários ao menos tivemos aqui conosco os padres jesuítas, graças aos quais houve certo grau ou nível de mistura, ao invés de extinção total - Executada no Oeste dos EUA em pleno século XIX, após a afirmação dos direitos essenciais da pessoa humana!
Em que pesem seus vícios e defeitos eu me orgulho de ter herdado esta cultura: Latina, ibérica, lusitana, brasileira e em parte indígena. Face a cultura de morte vigente nos EUA, cultura engendrada pelo anti humanismo protestante ou melhor calvinista, fonte também do 'Destino manifesto', da 'Identidade cristã' e do Apartheid (Este na África do sul). Assumo portanto uma cultura que desde sempre valorizou os laços sociais, o espírito comunal, a fraternidade, a solidariedade, a cooperação, o mutualismo; não o individualismo, o egoísmo ou a concorrência.
Foi esta cultura que cunhou as expressões 'Metron ariston' e 'Aurea mediocritas' ainda antes da manifestação do Evangelho de Cristo. Isto em oposição ao acúmulo irrestrito de bens, o qual nada tem de racional mas de passional - Segundo concluíram os dois maiores escritores ingleses: Swift e Defoe, cujas obras acidamente críticas a respeito da civilização econômica então emergente, podemos com proveito ler.
Nós brasileiros herdamos tudo isto e tal herança, lealmente assumida (Em particular pelos que se dizem conservadores ou patriotas) nos deveria conduzir a uma prática social ou a um tipo modelar de convívio totalmente distinto daquilo que nos é dado pela Republica anglo saxã do Norte.
Naturalmente que não ignoramos a principal causa de toda esta confusão dos infernos.
Deve-se ela, permita-me dizer sem peias ou rodeios é a introdução intencional e calamitosa da fé protestante entre nós (O que corresponde a um projeto político internacional que satisfaz a diversas demandas: A do sionismo, a da maçonaria, a do imperialismo iankee é claro...). Fé por meio da qual pretendem os pastores destruir nossa cultura ancestral e substitui-la pela cultura iankee. Fé por meio da qual esperam introduzir em nosso meio toda constelação cultural daquela sociedade: Individualismo, capitalismo, minimalismo, democracia formal, Estado policial, odinismo, etc E o que temos aqui é uma invasão ou guerra cultural - Tal e qual sucede na Europa atual face ao islã.
E a audácia dos pastores e ideólogos protestantes é tão descarada que ao tomar a expressão Cristianismo querem dar a entender que foi nossa cultura produzida pelo protestantismo ou por algo similar a ele. O que é absolutamente falso e tendencioso. A visão ou cosmovisão e projeto social das igrejas apostólicas, do Catolicismo Ortodoxo (Vide a Rússia atual que novamente se volta para os padrões de Dostoivesky, despertando o ódio do iankee.) ou do papismo é totalmente distinta da visão ou do projeto protestante calcado no antigo testamento ou no israelitismo antigo (Do que é expressão o 'Reconstrucionismo' vigente no 'Bible belt', entre as seitas fundamentalistas e na 'Identidade cristã'). São projetos opostos e inconciliáveis ainda que o projeto papista, por via do Ecumenismo moderno, tenha cada vez mais perdido sua identidade própria e até se perdido. O modelo autenticamente Cristão é o da afirmação da fraternidade e da consolidação da solidariedade tendo por referencial a Encarnação de Deus no mundo.
Perceba-se que as exóticas exigências do Mercado - Surgidas na Inglaterra do século XVIII, em torno de um status diferenciado ou superior, se estão de pleno acordo com aquele éthos individualista presente já no protestantismo, com sua insistência de uma redenção individual ou separada da comunidade dos fiéis, estão em franca contradição com a concepção cristã em torno de uma redenção social ou coletiva, relacionada com uma sociedade orgânica chamada Igreja, com a comunhão dos Santos ou ainda com o padrão social vigente em todas as culturas antigas, especialmente com o ideal grego romano da Polis.
Ociosa a ideia de buscar pela existência de um Mercado a parte da sociedade, da política ou da lei em qualquer sociedade antiga, pelo que somos autorizados a declarar que antes do século XIX jamais existiu qualquer coisa semelhante a capitalismo. Equivocado afirmar o mesmo sobre a estrutura democrática, a qual remonta, no mínimo a Clístenes (509 a C), senão, como quer Aristóteles, na Constituição, ao próprio Sólon. Pelo menos, em certo sentido (Puramente econômico) o tal comunismo de fato existiu nas culturas primitivas, por meio da posse comum da terra e dos meios de produção, de que temos exemplo, inclusive, no Genos grego. Neste sentido pode-se dizer que é o liberalismo econômico uma súbita novidade portadora de um ideal utópico.
Repito, um mercado relativamente livre e mais ou menos limitado, existe desde os tempos mais remotos ou desde os primórdios da civilização. De modo algum o conceito ou a proposta de um Mercado situado acima das instituições sociais, o que, como percebeu Pilanyi, lhe conferiria um status privilegiado ou de dominação e conferiria a sociedade um caráter economicista. Insistir sobre tal status ou superioridade implica dar início formal a construção de uma infra estrutura puramente material ou econômica nos termos postos por Marx. Com todas as implicações culturais embutidas na criação de um novo modelo totalmente distinto do modelo religioso ou do modelo metafísico. E como o ser humano possui certa tendência a arroubos místicos, o liberalismo econômico ou capitalismo presta-se a também ele a portar uma tal mística, em torno do acúmulo ou da riqueza, destinada a eletrizar almas vazias e rasteiras. E aqui fraterniza-se com os nacionalismos exaltados e sobretudo com o comunismo, com o anarquismo, com o fascismo, o nazismo, etc
Na medida em que todas as atividades da vida humana passam a ser avaliadas em termos de (Confúcio diria 'Comprar e vender') de preço ou lucro, vai esse éthos (Materialista) penetrando e transtornando todos os setores da sociedade, estabelecendo umas relações orgânicas e afirmando-se como centro totalizante. Quero dizer que todas as atividades da vida humana, antes centralizadas em torno de outros padrões, geralmente imateriais, abstratos ou metafísicos, passam a ser centralizadas em torno da produção e distribuição de bens, assumindo as características peculiares a esse padrão. A constelação cultural não gira mais em torno de deuses, do além túmulo, da estética, do conhecimento ou na lealdade, porém em torno do lucro ou do acúmulo de coisas materiais num plano, como o nosso, que é circular e portanto estável, limitado e finito.
Ainda não abordei a questão lançada por Arendt sobre a redução do espaço político ou do exercício da cidadania - Sobretudo por meio da solução representativa ou parlamentar. - e sua decorrente perda de qualidade. Mas é um dos múltiplos aspectos do economicismo. Reconhecemos o valor ou a validade das instituições democráticas, porém não damos a mínima quanto a formação do ser humano democrata, em posse de uma consciência democrática, conduzido por princípios e valores democráticos, destinado a sacrificar-se pela ordem democrática. Desdenhamos quanto a formação deste cidadão na medida em que permitimos > Em nome de interesses econômicos privados, o aumento da desigualdade social, a proliferação da miséria e, consequentemente a condensação da ignorância, enfim a criação de seres humanos mutilados, despersonalizados, desumanizados, alienados, etc com direito ao voto ou a cidadania. Por onde jamais chegamos a Democracia e sim a Oclocracia ou a uma profunda desilusão face a política. A quem este ceticismo, essa frustração, esse desleixe ou este abandono interessam...
Após tanta enrolação, passemos agora a Scruton.
Começa a pag 8 enaltecendo a 'Democracia parlamentar' e 'caridade privada'.
Bom advertir que não é esta a Democracia grega ou mesmo o landsgemeinde suíço, modelos bem mais funcionais. Via de regra (Vide Sartori) os teóricos alegam que a existência do macro estado impede a adoção do modelo direto ou da policracia (Uma vez que Atenas não passavam de uma Polis ou cidade). Penso que seja apenas uma meia verdade. Afinal existem países ou condados, aos quais cabe decidir alguma coisa... Logo, mesmo na esfera do macro estado, as demandas cantonais ou municipais sempre poderiam ser discutidas e aprovadas pela comunidade. Por outro lado o surgimento do mundo digital, da internet, da virtualidade, etc abrem novas possibilidades no que diz respeito a comunicação, e, consequentemente a vida democrática. Exemplo disto é a Democracia estendida ou Demoex criado em 2002 na Suécia.
O problema aqui, desde o surgimento do representativismo parlamentar, foi a questão do trabalho ou da economia, noutras palavras, a participação dos produtores, trabalhadores ou operários nas discussões e deliberações da vida política implicaria em algum tipo de ajuste quanto a jornada de trabalho, em termos de ausência ou rotatividade, o que implicaria por sua vez na redução do progresso, leia-se da produção e dos lucros. O que é inaceitável ainda hoje, no século XXI, imagine só no século XVII... Se em 2025 ainda há quem queira aumentar a jornada de trabalho e diminuir o tempo disponível ou ocioso dos cidadãos, imagine então os tempos pretéritos...
A acomodação, como sempre, feita foi para satisfazer os interesses dos patrões ou empreendedores, com perda da funcionalidade e o que é pior, a possibilidade de um controle maior ou digamos de sabotagem por parte dos mesmos patrões, os quais sempre poderia, de alguma maneira, influenciar a escolha dos tais representantes. Tal e qual o pastor banqueiro Vorcaro financiou a eleição de Bolsonaro ou sua propaganda com o objetivo de influenciar a vida política nacional e obter vantagens. É assim que a perniciosa indústria de armas ou bélica, por meio de gorjetas e propaganda, influencia a política norte americana, expondo os cidadãos inocentes (Que deveriam ser sempre protegidos) a constantes massacres por parte de psicopatas ou delinquentes.
Além disso, possuí o representativismo um vínculo estrutural, posto que uma transferência definitiva de poder possibilita a simples traição sob pretexto de mudança. Nada mais comum do que um candidato tal apresentar-se ao povo como seu protetor ou como defensor de seus direitos, seja a liberdade dos cidadãos ou as leis de proteção ao trabalho, até que vendo-se eleito e recebendo estipêndios criminosos muda quase que de imediato os seus princípios e valores, passando a defender o minimalismo ou a privataria. E fica tudo por isso mesmo - Posto que ninguém jamais se pergunta sobre o porquê de tão súbita mudança, investiga sua agenda ou sonda sua o saldo de sua conta bancária.
Naturalmente que um homem prudente como Locke estipulou que em tal caso, em que o interesse do eleitorado seja ameaçado e o povo sordidamente traído, deveria ser aquele parlamento dissolvido pela autoridade competente, realizando-se novas eleições. No entanto esse dispositivo importante contido nas obras do citado autor, por questão de mera conveniência, jamais foi suficientemente lavado a sério, sofrendo outra acomodação ou arranjo. De modo que após a 'transferência do poder' o povo cessa de meter o bedelho na tomada das decisões, ficando os tais senadores ou deputados firmados no cargo por três, quatro ou cinco anos i é até o fim do prazo legal determinado, façam eles o que bem quiserem, o que sucedeu entre nós nos anos noventa, durante o espetáculo das reformas e privatizações, em que o governo comprava os votos dos tais representantes a olho nu.
Quanto a caridade privada temos aqui outro erro funesto, caso a anteponhamos ao Bem comum enunciado por Aristóteles, identificado com a paz ou a concórdia, fruto enfim de uma relativa igualdade ou da justiça social. A caridade decerto, entra pelo domínio da Ética, correspondendo, até certo ponto, a uma deliberação livre. Outro o caso da justiça, cuja satisfação, pertencente a esfera das coisas impositivas, precede a caridade privada, sendo digna do cuidado e da ação política.
Scruton não fala aqui sobre o Bem comum ou a justiça social, porque talvez seja assunto alheio a sua tradição. Quanto a nós, já dissemos que a noção de Bem comum não somente remonta a Aristóteles como praticamente esgota a finalidade da ação política. A existência do Estado só se justifica enquanto meio mais eficaz para a consecução do Bem comum e da harmonia ou unidade social. Reduzido a mera estrutura policial destinada a perpetuar o status de entidades particulares, torna-se anti ético, alheio ao bem comum e não apenas inútil porém pernicioso. Assim o estado minimalista ou neo liberal, a serviço de interesses privados que perpetuam ou acentuam desigualdades.
Alias, nem se pode separar a noção de um Estado policial que se limita a conter as possíveis tentativas de subversão por parte dos escravizados, pauperizados, miseráveis, explorados, oprimidos, etc da proposta de Kelsen em torno de um direito sem ideais abstratos ou metafísicos de comportamento i é sem aquela Ética representada pelo Direito natural. Ao qual devem se ajustar, por força da Lei, todas as instituições humanas. Pois a negação do jusnaturalismo, também ela, implica aceitar passivamente e acriticamente os decretos ou ações políticas ditadas por um determinado Estado, ou como dizem, a realidade dada, seja ela qual for. Tudo isso implica não apenas conformar-se com as situações de injustiças, como se fossem desejáveis, como consolida-las e amplia-las.
Como diz Aquino a caridade privada só pode cumprir com sua finalidade adicional ou completiva após a afirmação radical da justiça, a qual por ela não pode ser substituída sem alterar negativamente a ordem natural das coisas.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
O convidado que chegou atrasado ou dialogando com Roger Scruton (Como ser um conservador) II
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terça-feira, 18 de setembro de 2018
Curso de Política I - Voto: Entre a abstenção e o pensamento mágico.
Nada mais icônico do que a propaganda dos T. E.s sobre a importância do voto no rádio e na TV. Tem certo ar de misticismo ou melhor de fetichismo que chega a repugnância. É sem dúvida algo que baralha a realidade e mistifica.
Querem passar a impressão, leviana; de que ser cidadão resume-se em votar i é em ir, obrigatoriamente, de quatro em quatro anos participar do ritual de transferência de poder que sanciona o 'status quo'. Querem passar a impressão de que votar tudo é e tudo resolve e esta impressão é perigosíssima.
Não nos enganemos, votar é um detalhe, quiçá ínfimo. É algo que faz parte da política ou melhor da cidadania, mas que não pode esgota-la.
Votar nem nos converterá em cidadãos nem solucionará todos os nossos problemas. Faz parte, não é tudo.
Alias devemos aproveitar a oportunidade para salientar a monstruosidade do voto obrigatório num contesto democrático.
O que por sinal corresponde a uma intencionalidade, e a uma intencionalidade política - Impedir ou travar a consolidação de uma política consciente e cidadã.
Afinal aquele que vota por força da lei, obrigado, revoltado...Votará de qualquer jeito ou em qualquer um, quando não venderá seu voto aquele que pague mais. Consolidado nosso coronelismo enrustido e alimentando ainda mais a venalidade e a corrupção.
Da obrigatoriedade do voto é que resulta este mercado ou melhor a oferta de eleitores que se vendem e podem ser facilmente comprados. A massa se vende porque não vê motivo algum para votar... porque não vê sentido nesta ação... E não vendo sentido esculacha, votando no tiririca ou mesmo num bode.
No outro extremo temos os abstenceístas, muitos dos quais anarquistas.
Nós, eles e os autoritários conscientes ou fascistas temos algo em comum: Reconhecemos as deficiências, mazelas, vícios e defeitos do sistema representativo elaborado por John Locke no século XVII. Democrata que não reconheça a fragilidade intrínseca da democracia representativa ou burguesa fantasia e não pode ser bom democrata. Nós, com os contrários, reconhecemos o problema.
Os anarquistas no caso acreditam que o sistema entrará em colapso por meio do abstenceísmo i é do voto nulo ou da não participação nas eleições. No entanto, o que vemos e percebemos é que, apesar das abstenções o sistema continua firme e forte, sem dar sinais de que esteja demasiadamente abalado ou prestes a cair. Os nulos hoje ainda não passam de 20%. Será que um dia chegarão a 80%??? Tenho motivos para duvidar...
No caso deles a abstenção ou seu sucesso levaria ao colapso do que chamamos macro estado. Mas quando Brasil ou Argentina dissolverem-se política e administrativamente que haverá de substitui-las? Pequenas agremiações regionais ou mesmo municipais a semelhança das antigas cidade estados gregas? O que inclusive facilitaria, sem dúvida, o exercício da policracia ou da democracia direta. É um ideal nobre - o da policracia - e do qual partilhamos, sem no entanto nos deixar enganar pela solução das cidades estado.
As cidades estado gregas, num determinado momento assumiram, em sua maior parte, a forma democrática. Foi algo belo e esplendoroso, mas nem tudo foram rosas. Pois havia, lá fora, um colossal Império persa a espreita. O trágico aqui foi que as cidades gregas não se conseguiram entender e formar uma Unidade contra o inimigo comum, o que gerou um impasse. Durante mais de século viveu a Grécia sob pressão daquele inimigo externo unificado. Até que Alexandre conquistou-o. Não sem antes unificar a força as cidades estado e, consequentemente erradicar a democracia, exterminando-as em seu próprio berço. Não poucos teóricos alegam que teve de imolar a democracia as necessidades da cultura. Pois fragilizada pela divisão e conquistada pelos persas a Grécia viria a compor o Império e a perder dua identidade cultural.
Foi uma opção dramática, e que até hoje não podemos avaliar serenamente.
Não se diga porém que inexiste um Império semelhante ao persa disposto a ocupar qualquer nicho ou espaço criado no planeta. Seria pura ingenuidade acreditar que as cidades estado do 'aquífero' não seriam assediadas por um inimigo externo poderoso e muito bem organizado nos tempos em que a água vai adquirindo tanto valor. Seria igualmente ingênuo asseverar que nossas cidades estado brasileiras ou bolivianas manteriam a concórdia ou conservariam algum tipo de unidade militar. Francamente falando, olhando para o Norte deste continente, não creio que a adoção do modelo grego convenha a América latina. Aqui temos de ser realista.
Por isso sou favorável, quiçá seguindo o exemplo de Bolivar e de José Bonifácio, a construção de uma democracia cada vez mais direta no contexto do macro estado. Quiçá através dos meios de comunicação digitais e a exemplo do Demoex da Suécia.
Abrir mão do macro estado no atual contexto bem poderia beneficiar a construção de um imperialismo colossal.
Outros tantos anarquistas, cientes de todos estes problemas, tornam a Bakhunin com seu evasivo - Não sabemos nem queremos saber que venha ser o futuro mas apenas destruir... No entanto é próprio do homem pensar o futuro ou melhor planeja-lo. Seja como for esta evasiva me parece fútil. Pois quem sabe se destruindo o que existe sem pensar o futuro não estamos preparando um futuro pior???Refletir e buscar soluções sóbrias sempre foi o caminho mais seguro para chegar ao melhor e o ser humano merece esta seguridade. Temos assim de oferecer algo ou alguma perspectiva com relação ao futuro e não me parece que o anarquismo esteja sendo bem sucedido neste sentido.
Já dissemos quando oferece alguma resposta sobre o futuro na melhor das hipóteses recorre a experiência grega em torno das cidades estado. Experiência que como vimos não deixou de ser problemática, como não deixa de se-lo no tempo presente. Dizemos melhor das hipóteses ou mais realista pelo simples fato de que parte dos anarquistas jamais furtou-se a quimera Stirneriana em torno de uma Não sociedade ou de agremiações de indivíduos, chegando aos confins do ANCAP... Claro que isto não corresponde aos ideais de um Kropotkin ou mesmo de um Bakhunin, e no entanto ao menos parte deles tem cogitado na eliminação do que concebemos por Sociedade. Como se vê, a confusão entre as noções de Estado e Sociedade torna o problema ainda mais sério e abre as portas para o espectro do individualismo...
Já os autoritários, militaristas, absolutistas, fascistas, etc são pela eliminação da democracia e pela adoção de uma ordem hierárquica, autoritária e despótica. A solução não podia ser pior... embora seus teóricos conheçam, talvez até melhor que os anarquistas, os vícios e defeitos da democracia burguesa.
Não poucos dentre eles - digo parte dos fascistas - tem exposto de deplorado a existência do que chamam plutocracia ou seja, de uma regime político ou de uma democracia a serviço de interesses puramente econômicos, do mercado ou do capital. A crítica não parte apenas dos Comunistas, mas de alguns fascistas, alias classificados como socialistas. Seja como forma eles acreditam que uma autoridade 'neutra' seja capaz de julgar a questão, de fazer justiça aos injustiçados, de conter as aspirações do Mercado e de cimentar a conciliação entre as partes instaurando uma 'paz perpétua'.
O problema aqui não diz respeito a suposta neutralidade classista ou econômica da autoridade em questão. Nem poderíamos negar a priori a existência de uma autoridade ética e voltada para o bem comum. O problema aqui é de ordem histórica, matemática e psicológica. Será prudente apostar que o titular de tão grande autoridade não se deixará corromper pelo exercício da mesma? Parece-me que para cada monarca virtuoso a História nos oferece o exemplo de mil psicopatas e degenerados como Heliogabalo, Tamerlão, Hitler, Stalin ou Bush. Não eu não acho prudente apostar no poder e na autoridade de um só e julgo que o poder absoluto corrompe absolutamente produzindo apenas monstros. Aqui os nobres e virtuosos correspondem a ínfima exceção, sendo coisa rara.
Para mim a solução pelo autoritarismo seria emenda pior que o soneto. E vemos já quem em nome da autoridade, da lei e da ordem queira sancionar a praga da tortura, que é um crime contra a humanidade.
Melhor que os homens partilhem a administração das coisa pública e se contenham uns aos outros.
Tornamos assim a solução democrática, em torno da participação, do gerenciamento comum do poder e da cidadania. Sem deixar de reconhecer que nossa forma ou estrutura é viciada e que deva ser alterada de modo a tornar-se mais eficiente e assim mais democrática.
Não é nem pelo individualismo e pela destruição, necessária, do macro estado e menos ainda pelo retorno ao despotismo que devemos sair da democracia burguesa, formal, parlamentar ou representativa mas por meio da democracia direta ou da policracia.
Nosso objetivo deve ser construir, na dimensão do macro estado, novos mecanismos capazes de ampliar a participação popular ou a cidadania, além é claro de empregar os mecanismos consagrados do plebiscito e do referendo com uma assiduidade cada vez maior. Devemos além disto priorizar a política de base resgatando o velho ideal do municipalismo, pois é na esfera do município que se torna possível um nível maior e mais profundo de participação.
Dentro desta perspectiva é claro que o voto acabará perdendo seu brilho artificial. Terá cada vez mais um peso relativo.
De certo modo o próprio abstenceísmo não deixa de presumir demasiadamente do voto e de emprestar-lhe muito importância. Pois aposta que o aumento dos votos nulos levará o sistema ao colapso.
O quanto podemos dizer sobre a realidade do tempo presente chega a ser simples - A propaganda posta em circulação nos meios de comunicação e que identifica a cidadania ou a política com o ato de votar é tendenciosa. Votar não solucionará todos os nossos problemas e isto pelo simples fato de que outros também votam, de que ignorantes e canalhas votam, de que as massas sem consciência votam... Assim, a cidadania pressupõem certo 'proselitismo' ou cerra dose de conscientização. Temos de discutir, de dialogar, de debater sobre política, temos de argumentar e de ganhar o outro, temos de persuadir o outro sobre a importância do voto cidadão, temos de nos engajar na política antes de dizer que a política não presta.
Platão já dizia que não se fará uma boa política sem a participação dos bons cidadãos. E é aqui que a abstenção, fuga ou omissão dos virtuosos enojados dará espaço e poder aos maus... Caso nos retiremos o preço a ser pago será sermos dominados pelos maus ou pelos inferiores, pelos ignorantes, pelas massas...
O Brasil é exemplo vivo disto.
Bolsonaro e seus apoiantes, assim como a sinistra bancada 'evanjéguica' correspondem a minorias ou a elementos minoritários muito bem articulados que auferem imenso benefício da abstenção por parte dos que não concordam com seus respectivos ideários. Pois bem, estas pessoas virtuosas e conscientes poderiam ajudar-nos a conter estas duas ameaças, mas preferem lavar as mãos como Pilatos e não participar, não interferir.
Digo mais. Com o apoio de tanta gente boa mas desiludida seria muito mais fácil transferir o poder para pessoas que não fossem apenas honestas mas que fossem aptas, digo bem informadas, inteligentes, capacitadas, hábeis, engajadas, etc Querendo ou não as nossas vidas são reguladas e atingidas penas decisões tomadas pelo poder político; e abstenção alguma muda isto. Querendo ou não as pessoas humildes, os trabalhadores, os assalariados, os jovens, as crianças, as mulheres e até os animais e o meio ambiente tem suas existências alteradas ou influenciadas, para melhor ou para pior, pela esfera da política institucional. Querendo ou não o que eles, os políticos profissionais, fazem repercute em nossas vidas sob a forma de qualidade ou de indignidade.
Diante desta realidade inegável fico perguntando-me se não seria melhor partir de princípios e valores saudáveis para escolher representantes leais, dedicados a justiça social, a promoção humana e ao bem comum??? Talvez eleger alguém com tais características seja fazer o mínimo ou alguma coisa. Digo eleger alguém que além de honesto, probo e impoluto seja também conhecedor da realidade social e aspire transforma-la, a partir de uma demanda ética. Agora na falta de semelhante pessoa porque ao invés de criticar e maldizer também não entramos nós na arena da política levando esta ética, estes princípios, estes valores???
Votar com consciência pode ser parte mínima e cada vez mais mínima, no entanto, mesmo assim, faz parte. Não alterará radicalmente as coisas, mas talvez ajude a impedir que elas piorem radical e aceleradamente. Talvez não possamos fazer todo bem que desejamos, mas sempre será possível conter algum mal.
Assim entre a abstenção e o idealismo romântico tomemos por critério um sóbrio realismo. Quem sabe fazendo pouco ou o mínimo seja melhor do que nada fazer ou que sonhar com futuros incertos e imaginários. Talvez abandonar esta forma precária e fragilizada de democracia e permitir que se degenere ao máximo venha a ser o caminho da mais abjeta servidão. Talvez sirva não a propósitos libertários mas a propósitos ainda mais totalitários, opressores, despóticos e tirânicos dos quantos se achem em operação no tempo presente. Afinal, ao fim da linha, que poderá saber quem ou o que substituíra o sistema que temos??? Quem poderá garantir-nos de que não sobrevirá algo ainda pior, mais sórdido e mais destrutivo???
Querem passar a impressão, leviana; de que ser cidadão resume-se em votar i é em ir, obrigatoriamente, de quatro em quatro anos participar do ritual de transferência de poder que sanciona o 'status quo'. Querem passar a impressão de que votar tudo é e tudo resolve e esta impressão é perigosíssima.
Não nos enganemos, votar é um detalhe, quiçá ínfimo. É algo que faz parte da política ou melhor da cidadania, mas que não pode esgota-la.
Votar nem nos converterá em cidadãos nem solucionará todos os nossos problemas. Faz parte, não é tudo.
Alias devemos aproveitar a oportunidade para salientar a monstruosidade do voto obrigatório num contesto democrático.
O que por sinal corresponde a uma intencionalidade, e a uma intencionalidade política - Impedir ou travar a consolidação de uma política consciente e cidadã.
Afinal aquele que vota por força da lei, obrigado, revoltado...Votará de qualquer jeito ou em qualquer um, quando não venderá seu voto aquele que pague mais. Consolidado nosso coronelismo enrustido e alimentando ainda mais a venalidade e a corrupção.
Da obrigatoriedade do voto é que resulta este mercado ou melhor a oferta de eleitores que se vendem e podem ser facilmente comprados. A massa se vende porque não vê motivo algum para votar... porque não vê sentido nesta ação... E não vendo sentido esculacha, votando no tiririca ou mesmo num bode.
No outro extremo temos os abstenceístas, muitos dos quais anarquistas.
Nós, eles e os autoritários conscientes ou fascistas temos algo em comum: Reconhecemos as deficiências, mazelas, vícios e defeitos do sistema representativo elaborado por John Locke no século XVII. Democrata que não reconheça a fragilidade intrínseca da democracia representativa ou burguesa fantasia e não pode ser bom democrata. Nós, com os contrários, reconhecemos o problema.
Os anarquistas no caso acreditam que o sistema entrará em colapso por meio do abstenceísmo i é do voto nulo ou da não participação nas eleições. No entanto, o que vemos e percebemos é que, apesar das abstenções o sistema continua firme e forte, sem dar sinais de que esteja demasiadamente abalado ou prestes a cair. Os nulos hoje ainda não passam de 20%. Será que um dia chegarão a 80%??? Tenho motivos para duvidar...
No caso deles a abstenção ou seu sucesso levaria ao colapso do que chamamos macro estado. Mas quando Brasil ou Argentina dissolverem-se política e administrativamente que haverá de substitui-las? Pequenas agremiações regionais ou mesmo municipais a semelhança das antigas cidade estados gregas? O que inclusive facilitaria, sem dúvida, o exercício da policracia ou da democracia direta. É um ideal nobre - o da policracia - e do qual partilhamos, sem no entanto nos deixar enganar pela solução das cidades estado.
As cidades estado gregas, num determinado momento assumiram, em sua maior parte, a forma democrática. Foi algo belo e esplendoroso, mas nem tudo foram rosas. Pois havia, lá fora, um colossal Império persa a espreita. O trágico aqui foi que as cidades gregas não se conseguiram entender e formar uma Unidade contra o inimigo comum, o que gerou um impasse. Durante mais de século viveu a Grécia sob pressão daquele inimigo externo unificado. Até que Alexandre conquistou-o. Não sem antes unificar a força as cidades estado e, consequentemente erradicar a democracia, exterminando-as em seu próprio berço. Não poucos teóricos alegam que teve de imolar a democracia as necessidades da cultura. Pois fragilizada pela divisão e conquistada pelos persas a Grécia viria a compor o Império e a perder dua identidade cultural.
Foi uma opção dramática, e que até hoje não podemos avaliar serenamente.
Não se diga porém que inexiste um Império semelhante ao persa disposto a ocupar qualquer nicho ou espaço criado no planeta. Seria pura ingenuidade acreditar que as cidades estado do 'aquífero' não seriam assediadas por um inimigo externo poderoso e muito bem organizado nos tempos em que a água vai adquirindo tanto valor. Seria igualmente ingênuo asseverar que nossas cidades estado brasileiras ou bolivianas manteriam a concórdia ou conservariam algum tipo de unidade militar. Francamente falando, olhando para o Norte deste continente, não creio que a adoção do modelo grego convenha a América latina. Aqui temos de ser realista.
Por isso sou favorável, quiçá seguindo o exemplo de Bolivar e de José Bonifácio, a construção de uma democracia cada vez mais direta no contexto do macro estado. Quiçá através dos meios de comunicação digitais e a exemplo do Demoex da Suécia.
Abrir mão do macro estado no atual contexto bem poderia beneficiar a construção de um imperialismo colossal.
Outros tantos anarquistas, cientes de todos estes problemas, tornam a Bakhunin com seu evasivo - Não sabemos nem queremos saber que venha ser o futuro mas apenas destruir... No entanto é próprio do homem pensar o futuro ou melhor planeja-lo. Seja como for esta evasiva me parece fútil. Pois quem sabe se destruindo o que existe sem pensar o futuro não estamos preparando um futuro pior???Refletir e buscar soluções sóbrias sempre foi o caminho mais seguro para chegar ao melhor e o ser humano merece esta seguridade. Temos assim de oferecer algo ou alguma perspectiva com relação ao futuro e não me parece que o anarquismo esteja sendo bem sucedido neste sentido.
Já dissemos quando oferece alguma resposta sobre o futuro na melhor das hipóteses recorre a experiência grega em torno das cidades estado. Experiência que como vimos não deixou de ser problemática, como não deixa de se-lo no tempo presente. Dizemos melhor das hipóteses ou mais realista pelo simples fato de que parte dos anarquistas jamais furtou-se a quimera Stirneriana em torno de uma Não sociedade ou de agremiações de indivíduos, chegando aos confins do ANCAP... Claro que isto não corresponde aos ideais de um Kropotkin ou mesmo de um Bakhunin, e no entanto ao menos parte deles tem cogitado na eliminação do que concebemos por Sociedade. Como se vê, a confusão entre as noções de Estado e Sociedade torna o problema ainda mais sério e abre as portas para o espectro do individualismo...
Já os autoritários, militaristas, absolutistas, fascistas, etc são pela eliminação da democracia e pela adoção de uma ordem hierárquica, autoritária e despótica. A solução não podia ser pior... embora seus teóricos conheçam, talvez até melhor que os anarquistas, os vícios e defeitos da democracia burguesa.
Não poucos dentre eles - digo parte dos fascistas - tem exposto de deplorado a existência do que chamam plutocracia ou seja, de uma regime político ou de uma democracia a serviço de interesses puramente econômicos, do mercado ou do capital. A crítica não parte apenas dos Comunistas, mas de alguns fascistas, alias classificados como socialistas. Seja como forma eles acreditam que uma autoridade 'neutra' seja capaz de julgar a questão, de fazer justiça aos injustiçados, de conter as aspirações do Mercado e de cimentar a conciliação entre as partes instaurando uma 'paz perpétua'.
O problema aqui não diz respeito a suposta neutralidade classista ou econômica da autoridade em questão. Nem poderíamos negar a priori a existência de uma autoridade ética e voltada para o bem comum. O problema aqui é de ordem histórica, matemática e psicológica. Será prudente apostar que o titular de tão grande autoridade não se deixará corromper pelo exercício da mesma? Parece-me que para cada monarca virtuoso a História nos oferece o exemplo de mil psicopatas e degenerados como Heliogabalo, Tamerlão, Hitler, Stalin ou Bush. Não eu não acho prudente apostar no poder e na autoridade de um só e julgo que o poder absoluto corrompe absolutamente produzindo apenas monstros. Aqui os nobres e virtuosos correspondem a ínfima exceção, sendo coisa rara.
Para mim a solução pelo autoritarismo seria emenda pior que o soneto. E vemos já quem em nome da autoridade, da lei e da ordem queira sancionar a praga da tortura, que é um crime contra a humanidade.
Melhor que os homens partilhem a administração das coisa pública e se contenham uns aos outros.
Tornamos assim a solução democrática, em torno da participação, do gerenciamento comum do poder e da cidadania. Sem deixar de reconhecer que nossa forma ou estrutura é viciada e que deva ser alterada de modo a tornar-se mais eficiente e assim mais democrática.
Não é nem pelo individualismo e pela destruição, necessária, do macro estado e menos ainda pelo retorno ao despotismo que devemos sair da democracia burguesa, formal, parlamentar ou representativa mas por meio da democracia direta ou da policracia.
Nosso objetivo deve ser construir, na dimensão do macro estado, novos mecanismos capazes de ampliar a participação popular ou a cidadania, além é claro de empregar os mecanismos consagrados do plebiscito e do referendo com uma assiduidade cada vez maior. Devemos além disto priorizar a política de base resgatando o velho ideal do municipalismo, pois é na esfera do município que se torna possível um nível maior e mais profundo de participação.
Dentro desta perspectiva é claro que o voto acabará perdendo seu brilho artificial. Terá cada vez mais um peso relativo.
De certo modo o próprio abstenceísmo não deixa de presumir demasiadamente do voto e de emprestar-lhe muito importância. Pois aposta que o aumento dos votos nulos levará o sistema ao colapso.
O quanto podemos dizer sobre a realidade do tempo presente chega a ser simples - A propaganda posta em circulação nos meios de comunicação e que identifica a cidadania ou a política com o ato de votar é tendenciosa. Votar não solucionará todos os nossos problemas e isto pelo simples fato de que outros também votam, de que ignorantes e canalhas votam, de que as massas sem consciência votam... Assim, a cidadania pressupõem certo 'proselitismo' ou cerra dose de conscientização. Temos de discutir, de dialogar, de debater sobre política, temos de argumentar e de ganhar o outro, temos de persuadir o outro sobre a importância do voto cidadão, temos de nos engajar na política antes de dizer que a política não presta.
Platão já dizia que não se fará uma boa política sem a participação dos bons cidadãos. E é aqui que a abstenção, fuga ou omissão dos virtuosos enojados dará espaço e poder aos maus... Caso nos retiremos o preço a ser pago será sermos dominados pelos maus ou pelos inferiores, pelos ignorantes, pelas massas...
O Brasil é exemplo vivo disto.
Bolsonaro e seus apoiantes, assim como a sinistra bancada 'evanjéguica' correspondem a minorias ou a elementos minoritários muito bem articulados que auferem imenso benefício da abstenção por parte dos que não concordam com seus respectivos ideários. Pois bem, estas pessoas virtuosas e conscientes poderiam ajudar-nos a conter estas duas ameaças, mas preferem lavar as mãos como Pilatos e não participar, não interferir.
Digo mais. Com o apoio de tanta gente boa mas desiludida seria muito mais fácil transferir o poder para pessoas que não fossem apenas honestas mas que fossem aptas, digo bem informadas, inteligentes, capacitadas, hábeis, engajadas, etc Querendo ou não as nossas vidas são reguladas e atingidas penas decisões tomadas pelo poder político; e abstenção alguma muda isto. Querendo ou não as pessoas humildes, os trabalhadores, os assalariados, os jovens, as crianças, as mulheres e até os animais e o meio ambiente tem suas existências alteradas ou influenciadas, para melhor ou para pior, pela esfera da política institucional. Querendo ou não o que eles, os políticos profissionais, fazem repercute em nossas vidas sob a forma de qualidade ou de indignidade.
Diante desta realidade inegável fico perguntando-me se não seria melhor partir de princípios e valores saudáveis para escolher representantes leais, dedicados a justiça social, a promoção humana e ao bem comum??? Talvez eleger alguém com tais características seja fazer o mínimo ou alguma coisa. Digo eleger alguém que além de honesto, probo e impoluto seja também conhecedor da realidade social e aspire transforma-la, a partir de uma demanda ética. Agora na falta de semelhante pessoa porque ao invés de criticar e maldizer também não entramos nós na arena da política levando esta ética, estes princípios, estes valores???
Votar com consciência pode ser parte mínima e cada vez mais mínima, no entanto, mesmo assim, faz parte. Não alterará radicalmente as coisas, mas talvez ajude a impedir que elas piorem radical e aceleradamente. Talvez não possamos fazer todo bem que desejamos, mas sempre será possível conter algum mal.
Assim entre a abstenção e o idealismo romântico tomemos por critério um sóbrio realismo. Quem sabe fazendo pouco ou o mínimo seja melhor do que nada fazer ou que sonhar com futuros incertos e imaginários. Talvez abandonar esta forma precária e fragilizada de democracia e permitir que se degenere ao máximo venha a ser o caminho da mais abjeta servidão. Talvez sirva não a propósitos libertários mas a propósitos ainda mais totalitários, opressores, despóticos e tirânicos dos quantos se achem em operação no tempo presente. Afinal, ao fim da linha, que poderá saber quem ou o que substituíra o sistema que temos??? Quem poderá garantir-nos de que não sobrevirá algo ainda pior, mais sórdido e mais destrutivo???
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segunda-feira, 22 de maio de 2017
A produção de uma democracia não palatável e suas razões...

Tal a realidade do nosso Brasil contemporâneo, em que um número cada vez maior de cidadãos excelentes, sejam humanistas, socialistas, laicistas, amigos da liberdade, etc tem se deixado dominar pelo desamino, abater-se e optado pela abstenção, convertendo-se alguns inclusive, em apóstolos do abstencionismo.
E não é minha intenção neste artigo acusar tais pessoas de traição, conspiração ou qualquer outra coisa... De modo algum.
Tudo quanto pretendo, amigo abstencionista, é problematizar sua opção.
Começando por perguntar-lhe se acha que os paladinos do neo liberalismo e do liberalismo, noutras palavras - PSDbestas e aliados, também se sentirão desconfortáveis em meio a tanta profanidade, e optarão por abster-se? Crê de fato que os demagogos, charlatães, degenerados, vendidos, etc haverão de omitir-se também?
Admitindo que o maior número de desiludidos, desesperados, frustrados, abatidos, desanimados, desgostosos e consequentemente de abstencionistas, pertençam a plataforma de centro ou de esquerda, qual plataforma ficara mais fragilizada?
Admitindo ainda que a atual estrutura política conserve-se inalterada e nos mesmos moldes parlamentares a quem favorecerá o recuo da plataforma trabalhista? Por quem haverá de ser ocupado? Quem obterá a hegemonia no Parlamento? Que resultará de tão calamitosa situação?
Será que você acredita mesmo que o ato de abster-se e de desamparar a esquerda trabalhista atingirá os agentes mais ativos da corrupção, cuja plataforma é bem outra?
Retorno a primeira pergunta: Que o leva a crer que os eleitores da plataforma neo liberal ou liberal são tão sensíveis a chaga da corrupção quanto você partidário da esquerda?
E retorno ao citado Platão apenas com o objetivo de transmitir suas considerações ao amigo leitor:
'Caso o cidadão mais excelente opte por não participar da vida política qual haverá de ser o preço pago por ele? Sua punição será ser governado pelos medíocres e por toda gente inferior a si. Pois se o bom não participa com o objetivo de tornar a politica boa, os maus assumirão seu lugar tornando a política ainda pior do que é. E ele não poderá reclamar.' eis mais ou menos o que li há muito tempo já na clássica República.
E faz todo sentido.
Se você sendo nobre, honesto, bom, virtuoso e excelente; afasta-se da política com medo de contaminar-se, como admirar-se de que o nicho ou espaço aberto por si seja ocupado por alguém menos bem menos digno do que você, enfim por um bandido, ladrão, corrupto, venal, degenerado, canalha, etc??? Se você que é animado por princípios e valores saudáveis se abstém para não poluir-se, como deixar de concluir que o cenário só poderá piorar ainda mais devido a inserção dos maus???? Se você que é humanista recua enojado como evitar que um liberal desonesto ou um pastor charlatão preencha a vaga deixada por si e elabore leis com o objetivo de oprimir ainda mais nosso bom povo???
Como podemos ter esperança numa política melhor se quem tem princípios, valores, ética, virtude e nobreza é justamente quem se escandaliza e afasta???
Tudo quanto podemos esperar num cenário destes, de abandono e abstenção é que a condição da política agrave-se ainda mais...
Por fim, abandonado o cenário pelos virtuosos e bons poderão os corruptos e viciados prevaricar mais facilmente...
Perceba portanto caro leitor, que o abandono da política pelos virtuosos, acaba indiretamente, facilitando ainda mais o ofício do prevaricador. O qual se sentirá mais a vontade e menos ameaçado...
Afinal quem fiscalizará, quem vigiará, que denunciará tal categoria de pessoas caso o parlamento seja ocupado exclusivamente por elas?
Perceba amigo leitor que por trás da própria corrupção e sobretudo da divulgação da corrupção, coexistem diversas intencionalidade, e uma delas, com toda certeza, consiste em apresentar a política ou a democracia como algo essencialmente imundo e imprestável, desiludindo a tantos quantos aspirem sanea-la moralmente.
Há ali, deliberado propósito de apresentar a política como algo essencialmente mau, de que só tomam parte viciados, canalhas e degenerados e que não é feito para o homem honesto e decente. Uma das tônicas é sim alimentar o abstencionismo por parte dos bons, até que os maus obtenham total controle da situação. Não sei se há um programa de ação voluntária e conjunta por parte dos parlamentares corruptos neste sentido... Mas que alguns tem uma clara percepção a respeito nos parece evidente.
Podemos então falar na produção intencional e política de uma democracia não palatável por parte de alguns políticos corruptos. Os quais aspiram porque a corrupção seja divulgava aos quatro ventos, exposta, apresentada, etc com o objetivo de produzir repulsa por parte dos bons e mante-los afastados. Querem apresentar-nos a política ou a democracia como um pedaço de excremento ou carniça face ao qual sentimos vontade de vomitar e de permanecer afastados.
Por isso digo que a exposição da corrupção ou melhor dizendo a 'ostentação' que dela ser faz bem como a avidez com que é cometida, correspondem sim a tentativa de apresentar a política como algo pernicioso, nocivo, indigno e incorrigível. A ponto das pessoas acreditarem que as coisas sempre foram assim, e que não há remédio com que sanea-las, restando-nos apenas a opção de 'desertar' do cenário político, deixando-o entregue aos criminosos e sendo governados por eles.
Se ao menos as pessoas favoráveis a abstinência acreditassem na solução Revolucionária, unindo-se em torno de um ideal comum, a saber a destruição do Parlamento... A situação seria menos degradante.
Sucede no entanto que boa parte das pessoas desencantadas, que se afastaram da política vigente e das eleições, parece optar por viver num mundo paralelo, em que continuamos a ser comandados pelo Parlamento e fingimos que isto não afeta nossas vidas. O que não passa de ficção ou de delírio.
Mesmo que não participemos da política institucional a simples existência dessa política ou a realidade de um parlamento, continua a afetar dramaticamente a condição de milhões e milhões de seres humanos seja reduzindo-lhes as liberdades ou suprimindo-lhes os direitos, e consequentemente agravando diversas situações de miséria, ignorância, violência e indignidade.
Portanto de pouco vale abster-se e manter-se a parte da vida política, se não aderimos a qualquer outra pauta tanto mais 'realista' e objetiva, como a dos revolucionários e sedicionistas. Posso até discordar deles como discordo sem no entanto ter de classifica-los como inconsequentes e levianos...
Agora como haverei de classificar pessoas que tendo se afastado da vida política institucional, continuam a tolera-la, agindo como se não existisse?
Em que o fingir que determinada estrutura, forma ou organização existente inexiste haverá de beneficiar alguém???
Em que ir para a savana negando a existência de leões haverá de beneficiar o viajante?
Benefício aufere aquele que admitindo a existência real dos leões e o perigo representado por eles interna-se na savana levando consigo rifle e munições.
Por mais que o outro proceda como se os leões inexistissem nem por isso estará mais seguro.
Portanto fingir que a política não existe ou não dar a mínima por ela, ou ignora-la não te preserva das decisões políticas tomadas pelos corruptos.
De uma maneira ou de outra, enquanto o Parlamento não for destruído e instaurada uma nova ordem, você e seus entes queridos continuarão sendo afetados por suas decisões.
Se você acredita que pode destruir o Parlamento agora e instaurar uma nova ordem política da noite para o dia, não temos o que discutir. Boa sorte...
Por outro lado, caso tenhamos de conviver com o parlamento e a política institucional por certa medida de tempo, melhor encarar o problema de frente. Melhor analisar, ponderar, atuar e participar; entrando na liça com boas ideias, com bons princípios, excelentes valores e intenções virtuosas; porque isto sim assusta bastante os políticos corruptos - O simples fato de terem os cargos disputados com gente de boa índole e reputação destinada a observa-los! Temem acima de tudo ser vigiados! Cerque-mo-los! Mas para isso é preciso que a gente de bem, aceite o desafio de por as mãos na massa sem medo de contaminar-se ou de poluir-se.
Temos de acreditar que é possível sim fazer uma política diferente, pautada em sentimentos nobres e virtuosos e fundamentada na ética.
O simples conhecimento, básico e elementar, da condição humana, basta-nos para constatar que sempre haverão elementos corruptos inseridos nas estruturas políticas de modo geral e nos partidos políticos, mesmo naqueles cujos estatutos e programas objetivem a afirmação da justiça social e do bem comum. Nem mesmo os melhores partidos, inspirados nas fontes do humanismo, são ou haverão de ser incorruptíveis... Eis porque não podemos sonhar com um parlamento perfeito.
Daí a conveniência de encaminhar-se para a democracia direta ou semi direta e de se recorrer tanto quanto seja possível a plebiscitos e referendos. Eliminando-se, gradativamente, a mediação do parlamento.
No entanto quanto ele existe e na medida em que existe, é dever do homem nobre, excelente e virtuoso impedir que seja completamente dominado e usado pelos maus elementos.
Eis porque temos de insistir sobre a necessidade da inserção.
Os elementos bons e virtuosos é que devem ocupar as cadeiras do Parlamento, constituir maioria e controla-lo em detrimento dos elementos indignos e corruptos. Tal a realidade distante que com fé devemos perseguir.
Sem jamais sonhar com super homens, falsos salvadores, 'mitos', deuses... com partidos incorruptíveis ou com um parlamento perfeito. No melhor dos partidos sempre haverá maus elementos e no melhor dos parlamentos sempre haverá homens dispostos a corromper-se. Basta que estejamos sempre dispostos a enfrenta-los, vigia-los, denuncia-los, conte-los e frustra-los; impedindo-os de comandar.
E no entanto tal só será possível caso os bons tomem consciência de seu dever e tornem a apoiar a plataforma socialista, que é sem dúvida uma plataforma ou proposta excelente.
Que contemplem apenas a própria integridade e o ideal de justiça a ser perseguido, sabendo que os crimes e maldades perpetrados por outros não são capazes de atingi-los.
Ah, mas se tomar parte na política ficarei mal falado... Mas se alguém do meu partido causar escândalo perderei minha reputação... Mas caso seja denunciado maliciosamente ou caluniado terei minha honra atingida, etc, etc, etc E assim acabarei expondo-me sem necessidade.
Quanto a tais objeções diria que ao justo basta a consciência limpa e, no máximo, a confiança dos seus, digo dos familiares e amigos. E que muitos homens nobres e excelentes foram processados, acusados e caluniados a exemplo de Aristides, o justo, em Atenas... E que mesmo dentre os nossos homens base não poucos foram expostos a calúnia e mentirosamente atacados, em que pese a inocência comprovada, assim: Zacarias, Sinimbu, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Bernardino de Campos, Vargas, Juscelino, Goulart, Montoro, Brizola, etc os quais nem se deixaram abalar, não perderam a cabeça e tampouco deixaram de contribuir, cada qual em sua medida, para o bem estar geral da República.
De fato a sorte de um politico virtuoso e comprometido com o bem comum e com a justiça nem sempre é fácil e invejável. Demandando alias certa abnegação e sacrifício, o que não se pode exigir de quem quer que seja.
Então vá lá! Não aspirar candidatar-se ao menos apoie os homens virtuosos que ousam faze-lo e vote neles. Vote dos que conhece e confia, apoie-os ativamente se de fato são excelentes e comprometidos. Lute por eles e introduza-os em seu nome no Parlamento para que de fato te representem fielmente.
Mas e se estiver enganado e o homem vier a degenerar - Uma vez que somos mutáveis - e a corromper-se???
Para justificar-te, basta que tua intenção seja pura! Caso não tenhas tido a intenção de eleger um criminoso, estas inocentado. Errastes, fostes ludibriado, enganado, iludido ; tal a sorte dos mortais - Nada mais humano do que o erro! Certamente aquele que busca eleger um candidato honesto, após ter investigado e buscado conhecimento de causa, converte-se em vítima, ao ser traído por ele.
E no entanto o medo de errar não nos deve impedir de tomar as decisões que julgamos certas ou de agir.
Do contrário sequer atuaríamos de qualquer modo com medo de 'pecar' ou de cometer ações indignas, face as quais somos sugestionados frequentemente. E no entanto a inação ou a omissão são sempre mais perniciosas do que o risco. Viver é aventurar-se, é arriscar-se, é expor-se...
Importante, já o disse, é a pureza das intenções ou a vontade de acertar.
O que no âmbito da ação politica implica busca pelo conhecimento.
Vote portanto em quem já conhece e confia ou, busque conhecer de perto e com suficiência de tempo os candidatos de sua plataforma. O que é facilitado no caso dos que já atuam e pleiteiam a reeleição pelo conhecimento de seu histórico político. Certamente que há políticos comprometidos com os interesses populares que jamais foram denunciados ou citados por improbidade, assim diversos membros da bancada do PSOL dentre os quais Ivan Valente e Luiza Erundina; o deputado trabalhista Bohn Gass; o ínclito deputado pedetista Ciro Gomes; assim aqueles que foram levianamente citados sem produção material de provas como a nobre Senadora Gleisi Hoffman e a deputada Jandyra Fegalli do PS do B, dentre outros. Sempre existiram e ainda existem pessoas que valham a pena dentro do cenário político e devemos cerrar fileiras em redor delas.
No entanto de que nos valerá eleger meia dúzia de gatos pingados honestos contra uma aluvião de demagogos vendidos???
Claro que a militância cidadã implica trabalho de conscientização a ser realizado, buscando esclarecer o outro e ganha-los para esta boa causa.
Importa fortalecer esta minoria de combatentes valorosos como os parlamentares que se opuseram:
Tudo quanto podemos esperar num cenário destes, de abandono e abstenção é que a condição da política agrave-se ainda mais...
Por fim, abandonado o cenário pelos virtuosos e bons poderão os corruptos e viciados prevaricar mais facilmente...
Perceba portanto caro leitor, que o abandono da política pelos virtuosos, acaba indiretamente, facilitando ainda mais o ofício do prevaricador. O qual se sentirá mais a vontade e menos ameaçado...
Afinal quem fiscalizará, quem vigiará, que denunciará tal categoria de pessoas caso o parlamento seja ocupado exclusivamente por elas?
Perceba amigo leitor que por trás da própria corrupção e sobretudo da divulgação da corrupção, coexistem diversas intencionalidade, e uma delas, com toda certeza, consiste em apresentar a política ou a democracia como algo essencialmente imundo e imprestável, desiludindo a tantos quantos aspirem sanea-la moralmente.
Há ali, deliberado propósito de apresentar a política como algo essencialmente mau, de que só tomam parte viciados, canalhas e degenerados e que não é feito para o homem honesto e decente. Uma das tônicas é sim alimentar o abstencionismo por parte dos bons, até que os maus obtenham total controle da situação. Não sei se há um programa de ação voluntária e conjunta por parte dos parlamentares corruptos neste sentido... Mas que alguns tem uma clara percepção a respeito nos parece evidente.
Podemos então falar na produção intencional e política de uma democracia não palatável por parte de alguns políticos corruptos. Os quais aspiram porque a corrupção seja divulgava aos quatro ventos, exposta, apresentada, etc com o objetivo de produzir repulsa por parte dos bons e mante-los afastados. Querem apresentar-nos a política ou a democracia como um pedaço de excremento ou carniça face ao qual sentimos vontade de vomitar e de permanecer afastados.
Por isso digo que a exposição da corrupção ou melhor dizendo a 'ostentação' que dela ser faz bem como a avidez com que é cometida, correspondem sim a tentativa de apresentar a política como algo pernicioso, nocivo, indigno e incorrigível. A ponto das pessoas acreditarem que as coisas sempre foram assim, e que não há remédio com que sanea-las, restando-nos apenas a opção de 'desertar' do cenário político, deixando-o entregue aos criminosos e sendo governados por eles.
Se ao menos as pessoas favoráveis a abstinência acreditassem na solução Revolucionária, unindo-se em torno de um ideal comum, a saber a destruição do Parlamento... A situação seria menos degradante.
Sucede no entanto que boa parte das pessoas desencantadas, que se afastaram da política vigente e das eleições, parece optar por viver num mundo paralelo, em que continuamos a ser comandados pelo Parlamento e fingimos que isto não afeta nossas vidas. O que não passa de ficção ou de delírio.
Mesmo que não participemos da política institucional a simples existência dessa política ou a realidade de um parlamento, continua a afetar dramaticamente a condição de milhões e milhões de seres humanos seja reduzindo-lhes as liberdades ou suprimindo-lhes os direitos, e consequentemente agravando diversas situações de miséria, ignorância, violência e indignidade.
Portanto de pouco vale abster-se e manter-se a parte da vida política, se não aderimos a qualquer outra pauta tanto mais 'realista' e objetiva, como a dos revolucionários e sedicionistas. Posso até discordar deles como discordo sem no entanto ter de classifica-los como inconsequentes e levianos...
Agora como haverei de classificar pessoas que tendo se afastado da vida política institucional, continuam a tolera-la, agindo como se não existisse?
Em que o fingir que determinada estrutura, forma ou organização existente inexiste haverá de beneficiar alguém???
Em que ir para a savana negando a existência de leões haverá de beneficiar o viajante?
Benefício aufere aquele que admitindo a existência real dos leões e o perigo representado por eles interna-se na savana levando consigo rifle e munições.
Por mais que o outro proceda como se os leões inexistissem nem por isso estará mais seguro.
Portanto fingir que a política não existe ou não dar a mínima por ela, ou ignora-la não te preserva das decisões políticas tomadas pelos corruptos.
De uma maneira ou de outra, enquanto o Parlamento não for destruído e instaurada uma nova ordem, você e seus entes queridos continuarão sendo afetados por suas decisões.
Se você acredita que pode destruir o Parlamento agora e instaurar uma nova ordem política da noite para o dia, não temos o que discutir. Boa sorte...
Por outro lado, caso tenhamos de conviver com o parlamento e a política institucional por certa medida de tempo, melhor encarar o problema de frente. Melhor analisar, ponderar, atuar e participar; entrando na liça com boas ideias, com bons princípios, excelentes valores e intenções virtuosas; porque isto sim assusta bastante os políticos corruptos - O simples fato de terem os cargos disputados com gente de boa índole e reputação destinada a observa-los! Temem acima de tudo ser vigiados! Cerque-mo-los! Mas para isso é preciso que a gente de bem, aceite o desafio de por as mãos na massa sem medo de contaminar-se ou de poluir-se.
Temos de acreditar que é possível sim fazer uma política diferente, pautada em sentimentos nobres e virtuosos e fundamentada na ética.
O simples conhecimento, básico e elementar, da condição humana, basta-nos para constatar que sempre haverão elementos corruptos inseridos nas estruturas políticas de modo geral e nos partidos políticos, mesmo naqueles cujos estatutos e programas objetivem a afirmação da justiça social e do bem comum. Nem mesmo os melhores partidos, inspirados nas fontes do humanismo, são ou haverão de ser incorruptíveis... Eis porque não podemos sonhar com um parlamento perfeito.
Daí a conveniência de encaminhar-se para a democracia direta ou semi direta e de se recorrer tanto quanto seja possível a plebiscitos e referendos. Eliminando-se, gradativamente, a mediação do parlamento.
No entanto quanto ele existe e na medida em que existe, é dever do homem nobre, excelente e virtuoso impedir que seja completamente dominado e usado pelos maus elementos.
Eis porque temos de insistir sobre a necessidade da inserção.
Os elementos bons e virtuosos é que devem ocupar as cadeiras do Parlamento, constituir maioria e controla-lo em detrimento dos elementos indignos e corruptos. Tal a realidade distante que com fé devemos perseguir.
Sem jamais sonhar com super homens, falsos salvadores, 'mitos', deuses... com partidos incorruptíveis ou com um parlamento perfeito. No melhor dos partidos sempre haverá maus elementos e no melhor dos parlamentos sempre haverá homens dispostos a corromper-se. Basta que estejamos sempre dispostos a enfrenta-los, vigia-los, denuncia-los, conte-los e frustra-los; impedindo-os de comandar.
E no entanto tal só será possível caso os bons tomem consciência de seu dever e tornem a apoiar a plataforma socialista, que é sem dúvida uma plataforma ou proposta excelente.
Que contemplem apenas a própria integridade e o ideal de justiça a ser perseguido, sabendo que os crimes e maldades perpetrados por outros não são capazes de atingi-los.
Ah, mas se tomar parte na política ficarei mal falado... Mas se alguém do meu partido causar escândalo perderei minha reputação... Mas caso seja denunciado maliciosamente ou caluniado terei minha honra atingida, etc, etc, etc E assim acabarei expondo-me sem necessidade.
Quanto a tais objeções diria que ao justo basta a consciência limpa e, no máximo, a confiança dos seus, digo dos familiares e amigos. E que muitos homens nobres e excelentes foram processados, acusados e caluniados a exemplo de Aristides, o justo, em Atenas... E que mesmo dentre os nossos homens base não poucos foram expostos a calúnia e mentirosamente atacados, em que pese a inocência comprovada, assim: Zacarias, Sinimbu, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Bernardino de Campos, Vargas, Juscelino, Goulart, Montoro, Brizola, etc os quais nem se deixaram abalar, não perderam a cabeça e tampouco deixaram de contribuir, cada qual em sua medida, para o bem estar geral da República.
De fato a sorte de um politico virtuoso e comprometido com o bem comum e com a justiça nem sempre é fácil e invejável. Demandando alias certa abnegação e sacrifício, o que não se pode exigir de quem quer que seja.
Então vá lá! Não aspirar candidatar-se ao menos apoie os homens virtuosos que ousam faze-lo e vote neles. Vote dos que conhece e confia, apoie-os ativamente se de fato são excelentes e comprometidos. Lute por eles e introduza-os em seu nome no Parlamento para que de fato te representem fielmente.
Mas e se estiver enganado e o homem vier a degenerar - Uma vez que somos mutáveis - e a corromper-se???
Para justificar-te, basta que tua intenção seja pura! Caso não tenhas tido a intenção de eleger um criminoso, estas inocentado. Errastes, fostes ludibriado, enganado, iludido ; tal a sorte dos mortais - Nada mais humano do que o erro! Certamente aquele que busca eleger um candidato honesto, após ter investigado e buscado conhecimento de causa, converte-se em vítima, ao ser traído por ele.
E no entanto o medo de errar não nos deve impedir de tomar as decisões que julgamos certas ou de agir.
Do contrário sequer atuaríamos de qualquer modo com medo de 'pecar' ou de cometer ações indignas, face as quais somos sugestionados frequentemente. E no entanto a inação ou a omissão são sempre mais perniciosas do que o risco. Viver é aventurar-se, é arriscar-se, é expor-se...
Importante, já o disse, é a pureza das intenções ou a vontade de acertar.
O que no âmbito da ação politica implica busca pelo conhecimento.
Vote portanto em quem já conhece e confia ou, busque conhecer de perto e com suficiência de tempo os candidatos de sua plataforma. O que é facilitado no caso dos que já atuam e pleiteiam a reeleição pelo conhecimento de seu histórico político. Certamente que há políticos comprometidos com os interesses populares que jamais foram denunciados ou citados por improbidade, assim diversos membros da bancada do PSOL dentre os quais Ivan Valente e Luiza Erundina; o deputado trabalhista Bohn Gass; o ínclito deputado pedetista Ciro Gomes; assim aqueles que foram levianamente citados sem produção material de provas como a nobre Senadora Gleisi Hoffman e a deputada Jandyra Fegalli do PS do B, dentre outros. Sempre existiram e ainda existem pessoas que valham a pena dentro do cenário político e devemos cerrar fileiras em redor delas.
No entanto de que nos valerá eleger meia dúzia de gatos pingados honestos contra uma aluvião de demagogos vendidos???
Claro que a militância cidadã implica trabalho de conscientização a ser realizado, buscando esclarecer o outro e ganha-los para esta boa causa.
Importa fortalecer esta minoria de combatentes valorosos como os parlamentares que se opuseram:
- A PEC 241 que visava estabelecer um teto de gastos públicos
- A proposta sobre o financiamento das candidaturas políticas por empresários
- A terceirização do trabalho
E que se opõem a sinistra Reforma da Previdência.
Que tal começar levantando seus nomes e buscando conhecer melhor o trabalho deles?
São corruptos tais Parlamentares, foram denunciados ou incriminados?
Não são corruptos, jamais foram denunciados ou incriminados?
Então você não pode dizer que são todos iguais ou farinha do mesmo saco...
E suas apreciações não estão sendo justas.
Alias as generalizações quase nunca são justas.
Suponhamos agora que houvesse apenas um político honesto em todo Parlamento... Nem por isso deixaríamos de estar obrigados a apoia-lo e a reelege-lo!
Justiça é virtude que independe do número.
Não faça portanto o jogo dos políticos corruptos, omitindo-se. São eles os únicos beneficiados por sua abstenção... E te agradecerão roubando ainda mais, prevaricando mais...
Não de omita ou melindre, mas ponha a mão na massa e com responsabilidade atue e participe sem medo de errar.
É por meio de acerto e erro que se constrói e aprimora o organismo democrático.
Por mais perfeito que seja não imagine ou pense que será capaz de viver fora da realidade, e pense sobretudo nas pessoas que serão afetadas por um política pior com relação a que já existe... Pense como as vidas dos trabalhadores e das pessoas mais humildes podem ser tornar ainda difíceis na medida em que as leis são formuladas por homens vis e sem consciência, escravizados pelo dinheiro! E pense no quanto pode contribuir para evitar ou amenizar esta situação votando em pessoas dignas e comprometidas com o bem comum!
Sendo bom a afastando-se do cenário político certamente colabora para torna-lo pior.
Resta esclarecer por fim que a estratégia destes demagogos poderá, ainda a curto prazo, significar um tiro no pé...
Isto na medida em que as pessoas honestas alheias a ordem democrática, sempre poderão vir a comprometer-se com sistemas sedicionistas ou totalitários: Assim o Anarquismo, quanto ao primeiro caso; assim Monarquismo, Integralismo, Fascismo, Nazismo, Comunismo... Os quais vão se fortalecendo e avultando na medida em que mingua a consciência democrática.
Tanto mais desacreditada a democracia Parlamentar ou representativa fica entre nós e tanto mais observamos a construção de ideários rivais, especialmente entre as faixas mais jovens da população, as quais tem optado preferencialmente por aderir a credos não democráticos, ao invés de alimentar a farsa segundo a qual o Parlamento não passa de um enfeite que não afeta nossas vidas... e que consequentemente deve ser suprimido.
Certamente que a exposição e manipulação cavilosa da própria corrupção pelos políticos alimenta semelhante estado de coisas, tornando-o cada vez mais instável e perigoso. Identificada pelo vulgo com o Parlamento a ordem democrática jamais foi tão questionada e exposta a tão duras críticas como no momento presente. Afinal para a maior parte das pessoas um Parlamento corrupto implica uma democracia corrupta, que não funciona e que deve ser removida.
Vejamos que resultará de toda esta farra ou brincadeira iniciada pelos parlamentares irresponsáveis!
Quanto aos que concordam com o divino Platão, como nós, cumpre buscar votar conscientemente, dignificar candidatos honestos, fazer uma boa política, injetar esperanças no povo e construir o caminho para uma democracia cada vez mais direta e para uma sociedade cada vez mais justa, solidária e fraterna. A todas as pessoas de boa vontade convidamos amorosamente para que analisem sem preconceitos o nosso ideário -
VAMOS FORTALECER A CORRENTE DO BEM!
Que tal começar levantando seus nomes e buscando conhecer melhor o trabalho deles?
São corruptos tais Parlamentares, foram denunciados ou incriminados?
Não são corruptos, jamais foram denunciados ou incriminados?
Então você não pode dizer que são todos iguais ou farinha do mesmo saco...
E suas apreciações não estão sendo justas.
Alias as generalizações quase nunca são justas.
Suponhamos agora que houvesse apenas um político honesto em todo Parlamento... Nem por isso deixaríamos de estar obrigados a apoia-lo e a reelege-lo!
Justiça é virtude que independe do número.
Não faça portanto o jogo dos políticos corruptos, omitindo-se. São eles os únicos beneficiados por sua abstenção... E te agradecerão roubando ainda mais, prevaricando mais...
Não de omita ou melindre, mas ponha a mão na massa e com responsabilidade atue e participe sem medo de errar.
É por meio de acerto e erro que se constrói e aprimora o organismo democrático.
Por mais perfeito que seja não imagine ou pense que será capaz de viver fora da realidade, e pense sobretudo nas pessoas que serão afetadas por um política pior com relação a que já existe... Pense como as vidas dos trabalhadores e das pessoas mais humildes podem ser tornar ainda difíceis na medida em que as leis são formuladas por homens vis e sem consciência, escravizados pelo dinheiro! E pense no quanto pode contribuir para evitar ou amenizar esta situação votando em pessoas dignas e comprometidas com o bem comum!
Sendo bom a afastando-se do cenário político certamente colabora para torna-lo pior.
Resta esclarecer por fim que a estratégia destes demagogos poderá, ainda a curto prazo, significar um tiro no pé...
Isto na medida em que as pessoas honestas alheias a ordem democrática, sempre poderão vir a comprometer-se com sistemas sedicionistas ou totalitários: Assim o Anarquismo, quanto ao primeiro caso; assim Monarquismo, Integralismo, Fascismo, Nazismo, Comunismo... Os quais vão se fortalecendo e avultando na medida em que mingua a consciência democrática.
Tanto mais desacreditada a democracia Parlamentar ou representativa fica entre nós e tanto mais observamos a construção de ideários rivais, especialmente entre as faixas mais jovens da população, as quais tem optado preferencialmente por aderir a credos não democráticos, ao invés de alimentar a farsa segundo a qual o Parlamento não passa de um enfeite que não afeta nossas vidas... e que consequentemente deve ser suprimido.
Certamente que a exposição e manipulação cavilosa da própria corrupção pelos políticos alimenta semelhante estado de coisas, tornando-o cada vez mais instável e perigoso. Identificada pelo vulgo com o Parlamento a ordem democrática jamais foi tão questionada e exposta a tão duras críticas como no momento presente. Afinal para a maior parte das pessoas um Parlamento corrupto implica uma democracia corrupta, que não funciona e que deve ser removida.
Vejamos que resultará de toda esta farra ou brincadeira iniciada pelos parlamentares irresponsáveis!
Quanto aos que concordam com o divino Platão, como nós, cumpre buscar votar conscientemente, dignificar candidatos honestos, fazer uma boa política, injetar esperanças no povo e construir o caminho para uma democracia cada vez mais direta e para uma sociedade cada vez mais justa, solidária e fraterna. A todas as pessoas de boa vontade convidamos amorosamente para que analisem sem preconceitos o nosso ideário -
VAMOS FORTALECER A CORRENTE DO BEM!
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quarta-feira, 15 de março de 2017
Programa de restauração das fontes da cultura
Este programa é antes de tudo um programa cultural, que diz respeito as fontes ou raízes de nossa cultura.
Opo-mo-lo:
Leon Chestov em suas esquisitas lucubrações achou por bem, a exemplo do velho Tertuliano de Cartago, opor Jerusalém a Atenas, os apóstolos e o Cristo aos filósofos, a Eklesia Cristã a Ágora e ao Areópago, discordo dele e não entrarei no mérito; mas admitida tal oposição ainda haveria mais e maior oposição entre Jerusalém e Atenas e a Berlim ou a Londres modernas e aqui a oposição é por assim dizer drástica e os valores antagônicos.
E sequer transpomos o mar Oceano chegando aos confins de Nova York.
O Ocidente, já o dissemos, sofre e sangra porque vive um conflito de culturas. Na Europa ou mesmo na América latina temos ainda 'vivos' e em atividade diversos elementos de nossa cultura imaterial clássica ou antiga. No entanto lá nos EUA, aqui e mesmo na Europa temos também um novo padrão de cultura produzido no século XVI ela reforma protestante e este sim organicamente relacionado com o modelo de produção capitalista e todo desenrolar subsequente. E essa cultura contemporânea não é racional, não é coerente e não é realista mas a um tempo idealista a outro materialista, amorfa, híbrida, contraditória... É uma cultura de paradoxos e extremos.
Essa cultura levada adiante pelas necessidades globais do mercado sob a forma de imperialismo cultural, sobrepôs-se e busca sobrepor-se ainda mais a antiga de modo a elimina-la. E temos aqui um conflito de morte entre o economicismo do tempo presente (que é materialista) e o ideal humanista legado por toda antiguidade.
É em suas fontes uma cultura inumana e anti humana, pelo simples fato de remontar em última analise ao maniqueismo agostiniano, assumido dogmaticamente por Lutero e Calvino. É cultura que desconfia do homem e que o tem por essencialmente corrupto e degenerado. É cultura que encara o homem como um coitadinho ou miserável. É cultura que nega sua liberdade e questiona sua racionalidade... E a partir daí não se constrói nada mas substitui-se esse ser indesejável pelo TER.
O protestantismo não nos deu a liberdade. Foram suas seitas e divisões ou seu defeito de estrutura, que impediram uma a outra de assumir o controle efetivo da sociedade, substituindo o papismo e criando uma sociedade Bíblia (ideal ainda hoje buscado por muitos protestantes ortodoxos sob a forma da teocracia). Hábil em questionar e fragilizar a igreja antiga, para nossa suprema felicidade, o protestantismo não foi capaz de tomar o lugar dela na direção da Sociedade. Não é que não o quisesse, - Calvino queimou Servet a lenha verde e Benedict Karpzov queimou bruxas como queimamos palha, - apenas não pode faze-lo. Uma vez que criticou a igreja anterior ou velha foi também ele submetido a crítica (e com ele o ídolo Bíblia) pelos pósteros, vitimizando-se até o dia de hoje... Do contrário a Sociedade Ocidental teria revertido ao século IX a C - Segundo o modelo do antigo Israel e algo bem próximo do islã sunita ou salafita - pois a maior parte dos primitivos protestantes odiavam tudo quanto cheirasse a paganismo e estavam determinados a erradicar nossa herança clássica.
Importa saber que suas aspirações falharam ou estouraram como uma bolha de sabão e que ele perdeu a direção espiritual da Europa em menos de um ou dois séculos. Por volta do século XVII já a Inglaterra achava-se apinhada de deístas a exemplo de Tolland ou Cherbury e na França pontificava Pierre Bayle. Foi Nietzsche que ao contemplar o presente da Europa no século XIX, encarou-o a semelhança do fórum romano, juncado por ruínas, apresentando Lutero como responsável por semelhante estado de coisas... E assomavam entre tais ruínas as colunas truncadas e capitéis da escolástica...
Foi algo poderoso para destruir, mas não para construir qualquer coisa de espiritual porque espiritualmente falando ceticismo, religioso ou metafísico, é sempre sinal de desespero. O protestantismo saiu de cena, mas não sua cultura envenenada pelo ceticismo e infensa as capacidades cognitivas do homem vindicadas pela Filosofia Clássica. Kant será sempre o filosofo portátil de Lutero ou seu padrinho filosófico e Aristóteles o guia daqueles que acreditam piamente nas mesmas capacidades e que os sentidos existem para informar o homem sobre a realidade externa que o envolve e não para engana-lo, distorcendo-a.
Se há engano há corrupção e se a corrupção não saímos de Lutero e de seu pretenso paulinismo. Mesmo porque tanto Paulo quanto Pedro admitem expressamente a capacidade cognitiva do homem, inclusive para os elementos da fé. Lutero reporta a Agostinho e Agostinho a Mani... Perdoem-me mas é História das ideias que vai as fontes. Conteste quem quiser mas Agostinho, Lutero e Kant abrem as portas da Acadêmia a Mani... E o homem fica sempre e eternamente fadado a ignorância.
Fica ignorante para que reine a fé e a fé cega.
De todo impotente para controlar as mentalidades ou melhor para dirigi-las é claro que o protestantismo falha ainda mais em termos de ética no sentido de inspirar ação política ou social. Alias pelo dogma da fé somente ele se refugia nas nuvens ou no além e entrega por completo o domínio da Sociedade a política absolutista dos príncipes ou a 'polícia'. Jesus é Salvador espiritual para o além e não legislador ético para o tempo presente, isto em termos de princípios e valores. O que os chineses pagãos concedem a Confúcio, os nipônicos a Sidarta, os maometanos ao filho de Ahmina e os hebreus a Moisés, Lutero e seus protestantes recusam-se conceder a Jesus Cristo! Ficando completamente despojado de sua autoridade Ética, reguladora de todas as atividades humanas. E deixa a Cristandade de buscar inspiração para a vida nos Santos Evangelhos.
Estabelecendo-se uma nova ordem naturalista tanto na produção de bens ou economia quando na ordem política; assim capitalismo e absolutismo e depois formalismo democrático. Não é que a economia sequer o tivesse revindicado antes, a nova religião luterânica é que abdicou oficialmente de inspirar tais setores da vida humana secularizando-os de maneira absoluta, até engendrar o 'espírito' do materialismo. E nos acostumamos, por convivência com essa cultura apóstata, a crer que o Cristianismo não diz respeito ao mundo material e que nada tem a ver com este mundo, passando como uma fórmula fetichista de redenção mágica, quando no passado foi lei e lei a ponto de provocar a queda de um império como o romano, o que não se consegue com orações!
Por outro lado se o protestantismo não era capaz de assumir a direção espiritual e ética da Europa tampouco permitia que a igreja romana torna-se a assumi-la no passado enfrentando dos déspotas e banqueiros e não mais haveria de surgir Ambrósio que ousasse enfrentar o tirano Teodósio ou Antonio de Pádua que impusesse penitência aos banqueiros e avarentos na Europa! Reis e banqueiros podiam trilhar livremente seu caminho de sangre, suor e lágrimas sem que qualquer poder os contivesse, e há quem veja amplos benefícios nisto. Foi grande, não o negamos, o benefício de não mais se poder matar em nome do Cristo, profanando-o. No entanto não havia e nem parece haver quem contenha a fúria assassina dos banqueiros e governantes, e a fome é uma expressão dela que ainda nos passa desapercebidamente no século XXI, sem que hajam milhões de monges dispostos a mitiga-la, como dizia o anglicano Cobett.
Após a revolução protestante uma igreja romana fragilizada e ameaçada pelos poderes seculares, converte-se em capachos dos reis por trezentos anos, sem que disto adviesse qualquer benefício concreto. Por toda Europa temos um Cristianismo socialmente morto e eticamente irrelevante, em que pesem as vozes proféticas de um Hugh Latimer, de um Thomas Morus, de um Thomazzo Campanella, de um William Laud, de um Mably, de um Morelly e enfim de um Lammenais, o qual no exato instante em que a nova ordem capitalista impõe-se politicamente na Inglaterra, faz-se porta voz do Catolicismo social na França e assim Wietling na Alemanha.
No entanto por trezentos anos ou seja por três séculos este gigante espiritual esteve prostrado e arruinado após a rebelião luterana.
Diante deste vácuo ou vazio espiritual provocado e alimentado pelo protestantismo haveis de estranhar que os naturalismos tenham assomado e assumido a direção espiritual da Europa a partir do Capitalismo???
Graças a total inépcia do protestantismo e a fragilização da igreja romana, diversas e sucessivas culturas de morte afirmaram-se por toda Europa, renovando inclusive os erros letais do paganismo antigo como o autoritarismo, o nacionalismo, o racismo e o odinismo; a estatolatria enfim. Foi o caminho ou direção tomada por muitos com o intuito, as vezes honesto, de contra atacar o liberalismo econômico e posteriormente o americanismo abjetos. Atacaram os inimigos certos mas com armas erradas porque não souberam empunhar as armas afiadas da cultura.
Já explicamos em diversas ocasiões como a civilização americanista ou yankee com sua KKK, seu destino manifesto, extermínio de peles vermelhas, etc, etc, etc é produto da crença protestante calvinista transplantada ao Novo Mundo. Destruída a cultura indígena e sem qualquer concorrência por parte de uma cultura humanista mais antiga - como no caso do velho mundo - pode o calvinismo engendrar um novo padrão de cultura anti humanista em conexão com o modelo capitalista de produção, com a democracia meramente formal e até mesmo, posteriormente, com o darwinismo social.
A cultura protestante norte americana é herdeira e legatária dos delírios judaicos iconoclásticos, anti 'pagãos' e consequentemente anti humanistas e anti imanentes. Daí seu completo repúdio a tudo quanto precede a reforma protestante com seu ideal vetero testamentário de cultura. De Sócrates a Tomas de Aquino tudo quanto havia foi pintado como diabólico... Daí a busca por uma terra incontaminada, pura e vazia de cultura, por uma terra sem sinos, cruzes, catedrais e Bispos, tal o ideal do puritanismo, com sua busca doentia por uma sociedade bíblica nos moldes do antigo Israel...
Esse solo impoluto, em termos de cultura, foi a America do Norte. E ali a cultura puritana, calvinista, individualista, anti humanista e 'biblica' pode nascer, e medrar, e florescer até ser encampada pelo materialismo economicista, sem que todavia sua simples presença e resíduos culturais desaparecessem por completo. Por fim, em meados do século XIX/XX protestantismo, capitalismo e democracia formal converteram-se num só organismo, estabelecendo laços de solidariedade.
Agora, isto é após a segunda grande guerra em especial, esta cultura essencialmente maligna, despenha-se sobre todo mundo visando coopta-lo e estabelecer um império mundial ou global, não apenas econômico mas também religioso, político e cultural. Os EUA aspiram converter-se em novo polo mundial de civilização, a semelhança do Império romano ou da cultura helenística... Quando na verdade sua cultura é a negação de toda nossa herança helenística e romana e a afirmação a um lado do ideal semítico e descarnado de divindade e cultura e a outro do ideal materialista e economicista com seu reducionismo e pobreza infinitos.
Continua -
Opo-mo-lo:
- Ao relativismo cultural
- Ao americanismo ou civilização protestante
- A Umma ou ideal islâmico de arabização mundial
- Aos esforços estéreis das culturas de morte ou sistemas naturalistas.
A falácia do relativismo cultural
Acreditamos firmemente que todos os homens sejam genericamente iguais tendo em vista os apanágios:
- Da sensação
- Da percepção
- Da inteligência
- Da racionalidade
- Da livre vontade
No entanto como o desenvolvimento de tais apanágios depende sempre de algum estímulo fornecido por agentes externos e portanto do tempo, do espaço, do meio, etc
Ao menos quanto a dimensão social em que se dá a produção da cultura, a condição do meio é bastante relevante.
Por isso que as culturas não são iguais. Nem sob o aspecto material e tampouco sob o aspecto imaterial.
De modo que toda produção humana sendo cultura tem valor, mas o valor dessa produção não é nem pode se idêntico. Pois a cultura não se esgota em si mesma e o homem não produz cultura pro produzi-la, mas para relacionar-se com o mundo externo e dialogar com ele.
Temos o critério de cultura ou do valor da cultura na realidade externa do mundo.
Evidentemente que aqueles que repudiam a realidade externa do mundo ou sua intelegibilidade, como os kantianos, pós modernos e relativistas, e subjetivistas... descartam este critério, adquirindo esta questão uma conotação filosófica.
Em que nós vamos pelo realismo, pelo objetivismo, pelo senso comum... ou seja pelo caminho oposto ao dos modernos e pós modernos, na direção do estagirita.
O que nos leva a encarar a função da cultura como uma espécie de dialogo ou tentativa de compreender o mundo externo, de adaptar-se a ele ou de transforma-lo; mas sempre tomando por padrão a realidade.
Culturas que deslindam a realidade tornariam a vida do homem mais fácil ou melhor.
Culturas que conseguem fazer com que este homem consiga compreender a si mesmo, sua origem, o meio em que vive, sua história, etc merecem ser consideradas como superiores.
Nós opinamos que neste sentido nenhuma foi melhor sucedida do que a cultura greco romana com seus ideais de: Sociedade democrática, direito natural, orientação racional para a vida, bem comum, ideal estético, etc E que esta cultura foi enriquecida ainda mais pena contribuição do Cristianismo ou Catolicismo antigo com seus ideais de liberdade pessoal e ética; isto a ponto de formar um complexo harmonioso, perfeito e capaz de desenvolver-se organicamente a partir da idade média... Conhecendo de fato certa evolução até a França do século XVIII ou mesmo dos séculos XIX e XX.
É A ESTA NOSSA HERANÇA CLÁSSICA - e não ao capitalismo, ao protestantismo OU A QUALQUER COISA SURGIDA DEPOIS e em oposição aqueles ideais - QUE NOS REPORTAMOS SEMPRE QUANDO NOS REFERIMOS A NOSSA CULTURA OU A CULTURA PROPRIAMENTE OCIDENTAL.
Portanto se outros tomam por cultura ocidental ou por nossa cultura qualquer outra coisa produzida na Inglaterra moderna, não estamos falando a mesma lingua. E estamos na contra cultura e em oposição marcada a essa cultura oficial ou midiática.
NÓS NÃO SOMOS A FAVOR DO OCIDENTE CONTEMPORÂNEO, O QUAL HÁ CERCA DE MEIO MILÊNIO OU QUINHENTOS ANOS TRAIU SUAS PRÓPRIAS RAÍZES ANCESTRAIS DANDO ORIGEM A UMA CRISE EM PRECEDENTES NA HISTÓRIA HUMANA.
Ao menos quanto a dimensão social em que se dá a produção da cultura, a condição do meio é bastante relevante.
Por isso que as culturas não são iguais. Nem sob o aspecto material e tampouco sob o aspecto imaterial.
De modo que toda produção humana sendo cultura tem valor, mas o valor dessa produção não é nem pode se idêntico. Pois a cultura não se esgota em si mesma e o homem não produz cultura pro produzi-la, mas para relacionar-se com o mundo externo e dialogar com ele.
Temos o critério de cultura ou do valor da cultura na realidade externa do mundo.
Evidentemente que aqueles que repudiam a realidade externa do mundo ou sua intelegibilidade, como os kantianos, pós modernos e relativistas, e subjetivistas... descartam este critério, adquirindo esta questão uma conotação filosófica.
Em que nós vamos pelo realismo, pelo objetivismo, pelo senso comum... ou seja pelo caminho oposto ao dos modernos e pós modernos, na direção do estagirita.
O que nos leva a encarar a função da cultura como uma espécie de dialogo ou tentativa de compreender o mundo externo, de adaptar-se a ele ou de transforma-lo; mas sempre tomando por padrão a realidade.
Culturas que deslindam a realidade tornariam a vida do homem mais fácil ou melhor.
Culturas que conseguem fazer com que este homem consiga compreender a si mesmo, sua origem, o meio em que vive, sua história, etc merecem ser consideradas como superiores.
Nós opinamos que neste sentido nenhuma foi melhor sucedida do que a cultura greco romana com seus ideais de: Sociedade democrática, direito natural, orientação racional para a vida, bem comum, ideal estético, etc E que esta cultura foi enriquecida ainda mais pena contribuição do Cristianismo ou Catolicismo antigo com seus ideais de liberdade pessoal e ética; isto a ponto de formar um complexo harmonioso, perfeito e capaz de desenvolver-se organicamente a partir da idade média... Conhecendo de fato certa evolução até a França do século XVIII ou mesmo dos séculos XIX e XX.
É A ESTA NOSSA HERANÇA CLÁSSICA - e não ao capitalismo, ao protestantismo OU A QUALQUER COISA SURGIDA DEPOIS e em oposição aqueles ideais - QUE NOS REPORTAMOS SEMPRE QUANDO NOS REFERIMOS A NOSSA CULTURA OU A CULTURA PROPRIAMENTE OCIDENTAL.
Portanto se outros tomam por cultura ocidental ou por nossa cultura qualquer outra coisa produzida na Inglaterra moderna, não estamos falando a mesma lingua. E estamos na contra cultura e em oposição marcada a essa cultura oficial ou midiática.
NÓS NÃO SOMOS A FAVOR DO OCIDENTE CONTEMPORÂNEO, O QUAL HÁ CERCA DE MEIO MILÊNIO OU QUINHENTOS ANOS TRAIU SUAS PRÓPRIAS RAÍZES ANCESTRAIS DANDO ORIGEM A UMA CRISE EM PRECEDENTES NA HISTÓRIA HUMANA.
Ainda o veneno americanista
Leon Chestov em suas esquisitas lucubrações achou por bem, a exemplo do velho Tertuliano de Cartago, opor Jerusalém a Atenas, os apóstolos e o Cristo aos filósofos, a Eklesia Cristã a Ágora e ao Areópago, discordo dele e não entrarei no mérito; mas admitida tal oposição ainda haveria mais e maior oposição entre Jerusalém e Atenas e a Berlim ou a Londres modernas e aqui a oposição é por assim dizer drástica e os valores antagônicos.
E sequer transpomos o mar Oceano chegando aos confins de Nova York.
O Ocidente, já o dissemos, sofre e sangra porque vive um conflito de culturas. Na Europa ou mesmo na América latina temos ainda 'vivos' e em atividade diversos elementos de nossa cultura imaterial clássica ou antiga. No entanto lá nos EUA, aqui e mesmo na Europa temos também um novo padrão de cultura produzido no século XVI ela reforma protestante e este sim organicamente relacionado com o modelo de produção capitalista e todo desenrolar subsequente. E essa cultura contemporânea não é racional, não é coerente e não é realista mas a um tempo idealista a outro materialista, amorfa, híbrida, contraditória... É uma cultura de paradoxos e extremos.
Essa cultura levada adiante pelas necessidades globais do mercado sob a forma de imperialismo cultural, sobrepôs-se e busca sobrepor-se ainda mais a antiga de modo a elimina-la. E temos aqui um conflito de morte entre o economicismo do tempo presente (que é materialista) e o ideal humanista legado por toda antiguidade.
É em suas fontes uma cultura inumana e anti humana, pelo simples fato de remontar em última analise ao maniqueismo agostiniano, assumido dogmaticamente por Lutero e Calvino. É cultura que desconfia do homem e que o tem por essencialmente corrupto e degenerado. É cultura que encara o homem como um coitadinho ou miserável. É cultura que nega sua liberdade e questiona sua racionalidade... E a partir daí não se constrói nada mas substitui-se esse ser indesejável pelo TER.
O protestantismo não nos deu a liberdade. Foram suas seitas e divisões ou seu defeito de estrutura, que impediram uma a outra de assumir o controle efetivo da sociedade, substituindo o papismo e criando uma sociedade Bíblia (ideal ainda hoje buscado por muitos protestantes ortodoxos sob a forma da teocracia). Hábil em questionar e fragilizar a igreja antiga, para nossa suprema felicidade, o protestantismo não foi capaz de tomar o lugar dela na direção da Sociedade. Não é que não o quisesse, - Calvino queimou Servet a lenha verde e Benedict Karpzov queimou bruxas como queimamos palha, - apenas não pode faze-lo. Uma vez que criticou a igreja anterior ou velha foi também ele submetido a crítica (e com ele o ídolo Bíblia) pelos pósteros, vitimizando-se até o dia de hoje... Do contrário a Sociedade Ocidental teria revertido ao século IX a C - Segundo o modelo do antigo Israel e algo bem próximo do islã sunita ou salafita - pois a maior parte dos primitivos protestantes odiavam tudo quanto cheirasse a paganismo e estavam determinados a erradicar nossa herança clássica.
Importa saber que suas aspirações falharam ou estouraram como uma bolha de sabão e que ele perdeu a direção espiritual da Europa em menos de um ou dois séculos. Por volta do século XVII já a Inglaterra achava-se apinhada de deístas a exemplo de Tolland ou Cherbury e na França pontificava Pierre Bayle. Foi Nietzsche que ao contemplar o presente da Europa no século XIX, encarou-o a semelhança do fórum romano, juncado por ruínas, apresentando Lutero como responsável por semelhante estado de coisas... E assomavam entre tais ruínas as colunas truncadas e capitéis da escolástica...
Foi algo poderoso para destruir, mas não para construir qualquer coisa de espiritual porque espiritualmente falando ceticismo, religioso ou metafísico, é sempre sinal de desespero. O protestantismo saiu de cena, mas não sua cultura envenenada pelo ceticismo e infensa as capacidades cognitivas do homem vindicadas pela Filosofia Clássica. Kant será sempre o filosofo portátil de Lutero ou seu padrinho filosófico e Aristóteles o guia daqueles que acreditam piamente nas mesmas capacidades e que os sentidos existem para informar o homem sobre a realidade externa que o envolve e não para engana-lo, distorcendo-a.
Se há engano há corrupção e se a corrupção não saímos de Lutero e de seu pretenso paulinismo. Mesmo porque tanto Paulo quanto Pedro admitem expressamente a capacidade cognitiva do homem, inclusive para os elementos da fé. Lutero reporta a Agostinho e Agostinho a Mani... Perdoem-me mas é História das ideias que vai as fontes. Conteste quem quiser mas Agostinho, Lutero e Kant abrem as portas da Acadêmia a Mani... E o homem fica sempre e eternamente fadado a ignorância.
Fica ignorante para que reine a fé e a fé cega.
De todo impotente para controlar as mentalidades ou melhor para dirigi-las é claro que o protestantismo falha ainda mais em termos de ética no sentido de inspirar ação política ou social. Alias pelo dogma da fé somente ele se refugia nas nuvens ou no além e entrega por completo o domínio da Sociedade a política absolutista dos príncipes ou a 'polícia'. Jesus é Salvador espiritual para o além e não legislador ético para o tempo presente, isto em termos de princípios e valores. O que os chineses pagãos concedem a Confúcio, os nipônicos a Sidarta, os maometanos ao filho de Ahmina e os hebreus a Moisés, Lutero e seus protestantes recusam-se conceder a Jesus Cristo! Ficando completamente despojado de sua autoridade Ética, reguladora de todas as atividades humanas. E deixa a Cristandade de buscar inspiração para a vida nos Santos Evangelhos.
Estabelecendo-se uma nova ordem naturalista tanto na produção de bens ou economia quando na ordem política; assim capitalismo e absolutismo e depois formalismo democrático. Não é que a economia sequer o tivesse revindicado antes, a nova religião luterânica é que abdicou oficialmente de inspirar tais setores da vida humana secularizando-os de maneira absoluta, até engendrar o 'espírito' do materialismo. E nos acostumamos, por convivência com essa cultura apóstata, a crer que o Cristianismo não diz respeito ao mundo material e que nada tem a ver com este mundo, passando como uma fórmula fetichista de redenção mágica, quando no passado foi lei e lei a ponto de provocar a queda de um império como o romano, o que não se consegue com orações!
Por outro lado se o protestantismo não era capaz de assumir a direção espiritual e ética da Europa tampouco permitia que a igreja romana torna-se a assumi-la no passado enfrentando dos déspotas e banqueiros e não mais haveria de surgir Ambrósio que ousasse enfrentar o tirano Teodósio ou Antonio de Pádua que impusesse penitência aos banqueiros e avarentos na Europa! Reis e banqueiros podiam trilhar livremente seu caminho de sangre, suor e lágrimas sem que qualquer poder os contivesse, e há quem veja amplos benefícios nisto. Foi grande, não o negamos, o benefício de não mais se poder matar em nome do Cristo, profanando-o. No entanto não havia e nem parece haver quem contenha a fúria assassina dos banqueiros e governantes, e a fome é uma expressão dela que ainda nos passa desapercebidamente no século XXI, sem que hajam milhões de monges dispostos a mitiga-la, como dizia o anglicano Cobett.
Após a revolução protestante uma igreja romana fragilizada e ameaçada pelos poderes seculares, converte-se em capachos dos reis por trezentos anos, sem que disto adviesse qualquer benefício concreto. Por toda Europa temos um Cristianismo socialmente morto e eticamente irrelevante, em que pesem as vozes proféticas de um Hugh Latimer, de um Thomas Morus, de um Thomazzo Campanella, de um William Laud, de um Mably, de um Morelly e enfim de um Lammenais, o qual no exato instante em que a nova ordem capitalista impõe-se politicamente na Inglaterra, faz-se porta voz do Catolicismo social na França e assim Wietling na Alemanha.
No entanto por trezentos anos ou seja por três séculos este gigante espiritual esteve prostrado e arruinado após a rebelião luterana.
Diante deste vácuo ou vazio espiritual provocado e alimentado pelo protestantismo haveis de estranhar que os naturalismos tenham assomado e assumido a direção espiritual da Europa a partir do Capitalismo???
Graças a total inépcia do protestantismo e a fragilização da igreja romana, diversas e sucessivas culturas de morte afirmaram-se por toda Europa, renovando inclusive os erros letais do paganismo antigo como o autoritarismo, o nacionalismo, o racismo e o odinismo; a estatolatria enfim. Foi o caminho ou direção tomada por muitos com o intuito, as vezes honesto, de contra atacar o liberalismo econômico e posteriormente o americanismo abjetos. Atacaram os inimigos certos mas com armas erradas porque não souberam empunhar as armas afiadas da cultura.
Já explicamos em diversas ocasiões como a civilização americanista ou yankee com sua KKK, seu destino manifesto, extermínio de peles vermelhas, etc, etc, etc é produto da crença protestante calvinista transplantada ao Novo Mundo. Destruída a cultura indígena e sem qualquer concorrência por parte de uma cultura humanista mais antiga - como no caso do velho mundo - pode o calvinismo engendrar um novo padrão de cultura anti humanista em conexão com o modelo capitalista de produção, com a democracia meramente formal e até mesmo, posteriormente, com o darwinismo social.
A cultura protestante norte americana é herdeira e legatária dos delírios judaicos iconoclásticos, anti 'pagãos' e consequentemente anti humanistas e anti imanentes. Daí seu completo repúdio a tudo quanto precede a reforma protestante com seu ideal vetero testamentário de cultura. De Sócrates a Tomas de Aquino tudo quanto havia foi pintado como diabólico... Daí a busca por uma terra incontaminada, pura e vazia de cultura, por uma terra sem sinos, cruzes, catedrais e Bispos, tal o ideal do puritanismo, com sua busca doentia por uma sociedade bíblica nos moldes do antigo Israel...
Esse solo impoluto, em termos de cultura, foi a America do Norte. E ali a cultura puritana, calvinista, individualista, anti humanista e 'biblica' pode nascer, e medrar, e florescer até ser encampada pelo materialismo economicista, sem que todavia sua simples presença e resíduos culturais desaparecessem por completo. Por fim, em meados do século XIX/XX protestantismo, capitalismo e democracia formal converteram-se num só organismo, estabelecendo laços de solidariedade.
Agora, isto é após a segunda grande guerra em especial, esta cultura essencialmente maligna, despenha-se sobre todo mundo visando coopta-lo e estabelecer um império mundial ou global, não apenas econômico mas também religioso, político e cultural. Os EUA aspiram converter-se em novo polo mundial de civilização, a semelhança do Império romano ou da cultura helenística... Quando na verdade sua cultura é a negação de toda nossa herança helenística e romana e a afirmação a um lado do ideal semítico e descarnado de divindade e cultura e a outro do ideal materialista e economicista com seu reducionismo e pobreza infinitos.
Continua -
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Sócrates, a qualidade democrática e a produção de consciência
Antes de tudo devemos dizer que nossa democracia não é a democracia grega. Sempre oportuno dizer e repetir isto. Os gregos não conheciam o 'dogma' anglo saxão da representatividade e por isso representavam a si mesmos. Seu sistema era direto e não indireto...
Portanto entre nossa democracia, a democracia moderna, forjada na Inglaterra, já contaminada e envenenada pelo liberalismo econômico, vai uma larga diferença.
Lá a traição só era capaz em caso de 'loucura' rsrsrsrsrsrs Aqui a traição é ameaça ou perigo onipresente. Basta que algum milionário 'molhe as mãos' dos supostos representantes para que eles sem mais, atraiçoem o bom povo. Locke teve o bom senso de declarar que em tais casos era defeso ao povo rebelar-se, pegar armas e dissolver o Parlamento infiel, no entanto, este aspecto de sua doutrina parece ter caído no mais profundo esquecimento...
Segundo a concepção mais moderna de democracia o povo deve deixar-se atraiçoar pacifica e ordeiramente como uma ovelha se deixa tosquiar ou uma rês é conduzida ao matadouro; sempre em nome da autoridade... Aqui dos supostos representantes, ali de um só e mais além das massas; mas, se vai contra o interesse do bem comum, é sempre DITADURA - de um, de alguns ou de muitos.
Temos assim ditaduras de indivíduos, de classes e de massas, mas á tudo farinha do mesmo saco podre e infecto.
Curioso Sócrates ser apresentando como adversário da democracia em algumas publicações.
Nada mais equivocado.
Era Sócrates aristocrata?
Em que sentido?
Afinal há várias formas de aristocracia. Assim se há aristocracia de terras, que é oligarquia, há aristocracia de sangue, que é timocracia, e há aristocracia de grana, que é plutocracia. Mas também há uma aristocracia, e no passado era situação ou realidade consumada, da informação, do saber ou da consciência em oposição as massas iletradas, incultas, acríticas e fanatizadas.
As massas acríticas e sem consciência eram uma realidade impactante nas Sociedades antigas em que o letramento e o esclarecimento apenas havia começado ou dado os primeiros passos.
Imaginem o volume de pessoas completamente analfabetas e iletradas nas antigas cidades gregas...
Imaginem o volume de pessoas sem instrução espalhadas pelos campos ou pela realidade agrária da Helade...
Imaginem o volume e densidade das 'massas'...
E como democracia vive de consciência, era uma realidade ingrata.
Supunha o 'plano grego' todo um esforço educativo tendo em vista eliminar ou reduzir ao máximo as 'massas' transformando-as em povo consciente e agente de sua própria História. Era um plano grandioso encarado pelo ponto de vista educativo, e que demandava um esforço gigantesco. No entanto tal qual hoje, chocava-se tal plano formativo com as exigências da produção de bens ou da economia. Por isso mesmo que os gregos, como nós, deram os pés pelas mãos e estabeleceram a igualdade política entes que houvesse igualdade de consciência ou qualidade democrática... O que suscitou as críticas de Sócrates.
Sócrates não negava ou criticava a teoria democrática em si mesma e sim a realidade de uma democracia sem qualidade, i é, franqueada a todos sem exigir determinadas condições.
Nossa realidade não é menos ingrata.
Pois franqueamos o voto as massas analfabetas, cujo acesso a informação e aos saberes de caráter mais elaborado é tanto mais restrito, alegando que possuíam certo índice de consciência social, vivência, experiencialidade, etc, etc, etc, o que em alguns casos não deixa de ser verdade. Mas é manifesto e evidente que o demos um tiro no pé (da democracia), resultando desta 'democracia' de massas incultas e acríticas a sinistra bancada evangélica e após o golpe de 2016 - de que essa sinistra bancada foi a 'alma' - a reversão da própria democracia.
Isto sem falarmos das sucessivas tentativas por parte desta bancada, dominada pelo pensamento teocrático, de sabotar nossas instituições, restringindo os direitos, liberdades e garantias ao máximo; e de obter privilégios. Temos, e isto é inegável, o nosso califado ou estado pentecostal, em formação, com decorrências políticas e sociais que já se fazem sentir, e sua consolidação se deve, ao menos em parte ao voto dos analfabetos e da gente simples e sem consciência.
Karl Sagan já nos havia advertido a todos, democracia não vai bem com massas incultas ou ignorância, revertendo facilmente em teocracia seja aqui no Brasil ou em Istambul. Por isso que não se pode falar em democracia num país muçulmano, em que as pessoas, em que as massas são apenas ensinadas a ler ou a soletrar RECITANDO O CORÃO... E em que as mulheres são relegadas a ignorância mais abjeta. Onde prolifera e predomina a falta de informação, o analfabetismo, a superstição, o fundamentalismo religioso, etc a ordem democrática se torna impossível e inviável, pois falta-lhe espírito, alma ou consciência. E degenera... Saindo a emenda pior do que o soneto.
Nada mais trágico do que o poder entregue as massas incultas, acríticas e manipuláveis. Se há massas, precisam ser contidas ou controladas para que não causem maiores danos ou demassificadas... O que nos remete a um projeto educativo, essencial em termos de cultura democrática. Democracia demanda povo e qualidade e a formação de um povo consciente demanda sempre maior ou menos medida de instrução.
O que Sócrates queria era exatamente isto: Que os cidadãos se fizessem dignos da democracia por meio do letramento, do conhecimento, do saber, da reflexão, etc Não aspirava acabar com a democracia mas injetar-lhe qualidade. Por isso que criticava essa democracia inconsequente e danosa, que vai bem com massas e ignorância.
Embora Sócrates reconhecesse que todos os homens eram iguais pela capacidade da razão e pela livre vontade, não pensava que esta igualdade genérica, por si só, fosse capaz de tornar todos os homens politicamente iguais. Para que se tornassem politicamente iguais era necessário partir dessa igualdade genérica, desenvolver suas potencialidades e adquirir determinadas aptidões ou qualidades, as quais tornavam o homem digno da cidadania.
Todos podiam certamente decidir sobre as mesmas coisas, desde que TIVESSEM CONHECIMENTO DE CAUSA. Assim aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre as leis deviam estudar e conhecer as leis... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre estratégia militar deveriam estudar estratégia militar... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre economia deveriam estudar economia... E sucessivamente.
Para legislar com propriedade sobre um determinado tema é sempre necessário conhece-lo, sob pena de tomar as piores decisões, ainda que sejam comuns ou democráticas. Uma democracia mal provida de conhecimentos pode ser sim bastante catastrófica.
Tais as linhas gerais da crítica socrática.
Agora que pensar sobre ela?
O mínimo que se pode dizer é que se os cidadãos não se podem - nem mesmo hoje em 2017 - especializar nos diversos campos do conhecimento a respeito dos quais são chamados a pronunciar-se e a deliberar, é absolutamente necessário que o processo deliberativo ou decisório numa democracia direta ou semi direta seja precedido de amplo debate ou discussão (amplo = demorado) entre os especialistas em cada área. O que não exclui, antes exige, por parte do cidadão comum, ao menos um letramento geral ou uma Educação de qualidade, que inclua por exemplo os conteúdos de Psicologia - ainda ausente no currículo de nossas Escolas - Sociologia e Filosofia (incluidos a bem pouco tempo).
Trata-se de um esforço continuo e colossal em termos educativos e mesmo assim insuficiente.
Platonicamente ou socraticamente falando: Se não cabe a aristocracia do saber o exercício do exclusivo do poder e se não podemos falar numa aristocracia 'aberta' para a democracia ou melhor para os elementos que queiram fazer-se dignos dela, é imperativamente necessário que esta aristocracia do saber seja ouvida pela sociedade democrática dirigindo o debate ou a discussão que precede a deliberação.
Por outro lado esta mesma aristocracia intelectual, já crítica, já reflexiva e já digna de em certo sentido dirigir o processo democrático; não pode deixar de ser aberta pelo esforço educativo, cujo objetivo primacial é inserir mais e mais homens e mulheres, de modo consciente, no processo decisório. É ela, a elite intelectual, que deve levar adiante o processo de desmassificação por meio da formação das consciências. E o ponto de partida de todo este processo é simples: o letramento, o acesso aos conteúdos essenciais já apontados, o estímulo a criticidade, etc
Supondo que o Estado ou um determinado estado obstinadamente comprometido com as exigências estabelecidas pelo Mercado ou pelo capitalismo, fiel ao dogma da representatividade, embasado na ignorância das massas ou na alienação, etc que fazer?
Neste sentido a praxis anarquista da libre associação, do apoio mútuo, da auto gestão, etc assume um caráter de necessidade. Ou substituíra ou completará a iniciativa do Poder público. Exemplo prático é a organização das Escolas de rua, mantidas por educadores comprometidos, em quaisquer espaços públicos.
Só assim responderemos dignamente as críticas do grande filósofo no sentido de produzirmos não uma Sociedade democrática, abstrata ou metafisicamente falando, mas uma Sociedade capaz de democracia ou digna dela, em que a maior parte ou totalidade dos cidadãos, após amplo debate possa deliberar sobre este ou aquele assunto, e legislar com propriedade excluindo a representação, sempre precária de um parlamento.
Tais as possibilidades que se nos apresentam:
Portanto entre nossa democracia, a democracia moderna, forjada na Inglaterra, já contaminada e envenenada pelo liberalismo econômico, vai uma larga diferença.
Lá a traição só era capaz em caso de 'loucura' rsrsrsrsrsrs Aqui a traição é ameaça ou perigo onipresente. Basta que algum milionário 'molhe as mãos' dos supostos representantes para que eles sem mais, atraiçoem o bom povo. Locke teve o bom senso de declarar que em tais casos era defeso ao povo rebelar-se, pegar armas e dissolver o Parlamento infiel, no entanto, este aspecto de sua doutrina parece ter caído no mais profundo esquecimento...
Segundo a concepção mais moderna de democracia o povo deve deixar-se atraiçoar pacifica e ordeiramente como uma ovelha se deixa tosquiar ou uma rês é conduzida ao matadouro; sempre em nome da autoridade... Aqui dos supostos representantes, ali de um só e mais além das massas; mas, se vai contra o interesse do bem comum, é sempre DITADURA - de um, de alguns ou de muitos.
Temos assim ditaduras de indivíduos, de classes e de massas, mas á tudo farinha do mesmo saco podre e infecto.
Curioso Sócrates ser apresentando como adversário da democracia em algumas publicações.
Nada mais equivocado.
Era Sócrates aristocrata?
Em que sentido?
Afinal há várias formas de aristocracia. Assim se há aristocracia de terras, que é oligarquia, há aristocracia de sangue, que é timocracia, e há aristocracia de grana, que é plutocracia. Mas também há uma aristocracia, e no passado era situação ou realidade consumada, da informação, do saber ou da consciência em oposição as massas iletradas, incultas, acríticas e fanatizadas.
As massas acríticas e sem consciência eram uma realidade impactante nas Sociedades antigas em que o letramento e o esclarecimento apenas havia começado ou dado os primeiros passos.
Imaginem o volume de pessoas completamente analfabetas e iletradas nas antigas cidades gregas...
Imaginem o volume de pessoas sem instrução espalhadas pelos campos ou pela realidade agrária da Helade...
Imaginem o volume e densidade das 'massas'...
E como democracia vive de consciência, era uma realidade ingrata.
Supunha o 'plano grego' todo um esforço educativo tendo em vista eliminar ou reduzir ao máximo as 'massas' transformando-as em povo consciente e agente de sua própria História. Era um plano grandioso encarado pelo ponto de vista educativo, e que demandava um esforço gigantesco. No entanto tal qual hoje, chocava-se tal plano formativo com as exigências da produção de bens ou da economia. Por isso mesmo que os gregos, como nós, deram os pés pelas mãos e estabeleceram a igualdade política entes que houvesse igualdade de consciência ou qualidade democrática... O que suscitou as críticas de Sócrates.
Sócrates não negava ou criticava a teoria democrática em si mesma e sim a realidade de uma democracia sem qualidade, i é, franqueada a todos sem exigir determinadas condições.
Nossa realidade não é menos ingrata.
Pois franqueamos o voto as massas analfabetas, cujo acesso a informação e aos saberes de caráter mais elaborado é tanto mais restrito, alegando que possuíam certo índice de consciência social, vivência, experiencialidade, etc, etc, etc, o que em alguns casos não deixa de ser verdade. Mas é manifesto e evidente que o demos um tiro no pé (da democracia), resultando desta 'democracia' de massas incultas e acríticas a sinistra bancada evangélica e após o golpe de 2016 - de que essa sinistra bancada foi a 'alma' - a reversão da própria democracia.
Isto sem falarmos das sucessivas tentativas por parte desta bancada, dominada pelo pensamento teocrático, de sabotar nossas instituições, restringindo os direitos, liberdades e garantias ao máximo; e de obter privilégios. Temos, e isto é inegável, o nosso califado ou estado pentecostal, em formação, com decorrências políticas e sociais que já se fazem sentir, e sua consolidação se deve, ao menos em parte ao voto dos analfabetos e da gente simples e sem consciência.
Karl Sagan já nos havia advertido a todos, democracia não vai bem com massas incultas ou ignorância, revertendo facilmente em teocracia seja aqui no Brasil ou em Istambul. Por isso que não se pode falar em democracia num país muçulmano, em que as pessoas, em que as massas são apenas ensinadas a ler ou a soletrar RECITANDO O CORÃO... E em que as mulheres são relegadas a ignorância mais abjeta. Onde prolifera e predomina a falta de informação, o analfabetismo, a superstição, o fundamentalismo religioso, etc a ordem democrática se torna impossível e inviável, pois falta-lhe espírito, alma ou consciência. E degenera... Saindo a emenda pior do que o soneto.
Nada mais trágico do que o poder entregue as massas incultas, acríticas e manipuláveis. Se há massas, precisam ser contidas ou controladas para que não causem maiores danos ou demassificadas... O que nos remete a um projeto educativo, essencial em termos de cultura democrática. Democracia demanda povo e qualidade e a formação de um povo consciente demanda sempre maior ou menos medida de instrução.
O que Sócrates queria era exatamente isto: Que os cidadãos se fizessem dignos da democracia por meio do letramento, do conhecimento, do saber, da reflexão, etc Não aspirava acabar com a democracia mas injetar-lhe qualidade. Por isso que criticava essa democracia inconsequente e danosa, que vai bem com massas e ignorância.
Embora Sócrates reconhecesse que todos os homens eram iguais pela capacidade da razão e pela livre vontade, não pensava que esta igualdade genérica, por si só, fosse capaz de tornar todos os homens politicamente iguais. Para que se tornassem politicamente iguais era necessário partir dessa igualdade genérica, desenvolver suas potencialidades e adquirir determinadas aptidões ou qualidades, as quais tornavam o homem digno da cidadania.
Todos podiam certamente decidir sobre as mesmas coisas, desde que TIVESSEM CONHECIMENTO DE CAUSA. Assim aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre as leis deviam estudar e conhecer as leis... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre estratégia militar deveriam estudar estratégia militar... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre economia deveriam estudar economia... E sucessivamente.
Para legislar com propriedade sobre um determinado tema é sempre necessário conhece-lo, sob pena de tomar as piores decisões, ainda que sejam comuns ou democráticas. Uma democracia mal provida de conhecimentos pode ser sim bastante catastrófica.
Tais as linhas gerais da crítica socrática.
Agora que pensar sobre ela?
O mínimo que se pode dizer é que se os cidadãos não se podem - nem mesmo hoje em 2017 - especializar nos diversos campos do conhecimento a respeito dos quais são chamados a pronunciar-se e a deliberar, é absolutamente necessário que o processo deliberativo ou decisório numa democracia direta ou semi direta seja precedido de amplo debate ou discussão (amplo = demorado) entre os especialistas em cada área. O que não exclui, antes exige, por parte do cidadão comum, ao menos um letramento geral ou uma Educação de qualidade, que inclua por exemplo os conteúdos de Psicologia - ainda ausente no currículo de nossas Escolas - Sociologia e Filosofia (incluidos a bem pouco tempo).
Trata-se de um esforço continuo e colossal em termos educativos e mesmo assim insuficiente.
Platonicamente ou socraticamente falando: Se não cabe a aristocracia do saber o exercício do exclusivo do poder e se não podemos falar numa aristocracia 'aberta' para a democracia ou melhor para os elementos que queiram fazer-se dignos dela, é imperativamente necessário que esta aristocracia do saber seja ouvida pela sociedade democrática dirigindo o debate ou a discussão que precede a deliberação.
Por outro lado esta mesma aristocracia intelectual, já crítica, já reflexiva e já digna de em certo sentido dirigir o processo democrático; não pode deixar de ser aberta pelo esforço educativo, cujo objetivo primacial é inserir mais e mais homens e mulheres, de modo consciente, no processo decisório. É ela, a elite intelectual, que deve levar adiante o processo de desmassificação por meio da formação das consciências. E o ponto de partida de todo este processo é simples: o letramento, o acesso aos conteúdos essenciais já apontados, o estímulo a criticidade, etc
Supondo que o Estado ou um determinado estado obstinadamente comprometido com as exigências estabelecidas pelo Mercado ou pelo capitalismo, fiel ao dogma da representatividade, embasado na ignorância das massas ou na alienação, etc que fazer?
Neste sentido a praxis anarquista da libre associação, do apoio mútuo, da auto gestão, etc assume um caráter de necessidade. Ou substituíra ou completará a iniciativa do Poder público. Exemplo prático é a organização das Escolas de rua, mantidas por educadores comprometidos, em quaisquer espaços públicos.
Só assim responderemos dignamente as críticas do grande filósofo no sentido de produzirmos não uma Sociedade democrática, abstrata ou metafisicamente falando, mas uma Sociedade capaz de democracia ou digna dela, em que a maior parte ou totalidade dos cidadãos, após amplo debate possa deliberar sobre este ou aquele assunto, e legislar com propriedade excluindo a representação, sempre precária de um parlamento.
Tais as possibilidades que se nos apresentam:
- Permaneceremos atrelados ao dogma da democracia formal, burguesa ou liberal ad infinitum, e este será o 'fim da história' como quer o sr Fukuiama.
Não. Este será o fim inglório da democracia e de suas esperanças, substituída pela 'ordem' teocrática imposta pelas massas incultas e manipuladas. - Apostaremos no totalitarismo - ditador, tirano, déspota, líder ou messias Salvador. Mas a loteria da História demonstra com absoluta propriedade que para cada D Pedro II a centos ou milhares de Hitlers, Stalines ou Bushes, psicopatas degenerados dispostos a sangrar o gênero humano. Com o saldo de milhões e milhões de almas sacrificadas... Ao menos no plano da política ou da sociologia, a crença hindu/budista segundo a qual 'Ninguém deve esperar qualquer salvador além de si mesmo ou fora de si mesmo.' converte-se na mais prístina verdade. O povo não deve esperar absolutamente nada de quem quer que seja, mas tornar-se agente de sua emancipação.
- Ultrapassaremos o modelo democrático formal ou burguês restabelecendo o modelo democrático grego, i é, direto; passando antes - provavelmente - pelo modelo romano, semi direito, dos plebiscitos ou referendos, fase já atingida por diversos países europeus. O que no, entanto, como acabamos de dizer, não nos deve iludir e conduzir a um comodismo análogo ao dos antigos atenienses, mas predispor-nos a um heroico esforço formativo, a que chamamos desmassificação.
E nós somos por esta última. Embora conscientes do 'defeito' apontado por Sócrates e da necessidade de formar os cidadãos para a ordem democrática e de forma-los por meio de uma educação de máxima qualidade. A qual o permita compreender a si mesmo, a evolução biológica dos seres vivos, a organização social, o desenrolar do processo histórico, a produção de bens, a formação da mente e da personalidade... levando a posicionar-se diante do universo, assumindo valores que estimulem e possibilitem a convivência, além da afirmação do bem comum.
Implica este ideal, já por ser político e mais ainda por ser educativo e formativo, questionar o espaço dado pela sociedade capitalista a dimensão econômica da existência, e restringi-la se necessário for. Implica este ideal de democracia chocar-se com o espírito do economicismo, em nome do que cognominamos humanismo.
Precisamos dar mais espaço ao político e educacional tendo em vista a expansão da consciência e a afirmação de um padrão de qualidade?
Os espaços atualmente ocupados pela produção econômica, pela educação e pela cidadania precisam ser discutidos?
Temos uma péssima política?
A quem ou que isto se deve?
Somos preparados efetivamente para o exercício da cidadania?
Todas as crianças e jovens estão na escola?
A que ou a quem favorecem a ignorância, a alienação e o desprezível espírito de submissão cultivado por tantos?
A que acomodamos nosso espírito democrático?
Fomos bem sucedidos em produzir uma consciência democrática em nosso pais?
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A todos estes questionamentos o liberal economicista responderá imutavelmente com sua shahada: Não é o melhor dos sistemas mas é o que temos?
Com pastores da prosperidade e bancadas fundamentalistas assaltando o estado 'laico' e buscando interferir ativamente nas vidas das pessoas?
Com a afirmação irracional, caprichosa e arbitrária de preconceitos estúpidos como a homofobia, o adultismo, o especismo, etc???
Com um mar de corrupção e venalidade que nos submerge até o pescoço, que nos sufoca e que compromete inclusive a reputação das instituições?
Com uma execrável justiça ideológica e partidarista capaz de profanar a legalidade???
Com os direitos e garantias do trabalho sendo imolados no altar de Mamon pelo próprio Parlamento???
Se nos devemos contentar com isso, com esse lixo, melhor vestir uma camisa de força e pedir refúgio num hospício.
Nada mais indigno e abjeto do que pedir ao cidadão que se conforme com tudo isto e bata palmas. É apenas aqui, que os totalitário, até eles, mostram um pouco mais de sanidade e dignidade do que os 'tarados' liberais...
Não, não se pode pedir ao ser racional e libre, ao ser consciente e ético, ao ser instruído e civilizado que se conforme com tão baixo padrão de moralidade política.
Neste caso qual caminho a ser seguido?
A democracia representativa foi criada com o objetivo de suprir a uma formação educacional, ética e cidadã que o liberal, julga ser impossível e tão utópica quanto os delírios do comunismo.
Para o liberal não se deve dispender assim tanto tempo em educação e formação política em detrimento das necessidades econômicas que ele julga serem básicas.
É questão de vontade.
A democracia não deve obter mais qualidade e tornar-se direta ou semi direta e nem a sociedade deve ser desmassificada e posta a salvo da ameaça teocrática APENAS PARA QUE O CAPITALISMO POSSA PERMANECER FUNCIONANDO E COM O MESMO RITMO DE SEMPRE.
É devido a imposição das falsas necessidades ditadas pelo Mercado que a democracia perde sua qualidade e que nosso projeto de democratização i é a retomada de nossa herança greco romana, é declarado impossível, inviável ou utópico. Pois para que as pessoas estejam mais presentes nas escolas, nas bibliotecas, nos museus, nos debates, nas decisões ou na politica enfim deverão estar menos presentes nas fábricas... E também deverão fruir de uma condição de vida melhor. O que nos conduz ainda mais uma vez a eliminação ou drástica redução, da alienação, da ignorância e portanto da miséria.
Compreendem por que a causa do fundamentalismo religioso ou da teocracia e do capitalismo é a mesma e que o patrão e o pastor são sempre aliados? Posto que ambos vivem de ignorância e miséria, e aspiram perpetuar a direção: FÁBRICA - IGREJA e vice versa??? Compreendem que o patrão e os políticos traidores e venais precisam do pastor para injetar o veneno da submissão nos cérebros dos trabalhadores? Compreender porque tanto o pastor quanto o patrão temem a escola, o esforço educativo, o esclarecimento e o exercício da cidadania? Como o pastor poderia vender falsas, esperanças, falsa libertação e falsos milagres caso não houvesse uma situação de angústia generalizada produzida pelo patrão? A causa da Bíblia e do auto forno é a mesma...
No entanto a mesma educação que leva o cidadão a questionar os mitos do antigo testamento e a autoridade do pastor, mina pela base a suposta autoridade do patrão.
Por isso ambos se sentem ameaçados pelo esclarecimento, e lá existe uma solidariedade oculta entre as necessidades do mercado e o projeto teocrático da bancada bíblica, o anseio de humilhar, oprimir, domesticar e colonizar o homem por meio de normas e regras arbitrárias tornando-o dócil; o eterno anseio de controlar e o desejo de escraviza-lo por meio da ignorância convertendo-o numa boa ovelhinha, num bom empregado ou num 'homem de bem' sempre submisso a ordem iníqua em que esta inserido.
Por isso é uma e mesma a causa da democracia direta, do mundo do trabalho ou seja do socialismo e da liberdade religiosa; e não se separam, formam uma unidade. Tanto a exploração econômica ou a miséria quanto o fundamentalismo religioso tornam a democracia, mesmo indireta e parlamentar impossível, desestabiliza-na e tornam-na mais indesejável que a tirania; justamente porque não passa ela mesma de uma ditadura de massas e aristocratas do dinheiro ou plutocratas. Ditadura de massas porque as massas não tendo consciência são manipuladas por eles, governando os milionários em nome das massas que oprimem, exploram e enganam... E ficando o cidadão consciente sempre a ver navios... Quando não a seduzido pela falsa esperança da ditadura individual ou pela fé num redentor secular. Sedução que é igualmente fruto da angústia e do desespero, face a precariedade de uma democracia apenas aparente, que o capitalismo impede de tornar-se real...
Temos uma democracia de conta gotas, de medida, controlada por um elemento externo e não político. Mas se não é soberana não é democracia, se é submissa não é democracia...
Urgem retornar a Sócrates. Compreender os defeitos estruturais da democracia antiga e da nova para buscar sanea-los. Ocultar ou disfarçar o estado precário e a condição abjeta de nossa democracia não a salvará. Manter a eterna ilusão de uma democracia de massas iletradas e incultas sempre no acesso do fanatismo religioso e do fundamentalismo não a salvará. Compactuar com a ignorância e alienação não a salvará. Fazer o jogo sujo e sórdido do mercado não a salvará.
Democracia se faz com esforços educativos e formativos que levem a formação de consciência bem como a produção de espírito e cultura. Democracia deve ser sinônimo de desmassificação. Democracia deve considerar sim preparo, capacidade, habilidades, competências, etc Democracia deve discutir, dialogar, debater e antes de tudo ouvir atentamente os intelectuais ou peritos, que tem conhecimento sobre determinada causa. Nossa democracia não pode conformar-se com os limites que lhe foram impostos no século XVII mas ampliar-se, aprofundar-se, alargar-se, ultrapassar-se, superar-se... O que implica chocar-se com a desordem institucionalizada do capitalismo, a grande responsável por seu fracasso.
Democracia precisa de tempo e de espaço para acontecer e isto não lhe foi dado, ainda não lhe foi dado, lhe tem sido sonegado... Em detrimento de sua qualidade.
Democracia precisa de pessoas capazes, mas elas não tem sido capacitadas desde os tempos de Sócrates. Pelo que tombamos num comodismo prejudicial e nefasto. Não estamos a formar cidadãos mas escravos, servos, elementos submissos, gente de bem, pessoas sem iniciativa e criatividade; isto é excelente para patrões e pastores, pois vivem de gado; mas não para a excelência democrática.
Sócrates tinha razão em criticar o comodismo e as ilusões de seus pares a respeito de uma democracia mágica, abstrata e metafísica, que dispensasse efetivo preparo. Ele apontou as asperezas do caminho e incomodou muita gente. Incomodou os falsos democratas com seus dogmas estúpidos, estruturas obsoletas e formas anquilosadas; eles precisavam e precisam ser incomodados. Sagan também os incomodou e fez bem. Democracia é feita mesmo para isso: para incomodar e não para acomodar as consciências e agradar.
Nosso projeto começa agora, quando terminará não o sabemos e sequer precisamos sabe-lo. Somos semeadores que um futuro que não viveremos e que não veremos. O amor ao próximo e os sentimentos de fraternidade e alteridade exigem que preparemos um futuro melhor ou menos dramático para os que virão. Não assistiremos o reflorescer da democracia direta no Ocidente ou em nosso pais, mas folgamos em ter dado os primeiros impulsos! Somos os semeadores do amanhã!
Implica este ideal, já por ser político e mais ainda por ser educativo e formativo, questionar o espaço dado pela sociedade capitalista a dimensão econômica da existência, e restringi-la se necessário for. Implica este ideal de democracia chocar-se com o espírito do economicismo, em nome do que cognominamos humanismo.
Precisamos dar mais espaço ao político e educacional tendo em vista a expansão da consciência e a afirmação de um padrão de qualidade?
Os espaços atualmente ocupados pela produção econômica, pela educação e pela cidadania precisam ser discutidos?
Temos uma péssima política?
A quem ou que isto se deve?
Somos preparados efetivamente para o exercício da cidadania?
Todas as crianças e jovens estão na escola?
A que ou a quem favorecem a ignorância, a alienação e o desprezível espírito de submissão cultivado por tantos?
A que acomodamos nosso espírito democrático?
Fomos bem sucedidos em produzir uma consciência democrática em nosso pais?
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A todos estes questionamentos o liberal economicista responderá imutavelmente com sua shahada: Não é o melhor dos sistemas mas é o que temos?
Com pastores da prosperidade e bancadas fundamentalistas assaltando o estado 'laico' e buscando interferir ativamente nas vidas das pessoas?
Com a afirmação irracional, caprichosa e arbitrária de preconceitos estúpidos como a homofobia, o adultismo, o especismo, etc???
Com um mar de corrupção e venalidade que nos submerge até o pescoço, que nos sufoca e que compromete inclusive a reputação das instituições?
Com uma execrável justiça ideológica e partidarista capaz de profanar a legalidade???
Com os direitos e garantias do trabalho sendo imolados no altar de Mamon pelo próprio Parlamento???
Se nos devemos contentar com isso, com esse lixo, melhor vestir uma camisa de força e pedir refúgio num hospício.
Nada mais indigno e abjeto do que pedir ao cidadão que se conforme com tudo isto e bata palmas. É apenas aqui, que os totalitário, até eles, mostram um pouco mais de sanidade e dignidade do que os 'tarados' liberais...
Não, não se pode pedir ao ser racional e libre, ao ser consciente e ético, ao ser instruído e civilizado que se conforme com tão baixo padrão de moralidade política.
Neste caso qual caminho a ser seguido?
A democracia representativa foi criada com o objetivo de suprir a uma formação educacional, ética e cidadã que o liberal, julga ser impossível e tão utópica quanto os delírios do comunismo.
Para o liberal não se deve dispender assim tanto tempo em educação e formação política em detrimento das necessidades econômicas que ele julga serem básicas.
É questão de vontade.
A democracia não deve obter mais qualidade e tornar-se direta ou semi direta e nem a sociedade deve ser desmassificada e posta a salvo da ameaça teocrática APENAS PARA QUE O CAPITALISMO POSSA PERMANECER FUNCIONANDO E COM O MESMO RITMO DE SEMPRE.
É devido a imposição das falsas necessidades ditadas pelo Mercado que a democracia perde sua qualidade e que nosso projeto de democratização i é a retomada de nossa herança greco romana, é declarado impossível, inviável ou utópico. Pois para que as pessoas estejam mais presentes nas escolas, nas bibliotecas, nos museus, nos debates, nas decisões ou na politica enfim deverão estar menos presentes nas fábricas... E também deverão fruir de uma condição de vida melhor. O que nos conduz ainda mais uma vez a eliminação ou drástica redução, da alienação, da ignorância e portanto da miséria.
Compreendem por que a causa do fundamentalismo religioso ou da teocracia e do capitalismo é a mesma e que o patrão e o pastor são sempre aliados? Posto que ambos vivem de ignorância e miséria, e aspiram perpetuar a direção: FÁBRICA - IGREJA e vice versa??? Compreendem que o patrão e os políticos traidores e venais precisam do pastor para injetar o veneno da submissão nos cérebros dos trabalhadores? Compreender porque tanto o pastor quanto o patrão temem a escola, o esforço educativo, o esclarecimento e o exercício da cidadania? Como o pastor poderia vender falsas, esperanças, falsa libertação e falsos milagres caso não houvesse uma situação de angústia generalizada produzida pelo patrão? A causa da Bíblia e do auto forno é a mesma...
No entanto a mesma educação que leva o cidadão a questionar os mitos do antigo testamento e a autoridade do pastor, mina pela base a suposta autoridade do patrão.
Por isso ambos se sentem ameaçados pelo esclarecimento, e lá existe uma solidariedade oculta entre as necessidades do mercado e o projeto teocrático da bancada bíblica, o anseio de humilhar, oprimir, domesticar e colonizar o homem por meio de normas e regras arbitrárias tornando-o dócil; o eterno anseio de controlar e o desejo de escraviza-lo por meio da ignorância convertendo-o numa boa ovelhinha, num bom empregado ou num 'homem de bem' sempre submisso a ordem iníqua em que esta inserido.
Por isso é uma e mesma a causa da democracia direta, do mundo do trabalho ou seja do socialismo e da liberdade religiosa; e não se separam, formam uma unidade. Tanto a exploração econômica ou a miséria quanto o fundamentalismo religioso tornam a democracia, mesmo indireta e parlamentar impossível, desestabiliza-na e tornam-na mais indesejável que a tirania; justamente porque não passa ela mesma de uma ditadura de massas e aristocratas do dinheiro ou plutocratas. Ditadura de massas porque as massas não tendo consciência são manipuladas por eles, governando os milionários em nome das massas que oprimem, exploram e enganam... E ficando o cidadão consciente sempre a ver navios... Quando não a seduzido pela falsa esperança da ditadura individual ou pela fé num redentor secular. Sedução que é igualmente fruto da angústia e do desespero, face a precariedade de uma democracia apenas aparente, que o capitalismo impede de tornar-se real...
Temos uma democracia de conta gotas, de medida, controlada por um elemento externo e não político. Mas se não é soberana não é democracia, se é submissa não é democracia...
Urgem retornar a Sócrates. Compreender os defeitos estruturais da democracia antiga e da nova para buscar sanea-los. Ocultar ou disfarçar o estado precário e a condição abjeta de nossa democracia não a salvará. Manter a eterna ilusão de uma democracia de massas iletradas e incultas sempre no acesso do fanatismo religioso e do fundamentalismo não a salvará. Compactuar com a ignorância e alienação não a salvará. Fazer o jogo sujo e sórdido do mercado não a salvará.
Democracia se faz com esforços educativos e formativos que levem a formação de consciência bem como a produção de espírito e cultura. Democracia deve ser sinônimo de desmassificação. Democracia deve considerar sim preparo, capacidade, habilidades, competências, etc Democracia deve discutir, dialogar, debater e antes de tudo ouvir atentamente os intelectuais ou peritos, que tem conhecimento sobre determinada causa. Nossa democracia não pode conformar-se com os limites que lhe foram impostos no século XVII mas ampliar-se, aprofundar-se, alargar-se, ultrapassar-se, superar-se... O que implica chocar-se com a desordem institucionalizada do capitalismo, a grande responsável por seu fracasso.
Democracia precisa de tempo e de espaço para acontecer e isto não lhe foi dado, ainda não lhe foi dado, lhe tem sido sonegado... Em detrimento de sua qualidade.
Democracia precisa de pessoas capazes, mas elas não tem sido capacitadas desde os tempos de Sócrates. Pelo que tombamos num comodismo prejudicial e nefasto. Não estamos a formar cidadãos mas escravos, servos, elementos submissos, gente de bem, pessoas sem iniciativa e criatividade; isto é excelente para patrões e pastores, pois vivem de gado; mas não para a excelência democrática.
Sócrates tinha razão em criticar o comodismo e as ilusões de seus pares a respeito de uma democracia mágica, abstrata e metafísica, que dispensasse efetivo preparo. Ele apontou as asperezas do caminho e incomodou muita gente. Incomodou os falsos democratas com seus dogmas estúpidos, estruturas obsoletas e formas anquilosadas; eles precisavam e precisam ser incomodados. Sagan também os incomodou e fez bem. Democracia é feita mesmo para isso: para incomodar e não para acomodar as consciências e agradar.
Nosso projeto começa agora, quando terminará não o sabemos e sequer precisamos sabe-lo. Somos semeadores que um futuro que não viveremos e que não veremos. O amor ao próximo e os sentimentos de fraternidade e alteridade exigem que preparemos um futuro melhor ou menos dramático para os que virão. Não assistiremos o reflorescer da democracia direta no Ocidente ou em nosso pais, mas folgamos em ter dado os primeiros impulsos! Somos os semeadores do amanhã!
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Capitalismo, Socialismo e Comunismo face ao humanismo II
Resta-nos constatar se o Comunismo e os Socialismos são humanismos.
Gostaria de tecer algumas considerações a respeito:
Antes de tudo gostaria de salientar que o Socialismo é antes de tudo um estado de indignação e inconformidade provocado pelo capitalismo ou melhor por seus resultados e já digo que não pode experimenta-la quem não possuí algum senso de justiça.
Todo socialista é em certo sentido não só herdeiro de Jesus Cristo mas antes de tudo - cronologicamente falando - legatário de Platão.
Se você não se identifica com o outro e se situações de injustiça são incapazes de revolta-lo jamais compreendera o Socialismo. Encarando-o muito provavelmente como uma patologia, síndrome, loucura ou delírio.
Uma questão de princípios, de valores, de sentido.
Não preciso de Marx aqui. Não entra Engels aqui. Não dependo de Lênin. Apenas uma consciência de justiça face a situações de injustiça.
Os socialismos todos trazem este sentido idealista do vir a ser ou do que deve ser em oposição ao que é e uma firme aspiração por alterar esta realidade indesejável.
A consciência burguesa além de conformar-se dizendo: É assim mesmo! ainda mistifica alegando que sempre fora assim. Quando sabemos que o capitalismo foi precedido por outras formas de produção econômica e organização social. Nem sempre fora assim, portanto nem sempre precisará se-lo.
Não gostaríamos de ser explorados ou de estar no lugar de um proletário. E por isso proclamamos a necessidade de redimi-lo. É o que chamamos de solidariedade ou alteridade.
Todos apreciamos ser verdadeiramente livres em posse de nosso espaço, de nossas roupas, de alimentos, etc e por isso desejamos que todos experimentem essa mesma liberdade!
"O que vocês desejam que os outros vos façam, fazei vós assim a eles."
Tal o objetivo dos socialistas.
Apreciemos agora os meios:
O socialismo ao contrário do comunismo recusa-se a encarar o golpe a sedição ou a revolução sangrenta como uma receita de infalível para todos os problemas sociais. Não adere pois a mística vulgar e grosseira da violência... nem acredita que condições sociais possam ser fabricadas ou criadas a partir da força bruta.
Não excluí a possibilidade de um conflito em determinadas circunstâncias. Não ignora as doutrinas da guerra justa, da legítima defesa, da auto determinação de um grupo social, etc Não é legitimista ingênuo. Mas também não desespera quanto a via do político ou institucional, acreditando na ampliação e aprofundamento da democracia que temos até chegarmos ao poder popular e a democracia direta; após termos percorrido um lento caminho, sempre dialogando com a cultura e investindo em educação.
Agora o que socialismo algum admite é a doutrina da ditadura ou o viés totalitário do Comunismo.
A diferença aqui, em que pesem as mentiras, calúnias e generalizações da canalha liberal, é crucial: Os socialismos todos encaram o liberalismo político legado pela burguesia como um bem ou como algo essencialmente positivo. O liberalismo a ser demolido não é o político mas o econômico. A democracia burguesa ou formal não deve ser revogada mas ampliada ou aprofundada até tornar-se popular.
Em geral os socialismos, por diversas vias - como plebiscitos, referendos, meios de comunicação virtuais, etc - buscam superar a democracia burguesa de Locke jamais revoga-la implementando uma ordem autocrática ou absolutista. A liberdade para os socialistas é um valor real que buscam conciliar com a igualdade desprezada pelos capitalistas.
Daí o tema dos socialistas em geral ser: Igualdade e Liberdade e/ou vice versa.
Donde se concluí que por via alguma o socialismo pode se apresentado como um anti humanismo. Tendo em vista seu compromisso com as liberdades e com os direitos fundamentais da pessoa humana. Podem classifica-lo como loucura ou ingenuidade mas não como um anti humanismo.
Pois mesmo a igualdade que busca não é absoluta - como a que buscam os comunistas - mas relativa. Pois trata-se como esclarece Bakhunin duma igualdade de oportunidades ou chances, a partir das quais - dentro de certos límites - as desigualdades decorrentes do esforço humano tornam-se legítimas. Não o são no contesto capitalista porque jamais se parte de condições iguais... tendo os filhos dos milionários todas as chances e os filhos dos trabalhadores chances bem reduzidas.
A todos os títulos é o socialismo uma doutrina equilibrada, que nega-se a reproduzir em larga escala os pecados do capitalismo.
Passemos agora ao comunismo.
Será ele um humanismo?
Para chegarmos a uma conclusão satisfatória comecemos separando os fins dos meios.
O fim aqui é o mesmo: o controle das atividades econômicas pelo grupo social e a consequente extinção das injustiças.
Sentido precipuamente socrático, cristão, ético que o capitalismo não possuí nem compreende.
Neste sentido há uma certa identidade de fins entre o ideal Católico e o ideal comunista, alias socialista.
Faz-se mister confessar que a seu modo é o comunismo ou brado de alarma. Uma consciência de que algo não vai bem. O sintoma de uma enfermidade quiçá bastante grave. Ora o capitalismo é esta enfermidade grave, é uma consciência acomodada, um sistema impenitente! A ponto daqueles que pretendem corrigi-lo ou enjaula-lo - como Keynes - passarem por heréticos!
O comunismo tem algo de heroico e nobre por ter se sensibilizado face as situações experimentadas pelo proletariado. Fez dele uma espécie de Messias... mas porque antes o capitalismo o havia crucificado!!! Não, este proletariado não é uma classe predestinada, um messias, um redentor ou uma categoria perfeita... É no entanto mártir da cobiça e como tal digno de lástima e de regeneração.
O Comunismo teve o mérito de percebe-lo e de converte-lo numa verdade distorcida! A qual nem por isso deixa de ser verdade. O Comunismo por um tempo importou-se com aquele ser encadeado as máquinas e sujeito a uma disciplina sub humana, aspirando redimi-lo. Há aqui solidariedade! Há aqui alteridade! Então há aqui um conteúdo de humanismo.
Soube o marxismo ortodoxo perceber a situação ou identificar o problema. O que não soube foi soluciona-lo, adotando uma metodologia incorreta, alias amplamente empregada pelo capitalismo.
Antes que o comunismo santifica-se os golpes de estado, desesperando do processo histórico e da educação, o capitalismo implementara a democracia burguesa ou representativa por meio de golpes de estado. E se a Revolução Russa foi uma sedição, que foi a tão festejada Revolução francesa de 89???
Golpes fomentados por elites sem qualquer participação popular que derrubaram os monarcas absolutistas. Não o povo! Pois não houve nem plebiscito, nem referendo, nem qualquer tipo de consulta uma vez que o bom povo era monarquista em sua maioria (!!!). Foi a imposição duma ordem democrática. E já sabemos porque nossas democracias sequer estão consolidadas. Porque ainda não se aprofundaram ou ampliaram tornando-se mais consistentes e reais... Porque ainda não assumiram a forma grega... Uma vez que houve a sobreposição de formas democráticas sobre uma cultura monárquica, ocorrendo a educação para a democracia 'a posteriori'.
Nem é para admirar que os EUA em pleno século XIX ainda perpetrem golpes democráticos sempre mal sucedidos!
Jamais nos libertamos do golpismo. Não é apanágio exclusivo dos comunistas mas vício de que se serviram os liberais do passado cuidando apressar a História e burlar o processo de produção cultural.
Nem mesmo quanto a panaceia ditatorial pode o liberalismo eximir-se.
Afinal Robespierre não teve de fazer-se ditador após a grande Revolução, cuidando apressar a História? A qual tornou a recuar assim que ele fechou seus olhos... não tivemos a ditadura florianista aqui no Brasil, logo após o 15 de Novembro???
Democracia que precise apoiar em ditadura, que tido de democracia é esta?
Trágico foi o erro de Lênin ao sancionar a ditadura do proletariado ora atribuída aos sociais democratas Marx e Engels. De marxista tem a ditadura marxista muito pouco... Marx jamais considerou seriamente a politica e jamais aprofundou suas pesquisas neste campo. Não foi ele quem concebeu o partido como uma espécie de igreja sem deus ou vaticano secularizado, mas Lênin.
Pode-se justifica-lo no entanto se se leva em consideração o espirito do povo russo, impermeável a cultura democrática européia. Como implantar uma democracia burguesa numa cultura 'tzarista'? Absurdo dos absurdos! Tinha mesmo o marxismo russo ou bolchevismo de assumir as formas autocráticas oferecidas pela cultura e apresentar-se em certo sentido como uma continuação do tzarismo. Não deve portanto a Revolução dos russos constituir objeto de nossos melindres.
Problema aqui é desejar transpor a realidade russa - em termos de leninismo - para países em que havia já uma cultura mais ou menos democrática em formação, revertendo este quadro e fomentando ditaduras. Tal o equivoco sinistro do comunismo ou bolchevismo. Desejar reproduzir a experiência russa noutros contextos e culturas.
Tal o erro dos Estados Unidos, das potências ocidentais e desses comunóides e anarcóides que chegaram a vislumbrar primaveras democráticas num contexto islâmico. Quando sabemos que os fundamentalismos e massas fanatizadas só podem ser contidas - e devem se-lo - por regimes despóticos e autoritários. Do contrário a tentativa de implantar-se uma democracia de dentro para fora degenera sempre em teocracia, por falta duma consciência laicista e dum sentido da liberdade.
Pecam comunistas, anarquistas e mesmo socialistas, ao examinarem as terras do Oriente por falta de afinidade com a cultura. Os EUA erram e pecam porque interferem e seus adversários pecam e erram porque esperam do islamismo o que ele não pode dar ou fornecer: suporte para a policracia e para o socialismo. Assim os tontos que em 17 esperavam poder implantar uma ordem democrática onde antes florescerá o tzarismo! Assim os que em 89 juntamente com Robespierre cuidavam lançar os fundamentos de um mundo mais justo e fraterno numa cultura ainda demasiado monárquica, religiosa e um pouco burguesa...
Quando os homens aprenderão que devem caminhar em comunhão com o processo histórico agindo dentro de determinados limites e sem cogitar poder apressar a História?
Resta-nos não só concluir que em que pese seu fim humanista, os métodos adotados pelo comunismo não só não foram humanistas como chegaram a ser inumanos. Foram todavia tais métodos tomados ao liberalismo, 'pai de todas as Revoluções' como diziam De Maistre, Veuillot, A Nicholas e outros reacionários do século XIX. A mesma sensação experimentada pelos liberais de hoje face a propaganda comunista e as diversas tentativas de golpe foram já experimentadas pelos monarquistas do século XIX. Agora se os liberais perpetraram golpes contra os feudais e substituiram-nos por que lamentam-se tanto face a possibilidade de golpes comunistas???
Por todos estes títulos é necessário descrer nos golpes enquanto solução para os problemas sociais e confiar na educação e nas instituições democráticas. Caso desejem abalar o estado burguês, sirvam-se da desobediência civil de Thoureau! Tal o sentido do socialismo!
Reconheçamos enfim que o liberalismo econômico não é o anjo que pretende ser nem o Comunismo o demônio que pintam uma vez que este limitou-se a reproduzir os erros e falsidades daquele, tendo inclusive o mérito de acrescentar-lhe uns temperos ou cheiros de humanismo; coisa que o liberalismo econômico jamais possuiu.
Algo há de humanismo no Comunismo ainda que ele não seja humanista em decorrência de seus métodos materialistas e grosseiros, resultados de uma visão determinista de mundo. Agora no capitalismo, que não passa de um culto arqui sacrílego tributado a Mamon não resta humanismo algum. Pois a afirmação dos economicismos foi a morte do ideal, da razão e da ética.
Gostaria de tecer algumas considerações a respeito:
Antes de tudo gostaria de salientar que o Socialismo é antes de tudo um estado de indignação e inconformidade provocado pelo capitalismo ou melhor por seus resultados e já digo que não pode experimenta-la quem não possuí algum senso de justiça.
Todo socialista é em certo sentido não só herdeiro de Jesus Cristo mas antes de tudo - cronologicamente falando - legatário de Platão.
Se você não se identifica com o outro e se situações de injustiça são incapazes de revolta-lo jamais compreendera o Socialismo. Encarando-o muito provavelmente como uma patologia, síndrome, loucura ou delírio.
Uma questão de princípios, de valores, de sentido.
Não preciso de Marx aqui. Não entra Engels aqui. Não dependo de Lênin. Apenas uma consciência de justiça face a situações de injustiça.
Os socialismos todos trazem este sentido idealista do vir a ser ou do que deve ser em oposição ao que é e uma firme aspiração por alterar esta realidade indesejável.
A consciência burguesa além de conformar-se dizendo: É assim mesmo! ainda mistifica alegando que sempre fora assim. Quando sabemos que o capitalismo foi precedido por outras formas de produção econômica e organização social. Nem sempre fora assim, portanto nem sempre precisará se-lo.
Não gostaríamos de ser explorados ou de estar no lugar de um proletário. E por isso proclamamos a necessidade de redimi-lo. É o que chamamos de solidariedade ou alteridade.
Todos apreciamos ser verdadeiramente livres em posse de nosso espaço, de nossas roupas, de alimentos, etc e por isso desejamos que todos experimentem essa mesma liberdade!
"O que vocês desejam que os outros vos façam, fazei vós assim a eles."
Tal o objetivo dos socialistas.
Apreciemos agora os meios:
O socialismo ao contrário do comunismo recusa-se a encarar o golpe a sedição ou a revolução sangrenta como uma receita de infalível para todos os problemas sociais. Não adere pois a mística vulgar e grosseira da violência... nem acredita que condições sociais possam ser fabricadas ou criadas a partir da força bruta.
Não excluí a possibilidade de um conflito em determinadas circunstâncias. Não ignora as doutrinas da guerra justa, da legítima defesa, da auto determinação de um grupo social, etc Não é legitimista ingênuo. Mas também não desespera quanto a via do político ou institucional, acreditando na ampliação e aprofundamento da democracia que temos até chegarmos ao poder popular e a democracia direta; após termos percorrido um lento caminho, sempre dialogando com a cultura e investindo em educação.
Agora o que socialismo algum admite é a doutrina da ditadura ou o viés totalitário do Comunismo.
A diferença aqui, em que pesem as mentiras, calúnias e generalizações da canalha liberal, é crucial: Os socialismos todos encaram o liberalismo político legado pela burguesia como um bem ou como algo essencialmente positivo. O liberalismo a ser demolido não é o político mas o econômico. A democracia burguesa ou formal não deve ser revogada mas ampliada ou aprofundada até tornar-se popular.
Em geral os socialismos, por diversas vias - como plebiscitos, referendos, meios de comunicação virtuais, etc - buscam superar a democracia burguesa de Locke jamais revoga-la implementando uma ordem autocrática ou absolutista. A liberdade para os socialistas é um valor real que buscam conciliar com a igualdade desprezada pelos capitalistas.
Daí o tema dos socialistas em geral ser: Igualdade e Liberdade e/ou vice versa.
Donde se concluí que por via alguma o socialismo pode se apresentado como um anti humanismo. Tendo em vista seu compromisso com as liberdades e com os direitos fundamentais da pessoa humana. Podem classifica-lo como loucura ou ingenuidade mas não como um anti humanismo.
Pois mesmo a igualdade que busca não é absoluta - como a que buscam os comunistas - mas relativa. Pois trata-se como esclarece Bakhunin duma igualdade de oportunidades ou chances, a partir das quais - dentro de certos límites - as desigualdades decorrentes do esforço humano tornam-se legítimas. Não o são no contesto capitalista porque jamais se parte de condições iguais... tendo os filhos dos milionários todas as chances e os filhos dos trabalhadores chances bem reduzidas.
A todos os títulos é o socialismo uma doutrina equilibrada, que nega-se a reproduzir em larga escala os pecados do capitalismo.
Passemos agora ao comunismo.
Será ele um humanismo?
Para chegarmos a uma conclusão satisfatória comecemos separando os fins dos meios.
O fim aqui é o mesmo: o controle das atividades econômicas pelo grupo social e a consequente extinção das injustiças.
Sentido precipuamente socrático, cristão, ético que o capitalismo não possuí nem compreende.
Neste sentido há uma certa identidade de fins entre o ideal Católico e o ideal comunista, alias socialista.
Faz-se mister confessar que a seu modo é o comunismo ou brado de alarma. Uma consciência de que algo não vai bem. O sintoma de uma enfermidade quiçá bastante grave. Ora o capitalismo é esta enfermidade grave, é uma consciência acomodada, um sistema impenitente! A ponto daqueles que pretendem corrigi-lo ou enjaula-lo - como Keynes - passarem por heréticos!
O comunismo tem algo de heroico e nobre por ter se sensibilizado face as situações experimentadas pelo proletariado. Fez dele uma espécie de Messias... mas porque antes o capitalismo o havia crucificado!!! Não, este proletariado não é uma classe predestinada, um messias, um redentor ou uma categoria perfeita... É no entanto mártir da cobiça e como tal digno de lástima e de regeneração.
O Comunismo teve o mérito de percebe-lo e de converte-lo numa verdade distorcida! A qual nem por isso deixa de ser verdade. O Comunismo por um tempo importou-se com aquele ser encadeado as máquinas e sujeito a uma disciplina sub humana, aspirando redimi-lo. Há aqui solidariedade! Há aqui alteridade! Então há aqui um conteúdo de humanismo.
Soube o marxismo ortodoxo perceber a situação ou identificar o problema. O que não soube foi soluciona-lo, adotando uma metodologia incorreta, alias amplamente empregada pelo capitalismo.
Antes que o comunismo santifica-se os golpes de estado, desesperando do processo histórico e da educação, o capitalismo implementara a democracia burguesa ou representativa por meio de golpes de estado. E se a Revolução Russa foi uma sedição, que foi a tão festejada Revolução francesa de 89???
Golpes fomentados por elites sem qualquer participação popular que derrubaram os monarcas absolutistas. Não o povo! Pois não houve nem plebiscito, nem referendo, nem qualquer tipo de consulta uma vez que o bom povo era monarquista em sua maioria (!!!). Foi a imposição duma ordem democrática. E já sabemos porque nossas democracias sequer estão consolidadas. Porque ainda não se aprofundaram ou ampliaram tornando-se mais consistentes e reais... Porque ainda não assumiram a forma grega... Uma vez que houve a sobreposição de formas democráticas sobre uma cultura monárquica, ocorrendo a educação para a democracia 'a posteriori'.
Nem é para admirar que os EUA em pleno século XIX ainda perpetrem golpes democráticos sempre mal sucedidos!
Jamais nos libertamos do golpismo. Não é apanágio exclusivo dos comunistas mas vício de que se serviram os liberais do passado cuidando apressar a História e burlar o processo de produção cultural.
Nem mesmo quanto a panaceia ditatorial pode o liberalismo eximir-se.
Afinal Robespierre não teve de fazer-se ditador após a grande Revolução, cuidando apressar a História? A qual tornou a recuar assim que ele fechou seus olhos... não tivemos a ditadura florianista aqui no Brasil, logo após o 15 de Novembro???
Democracia que precise apoiar em ditadura, que tido de democracia é esta?
Trágico foi o erro de Lênin ao sancionar a ditadura do proletariado ora atribuída aos sociais democratas Marx e Engels. De marxista tem a ditadura marxista muito pouco... Marx jamais considerou seriamente a politica e jamais aprofundou suas pesquisas neste campo. Não foi ele quem concebeu o partido como uma espécie de igreja sem deus ou vaticano secularizado, mas Lênin.
Pode-se justifica-lo no entanto se se leva em consideração o espirito do povo russo, impermeável a cultura democrática européia. Como implantar uma democracia burguesa numa cultura 'tzarista'? Absurdo dos absurdos! Tinha mesmo o marxismo russo ou bolchevismo de assumir as formas autocráticas oferecidas pela cultura e apresentar-se em certo sentido como uma continuação do tzarismo. Não deve portanto a Revolução dos russos constituir objeto de nossos melindres.
Problema aqui é desejar transpor a realidade russa - em termos de leninismo - para países em que havia já uma cultura mais ou menos democrática em formação, revertendo este quadro e fomentando ditaduras. Tal o equivoco sinistro do comunismo ou bolchevismo. Desejar reproduzir a experiência russa noutros contextos e culturas.
Tal o erro dos Estados Unidos, das potências ocidentais e desses comunóides e anarcóides que chegaram a vislumbrar primaveras democráticas num contexto islâmico. Quando sabemos que os fundamentalismos e massas fanatizadas só podem ser contidas - e devem se-lo - por regimes despóticos e autoritários. Do contrário a tentativa de implantar-se uma democracia de dentro para fora degenera sempre em teocracia, por falta duma consciência laicista e dum sentido da liberdade.
Pecam comunistas, anarquistas e mesmo socialistas, ao examinarem as terras do Oriente por falta de afinidade com a cultura. Os EUA erram e pecam porque interferem e seus adversários pecam e erram porque esperam do islamismo o que ele não pode dar ou fornecer: suporte para a policracia e para o socialismo. Assim os tontos que em 17 esperavam poder implantar uma ordem democrática onde antes florescerá o tzarismo! Assim os que em 89 juntamente com Robespierre cuidavam lançar os fundamentos de um mundo mais justo e fraterno numa cultura ainda demasiado monárquica, religiosa e um pouco burguesa...
Quando os homens aprenderão que devem caminhar em comunhão com o processo histórico agindo dentro de determinados limites e sem cogitar poder apressar a História?
Resta-nos não só concluir que em que pese seu fim humanista, os métodos adotados pelo comunismo não só não foram humanistas como chegaram a ser inumanos. Foram todavia tais métodos tomados ao liberalismo, 'pai de todas as Revoluções' como diziam De Maistre, Veuillot, A Nicholas e outros reacionários do século XIX. A mesma sensação experimentada pelos liberais de hoje face a propaganda comunista e as diversas tentativas de golpe foram já experimentadas pelos monarquistas do século XIX. Agora se os liberais perpetraram golpes contra os feudais e substituiram-nos por que lamentam-se tanto face a possibilidade de golpes comunistas???
Por todos estes títulos é necessário descrer nos golpes enquanto solução para os problemas sociais e confiar na educação e nas instituições democráticas. Caso desejem abalar o estado burguês, sirvam-se da desobediência civil de Thoureau! Tal o sentido do socialismo!
Reconheçamos enfim que o liberalismo econômico não é o anjo que pretende ser nem o Comunismo o demônio que pintam uma vez que este limitou-se a reproduzir os erros e falsidades daquele, tendo inclusive o mérito de acrescentar-lhe uns temperos ou cheiros de humanismo; coisa que o liberalismo econômico jamais possuiu.
Algo há de humanismo no Comunismo ainda que ele não seja humanista em decorrência de seus métodos materialistas e grosseiros, resultados de uma visão determinista de mundo. Agora no capitalismo, que não passa de um culto arqui sacrílego tributado a Mamon não resta humanismo algum. Pois a afirmação dos economicismos foi a morte do ideal, da razão e da ética.
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