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sábado, 15 de fevereiro de 2020

Observando o fenômeno religioso contemporâneo - Salmos, Evangelhos, seios, bundas e finalidade...


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Enquanto faço meu passeio vespertino cruzo com uns seios túmidos ou turbinados cobertos com uns versículos bíblicos tomados aos Salmos.

E como não poderia deixar de ser semelhante contemplação suscita meu senso crítico. Creio-me semelhante a diabetes que minha meu organismo, a qual me faz beber e logo em seguida ir ao vaso despejar... a semelhança do tonel das danaides... Na mesma medida em que leio, estudo ou observo sinto a necessidade de produzir algo, de registrar, de escrever ou mesmo de comunicar, embora a prioridade seja escrever para mim mesmo, e observar as futuras variações.

Por isso os tais seios cobertos por palavras que se creem divinas ou sagradas suscitaram minha reflexão.

Num mundo em que os fanáticos religiosos adoram bater na tecla da finalidade sexual - Em termos de uma estrita ortodoxia - penso que não seja honesto, mas leviano, restringir a tal finalidade a esfera da sexualidade humana. A coerência nos obrigaria a aplica-la as demais esferas da existência, assim a própria fé e seus veículos.

A leviandade e a incoerência no entanto parecem ser os pecados originais deste triste tempo.

Antes de tudo, quando contemplei aqueles seios, que muitos consideram como belos e que noutros tantos suscitam impulsos eróticos, e li as palavras gravadas sobre eles - Que bem poderiam ser: "Quem tem sede vem a mim e beba.", "Minha carne é verdadeira comida." ou qualquer frase isolada tomada aos Santos Evangelhos - não pude pensar em bundas, pênis ou vaginas... Órgãos contra os quais nada tenho em absoluto, ao contrário dos neo maniqueus.

Tudo quanto pensou Deus e chamou a existência, digno e puro é.

Pelo que não haveria maiores problemas, ontologicamente falando, em gravar tais versos, inclusive as palavras do Verbo Jesus sobre os panos ou tecidos que cobrem tais partes. Isto não me indignaria mais do que ve-las gravadas sobre os tecidos que ora cobrem peitos, barrigas ou costas... Para mim dá tudo no mesmo e não há diferença alguma. Se se pode ou deve gravar as palavras divinas sobre determinada peça de roupa destinada a cobrir uma certa parte do corpo pode-se revestir qualquer parte do corpo com tais peças, uma vez que o corpo assumido pelo Verbo Jesus é sagrado em sua totalidade e não há nele parte suja ou menos digna.

Claro que não me refiro aos Salmos ou a qualquer parte aleatória do antigo testamento, pelo simples fato de não ser judaizante ou partidário de um 'corão' cristão... A maior parte dos seios por sinal são mais puros, dignos e belos do que a maior parte das passagens da Tanak ou da Torá, inclusive dos tais Salmos. Não pelos Salmos... Pois como o grande Camilo Castelo Branco - autor do "Amor de perdição" - não os aprecio nem faço caso deles, a exceção daqueles que reportam-se profeticamente ao advento do Messias Jesus. Há por certo um sentido existencial nessas produções judaicas, há religiosidade sincera, grandeza e lirismo, o que por certo faz delas uma obra prima da literatura universal. Não o podemos negar... Todavia como Cristão, Católico e Ortodoxo prefiro e creio mais excelente a produção hinográfica do Cristianismo nascente ou medieval, assim as produções de Efraim, Ambrósio, Romanos, Prudêncio, Damasceno, Germano, André, etc O Simeron, o Akatistos, o Adeste, o Exultet, etc Em tudo isto vejo mais providência, presença do Espírito Santo, significado Cristão e fartura espiritual. Após o Evangelho é a hinografia Cristã primitiva que alimenta meu espírito. Pois o panorama ideal ou ético destes Salmos, em seu quadro geral, é bastante baixo, vulgar e grosseiro, haja visto os tais Salmos deprecatórios, cujo objetivo é amaldiçoar ou fazer mal aos inimigos, quando o abençoado Redentor obriga-nos a abenço-los, a suplicar por eles, a ama-los e a estar disposto a perdoa-los... Ora tais, Salmos, acham-se em franca oposição a este ideal sagrado e por isso, a exceção dos que apontam profeticamente para o Senhor Jesus Cristo, repito - Não faço caso deles, ao contrário dos fanáticos...

Pouco se me dá que sejam impressos em tecidos e ostentados sobre quaisquer partes do corpo humano, sejam elas bundas, barrigas ou seios. O problema aqui restringir-se-a aos fanáticos que encaram tais partes como sujas e irreverentes e os tais Salmos como divinos. Já vimos todavia que a coerência não é padrão para tal tipo de gente ou para as massas.

Outra coisa são as palavras de Jesus Cristo ou as passagens do Evangelho, as quais tomo a sério como coisa preciosa ou como regra de vida. Reconheço, como Liberal convicto, o direito de tais pessoas gravarem versos do Evangelhos ou as palavras Sagradas de Jesus sobre tecidos ou peças de roupa e cobrirem com elas quaisquer partes de seus corpos, mas, discordo resolutamente da prática, na qual não vejo qualquer sentido religioso ou espiritual. Claro que por uma questão de coerência ou de justiça, estendo esta crítica a moda, assumida pelos neo católicos ou carismáticos - Sempre levados a imitar ou assimilar práticas protestantes! - de imprimir as figuras de Jesus, da Virgem ou dos Santos sobre suas camisas ou camisetas, o que dá no mesmo. E como os católicos tendem a ser tanto menos complexados ou incoerentes há cerca de uns vinte anos ou mais, foi publicamente lançada, no programa da falecida Hebe Camargo, uma linha de roupas íntimas ou cuecas que traziam estampadas sobre si as figuras de Jesus Cristo e da Santa Virgem sua mãe. Nesse momento os mesmos puritanos hipócritas que a muito ostentavam as 'Sagradas ícones' sobre seus túmidos seios ou barrigas flácidas, puseram-se a gritar como loucos. Mas... por uma questão de princípios, cara a racionalidade católica, tinha de chegar onde chegou... Tal a imprudência e leviandade dos neo católicos que assumem práticas protestantes e julgam poder conte-las arbitrariamente em seus estreitos limites. Difícil conter os católicos, especialmente os moderados, já habituados a pensar criticamente o quanto não seja dogma...

O que quero dizer é bastante simples, a ponto de qualquer protestante sumariamente letrado ou de qualquer católico nutrido nos elementos do catecismo poder entende-lo ou até de aceita-lo, caso tenha boa vontade. Nada no Evangelho nos indica que as palavras do Mestre Jesus devessem ser impressas sobre tecidos com o objetivo de enfeitar peças de roupas destinadas a cobrir o corpo humano. Não foi certamente com este objetivo, cobrir ou enfeitar os corpos dos crentes, que o Senhor comunicou expressamente seus ensinamentos. O objetivo da palavra escrita é ser conservada fielmente, lida, meditada e enfim posta em prática. Outro não foi nem é o objetivo da palavra ou das cenas de nossa Redenção pintadas nas paredes de nossos tempos, tal o Evangelho dos analfabetos... Tudo isto, estendendo a pregação oral do Verbo foi posto para a leitura, a reflexão e a vida, não para adornar nossas vestes externas e corporais fazendo aparência.

As palavras do Mestre Jesus deveriam ter passado da oralidade original ao papel, as paredes dos templos e dai ao espírito ou ao fundo dos corações, para que se tornando vivas e operantes transformassem este nosso mundo. A modernidade superficial e leviana deu-lhes um novo e estranho caminho: Os corpos e peças de roupa!!! Convertendo-as em modas e pasme, marcas... A partir das quais se toma lucro! Os sectários protestantes já se precipitaram neste abismo farisaico, a ponto de comercializar peças de roupa marcadas com o 'nome' adorável... Aqui nossos amigos ateus, materialistas, agnósticos, budistas, xiitas, etc que por estes e outros motivos descartaram a fé Cristã tem pleno direito de rir, e nós, que ainda temos alguma esperança e que com esperança nostálgicas contemplamos o passado, temos o direito de deplorar e de chorar este hiante abismo de incoerência e leviandade, através do qual o repisado discurso sobre a finalidade,apressadamente traído por seus partidários. Talvez, com Voltaire, seja melhor rir, apenas rir, pelo fato de retermos alguma esperança.

sábado, 27 de outubro de 2018

O pai e o avô do Leviatã... e o Cristianismo II - A Inglaterra hobbesiana...

 


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Homem algum produz ideias a partir do nada... As ideias de um homem são resposta sua a problemas existentes no meio em que vive. E como o homem busca superar ou solucionar o problema podemos compreender as coisas em termos de 'oposição' a um dado modelo social...

Já vimos como as coisas se passaram com Platão. Cuja obra maior é por assim dizer, uma reação face a anomia produzida pela corrupção do ideal democrático. Sem querer justificar Platão ou concordar com ele podemos tentar compreende-lo e não apenas a ele mas a Hobbes, a Rousseau, a Marx, a Freud, etc Com certeza, a busca desta compreensão tornará nossa inteligência mais sólida!

No entanto se em Platão damos com alguém que delineia um possível futuro, em Hobbes damos com alguém que em certa medida ao menos reporta ao passado e a um passado não muito distante. Uma vez que Hobbes escreve cerca de 1651 mas nasce em 1588. Portanto meio século após a morte de Henrique VIII. De fato após o pequenino Portugal converteu-se a Inglaterra no primeiro Estado unificado da Europa e logo num Estado total ou absoluto, como Portugal jamais fora ou seria. Sem ter sido feudal teve Portugal seus cavaleiros a combater os Mouros, teve a Igreja romana com sua poderosa hierarquia e teme inclusive cortes e liberdades municipais. De modo que o poder do soberano luso estava longe de ser absoluto...

Willian no entanto, após conquistar aquela Ilha, exigiu juramento de submissão a cada senhor. Tampouco havia o municipalismo romano ou como querem, a Djemaa árabe, naquele pais. A velha nobreza fora em parte dizimada pela recente guerra entre as duas rosas. O quanto restava fora de controle na Inglaterra as vésperas da reforma protestante eram as universidades, as guildas e acima de tudo a toda poderosa Igreja romana, com seus mosteiros espalhados por todo pais, de modo que o poder do monarca, inda que substancioso, não era absoluto ou ilimitado. De fato por poderoso que fosse, especialmente após o fim da guerra das rosas, Henrique VII sequer podia sonhar com o poder que um dia seria acumulado por seu segundo filho.

Antes de prosseguirmos sejamos justos. Henrique VIII jamais foi protestante ou reformador como declaram ridiculamente algumas publicações romanistas. Separando-se de Roma ele jamais rompeu com a fé Católica e se mandou dissolver os mosteiros é porque eram a um tempo fiéis a Roma papal e a outro imensamente ricos. Teólogo, jamais compactuou com os princípios canonizados por Lutero ou Zwinglio os quais encarava como hereges pestilenciosos e não hesitou em remeter os luteranos e zwinglianos ou protestantes de modo geral,a fogueira. Uma anedota refere que folgava amarrar um protestantes e um romanista no mesmo poste e incendia-los juntos. Diante disto não poucos concluíram que na verdade não passava de um incrédulo, o que por sinal é bem possível. Formalmente foi o que os papistas costumam classificar como cismático, o que aproxima-o de nós Católicos Ortodoxos... Tudo quanto ele fez foi aproveitar-se das condições provocadas pela reforma para separar a Igreja inglesa da igreja Romana, sem que com isto altera-se nimiamente sua estrutura. E permaneceu não apenas Católica quanto a fé, mas episcopal e hierárquica.

Teólogo como já dissemos ele certamente estava muito bem informado a respeito de Justiniano e dos demais basileus que tentaram usurpar o poder eclesiástico em Bizâncio. Tais seus modelos. E foi mais bem sucedido que eles, obtendo do clero inglês, com algumas poucas exceções, uma submissão reverente. Submetendo a Igreja nacional converteu-a em repartição de Estado, tal e qual descreve Hobbes no Leviatã. Desde então teve sua inquisição espanhola. E pode controlar não apenas as guildas e universidade como o Parlamento, convertendo-o em quintal seu. A partir daí exerceu um poder absoluto e inconteste, e tantos quantos ousavam objetar qualquer coisa perdiam a cabeça.

Sintomático que tenha feito passar mais leis pelo Parlamento do que todos os seus predecessores. Ele de fato tudo aspirava controlar. Assim sua filha Maria, a sucessora desta Isabel e por fim Tiago I, teórico absolutista. Todos estes monarcas avançaram na direção apontada por Henrique, embora Isabel tenha mostrado mais prudência ou pudor. Seja como for, desde Henrique as leis inglesas atribuíam tal poder ao monarca.

Enquanto os reis absolutos comandaram a Inglaterra contaram com o decidido apoio da Igreja Anglicana ou Anglo Católica e com a oposição marcada de dois grupos bastante ativos: Os romanistas, representantes da antiga religião e os protestantes, já calvinistas, já anabatistas chamados de modo geral não conformistas. Ambos os partidos assacavam constantemente as fileiras anglicanas buscando desfalca-las e obter a hegemonia. Os romanistas temiam a preponderância dos sectários não conformistas e os sectários não conformistas temiam a influência dos romanistas. Os anglicanos ou realistas eram considerados aliados dos protestantes pelos papistas e dos papistas pelos protestantes embora de modo geral fossem por si mesmos. Segundo diversos autores o grupo anglicano era mais político do que religioso e muito pouco sincero e comprometido, enquanto que os extremistas - de um lado e do outro - eram movidos por convicções fortes.

O quanto de pode dizer a respeito daquele tempo e do que aconteceu é que os anglicanos, que até então formavam o Centro, foram sendo paulatinamente conquistados pelos papistas e pelos protestantes, disto resultando um profundo desequilíbrio. O rei, a corte e a alta nobreza pendiam cada vez mais ao partido do papa, a burguesia ao calvinismo e pelo menos parte dos mais pobres ao não conformismo. Até que o próprio anglicanismo viu-se cindido entre as duas correntes: Alta ou anglo Católica e baixa ou puritana, reproduzindo-se a mesma cisão fora da Igreja oficial. Cerca de 1625 achava-se a Inglaterra cindida entre as duas facções extremistas. A partir daí romanistas e anglo Católicos a um lado (realistas) e sectários ou revolucionários do outro iniciaram as hostilidades que levaram a Guerra civil ou a assim chamada Revolução, contando Hobbes com cerca de trinta e sete anos. Esta situação prolongou-se até no mínimo 1660 - i é seja por cerca de trinta e cinco anos - ou, segundo outros até 1688, ou seja, até a deposição do rei Jaime.

Foram cerca de sessenta anos de turbulência e instabilidade. Período muito semelhante aquele que fora vivenciado por Platão de 404 até sua morte, em Atenas. Até o advento da Reforma protestante achava-se a Europa espiritual ou religiosamente unificada, enquanto separava-se politicamente. Após o advento da Reforma, interpretado por muitos como a decadência do Cristianismo ou ao menos do Cristianismo ocidental ou latino, a separação entre as nações europeias tornou-se total, i é a um tempo religiosa e a outro política.

Particularmente no que diz respeito a Inglaterra, o advento da Reforma protestante propício as circunstâncias necessárias para cimentar a Unidade Política e respaldar o Absolutismo. Pois o sagaz Henrique VIII, tornando-se 'cismático' (sic) sem tornar-se protestante, logrou, pela espada ou pela força extinguir as dissenções religiosas e manter o reino espiritualmente unido em torno do trono e do anglicanismo episcopal, o que foi um golpe de mestre. A bem da verdade Henrique VIII tirou proveito da politicagem que envolvia o papado aquela época, a qual desagradava inclusive parte dos Católicos. No entanto a partir do momento em que os tutores de Eduardo introduziram os princípios protestantes no pais os próprios Católicos fossem romanos ou anglicanos tornaram-se mais comprometidos. Desde então um grupo opoz-se tenazmente ao outro.

E este estado de oposição entre consideráveis minorias Católica e Protestante amortecidas por um anglicanismo ou episcopalismo formal jamais cessou. Isabel no entanto, reeditou com sucesso a solução de compromisso de seu pai, apelando já a espada, já ao patriotismo... E mais uma vez obteve a conciliação entre os partidos, embora não na mesma medida que seu pai, alias mais intolerante. Henrique certamente encarava os extremistas papistas e protestantes como fanáticos, enquanto estes encaravam-no como um incrédulo ou oportunista, o que talvez não fuja a verdade. Izabel era do mesmo tipo, conciliatória e sagaz, quiçá descrente.

No entanto durante todo seu reinado e durante os dois que se seguiram os 'comprometidos' ou crentes foram não cessaram de concentrar-se nos 'extremos' debilitando cada vez mais aquele centrão anglicano e predispondo a sociedade ao conflito iniciado em 1620. Desde então as facções Católicas - Romana e anglicana - congregadas sob o signo do realismo, e protestantes, chegaram as vias de fato, e a Inglaterra conheceu o inferno. Praticamente todo século XVII foi isto.

Alguém que, imaginemos Th Hobbes, ama-se a paz e a tranquilidade odiaria viver na sociedade Ateniense do seculo V, na sociedade romana do século I a C ou do século V d C, na Sociedade europeia dos séculos X e XI ou na Inglaterra do século XVII... Conhecendo a fundo as causas das situações problema enfrentadas por estas Sociedades nosso homem construiria soluções na direção radicalmente oposta. E como cada uma delas remete a dissolução e ao conflito nossos críticos promoveriam a unificação e a paz, pagando tributo a autoridade.

Platão incriminou a democracia e por isso delineou um estado despótico, em que os vigilantes exercem rigoroso controle sobre os demais setores da Sociedade, comandando-os. Hobbes face a turbulência promovida pela religião chegou, muito provavelmente a uma incredulidade que a seu tempo não era prudente assumir. Recriminou não apenas o protestantismo por ter canonizado o livre exame - Método que brilhantemente relacionou com a discórdia e a confusão doutrinal - mas o próprio sentido universal ou Católico da fé Cristã, o qual encarou como uma finalidade política e anti estatal inadmissível.

Hobbes deve ter pensando do Cristianismo o que a maior parte de nós hoje pensa sobre o Mercado. Que equivale a uma espécie de besta fera a ser enjaulada. Para ele a anarquia social de seu pais era fruto de uma religiosidade ou fé que fugira ao controle. Portanto Hobbes só pode conceber o Cristianismo como uma instituição submetida ao poder estatal ou seja nos mesmos e exatos termos que Henrique VIII ou Isabel reinados cujo histórico ele bem conhecia e para os quais suas vistas estavam voltadas, como que para uma Era de ouro.

Escrupuloso Hobbes tende a desconfiar, em menor medida, de todas as comunidades ou associações não políticas ou intermediárias, dando por certo que elas debilitam o poder do soberano, ameaçando, consequentemente a paz. A existência de guildas, universidades, colegiados, etc só pode ser admitida quando estritamente necessária e a guiza de concessão ou seja enquanto algo autorizado pelo soberano. De 'per si' não teem tais comunidades direito a existir. Frente ao Estado, corporificado no soberano, existe apenas o indivíduo, nenhum outro tipo de entidade.

Agora como justificar metafisicamente tal estado de coisas?

Diante do que testemunho no curso da primeira metade do século XVII, concluí Hobbes que o homem seja um lobo, um predador, uma fera; sempre disposto a devorar o outro homem. Como o Freud da maturidade ou da velhice, o totalitário inglês, postula que o homem é dominado por um impulso de agressividade. Onde estiver mais de um indivíduo a tendência será o conflito, não mero conflito classista, como queria Marx. Para o autor do Leviatã o conflito é individual e inevitável...

E no entanto este homem, e damos com Freud novamente, agressivo, aspira pela paz e pela tranquilidade.

Como chegar até ela?

Por meio do contrato as partes, tendo em vista este bem maior, que é a paz, devem abrir mão de suas liberdades e entregar-se a tutela de um soberano forte. Uma vez que todos sejam controlados com mão de ferro pelo soberano e nivelados pela submissão, o conflito generalizado cessará.

Encarado deste modo não é o Leviatã algo mau ou indesejável, mas algo verdadeiramente bom e desejável, enquanto caminho único para a aquisição da paz social ou da estabilidade. Da submissão ou obediência ao Estado e suas leis é que advirá o equilíbrio. Da servidão voluntária resultará a harmonia. A partir da qual a pessoa humana poderá cultivar suas habilidades. Já o exercício do que chamamos liberdade produzirá inevitavelmente a discórdia ou a guerra, a qual impedirá que o homem de realizar-se enquanto tal. Aqui uma espécie de denominação comum face a Platão: Qualquer situação de liberdade ou democracia resultará, necessariamente, em anomia, anarquia ou conflito. Diante disto a alienação da liberdade e o recurso a autoridade absoluta são requisitos exigidos por uma sociedade bem ordenada.

Por ai se vê que podemos discordar de Hobbes mas de modo algum duvidar de sua sinceridade ou negar a coesão de seu pensamento.

Nem podemos estar totalmente certos de que em situações sociais semelhantes as que ele ou Platão vivenciaram discordaríamos deles. A menos que nos presumamos mais habilitados ou inteligentes...




sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pelos caminhos traiçoeiros do positivismo

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O supremo 'homem póstumo' do século XX fez muito mais do que desmistificar a sexualidade humana, sendo suas concepções Psicológicas prenhes de ilações Epistemológicas, Antropológicas e Sociais




Nas últimas palavras escritas por nós no artigo anterior salta a vista que o legítimo pai do positivismo, enquanto negação radical e arbitrária da metafísica ou melhor da teodicéia, foi o alemão Kant e não o francês Comte. 

No entanto o que para os alemães, ao menos para os irracionalistas luteranos, jamais chegará a ser novidade, do outro lado do Reno produziu frenesi. Isto pelo fato dos franceses terem tentado, segundo sua tradição cultural, assaltar a Filosofia e produzir uma metafísica ateia e materialista, o que como vimos redundou em total fracasso. Doravante tiveram os francos de se submeter ao império dos germânicos assimilando as doutrinas do sr Kant, tomando-as tanto mais a sério, aprofundando-as e ampliando-as.

Após Kant, Comte assumirá a negação da totalidade da metafísica, incluindo a negação da epistemologia, da gnoseologia, da Ética e da Filosofia como um todo, a qual pretendeu substituir justamente pelo que Hume negará e o alemão restabelecerá, a ciência. Até que ponto Comte foi capaz de perceber que condenando toda metafísica condenava seu guru não o sabemos. Quis ser mais papólico que o papa ou mais kantiano do que Kant e o foi. Desta radicalização de posições surgiu toda essa mística indigesta em torno da ciência e do progresso a que chamamos positivismo... Na Inglaterra o positivismo recebeu o nome de agnosticismo e alguns temperos bretões.

No entanto ao que parece a Filosofia ou melhor a metafísica parece não ter levado em conta a interdição baixada pelos francos e continuou a existir como se nada tivesse acontecido. E isto a ponto de nas Alemanhas um certo Schopenhauer ter definido o homem como um ser essencialmente metafísico. Estranho teria sido caso a sútil disciplina inventada pelos gregos geniais vinte séculos passados, tivesse se submetido aos ímpetos do homenzinho de Koenisberga...

Destarte Comte se suas hostes não tiveram outra saída a não ser denunciar o conhecimento filosófico como relíquia dos tempos pretéritos e passar ao terreno da Sociologia, novo campo da ciência que tendo sido ocupado por eles recebeu toda carga do materialismo mecanicista comum ao tempo, e o que é pior, em termos de ciência. A bem da verdade a própria elaboração das ciências humanas como a História, a Sociologia e a Psicologia, no ambiente cultural do século XIX, foi dramática por ter de se conformar com os dogmas aprioristas do Positivismo ou ser posta fora dos meios acadêmicos, nos quais a ordem do dia era transplantar o método exato, quantitativo ou experimental 'in totum' se possível, para o domínio das Humanidades. A ciência devia ser toda ela não apenas material mas absolutamente matemática, exata e quantificável, ou não ser. Era um pressuposto que não se discutia, pois os positivistas maliciosos ou ingênuos, acreditavam ou fingiam crer que não havia nada além de fato a serem descobertos e que cada um deles caia magicamente seu seu devido lugar sem a necessidade que qualquer aparato conceitual ou esquema predeterminado de mundo. Claro que homem semelhante concepção, que beira o absurdo, foi já relegada a condição de velharia ultrapassada. Os positivistas no entanto, na mesma medida em que reconheciam a existência de um aparato conceitual pré existente em que encaixavam os fatos, abandonavam o querido Kant e aproximavam-se de Hume, indo de um extremo a outro e flertando com o subjetivismo e o relativismo. Outro não foi o roteiro do sr Popper...
Como Agostinho e Lutero que eram religiosos e fanáticos também os positivistas não se detiveram face ao absurdo.

Para nós importa saber que devido ao influxo do positivismo foi o imaterial ou ideal alijado das ciências humanas, as quais tiveram que assumir o aspecto de sistemas fechados a exemplo de uma máquina qualquer. Assim a máquina da Sociedade, assim a máquina da mente... Estava o determinismo mecanicista, enquanto epifenômeno do materialismo, na ordem do dia. Marx tendo lido D Holbach postula uma Sociologia economicista absolutamente materialista segundo a qual a totalidade da cultura, incluindo a cultura imaterial ou ideal, é resultado das relações econômicas de produção. É falso que tenha inventado o materialismo contemporâneo - cuja formulação deve-se antes aos liberais - mas inegável que tenha formulado a primeira teoria social cem por cento materialista. Outras Sociologias buscaram ser mais comedidas ou apenas materiais, sem que no entanto, qualquer uma delas - mesmo a de Weber - tenha ousado situar o fenômeno humano no contesto a que faz jus e reconhecer-lhe a importância. Para a Sociologia o homem continua inexistindo e não pode ser posto, ao lado dos fatos sociais, como uma força doutra natureza.

De modo que a batalha pela recuperação do humano tinha de dar-se noutro terreno, deslindado pelos alemães Th Fechner e Wundt, já em meados do século XIX, Referi-mo-nos a Psicologia, que é a ciência da mente humana. Como a medicina negasse insistentemente o mesmerismo e, por vezo materialista, ridicularizasse tudo quanto lhe era atribuído; após Puysegur, o grande Liebault, Bernhein de Nancy e mesmo J M Charcot puseram-se a estudar a auto sugestão, dando com o inconsciente - P Janet - ou com a mente, o que seriamente não podiam assumir enquanto filhos de um século positivista. De fato estes homens chegaram a fronteira do imaterial ou do ideal, a qual no entanto haveria de ser ultrapassada somente pelo Dr Freud com sua teoria não somática ou não psiquiátrica de neurosa e a Psicanálise, método introspectivo e dialético que fazia lembrar a confissão Católica.

Freud foi quem ousou abrir a tampa que os positivistas haviam colocado sob o alçapão da mente e descreve-la dinamicamente ou como relação de forças/instâncias, enquanto o modelo clássico ou formal compartimentava artificialmente nossas capacidades mentais separando assim o intelectual do volitivo. Freud na mesma linha que Kant, Nietzsche, Dilthey e outros teve esta separação por arbitrária.

Foi S Freud, o ateu, o materialista e o positivista que recuperou o homem todo para a ciência e iniciou a grande Revolução epistemológica e metafísica, o que por si só já nos revela o drama desse gênio sucessivamente apontado como incoerente. Este homem por natureza e cultura é que deveria ter concebido e formulado o behaviorismo ( de J B Watson tbém conhecido como Psicologia rasa ou comportamental devido a seu viés materialista). Mas dá com a Psicanalise. Este homem que deveria ter passado a vida dissecando cérebros descobre a mente ou o elemento imaterial posto de lado desde 1700... Este homem deveria ter se contentando com os fenômenos externos de consciência, mas deduz a existência de um inconsciente ideal. Este homem que não cre em alma ou imortalidade foi quem descobriu a instância do Eu a que não temos acesso. Este homem inicia a exploração de nosso universo interior, de nosso eu... e cria a Psicologia profunda.

Observem quem era Freud e o que fez e deduzirão por sua obstinação e probidade. Eis um homem que se deixou levar por suas pesquisas e constatações contra seus postulados a ponto de converter-se na contradição ambulante.

Em certo sentido até podemos dizer que a Psicologia só se torna Psicologia com S Freud porquanto antes não passava de apêndice da Psiquiatria e por ext da medicina. De fato, todos os 'psicólogos' até J M Charcot investigavam o Psicológico sempre em conexão direta com o Somático ou melhor dizendo com o cérebro, os nervos e a medula. Assim o eminente Paul Broca. E não se cogitava no contrário. Charcot estava convencido de que suas pacientes tinham algum defeito estrutural, orgânico ou físico responsável pela condição neurótica. Teve no entanto de convir que tal defeito não podia estar situado nos membros e foi apenas uma questão de tempo para que seus conhecimentos em matéria de fisiologia o fizessem supor que inclusive o cérebro delas achava-se em ordem, suposição que o molestava enquanto positivista. Seja como for achou por bem colocar de lado toda esta questão e continuar buscando pelas supostas anomalias ou defeitos orgânicos, os quais jamais encontrou. Também, morreu logo depois e Freud é que ficou com a pulga atrás da orelha.

Freud foi ao encalço da pista e pode comprovar que os corpos e cérebros estavam sãos enquanto a mente mesma achava-se deteriorada e deteriorada atuava sobre o corpo, produzindo falsos sintomas ou falsas doenças, as ora chamadas enfermidades psico somáticas, enfermidades cuja gênese encontra-se no eu ou na mente, mas cujos efeitos manifestam-se concretamente no corpo. Eis o que Freud descobriu, que não é apenas o corpo que atua sobre a mente ou o comportamento através de suas glândulas e hormônios. Mas que em contrapartida também essa mente ou esse eu atua sobre o corpo físico danificando-o. Eis o que Freud, o materialista, descobriu.

Desde então forcejou nosso homem por conhecer melhor essa mente, seus recônditos e seus achaques, produzindo dúzias de obras interessantíssimas a cabo de meio século.

Agora eu vos pergunto amigo leitor? Que resultou disto? A conciliação entre Psiquiatria e Psicologia numa teoria realista??? A paz? A concórdia???

Nem bem começamos o século XXI e a paz ainda parece estar muito distante de ser alcançada neste terreno. Terreno em que Psicólogos e Psiquiatras ainda buscam afirmar suas posições radiciais; idealismo crasso aqui e materialismo ali... Os materialistas como já era de se esperar denunciaram a psicanalise como essencialmente charlatanesca e criaram seu domínio que é o do behaviorismo legatário da reflexologia pavloviana. Via de regra os Psicanalistas e psicólogos clássicos - como os da gestalt - folgam ignorar as contribuições elementares do behaviorismo e remetem seus afiliados a psiquiatria. Em diversos contextos culturais psiquiatra e psicólogo ainda trabalham separados e em oposição um ao outro.

Por outro lado não puderam Psicanalise e psicoterapias derivadas continuar sendo supinamente ignoradas pelos meios acadêmicos. Queremos dizer com isto que pela primeira vez na História foi o monopólio acadêmico do positivismo quebrado e uma doutrina que não se reconhece a si mesma como puramente material e menos ainda como materialista, pode enfim obter o justo reconhecimento ao menos de parte da comunidade científica. Isto é claro só foi possível na Psicologia e não nas demais áreas das ciências humanas que permaneceram hermeticamente fechadas a simples possibilidade do ideal. Grosso modo a luta jamais cessou, pelo simples fato de que um Eysenck ou um Silva Mello jamais baixaram a guarda contra o herético da Psicologia. Importa saber que para certo número de psicólogos a psicanalise não é ciência e nada teem de científica. Tal a opinião de K Popper.

O positivista verdadeiro no entanto é exigente, de modo que um deles acaba a escrever a Dawkins negando em alto e bom som o seu caráter de cientista pelo simples fato de ser Biólogo e não Físico ou Químico. Positivista há para quem apenas as duas únicas categorias absolutamente exatas e invariáveis de conhecimento são científicas. Quem pensar então sobre a História? A História é mais técnica do que outra coisa, assim o Direito... Que pensar da Sociologia??? A Sociologia peca por editar simultaneamente um grande número de teorias... E da Psicologia??? A Psicologia lida com um fantasma a que chama mente ou com o inverificável... Enfim tudo isto cheira bem a metafísica. O positivistas completam a medida de seus postulados asseverando que o único tipo seguro e válido de conhecimento é o conhecimento científico... Portanto???

Tudo quanto sabemos de certo se dá apenas em termos de Física e Química... O resto é incerto e duvidoso.

Calculem portanto o ódio votado pelos positivistas a psicologia, a Psicanalise e sobretudo a S Freud por ter ousado ir afronta-los em sua Zona de segurança...

Arrematando:

"Freud teve a grandeza - nem querida, nem procurada, nem percebida por ele mesmo - de introduzir na Psiquiatria um elemento transcendente o qual jamais quis chamar de alma, embora o fosse pois achava-se ao mesmo tempo impregnado de materialismo positivista. E no entanto apesar do materialismo positivista este homem adota uma posição espiritualista. Desde então a psiquiatria e a medicina foram obrigadas a afastarem-se do modelo tradicional do recorte e da abstração forçada da doença para encarar o doente como um pessoa ou como um ser integral, oi que tornou possível o surgimento da teoria Psico somática, a qual vai pelos caminhos da antropologia." Juan Bautista Torello 1961 p 68 sg

"Queremos dizer com isto que a doutrina de Freud é rigorosa e fielmente antropológica e que a a partir dela o enfermo passa a ser encarado como uma pessoa no pleno sentido da palavra? Não. Freud foi um antropólogo a seu pesar. Queria ser apenas Biólogo ou Psiquiatra no máximo, mas há que reconhecer que o enfoque do enfermo como ser racional, livre e íntimo, noutras palavras, enquanto pessoa pertence formal e necessariamente - apesar de suas sugestões em sentido contrário - a concepção psicanalítica da patografia; sem ela Freud jamais teria conseguido compreender ou mesmo descrever 'freudianamente' sequer um de seus neuróticos. Por isso foi dito que com sua obra é que a patologia humana principiou a ser antropológica, depois de ter sido apenas cosmológica." Entralgo 1950 p 124 sgs

Freud por não poder desvencilhar-se por completo da ganga cultural positivista teve de carregar eternamente consigo o estigma da incoerência.

De um modo ou de outro foi ele que abriu a primeira brecha no muro com que o positivismo havia cercado artificialmente nossas ciências humanas e devemos lamentar sinceramente não ter a Sociologia encontrado o seu Freud, rompido com o mecanismo fechado, superado o apriorismo material e recuperado a pessoa humana, até o momento presente encarada como simples peça movida pela engrenagem social.

Todos estes desvios e equívocos começaram a cerca de dois séculos, ocasião em que o homem decidiu fugir da metafísica e voltar as costas para o incognoscível. Deus foi proclamado ultrapassado e a metafísica morta, sem que apesar disto a mística naturalista continuasse a produzir outras tantas entidades não menos exóticas: Assim a meta da Revolução, o ideal do progresso linear, o materialismo dialético, o patriotismo abstrato ou nacionalismo, a estatolatria, o Mercado, o lucro, a pureza racial, etc Cronos não cessa de abater Uranos e Zeus de fazer guerra a Cronos, e os deuses vão se sucedendo uns após os outros...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Refletindo sobre filmes - Somente para quem JÁ ASSISTIU 'A autopsia'



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Aprenda a pensar melhor e com mais vigor tentando reconstituir a trama de um filme qualquer.

Mesmo um filme de ficção ou fantasia, que foge a realidade vivida, pode se converter num saudável e até delicioso exercício de lógica.

Bastando para tanto que nos esforcemos por reconstituir sua trama, vinculando as diversas cenas, suprindo as lacunas e tornando a narrativa significativa.

Neste Domingo assisti um filme relativamente bom e que se presta perfeitamente a este exercício.

Trata-se do filme 'A autopsia' o qual, como o próprio nome já indica, pertence ao gênero Terror, alias um de meus preferidos. Filmes de mistério, drama e terror, via de regra, são muito bons para serem reconstituídos. Claro que estamos falando de terror inteligente e não de banalidades como "Abraão Lincol caçador de vampiros" ou o ultra detestável 'Silent Hill'.

Sem ser excelente 'A autopsia' não apenas dá conta do recado como até pode ser uma boa pedida.

Não é nojento, não é sádico e nem mesmo capaz de te dar grandes sustos. É antes daquelas obras que devido ao ambiente - Espaço e decoração - garantem uma sensação difusa de terror do começo ao fim. Bem a gosto do 'gialo' italiano e dos mestres L Bava e Dário Argento. O jogo de luz e sombra, bem como de cores, foi muito bem explorado... O autor conseguiu explorar até mesmo a relação feérica entre trevas e som...

O espaço da mortuária em L, com os lambris de madeira marrom e o espelho localizado num dos cantos foi igualmente engenhoso.

Temo que as pessoas medíocres ou comuns - Este filme não é feito para pessoas vulgares como as que apreciam filmes de vampiro ou lobisomem - não serão capazes de aprecia-lo com a devida justeza e até confesso que esperava mais dos 'zumbis' espalhados pela casa ou do final, i é, a morte do derradeiro personagem. Penso que as falhas do filme foram estas - Os zumbis poderiam aparecer mais um tanto - O autor preferiu explorar mais o elemento simbólico - e 'aprontar' mais e o derradeiro sobrevivente 'sofrer' mais... Um fim mais engenhoso converteria esta película num verdadeiro clássico, foi o que não aconteceu.

Outro aspecto do filme bastante apreciado por muitos é a trilha sonora, igualmente muito bem produzida.

E no entanto, assevero que vale a pena sair de casa e dar uma conferida nesta obra. A qual será capaz de surpreender o cinéfilo inteligente.

A semelhança de diversos clássicos como: Os outros, Os passageiros, Sexto sentido, Mistério da libélula, O último portal, etc

A produção anglo estado unidense do ano passado conta com a atuação brilhante de Brian Cox e Emile Hirsch - como pai e filho proprietários de um necrótério - além da participação do divino Michael McElhatton e evidentemente Olwen C Kelly como a autopsiada. A direção é de André Ovredal.

Enfim se ainda não assistiu não passe daqui, pois passamos a deslindar a trama -


  • A cena de assassinato que abre este filme não precisa ser explicada. Pois os eventos sucedidos no necrotério servirão como explicação para ela. 
  • A 'vampira' - Chamemos assim a autopsiada - não estava sendo enterrada no porão da casa da família assassinada, mas desenterrada.
  • Segundo podemos inferir a partir do diálogo entre pai e filho no necrotério os restos estraçalhados da moça haviam sido trazidos do Norte do pais e enterrados numa primitiva turfeira, posteriormente ocupada pela casa da família assassinada.
  • Como a casa estava passando por reformar, infere-se naturalmente que uma escavação feita no porão trouxe a tona os restos mortais da 'vampira'. Podendo-se bem calcular o que ela 'fez' ali com o objetivo de recompor seu corpo.
  • Ao menos a princípio o xerife parece ter julgado que o cadáver da moça estava sendo enterrado e não desenterrado.
  • Em que pese a possibilidade de sido trazido da 'onipresente' vila de Salém, a moça certamente não era uma bruxa, mas, uma vampira. O que se infere já pelo canino arrancado quanto por seu 'modus operandi'.
  • Nem Tommy nem Austin parecem estar psicologicamente afetados. Nem há evidência algum de que consumissem drogas ou fossem alcoólatras. Como tantas outras obras do gênero este filme não explora a ambiguidade clássica entre anormalidade e sobrenatural, entrando decididamente pelo último caminho. Não há outra hipótese, o filme é sobrenatural desde o princípio e até certo ponto pretende já ridicularizar o pensamento científico ou, ao menos, apontar a existência de mistérios irredutíveis a abordagem científica, esta última perspectiva, por sinal, admissível.
  • O que não se pode saber é se a entidade vampiresca, representada pela 'Jane Doe' atua materialmente por meio dos zumbis ou se atua apenas mentalmente produzindo ilusões. Mesmo porque a tempestade que cai do lado de fora da casa não é real. Logo todos os demais fenômenos poderiam igualmente não ter sido reais. Nem podemos admitir que uma tempestade tenha caído apenas sobre a mortuária, já que não havia tronco de árvore algum obstruindo a saída.
  • Evidente que a mosca saída do nariz da autopsiada é responsável pela trágica morte do simpático Stanley, ao que tudo indica acometido por miíase, e sacrificado pelo dono.,.
  • A partir das impressões trocadas pelos dois principais protagonistas, infere-se que a entidade ou não podia - Embora certamente pudesse tortura-lo - ou não queria mata-los. Sou pelo não queria, supondo que ela desejava produzir insuportáveis situações de angústia capazes de fazer suas prezas matarem-se umas as outras. O que seria certamente mais cruel - Dai o velho ter sacrificado o gato e matado involuntariamente a namorada do filho e o filho ter de sacrificar o pai. O que nos permite intuir o que teria acontecido no primeiro cenário, da casa. A última personagem restante é sempre levada a matar-se.
  • O derradeiro aspecto da trama a ser 'decifrado' é o motivo porque a entidade assim procede ou o que a leva a torturar pessoas e fazer com que acabem matando-se umas as outras? Em se considerando uma entidade psiquicamente vampiresca, só nos resta concluir que alimenta-se das sensações de medo e angústia produzidas nos seres humanos. A partir das quais consegue recompor o próprio corpo após ter sido danificado, talvez - Quem o sabe? - até o momento de recobrar a vida e despertar. 

Decifrada ou compreendida nos termos acima a narrativa assume conotações de genialidade não?

Tais as nossas constatações.

Que julgamos útil apresentar ao amigo leitor.

E sua apreciação a respeito do filme, qual é?

sábado, 6 de maio de 2017

Da correta doutrina de Deus, a necessidade e a liberdade

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Ao nobre amigo S C 'Ab imo pectis'

"Nem os homens, nem os anjos são livre, apenas Deus é livre." tais as palavras escritas pelo 'deformador' protestante M Lutero há quase quinhentos anos. Quiçá uma das frases mais idiotas que tive a oportunidade de ler durante toda vida.

Deus não pode ser livre. Nada mais absurdo e ridículo do que a ideia de um Deus livre.

E no entanto para Agostinho, Maomé, Lutero, Calvino e muitos outros até hoje, Deus fica sendo livre. Pois sua onipotência implica a possibilidade de fazer o mal, prevaricar e pecar; embora o Prologo de S João seja absolutamente claro:

"Deus é luz e nele não há treva alguma."

Não há nem pode haver e por isso foi referido a respeito de sua natureza humana e livre:

"Em tudo semelhante a nós, menos no pecado."

Nem se compreende, nessa teologia rudo, grosseira e imbecil, que possa Deus ser princípio do mal e do pecado e sua natureza humana deva se abster de pecar. Caso Deus tenha liberdade para fazer o mal, Jesus bem poderia ter pecado.

E no entanto, como vimos, nega a Escritura canônica que o Mestre amado tenha pecado, e por que? Porque parte doutro princípio, a doutrina da santidade, segundo a qual - Em que pese a Onipotência divina - é impossível que Deus peque.

De fato a piedade nos obriga a crer que é impossível que Deus faça o mal e ao mesmo tempo que é onipotente. Algum mistério insolúvel e ocioso aqui? Alguma paralogia irracionalista ou contradição de termos?

De modo algum...

Mas como?

A questão até pode ser mais simples do que parece.

Judeus, pagãos, agostinianos, maometanos, luteranos, germânicos, calvinistas e outros tendem a encarar a divindade como um Poder ou reduzir Deus a uma força cega. Mutilam a Natureza e precipitam-se no abismo de um reducionismo irrefletido. Nós sem desconsiderar a força ou poder da divindade consideramos as qualidades ou capacidades divinas em seu conjunto e hierarquicamente. E portanto consideramos sua bondade, amabilidade, generosidade, inteligência, perfeição, etc

Não é Deus mero poder ou poder cego como creem os povos bárbaros ou primitivos. É acima de tudo e antes de tudo uma mente, uma consciência ou um Logos racional. Uma mente ou consciência que comanda e administra um poder.

Resulta disto ser a divindade um 'ser' coerente e não polimorfo, tenso, dividido, conflituoso, confuso, contraditório, mutável, sujeito a variação...

"É assim Deus imutável e sem sombra de variação." segundo a pena apostólica.

Nada arbitrário ou caprichoso...

Um deus mutável não pode existir.

Ressalta de tudo isto que é Deus regra imutável e inflexível de vontade para si mesmo. A coerência é Lei interna, eterna e divina presente na Natureza.

É bom insistir nisto porque 'cristãos' houveram que atreveram-se a poluir a divindade atribuindo-lhe dupla vontade, uma manifesta e outra oculta, como há aqueles que atribuiram vontades contraditórias as pessoas da Santa Trindade, plasmando três deuses e tornando-se politeístas ou triteístas. Assim aqueles cegos que sustenta ter deus matado deus para aplacar deus...

E no entanto a vontade da Santa e Divina Trindade é Una e comum, como coerente e imutavelmente fixa no Bem.

Não falta a divindade força e poder para fazer o mal ou para pecar.

De modo que teoricamente deus até pode fazer o mal...

O problema aqui esta situado no plano da volitividade: É Deus livre? Pode Deus querer o mal?

Aqui nossa resposta é negativa.

Deus, sendo imutável e sem sombra de variação, absolutamente perfeito e lei de si mesmo não pode oscilar e querer o mal. Não pode Deus querer ou desejar pecar. Em seu íntimo o Deus Bom e Santo ODEIA ou mal e o pecado e não pode fazer aquilo que odeia.

Então por que o mal existe?

Por que Deus permitiu o surgimento o manifestação do mal?

Por que esse Deus santo não impediu a manifestação do mal?

Por que o Deus Bom não aniquilou ou exterminou o mal?

Estas perguntas não são novas e já foram feitas pelo sábio pagão Epicuro.

Não elimina o mal do mundo porque o mal no mundo é obstáculo provisório e não definitivo ou perpétuo posto por si com determinado objetivo. Já o veremos.

Assim o que constitui a perfeição na Santa Divindade, que é não ser livre, já não constitui a perfeição nos seres criados.

A perfeição nos seres criados procede justamente da indeterminação, da oscilação, da mutabilidade, da variação ou do livre arbítrio. Ser perfeito enquanto ser criado e contingente implica ser livre.

Foi a natureza criada concebida como passagem livre e meritória da imperfeição para a perfeição. Foi criada imperfeita para tornar-se perfeita.

Agora como se torna perfeita?

Deve, pelo uso da racionalidade, o ser livre, passar voluntariamente do mal ao bem ou do vício a virtude. Deve repudiar livre e conscientemente o pecado e abraçar a lei eterna e imutável do amor.

Perceba portanto, caro leitor, que a existência PROVISÓRIA, do mal e do pecado existem em função do mérito. Só o ato ou opção livre é meritório.

Logo qual o motivo porque existe o mal no mundo?

Imaginemos uma corrida de obstáculos. Os obstáculos tendem a tornar a corrida mais difícil e aquilatar a competência dos atletas. E por isto são postos na pista enquanto dura a corrida. Encerrada a corrida e iniciada a premiação são os obstáculos removidos e não ficam postos na pista ou na rua para sempre. São elementos provisórios, pois sua função se esgota com a corrida.

Assim a presença do mal no mundo é provisória tendo em vista a educação do ser racional e a obtenção do mérito. Não se trata de evento cósmico ou eterno que a divindade deva suportar para sempre ou que não se vá extinguir. A luz da fé Cristã, Católica e Ortodoxa - na perspectiva do Evangelho e do grande Expositor alexandrino - estamos plenamente convencidos de que o mal haverá de extinguir-se por completo quando todas as criaturas racionais compuserem-se livremente com a vontade divina que é a lei, norma e regra do bem, do amor, da justiça, da verdade e da beleza. Quando todos forem atraídos a cruz e reconciliados com Cristo e pelo Cristo o mal - Enquanto puro se simples desvio da vontade ou fenômeno Ético - cessará de existir. É a está extinção ou aniquilação do mal e do pecado que parte do exemplo oferecido por Cristo Jesus, que cognominamos redenção, embora possamos chama-la de evolução ou educação.

Implica saber que na economia Cristã o mal cessará de existir pois: "Todas as coisas ficam reconciliadas por ele e sua cruz." Todas as coisas, não algumas ou parte delas. Mesmo porque a vontade de Deus consiste em que "Todos os homens sejam salvos e passem a luz da verdade." todos, não alguns, poucos ou uma parcela. Deus não lida com parcelar ou individualidades e por isso seu plano ou projeto consiste na redenção da espécie ou gênero humano, sem acepção de pessoas, pois é impossível que Deus, amando a todos aqueles que criou, faça acepção de pessoas. Sendo Pai perfeito ama igualmente todos os filhos...

Portanto não é Deus livre para fazer as coisas totalmente diferentes?

Ser livre implica decidir entre o bem e o mal.

Ora Deus é o Sumo Bem... Como pode ser livre?

Ser livre implica escolher entre o perfeito e o imperfeito (Em sentido absoluto). Como pode aquele que é perfeito amar a imperfeição e escolhe-la?

Ser livre consiste em optar entre superior e inferior. Mas como pode Deus desejar agir com inferioridade?

Bem se vê que todas as hipóteses acima sejam monstruosamente aberrantes e que só se sustentem a partir da perspectiva irracionalista. Ficando nossa esperança louca e totalmente desamparada pela razão.

A piedade nos obriga a proclamar que Deus, por sua condição ou natureza, é obrigado ou constrangido a fazer sempre o melhor e a optar sempre e NECESSARIAMENTE pelo mais perfeito. Pelo simples fato de ser absolutamente perfeito e inteligência infinita.

Pode de fato estabelecer algumas situações de imperfeição nos seres criados. Desde que estejam postas para aquisição da perfeição, numa perspectiva evolutiva, de aprimoramento paulatino. Não estabelecer situações definitivas e insuperáveis de imperfeição, sem com isso tornar-se contraditório, confuso, problemático, etc Aquilo que é perfeito, perfeitamente deve agir.

Ora esta ideia suscita algumas reflexões no mínimo interessantes que buscarei expor com máxima brevidade:

  • A produção de criaturas ou o processo Criador não é livre mas absolutamente necessário. Corresponde a uma necessidade que deriva da própria Natureza divina. Não poderia Deus ser Amor ou Bondade infinitas caso não aspirasse partilhar sua felicidade infinita com uma multidão de seres criados. Nem poderia ser benevolente, generoso, filantropo, magnânimo, etc sem faze-lo. Sendo 'amor' foi Deus levado a partir e a repartir-se por meio da criação. A conceber seres capazes de comportarem o dom da bem aventurança ou de serem sumamente afortunados. Foi eternamente constrangido por seu amor a criar. Por isso o ato criador ou processo evolutivo é continuo e eterno, e disto resulta necessariamente um enobrecimento do próprio Deus. O qual concebeu processo tão complexo e viabilizou com competência absoluta.
  • O ato de ENCARNAÇÃO é absolutamente necessário, Deus não poderia ter deixado de fazer-se homem entre os homens encarnado-se neste planeta. Admitindo a manifestação livre do mal e do pecado neste mundo, sabida desde toda eternidade por Deus; temos de admitir a necessidade da Encarnação como melhor modo ou maneira (A mais perfeita e portanto a única digna de Deus) para recuperar ou reeducar este mundo e dispo-lo a retomada de sua evolução. Nem poderia Deus existir e ser concebido - Num mundo como o nosso - sem que sua manifestação na carne fosse absolutamente necessária, pelo simples fato de manifestar sua solidariedade e enquanto tentativa (Feliz e bem sucedida) de conquistar este homem para si.
  • O momento da Encarnação não foi escolhido aleatoriamente, mas determinado e rigorosamente determinado desde todas eternidade tendo em vista uma conjuntura espacial e temporal ou geográfica e histórica singular. Deus só poderia ter se encarnado na Judeia ao tempo de Augusto César de modo que seu desígnio neste mundo fosse perfeitamente realizado. Entrando sua manifestação e sua Igreja no curso da História não de modo improvisado mas calculado. Disto resulta ter Deus escolhido o cenário da cultura judaica daquele tempo pelo simples fato de desejar ser julgado, torturado e morto como foi. Esta condição não decorreu da maldade dos antigos judeus nem implica qualquer tipo de desonra para os atuais judeus, mas da cultura. Este choque entre visões e concepções culturais distintas ou entre as massas fanáticas enfurecidas e o genial revolucionário divino era absolutamente necessário para que ele perecesse nas circunstâncias em que desejou perecer. Assim os antigos hebreus, mesmo inconscientemente realizaram um projeto divino. Pois Deus devia mesmo sofrer e morrer para manifestar sua solidariedade aos mortais e mostrar-se companheiro. Aos judeus não resta culpa alguma. Os antigos realizaram a única coisa que poderia ser feita... Os de hoje são inocentes e livres. Todavia o propósito de Deus ter se encarnado ou manifestado na judeia foi ser supliciado na Cruz e os antigos judeus foram escolhidos exatamente para isto, não porque fossem de condição superior, melhor ou mais civilizada (Como supõem os sionistas com a aberrante doutrina do 'povo eleito) mas justamente porque eram de condição mais rude, grosseira e incivilizada. Esta característica é que predispôs tal povo a seu excelente desígnio. A Cristandade irracionalista e estúpida é que tem oscilado, se Deus de fato quis ser torturado e morto e os judeus colaboraram com ele, os judeus são mesmo nossos benfeitores, benfeitores da humanidade.



    No próximo artigo, examinaremos o único modo ou maneira porque o Deus Perfeito podería ter experimentado a Liberdade e já adianto que só poderia tornar-se livre fazendo-se homem ou encarnando-se entre os homens deste mundo. Eis porque a Encarnação se torna ainda aqui necessária. Mais uma vez.

domingo, 11 de abril de 2010

Verdade, uma coisa da qual ninguém gosta

Outro dia no Twitter (para quem não sabe deletei o meu antigo) uma senhora ficou indignada com o artigo "Nossa Senhora de Fátima desmascarada" escrito por Rafael Daher e que publiquei aqui. Cheia de melindres, disse que a ofendi, porque ela crê em Nossa Senhora de Fátima, eu tentei explicar que não tive a intenção de ofender ninguém e não tive mesmo. Minha intenção é fazer as pessoas refletirem, mas isso nem sempre dá certo, porque comunicação não é aquilo que eu falo, mas o que o outro entende.

Disse que aquilo que fora postado era a mais pura verdade, até porque tinha referências bibliográficas para a pesquisa, caso ela quisesse pesquisar. Lamentei o fato da senhora não gostar da verdade e que eu não iria me calar pelo simples fato da mesma sentir-se ofendida. Uma coisa é ofender e outra sentir-se ofendido. (Ora eu posso me senir ofendido por ver um cara com uma bela mulher e eu estar solteiro, a questão é: ele me ofendeu?)

Quero dizer a quem quer que seja que não vou mudar meu jeito de ser para agradar a quem quer que seja e que não tenho medo de rótulos: imbecil, idiota, radical, intolerante, chato, feio, bobo, etc... Há quem goste de viver com a moral de rebanhos, não é o meu caso. O intuito dessa senhora (penso eu) era que eu apagasse o artigo, mas se foi esse o seu intuito, perdeu o tempo e também as esperanças.

Vivemos numa sociedade em que é tabú questionar assuntos relacionados à fé. Se você questiona querem logo lhe vestir com o sambenito e mandar à fogueira.
A maioria das pessoas tem medo de questionar, de ter um pensamento crítico, porque tem medo da verdade e precisam de suas fantasias para viver.

Certas pessoas lêem o que escrevo e nem param para refletir se aquilo é verdade, se procede, se é coerente, se é digno de ser discutido. Nem querem ler com a intenção de refutar o que escrevi. Funcionam à base de sentimentalismo, de melindres.

Se eu fosse ter que agradar todo mundo que conheço eu não poderia abrir minha boca nem escreveria mais. Pois se escrevo contra o Big Brother Brasil há quem fique indignado; Se falo que certas torcidas organizadas são violentas, cometo um crime; Se falo que odeio o PSDB proferi uma blasfêmia, e daí por diante.

Caso não goste de meus escritos, não diga: "você me ofendeu", isso não funciona comigo. Não gostou, achou que escrevi coisas incoerentes, então tenha maturidade e refute-me. Em sendo refutado, acatarei a verdade. Caso contrário não posso fazer nada.

Caro leitor, minha consciência não está à venda.