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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A ferramenta do relativismo Cultural: Islamização, protestantismo e judaização....

Vivemos em tempos de impérios em conflito. Pois embora tenhamos diversos blocos políticos: Índia, China, Rússia, 'Europa', 'América latina'... apenas dois exercem um proselitismo cultural em larga escala, buscando, obviamente, criar um padrão universal.

Assim o americanismo, com o protestantismo; assim os islamismo. Um despejando-se pela América latina e, consequentemente, pelo Brasil, com suas seitas, bíblias e pastores. Outro despejando-se pela Europa e África. Com grande risco para as demais culturas, tradições e identidades.

Surpreendentemente - Por via do antigo testamento, Mikra ou Tanak - apesar da oposição credal, existe uma certa afinidade de espírito em termos de protestantismo e islamismo. E é algo mais profundo que o iconoclasmo, por tocar o anti cientificismo e o totalitarismo... Percebeu-o o grande humanista francês Gilherme Postel e compôs uma obra pioneira a respeito.

Assim se o islã predica uma transcendência absoluta e anti encarnacionista, o protestantismo judaizante - Devido a sua ênfase no antigo testamento. - (Em oposição a Fé Ortodoxa) recusa-se a levar o Encarnacionismo as últimas consequências: Daí sua objeção as imagens ou representações, a 'Mãe de Deus', a presença real do Senhor no Sacramento, ao Domingo, a comunhão dos Santos, etc 

De fato a proximidade existente entre as Igrejas apostólicas e a Imanência - Uma decorrência necessária da Encarnação de Deus! - choca de tal maneira os protestantes a ponto de assumirem o discurso muçulmano segundo o qual, foi o Cristianismo antigo ou Histórico, poluído e esmagado pelo paganismo! Importante salientar que muito antes de Calvino ou Blaurock se manifestarem neste mundo, os rabinos e ulemás já apresentavam a igreja de Cristo como quintal do politeísmo e da idolatria.

O próprio Jesus, quando mencionado nos registros do povo é classificado como sedutor, feiticeiro, politeísta e idólatra. Ele disse: Se eles falaram mau de mim, que sou o Senhor, como não haverão de falar mau de vós que sois os servidores... Já os infiéis das Arábias inculpam ora Paulo, ora João, ora Orígenes, ora Tertuliano, ora Atanásio, pelas 'blasfemias' politeístas da Cristandade apostólica. (Os protestantes só tem coragem de ir a Clemente de Roma, Inácio, Pápias ou Policarpo - Ouvintes dos apóstolos!). 

Mas estão de pleno acordo quanto ao juízo lançado contra a Igreja Histórica. E como o protestantismo é recente e muito mais jovem que o judaísmo ou o islã, podemos dizer que judaiza e islamiza. Novidade alguma - Pois já no séculos VIII e IX parte dos nossos, pretendeu aproximar-se do islã, embarcando na canoa furada do iconoclasmo. O mesmo se observa no papismo, o qual buscando reconquistar os protestantes foi mergulhando mais e mais no lodo agostiniano, até - Com o Vaticano II - mergulhar no protestantismo, e (Pasme!) no pentecostalismo fetichista (Com a tal RCC)... 

No entanto foram os iconoclastas, os papistas e os neo papistas que se perverteram, guiados por mestres tão cegos quanto os agarenos e os protestantes... Tal a ilusão das aproximações.

O protestantismo, aproximando-se do judaísmo e do islamismo (Por via do antigo testamento) foi perdendo mais e mais seu caráter 'Cristão' e encarnacionista, até nada mais ver ou poder ver no Cristianismo Histórico que o odiado paganismo, o qual anseia destruir até os fundamentos.

E não pode haver mínima dúvida quanto a tais desígnios, digo quanto a proposta tanto do islamismo quanto dos protestantismos pós calvinistas. Os quais encaram o paganismo antigo ou ante Cristão como absolutamente maligno ou diabólico, porfiando destruir seus últimos vestígios, assumidos pela Cristandade apostólica, assim as artes a que chamamos de sacra e a tudo quanto se destaca pela simples beleza.

Outro o programa da igreja, outra sua atitude, outra sua obra...

Todavia, tornando ao islamismo, o que ele pretende destruir são os fundamentos mais remotos de nossa civilização Greco romana, pelos quais respira ódio mortal. O judaísmo é tanto mais civilizado, embora conte também ele com certo número de fanáticos.
Sobre o protestantismo pós calvinista, todos nós o conhecemos muito bem. 

Tal o significado nu e cru da destruição das ruínas de Palmira e Nínive pelos fanáticos do ISIS. Caso você compreenda que cada um daqueles 'Aladlammús' esmigalhados representa as raízes de nossa cultura e as fontes da nossa identidade, terá compreendido tudo e qual seja o objetivo final do islamismo. 

Não nos deixemos ludibriar ou enganar: O Museu do Cairo ali está apenas enquanto significativa fonte de riquezas ou enquanto algo 'vigiado' pelas grandes potências do mundo civilizado. Eis porque, apesar dos esforços empreendidos pelos egípcios esclarecidos e de boa vontade, ele escapou por um tris da destruição... Outro o caso do Museu de Cartum, no Sudão - Onde os tesouros das Cândaces fora pilhados e quiçá derretidos pelos fanáticos...

Pois para a imensa maioria dos xeques e dos muçulmanos devotos, os tesouros contidos em nossos Museus nada mais são do que imundice pagã cujo fim é a destruição... Imaginar algo diverso é pura ingenuidade de quem ignora o verdadeiro caráter do islã.

Aqueles que no passado destruíram as bibliotecas de Cesareia marítima e de Skandaryia bem poderão, uma vez no poder, acabar com os Museus de Londres, Paris (Louvre), Berlim, Prado e Vaticano, assim como as principais Bibliotecas do velho mundo, destruindo por completo o quanto nos resta de um Ésquilo ou de um Aristóteles... E não podemos assistir de braços cruzados uma catástrofe semelhante. 

Pôde a Europa nos séculos passados exumar e resgatar as fontes na nossa cultura. Pois nas pessoas de um Champollion, um Lepsius, um Montet, um Layard,  um Gsell... pode passar a Ásia e reconstituir nosso vetusto passado. Agora ameaçada a Europa como haveremos nós de transpor o mar oceano para salvar as relíquias da nossa cultura...

Caso permaneçamos de braços cruzados, em poucas décadas, assistiremos a destruição da nossa cultura, das nossas raízes, de nossas tradições e de nossa identidade. Caso permaneçamos indiferentes a Europa se converterá em quintal do islã...

Tolos aqueles que esperam proteção e defesa por parte dos EUA. Pois os Yankees são, ao menos em parte, descendentes daqueles mesmos puritanos que deixaram a Inglaterra por não terem podido destruir as torres, cruzes e sinos das catedrais. Para o yankee é a Europa, inclusive a Inglaterra, um território indômito e contaminados pelas relíquias da Ortodoxia ou do Papado: Catedrais, calvários, torres, sinos, etc E tanto se lhe dá que o maometano de cabo do poder o Papa romano... ou dos Bispos...

O próprio papado encarou as coisas desse jeito, no século XV, com relação a Ortodoxia. A atual visão dos EUA outra não é em nossos dias com relação ao papado... Pois existe certa unidade de mente, como assinalamos entre o protestantismo e o islamismo. Destarte o que não pôde o protestantismo fazer ou completar na Europa, é esperado que seja feito pelo islã, quero dizer a destruição do símbolo.

Digo mais - A introdução do islã nos territórios Ortodoxos e romanistas é uma plataforma comum aos EUA, ao sionismo, aos comunas e aos anarcos e quiçá a única plataforma comum que teem eles, por ódio a Cristandade histórica... Os protestantes ressentem por não terem eliminado a igreja romana do mapa ou convertido os Ortodoxos, os sionistas esperam algum alívio caso os jihadistas avancem na direção da Europa, os comunas e anarcos esperam apoio político por parte dos muçulmanos - A ONU e a maçonaria executam e os governantes safados se deixam comprar...

Quem perde é o povo europeu, sejam romanistas, Ortodoxos ou liberais honestos, envolvidos pelos apóstolos da sharia. Quem perde são os cidadãos livres. Quem perde são aqueles que estão em posse de algum direito outorgado por lei. Assim as mulheres, os homossexuais, as minorias religiosas... E os amigos das artes, da ciência e da democracia; da civilização enfim ou do que lhe resta.

Portanto precisamos defender a América latina, quanto ao imperialismo protestante e a Europa, quanto ao imperialismo árabe, enfim quanto a ambas teocracias ou totalitarismos. Ambos fantasmas ou abutres, que ameaçam a civilização, precisam ser ousadamente combatidos.

No entanto antes de entrar nesse assunto - Da resistência ao protestantismo e ao islã, devo aborda de passagem as relações entre o Cristianismo nascente ou a Igreja primitiva e o paganismo ou nossa ancestralidade. Ressaltando que, apesar do 'fantasma' do judaísmo ou da cultura semita, não foi ela totalmente negativa\negacionista, mas em parte assimilacionista.

Já porque a ideia de um Deus encarnado - Fundamento e centro da fé Cristã. - sendo procedente dos céus, não tem afinidade alguma com o judaísmo antigo (Cuja mentalidade estava voltada para a transcendência absoluta ou para uma divindade apartada do mundo material.) e sim com o paganismo. Portanto se algum protestante ou judaizante tem algo contra o paganismo que se faça ariano, unitário ou muçulmano uma vez que a ideia de que deuses se façam mortais ou gerem filhos humanos é pagã e de modo algum semita. 

Não é a doutrina da mãe de Deus que é pagã como afirmam os protestantes mais ingênuos - Pagã é a ideia de que Deus se faça ser humano, repito. E no entanto tal é o fundamento pétreo de nossa fé uma vez que, segundo o Evangelho escrito, o fundador do Cristianismo reivindicou para si a natureza divina (Disse que julgaria os mortais no último dia, que perdoava pecados, que não tinha pecado, etc), merecendo por isso ser classificado como pagão e idólatra pelos judeus...

Eis porque não foi o Cristianismo antigo absolutamente iconoclástico ou negativo quanto ao paganismo antigo. Radical e intransigente face ao politeísmo e suas representações - Enquanto foram elas objeto de adoração. - não anatematizou a arte ou seja a pintura, a escultura, a arquitetura, a poesia, a música e o canto, apropriando-se de cada uma dessas expressões com o objetivo de abrilhantar a adoração verdadeiro. De modo que a adoração ao Deus encarnado Jesus Cristo foi provida de uma expressão estética ausente tanto no judaísmo e no islamismo, e assim nas seitas protestantes filhas da reforma.

É algo que se justifica facilmente nos padrões opostos a Encarnação. Outro o caso da religião em que a divindade tornou-se visível, audível e palpável no complemento de sua natureza humana. Ao encarnar-se o Deus Cristão entra no acesso dos sentidos e se torna perceptível. E como todos os aspectos de nossa condição foram os sentidos santificados pelo mistério da Encarnação, e assim a percepção humana.

Adoramos em espírito decerto ou guiados pela razão, pela mente, pela consciência, mas adoramos no corpo santificado pela Encarnação e pelo Batismo, e adoramos pelo corpo ou através dele, não fora dele ou como espíritos puros. É o espírito princípio e fonte do culto verdadeiro que prestamos no corpo. Por isso expressamos esse ato interno do espírito por meio de um aparato simbólico externo.

Adoramos em espírito e verdade e o fundamento de toda verdade é a Encarnação que santifica nossos corpos e que nos autoriza a empregar uma linguagem simbólica e gestual. Quanto a isto estamos de acordo com os odiados pagãos e não com os judeus ou com os muçulmanos, pois ao contrário deles adoramos um Deus encarnado e não um ente descarnado ou puramente espiritual.

É Deus Espírito e por isso o princípio da adoração é interno, derivado do sentimento, do afeto, do amor... E no entanto esse mesmo Deus que é Espírito puro, ao assumir e santificar um corpo material, sanciona o emprego do corpo na adoração. 

Daí a presença de arte no padrão apostólico, no catolicismo, na Ortodoxia. É nosso Deus Bom, verdadeiro e belo. Deve, nossa adoração, ser boa (Impedindo aqueles que estão fixos no mal ou no pecado de exerce-la.), verdadeira (Pela afirmação dos Mistérios da fé.) e bela, em seu aparato material e simbólico: Ícones, círios, incenso, gestos, ordenação de palavras, poesia, canto, etc

Eis porque, nossos excelentes ancestrais, conduzidos pelos apóstolos, tomaram aos pagãos, seus ancestrais, todos esses ofícios e capacidades e colocaram-nos ao serviço do Deus verdadeiro, de sua parentela, de seus apóstolos, de seus membros... Do que resultou um Calendário eclesiástico ordenado, uma liturgia simbólica e soberbas catedrais com cúpulas e torres encimadas por cruzes e adornadas com sinos. E esses ofícios solenes, executados através dos séculos em cada catedral constituem um hino de glória ao mistério da Encarnação.

Por isso, na medida em que as estátuas e pinturas dos deuses foram cessando de ser cultuadas não tivemos problema algum em conserva-las, de reconhecer o belo que há nelas e de mante-las, não como algo religioso ou sagrado, porém enquanto obras de arte. Ao contrário dos muçulmanos os cristãos não precisam destruir os vestígios dos deuses antigos pelo simples fato de não serem mais adorados. 

E o resultado disto é que não apenas podemos como devemos conservar esse legado artístico nos espaços a que chamamos Museus com o objetivo de apreciar sua beleza. Pois ainda que tais obras não tenham sido postas a serviço da verdade, ao menos neste mundo sublunar, são aptas para exprimir o belo e exprimindo o belo beneficiar nossas almas. Pois nos alimentamos tanto do belo e da verdade quanto do bem, os quais só se encontram unidos na pessoa de Jesus Cristo.

Enfim essa noção de Bondade, verdade e beleza - Kallocagathia tem uma História, que faz parte de uma dada cultura. É o quanto buscaremos explorar na segunda parte deste ensaio, confrontando com os demais modelos de cultura e sobretudo com a ideologia do relativismo cultural. 


Conheça também os demais artigos da série 'Culturas de morte': 


  • Americanismo
  • Positivismo
  • Anarquismo
  • Protestantismo
  • Conservadorismo
  • Capitalismo
  • Comunismo
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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Reflexões ecológicas - O Capitalismo e o meio natural... Para onde nos encaminha o sistema vigente ou a 'desordem' estabelecida...

Já me referi ao discurso dos Aristotélicos sobre o planeta como sistema fechado e recursos necessariamente finitos ou limitados. E também ao genial J S Mill e a doutrina da economia estacionária.

Decerto que o liberalismo econômico partilha do mesmo otimismo presente no positivismo\cientificismo, e que segundo E Troeltsch A C Grayling, não passa de resíduo secularizado do Cristianismo. O que por sinal devemos ao iluminista francês Condorcet.

Condorcet porém, ao contrário de Malthus, não parece lá se ter impressionado muito com a finitude do mundo... Dando largas a imaginação e a fantasia. Para ele o progresso seria linear, continuo e infinito. 

Temo portanto que bilhões de pessoas com aspirações ambiciosas ilimitadas não estejam em sintonia com a finitude dos recursos naturais. Pois aspirações sem controle ou regulação, aspirações demasiado amplas e livres, convertem-se bastante fácil em explotação descontrolada.

E enfim, a explotação descontrolada - resultante do excesso de população e da disputa pelo espaço com um meio natural quase sempre incapaz de defender-se, conduziu-nos a beira do abismo ou da sexta extinção em massa, a qual será antrópica ou provocada pelo único animal que ousa fazer alarde de sua racionalidade.

Estamos falando portanto no suicídio da espécie, uma vez que a meta posta pelo capitalismo: O máximo possível de acúmulo, por parte de uma multidão de seres humano, num cenário de livre disputa ou concorrência, é absolutamente irracional, inda que os meios sejam perfeitamente racionais. O fim ou a meta continua sendo clamorosamente irracional num sistema fechado e finito. 

Nada de catastrofista e muito menos de utópico - Pois sucedeu-se já, se bem que em escala menor, na América, entre os Maias, os quais para erguer e decorar suas soberbas pirâmides escalonadas, esgotaram seu entorno > A cal dependia das fogueiras, as quais dependiam das madeiras, as quais dependiam da floresta, assim as plantações... Eliminadas as florestas cessaram as chuvas e, consequentemente a produção de alimentos, advindo a fome, as epidemias, as guerras e o fim desta tão avançada civilização.

Sucede, no entanto que os Maias não tinham a mínima ideia sobre o ciclo da água ou sobre a dinâmica da natureza, sendo portanto incapazes de prever, planejar e evitar. Nós no entanto estamos a par até mesmo da extensão e do peso da terra... Sendo perfeitamente capazes de prever as consequências de nossas ações.

Está nossa realidade posta de modo bastante claro: Um sistema individualista, materialista e irracionalista (Pelo que temos reproduzido aqui dois aspectos do protestantismo: O individualismo e o irracionalismo.) está conduzindo a espécie humana a extinção. 

Ao estimular a multiplicação da espécie que satura já o planeta e a satisfação das ambições desmesuradas de cada representante seu, protestantismo e capitalismo decretam a destruição do mundo natural i é a eliminação da fauna e da flora, das matas, florestas, bosques e daqueles que os povoam. 

A tendência levada a cabo pelo economicismo é cobrir o espaço como um todo i é todo solo do planeta com uma camada artificial composta por cimento e pedra, alumínio e vidro, plástico e borracha. A qual partindo do centro de cada cidade se vai estendendo, até conectar-se no que chamamos de megalópoles ou conurbações. A acelerar-se um tal ritmo em mais alguns milênios não mais restará palmo descoberto de terra em nosso planeta, ficando ele completamente encerrado numa capa fabricada por nós.

A bem da verdade, antes que tal designío seja consumado, teríamos também nós encontrado a morte certa em meio aos resíduos de nossa atividade ou dessa poluição que contamina águas, terra e ar, envenenando e, no devido tempo, matando. Pois como haveremos de respirar um ar empesteado por CO2... beber água misturada com mercúrio... ou pisar uma terra encharcada por nossos próprios dejetos... É de fato uma perspectiva terrível.

Porém os conspiracionistas não se abalam e as aspirações do liberalismo econômico se apresentam irredutíveis e inconciliáveis. 

Cada qual julgue esta dada situação a partir de seus princípios e valores e, eu, tenho os meus muito bem pontuados, oriundos já da Filosofia socrático\aristotélica, já do Evangelho de Cristo (Não dessa 'coisa' chamada bíblia.), já do Cristianismo antigo, histórico, apostólico... e coordenados pela razão, na qual com toda segurança confio.

E meu juízo é um juízo negativo e condenatório.

Não vejo como a crença em que Deus se fez carne ou assumiu nossa condição. De que Deus tenha querido encarnar-se neste mundo natural e material. De que Deus tenha santificado este mísero grão de pó com a intensidade de sua presença e que estejamos a depreda-lo. 

Poderia acrescentar ainda que malbaratar milhões de espécies viva, de animais e vegetais - Enquanto resultados de um processo evolutivo que toca centenas de milhões ou mesmo um bilhão de anos é uma atrocidade. Dada a singularidade, a utilidade e provável beleza de muitos destes seres.

Consiste por um lado em destruir as expressões ou manifestações da mente divina e por outro em extinguir um espaço visitado e santificado por aquele que chamou-as a existência por meio da Evolução. Autêntico sacrilégio.

Tendo em vista que cada ser existente é um projeto da mente divina e que nosso Deus assumiu uma condição material neste mundo é grave dever nosso respeitar essa mãe natureza e respeita-la como se um santuário fosse. Ao invés, de guiados pela cobiça converte-la numa imunda carcaça - Fazendo o papel nojento de vermes pululando sobre ela...

Ademais um ser não merece respeito apenas por ser racional ou livre, ou mesmo inteligente e sim porque o ser racional é capaz de perceber a totalidade das coisas, avaliar as conexões e atribuir-lhe importância segundo a posição que ocupa no conjunto. Posto que tais seres formam uma cadeia ou teia na qual estamos inseridos e a qual pertencemos.

Ainda utilitária ou pragmaticamente, tendo em vista a função voltada para o conjunto, tais seres precisam ser respeitados e nossa continuidade enquanto espécie depende sim dessa atitude ética que é o respeito. Assim aqueles que explotam ao máximo essa mesma natureza, ultrapassando os limites da prudência e visando apenas o lucro sórdido ou o vil metal, prestam um deserviço a espécie e colocam-na em risco.

É uma profanação absurda, decorrente de nossa miséria e insaciedade interior. De fato apenas o Sagrado ou o plano espiritual é capaz de satisfazer plenamente nossas aspirações, de saciar nossa sede, de preencher nosso interior, de completar nosso ser e de conduzir-nos a uma sóbria serenidade ou temperança. Somente a partir de um tal estado de espírito é que nossa consciência assoma as alturas para que foi posta, impondo equilíbrio e moderação em nosso trato com o mundo externo ou com as coisas.

Tentar substituir a fonte do ser enquanto posse do ser jamais deu ou dará certo. Nem poderia a posse de todo este universo limitado substituir a posse do ilimitado e infinito porque aspiramos ou suprir nossa vacuidade interior. O materialismo associado ao ateísmo será sempre incapaz de aliviar nossa inquietude, inquietude que nos dispersa entre os objetos materiais com a ânsia de acumular.

Todo esse burburinho em torno da acumulação ilimitada, ainda que potencializado ou mesmo ativado pela cultura, parte em última análise de nossa condição, de nosso interior ou de nós mesmos e acaba sendo alimentado pelo ateísmo, pelo materialismo, pela negação da espiritualidade, pelo fetichismo, pela ignorância e pela miséria... Tudo isso estimula nosso apetite insaciável pelo mundo e se opõe a vida média.

Deve assim o Cristão, por o dedo no fundo da chaga purulenta e condenar a totalidade deste movimento em cada uma de suas expressões.

Não podemos aceitar, batizar e abençoar um sistema como esse: Que por tirar proveito do ateísmo e da irreligiosidade, promove-os sorrateiramente por meio da mídia - Objetivando, como já foi dito, estimular ainda mais o consumo. Nobre leitor, desculpa a rude franqueza mas é o consumismo irrefletido, num mundo finito, muito mais perigoso do que o comunismo ou que o fantasma do comunismo e, é esse consumismo vulgar e grosseiro, esse desejo pelo supérfluo, esse gosto pelo excedente que está a destruir o planeta.

Não me contentando em declarar com Henry George, que o delírio em torno do consumo, e, em seguida, o excesso é que produz a carência, o desequilíbrio, a desigualdade, a injustiça e a miséria; direi que esse delírio está já a fazer buracos no mundo como vermes fazem furos num queijo.

Então não mais podemos aceitar esse estado de coisas engendrado pelo capitalismo e tributário, em última análise, do individualismo protestante.

Seremos nesse caso comunistas ou bolchevistas, como afirma essa corja de pastores protestantes 'made in EUA'... 

Julgue o leitor sensível e inteligente as nossas palavras: Precisamos transcender o individualismo, precisamos vencer o ateísmo, precisamos questionar o materialismo e seu papel, precisamos refletir sobre o consumismo e a necessidade, precisamos nos reencontrar, precisamos analisar sem preconceitos o nosso passado e as nossas tradições, precisamos cultivar uma ética não especista ou holística em torno do respeito. E avalie se semelhante pauta faz parte da ideologia comunista e quais possam ser suas fontes.

É honesto desafio que faço a cada um de vocês.

Pois sequer estamos nós em tempos de socialismo ou de malthusionismo puro porém de ecologia e ecologismo. 

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sábado, 25 de novembro de 2023

Alguns pensamentos sobre religião.


O FANATISMO RELIGIOSO.

Por que abomino o fanatismo religioso?

Porque todo fanático acredita que os demais cidadãos, inclusive os que não creem como ele ou em 'Seu livro', devem viver exatamente conforme seus pontos de vista.

E a simples ideia de que aqueles que não creem como ele vivam, cada qual sua moda, exaspera-o.
Daí aspirar pelo poder político, com o objetivo de controlar os dissidentes, o que não passa de vil dominação.
Por não exercer o poder, e oprimir, o fundamentalista julga-se perseguido, e chega a vitimizar-se.


O LIVRE EXAME DA BÍBLIA.


Já afirmei diversas vezes, porém é sempre bom repetir: Entregar traduções do antigo testamento nas nãos de pessoas semi analfabetas e despreparadas foi uma catástrofe.


OS 'CRISTIANISMO 'S'.

Pode-se hesitar entre o anglo catolicismo (Igreja alta), o romanismo\papismo ou o Catolicismo Ortodoxo, se bem que as credenciais pertencem a este; o protestantismo no entanto carece por completo de quaisquer vínculos históricos com o Cristianismo antigo ou primitivo. Por isso em se tratando de uma fé que 'historiza-se' ou de um Deus que se limita ou restringe por entrar no mundo e inserir-se no Tempo e no Espaço, adotando um critério historicista, fico com a Ortodoxia. Para mim é 'Ortodoxia ou nada', i é, Ortodoxia ou repúdio ao Cristianismo e certamente a qualquer outra religião revelada.



GRANDEZAS E FALHAS DO ESPIRITISMO.
Aprecio sobremodo diversos aspectos do espiritismo Kardecista ou Kardequiano. Assim sua antropologia positiva, sua soteriologia e sua escatologia, grande parte similares a visão Ortodoxa ou a visão patrística oriental. De fato nesses três campos ou áreas da divina revelação o espiritismo esta bem mais próximo da Ortodoxia do que o papismo e o protestantismo. Também admiro a Ética espiritista, muito mais próxima do Evangelho do que a ética do nosso Cristianismo histórico... e cuido que os Cristãos apostólicos muito teriam e tem a aprender, em termos de Ética e vida Cristã, com os pupilos de Kardec. E no entanto esse mesmo espiritismo é inaceitável como um todo ou como sistema fechado e eu jamais seria espírita. Pois quanto a concepção ou ideia de Deus é o espiritismo neo platônico e transcendentalista, tal e qual o judaísmo e - Pasmem! - o islamismo... Também os espíritas adoram ou prestam culto a um Ser absolutamente transcendente ou separado do universo material. Outro o caso dos Catolicismos ou das igrejas apostólicas - Encarnacionistas. As quais afirmam que Deus se fez homem ou que Deus se encarnou, assumindo nossa natureza e condição. Há um AVATAR para os Cristãos apostólicos ou Católicos. Avatar por meio do qual o divino se aproxima do humano, o Sagrado se une ao natural e a Transcendência toca a Imanência... No Cristianismo histórico não há separação, posto que em Cristo Transcendência e Imanência caminham junto.


O PROTESTANTISMO E O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO.

Outro o caso do protestantismo. Setor do Cristianismo nominal em que o sentido da Encarnação foi gradativamente sendo eliminado devido a leitura ou ao exame imprudente do testamento velho. Pois essa malsinada reforma começou eliminando todos os elementos da fé voltados para a imanência - Por encara-los como contaminação pagã! - e a transcendentalizar nosso Cristianismo até desestoriza-lo por completo e produzir algo novo. Foi um processo de espiritualização. Porém o Cristianismo é o oposto disso... Pois para espiritualizar os homens Encarnou-se Deus. O Cristianismo é aproximação do mundo material ou Encarnação, o protestantismo é desencarnação. Por isso o protestantismo encontrou-se com o judaísmo e enfim com o islamismo - Como fora percebido pelo humanista francês Guillaume Postel no século XVI - o qual anuncia e cujos caminhos prepara... Um triste desígnio. Apenas os Catolicismos levaram por assim dizer o Mistério da Encarnação as últimas consequências, impondo-se como sistemas orgânicos e coerentes. Na medida em que o protestantismo eliminou a Eucaristia, a Mãe de Deus, a iconofilia, etc removeu os sinais da presença de Cristo no mundo... Kardec tomou ao protestantismo essa visão equivocada.




sexta-feira, 17 de março de 2023

Psicologia, psicanálise, Freud e a questão da multiplicidade de existências - Reflexões sobre a obra de Hermínio C Miranda 'A memória e o tempo' Edicel 1984 - Parte VI

               Nada tenho contra o espiritismo prático e até gratidão tenho para com o espiritismo doutrinal ou kardecismo.

                Nascido protestante jamais o fui de coração, por isso lendo o antigo testamento perdi a fé, tornando-me agnóstico.

                Por estranhos caminhos conheci o papismo ou a fé apostólica romana e ainda jovem abracei-a com entusiasmo.

                No entanto a leitura dos clássicos, o conhecimento da Filosofia e juntamente com isso a leitura de diversas obras doutrinais do espiritismo (Eu havia sido convidado a refuta-lo pelo Vigário de minha paróquia.) plantearam-me inúmeros problemas em torno de Antropologia e Soteriologia, todos derivados da ideologia agostiniana assumida pela igreja romana. A leitura dos padres gregos encaminhou-me ao Catolicismo Ortodoxo, o qual ao menos naquelas duas áreas aproxima-se do espiritismo (Na verdade é o espiritismo que nessas duas áreas aproxima-se do Cristianismo antigo ou
 primitivo.)


                 Portanto, mesmo após ter repudiado as crenças na expiação, na soberania da graça, na predestinação e no inferno eterno (Praticamente todas agostinianas, alheias ao texto grego do Evangelho e indignas!) não apenas continuei sendo Cristão Apostólico como aprimorei minha fé, descobrindo o autêntico Catolicismo - Ortodoxo e afastando-me ainda mais da aberração protestante.

                  Por que raios não me fiz espírita doutrinal ou kardecista... Por diversos motivos. O principal porém é porque o espiritismo, repudiando a divindade de Cristo, repudia consequentemente o mistério da Encarnação de Deus, aproximando-se de uma corrente filosófica com que jamais simpatizei, a saber, o neo platonismo, com seu deus puramente espiritual e separado do mundo ao modo do javé judeu ou do allá maometano. No Catolicismo e no hinduísmo a relação com o mundo ou com a matéria, com a Imanência enfim é outra e corresponde perfeitamente a meu modo de ver as coisas.

                   Os espiritistas por sinal, chegam a aproximar dos ocultistas ou esotéricos ao apresentarem o divino Jesus como mera criatura ou simples profeta e colocarem-no ao lado de Moisés, Buda ou Maomé... Compreendo que comparem nosso divino Mestre com Buda ou Confúcio, os quais são mesmo como manifestações suas ou emissários seus. Agora comparar nosso Jesus com Moisés (No qual há muito de mítico como reconheceu Freud.) ou com o sanguinário Maomé, tenha santa paciência... Acho tudo isso asqueroso e revoltante e Jesus me parece mesmo um Ente deslocado em seu nicho, mais parecido com um Sócrates do que com um rabino embiocado...

                      Então não posso ser espírita. O que, como disse, não me faz odiar o espiritismo doutrinal mas apenas discordar dele, até de modo amistoso - Uma vez que a Ética espírita por vezes é mais lúcida que a nossa, i é, que a Ética eclesiástica (Por vezes muito judaica ou muito protestante, mesmo quando romana ou Ortodoxa - Um desastre.) Quanto ao espiritismo prático ou sem ilações doutrinárias ou supostas revelações religiosas nada tenho contra.

                      Tecerei então algumas críticas amistosas ao espiritismo sempre focado no âmbito da Revelação divina, tal e qual costumo fazer ao criticar os unitários e maometanos. Pois uns são por profetas e outros por espíritos, enquanto nós postulamos como veículo mais excelente a Encarnação de Deus ou a manifestação de Deus na carne.

                      Principiarei dizendo o óbvio - Que a comunicação da verdade demanda garantias de seguridade, o quanto possível as mais exatas e infalíveis. Admitindo a preciosidade ou importância da Revelação divina para nossas vidas, para nossa vida Ética, para nossa conduta, para nosso enriquecimento espiritual, etc temos o direito de concluir por um veículo perfeito e sem defeito.

                       Corresponde a tal exigência, tão sóbria quanto sensata, a mediação dos espíritos desencarnados que serviram de guias ao sr Hippolyte Leon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec ou seus predecessores como o juiz Edmonds... Davis... Cahagnet.

                        Antes porém façamos um parênteses importante - Via de regra os críticos pouco informados sobre Kardec e suas obras ou o espiritismo de modo geral supõe muito naturalmente que o objeto das comunicações mediúnicas era o próprio Kardec, e que os espíritos do além o instruíam tal e qual a superna divindade teria instruído Moisés ou Maomé... 

                        A impressão é absolutamente equivocada - Quero dizer, não corresponde a verdade histórica, a princípio, pelos idos de 1856, os espíritos - Por meio de uma comunicação. - teriam comissionado Kardec para sintetizar as comunicações obtidas por um grupo composto por cerca de uma dezena de médiuns reunidos nas residências de Madame De Plainemaison e do casal Boudin, dentre outras. 

                         Via de regra eram tais grupos (A exceção da Sra De Plainemaison) formados por umas adolescentes ou mocinhas, algumas inclusive com cerca de quatorze anos de idade, a exemplo das senhoritas Caroline e Juline (Boudin), Aline Carlotti, Ruth Japhet e Ermance Dufaux - 

                           Tal a origem da primeira e mais afamada obra codificada por Kardec - 'O livro dos espíritos' 1857. A partir de então, e a cabo de uns dez anos apareceriam cerca de oito obras, dentre as quais 'O livro dos médiuns' 1861 e 'O céu e o inferno' 1865. Segundo se diz as comunicações chegam a dezenas de milhares e os médiuns. No entanto, nos idos de 1860, após ter recebido comunicações ou informações procedentes de cerca de quinze diferentes países, foi feita uma segunda edição, Revisada. 

                            Até aqui nosso precioso parentético, quiçá um tanto prolixo...

                            Tornemos agora a questão das garantias...

                                      Que nos pode dizer sobre isso o próprio espiritismo...

                             Lembremos primeiramente que certa vez estourou uma grande controvérsia no seio do espiritismo doutrinal - Não a da reencarnação com os anglo saxões, porém a de J B Roustaing. 

                             E teve nosso Brasil notáveis campeões roustainguianos, a ponto de levar as chamas do incêndio até a FEB... Não vou entrar no mérito de tais debates (Em que tomaram parte Leopoldo Cirne, Leopolo Machado, Imbassahy, Crysanto de Brito, etc) que cheiram a unitarismo e a monofisitismo. 

                                 Quis apenas refrescar as memórias de quantos esqueceram que no auge dessa amarga polêmica uma boa alma lembrou-se de que certa vez, Kardec, ao falar sobre os espíritos ignorantes, declarou que costumam eles levar seus preconceitos religiosos e ideias fixas para as plagas de além túmulo... Conclusão: Os espíritos do Roustaing eram 'romanos' ou como se diz católicos...

                                    Assim se há espíritos romanos - e diversos autores espíritas admitiram que sim! Então que barafunda ou confusão há no além, pois deve haver espírito ariano ou maometano (Como os de Kardec), protestante, judeu, budista, hindu, etc cada qual apegado a suas crençazinhas terrícolas e sem aquele acesso direto a divindade atribuído aos comunicadores de Kardec... E pela enésima vez surge a fé. No sentido de que os médiuns de Kardec eram diferentes, melhores ou especiais. 

                                      Ao contrário dos guias do juiz Edmonds, de Roustaing ou de Pietro Ubaldi, os quais emitiram opiniões ou considerações diferentes... 

                                      Ueh mas não é Revelação divina... Nesse caso como admitir a contradição... Dizendo que os demais foram enganados ou desorientados enquanto que Kardec - Ou melhor dizendo seus médiuns -  teve acesso privilegiado aos arcanos do além. 


                                        Lamento dizer que uma tal solução remete ao universo das seitas protestantes, nas quais cada uma declara estar na posse do espírito santo enquanto afirma que todas as outras são presas do capeta...


                                      Admitida essa explicação, dos espíritos fanáticos presos a determinadas crenças, quem nos pode garantir que as comunicações kardequianas opostas a fé Ortodoxa i é contrárias a divindade de Cristo, a Eucaristia, aos Sacramentos, a Sucessão apostólica, etc não procedem de espíritos protestantes, os quais no além continuam odiando a velha fé da Igreja antiga... Enfim, tudo fruto de um protestantismo invisível...

                                       Aqui meu amigo espírita, enojado, já pergunta: Acabou, já chegamos aos espíritos ruins ou impuros...

                                       De modo algum, ainda não, pois ainda há os espíritos levianos - 'Ignorantes, maliciosos, irrefletidos e zombeteiros... vulgarmente tratados por duendes, trols, gnomos, fadas, gênios, diabretes, etc" (L E 1936 p 44), os quais, segundo Sir Arthur Conan Doyle, sequer conhecem - Enquanto desencarnados - o princípio de reencarnação... in Evening standard, 07 de Junho de 1926

                                          A respeito desta outra categoria demos ainda a palavra ao notável escritor britânico:

                                         "A dificuldade desaparece, penso eu, quando percebemos que essas pessoas espirituais não são de forma alguma oniscientes, e que o assunto diz respeito ao seu futuro, que parece ser um assunto para debate entre eles, como é conosco."

                                           
E Kardec: "... os espíritos, do mesmo modo que entre os homens, ha-os muito ignorantes, de maneira que nunca serão demais as cautelas que se tomem contra A TENDÊNCIA A CRER QUE, POR SEREM ESPÍRITOS, DEVAM SAVER TUDO." L E 1936 p 33

                                           "Allan Kardec faz em 1863 uma análise geral das comunicações mediúnicas que lhe vinham as mãos de todas as partes. Diz então (R S Maio de 1863) que tem mais de 3.600 examinadas, das quais 3.000 (80%) são de uma moralidade irreprochável. Desse número , considera publicáveis menos de trezentas, embora apenas cem sejam de mérito excepcional (2%). Quanto aos trabalhos de grande fôlego que lhe remeteram, sobre trinta só achará cinco ou seis de real valor (15 a 20%). E ele comenta 'No mundo invisível, como na terra, não faltam escritores, mas OS BONS ESCRITORES SÃO RAROS." Wantuil e Thiesen II 1980 p 139

                                           
Ressalto aqui o ínfimo número de comunicações relevantes e o papel do classificador ou daquele que seleciona, papel totalmente subjetivo. 

                                           Quanto a essa questão, da Revelação divina ou da comunicação espiritual, os kardecistas aplicam a ela o dogma da Comunhão dos Santos criando uma espécie de corrente de informações. É o que se aduz do L E - 1936 pg 46 iten 113 onde após declarar que os espíritos Superiores ou iluminados - Que não mais reencarnam por terem atingido a perfeição, a inalterável bem aventurança e a posse de Deus. - São mensageiros ou ministros de Deus... e comandantes dos espíritos inferiores, aos quais instruem e guiam... "Podem os homens por-se em comunicação com eles, porém seria presunçoso aquele que pretende-se te-los constantemente a sua disposição." 

                                           
Conclusão: Parece que os espíritos instruem uns aos outros no que concerne as coisas divinas indo esta ordem do superior ao inferior i é dos espíritos por assim dizer perfeitos aos menos perfeitos ou imperfeitos, e que via de regra - Já pela simples quantidade - estamos em contato com os intermediários dos intermediários, sem que tenhamos acesso direto ao conhecimento divino, o que parece implicar em perda de qualidade, pelo simples fato dos espíritos imperfeitos não poderem assimilar tudo.

                                           Mesmo a propósito dos espíritos superiores - Que é como Kardec humildemente avalia seus guias - diz o codificador: "É erro crer que os espíritos tenha ciência infusa, o saber deles está, no espaço como na terra, subordinado ao seu grau de adiantamento, e há os que acerca de tais coisas, sabem menos do que os homens. Suas comunicações estão em relação com seus conhecimentos, e, por isso mesmo, NÃO PODEM SER INFALÍVEIS."  (R S 1866 - Abril)

                                         
Todavia se não são oniscientes, ao menos enquanto conhecedores das coisas sagradas, como podem ensinar-nos a respeito do Bom Deus com o grau de puridade a que aspiramos.

                                           Eternos céus, os espíritos desencarnados, confessam os próprios espíritas de renome, comunicam apenas suas próprias opiniões, impressões, suspeitas ou conjecturas i é o que 'acham', portanto nada de divino.

                                       Sem embargo o honesto Hermínio C Miranda, nas páginas 55 e 56 de sua obra ainda menciona os espíritos neuróticos e psicóticos, com seu acervo de complexos, traumas, agitações, transtornos, etc asseverando inclusive que são tão numerosos quanto os daqui, além de sujeitos aos mesmos mecanismos mentais ou vicissitudes...

                                      Percebem de onde surgiram tantas narrativas idiotas sobre a vida dos espíritos em Marte, Vênus ou Plutão... Da imaginação ou elaboração inconsciente dos próprios espíritos. Da fantasia fantasmal. Dos hospícios de além túmulo...

                                        Por fim em diversas, obras, pautadas por sinal nas comunicações dos espíritos Kardec confessa honestamente que há espíritos maus e mentirosos, desejosos de desencaminhar a humanidade ou apenas de aparecer - Adquirindo assim fama e glória. 

                                         Tomemos suas palavras ou as palavras de seus espíritos: "102 - Décima classe: Espíritos impuros - São inclinados ao mal, de que fazem o objeto de suas preocupações. Como espíritos dão conselhos pérfidos, sopram a discórdia e a desconfiança, E SE MASCARAM DE TODAS AS MANEIRAS PARA MELHOR ENGANAR." Livro dos Espíritos 1936 p 41


                             
                    No entanto, para que não fiquemos desorientados e assustados, os guias de Kardec tencionam fornecer-nos um critério seguro com que identificar a idoneidade moral dos espíritos e de suas comunicações - "Nas manifestações, eles se dão a conhecer por sua linguagem. A trivialidade e a grosseira das expressões nos espíritos, como nos homens, é sempre indício de inferioridade moral, senão também intelectual. " Id ibd

                               Quer aqui o sr Kardec ou seus espíritos iluminados, que tomemos a pessoa desencarnada e invisível por sua linguagem, querendo dizer que uma pessoa anti ética ou maldosa apresentará, necessariamente, uma linguagem vulgar. 

                                Que pensar sobre isso...


                                Admitimos francamente que a linguagem natural ou espontânea de uma pessoa má será vulgar, grosseira ou desbragada. Porém - No caso em que a pessoa má seja inteligente (O que sucede não poucas vezes.) e deseje enganar, não lhe faltará habilidade para tanto e pouca dificuldade terá para assumir outra linguagem, aparentemente nobre e elevada.

                                 Pessoas inteligentes simulam e simulam a ponto de tecer discursos encantadores, a exemplo de um Calvino ou de um Hitler, de um Bush, de um Trump, etc Simplesmente mudam de linguagem caso necessário seja, afetam outro linguajar, selecionam palavras, etc 


                                  De modo que a pura e simples análise de um discurso não nos pode garantir coisa alguma em termos de moralidade. E isso só seria discutível ou duvidoso caso todos os espíritos maus fossem igualmente ignorantes, o que Kardec naturalmente jamais disse... Logo, nada que os espíritos maus dotados de certa inteligência não possam burlar em se tratando dos humanos. 

                         Fácil portanto o humano ficar a mercê dos espíritos maus e enganadores.

                          Examinemos agora uma outra faceta não menos importante das comunicações.

                         
Pois como se não bastassem os espíritos fanáticos, ignorantes, neuróticos e maus, damos na obra do profo Erny - o qual por sinal foi letrado de renome, que as identidades de todos os comunicantes são inseguras, posto que não possuem certidão de nascimento, carteira de identidade ou mesmo de motorista com a devida fotografia.

                           Presumidamente apresentam-se como Maria, Paulo de Tarso, Agostinho, Tomás de Aquino, Tereza D Avilla, Lucius, André Luis, Meimei, Paraclito, Emmanuel, etc todavia quem sejam de fato, com certeza certa, não podemos saber. Pois são invisíveis...

                            Debalde assevera o sr Kardec pelos idos de 1858 "A experiência nos ensina a conhecer os espíritos, como nos ensina a conhecer os homens."

                             Pobre Kardec - Irmão gêmeo de Cândido e filho de Leibnitz . Pois parafraseando Confúcio bem poderíamos dizer: "Se não sabemos que é a vida, como saber o que é a morte..." 

                              De fato, se quase dois séculos após a criação da Psicologia, a intervenção de tantos sábios, tantas pesquisas, tantas publicações, etc sabemos tão pouco sobre o homem encarnado, vivo e visível como pretender que saibamos algo sobre entidades invisíveis e anônimas... Inclusive o homem do povo - Que nada sabe em termos de Psicologia profunda, inconsciente, personalidade, etc

                            Isso quanto os tipos ou categorias de espíritos e sua condição anônima...


                            Pois ainda que excluamos todas essas variedades de espíritos: Neuróticos, zombeteiros, ignorantes ou maldosos - Todos invisíveis e anônimos... continuamos num mato sem cachorro. Abandonados, perdidos e confusos...

                               Bastando para tanto saber que nem sempre são espíritos desencarnados... 

                               Mas como... 

                               Isso mesmo - basta saber que muitas vezes 'o espírito' em questão bem pode ser o inconsciente do próprio médium i é um entidade imaginada por ele e que é ele mesmo. Claro que a fantasia é inconsciente e não intencional. E no entanto há engano, mesmo sem a vontade de enganar.

                                Tal o fenômeno de múltipla personalidade.

                                Impossível... Claro que não.

                                Tal a hipótese contemplada por primeiramente, e de modo inadequado, pelo profo William Benjamin Carpenter ainda em 1853.

                                 Finalmente, em 1855, uma carta anônima, rompendo com a esquema puramente físico naturalista, postulou o desdobramento da personalidade do médium (Cuchet 2012 p 85 sgs) - Supreendentemente foi tal tese, retomada seriamente, trinta anos depois pelo Dr Pierre Janet (1903 p 377 sgs) notável adversário dos positivistas. 

                                  Ocioso dizer que Kardec conhecia perfeitamente essa opinião (Pois segundo Canuto de Abreu integrava o grupo de pesquisadores da Sociedade Mesmeriana coordenado pelo Barão Du Potet. cf  'O livro dos espíritos e sua tradição histórico lendária') - Elencada também por Blavatsky (O véu de Ísis) e Sir William Croockes, dentre outros - discutida, posteriormente, por todos os Parapsicólogos e avaliada como tese, que associada a hiperestesia, a telepatia e a pre cognição, tornaria, não impossível, porém extremamente difícil a comprovação direta da sobrevivência- Fato de que Kardec não se deu conta, tal e qual seus seguidores. 

                                    "Assim o médium tiraria de si mesmo, e por efeito de suas lucidez, tudo quanto diz, e todas as noções que transmite, mesmo sobre coisas que lhe sejam estranhas em seu estado normal." Kardec 1857 p 24 sgs Já em 1861 (p 39) o codificador admite que o desdobramento poderia bem ser a causa DE MUITAS DAS SUPOSTAS COMUNICAÇÕES ESPIRITUAIS. 

                                       Mais - Kardec admitia que mesmo nas comunicações mediúnicas autênticas, as informações fornecidas eram muitas vezes, UMA COMBINAÇÃO DE CONTEÚDOS ORIUNDOS DO ESPÍRITO COM DADOS INERENTES DO INCONSCIENTE DO MÉDIUM (Kardec 1865 a p 155 "O pensamento do espírito pode, ademais, ser alterado pelo meio que atravessa para se manifestar." (R S 1866 - Abril)

                                        Reflitamos por um instante sobre o que o sr Kardec está a dizer. Pois está a dizer que a pretenciosa terceira Revelação nada tem de divina ou transcendente não passando de dois elementos puramente humanos ou naturais misturados uns com o outro - O espírito desencarnado, que é humano e sempre falível e o espírito ou melhor o inconsciente igualmente falível do médium. Absolutamente nada de Sagrado, celestial ou infalível e perfeito. 

                                Nem mesmo as comunicações dos humanos desencarnados são puras ou isentas de influência por parte dos vivos, humanos e encarnados como nós!

                                                                  Passemos - Pois também pode, o suposto espírito, corresponder a manifestação da mente viva e encarnada de um outro médium qualquer em desdobramento, esteja ele na mesa ou nas proximidades. Como poderia ser produto de elaboração conjunta ou comum, com a intervenção de diversas mentes i é uma colcha de retalhos.

                                 A exemplo do que temos nas manifestações de 'fantasmas' de vivos... cf "Phantasms of the livings - Gurney, Myers e Podmore, London 1886 (Tradução francesa por L Marillier "Les hallucinations télépathique, Paris, 1889). As quais não se limitam a manifestar apenas imagens visuais estáticas (Supostos resíduo ou cascas.) mas inclusive algumas impressões visuais dinâmicas acompanhadas de impressões auditivas  dinâmicas. Naturalmente que o inconsciente de um agente vivo pode produzir impressões dinâmicas e não apenas estáticas. 

                                   Sequer preciso mencionar aqui o fenômenos a que dão o nome de viagens astrais ou saídas de corpos, as quais, sejam o que forem, sucedem durante o sono. cf Hector Durville "Le fantôme des vivants". As quais poderiam sempre terminar em incorporação ou simples ação sobre outro agente em transe, como as trocas de corpos ou de espíritos apresentadas em diversas comédias, sendo a mais conhecida 'Um espírito baixou em mim' 1984 com Steve Martin e Lily Tomlin como Edwina Cutwater.

                                     
   Tanto podemos ter o desdobramento imediato da mente do médium, de seus companheiros ou de algum membro do auditório como a intromissão de qualquer outro espírito vivo. 

                                 Em meio a tanta comunicação exótica e divergente quanta não é de vivo, seja no corpo ou fora dele...

                                  De modo que admitido mais esse raminho de joio no trigal abala-se ainda mais a garantia divina da Revelação ou da Religião, convertendo-se ela em algo essencialmente humano, imanente e natural, a exemplo do unitarismo com seus profetas - Como Maomé. - ou o protestantismo por meio do livre exame ou da especulação exegética...

                                    Tudo muito humano, demasiado humano.

                                     Após o incrível cipoal de espíritos acima descrito, a condição do anonimato e os fenômenos sonambúlicos de desdobramento mental chegamos já ao fundo do poço...

                                     Creio que não. 

                                     Pois restam ainda outras duas expressões da realidade: A fraude e a alucinação, individual ou coletiva. 

                                     A fraude foi admitida sem maiores problemas por Kardec e vinculada expressamente a muitas comunicações (1869 p 36) Limitando-se ele a objetar que nem tudo era falso, ou que havia um resíduo verdadeiro. (1866 p58 sgs). Amiúde vinculava o charlatanismo a cobrança (1869 p 89) e concluía dizendo que os verdadeiros médiuns só tinham a ganhar com a exposição dos impostores. (1859 p 96)

                                     Até que chegamos, por fim, a ilusão ou a alucinação, fenômeno psicológico amplamente demonstrado e sobre o qual não pairam quaisquer dúvidas. Apenas quanto as alucinações coletivas devemos tomar bastante cuidado tendo em vista os fatores predisponentes. Pois a exemplo do 'inconsciente coletivo' - Conceito amplamente discutível. - costuma ser usada como uma espécie de lugar comum ou panacéia pelos naturalistas.

                                     Seja como for Kardec não deixou de leva-la em consideração. Destarte concedeu, sem maiores problemas, que a ignorância, a superstição e a credulidade bem podia produzir alucinações confundidas com fenômenos mediúnicos. (1868 p 29) O quanto objeta, e com propriedade, é que a alucinação costuma ser estática e não dinâmica ou inteligente (1861 p 196) Insistindo mais uma vez que o acesso a informações desconhecidas por parte do instrumento, comprovaria a ação de um espírito guia. 

                                     Kardec ignorava por completo o fenômeno natural da clarividência associado a vida inconsciente ou a personalidade múltipla. Mas não a clarividência ou a profecia em si mesma associada ao sonambulismo puro e simples (1858 p 61). 

                                     Portanto temos bem de par com a 'terceira revelação' i é bem juntinho ou ao lado -  

* Quanto aos fenômenos:

                                      # Fraudes ou imposturas - Admitidas.
                                      # Ilusões e alucinações - Admitidas.
                                      # Forças puramente mentais e desdobramentos psíquicos - Admitidos.

* E quanto os espíritos comunicantes:

                                     # Espíritos neuróticos -
                                     # Espíritos fanáticos - Admitidos.
                                     # Espíritos ignorantes - Admitidos.
                                     # Espíritos malignos - 
Admitidos. 
                                     # Espíritos Superiores FALÍVEIS -Admitidos.

                                      Além das condições de invisibilidade e anonimato partilhadas por todos os espíritos sem exceção. 

                                      Conclusão 01: As autênticas comunicações espíritas não passam de um resíduo ou de mínima parte dentre o conjunto dos fenômenos abordados.  

                                       Conclusão 02 : As comunicações dos espíritos superiores não passam de resíduo ou de ínfima parte dentre a massa de comunicações obtidas pelos médiuns reais ou supostos.

                                         Conclusão 03: É a tal da terceira relevação resíduo de resíduo ou como se diz 'pepita de ouro' extraída a um mar ou oceano de lama. 

                                  Diante de tão imenso cipoal ou labirinto os
 kardecistas costumam vir a liça postulando não sei quais energias ou emanações do bem, uma proteção específica de deus ou de Jesus ou ainda dos espíritos de luz, etc quanto aos MÉDIUNS DE KARDEC - Em que pese as hostes de espíritos zombeteiros e enganadores, o desdobramento mental dos vivos e o anonimato... envolvidos por desdobramentos, capacidades mentais, alucinações e fraudes (Nenhuma das quais excluída por completo por Kardec).

                                     E o quanto assistimos é uma autêntica fuga ao naturalismo.


                                     Apesar das advertências feitas pelo Codificador: "Não há palavra sacramental alguma, sinal cabalístico algum, ou talismã ou ação que possa exercer influência sobre os espíritos (Ao contrário do que diz a querida Blavatsky) --- Mas não é exato que alguns espíritos TENHAM DITADO FÓRMULAS CABALÍSTICAS. Efetivamente, espíritos há que indicam sinais e palavras estranhas ou ainda prescrevem certos gestos por meio dos quais se fazem os assim chamados conjuros. Mas, ficai certificados que tais espíritos estão é a escarnecer e a zombar da vossa credulidade."

                                             
Lamento contrariar os amigos espíritas mas é Kardec quem adverte não haver qualquer seguro espiritual ou garantia de proteção face a essa imensa massa de fraudes, alucinações, desdobramentos e espíritos malignos, ignorantes, neuróticos, anônimos... que cercam o pequeno número de comunicações relevantes.

                                   E são esses mesmos espíritas, que afetando cientificismo, chegam a por em dúvida não apenas os supostos milagres ou intervenções sobrenaturais - Aqui com plena razão! - mas por vezes até mesmo os milagres do divino Jesus consignados no Evangelho Redentor.


                                               
Curioso ver como os kardecistas - Que tanto apreciam o positivismo, o naturalismo ou o cessacionismo (E o autor deste artigo é cessacionista convicto!) com seus temperos deístas. - tresandam e põem-se logo a falar em alguma ajuda providencial já aos médiuns de Kardec já ao próprio Kardec, a qual tornaria tais médiuns invulneráveis ou conferiria ao ilustre professor francês uma espécie de infalibilidade, quiçá arremedo da infalibilidade papal promulgada por Pio IX em 1870.

                                          Verdade seja dita - Impede o pudor que a maioria dos espiritistas, particularmente os mais instruídos, atribua tal prerrogativa a Kardec, mesmo quando admitem que ele selecionou as comunicações e que selecionando atuou falivelmente, como qualquer outro ser humano. 


                                          E é precisamente aqui e a partir daqui que todo esse edifício que se arvora em ciência, filosofia e revelação começa a desabar fragosamente... A desmanchar-se, a ruir e a dar por terra...

                                          A maioria deles prefere, com Canuto de Abreu 1957 p X "O resultado de sua redação só era incorporado ao texto depois de cuidadosamente revisado e corrigido, palavra por palavra, pelos Instrutores."

                                         
Tal o ping pong ou o jogo Tênis espiritual -

                                           As comunicações são, em seu conjunto duvidosas, bem como os espíritos em seu conjunto. 

                                           Como resolvemos isso...

                                           Dizendo que foram examinadas e selecionadas por Kardec.

                                           Reivindica Kardec a perfeição da infalibilidade como o Pio IX, o papa epilético... Certamente que não.

                                            Então...

                                            Recorre Kardec a um recurso especioso que não poucas vezes confunde ou entusiasma seus leitores a ponto de correr louros, aplausos e ovações.

                                             A todo instante Kardec opõem a fé supostamente cega da Igreja antiga a razão ou ao raciocínio. Aqui, paradoxalmente, não é nada 'sofisticado', positivista ou empirista, porém racionalista ou metafísico, tal e qual Leibnitz, Descartes, Voltaire, etc. 

                                              Como um protestante livre examinista falando sobre a bíblia ou o Evangelho (Sem ser o Evangelho ou a bíblia.) Kardec escreve sobre a razão e o raciocínio, a ponto de ser fastidioso citar. E a impressão que se tem é que ele Kardec encarna a razão ou seja o único mortal capaz de raciocinar - Mesmo quando confessa sua falibilidade.

                                                Importa dizer que é a razão um guia naturalmente seguro, mormente quando haja acordo entre os sábios a respeito das conclusões. Fica no entanto sendo, ainda hoje - Como nos tempos de Orígenes. - um recurso restrito e pouco acessível ao grosso do povo ou a gente medíocre e sem instrução. 

                                                  Outro o conceito de Revelação ou Religião, sobretudo quanto associada ao veículo mais adequado - que é a Encarnação de Deus, e ao recurso a autoridade, pelo qual se atinge a gente medíocre ou até mesmo as massas. 

                                                   Os próprios conceitos de Razão (Natural) e Revelação (Sobrenatural) parecem distintos - Ainda que não sejam opostos e destinados encaixarem um no outro, completando a comunicação divina e infalível as aquisições limitadas e apenas humanamente seguras da Razão. 

                                                     Admitido isto o quanto temos aqui não é Religião ou Revelação e menos ainda Ciência porém uma Reflexão ou uma especulação metafísica feita a partir de comunicações incertas e duvidosas i é um tipo de filosofia muito pobre, que pode partir de premissas equivocadas.

                                                      Caso Kardec, sendo humano, seja o critério ou padrão das comunicações, todo espiritismo é puramente humano e natural, mesmo quando houvesse alguma comunicação fidedigna incluída no conjunto.

                                                       Daí Canuto de Abreu... postular a revisão do quanto foi feito por Kardec pelos espíritos... Os quais bem podem ser fanáticos, neuróticos, ignorantes, malvados, etc e são sempre falíveis... 

                                                        Kardec no entanto confere o título de Superiores ou iluminados aos espíritos que assentem a seus juízos. Por que superiores ou iluminados... Porque concordam com ele. Kardec como que canoniza os espíritos que aprovam seu trabalho. Que seriedade há nisto...

                                                         Kardec aprova os espíritos que aprovam Kardec... Senhores isso é pura marmota. 

                                                                            Eternos céus - Imaginávamos uma auto comunicação divina, com garantias razoáveis, puridade, exatidão, etc E eis que os kardecistas, que se julgam cientistas ou filósofos, brindam-nos com possíveis fraudes, alucinações, fenômenos paranormais, comunicações de vivos e toda casta de espíritos: Fanáticos ou irredutíveis e espíritos neuróticos/psicóticos, ignorantes, zombeteiros, falíveis, anônimos (Para você se sentir no AlAnom), etc então me diz se isso não é um mercado ou uma feira... Labirinto sem fio de Ariadne!

                                                     E... no entanto... Apesar disso... Nosso cândido declara sereno e calmo que os espíritos que dirigiam os médiuns de Kardec eram os mais puros e elevados do universo, os melhores, a elite do mundo espiritual - Pois certamente havia ali uma operação divina ou uma ação providencial. 

                                               E incomodam-se nossos amigos quando dizemos que isso não passa de fé e de uma fé grandiosa, de uma fé colossal, duma fé imensa... Quiçá mais fé do que qualquer Ortodoxo que crê na divindade de nosso Senhor o Bom Jesus.

                                                                   Como ainda aqui e sempre quero ser justo, concedo que para as comunicações pessoais ou NÃO DOUTRINÁRIAS - Nas quais pessoas das mais diversas fés, buscam contatar algum ente querido para acertar alguma pendência, tais prevenções e garantias não venham ao caso. Bastando para tanto evocar o falecido no ambiente certo (E do modo correto) - Num ambiente de paz, serenidade, amor e boas energias, a luz do Evangelho e com recurso a prece. - e interagir com ele, deixando o mais a cargo da intuição... que é a meu ver a melhor forma de reconhecer alguém com quem convivemos. Se interage e comunica alguns de segredos ignorados pelo médium podemos dar por plausível a presença do defunto.

                                                                  Manifestamente outro e diverso o caso desse espiritismo doutrinário ou kardecista que pretende substituir os padrões mais seguros da Revelação divina - Que são a Encarnação e na sucessão apostólica na Igreja. - pela mediação de entidades invisíveis e anônimas  que não podem ser identificadas com seguridade. Sabendo que o universo espiritual é bastante similar ao nosso e que está densamente povoado por entidades problemáticas como atribuir-lhe a prerrogativa de informar-nos sobre as coisas santas e divinas...

                                                       Quiçá algum espírita frustrado, após ter lido estas linhas, julgue que queremos desencaminha-lo do espiritismo. Longe de nós. Apenas da doutrina ou do Kardecismo ou ao menos de certos aspectos dela... Quanto ao espiritismo basta dizer que também existe o NÃO doutrinal, perfeitamente compatível com a fé Ortodoxa ou mesmo com as práticas da igreja romana. Pois um romano, anglicano ou Católico Ortodoxo bem pode lá ir receber seus passes, ouvir alguma comunicação, etc sem deixar de ser Cristão. Como pode ir aos centros Kardecistas - Caso se sinta bem. - sem aceitar a doutrina ou aderir a ela. 

                                                    Por não acreditar que a condenação da evocação dos mortos por parte dos antigos judeus tenha qualquer coisa de sagrada ou de divina (É puramente cultural e não consta em nosso Sagrado Evangelho!) sou pela conciliação até onde for possível e não por qualquer ruptura dramática ou radical, mesmo porque o espiritismo possuí uma Ética admirável, filha desse Evangelho e a qual não posso desdenhar. 


                                                    Eis o que tenho a escrever sobre a doutrina de Kardec e suas garantias.

                                  


                           

                                 

sábado, 3 de julho de 2021

Católicos pela democracia e a incredulidade dos integralistas.

Começarei dizendo que os integralistas, com sua ideia fixa de união ou mancebia entre a Igreja e o Estado, enunciam uma igreja frágil e um cristianismo miserando, o que por si só equivale a uma tremenda blasfêmia.

De fato todos os unionistas, integristas, puritanos, etc tendem a admitir que a Igreja de Cristo não se sustenta por si mesma, devendo ser amparada pelo Estado secular. Agostinho, contra os demais padres, aproximou-se desta solução e disto - Paradoxalmente - resultou o que há de pior na igreja romana: O poder temporal do papa, do qual resultou imenso topor espiritual para a dita Igreja. Outro fruto podre derivado desta solução foi a Teocracia calvinista de Genebra com seu rosário de crimes. 

Aqui a ideia é predar o Estado ou tomar posse dele e dele servir-se com o objetivo de manter a Igreja viva ou a Cristandade de pé.

Já disse que a blasfêmia aqui é manifesta, pois aquilo que deve ser sustentado ou socorrido por outrem é porque não pode manter-se por si mesmo.

A conclusão é óbvia: O fundamento da fé e da graça foi substituído sacrilegamente pelo Estado, pois esse fundamento onipotente é a divindade de Jesus Cristo.

Que as instituições de Moisés ou Maomé, os quais não passam de mortais inermes, busquem apoiar-se nos poderes políticos deste mundo é perfeitamente compreensível e desculpável.

Outro o caso da Instituição divina da Igreja, fruto da divindade de Cristo.

Ocioso fornecer a Igreja de Cristo uma bengala ou muleta política da qual ela não carece. Pois está firmada sobre a Pedra angular que é a divindade do Verbo!

Não precisa a Igreja de Cristo de quaisquer servições fornecidos pelo Estado, não precisa do controle secular ou do poder político uma vez que seu domínio é o domínio ético dos espíritos, das mentes ou dos corações. O patamar da Igreja é muito mais alto ou elevado, pois procede da eternidade.

Noutras palavras: O integralismo com seus préstimos políticos toma o Cristo por débil e sua Igreja por esclerosada e incapaz de manter-se por si mesmo.

O integralismo desconfia da economia espiritual da revelação, da graça e da fé que são elementos divinos e despenca nos abismos da profanidade. 

Não pode essa Ideologia suportar que o Bem, a Verdade e a Beleza se possam sustentar por si mesmas como coisas Sagradas procedentes do céu.

Porém, toda petição externa a Igreja, a sua lei e a seus Sacramentos, implica justamente isto: Desconfiança, hesitação e incredulidade face a missão de uma Igreja que se mantém e sustenta por si mesma, núncia que é do Autor e Mantenedor do Universo.

O erro aqui é manifesto: Pois não toma a Mãe Igreja sua vida dos tronos, dos tribunais, das baionetas, das algemas, dos cárceres... como as instituições mundanas e terrenais! É do seio da divindade, da Encarnação, do Evangelho, do Amor, dos Sacramentos, da graça, da fé e dos exemplos de virtude que a Igreja tira toda sua força e vida. Fiel e impassível neste caminho divino a Igreja assistirá todos os Impérios, Reinos e Países que presidem a política deste tempo desfazerem-se, uns após outros, como pó. Firme em sua direção - Como disse Lord Macauly - passados mil ou dos mil anos, seja da África, da Índia ou dos Confins da China, contemplará a Igreja de Cristo as ruínas de nossos castelos, palácios e cidades... num mundo totalmente diverso deste.

Observem como vive ainda a Igreja Assíria nos confins do Oriente, toda cercada pelo islã! Observem como vive a Igreja Siríaca nos confins da Síria apesar da sanha maometana que não cessa de sangra-la ao cabo dos séculos. Observem a Igreja Copta, a Igreja da Cruz e vede como ainda hoje sobrevive e resiste na terra dos Faraós hora assolada pelas hostes muçulmanas. 

Tal a missão e vocação da Igreja, cujos filhos não foram gerados da carne ou do sangue para a espada, a lança ou o fuzil, mas de Deus para a redenção do espírito!

Não quero dizer com isto que o Estado democrático e a Cristandade não tenham interesses convergentes ou comuns. Devendo o Estado democrático, apoiado pela Ética da Igreja, resistir ferozmente ao islã e os filhos da Igreja apoiar ativamente o Estado democrático contra quaisquer aspirações ou manobras teocráticas sejam islâmicas ou calvinistas. Todo e qualquer projeto teocrático de dominação deve ser coibido pelo poder do Estado popular com a participação ativa do povo de Jesus Cristo. Estado e Igreja no entanto devem coexistir como duas instâncias separadas e independentes, uma vez que César e Deus, Deus e César jamais se confundem ou misturam. Pois o Estado deve comportar e tolerar diversas instituições credais numa perspectiva pluralista ou liberal, enquanto que a Igreja uma, em seu terreno, que é o do espírito, deve expandir-se livremente pelo mundo afora.

Não pode a Igreja servir-se do Estado a maneira de um braço secular ou apêndice, pois seu domínio é das consciências livres. 

Quem aspira por uma Murtad que vá a Torá ou ao Corão que o Evangelho repudia tudo isso. 

Ignora a Lei dos Cristãos o que seja Jihad, Djzia ou Murtad. A menos que se trate de uma Igreja islamizada ou judaizada até a médula dos ossos... ou duma Igreja apóstata.

Conhece o Evangelho porta de entrada e saída e não visa prender aqueles que não eram dos nossos, i é, os apóstatas, cujos corações não estavam voltados para a verdade.

Não tem a Igreja servos ou escravos como a sinagoga e a mesquita, apenas filhos, cuja liberdade reconhece.

A dignidade ímpar de Jesus Cristo consiste em ser adorado e servido por homens livres e conscientes animados por um intenso amor e gratidão.

Por isso o poder de atração do Senhor está na manjedoura e na cruz, emblemas de seu imenso amor por nós. A manjedoura e a cruz são tolices para os frívolos, porém para os que honestamente creem são força, poder, triunfo e glória de Deus. Tais os poderes e forças que movem as mentes e o mundo do espírito.

Sinal de fragilidade e miséria seria manter a força os que não mais creem, obrigando-os a farsa de uma adoração formal, a qual não parte da alma ou do coração. Pois a hipocrisia, o fingimento e a exterioridade de modo algum agradam ao Bom Deus.

Nada mais sacrílego do que oferecer ao Cristo uma adoração forçada!

Já quanto ao povo Cristão, para que viva submisso a Lei divina do Evangelho, basta-lhe a excomunhão. 

Ao invés de aspirar manter os heréticos no corpo da Igreja - Ao invés de deixar que partam na direção de suas seitas - o que a Cristandade deve fazer é expulsar para fora de si e lançar os incrédulos e hesitantes para fora de sí, impedindo que se sirvam dos Sacramentos. Destarte, caso amem a verdade e reconheçam o Cristo tais gentes se submeterão. Do contrário sejam tidos em conta de pagãos e publicanos. 

Tendo a excomunhão, que toca ao amor e a reverência, não carece a Igreja de tribunais ou cadafalsos. Sendo ínfame assassinar em nome de Cristo, a exemplo dos anti Cristos Torquemada e Calvino! Pois tal não é o caminho indicado por nosso Mestre e Redentor, o qual não mandou supliciar a quem quer que seja em seu santo nome, mas apenas ofertar a graça que por nós mereceu.

E esta graça não se anuncia com espadas, cordas, lançar ou varapaus mas com obras praticadas na verdade.

A verdade tem seu brilho e poder de atração. E um poder de atração superior a tudo quanto haja neste mundo. E um tal poder de atração capaz de confrontar calabouços, poços e fogueiras. Pois tem a verdade a glória de engendrar mártires - Aos quais parece boa coisa perder o mundo inteiro com todos os seus atrativos, tendo em vista conquistar o reino do espírito, ou seja, os domínios da liberdade, da dignidade, do amor, da justiça e da virtude... Isto apenas é a riqueza do espírito, enquanto que a conversão imposta ou a permanência forçada não passam de indigência.

É portanto saudável para a fé que não possa mais a Igreja entrar por mau caminho, buscando assustar e controlar seus filhos por meio de artifícios temporais. Pois tal restrição, digna e justa, fará com que a Igreja se volte para seus próprios poderes e meios, que são os do espírito. 

Retirada a cana quebrada, muleta ou bengala do poder político, terá a Igreja de apoiar-se sobre si mesma ou melhor sobre o Cristo. Investindo no anúncio destemido da verdade, no serviço fraterno, na promoção humana, no cultivo da virtude, na santa piedade... 

Somente quando tais suportes forem removidos é que a Igreja de Cristo tornará a caminhar sobre seus próprios pés. Quando cessar de ser repartição do Estado para converter-se no que é, ante sala do paraíso, vestíbulo dos céus e germe da cidade divina, e fermento celestial, e semente da imortalidade, e sol do eterno dia... Ora, todas estas realidades foram obscurecidas pela treva da estatolatria e pela politicagem conjuradas pelos integristas sem fé.

Nós afirmamos a liberdade, o secularismo e o pluralismo democrático por acreditarmos numa Igreja viva, triunfante e capaz de reconquistas, e de restaurar o mundo.

Não é de uma Igreja acomodada e enjaulada, comprometida com interesses políticos e seculares, que o mundo dos homens precisa mas de uma Igreja viva, livre e forte, cônscia e de seu poder moral, treinada para o combate do espírito, resoluta, purificada pelo sofrimento, intrépida... Somente uma Igreja assim, restituída a sua condição primitiva, será capaz de fazer frente as diversas culturas de morte, ao islã e antes de tudo ao dilúvio protestante...

A vida democrática corresponde justamente a essa arena capaz de exercitar a mãe Igreja na santidade e na virtude. O pluralismo a seu tempo corresponde a livre concorrência, elemento necessário para estimular a Igreja a conquista por meio de um proselitismo saudável e civilizado. 

Negando a vida democrática e a sociedade pluralista os integristas prestam um deserviço a fé, pois buscam submeter a Igreja a um controle político externo ou buscam submeter o Estado ao controle direto da Igreja - Estabelecendo relações igualmente equivocadas e perniciosas. Pois se não deve a Igreja, no campo que é seu, submissão ao Estado tampouco deve o Estado ser diretamente controlado pela Igreja, sendo tal controle típico da mesquita ou da sinagoga, não da Cristandade.

Nada mais digno do que uma Igreja livre numa Sociedade livre.

Pois formando eticamente os cidadãos poderá a Igreja alterar as estruturas da Sociedade segundo o espírito do Evangelho.

E o serviço da Igreja é este: Formar almas. Não dirigir impérios e humilhar imperadores mas educar e formar almas, plasmar mentalidades, moldar os espíritos.

Coisa que os integristas, muito provavelmente tão materialistas quanto os capitalistas, positivistas e comunistas, não podem compreender. Pois são como que toupeiras no mundo do espírito, e o quanto querem manter ou conservar é uma desordem espiritual avessa aos ensinamentos de Jesus Cristo.

De fato muitos deles não ocultam encarar a Igreja como simples meio com que manter o que chamam de ordem social, alias algo muito próximo do moralismo. São quase sempre uns conservadores toscos que aspiram servir-se da Mãe Igreja com o objetivo de conservar seu mundinho doentio - Bastante infectado pelo protestantismo! - e moribundo. Sinistra missão essa que ousam atribuir a Igreja de Cristo, pois nem tudo quanto há neste mundo demasiadamente protestantizado merece ser conservado, mas sem dúvida demolido até os fundamentos. Eles no entanto aspiram parar a roda do tempo, mumificar a sociedade e embalsamar a história com a ajuda do mesmo Cristianismo que segundo Gibbons promoveu a maior transformação de que temos notícia ao dar cabo do Império romano com sua escravidão e suas guerras.

Podem apontar-me algo mais revolucionário (Não em sentido comunista ou físico!) do que isto?

Pertencemos a uma Religião que, mais do que qualquer outra, alterou os destinos do mundo ao invés de conserva-lo.

E no entanto por demolir o antigo não logrou completar sua obra e construir algo não somente de novo mas de definitivo, por ter sido ela mesma atacada e contida por outras forças.

Ainda por mil anos travou a Cristandade imensos combates por um novo mundo, por um mundo mais nobre, melhor e diferente em comparação com o antigo. S Bento, S Fócio, S Francisco, S Antonio e outros são exemplos lapidares neste sentido...

Todavia após a Reforma protestante com seu individualismo e transcendentalismo cessou a Cristandade de combater por esse novo mundo, cedendo espaço ao liberalismo econômico e demais culturas de morte que o sucederam, perdendo a direção da História e seu significado universal. Para converter-se em repartição de Estado com finalidades moralizadoras ou puritanas. Nada mais abjeto para aquela Cristandade apostólica que confrontou e venceu o Império romano, curvar-se ante as veleidades de uma França, de uma Itália ou de uma Espanha, cessando de fomentar novas transformações Éticas e espirituais.

Diante disto cabe acusar o integrismo de se ter conformado com tal estado de coisas prosaico e indigno. 

Não missão do Cristianismo ser lacaio de reinos e nações mas plasmar a Civilização do futuro. Não é a vocação do Cristianismo antigo diluir-se no ecumenismo agostiniano/puritano, e protestantizar-se, e cindir-se numa multidão de seitas, e é escorar-se em alguma republiqueta obscura... Não, tal não Tal é o desígnio do nosso Cristianismo. Pois o desígnio do nosso Cristianismo é atravessar incólume a borrasca protestante, suplantar todas as culturas de morte e enfim esbater-se com o islã e vence-lo, impedindo-o de conquistar e dominar este nosso pobre mundo. Tal missão Redentora do nosso Cristianismo. E não é sendo lacaio de republiquetas e caudilhos que se preparará para desempenhar sua providencial missão.

Portanto que o Cristianismo dê suporte a civilização democrática, enquanto esta, por meio da Liberdade o exercite e depure.