Acho que vale a pela dar uma conferida.
Naturalmente que uma sequência deixa suposto que a freira que não é freira não foi precipitada nas 'trevas candentes do inferno' com Satanás e seus anjos.
Freira que não é freira porque em tempos obscuros de diabolismo ou demonismo a entidade jamais é o que parece ser, i é um espírito puramente humano, uma alma, um fantasma, um encostou ou um Dybbuk, mas um anjo caído, que fartou-se de contemplar a cara bolorenta e enrugada do velho javé e veio dar um passeiozinho aqui pela terra... Onde para pagar seus pecados transformou-se em tentador dos pequeninos mortais, aspirando perde-los...
Não apenas no imaginário popular mas até nas obras de teologia romanas e protestantes sobrou pro Diabo... convertido numa entidade destinada a fazer com os seres humanos saber fazer assim tão bem: O Mal... Professor de inutilidades, ele que era um anjo.
Agora, para cúmulo dos pecados, vaga por ai disfarçado de pinguim, digo de freira - Embora não o tenham convidado para um baile a fantasia...
E para que houvesse sequência teve ele - Ou ela - de escapar no finalzinho do primeiro filme... Afinal Jason já escapou umas onze vezes e Freddy umas oito vezes. Então a freira ou anjo caído tinha também de dar lá um jeitinho... Para quem sabe virar Série.
Escapou e decidiu fazer um tour pelo velho mundo, digo pela Europa dos anos 50. E em se tratando dos anos 50 o filme já se torna válido ou interessante pelo ambiente: A arquitetura, o traje, a música... O que por sinal é bastante bem explorado por essa produção, digamos, quase gótica.
Tem escola que é quase convento, tem capela abandonada, tem biblioteca, etc
Tem um Cardeal da igreja romana fazendo sua refeição, o que me fez lembrar a cena do Cardeal na carruagem de 'O nome da rosa'.
Tem uma freira negra em busca de fé.
Uma mensagem subliminar a favor do sacerdócio feminino - O que encaro com certa simpatia.
Uma outra mensagem oculta de talhe fideísta e em torno do suposto sacerdócio universal dos fiéis... A qual de modo algum aprovo, posto que fere meu senso de Ortodoxia e historicidade.
A terceira mensagem subliminar diz respeito a família ou ao amor inocente triunfar da maldade humana ou sobre humana. Caso tenhamos em mente qualquer tipo de família ou qualquer comunidade ligada pelo vínculo do amor, teremos ai uma bela mensagem, uma mensagem de esperança.
Talvez a professora fosse viúva... Talvez fosse mãe solteira - O filme não o esclarece. Mas há Bullying... Também há Bullying.
Há uma hortazinha de tomates e uns corvos fazendo o papel de vilões i é tentando comer os tomatinhos.
Entidades que saem de vitrais...
Mortes horríveis, se bem que uma apenas explícita...
Alguns fantasmas - Que como a freira não passam de disfarces do capeta ou quando muito de servidores seus, inclusive um coroinha trajado a rigor...
Baratas que assustam mais do que fantasmas e talvez mais do que a freira.
E talvez haja um final trágico ou, quem sabe, um final feliz - Quanto a isso não posso contar pois seria spoiler...
Trate portanto de tirar as nádegas da sofá, de comprar um ingresso e de ir ao Cinema mais perto de casa porque embora a Freira 2 não seja uma obra prima digna de Cannes ou uma produção tão assustadora como "Os outros" ou "Arraste-me para o inferno" creio que valha a pena assisti-la.
Bom filme!
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segunda-feira, 25 de setembro de 2023
Nuances sem Spoiler - A Freira 2
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terça-feira, 12 de junho de 2018
Pitadas de literatura e sociologia - Bancas de jornal, gibis, internet e as três 'Eras' de H P Lovecraft (Diálogos com um Livreiro)

Mais no passado não muito distante, mas em certa medida mesmo ainda hoje, os sebos ou casas onde se compra e vende livros usados (antigos) sempre foram um local bastante favorável a troca de ideias, a tertúlia amistosa, ao diálogo... enfim um ponto de encontro entre a intelectualidade. Assim na Briguet ao tempo de Rui Barbosa... Assim no Sebo de Olyntho de Moura, onde meu saudoso mestre Jaime de Mesquita Caldas, dizia ter tido acesso ao convívio de Yan de Almeida Prado, Viana Moog, Alfonso de Taunay, Tito Lívio Ferreira e outros notáveis memoristas, historiadores e literatos...
Quando eu era rapazote, no final dos anos 80, e surrupiava uns cobre do papai, logo ia correndo a primeira e mais farta banca sebo de Santos, a Banca do Habib, situada na Praça dos Andradas e onde se comercializada calhamaços do século XIX, verdadeiras raridades, a granel... E por lá garimpando achavamos a profa Maria Aparecida Franco Pereira, a profa Conceição das Neves Gmeiner, Sá Porto, Laudo e muitos outros 'monstros sagrados' cujos nomes ignorávamos. O Brizolinha, recentemente falecido, tinha sua Banca, pequenina, na primeira esquina da Itororó, que sai nos fundos do convento do Carmo. O sebo e livraria Antiquária, do desditoso Ivo, já era antigo e o Ivo muitas vezes recusava-se a vender o que julgava ser raridade rsrsrsrsrs. Dizia: Não, não esta a venda. E não vendia por preço algum. Esperávamos o dia em que ele saía para pagar as contas e deixava seu velho Pai, o sr Joaquim (Alias bem mais educado do que ele) no balcão, tomávamos o mesmo livro (as vezes raro) e pagávamos uma ninharia!
As Bibliotecas públicas estavam apinhadas de livros raríssimos e valiosos. A da ASL, a da Humanitária, a do Centro Português, a do Centro Espanhol, a da Societá Italiana (alias comprada pelo Ivo), etc A fama de algumas Bibliotecas particulares como as de Edgard de Cerqueira Falcão, Sá Porto, seo Frazão, etc corria de boca em boca... Outras tantas eram despejadas mensalmente nos sebos, e garimpadas pela categoria professoral. E entre um livro e outro trocavam-se ideias e telefones, estabelecia-se diálogos, discutia-se e até 'brigava-se'...
Mas não eram só os Sebos não. Recuando aos anos 80 i é ao começo dos anos 80 ou mesmo final dos 70, quando eu era um menino e até onde chegam minhas primeiras memórias as Bancas de Jornal constituiam farto arsenal de cultura face ao que hoje, praticamente nada são. Meu falecido pai, Deus o tenha, adquiria jornais portugueses aqui em S Vicente, na tradicional Banca do Walter e lembro-me de que em 82/83 ainda circulavam jornais japoneses e árabes por estas regiões (recordo-me perfeitamente dos sinais estranhos) além de jornais ingleses ou norte americanos, portugueses, franceses, espanhóis e italianos; era possível encontrar cada um deles nas principais bancas do centro de Santos. Ora eu mesmo nasci ou melhor fui criado, dentro duma dessas enormes Bancas de que meu pai era proprietário pelos idos de 1975/76. Meu tio Domingos era proprietário de outra imensa Banca na Cons Nébias... e os jornaleiros abasteciam-se nos depósitos da Magalhaẽs, ao lado do antigo Presídio da R S Francisco de Paula ou da Castellar, nas proximidades do Fórum; o quanto não era vendido nas Bancas ou as sobras eram levadas para tais depósitos e vendidas a preços econômicos... O que sobrava era quase sempre o melhor... Podia-se fazer grandes compras, e lá estavam os garimpeiros e toda gente que amava gibis e revistas. Sim senhor, aquilo era um mundo.
Alias cada banda Era um mundo na cultura não digital dos anos 80, a derradeira década antes da Net! Haviam gibis e revistas de todo tipo. Recordo especialmente do Zagor, do Fantasma e do Tex que eu a princípio folheava, depois lia e enfim devorava com fervor... Sem falar nas revistas 'preto e branco' eróticas ou de terror ilustradas pelo divino Rodolfo Zalla e Eugênio Colonnese, mestres insuperáveis... Eu não podia nem pensar em folhear as revistas eróticas uma vez que minha mãe era protestante rigorosa, e eu... pobre de mim, tinha de segui-la e temia as 'terríveis chamas do inferno' rsrsrsrs Assim andava a carruagem. Minha mãe não queria mas meu pai não apenas consentia, mas estimulava-me a ler revistinhas de horror como Cripta e Calafrio, cujos exemplares ainda hoje tenho e coleciono. Naquele tempo eu sequer sabia ou imaginava que as ilustrações dos livros de ciência que pegara no Ferro Velho (Minha mãe não permitia que comprasse ou recebesse livros de presente de meu pai pois acreditavam que o excesso de estudos me deixaria louco - acho que ela acertou rsrsrs) e de que tanto gostava haviam sido feitas pelo Zalla, bem como as do livro de História do Julierme, meu preferido e cujas tirinhas sobre sumérios, egípcios, gregos e romanos levavam-me ao delírio.
Apesar de meus medos e limitações podia perceber facilmente a extensão em que todo aquele material circulava. Sem contar com os livrinhos de faroeste, os livrinhos Corin Tellado, os romances da Barbara Cartland, alguns dos quais li, etc Havia um imenso conteúdo etno antropológico em algumas daqueles publicações como Zagor, Fantasma, Calafrio, Barbara Cartland, etc Tudo aquilo fazia reportar a Salgari, Maine Reid, C S Foerester, Karl May, Hall Caine e em última instância a Júlio Verne, cujas 'estórias' eram reproduzidas em não poucos gibizinhos. Haviam encantadores livrinhos para crianças com estórias de Êsopo, La Fontaine, Ch Perrault, Grimm, Verne, etc A Bíblia ilustrada da Abril, a Iliada, a Odisséia, a Távola redonda, Êsopo, La Fontaine, etc
Lembro-me de que os mais idosos não cessavam de falar numa tal EBAL... cujas publicações enfim vim a conhecer 'de visu' - Série Sagrada, Histórias maravilhosas e uma infinidade de super heróis como Homem aranha, Super homem, Homem de ferro, Namor, o príncipe submarino, Flash Gordon, etc Eram tantas publicações que ficava dificil escolher o que ler e podia-se ficar lendo pelo resto do dia que não esgotava o stock daquelas Bancas. E em cada esquina havia uma delas...
Hoje ao sair de uma repartição pública passei no Sebo do amigo Marcos, onde por vezes é possível achar alguns amigos, como o Jorge Alves e formar uma tertúlia... Meu irmão, até pouco tempo, ia semanalmente ao Sebo do falecido Brizolinha para prosear. Conheci algumas pessoas fascinantes ali mas em geral frequentava os velhos Sebos do Centro velho de Santos, cujo número vai se reduzindo dia após dia ou ano após ano. Já não temos o grande Sebo do Habib, mas temos as banquinhas do Marcelo e do Marcos Noriega, o de as vezes 'faço ponto' exercitando a verborragia ou o diletantismo. Então como disse, dei uma passadinha por lá. Sempre se aprende com a maior parte dos sebistas. Brizolinha era um erudito e o Marcos Noriega pessoa sumamente bem informada e inteligente... O Jorge do Sebo S Jorge ou da Dna Cecília é meio rabugento, mas homem de farta ou vasta leitura.
Conversamos justamente sobre o quanto acima escrevi - Os antigos Sebos, Bancas, Bibliotecas... anos 50... anos 80 e ficamos a pensar se a cultura entrou em declínio após os anos 80 ou se passamos por uma crise intelectual. Refletimos juntos e chegamos a uma conclusão paradoxal. A Internet de algum modo, substituiu tudo isto como a imprensa, pelos idos de 1470, substituíra grande parte dos manuscritos. Não é que a cultura acabou, minguou ou entrou em crise porque as Bancas de Jornal se acabaram ou empobreceram. A cultura assumiu outra forma, forma digital. Alias a maior parte desse material antigo mais algum material novo não só é produzido ou reproduzido nos meios virtuais como alcança uma circulação bem mais ampla. É ilusório imaginar que a cultura mingou com relação ao último meio século, apenas deixou de ser impressa no papel e de circular materialmente. Mas transplantou-se para as redes de computadores e acha-se presente nelas. A cultura hoje é digital e o acesso certamente mais democrático e fácil, ao menos para as novas gerações.
Claro que as gerações anteriores a Net e habituadas com aquele universo de papel, tão colorido, belo e sobretudo físico ou material sentiram-se deslocadas ou frustradas, pois assimilaram ou assumiram o hábito de manipular a cultura com as mãos ou de folhear - Hoje não se folheia mais, simples assim... Mas nem por isso a cultura entrou em crise ou acabou, passou a outro meio, mais dinâmico. A Banca se tornou desnecessária face ao PC e o Jornal desnecessário face a Net e aos meios virtuais... Inclusive aqueles imensos calhamaços chamados Enciclopédias, instrumentos essenciais ao estudo até o final dos anos 80 tornaram-se obsoletos. Do 'Speculum' de Beuvais ou da Enciclopedie de Diderot e D Alambert, a 'Trópico' e a 'Conhecer', passando pela Espasa Calpe tudo isto tornou-se supérfluo por ocupar espaço e certamente não será reeditado em tempos de Wikipedia. Para quem podia gastar os olhos da cara adquirindo tantos e tão luxuosos volumes tal transformação corresponde a uma catástrofe, bem como para nós, meninos, que adorávamos folhear as ditas Enciclopédias (cresci folheando a 'Trópico' da Ed Maltese), fazer o que??? Reconheçamos que nem todos podiam arcar com semelhante despesa!
Ah antes que me esqueça - Juntamente com os brinquedinhos de metal ou plástico, que cederam lugar aos dinâmicos jogos eletrônicos, haviam os álbuns de figurinha, que eram colecionados por quase todo jovem ou criança. Lembro de inúmeros - Da Sara Key, dos Bichinhos fofos, da Xuxam do Fofão, da Menina Moranguinho, do Amar é, etc A geração anterior a nossa conhecerá os álbuns históricos ou científicos da EBAL...
Ao fim da prosa a referência feita a Calafrio, levou-nos a Lovecraft H P, o grande gênio do terror. A Calafrio continha estórias de todo tipo ou origem - Havia muito de Edgar A Poe, assim A queda da casa de Usher... Havia terror europeu e conheci a deliciosa narrativa da 'Vênus de Illé' por meio dela... E havia muito terror brasileiro, adaptação de primeira. E é claro havia muito, mas muito Lovecraft. Havíamos falado sobre Conan e a Era Hiboriana, cujos principados representam nossas antigas civilizações. Meu amigo livreiro comentou que Conan era o mundo de Lovecraf por assim dizer anterior a este nosso em que se passam suas narrativas. Daí a presença da magia, dos demônios, dos deuses antigos, etc nas aventuras do cimério. Completei dizendo que Thundar the barber, era a projeção de Lovecraft no futuro, para daqui a dois mil anos... daí magia, demônios, deuses, etc - Afinal os autores de Thundar - e Mad Max entre aqui - partiram de Conan enquanto Howard era amigo e correspondente de Lovecraft...
Há um pouco de Lovecraft em Conan e um pouco em Thundar, tudo bastante diluído é claro; mas reflete o pensamento de H P.
Após ter entretido tão proveitosa conversação com o nobre sebista corri até este PC, responsável pela derrocada das bancas de jornal com seu mundo de papel, ansioso por registrar o quanto fosse possível e partilhar com meus queridos amidos, sempre tão curiosos quanto aquela boa gente dos anos 50 e 80 com a qual tivemos o grato prazer de conviver quando meninos e da qual tomamos o hábito de folhear e de cultuar os livros, revistas, gibis... O que em parte faz de nós cidadãos de outra Era senão de outro mundo.
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segunda-feira, 15 de maio de 2017
Refletindo sobre filmes - Somente para quem JÁ ASSISTIU 'A autopsia'
Aprenda a pensar melhor e com mais vigor tentando reconstituir a trama de um filme qualquer.
Mesmo um filme de ficção ou fantasia, que foge a realidade vivida, pode se converter num saudável e até delicioso exercício de lógica.
Bastando para tanto que nos esforcemos por reconstituir sua trama, vinculando as diversas cenas, suprindo as lacunas e tornando a narrativa significativa.
Neste Domingo assisti um filme relativamente bom e que se presta perfeitamente a este exercício.
Trata-se do filme 'A autopsia' o qual, como o próprio nome já indica, pertence ao gênero Terror, alias um de meus preferidos. Filmes de mistério, drama e terror, via de regra, são muito bons para serem reconstituídos. Claro que estamos falando de terror inteligente e não de banalidades como "Abraão Lincol caçador de vampiros" ou o ultra detestável 'Silent Hill'.
Sem ser excelente 'A autopsia' não apenas dá conta do recado como até pode ser uma boa pedida.
Não é nojento, não é sádico e nem mesmo capaz de te dar grandes sustos. É antes daquelas obras que devido ao ambiente - Espaço e decoração - garantem uma sensação difusa de terror do começo ao fim. Bem a gosto do 'gialo' italiano e dos mestres L Bava e Dário Argento. O jogo de luz e sombra, bem como de cores, foi muito bem explorado... O autor conseguiu explorar até mesmo a relação feérica entre trevas e som...
O espaço da mortuária em L, com os lambris de madeira marrom e o espelho localizado num dos cantos foi igualmente engenhoso.
Temo que as pessoas medíocres ou comuns - Este filme não é feito para pessoas vulgares como as que apreciam filmes de vampiro ou lobisomem - não serão capazes de aprecia-lo com a devida justeza e até confesso que esperava mais dos 'zumbis' espalhados pela casa ou do final, i é, a morte do derradeiro personagem. Penso que as falhas do filme foram estas - Os zumbis poderiam aparecer mais um tanto - O autor preferiu explorar mais o elemento simbólico - e 'aprontar' mais e o derradeiro sobrevivente 'sofrer' mais... Um fim mais engenhoso converteria esta película num verdadeiro clássico, foi o que não aconteceu.
Outro aspecto do filme bastante apreciado por muitos é a trilha sonora, igualmente muito bem produzida.
E no entanto, assevero que vale a pena sair de casa e dar uma conferida nesta obra. A qual será capaz de surpreender o cinéfilo inteligente.
A semelhança de diversos clássicos como: Os outros, Os passageiros, Sexto sentido, Mistério da libélula, O último portal, etc
A produção anglo estado unidense do ano passado conta com a atuação brilhante de Brian Cox e Emile Hirsch - como pai e filho proprietários de um necrótério - além da participação do divino Michael McElhatton e evidentemente Olwen C Kelly como a autopsiada. A direção é de André Ovredal.
Enfim se ainda não assistiu não passe daqui, pois passamos a deslindar a trama -
- A cena de assassinato que abre este filme não precisa ser explicada. Pois os eventos sucedidos no necrotério servirão como explicação para ela.
- A 'vampira' - Chamemos assim a autopsiada - não estava sendo enterrada no porão da casa da família assassinada, mas desenterrada.
- Segundo podemos inferir a partir do diálogo entre pai e filho no necrotério os restos estraçalhados da moça haviam sido trazidos do Norte do pais e enterrados numa primitiva turfeira, posteriormente ocupada pela casa da família assassinada.
- Como a casa estava passando por reformar, infere-se naturalmente que uma escavação feita no porão trouxe a tona os restos mortais da 'vampira'. Podendo-se bem calcular o que ela 'fez' ali com o objetivo de recompor seu corpo.
- Ao menos a princípio o xerife parece ter julgado que o cadáver da moça estava sendo enterrado e não desenterrado.
- Em que pese a possibilidade de sido trazido da 'onipresente' vila de Salém, a moça certamente não era uma bruxa, mas, uma vampira. O que se infere já pelo canino arrancado quanto por seu 'modus operandi'.
- Nem Tommy nem Austin parecem estar psicologicamente afetados. Nem há evidência algum de que consumissem drogas ou fossem alcoólatras. Como tantas outras obras do gênero este filme não explora a ambiguidade clássica entre anormalidade e sobrenatural, entrando decididamente pelo último caminho. Não há outra hipótese, o filme é sobrenatural desde o princípio e até certo ponto pretende já ridicularizar o pensamento científico ou, ao menos, apontar a existência de mistérios irredutíveis a abordagem científica, esta última perspectiva, por sinal, admissível.
- O que não se pode saber é se a entidade vampiresca, representada pela 'Jane Doe' atua materialmente por meio dos zumbis ou se atua apenas mentalmente produzindo ilusões. Mesmo porque a tempestade que cai do lado de fora da casa não é real. Logo todos os demais fenômenos poderiam igualmente não ter sido reais. Nem podemos admitir que uma tempestade tenha caído apenas sobre a mortuária, já que não havia tronco de árvore algum obstruindo a saída.
- Evidente que a mosca saída do nariz da autopsiada é responsável pela trágica morte do simpático Stanley, ao que tudo indica acometido por miíase, e sacrificado pelo dono.,.
- A partir das impressões trocadas pelos dois principais protagonistas, infere-se que a entidade ou não podia - Embora certamente pudesse tortura-lo - ou não queria mata-los. Sou pelo não queria, supondo que ela desejava produzir insuportáveis situações de angústia capazes de fazer suas prezas matarem-se umas as outras. O que seria certamente mais cruel - Dai o velho ter sacrificado o gato e matado involuntariamente a namorada do filho e o filho ter de sacrificar o pai. O que nos permite intuir o que teria acontecido no primeiro cenário, da casa. A última personagem restante é sempre levada a matar-se.
- O derradeiro aspecto da trama a ser 'decifrado' é o motivo porque a entidade assim procede ou o que a leva a torturar pessoas e fazer com que acabem matando-se umas as outras? Em se considerando uma entidade psiquicamente vampiresca, só nos resta concluir que alimenta-se das sensações de medo e angústia produzidas nos seres humanos. A partir das quais consegue recompor o próprio corpo após ter sido danificado, talvez - Quem o sabe? - até o momento de recobrar a vida e despertar.
Decifrada ou compreendida nos termos acima a narrativa assume conotações de genialidade não?
Tais as nossas constatações.
Tais as nossas constatações.
Que julgamos útil apresentar ao amigo leitor.
E sua apreciação a respeito do filme, qual é?
E sua apreciação a respeito do filme, qual é?
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Filmes inspirados em H P Lovecraft
Li antes de tudo a 'Antologia ilustrada do folclore brasileiro' da Edigraf. Desta coleção faziam parte diversos contos sobrenaturais de Minas, Rio, São Paulo, Mato Grosso e Goias. Tinha doze anos de idade e até hoje releio alguns destes contos como a 'Missa dos mortos', a 'Procissão das almas', o 'Negro dágua', etc
A partir de então interessei-me sobre o tema. No ano seguinte, adquiri e devorei o recém publicado 'Contos de assombração' da Ática. Era este volume uma coletânea de que faziam parte contos de diversos países Sul americanos como a 'Mulata de Córdoba', a 'Saiona', etc
Devido a uma série de circunstâncias cessei de ler tal gênero de obras pelo espaço de uma quinze anos. Foi o preço que paguei por uma formação intelectual esmerada. Nada de romances, nada de literatura, apenas um pouco de poesia (clássica ou acadêmica é claro) de quanto em quando... Os romances, contos, etc - inclusive Machado de Assis - haviam de esperar...
Retomei a leitura dos contos, romances e ficção há coisa de uns doze anos...
Buscando recuperar o tempo perdido.
Assim sendo, entre um Machado e outro, de permeio a um 'Quincas Borba' e um 'Memórias póstumas de Braz Cubas' fui retomando o 'terror'.
Uma das primeiras obras que li após o prolongado jejum foi a 'Vênus de Ille' de Merimeé.
Foi uma leitura impactante...
Fazia-se mister recuperar o 'tempo perdido'.
Assim pouco tempo depois li 'O castelo de Otranto' de Walpole.
E sucessivamente diversos contos e narrativas de Poe, Kliping, Doyle, Bierce...
Entremeados pelas 'Histórias' de: Frank de Felitta, Stephen King, etc
Devorei dentre outros: o 'Fantasma da Opera' de Leroy, o 'Drácula' de Stocker, o 'Romance da múmia' de Gauthier, 'Os ancestrais' de Kline, o 'Espírito do mal' de Blatty, o 'Horror em Amityville' de Anson, os 'Mortos vivos' de Straub (meu autor predileto)...
Foi quando descobri H P Lovecraft.
Coisa de uns seis sete anos. Convidado para avaliar e adquirir um espólio dei com o título sugestivo "O que sussurrava nas trevas e outros contos". Era um volume dos anos 60... comprei-o juntamente com os mais e levei para casa.
Passados alguns dias larguei o estudo habitual da Sociologia ou da Filosofia para 'distrair', tomei o volume de contos do tal H P Lovecraft e comecei a ler. Era noite e posso dizer que varei a madrugada... a 'aurora dedirosea surgiu matutina' e lá estava eu vidrado no jovem autor norte americano.
Nos dias que se seguiram a leitura destes cinco ou seis contos comecei a pesquisar sobre o autor e sua obra, em termos de biografia e bibliografia.
Disto resultou a aquisição de mais uma coletânea em espanhol e do Ch Dexter Ward.
Habituei-me assim a ler Lovecraft e penso ter lido já umas vinte obras suas mais ou menos.
Procuro conter-me para não esgotar a fonte duma vez já que nosso homem não escreveu mais do que cinquenta e duas obras.
Muitas das quais filmadas!
O filme 'A bolha assassina' por exemplo inspirou-se no conto 'A cor que caiu do céu', 'Beyond' ou do além (1985) tem por base o conto homônimo de H P Lovecraft. Congo é em parte uma adaptação da narrativa 'A verdade sobre o falecido Arthur Jermyn e sua família' e Re animator uma versão de Herbert West - reanimator. 'Nevoeiro' inspira-se tanto em Stephen King quanto em Lovecraft. 'O legado de Waldemar' dirigido pelo genial Jose Luis Aleman é uma obra emblemática.
Temos assim seis bons filmes para degustar...
O essencial é Lovecraft, há no entanto pitadinhas ou temperos de Poe, King, Maugham, etc o que torna cada um deles ainda melhor.
A partir de então interessei-me sobre o tema. No ano seguinte, adquiri e devorei o recém publicado 'Contos de assombração' da Ática. Era este volume uma coletânea de que faziam parte contos de diversos países Sul americanos como a 'Mulata de Córdoba', a 'Saiona', etc
Devido a uma série de circunstâncias cessei de ler tal gênero de obras pelo espaço de uma quinze anos. Foi o preço que paguei por uma formação intelectual esmerada. Nada de romances, nada de literatura, apenas um pouco de poesia (clássica ou acadêmica é claro) de quanto em quando... Os romances, contos, etc - inclusive Machado de Assis - haviam de esperar...
Retomei a leitura dos contos, romances e ficção há coisa de uns doze anos...
Buscando recuperar o tempo perdido.
Assim sendo, entre um Machado e outro, de permeio a um 'Quincas Borba' e um 'Memórias póstumas de Braz Cubas' fui retomando o 'terror'.
Uma das primeiras obras que li após o prolongado jejum foi a 'Vênus de Ille' de Merimeé.
Foi uma leitura impactante...
Fazia-se mister recuperar o 'tempo perdido'.
Assim pouco tempo depois li 'O castelo de Otranto' de Walpole.
E sucessivamente diversos contos e narrativas de Poe, Kliping, Doyle, Bierce...
Entremeados pelas 'Histórias' de: Frank de Felitta, Stephen King, etc
Devorei dentre outros: o 'Fantasma da Opera' de Leroy, o 'Drácula' de Stocker, o 'Romance da múmia' de Gauthier, 'Os ancestrais' de Kline, o 'Espírito do mal' de Blatty, o 'Horror em Amityville' de Anson, os 'Mortos vivos' de Straub (meu autor predileto)...
Foi quando descobri H P Lovecraft.
Coisa de uns seis sete anos. Convidado para avaliar e adquirir um espólio dei com o título sugestivo "O que sussurrava nas trevas e outros contos". Era um volume dos anos 60... comprei-o juntamente com os mais e levei para casa.
Passados alguns dias larguei o estudo habitual da Sociologia ou da Filosofia para 'distrair', tomei o volume de contos do tal H P Lovecraft e comecei a ler. Era noite e posso dizer que varei a madrugada... a 'aurora dedirosea surgiu matutina' e lá estava eu vidrado no jovem autor norte americano.
Nos dias que se seguiram a leitura destes cinco ou seis contos comecei a pesquisar sobre o autor e sua obra, em termos de biografia e bibliografia.
Disto resultou a aquisição de mais uma coletânea em espanhol e do Ch Dexter Ward.
Habituei-me assim a ler Lovecraft e penso ter lido já umas vinte obras suas mais ou menos.
Procuro conter-me para não esgotar a fonte duma vez já que nosso homem não escreveu mais do que cinquenta e duas obras.
Muitas das quais filmadas!
O filme 'A bolha assassina' por exemplo inspirou-se no conto 'A cor que caiu do céu', 'Beyond' ou do além (1985) tem por base o conto homônimo de H P Lovecraft. Congo é em parte uma adaptação da narrativa 'A verdade sobre o falecido Arthur Jermyn e sua família' e Re animator uma versão de Herbert West - reanimator. 'Nevoeiro' inspira-se tanto em Stephen King quanto em Lovecraft. 'O legado de Waldemar' dirigido pelo genial Jose Luis Aleman é uma obra emblemática.
Temos assim seis bons filmes para degustar...
O essencial é Lovecraft, há no entanto pitadinhas ou temperos de Poe, King, Maugham, etc o que torna cada um deles ainda melhor.
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