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sábado, 12 de setembro de 2015

Anarquistas no sindicato




Acabei de ler o opúsculo Anarquistas no sindicato - um debate entre Neno Vasco e João Crispim. Livro de leitura rápida, de fácil leitura e assimilação, linguagem jornalística.

A visão de Neno Vasco é que os anarquistas deveram sim participar do sindicato mas não impor suas ideias e tendência, o sindicato tem que reunir todos os assalariados, independente de crenças e de opiniões, querer o contrário é entrar em contradição com a anarquia.

Já João Crispim achava que os anarquistas deveriam lutar para criar estatutos e regras para direcionar os sindicatos tanto para a luta pelas reformas como para preparar o advento da nova sociedade. João Crispim achava que um sindicato não anarquista não progrediria e em sua visão se fazia necessário crescer dentro do sindicato e cooptar trabalhadores.


Indiscutivelmente Neno Vasco mostrou sua superioridade no debate e seus argumentos foram melhores e desbancou seu camarada João Crispim com tendências autoritárias. Neno Vasco ensinava a tolerância dentro do sindicato, ser cético quanto sua posição e estar aberto a novas ideias. 


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O mundo assombrado pelos demônios - uma resenha




Acabei de ler o mundo assombrado pelos demônios de Carl Sagan mais do que um livro de divulgação científica, este livro é uma conversa amigável com o leitor que não pretende ensinar ciência. O objetivo de Sagan é ensinar o ceticismo, não o ceticismo pelo ceticismo, mas o ceticismo saudável que nos ensina a duvidar daquilo que não apresenta evidências. O autor nos ensina a duvidar das autoridades e ensina-nos que em ciência não existem autoridades apenas especialistas.

Carl Sagan nos ensina que mais importante que a tecnologia e os avanços e os benefícios que a ciência nos traz é ensinar o método científico para as pessoas é ensinar as pessoas a raciocinarem de modo racional.

Carl Sagan inicia o livro falando da feira de ciência que participou em Nova York em 1939 e como aquilo o mudou e de como passou a interessar-se pela ciência se bem que na escola ele não teve esse estímulo.

Ele fala que o senso comum acaba por confundir ciência com a pseudociência e ele fala do sr. Buckle um motorista que foi contratado para buscá-lo para uma entrevista televisiva e quando o motorista soube que ele era o afamado cientista Carl Sagan começou a perguntar-lhe sobre aquilo que ele considerava como ciência: deuses astronautas, cristais, Atlântida e outras coisas mais. Ao negar tudo isso, Sagan o decepcionou porque o motorista não queria a verdade mas crer naquelas coisas que eram confortáveis para ele e que lhe foi ensinado como ciência genuína mas no entanto não era.

Sagan fala do Dragão em minha garagem, de pessoas que desejam impor sua visão de mundo sem apresentar evidências de que aquilo que dizem é verdadeiro e não meramente uma crença.

Em vários capítulos ele aborda a questão dos UFOS e a questão dos "raptos" por alienígenas e ao longo dos capítulos ele vai desconstruindo esses mitos.

Sagan disse que em questões de pseudociências como a parapsicologia até um cientista pode ser enganado por charlatões visto que as pessoas podem ser desonestas e os cientistas lidam com fenômenos da natureza e a natureza sempre é honesta e os charlatões nunca o são então nestes casos é melhor mesmo um mágico experimentado como James Randi para desmascarar médiuns e outros charlatões.

Ainda no livro Sagan fala da importância da edcação e de como os EUA tem caído no quesito educação, porque nesse país os jovens são desestimulados a estudar pelos próprios colegas e quando um jovem estuda ele recebe os apelidos pejorativos de geek, nerd entre outros. O legal - segundo esses jovens - é ser descolado, sensual.

Sagan apresenta diversas correspondências de seus missivistas sobre suas opiniões sobre a educação.

Num capítulo Sagan falava sobre o negro Fredericl Bailey que mais tarde trocou seu nome para Frederick Douglass, e mostra como a sua educação mudou sua visão de mundo de modo que este ex-escravo tornou-se um orador e abolicionista.

Sagan também mostra como o fanatismo é perigoso para toda a sociedade e nos últimos dois capítulos ele fala como o ceticismo é importante até para a democracia. Enfim é um livro imprescindível.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Resenha do livro Sócrates encontra Marx


Antes de começar a falar do livro vamos falar um pouco de seu autor. O autor é católico romano, conservador na moral e também na economia, Peter Kreeft, é phD em filosofia, é professor e palestrante dotado de um bom senso de humor.

Na série Sócrates encontra...., todos os diálogos (sim os livros são feitos em diálogos ao estilo socrático ou melhor platônico) começam no além, logo que morrer os filósofos se deparam com Sócrates e este examina seus livros bases, àqueles nortearam e norteiam os caminhos da humanidade.

O Sócrates de Kreeft é bem convincente e bem semelhante ao de Platão, irônico e investigados infatigável da verdade. Neste livro (Sócrates encontra Marx) o autor examina o livro O Manifesto do Partido Comunista e as ideias bases desse mesmo comunismo apregoado por Marx.

O intuito de Sócrates neste diálogo é demonstrar a falsidade do comunismo ensinado por Marx, então Sócrates faz uma excursão pelo Manifesto do Partido Comunista e aponta as falhas do mesmo assim como dos raciocínios de Marx. O Sócrates de Kreeft desmonstou o determinismo de Marx, aquele que diz que não são as ideias que movem o mundo, mas as estruturas sociais é que determinam o pensamento, então Sócrates demonstrou para Marx que se não existe livre-arbítrio ele não pode ter escolhido ser comunista e tampouco poderia ensinar essa doutrina pois nasceu numa sociedade burguesa e no seio de uma família burguesa, então Sócrates pergunta como ele pôde ter ensinado o comunismo se ele também era um ser determinado e não livre pelas condições históricas ao que Marx responde que ele foi escolhido para quebrar esse ciclo, foi escolhido, usando esse vocabulário bem religioso.

Depois Marx detona com o seu vocabulário relativista como justiça burguesa, liberdade burguesa e assim por diante, Sócrates tenta convencê-lo que a justiça é imutável e universal e Marx se revolta contra essa ideia, ele (Marx) diz que a justiça é apenas uma convenção humana de uma época, então Sócrates lhe pergunta se a verdade também era produto das estruturas sociais e econômicas e Marx disse que sim ao que Sócrates perguntou: Pelo menos essa verdade (a verdade que a verdade se transforma) é absoluta e universal não?

Marx nega que possam haver homens honestos e bons por si mesmos pois todos eles são frutos das estruturas sociais e tudo o que fazem e acredita é determinado pela economia ou pelo modo de produção. Mas Marx nunca explicou cientificamente como ele mesmo pôde se tornar comunista fugindo da determinação.

Sócrates também mostra para Marx que o comunismo matou de milhões de pessoas e que não realizou o sonho de  um paraíso na Terra e também que sua profecia de que a revolução iria começar  num país industrializado não se realizou.

Marx  insiste que as pessoas só mudarão se as condições sociais mudarem já que são os eventos reais é que determinam as consciências, mas Sócrates sempre solícito mostra as falhas de sua argumentação.

Sócrates ainda mostra que Marx teve um filho com sua empregada que nunca assumiu, que era plagiador barato, e argumentava mais com o fígado do que com a razão propriamente dita. Enfim, o livro merece ser lido por aqueles que concordam e por aqueles que discordam de Marx.




segunda-feira, 7 de abril de 2014

5 bons motivos para ler A menina que roubava livros





Deixo ao(a) amigo(a) leitor(a) cinco bons motivos para ler o livro A menina que roubava livros. Cinco bons motivos para mim, evidentemente mas penso que você há de concordar comigo. Antes de mais nada do que trata esse romance? Esse romance trata de uma menina de 11 anos, Liesel Meminger que desde cedo via a morte e aprendeu a suportar suas dores. Ela começou por furtar um livro por ocasião da morte do sepultamento de seu irmãozinho e aí mais tarde ela vai desenvolver a arte de furtar.

1. É uma aula de história. Tendo como cenário a cidade de Molching e rua Himmel e arredores e como personagens: Liesel Meminger, Rudy Steiner, Hans e Rosa Hubermman, Frau Diller, Frau Holtzapfel, entre outros personagens. O autor do livro nos mostra a Alemanha nazista. Aprendemos através do romance que o nazismo surgiu pelo poder das palavras do führer. Que os alemães que mostrassem qualquer simpatia pelos judeus eram boicotados, ficavam sem empregos e tinham dificuldade em ser aceitos no partido nacional-socialista, a filiação no caso era uma segurança para os alemães. Que as crianças logo que completassem uma certa idade eram matriculadas compulsoriamente na juventude hitlerista, onde eram doutrinadas.

2. Trata-se de uma narrativa diferente. Quem narra a estória é a morte e narra de um jeito inovador, fazendo digressões, cruzando estórias, fornecendo dados sobre as personagens de modo que a narrativa fica mais atraente e mais rica. Tornar a morte uma personagem e também a narradora da trama foi algo muito feliz, porque mostrou que a morte se surpreende com esses seres que são bons e maus ao mesmo tempo, belos e feios e que podem surpreender. A narrativa do livro é encantadora e bem detalhista.

3. É um livro emocionante. Principalmente no caso de Hans Hubermman pai adotivo de Liesel Meminger que escapou da morte duas vezes, uma na primeira guerra quando um amigo judeu o salvou quando deu uma sugestão ao superior para deixá-lo num escritório trabalhando e outra vez na segunda guerra quando trabalhava num serviço de resgate em escombros.
Uma das partes mais emocionantes do livro é quando a família Hubermman  acolhe um jovem judeu em seu porão arriscando suas vidas, esse judeu era filho de Erik Vandemberg, o judeu-alemão que tinha salvo a vida de Hans na primeira guerra, e este, tinha uma dívida de gratidão com o amigo e por isso, tentou o quanto pôde ajudar o filho de seu amigo.
A famíla Hubermman temeu quando o jovem Max Vandemburg adoeceu pois caso viesse a morrer como sepultariam o cadáver judaico? O(a) leitor(a) acaba mergulhando na história, ora torcendo, ora tentando solucionar o problema aparentemente insolúvel.  Outra cena emocionante do livro é quando aparecem inspetores para vistoriar os porões para saber quais podem servir de abrigos antiaéreos e quais não, nesse ponto os Hubermman temeram por suas vidas e também pela vida do jovem judeu. Enfim há muitas cenas emocionantes no livro.

4. É um livro que mostra a importância das palavras tanto para o bem como para o mal, no caso do último as palavras bem arquitetadas geraram e consolidaram o nazismo em solo alemão. Já para o uso do bem as palavras servem para consolar, acalmar, tranquilizar. A protagonista do livro quando estava com todos os moradores da rua Himmel no porão dos Fiedler, ela lia e lendo acalmava as pessoas. Liesel até conseguiu que uma velha mal-humorada se interessasse por suas estórias e fez um acordo com sua mãe, Rosa Hubermman dizendo que deixaria de cuspir em sua calçada e que também lhe daria café em troca das leituras dos livros de Liesel. Aqui o autor mostra como a literatura é importante para nos salvar de uma vida tediosa, para nos salvar de nós mesmos, para fazer esquecer por um momento de nossos problemas.

5. É um livro para adolescentes e para adultos. A menina que roubava livros não é um romance bobo, é um livro profundo, filosófico, psicológico que mostra a fraqueza e a virtude das pessoas. É um livro que mostra o perigo dos totalitarismos, que ensina a bondade e que ensina a ver além das aparências. Enfim é um livro para entreter e para ensinar. Vale a pena ler.


P.S.: Quando a menina furtou seu primeiro livro, furtou o livro porque este livro tinha um elo sentimental com seu irmão e ela era analfabeta, foi seu pai de criação que a ensinou a ler.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Escuta, Zé Ninguém!


Se existe um livro provocativo esse é o Escuta Zé-Ninguém de Wilhelm Reich. É mais um livro filosófico do que um livro de psicologia propriamente dito. Nessa obra Reich não se utiliza de uma linguagem acadêmica inacessível ao homem comum, pelo contrário, ele é franco, objetivo e não poucas vezes rude com seu leitor. Sim, o autor se dirige ao leitor como se o último fosse o Zé Ninguém.

No livro o autor dialoga com o leitor mostrando que os homens perigosos não são Hitler, Mussolini e Stálin entre outros, mas o homem comum, o Zé Ninguém, que "berra Viva!" com discursos nacionalistas e da liberdade da nação ao invés de lutar pela liberdade individual e por seu crescimento enquanto pessoa.

Então é o Zé Ninguém, o homem do povo que é o grande perigo para o mundo, é ele que dá o poder aos Mussolinis, aos Hitleres e aos Stálines. O Zé Ninguém confunde liberdade da pátria com liberdade pessoal; confunde grandeza com mesquinhez.

O Zé Ninguém ignora e acaba por destruir os homens que lhes fizeram bem: Sócrates, Jesus Cristo, Galileu, Giordano Bruno entre outros; Troca a democracia de Lênin pela ditadura de Stálin, deturpa as ideias de Marx e nada quer entender.

O Zé Ninguém, segundo Reich lê Nietzsche e não o entende, pois trocou o übermensch de Nietzsche pelo üntermensch de Hitler.

Wilhelm Reich foi perseguido pelo Zé Ninguém como imoral, porque desejava libertar o homem comum de suas neuroses, mas não foi compreendido pelo Zé Ninguém, pois este ataca tudo aquilo que não consegue e não quer entender. Reich não foi preso por grandes homens, mas pelo homem comum, o Zé Ninguém.

Porque não consegue viver sua vida o homem comum se preocupa com seus vizinhos, vigia-os para saber se vivem de acordo com "a moral e os bons costumes". E fica chocado com casais homossexuais, com mães que deixam suas filhas com namorados trancafiados em suas casas até altas horas da noite.

É ainda o Zé Ninguém que faz as guerras e não os seus líderes medíocres. Pois as guerras existem porque os Zés Ninguém de cada país vibram com seus nacionalismos idiotas e esquecem que os outros Zés Ninguéns são proletários como ele, muitas vezes sofredores como ele. Se os Zés Ninguém não consentissem nas guerras, se desobedecessem, os generais não teriam exércitos e sem exércitos, as armas são inúteis. Mas o Zé Ninguém vê o outro como uma ameaça, só porque fala uma outra língua, porque tem uma cultura diferente da sua, ou por causa de sua "raça".

O Zé Ninguém da Alemanha nazista era antissemita, mas sequer sabia o que era um judeu ou o que era um ariano, apenas berrava "viva!". Perguntado sobre o que é um judeu, o Zé Ninguém responde:
- É um elemento de cabelos pretos e de pele morena.
- E o que é um ariano?
- Um ariano é um alemão, um elemento loiro ou que tenha olhos claros.
- E o indiano é ariano?
- Sim, é.
- E ele é loiro e tem olhos claros?
- Não.
- Ele se parece com um alemão?
- Não.

O Zé Ninguém não reflete, acata cada idiotice que lhes falam como se fosse uma verdade inquestionável. E aí é que mora o perigo do homem comum, porque quando ele adere a tais ideologias, dá poder aos piores homens da humanidade.

É ainda o Zé Ninguém quem fabrica as bombas atômicas e outras armas de destruição em massa. Sim, é o homem comum quem fabrica e não os "grandes dirigentes" das nações. Mas o Zé Ninguém não compreende isso.

O Zé Ninguém não é um homem culto pois preferes às suas festinhas do que visitar uma biblioteca. Conhece os grandes autores superficialmente: De Rousseau conhece apenas o retorno à natureza e de Darwin conhece apenas a sobrevivência do mais apto, mais ignora que é um primata e que não é um ser especial ou o mais elevado da natureza.

O Zé Ninguém só é Zé Ninguém porque acredita não ter direito à opinião própria, porque tem medo de expressar sua verdadeira opinião com medo de represálias da comunidade em que vive, porque teme a opinião pública. Mas o Zé ninguém pode deixar de ser um Zé Ninguém e se tornar alguém quando acreditar que tem direito à opinião e que não existem líderes iluminados para guiá-lo.

Em Escuta, Zé Ninguém, Reich demonstra brilhantemente como os fascismos e os totalitarismos surgem e ostra corajosamente sua origem, estudando a fundo a psicologia das massas. Eis aí um livro que merece ser lido.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?








Li no fim da semana passada o livro de Alan & Barbara Pease: Por que os Homens fazem sexo e as Mulheres Fazem Amor?
A leitura do livro é muito agradável e o que é melhor não cai no óbvio. Os autores se propõe a fazer uma análise científica das diferenças existentes entre homens e mulheres. Mas para se fazer análise científica de algo é preciso citar fontes, ter uma bibliografia para quem estiver interessado buscar as informações por si próprios, creio que esta foi a única falha do livro e falha grave, mas esse incidente não tira o mérito do livro.

O objetivo do livro é fazer com que casais possam se entender, evitar brigas e até mesmo um divórcio. Quando o homem entender como funciona a cabeça da mulher, só terá pontos a ganhar com ela; Quando a mulher entender como funciona a cabeça do homem vai procurar se colocar no lugar dele, evitando conflitos. E ambos saem ganhando.

Postulam os autores que homens e mulheres são essencialmente diferentes e que a igualdade política e moral são apenas convenções, mas necessárias. Mas essa desigualdade entre os sexos não é uma desigualdade que faz um sexo ser maior e melhor que o outro, não. Essa desigualdade vem somar, enriquecendo a ambos.

Os autores partem de uma abordagem evolutiva tanto do homem como da mulher. E o que dizem parece ter sentido. Então muito do que os homens e as mulheres fazem hoje são reflexos do passado de ambos.

Se você está namorando deveria ler este livro; Se você está casado(a) deveria ler este livro se ama a pessoa com quem casou; Se quer namorar é preciso que conheça bem o sexo oposto e este livro do qual falei, é o manual certo.

P.S.: Não recebi um puto de real para escrever este post. Escrevi porque gostei muito do livro.