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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Entrevista - Continuação

02) Tipo Wallon, Piaget e Vygotsky?

Sem dúvida. Constrói-se o ser humano a partir do que recebeu ou trás, ordenando o conhecimento e estabelecendo relações orgânicas. Não é ele responsável pelo que é ou recebeu mas é responsável pelo que faz com o que é ou recebeu, na magnífica definição de Sartre. Parece que a capacidade de superar-se e de ultrapassar aquilo que ultrapassar aquilo que o influencia e limita faz parte de sua condição. 

O realismo no entanto, e tal realismo tem um acento trágico, considera que em parte dos humanos tal capacidade existe e existirá apenas como potência, jamais vindo a converter-se em ato. Isto por não ser ativada ou excitada pelo meio externo ou por uma educação de qualidade. O exercício da racionalidade precisa ser despertado pelo esforço educativo, o qual por isso mesmo é dever da comunidade, do grupo social ou do Estado. Pois é a partir da experiência educativa que as potencialidades humanas, em termos de habilidades e competências, tornam-se realidades. O que implica a necessidade de uma educação integral, que coloque as pessoas em contato com as principais correntes de pensamento, inclusive com as que sabemos não serem sadias, de modo a que as pessoas, atuando criticamente, façam a seleção. 

Uma educação completa ou integral não pode excluir qualquer elemento ou ser meramente técnica, como pretende este governo ideológico, acrítico e colaboracionista até o sectarismo, pressupondo que vivamos no melhor dos mundos ou sociedades possíveis e que nos devamos conformar com a injustiça. 

Uma educação humanista, integral e completa abarca a história da Filosofia ou do pensamento, a História da arte, a História das crenças religiosas, a História dos sistemas econômicos, Teoria sociológica, Teoria psicológica, Epistemologia, Gnoseologia, Ética, etc Nenhum destes conteúdos é inútil ou ocioso. Não é questão de luxo mas de colocar o ser humano em contato com universo de seu pensamento. Tampouco é necessário, ao apresentar tais conteúdos, afetar uma neutralidade artificial - Segundo os falsos pressupostos do positivismo - bastando que o expositor seja honesto, ou seja, que assuma leal e publicamente seus pressupostos e que jamais falsifique as opiniões de qualquer autor, atribuindo-lhe apenas o que ensinou. 

Na medida em que tais conteúdos são negados a parte dos cidadãos ou que lhes é imposta uma restrição que nada tem de neutra, lhes é negada uma contemplação mais ou menos completa da realidade psicológica, mental, social e histórica, e só podemos classificar uma tal negação em termos de ocultação intencional, e portanto de crime. Nem pode o Estado ocultar a realidade humana em sua complexidade, esconder, disfarçar, etc sem tornar-se manipulador. Implica tal opção - Sob quaisquer aspectos anti ética - alienar parte dos atores sociais e produzir massas. Todas as vezes que o Estado patrocina a ignorância ou a alienação ao invés de dilatar as fronteiras do conhecimento torna-se criminoso ou pecador.

Enfim nós acreditamos que o conhecimento da realidade ou o ensino integral (Que assume um conteúdo Ético) seja por si só libertador e que em certo sentido (Não no convencional empregado pelos sectários!) equipare-se a tão sonhada revolução. Os verdadeiros arsenais estão em nossas bibliotecas, as autênticas armas são os livros e a bomba mais poderosa é a informação associada a reflexão. 

Ema educação meramente 'positiva' ou técnica implica viés materialista e pragmático. É como dissemos educação aparente ou superficial, destinada a definir o espaço ou local do cidadão na sociedade e a criar excelentes empregados, operários, trabalhadores, subalternos, colaboradores, etc sempre incapazes de questionar a Sociedade ou de dialogar com ela. Fornecer uma educação para certo tipo de trabalho é negar oportunidade ao cidadão e fixa-lo. É sobretudo oferecer uma vidinha comum, prosaica ou trivial. É esterilizar o espírito. É destruir vocações. É condenar possíveis pensadores, cientistas, artistas, etc a inexistência. É mutilar o ser humano e fabricar possíveis fanáticos religiosos, marionetes, robôs, zumbis; em suma negacionistas. 

Temos de nos opor a esse tipo de educação limitada, sumária, superficial, seletiva... O qual trará morte ao espírito e acelerá a decadência da civilização. Precisamos de uma educação ou melhor de uma formação integral e humanista que fuja aos pressupostos artificiosos do positivismo e possibilite ao educando posicionar-se criticamente face a realidade do mundo.

02) Escola sem partido ou Ideologia?

A Ideologia porta-mo-la todos nós, cada um de nós, inclusive o positivista que afeta ser cem por cento objetivo. O positivismo no entanto é uma Ideologia como outra qualquer, assim como o Capitalismo - Que tampouco se assume quando busca formar colaboradores ingênuos e acríticos a partir do ensino público. - o ateísmo, o materialismo, etc  

É como nariz, cada qual tem o seu.

Importa que o educador, ao invés de afetar um a neutralidade utópica ou hipócrita, seja honesto ou leal, apresentando a suas turmas seus pressupostos ou sua afiliação ideológica e que ao expor o roteiro teórico da Psicologia, da Sociologia, da Filosofia ou da Pedagogia ao invés de fazer uma seleção sectária ofereça um panorama geral quanto possível completo. É necessário por fim que jamais falsifique as informações, atribuindo a cada pensador ou teórico o que realmente disse ou ensinou. 

Como no entanto é e deve ser a Escola, como salientou Dewey, uma organização democrática destinada a criar democratas, é natural que haja ampla liberdade de ensino, resultando desta abusos e confusão. No entanto é melhor conviver com os abusos de uma educação democrática ou liberal do que estabelecer uma educação autoritária no sentido de estabelecer um currículo fechado verticalmente imposto por ideólogos ainda piores. Aqui a atuação do sectarismo seria ainda pior e a emenda sairia pior do que o soneto. Melhor cometer equívocos por excesso de liberdade do que criar um currículo fechado, sectário e aparentemente objetivo.

Julgo no entanto que em meio a uma saudável esfera de liberdade deva haver um critério ou padrão sumário. De modo a evitar-se qualquer tipo de pregação ideológica semelhante a dos pastores e fanáticos. Concordo com certos críticos e reconheço que não é aconselhável ou de bom tom converter o plano de aula em catecismo comunista, fascista, nazista, capitalista ou anarquista. E julgo que o educador deva ou seguir o currículo, em parte completo, oferecido pelo Estado ou em caso de objeção, criar um roteiro completo e abrangente, que lhe permita circular com a sala pelas principais teorias ou doutrinas que compõem o ensino de sua disciplina. 

A melhor solução todavia me parece acompanhar a curiosidade dos alunos estimulando-os aula após aula a tirarem suas dúvidas ou a fazer perguntas. Creio que o melhor método consista em ouvir os educandos, permitindo, sempre que possível que a demanda intelectual e teórica parta deles. Dar voz ao aluno (E até empregaria o termo 'protagonismo' caso não estivesse batido.) é uma solução excelente. Quando uma pergunta parte de um aluno toda e qualquer restrição é criminosa parta do professor, d diretor, do dirigente, do secretário da Educação, do Governador, do ministro ou do presidente da República... Pois esse aluno tem direito ao saber, ao conhecimento a uma resposta consistente. 

Ofereçam o roteiro ou o currículo aos alunos e não hesitem, em caso de interesses divergentes, passar ao sufrágio. Permitam que o grupo ou a sala escolha o curso das aulas, que estabeleçam as prioridades. Convoquem os educandos a opinar. Partam da demanda ou da solicitação da turma e o ensino será democrático. 

Se os alunos perguntarem sobre o comunismo, exponham honestamente os ensinamentos de Marx, mesmo quando discordem dele. Se questionarem sobre o anarquismo ofereça-lhes Godwin, Stirner, Proudhon e Bakhunin, e Sorel; ainda Tolstoi, Kropotkin, Ellul, etc Se pedirem informações sobre o fascismo exponham fielmente as opiniões de Mussolini; e assim sucessivamente sem medo, receio u temor - Pois tal é a missão de um bom professor: Informar seus alunos. 

Partam dos alunos e não de vocês, é o que aconselho a todos os professores, inclusive aos sectários. E cessem com essas pregações impositivas e toscas. Do contrário os autoritários vão usar esse argumento contra a liberdade de ensino e convencer muita gente. 

03) Gnoseologia -

Sou por uma Gnoseologia forte e positiva.

Noutras palavras sou partidário de um dogmatismo moderado ou da possibilidade do conhecimento. Portanto contrário a afirmação cética, alias contraditória em si mesma, a menos que o ceticismo corresponda a uma exceção enquanto única verdade. Caso o ceticismo deva ser posto em dúvida que credibilidade merece ele? É uma proposta frágil e insegura.

Ademais pressupõe o ceticismo uma antropologia pessimista ou negativa, a qual é, por definição artificial, partindo sempre de crenças ou mitos, jamais duma análise sóbria da própria natureza. 

Caso Sorel alegue que é o dogmatismo ou a antropologia otimista dos antigos gregos fruto de sua realidade social, respondemos que a antropologia pessimista é fruto de conjuntura social ingrata, posterior a morte de Alexandre e a decomposição de seu Império... Dos epígonos, dos diádocos, etc

Ademais esse tipo de antropologia intrusa teve já seu roteiro e sua gênese traçada, reportando ao misticismo oriental, assim a Buda, a renúncia da vontade e ao nirvana. Haja visto que Pirro de Elias, segundo Laércio e outros doxógrafos gregos, havia sido ouvinte dos bicus... Nada de Filosófico aqui.

Para além disso admitimos que o otimismo ou realismo antropológico, em que pese seu caráter natural e naturalista, seja assimilado com mais facilidade por uma sociedade afortunada e segura de si. A admissão de um determinado padrão antropológico não é alheia ou indiferente a uma dada condição social, o que não significa que derive necessariamente dela.

Outro o caso do pessimismo. O qual jamais se sustentou sem petição a algum mito ou crença religiosa. O que continua sendo válido em nossos dias e em nossa cultura - Em que o pessimismo antropológico e cognitivo de modo geral é tributário do agostinianismo (Assim do Jansenismo, do luteranismo, do calvinismo e do protestantismo...) e este enfim do Maniqueísmo, Ideologia muito mais mazdeísta ou zoroastriana do que Cristã. 

Mesmo a igreja apostólica romana, admitindo um agostinianismo diluído, em diversos graus ou níveis, não deixou de portar e transmitir alguma dose desse veneno. Cuja aceitação por sinal, foi potencializada pela queda do império romano e pelo advento dos bárbaros germânicos no Ocidente e pelo advento do islã no Oriente. 

Nada de sério no pessimismo antropológico ou em seu resíduo cognitivo, mero epifenômeno de lendas religiosas potencializado por situações de crise ou decadência - Como a nossa... E reforçado seja pela baixa estima seja por um falso sentimento de culpa inconsciente.

Compreensível que nossa civilização decadente se tenha convertido em viveiro ou sementeira do Ceticismo. 

No entanto o que devemos considerar é a condição do ser humano. 

04 - Por que?

Porque o ser humano demanda pelo saber ou pelo conhecimento como demanda por água e alimento.

Alias enquanto o corpo demanda por água e alimento, a mente demanda pelo saber do qual se alimenta.

Admitir que jamais obtemos qualquer tipo de conhecimento e que nossa ignorância seja invencível é dar nossa espécie por frustrada. 

Coisa admirável, demandar a vontade por algo que esteja acima de nosso alcance ou seja impossível.

Além disso parte da espécie esta persuadida de que nosso aparelho cognitivo seja eficaz. 

Diante disto seriamos autorizados a concluir que as laranjeiras e bananeiras ao produzirem laranjas e bananas cumprem com sua função ou atuam conforme a natureza.

Nós no entanto apesar do propósito e de um aparelho cognitivo, falhamos... sendo como que abortos da natureza. Situação patética e dolorosa.

Estrelas, montanhas, árvores e vermes são mais felizes do que nós por não terem mínimo grau de consciência. Nós no entanto temos consciência para perceber que somos presas duma ignorância insuperável. 

Nada mais dramático do que ter consciência da própria ignorância e saber que nada pode ser feito para remediar tal condição.

Por tal via se chega muito rapidamente ao nihilismo crasso e logicamente ao suicídio.


05 - Epistemologia?

Sou partidário do realismo objetivo vinculado a escola de Aristóteles e dos escolásticos medievais, ou se preferem o senso comum de Th Reid. 

Quero dizer com isto que admito a existência da verdade, de algumas verdades absolutas e de certas verdades relativas porém não menos verazes.

A parte é maior do que o todo. Penso Logo existo. É o homem um ser para a morte.

Aqui quem duvida passe ligeiro a demonstração.

Recebo o óbvio ou o axiomático como verídico assim o que é comunitária ou socialmente percebido, embora hajam exceções. Nossos sentidos são limitados e por vezes falham, o que não significa que falhem sempre ou que nos enganem a todo momento.

Alias por ser limitado nosso conhecimento não se torna falso ou errôneo, pois são conceitos ou perspectivas distintas.

Considero não apenas válida como profunda a resposta dada por Antíoco de Ascalon aos relativistas e subjetivistas de seu tempo: Caso a experiência fosse criada pelos sentidos cada qual criaria a sua experiência e a sua verdade. Cada qual conceberia um mundo a parte e jamais nos poderíamos entender. Se nos entendemos é porque existe um fundo comum percebido por todos. Uma vez que aqueles que possuem a mesma qualidade dos sentidos percebem as mesmas formas, cores ou sons sem prévio acordo somos levados a concluir que as impressões sensoriais procedem não dos sujeitos cognoscentes e sim das coisas ou dos objetos.

Dizer que uma caneta é ou pode ser um lápis segundo a vontade do sujeito é emprestar demasiado poder as palavras. O que por birra ou capricho dizemos não muda a natura das coisas, e o contrário disto é o velho antropocentrismo. Semelhante aquele outro princípio falacioso segundo o qual existe o que é percebido... Todavia as estrelas e mundos que nos vemos continuam a subsistir sem das a miníma importância para nós ou nossa percepção. De fato você pode dar a um alfinete o nome de preskia, o alfinete no entanto continuará sendo aquilo que é, algo que pontudo que serve para furar. Também pode chamar um copo de avião, agora demonstrar que seja avião, entrando nele e decolando, esta acima de suas forças. De fato toda essa questão segundo a qual posso fazer dos objetos ou das coisas o que quiser é sempre pura balela, no máximo mudamos os nomes, não a essência das coisas. É um jogo de palavras miserável.

O que a coisa ou objeto é para cada um de nós ou para os indivíduos é irrelevante, importa o que os objetos ou coisas são em si mesmos e o que informam-nos sobre si mesmos. 

06) Verdade?

Relação de equivalência entre dado objeto ou coisa e nosso intelecto. Quando nossos sentidos detectam algo que se encontra presente no objeto temos este fenômeno relacional que é a verdade. Alias a verdade é sempre relativa, não quanto a vontade do sujeito, mas quanto ao objeto que é seu critério. 

Quando um grupo de estudantes percebe a forma retangular do quadro negro temos uma verdade. Quanto uma turma percebe a cor azul do armário temos outra verdade. Cada vez que atribuímos ou negamos determinada qualidade a um ser em conformidade com sua condição temos a verdade.

07) Critério ou padrão?

A evidência ou algo que nos é seguramente transmitido ou revelado pelo objeto ou, simplificando, a coisa ou o objeto.

08) Não o sujeito ou o aparelho sensorial?

De modo algum. O aparelho sensorial ou cognitivo limita-se a apropriar-se de um dado ou de um aspecto transmitido pelo objeto. Percebem os sentidos aquilo que está no objeto equivalendo portanto a um simples meio ou veículo. Percebemos através dos sentidos e não os sentidos. O quanto percebemos pertence ao objeto e nele se encontra.

09) Método, roteiro ou caminho?

Principiamos pela sensação e chegamos a relações bastante complexas que partem do Silogismo percorrendo um longo caminho: Sensação, Percepção, Abstração, Comparação, Conceito, Juízo (Que é uma relação afirmativa ou negativa entre dois conceitos) e Silogismo, a partir do qual temos diversas formulações lógicas. Isto quanto a nossos processos cognitivos triviais e comuns, a respeito dos quais nem sempre estamos conscientes ou fazemos quaisquer observações.

Caso atentemos ao esquema perceberemos que o conteúdo do conhecimento principia com a ação dos sentidos i é com a sensação e a percepção, posto que ao nascer não trazemos ou portamos qualquer conteúdo formal. O que, como já dissemos, não quer dizer que não portemos uma orientação esquemática, como uma espécie de programação de computador, destinada a ordenar o conhecimento adquirido. 

Com a abstração e a partir dela entramos nesse universo mental, lógico ou racional, que nos leva a formulação não apenas de silogismos mas de fórmulas, leis e teorias. 

Pois o roteiro do que conhecemos por ciência obedece ao mesma ordenação comum. Posto que inexiste experiência pura que por si mesma converta-se em fórmula, lei ou teoria. De fato se o ponto de partida para a Lei ou a Teoria são os dados coletados pela ciência, os esquemas de análise e síntese fogem já por completo a experiencialidade pura, correspondendo a operações mentais. Isto para não falarmos na na formulação daquela relação de termos que procede da natureza mesma das coisas. Essa relação, que é a Lei, é aduzida ou formulada pelo sujeito partindo de conceitos comuns que não são, necessariamente falando, objetos da experiência. Nem poderíamos levar a experiência aos primeiros princípios ou aos axiomas sem fazer eterna petição de princípios...

De modo que a ciência não é apenas experiência mas uma reflexão ponderada sobre os resultados da experiência dentro de um aparelho conceitual definido.

Segundo a visão equilibrada do Conceitualismo o conhecimento, seja qual for, resulta da ação comum e coordenada dos sentidos ou da experiência e do raciocínio ou da reflexão. Sendo fruto da empiria e da razão. Empirismo crasso e racionalismo crasso não passam de posicionamentos extremistas e equivocados. 

10) Metafísica?

Como já foi dito por Schopenhauer "É o homem um animal ou ser metafísico." 

E mesmo sem querer faz metafísica.

Por isso não partilho dos preconceitos do luterano I. Kant, alias tomados ao irracionalismo de Lutero, tributário de Ockhan e enfim do já citado Agostinho com sua antropologia pessimista. Nada de consistente nessa filosofia alemã, espécie de protestantismo secularizado. Prefiro, decididamente a Filosofia grega ou clássica, a qual não tinha vergonha alguma de ser metafísica.

Alias o ateísmo e o materialismo tão em moda nestes nossos tempos são metafísicas, ainda que muito mal formuladas. Apenas o agnosticismo, que é uma espécie de ceticismo limitado ao raciocínio, não seria tão metafísico. Incerta ou dúbia a posição de Kant pelo simples fato de ter buscado estabelecer limites ou fronteiras, o que ao contrário do ceticismo crasso supõem sim uma metafísica, da qual os positivistas são tributários. 

De qualquer modo ou maneira nada me parece mais monstruoso do que os ateus e materialistas clamarem contra a metafísica. Sabe ao espiritismo kardecista apresentando-se como científico. E ao próprio positivismo. Tudo bem século XIX... Pretensa objetividade. 

Bem nós não buscamos disfarçar qualquer coisa, e fazemos metafísica séria e consciente a partir de um aparelho conceitual aristotélico sujas fontes chegam a Parmênides e a Anaxágoras.

Nem seria possível negar a metafísica ou arbitrariamente a Ontologia ou a Teodiceia apenas sem tocar a gnoseologia e a epistemologia tão habilmente manejadas pelo alemão, e o que é ainda pior ou mais grave, sem comprometer a estética e enfim a Ética. Embora Kant tenha tentado salvar a Ética em sua 'Razão prática' desde Litreé, Levy Bruhl e Ayer, o qual proclamou-a como sem sentido e vazia de significado. 

Enfim declarar que nossos conhecimento é aparente, provável, ilusório, superficial ou convencional e não essencial ou real me parece pior do que o ceticismo que nega possibilidade. Melhor negar a possibilidade do saber do que converte-lo numa farsa ou em algo não consistente. 






terça-feira, 29 de novembro de 2016

Reforma Escolar - Destinada a formar que tipo de homem?






Segundo o imaginário do senso comum é a educação um ato neutro fornecido por uma entidade impessoal que é o governo.

Ainda dentro desta perspectiva o governo oferece as mesmas oportunidades educativas a todos os cidadãos, os que desejam aprender e se aplicam são bem sucedidos, os que não desejam aprender ou não se aplicam suficientemente sofrem as consequências.

Aqui podemos continuar dormindo no 'berço esplêndido' da pátria amada no país das maravilhas de Alice.

A realidade no entanto é bom outra e quem o diz não é o barbudo subversivo do Karl Marx responsabilizado por todos os males que acometem a pobre humanidade, mas nosso sisudo, querido e bem comportado Max Weber aquele mesmo sociólogo germânico que revelou ao mundo científico as afinidades eletivas ou culturais existentes entre o protestantismo e o capitalismo.

Acompanhe-mo-lo para ver se aprendemos alguma coisinha...

Segundo M Weber o governo também ele é formado por pessoas ou seres humanos, os quais sendo livre atuam segundo o critério da intencionalidade.

Logo também o governo tem determinadas intenções voltadas para determinados fins.

Importa portanto saber quais sejam tais fins.

Na perspectiva de um governo formalmente democrático inserido na corrente ordem mundial e sua pressuposta ortodoxia econômica é evidente que o governo devendo produzir empregos e cuidar da segurança - omitindo-se quanto a tudo mais - esta voltado para as necessidades de um mercado financeiro, devendo inclusive - segundo os preceitos da cartilha neo liberal - subsidiar ou secundar suas iniciativas.

Por isso que no instante mesmo em que escrevemos estas linhas o governo golpista empossado há seis meses, forceja, com apoio do Congresso golpista, aprovar uma série de medidas impopulares exigidas pelos empresários e capitalistas. Refiro-me ao corte de gastos públicos que ao invés de incidir sobre os proventos e benefícios auferidos pelos próprios parlamentares, militares e juízes incidirá fatalmente sobre os programas de ajustes sociais implementados pelo governo anterior e traduzir-se-a em cortes nas áreas da Educação, da Saúde, da Habitação, etc

Alias o objetivo de tais cortes não se limita apenas a carrear mais dinheiro aos fundos de investimentos destinados a socorrer bancos e empresas em vias de falência devido a má administração ou crises econômicas mas também e acima de tudo a provocar uma intensa queda qualitativa em termos de serviços públicos e consequente insatisfação popular.

O roteiro é mais ou menos este: Os cortes acarretam queda de qualidade nos serviços públicos. A queda que qualidade provoca a insatisfação popular face a tais serviços. A mídia venal explica dizendo que todo serviço oferecido pelo governo ou pelo poder público é necessariamente mau por ser público e sugere a privatização de tais serviços. A privatização fecha este ciclo, parte dos fundos arrecadados vão para as contas secretas no exterior (serão destinadas a propaganda política dos partidos privateiros) e parte servirá para engordar ainda mais os fundos de investimentos públicos destinados a amparar a iniciativa privada.

Se tudo quanto acabei de escrever não esta perfeitamente de acordo com a cartilha dos neo liberais dou o pescoço a corte.

A conclusão aqui salva a vista: Temos uma intencionalidade neo liberal no controle do governo.

Uma intencionalidade social, keynesiana ou humanista na Escandinávia...

No Brasil uma intencionalidade neo liberal em ascensão após o último golpe de estado promovido e apoiado pelos setores da direita.

Expusemos as necessidades econômicas voltadas para o Mercado. Uma questão simples e prática.

No entanto os liberais sabem melhor do que o sr Marx ou sr Mauss ou o sr Sombart que a afirmação do liberalismo econômico depende de um substrato fornecido pela cultura e destinado a alimentar um ideal liberal economicista de homem.

Por isso os políticos conservadores Norte Americanos estudam sociologia. Por isso desde os anos 50 investem no pior tipo de fundamentalismo religioso. Por isso preocupam-se com o fenômeno educativo. Porque aspiram cimentar ou produzir uma cultura liberal e um homem liberal.

E todos os esforços educativos, inclusive públicos são empreendidos neste sentido: de reproduzir uma cultura liberal economicista e de predispor os jovens e crianças ao individualismo.

Pois o capitalismo ou liberalismo nada mais é que uma forma de individualismo inserido na economia.

Se você não pensa individualisticamente não será anarco individualista, não será protestante, não será capitalista. Se a consciência é dominada em maior ou menos grau por preocupações em termos de sociedade ou grupo inspiradas por um ethos fraternalista, o capitalismo não se afirma e o sujeito identifica-se com qualquer outra forma de socialismo, da social democracia e do keynesianismo ao comunismo.

Capitalista ou liberal é que não será a menos que tenha abraçado o princípio letal do individualismo por qualquer outra via seja política (anarco individualismo/stirnerianismo) ou religiosa (protestantismo).

Todavia como nem sempre é possível introjetar tais valores por meio da educação formal ou estatal o líder individualista ou o capitalista militante receberá sua formação por via da família e esta de algum coletivo anarquista, protestante ou capitalista; a menos é claro que tenha sido educado nos EUA ou numa instituição privada que tenha transplantado tais ideais para cá.

Importa saber que apenas o elemento ativo ou direito das elites deve ser consciente de seu papel dominante.

Não se pode formar adequadamente um homem liberal por meio da educação pública brasileira, isto pelo simples fato de que esta educação deva ser neutra o isenta, o que frustra obviamente as ambições do liberalismo.

Na impossibilidade de produzir um homem liberal em larga escala contenta-se o liberal brasileiro ou o programa que lhe dá suporte em produzir uma cultura da estupidez ou da ignorância.

O que é sumamente fácil.

Bastando para tanto implantar um modelo educacional duplo e ao menos em parte tecnicista. Cujo currículo seja alijado dos conteúdos humanos.

Assim da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia, da Geografia e acima de tudo da História.

Produzindo um tipo alienado ou mutilado de ser humano. O qual limitando-se a ler e a calcular, a manipular certas fórmulas e a fabricar certos objetos ocupe o lugar que lhe foi dado pelo governo ou melhor pelos dirigentes da Sociedade i é um ligar de executor, empregado, gerenciador ou subalterno.

Um tipo de homem tão bronco, tão estúpido, tão idiota, tão desprovido de esperanças e ambições que predisponha seu filho a assumir seu lugar e toda sua descendência a reproduzir passivamente sua docilidade, até o dia do juízo final. Preservando o status quo dos senhores i é dos proprietários.

E assim será o homem que nada compreenda criticamente a respeito da vastidão do universo, da evolução dos seres vivos, da formação e organização das sociedades, da produção e distribuição de bens, da estrutura política, da justiça, da liberdade, do bem, do mal, da ética, do espírito científico; enfim da vastidão do mundo em que vive e seus problemas.

Tudo isto faz parte de sua condição, está de certo modo presente em sua vida, limita ou amplia a esfera de sua atuação e por isso este homem deve ter consciência de cada um destes aspectos da realidade. Para saber ao menos que poderia ser diferente e ocupar um espaço distinto e exercer uma função distinta e que as coisas não são como são porque devem necessariamente ser assim...

Este homem dificilmente contemplará passivamente um sistema largamente produtor de injustiças... Alegando que sempre fora assim ou simplesmente que é bom porque dá certo.

Se de fato os capitalistas estão dispostos a insistir que tudo sempre foi assim nas Idades primitiva, antiga e média são tão mentirosos ou supersticiosos quanto seus adversários comunistas igualmente predispostos a ver o capitalismo em todas as fases da História humana. Neste caso o liberalismo compactua com a mentira e alimenta-se dela... E não é melhor que seu adversário.

Por outro lado se o Capitalismo deve ser aceito pelo simples fato de ter dado certo sejamos honestos e coerentes reconhecendo a dignidade do nazismo. Pois digam o que disserem seus críticos ele deu muito mas muito certo enquanto existiu e só pode ser esmagado pelo execrado bolchevismo do sr Stalin com suas divisões... Não pelo maravilhoso capitalismo, a depender o qual o mundo inteiro - ou ao menos sua parte ocidental - seria ou estaria nazista e provavelmente muito bem ou menos mal... (Economicamente falando) Em que pesem as monstruosidades e abominações do nazismo. Isto porque ele foi prático e deu certo... Felizmente havia um Stalin no meio do caminho. O que nos leva a questionar os caminhos e o sentido da História uma vez que este Stalin foi fruto da Revolução de 17 e esta de condições russas específicas como a religião Ortodoxa, o Czarismo, etc

O que quero dizer é que um homem imbuido de cultura humanista dificilmente engolirá a vã prosopopeia - vulgar e anti ética - do liberalismo economicista, como recusar-se-a a engolir os venenos totalitários da cultura de morte como nazismo, fascismo, comunismo, etc partindo em demanda de outras soluções sociais fornecidas pela experiencialidade social e histórica do gênero humano.

Este homem instruído e reflexivo, critico e ousado será antes de tudo crítico e muito pouco disposto a contentar-se com respostas prontas destinadas a alimentar determinados tabus sociais.

Assim se não é possível patrocinar descaradamente a construção da besta liberal importa impedir a formação deste modelo humanista de homem por meio de uma educação superficial, mutilada e tecnicista de cujo currículo sejam subtraídos a Psicologia, a Filosofia, a Sociologia, a Arte, a Geografia e sobretudo a História, nobre mestra da vida.

É o reducionismo tecnicista implantado nos domínios da educação, melhor caminho para produzir e reproduzir uma geração de estúpidos, imbecis, idiotas e alienados destinados a mais rude servidão.

Este é o projeto deseducativo oferecido por um governo golpista que não pode subsistir-se nem sustentar-se senão a custas de massas acríticas e docilmente manipuláveis.

Pode o homem optar conscientemente pela ignorância ou pelo não aprender desde que esteja disposto a pagar o preço social exigido por sua opção. Não obtendo formação, título ou diploma.

O que não pode é a Sociedade conceder amparo legal a esta opção empobrecendo ela mesma o currículo. Humanidades não é coisa que se possa escolher, por de lado ou desprezar sob quaisquer alegações pelo simples fato de TODOS SERMOS HUMANOS.

De todos termos caráter, mente, pensamento, percepção, princípios, valores... Elementos que por isso mesmo devem estar presentes no conteúdo curricular.

Pois é sob tais elementos que construímos aquela vida ética responsável pelo direcionamento da técnica e da vida.

No entanto se a Escola ou a Sociedade estão mesmo dispostas a relegar tais elementos ao setor privado da vida humana, furtem-se de condenar o nazismo, o fascismo, o comunismo e a teocracia... e preparem-se para tolerar todas as culturas da morte.

Agora se pretendemos construir uma ética da essência o melhor lugar para discuti-la é no ambiente escolar, no espaço da disciplina de Filosofia.

Tal nosso projeto humano e humanista de pessoa. Em oposição ao projeto tecnicista posto a serviço da alienação.


A falácia da reforma do Ensino





Qualquer sociedade que pretenda implementar dois tipos de 'ensino' diferentes, um 'intelectualizado', para a elite dirigente e outro para os técnicos, assume o encargo de decidir e determinar o futuro de seus membros.
Dirigir pessoas para funções de execução, alegando que estão escolhendo qualquer coisa, quando não verdade estão sendo sutilmente orientadas por uma realidade hostil e excludente é a mais refinada maneira oprimi-las.
É atitude destinada a alimentar o conformismo em torno de determinadas estruturas sociais que as elites dirigentes não desejam ver questionadas, quanto menos reformuladas. É modo porque cada um é posto em seu devido lugar e as diferenças históricas reproduzidas.

É modo porque o filho do médico continua sendo médico e o filho do funcionário continua sendo funcionário.

Penso que este tipo capcioso de política educacional esteja vinculado a polícia de cortes financeiros sempre voltados para o setor da educação.

Antes de tudo o governo golpista cortará os subsídios destinados a incluir os jovens de periferia nos cursos universitários. Em seguida criará ou ampliará ainda mais os cursos técnicos destinados a execução...

O trabalho da natureza será bastante simples: Por verem suas oportunidades educativas - no sentido de frequentar algum curso superior - drasticamente reduzidas tais jovens serão levados a abraçar o que lhes é oferecido i é as migalhas ou esmolas representadas pelo ensino técnico.

Sem maiores perspectivas, desesperançados e angustiados parte destes jovens aceitarão de bom grado a 'oportunidade' que lhes é oferecido por um ensino de segunda categoria destinado a formação de funções subalternas e não mais cobiçarão as vagas destinadas aos filhos da elite.

A simples diminuição da oferta de vagas disponibilizadas pelas universidades privadas conveniadas com o poder público determinará uma escolha que de modo algum será livre.

Por falta de investimentos educacionais não poderão escolher algo melhor.

Tampouco os pais acreditarão que seus filhos sendo pobres e estando inseridos em escolas públicas serão capazes de concorrer com os filhos dos ricos e de suplanta-los... Pelo que pressionarão seus rebentos a tomar a via mais 'realista' do ensino técnico.

A tendência dos mais humildes será oriental seus filhos desde pequenos para o ensino técnico e tirar de suas cabecinhas qualquer ambição em torno de um curso clássico destinado a inseri-los na faculdade Pública.

Os pais de origem mais simples encaminharão seus filhos instintivamente para o que esta mais próximo da realidade vivida por eles em termos de curso técnico e funções subalternas.

Eles mesmos, admitidas as exceções, não acreditam no potencial sócio transformador da educação, ao menos da educação pública.

Inserir dois tipos de cursos diferentes no Ensino público brasileiro: Um voltado para a escola técnica e outro para o ensino superior será como lançar água fria na fervura as famílias mais pobres.

As quais, caso coloquemos de lado os programas de inclusão universitária mantidos pelo Estado, em geral nutrem bem poucas esperanças, alias as mais rasteiras.

Satisfazendo-se com que os filhos sobrevivam como sobrevivem e que não morram de fome.

***

No entanto cada pessoa faz jus não a uma educação parcial voltada para o trabalho ou a função apenas mas a uma educação plena, ampla, profunda, integral e humana.
EDUCAÇÃO QUE A FORME E INFORME A RESPEITO DE SUA CONDIÇÃO, DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL, DA PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DE BENS, DA ÉTICA, DA JUSTIÇA, DA LIBERDADE, DA CIDADANIA, DA CIÊNCIA, DO MUNDO EM QUE VIVE, ETC
É por uma educação que transcenda a pura e simples sobrevivência, as necessidades econômicas, a esfera mesquinha do trabalho, aos preconceitos familiares e sociais que pugnamos. Educação que personalize, que produza pessoas, que forme cidadãos críticos e reflexivos, que estimule o pensamento livre e a criatividade; eis nossa meta.

Afinal se o sujeito não lê o mundo em que vive, não o compreende, não se posiciona face a ele, não dialoga com ele e resigna-se a aceita-lo ou a inserir-se nele. Se o sujeito não tem esperança... Se é incapaz de antever outras possibilidades é o maior analfabeto. Inda que saiba ler e calcular muito bem.

Esta compreensão humana, global e totalizante é que o educador humanista aspira partilhar com seus alunos. De modo a que possam partir e contestar, criticar e dialogar com o mundo. Visando sua transformação.

Educação deve ser compreendida como algo dinâmico, destinada a alimentar esperanças em quem jamais teve e não em formar subalternos, súditos, empregados, funcionários, servidores, etc

A todos queremos dar ao menos a oportunidade de serem iguais, partindo da liberdade como condição comum a ser ampliada.


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Subtrair tal tipo de educação - integral e formativa - a pessoa, é certamente a melhor maneira de mutila-la, de diminui-la e de comanda-la. É arranca-la de suas condições e aliena-la. É negar-lhe sua identidade comum. É restringir suas potencialidades. É frustrar sua plena realização...
O mínimo que uma Sociedade inepta para incluir a maior parte de seus membros numa esfera superior do ensino pode fazer é propiciar-lhe uma educação humanista - de cujo currículo façam parte efetiva a Sociologia, a Psicologia, a Filosofia e a Arte (musical inclusive) além é claro da História (Que é a mestra da vida) e da geografia - já nos ensinos Fundamental e Médio!!!
Um Ensino técnico só é viável e aceitável quando seu currículo contém uma dose mínima de conteúdos humanos, destinados a alimentar a vida ética, a tolerância, a cidadania, o espírito científico, a dimensão da arte...
Eliminar por completo as disciplinas humanas de qualquer esfera do ensino público ou curso implica alienar e desumanizar esse homem com premeditado intuito de comanda-lo!
Em que pese a importância - reconhecida - das ciências exatas e da técnica para a vida, é apanágio exclusivo das ciências humanas ampliar e aprofundar a reflexão sobre o sentido das coisas bem como a direção da vida e dos atos humanos
Ignorar isto é ignorar Sócrates e todo legado clássico ou helênico que nos precede.
Xenofonte, lá no comecinho da 'Memorabilia' apresenta-nos Mestre Sócrates questionando a respeito de quem comanda e direciona a técnica e considerando que o conhecimento primordial é o conhecimento de si mesmo e da virtude, dos direitos, dos deveres, do bem e da justiça.
Pois a técnica será direcionada segundo tais valores.
Técnica é bom mas segundo Mestre Sócrates não produz consciência Ética que toque ao que seja bom ou mau, virtuoso ou viciado, certo ou errado...

A consciência Ética brota por assim dizer da consideração de determinadas situações humanas.

Jamais contempladas pela matemática, a física, a química ou mesmo a alta biologia.

Portanto se assumimos um discurso ÉTICO sejamos coerentes e admitamos a proeminência das ciências humanas e a necessidade de uma educação integral i é ao menos em parte humanista.

Do contrário resignemos a não viver este padrão ético de vida.

Sejamos enfim honestos e coerentes porque a dimensão ética da vida não brotará de declinações verbais, equações, inequações, tabelas periódicas, etc...

Ah deixaremos a ética, numa perspectiva relativista e subjetivista, ao encargo de cada indivíduo (o qual poderá inclusive não ser ético rsrsrsrs). MAS ISTO JÉ É UM OPÇÃO IDEOLÓGICA BASTANTE DEFINIDA E ANTI SOCRÁTICA E ANTI HUMANISTA. Na medida em que deixa antever não ter a ética muito valor ou a impossibilidade de estabelecermos uma ética comum... ORA TUDO ISTO É IDEOLÓGICO ANTI SOCRÁTICO E ANTI HUMANISTA...
Enfim uma educação de seja apenas e tão somente técnica e tecnicista sempre será mutiladora e miserável.
Implementar um tipo de Educação como este é semear com os nazistas, fascistas, comunistas, teocráticos e COM TODOS OS TOTALITÁRIOS ADEPTOS DA CULTURA DA MORTE.
Caso estejamos decididos a semear ventos não reclamemos quanto as tempestades e tormentas que sobrevirão em seguida!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Instruir ou educar?

Não sou radical.

As vezes radicalismo é necessário.

Devemos ser radicalmente justos...

Na maioria das vezes porém os radicalismos são maléficos.

Em educação há dois extremos bem distintos. Alias em educação há diversos extremos.

Um deles no entanto diz respeito ao instruir e ao educar.

Reflexo da velha e decantada 'oposição' entre teoria e prática.

Há vertente que opõem-se a instrução. Há até vertente que se opõem a existência da Escola e do professor...

Não sou contra a instrução, a escola, o professor...

Penso no entanto que tais realidades devam ser repensadas.

Aprofundadas, ampliadas, redimensionadas...

Classificar o ato de instruir como mau parece-me aberrante.

Mesmo no 'mundo da informação' instruir continua sendo necessário.

A carga de informação é tanta e tão grande que o homem moderno precisa aprender a lidar criticamente com ela.

O que exige a assimilação de certo elemento teórico.

A própria formação do hábito exige pressupostos teóricos.

Ser crítico é hábito que alimenta-se de teoria, que lida com teorias, que exerce juízo sobre teorias.

De fato quando o preceptor limita-se a instruir executa um trabalho incompleto e quiçá superficial.

Importa plasmar comportamentos e criar hábitos. Educar.

Toda instrução deve ser superada, completada ou ultrapassada pela educação.

Não se trata aqui de comunicar ou transmitir conteúdos; mas de fazer-se imitar, de contagiar com o exemplo, de revelar a possibilidade da auto educação enquanto processo que se perpetua durante toda vida.

Para além de ensinar a ler, escrever, contar, calcular, etc o educador de verdade deve fazer com que seus alunos gostem de aprender. Professor realizado é aquele que conseguiu despertar nos educandos o amor pelo saber!

Ser professor é aspirar por ser desnecessário e ficar contente por ter se tornado desnecessário. Que o filho aprenda a caminhar sozinho é o supremo desejo dos pais... que o educando aprenda a instruir-se, a obter as informações, a refletir, a julga-las, a posicionar-se criticamente, a exercer sua autonomia deve ser a meta do educador humanista...

"Que ele cresça e eu desapareça." deve ser nosso leme.

Educar é educar para a autonomia, para a independência, para igualdade.

Instruir ou informar é ato que por si só poderia prolongar-se por séculos sem jamais esgotar-se. Produzindo assim um laço de dependência. Educar é estimular a aquisição de posturas, de princípios, valores, habilidades, competências, etc que nortearão o processo educativo pelo resto da vida...

Instruir por si só não liberta a quem quer que seja. Educar é ato essencialmente libertador.

Instruir é comunicar conceitos ou teorias via de regras por meio da palavra oral ou escrita. Implica despejar em maior ou menor medida. Implica orientar, guiar, corrigir, etc o que não deixa de ser necessário, especialmente nas séries iniciais.

Educar é coisa que se faz antes de tudo pelo exemplo.

Caso esperemos que nossos alunos amem a justiça, não basta declamar poesias ou fazer belos discursos a respeito dela. Mas praticar a justiça e ser inflexivelmente justo em sala de aula; jamais compactuando com a injustiça.

Caso desejemos que amem a leitura, temos de ler em sala de aula com eles e diante deles, temos de leva-los a Biblioteca, temos de estimular e favorecer de todas as formas possíveis a leitura dos livros distribuídos na Escola, temos de tentar produzir gibis e livros com a turma... e não de sermoar.

Esperamos que nosso aluno apresente-se asseado na escola; antecipe-mo-nos e apresente-mo-nos sempre muito bem asseados em nossas classes.

Esperemos que nossos pupilos sejam corteses. Comecemos praticando a cortesia com eles e esbanjando fórmulas como: Bom dia! Com licença! Por favor! Muito obrigado! Nem posso crer que um educador de verdade sinta-se humilhado por ser amável e cortes com seus alunos! Antes julgo que se não é fácil ao menos tentar sorrir para eles, a causa esta perdida...

Problemático é educar com a cara feia...

Ninguém sabe disto melhor do que o governo.

Para o qual é sempre bom negócio transformar escolas em Val de lágrimas ou calvários estudantis... em espaços opressores, em que os alunos se sentem mal, e em que encontram dificuldades para aprender.

Se há alegria, felicidade ou prazer o educador esta a meio passo de consumar sua tarefa...

Educar é tarefa a que muito facilita o contentamento e a que muito atrapalha o desconforto.

Assim se o aluno encara a escola como um espaço triste, desagradável ou chato nossa tarefa fica seriamente dificultada.

Sabem-no como registramos a pouco governos como o de São Paulo (estado) e Paraná. Daí buscarem dificultar ao máximo as vidas de seus educadores, restringir seus direitos, tornar suas jornadas penosas, humilha-los em sessões de HTPCs, esbordoa-los publicamente; em suma desvaloriza-los e desmotiva-los ao máximo até torna-los bárbaros, cruéis e insensíveis.

É o estado liberal responsável pela falência do processo educativo na mesma medida em que tira do professor a satisfação de ensinar, que mata nele o gosto pela educação, que priva-o das condições necessárias para amar e encarar seu aluno com carinho, que sobrecarrega-o com preocupações inúteis, que onera-o com tarefas desnecessárias, que transforma sua carreira num 'inferno' profissional...

Desampara o docente, permite que a estrutura material se desmantele, recusa-se a produzir as alterações espaciais necessárias... IMPLEMENTA - POR MEIO DUMA GESTÃO DESASTROSA - A FALÊNCIA DO ENSINO PÚBLICO, para em seguida propor sua privatização!

Para além disto, como já dissemos, o aluno aprende muito menos neste tipo de Escola... Não consegue sair da caverna, permanece preso as velhas e ultrapassadas formas de pensamento, e... impossibilitado de ultrapassar os preconceitos, fecha-se em seu mundinho para sempre.

É um tipo de educação que raramente produz qualquer sentido social, político, econômico... mais profundo, qualquer tipo de consciência mais refinada... qualquer tipo de questionamento mais sério. É educação falsa, que não produz ruptura, reflexão, posicionamento crítico, compreensão de mundo.

Num ambiente seletivo como este que pode fazer o bom professor, o educador consciente, o preceptor honesto???

Não quero ser pessimista e declarar que ele nada possa fazer.

Jamais desesperei do amor, do carinho, da justiça, da justiça, do bem, da virtude... mesmo que as condições materiais sejam dramáticas e as estruturas opressoras.

Mas também não posso crer que tais esforços possam alterar sensivelmente a dimensão social desta triste realidade.

Não possuímos um exército de mártires ou monges a serviço de uma educação humana.

Por outro lado não é desprezível o número de educadores que premidos pelas forças do currículo e da equipe gestora limitam-se a reproduzir mecânica e acriticamente o que é decretado, havendo também certo número de individualistas e carreiristas, os quais buscam manter seus cargos sem maiores preocupações.

Nem vejo como alguém possa 'educar' numa perspectiva ética sem sentir-se incomodado pela seletividade arbitrária do sistema.

Diante disto, que fazer?

Abandona-lo???

A educador algum que acalente o bom idealismo de inserir-se para fazer oposição ao sistema, direi que não o faça o que não valha a pena. Direi que será um grande desafio, que se aborrecerá, que sofrerá, que padecerá... mas de modo algum direi que não o faça ou que não vá.

"O coração tem lá suas razões que a razão desconhece."

Apesar de ter chegado a meus limites e de - ao cabo de quase dez anos - ter desistido posso dizer que tenho bons motivos para alegrar-me pelo pouco que pude fazer no contexto do Ensino público do Estado de S Paulo. E até posso crer que o pouco que fiz foi muito. Valeu pelas almas que da caverna retirei. Não sei e talvez jamais venha a saber quantas foram... mas valeu por elas.

Importa ter comunicado algum amor pelo saber, algum sentido de alteridade, alguma consciência de justiça, alguma estima pela cultura científica...

Sempre que necessário informei, corrigi, orientei mas, acima de tudo busquei educar por meio do exemplo.

Busquei levar a meus queridos alunos atitudes que perdurem no decorrer de suas vidas.

'Aprender a aprender', 'Aprender a ser' e acima de tudo 'aprender a conviver' foi o quanto busquei despertar neles. Enfatizando sempre a importância da prática, sem ignorar o valor da teoria. Busquei fazer ponte entre os extremos e indicar um meio termo.

Pensei sobretudo em formar pessoas solidárias.

Não intelectuais que fabriquem bombas e venenos...

Prefiro a ignorância dos que amam e buscam beneficiar seus semelhantes.

Prefiro uma lavadeira compadecida, que saiba compadecer-se de um animalzinho qualquer, a um doutor diplomado que chute um cão ou um gato.

Apesar dos diplomas, títulos, condecorações, medalhas, etc não confio em pessoas que torturam e matam animais, que maltratam os mais humildes, que tem preço por alto que custe.

Precisamos de homens ou mulheres que tenham valor, não preço.

De seres verdadeiramente humanos que não se vendam, não se prostituam e não negociem.

Que saibam se opor ao que esta errado e resistir.

Do contrário repetiremos os velhos erros do nazismo e do comunismo.

Nem me refiro ao outro sistema: que sobrepõem o TER ao SER!

Não podemos permanecer atrelados a estas culturas de morte.

Temos de educar para a justiça, o amor, o ser, a liberdade, a vida, o bem, a paz, etc E de educar por meio da linguagem mais poderosa que há: o exemplo.

Professor, professora: fale menos, viva mais. Sua melhor e maior lição é sua vida, não se iluda, não se equivoque, não se engane! Confie mais em suas ações do que em suas palavras!

Menos sermões e discursos fastidiosos; mais carinhos, sorrisos, abraços, beijos, afeto, cortesia, respeito!

Não tenha medo de construir vínculos afetivos respeitosos e saudáveis, pois como alerta Wallon, são eles que tornarão o ensino significativo para nossas crianças.

Se o aluno gostar de você não terá dificuldade em interessar-se pelos conteúdos ministrados. Se ele desgostar de você as chances de transferir tal desgosto para os conteúdos são enormes...

Então faça-se gostar, seja amável, jovial, entusiasmado! Apesar do Estado, dos problemas, do salário, etc se é a profissão que escolheu busque desempenha-la da melhor maneira possível. Pense sempre no professor que queria que seus filhos e netos tivesse e torne-se digno desta meta.

Não desista, não se acomode, não desanime; lute, lute como um leão.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Reflexões em torno do ensino tecnicista ou positivista

Teleologicamente (e não teologicamente) temos apenas duas correntes pedagógicas.

A que pretende inserir o ser humano na realidade existente, fazendo com que a ela se adapte sem questionar ou cogitar sua transformação - tal o ideário conservador! - e a que acena com a possibilidade da transformação ou da mudança; tal o ideário progressista.

Importa saber que as duas correntes são determinantes de matrizes curriculares bastante distintas.

Buscando inserir dentro de determinados limites o ideário conservador esta voltado antes de tudo para o saber cumprir determinadas tarefas relacionadas com determinada função; assim saber ler, escrever, contar, calcular e operar esta ou aquela máquina.

Fornecendo ao sujeito uma visão bastante limitada do mundo ou da realidade em que viva. Trata-se de um tipo de educação que sendo restrita, restringe as possibilidades do sujeito, determinando seu futuro...

Este tipo de educação conformista insiste que o sujeito deve trabalhar para ganhar dinheiro e ganhar dinheiro para viver. Quase nunca passa disto. Recusa-se e a indagar sobre a relação trabalho valor, sobre preço justo, salário família, fortuna e miséria, luxo e abastança, desigualdade social, justiça, etc É como se o 'ideal' inexistisse para ela... Existe apenas o real e ele é o que é.

Nem se supõem que façamos parte do real ou que possamos denuncia-lo, repudia-lo, critica-lo, redefini-lo, altera-lo... Apenas conserva-lo como é pela inserção ou adaptação.

Trata-se dum padrão educativo técnico ou tecnicista construído em torno de um saber fazer na maior parte das vezes desvinculado do todo.

Importa que saiba digitar os preços dos produtos no teclado e cobrar os fregueses.

Nada sobre a fabricação dos produtos, o trabalho empenhado, as matérias primas, a destruição do meio ambiente, os agrotóxicos, o latifúndio, o produtor assalariado, o consumidor, o atravessador, a inflação, o valor, etc CAIXA DE MERCADO NADA PRECISA SABER NESTE SENTIDO!!!

Basta que cumpra sua função, que se adapte, que aceite as coisas como são... sem questionar porque ganha apenas um salário enquanto o gerente ganha dez salários e o proprietário mais de cem ou duzentos salários.

É toda uma educação que não passa da superfície e que gira em torno de aparências.

Uma educação discriminatória e criminosa que determina funções e formas de vida, dispondo de pessoas como de peças num tabuleiro de xadrez.

Sua função é viver de salário e obedecer, enquanto a daquele jovem filhinho de papai, que nasceu em berço de ouro e cursa faculdade de engenharia é viver de renda e comandar.

Por isso ele haverá de cursar um tipo de ensino superior ao seu e ter acesso a saberes mais amplos... a que o vulgo profano não tem acesso.

É um tipo de ensino desigual pois reserva a alguns privilegiados apenas o 'segredo do reino'.

Comandam e comandam bem porque conhecem relativamente bem uma realidade que de modo algum desejam mudar.

É um tipo de educação anti ético na medida em que jamais questiona o que é ou a realidade existente em termos de princípios e valores como o bem e a justiça, assumindo os pressupostos materialistas do positivismo ortodoxo e concentrando-se apenas no que é dado.

E por ser anti ético é oportunista; uma vez que o estado de coisas a ser conservado não pode deixar de beneficiar a este ou aquele.

Conservar não é algo neutro mas ditado por uma intencionalidade consciente.

Não se conserva porque não se deve ou pode mudar mas porque não se quer e se não se quer é por que a situação beneficia a alguém.

Materialismo, positivismo ou tecnicismo tem dificuldade em trabalhar com o que deve ser, com o ideal, com a ética...

Já a educação humanista, progressiva ou integral preceitua que o educando, seja qual for sua condição social ou a profissão que venha a escolher tem o direito de conhecer a realidade como um todo, de multiplicar seus porques, de exigir explicações, de fazer perguntas, de questionar de criticar, de ampliar e aprofundar seus conhecimento, de tirar suas conclusões e de se for o caso, rebelar-se contra sua situação vivida, e opor-se a realidade que lhe é dada, e buscar altera-la segundo os princípios e valores que julga serem verdadeiros.

Para tanto não basta conhecer português, matemática e mais alguma técnica; mas estudar biologia, História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Psicologia, etc explorando cada setor do conhecimento humano e adquirindo uma compreensão mais abrangente em termos de realidade.

Implica saber o que é tempo, espaço, evolução, sociedade, razão, percepção, etc Conceitos sem os quais jamais poderá realizar-se plenamente como pessoa.

Não se trata de ocupar uma função remunerada ou um viver de salário mínimo; mas de formar a própria consciência integralmente buscando desenvolver todas as potencialidades; as habilidades e as competências.

Trata-se de ultrapassar os limites estreitos em que somos enclausurados pela sociedade econômica, e conhecer de fato o mundo que nos cerca e a realidade que nos condiciona. Trata-se de superar-se enquanto ser racional, livre e criativo.

Trata-se de  possibilidade de recusar-se a ser determinado ou de ter seu local, seu espaço, sua vida, definidos por outros!

Trata-se de assumir-se como agente do processo histórico.

É progressista a educação que recusa-se a restringir a existência humana as necessidades de um mercado econômico.

É humana e humanista a educação que fraqueia a todos os cidadãos livre acesso ao Ensino Superior.

É integral a educação cujos agentes buscam uma qualidade máxima, em que pese a falta de recursos materiais e a estrutura deficitária. 

Por todas as razões e motivos acima elencada não se pode alterar a matriz curricular de um sistema de ensino sem imprimir-lhe determinada direção.

Não é possível restringir o espaço das humanidades sem deixar de produzir tecnocratas sem consciência.

Não é possível falar em ética sem reconhecer o papel educativo da História, da Sociologia, da Filosofia, da Sociologia...

Não é possível ou conveniente reproduzir os mesmos erros funestos perpetrados pelos militares a quase meio século.

Tornando ao vomito da educação positiva e incompleta, responsável pela mutilação do ser humano.

Do contrário não poderemos fazer frente a afirmação das culturas de morte.

Antes assistiremos com as mãos atadas o triunfo dos fundamentalismos, do nazismo, do fascismo, do anarco individualismo, do comunismo... e a morte da civilização.

Eis porque devemos dizer Não ao ensino puramente tecnicista pautado apenas e tão somente no ensino do vernáculo e das ciências exatas em detrimento das humanidades.