Mostrando postagens com marcador Crise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

O abismo pós modernista

Aqui algo de ao menos parcialmente novo.

Pois se no papismo, no protestantismo (Apesar de seu conteúdo cético!), capitalismo, comunismo, anarquismo, conservadorismo e fascismo temos a afirmação de algum conteúdo, com o pós modernismo> Ceticismo, subjetivismo e relativismo, chegamos as portas do nihilismo ou ao nada absoluto.

Até o iluminismo, empirista ou materialista, tínhamos ainda alguma fé, fosse mais forte com a ortodoxia, o episcopalismo ou o papismo, mais fraca com o protestantismo, absoluta e cega com as seitas... havia fé.

Restou-nos por pouco tempo a Filosofia ou Metafísica, de pronto abatida por Hume, na Inglaterra, por Kant (Arauto de Lutero) na Alemanha e enfim por Comte na França... Cerca de 1840\50 removeram-nos o racionalismo.

Porém, desde Condorcet restou-nos a Ciência, com suas douradas e paradisíacas promessas para o futuro. Até a explosão das duas grande guerras... E foi-se a ciência. Todavia, ao menos no Leste, restavam a velha mística em torno da ciência, associada ao comunismo e suas visões futurescas - O que perdurou até a queda do mudo de Berlim em 1989 e ao colapso da URSS no ano seguinte.

Então o nada> A negação da realidade, a pós verdade, o domínio das narrativas, o 'imaginário coletivo', a 'construção social'... 

Sucessivamente foram as ilusões (Em torno de alguma verdade) caindo, uma após outra> Fé\Religião, Filosofia (Ética e Estética), Ciência e Revolução... A ponto do insuspeito Nietzsche contemplar uma Europa coberta por escombros e ruínas.

Parece que o comunismo e o positivismo não deram cumprimento a suas promessas, tal e qual haviam falhado o capitalismo e o protestantismo antes deles. 

Mas a questão aqui não é essa...

Pois apesar das sucessivas infidelidades e desmoronamentos sempre havia alguém disposto a coletar os cacos e construir um novo castelo ou fortaleza: Smith, Marx, Condorcet, Comte, Proudhon, Bakunin, Maurras, Mussolini... 

E era a utopia levada adiante...

Até que com Stirner, Nietzsche, Derrida, Foucault, Rand, etc chegaram os demolidores.

Após os quais restaram apenas escombros e ruínas, ou mesmo algum pedaço de carne fresca que o gusano ateísta busca devorar ou consumir com voragem... Referi-mo-nos aqui ao livre arbítrio ou da livre vontade, atacada com ferocidade por Skinner, Pinker, Roth, Sapowsky... Com efeito a neurociência dos 'ateistas' opõe-se decididamente a existência do livre arbítrio por ter dificuldade de explica-lo a partir de sua ideologia ou metafísica podre.

Assim, se o livre arbítrio não se encaixa muito bem como nosso materialismo mecanicista tosco, bora repudia-lo... 

Portanto - Mesmo no escuro reino do nihilismo, expandem-se as negações, sendo a negação dada por verdade...

Nada de novo debaixo dos céus - Há dois ou três séculos os céticos encantam os idiotas ao por tudo em dúvida, exceto o ceticismo, a que se apegam como um dogma. 

Aqui, sem sermos materialistas temos de admitir que, ao menos em certa medida, a atmosfera social exerce relativa influência sobre o mundo das ideias. 

Um franco realismo obriga-nos a admitir que quando uma sociedade está a progredir, avançar, a evoluir, etc Cria ou produz ideologias com um conteúdo bastante rico ou ideologias de afirmação, de certeza, de posse; enfim ideologias otimistas.

Outro o caso das sociedades quando abaladas por alguma calamidade social ou das sociedades fracas e decadentes. As quais tendem a abraçar, reproduzir ou criar ideologias de negação postas para o desespero.

O que já sucedeu mais de uma vez.

Assim os séculos IV e III a C > Período em que os planos de Aristóteles, assumidos por Alexandre, principiaram a dar errado, na medida em que Diadocos e Epígonos disputavam os restos de seu império e mergulhavam toda aquela parte do mundo num mar de fogo e sangue - Debutou o ceticismo de Pirro.

E novamente, quando o Império romano veio abaixo, tivemos o florescimento da Teurgia i é da feitiçaria ou da bruxaria (Com Jâmblico) em plena academia de Platão! E era isso o neo platonismo, ao menos em sua derradeira fase... E temos no campo da Teologia, o maniqueu Agostinho de Hipona, com seu pecado original e sua corrupção total da natureza, enquanto é Roma conquistada por Alarico e seus Godos...

Assim se Orígenes é o Teólogo otimista daquela Roma ainda forte e segura sob Aureliano, Agostinho...

Mesmo nos domínios da infidelidade islâmica, Gazail fez seu ataque a razão, aos racionalistas mutazzilas e aos escolásticos quando o califado estava já sendo estraçalhado pelos mamelucos fanáticos desde 909, culminando esses desastres com a ascensão de Al Haquim e enfim com a destruição da casa da Sabedoria de Bagdad em 1258. Foi este período um período de crise política, dissolução, violência, guerras, etc o qual resultou na consolidação definitiva do fideísmo irracionalista acharita.

Fácil compreender que para a Europa contemporânea, foram das duas grandes guerras mundiais, eventos similares aos conflitos que marcaram o período helenístico, a queda do império romano ou a dissolução do califado abássida, isto do ponto de vista do impacto psicológico. Se a guerra dos Trinta anos abalou a fé Cristã e as guerras napoleônicas atingiram a fé romana, as duas grandes guerras além de terem abalado mais uma vez a fé romana, destruíram da noite para o dia a fé positivista na ciência e ainda conseguiram respingar alguma lama sobre a fé capitalista... 

Daí a ascensão do ceticismo, do relativismo e do subjetivismo, enfim do modernismo e do pós modernismo enquanto doutrinas de negação. O quanto restava do outro lado do muro, como já sabemos, desabou pelos idos de 1989, provocando outra onda de desapontamento ou de ceticismo, entre os ocidentais.

Disto resultou, a partir dos anos 90 e nas duas primeiras décadas do terceiro milênio na afirmação do pós modernismo ou da pós verdade, etc, etc, etc

Parece que no fim das contas não havia mais sinal de esperança nos domínios da cultura ocidental. Por fim a construção das ideologias cessou, e parece que o nazismo foi a última delas. O quanto basta para demonstrar como a construção degenerou... Talvez muitos tenham concluído que era já a hora de parar. E que essas elaborações metafísicas ou racionais eram uma autêntica calamidade.

A impressão que se tem é que as grandes guerras produziram uma aversão a qualquer tipo de proposta ou ideário mesmo que suavemente reformista supostamente derivado da reflexão. Os conservadores de matriz agostiniano ou luterano tornaram a apontar a razão ou o racionalismo como sendo o vilão... Os resistentes do positivismo editaram mais uma vez o discurso em torno da 'coisa dada'... E todos os demais abraçaram o novo credo iconoclástico e vazio do pós modernismo, alegando que tudo quanto existia ou sobrevivia era o discurso, a narrativa, o imaginário coletivo ou a construção social, enfim a pós verdade...

Em seguida, o dilúvio...

Abriram-se as velhas comportas cerradas há séculos com portas de aço, e desde então, sem concorrência alguma, foram entrando os fios e as ondas do fundamentalismo religioso, espantando para a periferia do mundo.

Na conta do pós modernismo, com sua negação da verdade, seja científica, metafísica ou religiosa, devemos creditar a afirmação e expansão da treva fundamentalista no ocidente, seja ela protestante (Nos EUA e na América) ou islâmica, na Europa. 

Afinal que poderíamos opor nós as falsas verdades alegadas pelos fanáticos de plantão... Narrativas, discursos, versões... kkkk A moeda falsificada só se pode opor com sucesso a moeda verdadeira. 

Por mais que o pós modernismo negue, é fato que o intelecto humano está posto para a verdade, que pugna por ela e que ela apenas o satisfaz. 

Inútil oferecer coisas reformadas para a contemplação do intelecto racional, como intentou o protestantismo. Verdade seja dita quem se deleitaria  com com um sapato, uma camisa, uma moto ou mesmo uma casa reformada, podendo ter uma nova?

Nem mesmo comida requentada ou refeita apreciamos, quanto mais verdades divinas requentadas ou reformadas. 

Tanto pior para nós a ausência ou negação da verdade. Naturalmente que uma bananeira ou um limoeiro não se podem sentir frustrados caso não frutifiquem ou deixem bananas ou lições.

Outro o caso da criatura, ao menos em parte racional e sensível, que desespera de obter algum conhecimento válido e consistente. Negado ao Homo Sapiência o conhecimento, tudo quanto lhe resta é a decepção. Seguida pela frustração, pela angústia e enfim, por vezes, a alienação mental e o suicídio. 

Pois não existe o ser humano para o nada ou o vazio porém para a posse. 

E sua condição não se conforma por completo com a ausência.

A posse de ao menos algumas poucas e elementares verdades certas, válidas, indubitaveis e consistentes é indispensável a sanidade mental e a construção de uma personalidade forte.

Nem é possível constatar se a proliferação das doenças mentais no mundo contemporâneo é um sintoma ou uma das causas dessa calamidade. 

O problema crucial é que a falta da verdade pode produzir compulsão. A ponto da pessoa angustiada aceitar qualquer coisa, aliás duvidosa e infundada. Como mitos religiosos de talhe fetichista, conhecimentos alegadamente reformados ou enfim ensinamentos anti éticos ou mesmo bárbaros.

Não nos surpreende portanto que um cético ou negacionista radical passe facilmente ao extremo oposto i é a aparência de uma verdade totalitária que estimule a intolerância.

Afinal todos sabem muito bem como se comportam, a maioria dos humanos após longo período de fome ou jejum...

A Europa atual, desnutrida e famélica, por conta da brincadeira pós modernista, chegou já a esse ponto... De regastelar na lavagem do fundamentalismo árabe...

Então você já sabe perfeitamente bem o que produziu o avanço e potencial triunfo do califado islâmico na Europa> O pós modernismo, com sua leviana negação da verdade e repúdio ao conhecimento.

Creio porém que ainda haja tempo para fazermos uma arqueologia dos saberes ou regressão da cultura, recuperar nossos fundamentos e por assim dizer 'salvar' este projeto de civilização que ainda se não concretizou.

E é claro que não estou me referindo a protestantismo ou capitalismo, os quais representam o desvio quase inicial e o início da 'crise' porém a nossas raízes clássicas: Socrático/Aristotélica e talvez, ao Cristianismo antigo ou episcopal. 

Reflitamos...

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Sionismo 
  • etc







domingo, 29 de janeiro de 2023

Um SOS pela cultura...






Que Huizinga, Toynbee, Spengler, Lewis Whydan, T S Elliot, Berdiaeff, L Bloy, Maritain e outros tantos pensadores tem em comum...

Sabido é que todos eles, em maior ou menos grau, reconheceram que nossa cultura e civilização estão em crise.

Nossas raízes clássicas ou greco romanas tem sido arrancadas desde seus fundamentos mais remotos pelo protestantismo judaizante, pelo capitalismo, pelo comunismo, pelo anarquismo, pelos modernismos, etc e após tudo isso está e vem o islã iconoclasta e arabizante...

Considere amigo leitor que cerca de seis séculos antes de Cristo floresceu uma cultura refinada que logrou manter-se por mais de mil anos...

Uma constelação de Filósofos, poetas, dramaturgos, historiadores, geógrafos, astrônomos, ensaístas, novelistas, etc  

Basta dizer que suas obras foram reunidas na grande Biblioteca de Alexandria - A qual em seu zênite deve ter contado com certa de meio milhão de tomos ou meio milhões de capítulos e umas setenta ou oitenta mil obras produzidas por cerca de uns dezesseis ou mesmo vinte mil autores, talvez um pouco mais.

Nas principais cidades do Império - Roma, Cartago, Atenas, Constantinopla, Antioquia... Haviam instituições similares, como se fossem uns arquivos do saber ou CPUs de computadores... Toda nossa cultura ancestral estava concentrada nos centros urbanos acima citados.

Ali estavam umas oitenta peças de Ésquilo, umas setenta de Sófocles, outras sessenta de Eurípedes, as poesias completas de Sapho e Cneus Nevius, as crônicas Históricas de Adibenos, Beroso, Apion, Maneton, Justo de Tvérias, Craterus, Alexandre Polihistor, Xanto, Helânicos, Ctsias, Éforos, Teopompo... Os cento e quarenta tomos de Lívio, M T Varrão, Catão - o antigo, Labeão, Tuberão... As Histórias do Imperador Claúdio sobre os estruscos e os cartagineses... os cento e quarenta e dois tomos dos Pinakes de Callimaco de Cirene, os Mapas de Eratóstenes, o Mapa celeste de Hiparco (Primeiro catálogo de constelações!)... Os textos de Alexemenos, Simão e Esquines sobre Sócrates; as obras de Antístenes, Cleantes, Crísipo, Clitodemo, Critóbulo, Diógenes, Fílon, Antíoco, etc As Doxografias de Teofrasto, Antístenes; o jovem, Antígono de Caristo, Sátiro, Sósion, Sosícrates, Hêrmipo, Heráclides, etc Os periplos de Eudóxio, Piteas, Ciláx, etc O cânone de Polikleitos, os planos de Ifictinos e Callicrates, etc, etc, etc Tudo muito bem disposto e catalogado em uma ou meia dúzia de Bibliotecas - De modo a atravessar os séculos, os milênios ou as eras e chegar até nós...

E no entanto...

Que podemos ler de tudo isso...

Praticamente nada.

Isso mesmo - Umas oito peças de Ésquilo, entre sete e nove de Sófocles e não mais que vinte de Eurípedes. Um fragmento considerável de Éforos e seu Mapa mundi em Cosmas Indicopleutes, trinta e cinco livros de Lívio i é cerca de 25%, alguns mapas estelares de Hiparco recentemente recuperados, um diálogo lacunoso de Esquines > É praticamente o que temos das obras acima citadas! E menos teríamos não fossem os preciosos papiros de Oxirrinco, aos quais tanto devemos em termos de literatura clássica, bem como os rolos carbonizados de Herculano, os quais são para nós como que duas janelas postas para nossa cultura ancestral.

Que teria ocorrido então...

De um lado os povos germânicos... os quais por diversas vezes incendiaram a capital do Império com suas quarenta Bibliotecas, sendo que a primeira foi organizada por Asínio Póllion sob os auspícios de Júlio César ou de Otávio. 

A outro foram as hordas dos sarracenos saídas dos desertos. 

E o Epílogo dessa triste história foi a destruição da grande Biblioteca de Alexandria, no século VII, por Amr Ibn al As, sob as ordem do califa muçulmano Omar ibn Katab - "Caso os livros sejam contrários ao Corão, devem ser lançados ao fogo, caso estejam de acordo com o Corão, ao fogo com eles, pois o Corão basta a si mesmo." Tais as palavras com que foi consumado o maior atentado cultural já cometido em toda a História.

É como se naquele ano a Humanidade tivesse seu cérebro extraído, declarou um autor. Foram séculos de atraso cultural, sentenciou outro. Pois fomos simplesmente alienados de nossas raízes... 

Posteriormente, o que havia sobrevivido em Constantinopla foi paulatinamente destruído pelos iconoclastas, pelos cruzados (Em 1204) e por fim durante a tomada da velha capital por Maomé IV em 1453... 

Eis porque não devemos estar seguros de que o quanto chegou até nós esteja seguro e venha a ser conhecido pelas futuras gerações.

Pois não se trata duma questão de técnica mas antes de tudo de uma questão de cultura, de amor, de pertencimento, de identidade... E essa identidade ou sensação de pertencimento esta seriamente ameaçada por diversas correntes ideológicas. 

Assustador observar como o número de estudiosos dedicados ao estudo dos clássicos tem diminuído geração após geração seja na Alemanha, na França, na Inglaterra ou nos EUA - Basta comparar o número dos que florescem atualmente com o número daqueles que floresceram no século XIX ou mesmo no curso do século XX. 

Vários os fatores que contribuem com essa calamidade. 

Antes de tudo o fechamento dos cursos de latim e grego, sob a alegação de que não trazem proveito imediato algum, de que não são práticos ou lucrativos. O primeiro e mais rude golpe, não nos enganemos, procede do Mercado ou dos interesses financeiros, pragmáticos e, numa palavra, profissionalizantes > Top é dirigir a molecada ao universo digital ou a contabilidade (sic). Apresentar-lhes Virgílio, Horácio, Ovídeo, Estácio, Tíbulo, Marcial, Lucrécio, Lucano, Catulo, Propércio, Arquílogo, Hesíodo, Homero, etc é pura perda de tempo...

O desastre aqui é duplo: Tais obras ficam cada vez mais abandonadas e desconhecidas do grande público e o grande público cada vez mais inculto, bárbaro e massificado - Pura intencionalidade política a serviço interesses financeiros e\ou credais...

Observe-se a tendência reinante no Estado de São Paulo - Profissionalizar a juventude ou ministrar-lhes uns cursos bastante sumários nos pisados termos do positivismo: Ler, escrever, contar, somar e conhecer algum modo de fazer ou técnica. Nada além - e o resultado é a eliminação o a diminuição do conteúdo humano, crítico e reflexivo de tais cursos. Nos quais é negado ao sujeito o direito de pensar solidamente, de formular juízos éticos ou de posicionar-se diante de um fenômeno estético como uma obra de arte. 

Não ignoro, que infelizmente, o curso de Filosofia e as demais humanidades, estejam, em sua maior, parte contaminados pelo pós modernismo, e isso com pleno assentimento da esquerda cirandeira. Concedo que a orientação ideológica de tais cursos, quando oferecidos por instituições públicas ao grande público, deva ser exaustivamente discutido ou problematizado. De modo a abrir algum espaço que permita a retomada dos clássicos e da Filosofia perene. Subtrair tal conteúdo é, a meu ver, a pior das soluções possíveis. Por que não resgatar e introjetar qualidade ao invés de eliminar...

Outro aspecto lastimoso da questão é o empenho do Mercado em cooptar as mentalidades mais brilhantes para o domínio das finanças ou ao menos para os setores considerados como mais valiosos e lucrativos. Afinal dedicar-se ao estudo e intepretação dos clássicos, via de regra, não é nem um pouco lucrativo, em que pesem os esforços. 

Do outro lado, das massas alienadas, temos Caríbdes: Habitualmente as mentes mais rasteiras, cooptadas por alguma das diversas seitas protestantes ou bíblicas, não apenas preferem estudar os livros judaicos do antigo testamento, como manifestam imenso desprezo para com tudo quanto envolva nossa herança clássica, a começar pela Mitologia. O que justificam pela disparidade religiosa...

Com efeito, desamparados pelas instituições escolares, e premidos; a um lado pelas necessidades e esforços econômicos - Num contexto cultural economicista, e a outro pelo fundamentalismo sectário, os estudos clássicos tem declinado ano após ano desde o século precedente.  

Então a pergunta que se faz é qual seriam, futuramente, os efeitos de tal abandono.

Abandono que alias, atinge já, os clássicos de nossa lingua. Especialmente por parte dos fanáticos religiosos e sob a mesma alegação: Nos recusamos a estudar seriamente as obras de um Antonio Vieira, de um Manoel Bernandes, de um Heitor Pinto, etc porque eram padres... 

E pelo mesmo caminho se vai> Um intolerável desprezo por um Dante, um Cervantes ou um Camões pelo simples fato de não terem sido protestantes...

E se o ideal do islamismo é arabizar temos que o protestantismo já angliciza ou germaniza, apartando-nos de nossas raízes greco romanas...

Mas quais serão os resultados de tal desprezo...

Aquele que ao invés de apegar-se aos elementos de sua cultura e valoriza-los, ousa permuta-los, tendem a tornar-se cada vez mais volúvel.

Quero dizer que se alguém está disposto a anglicizar-se ou a germanizar-se por quaisquer motivos que sejam não pensará duas vezes antes de arabizar-se, desde que julgue ter motivos para tanto...

Quem não mostra mínimo amor ou afeto pelos elementos de sua cultura, dificilmente estará seguro no seio de uma cultura que não lhe pertence. E será um peregrino ou vagante.

Por um lado corre a cultura grande risco - O risco de perder-se ou de perder seus conteúdos, exatamente como sucedeu durante a crise do Império romano, quando parte de nossa cultura ancestral foi perdido para todo sempre... E corre-se o risco de perder-se o homem, desumanizando-se, despersonalizando-se, barbarizando-se. Pois é uma via de mão dupla.

A um lado intensifica-se a massificação, por falta de contato com as fontes da cultura ancestral, e a outro se vai dando a perda dos elementos culturais, pelo abandono material ou a falta de trato. Na medida em que as Bibliotecas, Museus e Teatros vão sendo abandonados, se vai perdendo nossa Paideia, e nossa consciência, e nosso espírito e nossa identidade - Somos em parte Europeus e greco romanos, é um conteúdo precioso que faz parte de nossa ancestralidade, de nossa História, de nossas raízes... 

Podemos discutir pormenorizadamente as condições em que se deu o contato dos espanhóis, portugueses e particularmente ingleses, com os povos da América, com os povos pre colombianos, com os Maias, Incas, etc Se de fato tivemos uma invasão e em que termos se deu ela... Bem como sobre a relevância de certos elementos culturais oriundos da ancestralidade indígena... 

O que não considero justo ou honesto é tudo misturar e, consequentemente confundir, uma vez que tais invasores sequer pertenceram ao contexto do Cristianismo antigo ou apostólico, quanto mais ao contexto cultural pre Cristão greco romano. 

Por fim, no contexto de uma cultura que é necessariamente sintética, e ao menos em parte, tributária da Europa, do Mediterrâneo, da Itália, da Grécia e ainda do Egito e da Mesopotâmia, não vejo porque abdicar desse elemento ou desprezar esse conteúdo - Pelo contrário o que vejo é a extrema necessidade de retoma-lo e de tornar a valoriza-lo justamente com o propósito de opo-lo, alternativamente, as ideologias e culturas de morte procedentes dos EUA ou da Europa contemporânea.

Tal o propósito de nossos esforços nos campos da reflexão e das artes. 

Por meio da realização de eventos culturais em nossa região (Como a encenação dos clássicos da dramaturgia grega.) e também de aulas, palestras, vídeos, material escrito, etc Este Blog e o presente artigo corresponde a uma dessas iniciativas, todas, sem exceção gratuitas e sem qualquer ônus para os interessados - Nosso único interesse é coloca-los em contato com as fontes da nossa cultura, sejam gregas, romanas ou ibéricas. 

Dispondo de certa estabilidade financeira jamais pedimos qualquer contribuição financeira a nossos leitores. Isto num contesto em que agiotas da fé, explotam a boa fé alheia traficando 'milagres' e amealhando imensas fortunas! 

Sendo assim que te pedimos em troca amigo leitor...

Tudo quanto pedimos a si é que, caso confie em nossa cultura e seja simpático a nossa proposta, compartilhe nossos artigos com seus contatos e obtenha aderentes para nosso humilde jornalzinho... Se é amigo da nossa cultura, por favor, preste-nos seu apoio e divulgue este material. Desde já nosso abraço e votos de paz e bem a si e aos seus!

Nossa Biblioteca jamais será queimada ou reduzida a pó!!! Não haverá segunda edição dos catástrofes de Roma, Alexandria e Constantinopla!

sexta-feira, 6 de março de 2020

Em tempo de coronavirus - Opção pelo homem ou pelo Mercado?

Vezo nosso criticar os medievais e os antigos... e endeusar, em tudo, o nosso tempo i é a 'Civilização', sob diversos aspectos, já o dissemos 'sifilização' em vias de colapso.

De fato os medievos e os antigos não tinham nem conhecimentos nem tecnologia médica capaz de fazer frente a vírus, bactérias e demais agentes patógenos como temos nós.

Mas é bastante provável que tivessem mais caráter, prudência ou mesmo respeito pela vida humana. Podiam achar belos os combates entre homenzarrões portando achas, machados, espadas e lanças. mas não achavam tão belo assistir idosos, crianças, mulheres e mesmo animais tombando vitimados pela peste... Tinham uma salutar medo da peste. Ao menos isto...

O homem de homem possui conhecimento e tecnologia capazes de elaborar uma vacina em menos de seis meses.

No entanto temos de considerar esses seis meses. Durante os quais o coronavírus bem pode espalhar-se e ceifar número considerável de vidas, especialmente entre idosos e vulneráveis i é pessoas cuja imunidade esteja baixa.

Temos sobretudo de ponderar que nos EUA estão faltando kits para testes. E que na Itália - país que conta com um bom serviço público de saúde - faltam aparelhos respiratórios... Temos de ponderar isto e de questionar se o SUS do Brasil esta preparado pra enfrentar uma pandemia... ou mesmo se a estrutura da saúde nacional - Incluindo orgs privadas - esta a altura deste desafio.

Alias estamos falando de mundo.

E então temos de pensar que há países e grupos bem mais vulneráveis do que o Brasil. Que dizer de Guatemala, Belize, Equador, Bolívia, Guianas, Gabão, Nigéria, Sudão, Myamar, etc, etc, etc de culturas e tribos africanas, asiáticas e ameríndias???

Não sou nem um pouco inclinado a conspiracionismos.  Porém o fato de tantos países terem notificado os primeiros casos da doença no dia seguinte ao Carnaval me parece muito mas muito estranho... Será que não esta havendo má vontade quanto as vidas humanas?

Tudo quanto quero dizer é que com todos os infinitos defeitos que a modernidade folga atribuir-lhes, aqueles receosos medievos muito provavelmente fechariam as fronteiras das cidades e feudos ao primeiro sinal da doença. Não eu não penso que eles hesitariam ou demorariam muito caso soubessem como se dá o contágio.

Nós sabemos. Nossos políticos... Nossos líderes. Eles sabem muito bem como o vírus se propaga em 'proporção geométrica' e como é 'distribuído' por pessoas que não sentem quaisquer sintomas... Ele gira assintomaticamente...

E mesmo assim a maravilhosa ONU, dois meses depois... Não decreta estado de pandemia. Do que resultaria um controle mais rígido em torno das fronteiras ou viagens internacionais e dos eventos que, a exemplo do Carnaval, envolvem aglomerações... Excursões distrativas por exemplo seriam desestimuladas ou mesmo proibidas, assim quaisquer eventos capazes de congregar multidões. Se tal já não é capaz de tratar a disseminação do vírus por incúria, ao menos, será capaz de diminuir o ritmo do contágio e de poupar muitas vidas, até que a vacina seja produzida.

Tenho certeza de que qualquer povo antigo ou primitivo em posse do conhecimento que temos já teria tomado todas as providências práticas e cabíveis no sentido de evitar a propagação deste flagelo.

Nossos governos porém, e a ONU, estão agindo levianamente i é a passo de lesma ou tartaruga. Com o desperdício de vidas humanas, quiçá pensando que sejam apenas velhos ou mesmo que a pandemia possa remediar o excesso de população mundial. Dando cabo dela pura e simplesmente... Sim há quem veja nas guerras e epidemias uma forma da 'natureza' controlar a superpopulação... ou mesmo de beneficiar os mais 'aptos'. Sim, há psicopatas chamamos darwinistas sociais.

Assim a pergunta que não quer calar é simples: Por que estão dizendo para as pessoas não se alarmarem se a letalidade da doença chega a 15% entre os idosos e vulneráveis??? Acaso eles não são pessoas ou cidadãos com os quais a sociedade deva preocupar-se??? Será que os 3% de cidadãos 'mortos' nada conta ou significa??? Enfim por que a ONU e os diversos governos ainda não tomaram as medidas necessárias para evitar eficazmente esta praga??? Por que estão a omitir-se quando qualquer sumeriano ou medievo agiria, tomando as medidas corretas, alias bastante simples - Impedir aglomerações e restringir a circulação de pessoas pelo mundo??? Sim, falo em restringir o turismo!

Talvez os noticiários de TV possam auxiliar-nos a compreender o que esta acontecendo conosco e quais sejam os fundamentos arenosos da nossa 'silifização', uma 'sifilização' que sacrifica o homem, simplesmente por não prioriza-lo.

Já perceberam que os articulistas e jornalistas falam vinte minutos sobre o coronavírus e outros tantos vinte minutos ou mais sobre o Mercado, a Economia, as Finanças, a Bolsa, Investimentos, Crise, etc??? Já notaram a insistência mórbida a respeito??? Isto é a crise humana e já a vivenciamos... Eis a profunda crise porque passamos justamente por igualar ou sobrepor o econômico ao humano. Chama-se materialismo ou economicismo, e estamos mergulhados até os pescoços nesse lodo ou nessa lama.

Por que não paramos de emitir gazes poluentes e de acentuar o aquecimento global???
Por que não cessamos de desmatar ou de massacrar a vida animal???
Por que sujamos o Planeta???
Por que ainda não controlamos a densidade populacional duzentos anos após Malthus???
Por que brincamos com a natureza e seus recursos???
Por que ainda nos recusamos a ouvir J S Mill e seu discurso sobre a economia estacionária???
Por que ainda acreditamos num progresso infinito e ilimitado num sistema finito???
Por que ainda adormecemos embalados pela cantilena de Condorcet???

POR QUE NÃO BRECAMOS OU DIMINUÍMOS O RITMO DE PROPAGAÇÃO DO CORONAVÍRUS???

POR QUE A ONU AINDA NÃO DECRETOU PANDEMIA???

POR QUE NÃO ADMITEM O FECHAMENTO DAS FRONTEIRAS E IMPEDEM A REUNIÃO DE MULTIDÕES???

Qual o verdadeiro e real motivo da nova peste não estar sendo levada a sério???

Quem serão os prejudicados?

Sinto muito pelos liberais economicistas sabichões mas tenho de registrar mais esta na conta do capitalismo!

Pois a questão dos eventos e das viagens é apenas questão de consumo e turismo, assim de lucro, de capital, de dinheiro, de economia ou de finanças - Apenas isto.

Não se restringe a circulação ou a reunião de pessoas porque diminui os lucros e ameaça a economia - Somente isto.

Não se tomam as providências cabíveis porque as necessidades do Mercado foram colocadas - Já há uns quatrocentos anos! - acima das vidas humanas e do bem estar humano.

É para preservar o ritmo da economia e salva-la de uma possível crise que nada ou pouco se faz! É pelas bolsas de valores...

Mesmo porque, caso a epidemia se alastre ou propague os milionários sempre poderão embarcar em seus jatinhos rumo a países mais 'limpos' ou seguros ou pagar por um tratamento de ponta. Poderão pagar internação no Albert Einstein ou no Samaritano quando não puderem migrar para a Suíça ou para a Bélgica... Terão acesso aos melhores médicos e terapias e certamente serão os primeiros a obterem as vacinas. Por isso não estão receosos pela própria saúde e muito menos pela sua ou pela minha. Por isso eles só se importam com a Bolsa, com o Mercado ou com seus lucros astronômicos.

O mais patético é que comprando os políticos ou 'representantes do povo' eles ditam a política em diversos países (Como EUA e Brasil) ou mesmo na ONU... Tal a força política do poder econômico!

E com isto vão anestesiando o povo - Dizendo: Não se preocupem, enquanto os avós vão morrendo! - e deixando de fazer o que deveria ser feito... E assim se arrasta a pobre humanidade: Brincando com pandemias que podem fugir a todo controle e aniquilar grande parte da humanidade!

Cessem portanto de falar em trevas medievais quando a verdadeira treva esta bem aqui, diante de nossos narizes!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Produção de consciência e sua descontinuidade no curso da HISTÓRIA humana.

Breve será o objetivo deste artigo, destinado a confrontar os sistemas ou ideologias que jamais produziram ou que cessaram de produzir a consciência social, enquanto elemento aglutinante da cultura.

Anarquismo, Comunismo, Fascismo, Nazismo, Islamismo, social catolicismo, protestantismo, o PT (rsrsrsrs) dentre outras tantas propostas não implementaram a Mimesis, continuando a digladiar-se, tendo em vista a direção totalizante ou integradora de nossas sociedades em Crise.

O comunismo a princípio, encarando a organização partidária como um veículo antes de tudo educativo\formativo e portanto tal e qual fora idealizado por Marx e Engels, foi bem sucedido, começando a ocupar os espaços desguarnecidos pela Cristandade estagnada e inoperante. Todavia na mesma medida em que, com o 'revolucionário' Lênin, torna-se vitorioso, podemos observar o organismo do partido tornando-se cada vez mais político e controlador, alias na linha da mesma violência física deflagrada pelo processo revolucionário. Neste momento a prioridade passa a ser a conservação do poder, sicut Machiavelli e 'Il principe'... Cessa o esclarecimento ou a produção de consciência ou não satisfaz a nova demanda (Por não se ter concentrado nela ou simplesmente pecado por tentar adiantar o processo histórico e ignorar a força das estruturas - Especialmente culturais!). E a URSS colapsa ao cabo de setenta anos. Talvez a exceção da pequena Cuba, onde o comunismo é ideológica e culturalmente reforçado por uma justa tradição anti imperialista ou N Americana desenvolvida por Jose Marti, todas as sociedades comunistas mantenham-se apenas superficialmente, por via de um controle externo ou físico, donde resulta sua extrema vulnerabilidade.

Seria interessante oferecer um estudo mais aprofundado sobre o tema da Revolução cultural chinesa, o qual salientaria a complexidade do problema. Por absoluta falta de espaço não podemos oferece-lo agora. Mas recomendamos esta linha de estudos, especialmente aos que acreditam apenas no padrão externo da força ou do controle estatal para manter um grupo social coeso.

O anarquismo, especialmente nos EUA, onde foi contaminado pelo individualismo (cf Murray Bookchin) converteu-se em apêndice daquela cultura, a qual espera que avance na linha do minimalismo crasso. Reverteu assim em anarco capitalismo, corrente a serviço da ideologia dominante, a qual acredita dever levar adiante como herdeiro, e não se sai disto. Em outras partes, como Europa ou França assumiu um aspecto psicologista, irracionalista, subjetivo e em parte individualismo, até ser assimilado pelo pós modernismo, disto resultou uma fragmentação sectária em torno de tipos - O negro, a mulher, o homo afetivo, a criança, o ecossistema, etc que fogem a qualquer integração, e o estereótipo do rebelde sem causa, apenas disposto a gastar as energias da juventude ou a promover a violência pela violência, a luta pela luta... até chegar a agressão gratuita, que reporta as fontes do inconsciente. Tal o quadro geral de um anarquismo que pecou contra a racionalidade e apartou-se da salutar noção de municipalismo, fundamento da policracia ou democracia direta, a qual parecem ter perdido completamente de vista. E é um quadro desolador...

O fascismo e nazismo com a mesma petição a força, inda que militar ou conservadora, presente no comunismo, no islã e no protestantismo sectário, jamais lograram em produzir consciência ou em forma-las, desdenhando ou mesmo deplorando qualquer tipo de esforço educativo\reflexivo que ultrapassasse as fronteiras de um cientificismo\positivismo, acrítico, servil e abjeto. O padrão da força, do poder ou da violência sempre temeu as expansões da consciência livre e disposta a resistência, como demonstra aquele processo levantado por Anito, Melito, Licon e Diopeites; com o apoio velado de Aristófanes, contra o mestre de Atenas. Então o 'Converte ou morre' do islã com suas espadas e ameaças produziu apenas um sistema de controle eficiente, por rotineiro. O que ali se observa em termos de cultura é a impermeabilidade do Estado a uma educação livre, científica ou reflexiva, um terrorismo antes de tudo anti educativo, destinado a aprisionar as mentes. Há uma unidade cultural, mas, apenas imposta pelo poder arbitrário com absoluto sucesso, um treinamento multi secular, através do qual as pessoas foram domesticadas. O que se vê ali não é processo interno de ascensão da consciência livre e uma associação livre de pessoas.

Outro e específico o caso do protestantismo, o qual jamais logrou a produzir (Nem mesmo na Santa Genebra de Calvino onde o controle do poder colapsou tal e qual na URSS) ou reproduzir na Europa a mesma cultura bíblica ou israelita do século VII a C, tendo de perseguir este ideal horrendo na Inglaterra de Cromwell e enfim nos EUA onde foi apenas relativamente ou em parte bem sucedido, de modo que os radicais, como apontou Décio M de Lima nos 'Demônios', tiveram de migrar para o Brasil, onde trabalham neste exato momento com o objetivo de sabotar nossas culturas e substitui-las por aquele projeto.

De fato o protestantismo produziu um dos mais poderosos éthos ou espíritos de todos os tempos, a exemplo do budismo, do Cristianismo, do Islã e do Comunismo, o qual no entanto, por mais turbação que tenha causado, dispersou-se e jamais logrou realizar por completo, por ser a História, ao menos em sua totalidade de formas irreversível e o protestantismo bíblico, ortodoxo e sectário esse olhar utópico de resgate voltado para o A T ou para qualquer fase do judaísmo pré Cristã. Ademais, reforçando a negação do mundo, assim o maniqueísmo, o neo platonismo e outras forças, ele representou, ao menos a princípio, enquanto luteranismo e em seus ensaios, mais um elemento negativo ou o decidido abandono de um ideal Cristã tradicional vinculado a concretude ou a transformação do mundo, cujos imperativos partem da própria crença na Encarnação de Deus {Nada mais miserável do que um comunista apontar-nos isto, a nós Cristãos luteranizados e adormecidos!). Assim o protestantismo, negando-se a inserir-se no mundo e opondo-se a ação dos Catolicismos abre brecha para a produção de um novo tipo de cultura, a qual não dirige (Indiretamente ou por orientação Ética) mas com a qual colabora ativamente. O protestantismo aceita colaborar com o novo espírito do liberalismo econômico, a batiza-lo, a crisma-lo e a servi-lo, sancionado-o no plano da cultura. E assim se integra a ele como elemento da nova construção cultural, iniciada na terra 'Virgem' (De herança clássica ou católica) dos EUA. O resultado disto é a produção de um novo tipo de consciência - o mais recente - a consciência ou cultura americanista, fundamentada no Capitalismo, porém, como já foi dito, com a colaboração ativa do protestantismo, num segundo plano, e de alguns outros elementos. O protestantismo tomou parte na construção deste novo padrão de consciência e dele faz parte, ainda que subordinadamente.

O social Catolicismo, surgido no século XIX, apesar de deitar raízes no século anterior e de representar enfim toda tradição anterior, antiga e medieval, bem como a própria consciência e cultura do passado não logrou afirmar-se entre os neo Católicos luteranizados. Falhou quanto a contagia-los, eletriza-los e mesmo em constituir-se como grupo majoritário destinado a comanda-los. Contou com as melhores e mais nobres almas, chegou a antecipar o justo clamor dos comunistas, mas não impos-se e não vingou como consciência ou forma de cultura, isto a ponto de, no tempo presente, a grande massa de neo Católicos ignorar a Doutrina social ou não leva-la a sério, pelo simples fato da hierarquia religiosa não te-la tornado rigorosamente impositiva, a exemplo das moralidades privadas e inúteis. A maior parte do clero não conheceu e menos aina valorizou esta corrente que é essencial.
A resistência dos neo Católicos foi insuficiente, de modo que o americanismo ou a consciência capitalista ultrapassou suas fronteiras, invadiu nossas sociedades e instalou-se nelas, nem sempre nos lombos do sectarismo protestante, mas, as vezes nas espaldas dos liberalismos ou do positivismo acrítico.

Disto resulta a puerilidade de criticar um simples partido como o PT por não ter produzido cultura nos governos Lula e Dilma, limitando-se a criar consumidores e a promover melhoramentos gerais. Devemos no entanto deplorar que sequer tenha tentado faze-lo, demonstrando vergonhoso conformismo e admitindo alianças nem sempre recomendáveis, assim com os próprios fundamentalistas como o Crivella. Tampouco é Bolsonaro fascista, nacionalista ou qualquer coisa tanto mais profunda do que um pires, no sentido de possuir ideologia, cultura ou consciência. Imaginar Bolsonaro como homem de espírito é não ter espírito... Limita-se ele, por necessidades práticas e instigação dos a aderir ao modelo vigente nos EUA. Não passando de imbecil útil, a favor de uma cultura exógena.

Então onde e quando essa integração cultural, Mimesis ou ascensão Ética verificou-se na História humana. Sem a ascensão Ética, recentemente, lá nos EUA, sob os auspícios de um economicismo ocultado pela religião morta.

Com ascensão Ética e brilho em apenas três oportunidades: No Extremo Oriente por meio do Budismo e do Confucionismo. E esta Constelação manteve-se, ao menos em parte, até meados do século XIX, com a Rebelião dos Samurais e a morte da imperatriz Tsu Hsi. Basta dizer que estes sistemas plasmaram as sociedades do Japão e da China conferindo-lhes por séculos a fio uma coesão e estabilidade que mais para o Ocidente identificamos somente no Antigo Egito. A coesão e estabilidade do antigo Egito giravam em torno de um princípio mais simples: Uma religiosidade essencialmente conservadora, reforçada por uma territorialidade fechada, ou vice versa, como quer Weber. Ali no entanto houve continuidade de algo cujas origens se perdem nos tempos e não a produção de algo que podemos acompanhar historicamente, como no caso do extremo Oriente.

A segunda construção é de matriz racional ou metafísica e naturalista. Diz respeito a antiga Grécia, relaciona-se com a afirmação do conhecimento filosófico e atinge ou conquista o Império romano (E com ele todo circuíto do Mediterrâneo). Inda que a princípio variada esta construção acabou consolidando-se em torno das figuras de Sócrates, Platão, Aristóteles e do legado Humanista transmitido por eles. Prevaleceu ela por quase mil anos, até a queda do Império romano, embora para muitos jamais tenha saído de cena mas sido assumida pelo Catolicismo ou pelo Cristianismo antigo, já na construção da Teologia, já quanto a afirmação de certos postulados Éticos, pelo que poderíamos postular certa continuidade em torno de objetivos como a superação da fragmentariedade e a busca por uma unidade essencial. Para alguns analistas este devaneio grego ainda estaria em marcha através de sistemas ideológicos progressivistas ou escatológicos que não passariam de um Cristianismo secularizado, do que resultaria a possibilidade de um paraíso aqui na terra resultando ele quer da posse dos meios de produção pelo proletariado, do progresso técnico científico, do poder do Estado\lider, do Mercado, da eugenia ou purificação da raça, etc...

A Terceira grande Mimesis ou produção, em larga escala, duma consciência comum, deve-se ao Cristianismo, como continuador ou substituto do Socratismo ou da cultura clássica. Tendo prevalecido com sucesso, por mil anos, em Bizâncio, formação político cultural importantíssima e que deveria se estudada com maior atenção pelos ocidentais e no Ocidente europeu até o fim da Idade Média ou o século XV. Claro que aqui se trata duma reconstrução após a derrocada do grande projeto romano, a qual jamais foi satisfatoriamente realizada devido a sombra do Islã e que por fim foi por completo frustrada pelo advento da reforma protestante, ocasião em que uma Europa totalmente convulsionada sai dos trilhos e entra numa crise interminável (Que se prolonga até hoje). E por ter surgido, a par das diversas culturas de morte ou ideologias, uma nova forma de consciência (Rival da antiga) na América, acentuou-se ainda mais o conflito. Resta concluir que das Idades antiga e média, a partir delas, não houve um desenvolvimento orgânico mas uma drástica ruptura, e que os elementos, princípios e valores tradicionais, ali presentes e comunicados pelo passado foram abortados. O projeto Cristão Católico, desfigurado em parte pela brutalidade medieval, legado pelo socratismo permanece até hoje inacabado. O trágico é que ele representa a expansão da Encarnação do Verbo - desta vez a nível social! - ou a Encarnação de sua palavra (O Evangelho) sob os auspícios do Espírito Santo, sempre em comunhão com a vontade dos homens bons.

Nós, os amigos de Sócrates, acreditamos na retomada deste projeto.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Apogeus ou picos de estabilidade civilizacionais - Lista para ser trabalhada em aula de Sociologia Geral


Resultado de imagem para Alfred Weber



01) Suméria 3.500 a 2500 a C. Cerca de um milênio. Mesilim, Mesanipada, Urukagina e Puabi. Cidades - Ur, Nippur, Erech, Kish, Lagash, Eridu, Uruk, Shurrupak, Sippar... Oriente
02) Egito 3.200 a 2200 a C. Cerca de oito séculos. Narmer, Kufu, Kafra, Menkaura, etc. Oriente (Convencionalmente)
03) Elam. 3.200 a 1700 a C??? Cerca de mil e quinhentos anos. Oriente
Hieracompolis, Mênfis, Heliópolis, Óbidos, etc
04) Civilização harapiana. XXVI a XXI a C. Cerca de meio milênio. Oriente
Harappa, Mohenjo Daro, Dolavira, etc
05) Suméria - Acad XXIV a XXII a C. Cerca de dois séculos. Sargão I e Naran Sin. Oriente
06) Babilônia - XVIII a C. Um século. Hamurabi. Oriente. Conectas: Mari e Ebla
07) Civilização minoica XVII a XVII a C. Cerca de dois séculos. Ocidente
Cnosos, Faestos, Argos...
08) Egito b - XX a XIX a C. Cerca de dois séculos. Senusret I, Senusret II e Amenemat I. Oriente
09) Egito c - XV e XIII a C. Cerca de dois séculos. Hatshepsut, Tutmósis III, Amenofis III, Horemheb, Setui I, Meremphtá e Ramsés III. Oriente. Tebas e Tanis.
10) Hititas - Hatusha XIV e XIII a C. Cerca de dois séculos. Oriente
11) Micenas - século XIII a C. Cerca de um século. Ocidente. Argos, Micenas e Tirinto.
12) Arameus - séculos X a IX a C. Cerca de dois séculos. Hadadezer e Hazael. Oriente. Damasco
13) Israelitas - século IX a C . Cerca de um século. Acab. Oriente. Tersa e Samaria
14) Fenícios - séculos X e IX a C. Cerca de dois séculos. Oriente. Tiro, Sidon, Biblos e Arvad.
15) Assíria - séculos VIII e VII a C. Cerca de século e meio. Salamanasar III, Assaradon, Tiglat Pileser e Sargão II. Oriente. Calá, Assur e Nínive.
16) Babilônia - século 600 a 550 a C. Cerca de meio século. Nabu pileser e Nabu Kudurru Sur. Oriente
17) Pérsia - 540 a 440 a C. Cerca de um século. Ciro, Dario, Xerxes e Artaxerxes. Oriente. Ecbatana e Susa.
18) Atenas - 509 a 429 a C. Cerca de oitenta anos. Clístenes e Péricles. Ocidente
19) Cartago - VI a IV a C. Cerca de duzentos anos. Oriente
20) Etruscos VI e V a C. Cerca de duzentos anos. Ocidente. Populônia, Vetulônia, Volsinos, Tarquinia, Caere, Clusium, etc
21) Macedônia - 340 a 330 a C. Cerca de dez anos. Alexandre. Ocidente
22) Índia Maurya - século III a C. Chandragupta Maurya (Sandaracoto) e Assoka. Oriente. Pataliputra e Magada.
23) China a - Século III a C. Shi Huang Ti. Oriente
24) Alexandria - séculos III e II a C. Cerca de dois séculos. Filadelfo, Evergetes e Filometor. Ocidente
25) Roma a - Séculos III e II a C. Cerca de dois séculos. Scipião e os Gracco. Ocidente.
26) Roma b - 31 a C a 190. Cerca de dois séculos. Augusto, Vespasiano, Trajano, Adriano, Antonino e Marco Aurélio. Ocidente. Roma, Atenas, Cartago, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.
27) Bizantino a - 378 a 630. Cerca de dois séculos e meio. Teodósio, Justiniano e Heráclito. Ocidente
28) Neo Persa - V e VI. Cerca de século e meio. Kosroas Nousheirvan. Oriente. Seleúcia de Ktsifon.
29) Maia - VII. Cerca de um século. Pakal senhor de Palenque. Ocidente NM. Palenque, Pedras negras, Caracol, Quiriguá, Uxmal, Tikal, etc
30) Árabe/islâmico - VII e VIII. Cerca de século e meio. Harum, al Rashid. Oriente. Damasco e Bagdad.
31) Franco/Carolíngio. Cerca do século 732 a 840. Cerca de um século. Carlos Martel, Pepino; o breve, Carlos Magno e Luis; o piedoso. Ocidente.
32) Bizantino b - Séculos IX e X. Cerca de dois séculos. Ocidente
33) Itália - Século XIII. Um século. Ocidente. Milão, Florença, Siena, Viterbo, Ferrara, Luca, Pisa, Genova, Veneza, Bolonha, Pádua, etc
34) China b - Século XIV e XV. Cerca de dois séculos. Oriente
35) Portugal - Séculos XV e XVI. Cerca de século e meio. D João; o afortunado, D Doarte, D Manoel e D João III. Ocidente. Lisboa, Porto, Braga e Évora
36) Inca - Século XV. Um século. Pachacutec. Ocidente NM. Cuzco e Quito.
37) Asteca - Século XV. Um século. Axayacatl e Hauitzotl. Ocidente NM. Tlacopán, Tenochtitlan e Texcoco; além de Teotihuacan.
38) Espanha - 1492 a 1640. Um século e meio. Fernando, Isabel, Carlos V e Felipe II. Ocidente. Oviedo, Zamora, Saragoça, Toledo, Madrid, Sevilha, Salamanca, etc
39) França - 1640 a 1740. Um século. Luis XIV. Ocidente. Paris, Marselha, Lyon...
40) Inglaterra - 1750 a 1914. Um século e meio. Rainha Vitória. Ocidente. Londres, Machester, Bristol...
41) EUA - 1945 a 2000. Meio século. Kennedy. Ocidente. Nova York, Whashigton DC, Chicago, Detroit, Augusta, Atlanta, Los Angeles, Las Vegas, Maiami, etc
42) URSS - 1945 a 1970. Cerca de três décadas. Staline e Nikita Crushev. Ocidente. Moscou, Stalinegrado, Kiev, etc


O critério quanto a Oriente/Ocidente não é geográfico mas cultural.


Prevalência cultural.

Suméria: Das origens a Alexandre (Suméria, Acade, Novo Império Sumeriano, Babilônia, Hititas, Assíria e Persas...) - Cerca de 3.200 anos.

Egípcia: Das origens a Alexandre ou a afirmação do Cristianismo - Cerca de 2.900 ou 3.500 anos.

Elamita: Das origens ao império persa ou a afirmação do islamismo - Cerca de 2.700 a 3.800 anos.

Harapiana: Das origens ao século XX. Cerca de 4.500 anos.

Chinesa: Das origens ao século XX. Cerca de 4.000 anos

Todas estas culturas são primárias e de conotação mágico/fetichista, daí a sólida estabilidade cultural de que gozaram em que pesem os desastres políticas uma vez que o 'conteúdo' foi sucessivamente assumido pelos conquistadores/vencedores.

Judaico/Israelita: A fé judaica remonta a Joshiash (621) e ao Exílio babilônico (539). Podemos portanto atribuir-se uma resistência de 2.400 anos. Tem sido bastante debilitada nos últimos duzentos anos devido a sua presença no contesto Ocidental. A cultura judaica fez diversos empréstimos a religiosidade persa.

Greco/Ateniense: Esta cultura tem sido sucessivamente re assumida tanto no Ocidente quanto no Oriente geográfico (Bizâncio) por diversas sociedades - Assim > Alexandria, Roma, Bizâncio e Europa Ocidental (desde 1200) sofrendo diversas recomposições e diluindo-se cada vez mais. Sua influencia tem enfraquecido paulatinamente após o advento da Reforma protestante, do capitalismo e das instituições contemporâneas.

Romana: A cultura romana foi objeto de um Renascimento jurídico desde o século XI e de um Renascimento artístico/cultural desde os quatrocentos. Hipostasiou-se com a cultura grega, diluindo-a. Quanto as letras, sua influência acha-se bastante desgastada no Ocidente contemporâneo, mormente a partir do século XX.

Chamarei as culturas acima de secundárias. Nelas, desde a religiosidade dinâmica dos persas assumida pelos judeus até o assim chamado 'milagre grego' percebemos uma maior mobilidade cultural em termos de sucessivas rupturas, contexto em que os Filósofos gregos elaboram o primeiro modelo de pensamento naturalista, em oposição ao padrão precedente, mágico fetichista, o que deu origem a um conflito que se estende até nossos dias.

Maia: Ainda presente no interior da América Central, até onde pôde ser assumida pelo Cristianismo. Conta com mais de dois mil anos de permanência.


Islâmica: Conheceu as seguintes expansões - Da primeira Jihad as batalhas de
 Poitiers (734) e Talas (751). Do ano 1.000 a segunda Cruzada (1.100). Sob a liderança dos otomanos/Seljúcidas de 1300 a Lepanto (1571), sucedendo a partir daí a meados do século XX um arrefecimento, produziu alias pelo deficit técnico. A quarta expansão é a atual, que procede do Salaf, estimulado pelos Norte americanos desde os tempos da guerra fria.

Franco/Cristã: Modelo Cristão francês adotado por diversas sociedades europeias a partir de Carlos magno. Passou pela crise feudal. Prevaleceu na Alemanha até 1521 i é o advento da Reforma protestante, particularmente através do fantasmagórico Sacro Império. Na França podemos admitir que sua estrutura prevalecei até a grande revolução, assim por cerca de 1.000 anos
.
Hispano/Cristã - Modelo Ibérico totalmente distinto do Franco, do Inglês e do Itálico. Prevaleceu em Portugal até Salazar e na Espanha até Franco assim por cerca de 1000 anos.

A exceção da cultura Maia, que é trans oceânica ou trans atlântica, americana enfim, chamarei as culturas acima: Bizantina, Árabe/muçulmana e Medieval/europeia ou proto Ocidental de Culturas terciárias. A Bizantina não nos importa pelo simples fato de ter 'morrido'. Sobre a muçulmana podemos interpreta-la como sucessora e herdeira do judaísmo, embora despojada (ao menos desde a fixação da Ortodoxia Acharita e da aniquilação da Mutazila) daquele dinamismo que caracterizou-o em determinadas ocasiões. Em certo sentido o islamismo sunita/hambalita/wahabita/salafita nos faz lembrar o judaísmo estático ou farisaico que se estende do século I desta Era a Abravanel ou mesmo ao século XV. A Europeia foi transtornada desde as raízes por um Renascimento mais romano do que grego e enfim, ante e acima de tudo pela Reforma protestante. Desde então, dividida, e labutando contras suas próprias fontes e raízes culturais, a Europa entrou em crise, e jamais saiu dela.

Inca: Modelo recomposto após a conquista Cristã mas ainda fortemente presente no circuíto andino da América do Sul, mormente na Sociedade Peruviana. Como a cultura Inca remonta em verdade a cultura de Caral a 2.300 a C (Média) temos aqui uma afirmação cultural que comporta aproximadamente quarenta e três séculos. Por esta situada no Ocidente tem sido vulnerável ao americanismo e ao capitalismo.

Anglo/americana: Plasmada ou maciçamente influenciada pelo protestantismo e portanto por seu éthos individualista esta cultura assumiu os valores do liberalismo econômico (Capitalismo) e da democracia representativa ou indireta; e disseminou-se globalmente por todo planeta entrando em conflito com parte das culturas acima alistadas, do que resultou, por todo mundo, imensa crise de identidade. Podemos chama-la ainda de americanismo e dar-lhe cerca de quinhentos ou de trezentos anos, conforme o critério adotado.

Soviética ou Comunista: Representada pela antiga URSS, dissolvida em 1989. Embora tenha sido indevidamente classificada como Oriental ou derivada da Cultura russa, esta cultura é intelectualmente Ocidental pelo simples fato de que seus fundamentos mais remotos são os escritos de K Marx bem como o éthos jacobinista, que precedeu-o na Rússia. Fica em aberto em que nível apossou-se de estruturas tradicionais... Esta cultura existe ainda hoje, minoritariamente, em todas as Sociedades humanas atingidas pelo americanismo, ao qual faz veemente crítica.

Chamarei as culturas pós reforma protestante, sejam de concordância ou de repúdio - como as culturas Fascista, Nazista, Comunista, Anarquista, etc de culturas quaternárias sabendo que tal e qual a cultura capitalista/americanista acham-se difusas em diversas sociedades, inclusive nas culturas primárias sobreviventes - Inca, Maia, Chinesa e Indiana... do que resulta uma verdadeira sopa ou salada cultural. Destarte pode o leitor observar diversas propostas culturais em luta ou combate pelo mundo afora; assim: Resíduos de culturas primárias, islamismo, antigo modelo europeu Greco Católico, modelo americanista protestante e modelos naturalistas de oposição.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Dialogando com G Sorel

Resultado de imagem para georges sorel







Em G Sorel desembocam diversas tradições ou correntes de pensamento, as vezes demasiado afastadas uma da outra. A ponto de Lênin classifica-lo como um pensador embrulhado ou como diríamos confuso. De fato, a impressão que temos ao lê-lo é que sobrepôs um amontoado de ideias sem se preocupar com a coerência e ainda aqui carrega o vezo de Nietzsche e do anarquismo. Era honesto, e apresentava-se como irracionalista, para ele a tônica da vida era o mito. Não a razão, alias, racionalismo, intelectualismo, institucionalismo, pacifismo; e tudo quando temos em conta de civilizado era para ele decadente; e aqui encontra-se com O Spengler.

Há nele uma forte influência Católica ou mesmo agostiniana, que apesar da esperança, faz com que tema um futuro sombrio. Como Rosa Luxemburgo ele não é imune a hipótese da barbárie. Há um forte conteúdo conservador tomado a De Bonald, De Maistre, Tocqueville e outros que lhe infunde um ódio insuperável a democracia burguesa ou meramente formal e ao capitalismo; enfim ao conjunto que costumeiramente chamamos liberalismo, para ele essencialmente corrupto. É um homem, que acima de tudo, abomina a forma democrática vigente. Sera sucessivamente conservador ou melhor reacionário e marxista heterodoxo, flertará com o integralismo da 'Ação francesa' - aproximando-se de Ch Maurras (outro pensador bastante rico quanto perigoso), até namorar com Mussolini e o fascismo jamais renunciando a seu ódio anti liberal. Há nele um conteúdo Marxista, mas heterodoxo, posto que repudia o materialismo dialético, pelo simples fato de conhecer o valor das ideias e o significado do determinismo mecanicista. E nem aqui se esgota, pois há também nele um conteúdo anarquista que o leva a forjar o 'mito' da greve geral e a dissertar sobre o emprego metódico da violência. Pelo conteúdo marcadamente Ético, encontra-se com P Kropotkin e opõem-se já a Maquiavel, já a seus cultores sejam Bakunin ou Lênin, Marx ou Engels.

Como se vê este homem é um caudal de 'varia doctrina'.

Ademais os títulos de suas obras são por si mesmos significativos - "O processo de Sócrates" onde defende a condenação de Sócrates pelo areópago. "As causas da dissolução do comunismo", "A decadência do mundo antigo" e finalmente as "Reflexões sobre a violência" que é seu 'Magnum opus'.

Também escreveu, em 1889, uma obra sobre a Bíblia em que manifestava certa predileção pelo Antigo Testamento devido a seu conteúdo 'heroico' ou seja a seu caráter violento. O próprio Nietzsche em algumas de suas passagens parece ter esboçado o mesmo tipo de sentimento a respeito da excelência do antigo testamento face ao Evangelho e Wulfilas, o primeiro Bispo dos alemães, já havia deduzido por esta similaridade entre os livros dos antigos judeus, especialmente Reis e Crônicas, e o caráter do primitivo povo alemão sob o paganismo.

Assim na 'Decadência' não poupa críticas aos antigos gregos - ou aos romanos helenizados - com seu ideal de civilização racional, político e jurídico ou institucional, que encara como decadente ou degenerado. Para ele, Sorel - e aqui temos de pensar em O Spengler e no Nazismo - as fases mais grandiosas da civilização correspondem justamente aos momentos de crise e tensão, nos quais predomina a violência. Assim o antigo israel, a Germânia ante Cristã, a baixa Idade Média... períodos em que ele enxerga a apoteose do heroísmo, na esteira de Carlyle. Aqui temos a expansão da energia criadora, ali uma contensão ou negação desta energia que equivale a um estado vegetativo ou comatoso.

Há portanto, entre nós ele, uma contradição marcante em torno do progresso - que ele com certa razão, em termos técnicos, encara como utópico ou mitológico (crítica que vale para os positivistas) - pois o que encaramos como o ápice da civilização ele encara como decadência e o que encaramos como crise e decadência, ele encara como apogeu. Com efeito, o ideal deste irracionalista não podia estar na Grécia Clássica ou na Roma dos Antoninos e a Roma que ele glorifica é certamente a Roma imperialista e expansionista da República, a Roma de Scipião Afer e Múmio, a Roma que venceu Cartago e devastou Corinto!
Já dissemos - Com Catão, este homem expulsaria Carnéades e seus companheiros de Roma e subscreveria o Édito de Domiciano, enviando Epicteto e demais filósofos ao exílio. E ele não disfarça seu ódio pelos intelectuais de gabinete, responsáveis por falsear a História.

Apesar deste lamentável exagero, que malbarata a paz e sua consequência, que é o progresso artístico, literário, religioso, científico... Sorel não deixa de ensinar-nos grande e perigosas verdades. Homem de inteligência acurada não deixa de antever que a par da violência física responsável pelo derramamento de sangue há outras formas de violência, e de uma violência dissimulada ou oculta, que trás em si um germe de morte! Refere-se destarte a nosso pacifismo não poucas vezes hipócrita - que oculta covardia e decadência! - e a maldade com que é a institucionalidade manipulada e oprime o homem. O que este homem genial soube captar foi a pior forma de abuso sob a qual tem caído nossas instituições - A jurisprudência e o parlamento - no sentido de (Em nome da paz e da segurança) exercerem uma opressão dissimulada e hipócrita. Face a qual as massas institucionalmente oprimidas ficam completamente indefesas. Assim o fórum, o parlamento e até mesmo o púlpito servindo a dominação econômica ou a plutocracia; sutilmente é claro...

Sem atingir as instituições, cremos nós, Sorel demonstrou que elas não são imunes a um abuso deplorável por parte de muitos, e que o discurso em torno da paz e da civilização, da racionalidade e da institucionalidade, pode comportar uma intencionalidade essencialmente má, ignominiosa... Podemos usar dos conceitos e formas de civilização para dominar, oprimir e explorar mais eficazmente. Portanto temos de, sem condenar as instituições ou a civilização em si mesma - caindo no extremo de Sorel, e chegando aos confins do Nazismo - examinar muito bem o discurso e compara-lo com a realidade. Já Freud dissera com razão que no futuro as pessoas avaliarão a civilização em termos de acesso a ela mesma i é em termos de acesso ao prazer, face aos sacrifícios empenhados. E se nos parece que um ideal de civilização restrito, em que umas poucas pessoas privilegiadas tenha acesso a maior parte dos bens enquanto os demais ficam a chupar os dedos não se manterá para sempre...

Os benefícios da civilização devem ser paulatinamente estendidos a maior parte de seus membros, de modo que ela valha a pena. Por isso como o velho Keynes temos de falar em qualidade de vida ou em bem estar, em justiça social ou no bem comum de Aristóteles. São discursos indispensáveis e metas que temos de buscar atingir. Do contrário a civilização, encarada como mero Slogan, não resistirá as críticas honestas de um Sorel ou aos ataques, nem sempre injustos de um Marx ou de um Engels, de um Tolstoi ou de um Kropotkin, ou até mesmo de um liberal como J S Mill.

Outro aspecto demasiado interessante, que Sorel tomou a Nietzsche, e que precisa ser aprofundado diz respeito a mística no pacifismo ou mesmo da não agressão, a qual sempre pode ocultar fragilidade e covardia, malbaratando-lhe todo valor. Os Católicos mais esclarecidos concordam que a opção pela paz ou pela não agressão só tem valor quando assumida por alguém que é capaz de agredir, de atacar, de exercer a violência, de lutar e de vencer; jamais quando assumida por fracos e covardes a guiza de disfarce, o que amiúde tem ocorrido no terreno do Cristianismo. Massas degeneradas afetando pacifismo.

O martírio de nossos ancestrais, os pioneiros da fé, só teve valor porque em qualquer tempo podiam renunciar livremente a sua fé ou a seus ideais, e salvar suas vidas. Podiam escapar, podiam lutar e vencer, como declara Tertuliano, mas preferiram morrer por e com seus ideais. Aqui a força das ideias ou como quer Sorel, do mito - que ele mesmo tenta restabelecer. Aqui a força mais poderosa, a força interior e espiritual, a força do caráter ou da personalidade, que leva de arrasto a força meramente física. Mais forte é aquele que podendo lutar, combater e vencer se deixa supliciar por uma ideia. Quem mais controlado, disciplinado e vitorioso do que este homem??? Por outro lado o simples ato de deixar-se matar sem poder escapar ou ter forças para lutar, como no caso dos Romanov, não tem valor algum. Só é martírio se existe a opção de salvar-se por meio da abjuração. É a liberdade que mede a força do martírio, o qual implica em sair da vida voluntariamente. Hora quem vence o amor pela vida é capaz de vencer qualquer coisa.

Há aqui, no verdadeiro martírio que mostra-se indiferente face a morte, o adversário mais temido pelo gênero humano, uma força ou um poder que nem Nietzsche nem Sorel puderam aquilatar devidamente. Como há valor no autêntico pacifismo assumido por quem sendo forte poderia lutar e defender-se. E como há valor na não agressão por parte de quem poderia atacar ou lutar. Por outro lado Sorel não deixa de ter razão quando se refere aos degenerados que sendo covardes ou fracos assumem um pacifismo oportunista. É uma situação real e o mínimo que cada um deveria fazer é examinar a si mesmo antes de afetar aparências e profanar o Evangelho. Se é fraco ou covarde que assuma sinceramente suas limitações... É o mínimo que se espera de um Cristão devoto.

Destarte não é o pacifismo um valor absoluto, mas algo que será avaliado a partir de certas condições ou circunstância. E tampouco é absoluto, como já dissemos, face as exigências da justiça. Por isso concordamos com Sorel no sentido de que haja uma violência necessária e desejável, quando posta a serviço da justiça ou da vida humana, que são valores de ordem superior. Apenas acrescentamos, por questão de prudência, a seguinte restrição: O recurso a violência defensiva ou ao que chamam revolução só deve ser aplicado após se esgotarem todos os demais recursos quais sejam: A ação parlamentar, a greve geral, a mobilização, os recursos judiciais, a desobediência civil... Aplicados e esgotados todos os recursos não só podemos como devemos recorrer a violência. Não a violência pela violência, mas tendo em vista um objetivo ético, como a concretização da justiça.

Justiça seja feita, Sorel também condena a violência pela violência e denunciou como absurdas as execuções feitas pelos jacobinos durante a grande Revolução. Como certamente, apoiando Kropotkin e Martov, condenaria o recurso a tortura por parte dos bolcheviques. Não apadrinha psicopatas, inda que seu discurso contenha um entusiasmo imoderado do qual não partilhamos. Pois não nutrimos maiores ilusões a respeito da tal Revolução violenta, não a encaramos como uma panacéia e menos ainda como o ápice da civilização. Com todos os abusos e defeitos que cremos, devam ser eliminados, nós preferimos o ideal grego de civilização. Com olhos críticos, ainda assim optamos pela institucionalidade e pelo modelo racionalista, afinal também a Revolução pode degenerar e a violência sair do controle, resultando em algo tão funesto e monstruoso quando foi o nazismo. Ademais a teocracia, seja protestante ou islâmica, reforça também ela a apologia da violência, escarnecendo do Evangelho e seu ideal de paz relativa ou não violência.

Diante de tudo quando escrevemos vale a pela ler as 'Reflexões' de Sorel, mas da maneira como ele mesmo desejaria que as lessemos ou seja criticamente. Certamente uma leitura crítica de sua obra lhe seria muito mais honrosa do que uma leitura religiosa, tipo de leitura que ele, com travo de amargura, atribuía aos leitores de Marx e Engels... Portanto dialoguemos com Sorel ao invés de concordarmos mecanicamente com ele. E boa leitura!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Buscando responder algumas objeções levantadas II



Nos domínios do absurdo



Isto parece aterrador, não ter mais sentido... Diz meu amigo.



Não parece aterrador, bom amigo. É... Simplesmente é.

E já lhe digo que caso este sentido necessário, dependa de algo transcendente, também este algo transcendente fica sendo absolutamente necessário. Não somos responsáveis pela questão do materialismo e o tema do ateísmo tocarem ao sentido da existência ou melhor por essas ideologias destruírem o sentido, encaminhando o homem ao nihilismo, ao absurdo e ao desespero total. Até destruírem o homem, fazendo com que abandone decididamente uma farsa que jamais devería ter sido iniciada. Julgo alias que uma doutrina cujo o fim último seja a decepção, a frustração, o tédio, a auto alienação e a neurose, deva ser revista com todo cuidado.

É o caso do ceticismo crasso, é pura teoria, não serve para a vida, não tem sentido vital, não pode ser vivido ou praticado. Assim o nihilismo...

Aqui chegamos a Camus, com sua teoria do absurdo.

Pois o caos, o acidental ou o absurdo é que se opoem ao sentido.Caso abdiquemos do sentido temos de chegar a loucura. Afinal por que qualquer outro aspecto da existência teria direção ou sentido num quadro geral de absurdidade? Michel Foucault, Gatarri, Derrida e outros não brincaram quando tentaram quebrar as barreiras entre normalidade e loucura... Se tudo é absurdo como estigmatizar a loucura. Afinal condenamos a loucura em nome de um certo sentido a que chamamos normalidade. Os pós modernistas foram coerentes ao avançarem do absurdo a anormalidade generalizada ou a loucura. 


Não fica mal ao pós modernismo e o irracionalismo negarem o sentido, como negam a própria empiria e a própria ciência segundo suas respectivas cosmovisões.

O problema aqui é o cientificista, que - apesar de Kant - afeta objetivismo enquanto acesso a certa dimensão da realidade, encontrar-se com o irracionalista e pós modernista apenas para negar o sentido e canonizar o absurdo.

Levando o absurdo a sério


Aqui outra arbitrariedade uma vez que o pós modernista nega absolutamente tudo, mergulhando no subjetivismo crasso, enquanto que o positivista faz um recorte arbitrário e nega apenas o sentido geral da existência reservando o absurdo para o fim. Sem perceber que afirmando o absurdo metafísico torna sua própria ciência absurda. E pouco se nos dá que esse mesmo homem dê com os ombros e declare: Eis tudo que temos! Afinal a ciência no tempo presente é privilégio de uns poucos enquanto as multidões que se arrastam pela terra caminham para a dissolução e o nada. Se as migalhas de felicidade de que dispomos dependem do conhecimento científico a condição humana é bastante deplorável.

Ah, mas minha ciência não é absurda! Querido caso o princípio seja acidental ou fortuíto e o fim igualmente sem sentido algum, como crer que o meio. Mas compreendo como é difícil para vocês abandonar a única consolação ilusória de que dispõem, i é a objetividade cientifica face a crença no absurdo total corajosamente proclamada pelos pós modernista.
E no entanto este homem auto consciente e racional demanda pelo sentido, busca por um sentido, persegue o sentido... como uma mariposa lança-se as chamas da lamparina dirá certo pensador ateísta.

Psicologicamente, seja para Jung, Frankl, Allers e tantos outros teóricos o encontro do sentido corresponde a própria sanidade mental e sua negação a uma fonte de neuroses.

Para um grupo seleto de seres humanos


Compreendo que pessoas saudáveis, bonitas, jovens, limpas e bem nutridas desdenhem do sentido, que afirmem ser tal busca ociosa, a razão um verme e absurdo tudo quanto nos envolva.

Desde que haja casa, comida, roupa lavada e certa felicidade a negação do sentido pode ser viável ou mesmo tentadora. No entanto a maior parte dos seres humanos vive sob condições distintas e ouso duvidar que um tal tipo de ensinamento - apto para satisfazer pessoas realizadas e felizes - pudesse ser seriamente enunciado num Hospital, num Asilo, num Orfanato ou mesmo numa Favela... A absurdidade da vida é doutrina bastante restrita e parece não contemplar as necessidades existenciais ou psíquicas da maior parte dos seres humanos.

Os termos finais da 'bela' doutrina...


Foi apenas após a trigésima cirurgia que Freud pode abdicar por completo da esperança e descreve-la como um verme, pouco antes de recorrer ao clorofórmio e deixar o palco ou picadeiro da vida.. Raras são as esperanças de que um jovem que nega categoricamente o sentido da existência chegue a extrema velhice após uma série de vicissitudes e calamidades.

Werther de Goethe sequer precisou envelhecer ou passar por problemas de ordem material para sucumbir ao peso de uma existência sem qualquer sentido, e o simples ceticismo, bem como o agnosticismo - para não falarmos em materialismo e ateísmo - tem sido suficientes para levar ao suicídio um número cada vez maior de cidadãos escandinavos. Onde um aluvião de suicídios tem acompanhado os passos da ideologia nihilista, o que por si só basta para excluir qualquer análise superficial e forçada em termos de clima, afinal o clima tem sido estável há centenas de anos e o aumento dos suicídios um fenômeno relativamente recente que tem acompanhado a cultura. Tampouco passam eles por qualquer problema mais sério a nivel de organização econômica ou social. As condições de vida são as melhores do planeta, e a taxa de suicídios também, bem como as afirmações em torno do nihilismo, do absurdo e da total falta de sentido.

No entanto para que precisariamos ir a Escandinávia quanto temos Elvis Presley, Jacqueline Onassis, Bob Marley, Janis Joplin, Michael Jackson, Amy Winehouse e outras centenas de multi milionários precipitando-se como mariposas nas chamas de uma lamparina, após terem declarado explicitamente em diversas entrevistas que a vida não possuía qualquer sentido e que a  existência era absurda, Ah mas eles se drogavam ou embriagavam... Tente peguntar-se por alguns instantes sobre o pôrque deles desejarem fugir a existência. Antes de declarar que se drogavam ou embriagavam forçados pelos genes. Psicologicamente falando a falta de sentido e a conclusão pelo absurdo tem sido uma porta a berta para o consumo de bebidas ou de entorpecentes, mas a farsa dura pouco, afinal como diz Vintila Horia, pela droga o homem encontra a si mesmo e seu imenso vazio, vazio existência, vazio de ser... E põem fim a farsa.



Mais contradições - O Homem e a ideologia inumana


O curioso aqui é que o homem olhe para dentro de si mesmo e 
demande por sentido. Olhe para fora de si e encontre teorias muito mal feitas, prontas para dizer-lhe - Não pergunte por isso! Não peça isso? Não pense nisso!

Mas, este homem não se conforma com a negação do sentido a que persegue.

Tece questionamentos. Apenas para ouvir que são imponderáveis e que deve se contentar com o fardo da própria ignorância.

Aspira por uma dimensão ética da existência. Dizem que ela não existe...

E este homem comum não pode viver absurdamente ou fazer o que bem quer. Do contrário vai preso com base em critérios éticos e morais sem 'sentido', e é morto como Ravachol...

Tudo porque alguns indivíduos ricos e bem nutridos, e felizes tem a posse das armas e do poder, uma vez que não existe bem e mal fora dos indivíduos e que somos regidos por instintos ou genes egoístas... E ainda sim punidos ou castigados quando os obedecemos irresistivelmente. Assim a legislação fala em delitos e crimes, embora uma determinação genética ou um impulso sendo natural, não possa ser criminoso.

"Te devoro obrigado por minha natureza." Eis o que diz o monstro do filme, vermes rastejantes, a uma de suas vítimas a ser devorada.

Pobre homo sapiens... pobre animal racional!

A negação da Estética e o desprezo pela beleza.


Aspira por uma dimensão estética da vida, mas; as verdades 'puras' que abraça estão desvinculadas por completo do Bem e da Beleza, são frias e feias e por isso não lhe oferecem poemas, óperas, peças de teatro, pinacotecas, partenons e catedrais; declarando tudo isto artificial, ocioso, supérfluo e absurdo. A esfinge, o Alhambra e o Tja Mahal são frutos de uma fé... As universidades europeias, como Nápoles, Salamanca, Paris, Cambridge, Oxford, Lovaina... de uma fé e de uma Filosofia, tal e qual os Dialogos de Platão. Igualmente frutos da fé são Ilíada, a Odisséia, a Divina Comédia, o Paraíso perdido, os Lusíadas, a Jerusalém libertada, a Messiada e o Orlando furioso. A paixão de S Mateus e os Oratórios de Haendel. O Duomo de Florença, a Piazza de S Marcos e o campanário de Ulm, bem como a catedral de Colônia. Para não falarmos na Hagia Sophia ou em La Madeleine. A fé inspirou as encantadoras obras de um Ary Scheffer, a mitologia a pena de um Virgílio, de um Ovídeo, de um Estácio, de um Terêncio ou de um Propércio. Foram homens de fé ou de reflexão Sóflocles, Ésquilo, Eurípedes, Plauto, Gil Vicente, Shakespeare, Corneille, Racine e Molière. Assim a sensibilidade ímpar de um Fédro, de um Esôpo ou de um La Fontaine tampouco procedeu da vossa ciência positiva ou melhor da ideologia materialista ou da metafísica dawkiniana. O cientificismo tem sido esteticamente estéril, e parece não preocupar-se nem um pouco com isto...

A negação da Ética ou o desprezo pelo bem

Escusado seria falar nos orfanatos, asilos, escolas, hospícios, hospitais, albergues, dispensários, etc que o cientificismo nem erigiu no passado nem cuida ou porfia erigir no tempo presente. É verdade de a legítima ciência empírica, produz técnica. Mas não é menos verdade que esta técnica entregue ao mercado é negociada ou vendida como qualquer outra coisa, convertendo-se a magnífica ciência que endeusa em fonte de lucro ou renda para ele. Consequentemente imensas vastidões do planeta, como certas paragens da África e da Ásia, jamais são tocadas por essa técnica arrojada. Mesmo os pobres das Américas dificilmente tem acesso a elas. Tendo de recorrer ao pastor ou ao xamã (curandeiro). Exceto quando algum grupo de religiosos ou de humanistas compram os aparelhos (a técnica) e movidos por sentimentos 'duvidosos' transportam-na a tais remotas paragens. Consciência, empatia, alteridade, identificação, solidariedade, é coisa que o cientificismo parece não produzir.

Os medievos e nós - A nossa crise


Os medievos a que costumamos lançar paus e pedras costumavam preocupar-se mais do que nós com o homem. Multidões de monges e freiras, sem asseio ou técnica buscavam servir aos enfermos e a minorar-lhes os sofrimentos. Por falta de ciência - e por isso dizemos que a ciência é muito importante - e técnica não havia recursos em abundância, mas havia boa vontade e sincero desejo de ser útil. Os recursos humanos no entanto sobejavam e a crise era meramente material. No tempo presente temos a ciência que produz uma técnica refinada e doentes morrendo as baldas sem assistência nas periferias, ruas, praças ou a fila do SUS. Temos recursos suficientes para curar muito mais gente bem como para erradicar a fome do planeta, e mesmo assim - milhões morrem de fome e outros tantos de doenças 'curáveis'. Agora qual a razão disto? Simples. Hoje sobeja m recursos técnicos e materiais e faltam recursos humanos ou boa vontade. A nossa crise é muito pior do que a medieval porque humana, produto de um egoísmo, de uma insensibilidade, de uma desumanidade e de uma falta de ética que nossa ciência é impotente para solucionar.

"A ignorância é uma benção."


Temos supostas verdades positivas ou metafísicas cientificistas mas elas estão definitivamente apartadas da Beleza e do Bem, e este homem emancipado do século XXI é um ser fragmentado.

Tudo por quanto este ser racional aspira é avaliado ficção, ilusão ou engano pelos gurus da modernidade.

Mas não chegamos ao fundo do poço. E segue o drama supremo!
Pois este homem é consciente... auto consciente. A respeito do que sonha, aspira, quer...

E do quanto lhe negam ou dizem ser utópico, pretensioso, impossível...

Imagine por um instante uma borboleta ou uma águia, que possua asas perfeitas e não possa erguer-se do solo e cortar as nuvens... Para que ter asas? Para que servem as asas???

E no entanto estes anima
is tem, muito provavelmente, o benefício da ignorância ou da inconsciência.


Acaso não será melhor ser um 'frustrado' ou um fracasso natural sem ter consciência disto?

Mas, oh azar, na evolução sofreu uma hipertrofia e brindou-nos com esse cérebro que não só sabe afetar os modos de uma mente como fazer perguntas irrespondíveis.

Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e outros dramaturgos clássicos diriam que tudo isto é pateticamente trágico, mas nossos positivistas a tudo assistem sorrindo qual o desenrolar de umas das comédias de Aristófanes!

Uma bananeira que não produz bananas jamais conhecerá a infelicidade deste homem tolhido em suas legítimas aspirações, pois não foi amaldiçoada com o apanágio da auto consciência


Consciente este homem se sentirá frustrado e frustrado se tornará neurótico.

Equívoco consciente produzido pela sorte, pelo acaso ou pelo giro dos átomos eis tudo quanto é ele. Um acidente... Um aborto??? Não o sabemos! Ignorabimus!

Comunicar o absurdo...


 

Uma coisa porém julgo saber.
 

Dificilmente alguém que estivesse de fato convencido sobre o absurdo da existência ou o nihilismo, ousaria reproduzir-se, procriar ou por filhos no mundo a menos é claro que declare ser escravizado pelos genes. Do contrário seria cruel...

Afinal para que comunicar uma existência absurda a outrem, já diziam os sensatos Sartre e Simone. Para que prolongar a farsa???

Como dizer honestamente a uma criança que todos somos fruto de um acidente de percurso e que a vida é um absurdo? Como declara-lo a um jovem que passa por uma crise existencial.

Grosso modo os filhos desta geração esperam ser fruto de um planejamento  ou de algo previsto, desejado, acalentado e previamente amado, não duma camisinha furada ou de uma pílula que não funcionou. No entanto, como produtos da sorte ou do acaso, somos todos nós, seres humanos, resultados duma camisinha furada! E você ousará comunicar essa existência absurda a outrem???

E tudo termina pela mentira!




É ai que entra em cena ou darwinismo com sua nova ética ou o Dr Wilson, para ensina-lo que a mentira é um fator evolutivo e incita-lo a enganar seu filho, exatamente como os católicos desencontrados ensinam aos seus o mito grosseiro do gênesis ou como os demais cidadãos que ensinam seus filhos a esperar pelo Papai Noel ou pelo Coelho da Páscoa a cada ano...

Importante é que nossos filhos absurdizados continuem a mentir e mantenham a tradição da mentira, do contrário Werther encarnar-se-a outras tantas vezes sobre a terra.