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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Egiptologia e conservadorismo

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Costumamos ler e ouvir, amiúde, em diversos artigos, livros ou documentários a respeito do antigo Egito que esta Civilização manteve-se praticamente imutável e estática ao cabo de quase três mil e quinhentos anos a contar de Scorpion ou Narmer (Menés) a bela Cleópatra. Especialmente no campo da religião e da arte nada teria mudado... Recordo-me bem de que no quinto ano, quando contava com doze anos de idade, ao ficar ciente disto - i é da suposta imutabilidade egípcia - fui fortemente impactado.



Psicologicamente aspirava pela estabilidade. Foi o início de minha jornada conservadora, alias alimentada pela cultura tomada ao protestantismo e sua moralidade tosca. Desde então o Antigo Egito converteu-se na pupila de meus olhos e no foco de minhas atenções; e tudo quanto era livro didático corroborava a fábula ou mito do Egito imutável.

Para minha maior sorte, desde os vinte anos, comecei a pesquisar por mim mesmo e ler coisinhas mais sérias assim Lange, Pierre Montet, Vandier... até que cheguei a Etienne Drioton... E toda quimera se desfez. Cedendo lugar a uma compreensão mais objetiva e real. Um dia temos de tomar vergonha e folhear Moret ou de dar ouvidos a Dra Fletcher ou a Gunther Dreyer... Então os ídolos partem-se e caem todos por terra.

Não, o Egito não foi a Sociedade imutável dos idealistas e românticos. Foi uma cultura estável e resistente, mas, de modo alguma uma sociedade paralisada por três mil anos. Ademais uma tal visão seria tão utópica quanto o livre mercado dos liberais, o fim do estado dos anarquistas ou o futuro sonhado pelos comunistas. Nem mais nem menos.

A pirâmides por exemplo não foram uma constante... As primeiras foram supinamente ignoradas por Narmer, Aha, Djer, etc e assim até Djoser, que floresceu em 2.615 a C, durante a quarta dinastia. E já haviam caído em desuso durante o novo império, de modo que as últimas foram construídas para servir de tumbas aos construtores das tumbas reais do Vale dos Reis - que moravam em Deir el Medina - pelos idos de 1100... A bem da verdade outras tantas centenas de pirâmides foram erguidas do oitavo século a C aos primeiros séculos de nossa Era, mas pelos faraós ou melhor pelas faraonas negras (Candaces) de Meroé ou Khush, assim Amanitore, Amani Shesketo, Amanirenas, etc os quais desejavam ser mais egipcios do que os próprios egipcios... No Egito porém já haviam saído de moda há mais de milênio. Ademais os meroíticos, núbios ou etíopes nem sempre respeitaram a forma da pirâmide egipcia - cuja base era quadrangular - chegando a edificar pirâmides de base triangular ou perfeitamente triangulares.

As próprias múmias, que constituem para muitos uma constante na História daquele pais, remontam a Snefru, o construtor da primeira pirâmide em Dashur. Anteriormente as múmias eram produto natural do meio e não produto de intervenção humana. Por outro lado, embora a mumificação só tenha sido abandonada nos primeiros séculos desta Era, devido a influência da fé Cristã, com seu conteúdo judaico, a máscara com que buscavam reproduzir as feições do falecido não conservaram a mesma forma. Assim, alguns séculos antes desta Era, os fayumitas passaram a introduzir nas faixas da múmia umas tabuas ou painéis pintados conforme o gosto helênico ou romano ao invés das velhas máscaras de madeira ou metal que reproduziam o gosto estético dos egípcios. Ao que parece este novo estilo arraigou-se por todo Delta...

Mesmo a medula da religião egipcia, centrada na vida eterna, segundo Drioton, não deixou de passar por drásticas transformações no decorrer dos séculos. Trata-se de um histórico a ser melhor considerado e Drioton pode defini-lo como uma paulatina democratização. Pois a princípio apenas o Faraó tinha acesso a vida eterna, caso os ritos funerários fossem executados. Posteriormente no entanto, a guiza de recompensa, o faraó adotou o costume de conceder tumbas, rituais e consequentemente o acesso a vida eterna seus familiares e colaboradores, assim ao vizir e aos nomarcas; assumindo o além uma forma aristocrática. Com a generalização da mumificação, do jazigo e dos livros mortuários; no Novo Império, a maior parte dos egípcios passou a revindicar acesso a vida eterna, com o 'placet' de seus reis...

Além disto a própria concepção de vida eterna não cessou de transformar-se durante todo este tempo. Pois se é certo que os primeiros faraós, adeptos de uma simples dicotomia - acreditavam que passariam a eternidade ressuscitados em suas tumbas consumindo oferendas, os textos gravados na pirâmide de Unis ou Venis, dão já a entender que ao menos durante o dia o Faraó podia tomar carona na Barca de Rá ou ascender aos céus. Passados alguns séculos a adoção de um modelo tricotômico possibilitou que o espírito do Faraó ascendesse ao mundo divino enquanto que seu corpo ressuscitado (ou habitado pela alma) continuasse a viver em sua sepultura... Os próprios nobres e populares adotaram semelhante modelo, passando a crer que enquanto seus corpos ressuscitados tornariam a viver nas tumbas, o espírito migraria para um local bastante parecido com as margens do Nilo ao que passaram a chamar 'campos elíseos'.

Portanto sequer o cerne da religiosidade permaneceu estático ou fixo entre eles mas sujeito a constante alteração. O mesmo pode ser dito com relação aos deuses. Uma vez que o posto de deus supremo ou rei dos deuses sempre coube ao principal deus cultuado na capital do pais - O Rá da Heliopólis pré dinástica, Phtá de Mênfis durante o antigo Império e por fim o todo poderoso Amon de Tebas, durante o Novo Império. Daí o esperto Usirmaré Setepenre Ramsés II, fazer-se ladear por Rá, Phtá e Amon em seu templo de Abu Simbel. Assim a fama ou status da divindade acompanhou as mudanças administrativas porque o pais passou em seus três mil anos... Até chegarmos a Serapís, o grande deus do período helenístico, cujo principal centro foi Alexandria.

A própria concepção de divindade não deixou de conhecer significativa alteração. Uma vez que Akhenaton aspirou substituir o henoteísmo vigente pelo monoteísmo, da mesma maneira como o henoteísmo havia eclipsado o politeísmo vigente nas primeiras dinastias. Nem foi o culto popular ou folclórico aos animais tão marcante como após o século XII, chegando a predominar no período helenístico. Após ter sido incipiente após o antigo e o médio impérios.

Diga-se o mesmo a respeito de diversas técnicas ou modos de produção. Os quais apesar de sua repugnância os egipcios tiveram de adotar e alterar, tendo em vista a perpetuação de sua autonomia. Assim o emprego dos carros e cavalos, do arco duplo e da machadinha estreita tomados ao invasor Hicso ou Heka Shasut. E mais tarde, ao tempo dos Hititas, a adoção das armas de ferro, em detrimento as de bronze...

Mesmo no plano da arte não se puderam manter estáticos. E se a arte de Amarna apresenta sérias rupturas as estátuas de Senusret III, que remontam ao Império médio, denotam um realismo espantoso. Já ao tempo de Ramsés III, a arte minóica faz sua primeira aparição no Delta...

O próprio caráter ou significado mais íntimo dos faraós também apresentou significativa alteração. Assim nos impérios antigo e médio, o rei é encarado como divino enquanto sacerdote ou representante da divindade; mas só se torna um 'deus' efetivamente, após sua morte. É filho adotivo ou como querem alguns emanação do Sagrado, mas não uma divindade como Rá, Phtá ou Amon aos quais deveria servir. Mentuhotep e Senusret estavam, ao que parece, bastante conscientes de sua humanidade...

É ao correr do Novo Império que as coisas assumem nova configuração, em conexão com o culto do todo poderoso Amon, a esta altura hipostasiado com o velho Rá, o Sol. Hatchepsut, filha de Tutmósis I e esposa de Tutmósis II, buscando legitimar seu poder, em detrimento do enteado - o futuro Tutmés III - e com o decidido apoio de Hapuseneb, alto sacerdote de Amon, não hesitou em recorrer a patranha e recorrer a um mito em torno de sua concepção miraculosa. O deus Amon, assumindo forma humana, havia coabitado com sua mãe... sendo ela filha do próprio deus e portanto uma deusa ou deus encarnado... Desde então pode governar sossegada pelo espaço de uns quinze anos. O preço que pagou pelo poder no entanto foi bastante caro...

Pois cada Faraó deveria compor-se com o poderoso clero de Amon para manter tais fábulas. Não Tutmés III, o Napoleão do antigo Egito, que manteve sua reputação ímpar, devido a seu staus de guerreiro invencível. Seja como for ele não deixou de despejar toneladas e mais toneladas de ouro no Ipet Sut, e de fortalecer o sacerdócio... e assim seus fracos sucessores. Até que o grande sacerdote tornou-se tão poderoso quanto o Faraó, é uma ameaça a seu poderio... Foi quando Amenhotep III, sem romper com os sacerdotes de Amon, retomou, discreta, mas decididamente, a estratégia de Hatchepsut.

Até então, o maior templo do pais estava situada na banda Leste do Nilo, em Tebas, a capital e era Karnak ou o Ipet Sut, com seus quase quarenta acres e oitenta mil servidores, um autêntico feudo sacerdotal... Amenhotep no entanto, optou por construir um templo ainda maior na outra banda, a banda Oeste do rio, a saber seu templo funerário ou necrópole, onde viria a ser adorado após a morte. Era este templo algo absolutamente soberbo e sem precedentes no pais e apenas Abu Simbel viria a faze-lhe sombra século e meio depois. Atualmente restam dele apenas os dois colossos, ditos de Mennon, cada qual com vinte e um metros de altura. Champollion e Rosellini chegaram a ver os pedaços de outros dezoito, alguns dos quais estão sendo desenterrados e restaurados enquanto escrevemos estas linhas. Quantos haviam na realidade não o sabemos... Compunham um verdadeiro exército de gigantes... Amenhotep faz-se apresentar tal e qual os deuses, em pé de igualdade... A mensagem é bastante clara: Ele mesmo é um deus vivo a ser cultuado sobre a terra e assim sua esposa Tyi. Mas não é certo que seu pai fosse Amon, quiçá fosse o velho Rá ou Aton, importava que ele era um deus vivo, concepção que seus sucessores - Horemheb, Seti e sobretudo Ramsés II, jamais abandonaram.

Também a forma do trabalho alterou-se significativamente no decorrer daqueles três mil anos. Devido a experiência porque passaram os antigos hapiru ou semitas, o modo grego de encarar o mundo e as películas de Cecil B de Mille fomos levados a crer que as pirâmides e a grande esfinge de Gise, haviam sido construídas por hostes ou multidões de escravos, conduzidos a ponta do chicote. Hoje, graças a descoberta da Vila em que viveram os construtores de tais monumentos, sabemos ser tal visão completamente falsa ou anacrônica. Tais trabalhadores eram livres e trabalhavam durante as cheias, sob corvéia; sendo além disto alimentados, vestidos e assistidos pelo estado. Acreditavam além disto que erguendo o túmulo do Faraó estavam colaborando em sua deificação e consequentemente colaborando para que a maat ou ordem das coisas fosse mantida.

Posteriormente no entanto foi o carater das coisas sendo paulatinamente modificado. Assim Senusret despeja no Egito milhares de escravos trazidos da Núbia. Tutmés III despeja outros tantos infelizes trazidos da Núbia e em seguida da Palestina após cada uma de suas campanhas e o Egito vai sendo atulhado por escravos estrangeiros cuja mão de obra deve ter sido ostensivamente empregada por Amenhotep III, Seti e Ramsés em suas obras colossais ou 'faraônicas'...

A conclusão a que buscamos chegar é bastante simples: A ideia segundo a qual o Egito se manteve imutável e estático durante todo este tempo é artificial e forçada e corresponde mais a nosso desejo de que as coisas não mudem ou de que o fluxo das mudanças torne-se menos intenso, do que a realidade e somos nós que projetamos nossas inseguranças e temores no passado formando uma imagem 'conservadora' do antigo Egito, uma imagem que é bastante cara para muitos, mas que jamais existiu... Enfim nossa imagem forçada daquele antigo país não passa de mais um álibi ideológico com que procuramos reforçar nossas aspirações e esperanças. Nada de Histórico, concreto ou real. Afinal nem o Egito antigo nem qualquer outra sociedade poderiam fugir aquele fluxo dinâmico que caracteriza tudo quanto é propriamente humano.



quarta-feira, 24 de maio de 2017

Conversações amistosas com Mr Ladrofê sobre a gênese do autoritarismo e suas fontes face ao espírito do Catolicismo I

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Antes de iniciar este diálogo farei a meu interlocutor o mesmo apelo que Gulliver fez a seu amo Huynhnhms, rogando que não se ofenda com o quanto haverei de dizer, pois sou daqueles que prezam mais o dom da amizade do que as controvérsias em torno da verdade.

Por isso rogo que ouça-me com paciência, exercendo tolerância para com alguém que sendo demasiado lerdo e assaz ignorante deseja apenas aprender.

Principio esta resposta aludindo a vossa apreciação, segundo a qual minha Apologia a liberdade individual vai totalmente de encontro ao ethos essencial da Societas Christiana.





A TUA OPINIÃO NÃO É ESSENCIAL



Antes de tudo convém assinalar que caso tua assertiva fizesse parte da estrutura de nossa Santa Religião - como algo essencial - seria necessariamente Revelada e assim DOGMÁTICA, correspondendo sua negação a uma heresia.


O que de modo algum se verifica.
 

Bastando para demonstra-lo o número COLOSSAL de Católicos - incluindo teólogos, monges, clérigos, presbíteros, Bispos, arcebispos e Patriarcas - de comprovada Ortodoxia, os quais opuseram-se pública e oficialmente a ela. 

Admitida a Ortodoxia de tua assertiva ficam todos eles sendo hereges - que por sinal passaram desapercebidamente pela Igreja e até foram canonizados 'por descuido' -  e tu e alguns poucos modernos, inovadores e introdutores de crenças alienígenas, ficam sendo os únicos Católicos e Ortodoxos da face da terra, o que é rematado absurdo, pois não podem nem os indivíduos isoladamente ou qualquer minoria estar em posse da verdade e a maior parte da igreja no erro sem que esta deixe de ser Católica para tornar-se tão sectária quanto a 'El Shaday' ou a 'Elohim rafá'. Equivaleria suster a doutrina protestante e herética da apostasia... E isto sim é herético. Além de beirar o individualismo e atentar contra o ideal comunitário da fé ou contra o que chamas de Societas, pois o fundamento da Societas ou da República Cristã é a uniformidade da fé e seu caráter universal.


Assim o argumento reverte. Se eles estão corretos, o amigo é que está em erro gravíssimo, opondo-se como de fato opõem-se ao sentir comum dos teólogos, doutores e Bispos, mestres em matéria de fé e ética. É uma posição semelhante a dos protestante e próxima a heresia, além de comportar certa presunção e arrogância. O sentido comunitário nos obriga a declarar que estais equivocados, e eles, o concerto dos teólogos, correto.

Brida-me você com uma afirmação gratuita e eu - que gratuitamente poderia descarta-la - impugna-la-ei com base nas fontes de nossa fé.




Não esta de acordo com a sunah dos primeiros Cristãos


Tecida tal conjectura, passo a tese segundo a qual sua opinião - Autoritária, despótica ou tirânica - é a que de modo algum se sustenta nos domínios da História do Cristianismo primitivo, conjuntura em que os Católicos lutaram contra o poder autocrático do César romano em nome de sua liberdade religiosa - a qual é essencial e inalienável - tornando-se mártires da fé.

De fato o Cristianismo principia sua carreira opondo-se a doutrina pagã, segundo a qual a potestade secular compete exercer juízo em matéria de fé. Noutras palavras, que concerne ao poder político julgar e regular a crença religiosa.


Nem se diga, aleivosa e falsamente, que se tratava de mera questão teórica em torno de fé ou doutrina que é resposta boa para luteranos. Os católicos resistiram ao governante em questões de ética, comportamento e ordem prática, recusando-se a compactuar com a chaga da escravidão, e a alistar-se no exército com o propósito de fazer guerra e chacinar populações inocentes. Tais censuras constam na Tradição Apostólica de Hipólito romano, seguindo a pena de excomunhão contra os renitentes...



O veredito inapelável dos Santos Padres


Diante disto nossos Mestre e doutores, presbíteros e Bispos  - Justino, Atenágoras, Teófilo, Tertuliano, Orígenes, Quadrato, Melitão de Sardes, Lactâncio, Arnóbio, Clemente de Alexandria, Hipólito, etc - compusera inúmeras APOLOGIAS NAS QUAIS SUSTENTARAM UNANIMEMENTE A LIBERDADE DA PESSOA HUMANA NO PLANO DA CONSCIÊNCIA COMO ITEM PERTENCENTE A DOUTRINA DA FÉ. 


São eles que julgam, definem e apresentam a fé Católica não tu, nem os poucos expositores posteriores citados por ti, os quais devem conformar-se em tudo com a tradição em matéria de doutrina ou ser classificados como heréticos, exatamente como os protestantes, que repudiam a tradição e exercem um liberalismo ímpio que é o livre exame; heresia é escolha, Católicos não podem escolher o que crer ou não crer, aceitam a revelação em sua integralidade ou põem-se fora da igreja com os pagãos e publicanos.

Curioso que para destruir o liberalismo legítimo sempre ensinado pela igreja assumas o liberalismo mais ímpio e hediondo de todos resistindo a tradição sagrada e imitando os protestantes e heréticos. Pois a tradição é a lei da igreja.

Basta o amigo tomar esses documentos e ler PORQUE LÍ TODOS. 

Os fatos ai estão postos e desafio-o publicamente a demonstrar que estou equivocado e que o ensinamento dos santos padres é outro.

CAINDO NO MAIS ABJETO LIBERALISMO


O ensinamento dos padres é absolutamente normativo e obrigatório, E A ÚNICA LIBERDADE QUE NÃO EXISTE, É JUSTAMENTE A DO CATÓLICO OPOR-SE A ELE, PORQUE É A TRADIÇÃO E LEI DA IGREJA, quem o diz não sou eu mas o Bossuet - Bossuet bem sabia do que estava falando porque exerceu controvérsia contra os protestantes então seu testemunho é precioso - citado por ti na obra contra Ricardo Simon - "Tolle et lege'.

Quem repudia o ensino comum dos padres e ensina coisas que não ensinaram é fautor de heresia. É o que diz Vicente de Lerins no Commonitorium,  e realmente não o que discutir - Senão por caridade e condescendência - pois todo e qualquer herege é como pagão ou publicano, estando separado de Cristo como ramo quebrado da videira, e posto ao fogo.


Apesar disto ousas declarar: E digo mais> Não troco uma linha de autores mais recentes como Joseph de Maistre, Donoso Cortés, Charles Maurras ou Carl Schmitt por todos os escritos dos santos padres.

Palavras estranhas e até impudentes na boca de um Católico!
Os protestantes alegaram exatamente a mesma coisa quanto a seus reformadores - É o mesmo espirito e o mesmo principio anti tradicional e essencialmente anti Católico.

É a mesma tática usada pelos 'católicos' do Von Mises contra a doutrina social da igreja... Peidam para os Santos padres, sínodos e concílios e se consideram bom Católicos vivendo a lá luterana, como se a Igreja, a exemplo da seita de Lutero, não tivesse uma lei.


Chama-se rebelião, sedição, subversão, apostasia. Não sou eu quem o diz mas o Concílio de Trento válido para todos os papistas e segundo os quais nada pode ser sabido ou interpretado em termos de Cristianismo sem recorrer-se aos santos Padres!

A igreja é órgão essencialmente tradicional e absolutamente imutável e citar milhões de nomes de mestres inovadores e profanos não muda absolutamente nada.


ERAM OS SS PES IDIOTAS???

No entanto continuas em tuas objurgatórias anti tradicionais: As lições dos santos padres em matéria de pensamento social e filosofia política não têm hoje qualquer aplicabilidade prática, constituindo tão somente mera curiosidade para o erudito nessa seara,

Isto porque você ou imagina que não passavam 
de capiaus ou tabaréus estúpidos e indoutos, quando a História apresenta-os como poliglotas, sagazes, eruditos, iniciados na mais profunda Filosofia, mestres consumados que deram bases a nossa teologia, conselheiros acatados de príncipes, reis e senadores, etc Havia deles que dominavam hebraico, aramaico, latim, copta, armênio, etc E que conservaram-nos praticamente tudo quando sabemos sobre os escritos perdidos dos antigos pensadores!
 
Para depois apegar-te a teólogos imperiais que não conheciam misera linha de grego e julgavam conhecer os santos Evangelhos rsrsrsrsrs Mas me poupe!

Caso sejam como foram homens geniais, excelentes, colossais, preparados, habilidosos; como eram e estando de acordo evidente que suas opiniões, no mínimo deveriam ser bem pesadas e consideradas. Não menos que as de Sócrates, Platão, Aristóteles, Zeno, Cleantes, Crísipo, Cícero, etc


É O CATOLICISMO MERA FÉ OU CRENÇA???


A outra hipótese, pior e mais grave, é a ideia segundo a qual a religião Católica resume-se a uma fé ou mística que não se estende como lei ética e projeto social a todos os setores humanos, racionais e livres da existência, abarcando-os por completo e transmudando-os em Cristo. Aqui o erro assume proporção colossal!

Neste caso esvaziar o Cristianismo ou o Catolicismo para converte-lo numa fé somente ou teoria porque somos magicamente salvos no além - Logo completamente desvinculada da imanência e do comportamento humano - é solifideísmo protestante como assevera Maritain nos 'Três reformadores' o qual por sinal admite e deplora que alguns católicos mal informados e confusos tenham adotado esta perspectiva ímpia que esta na base de nossa crise civilizacional.

Ora os papas romanos, lideres de sua religião, tal e qual os SS Padres, legislam sobre todas estas matérias, política, economia, etc e prova cabal disto é a existência de uma doutrina social da igreja alias, magistral e admirável. É prova de que a igreja revindica para si a inspiração de todas as ações humanas, tendo em vista encaminha-las para um fim ético. O contrário é naturalismo. A igreja NÃO admite que seus filhos 'cristãos' adotem QUALQUER TIPO DE  ÉTICA NATURALISTA.

Todo setor da atividade humana pertence a ética e portanto a vida da igreja, quanto aos aspectos racional e volitivo, escapando-lhe apenas o absolutamente material, estrutural ou formal. A parte humana sempre revindicou para si.





O EVANGELHO NÃO É OMISSO!

Continuas e declaras que uma vez que o Cristo não fixou códigos de conduta a serem seguidos cegamente pelos homens (muito embora o SERMÃO DA MONTANHA seja um claro esboço nesse sentido), a Igreja ao longo dos séculos assim o fez. Ao homem comum não deve ser dada qualquer liberdade de escolha, sob hipótese alguma.

Erras. Fixou o código de conduta ética mais excelente O SERMÃO DA MONTANHA e deixou sua sunah ou exemplo a qual também é fonte de ensinamento e lei para os Ortodoxos, não menos que a vida de Maomé para os maometanos.

 
Tal a doutrina do livro sagrado ou Evangelho.

No jamais observamos o Mestre (Para com os apóstolos ou discípulos) procedendo como déspota, repressor, e arrogante - Embora fosse de fato o plasmador do Universo e Todo poderoso - mas, sempre e invariavelmente como educador compassivo e amoroso. A PONTO DE APRESENTAR-SE COMO SERVIDOR DE TODOS E LAVAR-LHES OS PÉS,  convertendo-se em modelo do homem público, servidor do Bem Comum.

 
Assim quando João, ainda demasiado jovem e ignorante, aconselha-o a fulminar a vila dos samaritanos que haviam se recusado a recebe-lo e a honorifica-lo, O SENHOR O REPREENDE E DECLARA: Não sabeis porque espírito estais tomados... Porque o espírito de Cristo não é espírito de cólera, vingança, ira ou repressão, mas de paciência, compreensão, condescendência e tolerância face aos mais frágeis.


E quando Pedro usando de coerção física, golpeia a orelha de Malchion com a espada, o Senhor determinaGuarda-a na bainha porque os que apelam a espada por ela serão destruídos  e não como um Thomas Muntzer: Corta, esmaga, pica, esquarteja...





A igreja não TEM PODER para mudar ou alterar os ensinamentos de seu divino fundador







Presumes então que a falta de boa orientação no Evangelho ou discuido da parte de Jesus e seus amanuenses que a igreja fez vigorar outras leis e estatutos.

Não procede.

Nem a igreja romana e tampouco a Ortodoxa jamais revindicaram ter poder para alterar os ensinamentos doutrinais ou práticos (Éticos) de Jesus Cristo emendando suas palavras ou corrigindo o Evangelho, pretensão que todos os Catolicismos classificam como essencialmente blasfema.

Segundo o dr Jungman em Luz e Vida a função de igreja é manter, conservar e guardar fielmente se mínima alteração o que lhe foi confiado.

Assim não esta em seu poder - E ela sempre o reconheceu contra todos os heréticos em especial contra os protestantes, que sendo iluminados revindicam para si tais pretensões - ALTERAR SUA TRADIÇÃO, A TRADIÇÃO É IMUTÁVEL E SUAS BASES ASSENTES NA MAIS REMOTA ANTIGUIDADE. Segundo Crisóstomo a mudança na fé é heresia abominável.

Por isso Waso de Liege e mesmo o agostiniano Bernardo de Clairvoux  - este no século XII !!! -sustentou em alto e bom som a Liberdade de consciência segundo a norma e regra da tradição. Ora Bernardo de Clairvoux a seu tempo era considerado o Oráculo da Europa e árbitro infalível no âmbito da sã doutrina! Isto a ponto do Papa Eugênio beijar-lhe os pés e receber-lhe o 'catecismo'!

Aqui é onde inexiste liberdade algumaPara inovar e romper com a tradição ancestral fixada para todo sempre, quem o faz é herege, quem nega a tradição PROTESTANTE, não Cristão. PROTESTANTISMO É O NOME DESSE LIBERALISMO INSIDIOSO!!!

Posteriormente (Século XVI)foi a mesma doutrina defendida por Genebrardo de Aix, F Fevardentius, Nicolas de Lisieux, Fénelon, etc até a vulgaridade. Quase todos os que defenderam a Liberdade de consciência eram controversistas anti protestantes, sintomático mais uma vez!


NÃO ELES NÃO ERAM MINORIA


Em seguida apelas as circunstâncias e declaras que em pleno ano 313 (Édito de Milão - Constantino César) eram os Cristão minoria e que por isso não podiam tomar armas e chacinar os pagãos em nome de Cristo.

Certamente te equivocas.

Não era minoria alguma, Tertuliano na Apologia, escrita em em 185, assevera que a seu tempo os Cristãos eram já larga maioria, atulhando as cidades do império e que poderiam sublevar-se pela força e conquista-lo, se assim o desejassem, acrescentado que 'No entanto não lhes era permitido fazer por força da lei divina... pois o Senhor os havia enviado pela persuasão da palavra e não com espadas, lanças e vara paus.'

Alias foi o mesmo Tertuliano, noutra parte, que declarou, em nome da Igreja Católica, que a fé não pode vir por imposição, sendo filha da liberdade. Assim Arnóbio e Lactâncio, todos doutores da igreja não opinões ou heréticos.


Declaras que nossos ancestrais, os mártires, eram desorganizados rsrsrsrsrs e por isso hesitaram em recorrer as armas e exterminar os pagãos.Erras ainda - Hesitaram em fazer porque ao contrário dos neo Católicos - Que são absolutamente levianos e incoerentes - eram conscientes, coerentes e portanto submissos a norma e regra da tradição face a qual qualquer mudança ou alteração era vista como abominavelmente ímpia.

Do contrário o amigo deveria explicar-nos (cf Hstr 
dos arianos pelo cardeal J H Newman) porque ainda no século IV (os Cristãos estúpidos estavam demorando muito para aprender com os assírios a empalar seus inimigos) os Cristão Ortodoxos, que eram maioria no Império, foram atacados pelos imperadores arianos e seus exércitos e não revidaram constituindo outro exercito fazendo guerra e massacrando seus adversários???
Optando pelo contrário por gastar resmas e mais resmas de papel e muito mas muita saliva buscando convencer seus perseguidores 

Por que S Atánasio o Grande, defensor da fé nicena, não chamou o exército em sua defesa e não armou os Católicos para que exterminassem os arianos?

Por que S Ambrósio, tendo sua basílica invadida pelo heréticos não recorreu ao gládio e exortou o povo a resistência física?

Por que Hilário e Crisóstomo ao invés de terem amargado o exílio não criaram milícias e estimularam a sedição?

 
Eram ainda minoria desorganizada em pleno século IV sob Teodósio???


ENFIM POR QUE QUANTO MAIS PRÓXIMOS DE CRISTO E DOS APÓSTOLOS MAIS IDIOTAS E IMBECIS FICAM OS CRISTÃOS, e quanto mais afastados deles mais 'organizados', pragmáticos (!!!), inteligentes, espertos ficam???? 


A ponto de especular sobre tática, estratégia, Sorel, etc??? Espertos mesmos devem ser esses reformadores protestantes, afinal quem mais afastado no tempo e no espaço desta gente beócio do que eles?

Alias se é para sacrificar capciosamente parte da fé Católica e cultivar meia infidelidade, sacrifique-mo-la por completo e nos façamos espertos, belicosos e totalitários protestantes, os quais por sinal são mestres consumados em todos estes domínios!!! Digo-o por experiência própria como ex protestante!




A IGREJA NÃO CONHECE TÁTICA, ESTRATÉGIA, PRAGMATISMO, MAQUIAVELISMO... 


Devo alertar-te ainda de que a Igreja não muda de tática ou estratégia, não negocia seus princípios, e não se adequa a circunstância - poluindo seus princípios - pelo simples fato de não ter sido fundada pelo histrião Nicolas Maquiavel e de tampouco confundir-se com o partido comunista ou a cabala de Michel Foulcaut, focos de veneno relativista.  Seus ensinamentos éticos transcendem o tempo e espaço, e equivalem a princípios eternos, imutáveis, definitivamente fixados pela tradição e inegociáveis.

O que ensinou ontem a igreja ensina hoje e ensinará amanhã, sem consideração de circunstâncias externas, oportunismo, atenuantes... Tal a força divina de sua autoridade moral.

Assim 
Sua relação com o poder, a política, a sociedade, etc foi fixada já nos primeiros séculos.



O ESSENCIAL AO ETHOS DA SOCIEDADE CRISTÃ A RESPEITO DO QUE A IGREJA E TRADIÇÃO NÃO PODEM SE PRONUNCIAR AUTORITATIVAMENTE - QUE TROÇO É ESTE?



Embora tenhas começado por apresentar tua opinião autoritária como ESSENCIAL em termos de sociedade Cristã. Dali a pouco - Quando apresento a fé normativa da Igreja em oposição a tua opinião individual e falível e muito liberal - te sais com esta: Não há como ter princípios fixos - Isto é a Igreja Católica ou a tradição rsrsrsrs -  num terreno essencialmente movediço, pautado pelo caráter errático e arbitrário da ação humana, como a fenômeno político.

NOBRE amigo, estas mais uma vez apresentando a igreja como omissa, descuidada, irresponsável. Tal princípio é naturalista e manifestação do próprio estruturalismo político. É a etern
a miséria repetida pelos liberais economicistas contra a doutrina social da igreja. Usam as exatas e mesmas palavras para declarar que a igreja não pode ser intrometer na atividade da economia, o que é pura falácia, uma vez que psicologia, filosofia, sociologia, etc são esferas da ação humana e que esta jaz sob o domínio da ética! (O contrário disto - do primado da Ética - chama-se positivismo ou materialismo!)
Implica absoluta falta de conhecimento a respeito do Catolicismo antigo e mesmo medievo, de suas atuações, revindicações, pretensões, etc. 

A Igreja Católica não consiste numa fé ou teoria miserável - Isto é protestantismo - mas em sentido de existência, regra de vida e projeto social absolutamente acabado; possuindo assim uma ética que é objetiva, normativa e fundamentada na tradição dos padres.

Terias razão se falasses a respeito de formas ou estruturas  plenamente materiais: Assim em termos de monarquia, aristocracia, policracia, etc e a respeito da qual seja a mais excelente, tema ou assunto que de fato não pertence de modo alguma a esfera da igreja. Tanto que a I romana por meio de Leão XIII abdicou de julgar a questão, autorizando oficialmente a adesão a democracia burguesa e desamparando as veleidades dos monarquistas, como De Munn, o qual no entanto cumpriu seu dever e submeteu-se ao juízo da igreja cessando de apresentar a monarquia como sagrada ou Católica, como alguns tontos ousam fazer até nossos dias...

O mesmo não se dá quanto ao tema da liberdade por ser metafísico e diretamente vinculado a esfera da religião, a qual tendo sido revelada por Deus é perfeitamente apta para esclarece-lo e soluciona-lo definitivamente, segundo a norma e regra da tradição.

Liberdade é questão de ética, moral, psicologia, antropologia, religião... E não mero tema de política como as formas e regimes de governo.


NÃO HÁ AVANÇO ALGUM EM AFASTAR-SE DA TRADIÇÃO MAS FUNESTO RETROCESSO.



Não existe avanço algum face a tradição na perspectiva Católica, cada vez que qualquer parcela se afasta da tradição e introduz a mutabilidade há retrocesso em termo de fé.
A igreja se encontra em seu passado.

 
O princípio da igreja é tradicionalista, não progressivista, imutável, não mutável, absoluto, não relativo.



Sobre as lucubrações do protestante Hobbes e seus apaniguados

PURA DOUTRINA PROTESTANTE - "A liberdade de consciência é uma doutrina diabólica." Theodoro de Beza, pupilo do anti Cristo João Calvino.
 
Curioso como os reformadores protestantes sabem muito mais de Cristianismo do que os primitivos padres e doutores da igreja não???

Tais as fontes impuras e imundas de Hobbes:  Os pérfidos teólogos e juristas henriquinos como Tyndale, Barnes, Foxe, Morison, Starkey, Sampson, etc Tiago I, rei protestante de Inglaterra eThomas Erastus, reformador, pastor, discípulo de Zwinglio

NADA DE CATÓLICO.


TUDO ABSOLUTAMENTE PROTESTANTE DO COMEÇO AO FIM, LOGO HERÉTICO.

Já a respeito de Bossuet, Skinner foi categórico:  AS DOUTRINAS DE LUTERO REVELARAM-SE TÃO ÚTEIS PARA ESSES PROPÓSITOS QUE SEUS ARGUMENTOS POLÍTICOS MAS CARACTERÍSTICOS ACABARAM REPETIDOS ATÉ MESMO PELOS MAIORES DEFENSORES 'CATÓLICOS' DO ABSOLUTISMO RÉGIO. Pg 393


Francamente não sei porque esses Católicos que a pretexto de tudo vivem citando fontes protestantes, e heréticas é claro, não tomam a sábia decisão de passar ao protestantismo, fonte de todas as luzes.

Nós não temos nada a ver com Hobbes e seus amiguinhos Filmer, Maxwell mil vezes batidos pelos Dominicanos e Jesuítas, paladinos da neo escolástica... Estes sim, homens da igreja e fiéis a sagrada tradição - Assim Francisco Vitória, Las Casas, D Soto, D Bañez, Gabriel Vazquez, Toledo, Gregório de Valência, Melchior Cano, Salmeron, Lainez, Ribadaneyra, Molina, Possevinus, Juan de Mariana e sobretudo o doutíssimo Suarez... os quais eram todos pelo constitucionalismo e pelos direitos essenciais da pessoa humana.


Todas as doutrinas absolutistas sustentadas pelos teólogos protestantes e pelo rei Tiago da Inglaterra FORAM REFUTADAS E CONDENADAS PELO CARDEAL PEDRO BELARMINO (alias santo da igreja romana) no livro contra Tiago de Inglaterra, onde o príncipe da igreja defende a doutrina comum, corrente e normativa, não só da liberdade de consciência, mas da liberdade política. Belarmino foi igualmente polemista anti protestante e isto é sintomático...



O AMOR LANÇA FORA O TEMOR!


Por fim apresentas os seguintes princípios como fundamentos da vida social Cristã:







 - Temor a Deus


Diante disto devo dizem que o conceito de 'temor' ou medo de deus - Alias de absurdos castigos temporais e outras queijandas, além do mítico fogo eterno - remete sempre ao judaísmo, islamismo, seitas protestantes... Ou seja ao padrão grosseiro, primitivo e vulgar as culturas semitas que vocês 'pessoas emancipadas' tanto estimam...

De modo algum ao Cristianismo Católico ou ao Evangelho.

Para os carnais judeus deus era uma espécie de xeque ou líder beduíno com poderes arbitrários e caprichosos, até mesmo para pecar e cometer o mal...

Um Senhor ou dono cuja relação se dava em termos de proprietarismo.

Daí o temor supersticioso e vão que chegava ao paroxismo durante as catástrofes naturais. Nas quais os idiotas viam castigos da divindade...

Jesus alterou por completo esta dinâmica ao
 enunciar o conceito revolucionário da paternidade divia - Que tanto exasperou os escribas e rabinos - estribado no sentimento do amor; paternal e filial. Deus aspira pela suma felicidade de seus filhos, é Benfeitor, é Magnânimo, é Generoso, é Clemente, Pródigo, Afável, Benevolente, Filantropo, Amigo e Amante dos mortais, médico e educador do gênero humano. Não policial ou algoz, carrasco ou psicopata, colérico ou rancoroso, etc Logo, não há porque ter medo dele.

Devemos obedece-lo e servi-lo por amor como declara a espanhola Tereza D Avilla.

Suas punições espirituais são sempre corretivas ou medicinais, jamais objeto de vingança como entre os humanos;

Dai O TEÓFORO JOÃO, QUE REPOUSOU SUA FRONTE NO PEITO DO SENHOR TER ESCRITO:

O amor lança fora o temor.

Se amamos ao Deus Encarnado que por nós morreu na Cruz não podemos nem devemos ter medo dele, é absurdo temer nosso sumo benfeitor como os judeus e muçulmanos temem ao vampiro espiritual que tiraniza suas consciências.


NÃO A ESTATOLATRIA OU IDOLATRIA ESTATAL - APENAS A IGREJA CATÓLICA E ORTODOXA FOI COMISSIONADA PELO CRISTO PARA REPRESENTA-LO E FALAR EM SEU SANTO NOME


Arrematas teu belo discurso postulando uma:
- Submissão absoluta ao Soberano e demais autoridades constituídas por este (civis e eclesiásticas)

Respondo-te advertindo que submissão alguma é digna da criatura racional e livre feita a imagem e semelhança de Deus. 

A obediência cega é estado vil, abjeto e nauseabundo; coisa de bárbaros incultos e gente rude.

 
Os brutos são montados e conduzidos por outros homens, mas os homens não são brutos!

A criatura racional após ter examinado os fundamentos da fé e cobrado evidênciasdeve obediência inquestionável e absoluta ao Evangelho e a tradição, no plano da ética; e a Igreja Una Santa Católica Apostólica e Ortodoxa no que diz respeito aos dogmas ou elementos revelados da fé, justamente porque revelados pelo Deus encarnado e infalí
vel, o qual não pode enganar-se nem enganar-nos; assim a igreja por ele fundada, pois disse: As portas do inferno não triunfarão sobre ela - EIS A ÚNICA OBEDIÊNCIA JUSTIFICADA PELA RAZÃO E ACEITÁVEL. E já disse que ela é sóbria e tem limites precisos para evitar o abuso e despotismo!


Seguem as leis santas, boas e justas conforme a lei eterna da consciência (Ética) posta no coração de todo mortal pela divindade (cf Antigona de Sófocles e Carta aos romanos). 

As leis iniquas, injustas, opostas a virtude e; consequentemente anti naturais - que segundo Suarez são inválidas em si mesmas - devem ser repudiadas pelo homem virtuoso, o qual preferira como C Pison ou S Thomas Morus morrer do que contaminar e poluir a mente fazendo caso de um déspota ou tirano, o qual nos pode retirar o corpo físico, mas não o espírito vivo e a ressurreição para a vida eterna.

Teme assim o pecado que pode sepulta-lo na geena por muitas eras, e os ministros do pecado sejam quem forem, do lixeiro ao rei ou presidente, e não cede face a quaisquer ameaças ou intimidação a exemplo do teóforo Basílio.
Deve-se resistir ao tirano como fizeram Origenes, Atanasio, Hilario, Ambrósio, Crisóstomo, Maximo, Teodoro Studita, Damasceno, etc e afirmaram categoricamente: Ptomoleu de Lucca, Bartolo de Saxoferrato, Acurcio, Panormitanus, Occan, Marsiglio de Pádua, Latini, Dante, Bruni, Salutati, Salomoni, Alciato, Zasius, e outros tantos Católicos eminentes e fiéis.

Mais vale sofrer na mão de um tirano, caso não seja possível suprimi-lo, do que obedecer a uma lei iniqua e pecaminosa que nos force a causar dano ou prejuízo aos semelhantes, nossos irmão, filhos de Deus, aos quais estamos obrigados a amar e perdoar, e suportar com toda docilidade e paciência em Jesus Cristo.

 
A criatura racional e livre tem direitos essenciais e inalienáveis, segundo estabelecem os teólogos mais doutos e seguros: Vitória, Soto, Toledo, Banez, Cano, Las Casas, Molina, Suarez, Mariana, etc

A criatura racional e livre deve ser educada para tornar-se digna do exercício da cidadania e de tomar parte do governo, segundo os canones da paideia.



PRINCIPADO SECULAR E LEI DIVINA ETERNAMENTE SEPARADOS POR DECRETO DIVINO!

 A 'Voz de Deus' se manifesta na vontade do Soberano e da Suma Autoridade religiosa, ponto final, diz você

Devo retrucar e responder que sua tese é absurda. Tome lá um exemplar do Evangelho, leia e aprenda algo: A DEUS O QUE É DE DEUS e César do que é de César!


Aqui sim, não há o que discutir, mas que cobrar submissão total e absoluta.

Quem eleva o César as alturas de Deus abate e nega Jesus Cristo não menos do que arianos!

 
Pois o principado secular ou César nada tem a ver com Deus, o Deus do Evangelho ou dos Cristãos. Era deus e pontífice dos romanos pagãos, para a igreja nada é.
A Igreja não beija os pés do César, não venera o espírito do império, não se curva face as águias dos estandartes, não adere a esta idolatria!

Isso é bom para os protestantes paulinistas (Hegelianos e estatólatras) que substituem Paulo por Cristo e usam as opiniões do fariseu filho de fariseus e aluno de Gamaliel com que demolir as lições claras e evidentes de Jesus Cristo.

Os Católicos jamais servirão a um Hitler, a um Stalin, a um Bush, etc como fossem ministros ou sacerdotes escolhidos pela Santa divindade.

 
Os Césares mesmo após a vitória do Cristianismo foram porta vozes do inferno, combateram a doutrina Ortodoxa, poluiram o universo e massacraram os fiéis, porque eram vasos de heresia em oposição a igreja; assim:





OS CÉSARES QUE COMBATERAM A SAGRADA FÉ A MARTIRIZARAM OS FIÉIS COM ARMAS NAS MÃOS!


Constâncio e Constante, arianos filhos de Constantin; Juliano neo pagão, Arcádio adversário de S João Crisóstomo, Heráclito com a Ekthesis, Zeno autor do Henóticon, Constantino Copronicos e Leão Isauriano, imundos iconoclastas - A SEGUIR ESTES VERMES A ORTODOXIA TERIA SIDO CORROMPIDA E BANIDA DA FACE DA TERRA.

Assim ao tempo de reforma quando nobres, principes e reis, apelando a este principio pagão e anti Católico sancionaram o 'Cuius regio est religio' para em seguida - com seu poder e em nome de Deus - canonizarem a abominação protestante, demolir os mosteiros, massacrar os monges, proibir a Missa, profanar os sacramentos, partir as imagens... T
udo em nome do principado secular, arvorando-se em ministros e representantes de deus!
 



SE A RELIGIÃO CRISTÃ É TÃO ASQUEROSA E DESPREZÍVEL QUE PRECISE MANTER OS FIÉIS EM SEU SEIO POR MEIO DO TERROR???


Dissestes que ao braço secular e potestade civil cabe vir em auxílio da igreja impedindo os Cristãos de apostatar e obrigando-os a professar nossa Santíssima fé.

Eis o cúmulo do delírio!

Portanto deixe-me já dizer-lhe que a Igreja Católica não é uma porcaria como judaísmo, o islã ou o protestantismo que precise de césares, exércitos, armas ou poder secular para obter aceitação, apoiar-se e conservar-se.

Declarar que a igreja precise de armas para manter seus filhos equivale ao supremo insulto feito a instituição divina da igreja.

O erro e a mentira precisam de tais recursos para resistir a Verdade, não a Verdade eterna que procede dos céus. Esta não depende de gládios, lanças, espadas, venábulos ou vara paus, pois se sustenta a si mesma graças aos dotes que contém!

É a Igreja divina e superior as religiões humanas 

Não tem concorrentes verdadeiras. 

Esta tão acima dela quanto o Sol acima da terra e o firmamento dos céus acima das águas!

Nem lhe faltam beleza, verdade e bondade suficientes para atrair, conquistar e prender as criaturas racionais mais nobres e excelentes. Requer aceitação e serviço livre, voluntário, consciente e meritório; filhos abnegados até a morte e não vis escravos e gente abjeta.

Que péssima ideia fazes tu da igreja qual fosse uma velha bruxa desprovida de predicados e atrativos!

A Fé Cristã é digna de livre aceitação e adesão graças a seus dotes, a sua coerência interna e puridade, apanágios que lhe foram conferidos pelos céus eternos e não pelos homens. 

Ela dispensa o serviço de falsos lacaios que dela pretendem abusar com objetivos meramente temporais, santificando seus vícios e maldades. 

Por isso Maurras foi condenado e excomungado por vosso papa de Roma. Outra não teria sido sua sorte na Ortodoxia... Pelo simples fato de ter concebido a igreja como meio e não como fim, caindo no naturalismo pérfido em que jazem todas as culturas de morte. NATURALISMO SIM É PECADO!

Todo aquele que concebe a mãe igreja, mestra da verdade em termos de polícia moral ou social em benefício do principado secular sempre terá dores de cabeça. Por relaxada que esteja a igreja, ela é e sempre será domínio que jamais prostituíra a consciência ou se curvará face ao capricho arbitrário de psicopatas, demagogos, sicofantas, convertendo-se em capacho deles, busquem capachos nas seitas protestantes e serão bem servidos por alguns tostões!


A DOUTRINA DA INFERIORIDADE ESSENCIAL DE PARTE DO GÊNERO HUMANO É ESSENCIALMENTE MÁ E CONDENÁVEL.



A única excelência legitima é a da virtude, seguida pela do intelecto e estão e devem estar ambas franqueadas a todos os seres humanos.

Os indignos pertencentes as massas só devem permanecer alijados do poder 'sub conditio' ou enquanto não se tornarem dignos pela instru
ção e pela virtude, de modo que a policracia não venha a degenerar em oclocracia. 

Esta aristocracia da excelência, do mérito ou da virtude deve ser aberta a ampliar-se gradativamente até incluir todo corpo social, o que obviamente demanda imenso esforço educativo a ser assumido pelo intelectual Católico.

Toda e qualquer petição a uma desigualdade essencial, absoluta e invencível remete ao maniqueísmo sendo herética e condenada pela mãe igreja, bem como pela razão sicut Socrates, Platão, etc

Toda ideia de aristocracia ou elite fechada em si mesma é anti Católica.

Eis o que tenho nobre e excelente Ladrofê a dizer sobre tuas objeções e não poderia de modo algum silenciar a respeito delas pelo acato que devo ter para com a Igreja minha guia, mãe e mestra e pelo Cristo, Verbo encarnado, meu Deus e senhor verdadeiro e sumo legislador do gênero humano. Ele é o fundamento da cidade eterna que devemos construir no tempo e no espaço e sua lei fonte de todas as leis!

sábado, 6 de maio de 2017

Da correta doutrina de Deus, a necessidade e a liberdade

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Ao nobre amigo S C 'Ab imo pectis'

"Nem os homens, nem os anjos são livre, apenas Deus é livre." tais as palavras escritas pelo 'deformador' protestante M Lutero há quase quinhentos anos. Quiçá uma das frases mais idiotas que tive a oportunidade de ler durante toda vida.

Deus não pode ser livre. Nada mais absurdo e ridículo do que a ideia de um Deus livre.

E no entanto para Agostinho, Maomé, Lutero, Calvino e muitos outros até hoje, Deus fica sendo livre. Pois sua onipotência implica a possibilidade de fazer o mal, prevaricar e pecar; embora o Prologo de S João seja absolutamente claro:

"Deus é luz e nele não há treva alguma."

Não há nem pode haver e por isso foi referido a respeito de sua natureza humana e livre:

"Em tudo semelhante a nós, menos no pecado."

Nem se compreende, nessa teologia rudo, grosseira e imbecil, que possa Deus ser princípio do mal e do pecado e sua natureza humana deva se abster de pecar. Caso Deus tenha liberdade para fazer o mal, Jesus bem poderia ter pecado.

E no entanto, como vimos, nega a Escritura canônica que o Mestre amado tenha pecado, e por que? Porque parte doutro princípio, a doutrina da santidade, segundo a qual - Em que pese a Onipotência divina - é impossível que Deus peque.

De fato a piedade nos obriga a crer que é impossível que Deus faça o mal e ao mesmo tempo que é onipotente. Algum mistério insolúvel e ocioso aqui? Alguma paralogia irracionalista ou contradição de termos?

De modo algum...

Mas como?

A questão até pode ser mais simples do que parece.

Judeus, pagãos, agostinianos, maometanos, luteranos, germânicos, calvinistas e outros tendem a encarar a divindade como um Poder ou reduzir Deus a uma força cega. Mutilam a Natureza e precipitam-se no abismo de um reducionismo irrefletido. Nós sem desconsiderar a força ou poder da divindade consideramos as qualidades ou capacidades divinas em seu conjunto e hierarquicamente. E portanto consideramos sua bondade, amabilidade, generosidade, inteligência, perfeição, etc

Não é Deus mero poder ou poder cego como creem os povos bárbaros ou primitivos. É acima de tudo e antes de tudo uma mente, uma consciência ou um Logos racional. Uma mente ou consciência que comanda e administra um poder.

Resulta disto ser a divindade um 'ser' coerente e não polimorfo, tenso, dividido, conflituoso, confuso, contraditório, mutável, sujeito a variação...

"É assim Deus imutável e sem sombra de variação." segundo a pena apostólica.

Nada arbitrário ou caprichoso...

Um deus mutável não pode existir.

Ressalta de tudo isto que é Deus regra imutável e inflexível de vontade para si mesmo. A coerência é Lei interna, eterna e divina presente na Natureza.

É bom insistir nisto porque 'cristãos' houveram que atreveram-se a poluir a divindade atribuindo-lhe dupla vontade, uma manifesta e outra oculta, como há aqueles que atribuiram vontades contraditórias as pessoas da Santa Trindade, plasmando três deuses e tornando-se politeístas ou triteístas. Assim aqueles cegos que sustenta ter deus matado deus para aplacar deus...

E no entanto a vontade da Santa e Divina Trindade é Una e comum, como coerente e imutavelmente fixa no Bem.

Não falta a divindade força e poder para fazer o mal ou para pecar.

De modo que teoricamente deus até pode fazer o mal...

O problema aqui esta situado no plano da volitividade: É Deus livre? Pode Deus querer o mal?

Aqui nossa resposta é negativa.

Deus, sendo imutável e sem sombra de variação, absolutamente perfeito e lei de si mesmo não pode oscilar e querer o mal. Não pode Deus querer ou desejar pecar. Em seu íntimo o Deus Bom e Santo ODEIA ou mal e o pecado e não pode fazer aquilo que odeia.

Então por que o mal existe?

Por que Deus permitiu o surgimento o manifestação do mal?

Por que esse Deus santo não impediu a manifestação do mal?

Por que o Deus Bom não aniquilou ou exterminou o mal?

Estas perguntas não são novas e já foram feitas pelo sábio pagão Epicuro.

Não elimina o mal do mundo porque o mal no mundo é obstáculo provisório e não definitivo ou perpétuo posto por si com determinado objetivo. Já o veremos.

Assim o que constitui a perfeição na Santa Divindade, que é não ser livre, já não constitui a perfeição nos seres criados.

A perfeição nos seres criados procede justamente da indeterminação, da oscilação, da mutabilidade, da variação ou do livre arbítrio. Ser perfeito enquanto ser criado e contingente implica ser livre.

Foi a natureza criada concebida como passagem livre e meritória da imperfeição para a perfeição. Foi criada imperfeita para tornar-se perfeita.

Agora como se torna perfeita?

Deve, pelo uso da racionalidade, o ser livre, passar voluntariamente do mal ao bem ou do vício a virtude. Deve repudiar livre e conscientemente o pecado e abraçar a lei eterna e imutável do amor.

Perceba portanto, caro leitor, que a existência PROVISÓRIA, do mal e do pecado existem em função do mérito. Só o ato ou opção livre é meritório.

Logo qual o motivo porque existe o mal no mundo?

Imaginemos uma corrida de obstáculos. Os obstáculos tendem a tornar a corrida mais difícil e aquilatar a competência dos atletas. E por isto são postos na pista enquanto dura a corrida. Encerrada a corrida e iniciada a premiação são os obstáculos removidos e não ficam postos na pista ou na rua para sempre. São elementos provisórios, pois sua função se esgota com a corrida.

Assim a presença do mal no mundo é provisória tendo em vista a educação do ser racional e a obtenção do mérito. Não se trata de evento cósmico ou eterno que a divindade deva suportar para sempre ou que não se vá extinguir. A luz da fé Cristã, Católica e Ortodoxa - na perspectiva do Evangelho e do grande Expositor alexandrino - estamos plenamente convencidos de que o mal haverá de extinguir-se por completo quando todas as criaturas racionais compuserem-se livremente com a vontade divina que é a lei, norma e regra do bem, do amor, da justiça, da verdade e da beleza. Quando todos forem atraídos a cruz e reconciliados com Cristo e pelo Cristo o mal - Enquanto puro se simples desvio da vontade ou fenômeno Ético - cessará de existir. É a está extinção ou aniquilação do mal e do pecado que parte do exemplo oferecido por Cristo Jesus, que cognominamos redenção, embora possamos chama-la de evolução ou educação.

Implica saber que na economia Cristã o mal cessará de existir pois: "Todas as coisas ficam reconciliadas por ele e sua cruz." Todas as coisas, não algumas ou parte delas. Mesmo porque a vontade de Deus consiste em que "Todos os homens sejam salvos e passem a luz da verdade." todos, não alguns, poucos ou uma parcela. Deus não lida com parcelar ou individualidades e por isso seu plano ou projeto consiste na redenção da espécie ou gênero humano, sem acepção de pessoas, pois é impossível que Deus, amando a todos aqueles que criou, faça acepção de pessoas. Sendo Pai perfeito ama igualmente todos os filhos...

Portanto não é Deus livre para fazer as coisas totalmente diferentes?

Ser livre implica decidir entre o bem e o mal.

Ora Deus é o Sumo Bem... Como pode ser livre?

Ser livre implica escolher entre o perfeito e o imperfeito (Em sentido absoluto). Como pode aquele que é perfeito amar a imperfeição e escolhe-la?

Ser livre consiste em optar entre superior e inferior. Mas como pode Deus desejar agir com inferioridade?

Bem se vê que todas as hipóteses acima sejam monstruosamente aberrantes e que só se sustentem a partir da perspectiva irracionalista. Ficando nossa esperança louca e totalmente desamparada pela razão.

A piedade nos obriga a proclamar que Deus, por sua condição ou natureza, é obrigado ou constrangido a fazer sempre o melhor e a optar sempre e NECESSARIAMENTE pelo mais perfeito. Pelo simples fato de ser absolutamente perfeito e inteligência infinita.

Pode de fato estabelecer algumas situações de imperfeição nos seres criados. Desde que estejam postas para aquisição da perfeição, numa perspectiva evolutiva, de aprimoramento paulatino. Não estabelecer situações definitivas e insuperáveis de imperfeição, sem com isso tornar-se contraditório, confuso, problemático, etc Aquilo que é perfeito, perfeitamente deve agir.

Ora esta ideia suscita algumas reflexões no mínimo interessantes que buscarei expor com máxima brevidade:

  • A produção de criaturas ou o processo Criador não é livre mas absolutamente necessário. Corresponde a uma necessidade que deriva da própria Natureza divina. Não poderia Deus ser Amor ou Bondade infinitas caso não aspirasse partilhar sua felicidade infinita com uma multidão de seres criados. Nem poderia ser benevolente, generoso, filantropo, magnânimo, etc sem faze-lo. Sendo 'amor' foi Deus levado a partir e a repartir-se por meio da criação. A conceber seres capazes de comportarem o dom da bem aventurança ou de serem sumamente afortunados. Foi eternamente constrangido por seu amor a criar. Por isso o ato criador ou processo evolutivo é continuo e eterno, e disto resulta necessariamente um enobrecimento do próprio Deus. O qual concebeu processo tão complexo e viabilizou com competência absoluta.
  • O ato de ENCARNAÇÃO é absolutamente necessário, Deus não poderia ter deixado de fazer-se homem entre os homens encarnado-se neste planeta. Admitindo a manifestação livre do mal e do pecado neste mundo, sabida desde toda eternidade por Deus; temos de admitir a necessidade da Encarnação como melhor modo ou maneira (A mais perfeita e portanto a única digna de Deus) para recuperar ou reeducar este mundo e dispo-lo a retomada de sua evolução. Nem poderia Deus existir e ser concebido - Num mundo como o nosso - sem que sua manifestação na carne fosse absolutamente necessária, pelo simples fato de manifestar sua solidariedade e enquanto tentativa (Feliz e bem sucedida) de conquistar este homem para si.
  • O momento da Encarnação não foi escolhido aleatoriamente, mas determinado e rigorosamente determinado desde todas eternidade tendo em vista uma conjuntura espacial e temporal ou geográfica e histórica singular. Deus só poderia ter se encarnado na Judeia ao tempo de Augusto César de modo que seu desígnio neste mundo fosse perfeitamente realizado. Entrando sua manifestação e sua Igreja no curso da História não de modo improvisado mas calculado. Disto resulta ter Deus escolhido o cenário da cultura judaica daquele tempo pelo simples fato de desejar ser julgado, torturado e morto como foi. Esta condição não decorreu da maldade dos antigos judeus nem implica qualquer tipo de desonra para os atuais judeus, mas da cultura. Este choque entre visões e concepções culturais distintas ou entre as massas fanáticas enfurecidas e o genial revolucionário divino era absolutamente necessário para que ele perecesse nas circunstâncias em que desejou perecer. Assim os antigos hebreus, mesmo inconscientemente realizaram um projeto divino. Pois Deus devia mesmo sofrer e morrer para manifestar sua solidariedade aos mortais e mostrar-se companheiro. Aos judeus não resta culpa alguma. Os antigos realizaram a única coisa que poderia ser feita... Os de hoje são inocentes e livres. Todavia o propósito de Deus ter se encarnado ou manifestado na judeia foi ser supliciado na Cruz e os antigos judeus foram escolhidos exatamente para isto, não porque fossem de condição superior, melhor ou mais civilizada (Como supõem os sionistas com a aberrante doutrina do 'povo eleito) mas justamente porque eram de condição mais rude, grosseira e incivilizada. Esta característica é que predispôs tal povo a seu excelente desígnio. A Cristandade irracionalista e estúpida é que tem oscilado, se Deus de fato quis ser torturado e morto e os judeus colaboraram com ele, os judeus são mesmo nossos benfeitores, benfeitores da humanidade.



    No próximo artigo, examinaremos o único modo ou maneira porque o Deus Perfeito podería ter experimentado a Liberdade e já adianto que só poderia tornar-se livre fazendo-se homem ou encarnando-se entre os homens deste mundo. Eis porque a Encarnação se torna ainda aqui necessária. Mais uma vez.