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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Nos diálogos de Platão... I


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Não sabemos exatamente quantos Diálogos ele legou a posteridade. Os estudiosos e críticos não estão de acordo, afinal além das obras indubitáveis há obras duvidosas e apócrifas.

Há quem fale em 22 - Os indubitáveis - e quem adicione seis, chegando a 28 e mais cinco - suspeitos ou duvidosos - chegando assim a 33, além das Cartas, atingindo a soma de 34 obras. E há é claro, quem por amor a Platão e falta de mais Diálogos, aceite ingenuamente outros 8, certamente apócrifos.

Dentre estes destacam-se, pela densidade e a doutrina, A República ou Da Justiça (Peri Dikaion) e as Leis (Peri Nomoi), a primeira, composta durante a juventude e portanto bastante idealista, a segunda uma espécie de revisão, composta já na idade madura, alguns anos antes da morte de um quase octogenário. Da República, com sua comunidade de mulheres e filhos e uma confiança ingênua na autoridade, as Leis, com seu objetivismo legal, comparável ao Constitucionalismo hodierno, vai caminho... O Caminho de Platão.

Um Platão que teria cruzado com Sócrates com cerca de vinte anos de idade. E ficado literalmente preso aquela mente grandiosa. A qual no entanto lhe foi arrebatada oito ou dez anos depois, e por um regime, formal ou pretensamente democrático. Platão jamais recuperou-se deste trauma. E se críticos declaram que a Igreja supliciou Giordano Bruno que dizer da República que assassinou o melhor de todos os homens??? De fato Platão jamais pode distinguir a Democracia da Oclocracia ou da Demagogia. E concebeu o paradigma da autoridade redentora, mesmo quando na velhice, achou por bem delimitar sua esfera.

Há nos afamados Diálogos - Literariamente muito mais ricos do que a massa dos escritos atribuídos a Aristóteles ou por ele escritos - uma grande gama de personagens famosos - Professores, generais, médicos, devotos, poetas, estadistas, etc Criton, Eutrifon, Crítias, Adimanto, Glauco, Céfalo, Cálias, Querefon, Queremon, Protágoras, Laques, Nicias, Cármides, Trasímacos, Górgias, Agaton, Fedro, Erixímaco, Pausânias, Aristófanes, Fedon, Zenon, Parmênides, Alcebíades, Protarco, Filebo, Timaeus, Hermócrates, Clínias, Meguilo, etc que ora dormem no Kerameikos... A impressão é que estamos numa das praças ou largos da velha metrópole helênica a ouvir as arengas produzidas pelo filho de Fenarete.

Atualmente os Diálogos de Aristócles (Sim, Platão é apelido e significa Ombrão ou ombros largos!) constituem a principal referência ao Pai do humanismo, i é, a Sócrates. Mas não a única, e sequer a melhor ou a mais fiel. A antiguidade clássica conheceu muitas outras fontes a respeito do ilustre mártir da Filosofia: Fedon, Critias, Glauco, Adeimantos, Euclides de Megara, Aristipo de Cirene, Antístenes e mesmo um sapateiro... Todas estas fontes, citadas e fragmentariamente reproduzidas por Laércio, Stobaeus, Athenaios, Aulo Gélio e outros doxógrafos antigos acham-se atualmente perdidas para nós. Contamos porém com a Memorabilia de Xenofonte e com alguns fragmentos de Aesquines de Asfeto, rival de Platão.

Seja como for a Sócrates não é Platão e Platão não é Sócrates. Embora Platão estivesse persuadido de que era uma espécie de homenagem ou recompensa atribuir ao mestre suas lucubrações metafísicas em torno das origens do conhecimento ou sua origem das ideias. Para Th Gomperz por exemplo, o Sócrates histórico é o Sócrates de Xenofonte. Para outros é do Aesquines de Asfeto... ou mesmo a caricatura de Aristófanes. O certo é que nem tudo quanto Platão atribui a Sócrates parece digno de aceitação. Sócrates, sem jamais negar a possibilidade, veracidade ou a objetividade do conhecimento parece ter sido antes de tudo um Mestre de Ética, concentrando seus esforços sobre o fenômeno humano - "Do que me tenho eu ocupado senão do conhecimento do homem?" indaga ele na insuspeita Apologia. Criticou certamente os conhecimentos que julgava ingênuos ou aparentes e muito teve de demolir segundo as circunstâncias. Deixou muitas reflexões ou diálogos inconclusos, mas nada indica que tenha sido cético ou relativista. Especialmente quando opunha-se decididamente a Górgias, Protágoras e os demais sofistas, buscando por um padrão ou critério exato no plano da Ética. Se Sócrates concordaria com Descartes no sentido de que os frutos da Filosofia pertencem aos domínios da Ética, como o francês não ignorava a ilação metafísica existente entre a gnoseologia e a Ética ou que sem Verdade absoluta não era possível postular uma Ética do absoluto ou para além das opiniões e aspirações individuais. Mesmo assim quis começar pela Ética e tão larga foi sua seara que ao deixar a vida, aos setenta anos, estava sua obra incompleta ou mesma por começar.

Sócrates jamais repudiou a verdade e provavelmente em alguns momentos de sua carreira apoiou a tendência naturalizante atribuída aos Sofistas e Filósofos de modo geral. Queremos dizer que compreendeu ou apresentou os deuses da mitologia como forças da natureza, sem no entanto, como eles postular o assustador ateísmo ou mesmo agnosticismo. Foi Sócrates o principal apoiante do teísmo ou monoteísmo racional, metafísico e racionalista, não religioso, revelado ou fideísta. Seja como for tal não foi seu foco - A questão dos deuses e da natureza - e não insistiu muito sobre o assunto, exceto para sustentar que a existência de um ELEMENTO UNIFICADOR {Jamais alheio a consciência grega} era absolutamente necessário no sentido de sustentar uma economia universal, seja no plano do conhecimento, da Ética ou da Estética. O Bem, a verdade e a beleza eram expressões universais de um Ente universal. E o Bem, antes de tudo, foi o objeto da busca socrática. Pois para Sócrates uma ordenação hierárquica situava tais qualidades. E ao Bem pertencia a primazia. A Ética para ele é soberana.

Assim se a crítica da verdade não tocou ao mestre, até por questão de oportunidade, ficou ao encargo do filho de Perictione e Ariston, o qual tentando conciliar os opostos, assim Parmênides e Heráclito, apresentou seu sistema como criado por Sócrates. Nisto não há mentira, há homenagem ou preito de gratidão, segundo a cultura dos antigos. Todavia não devemos crer nem imaginar Sócrates dissertando sobre vidas sucessivas, reminiscências, mundo ideal, arquétipos, etc Tudo isto é apenas e tão somente Platão, o qual para construir seu sistema serve-se das tradições religiosas dos órficos e pitagóricos. Nada demasiado sólido ou racional... Daí a reelaboração, racionalista ou naturalista, desta teoria platônica das formas, apresentada pelo Estagirita, a qual para muitos tornou-se definitiva, ao menos no plano da Gnoseologia ou da metafísica do conhecimento. Aristóteles porém tinha seus pés sobre os ombros de um gigante colossal, do primeiro pensador sistemático do conhecimento: Platão, o pupilo de Sócrates.

Daí a conveniência de que o homem de hoje conheça suas obras ou Diálogos, lidos inclusive por Oppenheimer e Sagan, dentre outros cientistas quase contemporâneos.

Acompanhe em alguns de nossos artigos a apresentação crítica de algumas de suas obras já estudadas por nós.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Empírico racionalismo, ceticismo e Catolicismo

Algumas fés ou religiões tem mostrado certa sensibilidade face as exigência de nossa condição. Outras tem sido depositadas, desde que nasceram, no berço impuro do ceticismo.

Assim o Catolicismo tomou por divisa as palavras do Apóstolo Pedro: Fornecei aqueles que vos solicitarem as RAZÕES de vossa esperança.

Não se trata aqui de admitir que os itens de nossa esperança ou artigos de fé, seja diretamente acessíveis a natureza. Certamente foram comunicados por Revelação Sobrenatural i é pelas palavras de Jesus Cristo, consignadas nos assim chamados Evangelhos.

No entanto como o objeto desta Revelação sobrenatural era o gênero humana, necessário era que esta Revelação se conforma-se em certa medida com o caráter de seus destinatários. A exceção da Santíssima Trindade - o primeiro de todos os Dogmas, concernente a natureza íntima de Deus - todos os dogmas são por assim dizer racionais pelo simples fato de que, nenhum deles, ultrapassou os limites da razão humana, contrariando-a.

Não é que saibamos como Deus executou-os. Operacionalmente são mistérios porque não sabemos ou saberíamos como como faze-los. Formalmente porém, sabemos que não conflitam com as exigências do intelecto humano. Nossos dogmas nada tem de idiotas ou de loucos.

Por isso a Virgem sábia prudente, na posse da verdade revelada, do Evangelho, das tradições legítimas e do método; não pode temer as virgens imprudentes e toscas, sendo a primeira delas o protestantismo. Este sim nasce, com Lutero, negando a razão, questionando a experiências e castrando a teologia. O catolicismo não teme a razão e mesmo a Filosofia ou a Ciência. O protestantismo apenas nasce solifideista em todos os sentidos.

Desespera o protestantismo da razão e assume seu irracionalismo manifesto, fazendo apologia da loucura, porque é incoerente e assistemático. Jamais satisfazendo as aspirações racionais e sistemáticas de nossa condição.

E no entanto a inoculação do veneno irracionalista no corpo do Cristianismo, alias Católica, antecede em cerca de um milênio o protestantismo, pelo simples fato de estar em sua base ou de ter sido canonizado por ele. O protestantismo tomou e deu seguimento a tudo quanto havia de pior, de mais miserável e bárbaro na religião papalina; assim o gracismo/agostinianismo, assim o infernismo, assim a judaização... Foi abismo do abismo e precipício que chamou precipício. Não solucionou os problemas do mundo Ocidental, agravou-os, potencializou-os, piorou-os...

O ex maniqueu Agostinho de Hipona foi quem por primeira vez insinuou, já velho, a inoperância da razão face a fé. Principiou, como ex maniqueu que era, maldizendo a natureza humana e classificando como depravada ou essencialmente corrupta, deduzindo, logicamente, a inexistência do livre arbítrio e desbancando, por meio da predestinação 'judaica' no fatalismo mais abjeto. As ulteriores conclusões tirou-as apenas de leva, ficando portanto para serem referendadas por seus sucessores e continuadores. O certo é que desde então parte dos Cristãos católicos (do Ocidente) puseram-se a suspeitar da razão e a refugiar-se numa fé cega.

Mesmo Paulo, que é aleivosamente revindicado por eles - Paulo jamais ensinou o dogma abominável da transmissão do pecado adâmico - explicitou bastante claramente, que a existência de Deus é manifesta a razão a partir dos elementos do mundo. Apoiou a teologia natural de Sócrates, Platão e Aristóteles, repudiando de antemão ao que cognominamos 'teologia' (em sentido próprio) tradicionalista, no caso tributária do agostinianismo e condenada apenas em 1870 pelo 'concílio' (sic) do Vaticano I.

Concebendo a falsa doutrina da depravação total da natureza humana, Agostinho logrou abalar os fundamentos humanistas do Cristianismo, fundamentos porque o Cristianismo antigo ou pré agostiniano e semi pelagiano, assumia os pressupostos otimistas e aspirações pagãs a respeito da natureza humana, do racionalismo e da educabilidade. Agostinho lança tudo isto as gemônias e proclama um Cristianismo bárbaro, magico e fetichista. É a consagração do determinismo religioso, mas também do irracionalismo. O qual fica implícito em sua abordagem.

Temos aqui a aparição do homem frágil ou do coitadinho que tanto desfigurou e obscureceu o Catolicismo no Ocidente. Mesmo sem ser propriamente Católica mas agostiniana ou maniqueísta.

Importante salientar sua retomada pela mística franciscana nos séculos XIII e XIV. Pelo simples fato de que os primeiros franciscanos, procedendo das camadas mais baixas da população, não eram apenas teologicamente incultos, mas incultos de modo geral.

Lamentável é que um varão atilado como Ockham tenha ido nesta direção buscando justifica-la! Sem discutir sua epistemologia defeituosa, da qual passaremos a largo, cumpre mencionar dois dogmas seus: O tradicionalismo teológico, segundo o qual a existência de Deus não pode ser objeto de demonstração filosófica, metafísica ou natural, constituindo objeto de divina Revelação (!!!???) e o Irracionalismo, doutrina segundo a qual os dogmas do Catolicismo podem conflitar coma razão.

Aquino, ainda que defeituosamente, assume o legado transmitido pelo perípato. W Ockham não. A fé para ele é tudo e a razão nada...

Recomendo ao amigo leitor as obras publicadas pelos Jesuítas e dominicanos espanhóis, em especial os salmanticenses. Nas quais fazendo arqueologia das doutrinas, conseguiram estabelecer diversas relações causais e traçar a genealogia do ceticismo, do fideísmo e do irracionalismo desde Agostinho a I Kant - "O filósofo portátil de Lutero." - analisando cada elo desta corrente. Não se trata aqui de opinião subjetiva e arbitrária, mas de trabalho histórico, em que se recorre as fontes, apontando as afinidades e dependência dos autores uns para com os outros.

Não foi diretamente de Agostinho que o irracionalismo chegou a Lutero. Epistemologicamente, o monge saxão, é tributário do irracionalista e tradicionalista Gabriel Biel e este de Ockham. Tais os intermediários situados entre o Bispo de Hipona e o esposo de Miss Kate. Tais os professores e instrutores de Lutero com que pensam poder flertar impunemente nossos Católicos de 2017...

"Sancta simplicitas."

Tais princípios já foram plenamente desenvolvidos pelo 'reformador' contra o sentir da Igreja antiga!

Então o que vocês pretendem tomar de bom a esses mestres infectados pelo pessimismo antropológico agostiniano. Ser meio agostiniano não dá... Assim racionalidade e livre vontade perecem juntas e com elas a dignidade do homem como um todo, restando apenas a fé cega ou o fanatismo; em sua crueza e plenitude, infenso a reflexão teológica. O fim disto tudo tem de ser mesmo a Add ou a CCB...

Pura perda de tempo fixar nossa atenção em Lutero. Pelo simples fato de toda pessoa medianamente instruída em matéria de teologia saber que referiu-se a razão humana como a uma louca ou a uma prostituta - Assim a consciência - e que classificou Aristóteles como réprobo, pagão, corruptor, falso profeta, Mestre infernal, etc e isto pelo simples fato de ser o pai da Lógica, linguagem que Lutero por assim dizer abominava.

Quem desejar conhecer todo este palavreado grosseiro e vulgar há edições completas do rebelado alemão, sejam as de Wiemar ou as de Erlangen. 

O Luterano Kant foi quem forjou o derradeiro elo desta cadeia anti humanista ou pessimista, com o objetivo de 'exaltar' a fé, compreenda-se o fideismo e abater a razão, compreenda-se o irracionalismo. O ceticismo já estava ali presente em todas as teologias agostianianas, bastando ao teórico alemão, transplanta-la aos domínios da Filosofia e negar a capacidade da razão em seu próprio terreno. Inviabilizando a metafísica, em especial a teodicea, e a demonstração racional da existência de Deus. Em detrimento de Aquino, Aristóteles e Platão, e de acordo com o sentir de Lutero, Biel e Ockham aos quais havia tomado por mestres.

Aos Católicos mal informados é necessário informar que Agostinho, Ockham, Biel, Lutero e Kant formam uma unidade doutrinal ou um continuo.

Querer quebrar esta corrente e isolar os elos é esforço inútil, que redunda em benefício do protestantismo ou da infecção luterana.

Alimentar os pressupostos negativistas do agostinianismo é alimentar a rebelião protestante até o pentecostalismo crasso.

É dever dos Católicos, sejam anglicano, ortodoxos ou papistas, tomar o caminho oposto e afirmar com os antigos filósofos e pensadores clássicos, a dignidade da condição humana ou seja a capacidade da razão e a existência da liberdade.

Não há outro caminho possível.

Estar com Agostinho ou Kant ou Ockham é postar-se ao lado de Lutero contra a Igreja, sua alta teologia e a Filosofia.

Pois o que temos aqui é pura e simples questão de pessimismo antropológico.

Se a percepção distorce ou disfarça a realidade, enganando o homem ao invés de informa-lo é porque há algo errado nele. A incapacidade da razão implica defeito no homem. Seu estado de ignorância insuperável pressupõem sempre desconforto ou mesmo punição...

O estado real do homem - supondo-o enganado pelos próprios sentidos - choca-se com suas aspirações ou com um ideal irrealizável de perfeição.

Não é apenas imperfeito, mas incapaz de perfeição...

O que nos levaria a questionar o caráter ou melhor a conveniência da própria criação.

Enfim só um mergulho na fé cega poderia 'explicar' as objeções que a própria fé cega levanta, arbitrariamente, contra a razão.

Tornando-se a fé onipotente, soberana, inquestionável.

Nada mais sedutor aos olhos dos fanáticos e de tantos quantos pretendam controlar despoticamente os homens em nome da fé.

Questão de pessimismo que se converte ou transforma em questão de oportunismo ou poder.

De fato eles estabelecem limites arbitrários ao exercício da razão - quando não chegam a nega-la sem maiores cerimônias - em nome da incapacidade humana. E fica o homem sendo incapaz...

Mas por que não é capaz?

Por que Agostinho, colorizando o velho maniqueísmo, proclama que em virtude de um certo 'pecado original' concebido em termos de transmissão, a natureza humana foi completamente transtornada ou corrompida em seus atributos, tornando-se inoperante ou incapaz.

Quem não percebe que esta gnoseologia pessimista ou negativa assumida por Kant supõem ou pressupõem um acidente de percurso ou um evento trágico como o pecado original, concebido nos termos colossais de um Agostinho, de um Ockham, de um Lutero ou de um Kant.

Nada que se possa postular em termos de natureza ou em termos puramente naturais. Do ponto de vista da natureza a percepção deve servir para informar-nos sobre a realidade externa ou para por-nos em contato com o mundo... Do ponto de vista da natureza a razão ou a lógica servem para estruturar, classificar, cruzar, analisar ou trabalhar as informações fornecidas pelos sentidos. Do ponto de vista da natureza não pode existir responsabilidade ou mérito sem liberdade. Simples assim...

Tal o pensamento dos antigos gregos e romanos, segundo nos foi negado pelos estudos clássicos.

A parte dos sofistas, preocupados apenas com o mecanismo do discurso, a Filosofia antiga, afirma uníssono a capacidade do Homo Sapiens para conhecer e até o define como um 'animal racional' i é marcado pela capacidade de raciocinar.

Mesmo os apóstolos Pedro antes de tudo, mas mesmo Paulo até certo ponto, não se separam dos antigos gregos. Este admitindo, no primeiro capítulo da carta aos Romanos, que a razão é apta para demonstrar a existência de Deus. Aquele declarando que há algo de racional em nossa bela esperança.

Sintomático que aos paulinistas luteranizados ocorra apenas a sentença segundo a qual: "A sabedoria dos homens é loucura para Deus." não porque nossos dogmas sejam irracionais, loucos ou imbecis mas porque Deus encarnou-se num homem humilde e morreu numa cruz. O que, mal compreendido, parece denotar insanidade... O próprio Jesus Cristo, alegara que este mistério - segundo qual Deus manifestou-se aos pobres e pescadores e não aos saduceus e fariseus de Jerusalém - permanecia oculto aos PODEROSOS (i é a elite econômica dos judeus). Não querendo dizer com isto que a ignorância ou a boçalidade servissem de introdução ao Cristianismo, mas que o Cristianismo fora destinado a emancipar e resgatar a dignidade dos mais pobres e humildes.

A questão aqui, e ainda em Paulo, é de pobreza ou miséria materiais, não de incapacidade intelectual, burrice ou estupidez.

Os pobres e humildes estavam mais aptos para identificar a manifestação de Deus na Carne, porque melhor do que quaisquer outros homens poderiam avaliar e compreender seu sentido, partindo a situação de angústia em que se achavam. O que permite aos pobres compreender o mistério de Cristo não é a incapacidade intelectual mas experiência do desespero, a miséria material e da angústia... Eles, muito mais do que os ricos, precisam de um libertador e consolador que lhes de sentido a vida, irmanando-se ou mostrando-se fraterno.

Os ricos e poderosos não precisavam de um Deus fraterno, e portanto não estavam aptos para compreende-lo. Tendo acesso a todos os prazeres que a riqueza e o luxo podem proporcionar, bem podiam contentar-se com um Deus espiritual e distante, entronizado sobre as nuvens dos céus. Os pobres apenas precisavam de um Deus vivo, presente, encarnado, solidário e sofredor até a cruz. Esperavam por um Deus sofredor ou companheiro.

É o que possuíam a mais, e por isso se achavam a dianteira dos outros.

A questão aqui é sobretudo se situação social e não de capacidade intelectual, esta jamais negada pelo Cristo, por Pedro ou mesmo por Paulo. Tal a perspectiva dos padres da igreja em sua luta contra o paganismo antigo. Foi todo um esforço para mostrar a irracionalidade e estupidez do sistema antigo, retomando os argumentos já emitidos pelos Filósofos fossem Sócrates, Platão, Demócrito, Aristóteles, etc e um simples repisar da critica naturalista dos antigos Filósofos já a religião precedente, já ao ceticismo arvorado pelos sofistas.

Agostinho foi quem guiado por um sentimento trágico e pessimista da existência, transtornado por suas experiência pessoais e subjetivas e influenciado inconscientemente pelo maniqueismo, elaborou um ensaio de crítica destemperada a razão... Multiplicando os mistério sem necessidade.

Curioso que o islã o tenha compreendido e assimilado, antes do próprio Cristianismo. Refiro-me a crítica fideista ou tradicionalista, elaborada pelos imames Achari e Gazali no século XII, desta era e que serve até hoje de base a ortodoxia sunita e a idolatria corânica. No islã, a demolição da Filosofia, conduziu a sociedade a um colapso social e estado de inércia ou prostração do qual jamais viria a sair. No Cristianismo, duzentos anos após Lutero, patrocinou uma reação naturalista, empirista, racionalista, semi cética, materialista e ateística que prossegue até nossos dias.

Afinal como poderiam os homens admitir um padrão de Cristianismo pessimista, negativo, obscurantista, solifideista, arbitrário e anti humanista para sempre?

Foi assim que de um extremo passamos a outro, e ao meio ceticismo editado pelo cristianismo agostiniano, luterano e protestante, passamos ao ceticismo crasso ou completo do tempo presente. O ceticismo religioso foi apenas um preâmbulo...

Parte da cristandade no entanto, preferiu abraçar outras certezas, não tão amenas ou consoladoras mais ou menos 'certas', a exemplo dos já citados materialismo e ateismo, do deísmo ou de outras formas religiosas. Nem todos puderam arcar com o ônus do ceticismo, fosse religioso, como o de Montaigne, ou irreligioso ou naturalista como o de Hume.

Tudo quanto podemos dizer é que este ceticismo religioso batizado por Agostinho, crismado por Ockham e santificado por M Lutero foi que introduziu o Ocidente nos caminhos dos diversos naturalismos subsequentes. Em termos católicos, propiciou e alimentou a apostasia, e continua alimentando-a até hoje. Pois alegar que o homem é um coitadinho, frustrado ou incapaz jamais saberá a uma 'Boa nova'. É uma nova maligna, um anti Evangelho.





domingo, 8 de janeiro de 2017

Optando por um padrão de cultura

Em tempos de relativismo cultural falar em padrão de cultura, ao menos mais os mais ignorantes e toscos pode até parecer absurdo.

Demasiado conhecido por nós é o roteiro da superstição relativista - da Religião, a Filosofia e desta a Ética e a Cultura.

No âmbito da cultura o pregação relativista assevera que todas as culturas são iguais ou que possuem o mesmíssimo valor. Tanto a do aborígene australiano quando a Chinesa, tanto a dos halacalufes da terra do fogo quanto a russa, tanto a dos pigmeus africanos quanto a helênica, tanto as mais primitivas quanto a greco romana ou clássica.

Para os relativista trata-se de dogma sagrado e indiscutível e você não pode questionar, do contrário começam a berra: Nazista, nazista, nazista... Sem saber ou fingindo ignorar que os nazistas adotavam um critério étnico, afirmando antes de tudo e acima de tudo a suposta superioridade racial do povo germânico. Os nazistas são racistas, nós culturalistas. Pois a etnia é algo dado pela natureza e que não se pode mudar mas a cultura assimilável.

Assim para os nazistas a única solução viável é oprimir e exterminar as raças que consideram inferiores violando os direitos essenciais da pessoa humana.

Já para nós a solução é educativa e se dá na averiguação das fontes da cultura, na recuperação da parte mais nobre e elevada de nossa identidade, no resgate de um sentido, na reflexão e diálogo sobre os valores, etc

Não se trata de eliminar as culturas que se tem em conta de inferiores ou os aspectos primitivos e retrógrados de uma cultura e menos ainda de negar a quem quer que seja o direito de identificar-se com elas, mas apena e tão somente de demonstrar a desigualdade em termos de valores, de afirmar um ideal de cultura superior e de advertir a sociedade sobre a conveniência de adotar um padrão de cultura superior, voltado para a afirmação da Ética da pessoa.

Portanto já deixamos bem claro que a notação valorativa da cultura esta diretamente relacionada com a Ética ou os princípios e valores da idealidade. Assim teremos em conta de superior a matriz cultural que promova mais intensamente a pessoa humana e sua dignidade.

Não, nós não negamos o fundamento basilar da antropologia segundo o qual tudo quanto o homem produza seja cultura. O que nós questionamos é que toda a produção cultural humana, especialmente em termos de cultura imaterial, seja absolutamente igual.

Claro que esta temática nos leva de chofre ao complicadíssimo problema da cultura ocidental contemporânea e por consequência aos temas do Capitalismo e do Americanismo.

De fato a afirmação cada vez mais pronunciada do Capitalismo - e do processo de desumanização das sociedades ocidentais contemporâneas - e a expansão do americanismo com sua banalização de todos os aspectos da vida tem levado muitos críticos, até mesmo parte dos que pertencem a esquerda rosa ou moderada, a repudiar nossa civilização ou cultura como um todo i é em bloco, e consequentemente a afirmar a superioridade (de par com o relativismo rsrsrsrsrsrs) das culturas mais primitivas como a indígena, pelo simples fato de não serem tão desumanas, devastadoras e cruéis.

Até certa medida a crítica parece-nos justa e digna de ser aplaudida. Inegável que após a apostasia Ética do Ocidente - em termos de essencialidade e humanismo - adoção de um padrão materialista e economicista voltado para as necessidades artificiais e desumanas de um mercado, levaram parte da sociedade ocidental a portar-se pior do que os povos primitivos da Ásia, da África e da América. A negação e morte da Ética no Ocidente, alimentada pela ideologia positivista, acarretou um deficit tão grande neste setor da existência que nos tornamos tão grosseiros e brutais quanto nossos antepassados trogloditas. Assim os primitivos conservaram algum sentido rudimentar de ética enquanto o 'Homo economicus' perderam-na por completo e se tornaram de tal modo insensíveis que colocaram em risco sua própria existência bem como a de todo planeta.

Aplicada a civilização sobreposta que temos, a crítica é válida, bem como a veemência da revolta, pois basta dizer que as necessidades artificiais de consumo impostas pelo sistema estão a acabar com a fauna, a flora e com o próprio ambiente, ou seja, com o ar, a terra e as águas tornando tudo empesteado e insalubre. Se estamos já no antropoceno e a extinção de milhares de espécies de vegetais e animais bem como o envenenamento do ar, das águas e do solo é resultado da ação antrópica, somos os pivôs da catástrofe.

É um sistema suicida e o pior é que há pessoas decididas a mante-lo ou a oculta-lo tanto recorrendo a mentira como negando cinicamente os fatos.

Diante disto como condenar a reação extremista concentrada do outro lado ou do lado vermelho???

Agora o que direi a tantos quantos odeiam este sistema e detestam a esta cultura de morte é que não corresponde as autênticas fontes de nossa civilização.

Efetivamente nem o Capitalismo nem o Americanismo fazem parte efetiva de nossa cultura.

Então o que?

O que temos, ainda agora, é uma sobreposição anômala de culturas distintas e excludentes, assim os elementos - cada vez mais frágeis - de nossa autêntica cultura 'Ocidental', greco romana e Católica (não confundam o termo Católico com romano ou papista, e menos ainda e claro com protestante!), socrática, humanista, personalista, solidarista, justicionista, socialista, trabalhista, essencialista e sobretudo Ética e a estrutura da anti cultura protestante, individualista, capitalista e americanista elaborada a partir do século XVII. São elementos ou estruturas que jamais se fundem ou confundem levando ao conflito, a dissolução, a fragmentação, a perca das forças e a crise!

Evidentemente que nem todos estão plenamente conscientes deste conflito uma vez que não estudam o sentido ou espírito se suas próprias crenças (assim os Católicos alienados) e menos ainda as fontes mais remotas da cultura européia, em termos de princípios, de valores e enfim de Ética.

Não os fundamentos da nossa cultura não se encontram em N York, em Washington e nem mesmo em Londres, Genebra ou Wittemberg mas ao Sul, na Hélade de Sócrates, Platão e Aristóteles, na Jerusalém de Jesus, Tiago e João, na Roma de Paulo, Papiniano, Modestino e Ulpiano e por fim naquela brilhante síntese elaborada por Aquino e em seguida pelos já citados: Vitória, Soto, Bañez, Las Casas, Morus, Erasmo, Campanella, Suarez, Mariana, Bellarmino, Mably, Morelly, Lammenais... Tal o embrião do que deveria ser nossa cultura não fossem os contatos com o islã, a reforma protestante, o capitalismo, o comunismo, o anarco individualismo, o fascismo, o nazismo e todas essas aberrações monstruosas.

Mesmo porque um desvio puxa outro, o homem vai se afastando mais e mais de sua meta ideal e caindo de abismo em abismo.

É o que vem acontecendo conosco a cerca de 500 anos e eu que posso ser até reacionário (por buscar novos valores nas Idades Média e Antiga) mas que de modo algum sou conservador ou solidário para com esta nova estrutura desumana e anti humana enquistada na Civilização européia não perderei meu precioso tempo tentando justificar as cagadas do capitalismo e do americanismo, os quais tenho em conta de lixo ideológico enquanto negação sistemática de nossas raízes voltadas para o SER e não para o TER.

Tudo quando desejo explicitar que considero esta síntese cultural elaborada pelos fins da I Média ou pela nova escolástica espanhola a partir de elementos cristãos católicos, gregos e romanos como padrão de excelência justamente devido aos princípios e valores assumidos por ela.

Assim a política natural (vide artg precedente), a soberania popular, a perspectiva democrática, a afirmação do bem comum, a noção de justiça social, a relação trabalho/valor, o reconhecimento da liberdade pessoal (segundo Fustel de Coulanges ignorado pelos próprios gregos), sacralização da vida e sua dignidade, etc Lamento mas como historiador e educador não posso, sob pretexto de condenar ou combater o capitalismo, negar ou minimizar estes elementos tradicionalmente presentes na Cultura européia pelo simples fato de que o capitalismo consolidou-se repudiando-os!!!

Por isso considero vital o resgate de tais princípios e valores e um retorno crítico as fontes de nossa identidade e cultura, justamente com o objetivo de dar combate ao capitalismo. Claro que você sempre poderá partir de Marx, Lênin, Sorel ou Bakhunin numa perspectiva mais radical e iconoclástica. Mas também pode e eu posso - como Francisco Giner de Los Rios - partir de Sócrates, Platão, Aristóteles, Sêneca, Jesus, Basílio, Patrício, Aquino, Francisco de Assis, Vitória, Suarez, Mably, Lammenais, etc e elaborar um crítica não menos contundente. Agora eu tenho uma vantagem porque estou apelando - e buscando resgatar - as fontes tradicionais de nossa cultura, quiçá ainda presentes no imaginário coletivo dos povos...

E embora eu reconheça - especialmente face aos estragos feitos pelo capitalismo - que diversas culturas primitivas possuam elementos éticos dignos de aplauso e apreço, em nenhuma delas deparo com uma síntese tão bem feita como a que se me apresenta na Europa ante protestante e pré capitalista. Por isso que eu a assumo e identifico-me com ela embora não observe os críticos da anti civilização capitalista integrarem-se as sociedades ou culturas que tanto louvam e fazerem-se ianomamis ou jurunas, pigmeus, bosquimanos, halacalufes ou aborígenes como seria de se esperar por força de coerência. Criticam - e a crítica é até certo ponto válida e necessária - nosso modo de vida e valores 'in totum' mas quando ficam doentes não desprezam uma penicilina e quando viajam não recorrem a lombo de burro ou troncos de madeira...

Implica reconhecer que nosso modelo cultural ou civilizacional possui aspectos ou pontos positivos e negativos e que o ponto negativo mais saliente é a ideologia Capitalista. Agora não podemos confundir com o Capitalismo uma Sociedade que é milhares de anos anterior a ele e que por muito tempo subsistiu sem ele. É o quanto basta para demonstrar que o Capitalismo esta presente na Sociedade ou na cultura européia mas que não é a Sociedade e a cultura européia. Sim ele também produziu cultura, uma vez que esta ai há quase meio milênio. Mas não conseguiu eliminar toda cultura precedente, de que ainda há copiosos resíduos na civilização européia.

Sim, em termos de cultura sou eurocêntrico convicto e assumido, não desse eurocentrismo fajuto, fingido e hipócrita que assumiu os valores perversos do americanismo e conciliou-se com a ditadura do Capital. O americanismo corresponde a outros valores e sua matriz é a reforma protestante enquanto modelo radical de ruptura com o passado. O eurocentrismo humanista, fundamentado em nossa herança greco romana bem como no legado do Cristianismo primitivo é por natureza inconciliável com a visão americanista ou capitalista de mundo. Basta dizer que os ideais do mundo helênico giravam em torno do bem, do belo e da verdade enquanto que o ideal yankee jamais ultrapassa o vil metal ou o lucro.

A questão específica da Inglaterra será analisada no próximo artigo.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

É Jesus um coquetel de deuses antigos? Uma resposta ao panfleto 'RELIGIÕES: TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE MORRER' - Oiced Mocam





A serenidade nos faz ler muitas bobagens e silenciar ou calar.

Em determinadas circunstâncias tentar refutar uma tolice pode acabar sendo demonstração de tolice ainda maior.

E também, como dizia o velho Orígenes, há quase mil oitocentos e cinquenta anos, a vontade humana continua irrefutável.

Se a pessoa quer ou deseja acreditar em algo nada do que escrevamos ou digamos mudará isso...

As vezes é sinal de sabedoria poupar argumentação, tinta e saliva!

Por outro lado, quando algum amigo querido ou aprendiz solicita uma refutação, então temos algo sobre o que pensar.

E neste caso só resta fazer algo muito bem feito.

Por isso pensei, pensei e pensei...

No entanto o que me fez tomar decisão, foi um desses inúmeros textos imbecis que desfrutam da boa graça dos esclarecidos internautas e faceboqueanos mas que seriam varridos incontinenti e como lixo dos meios acadêmicos.

Plagiando Julio César até posso dizer que: LI, RELI E NÃO CRI!

Pois até mesmo a estupidez há de ter seus limites. Ou não?

E como o fragmento da porqueira estivesse truncado e sem indicações lá fui eu pesquisar qual fosse a fonte, e céus eternos, para minha maior surpresa pude encontra-la!

Trata-se da obra intitulada - 'Religiões tudo que você precisa saber antes de morrer.' Busquei o nome do autor e ao invés de dar com ele, tudo quanto pude encontrar foi um anagrama (nome falso ou codinome FAKE) Oiced Mocam (Decio alguma coisa, Macom??? Não sei, mas até gostaria de sabe-lo para desafia-lo a um debate publico!). Trata-se portanto de obra tão chula que o autor até tem receios de vincular seu nome, preferindo recorrer as estrategias das Tjs, assim ao anonimato...

Ademais o titulo é absolutamente falacioso e enganador.

Pois não se trata de expor imparcialmente os credos religiosos, ou de descreve-los como faz a verdadeira ciência acadêmica representada por um G Vermes ou por um J D Crossan, mas de um ataque as religiões em geral, especialmente é claro ao Cristianismo, religião a que o autor vota profundo ódio. E busca apresentar tão rasteiro sentimento como cientifico!!!

No entanto já antes de darmos com o prato principal, começa o pregador ateístico a clamar contra o culto da Cruz, alias Católico, posto que os protestantes a exemplo dos ateus, também odeiam a cruz. E a partir de sua Bíblia passaram a apresenta-la como pagã e diabólica, bem antes dos ateus, os quais limitaram-se a copiar ou reproduzir a parlenga dos reformadores, seus mestres...

E de chofre já declara que o símbolo da Cruz passou a ser empregado pelos Cristãos muito após a morte de Jesus... Claro que ele se contenta com um 'muito apos' genérico, pois precisa-lo em termos de tempo não dá né... e sempre se pode dar uma 'saída para a esquerda...'

Seja como for numa de suas Epístolas - Tida como autêntica pela própria crítica racionalista e indiferente (cf E Renan 'Historia do Cristianismo') - o apóstolo Paulo já se refere a cruz como símbolo do poder e da glória de Deus e vinte anos após a morte de Jesus. Para além disto altares com cruzes foram escavados numa capela Cristã existente na cidade de Pompeia, soterrada pelo Vesúvio no ano 80 desta era (meio século apos a morte de Cristo) e fragmentos de vidros com cruzes gravadas foram encontrados nas ruínas de uma das primeiras igrejas cristãs de Damasco capital da Síria, construção que data do seculo I.

De modo que em meados do século II o polemista Ortodoxo Tertuliano de Cartago, aconselhava os Cristãos a traçarem o sinal da cruz a proposito de qualquer coisa... Antes de comer, beber, dormir, ler, etc.

Portanto a alegação do panfletário cristianofóbico carece de todo e qualquer embasamento.

Alegar que a Cruz ou qualquer outro símbolo assumido e empregado pelos cristãos é anterior ao Cristianismo nada significa caso consideremos a doutrina dos arquétipos ou símbolos universais presentes já na mente, já na cultura. O fato de existirem antes do Cristianismo comunica lhes veneranda antiguidade enquanto o fato de terem sido assumidos pela igreja indica que o Cristianismo converteu este universo mental de veneranda antiguidade em realidade concreta, inserindo-o nos domínios da História. O que precisa ser explicado não é a existência do símbolo 'a priori', mas sua presença 'a posteriori' na História do Cristo, assim a Cruz, assim a crucificação dele... Ela é que pede a explicação e a explicação é que os símbolos e arquétipos onipresentes no imaginário humano encontraram correspondência na vida deste ser humano singular.

Pois os cristãos só assumiram os símbolos antigos na medida em que tinham relação com a Historia de sua fé. Tomando o Cristo como referência fizeram uma seleção e tudo quanto não trazia este sentido foi descartado...

Genial a resposta dada a essa gente pelo nosso Joaquim Nabuco: Toda vez que vocês demonstram que algo no Catolicismo é mais antigo do que ele, mais venerando, mais remoto e tomado a religião ancestral do paganismo, tanto mais me apego a esta religião que corresponde aos anseios mais remotos da humanidade.

Em seguida o catequista ateu lança esta maravilhosa pérola de grande quilate: Sem o antigo testamento de que o Cristianismo se apoderou o Cristianismo jamais teria existido.

Diante desta pérola gigantesca não temos como nos controlar e só nos resta exclamar: E há redundância brava aqui! Pois se nosso gênio já havia mencionado o Cristianismo na primeira parte do período a norma culta da nossa lingua determina o emprego de pronome pessoal 'Ele' quando se refere ao Cristianismo pela segunda vez. No entanto a alma bárbara que compôs esse enorme acervo de afirmações gratuitas e estapafúrdicas porfia em martirizar a 'flor do lácio inculta e bela' enquanto vai destilando seu veneno puramente ideológico.

Pois ao contrário do que propala o apóstolo San Harris ateísmo não sendo material, imediatamente acessível aos sentidos, perceptível e empírico é meramente ideológico e por isso mesmo lançado pelos verdadeiros céticos ou agnósticos no mesmo balaio que o teísmo e tido em conta de fé ou especulação. Não, não são os cristãos que dizem isto e nem mesmo os religiosos mas pensadores do quilate dum Huxley. E se como alega o sr Pirula 'Darwin chegou perto do ateísmo' é justamente porque não chegou ao ateísmo, como por estar perto da Catedral da Sé não estou nela, pois se estivesse nela não estaria perto...

Quanto ao Antigo Testamento a afirmação é veraz quanto as profecias alusivas a vinda ou manifestação futura de Jesus Cristo, tais como: Uma Virgem dará luz a um filho... ou Um menino nos nasceu, filho nos foi dado... ou ainda Cresceu diante de nos como pobre rebento... varão das dores, moído pelos sofrimentos, etc Evidentemente que os ateístas odeiam tais oráculos pelo simples fato de que apesar de terem gasto toneladas de tinta e papel, jamais conseguiram refuta-los sob qualquer perspectiva. Pelo que continuam convencendo muitos homens de valor.

Agora para além das ditas profecias a relação existente entre Evangelho ou Cristianismo e Antigo Testamento ou Tanak, ao contrario do que declaram Calvino e os reformadores protestantes, foi marcada pela criticidade e pela rejeição. Moisés vos ensinou... disse o Mestre amado, eu porem vos ensino... O que atraiu a cólera dos rabinos opressores e reacionários com sua gama de preconceitos, e determinou o assassinato do subversivo ou revolucionário galileu (cf  'Cristo, o maior dos anarquistas', por Anibal Vaz de Mello).

Pouco mais adiante, pois a obra prima sequer é paginada e o autor parece ignorar que sejam números, damos com a afirmação arbitraria de que Jesus não passara de um tipo ideal, noutras palavras de um mito sem direito a existência histórica concreta. Assim entre o nazareno e o Mikey Mouse ou o Peter Pan não haveria qualquer diferença significativa. Incrível como os ateístas se mostram tão acríticos e apegados a suas tradições podres quanto qualquer judeu ou protestante. Haja visto sua petição ao arcaico e ultrapassado E Bossi cuja filípica remonta a século e meio tendo sido refutada brilhantemente pelo Pe Senna Freitas dentre outros tantos... Mas nosso crente, confiando docilmente nos dogmas estabelecidos pelo sr Bossi, sequer folheou a obra de Senna Freitas ou mesmo - o que é infinitamente mais grave - as dos já citados pesquisadores e cientistas Vermes e Crosan duas 'bestas' que jamais se atreveram a postular seriamente a inexistência de Jesus.

A justiça no entanto obriga-nos a reconhecer que apesar da sujidade acumulada sobre esse monturo, há ali uma flor e flor odorífera.

Pois ao menos o autor, descrevendo Jesus como mero 'avatar da Filosofia grega' reconhece a decantada relação existente entre o Evangelho e a Filosofia helênica ou entre Cristianismo e Socratismo, reconhecida pelo insuspeito Nietzsche e enfatizada pelo eruditissimo Wener Jaeger na "Paideia Cristã e Paideia grega". 

Eis porque - segundo já citado Nietzsche - Jesus e Sócrates devem ser abatidos juntos, ademais o pensador de Silz Marie jamais acalentou duvidas sobre Cristianismo e Humanismo sobreviverem ou morrerem juntos. Paradoxalmente é este 'humanismo' florescente apenas naquele cristianismo 'paganizado' a que chamamos catolicismos, não no cristianismo judaizado e sectário i é no protestantismo, sempre infenso a nossa herança greco romana incorporada pelo primeiro.

Justamente por ter percebido esta correspondência entre a Filosofia grega, no que tinha de mais excelente - o socratismo e o aristotelismo - e o Catolicismo é que aderi a este e o tenho professado até hoje após ter descrido dos mitos do antigo testamento e rompido com o protestantismo.

A percepção de que a organização Cristã primitiva logrou realizar, ainda que precariamente - e nos referimos ao aparelho de serviço social criado pelo Império Bizantino no século IV ( com a Magnaura, jardins da infância, hospícios, escolas, hospitais, asilos, orfanatos, recolhimentos, leprosários, dispensários, etc ) o ideal de sociedade fraterna esboçado por Sócrates e Platão foi terminante para mim. Nenhuma ideologia - em termos puramente humanos - mais vigorosa do que a socrático/platônica/aristotélica, quiçá mais vigorosa entre os antigos no final da Era pré Cristã, do que o positivismo na segunda metade do século décimo nono, o marxismo na primeira metade do século vinte ou o pós modernismo em nossos dias.

E no entanto essa ideologia colossal não conseguiu preservar o mundo antigo da destruição.

Sossobraram os ideais pagãos de Sociedade humanista com a Sociedade que os gestou apesar de sua imensa popularidade.

Roma - então repositório de tudo quando havia sido acumulado pelo Ocidente desde os egípcios e sumérios - caiu fragosamente e com ela todo um projeto de Sociedade e ideário de vida elaborados pelas mentes mais brilhantes que o mundo conhecera.

A queda o Império romano, a crise e colapso da civilização antiga implicam reconhecer que Sócrates, Platão e Aristóteles não haviam sido capazes de reforma-la ou de sanea-la eticamente. Implica reconhecer que seus heroicos esforços falharam.

Agora se estamos bem informados e levamos em conta quais foram as culturas que substituíram aquele império e que fizeram com ele temos de nos perguntar por que raios ainda sabemos tanta coisa a respeito daquele mundo destruído, seu ideário de vida e projeto de sociedade???

Quem não souber que eram os bárbaros germânicos e que faziam as cidades romanas com suas pontes, aquedutos, templos, estátuas, bibliotecas, teatros, escolas, pinacotecas, estádios, etc o conteste; assim como quem ignorar ou não souber o que a primitiva jihad islâmica fez com os principais centros helenísticos do Oriente próximo... Dar-me-ei satisfeito com rememorar a destruição da Biblioteca de Skandaria, por Amru al ass valido do quarto califa Omma ibn Katib.

Ruínas fumegantes, destroços e cadáveres era tudo quando restava daqueles então florescentes espaços de cultura.

No entanto os nomes de milhares ( O Florilégio de Ihoannes Stobaeus apenas contem centenas deles) de personagens relacionados com a cultura clássica nos são conhecidos e digo mais, até detalhes de seus vidas e opiniões. Agora a quem se deve isto se os germânicos e muçulmanos nutriam total ojeriza para com aquele padrão cultural???

Teriam os guerreiros islâmicos e/ou teutônicos compilado e transmitido a posteridade a Eneida de Vírgilio, As vidas e doutrinas dos filosofos ilustres de Laertius, a Antigona de Sófocles, as Memoráveis de Xenofonte ou dos Diálogos de Platão???

É verdade que chegaram aos muçulmanos 'liberais' ou mutazilas que floresceram do século IX a XI desta Era, como no entanto haviam chegado a eles?

Será que Ésquilo, Aristóteles ou Sexto caíram dos céus nas mãos dos esclarecidos mutazilas???

Até onde esclarece-nos a crítica mais sólida tais escritos haviam sido tomados ao siríaco ou arameu. E vertidos a esta lingua - a partir da lingua original, o grego - por teólogos, clérigos e Bispos Ortodoxos, tanto malkaya ou bizantinos quanto assírios e siríacos. Já no Ocidente as memórias dos latinos como Cícero, Sêneca, Tácito, Lívio, Suetônio, Catulo, Estácio, Propércio, etc haviam sido compiladas primeiramente pelos monges escribas congregados por Cassiodoro em Vivarium, posteriormente, sob Columbano em Bobbio e por fim em Lidsfarne e outras abadias da distante Irlanda ao tempo de Scottus Eurigen. cf "Como a Irlanda salvou a cultura" Th Cahill

Como se vê quem salvou e preservou os fragmentos, vestígios ou elementos de Filosofia grega ou de civilização clássica que chegaram até nós foram os odiados monges Católicos. Foram eles que compilaram e transmitiram tais tesouros a posteridade. Agora se havia marcada oposição entre o conteúdo de tais obras e a fé Cristã por que raios o teriam feito???

O simples fato dos monges terem compilado e preservado tantos e tantos monumentos da Filosofia grega remete-nos mais uma vez a questão da afinidade.

Era Jesus de fato um 'avatar da Filosofia grega' mas vivo e real perdido nos confins obscuros e arenosos da judeia ou da Galileia. Podem os ateus explicar naturalmente este 'fato'? Não. Então já sabemos o que os leva a negar a existência de Jesus. Porque se trata dum homem póstumo ou extraordinário, subversivo ou revolucionário, emblemático e misterioso... Este eco de Sócrates e/ou Platão a expandir-se pelos ínvios desertos da Palestina é um desafio a crítica anti Cristã porque esta figura terá de ser no mínimo grandiosa ou não vulgar.

De fato um Jesus vulgar em termos de rabino acrítico, crédulo, topo e bem comportado é o que jamais existiu.

CONTINUA - 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cultura européia, cultura norte americana e cultura islâmica IV - Balanço final

Balanço final - superando falsas dicotomias 


Não sei saber quem é mais safado: o americanista tecendo críticas ao islamismo ou o islamófilo/muçulmano tecendo críticas ao americanismo.

São dois hipócritas que se merecem.

De minha parte não desejo viver nem sob o jugo totalitário da sharia, nem sob o jugo aviltante do capital.

Por isso digo não há ambos os modelos sociais: o árabe e o norte americano, o islâmico e o economicista liberal, o teocrático e o plutocrático.

Não quero escolher entre o islamismo e o americanismo porque ambas as culturas ignoram o sentido do homem e restringem seus direitos.

Não desejo nem quero ser oprimido por uma fé que santifica a violência ou por uma ambição desmedida que ignora os imperativos da justiça.

Repúdio pois ao convite: Islã ou americanismo ou V V.

Pertenço decididamente a terceira via ou aos não alinhados que recusam-se a aceitar esta falsa dicotomia de um mundo islamizado ou capitalizado.

Pelo contrário penso numa dupla frente de luta: contra o capitalismo e contra o islamismo. Numa luta em prol do humanismo. Porque o homem seja posto acima de tudo, acima da fé e acima do lucro e seus direitos garantidos.

Neste sentido como deixar de olhar para aquela parte do velho mundo chamada Europa???

Não para a Europa contaminada pelo delírio materialista do século XIX.

Nem mesmo para a Europa abalada pela grande rebelião do século XVI.

Quiça nem mesmo para a Europa do século XIV, já dominada pelo papado, embora haja ainda nela um sentido de grandeza.

Mas não me satisfaz.

E menos ainda para a Europa barbarizada e fumegante do século V.

Olho decididamente para o passado remoto do século IV, o século de Ambrósio de Milão e dos grandes padres da Igreja!

E ouso erguer meus olhos para além dos umbrais do Cristianismo! Para a Atenas do século V e IV a C. A Atenas de Sócrates, Platão, Aristóteles, Zenon... cidade de meu coração!

Ouso dirigir meu olhar ao passado longuinquo não por pensar ou mesmo desejar que se repita nos mínimos detalhes. O que seria para lá de ridículo ou de absurdo.

Olho para tais idades apenas como fonte de inspiração, donde podemos recolher ou retomar alguns princípios e valores deixados para trás no curso dos tempos.

A História não pode ser repetida, mas valores certamente podem ser resgatados e talvez até mereçam ser resgatados com o intuito de tirar-nos deste cenário de pobreza ética e intelectual.

Por isso não posso deixar de contemplar saudoso as fontes de nossos dois grande amores: a liberdade e a justiça! Esta afirmada por Platão e Jesus Cristo, aquela sustentada por Aristóteles e Jesus Cristo!

Democracia e socialismo.

Não a democracia puramente formal e posta a serviço do lucro. Mas uma democracia fiel ao espírito da justiça! Não um socialismo totalitário, mas um socialismo em comunhão com a liberdade!

Coisa que os EUA não nos deram e que islã jamais poderá nos dar.

Os EUA apresentam-nos a lei dos mais forte, trazida nas pontas das baionetas e nas bocas dos canhões. O islã os grilhões da sharia e a servidão da Djzia! Que só os emasculados, covardes e degenerados podem aceitar!

Ao contemplar a Europa do século V a C a primeira metade do século XX d C encho-me de vivo otimismo, porque deparo-me com uma pleíade de sábios e pensadores e um imenso mosaico de teorias sociais, políticas e econômicas dos mais diversos matizes. Importa que estejam em oposição tanto ao capitalismo quanto ao islamismo... ou em comunhão com o comunismo. Não, não me refiro ao comunismo, nem ao nazismo, ao fascismo ou ao anarco individualismo; que são outros tantos venenos como o capitalismo e o islamismo. O cenário intelectual que descortino é muito mais rico, vasto, profundo e amplo do que podeis imaginar!

Quando fato em Europa, cultura e civilização européia não me refiro em hipótese alguma a EUROPA PROTESTANTE ou alemã. Pois esta trás em seu bojo os germes do capitalismo com que se faz solidária!

Refiro-me a Europa em luta com o protestantismo - e posteriormente contra o capitalismo - e anterior ao protestantismo. Não apenas a Europa Católica, ortodoxa e SEMI PELAGIANA do século IV desta Era, mas acima de tudo a Europa ancestral e pagã, sim pagã, pagã mas divina, de Sócrates, Platão, Aristóteles, Zenon, Cícero, Strabo, Sêneca, Quintilianus...

Em tudo o protestantismo se me apresenta como humano e mesquinho, já por ter apresentado a igreja romana como paganizada! De minha parte encaro os Catolicismos como geniais ou divinos justamente por terem incorporado e conservado parte de nossa herança pagã! Apesar de seus erros grande foi o papismo por ter contribuído em certa medida para o Renascimento durante os século XIV e XV! Agora contemplemos a pobre Alemanha: Surge Lutero e desde então é atalhado o curso de um Renascimento que jamais veio a realizar-se!

Lutero auxilia os príncipes a esmagarem os camponeses rebelados e faz prolongar a Idade Média na Alemanha até 1810 quando é invadida por Napoleão!!! Prega contra os infelizes judeus e inspira o nazismo! Imitador servil de Paulo alimenta o monstro da estatolatria! Morre o luteranismo no século XIX mas a estatolatria e o anti semitismo alimentados pelo pseudo reformador permanecem vivos!

E por duas vezes lavam a Europa em sangue!

Lutero - teórico a um tempo do fascismo e a outro do nazismo -  e sua reforma, juntamente com o sistema de mercados rivais, conduziram a Europa a duas tremendas guerras mundiais! Portanto os fundamentos do protestantismo e do Capitalismo não prestam, devem ser removidos! Agora não pode uma Sociedade sobreviver sem seus fundamentos.

Então o que haveremos de por em seus lugares?

O Comunismo? O anarco individualismo?

A solução comunista não só falhou por completo na Rússia como degenerou em expurgos!

A do anarco individualismo talvez saísse ainda pior, resultando na guerra de todos contra todos de Hobbes!

O islã???

Talvez se fosse capaz de desprender-se totalmente da cultura árabe. No momento presente porém, isto parecer estar bem longe de acontecer.

Islã e sharia ainda são apresentadas como uma e mesma coisa.

Sistema regulador de natureza totalitária e não uma fé inspiradora é o que o islã pretende ser em nossos dias.

Como o Comunismo, o fascismo e o nazismo ele sufoca o homem livre.

Aqui não se pode falar livremente contra o partido, o estado ou a raça, ali não se pode falar livremente contra o livro... A mesma coisa!

Então só posso sugerir um retorno ou um resgate de sentidos, valores e princípios que estevam no passado da Sociedade Européia. Sentidos, valores e princípios que deixamos para trás, mas que se quisermos podemos resgatar.

Neste sentido um olhar sem preconceitos relativistas e hipócritas para as fontes de nosso passado e ancestralidade pode ser revelador.

Pois poderá levar-nos a superar esta falsa dicotomia em termos de americanismo ou islã, explorada pelos oportunistas e radicais de ambos os lados com seus telhados de vidro.

Concluindo: por ser adversário do americanismo não me torno como os esquerdopatas aliado do islã e por ser adversário do islamismo não me torno, como supõem, os ulemás imbecis, aliado dos americanistas. A dinâmica social cultural é muito mais complexa do que supõem estas duas formas de extremismo.