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segunda-feira, 5 de março de 2018

Memética que troço é esse? II

Quando um cientista deseja fazer ciência, enfia-se em seu laboratório, mede, pesa, dilui, etc e trás fatos, enuncia leis, etc Quando quer filosofar...

Imita Werner Heisenberg, cujas palavras achamos por bem reproduzir:

"Desde muito cedo tive a oportunidade de ler Platão; já na escola o traduzíamos. A seguir li os seus diálogos; o Timeu, principalmente, exerceu grande influência sobre mim, pois foi na altura em que se me deparou a teoria do átomo. Desde então tenho indagado se se pode compreender a teoria atômica sem se fazer uso da Filosofia, e cheguei a conclusão de que o atomismo esta tão afastado do nosso mundo quotidiano que, sem uma análise pormenorizada da situação epistemológica, linguística e, em geral, dos fundamentos filosóficos, é impossível compreender a teoria do átomo... Precisamente nessa altura deparou-se-me, casualmente, o Timeu e a história do átomo, que me provocaram profunda impressão... Depois voltei a discutir frequentemente com amigos interessados em tema filosóficos sobre os problemas que se expõem no Timeu. Essa leitura desempenhou um papel bastante importante na minha vida." in Horia, Vintila 'Viagem aos centros da terra' Verbo p 283 e sg

Já nos referimos, no artigo anterior, ao conhecimento de Sagan a respeito deste ramo do conhecimento que é a Filosofia. Poderíamos citar ainda Weizsacker, o qual repassou diversos destes temas numa de suas obra. Assim "A parte e o todo" de Heisenberg, o qual se bem me lembro também é autor de 'Física e filosofia'.

O que no entanto nenhum deles fez foi vender suas especulações ou apreciações filosóficas como ciência 'empírica'...

Outro porém e bem outro é o caso do Dr Dawkins, com sua extravagante hipótese sobre 'Genes egoístas' cuja intencionalidade egoística controla os seres humanos como máquinas, privando-os de auto determinação ou livre arbítrio. Genes colonizam-nos para replicarem-se... Somos obras não de um deus, mas de uma luta épica entre genes brigões que lutam pela sobrevivência...

Não foi sem razão que diversos de seus pares, cito de passagem apenas S Jay Gould, apresentaram-no como mistificador. Mas... a obra agradou o grande público leigo, o qual nem deseja ser livre e consequentemente responsável e que deseja ver o próprio individualismo ou egoísmo justificado. O grande público adorou o que leu como adora este Velho testamento que determina a matança de cananeus e o Corão com sua jihad, murtad, Djzia e sharia enfim... A parte mais primitiva, grosseira e vulgar da humanidade aspira derramar sangue, roubar, mentir, permanecer insensível as necessidades do outro, etc E Dawkins justifica 'biologicamente' tudo isto...

Maomé, Lutero, Calvino, Spencer, Hamilton, Wilson, Desmond Morris ( o da 'Fauna humana' e do 'Macaco nu'), Hitler, Staline, Von Mises, Hayeck, Friedman, e Dawkins não podia ter deixado de fazer o imenso sucesso que tem feito uma vez que disseram as massas barbarizadas o que queriam ouvir, sancionando o comportamento delas... Outro e bem outo é o caso dos 'censores' Sócrates, Platão, Jesus, Buda, Confúcio, etc os quais buscaram corrigir a moralidade baixa da plebe e eleva-la... A humanidade finge adorar ou cultuar a estes, mas continua vivendo segundo a norma e regra daqueles...

E no entanto este mesmo Dawkins, parece até piada, não só declara que seu biologismo ateísta produzirá (tempo futuro é claro) uma boa fornada de 'Ética' - Acredita quem quer... como chegou a dizer que 'Devemos tentar ensinar a generosidade e o altruísmo...' Flew 88. Mas como Dr Dawkins? Se somos máquinas comandadas por genes egoístas? Como se segundo a equação de William Hamilton só podemos ser altruístas face a nosso próprio patrimônio genético?

No entanto a escolástica genético darwinista de Dawkins não para por aqui... pois além de genes possessivos temos memes???

HHHHHHaaaaaaannnnnnn???

O que?

Sim temos memes... Segundo Dawkins.

Mas que são memes???

Começarei declarando, pois quero começar do começo, ou melhor dizendo parafraseando Marilynn Robinson ("Além da razão" Nova Fronteira 2011 p 67) e apresentando os memes como algo puramente hipotético ou imaginário, i é, algo cuja existência não pode ser concretamente demonstrado, em contraposição aos genes, cuja existência, é real e para além que qualquer dúvida.

Genes são materiais, são moléculas e como tais foram isolados e 'verificados' pelos cientistas. Memes é coisa que ninguém, jamais viu ou isolou...

Uma bela construção fantasiosa, digo ideal, do biólogo inglês, apenas isto. Os genes estão no meu corpo, no seu corpo, nos nossos corpos... Os memes na cabecinha ou na imaginação de Richard Dawkins, donde passaram a seus 'Best sellers'...

Pior, mais grave... monstruoso. Memes são entidades ideais, imateriais, supra físicas, implantadas por um biólogo materialista no organismo humano.

Dawkins meus bons amigos é materialista professo, e, como tal, deveria enunciar apenas a existência de entidades materiais ou físicas, o que alias se espera de qualquer biólogo... Mas, enuncia, a existência de 'ideias' ou 'conceitos' que criam raízes materiais no cérebro. Não, não são uns genes que portam ideias, aqui teríamos genes pensantes - o que Dawkins explicitamente ao menos não ousa enunciar - mas umas ideias que são comunicadas externamente ou um produto da cultura que internalizando-se, implanta-se materialmente no organismo. Ideias literalmente fixas de que não pode o infectado libertar-se, permanecendo eternamente escravo delas.

Não vou entrar neste 'samba do crioulo doido' mas, ainda aqui, reproduzir as palavras da Sra Robinson:

"Por analogia com o gene, esta entidade ou fenômeno é chamada meme. O meme é um conceito, uma ideia, uma memória pessoal ou cultura EGOÍSTA que coloniza o cérebro e que sobrevive por meio da proliferação, implantando-se noutros cérebros. Dawkins diz: 'Exemplos de memes são melodias, ideias, frases feitas, modas indumentariais, formas de fazer vasos ou construir arcos. Assim como os genes se propagam no pool genético, saltando de um corpo a outro por meio de espermatozoides e óvulos, os memes se propagam no pool de memes, saltando de um cérebro a outro através de um processo que, em sentido amplo pode ser chamado de imitação.'. Ele cita seu colega N K Humphrey 'Memes deve ser considerados ESTRUTURAS VIVAS NÃO APENAS METAFÓRICA, MAS TECNICAMENTE. Ao plantar um meme fértil em minha mente, VOCÊ LITERALMENTE PARASITA MEU CÉREBRO, transformando-o em veículo para a propagação desse meme da mesma maneira como um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira. E isso NÃO É FORÇA DE EXPRESSÃO - o meme para, digamos 'a crença na vida após a morte' é de fato construído fisicamente, milhões de vezes, COMO UMA ESTRUTURA NO SISTEMA NERVOSO DO HOMEM, individualmente, por todo mundo." Opus cit ps 65 e sg

Peço 'data vênia' para fazer uma citação deste tamanho, mas era necessário, para que depois não digam que estamos torcendo ou falsificando as doutrinas do sr Dawkins, pois é comum ver seus seguidores repetindo esta disputa esfarrapada...

Temos ideias, crenças, modas, conceitos, etc que vagam ou giram por ai, como o vírus da gripe, no mundo da cultura. E ai você nasce num ambiente infectado destes e contrai lá o meme do budismo, ou do espiritismo, ou do Catolicismo, ou do Socratismo, ou do Socialismo... e ele, mesmo sendo puramente conceitual, cria ou desenvolve raízes materiais ou celulares no seu cérebro, formando como que um quisto irremovível. Como se vê, até aqui, nada de livre arbítrio, de racionalidade, de lógica, de reflexão... Nada disto é real, apenas os conceitos 'voadores' que batem a nossa testa e infectam-nos para todo sempre???

Somos quase que levados a crer no meme pela doutrina do meme. Pois só mesmo um palerma para endossar semelhante disparate quando toda gente propriamente instruída e educada é por assim dizer 'Uma metamorfose ambulante' pelo simples fato de rever seus costumes, princípios, valores, ideias e crenças ao cabo de toda vida. Pessoas mudam de ideias, mesmo as mais simples e estupidas mudam de ideias senhor biólogo!

Outro conteúdo implícito na exótica doutrina do sr Dawkins, e pelo qual ela é um tiro no pé, é que pessoas controladas ou colonizadas por memes não pesam evidências ou argumentos, e tampouco os próprios memes... Memes são ideias introjetadas no sujeito sem que ele mesmo tome consciência disto. O que destrói pela base a distinção fundamental entre Verdade e Erro... Pois só podemos falar em verdade e erro quando o sujeito em posse de uma vida racional, pesa os argumentos buscando pela evidência... Quando é colonizado por conceitos voláteis que lhe penetram o crânio, como que por osmose não há mais verdade e erro...

Pelo que temos de nos perguntar sobre os memes do materialismo, do ateísmo, do positivismo, do cientificismo, etc Afinal se há memes como alguns privilegiados poderiam ter acesso a qualquer Verdade que ultrapasse os tais memes??? Tudo é meme, e se tudo é meme, nosso estado comum deve ser de ignorância crassa no que diz respeito a realidade... ou temos um estado de exceção...

Perguntem agora a Humphrey, a Dawkins, a Hamilton ou a Wilson, se suas queridas teorias também são memes... E ouvirão, pasme, que são produto da experiência (mentira porque memes jamais foram experimentados!) ou da ciência! Temos já um templo, igreja ou altar, como sacerdotes e pasme, uma verdade revelada que não procede dos memes... Memes existem apenas para quem não é cientista. Eis aqui uma verdade - Cientistas são imunes a memes. Embora Heisenberg, Fermi, Weizsacker, Schroeder, Einstein, Planck, Lemmaitre, Jeans, Lovell, Eddington, Maxwell, Dirac, Whitehead, Overstreet, Dobzhansky, etc terem sido infectados pelo teísmo... Oh coitados...

Na verdade apenas os cientistas ateístas - e, que pena, ao contrário do que se propaga não são a maioria e sequer muitos - como Dawkins, Wolpert, Stenger e Tryon; por exemplo, são de fato imunes aos memes... enfim privilegiados. Quanto a Freud e Marx, não são reconhecidos como cientistas por eles, e quando ao querido Darwin, apresenta-se claramente como deísta na 'Evolução das espécies' embora, já no fim da vida, influenciado pelo problema da dor ou do mal, tenha se inclinado ao agnosticismo. Sempre bom, dizer que, apesar do que contam os péssimos 'filósofos' (cientistas) ateístas, que o agnosticismo implica uma noção de epistemologia e antropologia absolutamente distintas da epistemologia e antropologia ateísticas, e que apresenta-los como 'ateus' medrosos ou covardes é pura e simples desonestidade, e arrogância é claro. Diga-se isto com mais razão ainda do Panenteísmo, e do deísmo... Nenhum destes conceitos, nenhum deles, equivale mesmo de longe ao ateísmo, mas, estão em franca oposição a ele. O ateísmo é posição tão 'solitária' quanto o agnosticismo e o teísmo (de que Panenteísmo e Deísmo são formas ou variantes).

Portanto ficar elaborando falsas listas de ateus em que constem - Galileu, Newton, Diderot, Voltaire, Darwin, etc implicará sempre, desonestidade, falta de ética e desespero, afinal de houvesse um grande número de sábios e cientistas ateus ou ateus a mancheia, como diziam nossos ancestrais, por que falsear ou fabricar falsos ateus???

Admitida a existência do meme e da paridade entre verdade e erro, tanto o teísmo, quanto o ateísmo, ficam sendo nada ou zero a esquerda... E já estamos nós nas mesmas condições que Pirro ou Hume, i é em estado de ignorância absoluta e invencível, afinal, memes não refletem, não raciocinam, não pensa, não filosofam e não tem acesso a verdade.

Assim há infectados pela crença segundo a qual a alma sobrevive a morte e infectados pela crença, não menos 'inverificável' de que a alma morre com o corpo físico... Um implante aqui, um implante acolá e nada mais...

Outro aspecto insólito a ser considerado é que uma conceito ou entidade cultural se transfigura ou converta em estrutura material, sabe-se lá como... Não se sabe nem se pode saber. Pois se se trata duma ideia como se pode transformar uma molécula ou coisa parecida? Dirá nosso mago que por meio de sinapses neuronais... e no entanto as sinapses neuronais estão na base de todo aprendizado humano, sem que deixe de ser fluídico, flexível, dinâmico e mutável... Pelo simples fato de imigrantes, mesmo já mais velhos ou maduros, mudarem de hábitos quanto instalam-se noutro pais, aderindo a outro tipo de traje, de dieta ou até mesmo de religião... O que mesmo não sendo comum, é empiricamente verificado! Supor a memética é dar o comportamento humano por fixo e imutável, uma aberração!

Torne-mos mais uma vez a sra Robinson:

"Sendo assim como supor uma base genética em qualquer comportamento humano? Se estes memes parecem se ter libertado da dependência direta para com os genes, e aparentemente podem faze-lo ainda onde não o fizeram de fato... Coisa dificil conciliar a sócio biologia, com sua dependência do neo darwinismo gradualista, com esses MEMES INCORPÓREOS QUE FLUTUAM LIVREMENTE, QUE SÃO ALTAMENTE CONTAGIOSOS E QUE, NA TEORIA, de alguma forma, conseguiram fazer com que o nosso cérebro físico se ajustasse a sua própria sobrevivência e propagação." id P 67

Compreenderam???

O cérebro ou a mente não tem qualquer meio para safarem-se a ação colonizadora dos memes... Estamos num mato sem cachorro? Cérebro ou mente não nos garantem nada, não servem para nada... Pois somos presas fáceis de uns memes incorpóreos que flutuam ao sabor da cultura, da mesma forma que a rubeóla ou o sarampo... A conclusão 'ética' é miserável - Você é tão responsável por seu fundamentalismo religioso, por seu racismo, por seu machismo, por seu adultismo, por seu capitalismo, por seu odinismo, enfim por seus preconceitos e superstições, tanto quanto é responsável por contrair crupe, difteria, tifo, rubéola, sarampo, catapora, etc Afinal ainda não foi inventada qualquer vacina contra meme... Estará o grande Richard Dawkins a fabrica-la em seu laboratório???

Resta considerar que toda esta parlenga ou lenga lenga traí, como não poderia deixar de ser o ranço do positivismo, com suma imensa pobreza (a avaliação é de Werner Heisenberg). Um grupinho de cientistas ou de sumos sacerdotes do novo culto, tributado a seleção natural, que enxergam o 'pecado' (no caso da metafísica) em todos, menos neles mesmos, i é nos privilegiados, especiais, superiores ou messias... Lembra K Marx e seu determinismo economicista, segundo o qual a consciência e a cultura eram produto de relações econômicas de produção. E no entanto esse Marx, inserido num modelo de produção capitalista, não era determinado e portanto assimilador daquele modo de pensamento, mas teórico de um novo tipo de pensamento - comunista ou marxista - não determinado por aquele modo de produção majoritário. Marx, como oponente do capitalismo e portador de uma nova consciência, era indeterminado...  Lembra E Durkheim, com seu sociologismo tosco e a respeito de cujas pesquisas e constatações deveríamos perguntar se foram determinadas pelo meio! Lembra Freud, psicologista, que metafisicou a respeito de um fenômeno social, sem quiçá, jamais ter avaliado suas próprias relações afetivas com o pai e a mãe e até que ponto fora influenciado por elas... Dificil para estas homens colocarem-se no plano de suas pŕóprias doutrinas ou situarem-se nelas...

Que dizer então de Dawkins? Teria sido também colonizado por certos memes, portadores das ideologias que tão fanaticamente defende ou seria um privilegiado posto em comunicação com uma verdade oculta a todos os mortais??? Por esta via chegaríamos a mística... E não preciso dizer mais nada! Cada um considere o que seja esta nova 'ciência' da memética e tire suas próprias conclusões!



C Q D

domingo, 4 de março de 2018

Memética, que troço é este??? I

Tal episódio se deu na Era dourada das artes, em Atenas, a Atenas de Fídias, Praxísteles, Polignoto, e é claro Apeles... o qual tinha por costume expor suas telas em praça pública com o objetivo de ouvir os comentários que eram feitos a respeito de seu trabalho.

Numa certa tarde após ter refeito uma de suas obras - Botões, penteado e fivelas dos sapatos - segundo as orientações da costureiro, do cabeleireiro e do sapateiro, aproximou-se novamente o sapateiro arriscando este comentário:

--- Agora estão perfeitos os sapatos, mas esta prega da túnica...

Foi quando Apeles, saindo detrás da tela atalhou:

--- Ne sulor ultra crepidam judicaret, isto é - Sapateiro não passes além dos sapatos!

Outro tanto poderíamos dizer a respeito do sr Richard Dawkins - "Cientista, não passe além dos fatos ou da experiência." ou "Biólogo não passes das provetas e tubos!"

Afinal cuida ele muito teorizar ou metafisicar a respeito de temas que nem de longe dizem respeito a seu campo de investigação... Assim de Deus, do livre arbítrio, da ética, etc apresentando tudo isto como fina flor em termos de ciência. Não, o homem não brinca ou graceja, e proclama em alto e bom som que seu livro sobre os 'genes egoístas', de modo algum é ficção, mas autêntica ciência (cf Flew 'Ediouro' 2008 p 87)... E não chegamos ainda a memética e menos ainda a 'Deus um delírio', pois o homem tudo vende como ciência...

Foge aos fatos em sua rude simplicidade, interpreta, especula, narra, desenvolve, segue pelos domínios da imaginação e da fantasia, como péssimo filósofo que é, e tudo vende como ciência 'positiva' ou factual.

Já dissemos que pela teoria a metafísica renasce, de bem que disfarçada. E já se pode fazer metafísica ateística em nome do positivismo!!! VENDENDO-A COMO FATOS!!! Isto, sejamos justos e honestos, os positivistas não fizeram, ao menos em sua maior parte, permanecendo, muitos deles, no prudente terreno do agnosticismo ou dos fatos. Hoje porém, os homens fazem metafísica com o nome de teoria, e negam que estão a metafisicar, e isto é grave, pelo simples fato de implicar, desonestidade e falsificação.

Ateísmo e materialismo jamais serão dados empíricos ou fatos concretos tomados a natureza por meio da experiência como a lei da conservação da matéria, a incerteza, a relatividade especial, etc Mas construções especulativas ou conclusões que transcendente a experiência pura e simples. São elaborações conceituais ou ideológicas e se os ateístas alegam que tais conclusões dimanam de fatos, os teístas ou deístas não alegam menos...

Alias o problema não é este. Como ser pensantes, Dawkins, Dennett, Harris, Hitchens, Amis, Pullmann, Wolpert, Stenger e demais janízaros do neo ateísmo, sempre poderiam, especular, metafisicar ou filosofar sem precisar oferecer quaisquer justificativas. Afinal nada mais próprio ou característico do Homo sapiens do que refletir ou filosofar. Fazemos isto desde que assumimos um caráter propriamente humano e continuaremos a faze-lo mesmo quando Hume, Kant, Dennett ou outro qualquer declare que não é aconselhável, que não é prudente, que somos incapazes, que não devemos nos preocupar, etc Alias nada mais anti filosófico do que limitar a esfera da reflexão humana, apontando para as 'colunas de Hércules' e declarando jactanciosamente: Não passarás!

O caso é que devemos fazer Filosofia como Filósofos e não vende-la como cientistas... Ser cientista e estar familiarizado com a rotina de um laboratório e suas pesquisas, nada significa em termos de Filosofia. Apresentar-se como filósofo nos domínios da Filosofia só pode significar uma coisa: O desejo consciente ou inconsciente de intimidar o interlocutor colocando-se numa posição de superioridade. É o velho argumento da autoridade que eles mesmos repudiam no âmbito de sua ciência, mas que aspiram inserir nos domínios da Filosofia.

O próprio Sagan, que era suficientemente instruído nos domínios da Filosofia, já havia deixado bem claro que seus pares, caso quisessem teorizar ou metafisicar, deveriam antes de tudo adquirir um aparato conceitual filosófico, e portanto estudar as obras propriamente filosóficas dos Pŕe socráticos a Jaspers ou Maritain, passando por Platão, Aristóteles, Bacon, Descartes, etc. Fato é no entanto que mesmo os Filósofos de fancaria, seguindo certas tradições que remontam a Hume, iniciam suas leituras a partir de Hume e Kant, imaginando que a humanidade começou a pensar com eles e ignorando presunçosamente toda nossa herança grega, romana, medieval e mesmo moderna. Aqui a pressuposição de que tudo quanto fora dito ou escrito antes seria lixo...

Quando aos neo ateístas, parecem não ter estudado seriamente nem mesmo a Hume, cujos argumentos reproduzem cá e acolá, e Kant...

A superficialidade com que Dawkins considera as vias que Aquino tomou a Aristóteles é supinamente vergonhosa, mormente quando foram magistralmente reelaboradas pelo Bispo Fulton Scheen no livro 'Filosofia da religião' (Edição Brasileira da Agir) publicado a mais de meio século. Cito isto apenas de passagem. De modo geral o conhecimento dos conceitos e categorias, da linguagem filosófica propriamente dita, da arqueologia das ideias, dos autores, etc pelos metafísicos ateístas deixa muito a desejar. É como se sequer tivessem estudado Filosofia, Sociologia ou Psicologia no ensino médio ou folheado um livro didático... E são escritores de fama mundial, promovidos pelo mercado editorial, e seguidos por multidões de crentes ou devotos, não menos que o papa romano ou o dalai lama...

Então o que eu esperaria ao abrir uma dessas obras?

Simples - Uma abordagem corajosa, ousada, direta, franca, de cada um dos argumentos ou evidências envolvidos, e sobretudo amplo conhecimento de causa em termos filosóficos, e não afirmações enfáticas - as quais sempre fazem lembrar a 'bíblia' protestante ou o corão - do tipo: Não nos devemos importar com isto! Não nos devemos preocupar com esta questão! Não devemos abordar este problema... Também não me satisfaz a confissão honesta de um Dawkins ou de um Pinker - a respeito da consciência ou da auto percepção - "Nem Steve Pinker nem eu podemos explicar a consciência subjetiva humana, a qual os filósofos chamam 'qualia'... Steve aborda o tema e se pergunta de onde a consciência procede e o que é. E é bastante honesto ao dizer que não sabe. Eu digo o mesmo. Não sabemos. Não compreendemos." Flew 162, de memória.

E no entanto buscamos respostas! Pugnamos, demandamos por respostas! Queremos respostas! Muito bem, o sr Dawkins declara não te-las, então por que raios faz tanta gala de seu ateísmo, jurando QUASE saber que não existe Inteligência ou consciência superior??? Sua ignorância manifesta não devia força-lo a uma posição mais prudente? O homem alega não saber o que é a consciência que temos e já se aventura a negara a hipótese de que uma Mente superior as nossas seja fonte deste fenômeno cuja origem ele supinamente ignora! Ele dirá que apelamos a um Deus de lacunas, podemos bem responder que temos um ateísmo presumidamente cientificista que ignora as lacunas da própria ciência... Seja como for os ateístas não seriam menos prudentes do que nós...

A impressão é aparente. Pois como a matéria bruta não possuí nem de longe qualquer capacidade semelhante a auto percepção, é plenamente justificado, atribuir ao fenômeno supra sensível da consciência, e assim o da racionalidade, a uma causa do mesmo gênero. Se temos fenômenos mentais irredutíveis a materialidade pura e simples - aqui um parentesis: Pavlov, Penfield, Eccles/Popper, Schroeder, Steven Rose... dentre outros tem esclarecido seus leitores a respeito de que a identidade mente cérebro não foi demonstrada, Pavlov por sinal, no fim de sua existência fora pressionado pelo Partido comunista para declarar que a identidade mente cérebro fora cabalmente demonstrada pela ciência, mas, preferindo ser honesto, declinou...

Dizer que o elemento material se auto organizou, acidentalmente ou por golpe de sorte, com o objetivo de produzir o fenômeno da auto percepção parece beirar a insanidade. Afinal como a matéria se poderia ter organizado sem ser racional? Como poderia se ter imposto um fim se não é dotada de vontade própria? Como poderia ter atingido este fim acidentalmente ou por meio da sorte, i é do mero acaso? Por outro lado se a auto percepção é propriedade inerente a matéria estamos dispostos a admitir que as pedras tem consciência de si mesmas ou que os neutrons, protons e eletrons são dotados de vontade própria? Que partículas, átomos, células e pedaços de matéria bruta pensam, desejam, projetam, concebem, etc???

Não me estenderei sobre uma questão a respeito da qual Dawkins confessa sua supina ignorância. Mas não posso deixar passar desapercebidamente aquele trecho famoso em que ele declara, muito seriamente, declara que a primeira célula viva surgiu PARA a seleção natural... Vejam temos aqui uma finalidade ou um propósito para a vida, a seleção natural... Compreende o leitor a dimensão do que diz o Dr Dawkins??? Segundo a teologia natural foi o homem - enquanto se auto percipiente, racional e livre - planejado por uma consciência ou uma mente para realizar tais potencialidade e tornar-se feliz. Agora veja só meu senhor, que este ateísmo caviar ou nutella, repudia a existência da mente mas mantém, oh suprema incoerência, não apenas o desígnio ou o sentido, mas como dirá A C Grayling, resíduos de uma escatologia cristã triunfalista ou positiva.

Agora veja a Santa divindade substituída pelo princípio da Seleção Natural, a qual nosso homem atrela a velha mística positivista do progresso... Pela Seleção natural a ciência, e através dela ao paraíso terrestre... Há uma direção certa que não poderia a haver...

Confesso não saber que pensar sobre isto.

A saber sobre um Biólogo de fama internacional e sucessivamente premiado que falseia a própria teoria da Evolução ignorando a construção da teoria sintética e procedendo como se pertencesse a última quadra do século XIX... Dawkins atua como se Weismann, De Vries e Batenson jamais tivessem existido. Nada de Dobzhansky ou Mayr... Tudo quando o mistagogo inglês deseja é conformar a genética com a 'seleção natural' de Darwin ou criar uma genética darwiniana. Adaptar a genética a um princípio que ja transformou em místico! Claro que tudo isto é construção ideológica. Os criacionistas, mesmo quando alegam estar pesquisando seriamente, jamais deixam de partir do Gênesis, os darwinianos mesmo quando pesquisando não deixam de partir de Darwin, mas não se trata de hipótese testável mas de crenças ou ideias fixas, assim fica fácil torcer e selecionar os fatos produzindo toda uma metafísica, assim o 'Gêne egoísta', porque os genes não podem fugir a seleção natural de Darwin, devem a fina força concordar com ela...

E no entanto a Evolução não se dá, e até um garoto dos bancos escolares devería sabe-lo para estar imunizado, por meio da seleção natural somente, mas por meio das mutações genéticas - Batenson e De Vries. Quando li em Flew queo fator deificado por Dawkins nada produz já o sabia há muito tempo por ter lido Newton Freire Maia. De fato a seleção para atuar depende da 'matéria' produzida, ou da célula alterada, por um evento 'estocástico' a principio, chamado mutação. A mutação é o elemento chave ou positivo da Evolução Biológica, o qual fornece conteúdo a seleção natural e sua dinâmica ou melhor suas leis. Mas Dawkins nada quer saber de mutação, de modo que ela não entre em seu esquema metafísico... Tudo ali é operado ou feito pela seleção, a qual assume o caráter de força maǵica, ou melhor dizendo de um deus...

E face a este deus onipotente que fica sendo o homem???

Nada mesmo que nada, ao menos no que tem de seu ou próprio.

Começando por perder seu livre arbítrio como desejado pelo falecido B F Skinner...

Vejamos então que é o 'Animal racional' ou que fica sendo face a escolástica biológica ou melhor darwiniana do sr Dawkins, o qual bem merece nosso Verbi gratia -

"Somos máquinas de sobrevivência, veículos, robôs cegamente programados para preservar essas moléculas egoístas a que chamamos genes." Flew 87 e foi a propósito disto que ele declarou não estar fazendo ficção mas ciência... id

E no entanto sabemos e muito bem que robôs, máquinas, veículos, marionetes, bonecos, etc não conhecem ética ou moralidade. Falar em moralidade para uma máquina faria tanto sentido quanto falar em moralidade para uma figueira ou um carrapato... Temos aqui, mais um vez o ideal anti ético do positivismo ou melhor de Litreé. Chegamos aos domínios do relativismo e do subjetivismo crassos que justificariam todas as ações de um Ravachol... As partes virtuosas ou oportunistas da humanidade tiveram de berrar... E Dawkins como Wilson antes dele, de dizer que havia sido mal interpretado!

Foi honesto???

Não o sei. Só sei que algum tempo depois voltou a carga - "O argumento de meu livro é que nós, e todos os outros animais, somos máquinas criadas por nossos genes.". Os genes aqui são como deuses ou anjos a serviço da lei ou do legislador supremo que é a Seleção natural...

Outra não é a opinião de seu emissário ou porta voz, o falastrão Pinker, que continuando a obra nociva de Skinner no campo da nossa Psicologia - Leiam todos as respostas que lhe foi dadas por Horgan e Rose - faz guerra ao conceito de livre vontade ou livre arbítrio, o tema por assim dizer, central, da Filosofia segundo I Kant.

Agora qual o significado preciso de tudo isto amigo leitor?

Demos mais uma vez a palavra a Antony Flew:

"Para Dawkins, o principal meio de produzir o comportamento humano é atribuir aos genes características que possam, de modo significativo, SER ATRIBUÍDAS A PESSOAS. Então, depois de insistir que nós somos criaturas de nossos genes, e que por isto não temos escolha, sugere que não podemos fazer outra coisa a não ser aceitar as características pessoais desagradáveis daquelas mônadas que tudo controlam." Flew 87

Bem antes de termos lido Flew, já dizíamos - O homem transforma a seleção numa deusa e os genes em homens! Antropomorfiza nossos genes atribuindo-lhes a intencionalidade que nos pertence, transfere a deliberação do ser racional para partículas moleculares!

E esse mesmo homem que enfia atributos precipuamente humanos em nossas células ou genes, nega tudo quanto nos diferencia dos outros animais... Máquinas são máquinas e todos somos máquinas, aqui um fusca, ali uma Brasília e mais além um Monza... nenhuma diferença essencial.

E esse mesmo cientista 'magnífico' que vê racionalidade e intencionalidade em genes, é incapaz de prestar mais atenção em sua 'deusa' a seleção natural, de de refletir mais detidamente sobre o fato de achar-se diante de um fenômeno regular direcionado para um determinado fim - como o próprio processo evolutivo por sinal. A existência da regularidade, da constância, da direção, do fluxo, significado pelo conceito de lei não lhe diz absolutamente nada, e ele chega a acreditar que as leis constituem ou dão origem a si mesmas... Sem se perguntar sobre o 'pôrque' de continuarem a vigorar indefinidamente ou sobre de onde tiram suas 'forças'...

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A condição humana, a kalolagatia e o biologismo


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Não somos negacionistas.

Longe de nós negar o papel e a importância da Ciência no tempo presente.

Não somos pós modernistas e tampouco Humeanos ou Kantianos...

Não colocamos em dúvida a capacidade de aparelho cognitivo humano para conhecer.

Não negamos peremptoriamente as informações que nos são fornecidas pelos sentidos e processadas pela razão.

Não questionamos a 'empiria', os fatos verificados ou as leis formuladas.

........................................................................

Em nossa visão de mundo há espaço para a ciência.

Não somos reducionistas, ideólogos, arbitrários e fanáticos.

Como aqueles que tentam transplantar suas concepções metafísicas, desonestamente, para o campo da ciência, ocultando-as sob o nome de teorias.

Grande é a confusão existente entre os termos ciência, hipótese, fato/dado, lei e teoria; e resulta de um cabal desconhecimento por parte dos maravilhosos cientistas contemporâneos a respeito do que seja gnoseologia. De modo geral podemos dizer que raro é o cientista renomado que, a exemplo de Sagan, tenha lido Platão, Aristóteles, Homero, Seneca, Cícero, Virgílio ou Ovídeo; e isto já diz muita coisa a respeito deles i é dos cientistas contemporâneos e de sua concepção de homem e mundo.

Há um conflito subjacente entre toda esta tradição positivista e anti metafísica, cujas raízes chegam a Kant e Hume, os quais de modo algum eram cientistas, ou a D Holbach, Helvetius, La Metrie e outros, os quais tampouco eram cientistas, e nossas fontes culturais chantadas na Grécia Antiga, i é na tradição humanista de Sócrates, Platão e Aristóteles; o choque é evidente e sequer precisamos falar em Jesus Cristo ou Catolicismo. Nietzsche e Ayn Rand com razão e lucidez já traçaram brilhante paralelo entre o homem de Jerusalém e o homem de Atenas, classificando a ambos como charlataẽs ou mistificadores.

Há séculos atrevidos tem se lançado contra o Cristo, aquele que disse: Aquilo que desejais que vos seja feito, fazei aos outros. Aqui os fundamentos da alteridade, da empatia e do altruísmo, valores sobre os quais temos tentado construir ou arquitetar uma civilização humana ou humanista. Sócrates não pensava doutro modo e menos ainda Platão... Aqui a linguagem é una.

Jesus no entanto, verdade seja dita, estava inserido numa cultura bárbara e mitológica que bem pouco tem a ver com nossas raízes, e destarte manifestava-se precariamente, segundo o aparelho linguístico conceitual de que dispunha. Teve que dialogar com religiosos fanáticos e que assimilar parte daquela cultura primitiva. Fácil pinta-lo com um bárbaro ingênuo ou rabino prosaico.

Arremeter contra Sócrates e sua escola, é mais problemático, em todos os sentidos. Afinal ele e seus continuadores estavam inseridos numa cultura exuberante, além de serem pioneiros quanto a construção de um aparato conceitual adequado não apenas a Filosofia, mas a Teologia antiga e a própria ciência. Ciência que os gregos também produziram com Estraton de Saloniki, Dikaiarkos de Messina, Eratóstenes, Aristarco de Samos, Pitagoras, Tales, Anaximandro, Arquimedes e outros tantos gênios...

Poucos tem a ousadia de um Nietzsche... Ou melhor sua honestidade e coerência.

E por isso mantém um culto falso a aparente aos gênios que lançaram os fundamentos da civilização Ocidental, os quais na verdade encaram como patetas, ingênuos, estúpidos, idiotas, toscos, rudes, primitivos, grosseiros, etc Aqui colocamos em prática a curiosa Filosofia do 'Como se'', um artificio do engano bem a gosto dos darwinistas. Nos comportamos 'como se' respeitássemos a Sócrates e seus sucessores, enquanto nutrimos um imenso desprezo por eles. Não, nos não levamos os antigos pensadores a sérios e desdenhamos dialogar com eles, julgando ser pioneiros nos domínios do ṕensamento e ter começado a pensar a partir de Hume, kant, Comte ou Darwin, os magos da modernidade.

Antes era tudo trevas, e depois se fez a luz...

Claro que essa ambivalência - remonto a outro mago, este dos bons > Freud - toda só poderia gerar mal estar e crise. E desde 1800 estamos em crise... Enquanto o islã nos ronda com seu corão, sharia e shahada... E por que estamos em crise? Uma casa uma se mantém de pé sem seus alicerces ou fundamentos... removidos estes toda construção vem abaixo. Com a sociedade ou a cultura não  sucede de outra forma - determinada forma de civilização tem seus determinados fundamentos dos quais parte sob os quais se assenta, aqui não há dissonância entre Weber, Spengler, Huizinga, Toynbee, Dawson ou Butterfield.

Mas que os físicos, químicos, biólogos... sabem ou querem saber sobre cultura??? A cultura se lhes parece irrelevante. Desdenham dela e de seus estudiosos... Conhecem átomos, partículas, células, genes... E acham que conhecem ou sabem tudo, todos os segredos do universo ou ao menos tudo quanto seja possível saber. Mas eles não tem sabido lidar com esta crise ou salvar nossa civilização...

De fato em meados do séculos XIX os demolidores da Religião e Filosofia, i é os estados teológicos e metafísico do sr Comte - não menos do que o desmoralizado Marx - acenaram com um paraíso sobre a terra e com uma nova civilização arrojada e vanguardista cuja porta ou via de acesso seria a ciência. Ciência que diversos homens cultivaram com um fervor místico, quase religioso. E se Mircea Eliade e Arendt puderam ver acento de religiosidade no comunismo, no nazismo, no fascismo, etc como não ve-lo no cientificismo positivista, essa escatologia cristã secularizada no dizer de Greyling...

Tal e qual Dawkins, seus ancestrais ideológicos: Mill e sobretudo Herbert Spencer - O filósofo portátil de Darwin que ignorava supinamente o papel das mutações no processo evolutivo - acenaram com uma nova ética, muito superior a cristão e mesmo a socrática... E tudo que resultou deste dicruso falacioso e vão foi, pasmem - INDIVIDUALISMO/EGOÍSMO e UTILITARISMO (apesar dos ingentes esforços de Mill ou qual pretendeu cristianizar o utilitarismo, concedendo-lhe um caráter social ou coletivo). Aqui H Spencer, em nome de Darwin deu as mãos da Nietzsche e a Ayn Rand, de um lado  - a arqueologia das ideias o demonstra claramente - surgiu a Hidra nazista e do outro o monstro ancap.

Pois se trata duma 'ética' absolutamente relativista e portanto subserviente já ao estado, já ao capital...

Alias a 'ciência' que se diz positiva ou materialista, atendo-se apenas a fatos dados, menospreza aquilo que chamamos de ideal e que corresponde a medula da ética essencialista e objetiva. Como não há sentido não pode haver ideal propriamente dito. A tendência do cientificista, como a do velho Pirro de Elis, é conformar-se com a realidade seja ela como for... E conformar-se com certas realidades sejam políticas, religiosas ou econômicas é trair o que há de melhor em nós mesmos...

Materialismo, positivismo, utilitarismo e individualismo jamais produziram crítica ou consciência social. Daí terem construído laços orgânicos ou afinidades eletivas com capitalismo, nazismo, fascismo e outras culturas de morte a que prestaram serviço. O fim de tudo isto não é uma simples crise, é o fim inglório da civilização.

Afinal eliminada a ética DA PESSOA ou a ética HUMANISTA, restou-nos apenas a técnica, filha da ciência. A ciência, que é um valor em si mesmo, deu-nos a técnica, cujo fim é definido pelo homem. Assim o fruto da ciência recebe sua determinação a partir do homem, de um homem que bem pode furtar-se a ética... Afinal a ética não é e jamais poderá vir a ser fruto da ciência. A ciência jamais nos deu Ética. Uma bananeira também não nos dá laranjas...

Não é novidade. Sócrates já o havia predito e vaticinado que o conhecimento do universo desvinculado do conhecimento de si e do auto domínio poderia constituir uma calamidade para os seres humanos. Afinal, ciência não produz consciência. Mas o uso da técnica pelo homem demanda produção de consciência ética. O homem partiu o átomo e conheceu a potência da força. Poderia, caso tivesse ética ou consciência, ter empregado essa força, desde logo como fonte de energia ou combustível, mas... a primeira coisa que fez foi coloca-la uma ogiva, fabricar uma bomba e lança-la sobre duas cidades e aniquilar, a uma só vez, dezenas de milhares de cívis inocentes. Aqui os cientistas não só obedeceram passivamente como praticamente não fizeram qualquer crítica ao uso feito com aquilo que inventaram. Conformaram-se prosaicamente com a 'realidade dada'... demonstrando cabalmente como entre produção científica e consciência vai um abismo.

Claro que os cientistas não levam nada disto a sério, porque suas esposas, mães e filhos estão bem protegidos do lado de cá - Seria diferente caso tais bombas de destruição maciça estourassem sobre suas cabeças do lado de cá... Ai principiariam a pensar e colocar-se no lugar do outro. Enquanto estão bem nutridos e seguros...

Digo mais - raramente tem os cientistas contestado o desfrute da técnica que produzem pelo poder econômico ou pelo capital. Limitam-se a receber estipêndios as vezes bastante módicos enquanto suas descobertas, ao menos a princípio, são vendidas aos milionários que podem pagar por elas a peso de ouro. Enquanto ao cabo de gerações multidões de seres humanos miseráveis e humildes simplesmente tem o acesso a tais bens pura e simplesmente negado por uma realidade para a qual o nosso heroico cientista esta pouco se lichando. Quiça porque concentrando-se em células e genes perdeu toda noção do que seja humano...

Satisfaço-me com o afirmar que centenas de intelectuais - Psicólogos, Sociólogos, Antropólogos, Filósofos, Biólogos (Lewontin e Jay Gould) e até mesmo matemáticos como A N Whitehead - relacionaram a crise civilizacional porque passamos com o controle de uma técnica refinada por homens vulgares, oportunistas, interesseiros e sem consciência. A técnica é neutra, depende sempre do técnico... Técnicos maus ou alheios a uma ética humanista utilizar-se-ão dela para produzir um inferno de sofrimento e dor sobre a terra. E de fato o fruto da ciência que nos conduziria ao sétimo céu tem sido, ainda e cada vez mais, usado com o objetivo de alimentar guerras, extinguir animais e vegetais, poluir a terra nossa mãe, e por fim, encaminhar-nos a extinção.

Sim, o homem sem consciência na posse de uma técnica arrojada posta em suas mãos por uma ciência acrítica e sem ideais pode dar fim a si mesmo, pode perpetrar suicídio coletivo, pode riscar-se do mapa. De modo que o fruto bendito da ciência, sem consciência ética, converte-se em maldição da mesma maneira que tudo ao ser tocado por Midas convertia-se em ouro.

Ciência sem consciência não é solução de coisa alguma, é problema seríssimo, é flagelo da civilização e do gênero humano. Se o exato, o material, ou somático, o biológico perde noção do humano...

Os físicos, químicos e biologistas; presos de um simplismo que beira o ridículo, é que mutilam da realidade e reduzem o fenômeno humano a condição de felinos, moluscos, répteis, elementos, átomos ou partículas; eliminando o fenômeno da consciência, da racionalidade, da livre vontade e da cultura e é claro que isto é uma profanação efetivada por considerações de ordem ideológica. Evidente que o homem seja tudo isto e que transcenda ao mesmo tempo tudo isto tendo em vista as singulares habilidades de que é objeto.

No homem associam-se fenômenos de ordem diversa - Físico/químicos, biológicos, psíquicos, sociais, culturais, políticos, religiosos, etc numa escala de complexidade ascendente os quais de modo algum permanecem presos aos substratos que lhes serviram de suporte. De modo que não é a mente prisioneira ou escrava do cérebro, como não é a cultura prisioneira da mente, e assim sucessivamente. São áreas ou domínios da existência conectados a um todo demasiado complexo para ser definido, já o digo, não em termos de evolução das espécies, mas em termos de seleção natural, de substâncias ou átomos julgando que isto tudo explica e que nada resta a ser compreendido.

Os antigos gregos tinham uma ideia unitária ou orgânica de nossa condição. Não sabiam nem podiam conceber que facas haviam sido enfeitadas com desenhos a quarenta mil anos atrás ou que os textos das pirâmides propunham diversas questões éticas em torno do bem e do mal. E no entanto conceberam a Kalokagatia, que é uma visão não apenas da verdade fria e teórica tão a gosto de nossos ocidentais, mas de uma verdade sempre em eterna comunhão com o bem e a beleza. Foram os primeiros a refletir detidamente sobre as estâncias ética e estética da existência, e isto foi um marco em termos de civilização.

Os gregos conheceram o homem como um todo, examinando os recônditos de sua natureza ou condição, como apenas S Freud ousaria fazer após eles.

Desde Hume e Kant, crias de uma antropologia protestante e magos da modernidade, temos marginalizado a religião - mesmo após os estudos de Weber, Dawson e Butterfield - descartado a estética, e com Litreé, sucessor de Comte, repudiado a Ética. A bem da verdade, Comte, bastante influenciado (a exemplo de seu mestre ou Visconde de Rouvray) pelo Catolicismo, aspirava incoerentemente, por uma vida ética. Litreé no entanto sacando escolasticamente as conclusões, julgou que a ciência seria capaz de substitui-la. Claro que viveu antes das duas grandes guerras mundiais, as quais serviram-se abundantemente da maravilhosa técnica produzida pela ciência positiva, para juncar o velho continente de cadáveres e ruínas...

Apesar disto os homens de ciência como todos os paladinos das culturas de morte continuaram apresentando supostas verdades separadas do Bem e da Beleza, assim magníficas verdades Más e Feiosas... Claro que o incoerente, o leviano, o superficial... jamais chega ao fundo de tudo isto. Pois se acaso removesse o purpurino véu que vela a divindade, não é com uma áspide que depararia a exemplo de Luciano, mas com a total perda de sentido ou com o nihilismo. Talvez disto resultasse uma onda de suicídios e uma purificação. Afinal quem não vive para servir...

Tal a gênese dos reducionismos físico químicos, dos biologismos, dos sociologismos, dos economicismos e porque não dizer dos psicologismos com seu idealismo tosco... Todas sem exceção visões sectárias, mutiladas, fragmentárias, sectárias e toscas do fenômenos humano. E conflitam esses radicalismos uns com os outros enquanto o islamismo e o pentecostalismo fazem progressos!

Os negadores aqui são os biologistas porta vozes - quero crer inconscientes - da ideologia materialista. Eles é que pretendem sair de seus campos, criar metafísicas ou teorias fantasiosas e converter, eis a pretensão, as áreas autônomas da Psicologia e da Sociologia em domínios seus. Raro o psicologo - idealista - a ponto de negar a influência significativa dos genes, células ou organismo sobre a mente ou a consciência. A Psicologia realista não desconsidera o corpo ou o cérebro. A seita behaviorista, ponta de lança da ideologia materialista ou kantiana, é que pretende negar a mente ou coloca-la fora do acesso da pesquisa. Diga-se o mesmo sobre a Sociologia realista, como a weberiana, que considerando o homem e sua ação não pode deixar de considerar sua dimensão corporal.

Psicólogos e Sociólogos não negam a existência de agregados persistentes em termos de Corpo humano nas dimensões mental e social, O QUE TODOS ELES NEGAM é que tais agregados sejam determinantes no sentido de que nada haja de propriamente psicológico/mental ou de social no homem. Ficando tudo reduzido a Biologia passando a Psicologia e a Sociologia e constituir províncias ou ramos seus, o que é absurdo. Psicologia e Sociologia são ciências distintas com objeto próprio distintos da Psicologia e irredutíveis a uma esquema de darwinismo mutilado. Afinal se os genes determinam o comportamento humano e por ext o convívio social nada temos além de Biologia... Fácil é compreender porque a defecção materialista do behaviorismo foi de pronto dominada pelo neo darwinismo com sua metafísica tomada ao Dr Dawkins... e devemos compreende-lo em termos de uma colonização ideológica.

Respeita-mos a contribuição de Darwin, completada mais tarde por Weismann, De Vries e Batenson, quanto a evolução dos seres vivos. Não negamos seu valor no âmbito da TEORIA SINTÉTICA. Mas temos nossos próprios referenciais teóricos em Fechner, Wundt e Freud ou - quanto a Sociologia - em Weber e não precisamos fazer quaisquer petições a escolástica biologias, mecanicista e determinista do sr Dawkins o qual em Psicologia e Sociologia nada é. Darwinismo social foi, é e continuará sendo sempre construção puramente ideológica que nada tem de objetiva ou científica, e não importam as tintas com que Hamilton, Wilson ou Dawkins venham caia-la.

As insopitáveis pretensões que reduzem e empobrecem o fenômeno humano partem da Biologia, cujos flâmines ou sacerdotes, recusam-se a reconhecer que haja no homem alguma coisa a mais do que o propriamente biológico ou de caracteristicamente humano; enfim que este homo seja sapiens no pleno sentido do termo ou que este animal seja racional como foi proposto por um insigne pensador, ainda grego, há vinte e quatro século passados...

Sim nós aspiramos pela verdade. Mas por uma verdade que nos ofereça explicações estéticas sobre a dimensão da arte, critérios essencial e objetivos em termos de ética, explicações sobre a espiritualidade humana, compreensão sobre a natureza da cultura... Uma verdade que atinja as dimensões da ética, da estética, da religiosidade, da cultura, etc Uma verdade que abarque todos os setores da realidade humana ao invés de mutila-la arbitrariamente apresentando-a como uma sopa ou coquetel de genes. O homem conhece a si mesmo pela introspecção, como já dizia Descartes e sabe por experiência imediata e incontestável ser livre e não controlado por qualquer força ou poder superior a sua consciência.

Ps - Quando aos métodos científicos não nos importamos nem um pouco com as críticas arbitrárias formuladas pelos adeptos da ideologia positivista, já nem direi Fayerabend, mas Dilthey, autor do modelo da compreensibilidade, morreu faz tempo. Assim as ciências psicológicas, sociais, históricas e humanas de modo geral possuem método próprio conforme a especificidade de seus objetos. Não são obrigadas a professar os métodos físico, químico ou biológico, com balanças, réguas, provetas, tubos de ensaio, bisturi, etc uma vez que os fenômenos que analisam não são necessariamente materiais. Tampouco precisam prever qualquer evento futuro com absoluta exatidão em domínios exercidos pela pluricausalidade, inclusive pelo libre arbítrio ou a consciência. E não nutrimos qualquer complexo de inferioridade quanto a isto.




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

R Dawkins - Cientista ou metafísico??? Considerações sobre a 'filosofia' biológica do sr Dawkins

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Passamos por tempos difíceis e sombrios.



Tempos em que as pessoas, mesmo as supostamente cultas e emancipadas, limitam-se a repetir e reproduzir o que leem.

Tempos em que a criticidade corre sérios riscos.

Tempos em que obras supostamente científicas angariam tantos admiradores passionais quanto o Corão ou a Torá...

Jamais o 'argumento da autoridade' foi tão criticado e ao mesmo tempo posto em prática sem maiores cerimônias.

E se a um lado os toscos costumam gritar - Moisés, Davi, Salomão, Jeremias, Paulo, Maomé... a outro há quem grite com não menos entusiasmo - Darwin, Wilson, Dawkins...

Antes que pare de ler este ensaio insisto que minha comparação é absolutamente justa e válida. Pois se a um lado temos uma série de escritores mitológicos, atrelados a um padrão de pensamento fetichista a outro temos um grupo de homens oferecendo ilações metafísicas como se fossem constatações científicas, e isto é assombroso, é alarmante, é devastador.

A cerca de duzentos anos o Alemão I Kant veio a baila - alias, seguindo os rastros de D Hume - contra a metafísica teísta do monge dominicano Tomás de Aquino, argumentando que toda metafísica otimista com relação aos sentidos e a mente, era especiosa, frívola e vã. Desde então a metafísica passou a ser encarada como algo fantasioso ou como fruto de nossa imaginação.

Curioso que até então metafísica e filosofia fossem sinônimos, não só entre os teutônicos, mas até mesmo entre nos franceses. O mundo kantiano é que buscou distinguir ambos os conceitos, 'criar' determinadas áreas da Filosofia - Ética, Estética e Epistemologia - circunscrever a metafísica e identifica-la com a assim chamada Teodicéia. Foi todo um processo capcioso de ressignificação levado a cabo por criticistas e positivistas, se bem que Litreé e alguns outros jamais disfarçassem seu desprezo pela Filosofia como um todo. Afinal toda Filosofia é metafisica, especulativa e não empírica.

Isto vale sobremodo para a Epistemologia, alias campo bastante explorado por I Kant. O problema do conhecimento é e sempre será teórico, imaterial e especulativo; jamais empírico. Tudo questão de evidências e de argumentos. Como posso saber empiricamente que posso saber, que estou certo e tenho acesso a Verdade? A crítica aqui transcende aos fato e ultrapassa os domínios da materialidade pura.

Pela sensação temos acesso a fatos. Os fatos no entanto ai estão mudos e calados e nada dizem a respeito de si mesmos ou de sua realidade mais íntima. Para tanto devemos especular ou raciocinar. Assim a Ética e a Estética tratam de princípios e valores que igualmente fogem a materialidade pura, embora nela se realizem ou encontrem sua expressão. Mas os princípios e valores não são fatos.

Houve no entanto um projeto pós kantiano ou positivista, abortado, cujo objetivo era aniquilar a Filosofia como um todo, e descartar a reflexão ética, estética e mesmo epistemológica como fútil. Felizmente nossa herança grega, ao menos em parte prevaleceu, a Teodicéia - elaborada pelo brilhante Estagirita e não pelo monge Cristão Aquino - foi remetida ao tártaro (para a alegria dos agnósticos e mesmo dos ateus que aspiravam afirmar-se ) e as demais partes conservadas.

Acontece que a mesma metafísica ou vício racionalista da especulação, expulsa pomposamente pela porta, tornou a penetrar em nosso mundinho pela janela.

Explico -

Perceba amigo leitor que o primeira questão em termos de epistemologia e que diz respeito a realidade do mundo externo ou a ciência se dá em termos de percepção, isto é, de nossos sentidos, de cuja validade I Kant duvida. Como diz Heisenberg não podemos conhecer a realidade em si mesma, e nossa querida ciência não passa duma casca, de algo superficial enfim. Ao cerne ou tutano não temos acesso... Pois todo fenômeno percebido, segundo o mesmo físico, contém a própria imagem do homem. Antropomorfizamos a realidade externa a nós ou distorce-mo-la ao invés de capta-la. Eis a ciência que eles, kantianos e pós modernos nos oferecem! E é como dissemos um problema empírico, relativo a credibilidade da experiência e valor dos sentidos.

Outro é o enfoque posto a metafisica ou a especulação racional pelos kantianos. Aqui a razão converte-se em imaginação ou fantasia, e é claro que imaginamos o que mais nos agada. Triste sina do homem - para qualquer direção que se volte encontra apenas a si mesmo e nada mais... A realidade externa do mundo ou sua origem e seu fim sempre lhe escapam...

E no entanto nossos biólogos e cientistas dão largas a razão compondo as mais sofisticadas teorias, tão distante dos fatos e leis quanto a terra do sol.

Claro que o positivismo - que fez dos fatos e das leis seu carro chefe - apercebeu-se disto há muito tempo. Popper não hesitou em classificar o evolucionismo como metafísico - assim a psicanalise - e não como científico. Caso tenha se expressado mal e visado certas correntes darwinistas não errou o tiro, acertou em cheio. Temos que conceder que os pretensos sucessores de Darwin tem ultrapassado bastante os limites não apenas da simples empírica mas da própria racionalidade, elaborando uma autêntica escolástica genética, cuja 'Summa' é o 'Gene egoísta'...

Tal o 'opus magnum' do Dr Dawkins, o qual a mídia desmiolada tem apresentado a opinião pública como mais valioso do que 'A origem das espécies' de Darwin, os 'Principia..' de Newton, as 'Revolutionibus' de Copérnico, e as obras de Galileu e Kepler!!! Isso mesmo caríssimo leitor, numa só talagada o Dr Dawkins envia Darwin, Newton, Copérnico, Galileu e Kepler ao purgatório do intelecto, e ascende triunfante ao empíreo. E no entanto Copérnico e Darwin tinha os pés bem mais próximos do chão... Estes deixaram-se induzir pelos fenômenos. Dawkins salta de dedução em dedução, como perfeito escolástico ou metafísico. A única diferença aqui é que Aristóteles e Tomás não batizaram suas especulações, tanto mais eruditas e profundas com o pomposo termo de 'teoria'...

Aristóteles, Tomás e todos os outros, especulam e são classificados como metafísicos desprezíveis e delirantes... Dawkins não especula com menos fervor, e o dizem 'cientista' ou papa do cientificismo. E ele vende os exercícios de sua 'razão pura' como ciência... Lá do fundo de suas frias tumbas os manes dos positivistas gritam - Fatos! Leis e até mesmo a ralé criacionista com eles... Tal o atrevimento dos novos metafísicos que pretendem monopolizar o uso da razão em nome da ciência e produzir 'teorias'.

Mas como é que as pessoas, a gente emancipada, os cientistas, etc não percebem nada disto???

Porque são burros amigo, leitor, porque são burros...

Porque no tempo presente pouquíssimas pessoas conhecem a Filosofia a fundo.

Porque raros são aqueles que estudam Gnoseologia.

E que tem deduzido o Dr Dawkins?

Um é o traço comum entre todas as culturas de morte - Comunismo, Nazismo, Positivismo, Behaviorismo, Biologismo... a saber, a negação do Livre arbítrio ou da liberdade humana, pressuposto indispensável em termos de responsabilidade e moralidade. É o homem responsável por seus atos apenas porque livre... Isto para nós humanistas, que consideramos o homem integralmente, i é como um todo, sem mutila-lo ou repudiar qualquer aspecto de seu ser.

Para o Comunismo é este homem produto das relações econômicas de produção. Para o nazista produto de uma raça ou etnia. Para o positivista produto da interação social ou da cultura, assim para Sniker e os behavioristas, traidores da Psicologia. Assim para E O Wilson e assim para outro 'neo darwinista' S Pinker. Uma coisa é absolutamente certa, o homem julga ser livre, porém de modo algum o é.

Então qual a novidade de Dawkins?

(E há uma novidade...)

A Novidade de Dawkins consiste em declarar que somos máquinas vivas programadas pelos genes com o objetivo de perpetua-los. Isso mesmo bestificado leitor... Tanto eu quanto você imaginamos ser livres quando na verdade somos controlados por nossos genes com o objetivo de nos reproduzirmos, e velar por nossa descendência. Não menos que a esponja, somos um agregado de células, uma colônia ambulante dirigida por elas. E tal caráter é o que explica todos os atos de abnegação ou altruísmo por meio dos quais os pais e avós expõem-se a diversos tipos de sofrimentos ou mesmo a morte com o objetivo de garantir a sobrevivência dos filhos e netos... Ainda aqui nada mais que a natureza assegurando a continuidade dos genes.

Claro que Dawkins não explica nem pode explicar os inúmeros exemplos de altruísmo elencados por Kropotkin no 'Auxílio mútuo' e que dizem respeito a indivíduos sem qualquer ligação genética direta com os beneficiados pelo 'ato' ou de espécies diferentes senão rivais. Os quais Dawkins e seus pares dão por duvidosos. Negam assim aprioristicamente quaisquer fatos que não se enquadrem em sua teoria ou que pareçam contraria-la, falseando a realidade. Como sói fazer qualquer outra ideologia.

Nem preciso dizer que um tal tipo de visão essencialmente biologista, darwinista, genética e egoísta de mundo tem especial repugnância pela forma religiosa segundo a qual um celibatário teria dado sua própria vida com o objetivo de beneficiar todos os seres humanos, morrendo em nome de seus ensinamentos Éticos. Claro que a ideia segundo a qual alguém possa morrer para demonstrar seu amor pela humanidade só poderia exasperar os teóricos do egoísmo genético... Há mais de século os cientificistas ou biologistas, concluíram a luz do darwinismo - a nova panacéia ou teriaga universal - não apenas que o altruísmo é 'impossível' mas que, e E O Wilson e Pinker não cessam de dize-lo - Que a mentira, a falsidade, o erro ou o auto engano são fatores demasiado importantes do ponto de vista evolutivo....

E o Dr Dawkins ainda pretende construir um novo padrão de ética, descente, correto, honesto, etc a partir de seu ateísmo biologista ou melhor neo darwinista! O qual converte ou transforma a mentira numa vantagem evolutiva!!! Que elimina o fator do livre arbítrio... fundamento insubstituível de nossa vida ética ou da responsabilidade. Que menospreza a racionalidade humana. Que na contramão de Popper, Eccles e Penfield ignora por completo o papel da mente e que, ignorando a advertência de Asheley Montagu, desconsidera o fator crucial da cultura no desenvolvimento deste animal racional que é o homeo sapiens.

Para o reducionista Dawkins tudo quanto existe são células, cromossomos e sobretudo genes onipotentes, controladores e egoístas. Os genes nos controlam como marionetes ou como bonequinhos enquanto nós, idiotas, imaginamos decidir nossos destinos e acreditamos ser livres. Mas que... tudo quanto existe é uma farsa muito bem encenada por nosso próprio material genético, do qual somos servidores ou escravos. Basta substituir as estrelas pelos genes... O mecanismo é o mesmo - Nosso destino esta traçado pela mínima parte de nossa parte, e essa mínima parte é egoísta, 'pensando' apenas em reproduzir-se!

Nada de cultural, nada de racional, nada de psicológico, nada de livre... És leitor uma máquina conduzida ou movida por teus genes e nada mais... E teu sentido, objetivo ou propósito é servir ao egoísmo de teus genes. Tal o ensinamento do sr Dawkins... E ele o ensina bastante seriamente.

Agora como pode o teu gene dispor de ti ou do corpo para um determinado fim, que é a replicação de si sem ter intencionalidade??? Se teu gene é egoísta é porque deseja replicar-se ou manter-se a fina força em sua descendência... Portanto que não percebe que por meio desta bela teoria o sr Dawkins transfere o poder decisório, a liberdade, o sentido, a intencionalidade, a definição de uma direção ou sentido ao gene??? Que transfere o que é mais caracteristicamente humano ao celular ou genético??? Não decidimos nada. Porque o 'gene egoísta' decidiu replicar-se ou reproduzir-se... Agora como poderia uma célula ou um gene, irracional e isento de vontade livre, ter qualquer tipi de intenção??? Como poderia um gene traçar uma meta, a si e ao corpo ou conceber uma determinado plano???

Dawkins como qualquer biologista tosco, declarara arbitrariamente que tais questões não se colocam, mas não se colocam apenas porque ele, Dawkins, não quer, e sobretudo porque não pode responde-las e tampouco admitir que haja 'intencionalidade' nos genes. Afinal de contas intencionalidade supõem conhecimento de causa e fim, i é racionalidade, e por fim impulso decisório tendo em vista uma direção uniforme - No caso a replicação ou continuidade e tudo quanto seja necessário para garanti-la! Se não pensamentos o gene pensa por nós e nossas ações são reflexos dos 'genes'... E quem não percebe que toda esta escolástica biológica e cientificista é absolutamente monstruosa???

E invadiu a Psicologia essa monstruosidade 'ideológica'!!! Claro que por meio do behaviorismo, esse apêndice do positivismo e do materialismo, enquistado na ciência destinada a conhecer, analisar e estudar o fenômeno da mente ou da consciência. O qual sob os auspício dos 'magos' E O Wilson e especialmente de Pinker, converteu-se em Psicologia evolutiva ou em psicologia, pasme, neo darwinista.

Mas que tem Ch Darwin que a princípio, ao menos, na Origem das espécies pretendeu explicar a origem dos animais superiores ou das entidades corpóreas mais complexas, como o homo sapiens, a partir de uma primeira célula, descrevendo todo este caminho??? Lamentavelmente adiantou-se Darwin, no livro 'A origem do homem...' a explicar a evolução de nossa espécie - o que é algo bem diverso do que explicar o mecanismo evolutivo, até o surgimento do homem ou a aparição da cultura no cenário natural - a partir daquilo que acreditava ser o único fator responsável pela evolução das espécies, a saber, por meio da seleção natural (Alias, ainda um tanto presa ao conceito mais que duvidoso de Malthus.) O que nos levaria a seu 'querido' filósofo Herbert Spencer com sua mística ou metafísica social centrada na seleção das espécies, compreendida como competição, conflito, luta ou guerra entre as espécies a ser resolvida em termos de força bruta apenas...

Toda esta construção parte de um princípio errôneo e conduz ao absurdo, até a aberração. Antes de tudo porque no caso do homem - vou restringir - entra em cena um novo fator, peculiar, que é a cultura, epifenômeno de um aparato intelectual ou racional capaz de alterar toda dinâmica desse fluxo. E como dissemos a Biologia ou melhor dizendo o culto biologista, não esta disposto a conceder absolutamente nada a mente. É indiferente a cultura, a suas fontes, causa ou gênese. É um estudo do homem sem Psicologia verdadeira... E portanto uma mutilação, redução e falsificação da realidade.

O segundo aspecto não menos aberrante é que todas as formas de mística darwinistas ou de darwinismos sociais ou psicológicos fingem ignorar que Charles Darwin não deslindou por completo a verdadeira causa, alias o fator positivo ou chave da Evolução dos seres vivos. Para os charlatães e mistagogos neo darwinistas a 'seleção natural' equivale a uma força mágica que atua sozinha e explica absolutamente tudo... E eles procedem assim justamente porque o grande público ignora supinamente a gênese da teoria científica evolutiva, sintética ou apenas em parte darwinista, não completamente ou inteiramente darwiniana querido leitor... Dawkins e todo seu grupo, atua e reflete como se vivêssemos antes de Weismann, Batenson e De Vries, os quais demonstraram - contra Lamarck, Darwin e sucessores - que a seleção natural nada produz por si mesma. Sim, é a seleção natural um processo estéril, o qual nada produz em absoluto, limitando-se a testar o que é produzido pelas MUTAÇÕES. Aqui o fator positivo do que chamamos evolução dos seres vivos.

A mutação produz e a seleção natural, testa. Isto no caso dos seres vivos não humanos. Porque no caso dos seres humanos, o processo de seleção natural deve contar, necessariamente com os outros fatores que aparecem e entram em jogo, assim a cultura e consequentemente a inteligência, a razão, a vontade livre, a associação, etc Não se podendo mais encarar tal processo apenas a nível de força bruta ou de embate físico tendo em visto a obtenção de alimento em determinadas circunstâncias. Quem não percebe que em nossa evolução entram outros elementos ou forças propriamente humanos???

Apesar de tanta riqueza, com quanta miśeria encontramos no esquema, pobrezinho, dos neo darwinistas com sua luta física por alimentos travada entre máquinas comandadas por genes egoístas... Aqui nada de cultura, nada de razão, de inteligência, de associação e menos ainda de vontade livre... Somos veículos de genes em situação de famélica, os quais lançam-se uns contra os outros aos tabefes ou golpes de clava...

E há gente que leva isto muito a sério e diz ser isto ciência.

Pinker por exemplo, seguindo ao behaviorista Skinner e ampliando seus erros nada quer saber de vontade livre. Para ele o refinado conceito judaico ou greco romano de liberdade é tão absurdo quanto o mito do bom selvagem, a teoria aristotélica da Tábua rasa (empirismo) e a crença estúpida da imortalidade pessoal. Skinner, desertando da Psicologia e fazendo petição a sociologia determinista dos positivistas forneceu o roteiro a Pinker. Este no entanto inclinou-se mais a Biologia. Mestre Dawkins declarou que somos máquinas ou veículos ou estruturas somáticas comandadas por genes egoístas, os quais imprimem-lhe a direção nos termos de Darwin ou Spencer... Pinker acha o máximo e declara sem mais cerimônias que nossos genes individuais trazem em si não só conhecimentos mas determinação. Nossos genes tem certo conteúdo intelectual ou ideológico ao qual não dos podemos furtar. Nossos genes trazem determinações que não podemos mudar e as quais não podemos fugir... Temos aqui uma espécie de inatismo genético, e evidentemente mais uma forma de determinismo, irmã do marxismo, do nazismo e de outros abortos do gênero...

Pinker, segundo a tradição incoerente de Watson e Skinner, insere no domínio da Psicologia, destinado a investigar a mente e a consciência, a teoria neo darwinista do Dr Dawkins. E leva-a a frente, exprime-a e desenvolve-a de modo categórico, chegando as vias de um inatismo platônico de viés materialista... Mas a hipótese ou opinião segundo a qual nossos genes portam qualquer conteúdo intelectual ou que nascemos com qualquer conteúdo intelectual jamais foi demonstrada empiricamente! O máximo até onde podemos avançar, com Chomsky, é que A ESTRUTURA DO CÉREBRO HUMANO, e não os genes, comporta um esquema ou modelo destinado a processar informações (como um programa de computador) assim como a ESTRUTURA GENÉRICA DA LINGUAGEM (A qual é em última análise lógica) sem que no entanto comporte qualquer conteúdo específico ou formal. Temos aqui uma orientação ou conteúdo biológico/somático que reflete com que deve conformar-se o intelecto, e nos o identificaríamos de modo geral com a lógica de Aristóteles ou com o que chamamos raciocínio. Teríamos assim uma estrutura inata, mas isenta de qualquer conteúdo ou vazia em termos de informações.

Já a afirmação oposta, segundo a qual o cérebro ou melhor os genes trazem conteúdo formal ou informação, deve ser demonstrada nos termos científicos. Coisa que Pinker ou qualquer outro ainda não fizeram.

No entanto os genes egoístas do Biólogo inglês e papa dos neo ateístas demandam intencionalidade. Diante disto por que admirar-se quando o amigo Pinker atribui-lhes conteúdo intelectual, como se fossem, céus eternos, genes pensadores... E vão os genes se humanizando ou antropomorfizando enquanto nós, privados de livre arbítrio e de racionalidade efetiva nos valos desumanizando e nos convertendo em joguete de forças cegas como a luta ou a mentira... E evoluindo graças a essas potências sinistras com que fomos brindados pelo acaso, pela sorte ou pelo eterno giro dos átomos... E a partir daí, quer o Dr Dawkins produzir uma ética tão digna e elevada quanto a dos teístas ou deístas! Quer aproximar-se de Sócrates??? Mais! Quer produzir uma nova Ética, tão elevada e nobre quanto a de Buda ou a do Nazareno, que ensinaram o ideal da abnegação... Falta-lhe ler a Ayn Rand!!! E evoluímos graças ao egoísmo e a mentira... E disto saíra uma Ética elevada!!!???

Alguém acredita???

Milhões, e milhões...

Os quais acreditam e repetem.

No entanto o Dr Dawkins e seus pretensiosos parceiros, que agora querem enriquecer a ética com seu biologismo ou darwinismo toscos, verdade seja dita, jamais lograrão ultrapassar os geniais J S Mill, H Spencer, Ayn Rand e Wilson... Isto é aquela coisa maravilhosa chamada darwinismo social, delícias de Adolph Hitler e outros... Jamais ultrapassaram o limiar do que chamamos utilitarismo, e em sua versão individualista ou, permitam-me ser claro e exato, egoísta. Afinal, se os genes são egoístas, como construir ou elaborar uma ética universalmente altruísta fundamentada na abnegação??? Darwin, baseado apenas e tão somente na sua querida 'seleção natural' já proclamou este ideal como utópico...

Se quisermos obter uma ética condizente com o gene egoísta é isto que teremos, sem maiores floreios... E quem desejar ou sonhar com algo maior, mais elevado e digno, oh miséria, terá de recorrer ao velho Sócrates, a Çakia Muni ou ao esfarrapado profeta Galileu, cuja existência buscam impugnar, uma vez que não se coaduna com a nova religião ou mistica ateísta do egoísmo.

Por fim se é cientificista e partidário do sr Dawkins e mesmo assim teve estomago para ler nossas críticas até aqui, ponha seu cérebro para funcionar ou responda para si mesmo que é este tipo de Ética ou de padrão, rasteiro, que deseja para si para seus filhos e netos, mas lembre-se, caso responda afirmativamente fique já sabendo que pessoa alguma - que inspire-se em tais padrões - irá colocar-se em seu lugar ou arriscar-se por você e pelos seus caso venham a precisar...  E sinceramente espero que jamais venha a precisar. Do contrário, tenho absoluta certeza, que um deísta, um socrático, um budista, um católico, um espírita ou um humanista será quem lhe estenderá a mão.

No próximo artigo avançaremos ainda mais e atingiremos um aspecto ainda mais ridículo da ciência ou da teoria de Dawkins, a ideia ou conceito forçado de meme, e muito teremos que refletir. CONTINUA.





terça-feira, 21 de setembro de 2010

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Nossa Senhora de Fátima desmascarada

Acabei de ler um artigo interessante de meu amigo Rafael Resende Daher, cristão ortodoxo devoto, inteligente e culto. Em seu artigo desmascarou o mito de Fátima. Pedi a permissão para publicar o seu polêmico artigo, e ele me concedeu. Todos os créditos deste artigo são dele (Rafael Daher). Essa é a visão de um cristão ortodoxo sobre as invenções defendidas pelos setores reacionário da Igreja Romana: TFP, Arautos do Evangelho, etc...

Segue o artigo do Sr. Rafael em itálico:

A Farsa da Aparição de Fátima

O Vaticano e a Rússia

O mais antigo inimigo da Rússia, o Vaticano, apareceu primeiro condenando a revolução na Rússia e apoiando os Ortodoxos. Em 12 de março de 1919, o papa Bento XV enviou a Lênin um protesto contra a perseguição do clero ortodoxo, enquanto o Arcebispo Ropp enviou ao Patriarca Tikhon uma carta de apoio. O comissário para Assuntos Exteriores, Chicherin, anotou seu desagrado com essa “solidariedade para com os servos da Igreja Ortodoxa”[1]No geral, entretanto, a atitude do Vaticano em relação à Ortodoxia sempre foi hostil aos Ortodoxos. O diácono Germano Ivanov-Trinadtsaty escreveu: “O Papa Pio X (que foi canonizado em 1954) pronunciou na véspera da Primeira Guerra Mundial: ‘A Rússia é o grande inimigo da Igreja [Romana].” Assim, não é de se surpreender que a Igreja Católica tenha felicitado o regime bolchevique com alegria. Depois dos judeus, os católicos provavelmente foram os que mais organizaram a derrota do poder do Czar. No mínimo, não tentaram impedir sua queda. Vergonhosamente e com grande doçura, eles escreveram para Roma quando a “vitória” bolchevique estava evidente: “há uma incontável pressão sobre a queda do governo czarista e Roma ainda não entrou nenhuma em relação com o governo soviético.” Quando um dignitário do Vaticano perguntou por que o Vaticano estava contra a França durante a Segunda Guerra Mundial, ele exclamou: “A vitória dos aliados da Rússia será uma catástrofe tão grande para a Igreja Católica quanto a reforma protestante.” O papa Pio resumiu este sentimento de uma maneira abrupta: “Se a Rússia vencer, então o cisma sairá vitorioso...”


Mesmo com o Vaticano há muito tempo se preparando para isso, o colapso do Império Ortodoxo Russo não foi o suficiente. Isso veio a ser notado rapidamente. O colapso da Rússia ainda não a havia transformado em Católica Romana. Por isso, um novo plano de ataque era necessário. Imaginando que seria difícil fazer um proselitismo na Rússia como os feitos na Inglaterra e Irlanda, o Vaticano entendeu a necessidade de descobrir um caminho totalmente diferente para guerrear contra a Ortodoxia, que deveria de forma indolor e sem levantar qualquer suspeita, escravizar e subordinar o povo russo ao papa romano. Este plano maquiavélico foi posto em prática na criação do “Rito Oriental”, que era defendido como uma ponte “entre Roma e Rússia”, citando a expressão de K.N Nikolaiev: “Este plano traiçoeiro, que pode ser comparado à venda de um barco com uma bandeira falsa, obteve um sucesso rápido nos primeiros anos após o estabelecimento do governo soviético. Isso também ocorreu na Rússia e no exílio, onde estas atividades começaram a fervilhar entre os émigrés, como a busca de trabalho para eles, a arranjo de suas situações de imigrantes, e a criação de escolas em língua russa para seus filhos.“Não se pode negar os casos de ajuda sem interesses, mas na grande maioria dos casos, o trabalho de caridade havia aguçado objetivo confessional, para enganar por vários meios os desafortunados refugiados nas igrejas que pareciam ser verdadeiramente ortodoxas, mas que ao mesmo tempo comemoravam o papa...”Na Rússia, a experiência com o ‘Rito Oriental’ durou ainda mais dez anos... [2] O coração e a alma do ‘Ostpolitik’, sua política oriental, era o jesuíta e bispo francês d’Erbigny, especialmente autorizado pelo papa para conduzir negociações com o Kremlin para a disseminação do catolicismo romano na União Soviética, para suplantar a Ortodoxia na Rússia e na alma dos russos.

A primeira condição era de que Roma consentisse sua lealdade impecável ao regime comunista, tanto na URSS como no exterior [até 1930]. A segunda, que era desvantajoso para o Kremlin, ou simplesmente inútil, era de que as necessidades religiosas dos russos deviam ser satisfeitas pelo antigo inimigo da Ortodoxia. Por sua parte, os católicos estavam prontos para fechar os olhos para as atrocidades do bolchevismo, inclusive ao fuzilamento do bispo católico romano Butkeivch, em abril de 1923 e a prisão dos bispos Tseplyak, Malyetsky e Fyodorov. Seis semanas mais tarde, o Vaticano expressou seu grande lamento sobre o assassinato do agente soviético Vorovsky em Lausane!O Comissário do Povo para Assuntos Exteriores contou ao embaixador alemão: “Pio XI foi amável em Gênova, e expressou a esperança de que quebrariam [os bolcheviques] o monopólio da Igreja Ortodoxa na Rússia, deixando o caminho aberto para ele. Nós descobrimos informações de grande importância nos arquivos do Ministro da França para Assuntos Exteriores. Um telegrama secreto de N° 266 de 6 de fevereiro de 1925, saído de Berlim, afirma que o embaixador soviético, Krestinsky, contou ao Cardeal Pacelli (o futuro Pio XII) que Moscou não faria oposição à existência de bispos católicos romanos e de uma metropolia católica em território russo. Além disso, foi oferecido ao clero romano melhores condições. Seis dias mais tarde, um telegrama secreto de N° 284 falou da permissão dada para a abertura de um seminário católico romano.”Assim, enquanto nossos novos mártires eram aniquilados com uma incrível crueldade, o Vaticano conduzia negociações secretas com Moscou. Em pouco tempo, Roma recebeu permissão para nomear os bispos necessários e até mesmo permissão para abrir um seminário. Nossa evidência mostra que esta questão foi discutida nos mais altos círculos durante o outono de 1926, embora não tenha sido mantido satisfatoriamente mais tarde. Mas algo pode ser visto como a culminação da relação entre o Vaticano e o governo soviético.

Em julho de 1927, o Metropolita Sérgio escreveu sua conhecida declaração. Após a derrota de Sérgio, os bolcheviques não precisavam mais dos católicos. E então, como um “resultado inesperado e indireto” desta declaração, escreveu Ivanov-Trinadtsaty, “Moscou colocou um fim entre as negociações feitas até então com as propostas do Vaticano... A restituição da tradicional [em aparência] da Igreja Ortodoxa Russa, neutralizada como estava, parecia mais útil às autoridades soviéticas que o Vaticano. A partir desse momento, os soviéticos perderam o interesse no Vaticano. Apenas no final de 1929 e no começo de 1930 o Vaticano finalmente admitiu que sofrera uma derrota política e começou ferozmente a condenar os crimes bolcheviques. Isso não havia sido noticiado até 1930. Apenas em 1937 o Papa Pio XI publicou a Encíclica Divine Redemptori (Divino Redentor) que condenava o comunismo...”[3]Nos anos 30 o Vaticano abriu novos caminhos no Patriarcado Soviético de Moscou. O Arcebispo Bartolomeu (Remov) adotou secretamente o Rito Católico Oriental, quando descobriu que estava sob investigação. Além dele, o Bispo Nicolau (Yarushevich), a segunda autoridade na hierarquia sergianista, contou ao bispo católico Névé que “o atual estado da Igreja Ortodoxa é tão lamentável que ela só poderá ser salva se fizer uma aliança com o centro católico. Do contrário, nada poderá ser feito novamente.... Pelo menos uma diocese deve fazer isso primeiro, para depois ser seguida por outras.”[1] TSERKOV’, RUS’ I RIM, Jordanville, N.Y.: Monastério da Santíssima Trindade, 1983, pg. 13 (V.M.)[2] IVANOV-TRINADTSATY, The Vatican and Russia, http://www.orthodoxinfo.com/new.htm. Ver também Oleg Platonov, Ternovij Venets Rossii, Moscou: Rodnik, 1998, pgs. 464-465 (em russo).[3] OSIPOVA, Istoria Istinno Pravoslavnoj Tserkvi po Materialam Sledstvennago Dela, Pravoslavnaia Rus’, nº 14 (1587), 15/28 de Julho de 1997, pg. 133.

Fonte: New Zion on The Babylon, Dr. Vladirmir Moss======Agora, uma cousa interessante: Dia da aparição de Fáptima: 13 de Maio de 1917Mas apenas em 03-05-1922 o bispo Leiria iniciou as investigações sobre o ocorrido. E apenas em 13-10-1930 o culto público foi oficialmente autorizado. Comparem com as datas que o Dr. Moss cita no texto e terão conclusões importantes.

“Se o milagre do Sol em movimento tivesse sido observado apenas por Lúcia (a jovem que no fundo foi responsável pelo culto de Fátima), não haveria muita gente que o levasse a sério. Poderia facilmente ser uma alucinação individual ou uma mentira com motivos óbvios. O que impressiona são as 70 000 testemunhas. Será que 70 000 pessoas podem ser simultaneamente vítimas da mesma alucinação? Ou conspirar numa mesma mentira? Ou, se nunca houve 70 000 testemunhas, poderia o repórter do acontecimento safar-se ao inventar tanta gente?Apliquemos o critério de Hume. Por um lado, é-nos pedido que acreditemos numaalucinação em massa, num artifício de luz ou numa mentira colectiva envolvendo 70000 pessoas. Isto é reconhecidamente improvável, mas é menos improvável do que a alternativa: que o Sol realmente se moveu. O Sol que estava sobre Fátima não era, afinal, um Sol privado: era o mesmo Sol que aquecia todos os outros milhões de pessoas no lado do planeta em que era dia. Se o Sol se moveu de facto, mas o acontecimento só foi visto pelas pessoas de Fátima, então teria de se ter dado um milagre ainda mais notável: teria de ter sido encenada uma ilusão de não-movimento relativamente a todos os milhões de testemunhas que não estavam em Fátima. E isso se ignorarmos o facto de que, se o Sol se tivesse realmente deslocado à velocidade referida, o sistema solar se teria desintegrado.Não temos alternativa senão a de seguir Hume, escolher a menos miraculosa dasalternativas disponíveis e concluir, contrariamente à doutrina oficial do Vaticano, que omilagre de Fátima nunca aconteceu. Além disso, não é de todo claro que nos caiba a nós explicar como é que aquelas 70 000 testemunhas foram enganadas.” - Decompondo o Arco Íris Richard Dawkins, Gradiva, Lisboa, 2000, pp. 161-163