Mostrando postagens com marcador Biblismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Biblismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

O protestantismo como ponto de partida da civilização 'moderna' - Os aplausos dos 'cientistas', pensadores, etc

Acho curiosas essas apologias, escritas por autores protestantes, os quais folgam proclamar o protestantismo como uma espécie de cornucópia donde saiu a civilização moderna. Ainda me recordo das obras de E Levelleye, nas quais aponta a alfabetização e a concentração dos protestantes na leitura da bíblia como elementos propulsores do progresso. 

Os protestantes naturalmente que vibram com isso...

Vamos porém examinar tudo isso mais de perto.

Pois o que ora percebemos, neste momento, são massas protestantes compostas por: Terraplanistas, geocentristas, criacionistas da terra jovem, etc Calvinistas proclamando que sua reforma deve ser levada a Biologia, a Geografia, a Sociologia, a Psicologia, e a todas as áreas do conhecimento humano, tendo por base a bíblia - Leia-se Antigo Testamento... 

Peixes engolem seres humanos, mamíferos são apresentados como aves, e por aí se vai - Bela ciência essa que saí da cornucópia protestante. O que ora podemos observar no protestante mediano, seja brasileiro ou Yankee é seu ódio e sua oposição a ciência. Isto a ponto de nomes como Darwin, Freud, Malthus, Einstein, etc serem tabus e dos líderes, a exemplo de R R Soares, orientarem suas ovelhas a jamais fazerem quaisquer cursos universitários...

De fato em certas partes da Europa a alfabetização em larga escala, encetada pela reforma protestante parece ter encetado algum resultado aparentemente positivo. Mesmo porque o ser alfabetizado pode abrir portas, aumentar as possibilidades, aumentar o conhecimento e conduzir ao pensamento crítico... Portanto a tese de que uma religião do livro, que insiste sobre a alfabetização elementar, a primeira vista parece consistente. 

Porém não são os fatos sociais assim tão simples. 

A simples sugestão de que a leitura ou a alfabetização, como causa primária e imediata, teria acionado o avanço científico europeu nos levaria a plantear questionamentos bastante difíceis de serem respondidos. Pois ao que tudo índica a metalurgia de fundição foi inventada e desenvolvida pelas culturas ágrafas ou iletradas dos Andes e posteriormente recebida pelas nações letradas das Américas central e do Norte.

Também a organização do Império Inca - Cultura ágrafa, parece ter sido, em certo sentido, mais complexa e desenvolvida que a das cidades Maias ou mesmo que a do Império Asteca, como sabemos culturas letradas. 

Outro o caso dos países islâmicos, posto que é o islã uma religião centrada no livro e na leitura, e portanto na alfabetização há mais de mil anos... E no entanto revolução ou explosão científica alguma surgiu ali. E a exceção de Alhazém e Ibn Khaldun as contribuições do islã em termos de criatividade e pesquisa são quase que nulas - Outro é o caso de seu status enquanto transmissor de cultura, o qual não discutimos.

Os dados acima nos levam a problematizar a questão da leitura entre os primeiros protestantes e o papel da alfabetização nos primórdios de sua Reforma como explicação monocausal para o advento da ciência europeia. 

O quanto podemos conjecturar aqui é que um dos fatores responsáveis pela expansão do conhecimento científico na Europa do século XVI pode ter sido, e provavelmente foi, o hábito de leitura e a alfabetização. Logo não foi a leitura por si só e de modo algum a leitura da bíblia, e menos ainda a mentalidade protestante, que provocou essa escalada científica - O quanto aqui temos é que a leitura, estimulada pelo protestantismo, foi um fator, agindo em comunhão com diversos outros.

Grosso modo a leitura no seio do protestantismo, associada a bibliolatria ou a orientação para concentrar-se apenas na leitura da bíblia, entendida muitas vezes como antigo testamento, criou uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo que facultou a alguns a possibilidade de ampliar o saber, também forjou uma servidão similar a maometana. 

E aqui chegamos ao ponto nevrálgico: Pois a mesma leitura - Que produziu muitas vezes o abandono não apenas da bibliolatria, do antigo testamento e da judaização (Sem dúvida um imeso benefício.) quanto a diversos cientistas promissores {E tornaremos novamente a isto mais a frente.} produziu da mesma maneira o abandono do Evangelho ou da fé e forjou os primórdios da incredulidade em que tombamos.

Agora por que em um grupo seleto a leitura ou a alfabetização acionada pelo protestantismo potencializou a práxis e o pensamento científico enquanto que, noutro, i é, nas massas, produziu o exilio de Nicolas Steno, a condenação de Nils Celsius (Upsala - 1679) e a destruição do laboratório de J Prestley???

Certamente porque a estimulação dos primeiros dependeu não apenas da leitura, mas de outros tantos fatores ou de condições preexistentes. 

Agora quanto ao cultivo da ciência no decorrer do processo, há indicações consistentes de que parte dos sábios protestantes (Especialmente a partir do século XVIII) tornaram-se grande parte céticos ou descrentes mantendo, na maioria das vezes, uma adesão meramente externa e formal a suas comunidades. O que era facilitado tanto pela falta de 'poder' por parte das seitas quanto pelo livre exame. Newton por exemplo, apesar de teísta era unitário, tendo inclusive impugnado o Deão Sherlock. Muito apocalíptico porém muito pouco niceno, atanasiano ou leal ao Evangelho de Cristo. Ora Newton não era uma singularidade quanto a isso... E já os iluministas franceses costumavam registrar, em meados do século, que por volta de 1700 a quase que totalidade da elite intelectual inglesa era descrente ou irreligiosa.

Após termos apontado tais incongruências temos de nos perguntar sobre o que é civilização, progresso, desenvolvimento, etc Sobre quem está tecendo tais elogios ao protestantismo. Sobre as intenções e objetivos de quem elogia, etc uma vez que cada uma dessas definições e desses elogios é portador de uma enorme carga de subjetividade.

Há muito pouco tempo ainda era o desenvolvimento mensurado pelo PIB ou soma de riquezas produzidas por uma dada sociedade, como se vê um critério meramente econômico que ignora a questão de como tais riquezas são divididas entre os setores que compõem essa sociedade, se são tais riquezas divididas e de como vivem tais pessoas.

E imagine só o leitor squantas e quantas polêmicas inúteis foram travadas em torno desta definição unilateral...

Daí o padrão ou critério atual a partir do qual avaliamos a condição de uma dada sociedade não ser mais o PIB e sim o IDH i é a qualidade de vida oferecida aos cidadãos i é Alimentação, habitação, saneamento, saúde, educação, etc

Da mesma maneira convém questionar o tal desenvolvimento ou o tal progresso e seus mentores...

Surpreendentemente esses senhores que costumam aplaudir o protestantismo não são apenas incrédulos como seus ancestrais porém ateístas militantes, materialistas e cientificista, a exemplo do Dr Dawkins, o famigerado autor de 'Deus um delírio'. Cito Dawkins aleatoriamente pois há um grande número de ateus e cientificistas admiradores do protestantismo e detratores das igrejas apostólicas, o que tem uma razão de ser.

Talvez você pense ou imagine que o testemunho dos cientificistas e ateus é um testemunho insuspeito, e desinteressado, logo indubitável e leal. Porém não é bem assim e posso te assegurar que há aqui um interesse calculado, uma tática ou estratégia.

Pois sabem os cientistas, e perfeitamente bem, que é o protestantismo uma crença frágil, inconsistente e bastante fácil de ser impugnada, haja visto o conteúdo mitológico hebraico, derivado da inspiração plenária\linear.

De fato os cientificistas ateus estão muito bem informados sobre a condição do protestantismo e  habilitados para confrontar o fetichismo vétero testamentário. Consequentemente eles nada temem do protestantismo e parte de seu quadro, alias, é composto por ex protestantes...

Por ter substituído a pessoa do Cristo e a mediação da Igreja pala suposta infalibilidade absoluta da bíblia tornou-se o protestantismo alvo predileto de uma crítica irreligiosa fundamentada na ciência. E essa crítica é bastante bem sucedida.

Para o protestante médio, que chega a identificar o Cristo ou o Cristianismo com a bíblia, demonstrada a inexistência de Dário, o medo, da torre de Babel, de gigantes, de serpentes com asas ou patas, dos sátiros, do Leviatã, do Beheemot, da Lilith, das compostas do céu, dos pilares da terra e de tantas outras bizarrices fica comprometida a existência de Deus ou a Credibilidade de Cristo e por ext., o Cristianismo como um todo... 

Em suma, devido a um único erro vétero testamentário, a questões de mitologia/cultura hebraica, fetichismo, etc converte-se o bibliólatra em ateu fanático ou materialista radical e, não poucas vezes, entusiasta do cientificismo, o qual abraça com fervores místicos.

Avanço nesta análise sugerindo que parte significativa do ateísmo militante e proselitista deriva justamente dos 'conversos' oriundos do protestantismo. Os quais mesmo quando repudiam a existência de Deus ou do mundo invisível, conservam a mesma mentalidade fanática tornando-se irreligiosos fanáticos. Mudam de teoria, ideia, conceito, fé, etc porém mantém o mesmo tipo de espírito...

Alias acontece a mesma coisa com os protestantes convertidos ao papismo ou a Ortodoxia. Os quais costumam trazer para a igreja e nela introjetar seus vícios, como o apreço pelo antigo testamento, gosto pelos mitos judaicos, cosmovisão amenricanista, etc

Saem essas pessoas do protestantismo, porém o protestantismo - Enquanto mentalidade ou cultura. - não sai delas. Por isso costumo a dizer que trocar de fé ou de ideologia é, muitas vezes irrelevante. Necessário é ser coerente.

Ainda sobre os conversos ao ateísmo, e geral os ateus oriundos do espiritismo, do papismo, da ortodoxia, e de outras opões religiosas são fracos, dóceis, tolerantes, pacíficos... Enquanto que os ateus oriundos do protestantismo são extremamente agressivos, ferozes e acintosos.

Tornando aos cientistas que costumam a aplaudir o protestantismo, tudo quanto querem é favorecer a passagem dos Ortodoxos, Papistas ou espíritas ao protestantismo - Justamente porque o protestantismo, sendo tanto mais frágil e vulnerável, está no acesso da incredulidade.

Sendo cada erro do antigo testamento uma brecha no sistema protestante, sabem os profetas da incredulidade que há no protestantismo centenas ou milhares de brechas que podem produzir um 'choque de realidade' - E deste choque de realidade: Ao se perceber que o homem não foi feito a partir de um boneco de barro ou a mulher de uma costela.. - a apostasia...

Outro o caso das Igrejas apostólicas ou do Cristianismo antigo - Imune a qualquer choque de realidade, posto que quando puro e esclarecido, fundamentado ou centrado no mundo invisível, sobrenatural, transcendente, imaterial e inacessível aos sentidos. 

Da mesma maneira como conhecem - Os ateus, materialistas e incrédulos. - perfeitamente bem, o protestantismo (E seu calcanhar de Aquiles, que é o antigo testamento ou a inspiração plenária\linear.) também conhecem suficientemente bem o Catolicismo Ortodoxo e o papismo (Mesmo pós Vaticano II ou esculachado.), tendo-os por mais resistentes a sua propaganda.

Nesse caso, qual o caminho mais indicado para atingir os Ortodoxos e romanistas... Por meio do protestantismo, aproximando-os do protestantismo... Pois a mesmo que o indivíduo seja imensamente burro ou ignorante não engolirá essas baboseiras de bonecos de barro, costelas, sátiros, leviatãs, etc e tomará o caminho da incredulidade.

Como disse, tudo não passa de tática ou estratégia e elogiar o protestantismo significa no fim das contas encaminhar os espíritos para um padrão de Cristianismo tanto mais rude e grosseiro quanto indefensável de Cristianismo. É elogiar um Cristianismo que não se pode defender com sucesso da propaganda ateísta ou cientificista. É buscar fortalecer um inimigo tanto mais fácil de combater e buscar enfraquecer os inimigos tanto mais difíceis de dar combate.

Antes de lançar um ataque frontal contra a cidade de Cristo, os ateus e materialistas aspiram enfraquece-la ou destrui-la por dentro - Querem como que nela introduzir um vírus que a debilite e esse vírus é o protestantismo, com sua bibliolatria tosca, seu meio ceticismo, seu subjetivismo crasso, etc 

Pois o que encaram como 'civilização' ou desenvolvimento outra coisa não é que o próprio ateísmo, o materialismo ou no mínimo o positivismo\cientificista i é a substituição não apenas da fé religiosa, mas inclusive da Filosofia, do racionalismo ou da metafísica pela ciência - Essa instituição tão servil face aos interesses do mercado ou aos poderes econômicos, que jamais confronta. 

Tecem os ateus, materialistas, incrédulos e cientificistas rasgados elogios ao protestantismo justamente por estarem convencidos - E quanto a isto não estão equivocados. - que o protestantismo foi e é a Revolução primordial que conduziu parte do Ocidente ao ateísmo, ao materialismo, a incredulidade, etc Aplaudem o protestantismo porque sabem ter sido ele o caminho para a derrocada do Cristianismo...

Pelo simples fato de ter ele, o protestantismo, injetado o vírus do ceticismo em suas veias... Lançando dúvida sobre os ensinos da Igreja. Logo lançando dúvidas sobre a Igreja (Apostólica.) Para em seguida duvidar de seu fundador e esposo! Pois quem haverá de acreditar num 'deus' que fundou uma igreja descartável ou com prazo de validade...

Não devemos portanto, nós Cristãos legítimos, filhos das igrejas apostólicas, invejar os elogios e aplausos que a incredulidade tributa ao protestantismo. Pois como colaborador ele faz jus a eles. Ele os merece. 

Da Ortodoxia ou mesmo do papismo jamais sairiam capitalismo, comunismo, anarquismo, nazismo, positivismo, modernismo e outros tantos rebotalhos...

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Anarquismo
  • Positivismo
  • Conservadorismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc

sábado, 11 de março de 2023

Reflexões sobre o protestantismo, o antigo testamento, o odinismo e o Evangelho.





Acabo de ler mais uma obra de Georges Goyau intitulada 'Os Católicos alemães e o Império Evangélico' (Apud 'Revue des deux mondes' Vol XXXIV, 1916 ps 721 sgs). 

Curioso o meio porque cheguei a esta curiosa obra, atualmente que por completo esquecida.

Numa das minhas últimas idas a capital, tendo passado no Sebo do Messias, pus-me a garimpar diversas estantes, assim as de História, Sociologia, Filosofia, etc E já havia reservado diversas preciosidades quando numa pilha afastada e composta por obras sem capa, despedaçadas, sujas, etc deparei com um oitavo, cuja encadernação, por ser antiga e bela, chamou-me a atenção. Tratava-se de uma alentada publicação francesa, coisa dumas novecentas páginas, cujo título 'Pendant la guerre' vinha numa lombada pessimamente conservada. Bastante incrédulo folheei e percebi que se tratava duma coletânea - De cinco volumes. - de Sermões, pronunciados no Oratório de Saint-Honoré, pelos principais membros do clero protestante francês> Wilfred Monod, Charles Wagner, Henri Monnier e Jean Viénot dentre outros, e todos tratando da mesma temática: A primeira grande guerra mundial, então no auge.

A edição é de Fischbacher, Paris e as brochuras datadas todas elas de 1915.

Interessado folheei e li, com bastante atenção um dos Sermões pronunciados por Monnier 'Devant L'avenir'. Surpreendido com o conteúdo levantei a bibliografia desse pastor, falecido em 1941, e dentre as diversas obras citadas deparei com o seguinte título 'O deus alemão e a reforma protestante.'. Durante a infrutífera tentativa de localizar e examinar tão curiosa obra, dei com a de Goyau, pelo simples fato deste aludir a Monnier.

Já conhecia esse filão. 

Porém como meus estudos concentram-se nas áreas de Civilizações orientais, Civilizações clássicas, Literatura clássica, Filosofia clássica, Patrística, etc jamais havia reservado mínimo tempo para examinar tais obras mais de perto. Tendo a coleção da Fishbacher - Porque paguei míseros trinta reais (Está cotada em mais de mil reais!) - em mãos aproveitei e li, em um dia, a de Goyau.

Não é ocioso registrar que li, há algum tempo, as Atas dos julgamentos de Nuremberg editadas pela Ediouro.

Todas essas leituras transportaram-me a mente ao tempo em que não passava de um jovem adolescente, frustrado, desapontado, confuso e aspirando conhecer mais a História do protestantismo, fé ancestral em que fora criado... A bem da verdade eu jamais simpatizará com essa fé. No entanto, apesar de meu criticismo 'diabólico' resolverá dar ao menos uma chance a velha crença...

Para tanto, como é sabido, aprendi espanhol, italiano, francês e inglês - E devorei imensa quantidade de publicações de diversa lavra: Papistas, protestantes, espíritas, liberais, comunistas, fascistas, anarquistas, ateístas, etc

Nem preciso dizer que após ter passado por tão denso cipoal, dele saí completamente incrédulo e sem pingo de fé.

Após minha conversão a igreja romana, adquiri os nove volumes das Obras seletas de Lutero em espanhol...

Eis porque, ao chegar a Faculdade de História, na qual obtive Bacharelado e Licenciatura, tinha a opinião consolidada: Ao contrário do que me haviam dito os professores do ensino médio e essas porqueiras chamadas livros didáticos, o protestantismo me parecia, sob diversos aspectos, mais insidioso do que a Igreja romana ou a Igreja antiga (Católica Ortodoxa.). 

Costumo dizer e repetir ainda hoje que caso o Lachatrê - O qual escreveu uma alentada Enciclopédia sobre os crimes cometidos pelos papas romanos - quisesse poderia ter escrito uma Enciclopédia muito maior sobre os crimes cometidos pelos 'deformadores' protestantes e seus colaboradores, inclusive sem demasiado esforço, tal a fartura do material disponível.

Os comunistas, anarquistas e nazistas centraram suas baterias na igreja das sete colinas apenas porque nada temem das seitazinhas protestantes... O que por sinal pode ser um erro terrível... Mesmo velha e caduca (Após o Vaticano II) a igreja papalina ainda é bastante forte, e assusta. 

Uma coisa no entanto é absolutamente certa - E apenas ela explica o desencanto experimentado por tantos e tantos protestantes instruídos > Se Roma é de fato ruim, o protestantismo é muitíssimo pior. 

Leitura após leitura tenho constatado isso, e já a cabo de quase trinta anos.

Por isso sua derradeira e rematada expressão de politicagem barata - O Bolsonarismo, não me surpreende. 

Mesmo quando sabemos que parte do lixo carismático, a exemplo de parte dos papistas alemães durante a primeira e a segunda grande guerra, apoiou o tirano assassino, é fato estabelecido e indiscutível que o grosso de seus apoiantes - Inclusive dos golpistas que depredaram nosso patrimônio bem como dos militares e policiais omissos! - eram fundamentalistas bíblicos... Com a velha mentalidade teocrática, outra face de qualquer imperialismo político.

Ora isso não é coincidência ou fruto do acaso, mas uma espécie de Karma histórico ou de samsara acionada por João Calvino e que até hoje não tem cessado de girar e de esmagar, e de espatifar e de aniquilar milhões de seres humanos! 

Mesmo quando admitamos que ao menos parte daqueles que abraçaram e apoiaram a reforma protestante aspiravam por um retorno a puridade do Evangelho de Cristo, não há como negar que o próprio Lutero teve de pagar tributo político aos poderosos e que para escapar ao Papa romano caiu nas mãos dos príncipes alemães... Temo que a emenda tenha saído pior do que o soneto...

Quanto aos príncipes, caso num primeiro momento tenham crido, apressaram-se logo em despojar a igreja velha de suas riquezas multi seculares, para em seguida gasta-lo com torneios, orgias e guerras, principalmente guerras... Quanto ao bom povo, como frisam os socialistas, sequer viu umas migalhinhas. Tornando-se sua condição, inclusive, mais servil - O que servirá. inclusive, para formar a mentalidade bisonha e servil do alemão médio que partiu para Sadowa, Sedan e os campos das duas grandes guerras.

Lutero era de Paulo e Paulinista, portanto estatólatra de marca maior e partidário da opressão - Bastando ler seu livro Contra as hordas bárbaras de camponeses para ter ânsias de vómito. E esse Lutero pançudo, que tanto nos impressionava na juventude, é de fato uma florzinha, e sequer chegamos ao sisudo Calvino, o mentor intelectual de tudo e mestre dos matadores!

Em breve passarão nossos auto intitulados 'evangélicos' de Jesus ou de Paulo ao antigo testamento sob o brado de 'Toda bíblia' ou 'A bíblia toda', o qual, desgraçadamente ainda ecoa por aí - Pois o Bolsonarismo é eco seu!

Quando chegaram esses neo Cristãos ao antigo testamento, colocando-o em pé de igualdade com o nosso Evangelho ou mesmo acima dele consumou-se a desgraça. 

A grande prova disso é que mesmo os meigos luteranos, herdeiros desse Lutero por vezes tão tradicional e vanguardista, ao passo das gerações transformaram-se em autênticas bestas feras. 

Explico - Antes de concluírem por essa aberração sinistra que é a superioridade racial ou ariana, haviam eles (Guiados por uma leitura calvinista ou fundamentalista do Antigo testamento!! - Marquem isso!!!) chegado a crer que haviam sido predestinados para reformar o Cristianismo ou predestinados para receber o dom divino do luteranismo. Passado algum tempo concluíram os pastores luteranos que os alemães haviam recebido a dádiva da Reforma porque dentre todos os homens eram certamente os melhores, porque eram superiores... Linguagem que tornou-se recorrente nos púlpitos luterânicos, e que repercutia mais e mais no coração do homem médio ou comum...

Ainda me recordo de como outro George - Santayana traçou essa evolução, a que certa fé ou religião, pretensamente superior não é nem um pouco indiferente.

Pois quando essa religião puramente subjetiva principiou a declinar, cedendo passo ao positivismo cientificista ou ao comunismo ateu, parte significativa dos homens comuns, de espiritualmente superiores, passaram a crer que eram racialmente superiores. Por uma passe de mágica o espiritual cedeu espaço ao biológico... Quanto ao luteranismo, de modo geral servil e submisso ao Estado, apresentou-se ele mesmo como a outra face do pan germanismo e consequentemente do odinismo crasso, porquanto o próprio conceito de Deus fora esvaziado e preenchido uma dúzia de vezes - Ainda aqui com o beneplácito dos pastores luteranos! 

Vejamos agora com que palavras o luterano F X Foerster descreve tal quadro: 'Esse novo Império nasceu do espírito pagão, de um individualismo totalmente nacional e egoísta, a primeira posse da humanidade após a Renascença, o qual encontrou em Bismarck seu construtor mais genial e consequente, o qual deveria chegar fatalmente a uma catástrofe. E por que... Como sói tudo quanto o mundo aspira e constrói contra o espírito da verdade Cristã!" Goyau opus cit pp 756

Excelentes as iniciativas do papista Goyau e do protestante Monnier, os quais deram voz - Na França e no mundo! - a tais pastores, núncios do pan germanismo e do odinismo!

E no entanto a voz de um Streicher clamou até 1946 - Apontando para Lutero como o responsável por cada um desses transtornos. Serei generoso: Absolvo Lutero, não os luteranos degenerados ou o protestantismo. Lutero limitou-se a impulsionar ou a acionar um movimento cujo mais extremo fim não lhe era dado divisar... O protestantismo no entanto por suas consequências políticas, mostrou ser uma calamidade - Enquanto vetor ideológico de tantas e tantas guerras, batalhas e conflitos, a ponto de despejar um oceano ou dilúvio de sangue sobre a terra.

Natural que hajam guerras. Bizarro que a religião as deflagre. Monstruoso que a fé tire qualquer benefício ou proveito dela. 

Não tenho dificuldade alguma para no âmbito da política secular ou da profanidade, concordar com Sorel e admitir que a violência possa servir como meio a uma causa justa, o que alias foi antecipado por Agostinho, aqui acertadamente. Não é o caso de condenar a violência de modo absoluto - Não somos maniqueus! Outro o caso, totalmente distinto, da religião apelar a violência ou estimular a agressão com objetivos religiosos ou espirituais. Aqui temos a lição suficientemente clara do Evangelho, percebida dentre outros por um Bossuet (Nas Lições de política ao príncipe!): Quanto a questão das guerras nos devemos guiar pela luz do Evangelho e não pela lei dos judeus...

Outro o caso do protestantismo, cuja degradação foi dupla; uma vez que adulterou tanto a condição natural < Igualitária >
 dos seres humanos - Postulando (Com Calvino, aluno de Agostinho.) uma eleição espiritual restrita e particular, a exemplo da que reivindicavam os antigos hebreus! - quanto o caráter paternal, amoroso e benevolente da divindade.

Por um lado o protestantismo, com Calvino e o calvinismo (Cuja influência estendeu-se por todas as seitas, mesmo pela luterana!) estabeleceu um grupo de fiéis 'superior', os eleitos ou predestinados e um grupo de pessoas inferiores, os réprobos. Nos termos que tanto apreciam, os calvínicolas introduziram no jardim do Evangelho a distinção entre 'israelitas espirituais' e cananeus, ferezeus, amorreus, filisteus, etc 'espirituais': Os romanistas, os franceses, os índios norte americanos, o negros da África do Sul, os comunistas, etc pois o calvinismo sempre precisa de alguém ou melhor de algum grupo para demonizar e oprimir...

Como já foi dito, ao cabo de séculos os luteranos alemães e mesmo parte dos episcopais ingleses assimilaram tais conceitos, já porque massageiam o ego, já porque podem entrar como parte do enredo político e econômico, exatamente como as Varnas na Índia. E um aspecto curioso, tristemente curioso por sinal, deste processo é que na Alemanha Luterana os 'eleitos' espirituais ou da fé acabaram por voltar-se contra os pretensos eleitos originais i é, o povo judeu, o qual, sem ter relação com tudo isso, foi sacrificado - E o cutelo de sacrifício dos judeus outro não foi que o livre exame de Lutero e Calvino, por meio do qual o pretenso eleito original é substituído por um eleito espúrio, o qual no entanto, para reforçar sua posição, deve eliminar o eleito original...

No entanto ficaria a transformação do homem incompleta ou incompleto o sistema caso o Pai de Amor e bondade do nosso Evangelho não ceda espaço ao deus predestinador da Tanak ou da Torá, o terrível javé, parente próximo de Assur, Alla e Odin ou Wotan... 

Sendo assim, na medida em que o conceito de inspiração funcional é substituído pelo conceito de inspiração plenário/Linear... E que o conceito de Evangelho é substituído pelo conceito de bíblia unitária (Ou Corão 'cristão') a figura daquele Ser benevolente a que chamamos Jesus de Nazaré é paulatinamente substituída pela figura do velho rancoroso, vingativo e cruel javé - Senhor das guerras, lapidando o conceito monstruoso de uma jihad Cristã, no sentido de que pode a religião agredir ou atacar seus oponentes.

Aqui nada semelhante ao conceito medieval de cruzada, pautado no conceito de guerra justa ou defesa/resposta face a uma Jihad ou ataque que partiu do islã. 

Trata-se aqui da instituição Cristã tomar a iniciativa de atacar (E atacar em sua acepção primária ou literal: Fisicamente!) com propósitos religiosos ou espirituais - Algo totalmente estranho ao Evangelho, ao novo testamento ou na Tradição Cristã mas assente no antigo testamento ou na religião judaica, bem como no islamismo.

O protestantismo a partir do Calvinismo e de sucessivas transformações produzidas pelo conceito de bíblia unitária e livre exame 'cria' por assim dizer esse novo conteúdo agressivo e a partir dele dá suporte a uma série de eventos catastróficos que se prolongam até nossos dias com imenso saldo de mortes e sofrimento. 

Principiou esse quadro sinistro com a própria reforma quando particularmente na tentou suprimir a religião antiga na França ou quando logrou suprimi-la na Suíça e na Escócia. Para não mencionarmos certas paragens da Alemanha ou na Inglaterra Eduardina. O recurso a violência começou aí... Enquanto o Cristianismo primitivo iniciou sua marcha por meio do martírio. O protestantismo, guiado pelo antigo testamento, faz o caminho inverso - O da Jihad!

A partir daí a sangria protestante não para mais.

Pois temos a guerra dos trinta anos. A Revolução Inglesa. Os infames ataques a Irlanda por parte de O Cromwell. O Sonderbund em 1848. Sadowa. Sedan. A erradicação dos índios Norte Americanos pelo 'faroeste', a criação da KKK, as duas grandes guerras mundiais, o Apartheid, etc 

Aqui os cananeus são os irlandeses, ali os ferreseus são os franceses, austríacos ou belgas, mais adiante os índios são os filisteus e os negros do Sul da África os assírios, enquanto que eles, os protestantes - Calvinistas ou luteranos calvinizados com suas bíblias nas mãos - são sempre os predestinados, superiores, portadores das luzes e da civilização... 

Seja qual for o conflito o pano de fundo é sempre o mesmo: Os eleitos ou predestinados combatendo os réprobos ou 'inimigos de deus'... O inimigo aqui e acolá, muda de face ou nome. O herói ou mocinho é sempre o mesmo: O homem da bíblia com sua espada ou trabuco nas mãos a levar o novo e estranho evangelho...

Quiçá você, amigo leitor, não tome a sério minhas palavras ou creia que estou exagerando. 

Resta dizer-me que durante a primeira grande guerra o Kaiser Alemão Guilherme II (+1941) convocou todos os protestantes do mundo para associarem-se ao Império Evangélico alemão em sua cruzada contra a França papista e a Inglaterra liberal e semi Cristã...

Daí o título de uma obra publicada pelo pastor protestante francês Jean Viénot em 1915
  • Réponse à l’appel allemand aux chrétiens évangéliques de l’étranger, Paris

Como se pode ver o título acima já diz tudo -

A obra de Goyau tem o mérito de mostrar ao grande público o impacto causado por tal processo no seio do luteranismo - O qual, como já disse, é uma forma mais amena e civilizada de protestantismo. - alemão. 

Com que tato logrou ele, apesar de papista, vincular essa catástrofe ao vício protestante de priorizar a leitura do Antigo Testamento e desconecta-la do Evangelho e consequentemente de Jesus Cristo, provendo-a de uma autonomia que não tem e jamais poderia ter num contexto Cristão. 

Com que tato não diagnosticou G G a enfermidade de que padece o protestantismo e sua causa: A judaização e a leitura despreparada e irresponsável do antigo testamento sob a alcunha de bíblia. E só poderia ter sido mais exato caso aponta-se a crença na inspiração plenária/linear como sendo a grande responsável por tal calamidade. Caso tivesse identificado o conceito de bíblia unitária ou 'corão cristão' como o pivô sua abordagem teria sido absolutamente perfeita. 

Pois na medida em que Cristo, nosso Bom Jesus, cede passo ao javé guerreiro, vai-se abrindo - Ao menos na Alemanha Luterana - o caminho até o 'primo' Odin ou Wothan, deus guerreiro ou belicoso e ao odinismo i é a ideia de que a guerra é um bem desejável ou mesmo querido por Deus. O que corresponde a um recuo do conceito de Lei natural ou de racionalidade, ao padrão da força defendido já por Trasímaco, na República, como pelo próprio Nietzsche, filho e neto de pastores luteranos, no contexto por nós indicado. Ora o próprio Nietzsche não escondia sua admiração pelo teor violento do antigo testamento, face ao teor benevolente do Evangelho, o qual para ela equivalia a indignidade e fraqueza.

Há 1.500 anos aproximadamente, um Bispo alemão, Wulfilas, ariano, parece ter antevisto tais possibilidades. Pois aos que lhe perguntavam porque não traduzirá os livros dos Reis e das Crônicas ao gótico, respondeu que caso seus Alemães lessem ou ouvissem tais relatos de guerras e morticínios jamais abandonariam seus costumes bárbaros e odinistas - Profundo esse Wulfilas não... (E hoje entregamos traduções desses livros grosseiros a qualquer analfabeto tarado...)

Resta-me dizer que o antigo testamento é muito maior ou mais amplo que o Novo testamento, de que Nosso Evangelho - O livro dos Cristãos!!! - é parte. Que resultará caso tudo misturemos e confundamos numa só amalgama... O Evangelho se diluíra como uma gota de mel num barril de fel... O Cristo será perdido de vista e confundido com uma multidão de homens vulgares... A Lei do amor será perdida de vista e - O Cristianismo reverterá a judaísmo antigo (Antigo - Quem tem ouvidos para ouvir ouça!!!), os odres rebentarão, o vinho se perderá... e esses odres rasgados é Calvinismo, não Cristianismo.

O luteranismo, por diversas vias, assimilou isso e o resultado dessa assimilação, mesmo quando secularizado ou ao menos em parte secularizado, resultou em duas tremendas grandes guerras - 

Certo é que como dizem os Comunistas, o fator econômico também ali estava presente, em contato com o religioso ou ideal, e interagindo com ele. Agora o que não podemos fazer é ocultar ou ignorar o elemento religioso, mesmo quando certas formas religiosas limitaram-se a encobrir interesses políticos e econômicos, como que a sanciona-los socialmente. Ainda aqui, enquanto usado pelo poder secular, deve o elemento religioso ser questionado. Mormente quando um século depois o protestantismo continua a acusar hipocritamente a tudo e a todos - Em especial a igreja romana. - e a desfilar como herói diante da plebe inculta e analfabeta. 




sexta-feira, 16 de julho de 2021

Nos domínios tenebrosos do 'Evangelistão'

Para aqueles que vivem em S Paulo ou vivenciaram, nos tristes anos 90, a expansão do Tucanistão a nível nacional, era difícil ou mesmo impossível conceber algo pior, embora eu mesmo, como ex protestante, sempre tivesse em mira, quiçá intuitivamente, essa possibilidade.

Mesmo porque o Brasil é exemplo universal quanto a possibilidade do ruim tornar-se ainda pior, e do pior agravar-se.

De modo que ao tucanistão e a lulopetismo (Cujas virtudes e defeitos não ignoramos.), de carona num vergonhoso golpe, chegamos ao evangelistão bolsonarico em que uma cáfila de pastores oportunistas, não apenas tomam de assalto o Estado e a administração pública como tem o desplante de querer controlar as vidas dos cidadãos, de restringir suas liberdades, de domina-los e de querer impor-lhes a moda bíblia - Não o Evangelho de Cristo é claro, mas o antigo testamento, com seu padrão voluntarista e odinista.

Hoje por sinal, tendo meu irmão ido ao médico e encontrado um amigo comum (Alias ex protestante como eu.), este enojado teria dito a meu irmão, algo que costumo repetir frequentemente: Este governo mesmo sendo formalmente democrático, consegue ser pior, repito consegue ser pior, do que a ditadura militar.

Pois se a ditadura torturou apenas alguns milhares de cidadãos este governo apoiado pelos falsos cristãos fundamentalistas, tem torturado indiretamente dezenas e dezena de milhões por meio da inabilidade, da miséria, violência, da ignorância, da negação de direitos, etc É todo um povo ou melhor uma nação sendo indiretamente torturada, inclusive em sua alma.

E se o FHC ocupava o primeiro lugar entre nossos piores presidentes é isto coisa do passado. Impensável a cerca de cinco anos, porém, atualmente inequívoco. 

Jamais enfrentou nosso país algo ou alguma coisa semelhante a Bolsonaro ou ao Bolsonarismo. Coisa muito próxima não de um Mussolini - Sinto desapontar a esquerda desmiolada! - mas de um Hitler (Temos de ser precisos, exatos e taxativos!), de um Calvino, de Bush, de um Trump... Pois o modelo de Bolsonaro, se é que modelo tem, não esta na Itália ou nas obras de um Mussolini, mas nos EUA, nas obras dos pastores e remotamente dos economistas liberais de Chicago. Não Roma, mas Chicago. Não Europa ou Itália mas América do Norte.

Daí o empenho de crentes e fanáticos, os quais, novidade não é, há muito que acalentavam conquistar antes de tudo culturalmente esta infeliz república para em seguida converte-la numa nova Genebra, ou conquista-la politicamente e valer-se da força com objetivo de estabelecer leis bíblicas ou melhor vetero testamentárias sacadas a Torá.

É plano antigo que os calvinistas, comunicado de geração após geração e transplantado de espaço em espaço desde Genebra, implantar um reino sectário e judaizante sobre a face da terra. E já traçamos com detalhes o roteiro desse plano, de Genebra ao Brasil passando pela Inglaterra e pelos EUA, lugares onde sucessivamente abortou. Fato é no entanto que não são somente os sunitas lá do Oriente médio que com sua sharia se opõem as instituições politicamente liberais, democráticas e laicistas, quiçá estimulados ainda mais pela opressão e pela miséria. Não - Pois há também nos EUA, a mais prospera e poderosa nação do planeta, e mais precisamente no Sul, há milhões de sectários bíblicos, fundamentalistas e fanáticos que odeiam tais instituições e quiçá com maior intensidade.

Afinal a cepa dos calvinistas, deterministas e adversários da liberdade, muito agradaria usar todo esse poder temporal e político com o objetivo de impor o biblismo a ferro e fogo, quiçá as nações romanistas e Ortodoxas. O que já se empenharam em fazer durante todo século XVI e parte do século XVII. A bem da verdade mesmo os não calvinistas Muntzer e Zwinglio, partindo do antigo testamento, aduziram a legitimidade de levar o novo evangelho a ferro e fogo, lavando a terra com sangue. Forjando assim uma jihad 'cristã' semelhante a de Maomé, e um dos homens mais sábios que caminhou sobre a terra Guilherme Postel - Avançando no terreno futuro da Sociologia Religiosa - julgava que os reformadores teriam lido o Corão em lugar do Evangelho... No entanto o que eles leram foi mesmo a Torá ou antigo testamento, em parte por descuido e parte da Igreja Antiga.

Claro que nas atuais condições uma tal ação seria impossível. Mesmo considerando que os fanáticos sejam irracionalistas. Damos no entanto uma tal manobra política calvinista como altamente improvável. Já outra coisa seria escorar-se sutilmente no poder do Estado Yankee, auferindo recursos e regalias diplomáticas em favor da fé, tal e qual sucede hoje no Brasil, quando aos pastores parasitas se concede passaporte diplomático ou o uso de aviões presidenciais, ou quando uma seita convoca o governo a defender seus direitos noutro pais, donde seus representantes foram defenestrados sob a pecha de avareza... 

Lá no entanto, onde o espírito democrático é bem mais forte, o máximo que esses vampiros lograram obter foi essa sutil mancebia sob os governos Bush e Trump, os mais lesivos e sinistros do ponto de vista da política internacional e autênticas calamidades. Com o Trump, o mais imbecil entre eles, concebeu-se lá o inconcebível i é uma tentativa de sedição, certamente apoiada por tais grupos, a qual felizmente foi esmagada sem piedade ou contemplação pelos militares. Inda quando o golpista do Norte, conta-se com a solidariedade de alguns zumbis no próprio parlamento, uma vez que nem todos os teocráticos por lá são abstenceístas, e parte deles também cogita destruir a democracia e construir uma democracia por dentro i é com a ajuda de demagogos fundamentalistas eleitos por eles. 

Tanto lá como aqui a democracia precisa criar mecanismos com que proteger-se da infiltração dos militares e dos pastores seus principais adversários. Quanto aos militares porque não devem em hipótese alguma transmitir ideologias partidárias ou sectárias na caserna, a qual cabe defender o país como um todo e suas instituições. Quanto aos pastores porque não devem tirar proveito do poder espiritual para, a partir dele conquistar o poder temporal ou político. Uma vez que não sabem ou se recusam a raciocinar em fora da bíblia ou em termos comuns, e buscam impor suas crenças, tomadas a bíblia, a todo corpo social, compreendendo séria ameaça ao laicismo e evidentemente ao liberalismo religioso que é um dos pilares da ordem democrática.

Importa dizer que as aspirações desse grupo é tanto mais humilde e realista embora não menos perigosa, consistindo em apossar-se do Estado com o objetivo de impor leis bíblicas ou judaizantes, i é moralidades 'reveladas' ou 'cristãs' ou de impedir o avanço de leis e pautas que consideram anti bíblicas, tendo em vista manter invulneráveis determinados preconceitos presentes em nossa cultura. Tal o objetivo da política protestante ou bíblica aqui representada pela perversa bancada evangélica e como vemos é anti naturalista e consequentemente anti democrática. Por menos nossos ancestrais causaram grande danos ao papado no século XIX, embora o papado honestamente revindicasse para si um padrão de autoridade, que o protestantismo, pautado no exame individual e livre, não pode revindicar sem que lhe caiba a pecha de hipócrita.

Foi desse empenho teocrático que surgiu a dita bancada evanjéguica no final do passado século, não com o junto objetivo de defender igrejas porventura perseguidas e sim com premeditado objetivo de tomar posse do poder em benefício próprio i é com o propósito de manter ou se possível de aumentar seus privilégios, até suportar essa política puritana e firmar leis bíblicas inspiradas na fé. 

Claro que tudo isto vai muito mal com as instituições liberais e democráticas assentes em nossa Magna Lei que é a Constituição.

Por isso esses homens ambiciosos e arrogantes não tardaram em editar um lema essencialmente virulento: Bíblia sim, Constituição não.

Posto que o Velho testamento individualmente interpretado sanciona os mais deploráveis crimes condenados pela Constituição como o assassinato em nome de Deus acompanhado pela tortura e pelo estupro inclusive. Admitida tal aberração as wiccanistas teriam de arder em nossos jardins, uma vez que a Torá determina que as bruxas sejam queimadas... a partir daí iriamos de abismo em abismo, até os cientistas e as pessoas civilizadas, adeptas do evolucionismo biológico serem decapitadas ou enforcadas por heresia no tribunal dos fanáticos. Basta lembrar que lá no EUA houve um processo Scopes em pleno século XX. Já me referi a oposição suscitada contra Copérnico por Lutero, a questão da circulação do sangue na condenação de Servet, a condenação de Celsius pelos luteranos no século XVII, a condenação da vacina pelos pastores, a oposição por parte dos mesmos ao para raios de Franklin,  a destruição do laboratório de J Prestley pelos sectários no final do século XVIII, etc tudo tudo feito em nome da bíblia ou da leitura da bíblia. Apegue-mo-nos pois a Constituição, coração da vida democrática, a qual felizmente conhece limites, pois a bíblia não o conhece e tampouco seus leitores exaltados.

Com o dizer bíblia designam a bem da verdade seu leitor, i é o pastor que lhe dá sentido e santifica ou diviniza suas opiniões colocando-se acima da lei e exercendo autoridade arbitrária. O Resultado de toda essa treva de bíblia e livre exame sim, sem a existência de uma lei constitucional, temos no horrendo julgamento das 'bruxas' de Salém... 

Caso queiramos evitar que tais cenas se repitam no tempo futuro temos de afastar ou melhor de preservar o poder político de quaisquer injunções advindas da bíblia, do corão, do avesta ou de quaisquer livros religiosos. É o elemento comum da razão que deve gerir o Estado ou o poder político com exclusividade. Como ex protestante direi que  maior parte dos protestantes, fixados não no Evangelho mas no antigo testamento, não assimilaram este padrão de pensamento ou introjetaram o espírito democrático, do que tiram proveito os pastores inescrupulosos. 

Agora essa manobra ou conjuração teocrática cerra fileiras com Bolsonaro e chega a ameaçar o STF, o qual apesar de seus erros e senões (Pois não pretende ser tribunal infalível que infalivelmente queima inocentes em nome de Deus.) é custodiário de nossa Lei maior, a Constituição, suprema garantia de nossas liberdades e direitos essenciais. Por isso dar combate ao STF, face as ações arbitrárias desse governo desumano e cruel, equivale a gritar: Bíblia sim, Constituição não.

E como não pode a Hidra bolsonarista atingir o STF por fora i é por meio da sedição, devido ao amor que alguns dos cidadãos ainda tributam a vida democrática e suas instituições, optou o déspota atacar o STF por dentro lá lançado um cavalo de Tróia ou comprometendo-se com seus apoiantes fundamentalistas a indicar a próxima vaga que porventura surgisse no STF um cidadão 'Terrivelmente evangélico' ou melhor dizendo um cidadão terrivelmente bíblico, fundamentalista, fanático, sectário, protestante...  Agora veja o leitor amigo onde chegamos com essa política bolsonarista, que concede a todo instante algum benefício aos fanáticos. Em que pese também terem votado nele certo número de ateus, irreligiosos, papistas, ortodoxos, espíritas... Incoerentes, desorientados e alienados, que agora se limitam a fazer discreto 'Mea culpa' enquanto que o poder é entregue aos pastores e seus lacaios.

São diversos ministros pastores como o Milton, a famigerada Damares, etc E agora é um pastor, cuja visão de mundo está fixada na bíblia ou no antigo testamento, o sr André Gonçalves, indicado para aquela vaga... Pelo simples fato de ser protestante ou terrivelmente 'evangélico', sendo sua indicação impulsionada por um elemento credal, o que é inadmissível na perspectiva da laicidade. Não se indica ou se deve indicar alguém para tornar-se titular de qualquer cargo público com base em suas convicções pessoais ou crenças religiosas. Tal postura é inconcebível por parte de um agente democrático. 

É, fazer distinção religiosa colocar um cidadão acima dos demais por ser afiliado a determinada crença. É exercer discriminação e rebaixar todos os outros cidadãos da república. É violar o princípio da isonomia assente na Constituição e humilhar os demais serventuários da lei. Pior, muito pior, é privilegiar um credo ou uma fé com objetivos demagógicos ou eleitoreiros. É usar cargos e dignidades públicas destinadas a servir a democracia como vil moeda com que comprar o apoio de fanáticos sediciosos. 

Isto no mesmo momento em que outro pastor amancebado com esse governo, um certo pastor Hamilton, envolve-se - Como para nos era de se esperar haja visto que outro pastor politiqueiro, o Everaldo, já se encontra atrás das grades, fazendo companhia ao pastor Cunha, outro corrupto! - em grave escândalo relacionado com a vacina! E enquanto diversos pastores fanáticos pelejam em favor do coronavírus, fazendo com que os índios não se vacinem... Desde a conspiração da vacina, contra Jenner, no século XVIII,  a coisa não evoluiu muito, tornando esses diletantes a afirmar que brotarão chifres nas cabeças dos imunizados, ou que receberão um chip ou ainda que serão transformados em gays - No passado eram lobisomens rsrsrsrs

Lamento a rude franqueza mas é coisa que não se vê no papismo e na Ortodoxia 'idólatras', no espiritismo, no judaísmo, do budismo, do ateísmo, do materialismo, etc mas somente na excelente religião bíblica dos salvos, eleitos e predestinados.

Tristemente havíamos já deparado com tais situações nocivas durante o inicio da pandemia com pastores e fanáticos cuspindo em enfermeiras, espalhando o vírus em seus cultos, recusando-se a usar máscaras ou a ficar em suas casas, etc alguns inclusive participando ativamente de marchas bolsonáricas e chegando a agredir profissionais da saúde... Tudo isto esse bando de fanáticos fez e continua a fazer neste pais, sendo agora brindados a guiza de recompensa com um provável ministro no STF, destinado a sabotar ou a tentar sabotar nossas liberdades, garantias e direitos, e o cúmulo dessa comédia pastelão será ve-lo querer introduzir orações, cultos ou mesmo pregações no recinto do STF durante as sessões!!! A menos que aspire o homem de deus exorcizar seus pares fiéis ao espírito democrático.

Lamento ali não estar, como ministro, no recinto do STF para, no espírito de um Rui Barbosa, de um Teixeira de Freitas, de um Pontes de Miranda, de um Evaristo de Moraes... mandar o pastor calar a boca caso ousa-se recitar orações durante as plenárias da casa. Pa e Pum eu o mandaria tartamudear suas orações em Meca ou em Riad...

No entanto é isto que cogita o Emir ou o Ulemá do Planalto, atingir ou humilhar, de algum modo os honoráveis paladinos da democracia.

Tais as condições da nossa República nas garras desses ciclopes insaciáveis a que chamam pastores. Finado Tucanistão que transformou-se em Evangelistão, realizando um único milagre: Conseguir ser pior... e fazer-nos ter saudades do FHC. Tristes tempos em que o Hitler dos trópicos converte nossos piores vilões - Como o Dória, o Alexandre de Morais, o Gilmar Mendes, o Renan, etc - em heróis...  Resta-nos apenas dizer: "Oh tempora, oh mores!" e pugnar heroicamente por esta ordem democrática que é o supremo bem da nação.



domingo, 4 de julho de 2021

Cristãos incoerentes, afinidades eletivas e noética.

Vivemos em tempos difíceis de viver ou passamos por tempos difíceis. Nós quais a verdade objetiva, a experiência, a razão e a própria Revelação são eclipsadas por um turbilhão de ideologias e culturas de morte, a maior parte delas notável pelo conteúdo irracionalista ou melhor por aquele absurdo já apontado com seriedade por Camus. Vivemos na Era ou na Idade do absurdo e é isto deprimente. Importa ter esperança - Para Freud era veneno, para os pupilos do Evangelho é virtude.

Esperamos estar passando por tempos difíceis ou por tempos nublados, aguardando pelos raios do Sol... Cremos e esperamos que as nuvens, sombras e trevas sejam espancadas pelo Sol da razão e pela luz da experiência, enfim pelo brilho da verdade divina, para qual são os homens encaminhados pelo que chamamos Filosofia. Não qualquer Filosofia, mas a Filosofia perene de um Sócrates, de um Aristóteles e mesmo, com prevenções, de Platão.

Todavia, enquanto aguardamos este novo 'Renascimento' ou glorioso porvir, temos de ir tateando em meio a este cipoal e tentar cortar-lhes os galhos ou tentáculos.

Tudo está muito confuso e as coisas fora do lugar.

Como disse Brecht, e eu considero patético, são tempos de ensinar o óbvio.

Sim, tempos em que se deve insistir sobre as obviedades ou sobre o que é axiomático, ou seja, evidente por si mesmo. Em tempos de idiotice generalizada já o evidente por si mesmo não parece tão evidente, o que é desesperador.

Bem, quando escrevo Cristãos - Bom advertir o amigo leitor! - certamente jamais me refiro aos protestantes, por mais boa vontade que tenham eles, mas apenas e tão somente a meus confrades os Cristãos Católicos Ortodoxos, ou mesmo aos apostólicos romanos e episcopais (Pertencentes a igreja alta ou ao anglo Catolicismo.) cujas agremiações conservam certos elementos do Catolicismo ou da tradição apostólica. Por questões de ordem cultural apenas alguns deles me poderão compreender.

Os protestantes, digo alguns protestantes, podem ser honestos e acalentar os melhores e mais nobres sentimentos, o que não torna o protestantismo Cristão, na plena acepção da palavra. Devo insistir nisto. Claro que as seitas protestantes são formalmente Cristãs e assim classificadas por todos os manuais de História das religiões. O protestantismo é formalmente Cristão, ponto pacífico. Outra coisa é ser autenticamente Cristão pelo 'espírito' de Cristo... Mesmo a igreja romana, apesar de seus diversos erros e do veneno agostiniano o é, ou ao menos setores e partes suas. Há ainda algo de Cristão em alguns apostólicos romanos - Não nos integristas ou nos carismáticos, e quiçá nem mesmo nos tradicionalistas (Com seu moralismo puritano que os conecta com o que há de pior no Protestantismo i é ao Calvinismo!) mas supreendentemente nos apostólicos romanos moderados - Alguns deles remanescentes da Era Tridentina e outros adeptos da TL (A qual nem por isso deixa de ser um sistema teológico defeituoso!) - apesar da missa moderna, que é como sabemos de origem protestante. Está a Igreja romana, dos pés a cabeça, doente de protestantismo: Do tridentinos aos carismáticos ninguém é incólume naquela comunhão (Isto por dupla via: O agostinianismo e o puritanismo, duas vias de acesso do ecumenismo e da apostasia.), no entanto alguns ainda amam honestamente a Tradição. É a estas pessoas que nos dirigimos, aos que amam o sentido ou a consciência Histórica do Cristianismo, amor há muito perdido pelas seitas protestantes.

Não nos iludamos, já por via do biblismo, que é filho legítimo da invenção da imprensa, é o protestantismo um sistema totalmente novo, uma revisão do Cristianismo histórico ou antigo ou ainda uma adaptação as novas circunstâncias sociais, políticas e econômicas. Só por isso é ele questionável ou mesmo detestável, pois não pode a instituição divina curvar-se face aquilo que é humano ou ceder em qualquer coisa. A instituição do Cristianismo cabe - E com muito mais razão - a diretriz exarada por um dos líderes Jesuítas a respeito de sua Companhia: Ou continuaremos sendo o que somos ou cessaremos de ser. Melhor seria ao Cristianismo desaparecer por completo da face da terra sem deixar vestígios, do que abjurar de seus princípios e doutrinas fundamentais fazendo concessões ou negociatas. O Cristianismo não pode ou deve mudar, e no entanto o protestantismo foi e é mudança.

Mudança por seu individualismo inusitado, mudança por seu transcendentalismo avesso a imanência, por sua antropologia - Agostiniana - viciada, por sua epistemologia capenga, etc 

O protestantismo trouxe sérios problemas a Cristandade. Novidade alguma até aqui.

Aberrante que a igreja apostólica romana ou mesmo que o Catolicismo Ortodoxo tenham assumido o filho bastardo que não lhes pertence. Refiro-me ao fundamentalismo bíblico ou a judaização - Noutras palavras, a todo esse universo formado pelo criacionismo, pelo terraplanismo, pelo geocentrismo, enfim pelo negacionismo científico. 

Nada mais triste do que testemunhar um Rose ou um Corção envidando esforços contra a Evolução Biológica - Um tentando infirma-la a partir de citações do antigo testamento como qualquer protestante, e outro forjando ensaios escolásticos ou metafísicos com o objetivo de refuta-la > Jesus, quanta treva! - o que é somar esforços com os setores mais radicais e obscuros do protestantismo, e daí caminharam (Ortodoxos e romanistas), para o terraplanismo, o geocentrismo, a negação da Lei da gravidade, etc como não poderia deixar de ser, se bem conhecemos o caráter do antigo testamento! De fato este movimento não se deterá no criacionismo! 

Assumido pelos Cristãos apostólicos o postulado protestante e falso dogma de que o antigo testamento em sua totalidade é pura palavra de Deus, chegaremos aos confins do islã, nada restando em termos de Filosofia e Ciência neste mundo. Afinal as raízes da Filosofia e da Ciência encontram-se na Grécia pagã, não no judaísmo ou no antigo testamento, cujo caráter (A par do divino ou do profético voltado para o anúncio do Verbo Jesus!) é mitológico, fetichista, mágico e intragável.

Nada mais comum nestes tristes tempos do que abordar o negacionismo científico. Coloquemos o dedo no fundo da ferida e busquemos suas causas - Como ex protestante direi e alto e bom som: É o negacionismo científico (Com suas propagandas anti vacina, terraplanista, geocentrista, etc ) fruto do fundasmentalismo bíblico protestante - Exportado para as comunidades Ortodoxa e apostólica romana inclusive! - seja ele pentecostal ou calvinista. Tais suas autênticas fontes, em termos técnicos: A doutrina supersticiosa da inspiração plenária, linear e verbal. Para parte dos protestantes (Aqui no Brasil imensa maioria) é a bíblia, ou melhor, o antigo testamento, autoridade absoluta e infalível em termos de conhecimento da natureza criada, ficando a Ciência totalmente desacreditada, quando não atribuída ao Diabo, nos mesmos termos que a 'idolatria' romana.

O aspecto mais triste porém é que parte dos nossos Ortodoxos ou dos apostólicos romanos - Os quais deveriam terçar armas em torno do Novo Testamento ou pugnar pelo Evangelho, que é a pura palavra de Cristo e Lei dos Cristãos - assumem tais postulados e endossam a manobra. Nada mais triste do que ver um Cristão apostólico fazer causa comum com o sistema dentre todos mais avesso a sua fé, que é o protestantismo. Afinal para os pentecostais os apostólicos não passam de idólatras amaldiçoados por Deus enquanto que para os calvinistas não passam de predestinados a condenação eterna. Apesar disso uns e outros não cessam de beber em fontes protestantes, de assumir seus postulados e de estender-lhes as mãos fortalecendo seu poder.

E nossos ortodoxos e neo romanos sempre me fazem lembrar os ratinhos conduzidos pelo flautista de Hamelin...

Eles ignoram as ilações doutrinais ou as afinidades eletivas e por isso não cessa o Cristianismo de diluir-se no protestantismo e de servir a interesses protestantes. Sendo nossos Ortodoxos e Romanos fundamentalistas usados como marionetes ou espantalhos.

Mas e os Apóstolos (Paulo) e os Padres?

Os apóstolos e padres procederam com honestidade e pureza de consciência pelo simples fato de terem florescido antes do advento da ciência, a partir do século XVI. 

Outro o caso dos reformadores protestantes, os quais tendo já vivido nos albores da ciência, foram e são modelos de negacionismo científico. Afinal, tendo em vista a doutrina do Corão Cristão ou do biblismo, esbateram-se ferozmente contra a ciência emergente, Lutero, condenando decididamente o Diácono Romano Nicolau Copérnico e com ele o geocentrismo... Calvino opondo-se a Acquapendente (Assumido por Servet pouco antes de W. Harvey) e a circulação do sangue... Tudo porque o heliocentrismo e a doutrina da circulação do sangue 'Não se achavam na bíblia' ou melhor dizendo, no antigo testamento, sendo supinamente ignoradas pelos antigos israelitas. 

A bem da verdade essa Cruzada bíblica, calvinista, judaizante, sectária, etc jamais cessou. Pois no século XVII os amenos Luteranos da Suécia abriram processo contra Nils Celsius (1679) - Apud Bivort de la Saude, 1959 p 112 - por ter ousado professar o Heliocentrismo. Pela mesma época, aproximadamente, tendo o insigne Nicolaus Stenius verificado o quanto seus confrades luteranos eram apegados a letra do antigo testamento e ao criacionismo chão, passou a igreja romana - Onde obteve o título de Cardeal - e tornou-se um dos próceres da Paleontologia. Já no século seguinte foi Joseph Priestley que teve seu laboratório incendiado pelos bíblicos. Também Moleschoot teve de fugir da Holanda para poder cultivar seus estudos em Roma (...) Darwin enfim exitou bastante em publicar suas conclusões pelo simples fato de viver numa Inglaterra ainda parcialmente calvinista e sectária...

Apesar disso a ciência fez sua caminhada e seus progressos. Sem que pudesse o protestantismo trava-la. Pois o máximo que os fanáticos bíblicos puderam fazer quando o benemérito Jener inventou a vacina foi dizer que os vacinados criariam chifres e se transformariam em vacas. Como dizem hoje aos nossos índios que, caso sejam vacinados, virarão homossexuais ou terão marcas na cabeça (Uai serão os chifres do século XVIII???) - Tal o serviço que prestam os pastores a humanidade em nome de sua bíblia!

Mas tornando ao 'Outro o caso', a negação da ciência pelos reformadores ou por qualquer um de nós em tempos modernos ou pós científicos planteiam uns sérios problemas que jamais ocorreram a Paulo, aos demais apóstolos ou aos antigos padres, os quais honestamente criam nos mitos judaicos tomados a Suméria e ao Egito. 

Pois negar a ciência, e suas conclusões, frutos da experiência sensível, implica criar um problema epistemológico e um problema antropológico. Claro que tal raramente se colocará para um Valdomiro Santiago ou para qualquer ovelha semi analfabeta do Malafaia ou do Feliciano... permanecerão eles bem ajeitados no berço esplendido da ignorância, e nada de mais sucederá. Tal o nível deles...

Outro o caso dos apostólicos romanos ou Ortodoxos que abraçam tal modelo teológico, posto que mais livres e medianamente instruídos. 

Destarte pelo menos alguns deles plantearão a questão da 'veracidade' bíblica do AT, da inspiração plenária ou linear, da falsidade da ciência, deste falso conflito e da credibilidade do conhecimento humano assim da condição humana e aqui teremos o drama, digo o estrago, produzido pela mentalidade protestante, bíblica e fundamentalista.

Os Ortodoxos explorando certos aspectos teológicos muito discutíveis do hesicasmo e tributários do neoplatonismo, irão dar na tal da noética... Há muito assumida pelas seitas protestantes luteranas, pentecostais e mesmo calvinistas. Os romanos irão dar na mesma solução por via do Agostinianismo ortodoxo e mais além irão seguindo na direção de uma antropologia nefasta até o jansenismo, o luteranismo ou calvinismo. 

Ocidente e Oriente por via da noética, que é princípio subjetivo e indemonstrável que se ajusta a qualquer crença ou heresia, desarmarão a Mãe Igreja face as seitas e falsas religiões no exato momento em que carece fortalecer sua apologética com o objetivo de confrontar as ditas seitas, as culturas de morte e o islã - Vejam então como tudo isto é trágico e como os fundamentalistas de modo geral prestam péssimo serviço a Igreja. 

Após terem judaizado, assumido os mitos ineptos dos antigos israelitas e menosprezado os autênticos mistérios de nossa fé, e fragilizado as 'razões' da Igreja - Apresentadas pela Filosofia clássica - os fundamentalistas devem necessariamente flertar com o integralismo. Afinal desprovida de seus fundamentos ontológicos ou apologéticos - I é da demonstração racional e experimental da verdade!  não pode a mãe Igreja caminhar sobre seus pés, devendo ser, como uma palhoça capenga, sustentada pelo poder autocrático e arbitrário do Estado. 

Fundamentada na mística, na noética, na iluminação ou na relevação particular e subjetiva perde a fé seus mais sólidos fundamentos - Sejamos honestos: Qualquer apresentação da Ortodoxia neste sentido só deliciará os Ortodoxos, qualquer apresentação do papismo por esta via só deliciará os papistas, e assim por diante. É a tal noética de todo inapta para convencer os contrários, refutar seus erros e firmar um são proselitismo! E falhará ela cabalmente face as seitas protestantes, ao islã, ao ateísmo e as culturas de morte. Atrairá apenas os elementos semi analfabetos ou analfabetos pertencentes as massas, fortalecendo as seitas. Pessoas mediatamente instruídas, críticas ou geniais não conquistará e agregará a Igreja de Cristo. Do contrário, fosse boa a tal noética para nossas igrejas apostólicas, não teria ela sido assumida com unhas e dentes pelos heréticos... Por isso nada quero com ela... Porque desarma a Igreja e não se presta aos misteres que temos em vista!o, que como grego tem veleidades não apenas hesicastas mas noéticas, que me contento em assumir a fé Ortodoxa, mas não essa Teologia ou Theologumena, ficando com a velha Escolástica ou melhor com a propedêutica da Filosofia clássica assumida por Clemente, Irineu, Orígenes, Atanásio, Eusébio, Gregório de Nissa, Damasceno, etc Vereda sólida e segunda para a apresentação objetiva da fé e sua justificação. 

O que nos leva a afastar-se ao máximo da posição agostianiana com sua epistemologia já suspeita e sua antropologia maniqueísta que redundou necessariamente em calvinismo, como do calvinismo resultaram o fundamentalismo, o puritanismo, a teocracia e mesmo a afirmação do liberalismo econômico ou do capitalismo, pelo que não podem os Cristãos apostólicos assumir tais elementos culturais, os quais nem lhes pertencem ou são seus.

Tal a importância das relações entre os elementos culturais ou das afinidades eletivas, a qual nos permitem ir além da fé e da teologia, e examinar o panorama da cultura com toda sua abrangência. Ora quem diz panorama da cultura, diz projeto social, político e econômico em termos de civilização. E mais uma vez aqui, as Igrejas apostólicas e o protestantismo separam-se. Veja bem e anote isto: São dois projetos culturais não apenas distintos mas apostos; o que vale já para a Igreja romana e muito mais para o Catolicismo Ortodoxo.

Daí apontarmos a leviandade com que papistas e Ortodoxos, assumindo pautas protestantes, como o fundamentalismo, a depravação total, a noética, o integralismo, o puritanismo, o liberalismo econômico, etc protestantizam-se em certa medida. São Ortodoxos que chocam-se contra a cultura e o projeto social da Ortodoxia e romanos que ignoram ou confrontam o projeto sócio cultural de sua confissão, traindo uma mentalidade protestante. Ora um Ortodoxo ou um papista não pode ter uma mentalidade protestante, de modo que jamais será ou poderá ser capitalista ou individualista, fundamentalista (E assim criacionista, terraplanista, geocentrista ou negacionista em qualquer grau.), integralista, carismático, puritano, etc pois cada um desses elementos chocam-se com a norma e regra da tradição e com a mentalidade vigente no padrão apostólico.

É uma questão de coerência. 

Verdade é que a igreja romana tem abdicado cada vez mais - Século após século - de seu próprio projeto, tão caro a consciência medieval. É um fato demasiado triste, pois implicou ceder espaço a esse projeto sujo e porco que ai temos, o qual é de origem protestante e redundou em tais culturas de morte contra as quais nos esbatemos: Capitalismo, Comunismo, Anarquismo, Fascismo, Nazismo, etc Observe que o projeto protestante original, se é que existia (Em termos de teocracia bíblica), abortou miseravelmente. Desde então o Cristianismo foi perdendo cada vez mais o seu ascendente sobre as Sociedades ocidentais... Havendo um esvaziamento Ético em termos de princípios e valores. 

Sob pressão do Islã sucedeu o mesmo no Oriente quicá numa proporção ainda maior. E embora nossos Ortodoxos conheçam algo sobre o império Bizantino, o quanto sabem é sobre sua forma política em parte ultrapassada. Sobre sua estrutura e ações sociais quase nada sabem, sendo a ignorância quase total. Importa dizer que esse projeto jamais completado nada tem em comum com o projeto protestante ou calvinista até certo ponto materializado nos EUA. 

Repito, como houvesse um projeto protestante original: Bíblico, fundamentalista e teocrático; foi definitivamente repudiado pelo Ocidente, pois partindo de seus princípios deletérios o protestantismo produz tensões insuperáveis. Foi e é um projeto de que resultam extremos perigosos: A total descristianização da sociedade e o abandono do mundo a um lado e o ideal de república bíblica pautado no Israel do século VI a C. Até certo ponto parece que essa dicotomia horrenda renasce no Brasil de hoje. Pois se o protestantismo brasileiro teima obstinadamente em enjaular a mente humana ou de enfiar a sociedade na bíblia, o Cristianismo, a partir deste padrão tosco, passa a ser cada vez mais odiado pela outra parte da Sociedade.

Está situação exige por parte dos Ortodoxos, papistas e anglicanos um posicionamento - Especialmente face a infecção ecumênica - e tomada de consciência e eu aconselharia a cada um deles o caminho da coerência: Tornem a luz. Afastem-se de todos os princípios assumidos pelo sectarismo bíblico: Individualismo, biblismo, subjetivismo crasso, negacionismo científico, fetichismo, integralismo, liberalismo econômico, etc Rompam decididamente com esse padrão sócio cultural e retornem a suas raízes. Tornem a Ética da solidariedade, ao Evangelho, a Tradição comum, ao objetivismo, a Filosofia clássica, a ciência, a vida democrática, a justiça, a tolerância, ao amor, enfim a tudo quanto seja humano, nobre, justo e excelente. 

Não tentem usar remendo velho em roupa nova ou colocar vinho novo em odre velhos... Não dará certo. O Evangelho, a lei Cristã, a Cristandade antiga, tem uma visão total e projeto próprio. E não é o que temos... Não é comunismo e não é capitalismo, pronto. Não é objetivismo sem subjetividade e tampouco subjetivismo crasso. Não é cientificismo e tampouco negacionismo... É algo sóbrio, equilibrado, harmonioso e complexo, que foge aos extremismos e ao sectarismo bizarro. Tornemos e retornemos a este projeto humanista, pois dele depende a cura do homem e o Renascimento da civilização, ou sua preservação.

Não temos muito tempo, portanto apressem-nos.

Desculpem a prolixidade e a extensão deste artigo mas foi necessário, pois o repetir é que nos faz claros. Claridade é tudo ou ao menos muita coisa. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A bíblia ou o biblismo como obstáculo histórico a construção do conhecimento científico.

Resultado de imagem para bible against science



Absolutamente comum ouvir alguém declarar que aqueles que admitem qualquer tipo de principio superior ao mundo material não são aptos para cultivar um espírito científico ou fazer ciência.

Os positivistas ou cientificistas amargurados adoram emitir semelhantes tipos de juízo, em que pese um Planck, um Albert Einstein ou um Fermi... Os quais fizeram verdadeira ciência sem necessidade de metafísica materialista ou o que é pior, ateística.

Outra coisa, bem distinta, é dizer que muito dificilmente se poderia conciliar o espírito fetichista presente nas páginas do Antigo Testamento, bem como seu aparato mitológico, com a prática da ciência. Aqui a afirmação parece ser mais consistente e merecer uma análise detalhada. O verdadeiro adversário da ciência não é uma Energia cósmica ou um Ente de razão mas um livro ou a leitura de um livro - A bíblia, o antigo testamento, o biblismo, o fundamentalismo, um tipo de leitura da bíblia...

Absolutamente inútil os sectários protestantes ou bíblicos apresentarem, como alias folgam apresentar, estampas ou figurinhas com os semblantes de Galileu, Kepler, Descartes, Newton, Faraday, Maxwell e outros grandes cientistas do passado, com o objetivo de demonstrar que é perfeitamente possível ser protestante, bíblico, fanático e, cientista. Isto pelo simples fato de que todos estes honoráveis senhores - Honestamente religiosos! - floresceram antes de Ch Darwin, não depois dele ou de Einstein... Marque isto - A lista de cientistas religiosos, em tese partidários da bíblia, como da astrologia, não vai além da segunda metade do século XX.

De minha parte não vejo problema algum em tais homens terem endossado a narrativa bíblica ou a criação mágica das espécies em separado, pelo simples fato de terem vivido do antes do século XIX e da afirmação cabal de um padrão naturalista. Aqui foram homens de seu tempo, uma vez que o homem moderno abstrato jamais existiu. Linné pode ser genial, e biólogo, e etc porque viveu antes deste divisor de águas que é o paradigma da evolução biológica, o qual continua sendo paradigma, mesmo que Darwin não seja infalível ou tenha cometido imprecisões. O que não anula o conjunto de seu trabalho, imperecível. No entanto vivesse após Darwin, Linné, mas do que ninguém, em vista de seu conhecimento, teria aderido ao evolucionismo. Não aderiu a ele Agassiz, pelo simples fato de viver nos E U A, e isto já diz tudo!

Após Darwin e Einstein quantos cientistas podem eles, os bíblicos, apontar, que tenham apoiado a bíblia, criacionismo ou a inspiração plenária, com todo seu aparato mitológico? Pode ser que um ou dois, dentre centenas ou milhares de cientistas, se afirmem como protestantes como filhos da cultura ou amantes do Evangelho. O que não significa muita coisa... Uma vez que bem podem ter sido liberais face a doutrina da inspiração plenária ou da judaização, e assim naturalistas quanto ao mundo natural e evolucionistas, a exemplo dos que adicionam a direção divina ao processo. Certamente tais homens criam em Deus, e em Cristo, e no Batismo, e na Eucaristia, etc... Criam no entanto na letra do Gênesis ou na mitologia judaica? Era fetichistas??? Aqui fica a pergunta e eu pago para ver. Não não creio que alguns possíveis cientistas protestantes sejam geo centristas, terraplanistas ou criacionistas...

Em termos de século XX ou XXI o protestantismo ortodoxo, bíblico ou criacionista é absolutamente estéril e incompatível com qualquer forma de conhecimento científico relevante. E temos aqui um conflito se resolução - Posto que a ciência é já naturalista e uniformitária enquanto que o Gênesis, fruto de seu tempo, é mitológico ou fetichista, supondo sucessivas intervenções da parte do Sagrado. Os bíblicos cá venham e citem os nomes dos grandes cientistas criacionistas ou bíblicos posteriores a Darwin ou a Einstein e compendiem suas descobertas! Os pensadores, sejam ou não cientistas bem podem colocar o Numinoso antes do início do processo, como elemento desencadeador ou como mantenedor de todo processo, não como interventor... Intervenções no decorrer do processo é justamente o que a ciência descarta.

Não nos iludamos, o cerne ou âmago do problema é o padrão mágico fetichista cristalizado no Criacionismo... Não diz respeito se Deus existe ou não mas a respeito de como atuou ele, se sicut experiência ou ciência, fixando e gerenciando uma Lei natural ou sicut 'escritura' ou seja interferindo caprichosamente e seguindo uma ordem totalmente absurda.

O protestantismo bíblico ou Ortodoxo chafurda justamente no pântano do Criacionismo, adotando este padrão mágico fetichista. Em termos de ciência esta solução pode até ter sido possível até Darwin. Não após Darwin, Wallace, De Vries, Weismann, Dobzhansky, Mayr, etc

A questão não é Deus, uma direção inteligente, um sentido, uma fé esclarecida, religiosidade, espiritualidade... Wallace jamais questionou tudo isto, enquanto Dobzhansky era religioso ou crente. Nem criacionistas, nem fetichistas um e outro. Para eles a ação divina era descrita não pelo gênesis em seus termos ultrapassados e toscos mas pela pesquisa cientifica i é pela experiencialidade e o raciocínio, padrões certamente fixados por Deus. E nem é preciso ser um Aquino para concluir que este padrão não pode ser desmentido por qualquer ele, e que a fé e a revelação com ele devem concordar. Supor discordância natural entre o conhecimento natural e a Revelação é monstruoso. Se há clamor em torno da contradição é justamente porque a cristandade, desviada pelo antigo testamento ou pelo judaismo, invadiu a esfera da imanência ou do mundo natural. Todo este mal entendido procede do antigo testamento e do conceito equivocado de inspiração plenária, não do Evangelho ou da Revelação autenticamente Cristã, absolutamente alheia ao mundo natural.

Nada disto, e nada disto esta em jogo. Digo a existência de Deus ou de um Ser ou de uma Consciência supra terrena.

Para o protestante a questão continua a girar apenas em torno de seu deus ou ídolo retangular, a bíblia... Com a mesma bíblia que combateu o Catolicismo ou a tradição Cristã e a Igreja antiga, o protestantismo hoje faz guerra a ciência e condena-a aos infernos.
Específico melhor - Toda questão gira em torno do antigo testamento ou do dogma, essencialmente protestante, da inspiração plenária...

Convém repetir a exaustão: O Evangelho não predica sobre a imanência... Os protestantes no entanto pensam sua bíblia como um Corão, e creem-na enciclopedicamente infalível. Daí suas pretensões totalitárias, que conflitam com a ciência, com todos os seus ramos... Após terem 'reformado' o cristianismo antigo ou o papismo ora aspiram reformar tudo - Biologia, História, Sociologia, Psicologia... O furor bíblico não tem limites e por isso, como o Islã ameaça a civilização. Temos dois perigos semelhantes (Vide o que Guilherme Postel escreveu a quase meio milênio sobre protestantismo e islamismo!) - Um no Ocidente ou nos EUA, o sectarismo bíblico; e outro no Oriente, o islamismo sunita, e é um espírito bastante semelhante, já por livresco já por fetichista.

Daí a total incompatibilidade dessa fé obscura e tosca com o pensamento científico. Newton, homem do seu tempo, como Galileu e Copérnico, ainda pode talvez dar crédito ao Gênesis. Após o estudo comparado dos fósseis, a embriologia, a cladística, a geologia, etc é impossível levar a cosmologia judaica a sério; e essa Era passou, definitivamente, sem que se possa alegar Newton - Homem genial, mas pertencente a seu tempo, o século XVIII - Ocasião em que Buffon havia já descartado o fetichismo bíblico...

Lamarck, St Hilaire e outros já não podiam levar tais coisas a sério numa Europa civilizada. Agassiz foi o último cientista sério a tentar emenda-la ou remenda-la... apelando a exegese alegórica, e admitindo as tais intervenções caprichosas e sucessivas ou os sucessivos 'milagres', com que ainda ousava repudiar o uniformitarismo. O intervencionismo tosco morre com Agassiz e com ele é enterrado. Impondo-se o uniformitarismo em Biologia, como já havia se imposto na Geologia, com Hutton e Lyell. Os protestantes no entanto querem que Deus tenha multiplicado ações miraculosas ou interferências, apenas porque o Gênesis o quer... Eles querem que deus tenha agido de determinada forma porque agrada a sua fé... Repudiam o naturalismo e o uniformitarismo apenas porque é supinamente ignorado por seu livro. E o padrão deles é a ignorância ou o desconhecimento por parte de um livro ultrapassado. Outra coisa a Tanak, com toda sua mitologia não é...

Não é por mero acaso que o maior pais protestante do mundo é hoje o centro mundial da superstição criacionista, patrocinada entusiasticamente por seitas como a jeovista e a adventista, bem como por parte considerável dos calvinistas e pelas hostes do pentecostalismo. O armazém das trevas ali esta: Num dos países mais ricos e desenvolvidos do Planeta, e isto só serve para patentear o espírito tenebroso do biblismo e sua periculosidade. Parte dos N Americanos continua a pensar que a ciência deve estar errada não porque hajam evidências contundentes neste sentido (Não hà!) mas apenas porque esta na bíblia ou a bíblia o diz... Basta o pastor gritar que esta escrito para Marx, Darwin, Freud, Einstein, Hutton, Newton, Kepler, Galileu e Copérnico serem descartados com uma fornada só!

O que você leitor deve compreender bem é a virulência deste princípio.

E o quanto tem colaborado para travar a ciência durante o último meio milênio ou seja desde que tem sido santificado pelo protestantismo.

Pois não houve ramo do conhecimento humano que o biblismo não tenha prejudicado, imensamente mais do que o papismo ou qualquer outra fé, a exceção talvez do islamismo sunita após a fixação da Ortodoxia pelos imames Achari e Gazalli no século XI desta Era.

Tenha em mira por exemplo a geografia de Ptolomeu, promovida pelos sectários religiosos e fanáticos até o século XIX pelo simples fato de ser, em parte, compatível com o mito bíblico. A terra tinha de ser o centro do universo ou de ser quadrada! Por força da bíblia... Observe os mapas dos séculos XVI e XVII com a obscura nomenclatura bíblica povoando as Américas!!! Quanto tempo precioso perdido e quanta energia dispendida com o objetivo de conciliar a existência de indianos, japoneses e chineses, os quais para o antigo testamento inexistem... A tanak ou os judeus ignoravam a existência de chineses, japoneses e indianos, logo, eles não podiam existir!!!  E para explicar a existência da América e dos ameríndios, os quais também são supinamente ignorados pela magnífica Tanak... Quanta hipótese ociosa ou treva. De que resultou por fim o mormonismo, com o dito livro de mórmon e as peregrinações de Jesus entre os maias e aztecas. Como tudo isso é aberrante... Não podem existir pólo Sul ou mesmo pólo Norte porque a bíblia nada sabe sobre eles, e tampouco a Austrália...

Caso passemos a Geologia o espetáculo continua - Os fósseis devem concordar com o dilúvio, e só se investiga as rochas, por séculos a fio, com o objetivo de encontrar sinais seus, os quais jamais foram encontrados, devido a impossibilidade geológica de um dilúvio universal, capaz de cobrir o Everest. Mas a bíblia... A bíblia postula a horrenda catástrofe com que jave afogar quis seus obras tão mal feitas... além de postular sucessivas catastrofezinhas com que punir a tribo dos hapiru, logo a Geologia não pode ser uniforme. E quando aparece Hutton, em pleno século XVIII, para dizer o óbvio - Que não há desconformidades ou sinais de qualquer evento bíblico no processo, sucede o grito de: Heresia...

Após ter empatado a Geografia e a Geologia a treva bíblia não empata menos a astronomia. Afinal as estrelas haviam sido postas no 'firmamento' com o objetivo de 'iluminar a terra'... Imagine só o descalabro que é o Sol aparecendo depois da terra ou da cúpula superior (Equivalente a metade de nosso planeta) contendo todo universo i é multilhões de galáxias e estrelas...

Pense agora na História e em todas as cronologias equivocadas atribuídas aos Sumérios, Egipcios e mesmo aos gregos, inda que diante de tantas inscrições, monumentos ou testemunhos arqueológicos. Qual a razão deste cipoal tenebroso? Querer fazer concordar todas estas cronologias com a narrativa vétero testamentária ou com os escritos dos hebreus... Tudo quanto se queria em termos de egiptologia era encontrar algum testemunho a respeito da presença dos antigos hebreus naquele pais exuberante. Não se ligava maior importância ao Egito monumental exceto pela possível presença das tribos dos hapirus a sombra das pirâmides... Quanta miséria e quanto transtorno. Passe agora a Babilônia descrita por Heródoto! A cujas ruínas acorriam os escavadores e arqueólogos, movidos pela fúria de lá encontrar sinais dos antigos judeus... Oh miséria. Hebreus era tudo quanto os fanáticos procuravam de Tebas a Nínive... E tinham olhos apenas para eles.

Ai você pensa Palestina e as ricas culturas do Bronze I ou do Bronze II. Enquanto os arqueólogos concentram-se apenas em Davi e Salomão ou em demonstrar que a biblia tinha razão. Mesmo um arqueólogo insuspeito como W F Albright foi obrigado a reconhecer que este tipo de abordagem não podia deixar de produzir ao menos alguns transtornos...