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terça-feira, 24 de junho de 2025

Três críticos insuspeitos do Capitalismo - Um artigo que vai te surpreender

Quando mencionamos algum tipo de oposição ao capitalismo, todo e qualquer idiota, pensa, quase que de imediato em Marx, Engels, Lênin e na trupe comunista ou bolchevista e nesse tipo de crítica radical ou iconoclasta.

Parece que a mente vulgar só sabe pensar em termos de dicotomia ou de oposição radical.

E ninguém sabe explorar esse falto dilema como um pastor protestante de quinta categoria.

Se você não aceita o capitalismo é certamente um bolchevista, repetem esses idiotas servidores do 'deus'' milhão ou de Mamom.

E tão idiota é este tipo de gente que atribui ao capitalismo uma existência que remonta aos primórdios da História. 

Por falta de estudos teêm séries dificuldades para imaginar um tempo sem automóveis, aviões, telefones, bicicletas e mercado financeiro...

Mais fácil imaginar um grupo humano sem orelhas ou narizes do que uma sociedade sem mercado financeiro, bolsa de valores, ações, capital, lucro, juros, etc

E se você emite qualquer sinal de dúvidas quanto a essa cosmovisão economicista - Pronto, fica sendo comunista... 

E ficam sendo comunistas os nossos José Bonifácio, Getúlio Vargas, Leonel Brizola, etc além do papa romano Leão XIII e certamente o cardeal Mercier... Dentre outros - Apenas para não sermos mais ridículos.

Compreende-se que por via do individualismo, protestantismo e capitalismo sejam solidários. De fato são elementos quase que indissociáveis em termos de americanismo ou de sifilização norte americana.

É o lixo ideológico que os yankees exportam para todo mundo, juntamente com seus sanduíches insalubres e sua Coca cola...

E se a sórdida Teologia do Domínio canoniza o Destino manifesto ou o imperialismo político, a Teologia da prosperidade santifica as relações capitalistas de produção, apresentando-as como lídima e pura expressão de nossos Evangelhos - Nos quais sem embargo lemos: Não junteis bens neste mundo... pois: É mais fácil uma corda passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. 

Porém, com o adjutório do livre exame: Capaz de transformar a Mãe de Deus numa mulher vulgar, Jesus num mero profeta, a eucaristia num lanchinho ordinário, o espírito imortal numa ilusão, as ícones em ídolos, etc fica nosso Bom Jesus sendo empresário, defensor do capital, apóstolo do lucro, etc - De fato é o livre exame santo que faz portentoso milagre e que converte a igreja num banco, tipo Cristo S\A

Aliás o supremo milagre do protestantismo ou do livre exame é justamente criar 'versões' do 'cristianismo' ao agrado do freguês ou adaptáveis a quaisquer circunstâncias. E se há seitas sabatistas, zwinglianas, calvinistas, unitárias, mortalistas, etc naturalmente que poderia haver, e há - Um bloco capitalista, que justifica ou sacraliza essa expressão do materialismo até a mais abjeta servidão.

Agora por sinal, tendo assumido sua forma pura ou mais refinada o americanismo protestante ou o protestantismo norte americano apresenta já o liberalismo econômico associado ao conservadorismo moral ou ao puritanismo. Isso mesmo, nobre e excelente leitor, inverteu, e subverteu, e perverteu; o protestantismo yankee; toda ordem Cristã postulando uma moral rígida, estreita e formalista (Igualzinha a dos fariseus hipócritas açulados por Jesus!) de origem judaica a uma liberdade ilimitada no campo das relações econômicas e portanto a aniquilação total da Ética Cristã sancionada pelo Evangelho. Ainda aqui o protestantismo sacrifica o autenticamente Cristão pelo judaico e troca primogenitura por lentilhas.

Mostra-se a bela religião calvinista de todo insensível a exploração econômica, fonte de miséria e injustiça - Além de outras tantas calamidades éticas, enquanto apresenta Nosso Senhor Jesus Cristo como fixado em comida, bebida, modos de vestir ou formas de práticas sexo, isto é, como perfeito escriba ou fariseu que coa mosquitos e deixa os elefantes passarem facilmente.

Daí o recurso a fraude, ao engano, a mentira, etc por parte daqueles que estão proibidos de mentir e que deveriam proceder com a mais absoluta lealdade...

E o péssimo costume por nós descrito - De apresentar como comunistas todos aqueles que repudiam o sistema capitalista, inda que em nome do Evangelho e da Tradição milenar da Igreja.

Para os fanáticos e fundamentalistas 'made in EUA' se você não é capitalista é um comunista 'devorador de criancinhas' e ponto...

E no entanto tem esse sistema irracionalista chamado liberalismo econômico uns críticos acima de toda suspeita. 

Irracionalista porque apesar de adotar a racionalidade como princípio operatório (Tendo em vista minimizar os custos e acelerar a produção.) parte de fundamentos irracionalistas.

De fatos o ideais ou objetivos do capitalismo são tão irracionalistas quanto o aumento da população humana, experiências feitas com animais, consumo da carne de mamíferos, orientação mágico fetichista, guerra total, etc 

E quem toca nessa ferida ou melhor dizendo chaga purulenta, é o pensador grego Aristóteles, um dos maiores gênios da humanidade. 

O qual muito antes do capitalismo acenar com a possibilidade de lucro máximo e ilimitado para cada indivíduo (E já são quase oito bilhões.) dizia que num sistema fechado e consequentemente limitado - Ou seja com recursos não renováveis ou limitados. - tais pretensões são aberrantes ou absurdas. 

Num sistema O, relações ----- são impossíveis.

Por sinal a simples tentativa, posta em prática desde a Revolução industrial, conseguiu já levar o planeta e a humanidade - Seja pela explotação de recursos ou pela poluição. - a beira do abismo, em suma da E X T I N Ç Ã O. 

A segunda testemunha que levanta alguma dúvida, ainda que indireta, sobre os fundamentos do capitalismo é um clérigo inglês - Th Malthus o qual, mesmo antes de falarmos em 'exército de reserva', enquanto meio para controlar o valor do salário, apontava os riscos em torno do crescimento populacional, o que é tanto mais válido hoje, tendo em vista a redução do espaço natural e a produção de resíduos.

Tem sido Th Malthus ácida e desonestamente criticado por alguns facínoras por ter circunscrito suas conclusões a produção de alimentos, o que se tem mostrado falho, uma vez que ainda produzimos alimentos suficientes para todo montante da população humana - Todavia, mesmo que no tempo presente o problema da fome possa ser definido em termos não de produção mas de distribuição ou de puro e simples desleixe em termos de planejamento, caso a população humana continue a aumentar descontroladamente ou nas proporções que hoje se dá, chegará dia em que a produção de alimentos num sistema finito (Esgotados todos os recursos do engenho.)dará lugar a insuficiência e a fome.

Todavia não precisamos chegar aos termos finais do quanto foi posto por Malthus em termos de produção de alimento ou de fome. Pois para que consigamos manter o nível da produção alimento temos recorrido tanto aos pesticidas que envenenam a terra, os animais e nós mesmos e, sem apelação, a redução do espaço natural, isto é, a destruição da fauna e da flora.

Por fim a própria existência de tão vultoso número de seres humanos e dos animais necessários para nutri-los constitui por si só um poluição.

Imaginemos por um instante o volume de excreções de todo tipo feitas por humanos, por seus animais de estimação e pelo rebanho destinado a alimentar as duas primeiras populações... Sem mencionar os gazes ou o CO2...

E no entanto para controlar os salários e mante-los baixos (Tendo em vista a maximização dos lucros.) o capitalismo depende de um exército de reserva, definida como mão de obra desempregada ou ociosa.

Eis porque o terceiro sujeito: J S Mill - Partidário da econômica liberal, declarou que tal economia deveria ser estacionária. Denunciando o ritmo acelerado ou descontrolado da produção como perigoso e a ideia de um progresso ilimitado ou indefinido (Relacionado com o ideal ou a mística positivista ) num sistema finito como utópico. Então a própria fórmula já indica de modo bastante claro que o progresso humano deveria ser responsável, em certa medida lento e planejado. De maneira que Mill, por postular limites, acaba rompendo com a Ortodoxia liberal e questionando o dogma da ilimitação.

De minha parte, sem negar o mérito de Engels e Marx (No campo limitado da economia ou da crítica ao modelo capitalista.) considero as objeções dos críticos aqui citados ou dos não comunistas, como muito mais sofisticadas e dignas de consideração. Pois enquanto as críticas elaboradas por comunistas e alguns socialistas digam respeito os meios de produção utilizados pelos capitalistas ou ao processo de produção (Incidindo sobre o salário ou regime assalariado por exemplo.) as críticas levantadas pelos nomes aqui citados, sendo tanto mais genéricas, atingem em cheio os princípios mais elementares e fundamentais do liberalismo econômico.

Importante salientar que ao menos Aristóteles e Malthus ou mesmo Mill, ao contrário dos teóricos comunistas (E esse é o principal problema deles: Soluções tão ruins quanto o problema.) não pretenderam apresentar quaisquer soluções a nível de sistema ou qualquer solução alternativa nos domínios da economia. Há no entanto um bom número delas feitas por: Herr, Blum, Marcel Deat, Henry George, Mercier, Webster, etc e outras tantas sínteses a serem feitas pelo intelecto humano. Para que precisemos permanecer atrelados e presos ao dogma capitalista...





quarta-feira, 19 de abril de 2017

Tal a crise do Império romano, tal nossa crise...

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Tempos de crise, forja de pseudos salvadores.

"Oh quem poderá salvar-nos?" é pergunta que se ouve pelas esquinas.

Movida por falsos dilemas a mente binária ou dualista vacila entre soluções extremistas.

Foi exatamente assim as vésperas da queda do Império romano. Quando alguns cortesões, nobres e intelectuais colocavam a redenção comum nas mãos do despotismo imperial, quanto parte das massas depositavam suas esperanças de salvação nos bárbaros germânicos...

Assim havia quem pretendia salvar-se lambendo as botas do déspota imperial e quem estava prestes a abrir as portas de Roma a Alarico.

Lamentavelmente, para os desaventurados romanos, atidos a um padrão de pensamento pré científico, parece que inexistiam outras opções ou possibilidades. E que de fato se achavam entre a cruz e a caldeirinha.

Não tinham a mínima ideia a respeito dos fatores que haveriam de conduzir o Império a morte.

Não estavam aptos para diagnosticar as enfermidades que achacavam a administração pública.

Ignoravam supinamente a gênese ou causalidade dos males que afligiam a Sociedade.

Destarte, pouco ou nada podiam fazer para salva-la.

Os romanos, haviam chegado ao fim do túnel da história. Uma vez que o exercício da reflexão intelectual não lhes podia oferecer quaisquer respostas ou alternativas.

Viviam numa época pré sociológica. Na qual a investigação e a reflexão não haviam tocado ainda a constituição da Sociedade, e em que, mesmo as reflexões políticas de um Aristóteles ou de Dicearco de Messina, era conhecidas por um público bastante restrito.

Ciência política, sociologia, economia e filosofia da História, aquele tampo ou inexistiam ou não estavam no acesso da maior parte da população.

A precariedade os meios de comunicação e da própria estrutura educativa, era dramática. De modo que a crise não deixou de atuar sobre elas desde o começo.

Nem o imperador e seus auxiliares estavam a altura do desafio de salvar o Império romano, pelo simples fato de jamais terem assumido o tipo de governante filósofo ou de governante cientista, preconizado pelo sábio Platão. Via de regra jamais colocaram-se acima do tipo 'bon vivant' comum a tantos e tantos governante e por assim dizer bailavam a beira do abismo que devia engoli-los.

Os gregos ainda tentaram, por meio de um imenso esforço educativo - Inda que posterior a invenção democrática - formar um povo cidadão ou ao menos uma elite cidadã. A estrutura política concebida por eles, ainda que genial, acabou, por questão de funcionalidade administrativa, sendo absorvida pelo Império de Alexandre. Sua cultura jamais. Jamais a cultura grega desamparou os gregos, mesmo quando foram conquistados e dominados pelo turco. Jamais...

A romana no entanto, perdeu-se em certa medida juntamente com o Império. E quando Renasceu posteriormente não pode ser plenamente assumida. Por ter sido atalhada pela reforma protestante. A qual levou nosso mundo para outra dimensão e para uma dimensão absolutamente oposta aos ideais não só romanos, mas gregos e tradicionais de civilização.

A negação de nossa herança romana e grega parto do Ocidente para a Europa e da Europa para a Grécia contemporânea. Tal o roteiro de nossa apostasia cultural. Da Inglaterra, transpondo o Oceano, para a América do norte, e especialmente após o fim da primeira Grand Guerra, da América do Norte - Transpondo novamente o Oceano - a Europa, em seguida a Grécia e Rússia contemporâneas.

Sem querer, chegamos naturalmente ao nosso tempo. Tempo de crise, e como já foi dito de extremos.

Havendo quem encare o Trump, os EUA, a cultura Yankee - E pasme leitor benevolente, o liberalismo econômico (Capitalismo) - como salvadores e quem encare como o islamismo - Isto mesmo amigo leitor, o Islamismo! - como salvador.

É para ser desesperar!

O Trump ou os EUA nos salva dos muçulmanos, ou os muçulmanos nos salvam do Trump ou dos EUA. Eis o ouvimos da parte das massas...

Melhor desesperar de toda salvação!

Tudo quanto nos é posto aqui consiste em escolher alguém a quem servir ou em optar por um senhor: O Yankee ou o Turco.

Maldita servidão!

A coisa toda se restringe em escolher por quem deixar-se escravizar...

Americanizar-se ou arabizar-se por completo, eis as belas opções que nos são oferecidas.

Jamais dei com tanta e tão miserável miséria.

É escolher entre merda ou bosta! Nem mais nem menos.

Pois se o capital reinar sobre nós trará a miséria, a ignorância e o enxame de seitas pentecostais e criacionistas vindas do Norte.

Agora se o turbante ganhar teremos a mais repugnante e vil das opressões representada pela Sharia com sua murtad, djzia e outras impurezas.

Aqui ou se abdica da liberdade de consciência, abraçando um sistema tão absurdo e estúpido quanto o islã, para ter acesso a alguns direitos muito sumários e a cidadania, ou o homem fica sendo sempre cidadão de segunda classe, ou como dizem Dimy.

Não haveria quadro pior, mesmo a título de imaginação, e estaríamos nós também no barco furado de nossos excelentes ancestrais não fosse por um ponto apenas!

Estamos ou melhor nos encontramos numa Época científica e portanto pós sociológica! Existe já ciências políticas como existe ciências econômicas e até Filosofia da História. Século V d C é página virada e até contamos com a Internet para trocar ideias, reflexões, informações, experiências, etc Elevando nossas vistas e horizontes muito acima do pensamento dualista, binário ou extremista que ainda teima em gritar: TRUMP ou ZARQAWY, EUA ou EIIS, MERCADO ou CALIFADO, CAPITALISMO ou CORÃO.

Capital ou turbante é uma ova companheiro.

Pois hoje o cenário científico e intelectual é mais amplo, vasto e profundo do que sua vã filosofia de botequim pode imaginar.

E para além dos extremos da imbecilidade contamos com uma imensa gama de possibilidades sociais.

Sem precisar mencionar anarquismo, comunismo ou fascismo; que são sistemas viciados, mencionarei apenas a riqueza contida nas diversas propostas socialistas.

Jamais o cenário intelectual contou com tantas elaborações humanistas, destinadas a promover o fenômeno humano.

Mais do que no passado longevo, temos hoje, graças aos meios de comunicação virtuais ou a Internet, a possibilidade de realizar o sonho de nossos ancestrais ou seja da democracia direta ou não representativa e de criar uma Sociedade policrática e cidadã numa escala até então impossível. Atualmente a Democracia direta já não precisa conformar-se com os limites da cidade estado, pode transcende-los e ultrapassa-los. Eis uma visão grandiosa face a teocracia dos asiáticos e a democracia arranjada, aparente, venal e burguesa dos Yankes, a qual jamais passou de plutocracia disfarçada.

De minha parte encaro a policracia como o melhor caminho para a realização do ideal socialista. Na medida em que permite ao povo tornar-se agente de sua própria História.

O que quero dizer é que o mundo ou panorama da cultura é imensamente maior e mais amplo do que Islã ou EUA.

Tudo quando temos ai são culturas problemáticas e estruturalmente defeituosas que jamais deram ou darão certo. Pelo simples fato de serem anti humanistas. Uma por inspiração religiosa e vício econômico, sobrepor o Ter ao Ser ou o Capital ao homem e outra por vício religioso, a intolerância.

Felizmente a História nos oferece outras lições e possibilidades.

Certamente que ela não se repete nos mínimos detalhes ou não vota 'in totum' atrás.

O que não nos impede, enquanto sociedade, de retomar certos princípios e valores presentes em nosso passado e assumir outra direção.

Se a História não pode ser reeditada a cultura certamente pode renascer.

Prova disto são os diversos renascimentos culturais experimentados por diversos povos e sociedades do curso da História. Assim no antigo Egito a Renascença Saíta, cujo objetivo foi retomar os princípios e valores presentes no dealbar daquele pais. Assim a sucessão de Renascimentos ocorrida na Europa durante a baixa Idade Média e começo da Idade Moderna.

Seria possível a afirmação de outros Renascimentos no futuro?

Por que não se já ocorreram no passado?

Por que não aproveitar-se duma cultura que no passado já deu certo ao invés de permanecer atrelado a padrões de cultura que sempre deram errado?

Por que ir em direção da KKK ou do Belt Bible... por que ir em direção do machismo, do adultismo, do odinismo, da homofobia, etc? Se podemos recuperar e resgatar nossas raízes gregas, na direção da liberdade e da vida Ética; numa perspectiva Humanista?

Por que não resgatar nossas raízes autenticamente Cristãs e Católicas em termos de amor ao próximo, de amor a justiça, de amor a paz, de solidariedade, de fraternidade, de igualdade???

Por que ter vergonha de reconhecer que erramos, que nos desvíamos do bem, que temos feito um percurso errado... e de reconciliar-nos com nossas raízes?

As vezes, as vezes é necessário voltar atrás e retroceder para avançar. Pois partindo de um caminho errado ou de um desvio jamais atingiremos a meta ou o objetivo certos.

É as fontes de nossa cultura humanista que temos de tornar.

É a Atenas, Roma, Jerusalém, não Wittemberga ou Mecca, não Genebra ou Medina, não Washington ou Riad... Nossas referências são outras.

Temos de resgatar, de recuperar, de reafirmar o quando houve de positivo na cultura européia antes do advento dos tempos modernos.

Trata-se de uma reapropriação necessária face aos arroubos do islã e do americanismo com suas propostas viciadas. Não encontraremos paz ou redenção aderindo a modelos sociais incompatíveis com nossas raízes. Não encontraremos estabilidade adicionando outros tantos elementos díspares e aumentando a tensão em termos de cultura. Não encontraremos ou acharemos qualquer resposta num hibridismo amorfo e polimorfo.

Nossa cultura carece de homogeneidade e sentido, os quais só lhe podem ser introduzidos pela Filosofia e pela Religião, cujos elementos, em parte, ainda se acham presentes em seu universo. É por isso que temos de retornar a Filosofia clássica, a Sócrates, a Platão e sobretudo a Aristóteles; mestres de nossos ancestrais; e a Jesus Cristo, a seus apóstolos, a seu Evangelho, a sua tradição e a Igreja Antiga, Ortodoxa e Católica. Tais os elementos sobre os quais nossa Sociedade foi edificada há dois ou dois mil anos e meio. E cuja remoção impiedosa tem produzido tantos e tão clamorosos tumultos.

Pois uma casa ou construção não pode subsistir sem seus fundamentos e o fundamento de nossa vida social foi a um tempo Clássico e a outro Cristão. Nossa consciência foi alimentada por tais elementos, e agora mingua e morre a falta deles. Enquanto o ceticismo que se lhes sucede não constrói nada de absoluto e duradouro.

Se queremos recuperar nossa civilização cambiante, temos de começar recuperando nossa identidade e repondo as coisas em seus lugares.

Nem o ateísmo e nem o teísmo transcendente serão capazes de substituir o ideal de um Deus Encarnando e presente, como este que foi introjetado em nossas mentes pelo Catolicismo antigo e que nossos ancestrais encararam como ponto de partida para uma ação e transformação social e termos radicais. A maioria dos analistas superficiais parecerá um elemento supérfluo ou mesmo estúpido. Quando nos primeiros séculos e mesmo na Idade média correspondeu a um princípio catalizador das energias humanas e a luz do qual as estruturas legadas pela antiguidade começaram a ser poderosamente transformadas, concretizando, ao menos em parte o ideal preconizado por Sócrates.

Multiplicar palavras a respeito de tais transformações sociais, seria chover no molhado...

Quem quiser torne atrás e leia o quanto já foi escrito por nós a respeito da sociedade bizantina ou da idade média Ocidental...

Tudo quanto pretendemos expressar por meio deste artigo foi nossa recusa em compactuar com os extremistas. Para os quais nós nos deveríamos alinhar ou com os Americanizantes ou com os arabizantes; aderindo ao Trump ou ao Califa... E renunciando por completo a nossa orientação cultural e cortando pela base nossas raízes.

Quando este falso dilema já presente nas mentalidades as vésperas da queda do Império romano certamente não faz sentido algum num mundo já iluminado pelos clarões da Sociologia e das Ciências políticas, especialmente quando temos acesso ao mundo virtual da Internet, que é o meio de comunicação por excelência, e que nos permite elaborar uma discussão sobre a cultura a nível global ou universal.

Podemos, portanto e devemos buscar soluções mais ricas, inteligentes e interessantes fora deste miserável esquema binário. E não nos precisamos alinhar com quem quer que seja ou apoiar a quem quer que seja.

Por mim quero mais que os radicais islâmicos e Yankes exterminem-se una aos outros. Do que resultará um bem enorme para o resto da humanidade. Nem alla nem Mercado ou capital mas liberdade e justiça. Tal meu ponto de vista!

sábado, 31 de outubro de 2015

Do capitalismo e do comunismo como padrões binários de pensamento.

Tanto os capitalistas ou liberais economicistas e Comunistas pura e simplesmente ignoram a existência do domínio socialista ou de uma terceira solução para os problemas sociais.

Parece haver uma espécie de acordo tácito em virtude do qual os Comunistas enxergam apenas do Capitalismo e os Capitalistas apenas o Comunismo.

Para os comunistas quem não for membro do partido é e será sempre encarado como 'capitalista' enrustido. Já para os liberais tantos quantos ousem questionar os dogmas proclamados pela econômica 'clássica' e seu valor ontológico, merece ser classificado como comunista.

E não adianta discutir com eles, admitiu qualquer nível ou grau de controle ou limitação fica-se sendo bolchevique ou marxista ortodoxo!!!

Diante de tão grande falta de pudor só nos resta exclamar; pobre Leão XIII, pobre Maurras, pobre Hitler, pobre Keynes, pobre Henry George, pobre Scott Nearing, pobre Tosltoi, pobre Kropotkin, pobre Lammenais... todos matriculados em bloco nas fileiras do leninismo!!!

De fato a má fé dos liberais só pode ser comparada a daqueles ateus fanáticos que costumam publicar listinhas de 'correligionários' em que constam os nomes de Montaigne, Bacon, Descartes (!!!???), Voltaire, Diderot, Comte, Huxley, Darwin (!!!???)... e por ai afora...

Dir-se-ia que não escrevem mas estupram as folhas de papel...

Tendo em vista tais desatinos, tentarei, pela segunda vez lançar alguma luz sobre o assunto, buscando definir quais sejam os posicionamentos possíveis na esfera da econômica:

  • LIBERALISMO (pop Capitalismo): Doutrina segundo a qual o Mercado, enquanto sistema circulatório de riquezas, regula-se por leis próprias ou autônomas de caráter interno. Segundo a tônica desta ideologia a iniciativa econômica deve ficar entregue a iniciativa dos indivíduos, cuja ambição não deve nem pode ser limitada; excluindo-se deste modo qualquer tipo de intervenção externa, social ou política. Temos aqui um sistema marcadamente individualista e irredutível a qualquer tipo de limitação externa. Não pode o liberalismo admitir qualquer nivel ou grau de limitação externa ou de controle político ou social sem deixar de ser o que é. Daí ser classificado como um sistema de livre iniciativa que objetiva a maximização dos lucros.
  • SOCIALISMO: Doutrina que advoga qualquer nivel ou grau de intervenção externa - social ou política - com o objetivo de limitar a iniciativa individual ou regular um Mercado de cuja auto regulação desconfia. Não importa aqui em que medida este ou aquele teórico, desta ou daquela escola, pretende intervir na dinâmica interna do Mercado. Uma vez que a auto regulação e autonomia do mercado é repudiada estamos no terreno do socialismo. Agora existem inúmeras formas, escolas ou correntes de socialismo; umas mais suaves outras mais rigorosas, segundo os princípios e valores que inspiram-nas; assim solidarismo, personalismo, social catolicismo, corporativismo, comunitarismo, social democracia, libertarismo... nem se pode negar aqui que o Keynesianismo e a própria doutrina social da igreja romana sejam formas de socialismo, inda que mais amenas ou centristas; pois admitem e postulam certa medida de controle externo incompatível com as pretensões da teoria liberal.
  • COMUNISMO: Tipo particular, específico ou rigorista de socialismo, que para além do controle externo do mercado postula:
  1. A tomada do poder por um golpe violento a que chamam Revolução.
  2. A substituição do modelo democrático por uma ditadura do proletariado numa perspectiva monopartidária e totalitária, caracterizada pela negação dos direitos essenciais a pessoa.
  3. A supressão de todas as formas de propriedade, inclusive da propriedade pessoal pertencente ao trabalhador. Na prática ignoram a distinção entre propriedade dos meios de produção e propriedade pessoal.
  4. A eliminação radical do padrão salarial.


    Disto resulta que se o COMUNISMO é um SOCIALISMO; nem todas as formas de SOCIALISMO correspondem ao COMUNISMO.

    Pois via de regra (cf Lizandro de la Torre "Questão social e Cristãos sociais") os socialismos sustentam que:


  1. A parte de alguma realidades específicas em que as situações de injustiça tenham atingido níveis insuportáveis, devem os militantes inserir-se na via institucional, buscando por meio dela implementar reformas educativas, sociais e políticas que ampliem as liberdades, consolidem a cidadania e enfraqueçam o poder do capital. DONDE OS SOCIALISTAS SÃO PROPENSOS A SOLUÇÕES PACÍFICAS E DESCONFIAM DA MÍSTICA REVOLUCIONÁRIA ALIMENTADA PELOS COMUNISTAS.
  2. É necessário instaurar ou consolidar, pela via que for mais oportuna, uma ordem cada vez mais democrática (no sentido da democracia direta ou popular) cidadã ou libertária; assegurando os direitos essenciais a pessoa humana e protegendo os grupos sociais minoritários. DONDE OS SOCIALISTAS RECONHECEM O VALOR DAS LIBERDADES PESSOAL E POLÍTICA EM OPOSIÇÃO AOS COMUNISTAS.
  3. É necessário socializar ao máximo a posse dos meios de produção, salvaguardando no entanto a propriedade pessoal do trabalhador como coisa 'imexível'. DONDE OS SOCIALISTAS RECONHECEM O VALOR ESSENCIAL OU ONTOLÓGICO DA PROPRIEDADE CUJA POSSE RESULTA DO TRABALHO. (Henry George).
  4. É necessário reduzir o quanto possível as relações fundamentadas no padrão salarial. Onde não for possível é necessário adotar o critério humanista do salário mínimo pautado nas necessidades familiares do trabalhador. Da mesma maneria é dever do grupos social ou da comunidade implantar, desenvolver e consolidar formas 'heterodoxas' de produção como corporações e cooperativas estas destinadas a gerir os grandes latifúndios. Implica ainda em restabelecer os egidos ou terras comunais. DONDE OS SOCIALISTAS NÃO SE OPÕEM RADICALMENTE AO PADRÃO SALARIAL.

Além disto os socialistas, ao contrário dos Comunistas não costumam envolver-se diretamente com a questão religiosa e muito menos com questões metafísicas em torno da existência ou não de Deus, dando por suposto que pertençam a esfera da liberdade ou decisão pessoal. Aqui o único compromisso do socialismo é com o caráter laico do estado e a implementação de um ensino rigorosamente científico.

O socialismo só costuma encarar como problema o fanatismo religioso, fundamentalismo enquanto ideologia oposta ao padrão científico de pensamento e as formas teocráticas de pensamento. A religiosidade em si mesma, sobretudo quanto equilibrada e sóbria, não é encarada como antagônica ao modelo socialista.

Donde o socialismo não endossa o materialismo, a irreligiosidade e muito menos o ateísmo; opondo-se terminantemente a qualquer tipo de perseguição religiosa. Mesmo porque certo número de socialistas inspiram-se em princípios e valores relacionados com algum tipo de espiritualidade.

Outra questão controversa diz respeito ao tecnicismo.

Sem proclamar a tecnologia como má, o socialismo enquanto forma de humanismo, desconfia do tecnicismo seja de direita ou de esquerda, liberal ou comunista, capitalista ou bolchevique... buscando relacionar a técnica com as fontes de matéria prima, a emissão de resíduos, as condições do planeta. Os socialistas pensam que é necessário ultrapassar esta 'rivalidade' ou emulação arquitetada em torno da técnica antes que a terra seja completamente destruída. É necessário voltar a técnica, não menos que o mercado para as necessidades humanas (não necessariamente econômica)... O comunismo parece ter perdido este sentido...

O capitalismo jamais acalentou tal sentido!

Não lhe cabendo o direito de fazer reproches ao comunismo.

Toda tônica deste sistema tem girado em torno do mercado, do luxo, do supérfluo, do consumo... sem quaisquer considerações em torno do humano, quanto mais em torno do ecúmeno.

A ciência é boa em si mesmo enquanto conhecimento válido e verdadeiro em oposição ao estado de ignorância.

O capitalismo no entanto, sistema que tudo suja e contamina, tem promovido um tipo de ciência indesejável e funesta: uma ciência sem consciência, irredutível a ética e sempre dócil as necessidades artificiais ou mesmo cruéis do mercado. Este mercado de algum modo tem emporcalhado nossa ciência e a tornado indesejável.

Neste sentido o comunismo soviético limitou-se a entrar numa competição acrítica, esquecendo-se por completo do fenômeno humano e contribuindo em certa medida para a degradação da mãe natureza.

O socialismo, que é uma expressão do humanismo e que se afirma como padrão essencialmente ético, distancia-se de ambos os sistemas rivais e assume os pressupostos de uma visão ecológica de mundo.

O socialismo nutre a nobre ambição de conciliar as necessidades econômicas com a demanda ecológica em termos de fauna e flora não hesitando por o dedo na ferida e deixar em aberto a possibilidade de uma contenção ou limitação de nosso progresso técnico ou material. Mais cedo ou mais tarde teremos de rever o ritmo de nossos progressos ou...

Ademais já esta mais do que na hora de pormos o que já foi criado e conquistado a serviço das imensas massas humanas que ainda vivem em condições mais do que miseráveis.

Resumindo:

  • Existe apenas uma forma de liberalismo econômico, a qual consiste em atribuir a ação econômica a atividade dos indivíduos e repudiar, em maior ou menor grau, toda e qualquer tentativa de limitação ou controle externo imposta pelo grupo social ou pelo domínio do político. Tal da doutrina pétrea da auto regulação do Mercado.
  • Existem inumeras formas de socialismo, todas sustentando a conveniência ou necessidade da planificação externa da econômica ou o controle do Mercado pelo grupo social em termos de intervenção, o que implica repudir formalmente a teoria da auto regulação do mercado e da ilimitação dos lucros.
  • Existe uma forma específica de socialismo radical cognominada comunismo, bolchevismo, marxismo ortodoxo ou leninismo, ou ainda stalinismo, centralizada em torno da fé numa revolução golpista e sangrenta, na implementação de uma ordem totalitária, na erradicação de todas as formas de propriedade, na eliminação do padrão salarial, na militância ateística, na competição tecnicista com o mundo do capital, no igualitarismo absoluto e outros elementos que os socialistas encaram como essencialmente perniciosos.


Diante disto só nos resta dizer e declarar face aos liberais que as acusações hipocritamente lançadas contra os bolchevistas de modo algum atingem todas as formas de socialismo.

Digo o mesmo aos comunistas radicais e pequenos fanáticos que classificam-nos como capitalistas...

Enquanto ambas as partes não conseguirem superar o pensamento binário ou dualista, a que por questão de oportunismo, permanecem presas, merecerão ser apresentadas como farinha do mesmo saco, ao menos sob o ponto de vista da ética.

A este tipo de estratégia desonesta os socialistas não precisam recorrer, teem propostas concretas com que sanar os males provocados pela desordem capitalista sem chegar as delírios proféticos do comunismo. Teem sugestões, tem planos, tem hipóteses consistentes... e quem for honesto, curioso, benigno de coração, poderá encontra-los nas obras de: Henry George, L Tolstoi, Kropotkin, Kagawa, Mounier, Bastos D Avilla... dentre muitas e muitas outras.

De todas as correntes é certamente a socialista a mais original, criativa, rica e sugestiva.

Sabiam portanto que existe uma terceira solução ou via entre os extremos - que como diria o Filósofo, tocam-se - do comunismo e do liberalismo econômico.

Tudo quanto nós socialistas pedimos ao amigo leitor, justo e benevolente, é que seja conhecida e analisada com a devida atenção.

O Socialismo só pede ser conhecido e julgado com justeza!