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domingo, 26 de novembro de 2023

Religião, credulidade e incredulidade





                                                          OS MILAGRES


Acho mesmo muita canalhice alguém afirmar que Deus é bom e maravilhoso só porque está tudo bem com ela. Quer dizer que quando der ruim Deus ficará sendo feio e mau...

A meu ver essas pessoas que acreditam que a divindade atua exclusivamente em favor delas ou de seu grupo são pessoas sem caráter, egoístas e centradas em si mesmas.

Não tenho motivo algum para julgar que atue Deus em favor delas enquanto nada faz pelas criancinhas famintas da África ou da Ásia - Mesmo porque as criancinhas são inocentes enquanto que elas...

Por outro lado leio na pura palavra de Deus, que ele - Deus, não faz acepção de pessoas; mas que faz chover sobre justos e injustos, sendo imparcial...

Enquanto o ego carnal se apresenta como especial ou como algo da predileção divina, declara Deus que todos são iguais e portanto que não atua em favor de A, B ou C.

Imagina só o caboclo se matando de estudar para passar no vestibular ou no concurso público e Deus ajudando e promovendo sujeito que não estudou, i é, um vagabundo parasita.

Tampouco me parece digno que altere Deus a ordem de um mundo que ele mesmo criou... Afinal porque consertaria Deus algo que poderia ter feito melhor desde o princípio...

Enfim julgo que pessoa alguma daria o melhor de si para evitar algum erro caso contasse com o bom Deus para consertar suas 'cagadas'. Nesse ponto um sadio deísmo ou naturalismo, que exclui o fetichismo, oferece-nos melhores garantias em termos de prevenção de acidentes... E de fato penso que qualquer profissional que qualquer profissional que acredite em milagres ou intervenção divina, tenda a ser mais displicente que um cesssacionista.

Por fim a busca por milagres e eventos sobrenaturais corresponda a uma alteração da ordem divina na medida em que apresenta a divindade como estando a serviço das criaturas ou como executora da vontade delas.


EXTREMA SIT TAGUNT

São nossos neo ateus notáveis por confundir a totalidade das pessoas religiosas com radicais protestantes ou muçulmanos i é com pentecostais/calvinistas e sunitas... O que me parece uma deturpação da realidade ou pura e simples desonestidade.
Também me parecem equivocados quando associam a existência de Deus ao discurso religioso ou quando atribuem a questão da existência de Deus a autoridade, livros, fé, religião, etc e, ainda aqui, se mostram herdeiros de Kant, um pensador luterano alemão que buscava justificar o fideísmo ou exaltar a fé cega.
De fato, seguindo a mesma linha do agostiniano pessimista Lutero Kant tinha por lema abater a a percepção, a racionalidade e a metafísica naturalista ou a capacidade especulativa dos seres humanos para glorificar a fé ou a Revelação divina. Acho incrível mesmo que os céticos, agnósticos e ateus elevem aos céus um autor cujo pensamento deriva justamente do universo religioso e de um universo religioso deplorável. Os protestantes, bíblicos e fundamentalistas agradecem, - Pois situando a divindade no plano da fé cega o debate se torna impossível, e consequentemente qualquer tentativa de impugnação. Segundo o critério de Kant o deus dos fanáticos é sempre intangível.
De fato se a existência da religião revelada depende da existência de Deus, Deus sempre poderia existir sem se ter comunicado com os seres humanos, como predicam os deistas. De modo que a relação não é natural ou necessária e da falsidade das religiões em seu conjunto nada se poderia aduzir de concreto sobre a existência Deus, exceto que seus supostos ou pretensos porta vozes são falsos. A questão em si, da existência de Deus, continuaria sendo tema da metafísica ou da teodiceia, exatamente como foi colocado pelos grandes pensadores gregos: Xenófanes de Colofon, Diógenes de Apolônia, Anaxágoras, Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles, Crísipo de Solis, Cleanto de Assos, etc
Acho curioso que os modernos passem da fé cega numa religião qualquer diretamente ao ateísmo ou a negação de Deus, sem sequer examinar o agnosticismo ou o deísmo, ao contrário de nossos nobres e prudentes ancestrais. Coisas da bíblia é claro, digo eu, pois apenas a leitura despreparada e irrefletida desse livro poderia causar um tão estranho prodígio.
'Tocam-se os extremos" como diria o 'estagirita' - E de um extremo a outro vão as massas.


PROTESTANTISMO E INCREDULIDADE.


Coisa notável é o protestantismo por produzir, nas massas idiotizadas, um topor estúpido e nos humanos mais inteligentes, materialismo e ateísmo, i é, apostasia. Disto talvez resulte, no futuro, um grande conflito social entre os dois extremos.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Reconsiderando o 'conceito tradicional' de deidade II

Fenômeno imensamente curioso este - Os Catolicismos ou a Ortodoxia Cristã produziu uma teologia sistemática coerente e consistente partindo da Encarnação do Verbo, mas jamais arvorou criar uma teodicea 'Cristã' em sintonia com o mistério central de nossa fé, permanecendo sempre atrelado a uma teodicea judaica ou melhor rabínica, muito próxima da teodicea - se assim podemos dizer - islâmica (claro que me refiro a extinta Mutazzila) e impermeável ao sentido da imanência.

E no entanto a concepção Cristã ou Católica de Deus é algo totalmente distinta da concepção semítica, pois aqui a transcendência esta drasticamente apartada do mundo material dos fenômenos e ali em comunhão com ele ou inserida. O deus judaico/muçulmano é ente descarnado, imaterial, puramente espiritual, simples, invisível e separado do mundo que produziu. O Deus Cristão se fez homem de carne e osso ou Emanuel, entrou no mundo material, assumiu-o e incorporou-o.

Eis duas ideias ou concepções diametralmente distintas - ali um deus separado de sua criação e aqui um Deus presente em sua criação. Diante disto a pergunta que se faz é: Por que a teodicea não acompanhou a teologia Cristã fazendo o mesmo percurso? Por que permaneceu a teologia Cristã acoplada a um teodicea não Cristã ou judaica? Afinal será que os Cristãos não tem o direito de rever 'sua' teodicea a luz da Teologia da Encarnação, produzindo uma teodicea Cristã? Por que esta parcela do vinho Novo deve permanecer enfiada nos odres velhos do rabinismo?

Por que ainda não estouramos os odres velhos do rabinismo para dar larga expansão ao vinho novo do Evangelho comunicado pelos céus?

Se um dia a teologia acompanhar a teodicea acabaremos nos braços do unitarismo como parte das seitas protestantes/judaizantes. O outro caminho a ser feito é no sentido da teologia do processo ou do panenteismo.

Lamentavelmente parte dos Católicos tem sido impedida de chegar a estes termos por três palavrinhas contidas no Santo Evangelho e muito pessimamente compreendidas -

Pneuma O Theos
Espírito é Deus
Deus é espírito Jo 4,24

Diante desta passagem da Inspiração, não poucos tem lido:

"Deus é PURO espírito ou espírito PURO." querendo dizer que é apenas espírito e que nada contém de material. O que nos levaria a transcendência absoluta.

De fato a igreja em diversas publicações, inclusive em catecismos, bem como os kardecistas e os protestantes, tem descrito Deus como 'Espírito puríssimo'

Atentemos porém que este Jesus, que sempre exprimiu-se tão bem e tão claramente não diz  que Deus é 'apenas' ou 'somente' espírito. Do contrário teria dito com a igreja: É Deus puríssimo espírito. Poderia te-lo dito, mas... Não o disse?

Teria sido pois a igreja mais exata e mais prudente do que seu divino fundador e Nosso Mestre Jesus Cristo? Aqui, por mais que amemos a Santa Igreja, temos de responder que não, afinal não poderia ela ser superior a seu fundador e arquiteto que lançou-lhe os fundamentos.

Destarte, se não definiu a Deidade como espírito puro é porque sabia que este universo e a matéria estão presentes nesse espírito como meios dispostos a ação ou que a dimensão da materialidade coexiste eternamente com Deus sem ser Deus ou confundir-se com ele. Com Tertuliano, Orígenes, Lactâncio e Arnóbio podemos nos referir impropriamente a este meio ou aspecto da divindade como a um corpo. A expressão no entanto é inexata e simbólica porquanto é a deidade incorpórea, embora haja nela um elemento material, com o qual se relaciona e vivifica. Do contrário teria dito com Zenão de Citium 'Nous O Theos' i é 'Deus é a mente' St Epifânio 'Adv Haeres' 3.2.9 - 1.146 tendo por implícita sua corporalidade.

Atribuir outro sentido a este texto é transformar o divino Mestre em neo platônico. Você sempre poderá definir o rio, o mar ou os oceanos como água - O Mar é água ou é líquido, sem com isso negar os peixes, as algas e muito menos o sal, pois prevalece a água. O deserto sempre poderá ser definido como uma extensão de areia, sem que excluamos espinheiros, cipós e insetos e mesmo lagartos. Uma porta de madeira compõe-se de pregos e não poucas vezes de um visor feito com vidros. Uma roupa de tecido contém botões e um sapato de couro cadarços de pano.

Muito mais significativo para nós é o que Jesus podendo ter dito não disse:  "Deus é PURO espírito' querendo significar que é espírito incorpóreo, mas não 'puro' como querem os neo platônicos e transcendentalistas.

A própria igreja Ortodoxa presume um sentido pré existente e eterno na Encarnação do Senhor, o qual não se restringe a sua vontade ou a seus planos, o que nos remete as relações Espírito matéria enquanto sombra ou ensaio desta Encarnação ulterior sucedida no tempo e no espaço.

Reconsiderando o 'conceito tradicional' de deidade I

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Toneladas de tinta e papel tem sido gastas com o objetivo de refletir sobre as relações existentes entre a deidade e o universo criado ou a matéria e isto desde o tempo dos gregos para os quais a matéria, sendo eterna e incriada, correspondia a um dos aspectos da deidade assim definida como alma ou consciência do mundo.

Os fariseus, escribas e rabinos no entanto apresentaram a deidade como transcendência absoluta e separada do mundo material, como espírito puro ou entidade descarnada (imaterial).

Tal a conjuntura religiosa, de conflito ou choque, em que manifestou-se a fé Cristã, alias num contesto cultural judaico que sempre tendeu a divinizar.

Colossal o esforço da mentalidade Cristã, ao menos desde Filiponos (sec VI) no sentido de apresentar a concepção tradicional de Deus, nos termos do judaismo, como um Dogma Cristão. A apresentação é forçada, senão ímpia. Afinal, no mínimo três Cristãos dos primeiros séculos - dois deles elderes Ortodoxos venerados pela Santa Igreja - opinaram a respeito da eternidade do mundo ou da matéria, a saber, o gnóstico Hermógenes; o catequista e mártir Justino de Roma e o Arcebispo Atenagoras. Segundo a opinião deles a divindade teria organizado a matéria pre existente imprimindo-lhe forma e não produzido a matéria magicamente como se antes nada existisse (ex nihilo).

Felizmente após Galileu e Newton foi o problema da origem do universo e da idade da matéria atribuído em geral a ciência. Ao menos a maior parte dos filósofos e metafísicos e certa parcela de teólogos tem acordado em atribuir esta tarefa a investigação científica. Diante disto alguns suspendem o juízo enquanto outros optam por repousar no berço dourado da fé. Refiro-me a pessoas inteligentes, as quais de modo algum referendam os mitos grotescos do gênesis, limitando-se a supor que a 'grande explosão' que deu origem a este universo também teria dado origem ao elemento material. Portanto, segundo esta concepção, o mesmo evento teria sido responsável pelo surgimento de nosso universo e da materialidade, a qual, antes dele, inexistiria.

Que existiria então?

Apenas a imaterialidade ou a transcendência absoluta, identificada com o Deus produtor deste Universo ou Criador. Criador por ter comunicado existência ao elemento material.

Diante disto que pensar?

Mesmo que a ciência consiga demonstrar a origem deste Universo permaneço bastante cético quanto a possibilidade de estabelecer a origem ou idade do elemento material, o qual sempre poderia pre existir a esta organização ou forma temporal. Da temporalidade do Universo jamais se poderia concluir pela temporalidade da matéria ao menos que houvessem razões bastante sólidas para tanto. O fato é que a eternidade ou a temporalidade da matéria ainda é objeto de amplo debate entre os cientistas.

Permitam-nos portanto especular a luz da razão e dos mistérios peculiares ao Cristianismo ao invés de crer porque os outros creram e repetir tolices.

Longe de mim opor-me a Jesus Cristo, seria o cumulo da incoerência um 'Cristão' professo opor-se a ele. Não sou protestante ou bultmaniano e tampouco biblista ou fundamentalista, apenas niceno ou atanasiano, e coerente. Assim quando ele fala eu me calo, quando ele abre a boca eu escuto, quando ele ensina eu aprendo. Todavia a respeito das coisas sobre as quais ele, o Verbo, silenciou ou nada revelou, farei uso de meus sentidos e da minha racionalidade com plena liberdade, examinando também as opiniões dos sábios da Grécia sem maiores preconceitos. Não vou portanto curvar-me reverente face as opiniões dos profetas, escribas, fariseus, rabinos e lideres religiosos da casa de Israel. Aqui nem mesmo aos santos apóstolos darei ouvidos, pelo simples fato de que estavam inseridos na cultura judaica, a qual tinham em conta de divina. Os mesmos argumentos que empenho contra a mitologia israelita posso empenhar contra a teologia farisaica...

Penso que toda esta questão deva ser examinada liberalmente nos podromos da racionalidade e da tradição peculiar ao Cristianismo, como um problema teológico enfim. Nem ignoro que neste sentido, algumas tentativas arrojadas tenham já sido feitas por figuras como Scott Erigena, Amalric de Benna, Davi de Dinant além do incrédulo Baruch Spinoza. Mesmo os escolásticos tidos em conta de 'Ortodoxos' a exemplo dos padres da Igreja (Origenes, Gregório Nisseno, etc) - Os quais floresceram antes do protestantismo ou da escravidão bíblico/fundamentalista - levantaram e discutiram exaustivamente tais questões sem que fossem ameaçados por anatemas ou palavras amargas.

Então começarei levantando a problemática do 'conceito tradicional' de Deus e levando-a até as origens.

Chega a ser obviedade a primeira pergunta a ser feita: É a doutrina da transcendência e simplicidade absoluta de Deus de origem Cristã ou esta de acordo com os pressupostos fundamentais do Cristianismo?

Neste terreno diversos equívocos tem sido cometidos pelos expositores. O primeiro deles, e o mais tendencioso, tem sido atribuir aos antigos hebreus - que eram henoteistas - o monoteísmo (o qual remonta aos primeiros pensadores gregos, senão a Akhenaton, faraó egípcio) quando sua 'obra prima' é a doutrina da transcendência, simplicidade e espiritualidade de Deus, formulada alguns séculos antes desta nossa Era.

Por sinal cuidam os hebreus que apenas o Dogma Cristão da Encarnação suscite dificuldades face ao conceito tradicional de Deus por eles formulado. Importa saber que a doutrina da Criação não suscita menos dificuldades já quanto a simplicidade do ser já quanto a imutabilidade volitiva. No frigir dos ovos para que Deus fosse absolutamente simples e imutável no sentido estrito da palavra deveria ter permanecido absolutamente inativo, abstendo-se de produzir qualquer coisa. Produção supõem no mínimo certa doze de dinamismo, e partindo-se da tão decantada simplicidade sensível alteração na ordem do Ser. Eis porque tendo em vista a existência do Universo material e da Encarnação repudiamos a simplicidade absoluta do Ser tanto a priori quanto a posteriori, afirmando riqueza em termos de complexidade e multiplicidade de aspectos na Unidade do Ser, a exemplo do mistério trinitariano. Deus é tão rico em sua essência quanto em sua personalidade.

Estamos afirmando que o universo é Deus ou a deidade?

De modo algum. Tudo quanto pretendemos dizer é que a sucessão dos universos materiais corresponde a um aspecto dinâmico inserido no próprio Ser divino ou a uma operação/atividade necessária e portanto eternamente realizada pelo Deus imutável. A matéria pré existe eternamente nele para que ele possa atuar eternamente sobre ela organizando-a e conduzindo incalculável multidão se mundos a posse de seu Ser que é a suprema felicidade e perfeição. Esta saga de sucessivas entidades livres que dele saem e retornam voluntariamente a ele constitui o fim último do universo e a concretização de sua vontade que é a partilha sua bem aventurança. Bem compreendido é um auto desafio e um plano engenhoso. O sentido mais profundo da existência.

Não, o universo material não é Deus, mas um aspecto passivo na divindade, logo algo divino. É um meio posto para que o espírito, ou aspeto ativo/operatório da divindade possa atuar imutavelmente pelos séculos.

É possível que tais cogitações surpreendam e até escandalizem os mais ingênuos e fielmente apegados a 'concepção tradicional' de Deus... Compreendo perfeitamente que judeus e muçulmanos sintam-se desconfortáveis, agora que Cristãos...

Afinal os judeus e muçulmanos tem buscado demonstrar que o mistério da Encarnação opõe-se a doutrina da transcendência e simplicidade absoluta do Ser divino. Admitida a doutrina da simplicidade, é necessário admitir, por uma questão de coerência, que o Dogma da Encarnação seria inviável. Não é o monoteísmo, de modo algum, que se opoẽ ao dogma da Encarnação, mas a opinião da transcendência absoluta.

Por outro lado os Cristãos mais atilados, desde Mar Thimoteos Bispo de Cesareia, levaram a crítica até o fenômeno da 'criação' ou do universo material e esta perspectiva é assaz interessante. Sobretudo se admitimos uma relação estável, constante e perpétua entre o Espírito divino e a matéria - enquanto meio necessário para sua atividade - compreendemos que a Encarnação, longe de representar uma alteração, mudança ou ruptura, representa, muito pelo contrário, uma continuidade e aprofundamento na mesma direção. Deus se aproxima do mundo material, assume-o e manifesta-se nele porque a matéria sempre esteve em contato com ele e ele - "Estava no mundo que foi feito por ele." e o qual amou, a ponto de entregar-se por ele.

Encarnou-se Deus no homem porque de certa forma e em certo sentido sempre este encarnado e em comunhão com a materialidade, produzindo, mantendo e coroando sucessivos mundos. Aproximou-se mais intimamente da matéria porque ela sempre esteve presente nele. Deus jamais foi um espirito puro e simples ou uma transcendência absoluta que num certo dia teve vontade de introduzir a matéria em si mesmo ou de fazer-se homem. Imutável não é Deus sujeito a arroubos ou imprevistos. Alias se é sumamente perfeito como não pode deixar de ser, sequer poderia Deus ser livre. Como veremos mais adiante a liberdade é via pela qual os seres feitos imperfeitos tem acesso a perfeição e não qualidade posta para um ser que já esta em posse da perfeição absoluta. Portanto ele jamais poderia deixar de escolher sempre o melhor ou o mais perfeito, tendo apenas uma única opção. Concluímos que ele jamais podería ser diferente do que é ou mais perfeito e que jamais poderia deixar de atuar sobre um meio material, organizando sucessivos universos, pois esta atividade dimana das fontes de seu Ser, é exigência de sua perfeição. Não podería ser solitário e descarnado, e perfeito. Antes sería um eterno Egoísta. Nem podería ser mutável e existir.

Assim a verdadeira doutrina sobre Deus cessa de ser romântica na medida em que ele cessa de ser imprevisível, caprichoso, arbitrário e antropomórfico; para tornar-se absolutamente previsível e monótono no acesso da razão. E no entanto este 'Deus ex machina' é também autor dos mais nobres sentimentos humanos e de um riquíssimo universo psicológico... podendo ser definido como Bondade, Compaixão, Justiça ou como um Ser ético, fonte de princípios e valores éticos, Legislador supremo, Pai amoroso... Sem com isto deixar de ser coerente, imutável, perfeito, etc

Constatamos por fim que o homem é a imagem e semelhança da deidade porque sendo espírito associado a um corpo físico em que se realiza, foi concebido pela mente que anima este nosso universo material ou pela Alma do mundo.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As principiais formas de alienação e fuga.

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Duas são as atitudes típicas do homem diante da realidade: A de conhecimento e a de alienação ou ignorância e duas as atitudes típicas do homem face ao conhecimento de uma realidade contrária a suas aspirações: O afrontamento e a fuga.

A alienação tem sido comumente explorada por aqueles que detém o poder. De modo a possibilitar-lhes o exercício de um controle discreto da Sociedade.

Embora saibamos que as situações de miséria são comumente frutos da exploração do homem pelo homem, aqueles que tiram benefício da exploração esforçam-se por convencer os explorados de que tais situações são consequências de fatores ou de causas bem distintos.

O objetivo deste artigo não é nada ambicioso. Pois limita-se a apontar algumas explicações alienantes produzidas ou utilizadas peplos donos do poder com o auxílio da mídia ou dos meios de comunicação de massa.

Não nos prenderemos aqui ao artifício mais comum que consiste em maquiar a realidade ou em distorcer sua aparência. Passando direto aos estratagemas com que buscam ocultar os fatores verdadeiramente responsáveis pelas situações/problema, ou sejam, as causas.

Afinal de contas na mesma medida em que a Internet ampliou o acesso da população a realidade vivida, enfraquecendo a maquiagem das situações, a necessidade de ocultar as causas dos problemas tornou-se ainda maior. Hoje mais do que nunca, o sistema, para proteger-se, precisa recorrer a alienação enquanto produção de causalidades falsas ou aparentes.

Assim enquanto a maçonaria conspirava verdadeiramente em favor do neo liberalismo, os líderes de diversas nações apresentavam os judeus responsáveis por todas as crises ou problemas que acometiam a sociedade. Durante muito tempo foram os judeus vilões 'reais' fabricados pela mídia de acordo com as necessidades de Estado ditadas pelo capital. Hoje continuamos assistindo a fabricação de outros tantos supostos vilões, já de talhe irreal ou fabuloso, e no entanto não menos suficientes.

Os ciganos também chegaram a ser acusados, embora em menor escala que os judeus e de modo geral quaisquer minorias étnicas ou religiosas tendem a se-lo em determinadas circunstâncias.

De qualquer forma chegamos a primeira fonte de alienação:

1 - Teorias de conspiração. Por trás de tudo quanto nos acontece de mal. Dos juros, da inflação, do arroxo salaria, da miséria, etc existe um determinado grupo de pessoas, que não correspondem ao governo e menos ainda a 'bolsa de valores'. Em algumas situações este grupo é identificado como sendo uma unidade étnica minoritária como os judeus ou os ciganos. Noutras com uma minoria religiosa como os hindus ou siks na Inglaterra. Nem podemos deixar de admitir que no tempo presente, os próprios radicais e terroristas afiliados ao islamismo sunita, correspondam a este propósito na Europa, tal e qual os latinos correspondem a ele nos EUA. Devemos no entanto deixar bem claro que os muçulmanos sunitas, com seu ideal de arabização e de implantação da sharia correspondem perfeitamente a este desígnio. Não estamos portanto querendo dizer - como os esquerdopatas ingênuos - que o radicalismo islâmico sunita não seja de fato um problema e um problema bastante sério para a cultura européia, o que estamos dizendo é que a simples presença desses fanáticos no cenário Europeu bem pode propiciar a edição de hipóteses simplistas em torno de uma monocausalidade que oculte o papel da economia de Mercado ou do sistema capitalista. Quando na verdade um problema não exclui o outro. O Capitalismo no entanto pode muito bem manipular a realidade a ponto de esconder-se por trás do radicalismo islâmico, convertendo-o em bode expiatório.

Atualmente no entanto, a grande massa de teorias conspiracionistas que povoam o imaginário popular, parece girar em torno da mitologia. O que não as torna menos impactantes e poderosas. Referi-mo-nos obviamente as quimeras divulgadas pelo espertalhão Dan Brown com o auxilio da imprensa ou da fábula dos Iluminati, bem como a sua reedição mais recente em torno dos tais reptilianos. Havendo inclusive quem vá mais além e avançando pelo caminho da religiosidade ou da alucinação postule um controle social exercido desde um lugar chamado shambala ou mesmo por extra terrestres ou habitantes do interior da terra... No tempo oportuno escreveremos um pequeno ensaio sobre todos esses delírios habilmente explorado pelos legítimos donos do poder, i é, aqueles que vivem de juros, mais valia, especulação financeira, etc

Naturalmente que este primeiro gênero de alienação nos remete facilmente ao segundo -

2) O fundamentalismo religioso. O fundamentalismo religioso, devido a seu teor fetichista, tem o vezo de eliminar todas as causas intermediárias e identificar o sagrado ou a divindade como causa direta de todas as coisas. Outra variante consiste em culpar um poder externo ou paralelo chamado destino e nem estou interessado em saber como o vulgo concilia a ideia de destino com a ideia de divindade. Por esta variante chegamos a crença na astrologia segundo a qual nossa condição é produzida pelos astros ou por suas condições, de modo que são eles os causadores tanto de nossa felicidade quanto de nossas desgraças. Certamente que essa crença precisa ser discutida num artigo a parte.

Entre os muçulmanos é deus quem tudo decide por meio do Qadar ou de seu decreto eterno. Tudo quanto se sucede com os homens, inclusive a repartição de bens e riquezas, é resultado da vontade eterna de alá, daí a título de qualquer coisa exclamarem: Esta escrito ou seja Maktub! Alá é que causa terremotos, maremotos, epidemias, incêndios, e todas as formas de desgraça que acometem o gênero humano sendo de todo inútil rebelar-se contra elas. Tal a causa primária da resignação e apatia observáveis em tais sociedades. Assim em número maior ou menor de Cristãos prevalecem as mesmas ideias embora jamais tenha sido assumidas pela Teologia Católica e sejam cada vez mais rechaçadas como absurdas. No entanto alguns fanáticos, mesmo entre o clero, insistem em adotar semelhante ponto de vista. Bem mais comum é a crença dos protestantes na predestinação, característica dos calvinistas. Os quais por via do antigo testamento não tem sido indiferentes a crença fetichista segundo a qual Deus também seria causa imediata de todos os acontecimentos naturais e sociais, doutrina que aproxima-se deveras do fatalismo islâmico.

Ultimamente os sectários protestantes elaboraram uma versão bem mais refinada do fetichismo associando-o - pasmem - a dinâmica do Mercado e por assim dizer santificando-o ou canonizado, tal e qual o papa canoniza seus santos. Assim os pentecostais, para os quais o milagre não é apenas possível, mas absolutamente banal, conceberam a ideia segundo a qual a divindade recompensaria os contribuintes da igreja, isto é aqueles que sustentam o pastor por meio de dízimos, não apenas com saúde ou conquistas amorosas, mas sobretudo com emprego, dinheiro e fortuna; tornando-os ricos e bem sucedidos, exatamente conforme as metas e ideais da Sociedade capitalista, os quais certamente encaram acriticamente como absolutamente Cristãos. Ainda nesta perspectiva aqueles que são mal sucedidos financeiramente (i é os que não ficam milionários) pertencem ao número dos descrentes, dos pecadores ou dos que tem a fé demasiado fraca. Os que pertencem a primeira categoria não fazem jus a fortuna. Os que pertencem a segunda categoria estão sendo punidos ou castigados. Já os que pertencem a terceira categoria estão sendo provados na medida em que permanecem pobres. Importa saber que como pouquíssimos entre eles enriquecem de fato, jamais cessando de lavar banheiros, são amiúde enfiados pelo pastor numa das duas categorias acima, i é na dos pecadores ou na dos que por algum motivo tem fraca fé e estão sendo provados. Deus certamente lhes esta reservando algo, pelo que devem esperar. Assim vão vivendo de esperanças e protelando o dia da 'graça' até morrerem ou virem de fato a perder a fé. Importa terem contribuído bastante e não poderem recuperar a grana perdida.

Embora seja raro no espiritismo kardecista não é lá muito raro na umbanda e outros grupos sincréticos que além das enfermidades e problemas afetivos, também os problemas financeiros como o desemprego sejam relacionados com a doutrina do Karma, praticamente na perspectivas do Hinduísmo. Noutros cultos, no protestantismo ou mesmo no catolicismo popular o insucesso financeiro, como quaisquer outros problemas é muitas vezes relacionado com o mal feito ou seja, com a o catimbó, com a feitiçaria, com a bruxaria, com os assim chamados trabalhos ou mesmo com simples pragas ou maldições.

Bem se vê que uma pessoa simples a ponto de dar crédito a qualquer uma destas 'explicações' e cujo padrão de pensamento é mágico fetichista ou infantil, jamais poderá suspeitar quanto as verdadeiras causas dos males que a afligem como a incompetência por parte do Estado, a dinâmica do Mercado, etc Não pertence a carga de suas possibilidades a aceitação de causas comuns, naturais ou materiais, as quais ela simplesmente não percebe e por incapacidade invencível. Culpara sempre o destino, deus, o karma ou uma bruxa e jamais o regime assalariado, a usura, o lucro, etc


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Amigos ex protestantes, até que ponto continuamos protestantes??? - A meus amigos ateus, materialistas, irreligiosos, gnósticos, etc que odeiam as religiões em especial os Catolicismos

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Espero que nenhum de vocês me compreenda mal. Ontem mesmo, ainda ontem, fui acusado de ateísmo e nem por isso me senti ultrajado - Melhor nada dizer a respeito da divindade ou mesmo, quem sabe, negar sua existência do que atribuir-lhe ações indignas e vergonhosas. Tal o ponto de vista de Plutarco, tal meu ponto de vista.

Aos fanáticos, teocráticos, supersticiosos, fundamentalistas, etc prefiro sem sombra de dúvida os irreligiosos, incrédulos e ateus, desde que sejam sinceros e virtuosos. Tenho mais amigos irreligiosos, agnósticos e indiferentes do que amigos religiosos e certamente não tenho amigos fanáticos.

Óleo e água jamais se misturam.

Meu imenso desprezo por toda gente obscurantista e fanática, que costuma crer apenas porque esta escrito e em tudo quanto esteja escrito, é demasiado conhecido por todos dentro e fora dos meios virtuais.

Hoje no entanto ousarei exprimir meu ponto de vista pessoa a respeito de um determinado assunto, por sinal bastante delicado, e já o disse; sem o objetivo de atacar, agredir, converter e menos ainda de salvar pessoas. Sou feliz por ter perdido este vício já há muito tempo e não me considero para remir a quem quer que seja. No entanto, o quanto julgo ser bom, veraz e consistente, com a devida vênia, respeito e prudência aspiro partilhar com toda gente de boa vontade ou problematizar. Em certo sentido quero incomodar a quem que que seja, até mesmo incrédulos e ateus em sua incredulidade.
Sempre podemos sair do comodismo ou do repouso e abrir mais e mais nossas mentes. Por crer estar em posse de algo consistente e veraz questiono esta posse, sem receio, a cada dia. Busco por a prova as certezas que tenho pois caso não venham a desabar tornem-se cada vez mais sólidas.

Como ex protestante, dirijo-me a meus amigos ex protestantes que são muitos, mas particularmente os que tornaram-se ateus ou infensos a toda e qualquer forma religiosa... e mais particularmente ainda aos que tem algo contra Jesus, aqueles que o detestam, odeiam, combatem, etc A maior parte dos Cristãos e quase todos os protestantes sentem-se enfurecidos face a qualquer palavra mais áspera dirigida aquele que adoram. Chegam ao paroxismo do ódio e esquecem-se de que o próprio Jesus exortou-os a amar e a perdoar. No entanto eles ficam exasperados, ensandecidos, encolerizados e respirando vingança, como se nos fosse lícito odiar os críticos de nossa fé ou aqueles que expressam uma opinião irreverente sobre o humilde carpinteiro de Nazaré. O fato é que muitos católicos mal orientados, a quase totalidade dos protestantes, os muçulmanos e mesmo os judeus mais moderados acreditam que tais críticas, insultos, ofensas, etc possam atingir a própria divindade, irritando-a ou encolerizando-a, e esta é uma visão bastante perigosa ou equivocada. Afinal de contas por que a divindade concederia existência a seres capazes de importuna-la apesar de sua pequenez? Como poderia ela ser afetada pelas simples palavras ou comentários de criaturas tão diminutas como nós? Assim a ideia segundo a qual a divindade é afetada por nossas palavras, e apenas ela é verdadeiramente sacrílega e blasfema na medida em que opõem-se a perfeição e sabedoria divinas. Naturalmente que tendo previsto e planejado todas as coisas encaminhando-as para o bem, é d divindade inatingível, intocável e impassível sob todos os aspectos e nada do quanto pudéssemos nós fazer esgotaria sua paciência infinita. Logo não nos precisamos exasperar face as críticas ou as palavras amargas que nossos irmãos dirigem ao Senhor Cristo. Tal meu ponto de vista. Eu mesmo fico triste ao ler ou ouvir tais comentários pelo simples fato de muito amar a figura de Jesus de Nazaré e julgar tais acusações improcedentes. Tenho-o em conta de inocente e por isso sinto-me melancólico, sem todavia deixar de compreender tais críticas, ao menos até certo ponto. Lamentavelmente a ideia que os ex protestante fazem de Jesus ou a imagem que ele teem é aquela mesma que receberam do protestantismo e que levou-os a ruptura. O Jesus reformado ou protestante. E ignoram outras possibilidades ou versões, quiçá mais consistentes. Outros optam pela negação do Jesus Histórico, já debati com estes em diversas ocasiões e ainda agora recomendo a leitura de Vermes ou Crosan pelo simples fato de não serem Cristãos ou gente de igreja, sem deixarem de ser excelentes pesquisadores ou historiadores com H maiúsculo, por conhecerem as fontes. Não é este o foco deste artigo. Jamais cogitei negar a existência do Jesus histórico, mas vima odia-lo tanto quanto meus ex correligionários e ainda hoje odeio este Jesus ou esta falsa imagem de Jesus, o Jesus protestante. Caso o Jesus histórico ou real fosse de fato o Jesus de João Calvino ou o Jesus dos judaizantes, esse rabino beócio e bem comportado, mero reprodutor de preconceitos farisaicos, repetidor da Torá, servidor de Moisés, trivial, comum, pajé, curandeiro... Caso nosso Jesus não passasse dum Moisés, Salomão ou Davi disfarçado. Caso ensinasse doutrinas como a predestinação, as penas eternas e fetichismo diabolista, etc Caso não se mostrasse em nada contestatório e superior as massas que o cercavam. Caso nada tivesse em comum com Buda, Confúcio ou Sócrates. Caso nada trouxesse de distinto ou de revolucionário; digo do fundo do meu coração; eu também o odiaria. Como odeio o falso Jesus protestante, rabino convencional, machista, homofóbio, adultista, odinista, etc E no entanto é justamente este Jesus 'bíblico', protestante, calvinista, judaizante, pentecostal, convencional e conservador - esse anti Jesus - que não existe. Será que parte de vocês não limitasse a negar uma imagem passivamente aceita e mantida a respeito de Jesus? Uma imagem convencional e odiosa fabricada pelo protestantismo ao cabo destes últimos séculos??? Será que na verdade o que odeiam não é Calvino, Pharan, Falwell, etc Os fabricantes deste ídolo ou espantalho? Os criadores desse boneco a ser malhado em sábado de aleluia? Tal o autor - tal a obra, e temos autores muito maus: assassinos, ladrões, mentirosos, etc Até que medida nos limitamos a negar ou a odiar uma imagem que não ousamos questionar e desconstruir? Digo isto porque seguindo por um caminho distinto, encontrei nas fontes do Cristianismo antigo, ou nos antigos padres da igreja, um Jesus totalmente diverso deste Jesus convencional dos sectários e reformadores. E indo eu mesmo ao Evangelho, sem a mediação de comentaristas modernos e judaizados, dei com um Jesus totalmente diverso, com um Jesus revolucionário e contestatório, noutras palavras com uma clone de Sócrates perdido nos ínvios sertões da Judeia. Só então pude entender o sentido da palavra escândalo para os judeus... Ou seja o sentido da Cruz e a oposição existente entre os escribas e fariseus - firmados nos mitos e tradições mortas do antigo testamento ou no que chamam de Bíblia - e este pregador, o qual 'falava como quem tinha autoridade' ou seja ousando tecer críticas a Bíblia, ou seja, a Moisés e sua suposta lei. Fosse Jesus mero repetidor de tradições e lambe botas de Moisés, como costuma ser apresentando pelos pastores e judaizantes, por que raios teria sido suspenso na trave sob a alegação de ter seduzido e desencaminhado a cada de Israel? Como poderia ter desencaminhado a casa de Israel repetindo Moisés e ficando nos limites acanhado da Torá ou da Tanak??? Em que chocaria dos judeus caso concordasse em tudo com eles? Ele mesmo disse que o vinho novo não podia ser posto em odres velhos. Nem Jesus nem seu Evangelho cabem nisto a que chamam Torá ou Tanak i é na Bíblia e nós não apreciamos este Jesus conformado ou conformista e o detestamos com razão, porque não é o Jesus histórico, real ou verdadeiro mas mero produto da teologia 'bíblica' protestante cujo objetivo primacial é faze-lo concordar a qualquer custo com a Torá ou a Tanak, amaciando suas críticas e deturpando seus ensinamentos. Toda teologia protestante com sua ideia fixa de Bíblia é um eterno lançar água fria na fervura do Evangelho por meio da acomodação. Diante disto tudo quando resta é o velho Moisés ou o velho Davi com uma máscara ou aparência de Jesus. Um Jesus judaizante e judaizado. Um Jesus mistificado. Aqueles que nos apresentaram Jesus, apresentaram-nos repito um Jesus machista, homofóbio, adultista, odinista, capitalista, etc E no entanto a simplicidade do Evangelho mostra-nos este homem acolhendo a samaritana a beira do poço, discutindo com Marta e Maria, acompanhado pelas mulheres, propício ao centurião e a seu amante enfermo, acolhendo as crianças, mandando Pedro recolher a espada, promovendo a paz, dirigindo-se aos pescadores pobres e alimentando-os, etc Temos um Jesus no Evangelho a ser medido por suas ações e outro Jesus que nos foi apresentando pelos pastores na escola dominical e o qual odiamos por ser tão prosaico. Digo o mesmo a respeito das demais religiões. O protestantismo apresenta-se insistente e arrogantemente como sendo o último biscoito do pacote ou a última palavra em termos de religião ou de Cristianismo, acho que ao menos inconscientemente parte de nós aceitou e mantêm isto apesar da ruptura. Para um ex protestante a ruptura é quase sempre um fim de linha quanto a religiosidade e especialmente em termos de Cristianismo e muitos de nós continuanos reproduzindo as mesmas críticas e o mesmo ódio que o protestantismo sempre votou aos Catolicismos, sequer cogitando pesquisar melhor, conhece-los, etc Isto quando sabemos que o protestantismo mentiu para nós e enganou-nos num grau infinitesimal. Mesmo assim conservamos e reproduzimos a visão que essa fé desonesta passou-nos a respeito dos catolicismos, do espiritismo, do budismo, etc nos fechamos numa incredulidade feroz e não ousamos reexaminar isto ou lidar com isto. Será que no fundo no fundo nossa atitude para com as demais religiões, que conhecemos tão pouco e através do protestantismo, não merece ser revista? Muitas vezes o que escuto dos ex protestantes, mesmo quanto ateus, materialistas e incrédulos, a respeito do Catolicismo e das demais religiões, parece-me um eco do quanto era dito pelos pastores charlatães? Será que não estamos reproduzindo tradições e preconceitos formados por uma fé que sabemos ser absolutamente falsa? Merecerá crédito a crítica feita pelo protestantismo as demais fés? Digo isto porque eu mesmo investiguei os Catolicismos, especialmente o antigo ou Ortodoxo, suas tradições, ensinamentos, etc e verifiquei ou constatei ser algo totalmente distinto do quanto diziam os pastores - pintando-o como politeista, diolátrico, diabólico, etc - o que em certo sentido cativou-me. Mais tarde examinando o espiritismo a pedido dos padres romanos cheguei a mesma constatação. E por fim examinando o budismo, fé a qual não pertenço mas que certamente admiro, bem como ao zoroastrismo, ao Bawaismo, etc Mesmo os mórmons e jeovista, de cuja fé não comungo e a qual me oponho, não me pareceram tão maléficos como pintados pelo protestantismo bíblico, calvinista ou pentecostal com sua peculiar acrimônia. Certamente que todas estas comunidades religiosas possuem seus defeitos ou problemas como possuem os partidos políticos, as instituições econômicas, clubes e até mesmo agremiações esportivas, etc Quero dizer que as mazelas que observações nas religiões não são peculiares a elas. Existem em todos os demais setores necessários a vida e a civilização. Por isso torno a indagar sobre até que ponto, buscando beneficiar-se ou favorecer-se o protestantismo com suas críticas parciais e destemperadas não carregou suas tintas nas demais religiões, até sataniza-las. Mais, gostaria de saber até que ponto cada um de nós, antes de libertar-se da farsa bíblica, não interiorizou tais críticas fechando-se a outras possibilidades religiosas e fazendo do protestantismo a derradeira opção em termos de fé. Quando sabemos ou viemos a saber que sua qualidade é bastante baixa. Desencantados com o protestantismo, sería prudente conservar o mesmo amargor ou ranço que ele incutiu em nós face aos catolicismos ou as demais religiões? Caso conheçamos os Catolicismos ou as demais religiões apenas através da crítica protestante ou da literatura apologética protestante, ou mesmo da crítica estabelecida por ateus e irreligiosos procedentes do protestantismo, podemos dizer que nosso conhecimento é real ou objetivo??? Digo isto porque constato rotineiramente o uso de material protestante pelos ex protestantes quando se trata de atacar o Catolicismo ou as demais fés, o que certamente preocupa-me. Afinal de contas como confiar na Apologética de um sistema que sabemos ser absolutamente falso e desonesto? Pelo qual os próprios ateus, incrédulos e 'desviados' são impiedosamente atacados e caluniados quase que diariamente! Logo como confiar em qualquer aspecto de uma crítica protestante??? Engendrada pelo fanatismo! Por que não averiguar e abordar o tema por si mesmo? Gostaria que meus amigos ex protestantes procedessem assim, afastando-se dessa apologética artificiosa e desonesta, e verificando as coisas por si mesmos. Critiquem sim, mas busquem da mesma maneira ler as obras dos antigos padres da igreja ou as obras doutrinárias do espiritismo, ou as sutras do budismo. Para que suas apreciações sejam válidas e justas. Por fim quero dizer que não levo nem um pouco a mal que tenhais desertado do Cristianismo ou que abomineis a figura de Jesus Cristo partindo do suposto segundo o qual o Cristianismo de vocês, segundo a experiência que tiveram, é o protestantismo com suas seitas, dua bibliolatria, seu livre exame, seus mitos, seu rancor infernista, sua predestinação monstruosa e tantos outros absurdos clamorosos. Até acho normal e compreensível vossa revolta, a qual debito na conta dos 'deformadores'... Tampouco levo a mal que tenhais tomado horror ao nosso Jesus, porque o Jesus a que detestais é o falso Jesus protestante, judaizante, judaizado, conformista, mítico e irreal. Não é de modo algum o revolucionário audaz que ousou tecer críticas as tradições rabínicas, a Torá e a Tanak demolindo todos os seus preconceitos multiseculares; mas apenas um Moisés ou Salomão disfarçado. Certamente esta manobra do protestantismo, este Jesus hipócrita, cruel e arrogante merece mesmo ser denunciado e odiado. Ele não é digno de nossa fé ou de fé alguma. No entanto com respeito e carinho vos concito a indagar se não há outra versão mais consistente de Jesus? Será a odiada versão do protestantismo a mais confiável? Então antes de odiar e insultar consideremos a possibilidade da imagem de Jesus, divulgada pelo protestantismo, ser falsa.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Seleções de artigos: Os delírios da Mitologia ou Mitologia, Cristianismo e crítica

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Faz parte do discurso atual ridicularizar ao máximo a 'mitologia' Cristã ou Católica enquanto se 'passa ao largo' da mitologia hebraica (Assumida pelos judaizantes alias) e mais ainda da mitologia grega. Quanto a esta última por sinal há inclusive quem chegue as vias da Apologia... Como na série Percy Jackson.

Longe de nós negar ou mesmo menosprezar a Filosofia grega não apenas enquanto monumento literário, mas enquanto construto social, repositório de figuras simbólicas, fonte de temas psicológicos, etc Nós mesmos somos professores de Mitologia Clássica e admiradores confessos seus enquanto expressão literária, social e psicológica.

Coisa completamente diversa é encara-la sob o prisma religioso ou como entidade real. A exemplo dos neo pagãos.

Curiosa a atitude da neo modernidade face ao 'problema', o Cristianismo é ferozmente atacado e reduzido ao absurdo por apresentar Um só Deus feito homem e nascido miraculosamente duma Virgem, enquanto todos os devaneios da mitologia grega são poupados!!!

A questão até pode parecer irrelevante mas não é.

Afinal quem haveria de levar a Mitologia grega a sério?

Aqueles que sem terem abraçado a fé ateística ou materialista, desencantaram-se com a Mitologia hebraica, levianamente associada a fé Cristã.

Especialmente as crianças, os jovens e as pessoas mais imaginativas.

Eu mesmo, enquanto educador e conferencista, após ter abordado determinada narrativa mitológica, tal como a Medusa, o Pegassus, a origem de Afrodite, os repastos do croniana, a origem de Ops, etc, tenho ouvido regularmente a seguinte pergunta: Mas professor, isto aconteceu mesmo? Ou ainda: Mas isto é real professor?

E eu havia acabado de descrever como após a castração de Urano por seu filho Cronos - cujas partes foram lançadas ao mar - de seu esperma mais a espuma do mar, brotou uma deusa, Afrodite. Alias a narrativa não seria menos absurda caso disséssemos que das partes de Cromos mais a espuma do mar saíra uma mulher comum??? Desde quando de sangue ou esperma mais espuma sai uma criatura viva em estado de maturidade??? Quanto mais um ser racional????

E no entanto após haver relatado exatamente isto, ou como um deus engoliu seus próprios filhos ao cabo de anos a fio para num determinado dia, ao ser golpeado no estomago, vomita-los todos vivos, um após o outro. Seguindo-se a aterradora pergunta: Mas aconteceu mesmo? Foi real? Cronos existe? Pégassus existe? Cila existe? A Hidra existe? A quimera existiu? Existiu a Medusa???

É o que costumeiramente ouvimos da parte dos mais jovens. Inclusive quando aludimos a passagens das mitologias nórdica, maia, indiana, japonesa... as quais são ainda mais absurdas com seus homens/milho, deuses cegos, deuses esquartejados, deuses saídos do mar, das montanhas ou do Sol, etc Após cada narrativa segue-se a invariável pergunta: Mas é real? Formulada não por crianças pequenas ou por adultos a guiza de pilhéria, mas seriamente, tanto por jovens quanto por gente madura!

Admitamos que a Mitologia hebraica - A qual nada tem a ver com os mistérios do Cristianismo - tenha servido de introdução as demais mitologias (Pelo simples fato dos pastores e de alguns padres desmiolados terem ensinado os fiéis a acreditarem em mais narrativas). Em que ficam sendo menos ridículas ou absurdas? E por que não podemos viver sem elas, digo sem mitologias? (Apenas enquanto forma religiosa ou 'real').

Admitamos que a Mitologia hebraica seja absurda.

Em que isto torna as demais narrativas mitológicas excelentes ou dignas de crédito.

Mas o Cristianismo!

Pera lá, partamos do princípio, onde é que o Cristianismo nos ensina a crer em deuses, em deuses com vontades diferenciadas, em deuses que não apenas conflitam, mas que positivamente chegam as vias de fato, brigando, combatendo e lutando entre si???

Como poderiam ser 'infinitos' uma ver que a infinitude supõem exclusividade? E como sendo limitados e finitos podem ser propriamente divinos? Deuses é coisa que não pode existir, um conteria o outro, e nenhum deles seria Deus...

Por outro lado se é Deus, por meio das leis naturais que estabeleceu, Conservador do kosmos (I é da ordem que regula o universo 'relações constantes entre causa e efeito') como o triunfo de outro 'deus' e outra sucessão, e a introdução de outra mente e de outra vontade, poderia deixar de introduzir mudança nas leis naturais tornando-se o universo completamente caótico??? Não seria justa admitir que o triunfo de um novo deus acarretasse a substituição de um modelo de universo por outro e assim sua destruição???

Suponhamos ainda que o organizador e conservador deste universo seja um dentre vários e que tenha seu poder ameaçado. Neste caso, sendo atacado por outro ou por outros e tendo de despender tanta força em sua própria defesa como conseguiria manter este nosso universo inalterado e fixo? Enfim como essa luta ou disputa entre deuses beligerantes poderia deixar de acarretar a destruição do nosso mundo introduzindo sucessivas catástrofes???

E no entanto há bilhões de anos temos um Kósmos e mesmo um processo evolutivo que avança em determinada direção. Temos estabilidade e constância, temos regularidade, ritmo e sincronia, temos ordem; o que não nos parece indicar uma disputa pelo poder nos termos da Mitologia, a qual como já dissemos acarretaria a confusão geral e a dissolução dos elementos.

O Cristianismo a principio já se mostra superior a Mitologia - no terreno religioso - por postular o monoteísmo ou a existência de um só Deus, embora não sob a forma da transcendência absoluta, pois como os deuses do paganismo antigo, o Deus dos Cristãos é Deus presente e em contato com a imanência. É Deus envolvido com suas criaturas e não uma entidade totalmente separada e localizável.

Mas o Deus Cristo se Encarna ou se faz homem, dirás tu! Neste caso que diferença há entre Cristianismo e Mitologia?

A diferença já a apontamos - O Cristianismo como a Filosofia grega, não admite princípios paralelos ou conflitantes, não trabalha com o falso conceito (Absurdo) de deuses, não é politeísta, mas monoteísta.

Logo o que afirmamos é a encarnação de Deus e não a manifestação, a encarnação ou a reencarnação de diferentes deuses.

No entanto, replicarás, vocês Cristãos adotam o princípio Mitológico da Encarnação, o qual não se achava presente no judaísmo.

Coisa curiosa. Você censura o Cristianismo por adotar um elemento ou aspecto do paganismo e você mesmo adota-o 'in totum', admitindo inclusive deuses que não possuem existência real.

E no entanto você, admite, segundo a mitologia, que seus deuses ou celícolas assumam formas bem menos refinadas!

Assim o pai Zeus é sátiro, é pavão, é águia, é touro, é ganso, é cisne e é serpente, além de chuva de ouro e raio. Hera, sua esposa converte-se numa velha desgrenhada com o objetivo de enganar a rival Semele, Rea ou Cibele numa árvore, Atena em coruja, Leto em codorniz, Heracles num dragão, as irmãs de Faetonte em choupos, Ino numa vaca (depois virou deusa!), Aretousa em fonte, Narciso em flor, Alcione em golfinho, etc

Neste caso se você considera a Mitologia, com todos os seus absurdos clamorosos, como digna de crédito, por que raios censura os Cristãos por terem tomado um único princípio seu por verdadeiro?

Agora por que tomam o princípio da Encarnação por verdadeiro?

Poderia o amigo demonstrar que, admitida a existência de um Deus Bom e Todo Poderoso, fica sendo sua encarnação, impossível ou irracional???

Eis algo que os esforçados judeus e maometanos, adeptos da transcendência absoluta, ainda não conseguiram demonstrar sem cair na mais absurda e monstruosa das contradições.

Pois fazendo ostentação em torno da onipotência divina, asseveram que deus 'NÃO PODE' se fazer homem ou encarnar-se. Veja bem - DEUS NÃO PODE...

Agora para que Deus não possa fazer alguma coisa temos de provar que esta coisa ou ação seja ou pecaminosa. Pois quanto a isto estamos de acordo, não pode Deus fazer o mal (embora o deus dos judeus e maometanos possa pecar e fazer o mal!!!).

Todavia por que e em que assumir a matéria organizada por ele mesmo e na qual já esta presente seria mal ou pecaminoso???

É a matéria pecaminosa ou indigna? Neste caso por que teria o Deus sábio e perfeito produzido algo mal ou indigno?

Por outro lado, se enquanto obra divina é a matéria digna e boa, por que não poderia o Deus todos poderoso assumi-la?

Reflita, com isenção de preconceitos, e concluíra que nada, absolutamente nada de irracional existe no conceito de Encarnação.

Em certo sentido podemos dizer que o Catolicismo é genial justamente por ter reunido em si mesmo os dois aspectos mais nobres e elevados do judaísmo antigo (Bem como da Filosofia antiga) e do paganismo antigo - O monoteísmo e a Encarnação. Síntese brilhante por meio da qual o monoteísmo desprendendo-se do veneno da transcendência absoluta vincula-se mais ainda a Imanência, conciliando-se com ela. 

Abandonou assim o grande erro do paganismo que era o politeísmo, bem como o grande erro dos hebreus, muçulmanos (semitas em geral) e neo platônicos, a saber, a transcendência absoluta, a qual como vimos implica, necessariamente, separação e localização.

Portanto não fica sendo absurdo ou estúpido o Cristianismo por afirmar que o Uno se fez carne, assumindo a condição dos mortais com o nobre objetivo de beneficia-los?

Particularmente quando formulada por um neo pagão a acusação tem sabor de incoerência.

Na medida em que extasia-se com a ideia de deuses assumindo formas humanas (Assim Zeus tomando a forma de Anfiction com o objetivo de seduzir Alcmena , Atena assumindo a fora de Deífobos, Apolo manifestando-se como o pastor Adureto - 'Eis que descendo a terra apascentei os bois de meu hospedeiro e salvei sua casa da destruição.') e baixando a este mundo com o objetivo bem menos nobre de flertar... Por que sorris diante do Cristo, mas não diante de Apolo ou Hermes??? Que há de ridículo em Jesus que não fique ridículo, ou antes, que fique bonito neles??? E no entanto eles se manifestam como homens para namorar enquanto o Deus Único e verdadeiro manifestou-se entre os homens para mostra-se solidário e mostrar seu amor para com eles!

Assim tanto amou Deus o mundo que dignou-se vir a seu encontro para educa-lo, cura-lo e beneficia-lo espiritual, ética e socialmente.

E no entanto você continua a rir-se quando alegamos que pelo poder Supremo uma Virgem pode conceber e dar luz a seu Criador, de modo a fornecer aos mortais um sinal segundo de sua presença.

Considere porém que a Mitologia assim apresenta a concepção de Áries: A despeito de Zeus ter gerado por si mesmo uma filha, a saber a Virgem Atenas, pensamento seu; a senhora Hera desejando também conceber um filho sem a participação do esposo, engalanou-se e foi consultar o oráculo - Observem que a deusa vem a terra, pedir conselho a um oráculo! - o qual orienta-a do seguinte modo: Após teres adentrado no bosque encontrarás uma linda flor, dourada e desabrochada, assim que a encontrares, sem perda de tempo, senta sobre ela. Tendo feito tudo quanto o oráculo determinará, assim que Hera pôs-se de pé, deu com o menino - Áries - vagindo sobre a flor.

Acreditais além disto ou ao menos não considerais estranho, que Dionísio tenha sido gerado por três meses na panturrilha ou batata da perna de Zeus, seu pai; a qual por isso mesmo passou a chamar-se 'barriga' da perna.

Eis outra narrativa bastante esquisita, não a do Evangelho, afinal nosso Jesus não foi gerado numa panturrilha...

Pois caso Deus existe e seja Onipotente, que desatino há em fazer com que uma Virgem conceba e dê a luz a si mesmo??? Do contrário, não sendo Onipotente, não é Deus.

Tornemos no entanto a esses deuses, os imortais do Olimpo, aos quais inclina-se parte da humanidade atual. E perguntemos aos neo pagãos e simpatizantes como podem ser eternos e ter corpos materiais iguais aos nossos uma vez que nossos corpos materiais são resultados de um lento processo evolutivo peculiar a este planeta??? Teriam todos eles se encarnado??? Não é o que diz a mitologia? Então o que? Teriam corpos materiais e humanos desde toda eternidade??? Veja só ao absurdo que chegamos!

Absurdo dos absurdos pois sequer podemos afirmar que fossem dotados de corpos perfeitos uma vez que Deméter é descrita como sendo provida de quatro olhos, dois no lugar ordinário e mais outros dois acima deles, junto a fronte, além de dois chifres. E narra a mesma mitografia que Rea, sua mãe, assustou-se de tal modo que não queria amamenta-la. Já Árion, filho incestuoso de Deméter Poseidon não passava de um cavalo, isto mesmo de um cavalo - Assim homens ao menos geram homens, mas os deuses pagãos geravam cavalos! Enfim o neto de Deméter, Zagreus; também é dado a luz em posse de um par de chifres.

Agora contemplem este Hefaistos, filho de Zeus Hera o qual teria nascido coxo e com os olhos saltados, a ponto de ser lançado por sua própria genitora, Olimpo abaixo - Aos gritos de: Eis um monstro! - vindo a quebrar as costelas e ficar corcunda! Um deus coxo, corcunda e com os olhos saltados; mas onde esta a beleza disto???

Ousaras dizer-me que este ser disforme ao menos era dotado de uma alma - Se é que deuses tenham alma... - nobre, excelente, impassível e perfeita? Mas que! Vede como lamenta-se o 'deus': Por ser coxo, Afrodite, filha de Zeus, sempre me despreza e ama o horroroso Áries. 

Diante de tais narrativas quem não percebe que Evemeros estava coberto de razão quando declarou que os celícolas do paganismo antigo não passavam de homens e mulheres, reis e rainhas, príncipes e princesas deificados após suas mortes??? Os quais por isso mesmo eram dotados de corpos como os nossos, e não seres de natureza espirituais como os gênios e anjos imaginados pelos persas e semitas...

Acaso nosso Clemente não foi capaz de indicar onde se encontravam as zoanas ou sepulturas dos principais deuses? Indicando que não haviam passado de mortais poderosos?

Não se encarnaram no tempo e no espaço a semelhança de nosso Jesus, e tinham corpos materiais! Ou eram corpos... Acaso tinham alma ou espírito vivo como nós? Ainda aqui a mitologia não nos esclarece. Além de múltiplos limitados pela condição física ou material e portanto mais limitados ainda! Tais os deuses do paganismo antigo! Os quais com pouca habilidade podiam atuar fora do corpo, pelo simples fato de aparentemente não possuírem uma dimensão espiritual ou uma simples alma???

Eis porque, mesmo sendo 'deuses' temeram a investida dos Titãs! Tiveram medo porque tinham corpos que podiam ser torturados! Mas eram imortais, e sempre jovens, e sempre saudáveis, e poderosos não??? Então por que raios temiam a seus tios e primos os deuses antigos, os ctonianos? Porque sabiam - e é a mitologia mesma quem o diz - que o patriarca Uranos após ter sido deposto por seu filho Cronos havia sido castrado e supliciado por ele... Porque sabiam que o próprio Cronos antes de ter sido destronado e enviado a Itália - segundo S Aristides de Atenas teria sido remetido ao Tártaro ou inferno dos gregos - por seu filho mais jovem, Zeus; havia recebido uns bons golpes e levado uma boa sova da parte dele!

Observai a guerra de Troia e vede os magníficos deuses - assim Atenas, a Virgem; assim Afrodite, assim Hera, assim Apolo, assim Áries; o deus da guerra! - no campo de batalha sendo golpeados e atingidos pelos heróis! Pelo simples fato de terem corpos vulneráveis, do que resulta o temor!

Acaso não exclamou a deusa do amor: "Eis-me ferida pelo filho de Tideu, Diomedes; o soberbo!"??? E o senhor da guerra: "Eis-me a pele marcada por Diomedes... pois lá ia eu, o furioso, quando Diomedes ergueu sua lança... e fica o destruidor dos mortais tingido de rubro sangue..." Enquanto Apolo teme Aquiles e dele foge...

Agora dizei-me e respondei-me como pode um temer se é todo poderoso e perfeito??? Não, não eram ou não são TODO poderosos - porque existem outros tantos rivais poderosos! - e perfeitos... Neste caso como podem ser divinos??? Acaso não deve ser a divindade excelsa Toda poderosa e absolutamente perfeita???

Em tudo não passam de homens, apenas de homens que em tese - controversa! - não adoecem, envelhecem ou morrem; além de possuírem certos poderes. E controversa porque Asclépios o deus salutífero é dado como tendo sido morto, alias fulminado, pelo próprio avô, Zeus; isto por ter ousado desobedece-lo e curado um de seus desafetos, a saber o filho de Tíndaro.

"O Pai dos deuses e homens SE IRRITOU, e acertando-o do Olimpo com o raio fuliginoso, matou o letoida."

"Assim tendo sucumbido a avareza foi pilhado pelo filho de Cronos, o qual disparando com as mãos suas, arrebatou-lhe do peio o alento e com o ardente raio feriu o insensato."

E este avarento e insensato fulminado pelo próprio avô, é deus!

Temos além disto Apolo 'seu pai, exercendo o ofício de adivinho - Mas como precisava adivinhas se sendo Deus deveria saber todas as coisas? - e Dionísio, o bêbado; sendo obrigado a refugiar-se nos confins das Índias...

O próprio Dionísio por sinal, teria sido morto e devorado pelos Titãs após ter assumido a forma de um touro e buscado fugir. Pois antes de ter sido Dionísio fora Zagreus.

Já Hermes busca ajudar o espião Dólon evidenciando que não era onisciente e que nada sabia a respeito do próprio presente ou do que se passava entre os troianos.  

Diante de tais narrativas como deixar de exclamar - Quanta miséria!

Digo-o porque além de apresentarem os habitantes do Olimpo como temerosos face aos titãs e heróis, mortais, abjetos e limitados, os mitógrafos no-los apresentam como sujeitos ao destino, tendo suas próprias ações traçadas por ele. Do que resulta ser o destino um poder superior aos deuses e os deuses inferiores ao destino, e o destino ser o verdadeiro deus dos antigos...

Assim o pobre Zeus tem de contentar-se com transformar este desgraçado em estrela, aquela em fonte, este em golfinho e assim por diante por não ser capaz de interferir e mudar-lhes o trágico destino!

Claro que nosso Bom Deus também não interfere. Não porém porque lhe falte poder para tanto e sim porque declinou de interferir por ter submetido este universo ao rígido controle das leis que ele mesmo concebeu. Nosso Deus é 'escravo' da perfeição que contém em si enquanto norma e regra de si mesmo e não submisso a um poder externo e superior a si!

Zeus no entanto assim se expressa após a morte de Sarpedon: "Ai de mim! Pois quanto a Sarpedon, o mais querido dos homens, foi decretado PELO DESTINO que seja ferido por Pátroclo, filho de Menéceu." E o poeta: Eis que perece Sarpedon, filho do grande Zeus e nem mesmo este é capaz de socorre-lo - Limitando-se a homenagea-lo com uma chuva de sangue!

Afinal que onipotência é esta meus senhores? Se aquele que brande o raio e fulmina não é senhor de si! Tendo sua existência traçada por instância superior - O destino! Quanta miséria!

Eis um simulacro de divindade subordinado a um processo impessoal de caráter fatalista!

Que dizer então sobre a Afordite a qual face a sorte de Heitor limitou-se a murmurar: "Quanta dor. Eis que com meus olhos contemplo meu querido correndo em torno das sagradas muralhas de Ílion e meu coração se enche de angústia."???

Outra que andava como louca, chorando e vagando pelos campos em busca da filha Perséfone (Logo ignorando supinamente onde a mesma se encontrava!) era Demeter. Quanto a Persefone, mesmo sendo deusa não fora capaz de defender a si mesma, sendo raptada pelo primo Hades, com quem a contragosto teve de se casar.

Já o 'divino' Febo Apolo lamenta ter servido a mesa de Admeto - Oh palácios de Admeto, em que tive de aceitar e suportar o ofício de copeiro sendo deus!

Tais os deuses da Mitologia.

São dignos de existência?

São verdadeiramente divinos?

Nem infinitos, nem ilimitados, nem incorpóreos (ao menos em parte), nem eternos, nem onipotentes, nem sábios, nem absolutamente perfeitos, etc

Tudo literariamente majestoso mas indigno de Deus.

Tudo muito limitado, finito, material, temporal, imperfeito; logo humano demasiado humano.

Que acontece agora caso arrastemos os mesmos olímpicos ao tribunal da Ética!

Possuem os deuses gregos perfeição moral???

Ainda aqui são primos de javé e alla, podendo fazer o mal, pecar e cometer quaisquer crimes.

São entidades que enganam, dissimulam, prestam falso juramento, cometem injustiça, traem, roubam, assassinam, praticam crueldade - até o sadismo! - fazem-se caprichosas e despóticas, corrompem e são corrompidas, etc

Tais os deuses magníficos e não há dispositivo da lei da consciência que eles não violem descaradamente!

Santidade e pureza é coisa que não há nesta família!

Vemos assim que Afrodite, Áries Zeus adulteram, que Zeus além de ter cometido incesto com Hera também cometeu incesto com Deméter, que Hefaistos exerce pedofilia ou digamos o ofício 'sedução', que Poseidon tornou-se incestuoso com a tia Afrodite e com a irmã Deméter, que Apolo mente, que Hermes Áries roubam - o primeiro tornou-se padroeiro dos ladrões - que Hera 'Cuja cólera enchia o peito' vinga-se, que Atena encoleriza-se e irrita-se contra Zeus seu pai e assassina empregando o sangue da Gorgona. 

Alias só as amantes do 'pai e rei' dos deuses foram um cortejo: Ino, Europa, Danae, Alcmena, Maia, Semele, Leda, Leto, Lâmia, Dione, Antíope, Pasifae, Ganimedes, etc gerando uma hoste de bastardos - Perseu, Heracles, Hermes, Dionísio, Helena, Clientemnestra, Zeto, Anfion, Apolo, Artemis, Castor, Minos, Radamante, Sarpedon...
O mais assombroso no entanto é que Zeus - o pai dos deuses e homens - tenha estuprado sua própria filha Persefone, isto ainda quanto as relações entre pais e filhos constituiam tabu inviolável em praticamente todas as culturas!!! O que não deixa de ser surpreendente!

Dar crédito a mitologia e a 'bela' religião pagã é o universo regido por um incestuoso que violentou a própria filha! Precisa dizer mais alguma coisa?

Não querendo ficar atrás do irmão caçula também Poseidon entregou-se ao desfrute, seduzindo: Ascras, Iphimedeia, Medusa, Chione, Pelope...

Já o harém do valente Áries era composto por: Aglaura, Cirene, Herpina, Otreras, Pirene, Astioque, Betonis Erétria... Dentre outras.

Mesmo o abjeto Hefaistos não teve menos do que sete companheiras: Aglaia, Etna, Cabiro, Gaia, Anticléia e Cinia.

Afrodite além de ter flertado com Áries Poseidon ainda teve por amante a Hermes - de quem gerou Hermafrodito - e a Anquises do qual gerou Enéas amante da bela Dido e fundador de Alba, a grande. 

Artemis ou Diana, após ter sido flagrada ao tomar banho, transformou o pobre Actéion num veado mesmo sabendo que haveria de ser devorado por seus próprios cães. Mesmo sendo deuses e imortal ela não soube compadecer-se do pobre homem mostrando-se sádica e cruel.

Mas o que esperar duma 'deusa' que enviou um javali contra Adonis para mata-lo pelo simples fato de Afrodite - outra divindade não menos cruel - ter matado seu querido Hipolito? E como matou-o? Fazendo com que Fedra ardesse em amores por ele, tirasse a própria vida e incriminasse o justo! Impetrando seu pai, Teseu, ao senhor do Mar, que provocasse um sinistro capaz de mata-lo! Assim assustados por um monstro correm seus cavalos, conduzindo o belo carro, em direção dos penhascos e adeus Hipólito! Tudo porque recusar-se a massagear o ego da deusa do amor.

Assim Afrodite faz perecer o nobre Hipólito e para vingar-se Artemis aniquila Adonis!

Calisto parece ter tido um pouco mais de sorte e ser transformado um urso, após ter emprenhado a celicola enquanto dormia. O fim de tudo foi quase um parricídio por parte do neto divino, Arcas. Zeus no entanto interferiu como pode colocando o pobre urso no céu.  

Chione, amada por Poseidon, Hermes Apolo ocorreu a infeliz ideia de que era mais bela do que Artemis posto que cobiçada por diversos habitantes do Olimpo. Foi o quanto bastou para ter a lingua arrancada e ser morta a flechada pela filha de Leto.

Outra não foi a sorte de Níobe, esposa de Anfião; a qual gabou-se de ser superior a Leto por ter gerado sete filhos e sete filhas. Os quais foram exterminados a frechadas pelos divinos gêmeos... E Níobe convertida em fonte pelo 'poderoso' Zeus...

Já Apolo com o intuito de preservar a virgindade da irmã, envia um escorpião para acabar com o infeliz Orion. 

Quanto a já citada Afrodite não narram os mitógrafos ter levado Hipômenes Atalanta a copularem no templo de Cibele? Com o objetivo de indispor a deusa contra ambos e castiga-los???

Donde se infere que nem mesmo respeito os deuses tinham pelos templos uns dos outros!

Áries teve por filho a Cícino matador de viajantes, o qual fica sendo neto de 'deus'. Mais infeliz do que este foi seu tio, Poseidon o qual teve de enterrar vivos (!!!) os filhos que havia tido de Halia os quais porfiavam  superar uns aos outros em malignidade. Isto para não falarmos em Polifemo, Crisaor, Oto Efialtes igualmente filhos do senhor dos mares, e problemáticos!

Dionísios faz Licurgo ficar louco e assassinar a família a machadadas e as filhas de Penteu trucidarem o próprio pai.

Segundo Ésquilo é Hermes que por meio de truques e estratagemas auxilia Orestes a matar Clientemnestra e consumar o matricídio. É até aqui o que temos de mais ameno...

Contemplemos agora a respeitável matrona Hera, senhora do lar, prestes a assassinar uma criança em seu próprio berço e esta criança é o futuro Herácles. Eis uma 'deusa' infanticida, estranguladora de bebês!

Colérica e vingativa não transformou ela a infeliz Lâmia, rainha da Líbianum monstro espantoso e incapaz de fechar os olhos após ter dado cabo de seus filhos?

Tais os dotes da matrona 'celestial' pintada pela mitologia!

Tomemos agora a Virgem Palas ou Atenas. Será ela distinta de seus familiares, e, consequentemente mesmo vingativa e cruel?

Pudera! Pois também ela transforma a Medusa num monstro apenas por ter alegado ser mais bela do que ela. Mérope é transformada em coruja por ter ridicularizado os olhos glaucos da 'mente de Xeus'.
Ilus é feito cego por ter ousado contemplar o Paládio. E o infeliz Laocoonte mais seus dois filhos estrangulados por suas gigantescas serpentes enviadas por ela... Isto sem falarmos na primeira aranha Aracne, punida por sua ingratidão. Ainda aqui não temos nada semelhante ao mortal que proferiu esta memoráveis palavras: Perdoai setenta vezes sete vezes. 

O próprio Zeus, e é vexatório dize-lo, vez por outra, espancava a mulher Hera. Temos assim um deus machista e espancador de mulheres, simplesmente infame. Já o nosso Jesus desafia as leis de seu povo tratando as mulheres com amabilidade e delicadeza assim a Marta, Maria, a mulher da fonte, a Joana, e a tantas outras. Considerável diferença!

Hefaistos arrenegou a própria mãe - Pagando-lhe mal com mal, enquanto nosso Jesus disse aos homens para pagarem o mal com o bem - e prendeu-a num trono dourado. E somente após ter sido embriagado por Dionísio é que concordou em liberta-la.

Hermes foi quem concedeu a Pandora o dom da mentira e do fingimento.

Eis a sagrada família do politeísmo: Insensíveis, caprichosos, coléricos, vingativos, agressivos, assassinos, cruéis, adúlteros, incestuosos, mentirosos, intemperantes; enfim repositórios de todos os vícios e defeitos que toram os homens desagradáveis.

Neste caso como admitir que tais narrativas sejam dignas de crédito ou que tais seres existam de fato?

Acaso não bastariam tais entidades para converter nossos sonhos em pesadelos?

Logo, em que sua inexistência prejudica a realidade?

E eu sequer mencionei os monstros - os filhos de Forco - em última análise descendentes de Gaia, a terra, logo divinos! Assim a Hidra, Quimera, Cérbero, Cila... Mas que deuses são estes notáveis pela feiura de alma e de corpo e absolutamente asquerosos???

Encerro esta exposição considerando que nem mesmo como criaturas tais entidades mereceriam existir. Quanto mais como 'deuses' em lugar do verdadeiro Deus, magnânimo, filantropo, benfeitor, generoso, amigo e amante dos homens.

Se isto é tudo quanto o neo paganismo tem a opôr ao Cristianismo tudo quanto tenho a dizer a tais pessoas é que tornem a Xenófanes, Parmenides, Anaxágoras, Apolônio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Crisipo, Cleantes, etc considerando tudo quanto estes homens excelentes disseram a respeito da mitologia considerada como religião ou realidade.

Certamente há muita coisa de bela e edificante, de tocante e elevado, de majestoso e de divino na mitologia grega. Assim a narrativa de Castor Pólux, a de Alcione, a de Antiope... Como há muita coisa poética no mais alto grau, assim o ciclo edipiano, o ciclo orestiano, etc Percebam no entanto que quase tudo quanto torna a mitologia fascinante provém dos mortais oprimidos pelos deuses olímpicos e não dos deuses, e que a parte menos nobre da mitologia grega diz respeito a justamente a 'teologia'. Reflitam sobre isto e considerem se substituir as fábulas imbecis dos antigos judeus pela teologia pagã não equivale a trocar seis por meia dúzia...