Mostrando postagens com marcador educação integral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação integral. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A falácia da reforma do Ensino





Qualquer sociedade que pretenda implementar dois tipos de 'ensino' diferentes, um 'intelectualizado', para a elite dirigente e outro para os técnicos, assume o encargo de decidir e determinar o futuro de seus membros.
Dirigir pessoas para funções de execução, alegando que estão escolhendo qualquer coisa, quando não verdade estão sendo sutilmente orientadas por uma realidade hostil e excludente é a mais refinada maneira oprimi-las.
É atitude destinada a alimentar o conformismo em torno de determinadas estruturas sociais que as elites dirigentes não desejam ver questionadas, quanto menos reformuladas. É modo porque cada um é posto em seu devido lugar e as diferenças históricas reproduzidas.

É modo porque o filho do médico continua sendo médico e o filho do funcionário continua sendo funcionário.

Penso que este tipo capcioso de política educacional esteja vinculado a polícia de cortes financeiros sempre voltados para o setor da educação.

Antes de tudo o governo golpista cortará os subsídios destinados a incluir os jovens de periferia nos cursos universitários. Em seguida criará ou ampliará ainda mais os cursos técnicos destinados a execução...

O trabalho da natureza será bastante simples: Por verem suas oportunidades educativas - no sentido de frequentar algum curso superior - drasticamente reduzidas tais jovens serão levados a abraçar o que lhes é oferecido i é as migalhas ou esmolas representadas pelo ensino técnico.

Sem maiores perspectivas, desesperançados e angustiados parte destes jovens aceitarão de bom grado a 'oportunidade' que lhes é oferecido por um ensino de segunda categoria destinado a formação de funções subalternas e não mais cobiçarão as vagas destinadas aos filhos da elite.

A simples diminuição da oferta de vagas disponibilizadas pelas universidades privadas conveniadas com o poder público determinará uma escolha que de modo algum será livre.

Por falta de investimentos educacionais não poderão escolher algo melhor.

Tampouco os pais acreditarão que seus filhos sendo pobres e estando inseridos em escolas públicas serão capazes de concorrer com os filhos dos ricos e de suplanta-los... Pelo que pressionarão seus rebentos a tomar a via mais 'realista' do ensino técnico.

A tendência dos mais humildes será oriental seus filhos desde pequenos para o ensino técnico e tirar de suas cabecinhas qualquer ambição em torno de um curso clássico destinado a inseri-los na faculdade Pública.

Os pais de origem mais simples encaminharão seus filhos instintivamente para o que esta mais próximo da realidade vivida por eles em termos de curso técnico e funções subalternas.

Eles mesmos, admitidas as exceções, não acreditam no potencial sócio transformador da educação, ao menos da educação pública.

Inserir dois tipos de cursos diferentes no Ensino público brasileiro: Um voltado para a escola técnica e outro para o ensino superior será como lançar água fria na fervura as famílias mais pobres.

As quais, caso coloquemos de lado os programas de inclusão universitária mantidos pelo Estado, em geral nutrem bem poucas esperanças, alias as mais rasteiras.

Satisfazendo-se com que os filhos sobrevivam como sobrevivem e que não morram de fome.

***

No entanto cada pessoa faz jus não a uma educação parcial voltada para o trabalho ou a função apenas mas a uma educação plena, ampla, profunda, integral e humana.
EDUCAÇÃO QUE A FORME E INFORME A RESPEITO DE SUA CONDIÇÃO, DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL, DA PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE BENS, DA ÉTICA, DA JUSTIÇA, DA LIBERDADE, DA CIDADANIA, DA CIÊNCIA, DO MUNDO EM QUE VIVE, ETC
É por uma educação que transcenda a pura e simples sobrevivência, as necessidades econômicas, a esfera mesquinha do trabalho, aos preconceitos familiares e sociais que pugnamos. Educação que personalize, que produza pessoas, que forme cidadãos críticos e reflexivos, que estimule o pensamento livre e a criatividade; eis nossa meta.

Afinal se o sujeito não lê o mundo em que vive, não o compreende, não se posiciona face a ele, não dialoga com ele e resigna-se a aceita-lo ou a inserir-se nele. Se o sujeito não tem esperança... Se é incapaz de antever outras possibilidades é o maior analfabeto. Inda que saiba ler e calcular muito bem.

Esta compreensão humana, global e totalizante é que o educador humanista aspira partilhar com seus alunos. De modo a que possam partir e contestar, criticar e dialogar com o mundo. Visando sua transformação.

Educação deve ser compreendida como algo dinâmico, destinada a alimentar esperanças em quem jamais teve e não em formar subalternos, súditos, empregados, funcionários, servidores, etc

A todos queremos dar ao menos a oportunidade de serem iguais, partindo da liberdade como condição comum a ser ampliada.


***

Subtrair tal tipo de educação - integral e formativa - a pessoa, é certamente a melhor maneira de mutila-la, de diminui-la e de comanda-la. É arranca-la de suas condições e aliena-la. É negar-lhe sua identidade comum. É restringir suas potencialidades. É frustrar sua plena realização...
O mínimo que uma Sociedade inepta para incluir a maior parte de seus membros numa esfera superior do ensino pode fazer é propiciar-lhe uma educação humanista - de cujo currículo façam parte efetiva a Sociologia, a Psicologia, a Filosofia e a Arte (musical inclusive) além é claro da História (Que é a mestra da vida) e da geografia - já nos ensinos Fundamental e Médio!!!
Um Ensino técnico só é viável e aceitável quando seu currículo contém uma dose mínima de conteúdos humanos, destinados a alimentar a vida ética, a tolerância, a cidadania, o espírito científico, a dimensão da arte...
Eliminar por completo as disciplinas humanas de qualquer esfera do ensino público ou curso implica alienar e desumanizar esse homem com premeditado intuito de comanda-lo!
Em que pese a importância - reconhecida - das ciências exatas e da técnica para a vida, é apanágio exclusivo das ciências humanas ampliar e aprofundar a reflexão sobre o sentido das coisas bem como a direção da vida e dos atos humanos
Ignorar isto é ignorar Sócrates e todo legado clássico ou helênico que nos precede.
Xenofonte, lá no comecinho da 'Memorabilia' apresenta-nos Mestre Sócrates questionando a respeito de quem comanda e direciona a técnica e considerando que o conhecimento primordial é o conhecimento de si mesmo e da virtude, dos direitos, dos deveres, do bem e da justiça.
Pois a técnica será direcionada segundo tais valores.
Técnica é bom mas segundo Mestre Sócrates não produz consciência Ética que toque ao que seja bom ou mau, virtuoso ou viciado, certo ou errado...

A consciência Ética brota por assim dizer da consideração de determinadas situações humanas.

Jamais contempladas pela matemática, a física, a química ou mesmo a alta biologia.

Portanto se assumimos um discurso ÉTICO sejamos coerentes e admitamos a proeminência das ciências humanas e a necessidade de uma educação integral i é ao menos em parte humanista.

Do contrário resignemos a não viver este padrão ético de vida.

Sejamos enfim honestos e coerentes porque a dimensão ética da vida não brotará de declinações verbais, equações, inequações, tabelas periódicas, etc...

Ah deixaremos a ética, numa perspectiva relativista e subjetivista, ao encargo de cada indivíduo (o qual poderá inclusive não ser ético rsrsrsrs). MAS ISTO JÉ É UM OPÇÃO IDEOLÓGICA BASTANTE DEFINIDA E ANTI SOCRÁTICA E ANTI HUMANISTA. Na medida em que deixa antever não ter a ética muito valor ou a impossibilidade de estabelecermos uma ética comum... ORA TUDO ISTO É IDEOLÓGICO ANTI SOCRÁTICO E ANTI HUMANISTA...
Enfim uma educação de seja apenas e tão somente técnica e tecnicista sempre será mutiladora e miserável.
Implementar um tipo de Educação como este é semear com os nazistas, fascistas, comunistas, teocráticos e COM TODOS OS TOTALITÁRIOS ADEPTOS DA CULTURA DA MORTE.
Caso estejamos decididos a semear ventos não reclamemos quanto as tempestades e tormentas que sobrevirão em seguida!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Reflexões em torno do ensino tecnicista ou positivista

Teleologicamente (e não teologicamente) temos apenas duas correntes pedagógicas.

A que pretende inserir o ser humano na realidade existente, fazendo com que a ela se adapte sem questionar ou cogitar sua transformação - tal o ideário conservador! - e a que acena com a possibilidade da transformação ou da mudança; tal o ideário progressista.

Importa saber que as duas correntes são determinantes de matrizes curriculares bastante distintas.

Buscando inserir dentro de determinados limites o ideário conservador esta voltado antes de tudo para o saber cumprir determinadas tarefas relacionadas com determinada função; assim saber ler, escrever, contar, calcular e operar esta ou aquela máquina.

Fornecendo ao sujeito uma visão bastante limitada do mundo ou da realidade em que viva. Trata-se de um tipo de educação que sendo restrita, restringe as possibilidades do sujeito, determinando seu futuro...

Este tipo de educação conformista insiste que o sujeito deve trabalhar para ganhar dinheiro e ganhar dinheiro para viver. Quase nunca passa disto. Recusa-se e a indagar sobre a relação trabalho valor, sobre preço justo, salário família, fortuna e miséria, luxo e abastança, desigualdade social, justiça, etc É como se o 'ideal' inexistisse para ela... Existe apenas o real e ele é o que é.

Nem se supõem que façamos parte do real ou que possamos denuncia-lo, repudia-lo, critica-lo, redefini-lo, altera-lo... Apenas conserva-lo como é pela inserção ou adaptação.

Trata-se dum padrão educativo técnico ou tecnicista construído em torno de um saber fazer na maior parte das vezes desvinculado do todo.

Importa que saiba digitar os preços dos produtos no teclado e cobrar os fregueses.

Nada sobre a fabricação dos produtos, o trabalho empenhado, as matérias primas, a destruição do meio ambiente, os agrotóxicos, o latifúndio, o produtor assalariado, o consumidor, o atravessador, a inflação, o valor, etc CAIXA DE MERCADO NADA PRECISA SABER NESTE SENTIDO!!!

Basta que cumpra sua função, que se adapte, que aceite as coisas como são... sem questionar porque ganha apenas um salário enquanto o gerente ganha dez salários e o proprietário mais de cem ou duzentos salários.

É toda uma educação que não passa da superfície e que gira em torno de aparências.

Uma educação discriminatória e criminosa que determina funções e formas de vida, dispondo de pessoas como de peças num tabuleiro de xadrez.

Sua função é viver de salário e obedecer, enquanto a daquele jovem filhinho de papai, que nasceu em berço de ouro e cursa faculdade de engenharia é viver de renda e comandar.

Por isso ele haverá de cursar um tipo de ensino superior ao seu e ter acesso a saberes mais amplos... a que o vulgo profano não tem acesso.

É um tipo de ensino desigual pois reserva a alguns privilegiados apenas o 'segredo do reino'.

Comandam e comandam bem porque conhecem relativamente bem uma realidade que de modo algum desejam mudar.

É um tipo de educação anti ético na medida em que jamais questiona o que é ou a realidade existente em termos de princípios e valores como o bem e a justiça, assumindo os pressupostos materialistas do positivismo ortodoxo e concentrando-se apenas no que é dado.

E por ser anti ético é oportunista; uma vez que o estado de coisas a ser conservado não pode deixar de beneficiar a este ou aquele.

Conservar não é algo neutro mas ditado por uma intencionalidade consciente.

Não se conserva porque não se deve ou pode mudar mas porque não se quer e se não se quer é por que a situação beneficia a alguém.

Materialismo, positivismo ou tecnicismo tem dificuldade em trabalhar com o que deve ser, com o ideal, com a ética...

Já a educação humanista, progressiva ou integral preceitua que o educando, seja qual for sua condição social ou a profissão que venha a escolher tem o direito de conhecer a realidade como um todo, de multiplicar seus porques, de exigir explicações, de fazer perguntas, de questionar de criticar, de ampliar e aprofundar seus conhecimento, de tirar suas conclusões e de se for o caso, rebelar-se contra sua situação vivida, e opor-se a realidade que lhe é dada, e buscar altera-la segundo os princípios e valores que julga serem verdadeiros.

Para tanto não basta conhecer português, matemática e mais alguma técnica; mas estudar biologia, História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Psicologia, etc explorando cada setor do conhecimento humano e adquirindo uma compreensão mais abrangente em termos de realidade.

Implica saber o que é tempo, espaço, evolução, sociedade, razão, percepção, etc Conceitos sem os quais jamais poderá realizar-se plenamente como pessoa.

Não se trata de ocupar uma função remunerada ou um viver de salário mínimo; mas de formar a própria consciência integralmente buscando desenvolver todas as potencialidades; as habilidades e as competências.

Trata-se de ultrapassar os limites estreitos em que somos enclausurados pela sociedade econômica, e conhecer de fato o mundo que nos cerca e a realidade que nos condiciona. Trata-se de superar-se enquanto ser racional, livre e criativo.

Trata-se de  possibilidade de recusar-se a ser determinado ou de ter seu local, seu espaço, sua vida, definidos por outros!

Trata-se de assumir-se como agente do processo histórico.

É progressista a educação que recusa-se a restringir a existência humana as necessidades de um mercado econômico.

É humana e humanista a educação que fraqueia a todos os cidadãos livre acesso ao Ensino Superior.

É integral a educação cujos agentes buscam uma qualidade máxima, em que pese a falta de recursos materiais e a estrutura deficitária. 

Por todas as razões e motivos acima elencada não se pode alterar a matriz curricular de um sistema de ensino sem imprimir-lhe determinada direção.

Não é possível restringir o espaço das humanidades sem deixar de produzir tecnocratas sem consciência.

Não é possível falar em ética sem reconhecer o papel educativo da História, da Sociologia, da Filosofia, da Sociologia...

Não é possível ou conveniente reproduzir os mesmos erros funestos perpetrados pelos militares a quase meio século.

Tornando ao vomito da educação positiva e incompleta, responsável pela mutilação do ser humano.

Do contrário não poderemos fazer frente a afirmação das culturas de morte.

Antes assistiremos com as mãos atadas o triunfo dos fundamentalismos, do nazismo, do fascismo, do anarco individualismo, do comunismo... e a morte da civilização.

Eis porque devemos dizer Não ao ensino puramente tecnicista pautado apenas e tão somente no ensino do vernáculo e das ciências exatas em detrimento das humanidades.