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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Sionismo, protestantismo, americanismo, maçonaria, ecumenismo... A Ingenuidade apostólica romana - O ódio a ortodoxia, a satanização da Rússia...

Cá estamos novamente... Não trilhando a senda do conspiracionismo, das lendas ou dos mitos, porém partilhando conexões e buscando esboçar uma visão geral ou de totalidade quanto a História do século XX e os percalços porque passamos neste momento, tão invulgar, vulnerável, delicado e perigoso, alias, calamitoso por sinal.

Elenquemos e juntemos as peças deste grande quebra cabeça...

- A Rússia esta sendo satanizada (E ameaçada!!!) pelos EUA, devido a defesa de seu território e sua cultura, ameaçadas pela atitude da Ucrânia, posta por um presidente sionista, na direção da UE e logo na direção da OTAN, uma vez que a Europa continua a ser aquilo em que se transformou logo após a segunda grande guerra: Um capacho, quintal, apêndice ou terreno dos EUA (E nos estamos referindo a nações tradicionalmente apostólicas romanas.).

"Devemos aceitar a liderança dos EUA e colaborar com essa nação." é o que foi dito por um alguém da estatura de Salazar, líder daquela nação que iniciou as grandes navegações e descobrimentos... E por ai se avalia o nível ou grau de infecção americanista na Europa desorientada. Aliás agora mesmo, há em Portugal, lusos, insuflados pelos nosso bolsonáricos (Maior parte deles apóstolos de seitas protestantes brasileiras na ''Terra de Santa Maria"), pedem as expulsão dos brasileiros lulistas ou petistas, enquanto os sionistas e norte americanos (Através da repartição chamada ONU) atulha o pobre Portugal (E todo resto da Europa papista e Ortodoxa.) com radicais islâmicos.

E lá já os maometanos radicais invadem capelas, cemitérios, etc erguem minaretes, recitam a shahada, etc - Mas alguns lusos acreditam que o problema são os brasileiros petistas ou lulistas, alguns dos quais, de fato e muito ridicularmente flertam com a abominação islâmica. Se bem que a maior parte limita-se a postar-se em favor da população civil Palestina (Em parte Cristã romana ou Ortodoxa, alias.) contra o genocídio perpetrado pelos sionistas com apoio dos americanistas, o que algo totalmente distinto.

Mas tornemos a Europa> A Europa atraindo Ucrânia a UE, lamentavelmente atraiu-a ao Império dos EUA e a seu braço OTAN, uma organização bélica tão ociosa, inútil e sem sentido quanto por exemplo o ofício de 'feitor de escravizados'... Posto que não existe mais URSS e a atual Rússia está longe de ser comunista ou qualquer coisa do tipo.

Vemos assim que o 'problema' parece se a própria Rússia Ortodoxa de Dostoievsky, com sua cultura, identidade, etc - Coisa que os países apostólicos romanos ecumenizados e modernizados vão já perdendo a tempos, na medida em que se enchem de seitas protestantes e penetras muçulmanos... 

Assim do fechamento da Russo (Ao contrário da pobre Ucrânia, cujo histórico tem sido bem outro.) as promessas do ecumenismo, isto é, ao uniatismo romano, a pastorada norte americana e as hordas muçulmanas tem resultado forte oposição aos anseios sionistas e Yankees: Despejar os jihadistas noutros cantos kkkkk ou converter o terreno em subúrbio\colônia 'made in EUA' - De fato a Rússia, como a Ìndia e a China não sorriram a tais futuros ou projetos ocidentais e se voltaram para suas respectivas culturas amparando-se mutuamente, o que atraiu a fúria do Tio Sam e de sua cadelinha, a Europa...

Data vênia, pois a Espanha (Porque esse pais se mantém grande parte apostólico romano e é um Centro de estudos filosóficos não modernistas e humanistas.) ousou erguer sua cabeça e tecer críticas ao poder despótico de Washington, sendo por sinal ameaçada. Deve ter ela se lembrado da Guerra Hispano americana ou das crueldades feitas pelos Yankees quanto da tomada das Filipinas, inclusive com a profanação em massa de Igrejas e mosteiros romanos pelos oficiais protestantes do exército Norte americano...

Que se compreenda o esquema atual - Uniatismo > Protestantismo > Americanismo > Sionismo... O mesmo inimigo, aquele império implacável, que com a sabedoria da Dr Ruth Benedic, soube cooptar o Japão após a segunda grande guerra, conhece perfeitamente o caminho. Quanto a pobre américa latina foi curto e grosso, e após comprar, aliciar ou seduzir a igreja papa enviou sua horda de pastores, como esse Silas Malafaia que aí esta convulsionando a
República. Para a Rússia no entanto só poderia usar e ampliar a  brecha que lá existe: O uniatismo (E se o papa Francisco não foi comprado ou intimidado não entendeu a estratégia.) e a partir dele empurrar ecumenismo, modernismo e enfim, debilitada a consciência Ortodoxa e fragilizada a cultura, 'Toque final' enviar seus janízaros... 


E aqui, a suprema infâmia e vergonha é que muitos dos zumbis protestantes ou americanizados ainda ousam relacionar a Rússia atual, a Rússia Ortodoxa, a Rússia precipuamente Cristã e firmemente Cristã, com (Pasme!) comunismo, reeditando o discurso embolorado dos anos 50 e 60 com o objetivo de instilar ódio nas massas ocidentais... O que por sinal supõe um alto grau de massificação, idiotismo ou estupidez implementada por demagogos, patrões e pastores em tais sociedades, a exemplo da nossa...

Quiçá resíduo de tradição calvinista ou puritana os EUA levam adiante, fielmente, a prática da satanização - Sendo assim sempre precisam de um inimigo ou opositor de modo a produzir um pavor que penetre até os ossos... De fato a farsa puritana tem por tônica o medo ou o terror. Começou de fato com o Satanás - De que resultou o tragicômico espetáculo das garotas de Salém... Passou nos dois séculos seguintes (Pasme de novo) ao papa romano, ora aliado... Até tocar ao comunismo (Que tantos benefícios tem trazido ao império Yankee - Creio que os bolchevistas deveriam até receber dividendos ou pensões.) e agora ao islã, neste caso ao menos com certa verossimilhança. 

Todavia, apesar de Maomé, é ainda a Rússia satanizada por tabela, mesmo que por lá não haja sombra de comunismo ou mesmo marxismo... O caso aqui é que a Rússia de Putin recusou a deixar-se colonizar ou a embeber-se de americanismo: Rock and roll, coca, mac Donalds, Holywood... e é claro, seitas protestantes.

Nesse contexto Trumpalhão acabou de dizer que Rússia e Índia foram perdidas para a China - Pura bravata... Cada qual tem sua identidade própria: Uma é Politeísta, com seus milhares de deuses e outra Católica Ortodoxa, fiel aos ensinamentos de Cristo... De comunistas uma e outra nada tem. Todavia amparam-se política e economicamente, exercendo fraternidade... Além disso, a China atual, ainda que oficialmente comunista, conserva muito mais de sua identidade ancestral do que o japão americanista. Por sinal ambas as três sociedades (É o que tem em comum e o que deveria ser resgatado pelos países romanos da Europa e pelo Brasil.) lançaram-se nos braços de suas respectivas tradições culturais com o marcado objetivo de não se tornarem províncias culturais - Em seguida econômicas e quiçá políticas. - dos EUA.

- Israel determinou que nossos Cristãos Ortodoxos e mesmo os rumi abandonem Gaza e determinou o extermínio dos que se recusarem a obedecer.

Enquanto elaboramos este artigo os nazi sionistas, com apoio dos protestantes e proteção dos EUA, estão a bombardear o bairro Cristão de Al Zeitoun, tendo já bombardeado antes a Igreja de S Porfírios. 

O que patenteia muito claramente qual o propósito do Estado sionista quanto aos Cristãos das redondezas: Exterminar os que convivem a margem do islã ou mover os radicais islâmicos contra eles, exatamente como tem sido tradicionalmente feito no Líbano e na Síria, sempre com a mão oculta dos EUA...

Durante muito tempo a Cristandade Síria - Até antes da defecção Ucraniana. - foi preservada de tais calamidades somente graças aos esforços da Rússia e de Putin, o qual manteve os Assad. Agora a sinistra política dos sionistas e norte americanos converteu a existência dos Cristãos sírios num inferno, e tal parece o destino reservado a nossa infeliz Europa, onde se acham o Museu britânico, o Louvre e a biblioteca do Vaticano...

Apenas a Espanha, ainda meio Cristã e parte romana, parece ter percebido o sentido de tudo isto e ousado, em certa medida, tecer críticas a Israel e se opor aos EUA, enquanto todo resto da Europa permanece cego.

Pois neste exato momento uma parlamentar 'britânica' acaba de tomar posse com o Ijab após beijar o Corão. Isto na terra de Ricardo Coração de Leão! Onde o Cristianismo remontaria a José de Arimatéia! E que já esteve coberta por soberbas catedrais...

Como chegou a Inglaterra a tão poucos passos da tenebrosa Sharia...

Simples> O protestantismo por um lado, já no século XVIII, produziu alentado surto de incredulidade entre as pessoas instruídas e a outro penetrou o anglicanismo, que penetrou e contaminou parte do papismo, e assim, via modernização e ecumenismo, toda a Inglaterra foi levada a apostasia, a descristianização e a irreligiosidade, de que tira benefício o proselitismo islâmico, a ponto de assustar nada mais, nada menos do que Richard Dawkins - O qual reclama dos Cristãos e até mesmo dos Católicos mas bem sabe o que a Sunah ou a sharia reserva aos ateus...

Outra não é a condição da França, debilitada pelas pseudo filosofias em geral importadas da Alemanha (E geradas pelo protestantismo a partir de I kant), pela maçonaria, pelo modernismo, pelo anarquismo, pelo comunismo - Todos adversários ferozes do papismo... E enfim, derrubada e prostrada pelo pelo próprio papismo i é pelo ecumenismo e pelo modernismo, os quais desampararam sua cultura ancestral > Como foi percebido muito claramente pelo atilado Gustav Thibon...

Dos dois lados da mancha julgaram os intelectuais ateus, materialistas e incrédulos das diversas correntes que tal seria o fim da História... até que em meio a toda essa balbúrdia ou zona imiscuiu-se o Corão. Sem que a extrema esquerda, o papado ou os cientificistas\positivistas abrissem os olhos, e esse Corão se fixou e avança - A ponto dos EUA, via maçonaria:. ONU, despejar uma multidão de emigrados jihadistas, buscando amenizar as coisas para Israhell... Nada mais útil do que desviar as ambições agarenas para a pobre Europa sem fé, identidade ou esperança e converte-la em moeda de troca. Isso jamais sucederia sem ecumenismo ou Vaticano II, saibam os apostólicos romanos daquelas paragens.

Na Europa os Le Pen tem razão e plena razão, é vital lutar pela cultura e por limites ou, se possível, extirpar o islã (Não assassinando os muçulmanos mas enviando-os de volta a seus países de origem ou aos países Árabes, Arábia, etc). Todavia apenas a reconciliação de um romanismo reconciliado consigo próprio i é não ecumênico, não modernista, liturgicamente restaurado, etc poderia tornar efetivos tais esforços e salvar aquele continente e aquelas sociedades. Para isso o Vaticano II precisa ser decididamente abandonado e o americanismo condenado - Tolice buscar alijar o islã e assimilar o congênere protestantismo... Pois o protestantismo e o capitalismo estão na gênese desta calamidade. Tornará a Europa a ser genuína ou integralmente romana (Ou Ortodoxa por conversão) ou se transformará num califado! Não há outra opção ou terceira via. Foi aquele continente traído e vendido pelos sionistas e Norte americanos, os quais enquanto apontam para a Rússia Cristã, enfiam sorrateiramente mais e mais agarenos naquelas paragens.

Digo mais, é um ciclo inelutável: Do protestantismo ao materialismo, ateísmo e incredulidade e daí ao islã... Será assim no Brasil e em todo resto da América latina caso o protestantismo e o americanismo continuem seus estragos: Após os bolsonaristas e malafentos virão os cadis e ulemás com sua maldita sharia, se envolverão na política, empregarão a violência e mergulharão a república em sangue com o objetivo de instituir um califado - Os pentecostais e calvinistas são apenas prelúdio de maiores sofrimentos e por isso nós, como os europeus e a exemplo dos russos, indianos e chineses precisamos nos voltar para nossas tradições e cultura, seja quanto ao aspecto religioso (Aderindo a fé Ortodoxa ou a um romanismo tradicionalista.), filosófico (Cultivando a Filosofia greco romana), literário (Valorizando nossa lingua e nossos autores clássicos.), artístico (Repudiando a arte moderna), etc

Entrementes um rabino acaba de declarar, numa palestra, que deseja que este nosso mundo mergulhe numa terceira grande guerra mundial, a qual acabe de uma vez com o que resta da Europa católica e com os países pagãos (Ìndia, China, etc). Novidade alguma debaixo do sol... Pois entenda-se que uma guerra total e grande devastação da Europa colocaria em risco instituições como o Museu Britânico, o Louvre, as Bibliotecas e Paris e do Vaticano, a Pinacoteca e Gliptoteca de Munique, Universidades com Oxford e Louvain, Associações como Juan March, Claudio Venanzi, Raízes de Europa... - Enfim seria algo equivalente a destruição da Biblioteca de Alexandria pelos muçulmanos. E o cérebro da humanidade estaria perdido... E nossa identidade histórica destruída.

- Trump ameaça China, Rússia, Brasil e Venezuela...

Umas com taxas, multas, etc ou terrorismo econômico e outras com armas, e pasme: Desta vez sem usar a ONU ou pedir-lhe fingida autorização - Posto está que se a ONU não fosse, também ela infelizmente, mero braço do imperialismo yankee, a farra feita por Israhell na Palestina já teria cessado...

A ONU no entanto permanece muda, surda, cega e calada, em mudo silêncio e total indiferença face a tão horrenda carnificina... Até mesmo, repito, quando um bairro Cristão, com centenas de civis inocentes e crianças indefesas é pura e simplesmente apagado da face da terra.

Portanto a farsa da ONU, enquanto autoridade neutra ou não engajada, caiu por terra - E nem é por acaso que a sede dessa organização, ao invés de ser rotativa, se encontra justamente em território estado unidense... Bingo

Assim, o projeto de Hitler inacabado, que atacar Rússia, China e Índia porque criaram uma moeda forte e uma economia paralela que não depende do Dólar ou da Bolsa de NY. Quer atacar Brasil porque está dando ao mundo um exemplo de resistência democrática contra um imitador seu e entusiasta de sua cultura. Quer atacar sobretudo Venezuela porque detém a maior reserva de petróleo do planeta, a qual bem poderia, ao menos por alguns anos, salvar o império do colapso, posto que em crise já está e que só se mantém devido ao servilismo e decadência da Europa...

Quanto a infeliz Venezuela é a mesma parlenga sacrílega de sempre, em torno de supostos ideais democráticos. Dizem assim querer levar a liberdade aos venezuelanos, quando querem na verdade (Como vampiros que são.) roubar petróleo. É puro e simples roubo, mas... para tanto se dá razões, e terão os venezuelanos que pagar caro ou em ouro negro por sua liberdade. Caso fossem uns pobres f. e sem petróleo o império prestaria atenção neles... Como a sanguessuga bebe sangue o império bebe petróleo.

Apesar das lágrimas do primeiro Roosevelt - Que as derramou na Patagônia, cogitando que o restante da América jamais pertenceria a Washington, justamente por estar sob o domínio da Igreja romana - a vinda dos pastores e a invenção do ecumenismo facilitou muito as coisas. Criando um Estado dentro do Estado em diversos países da América latina... Como a BRÉIA, a IURD, o PL, etc entre nós... Em detrimento de nossa soberania.

Disto resulta um embate, em cujo bojo estamos nós, mas que ainda não foi decidido. É necessário que o buraco infernal seja tapado. E para tanto é preciso que os liberais ou democratas do STF coloquem o embaixador de Trump, golpista e agente de potência estrangeira - Juntamente com seus indignos colaboradores - atrás das grades! Só assim lograremos conter o afã teocrático dos nossos yankees honorários, chefiados pelo Ali babá Malafaia...

É algo que hoje cobre, em diferentes níveis ou graus, a América como um todo, uma espécie de lepra da qual devemos ser nós purificados, quando nos voltarmos novamente, para nossas tradições e cultura.

Exemplos trágicos temos já diante de nós, como o Texas, Porto Rico, Hawai ou Alaska... Para onde toneladas de pastores forem enviados com o sinistro objetivo de confrontar a Ortodoxia e o Romanismo e destrui-los para melhor consolidar a abjeta servidão. Pois sem assimilação não pode haver perfeita servidão e conformidade...

Tudo quanto sucede hoje no Brasil nada tem a ver com a quimera do comunismo, cujos adeptos e líderes por sinal, se opõem ferozmente ao governo Lula e ao Petismo. Tudo quanto observamos hoje neste país é reflexo de uma grande batalha travada por toda redondeza do mundo entre EUA, Israel, parte da Europa e o restante do mundo, a exceção do islã (O qual tem seus próprios interesses.). São os estertores de um império esgotado que cai por terra, e os esforços de seu líder para mante-lo...

Continua

Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
  • Fascismo
  • Conservadorismo
  • Pós Modernismo
  • Sionismo 
  • etc


terça-feira, 29 de junho de 2021

Naturismo Luxo ou o alto custo de uma vida natural no contexto do mundo Capitalista ou o preço da ruptura - Será a ruptura naturista uma reação da consciência burguesa?




Por mais que admiremos S Bento ou S Scott Nearing temos de ceder as críticas bem fundamentadas dos críticos, em especial dos marxistas. 

Naturalizar a exemplo de S Bento ou de Nearing é utópico ou impossível no mais alto grau.

Sete, dez, três ou um bilhão de pessoas não poderiam viver separadas em seus sítios, feudos ou fazendinhas cultivando a terra.

Bento, Francisco e Nearing são o que chamamos de figuras hiperbólicas, fundamentais e preciosas por chamarem nossas atenção, mas impossíveis de serem imitadas pela totalidade dos seres humanos, justamente porque tais seres são muitos e a terra 'pequena'.

Não há na terra espaço suficiente para meio bilhão de Franciscos, Bentos ou Nearings.

Para além disto, há, e fixado está, o sacrílego sistema que especula com a terra, inclusive com a terra não usada, encarecendo seu preço. De modo que apenas uns poucos bem remediados seriam capazes de adquirir um pedaço de terra com que viver a maneira de um Nearing, ao menos aqui no Brasil a aquisição desse pedaço da terra, com que viver a parte do sistema sairia bastante caro.

Mesmo após as advertências de Henri George sobre a relação da posse com o trabalho continua a terra a ser sacrilegamente retalhada e roubada pelos poderosos. 

O máximo que muitos de nós poderiam fazer é abdicar do consumismo crasso, diariamente instilado em nossas almas pelos meios de comunicação, com o objetivo de que tomemos por absolutamente necessário aquilo que não é. E lancemos mais lenha a este tremendo incêndio que consome o mundo.
Melhor o excesso de desapego de um Buda que este consumismo insensato que nos devora as entranhar e põem a nu a miséria da alma... Se é que tais vermes, gafanhotos ou cupins tem alma.

O máximo que muitos de nós poderiam e podem fazer é assumir um naturismo limitado dentro do próprio sistema, adquirindo apenas produtos veganos, adotando a 'lei' vegetariana, consumindo preferencialmente produtos orgânicos, etc sucede no entanto que a especulação da terra faz com que tais produtos sejam sempre mais caros e que estejam sempre acima das possibilidades das pessoas comuns ou do povo. Daí os marxistas tecerem uma crítica que deve ser considerada: A maioria dos naturistas são burgueses. Aos marxistas incomoda o fato de que parte considerável dos veganos, vegetarianos, organicistas, etc sejam o que chamam de burgueses e que nós chamamos de classe média.

Claro que a maior parte dos não marxistas pouco se preocupa com tais críticas. Não é o meu caso. Pois nossas práticas, sendo saudáveis e até redentoras deveriam ser assumidas pelo bom povo. Tenho aqui que os não marxistas mais esclarecidos atribuam muito pouco esclarecimento ao povo. Falta instrução e consciência a eles e são, em sua maior parte massas e não povo... Certo, certo, muitos dentre eles pertencem de fato a essa coisa amorfa que chamamos de massas. 

Apesar de tudo a isto folgo perguntar a mim mesmo: Se acaso um desses assalariados tomasse consciência e optasse por viver a nossa moda, poderia ele arcar com os custos?

Acaso estão nossos produtos orgânicos ou veganos, assim os moluscos e crustáceos, no acesso da gente mais humilde?

Mas é claro que não.

Os produtos orgânicos por serem mais custosos que o comum dos vegetais, o que decorre do espaço ou da terra e enfim da especulação.

Os produtos veganos porque suas massas - Doces ou salgadas - de fino sabor são feitas com agar agar, algas, cogumelos, compostos de soja, amêndoas, nozes, etc os quais dentre os vegetais são os produtos mais caros. 

O bom povo a ser vegano teria de viver de papas de batata, polvilho, amido de milho, arroz e trigo; levando uma dieta assaz monótona em termos de paladar.

Caso adotassem uma dieta a que chamo de Ética (Que é a minha) excluindo apenas o consumo de aves, mamíferos e demais seres dotados de auto consciência e sensibilidade, ainda assim seria demasiado onerosa para eles - O que sei eu por experiência. Mesmo no litoral do Brasil não podem os mais pobres e a gente simples viver de crustáceos, moluscos ou pescado, pois é caro.

Lamentavelmente temos de considerar a crítica dos marxistas e saber que querendo nós ou não o mercado dita regras, impondo não apenas o consumismo mas também o consumo de certos alimentos já nutritivos, já saborosos, a maior parte da população pelo simples fato da oferta ser maior e a amplitude da oferta determinar o preço, alias um preço mais baixo e acessível.

Triste sabe-lo mas em parte é o consumo de carne facilitado já pelo mercado já pela própria dinâmica populacional. No momento presente sete bilhões de seres humanos não se poderiam manter consumindo apenas vegetais ou frutos do mar. 

Mas e a Índia?

Como tudo faz supor nem todos os indianos são vegetarianos.

E os hindus?

De fato são eles bilhão e pouco de pessoas, cerca de um bilhão e setenta milhões aproximadamente. Um número impressionante de seres humanos.

Todavia, ao contrário do que comumente se pensa ou imagina nem todos os hindus são vegetarianos. 

Entre a fé ou a teoria e a prática vai larga diferença.

De modo que atualmente o numero de hindus vegetarianos oscila entre 23 e 37% tocando provavelmente a pouco menos de 1/3 de bilhão - Quiçá uns 350 milhões de cidadãos. 

O número ainda é impressionante.

Mais revelador ainda porém é saber que também por lá o vegetarianismo ou o veganismo saem mais caros, de modo que predominam nas castas mais elevadas. Também lá são os mais pobres párias ou harijans e sudras que consomem a carne, inclusive carne bovina, por ser sempre mais barata e acessível. O problema da alimentação é também globalizado ou global, tocando ao planejamento nacional ou internacional, assim as dinâmicas do senhor mercado, face ao qual mesmo os devotos hindus se tem curvado. Se a carne é o produto alimentício mais barato que o mercado nos oferece em oposição aos produtos veganos, aos produtos orgânicos e aos frutos do mar, é óbvio que as pessoas mais humildes serão carnívoras não vegetarianas ou adeptas a uma dieta Ética, a qual será dieta de luxo! 

Os pobre não poderão ser veganos ou vegetarianos ou adeptos de uma dieta ética mesmo que queiram em tais condições, ditadas pelo mercado ou pela economia.

E seria utópico ou desumano já força-los, já condena-los... Exigindo que façam abstenções e sacrifícios. 

Portanto se queremos pugnar por uma alimentação majoritariamente vegeta ou por um cardápio ético teremos de pensar antes de tudo na densidade populacional.

Veja a maravilhosa Índia de agora com seus trezentos bilhões de vegetarianos. Trezentos e cinquenta bilhões de seres humanos, mesmo quando veganos ou vegetarianos, continuam sendo uma praga - Como uma nuvem de gafanhotos - a qual se não mata diretamente, mata e assassina indiretamente. Pois aqui preservar milhões de vacas implica sacrificar todos os tigres, rinocerontes, elefantes, etc pelo simples fato de ser necessário acabar (Literalmente) com as florestas para criar campos de arroz. Se o consumo de carne vermelha promove ativamente a destruição da natureza por demandar pastos um vegetarianismo assumido em alta escala por bilhões e bilhões não mataria menos por demandar campos de cultivo. 

Bilhões e bilhões de seres humanos será potencialmente destrutivo sejam estes bilhões carnívoros ou veganos, por uma questão de espaço. 

Tornamos assim, mais uma vez e sempre, âmago da questão, isto é ao número de seres humanos ou ao crescimento da população humana.

O Veganismo não pode proteger ou salvar a terra da destruição ou assegurar o bem estar dos animais caso ignore a questão do crescimento populacional a menos que passe a advogar um decidido retorno ao que chamamos coleta. Agora imagine o leitor sete bilhões de seres humanos abalando-se para coletar vegetais nas poucas florestas remanescentes. Só os brasileiros todos em menos de semana dariam cabo da floresta amazônica sem que sobresse um único animal ou uma única folha comestível!

Não há como tornar a coleta. Tampouco há como substituir pastos por campos de cultivos obtendo qualquer melhora significativa. O vegetarianismo ou a dieta ética só faz sentido num contexto de controle de natalidade e redução populacional. Por si só, como algo isolado, não nos beneficiará como espécie. 

Também a questão econômica precisa ser considerada, assim as liberdades do mercado, as quais nada significam além de controle. Se desejamos diminuir os preços dos vegetais teremos de considerar o preço da terra e questionar a especulação... como deveremos planejar o cultivo. Tudo isto, tornar os vegetais acessíveis ao grosso de uma população reduzida, implica decisões políticas e econômicas as quais não se pode fugir, e implica no mínimo 'questionar' o modelo liberal economicista que temos como o 'menos ruim' ou melhor. Terá isto de ser revisto, necessariamente.

Caso não cheguemos ao populacional, ao econômico e ao político; com o objetivo de tornar o vegetarianismo ou a dieta ética acessível ao povo, formaremos de fato uma seita burguesa, um grupo ou clubinho e meio a multidão de vermes rastejantes... os quais jamais nos será dado censurar com ares de superioridade.

Belo é o ideal da dieta ética ou mesmo o veganismo. Veganos, vegetarianos e adeptos de uma dieta ética devem compreender no entanto que práticas individuais ou sectárias são sempre irrelevantes em termos sociais, e compreender ainda que o sistema econômico estende seus tentáculos sobre todos os espaços, nichos, iniciativas, práticas, etc tudo contaminando e poluindo, e comprometendo. Veja por exemplo a noção de falaciosa de 'capitalismo sustentável' se é capitalismo jamais poderá ser sustentável mas sempre predatório. Em que uma liberdade absoluta em termos econômicos associada a maximização dos lucros pode estar de acordo com o respeito que se deve a fauna e a flora ou ainda com uma extração moderada, a qual por si só impõem limitação?

Lamento mas a nossa dieta, o nosso veganismo ou o nosso vegetarianismo não darão certo enquanto forem tão caros. E os produtos naturais continuarão sendo o que desgraçadamente são: Um veio de lucros dentro do mercado, mais um setor do mercado e não poucas vezes um outro móvel para o consumismo. 

A reflexão que fica - Será que estamos sendo de fato contestadores ou seremos nós colaboracionistas? 

domingo, 16 de abril de 2017

Leon Metchnicoff - A civilização e os grandes rios históricos

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Contribuições há, feitas a História, que não podem permanecer esquecidas, devido a sua continua, para não dizer eterna, atualidade.

Assim a de Leon Metchnicoff, irmão dos igualmente célebres Ellie e Ivan, na humilde e ao mesmo tempo colossal obra 'A civilização e os grandes rios históricos' dada a imprensa, post mortem, em 1889. O autor havia falecido no ano anterior 1888.

Trata-se a meu ver de uma dessas obras imortais e que marcam época a exemplo da Decadência do Império romano de Gibbon (Assim as obras QUASE homônimas de Sismondi e Ferrero) da História da conquista da Inglaterra pelos Normandos de Aug Thierry, da História dos Gauleses de Amadeu Thierry, da História do direito de Savigny, da História do povo alemão de Jahnsen, da História das Cruzadas de J F Michaud, da História da Reforma na Alemanha de Doellinger, da História da conquista do México, História da Conquista do Peru e da História do reinado de Fernando e de Isabel, a Católica por W H Prescott, dos Tempos pré históricos de John Lubbock, do Regime municipal do Império romano no século V de Guizot, da História dos monges no Ocidente de Montalembert, da História do helenismo de Droysen, da Sociedade antiga de L H Morgan, da História dos Papas de Leopold Von Ranke, da Cidade antiga de Fustel, da História das perseguições religiosas no Império romano de Paul Allarddos Primeiros habitantes da Europa de Arbois Jubainville, do Marco Aurélio e o fim do mundo antigo de E Renan, da História da Civilização na Inglaterra de Buckle, do Fim do Paganismo e da África romana de Gaston Boissier, dos Gauleses de André Lefevre, do Espírito do Capitalismo e a Ética protestante de Max Weber (Dentre todos o primeiro!), das obras de Denifle e Grizar sobre Lutero, da História da Igreja antiga de Louis Duchesne, da Historia da Literatura latina na Africa de Paul Monceaux, do Maomé a Carlos Magno de Pirenne, do Amanhecer da consciência de Breasted, da Sociedade Feudal e da Apologia da História de M Bloch, da História da incredulidade no século XVI e da Europa: gênese da civilização de Lucien Febvre, do Outono da idade Média de Huizinga, da Trilogia de V G Childe, do Renascimento de Edith Sichel, da História da riqueza do homem de Huberman, do Feudalismo de Ganschoff, da História social da criança e da família e da História da morte no Ocidente de Aries, das Fontes democráticas nas ordens religiosas da Idade Média de Leon Moulin, do Processo civilizatório de Norbert Elias, da Trilogia de Duby (1976/1978/1981), do Novo conceito de Idade Média de Le Goff, do Mediterrâneo de F Braudel, da Civilização do Renascimento por Jean Delumeau, da Conquista da América por Todorov, do Cristianismo, tolerância social e homossexualidade e Uniões do mesmo sexo na Europa pré moderna de John Boswell, de Como os irlandeses salvaram a civilização por Th Cahill, da Democracia bizantina de Kaldellis, etc

Assim A civilização Egea e a Cidade grega de Gustav Glotz, a História de Roma por Mommsen bem como os estudos subsequentes de Leo Homo e Pierre Grimal; Os aztecas de Solustelle, as obras de Paul Lemerlle e Runciman sobre Bizâncio, as de Christopher Hill sobre a Revolução Inglesa, as de Lamartine, Thiers, Sybel, Jaures, Soboul e outros sobre a Revolução Francesa, as de Robert Darnton sobre o iluminismo e as brilhantes sínteses cultuais elaboradas por Christofer Dawson e Butterfield.

Isto só para lembrar algumas leituras clássicas indispensáveis em termos de compreensão Histórica.

Há muito que se falar, debater, dialogar e discutir sobre cada uma delas.

No entanto, para este Domingo, escolhemos a obra de Metchnicoff justamente por ser pouco conhecida e divulgada entre nós. Apesar de contar já com mais de século.

Assim se Le Goff revolucionou o conceito de Idade Média, evidenciando que as tais 'trevas' - Saídas da pena protestante, logo partidária ou preconceituosa - não passavam de fábulas, se Elias salientou as teias de interdependência cultural, se V G Childe mantendo a ideia de um progresso linear e contínuo admitiu a existência de recuos, durante as crises; além de descrever a ampliação do círculo da cultura no Oeste da Europa, se Breasted cunhou o termo 'crescente fértil', se Max Weber conceituou as afinidades eletivas, o mérito de Metchnicoff consiste em ter relacionado a propagação da cultura com o meio, postulando certas 'rotas' culturais.

E nem poderia ter sido mais exato, preciso e ponderado pelo simples fato de que antes dos romanos terem estabelecido suas estradas por toda Europa - investindo em meios de transporte e comunicação enquanto disseminadores da cultura a serviço do poder - já os persas haviam construído sua estrada real, que ligava o gigantesco Império de Susa, junto ao golfo Pérsico, a Sardes na Ásia menor, cortando cerca de 2.700 Km. A cuja extensão haviam associado um primitivo serviço de malas postais ou Correio, idealizado por Dário, o grande.

Já os gregos, habituados, por tradição, a navegação, espalhavam-se, a exemplo de seus predecessores fenícios e Minoicos, pelas bordas do Mar, acompanhando o litoral do Mediterrâneo ou do Mar negro, e semeando-os com inúmeras cidades ou colônias.

Faz pleno sentido que assim tenham procedido quando as vias para o interior ainda não haviam sido franqueadas na Europa Ocidental. Naturalmente que sempre existiram veredas ou caminhos, semelhantes aos que eram percorridos por nossos índios aqui na América antes da chegada do Europeu. E até caminhos mais largos e bem cuidados, a exemplo do nosso Peabiru. Rotas, como a do âmbar ou das conchas, existiam desde os tempos imemoriais.

Não de trata no entanto, de vias suficientemente amplas e cuidadas a ponto de permitirem um tráfego de carros rápido e eficiente; ou a rápida marcha de um povo, montado ou desmontado. Bem como o transporte de bens materiais e tecnológicos em quantidades relevantes. Tal só se deu após a conquista romana.

Fica posto o problema dos meios de transporte ou das comunicações - e portanto da transmissão e dilatação da cultura - onde não haviam rios caudalosos o suficiente para permitir a navegação.

Via de regra as grandes migrações pré históricas, as maiores, ao menos, devem ter acompanhado os cursos dos grandes rios navegáveis, fossem o Danúbio, o Pó, o Garona, o Ebro, o Tejo; as primeiras vias de transporte fornecidas pela própria natureza, e as primeiras rotas de cultura.

Penso que não seja preciso insistir muito a respeito de que as primeiras grandes civilizações do Velho mundo: Egipcia, Sumeriana, Indiana e Chinesa desenvolveram-se todas, no final da Idade Primitiva, junto aos grandes rios, sejam o Nilo, o Tigre e o Eufrates, o Indo e o Ganges ou o Huang Ho.

Não porque pudessem explorar o potencial hidráulico de tais correntes, mas porque podiam explora-lo tendo em vista a irrigação das terras ribeirinhas, aumentando a produção de alimentos, e consequentemente o acumulo de suprimentos. De que resultou singular benefício: Que alguns elementos daquelas sociedades não precisassem plantar, colher ou pastorear, podendo exercer outros misteres e, consequentemente especializar-se. Tais os albores da ascensão artística e científica característica da Revolução Urbana.

Desde então alguns puderam ser pedreiros, marceneiros, oleiros, tecelões, sapateiros, médicos, padeiros, cervejeiros, cantores... Recebendo em paga por seus serviços uma determinada quantidade de alimentos.

Esta dinâmica nos ajuda a compreender porque as primeiras vilas ou cidades tornaram-se tão atrativas aquele homem recém saído no neolítico. Porque havia oferta de serviços até então desconhecidos e portanto vantagens ou benefícios em termos de qualidade de vida. Ali apenas havia acesso a uma série de produtos ou serviços - quais fossem sapatos, vestimentas, pães, cerveja, medicamentos, etc - especializados e portanto executados com maior esmero. Bastando para adquirir tais produtos ou serviços estar em posse de algum excedente em termos de suprimento, ou recebe-los como pagamento oferecido pelo sacerdote rei.

Alias nada mais promissor do que dominar alguma espécie de saber ou aprende-lo. Pelo simples fato de poder empregar-se no palácio, antes de tudo uma enorme oficina e depósito de produtos administrada pelo rei sacerdote.

Devido a tudo isto a cidade, desde sua invenção, converteu-se no objeto dos sonhos das populações mais afastadas e rudimentares fossem sedentárias ou não. Todos aspiravam habitar nela de modo que elas atraíam multidões cada vez maiores, e se alargavam, e cresciam junto as margens dos grandes rios.

Isto a ponto de no Egito, pelos idos de 3500 a C coligarem-se em diversas federações, em dois reinos mais ou menos extensos - O do Norte ou baixo e o do Sul ou alto Egito - os quais acabaram unindo-se pelos idos de 3000 a C sob o cetro de Menés ou Narmer, o primeiro Faraó. Evidentemente que antes disto, e bem antes - Ao tempo do rei Escorpião (Alto Egito - 3200 a C) - a administração dos grandes reinos, do Sul e do Norte, exigiam já a formulação de um código escrito.

Afinal a produção ou coleta - o primitivo imposto - bem como a distribuição - o primitivo salário - precisavam ser anotadas e controladas de modo que o pagamento dos serviços jamais superasse a arrecadação produzindo 'deficit'. Daí a necessidade de medir, contar, pesar e classificar... Sem a qual, um tipo tão complexo de organização social não podia manter-se.

Mesmo nas cidades autônomas, e sem embargo grandes, da Suméria, do Indo e da China, um tal tipo de controle se fazia indispensável e por isso, a partir de tal necessidade, nos deparamos com a formulação de códigos linguísticos escritos - os primeiros do planeta - aparentemente, sem que houvesse qualquer relação de dependência.

Ainda hoje as escritas Egipcia, Sumeriana, Indiana e Chinesa aparentam ser diferentes umas das outras e não inter relacionadas.

Alias ao tempo em que vieram a luz - cerca de 3200, 3000, 2500, 2200 a C pouco antes ou depois - achavam-se tais pólos de cultura mais ou menos isolados; a exceção talvez do Egito e da Suméria.

A maior parte dos assiriologistas e sumerólogos considera que quando estabeleceram-se relações comerciais entre as cidades Sumerianas e as cidades do Indo (Harapinas) por volta de 2400 a C, ja ambos os modelos de escrita achavam-se elaborados. Podendo-se dizer o mesmo sobre o Vale do Indo e o Vale do Huang Ho, separados ou melhor dizendo, isolados por cordilheiras e desertos ao tempo em que ambas escritas haviam sido inventadas.

Atualmente a tese da difusão, da origem comum e da inter dependência dos primeiros modelos de escrita torna-se cada vez mais vulnerável e indefensável.

Seja como for, por volta de 2000 a C senão antes, estamos diante de quatro civilizações letradas ou polos difusores de cultura.

Quanto a Mesopotâmia apenas, devemos considerar diversos elementos, indispensáveis ao avanço posterior da Civilização como um todo. Assim o arado, a roda, a roda do oleiro e talvez o Bronze, seja como for procedente daquele entorno.

Quanto ao Egito temos o vidro, o papel, a medicina...

Tocando a tais elementos culturais é que chegamos a Metchnicoff. O qual nos oferece a melhor ferramenta para compreendermos porque a Europa Ocidental chegou a ser o que é ou porque o Mediterrâneo foi o que foi.

Para tanto faz-se necessário acompanhar os cursos destes grandes rios ou a direção que cada um deles percorria. Porque a cultura acompanhou tal direção e disseminou-se a partir das fozes de tais rios, e as vezes até a partir das nascentes.

Assim o caso do Eufrates ou Puratu, o qual era facilmente navegável contra corrente até Kish - Logo por toda Suméria - e relativamente navegável até Mari, cidade cujo Reino, chegou a estender-se até as proximidades de Halab a atual Alepo, já as portas da Ásia menor.

De fato a saída cultural sumeriana foi dupla e a princípio, ao menos aparentemente sua cultura foi despejada no Golfo Pérsico já em Dilmun, já no Elam. Embora alguns escritos deem a entender o sentido oposto i é de Dilmun - possível ponto de partida ou origem dos misteriosos 'cabeças negras' - e/ou Elam para a Mesopotâmia e desta, indo contra corrente, a Assíria, ao Reino de Mari, a Síria, e enfim - Di-lo Sargão - ao Chipre e a Anatólia, já na Ásia menor.

Sargão por sinal, orgulha-se de ter lavado sua espada nas águas do grande Mar, ou seja do Mediterrâneo.

Temos aqui uma direção cultural bastante esclarecedora, que partindo da Suméria ou mesmo - Quem o sabe? - de Dilmun e Susa, atinge a Ásia menor, em cuja costa Ocidental haviam de se estabelecer os Jônios, corridos pelos Dórios cerca do século XII a C. Estamos portanto ao lado da península balcânica ou da Grécia.

Indiretamente, assumido e levado adiante por babilônicos, assírios, sírios, palestinos, hititas e fenícios sucessivamente o legado cultural dos antigos sumérios acabou por impor-se no que chamamos atualmente de Turquia, enfim no espaço que mais tarde viria a ser ocupado pelo tronco grego dos jônios.

Perguntemos agora que rumo tomou o patrimônio cultural do antigo Egito?

Se a um lado atingiu Meroé e Sudão, dissipando suas energias na África negra até ser removido pela islamização, a outro pela foz, atingiu a costa leste ou oriental do Mar Mediterrâneo, irradiando-se pela Palestina, até dar com a Fenícia, onde encontrou-se com a cultura sumeriana, trazida pelo Eufrates.

Primeiramente através dos minoicos, depois indiretamente, através dos fenícios e enfim diretamente por iniciativa dos próprios gregos chegou esta cultura até a Ásia menor e Península balcânica, onde misturando-se a cultura mesopotâmica deu origem a primeira grande síntese cultural elaborada pelos gregos. Síntese que foi contributo particular ou específico do gênio grego, quiçá ensaiada já pelos fenícios... Não foram estes que legaram-nos o alfabeto? De fato não sabemos o quanto nós ou os gregos devemos aos antigos fenícios, posto que só temos conhecimento do quanto  produziram através dos gregos, seus sucessores e rivais.

Seja como for a grande alavancada proporcionada por essa convergência - Alias coisa única no mundo - entre duas culturas magníficas, aconteceu na Grécia. O que herdaram dos egípcios e sumérios, eles levaram adiante ou desenvolveram. Se não arquitetaram esta síntese - Hipótese em que teriam-na recebido dos Fenícios - ao mesmos tornaram-se dignos depositários dela tornando-a fecunda.

Já as culturas chinesa e indiana, seguindo os cursos de seus caudais e atingindo mares geograficamente isolados, perderam-se por eles e jamais puderam encontrar-se. A espacialidade geográfica impossibilitou que tais culturas convergissem para o mesmo ponto e formassem brilhante síntese. Tal e qual a cultura egípcia refluindo pelo interior da África, diluíram-se e perderam-se assim as culturas Indiana e chinesa, mesmo considerando que tenham civilizado diversas Ilhas. No caso da China por sinal Japão e Coréia. No caso da Índia o Ceilão, as Filipinas e a Indonésia.

Que teria produzido um síntese entre ambas as culturas, Chinesa e Indiana, tal a pujança de cada uma, é o que jamais viremos a saber?

Foi no Mediterrâneo que Eufrates e Nilo despejaram o legado cultural de dois povos essencialmente criadores: Babilônia e Egito...

Como já dissemos acontecimento único e singular proporcionado pelo meio.

A partir da Jônia, passou este legado a Península Balcânica, onde já havia sido ensaiado muito provavelmente pelos fenícios.

E a partir da Península balcânica, como já dissemos, no dorso das naus de casco negro, os gregos foram disseminando tal espírito ou cultura por todo circuíto do mediterrâneo de Trapezunt a Emporiae passando evidentemente por Massilia.

E foi a partir de tais cidades que os conquistadores romanos, adotando como sua a cultura helênica, levaram-na - em termos de idioma comum, filosofia, ciência, teatro, etc - até a coração da Europa, civilizando-o. Também empreenderam-no na África até os confins do Saara. Em todo circuíto do mediterrâneo. A partir do qual, com os Portugueses e Espanhóis, ao fim da Idade Média, despejou-se pelo Mar Oceano, ou pelo Atlântico, atingindo o Novo Mundo e propiciando outras sínteses culturais não menos interessantes no México, a partir de um substrato Azteca bastante rico e mais ainda no Peru e adjacências, onde encontrou-se com a multi milenar e ultra sofisticada civilização peruviana, contributo de diversas culturas quais sejam Chavim, Paracas, Nazca, Mochica, Chimu, Wari, Inca, etc

Foram caudais de culturas desembocando uns nos outros sempre a partir dos grandes rios, seguindo seus cursos e precipitando-se primeiramente nos mares e depois nos Oceanos até dilatarem-se pelo mundo afora. Encontro de que resultou não poucos conflitos, mas, cremos nós, numa perspectiva futura e global, propiciou também a chave para o progresso das Sociedades humanas, o qual só se faz pela troca de experiências culturais.

Este fascinante caminho, provido pelo meio ou pela sorte, foi devassado, a menos de cento e trinta anos pelo brilhante cientista Leon Metchnicoff em A civilização e os grandes rios históricos, leitura ainda hoje proveitosa que a todos recomendamos.