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segunda-feira, 23 de junho de 2025

Sionismo, americanismo\capitalismo, protestantismo, maçonaria, ecumenismo, ONU, etc Análise cultural ou culturalista sobre a conjuntura atual ou sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial.





Tentarei fazer algo que é bastante difícil para o homem comum, apresentar uma análise cultural ou culturalista de uma possível terceira guerra mundial e porque caminhos ou veredas chegamos a ela.

Quero antes de tudo fazer algumas breves observações: Não tenho mínima intenção de estabelecer a veracidade da fé Católica\Ortodoxa, das igrejas apostólicas, da igreja romana ou do Cristianismo histórico\tradicional (E oposição ao agregado de seitas protestantes 'made in EUA'.). Embora para alguns possa parece-lo, de fato não é escopo deste artigo entrar em minudências religiosas. O quanto queremos salientar aqui é a relevância cultural dessas crenças ou ou da cultura específica produzida por elas em oposição a outros modelos de cultural como a sionista, a protestante ou americanista, a islâmica, etc 

A consciência em torno de um Deus Encarnado produz um tipo de consciência e de relações entre os seres humanos totalmente distintos da fé em torno de um Absoluto Transcendente apartado do mundo. A crença em que foi Deus supliciado e morto na carne estabelece outros tipos de reflexões em torno da vida, da morte, da agressão, da tortura, do assassinato, etc A crença ética na necessidade de obras (Ainda como frutos da graça.) ou da ação no plano da fé introduz outro tipo de enfoque. A ideia de uma redenção solidária da espécie estabelece outra direção, etc, etc, etc

Dá mesma forma a adoção de mitos judaicos de talhe mágico fetichista, a insistência no expiacionismo e em penas eternas, a afirmação de um agostinianismo radical (Calvinismo) - Um torno de pecado original, corrupção total, predestinação particular, etc - a negação total e absoluta das obras, a ideia de uma salvação individual, etc produz um outro tipo de cultura. 

Isto são dados e Max Weber começou a levantar a pontinha desse véu...

Portanto, uma coisa é negar o conteúdo da fé ou descrer e outra, totalmente distinta é questionar a relação entre os modelos de crença e determinados modelos de cultura e ignorar as 'Afinidades eletivas'. Fosse eu Deísta ou teísta naturalista, irreligioso, etc não mudaria em nada o conteúdo deste artigo. Parto da premissa segundo a qual as fés produzem culturas e que fés diferenciadas ou opostas produzirão modelos diferentes de cultura ou de convívio humano. Daí a importância de se estudar com máxima atenção e de se conhecer muito bem as crenças religiosos uma vez que plasmam tanto nossa vida mental (Ou as personalidades) quanto nossa vida social. 

Decorre disto algumas relações extremamente complexas e inacessíveis ao homem comum.

Quero devassa-las muito bem ou até quando possível.

Já colocaram a religião, a economia ou a política na base de todos os fenômenos socias. Marx - Herdeiro do empirismo ou do positivismo. - como todos estão cansados de saber, optou pela economia (E não se equivocou por completo, se é que equivocou-se quanto a sociedade ocidental contemporânea.), Coulanges (Na 'Cidade antiga') optou pela religião e os positivistas mais avançados pela política ou pela 'ciência'. 

Apenas os irmãos Weber, num primeiro momento, deram com essa outra coisa chamada cultural, que é um complexo de relações que envolve todos os fatores acima a elencados. Podemos no entanto dizer, me recordo de Toynbee, Parsons, Sorokin, Timacheff, etc admitir padrões de cultural básicos: Ideativo ou espiritual - Derivado das crenças religiosas e materialista, derivado da economia, e é claro que há o padrão realista, que busca equilibrar os dois primeiros ou realizar uma síntese harmoniosa. 

Podemos, de modo geral, quanto ao ocidente - A partir da Era Cristã. - aduzir dois modelos: Uma mais ideativo ou religioso - Prevalecente quiçá até o século XVII ou ao menos até o século XVI. - e outro materialista\economicista, prevalecente desde os séculos XVIII e XIX, assim a partir do liberalismo econômico ou do capitalismo e não do comunismo, do anarquismo, do fascismo, etc Quando comunismo, anarquismo, fascismo, nazismo e outras ideologias contemporâneas fizeram sua primeira aparição o materialismo era já uma tradição legada pelo capitalismo e identificada, pelo positivismo (Em oposição a fé e a Filosofia), com a ciência.

Precisamos dessas ferramentas para entender o ponto de partida da crise atual.

Porém, antes de entrarmos no assunto propriamente dito, precisamos tornar a História para entender com suficiência o que se passa na Palestina ou em Israel - Porque tal é o ponto de partida da crise ou o olho do furação.

Tudo começou há alguns milhares de anos, quando alguns nômades de origem semita que vagavam pelos desertos, acreditaram receber comunicações de um certo javé, o qual tomaram por deus sem negar os demais. A partir daí chegaram a crer que essa entidade os escolherá e lhes reservará uma terra, na já povoada Canaã, na qual de fato lograram instalar-se durante o colapso da Era de Bronze. 

Não tardaram a crer que esse javé os ajudava e portanto, para recompensa-lo, passaram a 'alimenta-lo'' com sacrifícios de sangue.

Como equivale-se, toda aquela região, a um Estado tampão, ficava, sua política, sendo bastante instável. De modo que esse povo, a princípio israelita e depois judeu, conheceu períodos de autonomia e de sujeição a potências estrangeiras. E como fossem henoteístas ou monoteistas, e os povos vizinhos politeistas, fizeram uma leitura mística ou mágico fetichista dos eventos políticos relacionando-a com a fidelidade ou a infidelidade deles mesmos. Quando eram leais ao javé ele os exaltava politicamente...

Por fim, sob a construção do Império romano (Na verdade um pouco antes.) foram esses judeus incorporados como súditos do Império romano. 

Importante salientar que durante aquele período, enquanto tinham intacto seu templo com sacrifícios, os judeus achavam humilhante ser dominados por povos de religião politeísta, pois aduziam que se o javé não lhes concedia o poder político é porque eles, judeus, não estavam fazendo as coisas direito. Portanto a sujeição reforçava um suposta culpabilidade e suscitava problemas de consciência.

Por outro lado, desde o tempo em que haviam sido dominados por Assírios, Babilônicos e Persas, haviam esses crédulos hebreus, elabog+-gyyyyyrando um tipo peculiar de cosmovisão ou melhor aprofundando esse tipo de cosmovisão, a qual só se completou ou chegou a maturidade durante as fases helenística e romana. Ora, nós conhecemos perfeitamente esse tipo de cosmovisão doentia e racista por meio da literatura apocalíptica. A peça mais remota foi o pseudo epígrafe de Daniel (Esse mesmo que consta no AT) e a mais completa o assim chamado Livro de Enoc... Em seguida apareceram dentre outros o de Baruc e Ezra.

A tese é prenhe de significados até nossos dias, pois em traços gerais assim se concebe: Quando o povo judeu emendar-se de seus erros e tornar a ser leal a javé este os restabelecerá na Palestina ou lhes concederá a autonomia política, de modo que os pagãos serão expulsos do solo sagrado, uma vez que representam uma mancha ou impureza que não se pode admitir. Mais - Como a Torá determina que os pagãos sejam exterminados, no grande dia, o próprio javé ou o povo por ele empoderado, obterá vitória sobre Edon, Gog, Magogue, etc e dominará a totalidade do mundo, exterminando ou escravizando os pagãos, os quais são descritos como lodo, lama, escarro, etc 

Examine o leitor atento essa literatura e tire por si só as conclusões a respeito de seu conteúdo doentio marcadamente racista - Nem poderia ser diferente esse conteúdo por partir de uma etnia ou povo que alega ter sido eleita pelo Deus do universo, em detrimento de todos os outros povos ou da humanidade como um tudo, encarada necessariamente como algo de natureza inferior ou desditosa. Por isso afirmamos que Jesus, com seu conceito universalista, católico ou anti etnico, não pode ser javé ou que javé não é a Mente suprema que concebeu este universo, mas o nume étnico dos hebreus e nada mais. enfim, que toda essa cosmovisão excludente e sectária deriva do que chamam de eleição, a qual deve ser entendida como um privilégio e como uma afirmação sutil de superioridade.

Movido por essa cosmovisão aberrante, os hebreus do século I desta Era, representaram, naquela conjuntura, o mesmo que os radicais islâmicos de hoje, já por exercerem um proselitismo intenso - Com conotações culturais anti romano. - já por proclamarem a rebelião violenta contra o Império romano. Importante salientar que esse ideal de rebelião não era meramente político, como o dos celtas por exemplo, mas marcadamente cultural, religioso e étnico, pois o pagão não era encarado como opressor apenas por dominar politicamente mas sobretudo, por não ser judeu e por não crer como eles.

Seja como for, após as revoltas dos anos 70 e 134 javé não apenas permaneceu inerte, permitindo que seus prediletos fossem esmagados pelos pagãos e convertidos em escravos dos politeístas, como foi despojado de seu majestoso templo e privado de seus deliciosos sacrifícios de sangue. Naquele instante perderam os judeus, por completo, não apenas sua independência política como sua capital religiosa. 

Diante disso foram os pagãos, sob a forma tradicional do Colonato, introduzidos na Judeia, pelo Império romano. E quando o Império passou do paganismo para o Cristianismo Ortodoxo, passou a Judeia cristianizada a ser comandada pelo Império Bizantino ou Romano do Oriente. 

Permaneceram as coisas nesse pé até o século VII d C quando foi esse espaço conquistado pelos árabe, comandados pelos maometanos, durante a sua primeira jihad ou expansão. Mais uma vez, com o passar do tempo, foi-se alterando o quadro religioso com o declínio da população Cristã e o aumento da população islâmica. Importa saber que ambas as populações: Cristã e Islâmica já se achavam instaladas na tal 'terra prometida' há mil e trezentos ou a dois mil anos quando os ingleses e yankees, por meio da ONU decidiram inserir novamente os judeus onde eles exigiam, o que ocorreu após a segunda grande guerra.

Quanto aos judeus étnicos, migraram para diversas partes do mundo, quais sejam Europa ocidental, Rússia, Norte da África, Oriente, e - Após sua descoberta - América. 

Necessário dizer que em algumas parte promoveram revoltas e sedições políticas, como no Yêmen. O que de modo algum justifica - E queremos pontuar bem isto. - a forma grosseira com que foram tratados pelos Cristãos apostólicos (A partir de Justiniano) seja no Império Bizantino (Como cidadãos de segunda categoria.), na Europa ou na Rússia, onde sofreram pogrons ou linchamentos (Inclusive durante as Cruzadas). Queremos reiterar que não podem os Cristãos proceder odiosamente ou a maneira dos próprios judeus e muçulmanos e que a assimilação do comportamento deles é de todo injustificável uma vez que o fundador do Cristianismo determinou, na sua lei, que devem ser os inimigos amados, tratados com benevolência e respeitados. 

Agravou-se ainda mais essa situação, particularmente na Alemanha, após o surgimento do protestantismo ou da organização luterana. Fato foi, que a princípio, tanto Maomé na Arábia quanto Lutero na Alemanha, nutriam o sonho ou expectativa de converter os judeus, o que sem dúvida traria, a cada um deles, um prestígio colossal. E fato foi que falharam ambos miseravelmente, não sendo acolhidos pelos hebreus. A partir daí tanto Maomé quanto Lutero tomaram ódio a esse povo - Do que resultam as suratas de oposição no Corão e o panfleto contra os judeus de Lutero.

Portanto, o luteranismo, cujo fundador chegou a ser encarado como profeta! - recebeu toda um tradição ferozmente anti judaíca, a qual, como declarou Julius Streicher, (Dentre outros) no Tribunal de Nuremberg, ao secularizar-se, a partir do século XIX, converteu-se em Nazismo. Importante salientar o papel de Lutero e do luteranismo nesse processo, com o intuito de apontar os extremos a que chegou o protestantismo conduzido pelo método do livre exame.

Quanto a secularização do anti judaísmo na Alemanha, significou um passagem do imaginário Cristão > No sentido de que a totalidade do 'sangue' judeu era responsável por um ato de deicídio ou pelo assassinato de Jesus Cristo, para a compreensão materialista de que eram os judeus detentores da riqueza ou do poder econômico e portanto responsável pela miséria dos Cristãos - Explicação que os líderes políticos e particularmente os patrões ou empresários adoravam. De fato tempo houve em que os judeus também foram usados e manipulados pelos piedosos burgueses 'cristãos'...

Chegamos assim a segunda grande guerra, cujas atrocidades todos conhecemos muito bem.

Importante esclarecer que não apenas judeus foram exterminados na Alemanha de Hitler, mas comunistas, gays, opositores de consciência, etc Os judeus no entanto foram perseguidos e executados em maior número. 

Importante marcar que, sob pretexto algum, podemos negar a realidade dos fatos históricos - E portanto negar ou suavizar os hediondos crimes cometidos pelo regime nazista. 

Podemos no entanto, ou melhor devemos, questionar qualquer tentativa de monopolização dos fatos e sobretudo qualquer tentativa de manipulação feita 'a posteriori' com objetivos políticos.

Assim o uso ou melhor o abuso feito deles, isto é, dos fatos, pelos sionistas por exemplo.

Alias ser anti sionista ou anti americanista hoje equivale a ser, em certa medida anti nazista e é grave dever ser anti nazista e esconjurar o nazismo independentemente de quem sejam seus praticantes.

Dito isto, quero continuar sendo muito enfático, bastante enfático.

Por discordar de Balfour, dos ingleses, dos yankees e da ONU quanto a terem colocado, desastrosamente, os judeus, onde exigiam ser colocados - Isto é, na Palestina, ao lado de muçulmanos fanáticos, não negamos que uma porção de terra devesse ser dada ao povo judeu.

Não questionamos que os judeus merecessem um espaço, lar ou território. 

O que questionamos pontuadamente é que tivessem ou tenham o direito de exigir a posse do espaço - Já tradicional e bastante ocupado. - sancionado por sua mitologia. 

O que deploramos é que Israel tenha sido constituído numa terra a que, eles, os hebreus declaram lhes pertencer por direito divino ou sido dada pelo próprio deus.

Pois o significado dessa posse é fecundo... E desastroso.

De fato a poderosa Inglaterra, dona do império ''brutânico" bem poderia ter atribuído aos judeus qualquer parte remota e pouco povoada de seu império, e alias bem distante dos muçulmanos...

Melhor poderia ter feito e muito melhor, os EUA - Que tanta terra surrupiou aos naturais do Oeste e do México. - atribuindo aos queridos hebreus, uma pequena parcela de seu imenso território. 

Fácil é atribuir aos outros o que não nos pertence, porém de modo algum lícito.

Nem se alegue ou diga que tudo isso foi feito com sansão da ONU.

Que os romanos considerem, a luz da fé, o Vaticano infalível lá vai... Agora que a humanidade encare o tribunal da ONU da mesma forma i é como inquestionável ou infalível é perfeita miséria ou autêntico idiotismo.

Sabido é que Tribunal humano algum possa ser infalível. O que vale tanto para nossas comarcas quanto para o governo de qualquer país e para a própria ONU.

Mormente quanto a sede da ONU, não é, como por ser democrática ou isonômica, itinerante, mas fixada em um espaço gentilmente cedido pelos EUA.

Questionemos: Se não foram os EUA gentis para com o querido Israel, por que o foi para com a ONU senão para poder influencia-la senão comanda-la, politicamente, como um braço seu...

O que é amplamente demonstrado pelo uso que aquela república do Norte sempre fez, desse organismo 'internacional' contra a URSS e seu bloco, contra Cuba e ora contra a China e a Rússia e isto sem mínimo pudor...

Nada mais discutível que as decisões da ONU, discutidas antes e acima de tudo por Israel, a qual certamente as encara criticamente ou como muito falíveis - Mesmo quando aparentemente justas!

Portanto aqui não vem ao caso qualquer sansão da ONU, a guisa de poeira nos olhos...

A luz da consciência ou da lei natural, um decreto positivo qualquer (Emanado da autoridade.) só é válido quando justo e o oposto disso (Creonte) é tomar por padrão o poder. O que não cessamos de fazer por sermos dirigidos por líderes irracionalistas e, anti éticos.

Socratismo ainda assusta e sempre assustará esse tipo de gente.

Então devemos questionar por que deve a humanidade inteira ou todas as culturas pagar - No sentido de correrem o risco de serem riscadas da existência! - por uma exigência dos judeus ou melhor por uma canalhice seja de Balfour, da Inglaterra, dos EUA ou da ONU...

Pois tal nossa condição atual: Gregos, latinos, europeus, indianos, chineses, russos, etc todos corremos iminente e risco real de sermos varridos da face da terra porque os judeus foram colocados no lugar errado - Quando haviam tantos lugares disponíveis!!!

Repito: Problema não é Estado de Israel (Uma construção política necessária.) porém sua localização na Palestina, dádivas de seus protetores ou servidores "brutânicos''.

Penso e julgo ser absolutamente desnecessário descrever em pormenores a limpeza étnica executada pelos grupos terroristas judeus: Irgun, Stern, Haganah, etc - Cuja sanha feroz lançou-se não apenas contra muçulmanos fanáticos, mas inclusive, contra populações Cristãs nativas e pacíficas já molestadas, pelos radicais islâmicos... O que se sucede neste exato momento em Gasa!

A que se seguiram inúmeros conflitos, com o dos seis dias, o de Yon Kipur, etc, etc, etc

Naturalmente que, a partir daí houveram excessos de ambos os lados - Já porque ambas as fé estimulam a agressão e santificam a violência. - com civis judeus estourados com bombas ou metralhados pelos palestinos ou com populações palestinas inteiras sendo exterminadas pelos hebreus, o que corresponde ao que chamamos de limpeza étnica, algo peculiarmente hitlerista.

Quero todavia salientar uma coisa: Que não se trata da mesma coisa - Em certo sentido o judeu é um invasor. Pois lá já estavam os Palestinos, há séculos, com suas casas, propriedades, territórios, organizações, etc e tal não pode ser desconsiderados. Estranho que os defensores fanáticos da propriedade ignorem algo tão claro e simples: Os palestinos, sejam romanos, árabes ou o que se queira, lá já estavam, na posse da terra e do local - Passando desde então a ser desalojados a força, como se fossem eles os invasores, o que constitui uma aberração.

E pouco se dá que sejam eles muçulmanos ou fanáticos. Como pouco se daria caso fossem indianos, ganenses, japoneses ou argentinos, uma vez que não cessam de ser humanos e objeto de uma lei natural e de direitos naturais indeléveis por assim dizer. 

Portanto, apesar da ONU, dos discursos mitológicos e de todo poder político, tudo quanto Israel vem realizando nas últimas décadas se choca frontalmente com o rochedo divino da lei natural ou com o jusnaturalismo aduzido pela Razão.

Os palestinos, mesmo quando servindo-se de métodos condenáveis, estão lutando por um direito que é seu: Pela posse de sua propriedade, fruto do trabalho - Pela posse de seus bens, de seus lares, de sua dignidade e identidade. Portanto não é a mesma coisa: Aqui há defensores e agressores e tal dinâmica não pode ser ignorada.

Até aqui a exposição meramente histórica - 

Ainda hoje ou amanhã analisaremos o caráter atual do conflito e aprofundaremos mais e mais a questão da cultura e as conexões globais. 


Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 

  • Capitalismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Conaservadorismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

sábado, 11 de março de 2023

Reflexões sobre o protestantismo, o antigo testamento, o odinismo e o Evangelho.





Acabo de ler mais uma obra de Georges Goyau intitulada 'Os Católicos alemães e o Império Evangélico' (Apud 'Revue des deux mondes' Vol XXXIV, 1916 ps 721 sgs). 

Curioso o meio porque cheguei a esta curiosa obra, atualmente que por completo esquecida.

Numa das minhas últimas idas a capital, tendo passado no Sebo do Messias, pus-me a garimpar diversas estantes, assim as de História, Sociologia, Filosofia, etc E já havia reservado diversas preciosidades quando numa pilha afastada e composta por obras sem capa, despedaçadas, sujas, etc deparei com um oitavo, cuja encadernação, por ser antiga e bela, chamou-me a atenção. Tratava-se de uma alentada publicação francesa, coisa dumas novecentas páginas, cujo título 'Pendant la guerre' vinha numa lombada pessimamente conservada. Bastante incrédulo folheei e percebi que se tratava duma coletânea - De cinco volumes. - de Sermões, pronunciados no Oratório de Saint-Honoré, pelos principais membros do clero protestante francês> Wilfred Monod, Charles Wagner, Henri Monnier e Jean Viénot dentre outros, e todos tratando da mesma temática: A primeira grande guerra mundial, então no auge.

A edição é de Fischbacher, Paris e as brochuras datadas todas elas de 1915.

Interessado folheei e li, com bastante atenção um dos Sermões pronunciados por Monnier 'Devant L'avenir'. Surpreendido com o conteúdo levantei a bibliografia desse pastor, falecido em 1941, e dentre as diversas obras citadas deparei com o seguinte título 'O deus alemão e a reforma protestante.'. Durante a infrutífera tentativa de localizar e examinar tão curiosa obra, dei com a de Goyau, pelo simples fato deste aludir a Monnier.

Já conhecia esse filão. 

Porém como meus estudos concentram-se nas áreas de Civilizações orientais, Civilizações clássicas, Literatura clássica, Filosofia clássica, Patrística, etc jamais havia reservado mínimo tempo para examinar tais obras mais de perto. Tendo a coleção da Fishbacher - Porque paguei míseros trinta reais (Está cotada em mais de mil reais!) - em mãos aproveitei e li, em um dia, a de Goyau.

Não é ocioso registrar que li, há algum tempo, as Atas dos julgamentos de Nuremberg editadas pela Ediouro.

Todas essas leituras transportaram-me a mente ao tempo em que não passava de um jovem adolescente, frustrado, desapontado, confuso e aspirando conhecer mais a História do protestantismo, fé ancestral em que fora criado... A bem da verdade eu jamais simpatizará com essa fé. No entanto, apesar de meu criticismo 'diabólico' resolverá dar ao menos uma chance a velha crença...

Para tanto, como é sabido, aprendi espanhol, italiano, francês e inglês - E devorei imensa quantidade de publicações de diversa lavra: Papistas, protestantes, espíritas, liberais, comunistas, fascistas, anarquistas, ateístas, etc

Nem preciso dizer que após ter passado por tão denso cipoal, dele saí completamente incrédulo e sem pingo de fé.

Após minha conversão a igreja romana, adquiri os nove volumes das Obras seletas de Lutero em espanhol...

Eis porque, ao chegar a Faculdade de História, na qual obtive Bacharelado e Licenciatura, tinha a opinião consolidada: Ao contrário do que me haviam dito os professores do ensino médio e essas porqueiras chamadas livros didáticos, o protestantismo me parecia, sob diversos aspectos, mais insidioso do que a Igreja romana ou a Igreja antiga (Católica Ortodoxa.). 

Costumo dizer e repetir ainda hoje que caso o Lachatrê - O qual escreveu uma alentada Enciclopédia sobre os crimes cometidos pelos papas romanos - quisesse poderia ter escrito uma Enciclopédia muito maior sobre os crimes cometidos pelos 'deformadores' protestantes e seus colaboradores, inclusive sem demasiado esforço, tal a fartura do material disponível.

Os comunistas, anarquistas e nazistas centraram suas baterias na igreja das sete colinas apenas porque nada temem das seitazinhas protestantes... O que por sinal pode ser um erro terrível... Mesmo velha e caduca (Após o Vaticano II) a igreja papalina ainda é bastante forte, e assusta. 

Uma coisa no entanto é absolutamente certa - E apenas ela explica o desencanto experimentado por tantos e tantos protestantes instruídos > Se Roma é de fato ruim, o protestantismo é muitíssimo pior. 

Leitura após leitura tenho constatado isso, e já a cabo de quase trinta anos.

Por isso sua derradeira e rematada expressão de politicagem barata - O Bolsonarismo, não me surpreende. 

Mesmo quando sabemos que parte do lixo carismático, a exemplo de parte dos papistas alemães durante a primeira e a segunda grande guerra, apoiou o tirano assassino, é fato estabelecido e indiscutível que o grosso de seus apoiantes - Inclusive dos golpistas que depredaram nosso patrimônio bem como dos militares e policiais omissos! - eram fundamentalistas bíblicos... Com a velha mentalidade teocrática, outra face de qualquer imperialismo político.

Ora isso não é coincidência ou fruto do acaso, mas uma espécie de Karma histórico ou de samsara acionada por João Calvino e que até hoje não tem cessado de girar e de esmagar, e de espatifar e de aniquilar milhões de seres humanos! 

Mesmo quando admitamos que ao menos parte daqueles que abraçaram e apoiaram a reforma protestante aspiravam por um retorno a puridade do Evangelho de Cristo, não há como negar que o próprio Lutero teve de pagar tributo político aos poderosos e que para escapar ao Papa romano caiu nas mãos dos príncipes alemães... Temo que a emenda tenha saído pior do que o soneto...

Quanto aos príncipes, caso num primeiro momento tenham crido, apressaram-se logo em despojar a igreja velha de suas riquezas multi seculares, para em seguida gasta-lo com torneios, orgias e guerras, principalmente guerras... Quanto ao bom povo, como frisam os socialistas, sequer viu umas migalhinhas. Tornando-se sua condição, inclusive, mais servil - O que servirá. inclusive, para formar a mentalidade bisonha e servil do alemão médio que partiu para Sadowa, Sedan e os campos das duas grandes guerras.

Lutero era de Paulo e Paulinista, portanto estatólatra de marca maior e partidário da opressão - Bastando ler seu livro Contra as hordas bárbaras de camponeses para ter ânsias de vómito. E esse Lutero pançudo, que tanto nos impressionava na juventude, é de fato uma florzinha, e sequer chegamos ao sisudo Calvino, o mentor intelectual de tudo e mestre dos matadores!

Em breve passarão nossos auto intitulados 'evangélicos' de Jesus ou de Paulo ao antigo testamento sob o brado de 'Toda bíblia' ou 'A bíblia toda', o qual, desgraçadamente ainda ecoa por aí - Pois o Bolsonarismo é eco seu!

Quando chegaram esses neo Cristãos ao antigo testamento, colocando-o em pé de igualdade com o nosso Evangelho ou mesmo acima dele consumou-se a desgraça. 

A grande prova disso é que mesmo os meigos luteranos, herdeiros desse Lutero por vezes tão tradicional e vanguardista, ao passo das gerações transformaram-se em autênticas bestas feras. 

Explico - Antes de concluírem por essa aberração sinistra que é a superioridade racial ou ariana, haviam eles (Guiados por uma leitura calvinista ou fundamentalista do Antigo testamento!! - Marquem isso!!!) chegado a crer que haviam sido predestinados para reformar o Cristianismo ou predestinados para receber o dom divino do luteranismo. Passado algum tempo concluíram os pastores luteranos que os alemães haviam recebido a dádiva da Reforma porque dentre todos os homens eram certamente os melhores, porque eram superiores... Linguagem que tornou-se recorrente nos púlpitos luterânicos, e que repercutia mais e mais no coração do homem médio ou comum...

Ainda me recordo de como outro George - Santayana traçou essa evolução, a que certa fé ou religião, pretensamente superior não é nem um pouco indiferente.

Pois quando essa religião puramente subjetiva principiou a declinar, cedendo passo ao positivismo cientificista ou ao comunismo ateu, parte significativa dos homens comuns, de espiritualmente superiores, passaram a crer que eram racialmente superiores. Por uma passe de mágica o espiritual cedeu espaço ao biológico... Quanto ao luteranismo, de modo geral servil e submisso ao Estado, apresentou-se ele mesmo como a outra face do pan germanismo e consequentemente do odinismo crasso, porquanto o próprio conceito de Deus fora esvaziado e preenchido uma dúzia de vezes - Ainda aqui com o beneplácito dos pastores luteranos! 

Vejamos agora com que palavras o luterano F X Foerster descreve tal quadro: 'Esse novo Império nasceu do espírito pagão, de um individualismo totalmente nacional e egoísta, a primeira posse da humanidade após a Renascença, o qual encontrou em Bismarck seu construtor mais genial e consequente, o qual deveria chegar fatalmente a uma catástrofe. E por que... Como sói tudo quanto o mundo aspira e constrói contra o espírito da verdade Cristã!" Goyau opus cit pp 756

Excelentes as iniciativas do papista Goyau e do protestante Monnier, os quais deram voz - Na França e no mundo! - a tais pastores, núncios do pan germanismo e do odinismo!

E no entanto a voz de um Streicher clamou até 1946 - Apontando para Lutero como o responsável por cada um desses transtornos. Serei generoso: Absolvo Lutero, não os luteranos degenerados ou o protestantismo. Lutero limitou-se a impulsionar ou a acionar um movimento cujo mais extremo fim não lhe era dado divisar... O protestantismo no entanto por suas consequências políticas, mostrou ser uma calamidade - Enquanto vetor ideológico de tantas e tantas guerras, batalhas e conflitos, a ponto de despejar um oceano ou dilúvio de sangue sobre a terra.

Natural que hajam guerras. Bizarro que a religião as deflagre. Monstruoso que a fé tire qualquer benefício ou proveito dela. 

Não tenho dificuldade alguma para no âmbito da política secular ou da profanidade, concordar com Sorel e admitir que a violência possa servir como meio a uma causa justa, o que alias foi antecipado por Agostinho, aqui acertadamente. Não é o caso de condenar a violência de modo absoluto - Não somos maniqueus! Outro o caso, totalmente distinto, da religião apelar a violência ou estimular a agressão com objetivos religiosos ou espirituais. Aqui temos a lição suficientemente clara do Evangelho, percebida dentre outros por um Bossuet (Nas Lições de política ao príncipe!): Quanto a questão das guerras nos devemos guiar pela luz do Evangelho e não pela lei dos judeus...

Outro o caso do protestantismo, cuja degradação foi dupla; uma vez que adulterou tanto a condição natural < Igualitária >
 dos seres humanos - Postulando (Com Calvino, aluno de Agostinho.) uma eleição espiritual restrita e particular, a exemplo da que reivindicavam os antigos hebreus! - quanto o caráter paternal, amoroso e benevolente da divindade.

Por um lado o protestantismo, com Calvino e o calvinismo (Cuja influência estendeu-se por todas as seitas, mesmo pela luterana!) estabeleceu um grupo de fiéis 'superior', os eleitos ou predestinados e um grupo de pessoas inferiores, os réprobos. Nos termos que tanto apreciam, os calvínicolas introduziram no jardim do Evangelho a distinção entre 'israelitas espirituais' e cananeus, ferezeus, amorreus, filisteus, etc 'espirituais': Os romanistas, os franceses, os índios norte americanos, o negros da África do Sul, os comunistas, etc pois o calvinismo sempre precisa de alguém ou melhor de algum grupo para demonizar e oprimir...

Como já foi dito, ao cabo de séculos os luteranos alemães e mesmo parte dos episcopais ingleses assimilaram tais conceitos, já porque massageiam o ego, já porque podem entrar como parte do enredo político e econômico, exatamente como as Varnas na Índia. E um aspecto curioso, tristemente curioso por sinal, deste processo é que na Alemanha Luterana os 'eleitos' espirituais ou da fé acabaram por voltar-se contra os pretensos eleitos originais i é, o povo judeu, o qual, sem ter relação com tudo isso, foi sacrificado - E o cutelo de sacrifício dos judeus outro não foi que o livre exame de Lutero e Calvino, por meio do qual o pretenso eleito original é substituído por um eleito espúrio, o qual no entanto, para reforçar sua posição, deve eliminar o eleito original...

No entanto ficaria a transformação do homem incompleta ou incompleto o sistema caso o Pai de Amor e bondade do nosso Evangelho não ceda espaço ao deus predestinador da Tanak ou da Torá, o terrível javé, parente próximo de Assur, Alla e Odin ou Wotan... 

Sendo assim, na medida em que o conceito de inspiração funcional é substituído pelo conceito de inspiração plenário/Linear... E que o conceito de Evangelho é substituído pelo conceito de bíblia unitária (Ou Corão 'cristão') a figura daquele Ser benevolente a que chamamos Jesus de Nazaré é paulatinamente substituída pela figura do velho rancoroso, vingativo e cruel javé - Senhor das guerras, lapidando o conceito monstruoso de uma jihad Cristã, no sentido de que pode a religião agredir ou atacar seus oponentes.

Aqui nada semelhante ao conceito medieval de cruzada, pautado no conceito de guerra justa ou defesa/resposta face a uma Jihad ou ataque que partiu do islã. 

Trata-se aqui da instituição Cristã tomar a iniciativa de atacar (E atacar em sua acepção primária ou literal: Fisicamente!) com propósitos religiosos ou espirituais - Algo totalmente estranho ao Evangelho, ao novo testamento ou na Tradição Cristã mas assente no antigo testamento ou na religião judaica, bem como no islamismo.

O protestantismo a partir do Calvinismo e de sucessivas transformações produzidas pelo conceito de bíblia unitária e livre exame 'cria' por assim dizer esse novo conteúdo agressivo e a partir dele dá suporte a uma série de eventos catastróficos que se prolongam até nossos dias com imenso saldo de mortes e sofrimento. 

Principiou esse quadro sinistro com a própria reforma quando particularmente na tentou suprimir a religião antiga na França ou quando logrou suprimi-la na Suíça e na Escócia. Para não mencionarmos certas paragens da Alemanha ou na Inglaterra Eduardina. O recurso a violência começou aí... Enquanto o Cristianismo primitivo iniciou sua marcha por meio do martírio. O protestantismo, guiado pelo antigo testamento, faz o caminho inverso - O da Jihad!

A partir daí a sangria protestante não para mais.

Pois temos a guerra dos trinta anos. A Revolução Inglesa. Os infames ataques a Irlanda por parte de O Cromwell. O Sonderbund em 1848. Sadowa. Sedan. A erradicação dos índios Norte Americanos pelo 'faroeste', a criação da KKK, as duas grandes guerras mundiais, o Apartheid, etc 

Aqui os cananeus são os irlandeses, ali os ferreseus são os franceses, austríacos ou belgas, mais adiante os índios são os filisteus e os negros do Sul da África os assírios, enquanto que eles, os protestantes - Calvinistas ou luteranos calvinizados com suas bíblias nas mãos - são sempre os predestinados, superiores, portadores das luzes e da civilização... 

Seja qual for o conflito o pano de fundo é sempre o mesmo: Os eleitos ou predestinados combatendo os réprobos ou 'inimigos de deus'... O inimigo aqui e acolá, muda de face ou nome. O herói ou mocinho é sempre o mesmo: O homem da bíblia com sua espada ou trabuco nas mãos a levar o novo e estranho evangelho...

Quiçá você, amigo leitor, não tome a sério minhas palavras ou creia que estou exagerando. 

Resta dizer-me que durante a primeira grande guerra o Kaiser Alemão Guilherme II (+1941) convocou todos os protestantes do mundo para associarem-se ao Império Evangélico alemão em sua cruzada contra a França papista e a Inglaterra liberal e semi Cristã...

Daí o título de uma obra publicada pelo pastor protestante francês Jean Viénot em 1915
  • Réponse à l’appel allemand aux chrétiens évangéliques de l’étranger, Paris

Como se pode ver o título acima já diz tudo -

A obra de Goyau tem o mérito de mostrar ao grande público o impacto causado por tal processo no seio do luteranismo - O qual, como já disse, é uma forma mais amena e civilizada de protestantismo. - alemão. 

Com que tato logrou ele, apesar de papista, vincular essa catástrofe ao vício protestante de priorizar a leitura do Antigo Testamento e desconecta-la do Evangelho e consequentemente de Jesus Cristo, provendo-a de uma autonomia que não tem e jamais poderia ter num contexto Cristão. 

Com que tato não diagnosticou G G a enfermidade de que padece o protestantismo e sua causa: A judaização e a leitura despreparada e irresponsável do antigo testamento sob a alcunha de bíblia. E só poderia ter sido mais exato caso aponta-se a crença na inspiração plenária/linear como sendo a grande responsável por tal calamidade. Caso tivesse identificado o conceito de bíblia unitária ou 'corão cristão' como o pivô sua abordagem teria sido absolutamente perfeita. 

Pois na medida em que Cristo, nosso Bom Jesus, cede passo ao javé guerreiro, vai-se abrindo - Ao menos na Alemanha Luterana - o caminho até o 'primo' Odin ou Wothan, deus guerreiro ou belicoso e ao odinismo i é a ideia de que a guerra é um bem desejável ou mesmo querido por Deus. O que corresponde a um recuo do conceito de Lei natural ou de racionalidade, ao padrão da força defendido já por Trasímaco, na República, como pelo próprio Nietzsche, filho e neto de pastores luteranos, no contexto por nós indicado. Ora o próprio Nietzsche não escondia sua admiração pelo teor violento do antigo testamento, face ao teor benevolente do Evangelho, o qual para ela equivalia a indignidade e fraqueza.

Há 1.500 anos aproximadamente, um Bispo alemão, Wulfilas, ariano, parece ter antevisto tais possibilidades. Pois aos que lhe perguntavam porque não traduzirá os livros dos Reis e das Crônicas ao gótico, respondeu que caso seus Alemães lessem ou ouvissem tais relatos de guerras e morticínios jamais abandonariam seus costumes bárbaros e odinistas - Profundo esse Wulfilas não... (E hoje entregamos traduções desses livros grosseiros a qualquer analfabeto tarado...)

Resta-me dizer que o antigo testamento é muito maior ou mais amplo que o Novo testamento, de que Nosso Evangelho - O livro dos Cristãos!!! - é parte. Que resultará caso tudo misturemos e confundamos numa só amalgama... O Evangelho se diluíra como uma gota de mel num barril de fel... O Cristo será perdido de vista e confundido com uma multidão de homens vulgares... A Lei do amor será perdida de vista e - O Cristianismo reverterá a judaísmo antigo (Antigo - Quem tem ouvidos para ouvir ouça!!!), os odres rebentarão, o vinho se perderá... e esses odres rasgados é Calvinismo, não Cristianismo.

O luteranismo, por diversas vias, assimilou isso e o resultado dessa assimilação, mesmo quando secularizado ou ao menos em parte secularizado, resultou em duas tremendas grandes guerras - 

Certo é que como dizem os Comunistas, o fator econômico também ali estava presente, em contato com o religioso ou ideal, e interagindo com ele. Agora o que não podemos fazer é ocultar ou ignorar o elemento religioso, mesmo quando certas formas religiosas limitaram-se a encobrir interesses políticos e econômicos, como que a sanciona-los socialmente. Ainda aqui, enquanto usado pelo poder secular, deve o elemento religioso ser questionado. Mormente quando um século depois o protestantismo continua a acusar hipocritamente a tudo e a todos - Em especial a igreja romana. - e a desfilar como herói diante da plebe inculta e analfabeta. 




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

É Bolsonaro fascista?

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Faltando exatos vinte dias para as eleições presidenciais do segundo turno depara-mo-nos com diversas publicações em que o sr Jair Messias Bolsonaro, candidato do PSL, é apresentado como fascista, o que é repudiado tanto por parte de seus apoiantes como pelos fascistas em sua maior parte.

É que de modo geral, os brasileiros identificam os fascismo com o autoritarismo. A dar tal identificação por certa os Comunistas, que são igualmente totalitários - devido a doutrina da ditadura do proletariado e sua forma partidária - seriam fascistas e mais ainda dos fundamentalistas religiosos ou teocráticos, dos quais o Congresso Nacional converteu-se em província. A análise é superficial e injuriosa para com os autênticos fascistas, doutrinários, com os quais convivo e dialogo, em que pese minhas opiniões diametralmente opostas (sou pela democracia direta ou policracia).

O autoritarismo corresponde a um fenômeno psicológico e decorre das relações familiares estabelecidas durante a infância e de condições como a insegurança. Prescinde portanto de qualquer aparato teórico ou doutrinal, o Fascismo não, é um sistema doutrinário com pretensões intelectuais e, em que pese seus vícios, com uma excelente compreensão face ao problema da cultura. Bem definido não será de modo algum racista, mas culturalista, na medida em que a afirma a superioridade de uma dada cultura ou a identificação de um povo com determinada cultura.

Não entrarei em detalhes a respeito da doutrina Fascista uma vez que cada qual pode bem ir ao Bobbio. Mas é fato que no Brasil a doutrina fascista é muito pouco divulgada e conhecida, daí o número reduzido de seus partidários no pais. E a identificação apressada do autoritarismo ou do militarismo com o fascismo, pois também há entre nós um militarismo intuitivo e tosco, legado pela tradição. Mas nada disto é fascismo e dar o sr Bolsonaro por fascista seria de algum modo afirmar-lhe a intelectualidade, predicado a que não faz jus.

Bolsonaro mesmo disse nada saber a respeito de economia e temo que seus conhecimentos sejam ainda mais rasos no plano da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia, da Doutrina política e de outros ramos do conhecimento que deve ter em conta de subversivos e ameaçadores. Portanto é seu autoritarismo um autoritarismo bronco...

Então que será ele?

Se ao autoritarismo bronco adicionarmos a fixação por armamentos, a apoio a tortura e a pena capital e sobretudo o racismo, chegamos facilmente a outra definição, ao Nazismo. Seria Bolsonaro um Nazista?

Tudo quanto posso dizer a respeito é que a doutrina nazista é infinitamente mais pobre que a Fascista, ignorando por completo os elementos da cultura e estabelecendo uma metafísica barata em termos de raça, pelo que se chega ao endeusamento da mítica raça ariana associado ao odinismo que é um apelo ainda mais insistente a força, a agressão, a violência...

De fato a doutrina de Hitler peca pela  miséria intelectual, a ponto de qualquer energũmeno poder ler o 'Mein Kampf' e professar a doutrina. Pois ela pouco ultrapassa o preconceito intuitivo e limita-se a tempera-lo com lendas e outras frioleiras. Qualquer retardado dá bom nazista e os testes de QI realizados em Nuremberg patenteiam-no...

Seja como for a mentalidade de Bolsonaro, a pesar quilombolas em arroba quais fossem peças de carne ou a declarar que seus filhos, bem educados, jamais namorariam moças negras, é tipicamente racista e portanto nazista. Caso consideremos os elementos odinistas de sua pregação, especialmente a sansão a tortura temos ai um novo Mengele, o Mengele dos trópicos. Nada mais que um Nazista ordinário ou medíocre.

E este nazista, que defende o armamento ostensivo, a tortura e a pena capital como soluções mágicas para nossos problemas sociais, conta com o apoio decidido de um vultoso número de Cristãos, majoritariamente protestantes é claro, mas também Católicos o que é ainda mais vergonhoso se temos em mente ou diante dos olhos o que os Católicos alemães tiveram de sofrer nas mãos dos nazistas. Pe Kentenich que o diga! Foram milhares de sacerdotes enviados a Dachau por questões de consciência i é por oposição ao Nazismo. A Igreja romana não sofreu pouco sob a dominação nazi mas pagou por não te-la travado quando podia.

Alias o discurso com que o matreiro Hitler seduziu e fisgou os Católicos ingênuos é o mesmo editado em nossos dias: O perigo do 'Comunismo' rsrsrsrs antes de tudo (Os pastores protestantes continuam reeditando estes discurso) e em seguida o moralismo ou puritanismo social. Assim questões tão delicadas quando divórcio, aborto e eutanásia... E os Católicos ingênuos ficaram encantados com a alta moralidade da Besta, e se venderam a ela... Alguns anos depois Faulhaber, Von Gallen e outros tantos tinha suas janelas apedrejadas, suas igrejas e mosteiros pilhados pelos partidários da moral e dos bons costumes. A Igreja e seus filhos conheceram o inferno e a porta foi o moralismo tosco, que os Católicos deveriam fixar em suas vidas e não num cenário político democrático ou laico marcado pela laicidade.

Tristemente os maus Católicos do Brasil de hoje mostram-se presos as mesmas ilusões de impor sua moralidade num contexto político laico, ao invés de limitarem-se a vive-la em suas vidas. Karl Rahner disse já há muito tempo a seus confrades: Inspirem a ação política ou esvaziem-na mas não tente controla-la. Bem os moralistas Católicos eram, são e sempre serão minoria no Brasil. Então para impor algo são obrigados a aproximar-se de outros grupos e negociar. Hoje cometem seu supremo erro, aproximando-se por via do ecumenismo, dos protestantes, pentecostais, calvinistas ou bíblicos, supremos adversários de sua fé. Os Católicos negociam a fé dos ancestrais, trocam-na por moralidades ou pelo puritanismo, exatamente como os protestantes desejavam que fizessem...

Hoje sobretudo, fazem uma política protestante, Que tende a assumir feições norte americanas, e assim nossa cultura é traída, pelo Bolsonaro é claro, uma vez que adota princípios e valores anglo saxônicos e norte americanos, e pelos pseudo Católicos que vão de carona, reforçando esta tendência absurda. No decorrer deste processo os Católicos vão mais e mais perdendo consciência quanto a especificidade de sua fé, a qual vai se diluindo, até que são engolidos pela outra fé ou cooptados. Alias quando a fé Católica perde noção dos mistérios e converte-se em moralismo banal ou puritanismo o Catolicismo esta morto, e o protestantismo calvinista vitorioso.

Tentando recuperar uma ilusão política de poder moral a igreja vende seu supremo tesouro - a fé...

Depois surgem as consequências. Como a perseguição nazi...

A conclusão é simples: Entre Catolicismo e nazismo não pode haver composição, são inimigos naturais e inconciliáveis. Nem pode a fé Cristã deixar-se contaminar por discursos políticos estruturalistas ou formalistas e ignorar que o conteúdo do nazismo é o mal supremo. A estrutura democrática conhece problemas e os socialismos naturalistas limitações, seja. O nazismo porém é a porta do inferno. Não queiram comparar problemas de democracia ou os defeitos do socialismo com racismo e tortura.

Não podemos sequer nos omitir face a abominação nazista. Todos terão de responder por sua conduta face ao nazismo perante o tribunal sagrado de Jesus Cristo, o qual nos perguntará: Que fizeste de teu irmão? Não devemos esperar o negro, o indígena, o homossexual, o dissidente político, etc ser levado ao cadafalso... pois o cadafalso chegará até nós mesmos. Por isso reforcemos a corrente do amor e do bem contra tantos quantos assumem tais valores corrompidos.

Afinal não é o nazismo uma doutrina com que se posse brincar distraidamente, é a negação dos direitos essenciais da pessoa humana, o repúdio a igualdade, a restrição arbitrária das liberdades, a negação da justiça, etc E observe que desta vez ele não vem só mas de braços dados com o liberalismo econômico ou com a servidão capitalista, um dualismo perverso que levará a extinção dos direitos do trabalhador, extinção com que acenou Mourão, vice de Bolsonaro, pronunciando-se contra as férias e o décimo terceiro salário, assim contra o regime específico do funcionário público; e a afirmação da reforma da previdência. Veja então leitor que eles conseguiram unir o inútil ao desagradável - os vícios horrendos e abomináveis do Nazismo aos vícios monstruosos do Capitalismo. Eis a obra acabada e perfeita do anti Cristo.

Portanto, como Cristão consciente jamais vota em nazista, repitamos como um só homem: Doutrina social SIM, Bolsonaro NÃO!!!

terça-feira, 17 de julho de 2018

A indecisão da Igreja face ao Nazismo e a pregação anti comunista

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QUEM COMEÇOU A FAZER ISTO E AINDA FAZ PELO BRASIL AFORA É O PROTESTANTISMO!!!





Algumas pessoas, decerto, acusam-nos de ser coniventes ou mansos face a igreja romana. Jamais o fomos, e quem nos conhece pessoalmente sabe muito bem disto. Não somos romanos ou papistas - Como Georges Sorel, A Comte, Ch Maurras e outros tantos, não temos temos fé na igreja romana ou papólica e tampouco morremos de amor - de modo geral - pelo papado ou pelo alto clero desta igreja. Censuramos a igreja romana por - Durante o concílio de Trento - ter acalentado o veneno agostiniano, nos opomos a assimilação da crítica puritana iniciada pela falsa reforma, abominamos os 'affaires' políticos do Vaticano ou o poder temporal dos papas, criticamos a judaização ou adesão aos mitos e fábulas do antigo testamento, reprochamos as reformas litúrgicas do Vaticano II e acima de tudo vemos com maus olhos a solução ecumênica, de que resulta a protestantização e a queda dos ideais desta comunhão, ora miserável ou desprezível.

Os neo Católicos que nos perdoem, não desejamos ofende-los. Mas temos de dizer sempre a verdade, quer agrade ou desagrade; não importa.

Então que significam nossos sucessivos e repetidos elogios a igreja romana ou ao Catolicismo de modo geral, ou ainda ao Cristianismo Católico que tanto desconsertam nossos amigos ateus e materialistas, agnósticos e deístas que conhecem nossos trabalhos e admiram nossa atividade???

Antes de tudo devo dizer que tais elogios tem uma conotação História, estão dirigidos ou voltados ao passado, ao Catolicismo antigo, anterior ao Vaticano II ou mesmo ao Vaticano I, ainda a Trento. Nosso Catolicismo é o Catolicismo anterior a 1570, o Catolicismo 'imoral' ou moralmente liberal da Idade Média, ou o Catolicismo resistente, da contra reforma irredutível, da Liga Francesa...

Admiramos diversos elementos que o Catolicismo originalmente possuía, alguns dos quais foram conservados e mantidos até o Vaticano II. Assim a doutrina social da Igreja. Assim o esplendor litúrgico. Assim o espírito franciscano. Assim a resistência sócio/cultural ao Islã. Assim o sentido de totalidade ou de lei Cristã, etc, etc, etc Como admiramos o que há de espírito Católico nos neo Católicos em especial na gente simples, e que leva-a a resistir a contaminação protestante em nome da tradição ancestral. Admiro certos elementos estéticos presentes no tradicionalismo, assim a luta pela Missa antiga, eu a aplaudo... Como admiro certos elementos presentes na Teologia da libertação, como o sentido da justiça... Lamento que todos estes elementos se tenham desagregado e se convertido em posse de correntes e seitas extremistas após o Vaticano II, como deploro e lamento essa infiltração protestante, pentecostal e fundamentalista, chamada RCC, a qual me levou a ruptura com a igreja romana...

Eu sou simpático a cultura Católica, no Ocidente identificada com o papismo e com o alto anglicanismo, por encara-la como uma espécie de continuidade, em termos de cultura clássica ou greco romana. Em termos de espírito socrático/humanista. Em termos de ética platônica. Em termos de epistemologia Aristotélica... Admiro a igreja romana por ter promovido a teologia escolástica, da qual resultou o Renascimento filosófico. Admiro a igreja romana por ter, de modo geral, sustentado a causa da razão face aos delírios do agostinianismo. Tenho motivos de sobra para admirar a velha e decadente igreja romana pelo que realizou no passado.

Quando comparo as colonizações Norte e Latino Americana, e constato, com Toynbee, o que aconteceu com nossos índios - devido aos esforços de Francisco Vitória e do Colóquio de Valadollid - e o que aconteceu com os peles vermelhas (Onde estão os peles vermelhas???). Quando comparo o rigor da escravidão Norte americana e calvinista, com a escrvidão de cá, promovida pelos países latinos e Católicos. Não posso deixar de sentir certa simpatia pela igreja romana, a qual mesmo quando comete seus erros e crimes é bem mais amena do que a igreja rival. Há sem dúvida um conteúdo de humanidade ou humanismo nos filhos da igreja romana, sempre que, com justiça, compara-mo-los com os filhos da reforma protestante, e quase sempre é esta minha perspectiva, pelo simples fato de ter nascido protestante e de ser um ex protestante.

Por onde se ve que não aprendi 'mentiras com os padres' e que tampouco fui 'envenenado pelos torpes jesuítas'. De modo algum. Nasci calvinista, inserido numa tradição que até hoje respira ódio a igreja 'paganizada' de Roma, aspirando destrui-la. E lá estaria até hoje caso não principiasse a questionar as críticas hipócritas que os pastores dirigiam a igreja mais velha. Pois como vim a saber - após aprender espanhol, italiano, francês e inglês - também o protestantismo teve sua inquisição - a qual matou muita, mas muita gente - seus autos de fé, como o de Salém; suas explosões de violência face aos descobrimentos científicos, etc Bem eu tive de ler diversos autores antigos e recentes - muitos dos quais eram judeus, ateus, materialistas, ex protestantes, etc - para descobrir tudo isto e persuadir-me de que com todos os seus vícios e defeitos a igreja romana havia sido muito menos nefasta que sua jovem cria, a reforma protestante.

E quanto mais tenho estudado mais tenho corroborado o que por mim mesmo, com ingente esforço, descobri.

Basta dizer que a igreja romana foi muito mais heroica e resistente face a culturas de morte como o liberalismo econômico ou capitalismo, o anarco individualismo e o nazismo. O protestantismo, enquanto sistema individualista que é, colaborou com o capitalismo desde o princípio, impulsionando, inclusive o acúmulo primitivo de capital. Afinal as riquezas tomadas a igreja antiga, jamais foram repartidas com o 'Bom povo' tornando-se posse dos governantes, nobres, bem nascidos e ricaços!!! Que fez a bela reforma, tendo em vista conquistar apoio político contra o Vaticano? Entregou os bens da igreja antiga - inclusive os que serviam para aliviar a miséria dos campônios mais humildes - aos poderosos... Como se chama isto??? Compra! Oportunista até nisto a reforma protestante nasceu comprando apoio aos ricos e poderosos... E por isso Lutero, que havia apregoado reformas apenas quanto a fé, é o primeiro a reprimir, em nome de seu deus, a aspiração dos camponeses por uma reforma mais cristã e mais concreta. E como a autoridade é dada por deus, os camponeses oprimidos pelos senhores convertem-se em demônios e diabos, são postos a caça e perecem em número de 25.000. Lutero assume a culpa por todas estas mortes, e solifideista que era, clama pelo sangue de Cristo, declarando-se puro, remido e lavado no dia seguinte...

A direção ou movimento futuro, nos domínios de um calvinismo cada vez mais sabotado pela incredulidade, é descrita por Weber como uma paulatina substituição das preocupações religiosas ou teológicas por preocupações financeiras. Além disso a redução da dimensão da vida religiosa pelo protestantismo só podia resultar na absorção, de parte desta vida, por objetivos ou atividades econômicas. E todo aquele capital acumulado ao invés de ser investido em boas obras, destinadas a promover a criatura viva, é investido em técnicas e depois em capitais ociosos... A marmelada esta pronta e o protestantismo foi o mestre cuca.

Quanto a colaboração com o Nazismo, recomendo ao leitor a leitura dos artigos precedentes.

A igreja romana - Se foi substituída por uma outra, mais 'aberta' ou colaboracionista - é porque foi mais heroica e resistente... Se foi mais combatida pelo nazismo... Se foi mais odiada pelos anarco individualistas... O protestantismo é no mínimo frágil face as culturas de morte que assolam nossa civilização, muitas das quais tiveram nele seu ponto de partida. Há afinidades eletivas aqui...

E no entanto, eis o puxão de orelha, reconhecemos que a igreja romana não resistiu ao máximo ou não resistiu o quanto deveria face a abominação nazista. E por que??? Temos de saber o pôrque!!!

Que foi que iludiu a igreja e impediu-a de cumprir seu papel sufocando o Hitlerismo no berço como enfrentara Bismarck em 1874???

Aqui a História se faz interessante como a trama de um pano ou de um tecido.

Por questões que não nos vem ao caso, em 1870, Bismarck estabeleceu, na recém unificada Alemanha, o sufrágio universal. Bismarck era uma raposa e tinha planos que não nos vem ao caso. Para tanto devia eliminar um adversário poderoso e secular. Refiro-me a igreja romana, chefiada pelo autocrático Pio IX. Contava esta comunhão, pelos idos de 1875, com cerca de 28% de fiéis na Alemanha e no Sul, na Bavária e nas margens do Reno, o percentual de papistas chegava a 60 ou mesmo a 85%. Sim, aquilo era um problema, pois os papistas, como sempre, viviam fazendo restrições de consciência a propósito de cada coisa - Havia dentre eles quem condenasse o aborto, o divórcio, a pena capital, a maçonaria, a agressão a outras nações (odinismo), etc, etc, etc Bismarck queria um povo obediente ou adestrado, como os camponeses protestantes, resultado de um dos sistemas feudais mais opressivos. Aqueles luteranos é que eram disciplinados e mesmo quando passavam ao ambiente urbano convertiam-se em operários disciplinados e dóceis soldados. Os malditos Católicos, como os antigos socráticos e filósofos eram dados da festejos, bebiam, dançavam e não apreciavam obedecer, ao menos tanto quanto os 'verdadeiros alemães', orgulhosos quando a sua própria servidão face a um estado quase divino (Hegel).

É 1874 e o chanceler de aço esta decidido a quebrar a espinha dos ultramontanos ou Católicos. Para ele, Bismarck, com suas escolas, jornais, cooperativas, etc os papistas formavam um estado dentro do estado e eram animados por outro espírito ou outra cultura (Bons tempos aqueles?). É necessário lutar por esta cultura alemã e protestante, construída em termos de obediência mecânica ou cega, militarismo, odinismo e expansionismo. Mais além esta a Áustria, uma nação de lingua e sangue alemães, que permanece atrelada ao papado e precisa ser 'libertada'... Por enquanto a Baviera católica servira de laboratório a Kulturkampf ou luta pela cultura. Destarte o Bundstag emite uma séria de medidas restritivas destinadas a humilhar e abater os Católicos. Mas ali esta de atalaia um pastor exemplar - Von Keteller, quiçá o mais ilustre Bispo alemão do século XIX. Von Keteller havia presidido o sínodo de Magúncia em 1848 e posto a questão trabalhista ou operária em termos de Justiça, criando um marco nos domínios do Catolicismo. Opos-se ainda a canonização da doutrina da Infalibilidade papal em 1870. Foi procurado pelo grande F Lassalle, pouco antes deste ter sido assassinado...

Von Keteller dirigiu a resistência dos Católicos alemães a ponto do velho chanceler luterano não conseguir dobra-lo como esperava. Os dias iam se passando e os Católicos ameaçavam não pagar os impostos... enquanto sua bancada mobilizava-se no Parlamento. Bismarck havia jurado não ir a Canossa sob qualquer pretexto i é não negociar com os súditos Católicos... Entrementes realiza-se a eleição de 1875, e no auge da crise os socialistas não só formam partido como elegem Bebel e enviam-no ao Parlamento. Mau prenúncio, Bismarck volta sua atenção ao novo partido, e como não pode suster duas frentes de luta, vai a Canossa ou seja, suspende as leis anti Católicas e pede perdão. Fora sua única derrota. E ele havia vencido austríacos e franceses!

Bismarck era, como dissemos, uma raposa; e como tal tinha vistas largas. Sabia o que esperar do 'maldito' partido operário e precisava revidar de algum modo, atalhando-o. É 1878, Bismarck convoca o Bunstag a votar diversas leis contra a social democracia, restringindo sua liberdade de ação. Precisa do apoio da bancada Católica e parte dela, esquecida do que acontecera alguns anos antes, colabora... E abraça o discurso anti comunista elaborado por um luterano obstinado, que até 1875, fora perseguidor da igreja! E o erro começou aqui!

Escusado dizer que cerca de 1890 as leis bismarckianas foram suspensas, podendo a social democracia alemã organizar-se e reorganizar-se livremente, o que corresponderá a uma fase de incessante expansão até a Guerra de 1914. Quando o socialismo germânico, por ter, majoritariamente, aderido ao odinismo e aderido a guerra, caíra em descrédito. Outro nuance histórico interessantíssimo - Embrulhados, os líderes alemaẽs forjam uma estratégia definitivamente absurda: Enviam o líder comunista radical, W Lênin, - num trem - a Rússia, com o objetivo de assumir a direção insurrecionista, e quiçá assumir o controle daquele pais. O objetivo era simples. Eles sabiam que Lênin, como grande parte dos comunistas era contrário a guerra e que, chegando ao poder, desmobilizaria as tropas Russas, aliviando significativamente a situação da Alemanha. E foi o sucessor deste Lênin, saído da estação Finlândia com o apoio dos Alemães, que esmagou o Fuherer Alemão em 1945!!! Assumindo o controle de parte do território alemão por quase meio século. Vejam pois como a História gira!

Por outro lado não é menos verdade que após o apoio a guerra e o assassinato de Rosa Luxemburgo e Liebknecht a demagógica Social democracia alemã entre em crise, cedendo espaço ao extremismo leninista ou comunista. Desde então é o Comunismo que principia a crescer rivalizando com uma nova ideologia tanto mais alemã, o Nazismo. Comunismo e nazismo são rivais, mas na Alemanha luterana o Nazismo leva franca vantagem, apenas nas regiões Católicas o Comunismo empata com o Nazismo quando não o supera. Assim para os Bispos Católicos da Alemanha o supremo adversário não é o nazismo, sempre incipiente, ao menos no princípio, mas o temível bolchevismo. E o clero se borra de medo pensando já em 1875 - na Kulturkampf - já na ação dos comunistas na Rússia, a qual faria a velha kulturkampf parecer doce.

Há no entanto uma nova raposa no galinheiro. É Adolph Hitler, um austríaco, de origem Católica, que como tantos nazistas e comunistas havia perdido a fé durante a juventude. Esse Hitler conhece muito bem o imaginário Católico construído desde 1917, sabe que o bolchevique ou comunista é uma espécie de bicho papão e que a atual URSS correspondia ao Reino apocalíptico de Magog... E precisa de um espantalho. Homem sagaz ele restringe parte de seu discurso oficial e dedica parte dele a atacar o 'Comunismo' além de, como Bismarck, editar leis restritivas destinadas a conter os comunistas. Parte do clero alemão, mais uma vez, deixa-se seduzir pelo canto da sereia, e abençoa o autor de 'Mein Kampf' aquela bíblia da insanidade e evangelho maligno... Hitler se esforça um tiquinho mais - deve conseguir uma concordata para assim poder induzir os filhos da igreja ao erro - e acena com uma ataque a Moscou, invadirá a Rússia e vencerá Stalin. Assim em 1933, os Católicos, com uma candura ilimitada, assinam o pacto com o 'anti Cristo'.

Feito isto Hitler destrava a lingua e dá a seus discursos o tom anti semita, violento e insano que tanto conhecemos. De imediato os Católicos mais esclarecidos principiam, por instinto, a debandada, depois o baixo clero e enfim até mesmo parte do alto clero. Mas ele não quebra a flauta, e conhecendo muito bem a debilidade dos maus Católicos, vai intercalando seus discursos anti semitas e odinistas, e mesmo neo pagãos com o mantra anti comunista. A Rússia será invadida, farei uma cruzada contra Stalin... O que - pasme - lhe assegura o apoio de uma minoria 'Católica' até o fim!!! Embora desde 1937 o Papa Pio XI tenha publicado uma encíclica contra ele e o nazismo. O que eu quero salientar aqui é que este discurso anti comunista, destinado a seduzir os Católicos, já havia sido editado pelo Bismarck 'derrotado' em 1877/78, por essa raposa luterana que em seu coração odiava a Igreja...

Agora veja, amigo leitor, que lástima - Esse mesmo discurso é empregado com relativo sucesso pelo apóstata e neo pagão Hitler meio século depois. Havendo quem caísse no alçapão...

Temos algo de diferente em nossos dias quando pastores enviados pelos EUA forjam o mesmíssimo discurso no Brasil - visando não comunistas ou bolchevistas mas, pasme, os próprios Católicos sociais, os progressistas, os sociais democratas, os trabalhistas, etc até certo ponto mais próximos de nossa tradição e da doutrina social da igreja do que os liberais???

Que sinceridade devem esperar os Católicos ao darem com esse velho discurso, cheio de lábia, na boca de liberais ou melhor de protestantes liberais???

Quando esses mesmos protestantes, com o apoio dos liberais vendidos, criam uma bancada religiosa em nosso Parlamento com o objetivo de solapar as instituições democráticas e de instaurar uma teocracia nos moldes do antigo testamento???

Acaso os neo católicos tontos, seduzidos pela cantilena ecumênica, esperam ser poupados quando são chamados pelos pastores de politeístas e idólatras???

Leiam na Torá de Moisés, que os protestantes tanto estimam, qual deve ser o fim dos politeístas e idólatras.

Como ex protestantes temos razões de sobra para temer é uma nova Kulturkampf luterana ou protestante, desta vez nos moldes do antigo testamento, destinada a oprimir não só os Católicos mas os umbandistas, espíritas, budistas, hindus, irreligiosos, e especialmente é claro, os 'fantasmagóricos' bolchevistas...

Portanto, nas eleições que se aproximam, tomemos por critério não a qualquer postulado moral nos termos dos puritanos, mas nossa fé e sobretudo nossa Ética, a tradição e a doutrina social da igreja, votando em candidatos que se proponham a respeitar os direitos do trabalhador brasileiro e a pugnar pela qualidade de vida, mesmo que não tenham fé ou religião. Melhor votar em cidadãos irreligiosos que se postem em favor do semelhante do que em fanáticos obscurantistas que sonham com o poder. Não de seu voto a fanático algum, a fundamentalista algum, especialmente se for pastor e não vote em candidatos protestantes!!! Busque candidatos Católicos coerentes - que não sejam liberais economicistas ou capitalistas (Jamais vote DEM, PSC, PSDB ou PMDB porque os programas destes partidos então em oposição a Doutrina Social da Igreja Católica. Leiam em Rerum Novarum sobre a necessidade da intervenção social nos domínios da economia e sobre a condenação dos princípios liberais) - ou candidatos que mesmo sendo irreligiosos estejam preocupados com as condições materiais da sociedade, porque esta é a finalidade da política e não outra qualquer.

A moral é algo que se vivencia em casa e não algo que se impõem aos outros.

Reflitam sobre tudo isto para que não venham a ser agentes ou 'imbecis' uteis da propaganda protestante (americanizante).

PERMANEÇAMOS FIÉIS A NOSSA CULTURA!

Resultado de imagem para CATOLICISMO MANIPULADO PELO PROTESTANTISMO
O SUPREMO PECADO DO ECUMENISMO!
OLHA SÓ QUEM ESTÁ POR TRÁS DE TUDO MANIPULANDO OS CATÓLICOS TONTOS!!!




sexta-feira, 6 de julho de 2018

As fontes espirituais do Nazismo!

Antes de concluir a série de artigos sobre o Nazismo e o Papismo cumpre repassar o quanto já sabemos sobre o assunto - O protestantismo, enquanto crença responsável por ter lançado os fundamentos do nazismo foi muito mais vulnerável a ele do que a igreja romana, tendo colaborado em maior escala e sido perseguido em escala menor.

A Igreja romana esboçou uma resistência bem maior a Hidra nazista, a pondo de ser, mais uma vez, apontada como inimiga número um do povo alemão, como traidora, etc Discurso editado em 1543, em 1870 (kulturkampf) e pelos nazistas desde 1937/38.

Para compreendermos o pôrque do nazismo se ter afirmado a partir do protestantismo temos de acompanhar Nisbet apud "Os filósofos sociais" caput "A comunidade religiosa." top Lutero.  Que nos diz ele?

Lutero principiou enaltecendo a fé e mesmo espiritualidade individual, para acabar endossando o estatismo, o absolutismo, a tirania e o erastianismo/cesaropapismo... Ao afirmar que a igreja importavam apenas as coisas da fé de modo algum separou-a do Estado, antes criou condições ainda mais atraentes no sentido do Estado abraçar a fé que ele anunciará, pelo simples fato desta mesma fé auto suficiente, abandonar tudo mais nas mãos do estado - Assim a moralidade/ética, a orientação política e o serviço social, o qual alias não foi assumido pelo estado, cessando de existir com o abandono da fé antiga. De fato ao protestantismo primitivo, diz Cobett, pouco interessava assumir a demanda social, ao menos em parte, assumida pela igreja medieval. Vindo as antigas instituições - Asilos, orfanatos, dispensários, hospitais, escolas, etc a colapsar num primeiro instante e, num segundo instante, a compor um enorme exército de reserva, entregue a miséria mais abjeta ou a mendicância. É um fato - A 'magnífica' reforma protestante lançou multidões a sarjeta.

Tudo quanto o estado quis assumir foram os bens materiais da igreja antiga - dos quais as massas sofridas não viram um cobre furado! - e o controle não apenas sócio, político e econômico, mas moral ou ético daquelas sociedades. É claro que ao revindicar semelhante controle - O controle da consciência - numa perspectiva ética, tal estado tornou-se absoluto ou totalitário. Sem a concorrência ou rivalidade exercida pelo Bispo, o senhor, rei ou príncipe assume o controle de todos os aspectos da existência humana, e Lutero dirá que este senhor deve ser obedecido dócil e cegamente ou seja, sem qualquer questionamento... Antes o Bispo era uma espécie de rei ou monarca espiritual, agora o rei é uma espécie de Bispo profano. Da noite para o dia é o senhor ou o príncipe descrito como um servo ou representante de Deus face ao qual é terminantemente proibido resistir, quanto mais rebelar-se.

Nisbet dirá que o luteranismo, demolindo a noção de comunidade religiosa - responsável pela afirmação de valores éticos destinados a inspirar as diversas esferas da ação humana - converte o estado ou a organização política numa 'igreja secular'. E desta noção de uma igreja secular deriva toda uma mística construída em torno do Estado Alemão, que degenera na estatolatria nazista, no momento em que - por via de Hegel - este estado é divinizado ou passa a ser compreendido como uma manifestação divina. Negando que a igreja antiga, externa, visível e comunitária seja algo Lutero converte o estado em tudo... Em fonte de princípios e valores, numa instância responsável pela afirmação da ética e da moral.

Como o Luteranismo não se ocupa de absolutamente nada além da fé, e de uma fé sem obras ou apartada da ética, o estado alemão ocupa o vácuo deixado pela igreja antiga. Substitui-a e herda parte de seu prestígio.

Isto na menos pior das hipóteses pois em algumas regiões da Alemanha, nem mesmo a fé permanece nas mãos da Igreja, na medida em que o príncipe ou rei, que segundo Lutero, enquanto Cristão é também sacerdote, passa a portar as duas espadas ou a exercer a autoridade religiosa. Este acumulo de poder é concebido e teorizado pelo luterano T Erasto. Por meio do erastianismo o estado torna-se Onipotente. E nada se lhe pode opor ou resistir, pois resistir-lhe equivale sempre a um pecado ou a uma heresia. Submeter-se passivamente aos caprichos de um soberano protestante converteu-se em dever religioso e rebelar-se numa tremendo sacrilégio, como podemos ler no panfleto sobre as Hordas dos camponeses fanáticos, os quais ele, M Lutero, manda trucidar em no nome de Deus...

Paulo dissera que TODO governante era ministro de Deus empossado por ele. Os protestantes, sem pingo de vergonha, declaram que o rei Católico poder ser legitimamente derrubado (Knox) enquanto que a majestade protestante deve ser obedecida em todas as coisas. Por isso que governante 'cristão' algum conseguiu ser mais despótico do que um Calvino ou um Cromwell... Lutero, Calvino, Erasto, Cromwell... Cada líder protestante adicionou um tijolinho a este 'muro' e mesmo quando a fé deixou de existiu, ele sobreviveu enquanto construção secularizada. Fragilizado, o luteranismo tornou-se ainda menos resistente a este novo poder. A partir do século XIX vai se tornando ainda mais vulnerável a ele. Assim o único obstáculo que resta em 1870, é, de novo, a velha igreja romana, e assim em 1937... A velha igreja sempre se reencarna na mente germânica, religiosa ou secularizada, como representante do mal. Na medida em que se opõem as místicas totalitária, racista e neo pagã.

Lutero consagrou suas forças a abater a igreja 'paganizada', Bismarck a combater - por meio da Kulturkampf - a igreja ultramontana e Hitler e seus comparsas a igreja judaizada... Foi um combate comum ou sem quartel porque desde Lutero, como diz Santayana, o que se estava a construir-se eram uma religião secularizada ou uma mística germânica. Se é certo que durante algum tempo a seita solifideista dos luteranos aspirou substituir a organização papista ou veio a substituí-la breve e ocasionalmente, quem substituiu a velha igreja de fato foi o Estado Alemão criado por Bismarck. Após 1870 a própria palhoça luterana passou a ser considerada como rival pelos primeiros teóricos do sistema e se não foi perseguida e satanizada quanto a igreja romana é porque foi demasiado colaboracionista. Nem podia uma organização desprovida de Bispos, substituir com sucesso a igreja medieval... predissera Melanchton, deplorando da decisão tomada por Lutero, de extinguir a ordem episcopal. Grosso modo o Bispo sempre fora um contrapeso ao poder real ou secular, e uma autoridade paralela a que os fracos e oprimidos podiam recorrer...

Desde Lutero, uma igreja presidida por Reis e senhores, tornou-se uma força a mais nas mãos dos ricos e poderosos. No momento em que os príncipes se tornaram Bispos a opressão assumiu um nível jamais conhecido em qualquer parte da Europa - Ali na Alemanha de Lutero, onde o feudalismo assumiu formas ainda mais consistentes e manteve-se firme até 1800, quando foi abatido por Napoleão Bonaparte. Como já dissemos, o absolutismo só se tornou mais forte nos cantões calvinícolas, onde os líderes religiosos - como Calvino, Knox ou Cromwell - exerceram o poder, direta ou indiretamente. Por meio do protestantismo todos os antigos pontos de equilíbrio foram rompidos e se com Lutero, na Alemanha, forma-se uma religião estatal ou uma mística secular, com Lutero e o Calvinismo, a democracia (Suiça por exemplo) converte-se em teocracia, segundo o modelo judaico ou vetero testamentário que os nazistas deploram. E pode-se dizer que ainda aqui, o protestantismo criou e alimentou dois modelos extremistas: O cesaropapismo erastiano que deu lugar a estatolatria nazi e a teocracia Calvinista, sendo o homem esmagado num e noutro caso, em nome da liberdade e do individualismo - movidos contra a religiosidade comunitária do passado...

Quanto a questão do nazismo racismo, a explicação é semelhante. Mais do que a velha igreja romana, apresentou-se a comunidade Luterana como um Novo Israel, já espiritual, já sucessor do antigo. E esta consciência de ser um novo Israel, juntamente com o apreço ao antigo testamento, foi crescendo de uma tal maneira até tornar-se obsessiva, o que de modo algum ocorrera na igreja antiga. No seio do luteranismo esta identidade mística atingiu uma dimensão tal que a simples existência do Israel físico ou histórico - na Inglaterra irrelevante - levou os 'piedosos' luteranos ao paroxismo do ódio.

E quando o luteranismo colapsou, os alemães de origem luterana, enquanto comunidade étnica, passaram a encarar a si mesmos como um povo ou uma raça naturalmente superior a todas as outras. Mesmo quando o sentido religioso desapareceu o sentido de superioridade permaneceu, assumindo uma conotação naturalista. Não se tratava mais de um povo eleito para Deus, no sentido de salvar-se no além. Mas de um povo destinado a fazer grandes coisas neste mundo e a deslocar os povos inferiores, como o israel carnal deslocara os antigos cananeus. Os alemães, por via do luteranismo, perderam o sentido universal ou Católico do Cristianismo, assumiram uma ideologia judaica e levaram-na as últimas consequências. É o que diz Santayana. E foi uma catástrofe.




quarta-feira, 4 de julho de 2018

Nazismo, protestantismo e catolicismo ou qual ideologia religiosa inspirou o nazismo?

tabela

"Se a Alemanha, que é um baluarte contra o comunismo, cair, toda a Europa se tornará comunista" disse Weizsacker ao cardeal Luigi Maglioni. A isso, o cardeal respondeu: "Que desgraça essa Alemanha com suas políticas antirreligiosas, ter suscitado tais preocupações."



No artigo anterior, dedicado aos 'católicos' mal orientados que se aproximam do nazismo ou de soluções parecidas com ele, reproduzimos certo número de testemunhos sobre os sentimentos acalentados pelos líderes nazistas a respeito da igreja romana e vimos que não nutriam qualquer simpatia para com ela.

Resta-nos analisar as relações entre o nazismo e o protestantismo, o que por sinal ja fizemos noutro artigo.

Principiarei declarando que a linguagem do principal ideólogo Nazista, Alfred Rosenberg, não é de modo algum a de uma papista, mas a de um protestante. Cita Lutero em diversas sessões do 'Mito' ou faz alusões a ele, inclusive contra o papado, o qual acusa por ter forjado um Jesus fraco e amoroso... Já aludimos a clássica marchinha nazi - O papa e o rabino fora!

Pudera - Não foram os Bispos, o papa romano ou o patriarca de Constantinopla que compuseram um panfleto intitulado - "Os judeus e suas mentiras.", mas o CRIADOR, INVENTOR E PAI DO PROTESTANTISMO, O Doutor Martinho Lutero, a quem chamam reformador, braço direito de Cristo, profeta das Alemanhas, Luz do Cristianismo, etc Ele foi quem compôs os primeiro panfleto nazista de que se tem notícias, aconselhando que os judeus fossem deportados, que suas sinagogas fossem queimadas, suas toras apreendidas, etc

Simples fiéis ou membros das igrejas Ortodoxa e papista já de haviam expresso equivocadamente a respeito dos judeus, embora jamais tivessem chegado a semelhante estado de agressividade. Diga o que disserem, tais homens não haviam fundado a Igreja Ortodoxa ou mesmo a igreja papista... eram simples fiéis e como simples fiéis falavam e suas palavras não constituiam leis para aquelas comunhões. Lutero não é simples membro da comunhão protestante, é seu mestre, fundador e guia! É o inventor e pai do protestantismo que pugna e clama contra os judeus assumindo uma postura marcadamente anti semita... Os antigos haviam concentrado sua carga contra a religião e a cultura dos judeus ou contra a influência que exerciam sobre alguns Cristãos. Lutero investiu contras pessoas dos judeus e aqui vai larga diferença.

De fato nós mesmos - e somos descendentes carnais dos judeus - nos opomos a sua fé a sua cultura e acima de tudo ao Cristianismo judaizado e judaizante; em nome da essência do Cristianismo. Mas não questionamos os direitos dos judeus ou a dignidade de suas pessoas... E reconhecemos a condição humana deles, e veneramos a liberdade deles.

Lutero no entanto, ao propor que fossem submetidos a trabalhos forçados, deportados, multados e perseguidos lançou os fundamentos da ideologia nazista - merecendo ser repetidamente citado como mestre e guia por Hitler, Streicher, Rosenberg e outros monstros.


NOSSO HITLER NADA MAIS FEZ DO QUE CONTINUAR A OBRA DO GRANDE REFORMADOR LUTERO. eis as palavras de Julius Streicher, ditas ao Tribunal de Nuremberg, mas costumeiramente ocultadas por essa 'benção de deus' chamada 'imprensa'...


Direi mais, apelarei as estatísticas -


Observe amigo leitor que em 1925 os protestantes correspondiam a 2/3 da população alemã, coisa de 60%. Já os papistas correspondiam a 1/3 i é a pouco mais de 30%. Conclusão a população protestante alemã constituia o dobro da população papista. Sendo para esperar que - admitido o pressuposto de que a relação entre o nazismo e ambas as comunhões fosse igual - as mesmas cifras representassem a relação entre o nazismo e as duas facções. É justamente o que não ocorre... Bastando para tanto examinar o quadro publicado acima.


Aqui a situação misteriosamente se inverte, assim os elementos Católicos relacionados com a resistência ao Nazismo na Alemanha chegam a 73 - caso adicionemos dois Ortodoxos, entre os quais S Alexandre Schmorell - enquanto os elementos protestantes (deveriamos esperar o dobro ou 146) não passam de 68.


Longe de nós, não é este o propósito, negar o mérito ou valor dos protestantes que resistiram ao nazismo. O que questionamos é o fato do protestantismo i é a doutrina ou a fé protestante ter suscitado menos resistência e o papismo mais, mesmo quando esta última fé era minoritária no pais. Eis um fato que precisa ser devidamente explicado ou esclarecido -


Leio nos processos de Nuremberg - ed 1968 Bruguera p 283 e encontro que em Dachau estavam internados 480 clérigos de lingua alemã, e que destes apenas 45 eram protestantes (!!!) - MENOS DE DEZ POR CENTO. Os clérigos papistas alemães perfaziam mais de 90% do clero aprisionado em Dachau, embora a fé protestante fosse, aquele tempo, a fé de 63 % dos alemães. Então como se explica que os pastores não comportassem pelo menos 63% dos clérigos aprisionados? Acaso teria sido o nazismo leniente face aos clérigos luteranos? O grande Niemoller o diga e os mártires Bonhoeffer!

Que o clero papista tenha se mostrado muito mais resistente que o clero protestante/luterano, demonstram todas as estatísticas -

The Clergy Barracks of Dachau : Statistics by main Nationalities[157]
Nationality Total number Total Catholic Total Released Total Transferred Total Liberated 29 April 1945 Total Deceased
Poland 1780 1748 78 4 830 868
Germany 447 411 208 100 45 94
France 156 153 5 4 137 10
Czechoslovakia 109 93 1 10 74 24
Netherlands 63 39 10 0 36 17
Yugoslavia 50 35 2 6 38 4
Belgium 46 46 1 3 33 9
Italy 28 28 0 1 26 1
Luxembourg 16 16 2 0 8 6
Total 2720 2579 314 132 1240 1034

Lay resistors

Note que segundo este quadro a situação não muda. 447 clérigos resistentes, 411 papistas e 36 apenas protestantes, menos de 10 % do total. E o protestantismo contava com a adesão de 63% de pop alemã, como já foi dito.

Passemos a Holanda (Netherlands) outra sociedade protestante, que aquele tempo contava com cerca de 60% de protestantes e 40% apenas de papistas. Esperamos também aqui que a resistência ao nazismo corresponda a divisão religiosa. E damos novamente com a mesma constatação - A situação de inverte na hora de se opor ao nazismo, aqui 60% dos clérigos são papistas e apenas 40% protestante. Como entende-lo? Como compreende-lo em aduzir, nos termos de Max Weber, que haja alguma 'Afinidade eletiva' ou vinculo essencial em termos de ideologia/cultura entre protestantismo e Nazismo???

Vou citar aqui apenas o cardeal Faulhaber autor de "Judenum, Christentum, germanentum." e adversário implacável do Nazismo - Foi este grande homem que ajudou o rabino mor de Munique a salvar os objetos sacros da sinagoga antes que fosse atacada e destruída pelos diabos nazistas. Passando a ser o primeiro dentre os desafetos do anti Cristo Adolf Hitler! Foi ele ainda que enviou 3000 judeus convertidos ao Brasil durante o governo Vargas. Antes disto havia declarado que todas as vidas humanas eram preciosas, inclusive as dos judeus.

Já em 1923 os nazistas haviam respondido a Roma declarando que Faulhaber se obstinava em denunciar suas ações contra os judeus, classificando-as como persecutórias e acrescentando que fariam a igreja sangrar! Faulhaber responde aos hitleristas dizendo que eram continuadores da Kulturkampf - Foi uma análise profunda, afinal o anti semitismo e o nazismo só poderiam ser bem sucedidos caso os ideais Católicos fossem infectados ou poluídos na fonte... pelo simples fato de derivarem dos panfletos de Lutero.

Pouco depois declarou que Católico algum deveria apoiar a perseguição feita aos judeus alemães. Mesmo Scholder admite que em seus sermões Faulhaber tentou barrar a introdução do que chama anti semitismo racial ou ideológico na igreja papista alemã. Dando a compreender que esta ideologia não estava presente na dita igreja, tendo sido elaborada por ateus, incrédulos e protestantes, na esteira de Lutero. Yves Congar tem plena razão de ver nos sermões daquele grande homem uma oposição ao nazismo e ao racismo, ao lado da velha oposição espiritual ou religiosa ao judaísmo, um tanto deturpada por culpar os atuais judeus. O que não torna sua posição menos anti racista e anti nazista como pretende G lewy. Temos de distinguir uma coisa da outra...

Cego pelo moralismo/puritano ele equivocou-se redondamente ao associar-se por algum tempo a um governo que condenava a embriagues e o fumo. Antecipou o erro dos anti abortistas de hoje, que confunde o catolicismo com o anti abortismo ou fazem da questão do aborto uma questão político/social, quando é antes de tudo uma questão pessoal. O que deve servir de lição aos Católicos, de modo a que jamais venham a imolar seu ideal social face a injunções moralistas, puritanas ou individuais. Seja como for, ele percebeu seu erro e corrigiu-se. Os nazistas compreenderam melhor o sentido dos sermões de Faulhaber do que Lapide e Martin Rhonheimer pois primeiramente invadiram e devastaram seu escritório e posteriormente sua casa, gritando: "Levem o traidor a Dachau."...

Ehler e Rychalak concluem sensatamente que dos Sermões de Faulhaber se deduz muito claramente o princípio da tolerância rcacial  e da tolerância religiosa quanto o judaísmo. O próprio Martin Niemoller reconheceu a grandeza de Faulhaber e descreveu-o como um homem audaz. Por isso agora é seu palácio episcopal que arde em chamas. Mais uma arte dos Nazis... O Rabino Dalin descreveu-o como 'Denodado adversário dos nazistas.' enquanto o rabino Stephen Wise descreveu-o como autêntico prelado Cristão que levantou sua voz destemida para proteger o povo judeu. O grande historiador anabatista Latourette referiu-se ao cardeal germânico como a "Um dos mais destemidos clérigos alemães que denunciaram em termos inequívocos o racismo, o tratamento dispensado aos judeus e demais doutrinas nazistas.". in The twentieth century in Europe - Taylor and Francis 1973 Marschall Dill apresenta-o como "O mais articulado anti nazista inserido na hierarquia Católica." in Germany: A modern History - Michigan press 1970Foi o pernicioso discurso anti comunista ou bolchevista (parcial e insuficiente) que levou o episcopado, ao menos durante algum, tempo, a esperar algo de Hitler. Os Bispos alemães tinha diante das vistas não só o calvário da Igreja Russa após o triunfo dos leninistas, com seu fanatismo anti eclesiástico como a situação da Alemanha após a primeira grande guerra. Assim quando Hitler assumiu um discurso tão anti comunista quanto os discurso de nossos capitalistas e protestantes de hoje, os Católicos tontos e apavorados, caíram como patos ou ficaram hipnotizados como um pássaro diante da víbora. Por um tempo os nazis iludira a igreja, evitaram sua ação saneadora e impediram-na de cumprir com sua vocação que é denunciar o mal. Hitler era um homem dissimulado e por algum tempo conseguiu conter uma igreja amedrontada. Enfim foram os nazistas que mandaram remover os crucifixos das escolas... das escolas Católicas???!!!

Em 1949 os hebreus da Bavaria agradeceram Faulhaber por ter "Salvo milhares de judeus o terror e da violência letal."

FACE A NAZISTAS, COMUNISTAS, ANARQUISTAS E CAPITALISTAS queremos ser e seremos, como Faulhaber REACIONÁRIOS CATÓLICOS!!!

Passemos ao Bispo Von Galen que fez uso da criticada concordata para impedir que a doutrina anti semita fosse introduzida nas escolas Católicas, advertindo ainda que aquela doutrina estava em oposição ao dever sagrado de amar o próximo como a si mesmo. Como resposta os nazistas mandaram retirar os crucifixos nas escolas... Ele ousou criticar a teoria da pureza racial e o Mein Kampf num de seus sermões.

Ao Card Preysing, a respeito do qual disse Hitler - Eis que os meus piores inimigos são esses homens vestidos de sotaina... - apoiou ativamente o trabalho de Margueritte Sommer em favor dos judeus, disto resultando o resgate de centenas de vidas preciosas.

Em 1933/ Dezembro os Bispos da Áustria se manifestaram nos seguintes termos: "A igreja Católica jamais concordou com os três erros fundamentais do Nazismo - A loucura racial, o anti semitismo virulento e o nacionalismo extremado." Diante de tudo isto, em que pesem as atitudes dos Bonhoeffer e de Niemoller, se me parece que o protestantismo não conseguiu articular-se suficientemente e assim suscitar uma resistência mais efetiva ou a altura da catástrofe nazista.

Estatisticamente o número de apoiantes nos levaria a mesmíssima constatação.

Temos nas atas do processo de Nuremberg 12 condenados a forca.

Destes três são citados como papistas, por terem confessado e comungado. Via de regra omite-se que Hans Frank, o mais resignado dos condenados a morte havia se convertido ao papismo após a prisão e que outro deles Kaltenbrunner - filho de pais anti religiosos - também se havia convertido algum tempo antes. É portanto desonesto atribuir a estes dois uma origem Católica - Ambos converteram-se a igreja para após terem cometido seus crimes, portanto não haviam sido inspirados por aquela fé.


Dentre estes doze criminosos condenados a morte, o único católico por nascimento e formação era Seyss Inquart. Sobre Julius Streicher algumas fontes declaram que seu pai era Católico, mas não sabemos adotou as crenças de seu pai ou de sua mãe... Na dúvida adicionamos Streicher, teríamos assim dois Católicos, mesmo sabendo que antes de morrer Streicher pediu uma Bíblia e não os Sacramentos. Mesmo adicionando Streicher temos aqui 15% de Católicos - Eles eram 31% na Alemanha de então.

Por questão de justiça adicionemos a estes doze - Goebels, Himmler, Eichmann e Hess, os quais parecem ter sido os grandes pilares do nazismo.

Teríamos assim 16 elementos.

Analisemos.







Goebels
e Himmler são comumente apresentados como Católicos pelos panfletários e de fato procediam de famílias papistas e esta era sua formação.

Goering e Bormann no entanto eram luteranos, Eichmann calvinista e Hess protestante. No caso deste último, o 'padre' que assistiu seus últimos momentos em Israel nada tinha de padre.
William Lovell Hull era um 'reverendo' protestante, um pastor. Eichmann por sinal não deu mínima mostra de culpa ou de arrependimento por ter trucidado milhares de poloneses, ciganos, russos e judeus; enquanto o acima citado Hans Frank - após sua conversão ao papismo - ofereceu sua vida como expiação, reconhecendo que sua sentença de condenação era justa.

Temos assim - ao menos em tese - doze criminosos nazistas de origem protestante (Hans Frank mais Eichmann e Hess) e quatro de origem romanista - Himmler, Goebels, Streicher (duvidoso que fosse Católico) e Seyss Inquart (Já dissemos que Frank e Kaltenbrunner CONVERTERAM-SE NA PRISÃO, APÓS SEUS CRIMES).

Em termos de estatística teríamos - 25% (1/4) dos grandes criminosos nazistas citados - nos baseamos no Trib de Nuremberg e adcc outros grandes líderes - seria DE ORIGEM papista (O que sequer significa que fossem papistas quando se tornaram nazistas como veremos abaixo) enquanto 75% seriam de origem protestante. Mais uma vez temos - agora entre os apoiantes do nazismo - que os protestantes foram mais vulneráveis do que os papistas... Afinal o papismo era a religião de 32% dos alemães aquele tempo. Mas nos quadros da liderança nazista não passavam de 25%. O protestantismo era a fé de 63% dos alemaẽs de então, nos altos quadros do nazismo porém, sua presença chega a 75%, 12% a mais...

Insistirão ainda os protestantes e os incrédulos que os apoiam que tudo isto é mera coincidência: O quadro da eleição, o número de clérigos aprisionados, o percentual de católicos resistentes, o percentual de papistas e protestantes apoiantes, etc  Nenhum destes nichos foge a regra, demonstrando cabalmente que as relações entre protestantismo ou luteranismo e nazismo eram bem mais próximas ou íntimas que entre o nazismo e o papismo, ideologias que por diversas vezes quase chegaram a um conflito aberto ou as vias de fato. Havia uma Kirchekampf e seu principal alvo era a igreja romana...

Agora, preciso dizer algumas palavras a respeito de Goebels e Himmler, os monstros de origem Católica. Incrédulos e protestantes mais ainda - querem tirar o próprio rabo da reta! - costumam dizer e declara que ambos eram nazistas e Católicos ou ainda (os fanáticos protestantes chegam a dize-lo!) que seus crimes foram inspirados por aquela fé. Será verdade?

Toda gente que não tem o costume de estudar ou ler, pode espiar os artigos em alemão ou inglês da wikipédia, com bibliografia seleta. Lá encontrarão a informação inconteste de que Himmler foi Católico devoto até aproximadamente os 23 anos de idade - Não era Nazista ainda. Quando envolveu-se com literatura ocultista e desertou da igreja. Pouco tempo depois aderiu ao nazismo - antes convivia com os judeus - e ao neo paganismo, declarando que a igreja devería ser aniquilada.

Goebels era igualmente de origem Católica e sua trajetória é similar a de Himmler. Antes não nutria sentimentos racistas, i é enquanto fora Católico e também se relacionava com judeus. Perdeu a fé pouco depois de ter completado 20 anos, apostatando. Após ter apostatado leu Spengler, Chamberleim, Marx e Lênin, sentiu-se confuso, foi cooptado pelo 'Mein Kampf' e como Himmler se tornou anti clerical ferrenho.

Como se vê nenhum deles tomou o racismo da igreja ou da fé em que haviam nascido ou sido criados, mas após terem perdido a fé e desertado da igreja receberam a ideologia do partido nazista, o qual recebera-a do ex luterano Rosenberg e de Julius Streicher, caluniador do Bispo Konrad Grober e inimigo declarado da Igreja romana. Como o próprio Hitler eles indicam amiúde sua fonte comum - O DOUTOR MARTINHO LUTERO, fundador do protestantismo. É sempre a ele que se reportam as fontes cristalinas do nazismo... Ao 'profeta alemão'...

Resta verificar se os que nasceram protestantes e assim foram criados, permaneceram protestantes e nazistas. Aqui a verificação torna-se difícil. Tudo quanto sabemos é que dos dez justiçados em - Goering se suicidou e Bormann não fora localizado - Nuremberg, a exceção dos três Católicos (Os dois convertidos de última hora mais Seyss Inquart) e do incrédulo Rosenberg, todos os outros pediram Bíblias. Quiçá dando a entender que a fé protestante jamais morrerá neles... A Bíblia é a religião dos protestantes, declarou Chilligworth no século XVII. É natural que os protestantes peçam Bíblias antes de virem a ser executados. Os Cristãos pedem um sacerdote, confessam e comungam; embora também possam pedir um exemplar do Santo Evangelho, o essencial para eles no entanto são os sacramentos, inclusive a Unção final. Não sei se tais homens sempre conservaram a fé ou passaram por alguma crise de consciência. Só sei que 60% deles manifestou seu protestantismo... o mesmo protestantismo que os levara a abraçar aquela infame causa.

Tanto Kaltenbrunner quanto Seyss Inquart proferiram palavras sábias e equilibradas antes de morrer, embora aquele tenha desejado boa sorte a Alemanha e este dito acreditar nela. Este último no entanto além de conformar-se com sua sentença declarou que após aquela Guerra fatídica 'A paz e o entendimento mútuo deveriam prevalecer entre as pessoas civilizadas.". Kaltenbrunner reconheceu que os líderes nazistas haviam cometido crimes indignos de um soldado.

Sobre o citado Hans Frank temos ainda este belo testemunho:

"Hans Frank foi o próximo no desfile da morte. FOI O ÚNICO DOS CONDENADOS A ENTRAR NA CÂMARA COM UM SORRISO EM SEU SEMBLANTE.... Esse homem, que se havia convertido a fé romana após sua prisão, parecia reconfortado com a perspectiva de expiar sua culpa pelos atos maléficos que havia cometido... Ele disse num suspiro: 'Agradeço pelo tratamento que tive durante o cativeiro e peço a Deus que me receba com misericórdia." Howard K Smith, reporter da CBS


Este homem já havia dito, logo após sua condenação: Eu o mereço, esperava por isto e estou satisfeito por ter tido a oportunidade de defender-me.Quanto as demais mortes. Dos que pediram as Bíblias...

Não me referirei a Sauckel, pois me parece que tenha sido injustiçado, ao menos em comparação com R Hess, e que quiçá merecesse prisão perpétua ou uma grande temporada na cadeia, mas não a morte. Por isso não reprovo sua indignação e estado de espírito.

Streicher morreu berrando 'Heil Hitler' como um energúmeno, pois fora arrastado de ceroulas.

Keitel morreu gritando 'TUDO pela Alemanha, a Alemanha acima de tudo.'

Ribbentrop também morreu dizendo: 'Salve a Alemanha.' E mesmo após ter assistido pelo pastor luterano Gerecke declarou: "Mesmo sabendo de tudo isto, caso Hitler entrasse nesta cela e dissesse 'Faz isto', eu o faria."
Jodl exclamou: 'Eu te saúdo Alemanha eterna', antes de subir ao patíbulo. Embora sua sentença tampouco tenha sido justa.

Frick por fim: 'Vida longa e eterna a Alemanha.'

Ao que parece nossos luteranos morreram renitentes e pensando na idolatrada Alemanha, apesar do pastor e da Bíblia.

Como se vê, o luteranismo não logrou desprender seus súditos do veneno nazista mesmo aos pés da cova. Tanto as atitudes como as palavras dos condenados papistas são de outro tom, mais comedido, ou mesmo penitente, como no caso de Hans Frank.

Por todas estas evidências argumento que o grau de resistência a ideologia nazista foi significativamente maior por parte da igreja para e seus aderentes do que por parte das orgs protestantes, em especial do luteranismo. Em que pese o encanto dos católicos ingênuos e tontos pelos discursos anti comunistas, editados naquele tempo por Hitler e hoje pelos protestantes e liberais. O poder de sedução sobre os imbecis, parece ser o mesmo. Que os Católicos aprendam com as lições da História e não repitam os erros de seus ancestrais, sendo ainda mais zelosos não apenas contra o comunismo, mas contra o anarquismo, o nazismo, o capitalismo e sobretudo contra as teocracias protestante e sunita. Nós não temos aliados porque nosso projeto é único.