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domingo, 14 de maio de 2017

Buscando superar o psicologismo freudiano e o sociologismo marxista; uma leitura marxista de Freud ou freudiana de Marx I

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Prelúdio


Temos duas visões antagônicas e inconciliáveis no monismo materialista esboçado pelos diversos sociologismos, inclusive pelo marxista e no monismo idealista esboçado por diversas correntes religiosas, filosóficas e psicológicas.

São de fato dos extremos que acabam por tocar-se, e que aparentemente ao mesmos remontam aos primórdios do pensamento Filosófico.

Assim temos Demócrito para o monismo materialista (Há quem faça recuar esta posição até Tales cuja arché era a água) e Platão (e para muitos Pitágoras) para o monismo idealista compreendidos como 'arché' ou princípio primordial de que surgem todos os outros. Para os partidários do Abderita este princípio é a materialidade representada pelos átomos. Mesmo que haja algo de imaterial, surgiu 'a posteriori' ou seja a partir da materialidade. Tal a perspectiva de Marx segundo a clássica comunicação de Engels segundo a qual o ideal ou a idealidade deve ser compreendida sempre como epifenômeno da materialidade, inda que possa exercer certa influência sobre ela. Importa que na ordem ontológica a prioridade temporal pertence a matéria, a materialidade.

Claro que na maioria dos casos, os materialistas metafísicos mais coerentes, na impossibilidade de determinar como a imaterialidade ou idealidade surgiu a partir de sua negação ou de seu oposto que é a materialidade, optam, via de regra, por negar a existência da imaterialidade. Tal o sentir do materialismo crasso ou absoluto de La Metrie, Clothes, D Holbach, Moleschoot, etc que E Ditgen tentou introduzir, sem sucesso, no marxismo, dando equivocadamente por cientificamente demonstrada a materialidade da mente e tendo que ser corrigido pelo honesto Engels. Mesmo Lênin no 'Materialismo e empiro criticismo' teve de admitir que a tal demonstração ainda não havia sido fornecida pela ciência.

Outra no entanto é a concepção do materialismo crasso ou dialético, sempre interessado em identificar as forças que atuam no processo histórico. Assim se é certo que tal corrente super valoriza o aspecto econômico da produção de bens, nem por isso ousa negar por completo ou absolutamente a atuação de forças ideais ou imateriais, as quais por sinal concede o apanágio de 'autorizar' a ordem vigente imposta pelas relações econômicas, disfarçando-a, e, consequentemente alienando os oprimidos. O materialismo metafísico ou crasso jamais chega a tanto... A distinção portanto é justa, conveniente e oportuna.

Quanto ao imaterialismo temos já ao menos um esboço nas especulações de Pitágoras a respeito do número. Embora não possamos nem devamos avançar e declarar que ele, como Anaxágoras sejam monistas. E o mais certo é que não sejam. Teriam enfatizado o imaterial apenas enquanto princípio operatório dinâmico, sem excluir a eternidade do elemento material. Certamente não eram partidários de uma criação 'ex nihilo' e não há elementos que nos forcem a compreende-los doutra forma.

Ora, o mesmo já não se sucede com o Acadêmico já influenciado pelas considerações de Pitágoras, já influenciado pelos cultos de mistério - Órficos, eleusinos, etc trazidos, segundo alguns do Oriente - e, em cujo pensamento parece haver já uma certa ideia de criação ou de produção do material pelo imaterial (Daí a ideia de Demiurgo, embora alguns queiram apresentar esta entidade apenas como organizadora - No esmo sentido em que o Nous de Anaxágoras - e não como 'criadora' ). A dar por certo ou mais plausível este ponto de vista, temos aqui a primeira afirmação de um monismo idealista ou espiritualista entre os antigos gregos.

Para muitos a ação do demiurgo no Timeu deve ser compreendida como ordenar e não como criar ou produzir algo a partir do 'não ser'. Assim Margarida Nichele de Paulo apud 'Indagação sobre a imortalidade da alma em Platão' p 50 nota 136 da por razão de sua negativa, o 'fato' do antigos gregos ignorarem o conceito de 'nada'. A alegação, permitam-nos declarar, é pífia pelo simples fato de Parmênides ter trabalhado com o 'conceito' de 'Não ser' ou nada apenas para pode nega-lo! Pois como poderia ser 'Não ser' e ser algo ou alguma coisa??? Não estou dizendo nem mesmo sugerindo que Parmênides fosse dualista ou criacionista, de modo algum. No entanto que estava familiarizado com o conceito de 'nada' equivalente ao de 'não ser' estava.

Não sei quanto há de verdade na narrativa segundo a qual pretendia Platão queimar as obras de Demócrito. Agora quanto aos pensamentos de ambos corresponderem aos dois extremos do monismo não tenho a mínima dúvida.

Resta saber agora qual fosse a opinião ou ponto de vista dos demais pensadores gregos, os não alinhados. Tal o posicionamento do Estagirita.

Via de regra podemos classificar todos estes pensadores - A exceção talvez de Tales (Monista materialista?) e Pitágoras -  como dualistas no sentido de que afirmavam a coexistência eterna de duas arché(S) ou princípios: O imaterial e o material. Os manuais no entanto costumam apontar Anáxagoras como o primeiro dualista 'ex professo' pelo simples fato de ter apresentado o Nous i é a mente ou o espírito como princípio ordenador (organizador) da matéria eterna. Bom salientar que na opinião de Aristóteles, Parmênides e Anaxágoras teriam sido os pensadores pré socráticos mais vigorosos.

Em termos teológicos esta doutrina posteriormente classificada como panenteísta. Em termos epistemológicos costumamos classifica-la como realista. Em termos psico cognitivos como interacionista ou construtivista. Podemos no entanto manter o velho termo dualista uma vez que os demais já não pressupõem a equivalência eterna dos princípios em termos de temporalidade, tendo se conciliado já com o monismo idealista 'criacionista'. Descartes assumiu esta perspectiva e revesti-a de uma nova forma mais atual.

Com raras e louváveis exceções temos aqui uma espécie de racha ou conflito - artificial e pernicioso - entre sociologia e psicologia. Esta tudo atribuindo tudo em absoluto, e portanto até mesmo a organização social, a atividade humana ou mental e assumindo o caráter de psicologismo, aquela tudo atribuindo, inclusive a formação da personalidade, a organização social em termos de materialidade, transtornando em sociologismo. Ali temos minimizado o papel exercido pelo grupo social ou a estrutura econômica, ficando tudo compreendido como epifenômeno de relações meramente pessoais. Aqui damos com um menosprezo quase que rancoroso pelo homem, pela interação pessoal e pelas decisões livres. Ali a sociedade é encarada como puro e simples agregado artificial de indivíduos e portanto regulada pelas mesmas leis psicológicas que regulam a interação pessoal. Aqui o homem tem sua liberdade completamente negada, não passando de cópia 'determinada' pela sociedade. É por assim dizer fruto exclusivo do meio em que nasce ou produto duma conjuntura em termos de tempo e espaço, noutras palavras 'algo dado'.

No primeiro caso chegamos a uma noção romântica, em termos de uma liberdade ilimitada e de infinitas possibilidades. E atingimos os confins do voluntarismo... No segundo caso temos o determinismo ou a total negação da liberdade humana. E nos achamos, mais uma vez diante de dois extremos no mínimo problemáticos.

Que a ação do homem seja limitada pela realidade externa a si, fica demonstrada pelas milhões de vontades frustradas representadas pelas pessoas mais pobres ou oprimidas. As quais mesmo desejando saborear um bife todos os dias, por mais que aspirem e se esforcem - Trabalhando, inclusive - tem de se contentar com um pedaço de pão. Sem contarmos com as que ainda morrem de fome ou com aqueloutras que tendo forrado o bucho desejariam estar em Paris ou Veneza, e não estão...

Mas se esforce!

No entanto de que vale esforçar-se se não existem oportunidades ou chances oferecidas. De que vale um jovem negro ou pardo de periferia, sacrificar-se, esforçar-se, dignificar-se, se as vagas de trabalho - Por uma questão de maximização de lucros - estão reservadas a jovens brancos? De que adiantaria a uma jovem há cem anos atrás preparar-se para ser motorista ou policial se as vagas eram reservadas exclusivamente a rapazes? Considere portanto que as sociedades impõem certos limites e restrições além dos quais não se pode ir se se quer forrar o bucho e viver.

Imagine a condição da mulher em certas sociedades muçulmanas a exemplo do Paquistão, do Afeganistão, do Iraque, da Síria, etc e considere se aquela mulher pode de fato realizar tudo quanto quer ou satisfazer todas as suas aspirações.

Mas ela sempre poderá abandonar aquela sociedade ou sair de lá???

Já leu a Topofilia de Yfu Tuan ou a Geopsique?

Por outro lado mesmo que uma ou algumas (raras exceções) destas infelizes - Rompendo com todos os laços afetivos, espaciais e familiares, e vendendo todos os obstáculos postos pela cultura - fossem bem sucedidas em transferir-se para o Ocidente, em que isto alteraria a realidade social das demais mulheres que por lá permanecem??? Acaso poderiam todas as mulheres ou ao menos a maior parte das mulheres iraquianas ou paquistanesas deixar seus países e instalar-se em nossas Sociedade ocidentais? Alias qual país ou república ocidental haveria de receber tantas refugiadas? Haja avião e navio para transportar tanta gente! Quem não percebe que tal sugestão é sumamente absurda.

Nem podem tais mulheres, numa dimensão social, abandonar as sociedade em que vivem e nem podem, vivendo em tais sociedades, definir suas próprias vidas.

Tal a condição dos operários, dos trabalhadores e das pessoas mais humildes em nossas sociedades ocidentais. Na fruição de uma liberdade bastante reduzida...

Isto quanto aos voluntarismo psicologistas ou individualistas.

Por outro lado caso o homem tenha todos os aspectos de sua vida determinados pela organização social, de modo que não lhe resta liberdade alguma já não se pode explicar porque as próprias sociedades mudam e porque a História é dinâmica e não estática. Caso a Sociedade determine o homem por inteiro já não há elemento que possa transformar qualquer coisa e alterar a Sociedade, de modo que todas as relações deveriam repetir-se 'ad infinitum'.

Se os primeiros homens, que já viviam em sociedade, tiveram suas mentes invencivelmente plasmadas por aquele tipo de organização e assim todas as gerações subsequentes, como o gênero humano veio a superar aquele estádio social e passar a outro, diferenciado e superior? Que elemento introduziu a mudança?

Teria a Sociedade mudado a si mesma?

Teria a produção mudado a si mesma?

Teria a estrutura mudado a si mesma?

Quem não percebe que essa simples sugestão implicaria atribuir características humanas, como a inteligência, a criatividade, a livre iniciativa e a liberdade a uma órgão puramente estrutural que é a Sociedade. O qual não possuindo cérebro, racionalidade ou liberdade, não pode criar e tampouco transformar-se. Pois se a Sociedade se move ou se transforma e não é o elemento humano que a transforma temos de indicar o elemento dinâmico responsável por suma alteração!

Poderão os sociólogos materialistas sejam deterministas geográficos ou deterministas econômicos, apontar-nos qual seja este elemento dinâmico???

Certamente que não uma vez que nem a terra em os meios de produção materiais ou tecnológicos, pensam ou trabalham por si mesmo tendo sido criados e manipulados pelo elemento humano, este sim pensante e criativo, este sim responsável pelas mudanças que ocorrem no âmbito social sempre de compreendem a dinâmica social e atuam em sintonia com ela.

Constamos assim que nem uns nem outros estão certos.

Pois o constatar-nos que a  liberdade a liberdade humana não é ilimitada ou incondicionada não nos obriga a esposar a opinião oposta segundo a qual não resta qualquer medida de liberdade para o homem. Temos então de buscar um meio termo realista e postular a existência de uma liberdade limitada, condicionada e relativa. Relativa porque sempre relacionada com o grau de instrução do sujeito, condicionada pelo meio em que vive e limitada por sua situação sócio econômico; e sem embargo disto real.

Continua -

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tal a crise do Império romano, tal nossa crise...

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Tempos de crise, forja de pseudos salvadores.

"Oh quem poderá salvar-nos?" é pergunta que se ouve pelas esquinas.

Movida por falsos dilemas a mente binária ou dualista vacila entre soluções extremistas.

Foi exatamente assim as vésperas da queda do Império romano. Quando alguns cortesões, nobres e intelectuais colocavam a redenção comum nas mãos do despotismo imperial, quanto parte das massas depositavam suas esperanças de salvação nos bárbaros germânicos...

Assim havia quem pretendia salvar-se lambendo as botas do déspota imperial e quem estava prestes a abrir as portas de Roma a Alarico.

Lamentavelmente, para os desaventurados romanos, atidos a um padrão de pensamento pré científico, parece que inexistiam outras opções ou possibilidades. E que de fato se achavam entre a cruz e a caldeirinha.

Não tinham a mínima ideia a respeito dos fatores que haveriam de conduzir o Império a morte.

Não estavam aptos para diagnosticar as enfermidades que achacavam a administração pública.

Ignoravam supinamente a gênese ou causalidade dos males que afligiam a Sociedade.

Destarte, pouco ou nada podiam fazer para salva-la.

Os romanos, haviam chegado ao fim do túnel da história. Uma vez que o exercício da reflexão intelectual não lhes podia oferecer quaisquer respostas ou alternativas.

Viviam numa época pré sociológica. Na qual a investigação e a reflexão não haviam tocado ainda a constituição da Sociedade, e em que, mesmo as reflexões políticas de um Aristóteles ou de Dicearco de Messina, era conhecidas por um público bastante restrito.

Ciência política, sociologia, economia e filosofia da História, aquele tampo ou inexistiam ou não estavam no acesso da maior parte da população.

A precariedade os meios de comunicação e da própria estrutura educativa, era dramática. De modo que a crise não deixou de atuar sobre elas desde o começo.

Nem o imperador e seus auxiliares estavam a altura do desafio de salvar o Império romano, pelo simples fato de jamais terem assumido o tipo de governante filósofo ou de governante cientista, preconizado pelo sábio Platão. Via de regra jamais colocaram-se acima do tipo 'bon vivant' comum a tantos e tantos governante e por assim dizer bailavam a beira do abismo que devia engoli-los.

Os gregos ainda tentaram, por meio de um imenso esforço educativo - Inda que posterior a invenção democrática - formar um povo cidadão ou ao menos uma elite cidadã. A estrutura política concebida por eles, ainda que genial, acabou, por questão de funcionalidade administrativa, sendo absorvida pelo Império de Alexandre. Sua cultura jamais. Jamais a cultura grega desamparou os gregos, mesmo quando foram conquistados e dominados pelo turco. Jamais...

A romana no entanto, perdeu-se em certa medida juntamente com o Império. E quando Renasceu posteriormente não pode ser plenamente assumida. Por ter sido atalhada pela reforma protestante. A qual levou nosso mundo para outra dimensão e para uma dimensão absolutamente oposta aos ideais não só romanos, mas gregos e tradicionais de civilização.

A negação de nossa herança romana e grega parto do Ocidente para a Europa e da Europa para a Grécia contemporânea. Tal o roteiro de nossa apostasia cultural. Da Inglaterra, transpondo o Oceano, para a América do norte, e especialmente após o fim da primeira Grand Guerra, da América do Norte - Transpondo novamente o Oceano - a Europa, em seguida a Grécia e Rússia contemporâneas.

Sem querer, chegamos naturalmente ao nosso tempo. Tempo de crise, e como já foi dito de extremos.

Havendo quem encare o Trump, os EUA, a cultura Yankee - E pasme leitor benevolente, o liberalismo econômico (Capitalismo) - como salvadores e quem encare como o islamismo - Isto mesmo amigo leitor, o Islamismo! - como salvador.

É para ser desesperar!

O Trump ou os EUA nos salva dos muçulmanos, ou os muçulmanos nos salvam do Trump ou dos EUA. Eis o ouvimos da parte das massas...

Melhor desesperar de toda salvação!

Tudo quanto nos é posto aqui consiste em escolher alguém a quem servir ou em optar por um senhor: O Yankee ou o Turco.

Maldita servidão!

A coisa toda se restringe em escolher por quem deixar-se escravizar...

Americanizar-se ou arabizar-se por completo, eis as belas opções que nos são oferecidas.

Jamais dei com tanta e tão miserável miséria.

É escolher entre merda ou bosta! Nem mais nem menos.

Pois se o capital reinar sobre nós trará a miséria, a ignorância e o enxame de seitas pentecostais e criacionistas vindas do Norte.

Agora se o turbante ganhar teremos a mais repugnante e vil das opressões representada pela Sharia com sua murtad, djzia e outras impurezas.

Aqui ou se abdica da liberdade de consciência, abraçando um sistema tão absurdo e estúpido quanto o islã, para ter acesso a alguns direitos muito sumários e a cidadania, ou o homem fica sendo sempre cidadão de segunda classe, ou como dizem Dimy.

Não haveria quadro pior, mesmo a título de imaginação, e estaríamos nós também no barco furado de nossos excelentes ancestrais não fosse por um ponto apenas!

Estamos ou melhor nos encontramos numa Época científica e portanto pós sociológica! Existe já ciências políticas como existe ciências econômicas e até Filosofia da História. Século V d C é página virada e até contamos com a Internet para trocar ideias, reflexões, informações, experiências, etc Elevando nossas vistas e horizontes muito acima do pensamento dualista, binário ou extremista que ainda teima em gritar: TRUMP ou ZARQAWY, EUA ou EIIS, MERCADO ou CALIFADO, CAPITALISMO ou CORÃO.

Capital ou turbante é uma ova companheiro.

Pois hoje o cenário científico e intelectual é mais amplo, vasto e profundo do que sua vã filosofia de botequim pode imaginar.

E para além dos extremos da imbecilidade contamos com uma imensa gama de possibilidades sociais.

Sem precisar mencionar anarquismo, comunismo ou fascismo; que são sistemas viciados, mencionarei apenas a riqueza contida nas diversas propostas socialistas.

Jamais o cenário intelectual contou com tantas elaborações humanistas, destinadas a promover o fenômeno humano.

Mais do que no passado longevo, temos hoje, graças aos meios de comunicação virtuais ou a Internet, a possibilidade de realizar o sonho de nossos ancestrais ou seja da democracia direta ou não representativa e de criar uma Sociedade policrática e cidadã numa escala até então impossível. Atualmente a Democracia direta já não precisa conformar-se com os limites da cidade estado, pode transcende-los e ultrapassa-los. Eis uma visão grandiosa face a teocracia dos asiáticos e a democracia arranjada, aparente, venal e burguesa dos Yankes, a qual jamais passou de plutocracia disfarçada.

De minha parte encaro a policracia como o melhor caminho para a realização do ideal socialista. Na medida em que permite ao povo tornar-se agente de sua própria História.

O que quero dizer é que o mundo ou panorama da cultura é imensamente maior e mais amplo do que Islã ou EUA.

Tudo quando temos ai são culturas problemáticas e estruturalmente defeituosas que jamais deram ou darão certo. Pelo simples fato de serem anti humanistas. Uma por inspiração religiosa e vício econômico, sobrepor o Ter ao Ser ou o Capital ao homem e outra por vício religioso, a intolerância.

Felizmente a História nos oferece outras lições e possibilidades.

Certamente que ela não se repete nos mínimos detalhes ou não vota 'in totum' atrás.

O que não nos impede, enquanto sociedade, de retomar certos princípios e valores presentes em nosso passado e assumir outra direção.

Se a História não pode ser reeditada a cultura certamente pode renascer.

Prova disto são os diversos renascimentos culturais experimentados por diversos povos e sociedades do curso da História. Assim no antigo Egito a Renascença Saíta, cujo objetivo foi retomar os princípios e valores presentes no dealbar daquele pais. Assim a sucessão de Renascimentos ocorrida na Europa durante a baixa Idade Média e começo da Idade Moderna.

Seria possível a afirmação de outros Renascimentos no futuro?

Por que não se já ocorreram no passado?

Por que não aproveitar-se duma cultura que no passado já deu certo ao invés de permanecer atrelado a padrões de cultura que sempre deram errado?

Por que ir em direção da KKK ou do Belt Bible... por que ir em direção do machismo, do adultismo, do odinismo, da homofobia, etc? Se podemos recuperar e resgatar nossas raízes gregas, na direção da liberdade e da vida Ética; numa perspectiva Humanista?

Por que não resgatar nossas raízes autenticamente Cristãs e Católicas em termos de amor ao próximo, de amor a justiça, de amor a paz, de solidariedade, de fraternidade, de igualdade???

Por que ter vergonha de reconhecer que erramos, que nos desvíamos do bem, que temos feito um percurso errado... e de reconciliar-nos com nossas raízes?

As vezes, as vezes é necessário voltar atrás e retroceder para avançar. Pois partindo de um caminho errado ou de um desvio jamais atingiremos a meta ou o objetivo certos.

É as fontes de nossa cultura humanista que temos de tornar.

É a Atenas, Roma, Jerusalém, não Wittemberga ou Mecca, não Genebra ou Medina, não Washington ou Riad... Nossas referências são outras.

Temos de resgatar, de recuperar, de reafirmar o quando houve de positivo na cultura européia antes do advento dos tempos modernos.

Trata-se de uma reapropriação necessária face aos arroubos do islã e do americanismo com suas propostas viciadas. Não encontraremos paz ou redenção aderindo a modelos sociais incompatíveis com nossas raízes. Não encontraremos estabilidade adicionando outros tantos elementos díspares e aumentando a tensão em termos de cultura. Não encontraremos ou acharemos qualquer resposta num hibridismo amorfo e polimorfo.

Nossa cultura carece de homogeneidade e sentido, os quais só lhe podem ser introduzidos pela Filosofia e pela Religião, cujos elementos, em parte, ainda se acham presentes em seu universo. É por isso que temos de retornar a Filosofia clássica, a Sócrates, a Platão e sobretudo a Aristóteles; mestres de nossos ancestrais; e a Jesus Cristo, a seus apóstolos, a seu Evangelho, a sua tradição e a Igreja Antiga, Ortodoxa e Católica. Tais os elementos sobre os quais nossa Sociedade foi edificada há dois ou dois mil anos e meio. E cuja remoção impiedosa tem produzido tantos e tão clamorosos tumultos.

Pois uma casa ou construção não pode subsistir sem seus fundamentos e o fundamento de nossa vida social foi a um tempo Clássico e a outro Cristão. Nossa consciência foi alimentada por tais elementos, e agora mingua e morre a falta deles. Enquanto o ceticismo que se lhes sucede não constrói nada de absoluto e duradouro.

Se queremos recuperar nossa civilização cambiante, temos de começar recuperando nossa identidade e repondo as coisas em seus lugares.

Nem o ateísmo e nem o teísmo transcendente serão capazes de substituir o ideal de um Deus Encarnando e presente, como este que foi introjetado em nossas mentes pelo Catolicismo antigo e que nossos ancestrais encararam como ponto de partida para uma ação e transformação social e termos radicais. A maioria dos analistas superficiais parecerá um elemento supérfluo ou mesmo estúpido. Quando nos primeiros séculos e mesmo na Idade média correspondeu a um princípio catalizador das energias humanas e a luz do qual as estruturas legadas pela antiguidade começaram a ser poderosamente transformadas, concretizando, ao menos em parte o ideal preconizado por Sócrates.

Multiplicar palavras a respeito de tais transformações sociais, seria chover no molhado...

Quem quiser torne atrás e leia o quanto já foi escrito por nós a respeito da sociedade bizantina ou da idade média Ocidental...

Tudo quanto pretendemos expressar por meio deste artigo foi nossa recusa em compactuar com os extremistas. Para os quais nós nos deveríamos alinhar ou com os Americanizantes ou com os arabizantes; aderindo ao Trump ou ao Califa... E renunciando por completo a nossa orientação cultural e cortando pela base nossas raízes.

Quando este falso dilema já presente nas mentalidades as vésperas da queda do Império romano certamente não faz sentido algum num mundo já iluminado pelos clarões da Sociologia e das Ciências políticas, especialmente quando temos acesso ao mundo virtual da Internet, que é o meio de comunicação por excelência, e que nos permite elaborar uma discussão sobre a cultura a nível global ou universal.

Podemos, portanto e devemos buscar soluções mais ricas, inteligentes e interessantes fora deste miserável esquema binário. E não nos precisamos alinhar com quem quer que seja ou apoiar a quem quer que seja.

Por mim quero mais que os radicais islâmicos e Yankes exterminem-se una aos outros. Do que resultará um bem enorme para o resto da humanidade. Nem alla nem Mercado ou capital mas liberdade e justiça. Tal meu ponto de vista!

sábado, 26 de setembro de 2015

Nem reacionarismo nem iconoclasmo mas dialética e integração!

São as Revoluções de modo geral ferozmente iconoclásticas, encarando como nefasto tudo quanto esteja relacionado com o passado ou seja antigo. Talvez por isto contem com o apoio decidido de parte da juventude. Não de sua totalidade pois existe quase sempre um núcleo mais ou menos amplo de jovens reacionários, a par de um pequeno grupo de idosos revolucionário. Pelo que não se trata duma realidade simples mas bastante complexa!

Já as contra revoluções são essencialmente reacionárias, tendendo ao extremo oposto, ou seja, a encarar o novo como sinônimo de mau. E aspirando por a sociedade descarrilhada nos velhos trilhos!

Não poucos ainda hoje partilham do delírio revolucionário, inaugurado pelos jacobinos em 89. Assim os comunistas e grande parte dos anarquistas. Para uns e outros é a tal revolução uma espécie de panaceia destinada a extinguir todas as mazelas que afligem a pobre humanidade.

Nem por isso a arqueologia ideológica das Revoluções deixa de ser interessante. De fato o revolucionarismo surge inconsciente - apenas enquanto método violento e não como via de transformação social - com a reforma protestante, adquire certo grau de consciência com a Revolução inglesa, até tornar-se plenamente consciente em 89; a partir daí assume o caráter místico a que nos referimos e torna-se parte essencial de todos os credos iconoclásticos.

A par dos revolucionarismos outrora dominantes, temos hoje os revolucionarismos invertidos ou reacionarismos. Os quais buscam reproduzir um estádio histórico já superado ou restaurar nos mínimos detalhes as estruturas sociais já desgastadas. O método no entanto é sempre o mesmo: o golpe ou a violência. Ademais os reacionarismos do tempo presente, como o fascismo e o nazismo são tão anti humanos quanto os revolucionarismos e tributários da mesma cultura de morte.

Nem uns nem outros lograram compreender a dinâmica das sociedades e o processo histórico.

Os revolucionários por encararem as Revoluções como um começo ou ponto de partida, quando são na verdade o ponto final de uma civilização ou o colapso de uma cultura. De fato as revoluções são para o organismo social o que a decomposição é para um corpo morto. Quando o espírito ou a ideologia que inspirou a composição de uma dada sociedade deixa de existir, a estrutura social se desfaz juntamente com ele.

Assim, se por um lado não podemos aplaudir as Revoluções ou entusiasmar-nos por elas; também não podemos cogitar em evita-las e muito menos sataniza-las mas buscar compreender suas causas. Na maior parte das vezes são as Revoluções inevitáveis. Pois correspondem quase sempre a uma necessidade imposta pelo processo histórico. Para a maior parte dos teóricos sequer é possível humaniza-las ou suaviza-las; pois é da natureza das Revoluções fugir ao controle ou a um planejamento racional.

É uma fermentação que não pode ser contida.

Até que os excessos e abusos tenham sido purgados.

Caso alguém aspire por atalhar uma Revolução deverá atuar a longo prazo buscando sanear o corpo social, identificar suas patologias e preceituar-lhes os remédios que melhor convém. Neste sentido podemos dizer que as reformas sociais são os únicos medicamentos capazes de, a longo prazo, barrar uma Revolução. Impedir que o corpo social adoeça ou em caso de doença propiciar-lhe a melhor das terapias é o caminho mais acertado.

Implica admitir que alterações e mudanças devem ser institucionalmente viabilizadas. Na maioria das vezes é o conservadorismo beócio matriz de todas as Revoluções e aqueles que gostam de repetir que tudo esta bem são seus verdadeiros patrocinadores. Manter a todo custo uma ordem meramente formal  ou uma desordem institucionalizada e isenta de ética é alimentar o sentido da Revolução.

No entanto, é vezo do reacionarismo cego imaginar a revolução como capricho arbitrário da vontade humana ou algo produzido por forçar individuais. O máximo que o carisma pessoal é capaz de fazer, é reconhecer os 'sinais dos tempos' e evocar o espírito da Revolução. A Revolução só ocorrerá de fato se o discurso emitido por ele encontrar consonância no corpo social, então obterá apoio e a Revolução será feita. Não pode a pessoa ser bem sucedida em seus apelos revolucionários caso as devidas condições sociais estejam ausentes.

Revolução, como febre é sempre sinal de problema.

Agora implementada a Revolução, jamais a Sociedade será capaz de retornar as condições anteriores a ela. Daí a total inutilidade dos reacionarismos truculentos. Força ou poder algum será capaz de restabelecer por completo as estruturas demolidas.

Pecam os reacionários em quase sua totalidade por recusarem-se a ver algo de positivo nas revoluções.

O único tipo de reacionarismo viável aqui seria crítico, seletivo e essencialmente pacifico, porquanto fixado na ordem das ideias, buscando planejar um novo tipo de Sociedade, capaz de conciliar o que havia de bom no modelo antigo com a satisfação das novas demandas sociais. Para além disto é próprio do descontrole e dos abusos produzidos pela Revolução, despertarem uma certa reação, arrefecimento ou recuo. Já se disse que a Revolução, a semelhança de Cronos, devora seus próprios filhos... que degenera em lamentáveis abusos, que torna-se criminosa e contraproducente...

Trás assim, em seu bojo, os elementos teóricos ou ideológicos duma crítica contra revolucionária.

Esta será cega e odiosa caso desconsidere o sentido da Revolução e suas causas.

Lúcida e refletida caso incorpore a si a parte justa das demandas suscitadas e os anseios da população.

Do que resultará um novo tipo de sociedade a um tempo reacionária e a outro revolucionária, segundo a acomodação das necessidades e elementos.

Será reacionária por não ser iconoclástica e tomar ao passado ou a realidade anterior elementos que sejam atemporais, imperecíveis e saudáveis. Contemplando o passado sem ódio, mas igualmente sem qualquer servilismo tosco, quiçá como fonte de inspiração. Será revolucionária por incorporar todas as críticas que sejam justas ou eticamente fundamentadas. E sendo assim nãos será uma coisa nem outra...

Dialeticamente os extremismos tenderão as ser superados, dando espaço a uma saudável acomodação e a um padrão mais equilibrado de Sociedade.

Querem evitar o cataclismo das revoluções?

Neste caso não ignorem as demandas sociais permitindo que se acumulem.

Não permitam que a situação das massas torne-se desesperadora ou angustiosa. Pois s revolução alimenta-se justamente de angústia e desespero.

Neste sentido cabe ao poder político atuar como elemento regulador da atividade econômica impedindo que os mais ricos e poderosos oprimam o elemento produtor. A limitação das ambições econômicas individuais por um poder político cada vez mais independente, bem como a afirmação de garantias e direitos sociais, a contenção da miséria, a eliminação da ignorância, a promoção integral do ser humano, a ampliação das oportunidades, etc constituem o melhor caminho a ser tomado caso desejamos colher serenamente os frutos da paz e da concórdia.