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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Algumas reflexões sumárias sobre a economia yankee e sobre a doutrina social Cristã legada pela tradição apostólica.

Tais movimentos e interações culturais são sobremodo interessantes. Enquanto papismo e comunismo se digladiavam, o protestantismo e o americanismo tiravam proveito, ampliando seus poderes e influências. Curioso: O comunismo, ao debilitar a igreja papa, até certo ponto, criou, sem perceber, as condições necessárias a sua destruição. Pois a igreja neo romana do Vaticano II, atolada no ecumenismo e posta a serviço do ideário protestante, tornou o discurso anti comunista ainda mais virulento.

De fato o fogo da polêmica romana, antes disperso, i é, voltado parte para o protestantismo, parte para o liberalismo e parte para o positivismo, sob a influência do protestantismo e do americanismo voltou-se unicamente contra o comunismo. Desde então o papismo, tornou-se aliado indispensável, servo ou agente útil na guerra ideológica que levou a URSS ao colapso. Noutras palavras, pós Vaticano II, por meio do ecumenismo a igreja modernista foi lançada pelos Yankees contra o bolchevismo. 

Dez anos depois o resultado era bastante claro, tanto pujante igreja papa quanto o quase onipotente partido comunista não passavam de duas sombras opacas cujos nichos culturais estavam destinados a serem ocupados pelo americanismo, o que não todavia não se tornou realidade na Rússia graças a Ortodoxia e a Putin. Outro o caso das sociedades papistas, sempre mais e mais 'modernizadas' na direção do protestantismo, logo do americanismo, do capitalismo, da urbanização acelerada, etc

Curioso observar como o ainda hoje aclamado papa romano João Paulo II - Amigo das seitas e pastores, inimigo da Tradição e adversário do culto divino, serviu como cera quente nas mãos dos líderes D Reagan e M Tatcher, em que pese a absoluta incompatibilidade entre a postura assumida por eles - Em favor da auto regulação do Mercado e em oposição aos direitos do trabalho. - e a doutrina Social da Igreja romana, cujos fundamentos foram lançados por Von Keteller, assumidos por Leão XIII (Na Rerum Novarum) e ampliados, e desenvolvidos pelo tomista Mercier, Bispo de Malines, da escola social Belga.

Nos anos 80 toda esta rica tradição, sujos fundamentos mais remotos tocam o Evangelho, os escritos apostólicos e a herança dos mais primitivos padres da Igreja, foi praticamente jogada no lixo, em benefício de um liberalismo econômico cada vez mais radical, o qual inclusive, veio a tomar o nome de neo liberalismo.

Curioso perceber no neo 'catolicismo' ecumênico o fortalecimento da base comum agostiniana entre os neo romanos e sobretudo das tendências puritanas ou moralistas inauguradas pela dita 'contra reforma' - Que de contra, muito pouco teve... e consolidadas na Era vitoriana. Ao empobrecimento quase que imediato da Teologia protestante e sua substituição, já por mitos judaicos, já pelo moralismo puritano, já pelo fetichismo crasso e enfim, pela incredulidade manifesta, seguiu-se a queda da teologia romana pós Vaticano II, a qual deixando de concentrar-se nos Mistérios de Cristo, na Cristologia, na Encarnação, etc mergulhou de cabeça na temática sexual e repressora - E foi de fato a troca da primogenitura por lentilhas esse abandono ou troca da Metafísica por um moralismo tosco de origem judaícas e acentos maniqueístas.

Já E Westermarck alertara o público religioso de que o ápice da vida religiosa constitui-se em torno de elaborações metafísicas enquanto que seu declínio é indicado pela concentração em moralidades ou costumes. Seguindo os passos do protestantismo, por via do ecumenismo, tombou o neo romanismo na mesma miséria, e, diante disto, como admirar-se de que tenha engolido a isca da RCC, movimento marcadamente judaizante ou fundamentalista, fetichista e portador de tantos elementos da cultura norte americana, devido a sua origem exógena ou pentecostal. 

Foi a RCC que de fato introduziu a tendência pentecostal na mente dos apostólicos romanos, até então infensos a essa reedição ainda mais virulenta do montanismo. Foi uma espécie de propedêutica ou de curso de introdução ao pior tipo de protestantismo, planejado sabe-se lá por quem e com quais intenções lá nos EUA...

Claro que a ideia ou a intenção principal era contrapor algo aquele outro desvio - Infinitamente menos danoso que a RCC. - post Vaticano II chamado Teologia da libertação. A questão aqui é que enquanto a TL parte de fundamentos Cristãos, como a redenção total e ética posta pelos antigos padres e pela doutrina social da Igreja a RCC parte do que há de mais podre e deletério no protestantismo... E sequer seria possível traçar qualquer comparação - Por meio desta lograram os 'imbecis úteis' introduzir K Hagin (!!!), enquanto aquela preconizava a adoção de um vocabulário marxista completamente desnecessário e por vezes alguns métodos duvidosos. 

Por mais que os 'conservadores' acríticos (Porque sou absolutamente conservador face aos autênticos MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO ou DOGMAS DE FÉ.) movam suas mãos contra Darwin (Outro elemento comum entre esses tontos e o protestantismo.), Malthus, Freud, Marx ou Weber... o Seymour da rua Azuza nos coloca, em absoluto, noutro plano e num plano certamente mais baixo, que é o da RCC.

De fato foi ela criada pelos professores neo romanos da Universidade de Duquesne, os quais se atreveram a receber imposição de mãos dos blasfemadores pentecostais, declarando terem recebido o 'Espírito Santo' o que implica (Da parte deles.) admitir que não estava ele em posse ou no interior da igreja papa, mas, na posse daqueles que negam a presença real do Senhor na Eucaristia e a Virgindade Perpétua da Mãe de Deus, dentre outras tantas coisas... E a mensagem é suficientemente clara> Os protestantes devolveram o Espírito Santo a igreja romana... Agora veja se, para quem tem alguma massa cinzenta dentro do crânio, não equivale isto uma declaração de que o protestantismo sempre esteve correto e de que ele, e não nossas igrejas apostólicas, corresponde a religião verdadeira.

Ao introjetar semelhante heresia ou blasfêmia no seio da igreja romana, os Yankees nela introjetaram o vírus mortal da dúvida e uma convocação sutil a debandada e ao ingresso em suas seitas. 

Contavam eles ainda com a possibilidade de, no reboque da falsa profecia de Fátima sobre a conversão da Rússia, atrair - Após a queda da URSS. - aquela nação ao uniatismo para em seguida latiniza-la, ocidentaliza-la e com o adjutório da tal RCC atrai-la a órbita da cultura Norte americana e transforma-la em quintal. Eram as esperanças acalentadas nos confusos anos 90. Por sorte os russos tiveram tino suficiente para retornar a fé de seus ancestrais i é a Ortodoxia, permanecendo alheios não somente a igreja neo romana e sua RCC mas a propaganda das seitas protestante Norte americanas e enfim ao americanismo. O que no momento presente desperta a fúria dos imperialistas...

Desde então, a equilibrada e estimada doutrina social da igreja romana, como que saiu por completo de cena, seja nos EUA ou no velho mundo. E neste cenário, tanto no interior da tal RCC como até mesmo entre tradicionais, tradicionalistas e sedevacantistas, começaram a pulular adeptos do livre mercado ou mesmo do anarco capitalismo! O que no século XIX ou mesmo nos tempos de Pio XII seria algo inconcebível num papista praticante medianamente esclarecido. 

Eu mesmo tive o infortúnio de deparar com um Ortodoxo ANCAP pertencente ao grupo pré calcedoniano. Tratava-se de um chinês converso e tive de travar dura polêmica com ele - Pois Bispo fosse o teria excomungado... Eis porque conheço bastante bem o discurso do romanista Kogos, o qual, entre nós, Cristãos apostólicos brasileiros, procura vender, digo, introduzir, esse modelo econômico protestante.

Abusando da doutrina da demarcação (M N I) - Cujos fundamentos remontam a Galileu e Campanella. - alegam eles que é, a economia, uma ciência tão autônoma quanto a Física, a Química ou a Biologia e que portanto não deve estar ela atrelada a tradição ou aos julgamentos emitidos pelos padres da Igreja. 

De fato esta palinodia faria sentido caso, como quer W Pareto, fosse a economia uma ciência exata similar a matemática ou ao menos uma ciência natural, como a Biologia, o que esta bastante longe de ser verdade, uma vez que ela, a economia, refere não apenas a produtos produzidos pelo ser humano em condições humanas, mas a produtos produzidos para os seres humanos tendo em vista, inclusive, sua sobrevivência.

E embora não possamos dizer levianamente que tal seja o objeto próprio ou foco da Revelação divina, devemos afirmar, em alto e bom som, que ao menos remotamente ou de maneira elementar e sumária incide ela sobre a moralidade e sobretudo sobre aquela Ética que deve comandar todas as ações humanas realizadas em quaisquer campos. Traduzindo para o português claro: Sendo a atividade econômica uma atividade humana e não abstrata ou puramente exata, caí, ao menos em alguns pontos, sob o juízo da Revelação divina e da fé Cristã regulada pelo ensino comum dos Padres ou pela tradição eclesiástica. E nega-lo denota um espírito anti Católico ou nada Ortodoxo!

O mais escabroso aqui é que os mesmos elementos que buscam emancipar a economia, que repito é atividade ao menos em parte humana, da Revelação divina ou da tradição eclesiástica, buscam subordinar-lhe a Biologia, sustentando o mito judaico fetichista (Porque os protestantes substituíram a unidade pessoal do Cristo ou a Presença real do Senhor na Eucaristia.) do criacionismo... Isso quando - Por ser de fato um conhecimento puramente natural. - a Biologia, de fato, goze de autonomia face a Revelação divina ou a Religião. 

Observem portanto que subversão fazem as ideologias no campo da fé...

Do mesmo modo corresponde a outra aberração lógica ser liberal ou ultra liberal em economia e conservador em moralidades. Uma vez que historicamente, as alterações no campo da moralidade (Como a decomposição da organização familiar tradicional.) são produzidas ou causadas por alterações de caráter econômico, como a urbanização ou o ritmo do trabalho. Impossível ter uma economia acelerada ou descontrolada que supostamente se auto regule e uma sociedade moralmente estável ou fixa. 

Efetivamente o convívio tradicional, marcante nas civilizações agrárias ou campesinas, difere bastante do tipo de convívio com que topamos nas grandes cidades contemporâneas e mal planejadas. E difere mais acentuadamente ainda nos conglomerados carentes situados nas periferias dessas cidades, espaços insalubres em que pessoas em situação de miséria ou vulnerabilidade vivem amontoadas. Muitas vezes é a moralidade questão de espaço e o espaço em tais locais parece ser infenso as formas de moralidade oriundas dos vilarejos.

Nos vilarejos pode até faltar alimento ou fartura em algumas situações derivadas do clima. Pode-se enfrentar escassez porém jamais a fome continua. Ademais no campo tem um espaço que é seu. Tem condições mínimas de higiene. Tem contato com a natureza. Enquanto num espaço urbano mal planejado nada disto encontra... Portanto quando buscamos os inimigos da moralidade tradicional devemos identificar os responsáveis por tais condições, pelas condições que lhe são hostis - E esses responsáveis são: A miséria, a ignorância, o esgotamento físico e mental, a falta de espaço, a falta de tempo, a falta de higiene, a enfermidade... Derivadas da especulação imobiliária e da remuneração insuficiente ou seja de um sistema econômico que não é regulado externamente pela sociedade ou pelo poder político e que permite ao patrão acumular a quase totalidade dos recursos.

Necessário, de fato, disseminar a propriedade suficiente e pessoal, fruto do trabalho. Tal o preceito do distributivismo Cristão. Sem embargo disto, fica ele, o distributivismo, sendo letra morta caso o legislador não toque a questão do trabalho, valorizando-o e protegendo-o, até erradicar a miséria ou impedir sua propagação no corpo social. O que nos leva ao salário família, repouso dominical remunerado, férias, licença gestante, décimo terceiro salário, etc

O que observamos no sistema solto ou não regulado é o oposto: O acúmulo irrestrito ou ilimitado da propriedade, que leva a concentração ou monopólio por parte de uns poucos, lesando a fruição dos demais membros do corpo social ou do que chamamos Bem comum, pois bem comum supõe proximidade ou uma relativa igualdade, na diversidade. No regime individualista e descontrolado, legado pelo protestantismo, tudo conduz a uma desigualdade social demasiado grande, que compromete não somente a paz e a concórdia da republica como a própria democracia, a qual se tornando formal passa a ser apenas questão de polícia ou poder alheia ao Bem comum.

O quanto temos nessas democracias meramente formais, associadas ao liberalismo econômico é, repito um mecanismo de controle que tende a suscitar cada vez mais críticas e questionamentos na medida em que se limita a assegurar o ''status quo" de quem já o tem, ignorando por completo as aspirações dos grupos por assim dizer, mais pobres. Pelo que sequer podemos falar em real participação popular ou cidadania, uma vez que as massas se limitam a escolher que as dominará e não quem alterará significativamente as condições em que vivem.

E sequer abordamos a questão dos desempregados. Os quais, neste padrão desorganizado, são convencionalmente chamados 'mercado de reserva' cumprindo alias uma dada função, diretamente relacionada com a Lei da oferta e da procura - O que o torna desejável, embora estejamos falando sobre pessoas que, privadas de uma fonte de renda segura, bem podem estar ou ficar privadas, igualmente, da propriedade ou mesmo de suprimentos alimentares vitais, supondo a não intervenção do poder público.

Sobre essa questão - Da miséria necessária, dos extremos ou da desigualdade já nos estendemos além do desejável -

Toca, no próximo artigo ou página, chegar a Malthus e a questão do aumento da população mundial e aos problemas dele decorrentes, os quais estão diretamente relacionados com o modelo econômico desregulado e que são seríssimos. 

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Conservadorismo
  • Positivismo
  • Protestantismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

A doutrina social e os equívocos da Igreja Romana - A grandeza e a miséria do Social Catolicismo.

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Há coisa de dois ou três anos, tendo visitado um grande amigo meu, Comunista, não apenas de boca, mas conhecedor profundo daquela Ideologia e homem de imenso saber  - Poliglota, polímata, etc a conversa tocou na D S I, i é, na doutrina social da Igreja romana ou no Social Catolicismo. Principiou meu amigo e oponente dizendo que se tratava duma bela construção teórica ou uma bela proposta, porém, letra morta desprovida de um maior significado, uma vez que a própria organização que a concebera ou idealizara, na prática, parecia não leva-la a serio, pelo simples fato de pouco ou nada fazer no sentido de ve-la realizada ou concretizada. A impressão, segundo ele, era que a própria igreja romana não dava o devido valor a essa doutrina, ostentando-a como uma espécie de enfeite.

Ao calor da discussão tomei semelhante acusação por injusta...

Agora, passados tantos anos, ouso fazer 'Mea culpa' e reconhecer sua legitimidade.

Afinal, dispostos os meios, a mesma Sociedade que enfrentou heroicamente a máquina do Império Romano e que por tanto tempo enfrentou e conteve a jihad islâmica, ao menos por uma vez salvando o mundo Ocidental (Com seu tesouro de cultura Greco Romana) - pelo que merece nossa gratidão - bem poderia ter conjurado o espectro nefando do Capitalismo ou do liberalismo econômico enquanto expressão economicista subsidiária do materialismo e classificada pela Ética Cristã tradicional como sórdida avareza... Se bem que estivesse já essa Sociedade enfraquecida pelo advento do Protestantismo (Aqui o atenuante ignorado por meu bom amigo comunista).

No entanto é patente que a igreja romana cometeu dois colossais equívocos, um no Concílio de Trento, por aproximar-se doutrinalmente do protestantismo através  do agostinianismo (Jamais existiu qualquer contra Reforma exceto enquanto tentativa feita na França pelo Duque de Guise, mas assimilação de elementos protestantes como a teologia agostiniano da graça). 0 que por nós foi exposto em inúmeras dissertações teológicas.

O outro equívoco diz respeito ao Liberalismo Econômico ou Capitalismo e demais liberalismos emergentes... Vamos, arqueologicamente, tentar traçar esta História tão confusa.

O primeiro erro da igreja papa foi misturar ou confundir os Liberalismos criando um rótulo - vazio e absurdo: Liberalismo (No singular). Jamais existiu algo como um liberalismo exceto do ponto de vista da cultura protestante a qual batizou o liberalismo econômico tentando Cristianizar suas pretensões essencialmente anti Cristãs... Existiram sim diversos liberalismos (Uma pluralidade), de vária cepa e muito mal relacionados entre si, isto a ponto de podermos falar não apenas em tensão, mas em verdadeiro conflito, a que foge somente a cultura protestante americanista, na qual o elemento humano é esmagado e a dimensão Ética da vida negada ou minimizada. O anti humanismo de mercado é filho primogênito do anti humanismo protestante ou bíblico (Vetero testamentário).

Um é o L moral, outro o religioso, outro o Político, outro o econômico... Basta dizer que a mancebia entre o capitalismo e as ditaduras é bastante conhecida. Quando o L econômico é ameaçado por qualquer reforma democrática ou popular (ainda que rara) o L Político sai pela porta dos fundos ou é sacrificado.

Em que pese a tristeza, a justiça obriga-nos conceder que a igreja romana, exaurida pela luta contra as seitas protestantes não soube compreende (Como ainda hoje os Catolicismos não querem compreender - E por isto perecem!) a dinâmica da Cultura e o significado do Capitalismo emergente. E o resultado disto, o último resultado será já o Concílio do Vaticano II, já este tradicionalismo espúrio permeado pela cultura alienígena... E quando deu por si o inimigo oculto já havia ultrapassado as fronteiras, atravessado as muralhas e transformado em escombros esta cidade de Cristo, que ora tentamos reconstruir, ao menos teoricamente - De modo a iluminar e a inspirar as gerações futuras. Nós somos semeadores de novos mundos, em parte espelhados no passado... A Igreja de modo geral negociou. Imolou sua cultura, seu éthos, seu espírito imortal e assimilou uma cultura que jamais foi sua. O desastre da assimilação da adoração protestante e do sistema econômico capitalista pela Igreja romana, começou bem lá atrás, em Trento, com a falsa contra reforma, a qual não passou de assimilação. Primeiro a igreja Latina assimilou a fé protestante ou agostiniana a respeito da graça e em seguida a cultura e o padrão econômico produzidos pela HERESIA SOLIFIDEISTA. Tudo quanto ora vemos é um abandono do mundo e a derrocada (Aparente) da ENCARNAÇÃO. Não temos sido ENCARNACIONISTAS coerentes...

Concentrou-se a Igreja romana ainda nisto, imitando (Como uma macaca.) o protestantismo, e assimilando modos moralistas e puritanos (Sinais de decadência em termos de instituições religiosas.) - Pasme leitor, a Idade Média foi muito mais liberal (Nos termos da moralidade) do que os neo catolicismos, subservientes a crítica protestante/puritana que incorporaram - e atendo-se a uma forma política histórica i é espacial temporal, relativa e ultrapassada... Divisou um Estado forte quanto a moralidade dos súditos ou a vida privada mas, fraco quanto a Educação e assim quanto a vida política por estar diretamente subordinado a ela. E por instigação de reis e políticos incrédulos e ambiciosos perdeu seu fervor educativo, embora jamais abdicasse dele. Crendo fixo semelhante estado de coisas - o qual não era senão provisório - permitiu que parte dos seus profitentes permanecesse sob o jugo da ignorância, fabricando massas ao invés de povo (Do que tirou e tira proveito o protestantismo com suas seitas!). Assentiu que houvessem analfabetos nesta cidade cujos fundamentos mais sólidos deveriam ser a fé pura e esclarecida bem como um conhecimento elementar ao menos da Teologia e uma certa educação filosófica. E foi um erro fatal... (Nina Rodrigues já dissera, e com razão, que os Catolicismos não são assimiláveis pelas massas incultas.) Quanto a economia, setor em que as transformações aconteciam a galope nada discerniu ou fez além de impostos e alguns tratadinhos sobre comércio e moeda... Ignorou por completo este setor e receando um Estado Forte (quanto mais democrático!) apostou no Estado omisso, fraco ou mínimo...

Desde que o protestantismo serviu-se do Estado e da estatolatria com o objetivo de afirmar-se e que o Estado moderno, já absolutista, já democrático ou politicamente liberal, mas consolidado no poder, ameaçou, romper com o velho pacto, assumir a educação e desamparar o moralismo insosso, aspirou ela, a Igreja Romana, por um Estado frágil, inerme ou mínimo, sem cogitar que o economicismo disto pudesse tirar máximo proveito, introduzindo um novo padrão de cultura. Como jamais imaginou que as seitas protestantes tirariam mais e mais vantagem da ignorância em que jazem até hoje as massas sumariamente alfabetizadas ou apenas letradas, vitimadas por uma condição miserável. Miséria e ignorância alienaram as massas da Igreja assim que ela perdeu o controle da Educação ou das escolas...

Da associação entre o Estado frágil e a massificação dos grupos sociais resultou a inserção muito bem sucedida do liberalismo econômico e do protestantismo que são elementos solidários e formativos do agregado cultural americanista. Esta afinidade eletiva foi devidamente exposta pela corrente weberiana, a luz da qual compreendemos a dramática transformação porque passa o Brasil é a agonia do Ocidente. O Capital precisava e precisa de uma exército de reserva angustiado e as seitas de iletrados, semi letrados e imbecis para escravizar mentalmente por meio da superstição. As massas mal alimentadas e fatigadas constituem o pasto predileto das seitas todas... fornecendo-lhes inclusive válvulas emocionais de espace, por meio de um culto emocionalista copiado pelos carismáticos. Nada no sentido de TRANSFORMAR a realidade, apenas de deixar como estar, fornecer explicações falaciosas e tirar proveito. O fetichismo 'Cristão' é isto, e as estruturas perversas do mundo atual agradecem - É colaboração...

Enquanto tal se sucedia o gracismo e o solifideismo iam mais e mais contaminando a igreja romana. Até que chegamos a este aparente renascer chamado romantismo. O romantismo é fenômeno alemão, que antes de convergir para aparências de Catolicismo, surge numa Alemanha luterana. Por isso trás em seu bojo o ideal de uma comunicação direta com Deus ou de uma comunhão espiritual que parte do coração, sem precipitar-se necessariamente em obras... Por isso o romantismo produz uma praxis Católica venenosa e desligada por completa da tradição medieval que é a própria vida social. Disto resultou a crença horrenda (Quando parte dos protestantes, por falta de beleza, já não ia ao culto!) de que ser Católico é ir a Missa dominical e assimilar certos tipos de moralidade puritana, individualistas e oriundos quase todos do antigo testamento ou do judaísmo. A Idade Média, com suas associações que permeavam a vida, tinha sentido de Ética Cristã ou Evangélica, bem mais acurado. O neo romano do século XIX isolou-se de seus irmãos batizados, encastelou-se no recinto privado do lar, perdeu todo e qualquer vínculo social e criou para si uma falsa torre de marfim, o avesso da Cidade do Deus encarnado Jesus Cristo... Isto não é vida, é culto somente, fé somente, espiritualidade somente; protestantismo. Catolicismo é consciência, sentido, espírito, vida e prática. Algo que se vive e prática vinte e quatro horas por dia e trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O Católico do século XIX não tem mais este perfil total, é obra em parte, corrompida, pela apostasia luterana com seu abandono do mundo, com sua desistência, com sua inanidade...

O Cristianismo foi perigoso. Face ao Império Romano, face ao Império Bizantino e face a Jihad islâmica e arabizante. O neo cristianismo luteranizado e avesso as obras não é perigoso. Pois desesperou de transformar o mundo e suas estruturas. Já não é sal - É água de flor de laranjeira ou rosas, calmante. Cristianismo não pode jamais ser calmante, tem exigências Éticas inegociáveis. Críticos de imensa cultura temem que retorne a suas autênticas tradições, tornando-se mais perigoso do que o anarquismo, o comunismo e o fascismo; embora seus métodos e fontes sejam bem outros. O capitalista estudado esforça-se por satanizar a Idade Média - Ainda aqui adotando os métodos da falsa reforma - e até os antigos padres e a tradição Cristã, social e humanista. Ele teme o episcopalismo ou os Catolicismos, mas não se importa com as seitas protestantes, mesmo quando assumem um viez teocrático. Sabe que elas jamais desampararão o economicismo, contentando-se com dominar o comportamento privado, inda que por meio do poder político.

Isolando-se uns dos outros os Católicos não perceberam nada disto. Nada, nada... Seus líderes - como Pio IX, continuaram a meter os pés pelas mãos... a disputar com o Estado em sua esfera, a combater pelo 'vitorianismo', a proclamar moralidades, a vindicar uma propriedade que mudará de significado por completo (A noção de propriedade MEDIEVAL não é a contemporânea), a condenar o Liberalismo qual fosse uma coisa só, etc Foi uma Cruzada inglória. Marx combatia a forma apenas do Capitalismo... E a Igreja não lhe atingia o espírito, o éthos, o coração ou a alma, que era necessário aniquilar e substituir por outra. De modo que não atingiu ela seu escopo...

E no entanto o primeiro meio capaz de - A partir de um controle indireto ou de simples orientação - implantar a doutrina social da igreja e de reformar as estruturas sociais no sentido da Tradição e do Evangelho, seria justamente um Estado forte. Democrático, popular e limitado a sua esfera, mas forte nessa esfera - Das coisas comuns, da convivência ou da Ética. Forte quanto a Ética humanista ou a promoção do ser humano e a afirmação da justiça (Aqui a República de Platão) em todas as áreas da atividade humana. Lamentavelmente a Igreja sempre suspeitou deste Estado (Mesmo quando Democrático ou Policrático!) até anatematiza-lo. Desamparados pela própria igreja os elementos populares, os demagogos liberais economicistas após terem assumido o protagonismo do movimento democrático, tomaram a direção das Escolas e fechou os mosteiros, beneficiando ainda mais a cultura protestante e capitalista... Ao invés de identificar os inimigos e a cultura de morte que os inspirava a igreja, cega, anatematizou ainda as formas democráticas, e postulou um retorno utópico ao velho Estado dirigido. CONCLUSÃO - Os maus liberais (Capitalistas) apresentaram-se como heróis e paladinos da liberdade, fazendo avançar a cultura americanista... A igreja - aqui muito falível, terrivelmente falível - fez o jogo deles, mesmo quando se lhes opôs...

Sim, os espertos americanizantes e economicistas jamais deixaram de tirar proveito dos equívocos cometidos pela igreja e assim de apresentar e promover o Liberalismo com um todo homogêneo, em que entrasse o capitalismo. De fato eles associaram o Liberalismo político - que é a alma da democracia - ao liberalismo econômico, isto com o premeditado objetivo de justificar este por aquele.

A loucura integrista ou integralista (Aberração no terreno da política, da ciência e dos costumes), reforçou este erro, pois quando honesta condenava ambos os liberalismos e sancionava a tirania, senão o velho ideal teocrático. Destarte os inimigos do despotismo - inclusive dos setores dominados! - passaram a encarar o capitalismo com franca simpatia e como elemento necessário de um pacote cultural superior ou mais civilizado. O próprio americanismo, que é antípoda da nossa cultura, foi assumido por não poucos... Enquanto isto dos simplórios Donoso Cortês, Salvany, Murilo, etc e mesmo um De Maistre ou um De Bonald continuavam a apresentar a modernidade empacotada... O que desaguou na Ação Francesa, com Ch Maurras, embora este tivesse já certa noção da cultura e das conexões ideológicas com o protestantismo. No entanto jamais situou o problema onde devia, na economia de mercado ou no economicismo, insistindo na tecla do político. Se Marx, foi prisioneiro daquele materialismo comum ao sistema que criticava Maurras foi prisioneiro de formas políticas que nada explicavam ou cuja dimensão era limitada face a cultura. Apenas Weber começou a decifrar esta esfinge...

Fácil é compreender que entre nós os frustrados do integrismo passaram ao americanismo - Como comunistas e fascistas tem migrado para o capitalismo e como ora passam ao islamismo, juntamente com alguns fundamentalistas protestantes e romanistas moralizantes (perceba o leitor a ilação!). E que do conflito entre o Estado democrático e a Igreja tirou partido o Mercado, assim como o Imperialismo Norte americano e toda essa cultura de morte, da qual, como elemento basilar faz parte o protestantismo, com seu abandono do mundo, seja pela fé somente ou pelo apocalipticismo. Aliás o economicismo apenas reivindicou um setor da vida abandonado pelo protestantismo... Bom insistir nisto, pois trata-se da fonte da crise porque passa nossa civilização.

Havia no entanto, para a Igreja ( Como ainda há, embora pareça por demais utópica) uma outra possibilidade - A do afrontamento ou da auto reconstrução a partir da Tradição ou do passado, no qual não haviam faltado meios com que enfrentar e vencer a Cultura de morte. Os próprios liberais economicistas, como os falsos cristãos mamonolatras ou avarentos, sabem melhor do que ninguém que o Cristianismo vivo é a suprema ameaça a este sistema. Por isso tentam a todo custo conter a expansão da consciência Cristã, sabendo que sua ética é mil vezes mais devastadora e temível que o Comunismo e o Anarquismo, posto que suas fontes são divinas! O materialismo, a avareza, a ambição excessiva, o economicismo capitalista tem a Deus por adversário e tal é o segredo do rei...

Cumpre apenas dar consciência a este corpo decadente, que como o Verbo Jesus pode ressuscitar e dar vida ao mundo. Ao Comunismo materialista e totalitário, não podia a mãe igreja estender fraternal e ingenuamente a mão. As atuais e legítimas aspirações ECOLÓGICAS não só pode como deve. Que aproveite o kairós para fecundar e encher de luz esta corrente do bem. Que saiba à luz da memória (TRADIÇÃO) recriar-se e recuperar os mecanismos espirituais com que no passado movia seus filhos, ora movendo-os a uma vida Ética coerente, intensa e avassaladora.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

É Bolsonaro fascista?

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Faltando exatos vinte dias para as eleições presidenciais do segundo turno depara-mo-nos com diversas publicações em que o sr Jair Messias Bolsonaro, candidato do PSL, é apresentado como fascista, o que é repudiado tanto por parte de seus apoiantes como pelos fascistas em sua maior parte.

É que de modo geral, os brasileiros identificam os fascismo com o autoritarismo. A dar tal identificação por certa os Comunistas, que são igualmente totalitários - devido a doutrina da ditadura do proletariado e sua forma partidária - seriam fascistas e mais ainda dos fundamentalistas religiosos ou teocráticos, dos quais o Congresso Nacional converteu-se em província. A análise é superficial e injuriosa para com os autênticos fascistas, doutrinários, com os quais convivo e dialogo, em que pese minhas opiniões diametralmente opostas (sou pela democracia direta ou policracia).

O autoritarismo corresponde a um fenômeno psicológico e decorre das relações familiares estabelecidas durante a infância e de condições como a insegurança. Prescinde portanto de qualquer aparato teórico ou doutrinal, o Fascismo não, é um sistema doutrinário com pretensões intelectuais e, em que pese seus vícios, com uma excelente compreensão face ao problema da cultura. Bem definido não será de modo algum racista, mas culturalista, na medida em que a afirma a superioridade de uma dada cultura ou a identificação de um povo com determinada cultura.

Não entrarei em detalhes a respeito da doutrina Fascista uma vez que cada qual pode bem ir ao Bobbio. Mas é fato que no Brasil a doutrina fascista é muito pouco divulgada e conhecida, daí o número reduzido de seus partidários no pais. E a identificação apressada do autoritarismo ou do militarismo com o fascismo, pois também há entre nós um militarismo intuitivo e tosco, legado pela tradição. Mas nada disto é fascismo e dar o sr Bolsonaro por fascista seria de algum modo afirmar-lhe a intelectualidade, predicado a que não faz jus.

Bolsonaro mesmo disse nada saber a respeito de economia e temo que seus conhecimentos sejam ainda mais rasos no plano da Sociologia, da Psicologia, da Filosofia, da Doutrina política e de outros ramos do conhecimento que deve ter em conta de subversivos e ameaçadores. Portanto é seu autoritarismo um autoritarismo bronco...

Então que será ele?

Se ao autoritarismo bronco adicionarmos a fixação por armamentos, a apoio a tortura e a pena capital e sobretudo o racismo, chegamos facilmente a outra definição, ao Nazismo. Seria Bolsonaro um Nazista?

Tudo quanto posso dizer a respeito é que a doutrina nazista é infinitamente mais pobre que a Fascista, ignorando por completo os elementos da cultura e estabelecendo uma metafísica barata em termos de raça, pelo que se chega ao endeusamento da mítica raça ariana associado ao odinismo que é um apelo ainda mais insistente a força, a agressão, a violência...

De fato a doutrina de Hitler peca pela  miséria intelectual, a ponto de qualquer energũmeno poder ler o 'Mein Kampf' e professar a doutrina. Pois ela pouco ultrapassa o preconceito intuitivo e limita-se a tempera-lo com lendas e outras frioleiras. Qualquer retardado dá bom nazista e os testes de QI realizados em Nuremberg patenteiam-no...

Seja como for a mentalidade de Bolsonaro, a pesar quilombolas em arroba quais fossem peças de carne ou a declarar que seus filhos, bem educados, jamais namorariam moças negras, é tipicamente racista e portanto nazista. Caso consideremos os elementos odinistas de sua pregação, especialmente a sansão a tortura temos ai um novo Mengele, o Mengele dos trópicos. Nada mais que um Nazista ordinário ou medíocre.

E este nazista, que defende o armamento ostensivo, a tortura e a pena capital como soluções mágicas para nossos problemas sociais, conta com o apoio decidido de um vultoso número de Cristãos, majoritariamente protestantes é claro, mas também Católicos o que é ainda mais vergonhoso se temos em mente ou diante dos olhos o que os Católicos alemães tiveram de sofrer nas mãos dos nazistas. Pe Kentenich que o diga! Foram milhares de sacerdotes enviados a Dachau por questões de consciência i é por oposição ao Nazismo. A Igreja romana não sofreu pouco sob a dominação nazi mas pagou por não te-la travado quando podia.

Alias o discurso com que o matreiro Hitler seduziu e fisgou os Católicos ingênuos é o mesmo editado em nossos dias: O perigo do 'Comunismo' rsrsrsrs antes de tudo (Os pastores protestantes continuam reeditando estes discurso) e em seguida o moralismo ou puritanismo social. Assim questões tão delicadas quando divórcio, aborto e eutanásia... E os Católicos ingênuos ficaram encantados com a alta moralidade da Besta, e se venderam a ela... Alguns anos depois Faulhaber, Von Gallen e outros tantos tinha suas janelas apedrejadas, suas igrejas e mosteiros pilhados pelos partidários da moral e dos bons costumes. A Igreja e seus filhos conheceram o inferno e a porta foi o moralismo tosco, que os Católicos deveriam fixar em suas vidas e não num cenário político democrático ou laico marcado pela laicidade.

Tristemente os maus Católicos do Brasil de hoje mostram-se presos as mesmas ilusões de impor sua moralidade num contexto político laico, ao invés de limitarem-se a vive-la em suas vidas. Karl Rahner disse já há muito tempo a seus confrades: Inspirem a ação política ou esvaziem-na mas não tente controla-la. Bem os moralistas Católicos eram, são e sempre serão minoria no Brasil. Então para impor algo são obrigados a aproximar-se de outros grupos e negociar. Hoje cometem seu supremo erro, aproximando-se por via do ecumenismo, dos protestantes, pentecostais, calvinistas ou bíblicos, supremos adversários de sua fé. Os Católicos negociam a fé dos ancestrais, trocam-na por moralidades ou pelo puritanismo, exatamente como os protestantes desejavam que fizessem...

Hoje sobretudo, fazem uma política protestante, Que tende a assumir feições norte americanas, e assim nossa cultura é traída, pelo Bolsonaro é claro, uma vez que adota princípios e valores anglo saxônicos e norte americanos, e pelos pseudo Católicos que vão de carona, reforçando esta tendência absurda. No decorrer deste processo os Católicos vão mais e mais perdendo consciência quanto a especificidade de sua fé, a qual vai se diluindo, até que são engolidos pela outra fé ou cooptados. Alias quando a fé Católica perde noção dos mistérios e converte-se em moralismo banal ou puritanismo o Catolicismo esta morto, e o protestantismo calvinista vitorioso.

Tentando recuperar uma ilusão política de poder moral a igreja vende seu supremo tesouro - a fé...

Depois surgem as consequências. Como a perseguição nazi...

A conclusão é simples: Entre Catolicismo e nazismo não pode haver composição, são inimigos naturais e inconciliáveis. Nem pode a fé Cristã deixar-se contaminar por discursos políticos estruturalistas ou formalistas e ignorar que o conteúdo do nazismo é o mal supremo. A estrutura democrática conhece problemas e os socialismos naturalistas limitações, seja. O nazismo porém é a porta do inferno. Não queiram comparar problemas de democracia ou os defeitos do socialismo com racismo e tortura.

Não podemos sequer nos omitir face a abominação nazista. Todos terão de responder por sua conduta face ao nazismo perante o tribunal sagrado de Jesus Cristo, o qual nos perguntará: Que fizeste de teu irmão? Não devemos esperar o negro, o indígena, o homossexual, o dissidente político, etc ser levado ao cadafalso... pois o cadafalso chegará até nós mesmos. Por isso reforcemos a corrente do amor e do bem contra tantos quantos assumem tais valores corrompidos.

Afinal não é o nazismo uma doutrina com que se posse brincar distraidamente, é a negação dos direitos essenciais da pessoa humana, o repúdio a igualdade, a restrição arbitrária das liberdades, a negação da justiça, etc E observe que desta vez ele não vem só mas de braços dados com o liberalismo econômico ou com a servidão capitalista, um dualismo perverso que levará a extinção dos direitos do trabalhador, extinção com que acenou Mourão, vice de Bolsonaro, pronunciando-se contra as férias e o décimo terceiro salário, assim contra o regime específico do funcionário público; e a afirmação da reforma da previdência. Veja então leitor que eles conseguiram unir o inútil ao desagradável - os vícios horrendos e abomináveis do Nazismo aos vícios monstruosos do Capitalismo. Eis a obra acabada e perfeita do anti Cristo.

Portanto, como Cristão consciente jamais vota em nazista, repitamos como um só homem: Doutrina social SIM, Bolsonaro NÃO!!!

sábado, 21 de julho de 2018

A Igreja e o espantalho do anti abortismo II ou repisando velhos erros...


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QUANTAS VEZES VOCÊ FEZ ISTO???




Agora que fazem esses Católicos acomodados, superficiais e insensíveis matriculados na escola do farisaísmo???

Voltando as costas para seu dever social e buscando encontrar soluções concretas para o aborto - Capazes de impedir sua descriminalização - assume a fatuidade da ideologia protestante e (pasmem!) transplantam o anti abortismo e outros temas morais (o que é muito pior) para o terreno da política EM DETRIMENTO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, a qual, como levianos, menosprezam quando não ignoram. Tristia tempora! Tristia mores!

E põem-se a gritar como pegas ao cio: Não vote neste candidato porque é a favor do aborto!!!

Que temos a dizer diante disto.

Certamente que todo humanista, quanto mais um Cristão, se oporá ao aborto e pronunciar-se-a em favor da vida e sua dignidade. Não em favor da vida intra uterina apenas - seria uma distorção da concepção Católica de existência - mas em favor da vida infantil, juvenil, adulta, madura, idosa e sob diversas outras circunstâncias que exigem uma proteção por parte da Sociedade. A Comunidade deve proteger integralmente a vida, do começo ao fim. A solidariedade impõem-se como algo continuo e não é possível ou coerente que o homem, oponha-se a imolação de fetos e apoie e imolação diária de crianças, jovens e adultos face a miséria e a ignorância.

No entanto quando dizemos que o Cristão se oporá ao aborto devo dizer que também se oporá a todas as condições sociais que favorecem-no, e assim a exploração econômica, a injustiça social, a pobreza extrema, ao analfabetismo, etc Somente dentro de um contesto mais amplo o anti abortismo faz algum sentido.

Além disto como já dissemos, buscará ele, a medida de suas posses, solidarizar-se com as pessoas vulneráveis a esta situação. Já adotando, apadrinhando, socorrendo ou mantendo orfanatos e abrigos. Então terá idoneidade para críticas ou poderá começar a falar. Após ter cumprido seu dever... ao invés de emitir discursos vãos!

Por fim este homem, acima de tudo, assumirá tantos quantos filhos tiver, os valorizará, assumirá e cuidará deles. Mesmo que desligado da mãe de seus filhos estará sempre disposto a ajuda-la financeiramente ou pessoalmente, pois de seu filho não se pode desligar. E saberá apoiar filhas, sobrinhas, afilhadas, etc ameaçadas por semelhante risco. Ele não favorecerá esta prática infame em sua família ou círculo de amizades. Não abortará sentido de jamais consentir que sua companheira aborte. Buscará dissuadir qualquer mulher disposta a faze-lo não apenas por meio de argumentos, mas concedendo-lhe proteção e apoio. Ele viverá o anti abortismo e o colocará em prática na própria vida.

Pois não é incomum entre políticos e palradores destes tempos, condenar publicamente este ou aquele vício e depois, po-lo em prática as ocultas. Assim demagogos que após terem denunciado o abortismo a cabo de anos seguidos, pressionaram a jovem amante a abortar!

Portanto ser Cristão não significa condenar mulheres pobres ou exigir que sema punidas e penalizadas sem que a condição delas seja levada em conta e menos ainda berrar contra a legalização do aborto, mas opor-se ao aborto com a vida. Abster-se de po-lo em prática ou de favorece-lo através de suas atitudes. Isto sim é ser anti abortista!

Porque o lugar da moralidade é a vida privada.

Enquanto que a política diz respeito a coisa pública.

Portanto se alguém aborta ou não ou se apoia o aborto ou não, isto não tem relação concreta com a coisa pública e comum.

Claro que a legalização ou o financiamento público do aborto são temos políticos, que no entanto derivam de situações sociais.

Opor-se a legalização ou descriminalização do aborto irrestrito não nos deve impedir de votar ou de apoiar um político simplesmente porque é a favor desta pauta. Uma análise deste tipo pode induzir-nos a erros fatais devido a sua tacanhice. O apoio a um político deve ter por base uma análise sobre o conjunto de seus propostas e não uma opção isolada, ainda que equivocada.

Teoricamente o Fuherer de S Paulo, Geraldo Alckmin, afetando um Catolicismo aparente, que folga opor-se a Doutrina social da Igreja, declara opor-se a legalização do aborto. Devemos portanto apoiar um tal sujeito ou votar nele? Observemos a situação tanto mais de perto. Este cidadão confuso e desorientado, não apenas pertence a um partido cujo programa é de inspiração neo liberal ou capitalista como assume esta pauta neo liberal, de modo algum conforme a Doutrina Social da Igreja. Em conformidade com seu ponto de vista, o citado candidato pretende aprovar a Reforma da Previdência assim que assumir a presidência do país.

O que quero que o leitor perceba é que este homem adota soluções incompatíveis face a tradição social do Catolicismo. Afeta ser anti abortista para granjear votos. Mas esta disposto a executar uma reforma,- dentre tantas e tantas outras - destinada a potencializar situações de miséria e indignidade, que na base acabarão favorecendo situações de aborto!!! Com um discurso hipócrita e um falso moralismo, declara opor-se ao aborto. Por meio de uma política neo liberal todavia, acabará estimulando este crime.

É antiga a constatação de que o Capitalismo ou liberalismo econômico - e não seu sucessor o Comunismo - destrói a família e a moral tradicional pena base. Todo conservador sabia-o por intuição desde os albores do décimo nono século. Verificou-o, o Católico Le Play, após exaustivas investigações, cerca de 1850. O Comunismo tem o mérito de ser sincero e de combater abertamente a organização familiar costumeira - que os anti abortistas alegam amar. O Capitalismo destrói-as sútil ou sorrateiramente, solapando toda a moralidade convencional ou como dizia Bernard de Mandaville vendendo, negociando e promovendo diversas formas de vícios. Foi a criação do modelo fabril pela Revolução industrial - apoiada pelos protestantes - que separou pai, mãe e filhos; assestando duro golpe nas famílias, além de afasta-las do convívio com o mundo natural.

Tudo isto é obra do liberalismo, ideologia que inspirou os programas de diversos partidos políticos nos quais prolifera um discurso anti abortista ou puritano - incoerente e inconsequente como tudo que é protestante. É um discurso falacioso e aparente, na medida em que o mesmo liberalismo implementa e tem implementado, cada vez mais situações de miséria, injustiça e alienação. Mas não são os Comunistas que dizem tais coisas??? Não, quem constatou semelhante situação foi o escritor Charles Dickens, e além dele St Simon, Fourier, Owen, Ruskin, Morris, Carlyle... além dos insuspeitos Chesterton e Belloc... E Hérzen, Lavrov, Sorel... O Bispo Von Keteller na Alemanha... Os Católicos sociais da França a partir de Villeneuve de Bargemont, Lammenais e Buchez... Henry George nos EUA... A miséria trazida e promovida pelo capitalismo foi uma constatação empírica geral, como a imoralidade potencializada por este novo mundo: Alcoolismo, consumo de drogas, prostituição... Tudo quando os neo Católicos moralistas afetam detestar foi estimulado pelo Capitalismo.

Portanto como combater o aborto e as demais formas de imoralidade apoiando um sistema materialista e economicista que solapa as bases e fundamentos da moral - É DAR UM TIRO NO PÉ!!! Admitem-no os conservadores ou meio reacionários ingleses como Russel Kirk e Scruton, além de John Gray. O capitalismo destrói as redes tradicionais de solidariedade ou apoio, nas quais nossos ancestrais encontravam acolhida, e lança-o isolado e só num torvelinho de forças econômicas. E assim se vão todos os sonhos, dirá T S Elliot. E também toda moralidade antiga... A qual desaba e vem abaixo, porque lhe falta o necessário substrato real ou material. Não se fala de Deus ou de religião a quem tem a barriga vazia, já dizia o Escolástico!

A moralidade Católica depende de bases concretas ou materiais da qual a pessoa fica privada desde que posta a merce do Capitalismo e o resultado disto é uma sociedade abortista... E ao apoiar um candidato liberal ou neo liberal você, Cristão, ajudou a edifica-la, inda que ludibriado por um falso discurso!!!

Diante disto que solução buscar???

Soluções políticas para problemas comuns. Soluções sociais para problemas sociais.

E temos um excelente guia, temos um padrão, temos um critério, na doutrina social da igreja, que é um desenvolvimento da nossa tradição social e da nossa consciência Ética.

É a doutrina social da igreja e não a qualquer elemento isolado de moralidade que devemos reportar nossa análise política, examinando a proposta de cada candidato em seu conjunto, no que tem de propriamente política ou social. É a doutrina social da Igreja que o Católico deve tomar por base ao analisar qualquer programa partidário ou proposta pessoal.

Claro e evidente que no Brasil não daremos com uma absorção integral desta doutrina por parte de qualquer candidato e menos ainda de qualquer partido. Agora quem são os responsáveis por semelhante estado de coisas senão estes neo Católicos filiados a partidos liberais ou neo liberais??? Esses elementos superficiais e levianos que ignoram os ensinamentos sociais da igreja??? E que ousam posar como Católicos nos palanques...

Diante de tal fato deve o Católico guiar-se por aproximação. Votará em candidatos cujas propostas melhor contemplem as exigências da doutrina social da igreja. Grosso modo elegerá candidatos que defendam os direitos do trabalhador, que deem respaldo a promoção humana e que estejam comprometidos com a justiça em sua dimensão social.

Diante disto apoiará partidos socialistas ou compactuará com o socialismo?

De fato, temos de dizer que nem tudo no socialismo é mau e que ele não é mau em seu conjunto ou totalidade - Ao contrário da avareza, principal 'virtude' encarnada pelo capitalismo, a qual é um pecado. - mas apenas quanto a certos aspectos filosóficos, como o naturalismo, ou (Em certos casos) o materialismo, o ateísmo, a negação da propriedade pessoal, etc Aos quais o Católico obviamente não aderirá. No mais não se trata de filiar-se a tais partidos ou mesmo de filiar-se a ele, mas de reconhecer que a plataforma deles esta infinitamente mais próxima da doutrina social da igreja do que a doutrina liberal ou neo liberal. Esta é condenada em sua base mesma e fulminada em seus princípios. Aquela apenas quanto a certos aspectos.

Portanto não pode nem deve o bom Católico furtar-se de apoiar uma política trabalhista ou justicionista, sob a alegação - especiosa e vã - de que os socialistas ou mesmo os comunistas apoiam-na. A estupidez aqui seria tanta como opor-se a um projeto destinado a coibir a pedofilia ou a disciplinar a entrada de muçulmanos na República pelo simples fato de ser ele apoiado pelos socialistas. A partir deste tipo acrítico e imbecil de oposição chegamos aos mais monstruosos absurdos.

Toda e qualquer proposta fundamentada na Doutrina social da Igreja merece total apoio dos Cristãos Católicos inda que parta de seus adversários. Não pode o Católico, desamparar o direitos dos trabalhadores ou os serviços de assistência social, sob a alegação de que os socialistas ou comunistas são favoráveis a eles porque a doutrina da igreja também o é, e terminantemente! Os fanáticos cooptados pelo protestantismo e poluídos pelo liberalismo economicista podem não gostar, mesmo assim há pontos comuns, e diversos, entre a doutrina social da Igreja e o socialismo naturalista ou mesmo o comunismo. Assim a necessidade da intervenção por parte do estado ou da sociedade nos domínios da produção econômica, visando proteger os operários, campesinos, etc De fato a igreja jamais engoliu os paradigmas do liberalismo clássico.

Pode e deve portanto o Católico, com a consciência pura diante de Jesus Cristo e firmado na tradição dos Santos Padres e dos escolásticos votar em candidatos que pertençam a partidos socialistas moderados, mesmo quando sejam abortistas ou estejam em oposição a moralidade comum. Isto não os torna apoiantes do aborto ou da dita imoralidade. Não os torna naturalistas e não faz deles comunistas. Apenas estão buscando a melhor saída política para problemas políticos e conforme o espírito da igreja. Que até 1937, na Alemanha, apoiou o nazismo sem tornar-se por assim dizer nazista.


O melhor e mais seguro critério, em termos Católicos, para analisar o conjunto de qualquer discurso político, é e sempre será a doutrina social da Igreja e jamais qualquer elemento isolado em termos de moralidade. Não podem os Católicos por em prática o aborto ou se abortistas. Votar em políticos abortistas, desde que haja razão suficiente para tanto, podem faze-lo tranquilamente.


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OLHA AI QUEM PODE LEVANTAR O DEDO E CRITICAR!!!





quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Apologia do Cardeal Arns - Resposta ao insidioso jornal O Estado de São Paulo

Nem esfriou o cadáver do falecido cardeal arcebispo de São Paulo e já a imprensa canalha destila seu veneno e baba asquerosa sobre sua veneranda memória.

Jamais fui admirador ou amigo do falecido hierarca da Igreja romana. Ao tempo em que o então arcebispo contendava com a moribunda ditadura militar era eu ainda um jovem protestante e como tal plenamente alienado em termos de política e cidadania, bem a gosta de nossos demagogos!

No entanto sete anos antes de D Arns vir a aposentar-se havíamos nos convertido a Igreja romana e por assim dizer iniciado nossa assunção espiritual.

Após dez anos de filiação e militância achamos por bem abandonar a Igreja romana e passar a Ortodoxia, o que fizemos buscando depurar, aperfeiçoar e coroar nosso espírito Católico, jamais arrenega-lo. Sobre as questões que nos fizeram romper com o padrão romano já nos exprimimos em diversas ocasiões. Em termos de doutrina a infalibilidade do papa, o gracismo ou agostinianismo e a doutrina das penas eternas ou do infernismo. A par disto a igreja romana incorporou ou assumiu diversos elementos de origem e talhe protestantes, o que a nosso ver era absolutamente inadmissível. Outro tema atentamente considerado por nós, e talvez o principal, foram as reformas litúrgicas - e o decorrente empobrecimento estético e espiritual resultante delas - implementadas pelo Vaticano II. Incomodava-nos por fim o neo catolicismo ou o neo marianismo com suas aparições, visões, comunicações e devoções estúpidas de teor mágico fetichista... o lurdisno, o fatimismo, o garabandismo, etc

A ruptura foi dramática e nem por isso deixamos de amar a igreja romana, de reconhecer-lhe os méritos, de aplaudi-la quando acerta e de encara-la com respeito de gratidão. Além de estarmos obrigados a julga-la segundo as exigências sagradas da justiça.

Publicamente reconhecemos ter sido a igreja romana a centrar nossa fé no Evangelho ou seja nas palavras de Jesus Cristo, a por-nos em contato com a tradição Cristã dos primeiros séculos ou seja com o pensamento patrístico, a refrescar-nos a o espírito com o dom do franciscanismo, a apresentar-nos o padrão de pensamento escolástico e por consequência os tesouros clássicos do socratismo e do aristotelismo, a fornecer-nos as primeiras noções em termos de justiça social, a produzir em nós as primeiras sensações estéticas impactantes, a comunicar-nos um sentido ético de vida, etc, etc, etc Foi o princípio de nossa educação e formação completamente descuidadas pela família - não totalmente porque meu pai sempre se preocupara em lançar-nos alguma luz ao espírito - sob os auspícios do protestantismo.

Por estas e outras tantas razões, apesar dos pesares e senões, ainda encaramos a igreja romana como uma grande fonte de inspiração ética para o mundo. Na medida em que ainda contém inúmeros fragmentos de Catolicismo antigo e vestígios de cultura clássica. Elementos que nos remetem ao humanismo e a grande batalha do tempo presente.

Analisando os documentos oficiais da comunhão romana, tratados de teologia, catecismos, encíclicas e bulas dos papas, declarações conciliares e sinodais, etc detectamos a presença de um vivo espírito Cristão procedente dos santos evangelhos, da tradição apostólica, da teologia patrística, da reflexão escolástica, do socratismo, do aristotelismo, da Filosofia antiga enfim. O romanismo, apesar das suas misérias e da pobreza de suas formas, ainda contém em si algo de nobre, que não foi nem tocado, nem maculado, nem poluído pelo espírito protestante, matriz de todos os erros contemporâneos em termos de cultura de morte.

Coisa bem diversa se dá com os Católicos, especialmente os mais jovens, mas também com alguns mais antigos e especialmente - oh paradoxo! - com os medianamente esclarecidos. Dir-se-ia que o Catolicismo romano transformou-se num formalismo vazio e que os fiéis estão completamente possuídos pelo espírito e pela cultura protestantes.

Apresentam-se como Católicos, professam a fé, recorrem aos sacramentos, prestigiam as cerimônias; mas nem por isso suas almas são Católicas. O padrão de pensamento, os princípios, valores e atitudes são marcadamente protestantes. E por isso costumamos apresenta-los como 'católicos' de alma protestante ou como corações protestantizados. Há ali formas de Catolicismo mas não espírito Católico e tal gente mais se assemelha com os ossos ressequidos descritos pelo profeta Ezequiel do que com qualquer outra coisa.

E no entanto - Pontuemos muito bem! - nada mais antagônico ou mais distante do que o espírito Católico, com seu projeto de homem e Sociedade e o espírito protestante, com seu projeto de homem e sociedade. Do que resultou um embate tetra secular obscurecido no tempo presente apenas pela leviandade e incoerência dos Católicos. No entanto estes dois espíritos ou visões de mundo continuam tão distintos como óleo e água, e jamais se misturam. Ademais o protestantismo, pela negativa, demoliu ou melhor dizendo implodiu a concepção católica da existência ao impugnar-lhe a fé.

Somente duma época pautada pela incoerência, pelo irracionalismo, pelo subjetivismo, pelo relativismo e outros venenos podería alguém supor uma aproximação e o que é ainda pior, conciliação entre o ideal Católico e o ideal protestante. Tal conciliação faz tanto sentido quanto a pretendida conciliação entre a democracia e o totalitarismo, o socialismo e o individualismo, o humanismo e o cientificismo...

Conceitos e definições que se excluem mutuamente não se aproximam.

No entanto, desde os tempos de Lutero e Calvino não poucos Católicos tem se esforçado por suavizar as diferenças concretas ou vitais e por viver como protestantes. Não, os protestantes - exceção feita talvez a vida litúrgica ou ao ritual - não aspiram viver como Católicos preferindo viver a sua moda, ou seja como antinomiastas (solifideistas) ou judaizar, aderindo ao legalismo mosaico. Cogitar em adotar a lei do Evangelho e vivencia-la, poucos dentre eles - a exemplo do Dr Schweitzer ou de Niomeller - inclinam-se a faze-lo. Já o contrário não se dá. Pelo que sempre houve um significativo número de Católicos inclinado a professar apenas e não em viver.

De fato as belezas e riquezas espirituais do Catolicismo sempre atraíram muita gente sem brio. Cuidando ser ele apenas uma fé ou uma fé a mais para ser professada apenas. O protestantismo afirmou Lutero em alto e bom som é uma fé apenas, uma teoria, uma crença! Não o Catolicismo, este já lá no Evangelho é lei com que conformar a vida: Sois meus amigos se praticais o que vos mando, declarou seu fundador. É pois algo vital. É lei que regula a existência, é forma de vida, é compromisso moral ou ético a ser assumido.

Não é a fé portanto que faz o Católico. Segundo a doutrina Católica a fé deve ser completada e ultrapassada pela caridade viva. É a caridade viva, a ação, o serviço fraterno, a observância, a obediência que torna o homem Católico. O Católico é católico pela vida, não pelos lábios, não pela boca, não pelas palavras, mas por obras e verdade.

Por isso ele professa que se salva nas obras ou no mínimo que as obras são fruto necessário da comunhão com o Sagrado. A esterilidade as árvore sem frutos proclama seu estado de separação espiritual. A árvore que produz maus frutos é lançada o fogo porque não esta na Unidade de Deus. Aquele que não pôs as moedas para render não será acolhido mas despedido sem nada. Não é aquele que diz: Senhor, Senhor que entrará no Reino Celestial, mas aquele que FAZ a vontade do Pai...

A fé somente por pura e exata que seja a ninguém pode salvar. Se faltar a caridade, se não houver fruto, se minguarem as obras... Terá o Cristão de ouvir: Apartai-vos de mim, obreiros da iniquidade, jamais soube qualquer coisa a vosso respeito!

Com razão, no dealbar da reforma protestante, os papistas apegaram-se a doutrina das obras, da caridade, do serviço, da ética; como pedra de toque ou pedra angular da Ortodoxia Cristã.

E esta doutrina patenteada pela veneranda tradição foi canonizada em Trento.

Quase que de imediato porém alguns Católicos aspiraram por imitar os protestantes, pelo simples fato de não querer imitar a Jesus Cristo e assumir suas virtudes. Acomodaram-se e por meio dele, o mesmo espírito luterano, assumindo novas e distintas formas, penetrou mais uma vez no corpo da igreja produzindo devoções mágicas (tantas sextas feiras, tantos sábados, medalhas miraculosas, etc), sucessivas promessas de perdão (em detrimento da reparação penitencial), um paulatino abandonar do mundo material, etc Cessando o Catolicismo de ser a vida que sempre fora e ideal de organização social.

Não fui eu, mas Adam Moheler, príncipe dos controversistas Cristãos, que definiu a igreja Histórica, a Igreja antiga (E Renan), a Igreja dos Bispos (E Renan) como uma extensão, continuidade e expansão do mistério central do Cristianismo: O dogma da Encarnação. Por meio da Santa Virgem Maria e do Espírito Santos Deus se fez homem, um homem. Por meio da Igreja, da vida da Igreja este mesmo Deus se faz espécie, se faz gênero humano e encarna-se ou - perdoem-me a ousadia - reencarnar-se na Humanidade. Por meio da Igreja é a Humanidade convocada a Theosis i é a divinização, a comunhão com o absoluto, a Unidade suprema.

Assim o sentido e a meta do Cristianismo não é uma salvação mágica no além túmulo ou o abandono do mundo mas a regeneração daquele mundo que Deus tanto amou. É sua restauração, purificação, incorporação e aperfeiçoamento. Pois se há no mundo algo de mau, se nela há oposição da Deus, se nele há um elemento negativo, não é da matéria criada que ele procede mas da vontade humana. O mal, o vício, o pecado correspondem não a entidades materiais existentes em si mesmas mas a uma orientação equivocada da vontade. É a oposição da vontade humana a Lei divina.

No entanto como este homem é livre e sua vontade mutável, segue-se que pela educação e pedagogia divinas pode o mesmo homem emendar-se rompendo com o mal e abraçando o padrão divino do bem. E como o mundo moral é associação orgânica formada por seres humanos, da conversão de todos os homens ao bem resultará a aniquilação do mal, deixando este de existir. E tornando-se o mundo perfeitamente bom. A transformação da totalidade dos seres humanos à luz do Evangelho, eis a meta do Cristianismo.

Manifestou-se ele para condenar o que há de mal no mundo mas não o mundo, não a matéria do mundo, não o mundo físico. Pois o problema do mundo é o homem e o problema do homem a vontade. Tem no entanto o Catolicismo viva esperança ma medida em que reconhece a liberdade deste homem. Assim espera que o conjunto dos homens, a espécie, o gênero humano, o mundo mesmo retorna conscientemente ao Sagrado, após ter conhecido o mal.

Esta ideia de incorporação, transforação e vitória em Jesus Cristo é o ideal do Catolicismo. Por isso ele não abraça o catastrofismo apocalíptico dos antigos hebreus e não canoniza a angustiosa doutrina da apostasia, que é de origem pessimista. Por ser filho da ressurreição a Ortodoxia trás em si uma esperança de Triunfo e não pode abjurar dela.

Certamente os filhos da Igreja e herdeiros de Jesus Cristo não ignoram o papel transitório de nossa existência material. Sabem que somos peregrinos e que aqui estamos apenas de passagem. Sabem que o mistério da vida estende-se para muito além... Tem consciência de que após o fim desta vida inicia-se uma outra. Todavia a consciência de que esta vida tem fim não a torna menos preciosa para eles. Pelo simples fato de aqui estarem e deste fato ter algum propósito. Então eles sabem que sua condição na outra vida esta na dependência do tipo de vida que levaram aqui. Eles sabem que a única maneira de conquistar aquele mundo é empenhando-se em transformar este mundo. Eles tem consciência de que a 'passagem' de ida para aquele bom lugar é o lugar onde estão. Sabem que a vida presente não é fardo ou peso mas oportunidade, sim oportunidade... Para chegar ao Cristo partimos daqui... É aqui que damos os primeiros passos rumo ao Cristo...

Cumpre não estar aqui por estar mas estar para servir e amar.

Se não há vida não há oportunidade para o amor.

A luz de tão bela doutrina não pode o Católico observar as estruturas iníquas deste mundo - estruturas forjadas pelo pecado - e permanecer indiferente ou insensível i é de braços cruzados. Tampouco haverá de recuar e fugir, pois seu Senhor e Mestre 'Venceu o mundo'. Por ao próximo, a quem Jesus Cristo obrigou-nos a amar, é o Católico levado a atuar, a agir, a lutar e a combater com o objetivo de reformar as estruturas iníquas deste mundo e de transforma-las a viva luz do Evangelho i é da Lei de Jesus Cristo. O Católico não negocia, não se acomoda, não recua; pois tem a sua disposição toda uma vida sacramental. Socorre-se dos sacramentos como um aparelho serve-se de combustível ou energia e então move-se!

Ao contemplar a realidade deste mundo o Católico depara-se com uma série de relações humanas e sociais incompatíveis com os ensinamentos ministrados por seu Senhor no Evangelho. E não podendo conformar-se com semelhante estado de coisas, porfia-se em mudar todas estas relações e adequa-las ao critério supremo de toda virtude. Como já disse ele não se se acomoda e jamais busca soluções de compromisso. Alimentando pelo pão da Eucarística e pelo pão da doutrina parte o Ortodoxo para o enfrentamento. E enfrenta o mundo. Não para humilha-lo ou constrange-lo mas para conquista-lo e renova-lo.

Agora por que insiste o Católico em interagir com o mundo ao invés de virar-lhe as costas muito confortavelmente???? Porque seu Senhor foi o primeiro a interagir com o mundo fazendo-se homem entre os homens. E o Católico busca imita-lo.

Imitar Jesus Cristo, aquele que não deu suas costas ao mundo, é dialogar com o mundo, é assumir o mundo é ter esperança de conquistar o mundo e triunfar do mal.

Quem desesperou de conquistar e de transformar o mundo perdeu o sentido da Encarnação.

Se Deus teve fé no homem, tenhamos nós também fé.

Insisto marcadamente nisto. Em que o Católico não é dado permanecer na platéia observando o mundo. Se seu Deus é Emanuel ele descerá até a arena e engajar-se-a na luta pelo bem e pela virtude.

Se desesperar da matéria ou da livre vontade e acalentar doutrinas pessimistas esta mais próximo do judaísmo antigo ou do protestantismo, que são sistemas contaminados pelo maniqueismo.

"Não sabia que era impossível foi lá e fez." declarou um sábio.

"Impossível é palavra que se acha apenas no dicionário dos covardes." declarou outro.

O Católico todavia crê naquele Deus para o qual 'Nada há de impossível'.

E este Deus em que crê organizou este mundo.

Creia portanto, e firmemente não apenas na possibilidade mas na necessidade de transformar este mundo. E que para tanto foi comissionado pelo Evangelho.

Recue o protestante maniqueista, pessimista, derrotista com sua doutrina de arrebatamentos e catástrofes.

Eis porque o Catolicismo desde os albores da antiguidade possui uma Doutrina social que é normativa para seus filhos.

Podem os neo Católicos de alma protestante ignorar a doutrina Social da igreja.

Que a ignorância não destrói a doutrina.

Antes que existissem Marx, Engels, Lênin, Bukharin, Plekanov, etc Existia já a doutrina social da Igreja enquanto veículo do Bem Comum.

Antes que surgissem o Comunismo e o próprio liberalismo econômico, matriz de todos os materialismos contemporâneos e de todas as culturas de morte, havia doutrina social da Igreja.

Antes que a primeira besta humana pretendesse conciliar os imperativos do liberalismo econômico com a Santa Fé Católica, pura e imaculada, ERA a doutrina social da Igreja.

Doutrina que tomamos não aos sociólogos da modernidade mas aos primeiros Bispos sucessores dos apóstolos segundo o critério sagrado da Tradição. Tradição que não se limitou a julgar a doutrina da fé mas também a legislar sobre os costumes. Tradição que jamais consentiu em julgar apenas e tão somente as ações pessoais, reclamando o direito de julgar e regular do mesmo modo todas as relações sociais.

Ignorar isto não é apenas fantasiar mas confundir Catolicismo com Protestantismo, na medida em que este apenas acedeu covardemente no sentido de nada regular além da fé ou da crença. O Catolicismo, derradeiro santuário da Virtude após o fim do mundo antigo, jamais admitiu que qualquer esfera da atividade humana ousasse sobrepor-se aos imperativos da ética.

Se é certo que não cumpriu com sua obrigação opondo-se até o sangue a afirmação de outro modelo social, materialista economicista, em tudo oposto ao seu não é menos certo que jamais abençoou esta nova ordem e que a simples existência de uma doutrina social codificada, basta para condena-la irremissivelmente.

Reclamam os economicistas ou economistas clássicos total liberdade para a atividade econômica em nome duma auto regulação expressa em termos matemáticos ou com exatidão de ciência exata. E no entanto é a economia atividade precipuamente humana voltada para necessidades humanas. E pretende excluir o homem! E pretende ignorar suas necessidades básicas! E pretender estar de acordo com os postulados do Catolicismo! Nem em sonho... Pois ao invés de estar posto para o Mercado, o Catolicismo esta posto para o bem comum. É a Cristo e seu Reino que ele serve e não a Mamon, ao Lucro, ao capital!

Entre a busca pelo acumulo de bens materiais, a lucratividade, a fortuna e a busca pelo Reino de Deus vai uma distância infinita.

A luz da doutrina da igreja essa liberdade plena ou total revindicada pelos economicistas é impossível ou melhor pecaminosa. Devendo ser a atividade econômica submetida ao primado da ética, numa perspectiva humana, e regulada pelo grupo social. É o que dizem e declaram as encíclicas dos papas, os documentos de Malines, as cartas de diversos sínodos, os pareceres dos doutores escolásticos e as sentenças dos padres da igreja. Em nenhum destes locais teológicos damos com qualquer aceno favorável as pretensões transloucadas do liberalismo, ao menos que o ateu Von Mises goze já desse 'status'...

E no entanto quantos e quantos neo católicos de alma protestantes teem a ousadia de citar Mises, Hayek ou Fridman ao invés de acatar as decisões dos papas, como Leão XIII, cardeais, como Mercier, de Bispos, como Von Keteller, de Doutores. como Tomás de Aquino e dos Santos Padres a exemplo de Basílio, Crisóstomo, Astério, Ambrósio, Gregório de Nissa, Jerônimo, etc 
E ainda teem o desplante ou melhor o cinismo de apresentar como Comunistas aqueles que opondo-se a Hidra liberal, mantem-se - por uma questão de coerência - apegados a doutrina social da igreja. Isto pelo fato de não desejaram ser meio Católicos apenas mas totalmente Católicos e sobretudo Católicos de coração. Esse Catolicismo belo, que presta apenas para ser comoda ou superficialmente vivido não o queremos... Esta posto o Catolicismo para ser plenamente vivido, até o sangue.

Quem são vocês para acusar este ou aquele membro da hierarquia de comunismo se são os primeiros a não levar a sério a religião que dizem professar ignorando supinamente o teor de sua doutrina social???

Amancebando-se com o liberalismo econômico vocês prostituíram suas consciências e substituíram o SER pelo TER.

Compactuaram com a mais miserável forma de idolatria que é o culto prestado ao dinheiro, fonte de todos os males.

E não satisfeitos com isto ainda traíram o liberalismo político ou o espírito democrático em nome da mística economicista a que servem.

Isto a ponto de mais uma vez atraiçoar o espírito Católico, caracterizado pela defesa incondicional da vida e da dignidade humanas.

E de flertar com 'culturas de morte' por mais de uma vez denunciadas pela mãe igreja.

Qual fosse ela, como dizem seus críticos, uma cadela do fascismo!

A bem da verdade os maus católicos, como sempre, alimentaram toda uma mística patriótica até o nacionalismo, ainda aqui reproduzindo os delírios de Lutero núncio da germanofilia e do odinismo.

A Igreja no entanto, desde aos anos trinta, soube denunciar com toda propriedade a praga da estatolatria em que se escora a Hidra liberal (economicista) quando ameaçada pelo espírito policrático.

Bom seria que esses anti comunistas estivessem empenhados apenas em ser Católicos e em viver segundo as exigências do Catolicismo. Porque então a existência do Comunismo seria inútil... e ele não teria a mínima razão de ser.

No entanto se ai está a peste do Comunismo é apenas e tão somente porque devido a omissão dos falsos Católicos, dos Católicos tímidos e aparentes, dos meio católicos, dos católicos acomodados O ESPÍRITO CATÓLICO deixou de encarnar-se nas estruturas sociais. Porque o ideal Católico de Sociedade ficou frustrado. Porque as aspirações vitais do Catolicismo não se concretizaram. Porque o Catolicismo ficou apenas sendo fé ou doutrina, até converter-se em projeto distante. Conformando-se os Católicos com o escândalo do pecado, e adormecendo suas consciências no terreno da mística e do fetichismo. Comunismo esta ai porque o Catolicismo não teve forças suficientes para impedir a afirmação e o avanço do Capitalismo!

Agora afirmado um erro, temos a origem de muitos outros!

E este erro, o mais grave, o mais sério, o mais funesto; aquele que deslocou um ideal de organização social Cristã, é o Capitalismo, não o Comunismo.

O Comunismo é puro e simples efeito ou produto do Capitalismo, retendo dele o que há de pior, de mais rude, de mais grosseiro.

É o comunismo filho da superstição capitalista e por isso trás em seu corpo suas feições.

É o comunismo consequência e o capitalismo causa.

O comunismo é pura e simples reação, o capitalismo, este é o início da apostasia social, do mal supremo.

Assim o Capitalismo e não o Comunismo é que instaurou a ordem materialista. O Comunismo é materialista porque tomou este princípio carunchoso ao capitalismo.

Ao menos o comunismo é materialismo honesto ou sincero que como tal apresenta-se enquanto que o capitalismo ousa associar-se a religião dando mostras da mais rematada hipocrisia. É o capitalismo um materialismo fingido que jamais se assume como materialista.

Vai aos Domingos a missa e dedica uma hora a deus, para viver como bárbaro e avarento durante os seis dias seguintes! Ele destrói a missa completa e oração perfeita que é a vida do Cristão benevolente!

É culto vão que consagra as atividades em sua quase que totalidade ao lucro e a Cristo algumas horas apenas uma vez por semana.

É superstição putrefata que separa a vida da religião e a religião da vida destruindo o sentido de culto total! É vida que se furta as inspirações humanitárias e humanistas da religião para se controlada pelos imperativos do mercado.

E tanto mais impudente é este materialismo quanto mais lhe acenam com promessas de perdão, salvação e vida! Quando deveriam fulmina-lo com a excomunhão e leva-lo a penitência!

Por apresentar os homens batizados em Jesus Cristo como concorrentes ou rivais enquanto são irmãos que deveriam auxiliar-se mutuamente.

Pois como disse Peguy se alguém cogita em salvar-se sozinho ou isoladamente perdeu todo sentido de Catolicismo. Catolicismo é veículo comum de salvação na integração.

Assim em termos de patologia social o Capitalismo foi a pedrinha que desprendeu-se do alto da montanha e veio rolando até converter-se em avalanche devastadora.

Então antes de criticar um Arcebispo que teve a coragem e intrepidez de denunciar os abusos de um poder cego e arbitrário, de condenar a efusão de sangue, de posicionar-se contra a aniquilação de homens vivos, de resistir ao poder do dinheiro, de vindicar a doutrina social de sua igreja, de afirmar a dignidade impar da pessoa humana, dobrem suas linguas viperinas!

Já D Helder Câmara dizia a respeito de gente tosca como vocês: "Quando alimentei os pobres me chamaram de santo. Quando perguntei por que eram pobres apontaram-me como comunista."
Afinal pra vocês, que seguem o Evangelho de Spencer pobres são vagabundos destinados a morrer de fome!

Claro que vocês tem pleno direito de pensar assim, apenas não finjam-se de Católicos! Pois estariam calcando aos pés aquele Evangelho que temos em conta de sagrado.

Ou será que vocês não leram este trecho do Sermão do Monte: Bem aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos céus!
Acaso ousarão declarar e dizer que podemos ser desapegados quanto soa bens materiais e junta-los a não poder mais????

Insistir a respeito disto seria entrar pelo ridículo...

E concluir que os Onassis, os Rostchilds ou os Vanderbilths foram os homens mais desapegados da face da terra e os primeiros cumpridores do Evangelho.

Mas o espírito de vocês é favorável as riquezas, e portanto caracteristicamente protestante.

E se não tem respeito algum pelos pobres e se buscam juntar mais do que precisam para viver comodamente certamente estão desprovidos do espírito Católico.

O mínimo que vocês deveriam fazer é calar a respeito da abençoada memória de um homem que buscou viver segundo os ideias de sua fé e colocar em prática os postulados éticos propostos por sua religião.

Os comunistas negam a existência de Deus. Os Capitalistas profanam a existência de Deus. D Paulo buscou honorificar a existência de Deus vivendo conforme sua santa vontade, e por isso merece aplausos e não censuras, palavras de afeto e não palavras azedas, pensamentos de amor e não criticas suscitadas pelo ódio.

No entanto que haveríamos de esperar do Estado de S Paulo, jornaleco atrevidamente grosseiro cujo único fim é bajular os poderes estabelecidos???

Esperar algo bom do Estado de S Paulo equivale certamente a procurar gelo no Saara ou areia no pólo Norte

É uma Folha conservadora, destinada a conservar o capitalismo, da mesma maneira como uma lata de sardinhas conserva sardinhas...

Azar portanto de quem lê um lixo destes, especialmente se Católico ou simples humanista.

Coisas como o Estado de S Paulo é sempre melhor não ler.

Não leia o Estadão querido leitor, e certamente estará fazendo verdadeira higiene mental.

sábado, 13 de agosto de 2016

SANTO AMBRÓSIO LIVRO SOBRE NABOT DE JESRAEL (ML 14,784)


Por acaso vocês estão orgulhosos do tamanho de seus palácios? Isto deveria ser muito mais motivo de sofrimento, porque, mesmo que pudessem abrigar toda a população, estes palácios os isolam dos clamores dos pobres. Também de nada lhes adianta ouvir os pobres, porque nada fariam. Seus palácios deveriam constituir motivo de vergonha, porque, construindo-os, vocês pretendem aumentar suas riquezas e, sem dúvida, não querem parar.
Vocês revestem suas paredes e despem os homens. O pobre clama nu diante de sua porta e nem sequer olham para ele. É um homem nu que lhes implora e vocês se preocupam com os mármores que revistirão suas paredes. O pobre lhes pede dinheiro e não o obtém. trata-se de um homem à procura de pão, enquanto seus cavalos mastigam freios de ouro. Vocês se comprazem com vestes preciosas, enquanto outros não têm o que comer. Que julgamento severo está preparado para vocês, ó ricos! O povo tem fome e vocês fecham o celeiro. O povo suplica e vocês exibem suas jóias. desgraçado daquele que tem meios de libertar tantas vidas da morte e se recusa a fazê-lo! As pedras de seu anel teriam salvo as vidas de toda uma população.

sábado, 30 de julho de 2016

SANTO AMBRÓSIO LIVRO SOBRE NABOT DE JESRAEL (ML 14, 770)



"E terei -diz -uma horta cheia de hortaliças". Este era o motivo de toda a sua loucura e furor -procurava uma horta para vis hortaliças. Vocês, ricos, não desejam tanto possuir o que é útil quanto tirar dos outros o que eles possuem. Visam mais espoliar os pobres, do que obter vantagens para vocês mesmos. Consideram-se injuriados, se o pobre possuir algo que vocês julgam digno de ser possuído pelo rico. Creem que tudo pertence ao alheio constitui prejuízo para vocês. Por que os atraem tanto as riquezas da natureza? O mundo foi criado para todos e uns poucos ricos tentam açambarcá-lo todo para si. Reclamam para seu uso não só a posse da terra, como até mesmo o céu, o ar e o mar. Este espaço que vocês encerram em suas amplas possessões, que grande multidão não poderia alimentar!

sábado, 18 de junho de 2016

SANTO AMBRÓSIO LIVRO DE NABOT DE JEZRAEL (ML 14, 775)



E acrescenta: "Lá hei de recolher todo o meu trigo e os meus bens. E direi à minha alma: Minha alma, tens uma quantidade de bens em reserva para muitos anos". O avarento se sente arruinado pela abundância das colheitas, ao considerar o baixo preço dos alimentos. A fecundidade é um bem para todos, mas a má colheita só é vantajosa para o avarento. Sente maior prazer com o preço elevado do que com a abundância de produtos e prefere que só ele tenha algo para vender a todos. Observe-o. Teme a superabundância de trigo que, transbordando dos celeiros, vá parar nas mãos dos pobres, dando oportunidade aos necessitados de adquirir algum bem. O rico reclama apenas para si o produto das terras, não porque deseje usá-lo, mas para negá-lo aos outros.