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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Problemas de marxismo - Engels, a revolução e a democracia ou 'Os caminhos da social democracia'.

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Muito se tem discutido a respeito do posicionamento de K Marx e F Engels face as instituições democráticas, o que torna a questão no mínimo controversa. Há um grupo em especial que exasperasse face ao tema: O dos jacobinistas irredutíveis ou dos que admitem como única forma possível de luta o confronto violento entre proletários e burgueses e consequente tomada de poder pelos últimos, fazendo uso da força bruta é claro. Este grupo repudia como falacioso todo e qualquer discurso em termos de inserção na 'política burguesa' ou democrática, que vá na direção da social democracia, a qual amiúde classificam como uma traição ou apostasia face ao ideal revolucionário legado pelos panfletários alemães.




Claro que o número de compreensões a respeito deste tema é bastante variado.

De nossa parte, sem assumir compromisso com qualquer das partes, pretendemos acompanhar a cronologicamente a trajetória ideológica de Marx e Engels numa perspectiva evolutiva, salientando as derradeiras conclusões a que chegaram um e outro; e antes disto apontar as fontes em que beberam os principais conceitos afirmados em suas obras e em que medida tais conceitos foram sendo sucessivamente reformulado. Embora o pensamento de Marx e Engels não nos pareça contraditório como ou de um Proudhon, não é menos claro que conheceu um desenvolvimento orgânico e no mínimo algumas reformulações.

Antes de tudo, partindo de um princípio realista - designação cara ao 'jovem' Marx - temos de levar em conta o momento histórico em que Marx e Engels estavam situados e conecta-los com diversas outras correntes ideológicas quais sejam a Revolução francesa, o babovismo, o blanquismo, o st simonismo, o positivismo, etc Do contrário não chegaremos a lugar algum. Consideremos aqui uma época de instabilidade e transformação, em que os velhos clubes da Revolução - estruturados por Benjamin Constant - transformam-se em ligas e as ligas em partidos... Marx e Engels vivem esta e outras tantas transformações.

Quanto a Marx  - Surpreendam-se - foi antes de tudo um homem de vasta leitura ou um erudito e faz saber ao velho Aristóteles. Exilado em Londres foi frequentante assíduo da Biblioteca municipal. Onde pode ler os principais teóricos do liberalismo clássico - uma de suas três fontes - em sua totalidade. Como havia lido os 'utópicos' (st Simon, Fourier, Owen, Cabet, etc) e como lerá Comte... E aqui e ali vai coletando os elementos presentes em sua no mínimo 'grandiosa' síntese (nem mesmo o profo Olavo de Carvalho destoará de nós - apenas os liberaizinhos de merda!) em Babeuf, Blanqui, St Simon, Fourier, Stein, Sismondi, etc, etc, etc

A Lorenz Von Stein (As correntes socialistas na Revolução Francesa - 1842) tomou a ideia do conflito como motor da História, de Babeuf a ditadura do proletariado, de Blanqui o método insurrecional, de Sismondi o valor do trabalho, etc

Comecemos observando o drama da Revolução francesa e quiçá o de todas as Revoluções. O povo como um todo não esta preparado para a nova ordem das coisas. Há massas alienadas em quantidade e assim, o ambicioso projeto democrático fundamentado na antiga república romana, no paradigma de Bruto e Cássio, sai forçosamente de cena, dado lugar - pasme leitor querido! - ao espectro de Júlio César, o ditador odiado... Assoma Robespierre, e após ele Napoleão, e em seguida Lênin, Stalin... e jamais se sai disto. Os positivistas delineiam uma aristocracia de sábios, cientistas, juristas, etc a testa da qual esta o 'tirano educador'. Babeuf e Blanqui concebem algo pouco diferente, a ditadura do proletariado, enquanto minoria educadora, sempre representada por um líder ou déspota, um déspota esclarecido.

É 1852, Marx e Engels adotam a solução comum da ditadura do proletariado; apenas formalmente, pois haviam já adotado o conceito alguns anos antes.

Agora por que adotaram esta solução?

Adotaram-na por que antes adotaram a solução jacobinista ou revolucionária legada por aquele evento histórico e transmitida conforme a tradição de Babeuf Buonarroti e Blanqui, o insurrecionismo. Com o qual Marx e Engels rapidamente romperão, após terem refletido sobre os sucessos de 1848 e 1870. É Engels que sem sacrificar completamente o ideal da Revolução, substitui o método arcaico da insurreição e suas barricadas pelo modelo da conspiração ou da formação a longo prazo. Ademais Marx e Engels, como o próprio Kaustky e muitos outros, sabiam que as condições para a Revolução não podiam ser criadas, devendo ser dadas, conforma o Capitalismo fosse substituindo as estruturas precedentes e se desenvolvendo, conforme o ideário etapista. Blaqui, sendo bem mais, ingênuo - assim como os anarquistas - não levava em conta tais condições, perdendo-se nos meandros do espontaneísmo, se bem que condenasse veementemente - como Marx e Engels - a prática dos atentados isolados posta em prática por parte dos anarquistas.

Aqui uma pausa importante. Marx, Engels e tampouco Blanqui, recomendaram a adoção de métodos terroristas postos em prática por indivíduos ou a explosão de bombas em praças ou prédios públicos por onde circulavam populares inocentes. Sempre tiveram em mente alguma forma de organização e ação social ou comum, assim como guerrilhas... Os anarquistas desde o início foram contaminados pela ideologia individualista e chegaram a crer que indivíduos isolados fossem capazes de alterar o curso da história; assim Ravachol, assim Takchev... Os marxistas e blanquistas jamais.

No entanto os blanquistas, como foi dito, não levavam em conta as condições materiais e mesmo o desenvolvimento técnico do estado burguês, como declara Engels na 'Introdução' a obra de Marx sobre a luta de classes da França (1891). De modo que o método deles ficou desatualizado, tornando o proletariado vulnerável. Diante disto os marxistas tiveram de reformular a tática, no sentido de levar em conta o apoio da maioria - já estava embutido na teoria deles - o armamento, o treino, a posse das armas e munições, etc Produzindo uma doutrina revolucionária bem mais prudente e comedida, associada a prática parlamentar ou a inserção.

Chegando a este ponto impõem-se o questionamento - Qual a derradeira opinião de Marx e Engels sobre a inserção parlamentar???

Vamos tentar traçar o panorama ideológico com que nos deparamos ainda hoje:

- Num extremo temos um grupo de sociais democratas que, guiados por Bernstein, assumiram um pacifismo absoluto, abdicando por completo de quaisquer soluções violentas. Para eles a inserção parlamentar é suficiente ou basta. É inegável que eles mutilaram o prefácio elaborado por Engels em 1891 e por isso nós empregaremos exclusivamente - neste artigo - a Ed soviética integral publicada por Riazanov em 1930.

- No extremo oposto temos os que negam, por parte de Engels e Marx qualquer aproximação com a social democracia ou com a ideia de inserção parlamentar, sustentado que a única forma viável de ação seja o confronto direto ou a revolução violenta. Este grupo converge com os anarquistas para o abstenceísmo.

- Num meio termo damos com Engels, e Kautsky, e Rosa Luxemburgo, e Gramsci e uma infinidade de outros teóricos e podemos definir esta opção em torno da definição fornecida por Otto Bauer (Linz 1926)- A aplicação da violência ou da resistência armada apenas como recurso de defesa (Violência defensiva) ou quando o jogo democrático for violado pelos liberais ameaçados ou seja apenas em caso de golpe, o que faz lembrar a velha doutrina da Guerra justa formulada pelos Católicos a partir de Agostinho.

Repassemos as três.

Contra os sociais democratas que excluem por completo e aprioristicamente o recurso a força ou a violência, temos que Liebknecht mutilou o referido prefácio elaborado por Engels com o intuito de favorecer as opiniões de Bernstein, do que se queixa amargamente numa carta a Lafargue, datada de 03 de Abril de 1895. A honestidade nos obriga a declarar que Engels jamais aderiu a um pacifismo ingênuo ou absoluto, depositando todas as suas confianças na política parlamentar, na direção da qual caminhou no entanto...

Quanto aos jacobinistas irredutíveis - que continuam apresentando a política parlamentar como o anti Cristo, a inserção como uma heresia e a revolução violenta como uma receita de bolo em moldes metafísicos, as objeções são muito mais graves e fortes.

A princípio concentram suas baterias nas mutilações feitas por Liebknecht e chegam a falar em falsificação. Ao mesmo tempo de dizem ter sido Engels pressionado pela Richard Fisher no sentido de atenuar seu discurso. Esta última alegação é fútil, faz supor que Engels trairia seus princípios... é injuriosa para com ele, pois atenuar é uma coisa e alterar, mentir, falsear, sacrificar, são coisas bem distintas.

Então eles afirmam que jamais houve esta aproximação, inda que nímia, face a democracia. E centram suas baterias no prefácio de 1895, como se se tratasse do único documento ou dum testemunho isolado.

No entanto além do prefácio integral - prenhe de significados - temos o testemunho de Eleanor, filha de Marx e mais, as últimas cartas enviadas por Engels a Bebel, Victor Adler e Kautsky. Podem dizer que Eleanor mentiu, traiu ou caluniou seu afamado pai, mas sobre as cartas acima citadas não pesa suspeita alguma quanto a autenticidade; PELO QUE NÃO TEM SIDO PUBLICADAS PELOS COMUNISTAS 'ORTODOXOS' embora constem em MEW, donde todos podemos extrair cópias ou simplesmente le-las!

Ora eu mesmo lí uma destas cartas, endereçadas por Engels a Kautsky numa publicação marxista heterodoxa onde deparei com praticamente a mesma fórmula empregada por Bauer em Linz 1926 i é em torno da violência defensiva. Engels dizia a seu interlocutor que o jogo democrático deveria ser mantido até os burgueses violarem-no, quando só então os comunistas deveriam tomar as armas e contra atacar os 'golpistas'. Foi o que li com estes olhos que a terra há de devorar um dia, e o dito livro esta tombado em minha Biblioteca.

Noutra publicação deparei com este não menos elucidativo fragmento tomado a uma carta endereçada ao mesmo Kautsky a 29 de Junho de 1891 - "Se uma coisa é certa é que nosso partido e a classe operária, só podem chegar ao poder sob a forma de uma República democrática. Esta é inclusive A FORMA ESPECÍFICA DA DITADURA DO PROLETARIADO." in Bottomore; Zahar 2012 p 499Esta solução é endossada pelos austríacos, por Kautsky e por Rosa, de modo que o primeiro é apresentado como renegado e a segunda como revisionista pelo russo Lênin, um dos paladinos do jacobinismo. Kautsky alias, fiel ao pensamento de Marx e Engels, declarava insistentemente que inserção ou reforma alguma impediriam o colapso do Capitalismo, determinado por sua própria evolução ou desenvolvimento, e que a Revolução aconteceria de qualquer modo. Já veremos que o próprio Engels teve de lançar água fria a fervura dos mais afoitos, declarando que não haveria revolução alguma sem que o processo histórico produzisse uma nova oportunidade, similar a de 1848. Entrementes, continua Engels, os comunistas, inda que estimulados por seus adversários, não deveriam fomentar qualquer tipo de sedição.

Passemos agora a terceira versão ou ponto de vista, a que chamaremos de social democracia realista ou crítica, em oposição a ingênua ou pacifista.

Para tanto passaremos a resumir o texto integral do prefácio de 1895.

Qual a ideia central desse texto?

Dando provas de supina honestidade Engels, nas primeiras linhas do prefácio faz lembrar que o Manifesto de 1848, aludia a uma luta pela democracia nos termos do assim chamado 'sufrágio universal'.

Concentre-mo-nos primeiramente neste ponto. Do sufrágio universal.

De fato quando nós, cidadãos do século XXI, ouvimos falar em democracia ou na democracia do século XIX, imaginamos que era idêntica, e que todos votavam ou participavam, inclusive os pobres e trabalhadores. Nada mais equivocado. Pois se a democracia principia na França revolucionária com o sufrágio universal, este só será implantado na Alemanha em 1870, nos EUA em 1856, na Dinamarca em 1849 e por ai em diante.

Até os idos de 1850 apenas os burgueses escolhiam representantes tomados a seu grupo com o objetivo de governar a nação, de modo que a democracia estava nas mãos da burguesia, não passando de uma plutocracia. Os pobres, os trabalhadores e os campesinos não tinham voz. Continuavam a ser comandados como antes. Não mais pelos nobres, mas pelo ricos.

A adoção do sufrágio universal no entanto, por franquear as eleições e candidaturas aos pobres e trabalhadores, oferecia novas perspectivas. E Engels avalia-as como promissoras, ao contrário dos anarquistas, presentes a algum tempo nos países 'latinos' i é Espanha e Itália. O próprio Engels afirma que eles não acreditavam de modo algum no sufrágio universal, definindo-o como mais um 'doce' com que a burguesia pretendia entreter o proletariado, enfim como uma ilusão.

Partilhará Engels de semelhante preconceito?

Vejamos.

"O primeiro grande benefício que os trabalhadores alemães prestaram a sua causa consistiu no simples fato de sua existência como partido socialista... sub ministraram a seus camaradas de todos os países uma arma nova, uma das mais afiadas, ao fazer-lhes ver como se utiliza o sufrágio universal.


Nos países latinos eles encaravam o sufrágio universal como mais um engano empregado pelo governo. Na Alemanha não foi assim. JÁ O MANIFESTO COMUNISTA HAVIA PROCLAMADO A LUTA PELO 'SUFRÁGIO UNIVERSAL' E PELA DEMOCRACIA COMO UMA DAS PRIMEIRAS E MAIS IMPORTANTES TAREFAS DO PROLETARIADO MILITANTE E LASSALLE HAVIA ENFATIZADO ESTA DIREÇÃO. E quando Bismarck se viu forçado a introduzir o sufrágio universal... nossos trabalhadores tomaram a coisa a sério e enviaram Bebel ao Reichstag constituinte e desde aquele dia em diante TEM USADO O DIREITO AO SUFRÁGIO DE TAL MODO, QUE TEM TRAZIDO PARA ELES INCONTÁVEIS BENEFÍCIOS E SERVIDO DE MODELO AOS OPERÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES." 
Prefácio completo

A partir daí desenvolve Engels o seguinte raciocínio - Na medida em que os trabalhadores forem tomando consciência de classe e inserindo-se no Parlamento acabariam por interferir cada vez mais na política econômica até faze-la reverter contra a burguesia e esmaga-la. Ele mesmo apresenta alguns exemplos neste sentido por parte de ilustres representantes da burguesia e podemos dizer que com isto Engels se dá conta não só da importância do político - já assinalada por Blanqui - mas sobre a tensão existente entre o liberalismo político e o liberalismo econômico; e chega a conclusão de que o governo pode ser tomado pelo proletariado. Os anarquistas, por questões de metafísica em torno da autoridade - que concebem como um mal em si mesmo e sempre como algo pessoal - é que negam-no, peremptoriamente. Mas Engels vai na direção oposta...

E saca uma conclusão vital no sentido de compreendermos o papel da violência e da Revolução classicamente definida em seu esquema de pensamento. Uma vez que a democracia tende a passar ao controle do proletariado segue-se que este ditando a política, será capaz de despojar institucional ou legalmente a burguesia. Como esta no entanto não estará disposta a ser deixar despojar, impõem-se uma conclusão necessária: Em algum momento subsequente a burguesia terá de violar as regras do jogo democrático ou de apelar a um golpe, assumindo formas totalitárias e repressoras. Neste momento os proletários deverão estar preparados para resistir, revidar e tomar o poder.

Em algum momento Engels, mostrando sua genialidade, constata que o melhor caminho para a Revolução, o mais efetivo, é a inserção parlamentar, por meio da qual, ao menos durante algum tempo, o proletariado poderia despojar a burguesia, até o instante em que a burguesia, arrancando sua máscara, apelasse ao golpe, a força e a coerção, atacando os socialistas. A esta altura, como já dissemos, entra a doutrina da violência defensiva e com ela ou atrelada a ela, uma Revolução adrede planejada nos mínimos detalhes. Temos aqui uma síntese equilibrada e magistral, que não se contenta com o pacifismo ingênuo dos sociais democratas à la Bernstein e tampouco com o velho jacobinismo legado por Babeuf.

Dir-se-ia que o velho Engels, sem jamais abdicar do ideal de Revolução, postergou-o tendo em vista não apenas as oportunidades oferecidas pelo processo histórico, mas as ulteriores mudanças políticas e técnicas. Ele deduziu que a Revolução exige um lento preparo, treino e organização. Foi um passo importantíssimo que os jacobinistas não aceitam.

Diante disto que dizem eles, os jacobinistas?

Antes de tudo apelam a um fragmento em que Engels declara que aquela solução era a solução apenas para a Alemanha daquele tempo e não para os demais países, Itália, França, Espanha, Inglaterra, etc É tudo quando podem opor ao óbvio... E como compreende-lo?

É possível e provável que Engels, na perspectiva da cultura, encarasse seus alemães como um povo especial, superior ou mais evoluído. E aqui teríamos o germanismo superestimado... Seja como for ele faz, no mínimo, uma exceção a regra geral, e sabemos que exceções levam a exceções. Pelo simples fato de que, se a situação futura da Alemanha podia mudar, também a das outras nações podia mudar e tornar-se semelhante as daquela Alemanha, i é da Alemanha favorável a social democracia... Em questão de princípios não se faz exceção. Mas é normal que um alemão faça exceção a sua Alemanha. Anormal é que não alemães acompanhem-no. Ademais se os estádios do processo estavam atrelados a produção econômica, na mesmo medida em que a produção dos demais países atingi-se o mesmo estádio que a produção da Alemanha aquele tempo, produzir-se iam as mesmas transformações sociais e condições políticas, no caso favoráveis a social democracia.

Em todo caso estava Engels negando que a Revolução violenta correspondesse a uma receita de bolo ou bula de medicamento aplicável a todas as épocas e lugares. É dedução que salta a vista.

Ademais costumam nossos adversários citar certas alusões depreciativas ao termo 'Social democracia' tomadas aos primeiros escritos de Marx e Engels. Esta claro, diz Bottomore, com razão absoluta, que não poderiam estar se referindo a social democracia alemã pós 1870, mas a outro tipo de tentativa, totalmente diversa, levada a cabo pelos franceses, e com temperos de proudhonismo. Quando a social democracia alemã dos anos 70, Engels reconhece - Volkstaat 1894 - que era perfeitamente aceitável.

Aluídas tais críticas nada resta de muito sério ou relevante.

Temos aqui um quadro perfeitamente discernível: Sem chegar a compactuar com Bernstein e os pacifistas ingênuos dispostos a acordos comprometedores, Engels, que sobreviveu a Marx quase quinze anos, vai gradativamente afastando-se do jacobinismo extremo legado pela revolução francesa, do insurrecionismo de Blaqui e mesmo de qualquer tipo de revolucionarismo apressado que não levasse em conta as circunstâncias externas para, a partir da afirmação do sufrágio universal, entusiasmar-se - esta é a palavra certa - pela teoria da inserção, sem no entanto abdicar do uso da força numa Revolução futura e conscientemente planejada que julgava a um tempo distante e a outro inevitável.

A partir de sua posição outros tantos teóricos partidários da inserção na política parlamentar foram capazes de apresentar-se como continuadores seus, mesmo quando se afastavam dele, pelo simples fato de ter sido ele um continuador de Marx em que pese ter se afastado dele - Se é certo que Marx morreu apegado ao quando escrevera na Crítica ao programa de Gotha (Eleanor Marx e Engels negam-no explicitamente) ou irredutível - na mesma medida em que afastou-se da receita de bolo ou mapa da Revolução violenta ou da insurreição.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A produção de uma democracia não palatável e suas razões...


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Observador atento e bom conhecedor da realidade política de seu tempo Platão, o ateniense, sabia melhor do que ninguém, que as mazelas, as impurezas, as profanidades... que maculam esta realidade tendem a fazer com que os cidadãos mais nobres e virtuosos, afastem-se dela, obviamente com o receio de virem a manchar-se.

Tal a realidade do nosso Brasil contemporâneo, em que um número cada vez maior de cidadãos excelentes, sejam humanistas, socialistas, laicistas, amigos da liberdade, etc tem se deixado dominar pelo desamino, abater-se e optado pela abstenção, convertendo-se alguns inclusive, em apóstolos do abstencionismo.

E não é minha intenção neste artigo acusar tais pessoas de traição, conspiração ou qualquer outra coisa... De modo algum.

Tudo quanto pretendo, amigo abstencionista, é problematizar sua opção.

Começando por perguntar-lhe se acha que os paladinos do neo liberalismo e do liberalismo, noutras palavras - PSDbestas e aliados, também se sentirão desconfortáveis em meio a tanta profanidade, e optarão por abster-se? Crê de fato que os demagogos, charlatães, degenerados, vendidos, etc haverão de omitir-se também?

Admitindo que o maior número de desiludidos, desesperados, frustrados, abatidos, desanimados, desgostosos e consequentemente de abstencionistas, pertençam a plataforma de centro ou de esquerda, qual plataforma ficara mais fragilizada?

Admitindo ainda que a atual estrutura política conserve-se inalterada e nos mesmos moldes parlamentares a quem favorecerá o recuo da plataforma trabalhista? Por quem haverá de ser ocupado? Quem obterá a hegemonia no Parlamento? Que resultará de tão calamitosa situação?

Será que você acredita mesmo que o ato de abster-se e de desamparar a esquerda trabalhista atingirá os agentes mais ativos da corrupção, cuja plataforma é bem outra?

Retorno a primeira pergunta: Que o leva a crer que os eleitores da plataforma neo liberal ou liberal são tão sensíveis a chaga da corrupção quanto você partidário da esquerda?

E retorno ao citado Platão apenas com o objetivo de transmitir suas considerações ao amigo leitor:

'Caso o cidadão mais excelente opte por não participar da vida política qual haverá de ser o preço pago por ele? Sua punição será ser governado pelos medíocres e por toda gente inferior a si. Pois se o bom não participa com o objetivo de tornar a politica boa, os maus assumirão seu lugar tornando a política ainda pior do que é. E ele não poderá reclamar.' eis mais ou menos o que li há muito tempo já na clássica República.

E faz todo sentido.

Se você sendo nobre, honesto, bom, virtuoso e excelente; afasta-se da política com medo de contaminar-se, como admirar-se de que o nicho ou espaço aberto por si seja ocupado por alguém menos bem menos digno do que você, enfim por um bandido, ladrão, corrupto, venal, degenerado, canalha, etc??? Se você que é animado por princípios e valores saudáveis se abstém para não poluir-se, como deixar de concluir que o cenário só poderá piorar ainda mais devido a inserção dos maus???? Se você que é humanista recua enojado como evitar que um liberal desonesto ou um pastor charlatão preencha a vaga deixada por si e elabore leis com o objetivo de oprimir ainda mais nosso bom povo???

Como podemos ter esperança numa política melhor se quem tem princípios, valores, ética, virtude e nobreza é justamente quem se escandaliza e afasta???

Tudo quanto podemos esperar num cenário destes, de abandono e abstenção é que a condição da política agrave-se ainda mais...

Por fim, abandonado o cenário pelos virtuosos e bons poderão os corruptos e viciados prevaricar mais facilmente...

Perceba portanto caro leitor, que o abandono da política pelos virtuosos, acaba indiretamente, facilitando ainda mais o ofício do prevaricador. O qual se sentirá mais a vontade e menos ameaçado...

Afinal quem fiscalizará, quem vigiará, que denunciará tal categoria de pessoas caso o parlamento seja ocupado exclusivamente por elas?

Perceba amigo leitor que por trás da própria corrupção e sobretudo da divulgação da corrupção, coexistem diversas intencionalidade, e uma delas, com toda certeza, consiste em apresentar a política ou a democracia como algo essencialmente imundo e imprestável, desiludindo a tantos quantos aspirem sanea-la moralmente.

Há ali, deliberado propósito de apresentar a política como algo essencialmente mau, de que só tomam parte viciados, canalhas e degenerados e que não é feito para o homem honesto e decente. Uma das tônicas é sim alimentar o abstencionismo por parte dos bons, até que os maus obtenham total controle da situação. Não sei se há um programa de ação voluntária e conjunta por parte dos parlamentares corruptos neste sentido... Mas que alguns tem uma clara percepção a respeito nos parece evidente.

Podemos então falar na produção intencional e política de uma democracia não palatável por parte de alguns políticos corruptos. Os quais aspiram porque a corrupção seja divulgava aos quatro ventos, exposta, apresentada, etc com o objetivo de produzir repulsa por parte dos bons e mante-los afastados. Querem apresentar-nos a política ou a democracia como um pedaço de excremento ou carniça face ao qual sentimos vontade de vomitar e de permanecer afastados.

Por isso digo que a exposição da corrupção ou melhor dizendo a 'ostentação' que dela ser faz bem como a avidez com que é cometida, correspondem sim a tentativa de apresentar a política como algo pernicioso, nocivo, indigno e incorrigível. A ponto das pessoas acreditarem que as coisas sempre foram assim, e que não há remédio com que sanea-las, restando-nos apenas a opção de 'desertar' do cenário político, deixando-o entregue aos criminosos e sendo governados por eles.

Se ao menos as pessoas favoráveis a abstinência acreditassem na solução Revolucionária, unindo-se em torno de um ideal comum, a saber a destruição do Parlamento... A situação seria menos degradante.

Sucede no entanto que boa parte das pessoas desencantadas, que se afastaram da política vigente e das eleições, parece optar por viver num mundo paralelo, em que continuamos a ser comandados pelo Parlamento e fingimos que isto não afeta nossas vidas. O que não passa de ficção ou de delírio.

Mesmo que não participemos da política institucional a simples existência dessa política ou a realidade de um parlamento, continua a afetar dramaticamente a condição de milhões e milhões de seres humanos seja reduzindo-lhes as liberdades ou suprimindo-lhes os direitos, e consequentemente agravando diversas situações de miséria, ignorância, violência e indignidade.

Portanto de pouco vale abster-se e manter-se a parte da vida política, se não aderimos a qualquer outra pauta tanto mais 'realista' e objetiva, como a dos revolucionários e sedicionistas. Posso até discordar deles como discordo sem no entanto ter de classifica-los como inconsequentes e levianos...
Agora como haverei de classificar pessoas que tendo se afastado da vida política institucional, continuam a tolera-la, agindo como se não existisse?

Em que o fingir que determinada estrutura, forma ou organização existente inexiste haverá de beneficiar alguém???

Em que ir para a savana negando a existência de leões haverá de beneficiar o viajante?

Benefício aufere aquele que admitindo a existência real dos leões e o perigo representado por eles interna-se na savana levando consigo rifle e munições.

Por mais que o outro proceda como se os leões inexistissem nem por isso estará mais seguro.

Portanto fingir que a política não existe ou não dar a mínima por ela, ou ignora-la não te preserva das decisões políticas tomadas pelos corruptos.

De uma maneira ou de outra, enquanto o Parlamento não for destruído e instaurada uma nova ordem, você e seus entes queridos continuarão sendo afetados por suas decisões.

Se você acredita que pode destruir o Parlamento agora e instaurar uma nova ordem política da noite para o dia, não temos o que discutir. Boa sorte...

Por outro lado, caso tenhamos de conviver com o parlamento e a política institucional por certa medida de tempo, melhor encarar o problema de frente. Melhor analisar, ponderar, atuar e participar; entrando na liça com boas ideias, com bons princípios, excelentes valores e intenções virtuosas; porque isto sim assusta bastante os políticos corruptos - O simples fato de terem os cargos disputados com gente de boa índole e reputação destinada a observa-los! Temem acima de tudo ser vigiados! Cerque-mo-los! Mas para isso é preciso que a gente de bem, aceite o desafio de por as mãos na massa sem medo de contaminar-se ou de poluir-se.

Temos de acreditar que é possível sim fazer uma política diferente, pautada em sentimentos nobres e virtuosos e fundamentada na ética.

O simples conhecimento, básico e elementar, da condição humana, basta-nos para constatar que sempre haverão elementos corruptos inseridos nas estruturas políticas de modo geral e nos partidos políticos, mesmo naqueles cujos estatutos e programas objetivem a afirmação da justiça social e do bem comum. Nem mesmo os melhores partidos, inspirados nas fontes do humanismo, são ou haverão de ser incorruptíveis... Eis porque não podemos sonhar com um parlamento perfeito.

Daí a conveniência de encaminhar-se para a democracia direta ou semi direta e de se recorrer tanto quanto seja possível a plebiscitos e referendos. Eliminando-se, gradativamente, a mediação do parlamento.

No entanto quanto ele existe e na medida em que existe, é dever do homem nobre, excelente e virtuoso impedir que seja completamente dominado e usado pelos maus elementos.

Eis porque temos de insistir sobre a necessidade da inserção.

Os elementos bons e virtuosos é que devem ocupar as cadeiras do Parlamento, constituir maioria e controla-lo em detrimento dos elementos indignos e corruptos. Tal a realidade distante que com fé devemos perseguir.

Sem jamais sonhar com super homens, falsos salvadores, 'mitos', deuses... com partidos incorruptíveis ou com um parlamento perfeito. No melhor dos partidos sempre haverá maus elementos e no melhor dos parlamentos sempre haverá homens dispostos a corromper-se. Basta que estejamos sempre dispostos a enfrenta-los, vigia-los, denuncia-los, conte-los e frustra-los; impedindo-os de comandar.

E no entanto tal só será possível caso os bons tomem consciência de seu dever e tornem a apoiar a plataforma socialista, que é sem dúvida uma plataforma ou proposta excelente.

Que contemplem apenas a própria integridade e o ideal de justiça a ser perseguido, sabendo que os crimes e maldades perpetrados por outros não são capazes de atingi-los.

Ah, mas se tomar parte na política ficarei mal falado... Mas se alguém do meu partido causar escândalo perderei minha reputação... Mas caso seja denunciado maliciosamente ou caluniado terei minha honra atingida, etc, etc, etc E assim acabarei expondo-me sem necessidade.

Quanto a tais objeções diria que ao justo basta a consciência limpa e, no máximo, a confiança dos seus, digo dos familiares e amigos. E que muitos homens nobres e excelentes foram processados, acusados e caluniados a exemplo de Aristides, o justo, em Atenas... E que mesmo dentre os nossos homens base não poucos foram expostos a calúnia e mentirosamente atacados, em que pese a inocência comprovada, assim: Zacarias, Sinimbu, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Bernardino de Campos, Vargas, Juscelino, Goulart, Montoro, Brizola, etc os quais nem se deixaram abalar, não perderam a cabeça e tampouco deixaram de contribuir, cada qual em sua medida, para o bem estar geral da República.

De fato a sorte de um politico virtuoso e comprometido com o bem comum e com a justiça nem sempre é fácil e invejável. Demandando alias certa abnegação e sacrifício, o que não se pode exigir de quem quer que seja.

Então vá lá! Não aspirar candidatar-se ao menos apoie os homens virtuosos que ousam faze-lo e vote neles. Vote dos que conhece e confia, apoie-os ativamente se de fato são excelentes e comprometidos. Lute por eles e introduza-os em seu nome no Parlamento para que de fato te representem fielmente.

Mas e se estiver enganado e o homem vier a degenerar - Uma vez que somos mutáveis - e a corromper-se???

Para justificar-te, basta que tua intenção seja pura! Caso não tenhas tido a intenção de eleger um criminoso, estas inocentado. Errastes, fostes ludibriado, enganado, iludido ; tal a sorte dos mortais - Nada mais humano do que o erro! Certamente aquele que busca eleger um candidato honesto, após ter investigado e buscado conhecimento de causa, converte-se em vítima, ao ser traído por ele.

E no entanto o medo de errar não nos deve impedir de tomar as decisões que julgamos certas ou de agir.

Do contrário sequer atuaríamos de qualquer modo com medo de 'pecar' ou de cometer ações indignas, face as quais somos sugestionados frequentemente. E no entanto a inação ou a omissão são sempre mais perniciosas do que o risco. Viver é aventurar-se, é arriscar-se, é expor-se...

Importante, já o disse, é a pureza das intenções ou a vontade de acertar.

O que no âmbito da ação politica implica busca pelo conhecimento.

Vote portanto em quem já conhece e confia ou, busque conhecer de perto e com suficiência de tempo os candidatos de sua plataforma. O que é facilitado no caso dos que já atuam e pleiteiam a reeleição pelo conhecimento de seu histórico político. Certamente que há políticos comprometidos com os interesses populares que jamais foram denunciados ou citados por improbidade, assim diversos membros da bancada do PSOL dentre os quais Ivan Valente Luiza Erundina; o deputado trabalhista Bohn Gass; o ínclito deputado pedetista Ciro Gomes; assim aqueles que foram levianamente citados sem produção material de provas como a nobre Senadora Gleisi Hoffman e a deputada Jandyra Fegalli do PS do B, dentre outros. Sempre existiram e ainda existem pessoas que valham a pena dentro do cenário político e devemos cerrar fileiras em redor delas.

No entanto de que nos valerá eleger meia dúzia de gatos pingados honestos contra uma aluvião de demagogos vendidos???

Claro que a militância cidadã implica trabalho de conscientização a ser realizado, buscando esclarecer o outro e ganha-los para esta boa causa.

Importa fortalecer esta minoria de combatentes valorosos como os parlamentares que se opuseram:

  • A PEC 241 que visava estabelecer um teto de gastos públicos
  • A proposta sobre o financiamento das candidaturas políticas por empresários
  • A terceirização do trabalho
E que se opõem a sinistra Reforma da Previdência.

Que tal começar levantando seus nomes e buscando conhecer melhor o trabalho deles?

São corruptos tais Parlamentares, foram denunciados ou incriminados?

Não são corruptos, jamais foram denunciados ou incriminados?

Então você não pode dizer que são todos iguais ou farinha do mesmo saco...

E suas apreciações não estão sendo justas.

Alias as generalizações quase nunca são justas.

Suponhamos agora que houvesse apenas um político honesto em todo Parlamento... Nem por isso deixaríamos de estar obrigados a apoia-lo e a reelege-lo!

Justiça é virtude que independe do número.

Não faça portanto o jogo dos políticos corruptos, omitindo-se. São eles os únicos beneficiados por sua abstenção... E te agradecerão roubando ainda mais, prevaricando mais...

Não de omita ou melindre, mas ponha a mão na massa e com responsabilidade atue e participe sem medo de errar.

É por meio de acerto e erro que se constrói e aprimora o organismo democrático.

Por mais perfeito que seja não imagine ou pense que será capaz de viver fora da realidade, e pense sobretudo nas pessoas que serão afetadas por um política pior com relação a que já existe... Pense como as vidas dos trabalhadores e das pessoas mais humildes podem ser tornar ainda difíceis na medida em que as leis são formuladas por homens vis e sem consciência, escravizados pelo dinheiro! E pense no quanto pode contribuir para evitar ou amenizar esta situação votando em pessoas dignas e comprometidas com o bem comum!

Sendo bom a afastando-se do cenário político certamente colabora para torna-lo pior.

Resta esclarecer por fim que a estratégia destes demagogos poderá, ainda a curto prazo, significar um tiro no pé...

Isto na medida em que as pessoas honestas alheias a ordem democrática, sempre poderão vir a comprometer-se com sistemas sedicionistas ou totalitários: Assim o Anarquismo, quanto ao primeiro caso; assim Monarquismo, Integralismo, Fascismo, Nazismo, Comunismo... Os quais vão se fortalecendo e avultando na medida em que mingua a consciência democrática.

Tanto mais desacreditada a democracia Parlamentar ou representativa fica entre nós e tanto mais observamos a construção de ideários rivais, especialmente entre as faixas mais jovens da população, as quais tem optado preferencialmente por aderir a credos não democráticos, ao invés de alimentar a farsa segundo a qual o Parlamento não passa de um enfeite que não afeta nossas vidas... e que consequentemente deve ser suprimido.

Certamente que a exposição e manipulação cavilosa da própria corrupção pelos políticos alimenta semelhante estado de coisas, tornando-o cada vez mais instável e perigoso. Identificada pelo vulgo com o Parlamento a ordem democrática jamais foi tão questionada e exposta a tão duras críticas como no momento presente. Afinal para a maior parte das pessoas um Parlamento corrupto implica uma democracia corrupta, que não funciona e que deve ser removida.

Vejamos que resultará de toda esta farra ou brincadeira iniciada pelos parlamentares irresponsáveis!

Quanto aos que concordam com o divino Platão, como nós, cumpre buscar votar conscientemente, dignificar candidatos honestos, fazer uma boa política, injetar esperanças no povo e construir o caminho para uma democracia cada vez mais direta e para uma sociedade cada vez mais justa, solidária e fraterna. A todas as pessoas de boa vontade convidamos amorosamente para que analisem sem preconceitos o nosso ideário -

VAMOS FORTALECER A CORRENTE DO BEM!



sábado, 20 de maio de 2017

A realidade política do tempo presente: PSDB, PT, Temer, Aécio, Lula, Corrupção, Eleições, Globo... II





01 . Apesar da Globo não prestar ou ser canalha isto não torna Temer nem inocente nem
desejável. Meu ódio a Globo não me torna estúpido ou cego.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/gloria-aos-pastores-que-usaram-seu-pulpito-para-demonizar-dilma-e-divinizar-temer-e-seus-ladroes/



02. A Globo pode muito bem estar temendo a construção de mais um poder paralelo a

sinistra bancada evanjéguica - fundamento pétreo do governo golpista. Se receia desta

bancada - Em que Temer tem se escorado repetidamente - ao menos aqui mostra ter

juízo - A merda tem de ser limpada antes que feda mais


Recordemos que a bucha estourou horas antes do Temer ter ligado para o papa

Malafão pedindo arrego ou melhor bençãos para seu pacote de maldades.



03. Temos duas soluções possíveis: A solução justa e a mais excelente > O retorno de Dilma

Russef ao poder, é esta minha opção preferencial.


Afinal um processo iniciado pelo mafioso Ed Cunha e arquitetado pelos bandidos Aécio e

Temer a testa de um Congresso pestilencioso é nulo de todo valor. Contaminado,

viciado, ilegal, ilegítimo, arbitrário. A melhor saída para o golpe é sua anulação e a

retomada do estado democrático de direito


Todavia caso esta opção se torne impossível, o mal menor corresponderia a convocação

de ELEIÇÕES DIRETAS numa perspectiva pragmática seria a melhor das saídas

possíveis. Alias a luz da doutrina de John Locke, o parlamento brasileiro como um todo -

O qual mais parece a caverna do Ali Babá com dez vezes mais ladrões - deveria ser

dissolvido, sucedendo eleições gerais.


Nenhuma submissão a este parlamento corrupto e venal, em termos de eleição indireta,

sob qualquer alegação, deve ser aceita pelos cidadãos livres. Caso seja necessário o

Congresso deve ser ocupado pelo povo e colocado nos trilhos, exatamente como se faz

em certos rincões do pais. Não podemos deixar, em hipótese alguma esta decisão ao

encargo dessa latrina chamada Congresso.


O retorno de Dilma ou eleições livres NÃO HÁ TERCEIRA OPÇÃO!






04. Claro que devo mencionar sim eleições livres por simples petição a realidade.

Digo isto porque vi os jovens valentões berrando por vinte centavos ou gritando contra a

Dilma, MAS DE MODO ALGUM DE FORMA TÃO MARCADA CONTRA O TEMER E SEU

PACOTE DE MALDADES. Não posso deixa de achar curioso essas pessoas politizadas

fomentarem uma autêntica sedição por causa de vinte centavos e pouco ou nada

fazerem pela previdência do povo contra um governo ilegítimo e golpista. De fato não

constato um clamor generalizado por parte dessas pessoas. Enfrentar a Dilma e até mesmo centrais sindicais é fácil, quero ver ir lá enfrentar o

MEXEU TREME EM BRASÍLIA. Não não vejo os Black Blocks atuando em Brasília

contra o Congresso... Cade eles? onde estão agora que precisamos deles?


05. Aos monarquistas, fascistas, integristas, comunistas e anarquistas respondo que

democracia se faz por acerto e erro, exercitando-se. Claro que PRECISAMOS

URGENTEMENTE DE UMA REFORMA POLÍTICA QUE PROBLEMATIZE QUESTÕES

COMO O VOTO OBRIGATÓRIO, O VOTO DE ANALFABETOS E A CANDIDATURA DE

LIDERES RELIGIOSOS, dentre outras coisas, e no entanto apenas uma bancada de

esquerda democraticamente eleita levará este ideal a cabo.

JAMAIS ESSE LIXO NEO LIBERAL QUE TEMOS.


E menos ainda a mítica sedição ou 'revolução' armada, apregoada por todos vocês,

pelo simples fato de que jamais produz consciência e que por isso mesmo reverteu: Na

comuna de Paris, na Rússia, no México, etc após ter feito verter rios de sangue a troco

de nada, pois após cada uma delas impos-se novamente o estado capitalista ou liberal

e por que? Porque não trabalhou as mentes por meio da educação e da cultura e não

produziu consciência. Não se faz revolução alguma com massas, antes de tudo é

necessário converter as massas em povo e isto só se faz por meio da tomada de

consciência ou do processo educativo. Se vocês querem soluções imediatistas e de

desespero continuarão dando com a moleira na parede.



06. Conheço muito bem os defeitos da democracia meramente representativa, formal,

estrutural ou burguesa. Mas é a realidade que temos, a que temos de trabalhar e da

qual temos que partir, transformando-a, desconstruindo-a e reelaborando-a por

dentro.


Como Marx, Engels, Kautsky, Bernstein, Gramsci, Poulatzas, etc tenho esta

democracia burguesa e precária não como fim da história ou como algo definitivo,

mas como ponto de partida para algo melhor a ser construído coletivamente pelas

gerações, por meio da educação e da militância, institucional e não institucional.


Conheço as críticas de Sócrates, Platão e Aristóteles sobre a democracia pura, a qual

centra-se na necessidade de preparar as condições para ela, de formar espíritos

democráticos, de produzir consciência, de formar, de educar, de franquear acesso a

todos os que queiram ser dignos de participar e de exercer a cidadania e sei que é

desafio colossal e que só será solucionado pela educação.


Para além dos aspectos econômico e político, este em termos de estrutura ou formal,

temos um terceiro aspecto a ser considerado que é o formativo, de produção de

consciência. A ideia blanquista da sedição tomou seu lugar mas como

disse na prática não mostrou quaisquer resultados satisfatórios, exceto em,

sociedades que passavam por situações tão dramáticas - Equivalentes as de guerra

justa - como Cuba e Coréia do Norte


07. Bakunim mesmo havia dito que a liberdade e por ext a democracia, não pode ser

dada ao povo por uma elite de quadros revolucionários. Esta ideia legada pelos

positivistas e que remonta a Platão e ao ideal de ditador 'educador' quase nunca

funciona.

O povo nada dever esperar de indivíduos, salvadores, messias, etc Bem como de

elites redentoras. Redimirá a si mesmo pela tomada de consciência ou permanecerá

escravo. Liberdade é algo que não pode ser dado e democracia algo que não se

mantem nem ampliar sem espírito.


Portanto o povo deve contar apenas com o trabalho dos educadores humanistas,

enfim com o processo educativo, esclarecimento e tomada de consciência, mais do

que de armas e bombas, rifles e fuzis, formas e estruturas.


Estou sinceramente persuadido de que nosso ideal de democracia pura ou direta

será construído lentamente, por meio de um processo e não cedo a tentação da

revolta ou do adiantamento; INSTITUCIONAL e não institucionalmente, por diversas

vias. Cada qual acrescentará seu tijolinho.


08. Menos utópico falar em eleições e reforma política do que em auto gestão, apoio

mútuo, boicote geral ou mesmo no excelente recurso da desobediência civil (O qual

certamente precisa ser mais valorizado, problematizado, praticado) etc Uma vez

que nossa gente não se mostra a altura de tais recursos devido a sua falta quase

que absoluta de educação e preparo... No Brasil o que temos ainda são massas a

serem trabalhadas. No momento presente, caso consigamos impedir que sejam manipuladas por

pastores ou ludibriadas pela mídia, já conseguimos bastante, mas ainda não

conseguimos...


09. Assim quando falamos em eleições diretas temos de por o dedo bem no fundo da

ferida e avaliar o papel negativo do 'Voto obrigatório' (i é sem consciência

democrática) neste processo.

Nem podemos dizer que tudo esta bem, permanecer conformados e fugir a este

questionamento fundamental,


Afinal como aquele que não consegue enxergar qualquer sentido no voto deixará de

vende-lo ao primeiro demagogo?

Se para ele voto não tem valor certamente terá preço.

Conclusão: Acreditando ser esperto a ponto de ludibriar um político como Paulo Maluf,

venderá seu voto por cem reais enquanto o eleito obterá lucro na medida de cem por

um, carreando milhões dos cofres públicos, recobrando seu investimento e

prejudicando o corpo social como um todo. Pois a relação entre o voto obrigatório ou

mecânico e a corrupção é essencial.


Como debelar a corrupção e manter o voto mecânico?

E no entanto sem este voto fácil, os demagogos perdem seus currais... 90% dos

nossos políticos não conseguiria eleger-se por meio do voto cidadão.

A política liberal e neo liberal com suas mazelas não se mantém sem a chaga do voto

compulsório.


É por meio dessa chaga que conseguem 'diluir' ou filtrar os votos conscientes e a

custa de propina obter cargos e funções públicas.


Compreendem por que os conservadores se apegam tanto e com tanta avidez e

guarra a lei do voto obrigatório. Porque é a Matriz da corrupção e da venalidade e

porque sem ela, a bancada liberal ou anti popular não se sustenta. PSC e DEM por

exemplo são máfias que se alimentam quase que exclusivamente disto, de voto

comprado!


10. A esquerda equivocou-se redondamente quando em 1988, defendendo o voto analfabeto irrestrito, considerando - romanticamente - que a experiencialidade prática

do trabalhador humilde, comunicada pela vida vivida, seria suficiente para converte-lo

em cidadão consciente ou eleitor militante.


Foi equivoco trágico porque pagamos e ainda vamos pagar.


A consciência social e a plataforma trabalhista continuam recebendo apoio das pequenas ou baixas classes médias ou do que chamam - Nordau - pequena burguesia rancorosa e 'revoltada'.


O que nossas massas analfabéticas e manipuladas por lideres religiosos oportunistas fizeram foi abrir uma brecha ao que temos hoje de mais sinistro na política parlamentar brasileira, a 'bancada evanjéguica', principal responsável pela intifada conservadora a que hora testemunhamos.

Os fanáticos religiosos e charlatães souberam introjetar com maestria, na mente de grande parte dessas pessoas um ideário ou uma ideologia acentuadamente liberal, produzindo o fenômeno do pobre capitalista. Ora esses pobre capitalistas ou como se diz 'de direita', bem mais do que a satanizada classe média, constituem - sob a égide dos pastores - a alma do conservadorismo até o ANACAP e o Nazismo!

Passam fome, vivem em palafitas, são assalariados e oprimidos e mesmo assim contemplam o patrão ou o empresário como uma espécie de deus desde mundo, votando como carneiros naqueles que são indicados pelo pastor em troca de benção, alias de prosperidade prometida. Voto de analfabeto ou semi analfabeto converteu-se em moeda, matéria de troca ou sinônimo de poder nas mãos sujas dos pastores pentecostais, os quais a partir dai criaram seus currais e bancadas.

De modo geral este voto serviu para empoderar esses canalhas da fé e alimentar uma teocracia fortemente capitalista.

Foi projeto romântico, utópico e muito mal calculado - O qual torna vivas as críticas do velho Sócrates! - que saiu pela culatra e tem servido de pasto já ao capitalismo já ao conservadorismo moralista e social. FOI UMA TRAGÉDIA.





A PIOR FORMA DE OCLOCRACIA -A RELIGIOSA!

E a esquerda cega nem cogita repensar tudo isto e fazer 'mea culpa'. ESTAMOS NO REINO DA OCLOCRACIA MAIS TORPE! OCLOCRACIA É O QUE VIVEMOS!

O QUE SÓ SERVE PARA DAR SUPORTE AS VELHAS E JUSTAS CRÍTICAS ELABORADAS PELOS MONARQUISTAS, INTEGRISTAS E FASCISTAS DESDE O SÉCULO XIX.


Esta oclocracia teocrática ou democracia sem qualidade, esta desmerecendo os


ideais democráticos e promovendo toda uma série de críticas totalitárias. NADA MAIS PERIGOSO DO QUE DESACREDITAR A DEMOCRACIA.





12. Certamente que o voto deveria ser condicional e livre, nem mais nem menos.


As pessoas deveriam ter um mínimo de instrução para poder exercer este direito e


acima de tudo aspirar por ele ou deseja-lo enquanto ação significativa. Só assim


seria cidadão de fato cessando de alimentar a oclocracia.







13. Quaisquer líderes religiosos deveriam ser impedidos de participar das eleições,


exceto se, tal e qual os políticos, se afastassem alguns anos antes de virem a


registrar suas candidaturas. A propaganda religiosa por meio de organizações


religiosas devería ser policiada rigorosamente e a imposição de qualquer candidato


associada a sansões se ordem espiritual proibida e punida por lei. PARTIDOS DE NATUREZA RELIGIOSA DEVERIAM SER RIGOROSAMENTE


PROIBIDOS E A PROIBIÇÃO DE BANCADAS RELIGIOSAS AO MENOS


SERIAMENTE CONSIDERADA E DEMOCRATICAMENTE DISCUTIDA.



14. Nem preciso dizer que todas as agremiações religiosas que não contribuem por


meio de projetos sociais (Desvinculados de quaisquer ações proselitistas!),


limitando-se a auferir lucros em nome do sagrado deveriam ser taxadas na forma


da lei. Nada mais humilhante para o cidadão empreendedor, a respeito do qual


tanto se fala, do que essa calamidade que consiste em observar tantas pessoas


que se apresentam como religiosas auferindo lucro fácil sem terem de trabalhar


honestamente. Certamente se trata de um grande desestímulo para qualquer


cidadão virtuoso.


15. Por fim já me referi a necessidade e conveniência de que todas as questões


relevantes para a sociedade sejam cada vez mais discutidas e decididas pela


comunidade, através de plebiscitos e referendos pelo simples fato de nada ser tão


democrático e desejável quanto a participação direta do povo, exceto se houver


alguma impossibilidade absoluta. Mas sairá caro? Se comporta aumento de qualidade democrática jamais será demasiado caro,


exceto pata os capitalistas perversos. Qualidade democrática é algo porque


devamos pagar com gosto. Preferiremos acaso uma oclocracia, uma demagogia,


uma teocracia, uma plutocracia ou uma ditadura barata??? É coisa com que não se pode nem deve regatear.

Ademais, se necessário for, para custea-la, taxem-se a parcela mais afortunada


da população (Os mais ricos, nababos ou milionários) e como já dissemos todas


as agremiações religiosas que não trazem qualquer retorno social ou que não


sustentam ao menos uma ONG de caráter não proselitista. Nem se diga que somos contra a religião, somos absolutamente a favor dela.


Contra a religião são aqueles que dela abusam convertendo-a em mercado, nada


mais abominavelmente sacrílego do que fazer da fé um meio de vida.



quarta-feira, 15 de março de 2017

Sócrates, a qualidade democrática e a produção de consciência

Antes de tudo devemos dizer que nossa democracia não é a democracia grega. Sempre oportuno dizer e repetir isto. Os gregos não conheciam o 'dogma' anglo saxão da representatividade e por isso representavam a si mesmos. Seu sistema era direto e não indireto...

Portanto entre nossa democracia, a democracia moderna, forjada na Inglaterra, já contaminada e envenenada pelo liberalismo econômico, vai uma larga diferença.

Lá a traição só era capaz em caso de 'loucura' rsrsrsrsrsrs Aqui a traição é ameaça ou perigo onipresente. Basta que algum milionário 'molhe as mãos' dos supostos representantes para que eles sem mais, atraiçoem o bom povo. Locke teve o bom senso de declarar que em tais casos era defeso ao povo rebelar-se, pegar armas e dissolver o Parlamento infiel, no entanto, este aspecto de sua doutrina parece ter caído no mais profundo esquecimento...

Segundo a concepção mais moderna de democracia o povo deve deixar-se atraiçoar pacifica e ordeiramente como uma ovelha se deixa tosquiar ou uma rês é conduzida ao matadouro; sempre em nome da autoridade... Aqui dos supostos representantes, ali de um só e mais além das massas; mas, se vai contra o interesse do bem comum, é sempre DITADURA - de um, de alguns ou de muitos.

Temos assim ditaduras de indivíduos, de classes e de massas, mas á tudo farinha do mesmo saco podre e infecto.

Curioso Sócrates ser apresentando como adversário da democracia em algumas publicações.

Nada mais equivocado.

Era Sócrates aristocrata?

Em que sentido?

Afinal há várias formas de aristocracia. Assim se há aristocracia de terras, que é oligarquia, há aristocracia de sangue, que é timocracia, e há aristocracia de grana, que é plutocracia. Mas também há uma aristocracia, e no passado era situação ou realidade consumada, da informação, do saber ou da consciência em oposição as massas iletradas, incultas, acríticas e fanatizadas.

As massas acríticas e sem consciência eram uma realidade impactante nas Sociedades antigas em que o letramento e o esclarecimento apenas havia começado ou dado os primeiros passos.

Imaginem o volume de pessoas completamente analfabetas e iletradas nas antigas cidades gregas...

Imaginem o volume de pessoas sem instrução espalhadas pelos campos ou pela realidade agrária da Helade...

Imaginem o volume e densidade das 'massas'...

E como democracia vive de consciência, era uma realidade ingrata.

Supunha o 'plano grego' todo um esforço educativo tendo em vista eliminar ou reduzir ao máximo as 'massas' transformando-as em povo consciente e agente de sua própria História. Era um plano grandioso encarado pelo ponto de vista educativo, e que demandava um esforço gigantesco. No entanto tal qual hoje, chocava-se tal plano formativo com as exigências da produção de bens ou da economia. Por isso mesmo que os gregos, como nós, deram os pés pelas mãos e estabeleceram a igualdade política entes que houvesse igualdade de consciência ou qualidade democrática... O que suscitou as críticas de Sócrates.

Sócrates não negava ou criticava a teoria democrática em si mesma e sim a realidade de uma democracia sem qualidade, i é, franqueada a todos sem exigir determinadas condições.

Nossa realidade não é menos ingrata.

Pois franqueamos o voto as massas analfabetas, cujo acesso a informação e aos saberes de caráter mais elaborado é tanto mais restrito, alegando que possuíam certo índice de consciência social, vivência, experiencialidade, etc, etc, etc, o que em alguns casos não deixa de ser verdade. Mas é manifesto e evidente que o demos um tiro no pé (da democracia), resultando desta 'democracia' de massas incultas e acríticas a sinistra bancada evangélica e após o golpe de 2016 - de que essa sinistra bancada foi a 'alma' - a reversão da própria democracia.

Isto sem falarmos das sucessivas tentativas por parte desta bancada, dominada pelo pensamento teocrático, de sabotar nossas instituições, restringindo os direitos, liberdades e garantias ao máximo; e de obter privilégios. Temos, e isto é inegável, o nosso califado ou estado pentecostal, em formação, com decorrências políticas e sociais que já se fazem sentir, e sua consolidação se deve, ao menos em parte ao voto dos analfabetos e da gente simples e sem consciência.

Karl Sagan já nos havia advertido a todos, democracia não vai bem com massas incultas ou ignorância, revertendo facilmente em teocracia seja aqui no Brasil ou em Istambul. Por isso que não se pode falar em democracia num país muçulmano, em que as pessoas, em que as massas são apenas ensinadas a ler ou a soletrar RECITANDO O CORÃO... E em que as mulheres são relegadas a ignorância mais abjeta. Onde prolifera e predomina a falta de informação, o analfabetismo, a superstição, o fundamentalismo religioso, etc a ordem democrática se torna impossível e inviável, pois falta-lhe espírito, alma ou consciência. E degenera... Saindo a emenda pior do que o soneto.

Nada mais trágico do que o poder entregue as massas incultas, acríticas e manipuláveis. Se há massas, precisam ser contidas ou controladas para que não causem maiores danos ou demassificadas... O que nos remete a um projeto educativo, essencial em termos de cultura democrática. Democracia demanda povo e qualidade e a formação de um povo consciente demanda sempre maior ou menos medida de instrução.

O que Sócrates queria era exatamente isto: Que os cidadãos se fizessem dignos da democracia por meio do letramento, do conhecimento, do saber, da reflexão, etc  Não aspirava acabar com a democracia mas injetar-lhe qualidade. Por isso que criticava essa democracia inconsequente e danosa, que vai bem com massas e ignorância.

Embora Sócrates reconhecesse que todos os homens eram iguais pela capacidade da razão e pela livre vontade, não pensava que esta igualdade genérica, por si só, fosse capaz de tornar todos os homens politicamente iguais. Para que se tornassem politicamente iguais era necessário partir dessa igualdade genérica, desenvolver suas potencialidades e adquirir determinadas aptidões ou qualidades, as quais tornavam o homem digno da cidadania.

Todos podiam certamente decidir sobre as mesmas coisas, desde que TIVESSEM CONHECIMENTO DE CAUSA. Assim aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre as leis deviam estudar e conhecer as leis... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre estratégia militar deveriam estudar estratégia militar... Aqueles que aspirassem discutir e deliberar sobre economia deveriam estudar economia... E sucessivamente.

Para legislar com propriedade sobre um determinado tema é sempre necessário conhece-lo, sob pena de tomar as piores decisões, ainda que sejam comuns ou democráticas. Uma democracia mal provida de conhecimentos pode ser sim bastante catastrófica.

Tais as linhas gerais da crítica socrática.

Agora que pensar sobre ela?

O mínimo que se pode dizer é que se os cidadãos não se podem - nem mesmo hoje em 2017 - especializar nos diversos campos do conhecimento a respeito dos quais são chamados a pronunciar-se e a deliberar, é absolutamente necessário que o processo deliberativo ou decisório numa democracia direta ou semi direta seja precedido de amplo debate ou discussão (amplo = demorado) entre os especialistas em cada área. O que não exclui, antes exige, por parte do cidadão comum, ao menos um letramento geral ou uma Educação de qualidade, que inclua por exemplo os conteúdos de Psicologia - ainda ausente no currículo de nossas Escolas - Sociologia e Filosofia (incluidos a bem pouco tempo).

Trata-se de um esforço continuo e colossal em termos educativos e mesmo assim insuficiente.

Platonicamente ou socraticamente falando: Se não cabe a aristocracia do saber o exercício do exclusivo do poder e se não podemos falar numa aristocracia 'aberta' para a democracia ou melhor para os elementos que queiram fazer-se dignos dela, é imperativamente necessário que esta aristocracia do saber seja ouvida pela sociedade democrática dirigindo o debate ou a discussão que precede a deliberação.

Por outro lado esta mesma aristocracia intelectual, já crítica, já reflexiva e já digna de em certo sentido dirigir o processo democrático; não pode deixar de ser aberta pelo esforço educativo, cujo objetivo primacial é inserir mais e mais homens e mulheres, de modo consciente, no processo decisório. É ela, a elite intelectual, que deve levar adiante o processo de desmassificação por meio da formação das consciências. E o ponto de partida de todo este processo é simples: o letramento, o acesso aos conteúdos essenciais já apontados, o estímulo a criticidade, etc

Supondo que o Estado ou um determinado estado obstinadamente comprometido com as exigências estabelecidas pelo Mercado ou pelo capitalismo, fiel ao dogma da representatividade, embasado na ignorância das massas ou na alienação, etc que fazer?

Neste sentido a praxis anarquista da libre associação, do apoio mútuo, da auto gestão, etc assume um caráter de necessidade. Ou substituíra ou completará a iniciativa do Poder público. Exemplo prático é a organização das Escolas de rua, mantidas por educadores comprometidos, em quaisquer espaços públicos.

Só assim responderemos dignamente as críticas do grande filósofo no sentido de produzirmos não uma Sociedade democrática, abstrata ou metafisicamente falando, mas uma Sociedade capaz de democracia ou digna dela, em que a maior parte ou totalidade dos cidadãos, após amplo debate possa deliberar sobre este ou aquele assunto, e legislar com propriedade excluindo a representação, sempre precária de um parlamento.

Tais as possibilidades que se nos apresentam:

  • Permaneceremos atrelados ao dogma da democracia formal, burguesa ou liberal ad infinitum, e este será o 'fim da história' como quer o sr Fukuiama.
    Não. Este será o fim inglório da democracia e de suas esperanças, substituída pela 'ordem' teocrática imposta pelas massas incultas e manipuladas.
  • Apostaremos no totalitarismo - ditador, tirano, déspota, líder ou messias Salvador. Mas a loteria da História demonstra com absoluta propriedade que para cada D Pedro II a centos ou milhares de Hitlers, Stalines ou Bushes, psicopatas degenerados dispostos a sangrar o gênero humano. Com o saldo de milhões e milhões de almas sacrificadas... Ao menos no plano da política ou da sociologia, a crença hindu/budista segundo a qual 'Ninguém deve esperar qualquer salvador além de si mesmo ou fora de si mesmo.' converte-se na mais prístina verdade. O povo não deve esperar absolutamente nada de quem quer que seja, mas tornar-se agente de sua emancipação.
  • Ultrapassaremos o modelo democrático formal ou burguês restabelecendo o modelo democrático grego, i é, direto; passando antes - provavelmente - pelo modelo romano, semi direito, dos plebiscitos ou referendos, fase já atingida por diversos países europeus. O que no, entanto, como acabamos de dizer, não nos deve iludir e conduzir a um comodismo análogo ao dos antigos atenienses, mas predispor-nos a um heroico esforço formativo, a que chamamos desmassificação.

E nós somos por esta última. Embora conscientes do 'defeito' apontado por Sócrates e da necessidade de formar os cidadãos para a ordem democrática e de forma-los por meio de uma educação de máxima qualidade. A qual o permita compreender a si mesmo, a evolução biológica dos seres vivos, a organização social, o desenrolar do processo histórico, a produção de bens, a formação da mente e da personalidade... levando a posicionar-se diante do universo, assumindo valores que estimulem e possibilitem a convivência, além da afirmação do bem comum.

Implica este ideal, já por ser político e mais ainda por ser educativo e formativo, questionar o espaço dado pela sociedade capitalista a dimensão econômica da existência, e restringi-la se necessário for. Implica este ideal de democracia chocar-se com o espírito do economicismo, em nome do que cognominamos humanismo.

Precisamos dar mais espaço ao político e educacional tendo em vista a expansão da consciência e a afirmação de um padrão de qualidade?

Os espaços atualmente ocupados pela produção econômica, pela educação e pela cidadania precisam ser discutidos?

Temos uma péssima política?

A quem ou que isto se deve?

Somos preparados efetivamente para o exercício da cidadania?

Todas as crianças e jovens estão na escola?

A que ou a quem favorecem a ignorância, a alienação e o desprezível espírito de submissão cultivado por tantos?

A que acomodamos nosso espírito democrático?

Fomos bem sucedidos em produzir uma consciência democrática em nosso pais?

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A todos estes questionamentos o liberal economicista responderá imutavelmente com sua shahada: Não é o melhor dos sistemas mas é o que temos?

Com pastores da prosperidade e bancadas fundamentalistas assaltando o estado 'laico' e buscando interferir ativamente nas vidas das pessoas?

Com a afirmação irracional, caprichosa e arbitrária de preconceitos estúpidos como a homofobia, o adultismo, o especismo, etc???

Com um mar de corrupção e venalidade que nos submerge até o pescoço, que nos sufoca e que compromete inclusive a reputação das instituições?

Com uma execrável justiça ideológica e partidarista capaz de profanar a legalidade???

Com os direitos e garantias do trabalho sendo imolados no altar de Mamon pelo próprio Parlamento???

Se nos devemos contentar com isso, com esse lixo, melhor vestir uma camisa de força e pedir refúgio num hospício.

Nada mais indigno e abjeto do que pedir ao cidadão que se conforme com tudo isto e bata palmas. É apenas aqui, que os totalitário, até eles, mostram um pouco mais de sanidade e dignidade do que os 'tarados' liberais...

Não, não se pode pedir ao ser racional e libre, ao ser consciente e ético, ao ser instruído e civilizado que se conforme com tão baixo padrão de moralidade política.

Neste caso qual caminho a ser seguido?

A democracia representativa foi criada com o objetivo de suprir a uma formação educacional, ética e cidadã que o liberal, julga ser impossível e tão utópica quanto os delírios do comunismo.

Para o liberal não se deve dispender assim tanto tempo em educação e formação política em detrimento das necessidades econômicas que ele julga serem básicas.

É questão de vontade.

A democracia não deve obter mais qualidade e tornar-se direta ou semi direta e nem a sociedade deve ser desmassificada e posta a salvo da ameaça teocrática APENAS PARA QUE O CAPITALISMO POSSA PERMANECER FUNCIONANDO E COM O MESMO RITMO DE SEMPRE.

É devido a imposição das falsas necessidades ditadas pelo Mercado que a democracia perde sua qualidade e que nosso projeto de democratização i é a retomada de nossa herança greco romana, é declarado impossível, inviável ou utópico. Pois para que as pessoas estejam mais presentes nas escolas, nas bibliotecas, nos museus, nos debates, nas decisões ou na politica enfim deverão estar menos presentes nas fábricas... E também deverão fruir de uma condição de vida melhor. O que nos conduz ainda mais uma vez a eliminação ou drástica redução, da alienação, da ignorância e portanto da miséria.

Compreendem por que a causa do fundamentalismo religioso ou da teocracia e do capitalismo é a mesma e que o patrão e o pastor são sempre aliados? Posto que ambos vivem de ignorância e miséria, e aspiram perpetuar a direção: FÁBRICA - IGREJA e vice versa??? Compreendem que o patrão e os políticos traidores e venais precisam do pastor para injetar o veneno da submissão nos cérebros dos trabalhadores? Compreender porque tanto o pastor quanto o patrão temem a escola, o esforço educativo, o esclarecimento e o exercício da cidadania? Como o pastor poderia vender falsas, esperanças, falsa libertação e falsos milagres caso não houvesse uma situação de angústia generalizada produzida pelo patrão? A causa da Bíblia e do auto forno é a mesma...

No entanto a mesma educação que leva o cidadão a questionar os mitos do antigo testamento e a autoridade do pastor, mina pela base a suposta autoridade do patrão.

Por isso ambos se sentem ameaçados pelo esclarecimento, e lá existe uma solidariedade oculta entre as necessidades do mercado e o projeto teocrático da bancada bíblica, o anseio de humilhar, oprimir, domesticar e colonizar o homem por meio de normas e regras arbitrárias tornando-o dócil; o eterno anseio de controlar e o desejo de escraviza-lo por meio da ignorância convertendo-o numa boa ovelhinha, num bom empregado ou num 'homem de bem' sempre submisso a ordem iníqua em que esta inserido.

Por isso é uma e mesma a causa da democracia direta, do mundo do trabalho ou seja do socialismo e da liberdade religiosa; e não se separam, formam uma unidade. Tanto a exploração econômica ou a miséria quanto o fundamentalismo religioso tornam a democracia, mesmo indireta e parlamentar impossível, desestabiliza-na e tornam-na mais indesejável que a tirania; justamente porque não passa ela mesma de uma ditadura de massas e aristocratas do dinheiro ou plutocratas. Ditadura de massas porque as massas não tendo consciência são manipuladas por eles, governando os milionários em nome das massas que oprimem, exploram e enganam... E ficando o cidadão consciente sempre a ver navios... Quando não a seduzido pela falsa esperança da ditadura individual ou pela fé num redentor secular. Sedução que é igualmente fruto da angústia e do desespero, face a precariedade de uma democracia apenas aparente, que o capitalismo impede de tornar-se real...

Temos uma democracia de conta gotas, de medida, controlada por um elemento externo e não político. Mas se não é soberana não é democracia, se é submissa não é democracia...

Urgem retornar a Sócrates. Compreender os defeitos estruturais da democracia antiga e da nova para buscar sanea-los. Ocultar ou disfarçar o estado precário e a condição abjeta de nossa democracia não a salvará. Manter a eterna ilusão de uma democracia de massas iletradas e incultas sempre no acesso do fanatismo religioso e do fundamentalismo não a salvará. Compactuar com a ignorância e alienação não a salvará. Fazer o jogo sujo e sórdido do mercado não a salvará.

Democracia se faz com esforços educativos e formativos que levem a formação de consciência bem como a produção de espírito e cultura. Democracia deve ser sinônimo de desmassificação. Democracia deve considerar sim preparo, capacidade, habilidades, competências, etc Democracia deve discutir, dialogar, debater e antes de tudo ouvir atentamente os intelectuais ou peritos, que tem conhecimento sobre determinada causa. Nossa democracia não pode conformar-se com os limites que lhe foram impostos no século XVII mas ampliar-se, aprofundar-se, alargar-se, ultrapassar-se, superar-se... O que implica chocar-se com a desordem institucionalizada do capitalismo, a grande responsável por seu fracasso.

Democracia precisa de tempo e de espaço para acontecer e isto não lhe foi dado, ainda não lhe foi dado, lhe tem sido sonegado... Em detrimento de sua qualidade.

Democracia precisa de pessoas capazes, mas elas não tem sido capacitadas desde os tempos de Sócrates. Pelo que tombamos num comodismo prejudicial e nefasto. Não estamos a formar cidadãos mas escravos, servos, elementos submissos, gente de bem, pessoas sem iniciativa e criatividade; isto é excelente para patrões e pastores, pois vivem de gado; mas não para a excelência democrática.

Sócrates tinha razão em criticar o comodismo e as ilusões de seus pares a respeito de uma democracia mágica, abstrata e metafísica, que dispensasse efetivo preparo. Ele apontou as asperezas do caminho e incomodou muita gente. Incomodou os falsos democratas com seus dogmas estúpidos, estruturas obsoletas e formas anquilosadas; eles precisavam e precisam ser incomodados. Sagan também os incomodou e fez bem. Democracia é feita mesmo para isso: para incomodar e não para acomodar as consciências e agradar.

Nosso projeto começa agora, quando terminará não o sabemos e sequer precisamos sabe-lo. Somos semeadores que um futuro que não viveremos e que não veremos. O amor ao próximo e os sentimentos de fraternidade e alteridade exigem que preparemos um futuro melhor ou menos dramático para os que virão. Não assistiremos o reflorescer da democracia direta no Ocidente ou em nosso pais, mas folgamos em ter dado os primeiros impulsos! Somos os semeadores do amanhã!


sábado, 10 de dezembro de 2016

BRASIL - As motivações ideológicas de um golpe

Se você acredita mesmo que o 'impitima' da presidente Dilma teve em mira acabar com a corrupção deveria começar perguntando-se sobre o 'pôrque' dela jamais ter sido citada na operação 'lava a jato'....
Tudo quanto se falava naquele tempo a respeito dela girava em termos de 'suspeita' ou 'omissão' o que por sinal jamais foi averiguado ou demonstrado...
Lula também era 'suspeito' e continuadamente acusado pela TV Globo, o quanto bastou para que sua indicação ao ministério fosse obstruída...
Os fatos são singelos: Dilma não cometeu um ato sequer de improbidade e todo seu processo seguiu pelos meandros da administração financeira...
Segundo se dizia a presidente era inepta para gerenciar a economia ou havia pecado por responsabilidade, tendo gastado muito com o SOCIAL é claro....
Claro que toda esta análise pode ser classificada como ideológica por implicar o que pode ser considerado prioridade para um governo, o Bem comum ou Bem estar dos cidadãos ou as necessidades do mercado financeiro. Um julgamento como este parte de princípios, valores e pressupostos ideológicos.
Retomaremos este enfoque mais adiante...
Importa saber que Dilma não prevaricou, jamais prevaricou. Não tomou dinheiro público para si, não encheu os bolsos com o produto de doações, não ocultou seus bens e rendimentos, etc, etc, etc
Se pecou, e é questão ideológica ou de interpretação, seu pecado foi venial ou leve em comparação com os pecados de seus denunciantes, digo da maior parte dos congressistas e inclusive dos líderes que a substituíram.
No entanto, apesar da mulher não ter roubado, era um orquestra de panelas ou sinfonia de talheres que não acabava mais, e sob a batuta da imprensa paga...
A Globo orquestrava denunciando o Lula ou repetindo tudo quanto já se sabia sobre o Dirceu e o Palocci e as massas saiam as ruas acompanhadas pelas ovelhas do pr Malafaia....
E era um tal de discursar sobre ética, virtude, moralidade, decência, etc que não acabava mais. Parecia uma sangria desatada....
Claro que todos os males e pecados eram artificiosamente atribuídos ao PT sem quaisquer considerações históricas em torno do passado recente.
Entrementes a horda do PSDB roubava merenda em S Paulo sem que disto resultasse maiores e mais graves problemas, afinal, segundo a praxe corrente eles roubam, julgam e absolvem uns aos outros com a mesma leviandade e a responsabilidade de apurar foi posta nas mãos dos compadres do DEM rsrsrsrsrsrsrsrsrs
Dos trens a merenda assaltavam o erário como ainda fazem mas a mídia paga olhos pra PT...
Ludibriadas pela telinha as ovelhas baliam e declaravam que removido o PT acabar-se-ia a corrupção e floresceria a virtude. E que corrupto algum permaneceria incólume!!!
E profetizavam a continuidade dos expurgos e a total purificação de um Congresso corrupto cuja impugnação aconselhávamos.
Se era necessário punir e castigar a Dilma por pecados tão brandos por que raios absolver e deixar incólume este Congresso cujos pecados eram infinitamente mais graves.
Assim se cabia julgar a presidente era ao povo que cabia julga-la, bem como ao Parlamento...
E isto pelo simples fato de que segundo nossas leis uma presidente jamais poderia ser julgada por sua política econômica senão pelos eleitores através de eleições livres.
Agora se insistiam em julga-la é pelo povo que a elegeu e por meio de consulta popular que deveria ter sido julgada mas não só ela, também o Congresso nacional,
Do contrário nos limitaríamos a substituir um governo supostamente corrupto ou mesmo inocente por um governo notoriamente corrupto e viciado.
O Histórico demagógico desta oposição era já bastante conhecido.
E conhecidas são as manobras imorais levadas a cabo pelo vice presidente e seu partido com o objetivo de obter apoio para a manobra do 'impitima' acenando com cargos e consequentemente proventos... Afinal a oferta de cargos entre nós representa o mesmo que a oferta de pro consulados representava para a estrutura política do Império romano.
Critica alguma neste sentido foi considerada seriamente e tudo foi entregue nas mãos de um Parlamento essencialmente venal e conhecidamente poluído pela corrupção.
Mas a promessa era de que a purificação não teria fim e de que o Congresso tornar-se-ia, oh Sancta simplicitas, auto limpante.
Malgrado esta crença supersticiosas não tardou para que o virtuoso Parlamento que derrubou a presidente honesta forceja-se por postergar os castigos a que a lei dispunha aqueles todos que haviam até que principiassem a sabotar as reformas destinadas a combater a corrupção, e a ameaçar a autonomia dos magistrados inclusive!!!
E caiu do teto do Parlamento uma chuva ou uma torrente de emendas imorais duma tolerância safada para com a corrupção e destinada a mantê-la não apenas viva mas imperante naquele recinto.
Diante disto éramos e somos levados a cogitar sobre a honestidade e idoneidade destes homens e mulheres que após terem deposto uma presidente com base em boatos e suspeitas jamais averiguados consagraram-se logo a tarefa de 'amaciar' justamente as medidas destinadas a extinguir a corrupção política.
Se são honestos por que empenharam-se em tornar as normas e regras mais laças e flexíveis eliminando o necessário vigor com que se deve combater tais crimes????
Caso não devam por que aparentaram tais temores em face da dureza das leis???
Caso suas fichas sejam ilibadas por que demonstraram tanto desconforto face aquilo que estava planejado???
´
Aplique-se aqui o 'Quem não deve não teme' extraía-se o temor e consequentemente a dívida moral dos Congressistas!
Era o que já se sabia por dedução pura e simples.
Agora quantos dos cidadãos que saíram as ruas para gritar contra o PT saíram para gritar contrar estes congressistas safados????
Quantas passeatas, protestos e procissões foram realizados exigindo a deposição deste Congresso venal????
Quantos bateram panelas e talheres face as iniciativas grotescas dos parlamentares???
Pra onde foi a mobilização contra a corrupção após a deposição da Dilma????
Quais as iniciativas tomadas por tais cidadãos diante da ousadia com que nossos demagogos tem buscado diluir e suavizar as medidas anti corrupção????
Quem não percebe que com o apoio de um presidente corrupto e disposto a sancionar em benefício comum laboram apenas em causa própria buscando fugir as malhas da lei, desmobilizar a lava jato (por eles usada matreiramente apenas contra o PT) e restabelecer o status quo do antigo regime (FHC) quando deitavam e rolavam com os recursos do erário????
E no entanto não se ouviu um grito de indignação e fez-se completo silêncio e mutismo.
Agora por que se como alegavam estavam tomados por um santo zelo direcionado a corrupção inventada pelo maldito PT????
Vou responder de modo bem simples e categórico:
Por que o tema da corrupção não passou de desculpa ou pretexto com que desmoralizar o PT e derrubar a presidente legitimamente eleita.
Mas por que careciam de derruba-la???
Porque devido a uma questão de princípios ou de orientação ideológica ela tendia a ser mais resistente face as reformas sociais e econômicas esperadas pelos setores neo liberais ou liberais da Sociedade brasileira. Refiro-me evidentemente aos milionários, banqueiros, patrões, etc Enfim a fina flor da burguesia nacional representada pela FIESP e cujas aspirações ideológicas haviam sido atalhadas há mais de quinze anos pelo governo Lula. Tais setores jamais se conformaram com o abandono da cartilha ou projeto neo liberal até então orquestrado pelo governo FHC.
A situação tornou-se ainda mais grave ou pior para tais setores no momento em que após longa demanda assumida pelo corruptíssimo Cunha prevaleceu em termos legais que os empresários já não poderiam financias candidaturas ou melhor contratar representantes entre os futuros políticos. Destarte a situação tornou-se preocupante e o papel deste congresso eleito com os recursos subministrados por eles tornou-se historicamente relevante da noite para o dia.
Cogitaram e cogitam ainda sob que Parlamento poderia ser eleito em 2018 ou sobre as decorrências de um Parlamento menos dependente deles financeiramente falando. Um Congresso mais autônomo ou livre do Mercado jamais é interessante para eles na medida em que se mostraria menos empenhado em votar e aprovar docilmente tudo quando desejassem... Tanto pior se o Lula retornasse a presidência. Neste caso teriam de postergar a imposição do modelo neo liberal até pelo menos 2028.
De fato este Congresso servil financiado pelas elites econômicas muito prometia e renovava as esperanças dos liberais. Havia porém um seríssimo entrave! A eleição vitoriosa de uma presidente trabalhista e infensa senão a reformas ao menos as reformas mais drásticas ou danosas ao interesse dos mais humildes, alias sua plataforma eleitoral.
Então como a presença da mulher com poder de veto punha em risco as tão ansiadas reformas econômicas a solução foi servir-se dos préstimos oferecidos pela imprensa (a peso de ouro é claro) e clamar por sua deposição.
O apelo em torno da corrupção, ainda que suposta (nela), da moralidade e da virtude foi tomado a pregação fascista neste caso fortalecido pelo puritanismo religioso e seus preconceitos.
Disto decorrendo uma sinistra coalisão entre liberais, teocráticos, fascistas, nazistas e até mesmo alguns monarquistas desorientados. Todos repetindo conhecidos chavões ou palavras de ordem contra a corrupção e jurando de pés juntos que antes de 2000 este país jamais a conhecera... Apesar de um certo FHC ter vendido nossos recursos a preço de banana, embolsado parte deles e empregado com o objetivo de comprar uma emenda destinada a perpetua-lo no poder!!! Refiro-me a escandalosa compra da reeleição...
Por fim, coisa de dois ou três dias chegou a imprensa o que já se sabia por outras tantas denuncias anteriores: Que a antiga oposição ou o novo governo, o presidente golpista, o presidente do Senado, o governador de Sampa, os caciques do PSDB, etc estavam todos envolvidos em esquemas milionários de propina e desvios de verba.
A situação todavia não mudou em nada e ainda estamos aguardando pelo ribombar das panelas...
Até agora silêncio absoluto e total mutismo face a corrupção dos outros, digo do PMDB/PSDB...
Governam o presidente corrupto denunciado dezenas e dezenas de vezes, o Calheiros corrupto alias detonado por ministro M A de Mello, o famigerado ladrão de merenda de Sampa, o ministro serrador e toda malta de canalhas execráveis que inda teem o desplante de vir a público para apregoar as funestas reformas do ensino e da previdência, além é claro da PEC da morte...
E governam....
E fazem bem pouco caso do povo a que alegam representar...
E estão dispostos a burlar todos os mecanismos democráticos com o objetivo de impor tais reformas...
Enquanto o tema da corrupção sai de pauta...
E a virtuosa milícia de paneleiros sai de cena...
E a imprensa presta-lhes os mesmo serviços de sempre editando músicas, jogos, novelas, etc
Neste momento não parece interessante insistir sobre corrupção ou conclamar os telespectadores as ruas para protestar contra o governo Temer.
Resta-nos perguntar por que???
Simples, porque este governo sujo, imundo, corrupto, demagógico e farisaico corresponde perfeitamente aos propósitos do poder econômico porque foi financiado ou contratado i é a imposição de um modelo político inspirado na ideologia econômica liberal ou neo liberal de que decorre:
  • O corte de gastos
  • A eliminação dos programas sociais destinados a contemplar a população mais humilde.
  • A queda de qualidade dos serviços públicos, e enfim
  • As privatizações, com o fortalecimento do setor privado e o aquecimento do mercado.


    Devemos acrescentar ainda os lucros auferidos pelos políticos corruptos durante a festa da privataria, com que contam para perpetuarem-se no poder, a exemplo do famigerado FHC e outros tantos...


    Importa que esses homens sem consciência decretem e imponham a PEC da miséria. Pois na medida em que os miseráveis aumentarem aumentará o mercado de reserva ou a oferta de mão de obra super barata. Segundo sabem e creem os patrões o auxílio oferecido pelo governo aos mais pobres possibilita que estes no gozo da liberdade, recusem-se a trabalhar a preço de banana ou melhor a pão e água e lhes propicia a possiblidade de negociar com o contratante, diminuindo os lucros obtidos pela mais valia e exasperando-os, digo aos patrões.

    Por isso os patrões contam com o corte dos recursos sociais e com o recrudescimento da miséria para lucrar mais intensamente, pois quem não quiser trabalhar como escravo morrerá de fome na sarjeta....

    Já a demolição da previdência social por meio das reformas implicará na consolidação da previdência privada e num enriquecimento substancioso dos banqueiros....

    Por fim através da reforma do Ensino esperam reduzir ainda mais sua qualidade já duvidosa e privatiza-lo por completo... Sempre com agravo dos mais pobres e humildes.

    Tudo isto faz parte de um programa mais amplo de inspiração liberal ou neo liberal bem a gosto de nossos coronéis e caciques e como o novo governo golpista esta decidido a fazer-lhes as vontades e a impô-lo a fina força sua corrupção, ao contrário da do PT, é supinamente desconsiderada. Resta-nos concluir que o tema da corrupção não passou de desculpa com o objetivo de derrubar um governo menos corrupto, mais livre e portanto mais resistente.

    Assim trocamos ou substituímos um governo que não era santo, puro, imaculado ou impecável por um que é sem sombra de dúvidas bem mais sujo e corrupto e que além disto é contrário ao bem comum ou aos interesses populares de modo geral, uma tragédia....

    Não o golpe não foi contra o PT mas contra o povo brasileiro, agora estão prestes a romper todas as cordas do lado mais fraco e os mais pobres estão prestes a serem sacrificados para pagar as dívidas de uma crise enquanto os mais ricos estão prestes a lucrar ainda mais e a colher os frutos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A malignidade essencial da PEC 241 - Continuação

Encerramos o artigo precedente concluindo que o governo golpista empossado e patrocinado pela FIESP e inspirado por uma visão ideológica sobre o heroísmo do empresariado simplesmente não cogita em aumentar a arrecadação e consequentemente, o erário sobretaxando as grandes fortunas.

Desde que o PT foi criminosamente alijado do poder expressar semelhante opinião é pura e simplesmente tabu.

Os ricos, banqueiros e empresários são trabalhadores tão esforçados e honestos quanto aqueles que lavam seus banheiros ou varrem seus quintais em troca se salário e receptáculos de todas as virtudes. Sobretaxa-los constituiria verdadeiro crime, ao menos de lesa economia ou de lesa capitalismo.... E, sendo assim... é algo impensável ou ao menos inviável.

Sendo assim só resta sacrificar o boi magro as piranhas do Mercado ou seja, cortar os gastos públicos.

Mas que gastos???

Imaginemos agora que a família considerada no início do antigo anterior não tenha de fato como aumentar sua renda. A mãe já costuma e cozinha a exaustão, os meninos cortam a grama dos vizinhos, engraxam sapatos, passeiam com os cães da vizinhança, etc O pai, pobre pai, já faz serão no trabalho ficando até as oito... E de fato, exploradas todas as possibilidades já não há de onde tirar mais dinheiro. Os recursos minguaram e ponto.

Então é necessário cortar, reduzir, planificar.

No entanto a família certamente não cogita poupar em termos de alimentos básicos, roupa, medicamentos, material escolar, etc

Antes cogita em cortar aquilo que de fato seja supérfluo.

Assim: roupas de MARCA, chocolates finos, licores, salmão defumado, espetáculos teatrais, passeios de automóvel, etc Coisas que de fato não são fundamentais a dignidade de seus membros.

Então é isto que uma família séria, inteligente e responsável faz: corta aqueles gastos que são por assim dizer ociosos e de forma alguma do que seja essencial, e este é um corte inteligente, responsável, aceitável enfim...

Diante disto cumpre perguntar:

SERÁ ESTE O TIPO DE CORTE VISADO PELO GOVERNO GOLPISTA???

De modo algum...

A tônica aqui é tirar o arroz, o feijão, o sapato, o casaco, o medicamento, o livro, o caderno, a escola e as oportunidades de uns para garantir o caviar, o salmão, o vinho do porto, as joias, as sedas e os perfumes de outros.

É eliminar o essencial de muitos ou das multidões proletárias para manter ou aumentar o supérfluo de poucos. É trocar as esperanças dos humildes pelo luxo impudente dos poderosos!

Dir-se-ia que estou poetando ou distorcendo as coisas!

No entanto quem é que lembrou-se de propor por exemplo o corte nos salários desses políticos ou melhor demagogos que representam muito pessimamente a vontade de nosso bom povo???

Acaso alguma voz retumbou no Planalto cogitando reduzir as vergonhosas regalias e privilégios multimilionários de que gozam esses parlamentares espertos?????

Qual projeto de lei, qual emenda, qual proposta contempla a eliminação dessas passagens de avião, carros, motoristas, combustível, material gráfico, barbeiro, acessória, etc CUJO MONTANTE CHEGA A MILHÕES DE MILHÕES sem consideração das dezenas de câmaras estaduais, das milhares de câmaras municipais e das milhares de comarcas que a maneira de corte imperial ou monárquica e com mais e maior voracidade consomem no mínimo um quarto, senão um terço de nossos proventos????


NENHUM PROJETO, NENHUMA EMENDA, NENHUMA VOZ, INICIATIVA ALGUMA!!!

Assim o lobo saciado e gordo a por seus olhos na magreza do cordeiro!!!

Terá o cordeiro que deixar de consumir suas ervinhas enquanto o lobo voraz e insaciável empanturra-se fartamente com carnes gordas e viandas!!!!

Tal o caso do pastor que guarda seu rebanho cevado e lança os olhos cobiçosos sobre a única rês magérrima do vizinho!!!

"Guarda o seu e como o do outro." como dizia meu bom e velho pai.

Sim porque os cortes propostos pelo governo golpista ao invés de incidirem sobre o supérfluo, o desnecessário e até vergonhoso que são as regalias desfrutadas por nossos senhores e governadores os políticos profissionais incidirão certamente, e como sempre, sobre os programas sociais destinados a ampliar as oportunidades, a minorar as necessidades dos mais humildes, a eliminar parte das injustiças, etc

Refiro-me a cortes na Educação, na Saúde, na Habitação, no Lazer, na Segurança e outras tantas áreas por assim dizer públicas porquanto mantidas pelo poder público.

É no terreno de tais áreas, essenciais a dignidade da pessoa humana, e destinadas a contemplar a parcela mais humilde da população trabalhadora que o governo cruel, malevolente e desumano pretende fazer a 'drenagem' e cortar ou reduzir os gastos.

Portanto compreendam tais cortes como:

Cortes de material escolar destinado a seus filhos, corte de merenda (o que alias já é feito há muito tempo no estado de Sampa...) escolar, corte de salários de professores e médicos, corte de medicamentos oferecidos com descontos, corte de moradias populares, possível corte do bolsa família, etc

Tais os objetivos sórdidos, cruéis e desumanos propostos pelo governo títere comandado pela FIESP.

Quem desejar obter tais bens terá de trabalhar mais e de compra-los a iniciativa privada, a qual da noite pro dia com este corte de insumos oferecidos gratuitamente pelo governo haverá de aumentar seus lucros ao infinito.

A situação é bastante fácil de se compreender:

Na medida em que o Poder público diminui os gastos com os serviços básicos destinados a contemplar a parcela mais humilde da população é evidente que a qualidade mesma dos serviços é atingida, o que socialmente falando propicia duas situações:

Parte das pessoas são levadas a buscar mais renda e portanto a trabalhar mais para pagar pelos serviços oferecidos pela iniciativa privada; assim mais oferta de mão de obra barata, especialmente se terceirizada e mais dinheiro injetado no senhor e deus mercado...

Aparentemente todo este ciclo de horrores e terrores criado por meia dúzia de milionários e patrões deveria terminar aqui...

Só que não termina, vai além e toca a questão da ideologia.

Sim, pois na medida em que a qualidade do serviço público piora e decai - e este é um dos objetivos primaciais desta PEC e dos cortes! - alguns intelectuais vendidos, alguns jovens ignorantes e a quase totalidade dos meios de comunicação pagos i é da mídia principiam a editar um discurso liberal segundo o qual tais serviços não funcionam e não são viáveis não porque falte investimento por parte do governo (a explicação mais simples não lhes ocorre!) mas por um fator de caráter essencial: porque são públicos ou dirigidos pelo estado com recursos públicos e não privados ou fornecidos pelos heroicos e dedicados empresários!!!

O que nos remete a solução final e meta suprema do liberalismo: A privatização de todos os serviços ordinariamente oferecidos pelo Estado!!!

Na medida em que os bondosos empresários, especialmente os esforçados Norte americanos filhos 'daquela raça ou nação superior' (sic), vão amealhando todas as nossas empresas e recursos ou riquezas naturais a preço de banana e contanto com isenções tributárias 'ad aeternum' as coisas se regularizam e a qualidade dos serviços ascende como um foguete... O que alias é verdade mas apenas meia verdade! Na medida em que se esquece de dizer que tais serviços - escolares, hospitalares, policiais, etc passam a ser pagos e não poucas vezes muito bem pagos!

Neste caso como poderia o trabalhador assalariado pagar por eles???

Como poderia o cidadão médio manter-se confortavelmente num mundo completamente dominado pela iniciativa privada?

Poderia o homem comum, o homem do povo, o homem honesto e simples que trabalha oito horas por dia arcar com os custos deste sistema???

Suspeito que não e que tenha de sacrificar-se ainda mais, de endividar-se ou mesmo de tornar-se escravo de hipotecas e até de perder o lar adquirido e quitado com tanta dificuldade.

Mas, dizem eles, o operário haverá de ganhar bem!!!

Galhofa pois o mesmo discurso que alenta as privatizações opõem-se - por principio de coerência - a regularização social do trabalho por meio da lei ou a legislação trabalhista destinada a proteger o elo mais fraco da corrente i é o operário.

Implicaria contar com a generosidade e a boa vontade dos honestos e esforçados patrões para obter salário família, licença maternidade, férias, décimo terceiro, etc

ACREDITA VOCÊ NISTO???

Que revogada a lei os empresários haverão de pagar por todas estas garantias e benefícios em dinheiro até o último centavo????

Mas se eles pretendem desobrigar legalmente até do salário mínimo estabelecido por lei???

CRÊ que haverão de pagar livremente e de boa vontade por tudo isto???

Neste caso por que temem a fixação de um padrão salarial familiar e totalizante regulado por lei e sentem-se incomodados por ele???

Será mesmo que tudo se limita a uma questão abstrata, metafísica e desinteressada em torno da liberdade???

Quem acreditar em tudo isto que creia igualmente no unicórnio, no bicho papão, no lobisomem, etc

Declaram por fim que a causa de tudo isto será a redução ou a eliminação dos impostos e taxas pagos ao governo tanto pelos heroicos empresários quanto pelo próprio cidadão. O que em tese reduziria os preços dos produtos!

No entanto que impede os empresários desobrigados por lei e no goso de suas liberdades a baixar os preços dos produtos ao invés de lucrar mais e acumular mais segundo o preceito supremo da mística ou religião capitalista???? O que implica encampar igualmente o excedente do não pagamento dos direitos trabalhistas!!! Coisa que amiúde fazem já sob o peso da lei!!!

Bem se vê que em tais conjunturas o empresário, caso desejasse, poderia ficar com tudo deixando de diminuir os preços dos produtos e de aumentar os proventos dos trabalhadores; ficando com a parte do leão!

COMPREENDEU porque a quase totalidade dos bondosos empresários porfia em suster e patrocinar a ideologia neo liberal, da qual é o principal senão o único beneficiado????

Verdade seja dita: Esta a defender o seu...

Triste mesmo é ver pobre, trabalhador, homem humilde e intelectual endossando tal solução.

Quando terá de arcar sozinho com a excelente qualidade dos produtos e serviços...

E se não puder pagar???

Pesada como chumbo e dura como diamante é a lei do deus mercado!

Pois como não resta serviço público ou assistencialismo estatal e nem os cidadãos em sua maior parte são capazes de exerce-lo privadamente, ficam os oprimidos e necessitados literalmente sem ter para onde correr.

Tendo de revirar o lixo para comer restos apodrecidos... de morrer gritando ou esvaindo em sangue as portas dos Hospitais empresas... de viver ao relento com os filhos pequeninos, etc

Cenas de romance barato???

Cenas do quotidiano de qualquer centro urbano norte americano inda que ocultadas ou escondidas pelas grande produções cinematográficas de Holywood... Afinal miséria em termos de multidões maltrapilhas e fedorentas é o que ninguém deseja ou espera ver.

Cosia de Calcutá ou da odiada Havana???

Não, não, não!!! Vá a Detroit ou mande sua empregada ir até lá!!!

Quando não há espaço no deus mercado as erínias ou parcas dominam milhões de vidas humanas! São os miseráveis saídos direto da obra prima de Hugo para a american life.

Ademais a simples sugestão de que algum dia os brasileiros viessem a ficar emancipados e livres dos impostos é absolutamente falaciosa senão hilária.

Após tudo ser privatizado e as leis trabalhistas todas serem eliminadas apelariam ao mesmo papo ou argumento que apelam agora quando propomos os cortes e reduções de suas multimilionárias regalias: DEMOCRACIA TEM PREÇO!

Mas se tem preço não tem espírito ou dignidade não é mesmo???

Se tem preço não passa de negócio!

Se tem preço tende necessariamente a corrupção!

Democracia tem espírito de cidadania ou alma, que é o amor desinteressado da liberdade no mais alto grau.

Como na antiga Grécia onde os detentores dos cargos públicos nada recebiam se prósperos ou recebiam módico estipêndio (suficiente apenas para viverem com dignidade) se humildes.

Como os países mais avançados e desenvolvidos da face da terra, assim Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Suíça, Bélgica, Holanda, etc Repúblicas em que os parlamentares e demais administradores do poder público nada recebem ou recebem algo próximo do que recebe a maior parte dos cidadãos.

Lá democracia não tem custo exorbitante e parlamentar não tira seu peso em ouro.

Lá democracia não tem preço destinado a despertar o interesse e a emulação.

Lá os custos de uma democracia fiel e eficiente - que se traduz em termos de bem estar social - são baratos enquanto aqui os custos de uma democracia ineficiente, infiel e não poucas vezes autoritária é abusivo, saindo-nos bem mais caro que uma monarquia europeia.

Pagamos mais por uma democracia de fachada controlada por instituições econômicas e plutocráticas como a FIESP do que os súditos das coroas espanhola e inglesa, alias, ao que parece, tanto mais democráticas até.

Não, não é nossa democracia que tem custos e sim a cobiça insaciável de nossos políticos profissionais ou demagogos os quais aspiram enriquecer mais do que um proconsul do Império romano!

Democracia aqui é meio de amealhar riquezas muito facilmente e sem trabalhar.

Democracia aqui é meio de vida parasitária!

A culpa no entanto é da Lei ou do estatuto vergonhoso que alimenta e sustenta tão vergonhoso estado de coisas sem que o cidadão honrado se rebele!!!

Lei que chega inclusive a acenar com imunidades aos parlamentares que comentam crimes.

Evidentemente que um estado de coisas que acena com tantos privilégios desperta a cobiça dos avarentos e que uma legislação que concede imunidades estimula o crime!

Como esperar que nossos parlamentares não sejam os mais vis de todos os homens???

Como esperar que não sejam os mais avarentos, cobiçosos, venais e corruptos se são estimulados a prevaricar pela própria lei????

Como esperar que não sejam arrogantes, violentos, levianos... se contam com imunidades destinadas a acoberta-los????

E enfim como esperar que eles mesmos reformem a política, o parlamento, a câmara, o senado e ponham eles mesmos, os interessados, fim a semelhante estado de coisas???

Como esperar de bom grado que revoguem esses vergonhosos e milionários, e custosos privilégios de que são objeto???

Como esperar que considerem cortar ou reduzir as próprias despesas ao invés de onerar o trabalhador em favor do patrão???

Como esperar que abram voluntariamente mão de todas estas regalias e extingam os impostos???

Estabelecido o reinado da privataria terá o trabalhador de suster a si, ao patrão e também a nossos senhores os políticos com agravo de sua dignidade e condição.

Após engolir o anzol e isca do liberalismo econômico terá de trabalhar por três, como um escravo na antiga Roma ou um proletário inglês do décimo nono século.

Por fim o político espertalhão tomará posse do valor porque nossas empresas e riquezas públicas foram leiloadas e cindi-lo-á em duas partes:
Uma delas carreará a algum dos inúmeros paraísos fiscais, de que temos exemplo nas tais ilhas Caimãs, onde ficará rendendo e servirá para financiar suas futuras campanhas e orgias... Com a outra criarão uma espécie de fundo público com que haverão se socorrer os banqueiros e empresários falidos (juntando sempre um pouquinho de impostos)... Destarte os Cacciola, Calmons de Sá, Canhedos.... continuarão mamando eternamente nas mãos do estado, enquanto este for comandado pelos Caiados, Maias, Nunes, Neves, Alckmins, Maltas, Fortes, Cunhas, C Limas, Azeredos, Felicianos, Garotinhos e outros zelosos funcionários da FIESP.
Assim:
  • Eles CORTAM
  • Eles ESCULACHAM
  • Eles ENGANAM
  • Eles PRIVATIZAM
  • Eles SUBTRAEM
  • Eles SOCORREM os amiguinhos empresários...

    E FERRAM COM VOCÊ homem do povo.

    Tal o sentido de ideologia liberal que inspirou esta PEC 241, PEC  da miséria e da morte.


    E JÁ DIGO E DECLARO QUE A ÚNICA CHANCE E ESPERANÇA DE NOS VERMOS LIVRES DESTA CATERVA É ELEGER LULA EM 2018!!!
          LULA neles em 2018.

          Ruim com o PT???

          MUITO MAS MUITO PIOR SEM ELE.