Mostrando postagens com marcador debate. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador debate. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Uma réplica ao sr. Domingos acerca do abstencionismo







Em seu post intitulado Problemas em torno do anarquismo: anarquismo, socialismo e individualismo II o professor Domingos que é um dos escritores deste blog ataca o abstencionismo e propõe que a melhor forma de mudar o sistema viciado é mantê-lo, tese interessante, tão interessante quanto a dos marxistas que fazem a revolução, tomam o Estado, reproduzem o Estado burguês para que este um dia se torne comunista, isto é, uma sociedade sem classes. Não vou analisar o texto por inteiro mas apenas as partes mais significativas.

Segundo o professor Domingos:

"Só podemos admitir a viabilidade da democracia liberal ou burguesa COM O OBJETIVO DE TRANSFORMA-LA, DE AMPLIA-LA, DE APROFUNDA-LA; ENFIM DE TORNA-LA DIRETA OU POPULAR. Os sociais democratas não tiveram diante de si tal perspectiva, não lutaram por este ideal, não conceberam esta ideia ou possibilidade e por isso cometeram o equívoco fatal de conformarem-se com este padrão viciado. Tal não é de modo algum a nossa perspectiva".

Essa tese é muito parecida com a dos marxistas que falam da ditadura do proletariado, vamos governar o povo com mão de ferro e à medida que o socialismo se expandir a fase de transição que é a ditadura do proletariado cairá magicamente sozinha. A história está repleta de exemplos que o sistema representativo não funciona ou pelo menos não funciona como deveria funcionar e acreditar nesse sistema e querer perpetuá-lo é uma ilusão. Proudhon  que era anarquista tentou fazer conqistas no congresso, foi parlamentar e falhou miseravelmente.

Sobre as leis ele escreveu: O governo, portanto, deverá fazer leis, isto é, impor-se a si mesmo limites; porque tudo o que é regra para o cidadão torna-se limite para o príncipe. Ele fará tantas leis que chocará interesses; e, visto que os interesses são inumeráveis, que as relações nascentes umas das outras se multiplicam ao infinito, que o antagonismo não tem fim, a legislação deverá funcionar sem parar. As leis, os decretos, os editais, as ordens, as decisões cairão em abundância sobre o pobre povo. Ao cabo de algum tempo, o solo político será coberto por uma camada de papel que os geólogos não terão senão que registrar sob o nome de formação “papesóica”, nas revoluções do globo. A Convenção, em três anos, um mês e quatro dias, vomitou 11.600 leis e decretos; a Constituinte e o Legislativo não produziram muito menos; o Império e os governos posteriores trabalharam do mesmo modo. Atualmente, o Bulletin des Lois contém, diz-se, mais de 50 mil; se nossos representantes cumprissem seu dever, esta cifra enorme seria logo duplicada. Acreditais que o povo, e o próprio governo, conserva sua razão nesta balbúrdia?

Acerca desse governo defendido pelo sr. Domingos, Kropotkin escreveu:

"Os defeitos das Assembléias representativas não nos causarão estranheza, se refletirmos um momento apenas sobre a maneira como elas se recrutam e como funcionam.

Será preciso que eu descreva aqui o quadro, tão pungente, tão profundamente repugnante, e que nós todos conhecemos, – o quadro das eleições? Na burguesa Inglaterra e na democrática Suíça, na França como nos Estados Unidos, na Alemanha como na República Argentina, não é essa triste comédia em toda parte a mesma?

É preciso contar como os agentes e as comissões eleitorais “forjam, arrumam” uma eleição (verdadeira gíria de larápios), espalhando para um lado e para o outro, promessas políticas nos comícios; como eles penetram nas famílias, adulando a mãe, o filho, acariciando se for preciso o cão asmático ou o gato do “eleitor”? como eles se espalham pelos bares, convertem os eleitores e atraem os mais calados abrindo com eles discussões, como esses burlões que vos arrastam ao “jogo da vermelhinha”? como o candidato, depois de se ter feito desejar, aparece enfim no meio dos seus “queridos eleitores”, com um sorriso benevolente, o olhar modesto, a voz melíflua, – tal qual como velha megera que aluga quartos em Londres, ao procurar enredar um locatário com o seu doce sorriso e os seus olhares angélicos? É preciso enumerar os programas mentirosos – todos mentiosos – sejam eles oportunistas ou socialistas-revolucionários, nos quais o próprio candidato, por pouco inteligente que seja e por pouco que conheça a Câmara, acredita tanto como acredita nas predicações do “Mensageiro Coxo” e que ele defende com entusiasmo uma verbosidade, uma entoação de voz, um sentimento dignos de um doido ou de um ator de feira? Não é debalde que a comédia popular se não limita a fazer Bertrand e de Robert Macaire simples burlões e lhes acrescenta a essas excelentes qualidades a de “representantes do povo” à busca de votos e de lenços para roubarem".
2

Kropotkin continua a surrar impiedosamente essa "democracia maravilhosa" tão querida pelo sr. Domingos:

"Transformai o sistema eleitoral como quiserdes: substitui o escrutínio por pequenos círculos, pelo escrutínio de lista, fazei as eleições em dois graus como na Suíça (eu falo das reuniões preparatórias) modificai-o quando puderdes, aplicai o sistema nas melhores condições de igualdade, – talhai e retalhai os colégios eleitorais – o vício intrínseco da instituição não terá com isso desaparecido. Aquele que souber conseguir a metade dos sufrágios (salvo muito raras exceções, nos partidos perseguidos), será sempre nulo, sem convicções – o homem que sabe contentar toda a gente".


Sobre Proudhon parlamentar escreveu Kropotkin:

"Pobre Proudhon, eu calculo os seus dissabores quando teve a ingenuidade infantil, de entrar na Assembléia, de estudar a fundo cada uma das questões como ordem do dia. Levava ã tribuna algarismos, idéias – nem sequer o escutavam. As questões resolveram-se todas antes da sessão, por esta simples consideração: é útil, é prejudicial ao nosso partido? A contagem de votos está feita: os submissos são registrados, contados cuidadosamente. Os discursos não se pronunciam senão para efeito teatral; não se escutam senão quando têm valor artístico ou se prestam ao escândalo. Os ingênuos imaginam que Roumenstan, arrebatou a Câmara com a sua eloqüência, e Roumenstan no fim da sessão, estuda com os seus amigos a maneira como poderá realizar as promessas feitas para caçar os votos. A sua eloqüência não era mais do que uma cantata de ocasião, composta e pronunciada para divertir a galeria, para manter a sua popularidade com algumas frases empoladas". 4  

Isso para não falar de outros anarquistas e/ou abstencionistas que tem alertado contra o sufrágio universal desde o século XIX. Os socialistas autoritários acusam os abstencionistas de traidores, de fazer o jogo da direita mas essa tática é velha. No fim das contas quem faz o jogo da direita é sempre a esquerda, esquerda essa que se metamorfoseia na direita. Eu mesmo tornei-me abstencionista depois das eleições de 2014. Desde que o PT é situação tenho votado no PT para a presidência da república e no PSOL  para candidatos à senadores e deputados federais e estaduais. Depois que a Dilma Rousseff escolheu Joaquim Levy para ser ministro da fazenda e Kátia Abreu para ministra da agricultura deixei de acreditar no  PT e no sistema representativo. Não votei no PT para esse partido agir como o PSDB.  Isso para não falar no governo de austeridade do PT com seus cortes, com ideias de criar e arrecadar mais impostos. Desse modo o PT revela-se mais um partido mais do mesmo e nesse quesito chega a ser pior do que os partidos da direita pois a direita não engana quanto à sua proposta e o PT enganou seus eleitores. O que levou-me ao abstencionismo não foi tanto as leituras anarquistas mas a prática canalha do PT assim como a cegueira dos partidários do Lula & cia. 

Domingos escreve em seu post: 

"Se os libertários e os socialistas retirarem-se da via institucional ela só poderá ser ocupada pelos totalitários e capitalistas. Agora que proveito resultará disto??? Como queixar-se das igrejas, parlamentos, sindicatos e escolas que nós homens virtuosos abandonamos? Com denunciar o pecado das igrejas, a infidelidade dos parlamentos, a imoralidade dos sindicatos, a condição totalitária de nossas escolas se não estamos lá combatendo tais vícios". 

O Brasil elegeu dois presidentes do PT e o que mudou? O Brasil elegeu senadores e deputados do PT e o que mudou? Para os pobres não muita coisa e o PT só está no poder porque teve que curvar-se ao capital, não foi o povo que elegeu o PT foi o dinheiro dos investidores e o poder do marketing advindo de muita grana. Depois de 4 governos petistas acreditar que o Brasil vai tornar-se socialista pelas vias da representatividade é de duas uma ou loucura ou burrice.  Ademais o sr. Domingos acredita que democracia é ir em sua seção eleitoral a cada dois anos e votar. Anarquistas, autonomistas e abstencionistas em geral fazem política além do voto. A verdadeira política independe de governo mas é muito mais  fácil eleger líderes e ficar com a consciência tranquila do dever tranquilo. O sr. Domingos pensa que a democracia representativa pode ser transformada na verdade é ao contrário que acontece, quem dela participa é que é transformado, veja o PT dos anos 1980 e veja o PT de hoje. 

Para justificar sua paixão pela "democracia representativa" ele cita Platão:

Não posso deixar de concordar com Platão: "Se você sendo bom retira-se da vida política não deve reclamar que a vida política esteja má. Se os virtuosos retiram-se da arena política como evitar que seja ocupada pelos viciosos? Se você é bom entre na vida política e torne-a boa."

Os anarquistas e os abstencionistas ao deixarem de votar não se retiraram da vida política, não, eles fazem política de outra forma. A abstenção é uma forma de política é a não aceitação de um sistema que não funciona, que não atende e nem atenderá as demandas populares, tudo não passa de encenação, farsa. 

Domingos afirma:

Cuida talvez que as instituições que condena e abandona nada signifiquem ou produzam. No entanto tais instituições continuam a influenciar poderosamente as vidas das pessoas para mal ou para bem. Querendo ou não os parlamentos produzem leis e as leis afetam as vidas de milhões e milhões de seres humanos. O anarquismo abstencionista 'encara' as instituições como se não existissem, convencido de que o mundo seria bem melhor sem elas. Problema é que esta vontade ou desejo não faz com que as instituições deixem de existir e de operar.

Com votos ou sem votos as leis vão continuar sendo feitas mesmo a contragosto do povo pobre, pois os parlamentares não estão lá para representar os interesses do povo mas sim os interesses de seus partidos e seus próprios interesses. 

Para arrematar o sr. Domingos afirma que o abstencionismo é um dogma anarquista, não, não é dogma e essa sua afirmação é risível, não votar é princípio de coerência, pois se voto eu aceito o Estado, suas leis, aceito que legislem em meu nome, que me representem sem me representar. O anarquismo não tem dogmas mas tem princípios como qualquer instituição/ideologia. Por afirmar a liberdade isso implica que o anarquista deve deixar todo mundo fazer o que quiser como por exemplo: matar, roubar, estuprar, enganar? O que o anarquismo propõe é a liberdade para todos e a liberdade para todos implica em opressão para ninguém nem mais nem menos. 

Notas:

1. PROUDHON, Pierre Joseph. A propriedade é um roubo e outros escritos anarquistas.
2. KROPOTKIN, Piotr. O Governo representativo.
3. KROPOTKIN, Piotr. O Governo representativo.
4. KROPOTKIN, Piotr.   O governo representativo.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Darwin era ateu?


No site MS notícias foi noticiado que um procurador ateu protestou contra colega de Mato Grosso do Sul. Até aí tudo bem. Depois de responder o colega passa a atacar o cristianismo em especial o catolicismo romano dizendo que este não tem contribuído para a vida... O que é questionável. Que a Igreja romana fez muita merda coisa ruim não nego, mas dizer que só fez coisas ruins e não contribuiu em nada, isso eu nego. Mas deixemos isso de lado, pois o propósito deste texto não são os papas nem os cardeais ou quaisquer dignatários da Igreja Romana. Este texto versa sobre Darwin e seu suposto ateísmo.

O senhor Inajá Guedes Barros comete um erro crasso quando indica leituras ao promotor: "Sugiro a leitura fácil de SAM HARRIS e RICHARD DAWKINS,além de DARWIN, é claro, dentre outros ilustres ateus".


Ele sugere a leitura de ilustres ateus e Darwin está no meio. Mas será que Darwin era ateu?
Para tanto nada melhor do que seguir o conselho do procurador de justiça, o senhor Inajá Guedes Barros: "Prenda-se aos fatos e não aos mitos".

Mito: Darwin era ateu.
Fato: Darwin era agnóstico.

Vamos aos fatos que parecem não ser do conhecimento do senhor Inajá.

A evolução do pensamento de Darwin:

"Autores da mais alta autoridade parecem plenamente satisfeitos com a hipótese de que cada espécie foi criada independentemente. No meu parecer, pelo que sabemos das leis impostas pelo CRIADOR, ajusta-se melhor à hipótese de que se a produção e extinção dos habitantes passados e presentes do globo sejam devidas a causas secundárias, como as que determinam o nascimento e a morte do indivíduo.
... Existe algo de grandioso nesta concepção da vida, com seus diferentes poderes, originariamente impressos pelo CRIADOR e em poucas formas, em uma forma só; e no fato de que, enquanto o nosso planeta continuou a girar conforme a imutável lei da gravidade, de tão simples início evoluíram e continuam evoluindo inumeráveis formas, belíssimas e maravilhosas". (A Origem das Espécies)

Darwin foi descrendo aos poucos do cristianismo mas nunca chegou a ser ateu. Reproduzo o texto no qual Darwin se afirma como agnóstico, o texto foi publicado pelo blog De rerum natura:

"Outra fonte de convicção quanto à existência de Deus, ligada com a razão e não com os sentimentos, influencia-me como tendo muito mais peso. É uma questão da extrema dificuldade, ou melhor, impossibilidade, de conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem com a sua capacidade de olhar para o passado distante e para o futuro longínquo, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta.







Esta conclusão estava fortemente implantada na minha mente, tanto quanto me posso recordar, pela altura em que escrevi "A Origem das Espécies"; e foi depois disso que se tornou gradualmente mais fraca, com muitas flutuações.






Mas então surge a dúvida - será que a mente do homem, que se desenvolveu, como creio sem reservas, a partir de uma mente tão primitiva como aquela que o animal mais primitivo possui, é de confiança relativamente à sua capacidade de inferir conclusões tão grandiosas? Será que não são simplesmente o resultado da ligação entre causa e efeito que nos impressiona como sendo necessária, mas provavelmente depende apenas da experiência herdada? Nem devemos deixar de considerar a probabilidade de que a constante inculcação da crença em Deus na mente das crianças possa produzir um efeito tão intenso, e talvez herdável, nos seus cérebros ainda não completamente desenvolvidos, que depois é tão difícil para elas abandonarem a sua crença como é para um macaco abandonar o seu medo intenso e instintivo de cobras. Não posso pretender lançar luz dobre problemas tão abstrusas. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por isso contento-me em permanecer Agnóstico"






- Charles Darwin, "Autobiografia", Relógio d' Água, Lisboa, 2004, tradução, introdução e notas de Teresa Avelar (original de 1887, publicado postumamente pelo seu filho Francis, que cortou partes do texto, satisfazendo pedidos da sua mãe Emma e sua irmã Henrietta, que eram crentes).

O senhor Inajá talvez tenha confundido agnosticismo com ateísmo, mas isso seria um erro imperdoável, já que ambos os termos são claros para quem é ilustrado. Ou talvez ele tenha recebido alguma revelação celestial, mas como, se ele é ateu? Teria Darwin descido nalgum centro espírita para avisá-lo que ele (Darwin) era ateu? Mas como se o senhor Inajá é ateu? Teria o senhor Inajá encontrado documentos ulta-secretos na qual Darwin postulava seu ateísmo? Não sei, são hipóteses muito estranhas confesso. Usemos então a navalha de Ockham que diz: "A hipótese a ser escolhida dentre as que explicam um determinado fenômeno deve ser a mais simples dentre todas as hipóteses". Pela navalha de Ockham só temos duas hipóteses plausíveis: ou o procurador de justiça errou por malícia ou por ignorância.  Se errou por malícia não tinha que dar lições de moral em seu colega; Se errou por ignorância também não deveria corrigir uma vez que fala sem conhecimento de causa.
 
O que é o agnosticismo? Agnosticismo é uma suspensão de juízo, isto é, nem se afirma nem se nega a existência de Deus.
 
O que é o ateísmo?  Negação da existência de Deus.
 
Portanto agnosticismo está tão perto do ateísmo quanto eu estou longe de ser dono do banco Santander.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um catecismo divertido parte II

Ontem eu postei a primeira parte do texto: Um catecismo divertido do politiqueiro bispo Dom Geraldo Doença Proença Sigaud. Sem mais delongas e na agradável companhia do leitor pensante, passo a comentar as pérolas do santito.

7 Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?



Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.

Mas segundo a biologia o homem é um simples animal e dentro da linha da evolução não existe nem mais nem menos evoluído. Acho que o bispo nunca folheou um livro didático de biologia. Como teólogo foi um ótimo bispinho de capela.

8 Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?



A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.


São dois extremos o materialismo vulgar e o idealismo platônico. É evidente que os adeptos do primeiro caso nada mais são do que a reação contra o idealismo platônico presente dentro desse falso cristianismo. Pois quem é que não sabe que o cristianismo a partir do 5º século tornou-se maniqueísta, graças à influência de Santo Agostinho que bebeu em fontes neoplatônicas. Ora, para esse cristianismo a carne é corrupta, os instintos sexuais são maus, devemos odiar os prazeres, porque este mundo é um desterro, um vale de lágrimas, pois se não fizermos isso - dizem os padres - não entraremos na beatitude. Por causa dessa doutrina os padres deixaram de lutar por um mundo menos injusto, e essa ideologia serviu aos senhores feudais, depois aos reis absolutistas e agora tem servido à burguesia. Como não podia deixar de ser o materialismo vulgar foi para o extremo contrário.

10 A seita comunista dá importância à Religião?



Embora negue a existência de Deus, e afirme que a Religião é coisa quimérica, o comu­nismo dá grande importância ao fato de que existe Religião no mundo, porque vê nela o seu maior inimigo. Lenine a chama de “ópio do povo”.


Uai, não foi Marx quem disse que a religião é o ópio do povo?


11 Por que a Religião é inimiga do comunismo?



A verdadeira Religião, que é a Religião Católica, é inimiga mortal do comunismo, porque ensina exatamente o contrario do que ele ensina, e inspira os fieis a preferirem a morte às doutrinas e ao regime comunista.

Ou seja ensina que o trabalhador deve ser explorado pelo capitalista, e que este deve se conformar com isso porque são desígnios divinos. E que a morte é melhor do que sujeitar-se ao socialismo/comunismo. Já o capitalismo não é inimigo da Igreja Romana, mas inimigo do Cristo que condenou os ricos diversas vezes nos Evangelhos.

13 Para conquistar o poder, que faz a seita comunista com referência à Igreja Católica?



Para conquistar o poder, a seita comu­nista procede da seguinte maneira com relação à Igreja Católica:


a) Procura persuadir os católicos de que não há oposição entre os objetivos da seita e a doutrina da Igreja. Procura até apresentar as idéias comunistas como a realização da doutrina do Evangelho.


b) Procura criar urna corrente intitulada de “católicos progressistas”, “católicos socialistas” ou “católicos comunistas”, para desorientar e desunir os católicos.


c) Procura atirar as organizações católicas contra os outros adversários naturais do comunismo, como os proprietários, os militares, as autoridades constituídas, para dividir e destruir os que se opõem a conquista do poder pelo Partido Comunista.


d) Favorece as modas e costumes imorais para minar a família e portanto a civilização cristã da qual a família é viga mestra.


e) Mantém nas nações cristãs a sociedade em constante agitação, fomentando antagonismo entre as classes, as regiões do mesmo pais, etc.

O comunismo só tem mostrado as incoerências desse falso cristianismo que não é e nunca foi o cristianismo de Jesus. Sempre digo que o comunismo revolucionário e ateu surgiu graças a esse cristianismo degenerado, se o cristianismo tivesse continuado na linha dos Padres da Igreja, é certo que existiria um Marx e um Lênin, mas jamais um marxismo-leninista. Enquanto houver essa desigualdade gritante o mundo ainda ouvirá falar do nome "temível" de Karl Marx.
No tocante a imoralidade que o prelado fala, a imoralidade é apenas uma palavra pomposa para defender costumes que não são nem eternos nem universais.

14 Depois de conquistado o poder, que faz a seita • comunista com a Igreja Católica?



Sua tática com a Igreja Católica, depois de conquistado o poder, varia de acordo com as circunstâncias. Mas os passos da luta em geral são os seguintes:


a) envolver os católicos nos movimentos promovidos pelo Partido Comunista;


b) afastar os Bispos, Sacerdotes e Religiosos que resistem; se preciso, matá-los;


c) liquidar os líderes católicos;

d) separar a Igreja do país, da obediência ao Santo Padre.

Todas ou quase todas essas táticas também foram usadas pelos prelados da Igreja Romana muito antes dos comunistas existirem.

A Igreja Romana depôs reis, desuniu povos, converteu povos à força, matou os que resistiram, etc... É o roto que fala do esfarrapado.

16 Se o comunismo ensinasse que Deus existe, e tolerasse a Religião, os católicos poderiam ser comunistas?



No dia em que o comunismo admitisse que Deus existe, e que ele é Senhor nosso, já não seria propriamente comunismo.


Como assim? Não existe um socialismo/comunismo cristão? Será que o bispinho nunca ouviu falar na República guarani, que era comunista e cristã? Não, decerto não.

18 Em que outros pontos fundamentais existe esta divergência radical?



Esta divergência existe em todos os pon­tos. Mas ela é mais fundamental em relação à verdade e a moral, a família, a propriedade e a desigualdade social.

Em relação à verdade, claro, o papa e seus sequazes se acham donos da verdade. A divergência em relação à moral, à família, a propriedade e a desigualdade social é fato. A palavra moral vem do latim mores e significa costumes, ou seja, foi criado e imposto aos habitantes de um determinado lugar. Isso quer dizer que a moral nem é eterna nem universal. No tocante a família burguesa esta tem se mostrado uma verdadeira farsa ao longo da história,é uma família que já não tem razão de ser em nossa época.
Quando o prelado fala da proprioedade e da desigualdade social nem parece um bispo romanista, mas um pastor protestante calvinista. Creio que faltou ao bispo o estudo de Tomás de Aquino que não era socialista, mas defendeu pontos interessantes no que diz respeito à propriedade.

19 Que ensina o comunismo a respeito da verdade?



Ensina a Igreja que Deus criou o mundo e criou a alma humana, que é inteligente. A alma conhece a verdade das coisas. Ela afirma que urna coisa é idêntica a si mesma, dizendo o que é, é; o que não é, não é.


O comunismo ensina que não há verdade. Uma coisa pode ser e não ser, ao mesmo tempo. Uma coisa é ela e o contrário dela.

O bispo que se diz seguidor daquele que disse: "Eu sou a verdade" (Jo 14,6), mente descaradamente quando afirma que o comunismo ensina que não há verdade, que uma coisa pode ser e não ser ao mesmo tempo. Mas que esperar de uma obra panfletária sem quaisquer embasamentos científicos? Se tivesse lido as obras marxistas não teria dito asneiras como essa.


















quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Jesus liberta?

Se há um tipo de pessoas que detesto são os fanáticos, eles não vivem e não querem deixar os outros viverem. Na escola onde trabalhei este ano, há uma professora de língua portuguesa, crente fanática. É daquelas pessoas que se você dá uma brecha já querem lhe fazer engolir a Bíblia.

Outro dia falei que Freud me libertou, mas não só Freud, mas também Darwin e Marx. Ao passo que ela retrucou: "Que só Jesus liberta". A partir dessa frase analisemos o discurso dos fanáticos e indaguemos:
Mas Jesus nos liberta do quê?

Esses que se dizem libertos são escravos da moral judaica, são escravos do livro e de doutrinas inventadas. Se Jesus liberta por que não começou libertando esses crentes fanáticos de sua ignorância?

Dizem que Jesus liberta, mas liberta do quê? Por que ele não liberta do fanatismo, do obscurantismo e do vício de querer se intrometer em conversas alheias para falar da Bíblia? Porque quando se trata de infernizar as vidas alheias, eles não dão trégua. São condicionados de tal maneira que veem o diabo em tudo  e em todos, gostam de julgar as pessoas, adoram falar mal dos outros, cantam hinos sem que alguém os peça, e em caso de professores pentecostais fazem alunos da escolas pública a orarem.

É engraçado que esses pregadores ambulantes que gritam aos quatro ventos que Jesus liberta são hipócritas, medrosos, individualistas, etc... Esses fundamentalistas que foram "libertos" por Jesus, guardam muitos preconceitos em relação à Darwín, Marx e Freud. Se Jesus os tivesse libertados não teriam medo das pesquisas científicas; Se Jesus os tivesse libertado não usariam vestidos ou saia; Se Jesus os tivesse libertado não seriam proibidos de ler certos livros, não seriam proibidos de ouvir músicas de gente normal.

Gozado como esse Jesus liberta, ele liberta escravizando o homem. E essa escravidão os fanáticos chamam de liberdade.

Se Jesus libertasse, eu lhe pediria que libertasse a sociedade desses doentes que aspiram à tirania.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O delírio do comunista

Outro dia no twitter estava um comunista a debater com o professor Domingos sobre o aborto, o comunista defendia o aborto de modo irrestrito com o velho e mais que batido argumento que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo, o que o defensor da causa, não sabe é que o embrião ou feto, não faz parte do corpo da mulher, está no corpo dela, mas não faz parte de seu corpo, é uma outra vida.

O defensor do abortismo disse que os comunistas sempre defenderam o aborto. Foi então que eu entrei na briga e disse-lhe de forma irônica que o comunismo é defender o aborto. Então ele se saiu com essa: "que não conversa nunca mais com um cristão ou um burguês acerca do aborto" (sic).

Expliquei para o sectário que o comunismo aceita cristãos, ao que replicou o cidadão que o comunismo é necessariamente ateu. Pensei - respondi ironicamente - que o comunismo fosse o estágio superior do socialismo, e que a luta dos comunistas é o ato de socializar os meios de produção. Mas ele o iluminado, mais iluminador que São Gregório o iluminador, iluminou também a Marx que "estava sentado nas trevas nas sombras da morte".

O comunista idiota ainda tentou justificar o porquê o comunismo só pode ter ateus. Então fui obrigado a lhe dar uma aula de história sobre o marxismo-leninismo. E demonstrei-lhe que não há nenhuma contradição entre ser comunista e cristão, até porque a essência do cristianismo é o comunismo.

Infelizmente há muitos marxistas que pouco ou nada entendem de Marx e reduzem Marx a famigerada sentença: "A religião é o ópio do povo". Mas o marxismo fundamentalista é o ópio dos pseudointelectuais. Engraçado que Marx nunca disse ser o comunismo ateísmo ou coisa parecida. Quanto ao aborto esta não é a questão principal do comunismo, a questão principal é a luta contra a exploração do homem pelo homem.