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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Ainda o fascismo e seus problemas

Ainda a propósito da unidade social e da cessação do conflito entre burguesia e proletariado (Não inventado por Marx mas constatado por Sismondi de Sismondi.), provocado pela ambição descontrolada dos patrões, voltou o fascismo, seu olhar - mais uma vez, para o passado.

E a ideia, advinda do Ariston Metron e da Mediocritas aurea foi tentar ampliar a classe média. O que já havia sido sugerido por Defoe e Swift na Inglaterra do século XVIII. E fica posto o ideário: Reduzir a distância entre os extremos da alta fortuna e da miséria, interferindo politicamente tendo em vista a expansão da classe média.

Como se vê, o que temos aqui, foge definitivamente ao Marxismo ou  Comunismo. O qual aposta no avanço do capitalismo, no recrudescimento do conflito e no papel heroico do proletariado tendo em vista a tomada do poder.

Aqui, a classe média é encarada como entidade pequeno burguesa, que serve como uma espécie de mola destinada a aliviar a tensão do conflito. É de fato encarada como uma vilã contra revolucionária por estar na contra partida do processo e deve ser (Talvez com um empurraozinho) engolida ou abatida por ele. 

Assim o programa fascista, que supõe a atenuação do conflito pela ampliação dessa classe por meio de intervenções restritivas (As assim chamadas Reformas.) face as ambições do mercado é avaliado como algo essencialmente maligno.

De fato avaliando o protocolo fascista (Relacionado aqui com o protocolo social democrata.) como reformista, os líderes comunistas só podem encara-lo como um retorno indesejável ao passado, como um saudosismo ou ainda como algo essencialmente reacionário em oposição a noção linear de progresso legada pelo positivismo.

É como se a orientação fascista fosse capaz de impedir ou de atrasar a tão sonhada revolução ao atenuar o conflito. Daí o ódio irascível.

O que nos ajuda a entender uma dinâmica contemporânea em que, paradoxalmente, os comunistas aliam-se aos liberais extremados contra quaisquer Reformas propostas pelos reformistas ou pelo centro, se que lhes importe a condição das pessoas, uma vez que a meta suprema é a Revolução.

E é justamente a percepção dessa cosmovisão, assustadora, devido a sua insensibilidade ou crueldade, que tem afastado o povo do comunismo e não poucas vezes aproximado-o do fascismo. Afinal se é algo que o povo não quer ou deseja é o avanço do protocolo Neo liberal. Em parte devido a cultura cristã católica, o povo aspira, em certa medida, pela paz e não por qualquer tipo de revolução.

E no entanto esse mesmo fascismo, cuja proposta no campo da economia me parece interessante, aproxima-se a outro lado desse mesmo comunismo truculento, da abominação nazista e da monstruosidade islâmica e aparta-se tanto do anarquismo quanto do liberalismo político ou da democracia, a qual chega encarar com uma corrupção.

No campo da autoridade ou do poder político é o fascismo liberticida, despótico, ditatorial, tirânico, totalitário e repressor... até estatolatria paga ou o culto cego ao líder.

É ideologicamente irracionalista e agostiniano... sem dúvida que é. Desconfia do potencial da razão, lança dúvidas quanto a liberdade e encara os humanos como 'lobos' (Sic) vorazes. O que sabe o "Leviata" de Hobbes. 

Por onde toca ao militarismo e assume um aspecto anti humanista. Assume posturas como o critério da força e a obediência cega, renovando o choque entre Trasímaco e Sócrates, este partidário de uma racionalidade crítica, que levou-o a desobedecer, ao invés de cometer uma injustiça, e eliminar Leão de Égina.

Essa resistência mecânico formal a ordem dada, em nome de  princípios éticos ou direitos inerentes é inaceitável do ponto de vista do fascismo, o que desvela parte de seu espírito.

Curioso que, partindo do fascismo, os anarquistas não se tenham dado conta que o irracionalismo, via de regra (E com a mesma intensidade que os maniqueismos.) tem servido de apoio ao despotismo. Uma vez que o exercício do livre arbítrio está conectado a capacidade racional.

Sugere o irracionalismo, que sendo o ser humano incapaz de avaliar ou refletir é, consequentemente, incapaz de deliberar/decidir. Devendo ser tutorado ou controlado pela autoridade arbitrária sancionada pela Tradição.

Naturalmente que os alunos de Sócrates e os seguidores de Jesus não podem concordar com os teóricos do fascismo, pelo simples fato de afirmarem decididamente tanto a capacidade racional como a vontade livre dos seres humanos.

A partir daí, forma-se uma outra cosmovisão, posta para a afirmação de direitos essenciais numa realidade democrática ou cidadã. E uma oposição marcada ao ideário fascista, o qual, em seu conjunto, só podemos classificar como mais um anti humanismo e enfim como uma cultura de morte.

Enfim não acreditamos que a Redenção social parta da submissão passiva ou acrítica a uma autoridade caprichosa e a isso damos o nome que merece: Escravidão ou servilismo. E não menos que um anarquista qualquer repudiamos a ela.

De fato não nos resta qualquer ditadura: Dos líderes religiosos (Como Calvino), dos políticos (O Diretório), do proletariado, dos cientistas, dos militares... De esquerda, de direita, de centro... Pois somos filhos daquela liberdade que tem por berço o Evangelho. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Anarquismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

É Bolsonaro fascista?

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Faltando exatos vinte dias para as eleições presidenciais do segundo turno depara-mo-nos com diversas publicações em que o sr Jair Messias Bolsonaro, candidato do PSL, é apresentado como fascista, o que é repudiado tanto por parte de seus apoiantes como pelos fascistas em sua maior parte.

É que de modo geral, os brasileiros identificam os fascismo com o autoritarismo. A dar tal identificação por certa os Comunistas, que são igualmente totalitários - devido a doutrina da ditadura do proletariado e sua forma partidária - seriam fascistas e mais ainda dos fundamentalistas religiosos ou teocráticos, dos quais o Congresso Nacional converteu-se em província. A análise é superficial e injuriosa para com os autênticos fascistas, doutrinários, com os quais convivo e dialogo, em que pese minhas opiniões diametralmente opostas (sou pela democracia direta ou policracia).

O autoritarismo corresponde a um fenômeno psicológico e decorre das relações familiares estabelecidas durante a infância e de condições como a insegurança. Prescinde portanto de qualquer aparato teórico ou doutrinal, o Fascismo não, é um sistema doutrinário com pretensões intelectuais e, em que pese seus vícios, com uma excelente compreensão face ao problema da cultura. Bem definido não será de modo algum racista, mas culturalista, na medida em que a afirma a superioridade de uma dada cultura ou a identificação de um povo com determinada cultura.

Não entrarei em detalhes a respeito da doutrina Fascista uma vez que cada qual pode bem ir ao Bobbio. Mas é fato que no Brasil a doutrina fascista é muito pouco divulgada e conhecida, daí o número reduzido de seus partidários no pais. E a identificação apressada do autoritarismo ou do militarismo com o fascismo, pois também há entre nós um militarismo intuitivo e tosco, legado pela tradição. Mas nada disto é fascismo e dar o sr Bolsonaro por fascista seria de algum modo afirmar-lhe a intelectualidade, predicado a que não faz jus.

Bolsonaro mesmo disse nada saber a respeito de economia e temo que seus conhecimentos sejam ainda mais rasos no plano da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia, da Doutrina política e de outros ramos do conhecimento que deve ter em conta de subversivos e ameaçadores. Portanto é seu autoritarismo um autoritarismo bronco...

Então que será ele?

Se ao autoritarismo bronco adicionarmos a fixação por armamentos, a apoio a tortura e a pena capital e sobretudo o racismo, chegamos facilmente a outra definição, ao Nazismo. Seria Bolsonaro um Nazista?

Tudo quanto posso dizer a respeito é que a doutrina nazista é infinitamente mais pobre que a Fascista, ignorando por completo os elementos da cultura e estabelecendo uma metafísica barata em termos de raça, pelo que se chega ao endeusamento da mítica raça ariana associado ao odinismo que é um apelo ainda mais insistente a força, a agressão, a violência...

De fato a doutrina de Hitler peca pela  miséria intelectual, a ponto de qualquer energũmeno poder ler o 'Mein Kampf' e professar a doutrina. Pois ela pouco ultrapassa o preconceito intuitivo e limita-se a tempera-lo com lendas e outras frioleiras. Qualquer retardado dá bom nazista e os testes de QI realizados em Nuremberg patenteiam-no...

Seja como for a mentalidade de Bolsonaro, a pesar quilombolas em arroba quais fossem peças de carne ou a declarar que seus filhos, bem educados, jamais namorariam moças negras, é tipicamente racista e portanto nazista. Caso consideremos os elementos odinistas de sua pregação, especialmente a sansão a tortura temos ai um novo Mengele, o Mengele dos trópicos. Nada mais que um Nazista ordinário ou medíocre.

E este nazista, que defende o armamento ostensivo, a tortura e a pena capital como soluções mágicas para nossos problemas sociais, conta com o apoio decidido de um vultoso número de Cristãos, majoritariamente protestantes é claro, mas também Católicos o que é ainda mais vergonhoso se temos em mente ou diante dos olhos o que os Católicos alemães tiveram de sofrer nas mãos dos nazistas. Pe Kentenich que o diga! Foram milhares de sacerdotes enviados a Dachau por questões de consciência i é por oposição ao Nazismo. A Igreja romana não sofreu pouco sob a dominação nazi mas pagou por não te-la travado quando podia.

Alias o discurso com que o matreiro Hitler seduziu e fisgou os Católicos ingênuos é o mesmo editado em nossos dias: O perigo do 'Comunismo' rsrsrsrs antes de tudo (Os pastores protestantes continuam reeditando estes discurso) e em seguida o moralismo ou puritanismo social. Assim questões tão delicadas quando divórcio, aborto e eutanásia... E os Católicos ingênuos ficaram encantados com a alta moralidade da Besta, e se venderam a ela... Alguns anos depois Faulhaber, Von Gallen e outros tantos tinha suas janelas apedrejadas, suas igrejas e mosteiros pilhados pelos partidários da moral e dos bons costumes. A Igreja e seus filhos conheceram o inferno e a porta foi o moralismo tosco, que os Católicos deveriam fixar em suas vidas e não num cenário político democrático ou laico marcado pela laicidade.

Tristemente os maus Católicos do Brasil de hoje mostram-se presos as mesmas ilusões de impor sua moralidade num contexto político laico, ao invés de limitarem-se a vive-la em suas vidas. Karl Rahner disse já há muito tempo a seus confrades: Inspirem a ação política ou esvaziem-na mas não tente controla-la. Bem os moralistas Católicos eram, são e sempre serão minoria no Brasil. Então para impor algo são obrigados a aproximar-se de outros grupos e negociar. Hoje cometem seu supremo erro, aproximando-se por via do ecumenismo, dos protestantes, pentecostais, calvinistas ou bíblicos, supremos adversários de sua fé. Os Católicos negociam a fé dos ancestrais, trocam-na por moralidades ou pelo puritanismo, exatamente como os protestantes desejavam que fizessem...

Hoje sobretudo, fazem uma política protestante, Que tende a assumir feições norte americanas, e assim nossa cultura é traída, pelo Bolsonaro é claro, uma vez que adota princípios e valores anglo saxônicos e norte americanos, e pelos pseudo Católicos que vão de carona, reforçando esta tendência absurda. No decorrer deste processo os Católicos vão mais e mais perdendo consciência quanto a especificidade de sua fé, a qual vai se diluindo, até que são engolidos pela outra fé ou cooptados. Alias quando a fé Católica perde noção dos mistérios e converte-se em moralismo banal ou puritanismo o Catolicismo esta morto, e o protestantismo calvinista vitorioso.

Tentando recuperar uma ilusão política de poder moral a igreja vende seu supremo tesouro - a fé...

Depois surgem as consequências. Como a perseguição nazi...

A conclusão é simples: Entre Catolicismo e nazismo não pode haver composição, são inimigos naturais e inconciliáveis. Nem pode a fé Cristã deixar-se contaminar por discursos políticos estruturalistas ou formalistas e ignorar que o conteúdo do nazismo é o mal supremo. A estrutura democrática conhece problemas e os socialismos naturalistas limitações, seja. O nazismo porém é a porta do inferno. Não queiram comparar problemas de democracia ou os defeitos do socialismo com racismo e tortura.

Não podemos sequer nos omitir face a abominação nazista. Todos terão de responder por sua conduta face ao nazismo perante o tribunal sagrado de Jesus Cristo, o qual nos perguntará: Que fizeste de teu irmão? Não devemos esperar o negro, o indígena, o homossexual, o dissidente político, etc ser levado ao cadafalso... pois o cadafalso chegará até nós mesmos. Por isso reforcemos a corrente do amor e do bem contra tantos quantos assumem tais valores corrompidos.

Afinal não é o nazismo uma doutrina com que se posse brincar distraidamente, é a negação dos direitos essenciais da pessoa humana, o repúdio a igualdade, a restrição arbitrária das liberdades, a negação da justiça, etc E observe que desta vez ele não vem só mas de braços dados com o liberalismo econômico ou com a servidão capitalista, um dualismo perverso que levará a extinção dos direitos do trabalhador, extinção com que acenou Mourão, vice de Bolsonaro, pronunciando-se contra as férias e o décimo terceiro salário, assim contra o regime específico do funcionário público; e a afirmação da reforma da previdência. Veja então leitor que eles conseguiram unir o inútil ao desagradável - os vícios horrendos e abomináveis do Nazismo aos vícios monstruosos do Capitalismo. Eis a obra acabada e perfeita do anti Cristo.

Portanto, como Cristão consciente jamais vota em nazista, repitamos como um só homem: Doutrina social SIM, Bolsonaro NÃO!!!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Conversações amistosas com Mr Ladrofê sobre a gênese do autoritarismo e suas fontes face ao espírito do Catolicismo II


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Ulpiano



No artigo anterior examinamos os argumentos com que nosso ilustre amigo Mr Ladrofê, julga poder amparar sua concepção autoritária de vida numa perspectiva Católica, demonstrando o quanto esta equivocado, afinal.

"Onde esta o espírito, ali esta a liberdade." não sou eu quem o diz, mas o querido Paulo, ídolo dos neo Cristãos paulinistas. Até ele...

Afinal não fomos nós chamados a liberdade dos filhos de Deus?

Não ao temor e a servidão, mas ao suave jugo do amor?

Identifiquemos agora as fontes históricas do autoritarismo para saber quando, como e porque modo enquistou-se como uma câncer no seio da instituição Cristã.

Antes porém digamos algumas palavrinhas sobre a fonte mais remota, que se acha no lá no fundo da mente humana, lá no inconsciente. Antes arreliavamos com os autoritários assim como arrelianos ainda com os avarentos ou capitalistas. A leitura de S Freud convencendo-nos de que o ethos autoritário reflete problemas de convivência com o pai, tornou-nos mais condescendentes e tolerantes.

Questões de vontade - inda que inconsciente - já dizia o santíssimo Orígenes, são irrefutáveis. Inútil argumentar quando não se quer ou não se pode assimilar, tendo em vista condição. No entanto é sempre útil dialogar, ao menos enquanto exercício dialético e estimulo a pesquisa. Alias sempre aprendemos algo ouvindo ou lendo.

Bom esclarecer, antes de tudo, que nem a passagem da República para o Império romano foi drástica em termos duma ruptura absoluta com as tradições do passado e nem o caráter do Império deixou ou pode ter deixado de ser misto duma hora para a outra.

O Imperador, a partir de Otávio Augusto, sobrepõem-se ao Senado, que é uma órgão aristocrático, não o aniquila.

Otávio alias afetava enorme respeito pelo Senado, de modo que ao invés de ordenar ou constranger, limitava-se a solicitar perante aquela organização tradicional. De modo geral os imperadores julianos que foram sãos: Tibério, Claúdio e Nero antes da loucura, e assim os Flavios: Vespasiano e Tito, limitaram-se a imitar o procedimento de Otávio, no mais solicitando, raras vezes demandando, quase nunca obrigando o Senado, embora este sempre pudesse ser facilmente comprado. Abolir o Senado e assumir um poder absoluto é coisa que jamais se pensou, pois os cidadãos romanos, ao menos afetavam ou fingiam ter dignidade e serem cidadãos, não escravos.

As aparências democráticas e aristocráticas até certo pondo tinham de ser mantidas.

Apenas os Césares loucos como Caio, Nero e Domiciano ousaram ameaçar e constranger, e humilhar, e oprimir, e abater os senadores e patrícios. Sem no entanto sequer terem cogitado, dissolver o Senado e governar como senhores absolutos. O máximo que Botinhas fez foi introduzir seu cavalo Incitatus naquele nobre corpo e proclama-lo senador...

Durante o século seguinte, sob os Antoninos, a influência e poder do Senado, por afetação da antiguidade, aumentou ainda mais.

Nem sinal de teorias ou doutrinas absolutistas.

Tinha vergonha de doutrinar a respeito do que haviam posto em prática.

De fato caso sigamos de trás para frente o advento desta doutrina obscura que é o autoritarismo ou absolutismo, que alguns cuidam vender como Cristã, chegamos aos juristas franceses como Jean Bodin. Destes aos teólogos imperiais ou Cesaropapistas, como M Patavinus, os quais buscavam combater a monarquia e teocracia papal fazendo petições a um documento descoberto pelos ocidentais por volta de 1100. O Digesto de Justiniano ou melhor de Trebonianus (Mas também de Teófilo, e outros dezesseis). Neste registro temos a pristina fonte do autoritarismo.

Agora nos perguntamos sobre qual fossem as referências ou as fontes do Digesto, os filósofos, os santos padres e Bispos, os sínodos, os apóstolos, o Evangelho... Nada, nada disto.

A principal fonte quanto ao autoritarismo nobre leitor, diz respeito ao jurista pagão i é não Cristão e não Católico Ulpiano, o qual foi contemporâneo de Modestino e Papiniano, tendo sido prefeito do pretório e florescido sobre Caracala, o filho degenerado de Septimius Severo e assassino de Geta, logo fratricida.

Ao dito Ulpiano atribuem estas duas expressões infelizes:  "Quod principi placuit legis habet vigorem." pt - O QUE AGRADA O IMPERADOR TEM FORÇA DE LEI e esta outra não menos absurda: "Princeps legibus solutus." pt - O PRINCIPE NÃO JAZ SOB O JUGO DA LEI ou não esta obrigado a observar as leis.
Temos aqui o mesmo conceito que os semitas aplicam a seus deuses - jao, ala, etc - e segundo o qual por serem todo poderosos estão acima de quaisquer leis, podendo cometer crimes e pecar...

Pois se a lei humana é expressão de uma lei natural e eterna, é necessariamente boa. E sua inobservância má. Logo o príncipe, tem o direito de pecar ou de cometer o mal, recusando-se a observar a lei que é boa. Atribuem-se assim o direito de matar, roubar, mentir, etc, o que é abominavelmente monstruoso.

Chegados a este ponto temos de nos perguntar sobre o que aconteceu ao império romano a ponto de um de seus maiores juristas ter cometido um descalabro destes, identificando a vontade caprichosa e arbitrária de um indivíduo como lei para os demais.

Estamos no século III.

Momento em que, após Comodus, o pode imperial é sucessivamente encampado pelos militares ou chefes das legiões ou da guarda pretoriana, os quais fazem e desfazem imperadores, põem e depõem príncipes, elevam e derrubam reis, e amiúde lutam uns contra os outros ensanguentando o Império e fomentando seu declínio.

Sendo militares eles trazem para o governo Imperial e mentalidade rasteira prevalecente entre quase todos os militares, a da obediência passiva, cega, mecânica e absoluta. É neste momento que as figuras dementes de Caio ou Nero convertem-se em ideais recorrentes e dominantes até Constantino. E não é mera coincidência que os Cristãos tenham sido expostos a perseguição com maior fragor ainda neste século, devido a insistência mórbida a respeito da estatolatria ou do culto ao gênio de roma e da fé imperial, cristalizada na pessoa dos césares mais abjetos!

É deste ambiente corrupto, decaído, degradante, indigno, que aflora ou assoma a 'bela' doutrina do autoritarismo ou do absolutismo régio. Com que dor no coração devo lembrar que o infeliz Ulpiano viveu não sob o jugo de um Otávio ou de um Antonino, ou de um Marco Aurélio, aos quais certamente teria repugnado a ideia de um poder supremo ou absoluto, mas sob um farrapo humano chamado Caracala, o qual mimoseou com aquelas frases servis contida no Digesto, isto por achar-se, como seu colega Papiniano sob constante ameaça por parte do déspota irascível, o qual acabou por mata-lo a pontapés (Enquanto o outro foi decapitado!).

Tal a fonte mais pagã mais remota do absolutismo régio, puramente pagã e nada mais que pagã e nem um pouco Cristã ou Católica.

No artigo de amanhã discorreremos a respeito das outras duas belas fontes:

A cultura judaica endeusada pelos judaizantes, o 'cristianismo ' paulinista e o heresiarca Justiniano. E por ai já se ve que os padrinhos são rabinos, escribas, fariseus, judaizantes e heréticos; nada, nada de muito Católico, nada de Padres da Igreja, doutores, sínodos, concílios, etc porque estas perto da imensa sabedoria dos juristas pagãos da decadência, dos judeus e dos heréticos são mesmo umas Bestas! Espertos mesmo os reformadores protestantes né???

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O lugar da Ética no espaço escolar> Instrução ou educação? Parte II

Assim o que aconteceu na Sociedade aconteceu na Escola.

Enquanto a Escola esteve sob a tutela da Igreja ou da religião - no Brasil até 1891 - a igreja bem ou mal, enquanto guardiã dos princípios e valores, subministrava aos cidadãos uma formação Ética. Podemos discutir o conteúdo desta formação mas não nega-lo.

Alijada a educação a diretriz religiosa por uma política quase sempre liberal e de inspiração mínimo agnóstica e materialista para não dizermos, em alguns casos, ateísta e combativa, abriu-se um nicho, e já não se cogitou em abordar o tema da Ética, o qual ficou desde então - e isto faz parte da ideologia em questão - abandonado a cogitações individuais ou a tradições familiares.

O positivismo por sinal, devido a sua mística positivista - segundo a qual a ciência produziria consciência ou a instrução produziria valores comuns - não poupou críticas a uma ética que encarava como metafisica ou abstrata e como tal vinculada as superstições religiosas.

O dealbar o ensino laico entre nós comporta um total abandono em termos de ética e moralidade, encaradas sempre do ponto de vista meramente subjetivo e relativista. A escola não mais cabia, como a igreja, educar pessoas ou construir carácteres, mas apenas e tão somente instruir ou informar. A educação da vontade por assim dizer e a comunicação de princípios e valores comuns foram pura e simplesmente rechaçadas enquanto modelo de pensamento eclesiástico e ultrapassado.

O propósito aqui foi abalar o homem religioso e controlado pela igreja.

E já adiantamos ser totalmente contrários ao ensino religioso ou a qualquer tipo de influência religiosa na educação pública.

Não é o caso.

A laicização era e ainda é uma meta de extrema necessidade.

No entanto não justifica nem de longe o abandono da Ética.

Aqui o dever do legislador era abrir um espaço para discussão em torno dos sistemas naturalistas. O que de modo algum foi feito.

Pelo que abatendo-se o poderio da igreja e abalando o éthos religioso daquele homem não atingimos o ideal sublime do humanismo.

Antes me parece que por preconceitos não menos danosos - face aos preconceitos religiosos a que se buscava fugir - o tiro saiu pela culatra e assistimos a produção de um tipo de homem pior> O homem totalitário, seja ele comunista, fascista ou nazista; além é claro do ideal de homem individualista do liberalismo. Ficou a divindade substituída pela raça, pelo poder, pelo partido, pela classe, etc enquanto a mesma mística racista ou estatólatra proliferava...

A educação anti religiosa implantada na escola pública pelos liberais (materialistas, ateus, agnósticos, etc) em meados do século XIX e princípio do século XX produziu um desastroso vácuo em termos de Ética. Deixada ao encargo dos indivíduos esta forma de reflexão não foi cultivada com a devida seriedade. A reflexão deixou de ser feita, ao menos em larga escala ou escala social e disto decorreu, ao cabo de todo século XX a ascensão das místicas irreligiosas a totalitárias a que chamamos culturas de morte.

Curiosamente ouvimos até hoje o eco desta clamorosa catástrofe educativa.

Representado pelo seguinte jargão professoral: "Minha tarefa é instruir e não educar."

Quem educa é o pai e a mãe, eu limito-me a ensinar.

Sou professor, não educador.

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Quem é que já não ouviu este tipo de pregação numa sala de professores???

No entanto somos nossos valores, somos aquilo que cremos e pensamos e por meio de nossas ações diárias introjetamos tais princípios e valores naqueles que nos rodeiam, especialmente em nossos alunos.

Educamos mesmo sem saber ou sem querer. Educamos quando nos recusamos a educar. Educamos quando negamos estar educando.

O pior é que educar sem assumir que esta educando e sem preparar-se para tanto é sempre deseducativo. Em suma um desastre.

Declarar - bem a gosto dos liberais - que a educação é algo pessoal, familiar e ideológico não resolve em nada o problema. Pois a opção de não educar é igualmente ideológica...

Não estamos dizendo aqui que o professor deva impor seus princípios e valores ou dogmatizar em torno de suas posições ideológicas mas certamente que deva conhecer e por no acesso da turma o maior número de teorias, opiniões, soluções e hipóteses possíveis para que sejam exaustivamente discutidas pela turma. Além de assumir honestamente seus pontos de vista e argumentar.

É desta forma, democrática e dinâmica que o tema de ética deve ser necessariamente introduzido em sala de aula. Pelo simples fato de que não será introduzido pelos pais na vida dos filhos!

Daí a função supletiva do docente.

Afinal esta reflexão não pode parar ou ser abandonada como foi no curso do século XX.

Alias do vazio liberal é que brotou espontaneamente certo clamor por diretrizes éticas ao tempo dos militares. Inconscientemente este clamor existia, apenas foi abusado pelos militares, os quais aproveitaram-se dele com o objetivo de implantar uma disciplina não apenas normativa mas essencialmente fechada e monolítica 'Educação moral e cívica'. De certo modo as disciplinas implantadas pelos militares tinha por mira o antigo ideal de Unidade social, nacional ou cultural já presente nos antigos gregos, sem no entanto ousar tocar ao gravíssimo problema da diferenciação econômica produzida pelo sistema de mercado. Era no entanto a retomada da velha busca por um elemento comum e o veneno aqui foi a imposição, que não deixava lugar para o diálogo, o debate e a discussão livre.

Após o fim do militarismo foram tais disciplinas riscadas do currículo.

E o nicho da reflexão ética mais uma vez fechado e selado pelo velho liberalismo embolorado.

Desta vez com certo apoio por parte de anarquistas, comunistas e outros críticos da ditadura. Uns movidos pelo individualismo e outros pelo fantasma do cientificismo, todos inspirados nos ideais do ateísmo e materialismo... acabaram acolhendo com aplausos o fim da doutrinação moral imposta pelos militares sem no entanto problematizar a respeito do espaço da ética na escola.

Mais uma vez (como após a laicização) não sei se a emenda não saiu pior do que o soneto uma vez que durante toda década de 90, sob os auspícios da ideologia neoliberal, o fantasma das disciplinas militares foi usado com bastante sucesso tendo em vista restabelecer o antigo pressupostos segundo o qual a formação ética da pessoa é assunto pessoal ou familiar e a escola cabe apenas instruir (ou informar) e jamais educar. Disto resultando oposição cerrada a ideia de criar-se um espaço ou nicho para a reflexão ética no currículo.

Foram dez anos, uma década inteira, em que se falava ou discursava sobre a ética enquanto se negava a esta reflexão algum espaço na escola pública. Agora como construir uma reflexão ética sem que a ética se faça presente nas instituições escolares??? Como admitir que a Ética seja socialmente relevante ou mesmo fundamental e relega-la a iniciativas individuais???

Felizmente, após o termo da era FHC, abriu-se um espaço destinado a Ética na escola pública. Refiro-me a disciplina de Filosofia. Pelo que este espaço privilegiado, implementado com 110 anos de atraso, adolesce ainda, pois não tem mais de quinze anos.

Urge esclarecer no entanto, que Ética, enquanto praxis e reflexão, cabe em qualquer disciplina. Não se trata portanto de algo a parte, fechado em si mesmo, mas de inspiração que deva transbordar e por assim dizer inserir-se em todas das relações escolares ou não. Mais do que uma área da Filosofia ética é vida, a própria vida, a vida considerada e refletiva.

Assim sendo, no momento presente, professor algum deveria recusar-se a educar ou seja a disseminar princípios e valores saudáveis. Nossos meninos e meninas, antes de saber a ler, escrever, calcular, etc precisam saber viver e conviver (Jacques Dellors). Não se compreende portanto que um coração generoso e nobre recuse-se a partilhar o que tem de bom com seus pupilos. Que se recuse a orienta-los para o respeito, a fraternidade, a igualdade, a tolerância, a paz, a dignidade, a justiça, o bem comum; enfim para tudo quanto seja excelente e virtuoso.

Princípios e valores saudáveis não são para serem entesourados mas para serem partilhados.

Um bom professor deve ter por objetivo primacial o tornar seus alunos mais humanos, mais sensíveis, mais solidários. Deve educar por meio do exemplo apresentando-se ele mesmo como livro vivo em que se encontram as mais belas lições de virtude. Não, não saberá instruir se não souber viver, mas se souber viver saberá e deverá educar.

Se sabe ser solidário, se sabe ouvir, acolher, estender a mão, julgar com equidade, punir com domínio e parcimônia, compadecer-se e tudo temperar com tato e inteligência, não se omita! Eduque!

Agora se não sabe nada disto vá ser qualquer outra coisa: bancário, açougueiro, advogado, etc

Como ética se ensina com a vida, embora ela deva contar com um nicho ou espaço específico, nem por isso deve ficar-lhe restrita mas como já dissemos penetrar e vivificar todas as relações escolares e humanas.

Todo homem é educador, quanto mais o professor!

Mas eu não quero entrar em choque com a família.

Simples, não imponha... Promova discussões e gerencie-as liberalmente.

Mas dará muito trabalho.

Certamente...

Mas se tiver de decidir entre instruir e educar, eduque. Forme prioritariamente seres humanos...

Se tiver de postergar a tabuada ou os advérbios postergue.

Mas não deixe de problematizar em torno das situações humanas que acontecem em sua sala de aula.

Mais do que aprender a tabela periódica nosso aluno precisa aprender a respeitar as diferenças e acolher o outro.

Portanto se surgir algum problema de racismo, machismo, homofobia, etc em sua sala jamais permita de passe em branco, antes transforme-o numa situação educativa.

Sobretudo não acredite a ilusão liberal. Segundo a qual a simples instrução elevada ou superior ou o espírito científico produzirá uma vida ética saudável.

Antes reflita detidamente sobre as palavras deste que foi um dos maiores homens do nosso tempo:

"Nosso mundo se tornou perigoso porque os homens tem aprendido a dominar a natureza antes de terem aprendido a dominar a si mesmos." Albert Schweitzer

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Riqueza, conforto e miséria; luxo, sobriedade (temperança) e ascese.

Também este artigo tem em vista distinguir certos estados ou regimes de vida que o vulgo tende a confundir. Implica definir cada coisa com exatidão, fixar os limites e apontar as diferenças. O que tende a facilitar o diálogo e o esclarecimento.

Por riqueza definimos o acumulo exagerado de bens. O rico possuindo além do que é necessário tendo em vista a sobrevivência e dignidade detém o supérfluo.

Por conforto definimos o uso moderado dos bens. O confortável contenta-se em reter para si apenas o que é necessário a sobrevivência e a dignidade, abrindo mão do que é supérfluo.

Por miséria definimos a carência do quanto seja necessário a sobrevivência e a dignidade.

O supérfluo pode ser igualmente relacionado com o luxo ou a suntuosidade. O conforto com a sobriedade ou a temperança e a miséria ou a ascese.

Importa não confundir sobriedade ou temperança com ascese.

Sócrates, Jesus, Buda e Confúcio; sem condenar a ascese, não foram ascetas e jamais recomendaram ascese mas a sobriedade. A respeito de Sócrates contamos com o testemunho de Ésquines de Aesfeatum, o qual no "Telauges" apresenta o Filósofo a reprovar tanto os excessos de ascetismo de Telauges quanto a vã ostentação ou luxo de Critóbulo filho de Criton e argumentando a favor da vida sóbria ou moderada.

Antes porém recordemos o que cada um destes grandes mestres ensinou a respeito da riqueza, da fortuna, do acúmulo irrestrito de bens, do supérfluo, do luxo, da suntuosidade...

Sócrates num de seus diálogos transmitidos por Xenofonte (Memorabilia) refere que "Sabes assim que o ouro e a prata não tornam os homens melhores do que são, ao passo que as sentenças dos sábios tornam mesmo o pobre rico em virtude." já Platão memora o passeio de Sócrates pelo Mercado de Atenas e seus comentários sobre as inutilidades ali dispostas... e noutro passo declarou que a única utilidade das riquezas era a possibilidade de serem divididas com os amigos possibilitando o convívio ameno entre os amantes da virtude.

Quanto a Jesus foi ainda mais insidioso a ponto de declarar que era impossível cultuar a Deus e as riquezas, de fechar os ricos as portas do reino celestial e de aconselhar seus seguidores a juntarem tesouros imateriais ou espirituais no mundo celestial e não coisas materiais destinadas a corrupção.

Paulo, aqui fiel interprete seu, conjecturou com propriedade que a raiz de todos os males humanos estava no amor ao dinheiro, no desejo pelo lucro, na cupidez ou na avareza. Que a igreja antiga classificou como um dos grandes pecados.

A respeito de Sidarta Gautama conhecido também por Çakia Muni, Buda ou Tatagata é sabido que tendo nascido filho de Régulo (Sudodana era o nome de seu pai) imensamente rico, abriu mão de todas as riquezas para viver moderadamente e que impôs voto de sobriedade aos membros da sanga.

Os budistas de modo algum - e isto vale para os Católicos - fazem apologia da MISÉRIA ou da POBREZA, mas do contentamento ou contenção dos desejos, o que podemos traduzir sem medo de errar por conforto ou sobriedade.

Importa saber que ele também condenou tacitamente o acumulo ilimitado e o apego aos bens materiais.

Ele considera o monge ou o laico que se contenta com o necessário para viver dignamente como um pássaro que voa e toma a direção que deseja, sendo por isso mesmo livre.

Faz recordar Sócrates quando declarou que o homem apegado as riquezas ou escravizado pelos apetites sensoriais era inferior a um escravo porquanto escravo dos apetites, dos desejos ou do corpo. Para Sócrates era livre apenas aquele que fosse capaz de controlar seus apetites e desejos.

Limitar-me-ei por tomar esta citação: "Uma é a senda que conduz as riquezas, outra a que conduz ao Nirvana." 

Outro não é o parecer do grande Mestre da China, Confúcio:

"O homem vulgar só cuida de comprar e vender." 

Nenhum deles mostrou-se simpático ao acumulo ilimitado de bens materiais, 'nuvem conquistada por meios injustos.' id Mas também não inclinaram-se para o ascetismo - Jesus, Buda e Confúcio sem condena-lo jamais abraçaram-no ou recomendaram-no a seus seguidores - enquanto busca pelo sofrimento ou por situações desconfortáveis.

Sócrates apenas parece ter recomendado uma dose mínima dele e por uma razão bastante compreensível, a frequência das guerras, o exemplo dado pela sociedade militar e ascética formada pelos espartanos - guerreiros invencíveis - e a decorrente necessidade de conte-los. Efetivamente o ascetismo afirma-se no tempo de Sócrates mais por via militar do que por via filosófica ou religiosa. O ascetismo foi até certo ponto sancionado por Sócrates devido a sua relação com a disciplina.

Posteriormente, durante as perseguições promovidas pelo Império romano, também a igreja Católica recomendou o ascetismo, por uma questão de funcionalidade. Posteriormente no entanto, graças a teoria herética do maniqueísmo, logrou o ascetismo fixar-se ontologicamente no seio da comunidade Cristã, embora o clero sempre tenha invocado razões funcionais ou de natureza prática com que justifica-lo.

Nem podemos fugir totalmente a tais razões caso concebamos os Bispos e padres como homens destinados a múltiplas e dificeis tarefas como: ministrar os sacramentos, sustentar o direito dos pobres, instruir os broncos, evangelizar os infiéis, dar exemplo de abnegação e virtude, etc Ora toda esta vida de dedicação e disponibilidade implica disciplina rigorosa, o que de algum modo nos conduz ao ascetismo ou a certa familiaridade com o desconforto, como diria Sócrates.

Cuidava Sócrates que uma certa medida de ascetismo ou de contato esporádico com o sofrimento, funcionava como uma espécie de vacina ou contraveneno predispondo o homem a enfrentar futuras situações de desconforto ou sofrimento com maior firmeza de alma. Daí a necessidade de eventualmente, o soldado, passar por uma experiência de sofrimento, como ainda hoje nossos jovens aspirantes realizam testes de sobrevivência.

As fileiras do clero Cristão ou das hierarquias Católicas tomaram por exemplo ou norma de vida, a disciplina do exército ou um regime espartano. Constituindo o exército espiritual de Cristo ou milícia Cristã. Daí a afirmação do ascetismo entre o clero e os religiosos, porquanto favorecia a disciplina ou a vida regular. Aos fiéis no entanto foi sempre permitido levar uma vida morigerada, sóbria, temperante, equilibrada ou mediana.

Não enriquecer no sentido contemporâneo ou acumular riquezas ilimitadamente, que isto sempre foi visto pelos elderes e doutores do passado como pecado de avareza ou materialismo. A antiguidade Cristã jamais abençoou ou sancionou o regime de vida contemporâneo cultivado pelos ocidentais. Como jamais fez apologia da miséria, mas da vida sóbria ou morigerada nos mesmíssimos termos que Buda, Confúcio, Sócrates, Epicuro, Bion, etc

Julgo que a confusão efetuada no período moderno, entra vida sóbria e ascetismo foi artificialmente criada e promovida com o intuito de batizar e crisma o que os antigos sempre classificara como avareza. A Cristianização de Mamon ou seja das riquezas fundamenta-se amiúde neste falso dualismo tecido em torno de dois extremos: o da riqueza e o da miséria. Inconsciente ou conscientemente houve sempre certo emprenho em eliminar uma possível terceira via construída em torno da sobriedade, vida média, caminho do meio, etc

A justificativa do materialismo economicista em termos Cristãos não pode apartar-se deste padrão de pensamento superficial e binário em torno do acumulo ilimitado ou da privação, e tem se mostrado sempre incapaz de postular uma posse limitada ou relacionada com a satisfação das necessidades pessoais/familiares.

Henry George no entanto demonstrou cabalmente que ainda aqui os extremos continuam a tocar-se e que do luxo procede a miséria, da riqueza a pobreza, do acumulo a falta, da suntuosidade a indigência... Diante disto só nos restar inclinar-se diante daquela sabedoria ancestral que recomendou a vida média, sóbria ou confortável face aos que vivem do supérfluo e aqueles aos quais é negado o necessário a manutenção da vida....

Nós no entanto nos acostumamos a viver entres extremos e aprendemos a tolerar tanto situações de esbanjamento, quanto situações de privação ou carência.

E assim nos fizemos traidores de Sócrates, de Jesus Cristo, de Buda, de Confúcio, os quais com os lábios reverenciamos mas que de modo algum estamos dispostos a imitar reformulando nosso modo de vida materialista, insensível e cruel.

Não sei em que o ascetismo nos transformaria nem posso sabe-lo. Mas sei que a avareza tornou-nos vulgares, grosseiros e cruéis; degeneramos porque inclinando nossos corações as riquezas perecíveis e ilusórias e acumulando ouro, prata, jóias, dolares, ações, etc não melhoramos em nada deixando de acumular as riquezas verdadeiras, imateriais e incorruptíveis, em termos de princípios e valores, méritos, hábitos saudáveis, conhecimento, instrução, educação...

Não sou partidário do ascetismo em termos essencialistas ou ontológicos, o que a meu ver não passa de maniqueísmo. Compreendo no entanto seu papel funcional em determinadas conjunturas sociais. O ascetismo é uma espécie de treino ou adestramento que produz determinados hábitos para a vida, como a disciplina ou a regularidade e mesmo a resistência a dor ou ao desconforto, o que em certas situações sociais é extremamente vantajoso.

A riqueza ou a suntuosidade, como apontou já Agostinho na 'Civita Dei', tende a tornar os homens escravos dos apetites, a amolecer os corpos, a indispor para o trabalho, a malquistar com o esforço e o sacrifício; isto em tempos em que as guerras e batalhas eram decididas mais por homens do que por máquinas. E nem preciso dizer quem é que em estado de guerra levaria vantagem... Segundo o já citado Agostinho, seguido por Ibn Khaldun quando um povo qualquer acumulava riquezas em excesso, olvidando por completo a vida sóbria ou ascética dos ancestrais, tornava-se mole e prestes a ser dominado por qualquer outro povo mais rude, grosseiro, sóbrio, resistente e valoroso.

Em termos de antiguidade e i Média tal explicação parece conter certa parcela de verdade.

Naqueles tempos belicosos o ascetismo agrade-nos ou não parecia contemplar uma função social.

Sócrates, Agostinho, Kaldhum e muitos outros parecem ter tido esta percepção.

Os sábios, como já dissemos, permaneceram equidistantes tanto do acumulo irrestrito de bens, quanto do ascetismo ou da miséria, amiúde fruto da opressão. Face a ambos os extremos recomendaram as massas o exercício da vida sóbria ou moderada, definida por Buda como caminho do meio.

Nós nos desviamos por outras sendas e caminhos.

Apenas não tivemos sinceridade suficiente para classificar Sócrates, Jesus, Buda ou Confúcio como tolos.


sábado, 19 de setembro de 2015

A mensagem do agostinianismo e a apostasia ética e social do neo cristinaismo

O primeiro passo para superar uma situação de enfermidade é fazer um diagnóstico.

Que a civilização Ocidental esteja passando por uma terrível crise, analoga a que abateu-se sobre a Sociedade romana em meados do século V desta era (apud Berdiaeff). Esta terrível crise é para a Sociedade ou para a cultura o que a enfermidade é para o organismo vivo.

Urgem diagnóstica a fonte ou as fontes desta terrível crise para em seguida preceituar o remédio certo. Do contrário o corpo morre e vem a decompor-se... a Sociedade humana dissolve-se e sucede-lhe a anomia, tão temida por Hobbes.

Anomia em que os homens lutarão uns contra os outros como lobos vorazes, os fundamentos da civilização abalados e parte considerável da cultura aniquilada. Será um recuo até certo ponto, cujos limites ignoramos.

Os Bárbaros germânicos não destruíram o Império romano da mesma forma como vírus da gripe é incapaz de destruir um corpo saudável e vigoroso, bem nutrido e bem cuidado. A bem da verdade os povos teutônicos - que fugiam face ao terror dos Hunos - encontraram um Império enfermo e combalido, melhor dizendo: um Império agonizante. Um império que estertorava!!!

Mas porque estertorava aquele império?

Antes de tudo porque a autêntica pregação Cristã privara-o de seus fundamentos desumanos e ele não puderá achar outros. Assim sem fundamentos: sem escravos e sem guerras de pilhagem, o Império entrou em colapso. Outra não é a versão de Gibbons. O qual censura a instituição Cristã por ter se oposto a erradicação do escravismo e arvorado a doutrina semi pacifista da guerra justa.

Eliminado ou reduzido o escravismo e as guerras predatórias a crise econômica não tardou a manifestar-se desencadeando uma crise social que culminou com as invasões bárbaras.

Eram Cristãos assassinados aos montes... eram cristãos que fugiam para os desertos e cavernas prenunciando o monaquismo... eram pagãos que viviam de pão e circo, recusando-se a trabalhar... forças que fugiam as bases da vida social e tornavam-na impossível. Os bárbaros nada fizeram além de por fim a esta lenta agonia. Ficando o chão coberto de ruínas.

Além de trágico foi patético porque os romanos não tinham como identificar as causas dos males que afligiam-nos e se, caso tivessem sido capazes de identifica-las certamente não saberiam como sana-las. Substituir pelo que o escravismo e as expedições predatórias? Diocleciano deve ter pensado mil vezes sobre o assunto, no entanto, após ter feito verter rios de sangue, desesperou quanto a salvação do império e abdicou!

Outra é nossa condição. Uma vez que contamos com os préstimos não só da História mas da sociologia e da antropologia cultural. Além da psicologia, da geografia e da pedagogia... enfim de um grande número de ciências e ramos do saber humano. Pelo que estamos bem servidos e podemos tentar diagnosticar as causas dos males e problemas que assombram este nosso tempo e põem em crise a civilização. E diagnosticando podemos talvez recomendar uma terapia.

Dentre os que tentaram identificar a raiz do mal ocorrem-me: Whyndan Lewis, Guglielmo Ferrero, Otswald Spengler, Toynbee, N Berdiaeff, Guido de Rugierro, M F Sciacca, L Bloy, E Mounier, J Maritain, Unamuno, Christopher Dawson, Henri George, Hilaire Belloc, Julien Benda, Ortega Y Gasset, Julian Marias, R Jolivet, Huizinga, Fromm, etc Uma constelação invejável de sábios...

Berdiaeff por exemplo lança pedras ao Renascimento ou ao humanismo. Bloy, George, Mounier, Fromm e outros com mais acuidade apontam para o Capitalismo... Belloc, Maritain e sobretudo M Weber aprofundando ainda mais, tocam ao protestantismo. Outros ainda acrescentam o materialismo, o ateísmo, a incredulidade, o comunismo, o nazismo e o fascismo; os quais parecem ter vindo de carona com o capitalismo e sucedido todos ao protestantismo.

O nó do problema - a que já fiz alusão em diversos ensaios teológicos - é que todos parecem, sob influência da igreja romana, parar aqui e supor que a reforma protestante foi uma ruptura tão brusca, tão radical, tão profunda que não teve bases ou fundamentos no passado.

É claro que os historiadores, teólogos e intelectuais buscam algum fundamento. Trata-se quase sempre no entanto de um fundamento demasiado externo e desproporcional quais sejam as 'imoralidades' da Igreja antiga (Fernando Jorge), venda de indulgências, politicagem papal, invenção da imprensa e circulação de livros, etc Tudo isto parece explicar o pôrque da reforma protestante ter se propagado tão rápido. Mas não me parece bastante orgânico, bastante profundo, bastante sério! Parece-me que falta um fundamento interno ou ideológico.

Como não acalento preconceitos, ouso declarar mais uma vez: Agostinho de Hipona não foi maniqueu por acaso! Lutero não foi um monge agostiniano por acaso! Lutero reporta a Agostinho de Hipona ou melhor ao agostinianismo e Agostinho de Hipona ao Maniqueismo. E se não é belo ao menos não deixa de ser curioso que uma doutrina forjada na antiga Pérsia tenha encontrado seus domínios no Norte da Europa após passar pelo Norte da África.

Nada tenho que acrescentar a respeito do Agostinianismo.

A recuperação de suas obras e sua divulgação após a invenção da Imprensa ou até mesmo pouco tempo antes, associada ao impacto da peste negra e a fixação do pensamento no problema da morte, fez com que aos poucos, toda uma geração fosse desgostando do mundo e desesperando de transforma-lo noutra coisa. As portas da reforma protestante parte dos Católicos já não acreditavam na possibilidade de implantar o Reino de Deus na terra. Desde o ano 1000 não poucos sonhavam com uma destruição catastrófica. O livro do Apocalipse lido numa perspectiva mística era objeto de terrores! Aquele mundo de pestes, terremotos, guerras, conflitos sociais, miséria, etc fez com que grande número de pessoas buscassem refúgio numa fé cega!

Chegamos assim a Wittenberga de 1517. Ali os fundamentos do mundo estalaram, a velha fé foi questionada - alias tinha alguns defeitos! - a igreja antiga denunciada, os Bispos desafiados, os monges anatematizados, as massas convocadas, os governantes impactados e o poder imenso do papado ameaçado! Foi a primeira das grandes Revoluções: a Inglesa, a Francesa e a Russa. Ao menos no que diz respeito aos métodos uma foi continuação da outra.

Nem podem os pastores em nome da paz lançar anatemas contra as Revoluções francesa e russa, uma vez que seus ancestrais foram os primeiros a pegar em espadas e a cingir armas, no caso contra a Igreja de Roma ao invés de terem dado a outra face ou trilhado a senda dos mártires de outrora. Os reformadores acharam por bem agir ou reagir e, destarte foram os primeiros revolucionários. Também apoiou-se esta reforma no poder dos príncipes, ávidos de por as mãos nas propriedades e bens da igreja antiga. Foi um mal começo! Uma associação suspeitosa! Uma orientação comprometedora! Nem preciso dizer que os pobres não obtiveram vantagem alguma... alias, segundo Cobbett nem puzeram suas mãos calosas em qualquer coisa, nem puderam contar doravante com o aparelho assistencial dos mosteiros e monges que até então lhes davam esmola.

Todas estas coisas e muitas outras aconteceram porque a igreja antiga, desde os tempos das invasões bárbaras, tinha servido de fundamento a organização social e nem se podia imaginar organização social sem os préstimos desta igreja. A remoção no entanto fora brusca...

Grosso modo, Martinho Lutero, ao iniciar sua pregação não sabia onde tudo aquilo iria dar ou quais seriam os resultados mesmo a curto prazo. Assim quando foi chamado para justificar-se diante dos teólogos do papa na corte de Carlos V, tendo a tradição ROMANA, lançada contra si e não sabendo a que apelar lembrou-se da Bíblia que havia encontrado na Biblioteca do convento. Provavelmente sequer havia lido todo livro! No entanto, vendo-se acuado e não sabendo a que santo recorrer, recorreu a Bíblia, a qual da noite para o dia foi arvorada como critério ou padrão dos luteranos.

Posteriormente, diante dos estragos causados pelo livre exame e pela proliferação das seitas, Lutero, em mais de uma ocasião deu mostras de arrependimento por este improviso. Pois em ato de desespero arvorara a Bíblia como norma, para a priori vir a estuda-la e dela retirar a religião protestante. Outros no entanto julgavam estar em posse do mesmo direito; pelo que tomaram suas Bíblias e abriram suas seitas. Porque cada qual havia compreendido o mesmo livro de modo diverso.

Logo surgiram Calvino e Zwinglio. E as amargas controvérsias em torno da eucaristia. Pouco tempo depois apareceram os anabatistas de Blaurock e a controvérsia em torno do Batismo... algum tempo mais tarde outras tantas sobre o Domingo, as imagens, etc Todo um fermentar de controvérsias! Ficando a tal reforma pulverizada.

Quando Lutero, já 'nel mezzo del camin de la vita' atinou em fundar uma Igreja nos moldes da antiga para substitui-la e servir de fundamento a Sociedade européia percebeu que não era mais possível faze-lo tomando por base a Bíblia, por método o livre exame e por inspiração a teologia de Agostinho. O próprio luteranismo, sempre desmoralizado face ao papismo, o calvinismo e mesmo o anabatismo, subsistiu apenas e tão somente por obra e graça do poder temporal ou seja dos reis e senhores feudais que dele se usaram para escravizar e oprimir o povo. Uma inquisição foi criada com o apoio de cada estado, os dissidentes expulsos ou supliciados e a nova fé 'libertadora' gentilmente imposta as massas.

Tudo principiara por um exame 'livre' a partir do qual a liberdade humana foi repudiada por completo, inclusive na prática. Não sei se foi Van Paassen ou Van Loon que disse ter a reforma erradicado a liberdade onde quer que com ela tomou. De que temos vivo exemplo na Genebra de Calvino, segundo Van Paassen 'O primeiro campo de concentração da História'

Calvino, antes de Lutero é que tentara, com mais habilidade, criar uma Igreja Protestante, com o intuito de substituir a igreja romana. Lutero apenas demolirá, improvisadamente... Calvino tentou construir algo de firme e duradouro e acalentou, para tanto, restabelecer o Sacramento da ordem. Os materiais fornecidos no entanto não eram de boa qualidade... A Bíblia todos tinham e o exame todos queriam e podiam fazer. Teve o mérito de suavizar o agostinianismo no que tange a capacidade dos que recebem a fé e, na prática tudo fez para monopolizar o exame, a pondo de enviar o espanhol Servet a fogueira, queimando com ele os fundamentos de sua religião.

Ele foi quem primeiro criou uma anti igreja forte e grande. No entanto haviam também as igrejas Luteranas, haviam as seitas dos anabatistas e logo as dos unitários e outras tantas. Haviam núcleos da igreja romana espalhados por todo espaço do protestantismo! Haviam Bispos, cruzes e sinos; e com ovelhas! Havia variedade e o calvinismo por mais que tenta-se - e tentou - não podia reverter semelhante estado de coisas. Ele não estava a altura da tarefa a que se propôs. Não conseguiu substituir a igreja romana. Não foi capaz de consumar a missão que acreditava ser divina! Não logrou destruir por completo a igreja do papa e unificar as forças protestantes!

E ficou o protestantismo disperso, fragmentado, divido e o que é pior em estado de conflito! Pois em nome da Bíblia os protestantes criavam inquisições e lutavam uns com os outros até o extermínio! Anabatistas eram lançados aos rios atados a grades de ferro, calvinistas decapitados, unitários queimados, quackeres fustigados em praça pública... E como disputavam ao infinito sobre cada texto ou versículo Bíblico no dizer de Joseph Smith fundador do mormonismo já em pleno século XIX, após a Revolução francesa!

Pasma ler as crônicas do luteranismo alemão compostas por Doellinger. E a confusão semeada pelos pastores entre a gente simples. Confusão de que resultou a incredulidade!!! Século e meio depois havia já na Inglaterra um partido oposto a religião, o partido deísta. Assim na Holanda, Alemanha e França (protestante) no século seguinte. O Catolicismo pouco crescia ou paralisara, enquanto o protestantismo minguava e a incredulidade crescia. Sinceros ou dissimulados aparecem os materialistas e ateus em meados do século XVIII.

A nível das ideias surge um elemento pretensamente unificador destinado a substituir o Catolicismo e o protestantismo: o mercado econômico e a doutrina liberal ou capitalista. Foi isto que por algum tempo - do final do século XVIII a 1848 - pretendeu substituir o Catolicismo derribado. Posteriormente foi o Reino do Capitalismo desfigurado (pelas reformas) e ameaçado pelo Reino rival do comunismo, o qual, como já tivemos ocasião de ver reproduz parte de seus vícios e defeitos.

Na mesma medida em que as igrejas nacionais - como a luterana - iam entrado em crise a fé no Cristo ou em Deus foi gradativamente substituída por uma fé secularizada ou natural na raça ou no estado, o qual no sistema de Hegel hipostasia-se com o sagrado. É a aurora dos nacionalismo e militarismos (fascismo). Por fim o Capitalismo, o Comunismo, o Nazismo e o Fascismo estes quatro cavaleiros do apocalipse semeiam golpes, revoluções, conflitos e em duas ocasiões convertem a Europa num matadouro ou melhor num mar de sangue. O fim do século XIX assiste a ruína da civilização!

Agora a pobre humanidade, cansada de tantas guerras e tanto sangue comete seu último e pior desatino. Pois fugindo a estes quatro monstros: Capitalismo, Comunismo, Nazismo e Fascismo (os quais nem por isso deixam de ter defensores e de contar com o apoio de imensas massas!) precipita-se nos tentáculos do Islã! Enquanto nossa América Latina precipita-se nos braços dessas seitas Bíblicas que tantos e tantos males trouxeram ao velho mundo!

Vou passar em revista os principais sistemas que desde 1500 tem pretendido substituir a igreja romana ou o Catolicismo na Europa e no mundo: Protestantismo! Capitalismo! Positivismo! Comunismo! Anarquismo! Fascismo! Nazismo e Islamismo!

Mesmo não fazendo parte da igreja romana (oponho-me a diversos de seus dogmas como infalibilidade papal, infernismo, agostinianismo mitigado, etc!) sou constrangido a perguntar: Qual destes sistemas fez melhor do que ela? Qual derramou menos sangue? Qual não superou-a em malignidade? Qual não reproduziu seus erros? Atire quem puder a primeira pedra!

O protestantismo da guerra dos nobres, da guerra dos camponeses e do saque de Roma? O protestantismo da Inquisição genebrina? O protestantismo que com seu fundador Lutero condenou Copérnico e que com Calvino condenou Harvey? O protestantismo da KKK, dos Withe Mans e do Apartheid? O protestantismo que apoiou ativamente o maior genocídio de toda História, a saber, o genocídio dos peles vermelhas??? O protestantismo que executou mais bruxas e sumariamente? O protestantismo de Jerry Folwes??? Com que direito este sistema essencialmente burguês, cruel e desumano ousa apontar para a Igreja de Roma, a menos que pertença a escola dos fariseus e escribas mestres em hipocrisia?

Mas foi este protestantismo que ajudou a instaurar a nova ordem capitalista...

Agora será o capitalismo que ousará apontar seus dedos sujos de sangue para a antiga igreja e dar-lhe lições e ética???

Este Capitalismo que durante sua Era dourada foi o responsável pelas mortes de sabe-se lá quantos milhões de almas? Por negar-lhes os subsídios necessários para a manutenção da saúde e sustentação da vida... Este capitalismo das crianças de seis anos que trabalhavam por quinze ou mais horas a fio no interior de minas insalubres 364 dias ao ano? Este capitalismo as mulheres grávidas que trabalhavam nas mesmas condições aviltantes? Este capitalismo dos idosos que trabalhavam até morrer? Este capitalismo de homens famintos... de desempregados... de bêbados... Sistema em eterna crise para os mais humildes! Este capitalismo a respeito do qual foi escrito um calhamaço muito negro mas muito negro mesmo???

Este Capitalismo que semeador de duas grandes guerras mundiais??? Este capitalismo algoz das democracias populares e instigador de golpes e ditaduras? Este Capitalismo responsável pela extinção de centenas de formas de vidas? Este Capitalismo que emporcalha e suja a natureza? Este Capitalismo que sabota o clima do nosso Planeta??? É o sistema apto para denunciar as crueldades do catolicismo medieval??? Sei...

Talvez seja o positivismo com suas hostes de cientistas venais, inventores de armas de destruição maciça e de bombas capazes de aniquilar cidades inteiras com todos os seus habitantes. Alias o que se poderia esperar de um sistema anti metafísico que sempre recusou-se a reconhecer o primado da Ética??? Agora que estes lacaios de governos e empresas apontem para a igreja antiga e teçam suas críticas enquanto nos pomos a rir de sua incoerência!

Chegamos ao Comunismo tão patético com sua igreja ateia: seu Vaticano já desativado ou transferido de lugar, sua rota romana, seu papa, seus cardeis, seu index, seus guardas não suíços e é claro, sua inquisição responsável sabe lá Deus por quantas dúzias de milhões de mortos seja na antiga URSS, na Ucrânia, no antigo Kmer vermelho, etc Como os papistas fanáticos os comunistas até mentem e declaram que todas essas mortes foram inventadas pelo adversário Capitalista! Até aqui acompanham os papistas mais fanáticos ou os protestantes sustentando a ridícula doutrina da conspiração!

E este comunismo também se deleita em clamar sobre a inquisição antigas das Espanhas do século XVII... Apesar do Stalin e do Paul Pot...

O anarquismo dentre todos é o que parece ter a ficha mais limpa. No entanto temos cá um Bakhunin instigado pelo energúmeno Netchaiev e insuflando a mística da violência. Do que resultou bombas estourando entre civis inocentes e vitimando-os em logradouros públicos. Caso tivessem atacado os déspotas e tiranos com armas brancas ou de fogo seria capaz de compreender-lhes a atitude... Todavia não vejo como alguém possa ceifar a vida de civis inocentes e alienados e depois criticar as crueldades da 'santa inquisição'...

Sem dúvida alguma, dentre todos estes sistemas desumanos e cruéis o anarquismo é o que tem a ficha menos suja.

É - enquanto sujeito a contaminação do individualismo e por sua mística - problema que diz mais respeito ao plano das ideais e da intelectualidade, e certamente (o A russo) um repositório de valores. Os quais achamos ser perfeitamente possível conciliar com o espirito Católico.

Sobre fascismo e nazismo preciso dizer algo???

Direi apenas que um e outro enquanto limitações política ou étnica opõem-se cabalmente ao ideal pluralista e unificador (em termos de doutrina e ética) do Catolicismo.

Enfim que reproche poderá fazer a igreja antiga um sistema que encaminhou quase duas duzias de milhão de judeus, ciganos, homossexuais, comunistas, deficientes, opositores de consciência, etc a seus campos de concentração e fornos crematórios??? Ousará a escola ideológica a que pertenceram uma Irma Grese, uma Maria Mandel, uma Elizabeth Volkenrath, uma Herta Bothe, uma Johanna Bormann, um Josef Mengele lançar reproches a escolinha do Torquemada???

A respeito do Islã e sua malignidade essencial ja escrevi diversos artigos, mas pretendo escrever ainda mais um. Supera de longe todos os precedentes pois justifica suas atrocidades apelando a vontade positiva de deus. Que este sistema inquisitorial, cruel, desumano, foco de todos os preconceitos mais toscos e absurdos, lance pretenda lançar reproches a igreja antiga enquanto castra menininhas e estupra mulheres da etnia Yazid dispensa maiores comentários.

Eu que não pertenço a igreja romana, que reconheço inclusive sua degradação após o Concílio do Vaticano II, que nem sequer sei se creio de fato no espirito do Catolicismo (catolicismos se levamos em conta as três formas Ortodoxa, romana e anglicana) ou em qualquer coisa em termos de religiosidade convencional, não posso deixar de encarar esta forma arruinada que é a igreja romana com certa simpatia e dela aproximar-me como Whyndan Lewis por considera-la bem menos nefasta ou perniciosa do que qualquer outro sistema ou ideologia pretensamente universal surgida depois.

Que a civilização ocidental ou européia careça de um elemento unificador em termos de ideologia parece-me evidente. Após criteriosa análise histórica percebo que tantas quantas instituições ou ideologias que pretenderam substituir esta igreja no cenário do mundo Ocidental falharam miseravelmente além de terem perpetrado mais males do que ela ou, ao menos males semelhantes, sem no entanto terem trazido ou mantido os mesmo benefícios em termos, por exemplo, de assistência social ou promoção humana.

A partir da analise que fiz não posso mais encarar os sucessivos apelos dos pentecostais, muçulmanos, comunistas, liberais, cientificistas, feministas, etc a respeito da Inquisição do século XVII e do Torquemada , senão como frases de eleito, destinadas a impressionar e enganar os incautos, A História moderna e contemporânea demonstram cabalmente que após esta inquisição, surgiram outras tantas inquisições muito piores, algumas das quais ainda estão em ação!

Após terem deixado de matar em nome do papa multidões continuaram a matar em nome da fé, e, posteriormente: do mercado financeiro, da extinção do mercado e da ordem capitalista, da liberdade, da pátria, da raça, etc A inquisição romana foi desmobilizada. Os homens no entanto continuaram a matar em nome de outras coisas, de outras realidades, de outros valores fossem políticos, sociais ou econômicos e semelhante estado de coisas prolonga-se até. Conheceram a Europa e o mundo duas guerras catastróficas, e não podem credita-las na conta da igreja antiga!

Concluo que após a reforma protestante o espírito do Catolicismo, enquanto fundamento da Sociedade européia, jamais foi completamente substituido por qualquer coisa, mas por um vácuo. Em torno deste vácuo instalaram-se uma dúzia de ideologias periféricas e rivais, com seus preconceitos, index, inquisições, aparelhos repressores... continuando a embeber a terra infeliz com batelões de sangue humano. Diante disto me pergunto?

Onde haveremos de buscar o elemento unificador que resultou deste vácuo?

Por vezes penso na razão, no raciocínio, no racionalismo e na ética da objetividade edificada sobre ele. Por vezes desespero. Por vezes penso numa restauração não do papado em que não creio ou da igreja romana, a qual não pertenço, mas do espírito do Catolicismo ou Cristianismo antigo. As vezes oscilo de um lado a outro, as vezes desespero.

Quando analiso o tempo presente não posso deixar de pensar na queda do Império romano e em suas consequências. Que outro mais hábil possa dar continuidade a tais reflexões. O agostinianismo conduziu-nos até aqui... que o semi pelagianismo possa resgatar nosso Cristianismo perdido e este retomar sua trajetória.







sábado, 16 de maio de 2015

Impressões sobre o novo filme Mad Max

                                           Imagem retirado do site www.metacritic.com


ADVERTÊNCIA AO LEITOR À LEITORA: Esta postagem contém spoiler.


O  filme de Mad Max a  estrada da fúria chegou em boa hora, filme de excelente qualidade, adrenalina do começo ao fim. Max é um homem perturbado e por isso assombrado tanto pelos vivos como pelos mortos, é um homem que tem remorsos por ter perdido sua filha parentes e amigos.

Max logo no começo do filme é capturado por guerreiros e levado para uma cidadela como prisioneiro de guerra, lá ele luta para fugir mas é preso, torna-se bolsa de sangue para um guerreiro que tem uma doença terminal. O cenário do filme como nos anteriores é um grande deserto com um pequeno oásis.

O filme tem abordagens sociológicas muito interessante, a Cidadela é lugar militarizado e religioso, faz uma clara menção aos terroristas do ISIS, Boko Haram e outros grupos mulçumanos extremistas que são ao mesmo tempo militarizados e fanáticos. Os soldados tal e qual os mulçumanos quando estão prestes a morrer gritam: Testemunhem! Outra clara alusão aos grupos extremistas mulçumanos que lançam-se à morte para que tornem-se mártires, isto é, testemunha de allah e do profeta. É interessante notar que o militarismo sempre vem acompanhado do fervor religioso e do nacionalismo. Os soldados não pensam, não questionam, aceitam tudo e quando um soldado começa a pensar por si mesmo ele aos poucos deixa de ser soldado e torna-se desertor.

O líder Immortan Joe apresenta-se como o redentor do povo, como messias, o povo em sua maioria civis vivem praticamente na miséria e de quando em quando Immortan Joe abre os dutos de água para que o povo tenha um pouco de água e o povo lá embaixo briga por essa preciosidade que é a água, luta por sua sobrevivência, agredindo uns aos outros por causa da água, é o darwinismo-social em seu pleno desenvolvimento.

Uma das líderes do exército a imperatriz Furiosa enganou Immortan Joe  e saiu com as máquinas de guerras (carros) e levou às escondidas as esposas do tirano que eram consideradas como propriedades suas, assim como os filhos que elas carregavam em seus ventres. A imperatriz quis libertá-las da escravidão e as escondeu para que ficassem protegidas.

Quando vê-se ludibriado Immortan Joe convoca o seu exército para perseguir a "traidora" e "resgatar" suas esposas propriedades. Um dos guerreiros em fase terminal que usa Max como bolsa de sangue faz questão de ir para a guerra e prepara o carro e a bolsa de sangue - assim é que Max é chamado - que é pendurada num poste improvisado na frente do carro. Estando acorrentado e com uma máscara de aço no rosto.

Após um acidente, o soldado está desmaiado e Max tenta livrar-se da corrente mas não consegue, então é obrigado a levar o soldado no colo até que no meio do deserto encontra a imperatriz Furiosa e as concubinas de Immortan Joe, ele está com uma arma e as ameaça, pede água e pede para uma delas quebrar as correntes. Depois há uma luta feroz entre ele e a Furiosa e na sequência ele consegue fugir com o carro de guerra dela, mas a Furiosa programou para o carro funcionasse a partir de uma programação feita por ela, então ela não vai longe. Após isso, ele é obrigado a aceitar - muito a contragosto - a companhia das mulheres, enquanto está desesperado para livrar-se da máscara de aço.

Aquele soldado que tem doença terminal ao que tudo indica câncer ele é encontrado pelo grupo do Immortan Joe  e volta para seu cargo e vão ao encalce dos fugitivos, depois de certas frustrações o soldado começou a pensar por si mesmo e mudou de ideias e de lado.

A imperatriz furiosa quer voltar para sua terra e para seu povo e quando chega ao local vê uma mulher presa no alto de uma torre, Max adverte que pode ser uma armadilha, ela pede que todos fiquem no carro e anuncia quem é, ela é reconhecida então aparecem algumas mulheres de seu povo e ela faz perguntas e diz que todo o povo dela sumiu só restaram algumas mulheres guerreiras, ela entra em desespero, então Max tem a ideia de voltar para a Cidadela e tomá-la para lá começarem uma nova vida, no retorno para o lugar de origem enfrentam a ira do Immortan Joe que é morto pela Furiosa.  Ela é gravemente ferida durante as batalhas e Max faz uma transfusão de sangue para salvar a vida dela. Quando apenas um carro chega à Cidadela o mito do deus vencedor, do messias desfaz-se e não tem mais razão de ser e o povo oprimido festeja a morte do tirano.

Enfim, o filme vale a pena não só pela adrenalina mas pelas questões políticas e sociológicas que apresenta.


terça-feira, 15 de junho de 2010

A copa do imundo




Fernando - pode alguém perguntar-me - o título da postagem não está errada? Você quis dizer A Copa do mundo, não?

Caro leitor o título da postagem é esse aí mesmo, esse que está aí em cima.

Mas por que A copa do imundo?

Copa do imundo, porque é a copa do imundo sistema capitalista que aliena as pessoas. Que faz brotar o "patriotismo" ex nihilo, isto é, a partir do nada.


Durante este período da copa do imundo, veem-se pessoas aparentemente felizes, sem problemas, não mais são noticiadas desgraças na mídia venal, tudo toma ares edênicos e o mundo é pintado com cores tênues.


Todos falam do Brasil, quero dizer, da seleção que não representa o Brasil de forma alguma, visto que os jogadores são todos venais, não há um deles que seja verdadeiramente patriota. Quantos deles jogaram e jogam em times do exterior, acaso o exterior faz parte do Brasil? Que merda de patriotismo é esse que hoje o sujeito joga num time brasileiro e amanhã joga na Itália, Espanha, Portugal etc...?


As massas durante esse período se abstém de lutar por seus direitos porque pensam ser a coisa mais importante torcer por um time, no caso a seleção, que os "representa".


Dou um exemplo de como os jogadores são brasileiros e amam seus irmãos brasileiros, o Robinho que está na seleção, atual jogador do Santos, não quis visitar crianças com paralisia cerebral, porque a entidade que cuida dessas crianças é uma entidade espírita. Mas tantos as crianças como os espíritas que delas cuidam são brasileiros e o craque se negou a visitá-los. E isso não é questão de patriotismo, mas de humanidade!!!


Tem aqueloutro o Kaká que tirava a camisa com dizeres religiosos, fazendo proselitismo num lugar laico. Parece-me que o Kaká também não é patriota, mas "cidadão do céu" e este só considera seus irmãos os que partilham da mesma fé.


Todos falam do "Brasil" subtenda-se do falso Brasil, do Brasil idealizado pelos meios de (des)informação. Ninguém fala do Brasil verdadeiro nesse período: corrupção, politicagem, pedofilia, turismo sexual, greves, abuso de poder por policiais, racismo, etc...


As redes de televisão e destaco aqui a Globo, faz as massas acreditarem que nesse período "ricos e pobres são irmãos", "que somos uma nação verde-amarela" e coisas do gênero.


Esta é a imunda tática da Rede Globo & cia, tática que aprenderem bem com os militares na época da "ditabranda" como afirmou a Folha de São Paulo. Sim, os militares se valeram da copa do mundo para alienar o povo brasileiro, para suscitar um falso patriotismo, um patriotismo carnavalesco. Eles (os militares) queriam dizer aos brasileiros: "vejam como o nosso futebol é o melhor do mundo, nós podemos nos orgulhar disso!!!". Aquela velha história de Brasil país do futebol, e infelizmente somos o país do futebol, porque não somos o país da educação, não somos o país da saúde e nem da segurança.


Mas na época em que o Brasil pode trazer o título do hexa quem importa com questões sem importância como: educação, saúde e segurança?


É por isso que a esquerda do Brasil parafraseava Marx dizendo: "O futebol é o ópio do povo".



terça-feira, 1 de junho de 2010

Israel contra-ataca frota terrorista

Direto da DBC de São Vicente - Israel contra-ataca frota terrorista.

No último domingo, Israel estado sionista, atacou uma frota terrorista (leia-se frota de ajuda humanitária) que estava carregado de armas (leia-se mantimentos) para os palestinos. O "Santo Estado, do povo eleito", atacou a frota terrorista (leia-se frota de voluntários) em águas internacionais segundo a mídia, mas para os israelenses são águas israelenses, afinal de conta foi deus quem lhes deu o domínio de toda aquela região: seja do mar, do ar ou da terra.

Os "bravos" soldados israelenses com metralhadoras, pistolas e granadas enfrentaram os "terroristas fortemente armados" com armas "altamente letais": barras de ferro, estilingue, bolinhas de gude e cadeiras.

Ante a "agressividade" dos "malvados terroristas" que feriram uns soldados eles na defensiva foram obrigados a matar "dezesseis elementos de alta periculosidade e ferir mais trinta meliantes" que procuravam "subverter a ordem estabelecida", ajudando palestinos que passam por privações. Mas ajudar palestinos é um crime hediondo, visto que são descendentes do povo filisteu que os antigos judeus já haviam expulsado de Canaã por ordem de seu general, o sheik Jeová, Javé, Iahweh enfim o Tetragramaton dos Exércitos.






Fico "feliz" porque o Estado de Israel acabou com a tentativa dos terroristas de dar pão a quem tem fome e cuidados a quem precisa. Para Israel caridade é sinônimo de terrorismo e filantropia é sinônimo de antissemitismo. Curioso não?